sábado, 30 de abril de 2011

DESCULPA DO VENTO


Haverá alguém culpado
daquilo que eu aqui sou
com os ventos
cataventos
se fiquei cá deste lado
é porque alguém assoprou

O vento é uma desculpa
para mostrar um motivo
seja esse
bem merece
que possa abarcar a culpa
mesmo sem ser exclusivo

Seja quem for não importa
estou aqui é verdade
correria
ventania
se entrei por certa porta
sairei com humildade

Depois será o que for
nas trevas e sem ruídos
apatia
calmaria
quer beleza quer horror
não custarão os sentidos

O vento é coisa de vivos
quer mansinho quer zangado
arejando
maltratando
ás vezes traz donativos
outras mostra o seu enfado

Se sou aquilo que sou
os ventos não são chamados
inocentes
ou ausentes
quando for chamado eu vou
tal e qual outros finados

Vento sem culpa, ventinho,
não tem nada a ver comigo
assim sou
quando vou
ou quando irei de mansinho
p’ro meu derradeiro abrigo

VELHOS E NOVOS PAÍSES



OS NOSSOS MAIS DE OITO SÉCULOS de História são evocados frequentemente como motivo para reforçar as acções que tomamos em determinados momentos, como quem tem de se dar sempre razão a quem é velho apenas e só por essa circunstância. Como Portugal passou pelas mais variadas situações e delas, melhor ou pior, lá prosseguiu a sua existência, cada vez que temos pela frente um problema ainda que com gravidade acentuada logo toca o sino da longevidade para animar os sofredores de que, desta vez, também sairemos airosamente e caminharemos em frente. É uma forma muito lusitana de arredar asa dores e as aflições.
Na fase que atravessamos cá nos encontramos nós perante mais um período em que a solução para sairmos de um aperto que as circunstâncias nos criaram e os optimistas garantem que um País não desaparece assim e que, desta vez tal como das outras, continuaremos a seguir a nossa vida e, melhor ou pior, Portugal manter-se-á a acumular anos sobre a sua longa permanência.
O caso que tem sido tão falado nos últimos tempos da atitude tomada pelos islandeses para se conseguirem libertar das consequências de uma crise que suplantou a maioria das aflições por que passaram e ainda passam (vide o que ocorre connosco) tantas nações em diferentes partes do mundo, mas especialmente na Europa, o que um País com apenas 67 anos de idade – pois tornou-se independente da Dinamarca em 1944 – tem vindo a fazer naquela ilha friorenta lá no alto do Continente deveria ser estudado de forma profunda por todos nós que, aqui neste rectângulo, falamos demais e actuamos sempre de maneira curta.
Logo após a falência dos bancos islandeses e sem dinheiro do Estado para os salvar, foi logo criada uma Comissão Especial de Inquérito, cujo objectivo foi o de destapar todas as acções que foram as causadoras da situação a que chegaram e denunciar os compadrios que retiveram na origem nas corrupções, nos buracos negros de muitos milhões de euros, na pobreza e no desemprego. E, dois meses depois de terem aparecido os primeiros sinais dos efeitos da crise, logo se foi tomando conhecimento dos autores e dos responsáveis principais pelas ocorrências e um grupo formado apenas por seis elementos, todos competentes, logo foi vasculhada toda a história dos banqueiros mal comportados, das fortunas suspeitas de terem saído das criminosas actuações de uns tantos, dos responsáveis políticos que não foram capazes de usar os seus poderes para pôr ponto final numa situação que merecia ser devidamente condenada.
O relatório que foi posto à disposição dos islandeses, feito em apenas seis meses, deu conhecimento à população do que se tinha passado e foi daí que a Islândia começou a dar os passos que foram considerados indispensáveis para tirar o País do a fogo em que se encontrava. E foi a partir daí que toda a população, dando as mãos, pondo de lado preferências ideológicas na política, reescrevendo uma nova Constituição e reforçando a República instituída, tem vindo a conseguir melhorar o que dava mostras de não ter remédio. E, claro, os responsáveis têm vindo a ser obrigados a prestar contas.
Não acrescento o muito que há a referir no que respeita à actuação de um País que, encontrando-se lá nos altos da Europa, sem História para se gabar, tem constituído um exemplo que a mundo deveria aplaudir.
Não me permito fazer comparações. Tenho pelos velhos o maior respeito e os que deixam boa obra merecem ser recordados e acarinhados. Mas o que não podem é teimar em cometer os mesmos erros e não ser capazes de reconhecer que, por vezes, a idade cansa e provoca alguma teimosia que deve ser posta de lado para dar lugar a ideias novas que, também elas, resolvem problemas de acordo com as técnicas actuais.
Seria bom que algumas cabeças pensantes do nosso País fossem estudar na Islândia o que pode um País com menos de um século ensinar aos velhos.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

FELIZES E INFELIZES

Quando nós bramamos aos quatro ventos
infelicidade que nos calhou
não podemos esconder os lamentos
a que a má vida nos obrigou
queremos que saiba a maioria
o muito que sofremos nesta vida
o que é isso da grande agonia
o que nos coube na grande corrida

Só posso dizer num breve poema
que esse mal da infelicidade
que consideramos grave dilema
seria a maior felicidade
para os mais infelizes ainda
aqueles que não tendo mesmo nada
considerariam mudança linda
chamando a isso obra de fada

Não sejamos então grandes chorões
aceitemos aquilo que nos fez
sofrer constantemente abanões
e desfazendo as rugas da tez
chegar a este ponto cá da vida
trocar a nossa infelicidade
com tanta boa gente mais sofrida
p’ra eles seria felicidade

FELIZES E INFELIZES



AO TOMAR-SE CONHECIMENTO, e dando como certa a notícia posta a correr de que as relações entre José Sócrates e o ainda ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, não se podem considerar como cordiais, antes pelo contrário, aumentam as preocupações relativamente ao ambiente de entendimento que é absolutamente necessário existir face ao resultado das eleições legislativas que estão marcadas para o próximo dia 5 de Junho. Será necessário engolir muitas cobras vivas para que, caso sejam os três partidos a necessitarem de consenso para obterem a desejada maioria absoluta, sabendo-se que Sócrates é aquela personalidade que não aceita opiniões que não condigam com as suas, o pouco claro seja ainda o comportamento do secretário-geral do PSD em momentos de discutir problemas de interesse nacional e, face ao escondidinho que anda Paulo Portas mas que não é segredo para ninguém que também é um convencido das suas posições que as coloca sempre na sua primeira pessoa, perante este panorama não sei se haverá muitos votantes que, na altura própria de escolher, tenham uma consciência absoluta de que não se enganam na cruz que colocam no boletim respectivo.
Não é um pessimismo permanente que me leva a levantar estas e outras dúvidas no respeitante ao futuro do nosso País, pois o que eu desejaria era preencher este blogue de uma boa dose de perspectivas animadoras e que só tivesse que estar preocupado em relação, na fase actual, à decisão que vai surgir da Finlândia quanto à aceitação da ajuda financeira que necessitamos como de pão para a boca. O que não posso deixar é de estar atento ao que se perfila perante os nossos olhos e, especialmente quanto ao comportamento dos homens responsáveis de Portugal, o manter a má opinião que nunca escondo de que os problemas que se levantam na nossa Terra são, em grande parte, originários do mau comportamento criado cá na nossa casa.
É quase tão difícil acertar nos resultados que saírem dos acordos que sejam formalizados após serem conhecidas as percentagens dos votos à vista, como escolher bem os números do Totomilhões. A menos que se verifique uma mudança radical nas formas como os principais responsáveis pela condução dos partidos políticos, sobretudo os que têm mais probabilidades de se situarem nos três primeiros lugares, serão capazes de tomar, se isso não acontecer o que vai continuar a ser observado pelos portugueses é a um permanente dizer mal uns dos outros e a não serem capazes de pôr de parte vaidades pessoais, interesses partidários e os seus característicos “eus”, pelo que a solução económica, financeira e social - não esqueçamos esta, que é a base, quase sempre das revoluções de que temos os exemplos à vista nos países do Médio Oriente – se agravará ao ponto de tudo poder acontecer.
Seria bom que se começasse a pensar em todas as possibilidades que podem sempre sair dos crises profundas que fazem perder a cabeça ao Zé da rua…
Enquanto por cá ocorrem estas preocupações, um grande número de portugueses estarão agarrados às televisões, aos diversos canais que ocupam os seus espaços com o espectáculo, a deleitar-se com o casamento do príncipe britânico que será um futuro Rei daquela Nação. E as imaginações de muitos seres transportam-se para o acto da cerimónia que bem parece ser extraído de um filme de Hollywood com toda a pompa e circunstâncias. Até é feriado por motivo da importância do acontecimento. E é assim que o mundo funciona. Quando não se possui o que se deseja basta-nos a tentativa da obter a felicidade dos outros, especialmente se se situam a níveis de distância que só os contos de fadas conseguem dar uma ideia.
Compensemos as nossas aflições com as magnitudes dos que as podem ter e mostrar…

quinta-feira, 28 de abril de 2011

DEUS

O Deus de que se fala
é uma mancha
uma sombra
não tem imagem
não é visível
há quem O imagine sentado
com barba branca
olhos azuis
a roupagem até aos pés
pois não se pode idealizar
um Deus de gravata
de casaco e calças vincadas
com o cabelo cortado e penteado
de unhas arranjadas
e sapatos com sola
e atacadores.
Terá de ser uma névoa
que não fala
que soam as Suas palavras
nos nossos ouvidos
vindas de dentro de nós próprios
perguntamos-Lhe algo
e Ele responde sem som
fala sem ser ouvido
sentimos o Seu afago
mas sem que use as mãos
procuramos entender as Suas razões
não discutimos o que nos parece serem Seus erros
um Deus nunca se engana
mesmo quando nos inquietamos
com as injustiças que ocorrem no mundo
com a fome que mata as crianças
com os abanões da Natureza
com as guerras que não são evitadas
com as epidemias que matam milhões
aceitamos
seguimos em frente
dizemos “graças a Deus”.
O Homem é previdente
é prudente
é sobretudo temeroso
teme discordar do desconhecido
mesmo quando não vê
o melhor é não discutir
e colocar-se do outro lado.

Não tem certezas
mas, pelo sim pelo não,
manda o bom senso
não levantar dúvidas.

Seja o que Deus quiser!...

A FÉ CHEGA?




NÃO SE TRATA DE SÓ ANTEVER PROBLEMAS, mas por mais que se aspire descortinar um mínimo de ambiente de cordialidade entre os indivíduos que fazem parte do panorama político que nos rodeia, nem fechando os olhos e procurando apenas fixar a atenção nas notícias que dão ares de constituir áureas de felicidade, como seja, por exemplo, o tão falado próximo casamento real em Inglaterra, ainda que fazendo todos esses esforços não desaparece da visão deste nosso País o aspecto carregado das más notícias que se antevêem mais próximas ou a alguma distância. Concretamente no caso dos técnicos que fazem parte da chamada Troyka e que, não fazendo sequer caso dos feriados e pontes que os nossos apetites de descanso, não param de estudar a nossa triste situação económica e financeira, as previsões que se devem fazer no que respeita às medidas que poderão vir a ser tomadas com o objectivo de colocar as contas públicas nacionais em ordem não deveriam permitir que não tomássemos atenção séria ao que se perfila no que respeita ao apertar do cinto que cada vez apresenta menos furos parta serem utilizados. Mas não é isso que se nota, posto que as friazinhas das Páscoa que foram oferecidas como se tudo corresse às mil maravilhas não deixaram de encher as estradas de automóveis em passeio e de ocupar os lugares em tudo que foram hotéis.
Os portugueses, na verdade, não são um povo previdente e até ao lavar dos cestos continua sempre a ser vindima. E isso no que diz respeito aos cidadãos de uma geral, posto que aos níveis da governação e dos homens da política em geral nada é diferente.
As chamadas “bocas” não param de ser lançadas e aquela agora do dirigente socialista, mesmo que muito conhecido pela sua falta de habilidade em dizer coisas que valham a pena, de ter chamado “foleiro” ao Presidente da República, já nem causa admiração, pois vivemos numa época do vale tudo e de não se notar um mínimo de bom senso nas cabeças daqueles que deveriam mostrar um comportamento que servisse de exemplo à população.
E essa do Basílio Horta passar a figurar como cabeça de lista do PS, por Leiria, depois de ter sido fundador do CDS e de , em tempos passados, ter exercido as funções de ministro da Economia em que, por razões nunca explicadas, proibiu a importação de bacalhau e, durante meses, éramos obrigados a passar a fronteira com Espanha, para ali assistirmos, quer na Galiza quer na Extremadura castelhana, aos fieis amigos secos pendurados nas árvores nas estradas para que pudéssemos satisfazer as nessas necessidades – provavelmente já poucos se lembram dessa bizarria basiliana -, tal fenómeno que constitui outro mistério idêntico ao do tal bacalhau, é bem a demonstração de como andar confiantes no futuro que nos espera neste Portugal tão desprotegido dos favores divinos.
E isto para não falar no que já constitui uma quase certeza e que é o fim do 14.º mês, o subsídio de férias aos reformados, como medida de poupança que representa qualquer coisa como 1,6 mil milhões de euros, alguma coisa do muito que foi gasto pelos governantes esbanjadores a fazer auto-estradas que bem poderiam ter esperado por outras alturas e nas empresas público-privadas que serviram e ainda servem para dar bons empregos aos amigos, parentes e filiados partidários que, esses sim, não vão deixar de votar em quem lhes fez os favores.
Mas a preocupação maior, isto é, também grande, que me atormenta é o tentar antever a forma de entendimento que irão encontrar os dois protagonistas principais dos partidos que obterão as maiores fatias nas votações de 5 de Junho: José Sócrates e Passos Coelho. Será que porão de parte os azedumes e darão mostras de juízo? E se for o PSD a obter a maior percentagem de votos, portanto com direito a comandar o Executivo, o homem do PS aceitará o lugar que lhe for destinado na coligação governamental? E, no que respeita a Paulo Portas, o até agora apenas a espreitar os resultados, se depender do CDS, por pouco que sejam os votos necessários para atingir a soma mínima essencial, não surgirá aí a inesperada questão, pois por um se perde e por um se ganha?
Entretanto, mesmo que geograficamente tão longe, o grave é que estamos pendentes da Finlândia para saber se, sim ou não, vamos ser beneficiados com os dinheiros fartos que nos fazem falta para não cairmos na bancarrota.
Quantos feriados e pontes ainda estarão à vista no calendário para podermos ir gozando de papo para o ar como tem sido o nosso modo de vida desde que existimos como País? Manteremos os campos agrícolas a gozar do sol e os mares imensos à nossa frente a encher de brilho os nossos olhos?



quarta-feira, 27 de abril de 2011

PROMETER

Coisa fácil prometer
sem medir consequências
é fazer aos outros crer
nas nossas influências

O pior é quando falha
tudo o que se garantiu
o preciso lá encalha
porque também se iludiu

Se não podes não prometas
é melhor dizer que não
do que servir-se de petas
p’ra mostrar bom coração

Infeliz desiludido
é tão mau como doença
pois faltar ao prometido
é destruir uma crença

Só usar a simpatia
p’ra criar bom ambiente
é profunda tirania
sobre a quem é crente

É verdade que a verdade
dita a tempo e com firmeza
não constitui crueldade
antes mostrar a certeza

Promessas feitas à toa
é que são o mal do mundo
só as faz quem atraiçoa
e mete os outros no fundo

Eu por mim, que sou sincero
se não posso digo não
podem-me chamar severo
mas não serei aldrabão

ADIVINHAR OU PREVER?



HÁ BLOGUES QUE ATINGEM um número apreciável de leitores habituais, segundo se sabe pelas estatísticas que vêm publicadas. Outros, ninguém os lê e existem aqueles que merecem o favor de serem seguidos por uns tantos curiosos de saber o que aquele pensa. Estarei nesta categoria, pois cá me vão informando que atingi uma quantidade de seguidores que, não sei se são sempre os mesmos, mas que, pelo menos, me animam a prosseguir. Até ver.
Mas, os tais que são pacientes e me vão seguindo não desconhecem que me trevo com frequência a antecipar acontecimentos que, na altura em que os divulgo, parecem ser excessivamente atrevidos pela pouca crença que provocam.
Na verdade, tal como acontece nas campanhas eleitorais, o que os cidadãos gostam de tomar conhecimento são as promessas, por mais longínquas que possam ser a suas realizações. Todos se lembram dos 150 mil empregos que Sócrates garantiu que iria proporcionar caso fosse eleito o PS na altura em que se propôs para tomar conta do Governo… e sabe-se o que saiu daí! E são inúmeras as descaradas ofertas de benefícios que são lançadas de cada vez que se perfila alguma chamada da população a deitar o seu voto onde melhor convém a quem garante ir ser cumpridor.
No caso deste meu blogue, como não procuro receber as contrapartidas de votos ou de louvores, limito-me a expor aquilo que constituem os meus pontos de vista, por muito que essas antevisões não representem o que os leitores gostariam de ler. Paciência.
Como sabem os meus “habitues” já há bastante tempo que eu preveni que a idade da reforma que, por cá, ainda está fixada nos 65 anos, mais cedo ou mais tarde – e provavelmente será uma das medidas que o FMI e seus parceiros imporão -, passara para os 68, tal como já acontece noutros países da Europa, incluindo a Alemanha. Esperem pela demora!
Por outro lado, esse mês extra do Natal e das férias também já foi objecto do meu aviso de que não iria durar muito tempo e nem precisei de consultar quaisquer astros ou requerer auxílio de bruxarias para antecipar que os portugueses deveriam começar a habituar-se à ideia de que essa benesse estaria em via de extinção, mesmo que seja a substituição de dinheiro por títulos de Tesouro. A ver vamos quanto tempo falta.
E é este o País onde ainda se vive!
Vive? Ou vegeta?
E eu continuo com o meu discurso de sempre: se não modificarmos todos, sobretudo os que têm idade para trabalhar, a nossa disposição em desejar participar no mínimo que seja que possa contribuir para aumentar alguma coisa a fraca produção que é uma característica portuguesa, se não desperdiçarmos as horas de actividade com conversas, telefonemas, saídas à rua a tomar café e a fumar um cigarro, a não respeitar os horários e tudo isso que é a norma, desde que existimos, de passar o tempo e em que, nestas épocas mais recentes, dão as organizações que se afirmam defensoras dos seus interesses o título de “trabalhadores”, se nos convencermos que esta é a forma que justifica a nossa existência, se tudo continuar na mesma, então não valerá a pena incomodarmo-nos. Os últimos que cá ficarem que fechem a porta…

terça-feira, 26 de abril de 2011

A PERFEIÇÃO


Não sei se a felicidade
reside no se julgar
que não constitui vaidade
o nunca se enganar
perfeição
que ilusão
atingi-la se presume
ser algo quase impossível
chegar mesmo lá ao cume
pode ser mas é falível

A obra-prima afinal
por muito bela que seja
não será nunca ideal
melhor sempre se deseja
alcançar
abraçar
o autor desconsolado
sofre por não conseguir
ver o trabalho acabado
sem o super atingir

Isso será consciência
de longe o máximo ver
e tal como em penitência
prosseguir sempre a sofrer
insistir
sem conseguir
o fazer coisa perfeita
não pertence ao ser humano
não se inventou a receita
pois a vida é um engano

Trabalho e aplicação
ajudam a lá chegar
mas nem o que é sabichão
deixa de se enganar
estar perto
não é o certo
é bem bom à roda andar
os génios o conseguiram
já chega p’ra s’admirar
sem perfeição s’atingir

Imperfeito mesmo sendo
é bom não ficar parado
original ou remendo
o preciso é que dê brado
com amor
o melhor
tem de sair bem do fundo
da alma, do coração
o ser primeiro ou segundo
só importa a devoção

Se um dia surgir o tal
o homem da perfeição
e se for em Portugal
que não haja presunção
em boa hora
mesmo agora
que tanto necessitamos
que surja alguém capaz
para qu’em ordem ponhamos
quem precisa tanta paz

QUATRO E NÃO CHEGAM!



A INICIATIVA DE TER REUNIDO, numa mesma manifestação, os quatro Presidentes da República que ocuparam eleitoralmente o cargo e um deles ainda lá se encontra, Cavaco Silva, foi, opino eu, um gesto do maior significado, sobretudo tendo-se oportunidade de escutar o que cada um deles agora pensa sobre o acontecimento que mudou radicalmente o sistema político de Portugal e que cumpriu agora 37 anos de funcionamento.
É sabido que diversas circunstâncias não proporcionaram aos portugueses, em particular ao longo dos últimos 6 a 8 anos, uma melhoria de vida que aproxime, sem a menor dúvida, o modo como o nosso País pode ser comparado com os restantes parceiros da Europa, sendo que o distanciamento tem vindo a verificar-se, mesmo que nada seja similar ao que ocorria na época em que se estava submetido a uma ditadura que deixou marcas.
Passado de início o entusiasmo que se espalhou por todo o Portugal, especialmente por aqueles que mais sentiram as opressões anteriores, devido também a se ter espalhado a palavra “milagrosa” da Liberdade que, em excessivas ocasiões, não foi utilizada com a devida norma de respeito pelo uso que os outros também não podiam deixar de ter igual direito. Mas essa confusão foi natural, posto que a Democracia não se implanta na prática por decreto ou por uma revolução, mas sim é fruto de muitos anos de prática e de aprendizagem que deve ser iniciada pelos mais jovens, sobretudo com a humildade de saber ouvir e de não impor as nossas opiniões sem o respeito pelas que os vizinhos também desejam expressar.
E sem utilizar este texto com a acusação de quem quer que seja por termos perdido os anos decorridos sem tirar proveito da oportunidade que nos foi conferida, também sem falar da crise económica propriamente dita como única culpada do mau aproveitamento das vantagens – agora mais distantes – com a nossa entrada no grupo Europeu e de termos passado a usar a moeda única do conjunto, basta que aproveitemos a comemoração da data revolucionária para fazermos todos, sem excepção, o nosso acto cívico de contrição e admitamos que poderíamos ter contribuído melhor para que não tivéssemos chegado à situação de pobreza em que vivemos já hoje.
Dos três ex Presidentes que usaram da palavra, por sinal todos merecedores de elogio, quero aqui deixar expresso que Ramalho Eanes, no meu parecer, foi o que aproveitou melhor a ocasião para apontar erros que os políticos praticaram e, sem indicar nomes, colocou o dedo na ferida e fez pensar os portugueses.
Claro que resta saber se o general estivesse nesta altura a exercer as funções que já teve actuaria de forma a modificar a desorientação partidário que se verifica. A situação que se aproxima, com as eleições no próximo dia 5 de Junho, obrigando a que os que se pretendem assumir como responsáveis não continuem a ficar agarrados a ideais partidários que não condizem com o interesse do País, esse momento da maior dificuldade impõe que um Presidente da República tenha a coragem de intervir por forma a que seja encontrada uma maioria política que consiga cumprir a sua obrigação, ainda que essa seja a de cumprir o que ficar estabelecido pelo grupo que, gostemos ou não, foi aceite para tentar colocar as nossas contas em ordem.
É forçoso que o Governo que saia das eleições obtenha maioria absoluta. E, por mais estranhos que possam parecer agora determinados comportamentos de alguma ou algumas cabeças partidárias, pelo seu silêncio estranhou ou pela sua intervenção excessiva (deixo aos leitores a interpretação desta alusão), há que dar o passo essencial para que o País deixe de estar entregue a governações de ocasião.
É natural que o PS e o PSD se coloquem em primeiro lugar na contagem dos votos, da mesma maneira que não será de estranhar que o total que venha ser atingido pelos dois mais bem colocados não chegue para conseguir a tal maioria indiscutível. E aí, então, será necessário recorrer a um terceiro grupo que, encontrando-se actualmente sem dar grandes mostras de existência, na altura própria talvez surja a fazer exigências.
Nada disto foi dito nos discursos proferidos no Palácio de Belém. Pois digo eu!…

segunda-feira, 25 de abril de 2011

ACREDITAR

Sim, sim tenho pena
Que a fé seja tão pequena
No que a mim me espera
Teria de ser uma fera
P’racreditar no futuro
Não o vendo tão escuro
Como vai ser este País
Porque já nada condiz
Ninguém acerta no alvo
Poucos se sentem a salvo
Do que vem aí à frente
Somos estrela cadente
E mesmo o belo passado
Não deixa grande legado
Aos que vêm a seguir
Que sem tempo p’ra fugir
Recebem herança falida
Criança malparida
Que chega em tempo errado
Pois se pai fosse avisado
Outro lugar escolheria
P’ra nascer a sua cria
Dado que a Pátria melhor
Seja ela a que for
É a que protege os seus filhos
Que quando estão em sarilhos
Lhes deita a mão salvadora
Estando atenta a toda a hora
Para que cresçam, aprendam
Assim tornando-se úteis
E não simples coisas fúteis
Em número e não qualidade
P’ra quando chegar a idade
À reforma ter direito
Que a mesma seja com jeito
Que chegue p’ra ser gozada
E nunca sendo acabada
Ou mesmo até reduzida
Pois não é no fim da vida
Que o castigo ao cidadão
Surge também pela mão
De um governo qualquer
Que entende ter o dever
De emendar erros antigos
De parceiros mesmo amigos
Que fizeram mau serviço
E o povo é quem paga
Pois pertence-lhe a chaga
De ter tido a pouca sorte
De desde a nascença à morte
Ter tido essa Pátria sua
E já não ter arrecua
De fazer escolha diferente
Ser tarde p’ra dissidente

Tal como na lotaria
A sorte só alumia
Os que se dão ao trabalho
De enxotar o enxovalho

TERRA DA FRATERNIDADE...



NÃO SE TRATARÁ DE UMA EXCEPÇÃO, pois será uma característica da maioria dos povos mas, em Portugal, tanto como eu imagino, constitui um hábito enraizado que, pelo menos no capítulo da conservação de tradições, terá a sua utilidade. Refiro-me às comemorações que tanto gostamos de praticar, mesmo quando, em muitíssimos casos, os participantes nem façam uma ideia muito clara da razão que leva a que se pare em determinada data de trabalhar e se olhe para o calendário com o dia em causa marcado com um F.
O Domingo de Páscoa, naturalmente, faz parte de uma dessas datas, mas o 25 de Abril que se recorda há 37 anos, também não deixa de constituir um motivo de comemoração, face ao significado que mantém de mudança de um regime político nacional que deixou poucas saudades aos que o viveram em pleno, pelo que, ano após ano, lá se tem recordado o acontecimento que, para quem não terá atingido ainda o cinquentenário de vida, só vagamente tem um significado plena de libertação.
Mas esta passagem pretende acima de tudo recordar a canção lançada por Zeca Afonso, intitulada “Grândola Vila Morena” que, igualmente para os mais novos soará como para nós, os da idade superior, na altura da aprendizagem da História de Portugal, nos foi referida a Batalha de Aljubarrota. Tudo coisas vagas, ainda que ao ouvido não passem despercebidas.
Pois nessa letra da canção referida, canta-se o verso da “terra da fraternidade”, que esteve muito em voga nos momentos em que havia que reclamar contra determinada decisão que tivesse sido tomada pelos governantes e que afectasse os interesses daquilo que o povo clama como sendo os seus direitos. Terra da fraternidade, frase que se aplica ainda ao povoado alentejano grandolense, mas que, na ideia do poeta, se aplicaria a tudo que é terra, ou seja ao Mundo.
O Mundo é também denominado Terra, da mesma maneira que a fraternidade não tem como exclusivo uma área específica de aplicação. Fraternidade é uma característica humana que deveria ser usada permanentemente pelos fraternos, ou seja pelos irmãos que, seja qual for a sua origem nos primórdios do mundo – e também aí se verifica discrepância de opiniões entre os homens, com razões mais ou menos científicas não coincidentes e com bases religiosas que também se situam distantes umas das outras -, tudo indica que a nascença dos primeiros seres humanos os colocou na posição de filhos da mesma semente.
Mas os poetas, mentirosos como lhes chamou Pessoa, não hesitam em procurar expressões que tendem em apelar para o entendimento amistoso entre aqueles que, nesta altura, atingiram já o número assustador de sete mil milhões. E aí, como já tinha acontecido mesmo quando a quantidade de gente a movimentar-se em toda a Esfera não atingia nem sequer a metade da actual, a palavra fraternidade tem vindo a perder significado. Mesmo quando os irmãos, por conhecerem concretamente os seus progenitores, não se entendem, como é possível ter esperanças de que a tal fraternidade possa ser praticada entre naturais da mesma terra, nacionais do mesmo País, praticantes das mesmas religiões, identificados com ideologias políticas iguais, tendo as cores das peles semelhantes e muito menos com idiomas que não coincidem?
Cada vez mais a fraternidade passa a ser uma expressão cujo significado talvez só seja entendível quando a razão que permite o convívio seja o da posse de valores monetários. Mas, mesmo assim, os ricos também brigam, querem uns ter mais dos que os outros, não consideram ser bastante a parte que lhes cabe.
O Homem só é fraterno consigo próprio.
Ah, como eu adoro os animais!...

domingo, 24 de abril de 2011

NOVOS E VELHOS


Nada como um velho para contar
Aquilo que se fez enquanto moço
Mesmo que muito deva olvidar
É como a água fresca do poço

Os novos muito têm a aprender
Se souberem seguir tanta ciência
Porque a vida levada a sofrer
Dá saber e dá muita paciência

Os jovens, por muito insatisfeitos
Por mais impacientes que eles sejam
Não é aí que perdem os direitos

Não é por aos mais velhos atender
Não é por muito apressados que estejam
Que não lhes sucede o mesmo, que é morrer

PASSADO, PRESENTE E FUTURO





OS DIAS REFERENDADOS ESTABELECEM que os homens se devem comportar de acordo com as datas que se comemoram. E hoje, sendo Domingo de Páscoa, o costume, ainda que se esteja a perder cada vez mais e nesta altura com maior razão porque a falta de meios já limita as ofertas das amêndoas, mesmo assim, talvez os menos novos, ainda sintam necessidade de apresentar aos próximos os desejos de Boas Páscoas. Não falto a este hábito.
No entanto, temos de ser realistas e, mesmo sem fazer grande apelo a lembranças do passado, os mais pensadores não podem deixar de fazer vir à memória situações que só a morte acabará por fazer passar. E hoje deu-me para este tipo de apelo ao passado. Também, esta série de dias que estabeleceram dar de folga ao povo português, poderá contribuir para os que têm passado recuarem no tempo:
Quem, com idade para isso, teve vida profissional muito activa no período de antes do 25 de Abril e depois da Revolução atravessou aquela época de cabeça perdidas, com PREC e tudo, e assistiu à chegada em montanhas dos retornados, como se lhe chamaram, obteve uma experiência de vida a que eu chamei, em mais de umas ocasião, de geração sofrida. Foi o meu caso.
Nesta altura, em que temos por cá a chamada Troyka e que não é mais do que a derradeira forma de se tentar sair da situação económica, financeira e social que atravessamos e que se mostra como uma das mais embaraçantes de toda a Europa (porque os outros países também com dificuldades estão a dar algumas mostras de tentar conseguir sair da crise), precisamente na hora que em que estamos não nos podemos considerar como suficientemente tranquilos, pois que o futuro imediato que nos espera não no deixa viver com o mínimo de esperança.
Porém, por muito mal que tenha sido isso tudo, as indicações que já começam a surgir no que respeita aos anos que estão já à vista, mesmo que sejam aí uns vinte ou trinta, são de que muito pior do que agora ocorre vai ser o panorama que os nossos descendentes nacionais terão de enfrentar. Refiro-me ao que já constitui uma divulgação clara de que as reformas que os cidadãos com esse direito recebem, neste momento e na maioria dos casos – porque as excepções escandalosas não contam para efeito deste texto -, vão ver o seu fim, posto que os descontos que são feitos aos que ainda recebem salários, em dada altura não chegarão para suprir as necessidades de contribuir para os que antes descontaram.
Claramente, o número de desempregados que não se vê forma de reduzirem, logo gente que não desconta, e o aumento de pessoas que passam ao regime de reforma – o que se assiste a uma pressa excessiva de pessoas que poderiam ainda manter-se nas suas profissões mas que preferem utilizar o que a idade de 65 anos permite (atenção, que a Alemanha aumentou já essa marca) -, tudo isso é que contribui para que, dentro de 25 anos, dizem alguns que fazem estas contas, não haja reserva que baste para se cumprir a lei social que está estabelecida.
Quem lê este blogue não se admirará, posto que há já algum tempo que eu venho a alertar para tal situação. Mas o mal é que os políticos que temos e os que temos tido, como julgam que não chegarão a essa altura ou então gozam já de umas reformas de tal maneira substanciais que lhes dá para irem ponde de parte, e provavelmente no estrangeiro, o suficiente para sustentar o pior momento quando ele chegar, esses não dão mostras, pelo menos públicas, de estarem preocupados com o tema. Não se houve um que seja que se refira ao problema, como se o mesmo não ameace vir a constituir um dos maiores dramas por que Portugal poderá vir a passar.
A mim, como ninguém me manda calar e se o fizesse, mesmo que com todo o dinheiro do mundo, prefiro dormir descansado com a minha consciência do que ter uma conta bancária a abarrotar – até por também não sei muito bem se um dia não acontecerá ter-se a notícia de que as instituições bancárias nacionais começam a travar levantamentos.
Esse um motivo por que me preocupa excessivamente o facto de não assistir à intervenção pública do Presidente da República, quando tanta matéria existe por cá que obrigaria Cavaco Silva a sair do seu mutismo palaciano e a dar mostras de que, mesmo sem ter meios que a Constituição lhe faculte para intervir nos problemas, pelo menos apresentar-se-ia ao lado da população e insistia as vezes que fossem necessárias para que os intervenientes nas acções políticas, o Governo e as Oposições, deveriam, quanto antes colocar-se do mesmo lado da barreira, isto é a tentar encontrar modos de actuação que não dificultassem ainda mais a situação e, para além disso, transmitindo aos observadores estrangeiros que estão atentos ao que por cá se passa e até têm no terreno os seus representantes, que não somos um País regateiro e que não é com as afrontas que poderemos participar nas soluções que ainda estão por saber quais irão ser.
Mas se até entre os clubes de futebol, o Porto e o Benfica principalmente, não existe a capacidade de darem as mãos os responsáveis das colectividades, mostrando que não é com pedradas na rua que se ganham jogos, como é que poderemos esperar que na jogatina da política se assista a um entendimento que solucione o caos em que nos encontremos?
Não estou em fase de fazer críticas. É a tristeza que me envolve que ma deixa ainda mais amachucado com o que anda à minha volta. Digo à minha… mas é de todos nós que, para além da generalidade do panorama, cada um acarreta também com os seus problemas pessoais!

sábado, 23 de abril de 2011

O QUE É ISO DA VIDA?


Levar a vida que nos foi doada
com sofrimento e resignação
é uma sina que nos está fadada
e para a qual não há outra opção

Temos a cabeça para pensar
e já não é pouco, valha-nos isso
o mundo inteiro para caminhar
por mais que ele seja movediço

Não vale a pena, pois que na verdade
enforcar na corda da liberdade
não é a melhor forma de morrer

Aproveitemos o que nos é dado
levemos todo o tempo sem enfado
que o mais difícil na vida é viver

ASSIM É A VIDA!




SENDO O BLOGUE uma forma de expandir o que o seu autor transporta no seu íntimo, no meu caso e nesta altura, não deveria utilizar esta forma para, pelo menos hoje, utilizar esta via para comunicar com os que ainda me lerão. A notícia recebida hoje do falecimento da minha irmã Digna, que se encontrava doente há já bastante tempo, fez-me ficar mudo, mas este meu vício de utilizar a escrita para aliviar o que me aflige no íntimo leva-me a não deixar passar a ocasião e, embora o meu pensamento esteja absorvido pelo desgosto do acontecimento, mesmo assim não meto as mãos nos bolsos.
Perder um ente querido é algo que nos magoa mais do que uma dor física, mas se há quem no choro expresse a sua angústia, esta maneira que tenho de passar ao papel o que não me sai da boca será pouco frequente, mas é uma das outras formas de refúgio face ao desgosto.
E, ainda que com rapidez, aqui deixo expresso, no que se refere ao que ocorre no nosso País, também ele muito enfermo, apenas deixo marcada uma circunstância que só um Governo como o que temos é que não é capaz de ser tocado por um gesto que só dá mostras da enorme insensibilidade dos seus dirigentes. É que, sejam quais forem as circunstâncias difíceis que Portugal atravesse, reconhecida que está a baixa produtividade dos portugueses – de todos eles -, mesmo assim, hoje, quinta-feira Santa, está decretada a dispensa de ponto e amanhã, Sexta-Feira também marcada pelo feriado Cristão, o País fecha as portas ao trabalho.
Segundo consta, os únicos que não comemoram esses dois dias são os elementos que fazem parte da Troyka, pois que estão cá para concluir uma tarefa e não se dão ao luxo de interromper o trabalho a que estão obrigados.
Nesta minha disposição especial em que me encontro, não faço comentários.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

APODRECER

Como ele passa, o grande atrevido
Nem nos dá descanso para pensar
O que fica p’ra trás cai no olvido
Tudo se conjuga no verbo amar

Mas esse tempo, o tão necessário
P’ra levar a vida que nos impõem
Acaba por ser enorme calvário
Da via que os outros nos dispõem

Tal como um verme, rói-nos e tortura
Vai corroendo a carne e a alma
Quase nos tira o que é bom de viver

E é do lado de cá da sepultura
Com o seu tempo e sem perder a calma
Que nós começamos a apodrecer

DESGOSTO



ESTE SISTEMA OPERACIONAL que, tendo relativamente poucos anos, nos proporciona a enorme vantagem de deixar expressos os nossos pontos de vista que, em nosso entender, podem interessar a outros cidadãos que também dêem mostras de alguma propagação em estar ao corrente dos acontecimentos que interferem na vida de todos nós, isto a que se chama de blogue deve ser, no meu entender, exclusivamente destinado a temas que não se situem na intimidade de cada um, posto que, para esse efeito, existem outros meios cuja estreiteza de alcance limita a divulgação do que o Homem considera ser o seu sentimento pessoal.
Digo isto porque, acabado de estar presente no local da cremação da minha Irmã Digna, ainda acarretando o peso do desgosto que pertence ao número daqueles sentimentos que não são transmissíveis aos outros, mesmo que eles também sofram, apesar disso ou talvez para desanuviar um pouco, muito pouco, do que corresponde à angústia que atormenta o ver-se partir alguém que não voltará à nossa presença depois de anos de convívio e de parentesco, entontecido pelo acto que, sendo o mais natural deste mundo, mesmo assim nos deixa revoltados por considerarmos uma injustiça que o período da vida humana não se prolongue, pelo menos para os que queremos muito, até que nós já cá não estejamos para sofrer os efeitos dessa dor, pois ainda que tendo presente essa realidade dura da vivência dei comigo a voltar a olhar para este mundo que me rodeia. Quis, com isso, empurrar para fora do espaço cerebral a mancha do sofrimento familiar e, entregando-me ao tal blogue que, pelo menos para este efeito, tem utilidade, contemplei, mesmo que a custo, o que este País onde estamos nos continua a impor.
Sem entrar em pormenores, basta referir o que já é público do desentendimento que teve lugar entre José Sócrates e Teixeira dos Santos, o que justificará a sua não escolha para a lista de deputados pelo PS, assim como a falta de senso por parte de Passos Coelho em ter convidado Fernando Nobre para “presidente da Assembleia da República” – evidentemente não negastes termos mas com idêntico objectivo -, para lá também de já não se quererem encontrar sem testemunhas os dois líderes dos maiores partidos políticos portugueses.
Há muito mais a lastimar, mas vou deixar essa abordagem para quando me encontrar menos atormentado pelo desgosto íntimo que me atormenta.
Vamos a ver se acalmo um pouco,, já que Portugal se encontra numa permanente revolução de ideias e de comportamentos e esses, infelizmente, não irão desaparecer tão cedo.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

LUTO

Não vou muito longe. Tenho os meus motivos pessoais. Faleceu a minha única irmã. Embora esperado, o desgosto é o que se pode imaginar. Vou passar estes dias sem vontade para contemplar o que me rodeia.
Mas, não deixo de prestar atenção ao facto de hoje, quinta-feira, ser dada isenção de ponto e amanhã ser feriado. Não Diogo mais nada. Neste País com se encontra à minha tristeza pessoal junta-se o drama de assistir que os homens que desgovernam o que ainda resta, não têm capacidade para reconhecer que falta de produção já temos que chegue.
Não me sinto com vontade de ir mais adiante. Peço desculpa.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

MEDO DA MORTE

Ter tanto medo da morte
porque se deixa esta vida
é não ter espírito forte
não aguentar a corrida

Ao longo de toda a vida
arrastando tal sofrer
nem se dá conta na ida
que o mal foi muito viver

Demasiado, pois foi
para além do necessário
e isso mesmo é que dói
transformar-se num fadário

Quando só se dá trabalho
aos outros que por cá ficam
o que resta é enxovalho
e em vida se crucificam

Mas os que sofrem agora
foram úteis noutra altura
não se podem deitar fora
seria a maior loucura

Terão uns tantos razão
que não desejam sofrer
e se podem ter opção
temem pois demais viver

MÉDICOS POR ONDE ANDAM?



ESTA SITUÇÃO que, não sendo novidade, volta agora a ser referida pela falta que está a verificar-se de médicos no hospitais e em muitas unidades de saúde, aliás assunto que mereceu neste meu blogue referência sem que, como é o que acontece sempre, qualquer reacção por parte das entidades que têm a responsabilidade de solucionar este problema, a falta muito preocupante de médicos de novo vai ser atendida com a contratação de técnicos de outros países, sobretudo da América do Sul, um problema destes, se acontecesse noutro País qualquer, teria sido resolvido de fundo por quem tivesse cabeça para o fazer.
Por cá isso não ocorre, como seguimento de tantas situações que se arrastam um roo de anos para quem apareça alguém que, finalmente lá encara a situação e lhe dá seguimento positivo. E, nesta altura, já existem cerca de 500 mil utentes que não têm médico de família. É obra!...
Então, isto de criar dificuldades aos estudantes portugueses de serem admitidos na Faculdade de Medicina, exigindo-se-lhes médias altíssimas, o que leva a que os interessados escolham outros países para ir cumprir os seus estudos na referida área, tal teimosia por parte dos que deveriam há já muito tempo reconhecerem que têm actuado mal, o resultado que tem dado e que se alastra ao longo de anos passados não há ninguém, no Ministério da Educação que enfrente o problema e lhe dê solução. É uma das muitas tristezas que ocorrem por cá e que nos têm conduzido ao ponto onde estamos!...
Também é verdade que, um número assustador de médicos que, estando ao serviço de instituições públicas, se reformam, pois, segundo dizem, as condições de que usufruem não compensam o tempo ocupado e, por isso, desligando-se das obrigações que lhes garantem a reforma, passam a actuar apenas no sector privado, quase sempre por conta própria.. E é este o panorama com que todos nós, os contribuintes e doentes temos de viver!
É no sector médico, é na Justiça, é nos serviços públicos de uma forma geral, é em tudo onde temos de recorrer que deparamos com as deficiências que este nosso querido Portugal nos apresenta. Uma autêntica tristeza.
Cada vez me consola mais não ter idade para por cá andar muito mais tempo, porque esperanças em assistir a uma modificação total da mentalidade deste povo, do qual saem os políticos e as cabeças que, de alguma maneira, terão influência na vida nacional, razão também porque não adopto o novo sistema de escrita portuguesa porque, se é com esses pormenores que alguns se preocupam, como se tal solucionasse alguma coisa da milhares que estão mal, então que se entretenham eles com isso que eu, sofrendo muito mais, estou atento ao que, na verdade, atrasa cada vez mais aquilo que deveria constituir o mínimo de progresso.
Lamento este lamento, mas já não tenho outra coisa que possa ter o mínimo de utilidade do que escrever, em prosa ou em verso e o deixar, de vez enquanto, algumas cores nas minhas telas.
É pouco, é verdade, mas ao menos não dá prejuízo ao País em que ainda vivo.

terça-feira, 19 de abril de 2011

EM FRENTE

Não me venham cá com histórias
Nem com paixões assolapadas
Basta de livros de memórias
E de notícias requentadas

Editar o que é antigo
O já velho e conhecido
É como abrir um postigo
Para relembrar o perdido

Ir para a frente é o caminho
Bem devagar, devagarinho
E com todo o tempo do mundo

Para trás ficou quem, descrente,
Da vida e por mais que tente
Já nada tira lá do fundo

O TEMPO

Nem sol nem chuva
umas nuvens que causam incerteza
nada assenta como uma luva
tudo provocou já surpresa
será a vida uma chateza
não vale nem um bago de uva

Andar assim à toa
sem saber o que fazer
olhar para Lisboa
dando para entristecer
pensar no que poderia causar tanto prazer
a mim, como no seu tempo a Pessoa

Vai definhando
Falta imaginação
com todo o tempo que foi passando
não houve quem tivesse mão
para ir resguardando
o que nos foi deixado por missão

Capital tão bela
que tantos invejaram
podia ser hoje aquela
que lisboetas desejaram
mas por fim não alcançaram
nem olhando da janela





DEPUTADOS



É DE TAMANHA DIMENSÃO o número de erros que se praticam na área da política – e não só – neste nosso País, que seria necessária operar-se uma volta completa no comportamento de todos nós, cidadãos incluídos, para que se tentasse entrar numa linha de chamado boa prática das nossas obrigações, quer os que se limitam a cumprir as determinações estabelecidas pelos mais poderosos quer, sobretudo esses, aqueles que têm o encargo de estudar as acções e procurar pô-las em prática pelos habitantes que, apelando sempre os outros de “eles”, o único que lhes cabe é obedecer, ainda que, valha a verdade, grande parte procura sempre que pode escapar às determinações… evidentemente também, porque existe uma grande quantidade dessas determinações que não têm ponta apor onde se lhes pegue.
Atendemos agora aos deputados que enchem o Parlamento e que, segundo as opiniões de uns tantos, são excessivos em quantidade, atendendo até ao espectáculo que muito dão de entrarem mudos e saírem calados, dado que não se pode dormir nas cadeiras e intervir ao mesmo tempo.
Mas o que é de salientar com alguma ênfase é a forma como são escolhidos os indivíduos que ficam com o encargo de representar determinada região, como se os oriundos de tais terras tivessem sido chamados a participar nessa escolha e, por esse motivo, depositem nos transmissores dos seus interesses para a Assembleia máxima, quando não é nada disso que sucede, pois são os Partidos que, nas suas sedes e obedecendo a critérios que nada têm a ver com a vontade dos cidadãos eles mesmos, pois apenas se tratam de favores e de escolhas que os maiorais dos grupos políticos tratam de fazer prevalecer, sabe-se lá por que razões, mas é sabido que resultam de pagamentos de outros favores que tenham sido recebidos.
Daí, que as tais representações podem representar tudo menos essa função de poderem falar em nome de quem não lhes passou a menor preocupação, pelo que lhes falta competência e calor para assumirem esse papel.
Daí que, falando a verdade que é o que mais falta na área política portuguesa, os deputados não ocupam os seus lugares para defender os interesses do público que o poderia ter escolhido, mas sim para obedecer inteiramente aos “patrões” dos partidos, por muito que, no intimo, não estejam de acordo com algumas decisões por eles tomadas. Trata-se de um Democracia a meias, só um poucochinho, o bastante para ir mantendo nos cargos os que se propuseram para se sentarem nos cadeirões do Parlamento, pois que as vantagens em funções e as benesses depois de retirados compensam bem alguma discordância que, no seu íntimo, dê mostras de se querer revelar.
E depois, atitudes como a do deputado do PS que, há já tempos – demoram muito as decisões judiciais, que é outro grande defeito do nosso sistema -, “roubou” o gravador que estava a registar a entrevista que estava a dar ao “Sábado”, essa malfeitoria praticada por Ricardo Rodrigues, só agora é que a Acção Penal decidiu atribuir uma pena de 3 anos de cadeia. Isto é o que saiu na Imprensa, mas todos nós sabemos que tal aplicação não irá nunca ser sofrida pelo próprio, pois o Portugal que termos não é um País como os outros, e tudo se resolve a bem dos mais bem colocados e, TEM DE SE DAR um nome a isto que se passa por cá neste nosso meio dito político que, no mínimo, poderá ser aproveitado um dia para criar um tipo de jogo para entreter a miudagem quando se senta à mesa para passar o tempo.
Então, este do Fernando Nobre não ter pejo em declarar que, se não conseguir, logo após as eleições, ter assegurado o lugar de presidente da Assembleia da República, que renuncia a essa candidatura, pois não se sujeita a primeiro ser deputado e só depois poder ser eventualmente eleito pela totalidade dos membros para o referido cargo, essa disposição de quem andou por aí a propor-se para Chefe do Estado não pode merecer outra designação que não seja uma brincadeira de mau gosto e uma demonstração de uma ignorância absoluta quanto às regras que determinam as chegadas aos cargos.
Mas eu não me fico por aqui. Muitas situações ocorrem em Portugal que dão largas provas de que andam todos os fulanos que se integram na área da política que constituem a demonstração clara e bem triste de que não há vergonha por estes sítios e que nem sequer um mínimo de auto-crítica faz travar imensas atitudes que se tornam públicas.
Esta também de Basílio Horta, um ex-elemento activo do CDS, actualmente a desempenhar funções de presidente de uma empresa pública que deveria Ester a desempenhar um papel da maior relevância para ajudar a aumentar as exportações dos nossos produtos e a convencer muitas empresas, sobretudo industriais, a estabelecerem-se no nosso País (o AICEP), trazendo capitais e conhecimentos que ajudassem a aumentar a produção nacional, essa personalidade que, infelizmente, segundo o ponto de vista que tenho apontado várias vezes neste blogue, não tem desempenhado tais funções com a competência que se impõe, não é que foi convidado pelo PS para substituir o actual ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, como cabeça de lista pelo círculo de Leiria?
Nem vale a pena acrescentar grande coisa a todas estas brincadeiras que se passam em Portugal e que só servem para comprovar que, na verdade, nós não temos capacidade para solucionar os nossos próprios problemas e que terão de ser os de fora que, com cabeça e sem interesses criados para segurar as suas próprias conveniências, poderão pôr alguma ordem nisto tudo. Isto se houver tempo…
De algum tempo, ninguém fala no assunto e tudo acaba no esquecimento, tudo não… porque as decisões do FMI essas não deixarão de ser aplicadas. O que nos esquecemos é do Sócrates…

segunda-feira, 18 de abril de 2011

TRAQUINICES


TEM DE SE DAR um nome a isto que se passa por cá neste nosso meio dito político que, no mínimo, poderá ser aproveitado um dia para criar um tipo de jogo para entreter a miudagem quando se senta à mesa para passar o tempo. Então, este do Fernando Nobre não ter pejo em declarar que, se não conseguir, logo após as eleições, ter assegurado o lugar de presidente da Assembleia da República, que renuncia a essa candidatura, pois não se sujeita a primeiro ser deputado e só depois poder ser eventualmente eleito pela totalidade dos membros para o referido cargo, essa disposição de quem andou por aí a propor-se para Chefe do Estado não pode merecer outra designação que não seja uma brincadeira de mau gosto e uma demonstração de uma ignorância absoluta quanto às regras que determinam as chegadas aos cargos. Mas eu não me fico por aqui. Muitas situações ocorrem em Portugal que dão largas provas de que andam todos os fulanos que se integram na área da política que constituem a demonstração clara e bem triste de que não há vergonha por estes sítios e que nem sequer um mínimo de auto-crítica faz travar imensas atitudes que se tornam públicas. Esta também de Basílio Horta, um ex-elemento activo do CDS, actualmente a desempenhar funções de presidente de uma empresa pública que deveria Ester a desempenhar um papel da maior relevância para ajudar a aumentar as exportações dos nossos produtos e a convencer muitas empresas, sobretudo industriais, a estabelecerem-se no nosso País (o AICEP), trazendo capitais e conhecimentos que ajudassem a aumentar a produção nacional, essa personalidade que, infelizmente, segundo o ponto de vista que tenho apontado várias vezes neste blogue, não tem desempenhado tais funções com a competência que se impõe, não é que foi convidado pelo PS para substituir o actual ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, como cabeça de lista pelo círculo de Leiria? Nem vale a pena acrescentar grande coisa a todas estas brincadeiras que se passam em Portugal e que só servem para comprovar que, na verdade, nós não temos capacidade para solucionar os nossos próprios problemas e que terão de ser os de fora que, com cabeça e sem interesses criados para segurar as suas próprias conveniências, poderão pôr alguma ordem nisto tudo. Isto se houver tempo…

domingo, 17 de abril de 2011

MILAGRES


A DESCRENÇA É TANTA, no que respeita à nossa capacidade de sairmos deste estado clamoroso em que nos meteram que já se acredita em “milagres” como única maneira de se solucionar a questão. Até os menos crentes já aceitam essa forma como sendo a única. Numa altura em que até os bancos já encerram as suas portas para cortar gastos, sendo que o número de estabelecimentos a desaparecer dos olhares do público em muita ruas e em diversas cidades, parece que atingirão os 250 balcões os locais onde os clientes podem dirigir-se actualmente, já não provoca admiração nada do que está a acontecer e os estabelecimentos de diferentes actividades que desaparecem da vista, com a indicação no exterior de “vende-se” ou “aluga-se”, isso já é espectáculo triste corrente e aumentará com o tempo que está a passar. E quanto a milagres? Pois um deles já eu referi aqui neste blogue. E que poderia ser o de, no nosso largo espaço de mar que nos envolve, ser descoberto petróleo, isso, claro, se foram dados os passos essenciais para tentar que essa circunstância nos atinja. E, seguramente, não será por iniciativa dos nossos homens da política, que e4sses estão sempre à espera que a sorte lhes caia de qualquer sítio, mas não fazem o menor esforço para que forcemos a sorte. Por isso, ainda que já tenha saído em tempos a notícia de que no mar do Algarve se poderia explorar o gás natural, a verdade é que tudo caiu no mutismo e, até agora, ninguém avançou um passo para concretizar ou desmentir tal notícia. Mas pode ser que um dia destes, talvez por iniciativa vinda de fora, salte esse tão necessário “milagre” de se descobrir, na larga zona que constitui o nosso espaço do Atlântico, que afinal existe aquilo que deu fortuna a outros países, e que transformou radicalmente o modo de vida das populações – se bem, há que dizê-lo, os beneficiados largamente com essa preciosidade não foram os habitantes propriamente ditos, mas sim os governantes, que, quase todos de religião muçulmana, passaram a gozar de luxos inconfessáveis e também condenáveis. Mas isso são os homens, esses que não são capazes de olhar pelo bem estar de todos os outros e só se preocupam com sigo próprios. Mas vamos ao tal “milagre” que Portugal tanto necessita para conseguir libertar-se da situação miserável para que caminha. E é aqui que bate o meu ponto. Pois ao perguntar-me se, com tal ventura, o nosso País mudaria radicalmente de comportamento em todas as esferas, na política, na económica e, sobretudo, na social, tenho dificuldade em encontrar uma resposta segura. Será que os seres humanos que formam a nossa classe política, seriam capazes de, a partir dessa nova atmosfera governativa, passar a ter bom senso e a utilizar os meios largos disponíveis nas soluções mais importantes, ou manteriam a mania de querer arvorar em seres extraterrestres e aumentariam as auto-estradas, umas ao lado das outras, e voltariam às extravagâncias desnecessárias? Até para ser rico, o Homem necessita de ter sempre presente uma boa dose de bom senso. Não olhar apenas para os seus interesses próprios mas ter em conta o bem-estar da comunidade que o rodeia. Não se pode ser feliz com o espectáculo em volta de miséria. Por agora e no que a mim se encontra dentro das minhas possibilidades, apenas posso transmitir aos outros o que faz parte daquilo que considero um “milagre”. Quem me dera que ele fosse realizável e que ele também contribuísse para alterar radicalmente a nossa maneira de ser.

sábado, 16 de abril de 2011

EXPLICAÇÃO

Para responder a várias perguntas que me têm sido dirigidas do motivo por que não tenho continuado com a transcrição de poemas da minha autoria junto de cada texto, aqui deixo expresso que a organização dos blogues, segundo me foi dito, terá alterado algo da sua técnica, pelo que não consigo que os versos saiam com o aspecto de poesia, mas sim todos com texto corrido. E eu não sei resolver este problema. Se alguém souber e me quiser ensinar, fico grato.

IMAGINAÇÃO


PONHO-ME, COM FREQUÊNCIA, A IMAGINAR o que poderia acontecer em determinadas situações. E isso ocupa todo o meu poder de tentar encontrar soluções para os mais complicados problemas. Vejam lá o que me deu, um dia destes, e que foi o de, nesta altura em que temos cá instalados os técnicos representantes da Troyka, admitir que se operava um milagre no nosso País e que todos os problemas das dívidas que pesam sobre as nossas costas estavam a ser resolvidos. Pois foi tanto como isto: que uma mão benévola de que nem se sabia a existência, tinha chamado a si o pagamento a todos os credores, reduzindo a zero a dívida que será de muitos milhares de milhões. Quer dizer, de um dia para o outro éramos surpreendidos pelo crédito das nossas contas completamente limpo, passando a dispor, a partir dessa altura da maior liberdade em conduzir o nosso destino sem as mínimas obrigações de enfrentar os credores. Quer dizer, dívidas não existiam, mas a forma de produzirmos activos, de nos abastecermos a nós próprios, de sermos auto-suficientes e, se possível, até excedermos o montante do que produzíssemos em relação àquilo que tivéssemos que adquirir fora das fronteiras, esse ideal não foi atingido pela minha imaginação. Assim sendo e estendendo esse lindo sonho para uma distância maior no futuro, como éramos forçados a ir buscar a outros mercados tudo o que faltava na nossa produção, a pouco e pouco formo acumulando novos empréstimos, dado que a ânsia em mantermos uma boa vida e o apetite em podermos assistir a novas inaugurações do que não seria absolutamente necessário mas que dava certo conforto à vista, o que ocorria para lá da referida imaginação era outro espectáculo de, a pouco e pouco, irmos acumulando dívidas novas que o tempo diria como se poderiam resolver. O que eu quero dizer com isto é que, sem ser necessária qualquer imaginação, basta que nos limitemos a encarar a realidade dos nossos dias. Vamos todos apertar o cinto até ao limite máximo da nossa magreza. Levando os anos que levar e que não vão ser poucos, lá conseguiremos saldar as nossas contas e atingiremos um dia, lá bem longe, o ponto morto dos compromissos. Mas como, entretanto, não fomos capazes de desenvolver a nossa produção, porque, acima de tudo e dos políticos que tomarem conta do poder, todos nós somos portugueses, mantendo-se o mar por produzir, a agricultura por dar o seu máximo, a indústria a manter-se encolhida e as pequenas empresas a lutarem contra a inflamada burocracia, que essa nunca deixará de estar atenta só para chatear, o romance ameaça ir-se repetindo pela vida fora. Aquilo que eu tenho repetido vezes sem conta, ainda que me acusem de falta de patriotismo (apenas porque pretendo dizer as verdades), e que é o não se ver o discurso que é preciso ir repetindo sucessivamente, procurando atingir, sobretudo, a juventude, mesmo a escolar, e que é o apelar a todos para que encarem a realidade que é a de sermos capazes de aumentar, cada um de nós, o produto do nosso trabalho, seja ele qual for, se não for encarado com a maior ausência de complexos e com a humildade que nos é essencial para reconhecermos os nossos erros, se isso não suceder, daqui a vinte anos, alguém, que não eu, estará a repetir este apelo e a olhar para o umbigo, dessa vez bastante reduzido porque a ausência de comida a tal obriga.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

PORTUGUESES QUE NÓS SOMOS


É PRECISAMENTE NESTA ALTURA, em que estamos a ser observados por técnicos estrangeiros no que diz respeito aos erros que foram cometidos ao ponto de Portugal se encontrar na situação vergonhosa – e uso este adjectivo com convicção – de não sermos já capazes de emendar os erros que fizemos, ou seja que um grupo de governantes incompetentes e convencidos da sua ciência nos colocou, pois não pode ser deixado passar o momento para que, na escala nacional, junto do povinho que apenas está sujeito aquilo que os que mandam impõem, e isso já que os bem situados na política não são capazes de reconhecer, é exactamente esta altura em que todos nós ganhamos em analisar aquilo que somos e o que necessita de ser emendado. Ontem, neste mesmo blogue, fazia um apelo ao Presidente da República para que se deixasse de ficar agarrado ao mutismo de que ninguém o tira, e também lhe sugeria que aparecesse a público a expor a sua opinião do que é imperioso que se altere nos portugueses – em todos – para que tenhamos um mínimo de esperança de que, dentro de alguns anos, porque não seria já amanhã, possamos ter as contas pagas mas, muito mais do que isso, a produção nacional a poder suportar os encargos que competem ao Estado da Nação. E aí, não escondi que não é possível mantermo-nos nós todos, do mais humilde ao mais bem situado na sociedade, naquela boa vida que temos encaixada no nosso desejo ao longo de toda a nossa existência, porque isso não é só de agora. E como existem por aí umas organizações que, para além de defenderem os direitos dos chamados “trabalhadores” – o que é legítimo e necessário -, o que fazem de mal é a instigação às greves sejam quais forem as circunstâncias difíceis que atravessemos, não olhando ao afundamento que provocam a toda a Nação, essa atitude também concorre para criar um espírito de pouco fazer, em prejuízo de toda a sociedade que somos, não apelando nunca para que a sua actuação seja do mais rigoroso cumprimento das regras que cabem a cada um que exerce uma profissão, fazendo com que a produção de Portugal deixe de se encontrar no baixo rendimento que é a enorme causa também de não conseguirmos suprir as nossas necessidades e dependermos em quase tudo das importações. Para além disso tudo, também poderia servir para alterar a má ideia que existe por esse mundo no que respeita à nossa capacidade de trabalho e que, por muito que os nossos emigrantes dêem mostras do contrário quando se encontram a actuar fora de Portugal – pudera, porque as leis laborais aí não dão margem para encostos à parede -, a opinião que reside nos investidores externos é a de que não é animador o panorama nacional nesse particular. Somos nós, os de cá, que temos de reconhecer esta circunstância e o mais natural é que não nos agrade virem os outros apontar-nos o dedo. Por isso há que emendar rapidamente, se querem os que os vindouros encontrem uma Pátria onde valha a pena fazer um esforço. Quando, neste momento, se chegou ao ponto de afirmar que as Forças Armadas estão sem verba para fazer frente aos salários, será com uma greve nesse sector que se consegue o dinheiro? A Troika que cá se encontra irá fazer o relatório que julgar conveniente e que mostrará o retrato do que somos. Não é necessário ser sonhador para imaginar, desde já, que vamos ficar mal no retrato. E não vou agora enumerar a lista infinita de comportamentos que nos são usuais que só servem para retirar dos lusitanos a pouca vontade que já têm de ser produtivos. Basta recordar as “pontes”… mas não se fica por aí. Daqui, deste humilde blogue, escrito por alguém que trabalhou (e estudou de noite, para conseguir subir na escala) ao longo de 60 e mais anos e que nunca gozou o que hoje é obrigatório, do tal mês de férias, só me resta chamar a atenção para os que se dizem hoje estar “a rasca”. Estão, de facto, mas comparando com o que os antigos passaram, até se trata de umas vida de sonho. O mal maior vai ser o futuro, se não se conseguir reagir positivamente a hábitos de séculos, pois que estes não são só de hoje, piorando sobretudo quando andámos convencidos nos últimos tempos de que estávamos ricos, então, os portugueses que andarem por cá poderão arrepelar-se por lhes ter calhado nascer nesta ponta tão bonita da Europa. Gostava de imaginar o que pensarão nessa altura os cidadãos nacionais, especialmente se a História não disfarçar o nome do causador principal da situação em que vivem.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

PRESIDENTE ACTUA?



A FASE AGORA é de aguardar. Não podemos nós, cidadãos do nosso País, fazer outra coisa que não seja ver o que é que os técnicos estrangeiros que estão a analisar as contas portuguesas encontram e, após isso, decidem como irão ajudar essa gente que nos meteu nesta alhada.
Entretanto, mesmo que o Presidente da República não tenha poderes para actuar e, nesta circunstância de não haver Governo em actuação, ainda menos depende da sua actuação prática, o que sim seria importante que se assistisse era a uma intervenção pública, dando mostras de que não se encontra atado de pés, mãos e boca como parece que se encontra.
Os partidos estão também limitados a fazer aquilo que lhes é tão fácil e que é o atacarem-se uns aos outros, dando mostras do desentendimento crónico entre eles, não acrescentando nada de concreto que provoque alguma esperança nos votantes que, no dia 5 de Junho, irão fazer a sua escolha.
O povo, entretanto, continua encostado às paredes, os que não tem emprego mas também os que ainda se mantêm com tarefas, posto que o trabalho é coisa que nunca entusiasmou excessivamente estes lusitanos que, desde os tempos dos visigodos, se arredam, o mais que podem, do que represente esforço, logo produção.
Não se trata de um exagero, mas de uma constatação que, a cada passo, podemos confirmar na nossa movimentação diária com qualquer propósito concreto. Ainda ontem, ao ter de utilizar os serviços dos Serviços de Saúde do meu bairro, comecei logo por deparar com um atraso da chegada da médica e a falta da funcionária que, na sala de espera atende os doentes. As luzes encontravam-se todas acesas nas salas onde não havia clínicos, e o resultado da consulta não foi positivo, pois que uma série de burocracias retardaram para outro dia o motivo da visita.
Mas, à saída, passando por um edifício onde funciona uma repartição pública, os vários funcionários que no exterior fumavam o seu cigarrito constituíam a prova de como se trabalha pouco neste nosso sítio, sobretudo quando é o Estado a pagar – ou seja nós todos.
Nos café por onde passei, ao entrar num deles repleto de freguesia que não estava na idade da reforma, consegui perceber que a maioria dos clientes sentados estavam agarrados a jornais desportivos, por sinal que o estabelecimento facilita, o que torna a sua venda mais limitada.
Mais adiante, três funcionários da empresa camarária EMEL, passeavam-se fardados e de livrinhos de multas na mão, dando ideia de que não se empenhavam completamente nas suas funções e que o ordenado apareceria na mesma.
Esta escrita assim de rajada é para mostrar como me encontro completamente identificado com o comportamento dos portugueses, especialmente os que vivem numa cidade como esta de Lisboa, mas que não se diferenciam muito do resto do País.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O FIM DO MUNDO



MÁRIO SOARES, sempre ele, felizmente ainda entre nós e a dar mostras de ter uma cabeça a funciona melhor do que grande parte dos políticos no activo que se pavoneiam por aí, com os seus 86 anos e a simpatia de que sempre foi capaz de se servir no decorrer da sua actividade antes e depois do 25 de Abril, na entrevista que a televisão transmitiu deu a conhecer o seu ponto de vista actualizado em relação ao estado em que se encontra o nosso País.
Devo dizer que, no que me diz respeito, eu que tive ocasião de o acompanhar em dez viagens feitas a diferentes locais no estrangeiro, durante o período em que exerceu funções governamentais, pude, por mais de uma vez, discordar de alguns dos seus pontos de vista, e que, quando trocámos impressões a esse respeito, sempre demonstrou uma enorme capacidade de aceitar os que discordavam dele, ainda que defendesse convictamente as suas teses. E este preâmbulo serve para marcar bem a diferença que existe entre o que foi a sua maneira de governar e o que tem ocorrido desde há uns anos com o seu sucessor Sócrates.
Não esconde Mário Soares que, como sucede comigo, é um fervoroso defensor da existência da Comunidade Europeia, melhor ainda se pudesse transformar-se numa federação de países com regras comuns. Mas é claro o seu desgosto perante a dispersão de conduta que tem vindo a decorrer aceleradamente, no que está a dar como resultado os múltiplos problemas de vária ordem que obrigam diversos países a necessitar de auxílio, sobretudo financeiro, o que se poderia ter evitado se, há já bastante tempo, existisse essa unidade de comportamento em toda a zona europeia, especialmente nos países que aderiram à então CEE e depois à moeda única (se bem que se verifique ainda hoje separação criticável neste particular, por egoísmo de alguns parceiros).
Mas a verdade é a que é e não se pode esconder que o bloco da Europa, tal como foi idealizado, está cada vez mais longe de atingir o objectivo ideal e o risco é o de que, a breve prazo, os homens, sempre eles, desfaçam o que seria essencial para que a paz e a harmonia, a ajuda comum, seja o princípio que oriente a actuação de todos os membros de uma comunidade que resiste a dar as mãos.
O que ocorre em Portugal, infelizmente, é, de certa maneira, uma cópia daquilo a que se assiste no resto do nosso Continente. O não se ter capacidade para, sobretudo em tempo de vacas magríssimas, nos reunamos num vira bem apertadinho e, afinando bem as passadas, caminharmos todos no mesmo sentido e não deixando que alguns fiquem para trás. Esta linguagem típica lusitana, utilizo-a a propósito do nacionalismo que se impõe que sirva de modelo para sairmos do naufrágio em que nos deixámos cair.
Mas, por muito tradicionalistas que façamos esforços para ser, as realidades não nos deixam que percamos de vista a realidade dura e crua que nos envolve. E uma delas é o aumento assustador e progressivo do desemprego que se espalha aquém fronteiras, mas que, há que ter isso bem presente, é uma enfermidade que tomou assento e vai subindo rapidamente em toda a Europa e, afinal, por todos os sítios do mundo.
Quer dizer, o excesso de população que atingiu já um número assustador de 7 mil milhões de habitantes em toda a Esfera terrestre, se em cada País provoca o problema de ter gente que não encontra local para trabalhar, esse será uma das razões do drama que se chama crise e cujos resultados, mais dia menos dia, serão os de a situação social ultrapassar em muito o caos económico e financeiro.
Ninguém pode deixar de prever que, por este caminho, as disputas entre os homens – e já hoje isso se verifica por diferentes partes da Terra, ainda que as razões não sejam claramente apontadas ao desemprego – esses confrontos tomarão proporções em que os mais optimistas se recusam a acreditar. Já o tenho escrito e não sou levado a pensar situação diferente lá mais para diante: os homens, ao não terem maneira de se sustentar e de formar a sua família, são capazes de tudo. E os vizinhos, estejam ou não nas mesmas condições, são os que ficam debaixo de olho para efeitos de um ajuste egoísta de contas.
Quem, como eu, não tem a felicidade de sentir um optimismo doentio à sua volta, ainda que não julgue que ficará o tempo suficiente para assistir ao deflagrar do problema, não tem porquê esconder o que admite vir a ser aquilo que os homens que cá estiverem na altura acabarão por fazer: uma guerra mundial que reduza a um terço a população do mundo, pois essa é a única maneira de encontrar trabalho para todo ser humano, sobretudo se houver que reconstruir aquilo que um confronto bélico e particularmente com armas altamente destrutivas deitar abaixo.
É duro, eu sei, ter esta convicção. Mas que apareçam outras soluções é o que eu mais desejo. E como não tenho porquê esconder o meu pensamento, assim, numa rajada, escrevo – ou melhor repito o que já escrevi noutra ocasião – e aqui deixo para que quem quiser aplaudir ou me dirigir os insultos que considerar que lhe provocam alívio.
O que ocorre nesta altura nos países do médio oriente e por ali á panas uma pequena amostra do que anda dentro dos seres humanos a fervilhar. Os tsunamis também não ajudam e as diferenças de religiões servem de certo pretexto para ao que proclamam os seus deuses.
Mas, no final, a razão principal é a de que há gente a mais a encher a Bola. Mesmo que ainda restem locais onde cabem uns tantos, porém os que mudam de morada não desejam fazer esse regresso.
Não vou mais longe. Quem me leu isto que escrevi e que não vou reler porque não me apetece, já entendeu tudo. O resto já não é comigo!

terça-feira, 12 de abril de 2011

NOBRE OU NÃO?


NÃO É QUE SEJA EXCEPCIONALMENTE importante para a situação portuguesa que Fernando Nobre tenha aceite ou não o convite do PSD para assumir as funções de deputado e, portanto, possível futuro presidente do Parlamento, posto que essa decisão não acrescenta nada de benéfico – nem sequer prejudicial – para a solução dos problemas graves que Portugal tem pela frente. Segundo o meu ponto de vista e até porque nunca fui um apreciador político do que foi candidato à Presidência da República e conseguiu alcançar 600 mil votos, não é por aí que Portugal consegue encontrar um caminho que o leve a sair da grave posição económica, financeira e social em que foi metido por via da actuação incompetente de gente que não devia ter sido escolhida pelos votantes nacionais para desempenhar as funções que lhes foram atribuídas. E nem acrescento nomes, pois temos todos é que olhar para a frente e deixar as acusações para outra altura em que estejamos mais descansados e tenhamos tempo para nos dedicarmos à História.

Mas, no que respeita a Fernando Nobre, colocando-me eu no seu lugar e seguindo uma linha, infelizmente tão corrente, de não ter a menor preocupação em assumir uma linha de absoluta honestidade política, não cuidando também de respeitar princípios de coerência, não perdendo de vista interesses pessoais, quer os de vaidade pessoal quer os materiais, no fundo só cuidando do que poderia considerar de mais valia para subir na escada dos importantes neste País, é evidente que, perante uma proposta como a que foi formulada pelo presidente do PSD, não deixaria de a agarrar com as duas mãos.

Analisando bem os prós e os contras que uma aceitação da minha parte poderiam trazer-me na situação concreta, mesmo sendo forçado a enfrentar as duras críticas que saltariam – como está já acontecer – no meu caminho, a opção que me atrairia era a de embarcar nessa proposta. O tempo jogaria a meu favor e seria maior o proveito do que o prejuízo que sofresse. Vejamos então: Claro que se trataria de um jogo na lotaria, adquirir um bilhete com enorme esperança de ganhar o primeiro prémio. Sendo que as garantias que me eram proporcionadas me davam grande margem de acerto. E, no caso em vista, a possibilidade do PSD alcançar uma posição prioritária na teia da votação que se perfila é francamente aceitável, ainda que o número maioritário de deputados na Assembleia tenha de resultar da junção de mais de um partido. Daí que a nomeação do Presidente daquela Casa de S. Bento dependa bastante da posição que venha a ser atingida pelos sociais-democratas.

Logo, a possibilidade de Fernando Nobre poder subir as escadas da presidência não está assim tão distante. Esta a razão por que me coloco, embora constrangido, na posição do médico que acabou de aceitar a proposta do partido que tem pretensões a sair-se razoavelmente das eleições em 5 de Junho. E o tempo que falta dirá se, também desta vez, tenho razão antes de tempo. Os anos que faltam para Cavaco Silva desempenhar as suas funções em Belém, não podendo renovar o mandato, servirão para que o nosso visado Nobre se mantenha na posição de saliência para os portugueses, o que não aconteceria se se mantivesse obscuro na direcção da AMI, por exemplo, e isso custar-lhe-ia depois muito mais se entendesse, como dá ideia de que é a sua intenção, voltar a candidatar-se ao lugar cimeiro do Estado. Ora aí está o motivo por que entendi fazer aqui este jogo de imaginação em relação ao caso que levantou e ainda continuará alguma celeuma no ambiente político português.

Mas a presença dos enviados do FMI e parceiros, para observarem as contas públicas e a posição financeira e económica concretas de Portugal, para efeitos de nos ser concedido o empréstimo, primeiro de 80 mil milhões de euros, a sua actuação que está a ser aguardada com enorme ansiedade fará esquecer rapidamente factos secundários, como é este do convite feito a Fernando Nobre e aceite por este. Pus-me no seu lugar porque não vejo razão para procurar, nesta como noutras alturas, políticos ou seus aspirantes que sirvam de exemplo, pelo seu comportamento irrepreensível de absoluto e rigoroso interesse único no melhor para o nosso País, ao ponto de servirem de exemplo para todos os cidadãos. Temos que afastar retóricas e encarar de frente as realidades dos homens, sejam eles políticos, aspirantes a isso ou outros de qualquer profissão. Desculpem o meu cepticismo.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

DEPOIS NÃO SE QUEIXEM


ESTE FIM DE SEMANA que passou serviu ao Partido Socialista para iniciar a sua campanha eleitoral e, verdade seja dita, foi utilizada pelo grupo de Sócrates com grande habilidade, pois transmitiu uma ideia de que o PS se encontra muito unido em redor do seu secretário-geral e que, apesar de sempre ter sido declarado que o Governo que se demitiu era contrário à ajuda externa ao nosso País, agora vai encabeçar o grupo de negociação para que o empréstimo previsto de 80 mil milhões de euros se torne realidade. E é isto a política. Diz-se e desdiz-se. Afirma-se uma coisa numa altura e precisamente o contrário logo a seguir. Com o maior descaramento, deixam-se de se assumir as culpas de uma operação que correu mal e passam-se essas responsabilidades para os adversários. Só é preciso que o povo seja capaz de entender essas jogadas e que, na altura da escolha, não seja levado ao engano. Só que os cidadãos, e neste caso os portugueses, não têm aquela capacidade que se pensa de raciocinar friamente e de analisar as situações com a memória viva daquilo que foi dito e feito e do que se afirma depois, de acordo com as conveniências. Logo, este congresso dos socialistas foi um golpe de mestre. E ainda por cima, com o apoio escandaloso de todas as estações televisivas – o que nunca se viu noutras ocasiões -, pois todas e em simultâneo fizeram a cobertura do acontecimento em Matosinhos, o efeito propagandístico não podia ter sido maior. Resta agora ao PSD – posto que o CDS se mentem mudo e quieto como não se esperaria – dar mostras de que é capaz de dar a volta à opinião que terá sido formada em grande parte da população portuguesa, visto que discursos como o que foi pronunciado por Passos Coelho na Madeira, e que uma televisão captou, não chegarão para convencer os votantes que, em 5 de Junho, irão escolher quem preferem para exercer as funções de Executivo, ainda que seja forçoso formar uma coligação que, supõe-se, terá de englobar o PP para atingir um minoria. Já não vale a pena nesta altura andar a fazer acusações de que foi Sócrates o causador da situação alarmante em que se encontra Portugal. Ainda que ele não deixa de proclamar aos quatro ventos que foram as oposições que causaram a necessidade da ajuda financeira externa – e seria bom saber como é que se conseguiria liquidar, já nos próximos meses de Maio e Junho, os empréstimos e os juros que se vencem e que ultrapassam os cinco mil milhões de euros, para não falar no montantes para suportar as despesas correntes do Estado -, de conversas sem sentido já está o nosso País farto e não é com este tipo de actuações que se soluciona um problema tão grave como aquele em que nos meteu o arrogante Sócrates. O que importa na altura verificara é se o PSD, caso atinja o primeiro lugar na próxima eleição legislativa, consegue conduzir medianamente o barco falido que lhe será entregue. Isto é adiantando já que não voltaremos a suportar o governante saído à frente de um novo Gabinete governamental. Bem basta imaginar o que vai ser tê-lo a comandar as forças da oposição democrática, se bem que aí até terá a sua utilidade a existência de alguém que esteja atento aos erros que eventualmente sejam praticados. É que aí não haverá folga para enganos! Seja como for e tendo ainda algumas esperanças de que, não obstante os pesados sacrifícios que vão ser exigidos os portugueses perante os compromissos que se assumirão em troca da ajuda financeira externa, a situação encontrará um caminho positivo que levará anos a devolver-nos a independência financeira, dessa forma pode ser que algum benefício seja conseguido com tal intromissão estrangeira: a de alterarmos um comportamento nacional que, conforme eu afirmei no meu blogue de ontem, constitui uma necessidade que é fulcral para não repetirmos erros passados e congénitos. E a terminar, uma alusão à decisão tomada pelo PSD de convidar – e foi aceite – o ex-candidato à Presidência da República Fernando Nobre, politicamente dito independente, a, sem se filiar no Partido, propor-se para deputado e ser eleito presidente da Assembleia (evidentemente se as circunstâncias resultantes dos votos assim o permitirem). Nem vale a pena fazer comentários acerca destes golpes de rins que os políticos fazem, pois que a figura em causa já encaixou vários papéis que lhe foram propostos em aventuras no palco das representações políticas. Trata-se de uma forma de colher votos de uma área que não se encontra na mancha social-democrata, ainda que, a meu ver, não existam garantias de que tal propósito possa trazer um tão valioso número de seguidores como a intenção pretenderá. Mas o que faz pena é constatar que o vale tudo anda sempre nas mangas dos homens que comandam os partidos. E, na verdade, o que interessa sobremaneira nesta altura é prestar a maior atenção ao modo como os partidos, todos eles, se vão comportar perante os emprestadores de dinheiro ao nosso País, pois que o mais pequeno desentendimento pode provocar um afastamento dos que se propõem ser mais uns credores que, sobretudo na presente conjuntura, têm de ser tratados com luvas de pelica… ou não teremos onde nos agarrar e todos os Sócrates de Portugal bem podem ir pedir para outra porta de igreja e aceitar as exigências que lhes forem apresentadas, beijando ainda por cima o chão que eles pisarem… Pensem bem nisto os portugueses no dia 5 de Junho e depois não se queixem se não o fizerem.

domingo, 10 de abril de 2011

VERDADES CUSTAM A OUVIR


CLARO QUE NUM MOMENTO como este, em que está à vista uma campanha eleitoral que porá em confronto partidos políticos que pretendem convencer os portugueses de que a razão está do seu lado e que os outros é que são os culpados da situação desastrosa em que Portugal se encontra, precisamente nesta altura tudo farão os participantes de todos esses grupos partidários para desfazer mal entendidos e a forma mais prática é a de se elogiarem ao extremo e de acusarem os concorrentes de tudo e de mais alguma coisa, no sentido de tentarem sair tão ilesos quanto possível daquilo que os cidadãos os acusam no íntimo de cada um. O Partido Socialista tem feito tudo que entende necessário e o congresso que se realiza em Matosinhos e que ocupa três dias, terminando neste domingo, não representa outra coisa que não seja o esforço máximo no capítulo da propaganda que possa sair do seu próprio círculo de apoiantes e simpatizantes e que sirva de início da série de comícios que vão ter lugar para procurar atingir, no próximo dia 5 de Maio, um resultado que satisfaça aquilo que é o desejado por todos: uma maioria absoluta. Posto isto, o que há a esperar é as acções que o PSD e também o CDS, este ainda que limitado à sua expressão, irão levar a cabo, posto que lhes cabe também a ambição de alcançarem pontuações que sejam confortáveis, sendo que, sobretudo os sociais-democratas, sustentam a aspiração de saírem vencedores na contagem final, com um primeiro lugar que chegará ou não para formarem governo sem coligações. Seja como for, o que os políticos deveriam já ter entendido há muito tempo, é que os portugueses da rua, os milhões que somos e que nos encontramos espalhados por todo o território, cada um com as suas funções e os seus entendimentos, esses cidadãos perderam praticamente as esperanças de ver o nosso País recomposto do abanão que sofreu por culpa da má governação que tem vindo a ser praticada há uma série de anos. Estão fartos dos homens que se intitulam políticos e que, cada um à sua maneira, têm tirado partido pessoal dos lugares que têm conseguido, por mérito próprio mas sobretudo devido aos favores dos amigos dos partidos a que pertencem e que, de umas forma geral, se protegem mutuamente. O que falta neste Portugal, que merecia maior clareza e total honestidade por parte daqueles que andam sempre a subir escadas dos sues interesses políticos, logo pessoais, é que apareça nem que seja um só português que, não desejando obter proventos próprios com a sua actuação pública e política, é que tenha a possibilidade de subir a uma tribuna pública para dizer aos portugueses aquilo que andam sempre a esconder. E é evidente que, da parte dos mais destacados políticos nacionais, nenhum se atreve a utilizar a linguagem da verdade, porque é sabido que é com promessas, mesmo as mais irrealizáveis, que se conseguem convencer apoiantes, posto que as verdades, quase sempre demasiado cruas, não iludem as populações. Sendo assim, um Presidente da República, sobretudo nesta fase em que já não se perfila a hipótese de uma recondução no lugar, pois Cavaco Silva já se encontra no seu segundo e último mandato, esse Chefe de Estado é que deveria deixar o mutismo em que tem estado resguardado e sair à liça com um retrato, tão perfeito quanto possível, bem elaborado com a ajuda de assistentes da maior competência, em que nessa demonstração daquilo que nós, portugueses, somos, políticos e não políticos, de molde a deixarmo-nos de acusações permanentes uns aos outros e a conseguirmos aprender alguma coisa de útil acerca de nós próprios. Que sejamos nós a fazer essa análise bem precisamos, o que não queremos é que sejam os de fora a apontar-nos o dedo. Que a culpa disto tudo, neste momento, é de José Sócrates já nem é necessário insistir. Há, pois, que passar a diante. Mas, como eu já me atrevi a escrever neste blogue, se metermos bem a mão na consciência verificamos que todos nós somos um pouco de Sócrates. Egoístas, convencidos da nossa razão, não sendo capazes de ouvir opiniões que sejam melhores dos que as nossas, sem humildade para reconhecer os nossos erros, ambiciosos em excesso, ao ponto de não darmos passagem aos outros, tudo isso são características dos seres humanos, mas que nós, portugueses, exageramos para além do normal. Mas, para além dessas características, o que é também fundamental, na fase que atravessamos, ter em conta é a nossa capacidade de produzir, sermos úteis naquilo que fazemos, em nos empregarmos a cem por cento nas tarefas que nos competem desempenhar, ou seja, não o de prolongarmos as horas de trabalho, mas sim em utilizar em absoluta o tempo que está destinado para cada função. Quem me lê sabe bem a que me refiro. Isso de não desperdiçarmos o tempo que deve ser aplicado exclusivamente no trabalho que nos compete, não sendo atraídos pelos telefonemas privados tão do nosso gosto, das conversas sobre temas extra – os do futebol, por exemplo -, as saídas para fumar o seu cigarrinho ou para ir beber um cafezinho, etc., etc. Todos nós sabemos que os chamados, pelos fundamentalistas dos sindicatos, “trabalhadores”, como se um País não devesse ser formado, quase exclusivamente, por gente que trabalha, por conta de outrem ou por sua própria, são vistos por todos nós, sobretudo quando ocorre uma obra, em conversas de dois e três, e a assistir ao panorama do que ocorre na tarefa que lhes incumbe. Ainda um destes dias, numa rua de Campo de Ourique, causou espanto ver três funcionários da EMEL, devidamente uniformizados, a passearem-se em conversa animada, sendo que cada um deles teria a sua zona de actuação e o seu ordenado é pago pelas nossas contribuições, posto que se trata de um empresa sustentada pela C.M.L. Mas isso é um exemplo entre os muitos milhares que são conhecidos e que já fazem parte da nossa maneira de estar neste País de “brandos costumes”. Pois o que Cavaco Silva devia fazer era apontar as culpas que nos cabem a todos pela pouquíssima produção que sai das mãos dos lusitanos. Se temos de produzir muito mais, então a pesca tem de sair do seu pouco aproveitamento das águas marinhas que nos pertencem; a agricultura tem de passar do marasmo em que caímos desde a altura em que recebemos da Europa dinheiro para fazer pouco e instar-se junto da população que foge do interior para que se dedique à exploração das terras e, no capítulo da expansão industrial, deve o Presidente da República ser claro para que sejam reduzidas os impedimentos postos pelas burocracias crónicas de um País indolente e que até as fiscalidades que por aí pululam apenas para travar iniciativas, apelando até às empresas estrangeiras, mesmo as de menor porte, para se instalarem no nosso País. E, aos cidadãos, deve o Presidente perder todos os complexos e apelar para que deixem de fazer greves que, nesta altura, só servem para complicar ainda mais a situação difícil que atravessamos, tais como as dos maquinistas da CP, empresa falida que custa milhões ao erário público e que não pode suportar agora aumentos de salários, lembrando também que as restrições de vária espécie que vão ser anunciadas, em contrapartida dos 80 mil milhões de euros que nos vão ser emprestados para pagarmos o que devemos, esse novo panorama não permite que sonhemos com uma situação que não é a que está instalada entre nós. Insisto: ao Chefe do Estado compete esse dever de falar claro e sem reticências aos povo português, já que os ditos responsáveis dos diversos partidos políticos, esses, com receio de perderem eleitores, só largam pela boca fora aquilo que lhes convém pessoal e partidariamente… nunca a verdade verdadeira. Da minha parte não hesito, neste meu escrito, como tenho feito, de resto, noutras ocasiões, em expressar aquilo que me vai dentro e que consiste numa obrigação de quem se dirige aos outros para mostrar os seus pontos de vista. Não tenho a mais pequena confiança nos homens que assumem as funções de dirigentes partidários. Já tiver, reconheço, mas as circunstâncias abriram-me os olhos. Tenho de votar, estando vivo. Mas sempre com as maiores dúvidas. E, no capítulo do povo que tem a seu cargo a escolha dos seus dirigentes, enquanto não formos capazes de mudar de comportamento e de assumirmos as nossas próprias responsabilidades, não estando sempre à espera que sejam “eles” a resolver os problemas, ainda que sejam criados também por “eles”, nesse particular não tenho o menor pejo em afirmar que precisamos de mais 300 anos de democracia para alcançarmos um mínimo de capacidade de exercer a prática dessa menos má de todas as políticas… como dizia Churchill!