sábado, 30 de julho de 2011

EXAME


Quanto mais eu procuro o saber
mais longo vejo caminho à frente
e toda a minha ânsia d’aprender
mal chegou julgando-me inteligente
Quanto mais penso que sei
Menos ciência terei

Conviver com alguém que sabe mais
ouvir da sua boca coisas novas
em mim até provoca vendavais
fazendo-me descobrir belas provas
Meter a mão na consciência
Faz descobrir a carência

Se depois de muito caminho andado
pleno de bons actos como de maus
todo o conhecimento armazenado
não chegou para elevar os graus
Onde está então o saber
Mesmo pouco mas a valer?

Se outra coisa não for conseguida
ao longo de toda a vida passada
ao menos que se dê certa guarida
ao que se aprendeu em tal cruzada
Quem sabe se no derrame
Alguém fará um exame

AICEP POR EXEMPLO



TENHO ESTADO PROPOSITADAMENTE silencioso no que se refere a comentários sobre os acontecimentos que têm sido presenciados na nossa Terra, exactamente porque considerei que seria muito mais próprio não adiantar aplausos ou críticas a quem surgia para ocupar umas funções tão delicadas e de enorme responsabilidade, a quem recebia um presente que vem carregado de explosivos e que, só por isso, seria mais apropriado dar tempo a que tomassem lugar nas suas cadeiras e, só depois, surgir a tentar prestar algumas opiniões que possam servir para que a equipa aproveite e não faça como a anterior que sabia tudo e não dava mostras de precisar de pontos de vista oriundos dos portugueses.
Venho só agora referir-me a um tema que, não sendo minimamente novo na minha colecção de assuntos que considero de primeira importância para podermos avançar rapidamente na reconstrução deste País não produtivo, nem por isso foi referido no período da propaganda eleitoral e mesmo depois, já com o elenco ministerial constituído. Na verdade, a ideia com que fico é que a maior parte das figuras que querem dar mostras de que andam preocupadas com a situação que atravessamos, não se referem a um ponto que, no meu entender, constitui uma das principais acções que deveriam ser tomadas de imediato a peito, posto que, no capítulo de tornar Portugal uma Nação que produza e exporte, não bastam os conselhos proferidos nas discursatas sem resultado prático, pois o que é preciso é verificar-se uma actuação bem estudada para que, passados tempos, se comecem a obter os resultados positivos.
Vamos, pois, a isso:
É bem sabido que o interior do nosso País, por ter vindo a ser abandonado há já demasiadas anos, pois que a falta de apoio técnico aos agricultores, sobretudo aos possuidores de menores dimensões de terras que, com a produção que obtinham, e que não conseguiam manter as famílias a viver nos locais onde nasceram e cresceram, foi isso que obrigou a deslocarem-se para as zonas nacionais da beira-mar, naturalmente com preferência para as regiões em redor das grandes cidades, para não referir a enorme emigração que voltou a interessar aos nossos nacionais que foram forçados a deixar abandonadas, o que produziu o que está hoje à vista de todos e que é assistirmos a áreas enormes abandonadas sem produção.
Este é um sector que me inquieta não ter visto ser referido, nas inúmeras recomendações que foram feitas pelos políticos quando andam na busca de votos, um assunto que tem de ser considerado como prioritário, não só no capítulo da produtividade nacional como também no de serem encontradas actividades para o grande número de desempregados que vai aumentando cada dia que passa.
Mas não é apenas isto que deve constituir uma das prioridades que os governantes devem levar em conta. É que, por outro lado, sendo Portugal o País europeu com maior área marítima diante de si, tendo a pesca já sido um dos grandes factores de criação de riqueza e de modo de vida de muita população, passou também a ser subalternizada e perdemos um elemento tão valioso que não só abastecia os portugueses como servia como elemento de exportação para o estrangeiro que não dispunha nem dispõe de zonas de captura marítima.
Isto, no capítulo da agricultura e da pesca, mas outras actuações existem que não se conformam com a limitação dos políticos ao apontamento de passagem dos factos e não se assista à mais pequena acção prática no sentido de modificar todo o panorama, o que compete, como é óbvio, para além das iniciativas privadas, do estímulo e ajuda que o Estado tem de dar para criar as estruturas que entusiasmem os cidadãos a dar os passos que lhes competem.
Vou ser mais explícito:
No capítulo das terras abandonadas no interior do País, é evidente que o sistema legal em que vivemos não permite que o Estado actue directamente nas propriedades que a Constituição que temos protege. Haverá, por isso, como primeiro passo para solucionar este problema e outros que se mantêm e nos não dão alternativa para passaremos a ser uma Nação desenvolvida, que criar formas legais para não permitir que os bens que não são aproveitados através da sua rentabilidade – e aí cabem as térreas abandonadas – se mantenham na posse dos que serão legítimos proprietários, mas que, com a sua inacção, não contribuem para o enriquecimento que se torna cada vez mais fundamental que não seja negado à Pátria de todos. Trata-se de uma atitude que “cheira” a políticas ditatoriais que já foram aplicadas em zonas onde o poder da força se sobrepunha àquilo que hoje está tão divulgado e que se refere às liberdades que, com toda a sua beleza, só é possível seguir quando os países em causa não estão a ser vítimas de crises de vária espécie, como é a que está a inundar várias partes do mundo e de que a Europa é a principal sofredora.
Tenho de me revoltar interiormente para admitir este tipo de medidas, mas se a Democracia, a tal “menos má das políticas”, não tem meios de solucionar problemas que surgem em certas fazes da vida dos países, só existem duas formas de actuar: ou entrar na banca rota e sofrer as consequências financeiras e sociais que daí advêm ou juntar forças e salvar de qualquer modo da morte a terra que nos viu nascer.
Então, no caso das habitações por ocupar, como é o que se verifica em Lisboa – mas não só -, em que se encontram milhares de apartamentos vazios e em que os arredores se incham de gente que tem de encontrar as suas residências, não haverá uma legislação que obrigue os proprietários a não manter vazios os referidos andares e lhes seja imposta uma renda que, por um lado, se ajuste ao seu valor mas também crie uma movimentação de arrendatários por forma a não se manterem zonas abandonadas – como é o caso das “baixa” lisboeta à noite.
E no mar? Então não se trata também de uma actuação imediata o fazer com que o Atlântico à nossa frente se encha de embarcações pesqueiras, particularmente dando trabalho aos estaleiros que, como sucedeu agora ao de Viana do Castelo, fechou as portas e despediu os trabalhadores?
No meio disto tudo, existindo há vários anos, entre nós, uma instituição oficial denominada AICEP (recentemente acrescentou-se-lhe no princípio do nome a letra A, Deus saberá porquê!), a qual teve desde o início como objectivo abrir portas nos mercados estrangeiros para a exportação dos nossos produtos, mas não só isso, sobretudo agora, em que se impõe convencer empresas industriais de fora virem instalar-se no nosso País, mesmo que, para isso, as Câmaras Municipais ofereçam terrenos em lugares convenientes e o Estado facilite todas as diligências para que não existam burocracias incomodativas e tão ao nosso gosto, de molde a que tudo seja facilitado e até algumas compensações fiscais pudessem e devessem estimular as instalações de tais novas empresas que, como obrigação teriam a de só poderem dar trabalho a portugueses.
Aquilo a que se assistiu na Assembleia da República, em que a estreia do primeiro-ministro deixou alguma esperança de que, pelo menos, existe uma consciência de que há um vasto e difícil trabalho a fazer e que, a partir do momento que tomou posse, há um mês, o novo Executivo, se impõe tomar conta das medidas que têm de ser postas em prática mais rapidamente do que tem sucedido neste período, no sentido de encaminhar Portugal no bom trajecto. Mas, seja como for, levará tempo e os portugueses têm de se mentalizar que, por muitos maus bocados que ainda terão de passar, lhes compete também deixarem de ter um comportamento de não contribuir para que dêem a mão que lhes cabe no sentido de trabalhar para o mesmo e não cada um por seu lado.
Por isso mesmo, não me canso de referir a existência do chamado IAPMEI – entes sem o A inicial, única mudança produzida desde o que existia antes – e que se destina a fomentar a exportação dos produtos que se fabricam no nosso território, a ajudar a encontrar financiadores para novas iniciativas industriais que devem ocupar espaços (cedidos pelos municípios locais) onde o deserto populacional se instalou no centro português.
Por aqui me fico com a devida compreensão pelo pouco mostrado até hoje, no capítulo das iniciativas tomadas pelo Executivo chefiado por Passos Coelho. Mas será por pouco tempo. Há que arregaçar mangas e, agora até sem gravatas… será mais fácil!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

BRAÇO A TORCER

Se os homens fossem iguais
no pensar e no dizer
sendo até todos mortais
era grande o desprazer
opiniões diferentes
certo interesse provocam
e mesmo entre parentes
modos de ver não se tocam

É preciso é aceitar
aquilo que os outros são
cada um no seu lugar
quem sabe quem tem razão
por vezes nenhum dos dois
ambos estão enganados
e só tempos depois
descobrem que são culpados

Mas nem sempre se acusam
não querem dar a ver
do erro até se escusam
não dão o braço a torcer

ARREGAÇAR AS MANGAS



TENHO ESTADO PROPOSITADAMENTE silencioso no que se refere a comentários sobre os acontecimentos que têm sido presenciados na nossa Terra, exactamente porque considerei que seria muito mais próprio não adiantar aplausos ou críticas a quem surgia para ocupar umas funções tão delicadas e de enorme responsabilidade, a quem recebia um presente que vem carregado de explosivos e que, só por isso, seria mais apropriado dar tempo a que tomassem lugar nas suas cadeiras e, só depois, surgir a tentar prestar algumas opiniões que possam servir para que a equipa aproveite e não faça como a anterior que sabia tudo e não dava mostras de precisar de pontos de vista oriundos dos portugueses.
Venho só agora referir-me a um tema que, não sendo minimamente novo na minha colecção de assuntos que considero de primeira importância para podermos avançar rapidamente na reconstrução deste País não produtivo, nem por isso foi referido no período da propaganda eleitoral e mesmo depois, já com o elenco ministerial constituído. Na verdade, a ideia com que fico é que a maior parte das figuras que querem dar mostras de que andam preocupadas com a situação que atravessamos, não se referem a um ponto que, no meu entender, constitui uma das principais acções que deveriam ser tomadas de imediato a peito, posto que, no capítulo de tornar Portugal uma Nação que produza e exporte, não bastam os conselhos proferidos nas discursatas sem resultado prático, pois o que é preciso é verificar-se uma actuação bem estudada para que, passados tempos, se comecem a obter os resultados positivos.
Vamos, pois, a isso:
É bem sabido que o interior do nosso País, por ter vindo a ser abandonado há já demasiadas anos, pois que a falta de apoio técnico aos agricultores, sobretudo aos possuidores de menores dimensões de terras que, com a produção que obtinham, e que não conseguiam manter as famílias a viver nos locais onde nasceram e cresceram, foi isso que obrigou a deslocarem-se para as zonas nacionais da beira-mar, naturalmente com preferência para as regiões em redor das grandes cidades, para não referir a enorme emigração que voltou a interessar aos nossos nacionais que foram forçados a deixar abandonadas, o que produziu o que está hoje à vista de todos e que é assistirmos a áreas enormes abandonadas sem produção.
Este é um sector que me inquieta não ter visto ser referido, nas inúmeras recomendações que foram feitas pelos políticos quando andam na busca de votos, um assunto que tem de ser considerado como prioritário, não só no capítulo da produtividade nacional como também no de serem encontradas actividades para o grande número de desempregados que vai aumentando cada dia que passa.
Mas não é apenas isto que deve constituir uma das prioridades que os governantes devem levar em conta. É que, por outro lado, sendo Portugal o País europeu com maior área marítima diante de si, tendo a pesca já sido um dos grandes factores de criação de riqueza e de modo de vida de muita população, passou também a ser subalternizada e perdemos um elemento tão valioso que não só abastecia os portugueses como servia como elemento de exportação para o estrangeiro que não dispunha nem dispõe de zonas de captura marítima.
Isto, no capítulo da agricultura e da pesca, mas outras actuações existem que não se conformam com a limitação dos políticos ao apontamento de passagem dos factos e não se assista à mais pequena acção prática no sentido de modificar todo o panorama, o que compete, como é óbvio, para além das iniciativas privadas, do estímulo e ajuda que o Estado tem de dar para criar as estruturas que entusiasmem os cidadãos a dar os passos que lhes competem.
Vou ser mais explícito:
No capítulo das terras abandonadas no interior do País, é evidente que o sistema legal em que vivemos não permite que o Estado actue directamente nas propriedades que a Constituição que temos protege. Haverá, por isso, como primeiro passo para solucionar este problema e outros que se mantêm e nos não dão alternativa para passaremos a ser uma Nação desenvolvida, que criar formas legais para não permitir que os bens que não são aproveitados através da sua rentabilidade – e aí cabem as térreas abandonadas – se mantenham na posse dos que serão legítimos proprietários, mas que, com a sua inacção, não contribuem para o enriquecimento que se torna cada vez mais fundamental que não seja negado à Pátria de todos. Trata-se de uma atitude que “cheira” a políticas ditatoriais que já foram aplicadas em zonas onde o poder da força se sobrepunha àquilo que hoje está tão divulgado e que se refere às liberdades que, com toda a sua beleza, só é possível seguir quando os países em causa não estão a ser vítimas de crises de vária espécie, como é a que está a inundar várias partes do mundo e de que a Europa é a principal sofredora.
Tenho de me revoltar interiormente para admitir este tipo de medidas, mas se a Democracia, a tal “menos má das políticas”, não tem meios de solucionar problemas que surgem em certas fazes da vida dos países, só existem duas formas de actuar: ou entrar na banca rota e sofrer as consequências financeiras e sociais que daí advêm ou juntar forças e salvar de qualquer modo da morte a terra que nos viu nascer.
Então, no caso das habitações por ocupar, como é o que se verifica em Lisboa – mas não só -, em que se encontram milhares de apartamentos vazios e em que os arredores se incham de gente que tem de encontrar as suas residências, não haverá uma legislação que obrigue os proprietários a não manter vazios os referidos andares e lhes seja imposta uma renda que, por um lado, se ajuste ao seu valor mas também crie uma movimentação de arrendatários por forma a não se manterem zonas abandonadas – como é o caso das “baixa” lisboeta à noite.
E no mar? Então não se trata também de uma actuação imediata o fazer com que o Atlântico à nossa frente se encha de embarcações pesqueiras, particularmente dando trabalho aos estaleiros que, como sucedeu agora ao de Viana do Castelo, fechou as portas e despediu os trabalhadores?
No meio disto tudo, existindo há vários anos, entre nós, uma instituição oficial denominada AICEP (recentemente acrescentou-se-lhe no princípio do nome a letra A, Deus saberá porquê!), a qual teve desde o início como objectivo abrir portas nos mercados estrangeiros para a exportação dos nossos produtos, mas não só isso, sobretudo agora, em que se impõe convencer empresas industriais de fora virem instalar-se no nosso País, mesmo que, para isso, as Câmaras Municipais ofereçam terrenos em lugares convenientes e o Estado facilite todas as diligências para que não existam burocracias incomodativas e tão ao nosso gosto, de molde a que tudo seja facilitado e até algumas compensações fiscais pudessem e devessem estimular as instalações de tais novas empresas que, como obrigação teriam a de só poderem dar trabalho a portugueses.
Aquilo a que se assistiu na Assembleia da República, em que a estreia do primeiro-ministro deixou alguma esperança de que, pelo menos, existe uma consciência de que há um vasto e difícil trabalho a fazer e que, a partir do momento que tomou posse, há um mês, o novo Executivo, se impõe tomar conta das medidas que têm de ser postas em prática mais rapidamente do que tem sucedido neste período, no sentido de encaminhar Portugal no bom trajecto. Mas, seja como for, levará tempo e os portugueses têm de se mentalizar que, por muitos maus bocados que ainda terão de passar, lhes compete também deixarem de ter um comportamento de não contribuir para que dêem a mão que lhes cabe no sentido de trabalhar para o mesmo e não cada um por seu lado.
Por isso mesmo, não me canso de referir a existência do chamado IAPMEI – entes sem o A inicial, única mudança produzida desde o que existia antes – e que se destina a fomentar a exportação dos produtos que se fabricam no nosso território, a ajudar a encontrar financiadores para novas iniciativas industriais que devem ocupar espaços (cedidos pelos municípios locais) onde o deserto populacional se instalou no centro português.
Por aqui me fico com a devida compreensão pelo pouco mostrado até hoje, no capítulo das iniciativas tomadas pelo Executivo chefiado por Passos Coelho. Mas será por pouco tempo. Há que arregaçar mangas e, agora até sem gravatas… será mais f ácil!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

DEVER E NÃO PAGAR

Primeira dívida custa
inquieta sua estreia
pois que o credor assusta
a quem não lhe paga odeia

Mas a vida como está
e dinheiro tanto falta
ao princípio assustará
depois s’acostuma a malta

Hoje, uns aos outros dever
é coisa mais que normal
o preciso é não morrer
sem cumprir o que é formal

Se dever pouco em fiado
batem à porta os credores
já causa menos enfado
se for de grandes valores

Hoje até os bancos sentem
os de cá e os de lá
quando os devedores lhes mentem
dizendo que certo está

O amanhã não se sabe
no que isto irá dar
mas antes que tudo acabe
alguém muito vai ganhar

ANSIEDADE



O QUE ME SUCEDE FREQUENTEMENTE quando me encontro isolado do mundo que me rodeia, aquilo que me inquieta com assiduidade, é interrogar-me sobre questões que, por não encontrar resposta nos meios de informação de que normalmente posso dispor, ficam sem contestação e surgem numa permanente preocupação que representam algo semelhante a uma enfermidade que não é defendida por quaisquer tratamentos que a medicina, embora muito desenvolta, não encontrou forma de solucionar.
Pergunto-me, por isso, numa insistência que utilidade tem este blogue se os responsáveis pela governação não o lerem ou, mesmo que o façam, considerem que as suas determinações é que são válidas e que os pontos de vista de gente que tem lugar nos cadeirões do Poder nem vale a pena discuti-los.
No caso do Executivo actual, que, sendo recente, já começou a dar mostras de que vem disposto a meter mão em muitos sectores que necessitam mexida, apesar disso e dada a necessidade que não pode ser alvo de discussão, de não se perder muito tempo com ninharias, por minha parte não escondo que me sinto inquieto, com preponderância no que se refere a corte ime4diato de gastos que, ainda que necessitem de alguma valentia política, não podem ser adiadas, sobretudo porque se se aumentam os impostos, então que se diminuam as despesas supérfluas, as tais que foram já referidas em diferentes áreas e que se referem a tudo que são as empresas que, quer dependentes do Governo central quer se encontrem sujeitas à vontade dos municípios, não deveriam durar mais tempo a fechar-se-lhes as portas e dar mostras aos portugueses que todos estão a fazer algo para que as contas públicas se sanem.
Por hoje não digo mais do que isto, e como já verifiquei que dupliquei o tratamento do mesmo tema em textos de dias diferentes, o que prova a minha ânsia de ver resolvidos os problemas que nos atolam as contas, por esse razão, como sempre faço com o espírito jornalístico que não me abandona, nem leio o que fica registado no computador.
Amanhã verei se existem razões para estar mais contente…

quarta-feira, 27 de julho de 2011

RAPAZIADA

Oh rapaziada à volta
oiço-vos falar bem alto
entra em mim certa revolta
entro até em sobressalto

Parece gente feliz
só porque é juventude
será que alguém lhes diz
que em breve talvez mude?

Criar a desilusão
vinda d’alguém qu’é mais velho
não é ter bom coração
o melhor é ver-se ao espelho

Rapaziada que ri
sem ter grandes problemas
eu também já estive aí
e nem fazia poemas

Mas tudo muda afinal
o que está à vossa espera
não será o ideal
nem algo que alguém quisera

Os grandes que hoje mandam
aqui neste Portugal
um dia também desandam
e o que deixam é fatal

A vocês cabe pegar
nos restos que cá sobrarem
só lhes resta carregar
com as contas e pagarem

Hoje por isso aproveitem
a juventude luzida
pois que depois se sujeitem
às agruras desta vida

Por isso não me incomoda
o barulho no café
seguindo as voltas da roda
então não estarei ao pé

SANTA JUSTA





AINDA ME RECORDO de, quando era um rapaz que ia para a escola todos os dias, a minha Mãe me dava dois tostões (20 centavos) para poder utilizar o elevador de Sta.Justa, só a subir, que, para baixo era a pé, o que por vezes eu nem utilizava porque comecei a juntar para comprar um macito de cigarros dos mais baratos, pois as companhias são as que induzem a rapaziada a fazer aquilo que não deve.
De igual custo era o elevador da Glória, que servia quando eu ia visitar a minha Avó Avelina Vacondeus, tal como tinham o mesmo preço o da Bica e o denominado por Lavra. Eram tempos em que, apesar do dinheiro ser muito escasso, sempre se ia conseguindo fazer uma vidinha algo capaz, coisa que hoje, com uma moeda forte, nem pensar! Ao saber-se que o uso do referido elevador públicoque liga a Baixa ao Bairo Alto, passou para 5 euros, o equivalente, na moeda antiga, a 1.000 escudos, verifica-se a enorme diferença que existe entre o que sucede agora e o que era esse passado que, política de ditadura aparte, sempre se ia faNós, os que vivemos o tempo da II Guerra Mundial, que sentimos na pele a utilização das senhas de racionamento de produtos essenciais, não conseguimos ter pachorra para suportar nesta altura as exigências da juventude de hoje que se classifica até de geração rasca. Por isso, ao vermos às portas das faculdades os carros que os paizinhos ofereceram aos pequenos e ouvimos as queixas que fazem por ter de fazer a pé um trajecto dentro da cidade de Lisboa, ao mesmo tempo que só nos resta encolher os ombros somos forçados a pensar no que lhes vai calhar, de pagar as dívidas que aqui são deixadas, mesmo que com algum alívio devido às negociações e acordos que começaram nesta época a ser feitos com, os credores.
Pois esta observação saiu-me por ter acabado de ler as notícias que correm e em que foram gastos pelo nosso Estado cerca de 2,2 milhões de euros perante as contas que a maioria dos concorrentes apresentou pela sua participação na eleição a Presidente da República, em que saiu vencedor Cavaco Silva, sendo que alguns deles ainda se sentem credores da parte que não foi considerada por não terem sido alcançados os resultados esperados.
Nesta fase em que todos parecemos uns náufragos que mal nos mantemos à tona de água, com a vista colocada em cima de um novo Executivo que se prestou para receber um pacote de problemas económicos, financeiros e sociais que lhe foi deixado pelo anterior locatário que, nesta altura, é dado como estudante num País europeu, que não o nosso, com a ideia de que essa será a bóia que nos dará salvação, agora já não constitui admiração todas as novidades, dentro e fora de Portugal, que não podem ser consideradas normais, tal como o que ocorreu na Noruega e tudo o que possa seguir-se. Esta agora de que o Governo admite que apresentará dois orçamentos rectificativos, coisa que vai ocorrer em 3 de Agosto na Assembleia da República, posto que existe ainda num montante de endividamento estipulado em 78 mil milhões de euros que o FMI e a União Europeia irão emprestar-nos e que são destinados à Banca nacional.
Sem entrar em pormenores que já se começam a tornar muito enfadonhos, sobretudo porque não há ninguém que consiga garantir com absoluta certeza que seremos capazes de nos desembrulharmos pelos nossos próprios meios, ainda que o panorama de aumento de encargos, fiscais e outros, esteja aí a aparecer a cair e continuará nesse ritmo sobre os portugueses, para irmos preparando o nosso espírito de sacrifício basta que tomemos conhecimento que os remédios vão ficar mais caros a partir do próximo mês de Outubro.
Fico-me por aqui, para não enfastiar os meus leitores. Amanhã haverá, sem dúvida, mais um rol de más notícias. Eu estou cansado de ter que dar estas notícias tão tristes.
Valha-nos Santa Justa, aquela que é apontada logo no início do blogue de hoje. Se conhecerem outra que possa deitar-nos uma mão e que não seja necessário pagar os tais 5 euros para nos prestar atenção, pois que venha essa indicação…

terça-feira, 26 de julho de 2011

O RISCO DE ESCREVER

Quem escreve muito arrisca
quem fala nem sempre acerta
até o que só rabisca
alguma coisa conserta

Escrever sempre a direito
com ganas de encher papel
tenha ou não tenha jeito
ao que pensa é fiel

Pois é melhor deixar feito
escrevendo a horas mortas
mesmo não sendo escorreito

Cada um dentro de portas
deve escrever direito
mesmo usando linhas tortas

QUEM DIRIA?



SERIA POSSÍVEL PREVER, tempos atrás, que os E.U.A. acabariam também por ser vítimas da crise económica, ao ponto de não conseguirem satisfazer as suas dívidas para com outros países, obrigando Barak Obama a expor a situação através das comunicações que lhe são habituais e a serem tomadas medidas sérias perante os cidadãos americanos que não eram habituais naquele País?
Pois também a essa Nação tão poderosa chegaram os sinais de apertar o cinto e seria bom que as agências de rating, as mesmas que estão tão interessadas em espalhar os seus avisos em relação às que se passa na Europa – e Portugal conheceu bem os efeitos daquilo que foi considerado “lixo” por essas empresas de apreciação dos outros -, dedicassem também a sua atenção para catalogar aquilo que se começa a verificar no próprio terreno onde estão instaladas.
Mas como com o mal dos outros se pode sempre bem (ainda que esse sinal de egoísmo não constitua um elogio ao nosso procedimento), não nos provoca alegria que a Nação que sempre gozou de farturas tenha agora de enfrentar uma situação que, pela Europa, já é coisa bem conhecida. E, nesse particular, como neste nosso País não se verifica um abrandamento das dificuldades que nos estão impostas e que nem a mudança de Governo ocasionou, para já, um afrouxamento de tais suportes de ordem financeira, sejam quais forem os contribuintes que não têm condições para fugir, pelos meios legais, de desviar para o departamento de impostos percentagens de tudo que constitua passar recibo pela execução de um trabalho, só temos de aceitar esse carrego até que se vislumbre um equilíbrio entre a produção e os gastos, o que não se encontra ainda na lista das possibilidades nacionais mais imediatas.
E é nessa direcção que considero útil ir apontando deficiências sempre que o Executivo de Passos Coelho tome qualquer medida que, mesmo na fila das urgências, não se situe nos lugares cimeiros, pois atravessamos uma altura em que não são admitidos erros e distracções. Mesmo que o desvio que foi metido na herança do Governo de posse recente seja superior a 2 mil milhões de euros, o que não foi ainda devidamente clarificado, não é compreensível que tenha sido anunciado que o corte na despesa só surja no final de Agosto, quando cada dia que passa representa um agravamento das circunstâncias que nos rodeiam. Quando, o Imposto Extraordinário apresentado pelo novo ministro das Finanças irá render aos cofres do Estado qualquer coisa como mil e 25 milhões de euros, a maior parte já este ano e o restante em 2012, constando das declarações do IRS, sendo que isso afecta cerca de um milhão e setecentas mil famílias portuguesas, entre trabalhadores, por conta de outrem ou não, e os pensionistas, sendo estes os que se encontram mais assustados e revoltados por sinal quando verificam que quem ganha com a crise são as instituições financeiras que tanto lucram com as subidas dos juros, assim como o enriquecimento ilícito que não passa despercebido a todos nós, bem como os ordenados e regalias que, em muitos casos são autênticos escândalos, todas estas situações têm de ser equacionadas e consideradas como prioritárias juntamente com a avaliação das empresas com capital do Estado que foram aparecendo para encontrar colocações beneficiadoras de amigos do Partido A ou B, conforme quem dispunha de poder para ser generoso, ainda que não amigo dos contribuintes.
O que está a ocorrer com os centros de saúde espalhados por Portugal, bem como as estações dos correios tão úteis se se, situam perto das povoações, essas coisas simples só há que melhorar, especialmente reduzindo as burocracias que os funcionários situados nos postos intermédios da direcção, e as decisões que se devem tomar para dar mostra de que não se anda a coçar a cabeça para encontrar o que deve ser considerado prioritário, é isso que, não tendo custos de alteração, não pode aguardar por “melhores dias”…
Vou-me ocupar de situações que nos assusta pensar que levarão o seu tempo até que sejam atacados os defeitos, é a esse particular que vou dedicar a minha atenção nos blogues que estão no pensamento e prestes a serem paridos…
Haja saúde para mim e para os que lêem o constitui a minha sempre presente insatisfação perante os incompetentes que nunca deviam, ter feito parte da administração pública.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

DESCONSOLADO

Aqui estou eu, desconsolado
a ver passar o mundo
à minha volta
sem que nele interfira
sem que o melhore
mas também pouco
o piorando.
Sou mais um
dos milhares de milhões
que por cá andam
a consumir o ar,
a água, o ambiente,
o espaço
e que contribui para que o amanhã
seja muito pior,
mais escasso de tudo,
menos belo,
menos natural.

Aqui estou, enfastiado
já sem me importar
com o que vem a seguir,
com o que vai ser o futuro,
aquele que não me vai encontrar...
para me desconsolar

O BEM E O MAL



DEPOIS DO CALAFRIO que correu mundo através dos dois acontecimentos ocorridos num País europeu que sempre marcou pelo bom comportamento do seu povo e em que, num gesto de loucura, um seu habitante ocasionou a morte de muitos dos seus compatriotas, em Oslo e numa ilha a poucos quilómetros de distância (constando, sem provas ainda concludentes, que esses actos foram praticados com a cooperação de dois grupos de extrema direita), simultaneamente com essa ocorrência outra que, em termos de apreciação das acções resultantes dos procedimentos até agora das instituições que comandam o agrupamento económico e financeiro europeu, para os que são mais críticos esse repugnante acto tem de levar a um fazer as pazes com o grupo de nações da Europa, e isso devido ao gesto, até aí raro, de se ter verificado uma ajuda, que também serve a Portugal, e em que os parceiros que mostram maiores dificuldades, passam a dispor de mais tempo para pagar as dívidas contraídas nos passados anos e reduz substancialmente os juros que constituem um aperto na garganta dos habitantes de hoje e dos seus sucessores ao longo de uns anos largos do futuro, pois foi quase coincidentemente na mesma altura que ocorreram essas atitudes provocadas pelas mãos do Homem.
Tratou-se de uma contradição com as disputas de violência, de guerra localizada e que diariamente são noticiadas, em que, numa larga mancha de procedimentos dispersos, os confrontos não terminam e, pelo contrário, dão ares de ir aumentando, sendo que, tanto as boas medidas como as de má índole, tudo isso tem origem na vontade do mesmo Ser humano, que, por razões ideológicas, religiosas e por outros motivos vários, não se mostra disposto a por cobro, verificando-se, pelo contrário, um aumento de rivalidades que, todas elas, podem acabar num confronto generalizado da maior gravidade. Foi assim ou quase que tiveram lugar as guerras que abalaram o nosso Planeta e cujas consequências ainda hoje se notam aqui e ali.
E por cá? Neste Portugal que se encontra numa complicada situação e que, através de um Governo acabado de tomar posse, vive a olhar preocupado o futuro na esperança de que igualmente os tais Homens consigam emendar os erros praticados e vão ainda a tempo de oferecer à geração actual e às que vierem a seguir uma melhor vida, toda a atenção é pouca para seguir as medidas que vão sendo tomadas para avaliar a capacidade destes actuais governantes, não os poupando a críticas que, mesmo desmedidas, são compreensíveis dada a aflição que paira em cada um dos portugueses. É o que faço aqui neste blogue e com esse intuito focalizo os últimos acontecimentos que nos dizem directamente respeito.
Começo, nesta breve observação daquilo que nos rodeia de perto, por referir algo que me chamou a atenção: que tendo sido tomada a decisão de, depois de um ano de paralisação, ser reaberta a linha de caminho de ferro electrificada entre Lisboa e Évora, tal atitude tem de ser aplaudida, se bem que a actualização da via tenha tido início ainda com o Executivo anterior no poder. Ao menos isso!...
Mas, também se debate agora a dúvida (dado que não foi apresentada ainda a explicação definitiva) sobre que freguesias espalhadas por todo o território nacional vão ser alvo de encerramento e que vantagens financeiras serão obtidas com tais cortes de serviços. A Administração pública tem de ser célere em fazer chegar ao conhecimento público todos os pormenores no que diz respeito a mudanças que faça no andamento de um País velho e que tem urgência em constatar as conclusões de cada gesto governamental.
No que respeita ao comportamento dos dois arquipélagos portugueses sempre que são estabelecidas novas directrizes que se aplicam a todo o território nacional, essa de Jardim e de César terem ameaçado que o imposto que vai ser aplicado sobre o13.º mês de salários não será aplicado nos espaço que se encontram sob sua gerência é atitude que tem de terminar de uma vez por todas e o Governo de Passos Coelho tem de dar mostras de que as directrizes que saem pelas vias legais não merecem discussão de separatismos, apenas por vontade dos que se encontram nas Ilhas como esses territórios não pertencessem ao conjunto do País que somos todos nós.
No que concerne à saúde, havendo uma imensidão de atitudes a tomar para que, ao menos, nesse capítulo, ainda que com uma fiscalização para evitar completamente os desperdícios que se sabem que ocorrem e que não nos encontramos em condições de suportar, os encerramentos de postos dos SAP que têm ocorrido ultimamente, deixando as populações sem o apoio fundamental, sobretudo os mais idosos, da mesma maneira que não será correcto que encerrem postos dos CTT e ficando sem esse apoio os habitantes de várias localidades, tudo isso, ainda que compreensível seja a necessidade de diminuir gastos públicos, não pode ser levado a efeito sem um estudo, rápido e responsável, de, sem um mínimo de compensações, se encerrem, de um dia para o outro, postos que sempre estiveram junto dos habitantes dos lugares onde outros apoios também não se verifiquem.
Esta observação tem apenas o propósito de mostrar que o Homem tanto pode ter boa actuação como, no outro extremo, ser muito prejudicial a um seu parceiro. O bom e o mau constituem aquilo que nos leva a não depositar grande confiança naquela personagem que tem sido, ao longo da sua existência, o maior inimigo da Terra.

domingo, 24 de julho de 2011

DEUS

O Deus de que se fala
é uma mancha
uma sombra
não tem imagem
não é visível
há quem O imagine sentado
com barba branca
olhos azuis
a roupagem até aos pés
pois não se pode idealizar
um Deus de gravata
de casaco e calças vincadas
com o cabelo cortado e penteado
de unhas arranjadas
e sapatos com sola
e atacadores.
Terá de ser uma névoa
que não fala
que soam as Suas palavras
nos nossos ouvidos
vindas de dentro de nós próprios
perguntamos-Lhe algo
e Ele responde sem som
fala sem ser ouvido
sentimos o Seu afago
mas sem que use as mãos
procuramos entender as Suas razões
não discutimos o que nos parece serem Seus erros
um Deus nunca se engana
mesmo quando nos inquietamos
com as injustiças que ocorrem no mundo
com a fome que mata as crianças
com os abanões da Natureza
com as guerras que não são evitadas
com as epidemias que matam milhões
aceitamos
seguimos em frente
dizemos “graças a Deus”.
O Homem é previdente
é prudente
é sobretudo temeroso
teme discordar do desconhecido
mesmo quando não vê
o melhor é não discutir
e colocar-se do outro lado.

Não tem certezas
mas, pelo sim pelo não,
manda o bom senso
não levantar dúvidas.

Seja o que Deus quiser!...

O ENGANO DE DEUS





AINDA HÁ QUEM ACREDITE que este mundo, com os mais de sete mil milhões de habitantes, consiga vir a ter aquilo que, num português não vernáculo, se chama de “ter conserto”. Não passa dia nenhum que as notícias que, nos tempos de hoje, correm desalmadamente e atravessam todo o Hemisfério em segundos logo após ter ocorrido alg que se considera como algo de anormal, pois há que reconhecer que os habitantes desta nossa Esfera se encontram numa fase de desassossego e que, mais do que nunca, praticam acções que confirmam aquilo que eu sempre considerei como sendo uma característica do ser humano: que, na hora de ser fabricado o Homem, a receita utilizada para fazer nascer o primeiro deveria conter algum erro e nunca se procedeu à emenda necessária para que, tal como sucede com os doentes, se procedesse a uma emenda e os descendentes que foram aparecendo já viessem limpos desse mal que, em resumo, se pode classificar como egoísmo.
E, de geração em geração, através dos milhares de anos que têm sido usufruídos pelas animais ditos racionais, a História nos descreve as continuadas zangas utilizadas pelos mais poderosos e em que as guerras se sucederam em todos os pontos onde se tem instalado essa gente de duas pernas, até que chegámos ao século XXI, em que o único que se foi modificando foram as modernidades introduzidas nos armamentos, até nos encontrarmos hoje em que já não são necessárias deslocações dos militares para baterem-se de fronteira para fronteira, de trincheira em trincheira, pois basta o simples carregar num botão e logo a maldita bomba é dirigida para destruir, longe, civilizações inteiras que, em resposta, podem proceder de igual forma. E, de átomo em átomo, o mundo em que vivemos poderá transformar-se numa terra desfeita, em que a solução só poderá ser o começar tudo de novo. Tenho uma peça de teatro, inteiramente pronta para ser representada, que mostra bem como “A TERRA, INDIFERENTE, CONTINUA RODANDO” – este o título da referia obra em 3 actos.
Pois nesta altura, num local onde não seria esperada uma atitude deste tipo, dado o comportamento exemplar mostrado sempre pelos povos do norte da Europa, não é que na Noruega, um perfeito paraíso humano é transformado num inferno – palavras do primeiro-ministro daquele País – em que perto de uma centena de jovens situados na ilha de Utoya foram criminosamente mortos com uma revolver por um outro da mesma idade, descrito como um elemento cristão da extrema direita, com ligações a um sector anti nazi e anti islâmico, por isso considerado sobretudo como um louco obcecado por ideias ainda não completamente entendidas, deu largas ao seu desejo de ver sangue. Mas, na mesma altura, em Oslo, explosões constituíram outra tragédia igualmente com muita mortandade, um ataque à sede do governo norueguês, através de uma bomba colocada numa carrinha estacionada junto do prédio onde se situava o gabinete do primeiro-ministro, isso també, já se sabe, provocado pelo mesmo louco, algumas horas antes.
O que dá para pensar é que, apesar de este incidente se poder considerar como raro naquela zona onde se verifica sempre uma calmaria e um comportamento que se distanciam do que ocorre no Continente Europeu, se levarmos em conta o que tem ocorrido ultimamente em locais diferentes, como, por exemplo, o caso da Tunísia, em que o ditador Ben Ali da Tunísia foi destituído com violência e em que a já chamada “Revolução do Jasmim”, também dita “Primavera árabe” alastrou para o Egipto, sendo por acaso ou não que o Egipto, a Líbia depois do Líbano, e até os indícios ocorridos em Marrocos, para além de outros focos soltos que se encontram ainda em fase de pegarem fogo, tudo isso dá para reflectir se não se aproxima um vulcão que está em fase de alastrar e de constituir uma expansão que dá mostras de que o Homem só está à espera de um motivo para justificar que o tal erro de confecção, que veio desde o primeiro que saiu das mãos do Criador, não o deixa proceder sem que o egoísmo, a inveja, o auto convencimento da sua perfeição não lhe permitem aceitar que os outros, sobretudo os vizinhos mais chegados tenham acesso à felicidade.
E por cá, neste cantinho que deveria aprender rapidamente que não é através da desunião, da crítica aos outros, da inveja, de um ego exagerado que, por sinal, nem se justifica que o tenhamos, que seremos capazes de ultrapassar o mau momento que temos sido obrigados a percorrer.
Ao menos que os desentendimentos os que somos forçados a contemplar e que ocorrem fora de portas nos façam reflectir. Se o conseguirmos, então talvez, haja motivos para ter esperanças. Mas temos de aguardar sentados, porque está ainda longe esse momento… se é que em algum dia da nossa existência iremos ter razões para brindar, com Vinho do Porto, essa mudança!...

sábado, 23 de julho de 2011

SALVAÇÃO

Nunca a fé foi tão precisa
acreditar no que for
no que estiver para lá da vista
e só se sinta
pressinta
que será melhor que aqui
que vele pelo que virá
que depois do nosso inferno
dê descanso
paz
amor
acalmia e sossego
que compense o que se sofre
enquanto por cá andamos
neste mundo
de agonias

Não ser rico
nem ser pobre
não precisar de tirar
a quem também não tem nada
bastar o que está à volta
com isso se contentar
e ver do alto de tudo
o que se passa na Terra
sem saudades
sem angústias
sem rancores por ter passado
aquilo que de lá se avista
os homens ambiciosos
a tramarem-se uns aos outros
só na busca de confortos
custe isso o que custar

A fé, pois, é bem precisa
não importa em quê
e em quem
basta imaginar um depois
que possa existir Alèm
e compense das canseiras
das disputas
dos horrores
que se passam enquanto vivos
em que os prazeres
que se têm
não compensam os desgostos
os contratempos da vida
e até o medo da morte
é por não saber o depois
e por isso a tal fé
a esperança do Infinito
o agarrar-se a um deus
que possa cuidar e nós
na hora da despedida
isso, afinal, faz falta
e mesmo que não exista
é bom manter essa esperança
por muito que não se mostre
e se diga agnóstico
que é isso que todos somos
a viver mantendo essa dúvida
sem dizer que sim
que não
mas a aguardar salvação

OUTRA EUROPA... OUTRO PORTUGAL?





JÁ TINHA O TEXTO ABAIXO redigido quando surgiu a notícia vinda de Bruxelas de que a Europa tinha, finalmente, dado mostras de que pretende recuperar todo o tempo perdido no passado e que as cabeças tinham sido postas em ordem de modo a que se começasse a enfrentar, com medidas de auxílio de uns aos outro países europeus, a necessidade de não se atingir o tal ponto de dissolução daquilo que tinha constituído um sonho de algum dia se formar aquilo que é absolutamente preciso: o Estados Unidos da Europa. O texto que saiu neste meu blogue, com o título “EUROPA DESUNIDA”, com data de 17 de Julho, dá conta de como, em minha opinião, nos encontrávamos, não sendo evidentemente optimista aquilo que nos estaria reservado se não ocorressem atitudes positivas que discordassem de forma total daquilo que estava a ocorrer e tinha ocorrido para trás, tudo ao contrário do que estaria nas intenções dos criadores da então CEE.
Mas a realidade também é que, em Portugal, como consequência da formação de um novo Executivo e com um Primeiro-Ministro também sem ter dado provas antes de que iria exercer correctamente o seu lugar, ainda que mantendo-se algumas esperanças de que as mudanças sempre podem constituir algo de melhor do que era antes, não estava instalada a confiança absoluta para se poderem cantar hossanas, e ainda hoje, mesmo que devendo ser dado um espaço de manobra que permita aos governantes actuar na boa direcção, o pouco tempo disponível e as más condições em que os portugueses vivem não deixam que haja um mínimo de paciência e por isso é compreensível que as opiniões se movimentem para influenciar os responsáveis a mostrarem isso mesmo: a responsabilidade de serem advertidos pelos mínimos erros que sejam cometidos.
Pois é isso que sucede agora com o meu blogue. Já estava redigido o texto abaixo e é esse mesmo que sai porque o que se aponta continua a ter validade.
Com licença!...


EM TEMPOS NORMAIS, aquilo que o Governo actual já fez no pequeno período do seu exercício poderia ser considerado até como uma excepção do que sucedeu antes, mas face ao estado deplorável em que nos encontramos não hesito em afirmar que, dado existir uma certeza quase assegurada de que o resultado das eleições seria proporcionar a oportunidade de o PSD substituir o PS, ainda que com a ajuda de outro partido, no caso o CDS, pois tudo indicava vir a ser esse o que a maioria dos portugueses desejava, e isso contribui para que, nesta altura, as esperanças de muitos dos nossos compatriotas se encontrem reforçadas, mas, até por tal motivo, as margens de desculpas que possam vir a ser apresentadas pelos eventuais erros que os membros do Governo pratiquem, essas escusas não deverão ser aceites precisamente porque o nosso povo se encontra num período em que as exigências feitas aos que possuem o Poder atingiram um nível verdadeiramente elevado.
E, mesmo que Passos Coelho tenha declarado no período eleitoral que não se iria referir às más atitudes tomadas anteriormente pelo Executivo de Sócrates, procedimento esse que tem de ser aplaudido, há que ter a consciência de que o que verdadeiramente interessa é o caminho a fazer e não o que ocorreu antes, pois a própria História se encarregará de fazê-lo, apesar de tal declaração não pode ser escondida a surpresa de ter assistido ao que se chama de “desvio” de dois mil milhões e 300 mil euros, o que é considerado como tratando-se de uma falta ao que foi declarado e isso não será de bom augúrio.
Ora bem, com a quantidade enorme de medidas a tomar e que o País aguarda, não é justo perder tempo com acções que, mesmo que acolhidas com agrado, não fazem parte da lista de urgências e de opções que devem ser colocadas na cabeça da fila.
Na área da Educação, por exemplo, se é urgente encontrar soluções para acabar com os confrontos que têm existido entre a Fenprof e o Ministério da Educação, a pergunta que deixo neste meu blogue é se não deveria ter sido já tomada uma decisão no que se refere à mudança, todos os anos, dos livros escolares que, nos tempos antigos, permaneciam, dando ocasião a que irmãos na mesma família e, com idades diferentes, aproveitassem os compêndios já utilizados, não obrigando os pais a gastar somas que lhes fazem falta e a deitar para o lixo o que tinham adquirido no ano anterior. Eu sirvo de testemunha, pois tive de utilizar a livralhada da minha irmã mais velha, que, por sinal, deixava muito mal tratados, obrigando-me à tarefa de colar as folhas soltas e de restaurar grande parte do que lhe tinha servido de elementos de estudo.
Se se trata de proteger as editoras de livros escolares, isto é, se a razão da repetição de tal biblioteca escolar permite que se editem as mesmas matérias em anos seguidos e com autores diferentes, mas para dar ganhos a uma pequena quantidade de beneficiados faz sofrer uma multidão de cidadãos, a maioria dos quais g ente com fracos recursos e que efectuam um enorme esforço para suportar os gastos de cada família. Aí está, pois, um assunto que deveria figurar nas prioridades de um Executivo que surge com ar de que quer agradar à população.
E, já agora, acrescento outro assunto que, no meu entender, poderia figurar no role de atitudes que um Governo, recheado de gente com boa imaginação, bem poderia apresentar, logo no início dos seus projectos de actuar e o qual não traria quaisquer encargos para o Estado. Refiro-me aos horários a estabelecer para todo o comércio de porta aberta, pois que se os feriados e as “pontes” figuram na relação de acções a seguir para que termine o excesso de dias em que nada se produz em Portugal, o que, no meu julgamento, contribuiria para o mesmo efeito e teria a vantagem de criar mais empregos. Trata-se de não restringir os dias e horas em que o referido comércio em geral poderia ter as suas portas abertas, e não só no que se refere aos grandes espaços, mas atingindo todo o tipo de estabelecimentos fossem quais fossem as áreas a que se dedicassem. Que os grandes supermercados e congéneres podem já efectuar o seu comércio aos domingos e feriados, mas é pouco. O que se impunha, especialmente nesta época de crise, era que não se interferisse nos horários de actuação não só desses mas de tudo que representasse porta aberta aos clientes. Isso, evidentemente, havendo uma fiscalização rigorosa para que os empregados não sofressem do abuso de “patrões” que se aproveitassem de tal liberdade e não admitissem mais pessoal para ocupar as horas de actuação. E tudo isso enquanto, por outro lado, as instituições oficiais 1ue regulam a actividade comercial, especialmente as Câmaras Municipais que andam sempre à caça de receitas por tudo e por nada, abrissem francamente as suas ideias, diminuindo o mais possível os entraves que gostam de criar, burocratizando especulativamente tudo o que consideram de licenças. É sabido que tais sectores locais da governação actuam mais rigorosamente no que respeita a autorizar do que o contrário. O que leva a que o desconsolo e as desistências de bastante investidores que poderiam aumentar os seus negócios – com o aumento de postos de trabalho – surjam em primeiro lugar e, no caso de serem estrangeiros, deixarem Portugal à busca de outro País identificado com as facilidades.
Volto a este Governo que mantemos agora. Há que ter a compreensão suficiente para que apareçam rapidamente novas atitudes que contribuam para que sejamos mais produtivos e em que os ingressos de dinheiro sejam facilitados, tudo para que a economia do nosso País se equilibre com urgência. E a participação que se pede aos contribuintes, essa virá mais depressa se se puder contar com a compreensão dos que se encontram por detrás das secretárias e tratam os contribuintes com completo desconhecimento das realidades nacionais.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

COM LICENÇA!...

Deixem-me passar, tenho pressa
não tenho tempo a perder
é que eu fiz uma promessa
e não me quero abster
com licença,
com licença
abram alas, lá vou eu
quem não corre já perdeu

Tenho de chegar primeiro
outros que fiquem p’ra traz
que isso de ser ronceiro
não deixa ver se é capaz
com licença,
com licença
não vou chegar atrasado
não tenho por isso agrado

Para mim pontualidade
até parece doença
e cheguei a esta idade
trazendo-a já de nascença
com licença,
com licença
de ter chegado são horas
não sou homem p’ra demoras

Até ao último dia
o relógio me comanda
ando sempre de vigia
e a pressa não abranda
com licença,
com licença
até na hora final
eu serei bem pontual

MAIS VALE TARDE DO QUE NUNCA!...



A REUNIÃO QUE OCORREU em Bruxelas, da denominada Cimeira da Europa, e em que as notícias saídas ontem animaram bastante os países europeus mais devedores, com a Grécia à cabeça, e em que os juros que estão estabelecidos com diferenças para o número de anos que durarem as diversas dívidas ficaram reduzidos, acrescentando-se ainda o período máximo que se estabeleceu para efeitos de pagamentos dos montantes que estão negociados, essa oferta de condições que foi resultante do referido encontro havido entre os múltiplos participantes da Europa comunitária, naturalmente representa um lufada de esperança que agradou a vários dos que fazem parte do grupo de Estados endividados e entre os quais se conta o nosso Portugal. Isto quer dizer que a Comunidade Europeia deu agora um ar da sua graça, pois que a opinião generalizada e até neste blogue isso foi referido, a união que se tem aguardado durante os anos da vivência tem de ser, finalmente, reconhecida, e aguarda-se que, com este exemplo, se alterem os comportamentos de alguns dos líderes políticos que fazem parte do conjunto de nações comprometidas com as regras (se bem que nem todas, a utilização do euro, por exemplo) e que, nos momentos mais difíceis é que têm de ser postas em prática as medidas que defendam os mais débeis de ser absorvidos pela crise actual e por outras que possam ainda surgir.
Isto, de uma forma geral, e sem ir muito a fundo na compreensão da medida em causa, é o que se pode extrair, em resumo, do acordo assinado em Bruxelas, pois que sendo a intenção primária o prestar uma ajuda substancial à Grécia (com mais de 340 mil milhões de dívida externa), o que ocasionou também foi que os 17 países das zona euro (Eurozona), sobretudo os que se encontram sob assistência financeira, abrissem uma janela de perspectivas, isso se se comprometerem a cumprir os planos de reformas que, face ao acordo assinado, representam um alargamento dos prazos de pagamento, entre mais de sete e meio anos para uns tantos casos e 30 anos para outros, sendo que as taxas de juros também passarão a rondar os 3,5%.
Afinal, digam lá o que disserem os mais pessimistas no que diz respeito ao nosso Continente, a Senhora Merkel não está contra o bem estar e a paz que são necessários na Europa e que, se outras medidas igualmente imprescindíveis não forem recusadas ou atiradas para distante (visto que é a situação do que se passa neste grupo de países não permite esperas).
No que a Portugal diz respeito, a decisão já tomada pelo Governo de efectuar aumentos substanciais no já tão elevado custo de vida que por cá suportamos, e em que muitas áreas que não podem deixar de ser utilizadas por todo o tipo de cidadãos nacionais vão constituir motivo para uma subida da austeridade portuguesa, essa atitude, que não tem a ver directamente com as dívidas que se foram acumulando nos últimos anos, mas sim com o comportamento que por cá se viveu de querermos dar ares de ricos, fechando os olhos a uma crise que avançava a passos largos e que os múltiplos governantes, em vez de encararem a situação e de serem os primeiros a dar o exemplo, em vez disso, gastaram barbaramente, ao ponto de duplicarem auto-estradas, entre tantas outras atitudes que os deveria colocar em prisão preventiva, não vá dar-se o caso de regressarem um dia aos lugares que ocupavam então.
Em resumo, pois, no que respeita aos contribuintes nacionais a decisão agora tomada pela Comissão Europeia não vem retirar os sacrifícios que terão de ser suportados, por exemplo nos transportes, na luz, na água, nas comunicações, até na educação e de que ninguém pode assegurar que prazo vão ter esses excessos de impostos que aí estão a ser aplicados.
Nós, os que pertencemos à geração que se atravessa, para não referir já os que vieram do sistema político mudado no 25 de Abril, somos os que estamos condenados a toda uma vida de expectativas e de sacrifícios, não crendo em “milagres” que tragam para o nosso País mudanças significativas no bom sentido, e nem sequer podendo crer que os descendentes irão gozar de um bem-estar em que se possa aplicar o ditado de que “mais vale tarde do quer nunca”. ..


quinta-feira, 21 de julho de 2011

CALVÁRIO

Há ou não razão p’ra desanimar
neste calvário imenso em que vivemos?
Mas então isto nunca irá acabar
e d’algo pior ainda tememos
e não se passa só em Portugal
o mundo inteiro não está melhor
para se conseguir fugir do mal
tanto faz que se vá p’ra onde for

A Terra anda toda ela às voltas
acalmia é pouco que se encontra
pois muitos malvados andam às soltas
já não escapa nada em qualquer montra
e nas finanças grandes roubalheiras
na política grassa a corrupção
pouca vergonha já não tem fronteiras
ao nosso lado pode estar ladrão

Não é bem assim, dizem confiados
os que ainda não sofreram danos
mas um dia destes ficam calados
se os atingirem alguns fulanos
é que isto de trabalhar não dá
não é bastante p’ra levar a vida
se é isso que se passa por cá
é igual aos que vêm de fugida

Calvário da vida não chega a todos
há os que conseguem bem escapar
para uns tantos os terem a rodos
outros nunca precisam de suar
ainda bem, pois não é regra geral
o ser feliz é coisa que existe
para os que só enfrentam o mal
há sempre aquele que a tudo resiste

AUMENTOS



OS COMBUSTÍVEIS voltaram a subir, coisa que já se tornou habitual, posto que existe sempre a justificação de que a origem de tais alterações para mais caro da gasolina e do gasóleo tem origem nos países que são os detentores das explorações de tais bens de consumo.
Dentro do novo estilo que se espera do Executivo que tomou posse recentemente, seria de esperar que alguma explicação fosse transmitida aos milhões de portugueses que são forçados a utilizar tais produtos, sendo que, em muitos casos, a subida progressiva dos dois artigos têm influência alargada, directa ou indirectamente, nos preços que são atribuídas a artigos que se destinam â exportação.
Faço este reparo porque pratico o exercício de me colocar frequentemente no papel de governante português e de, na circunstância actual da nossa presença no palco mundial, se necessitar de dar mostras, tanto lá fora como sobretudo perante a massa de eleitores nacionais, de que não se pode encontrar qualquer paralelismo, entre o que ocorre actualmente e o que se passou na época em que o que é agora estudante de filosofia no estrangeiro, implantou no reinado que aguentou muito para além do que seria conveniente, pois o ambiente populacional que se suportava não escondia que existia o desejo de apurar em eleições quem poderia substituir quem g governava.
Devo confessar que não estou completamente seguro de que os elementos que compõem o actual Governo se recordem como o precedente exerceu as suas funções e, especialmente o primeiro-ministro, faça questão em não perder tempo em dar mostras de actuações que se distanciem quilómetros do que tanto foi criticado na época. Bem sei que a minha posição de permanente atenção ao que respeita a tudo que, na política e, naturalmente na economia, possa constituir avanços tão necessários naquilo que se impõe para podermos sair, o mais rápido possível, da situação do fundo do poço em que nos situamos. E, ao contrário de uns tantos comentadores a que as televisões chamam de “politólogos”, eu não alinho na classe de esperançosos que, mesmo nos piores momentos, sempre lançam sinais de optimismo, sobretudo com afirmações do tipo de que “o nosso País tem uma História que dá mostras e que conseguimos sair das mais enrascadas situações”.
A minha opinião baseia-se mais nos avisos que têm de ser feitos de que não devemos descansar da luta que nos cabe enfrentar, englobando todos os cidadãos na tarefa de contribuir, com o que cabe a cada um, para que, juntando forças e estando atentos ao que os homens do poder dizem e fazem, não nos alhearmos nunca daquilo que consideramos essencial para uma perfeita actuação governamental. Por exemplo, esta preocupação que tem vindo a captar a atenção de muitos políticos e também de comentadores, sendo que a grande maioria dos portugueses não fazem a mais pequena ideia do que é isso das “agências de rating”, pois tal bicho-de-sete-cabeças deveria ser encarado face à sua real importância, que não é assim do tamanho que se lhe atribui, esperando-se que ao Ministro das Finanças lhe caiba a obrigação de esclarecer os cidadãos e, com o apoio de outro ou outros membros da comunidade europeia, a Espanha, desde logo, fazer chegar ao exterior uma tomada de posição para que seja criada uma dessas agências no espaço do nosso Continente.
Pois é esta a minha posição. Não sou um pessimista doentio, como os que pensam de outra forma costumam chamar aos mais realistas. Não me deixo dominar pelo desgosto que manifesto em não assistir a medidas concretas e úteis para que caminhemos para o afastamento da criminosa crise que nos invadiu.
Não escondo: já não sustento esperanças de que, em vida, ainda consiga assistir a uma mudança fulcral do que é o meu País. Não basta mudar de Governo. É que se torna fundamental modificar o comportamento dos portugueses, sejam eles políticos ou cidadãos comuns. E o que somos está entranhado desde há muito tempo, vindo já de antes de sermos uma Nação.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

GÉNIO

Quem não tem génio e talento
e sabe que assim é
é um conformado
desconsolado

Quem não tem génio e talento
mas luta para os ter, sem conseguir
é um destroçado
um infeliz

Quem tem génio e talento
mas não acredita
é um desconsolado
um mártir

Quem tem génio e talento
e os outros o festejam
não sente nada
já está morto

INCOMPETENTES




A NÍVEL DE GOVERNANTES, desde há um certo tempo e, obviamente, não entrando em linha de conta com o período em que foi o nosso País governado por uma ditadura, somos forçados a reconhecer que não passámos nunca pela acção de um Executivo que nos tenha deixado saudades. O que se passa actualmente em Portugal, sendo, não há que negá-lo, consequência de uma crise oriunda do exterior – e há várias indicações sobre onde teve o seu início absoluto -, podendo terem sido tomadas medidas que nos pudessem minimamente defender do pior, pelo contrário o que se passou foi uma época em que o “gastar vilanagem” ocupou as cabeças dos “patrões” de um regime democrático em exercício e dispensados, à nossa maneira, de assumirem o mínimo de qualquer responsabilidade que deveria ter sido assumida por não terem efectuado uma gerência absolutamente sensível às críticas e levando em conta o que muita gente opinava nas alturas, em que se assinalava o desagrado pelo exagero das despesas públicas, sobretudo em auto-estradas consideradas desnecessárias e até constituindo duplicação das que tinham sido construídas antes, todos nós, agora, sabemos disso e suportamos as consequências de tamanho desvario.
O caso de o grupo que nos governa agora estar a deparar com as revoltas das populações que vão sofrer com a obrigação de pagamento de portagens em Scuts, ao longo da Via do Infante, que percorre todo o Algarve e até agora se tem mantido como livre de circulação sem qualquer pagamento.
A outra comunicação que se pretende que constitua uma alternativa ao percurso que é necessário executar de ponta a ponta da mesma província ao Sul, a A-125, toda a gente sabe, sem ser preciso ser morador naquela zona, que este meio de comunicação rodoviária não oferece condições para poder ser considerada como utilizável em lugar da via rápida existente, pelo que o Governo agora em acção não pode nem deve criar conflitos com uma situação que tem todos os ingredientes para fazer nascer um mau ambiente em relação ao grupo governativo de Pedro Passos Coelho, dada a falta de razão bem clara que representa esta resolução. É que, a tal A-125, que percorre longitudinalmente, só pode ser considerada como uma via de interior, ligando muitas das cidades, vilas e lugares que existem ao longo do referido território, mas que peca por não ter sido construída com escapadas directas às múltiplas praias que estão semeadas no Sul, pecando, por isso, por ter apenas condições para permitir ligações comerciais entre populações residentes nos locais e não sendo constituída como uma escapatória rápida de oeste a leste, com serviço à disposição do turismo, nestas condições não houve a análise da situação do local mais aberto para receber visitantes, tanto estrangeiros como nacionais, o que constitui um erro imperdoável a esses anteriores maníacos das vias rápidas que, por exemplo, assim fizeram no que se trata na ligação Lisboa/Porto.
Os sinais de incompetência, que se vulgarizam sucessivamente, não são objecto de serem aplicados, nos indivíduos que foram autores de medidas verdadeiramente condenáveis, qualquer sinal que identifique tais disparates. Por exemplo, os distinguidos com alguma condecoração passam a colocar nas lapelas dos casacos a rosinha que lembra aos outros que devem ser chamados por “Senhor Comendador”. Pois seria bom que, também, os que passaram pelos diversos Executivos devessem também assumir a mesma postura, ficando marcados para efeitos futuros, ao contrário do que sucede e que é acomodarem-se em lugares de empresas que estiveram dependentes da autorizações que lhes foram dadas pela mãos do referido indivíduo.
Eu bem sei que seria uma maldade. Mas, ao passarem, despercebidos depois de se terem sentado nas cadeiras do Poder, ninguém lhes recorda o mal que fizeram.
Refiro-me, claro está, aos que não cumpriram devidamente as funções que lhe tinham sido atribuídas.

terça-feira, 19 de julho de 2011

PORTUGUÊS DA SILVA

Não deve haver outro igual
por esse mundo de Cristo
é nascido em Portugal
não há nada como isto

bem diferente
e é gente

Tudo que faz sem rigor
é preciso é ficar feito
ao princípio no frescor
quer usar todo o preceito

eu não sou
aí não estou

Mas no decorrer da obra
os defeitos aparecem
tempo afinal não sobra
complicações aborrecem

não é meu o engano
é de qualquer outro magano

Enquanto os meticulosos
perdem tempo a estudar
e querem ser rigorosos
o luso é de desenrascar

é preciso é ficar feito
sair de qualquer jeito

Nada é um problema
quando muito é um fado
há que encontrar um esquema
ele virá de algum lado

a vida é a madressilva
do bom português da silva

Enquanto houver por cá um
com outro, um seu igual
tudo isto é um fartum
que forma o Portugal

com todos estes fulanos
vivemos há longos anos

Querem mudar o País
igualá-lo ao de lá fora
mas p’ra se ser aprendiz
falta querer e demora

dos outros temos inveja
mas vontade não sobeja

Lá simpatia não falta
consolar outros do mal
perguntar pela malta
e o cumprimento formal

tendo na mão telefone
não há quem o abandone

Bem custam as despedidas
dizer adeus muito tarda
há sempre coisas esquecidas
porque falar é à barda

recado dá-se depressa
despedir essa é que é essa!

Os horários p’ra cumprir
é coisa que bem molesta
não há horas p’ra sair
mas p’ra entrar vem da festa

Segui-lo é uma tolice
O relógio, que chatice


O perfeito português
desses da antiga escola
p’ra entrar na sua vez
deixa os outros com cachola

passar à frente é lei
costume de toda a grei

A pé ou no seu carrinho
sem poder ultrapassar
até insulta o vizinho
p’ra ser primeiro a chegar

p’ra quê não se sabe bem
pois tem de esperar alguém

Lusitano é só defeitos?
Mas quem tal asneira disse?
Também tem os seus proveitos
usa sua doutorice

porque não faltam doutores
mesmo sendo só rumores

Cada um por esse mundo
tem suas debilidades
mas bem visto lá no fundo
descobrem-se habilidades

e os defeitos também
afinal quem os não tem?

Só que aqui, o País
mesmo sem ser ideal
podia ser mais feliz
mostrar outro Portugal


com gente hábil capaz
de mostrar ser eficaz

Há, porém que aceitar
o que deixou tal Henrique
se não se puder mudar
pois que seja e que fique

Até que mostre o futuro
sendo derrubado o muro
e que um Portugal diferente
honre o antigamente

Das descobertas, enfim
que a essas dizemos si

PORTUGUESES SOMOS!...




OS COMBUSTÍVEIS voltaram a subir, coisa que já se tornou habitual, posto que existe sempre a justificação de que a origem de tais alterações para mais caro da gasolina e do gasóleo tem origem nos países que são os detentores das explorações de tais bens de consumo.
Dentro do novo estilo que se espera do Executivo que tomou posse recentemente, seria de esperar que alguma explicação fosse transmitida aos milhões de portugueses que são forçados a utilizar tais produtos, sendo que, em muitos casos, a subida progressiva dos dois artigos têm influência alargada, directa ou indirectamente, nos preços que são atribuídas a artigos que se destinam â exportação.
Faço este reparo porque pratico o exercício de me colocar frequentemente no papel de governante português e de, na circunstância actual da nossa presença no palco mundial, se necessitar de dar mostras, tanto lá fora como sobretudo perante a massa de eleitores nacionais, de que não se pode encontrar qualquer paralelismo, entre o que ocorre actualmente e o que se passou na época em que o que é agora estudante de filosofia no estrangeiro, implantou no reinado que aguentou muito para além do que seria conveniente, pois o ambiente populacional que se suportava não escondia que existia o desejo de apurar em eleições quem poderia substituir quem g governava.
Devo confessar que não estou completamente seguro de que os elementos que compõem o actual Governo se recordem como o precedente exerceu as suas funções e, especialmente o primeiro-ministro, faça questão em não perder tempo em dar mostras de actuações que se distanciem quilómetros do que tanto foi criticado na época. Bem sei que a minha posição de permanente atenção ao que respeita a tudo que, na política e, naturalmente na economia, possa constituir avanços tão necessários naquilo que se impõe para podermos sair, o mais rápido possível, da situação do fundo do poço em que nos situamos. E, ao contrário de uns tantos comentadores a que as televisões chamam de “politólogos”, eu não alinho na classe de esperançosos que, mesmo nos piores momentos, sempre lançam sinais de optimismo, sobretudo com afirmações do tipo de que “o nosso País tem uma História que dá mostras e que conseguimos sair das mais enrascadas situações”.
A minha opinião baseia-se mais nos avisos que têm de ser feitos de que não devemos descansar da luta que nos cabe enfrentar, englobando todos os cidadãos na tarefa de contribuir, com o que cabe a cada um, para que, juntando forças e estando atentos ao que os homens do poder dizem e fazem, não nos alhearmos nunca daquilo que consideramos essencial para uma perfeita actuação governamental. Por exemplo, esta preocupação que tem vindo a captar a atenção de muitos políticos e também de comentadores, sendo que a grande maioria dos portugueses não fazem a mais pequena ideia do que é isso das “agências de rating”, pois tal bicho-de-sete-cabeças deveria ser encarado face à sua real importância, que não é assim do tamanho que se lhe atribui, esperando-se que ao Ministro das Finanças lhe caiba a obrigação de esclarecer os cidadãos e, com o apoio de outro ou outros membros da comunidade europeia, a Espanha, desde logo, fazer chegar ao exterior uma tomada de posição para que seja criada uma dessas agências no espaço do nosso Continente.
Pois é esta a minha posição. Não sou um pessimista doentio, como os que pensam de outra forma costumam chamar aos mais realistas. Não me deixo dominar pelo desgosto que manifesto em não assistir a medidas concretas e úteis para que caminhemos para o afastamento da criminosa crise que nos invadiu.
Não escondo: já não sustento esperanças de que, em vida, ainda consiga assistir a uma mudança fulcral do que é o meu País. Não basta mudar de Governo. É que se torna fundamental modificar o comportamento dos portugueses, sejam eles políticos ou cidadãos comuns. E o que somos está entranhado desde há muito tempo, vindo já de antes de sermos uma Nação.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

CONTRATEMPOS

Tempo é coisa que não se segura
a medi-lo levamos toda a vida
e enquanto a existência dura
se não a damos toda por perdida
agarramos a árvore do tempo
porque essa, sim, é a que se vê
agarramo-la sem um só lamento
pois no tempo, nele só se crê

Não se vê, mas sente-se bem passar
tal como dizem, que o tempo é dinheiro
tudo ao mesmo tempo, até faltar o ar
mas para partir quem irá primeiro
pois todos nós, claro, envelhecemos
quem lá chegar que veja bem a hora
se o tempo conta como cá fazemos
e se também há depois e agora

Os minutos de tempo que separam
uns momentos dos outros, tal e qual,
servem para todos os que os comparam
e apartam o que é bom do que é mal
marcando os piores com uma cruz
metendo em cápsulas todos os tempos
que voam com a rapidez da luz
tanto bons como os que são contratempos

Bons tempos que já lá vão e não voltam
que os maus esses nunca se esquecem
os tempos perdidos que nos revoltam
que também eles são os que envelhecem.
Se é tempo de começar novamente
mesmo que seja já com tempo pouco
pelo menos que chegue à tangente
para nos salvar deste tempo louco
que de loucura anda o mundo cheio
em correria no mesmo lugar
com o Homem sempre em grande anseio
de do mesmo sítio nunca mudar

Seja de chuva o tempo que faz
ou um bom sol ilumine a terra
aquilo de que ninguém é capaz
é de evitar que haja sempre uma guerra
todo o tempo da história do mundo
séculos e séculos que passaram
mostraram como sempre lá no fundo
houve quem morresse e os que mataram
sem compensar todo o tempo perdido
face ao tempo que não foi vivido.

Bem bastam os desperdícios dos tempos
Com todos os inesperados contratempos.

TEMOS POUCO TEMPO!...



EM TEMPOS NORMAIS, aquilo que o Governo actual já fez no pequeno período do seu exercício poderia ser considerado até como uma excepção do que sucedeu antes, mas face ao estado deplorável em que nos encontramos não hesito em afirmar que, dado existir uma certeza quase assegurada de que o resultado das eleições seria proporcionar a oportunidade de o PSD substituir o PS, ainda que com a ajuda de outro partido, no caso o CDS, pois tudo indicava vir a ser esse o que a maioria dos portugueses desejava, e isso contribui para que, nesta altura, as esperanças de muitos dos nossos compatriotas se encontrem reforçadas, mas, até por tal motivo, as margens de desculpas que possam vir a ser apresentadas pelos eventuais erros que os membros do Governo pratiquem, essas escusas não deverão ser aceites precisamente porque o nosso povo se encontra num período em que as exigências feitas aos que possuem o Poder atingiram um nível verdadeiramente elevado.
E, mesmo que Passos Coelho tenha declarado no período eleitoral que não se iria referir às más atitudes tomadas anteriormente pelo Executivo de Sócrates, procedimento esse que tem de ser aplaudido, há que ter a consciência de que o que verdadeiramente interessa é o caminho a fazer e não o que ocorreu antes, pois a própria História se encarregará de fazê-lo, apesar de tal declaração não pode ser escondida a surpresa de ter assistido ao que se chama de “desvio” de dois mil milhões e 300 mil euros, o que é considerado como tratando-se de uma falta ao que foi declarado e isso não será de bom augúrio.
Ora bem, com a quantidade enorme de medidas a tomar e que o País aguarda, não é justo perder tempo com acções que, mesmo que acolhidas com agrado, não fazem parte da lista de urgências e de opções que devem ser colocadas na cabeça da fila.
Na área da Educação, por exemplo, se é urgente encontrar soluções para acabar com os confrontos que têm existido entre a Fenprof e o Ministério da Educação, a pergunta que deixo neste meu blogue é se não deveria ter sido já tomada uma decisão no que se refere à mudança, todos os anos, dos livros escolares que, nos tempos antigos, permaneciam, dando ocasião a que irmãos na mesma família e, com idades diferentes, aproveitassem os compêndios já utilizados, não obrigando os pais a gastar somas que lhes fazem falta e a deitar para o lixo o que tinham adquirido no ano anterior. Eu sirvo de testemunha, pois tive de utilizar a livralhada da minha irmã mais velha, que, por sinal, deixava muito mal tratados, obrigando-me à tarefa de colar as folhas soltas e de restaurar grande parte do que lhe tinha servido de elementos de estudo.
Se se trata de proteger as editoras de livros escolares, isto é, se a razão da repetição de tal biblioteca escolar permite que se editem as mesmas matérias em anos seguidos e com autores diferentes, mas para dar ganhos a uma pequena quantidade de beneficiados faz sofrer uma multidão de cidadãos, a maioria dos quais g ente com fracos recursos e que efectuam um enorme esforço para suportar os gastos de cada família. Aí está, pois, um assunto que deveria figurar nas prioridades de um Executivo que surge com ar de que quer agradar à população.
E, já agora, acrescento outro assunto que, no meu entender, poderia figurar no role de atitudes que um Governo, recheado de gente com boa imaginação, bem poderia apresentar, logo no início dos seus projectos de actuar e o qual não traria quaisquer encargos para o Estado. Refiro-me aos horários a estabelecer para todo o comércio de porta aberta, pois que se os feriados e as “pontes” figuram na relação de acções a seguir para que termine o excesso de dias em que nada se produz em Portugal, o que, no meu julgamento, contribuiria para o mesmo efeito e teria a vantagem de criar mais empregos. Trata-se de não restringir os dias e horas em que o referido comércio em geral poderia ter as suas portas abertas, e não só no que se refere aos grandes espaços, mas atingindo todo o tipo de estabelecimentos fossem quais fossem as áreas a que se dedicassem. Que os grandes supermercados e congéneres podem já efectuar o seu comércio aos domingos e feriados, mas é pouco. O que se impunha, especialmente nesta época de crise, era que não se interferisse nos horários de actuação não só desses mas de tudo que representasse porta aberta aos clientes. Isso, evidentemente, havendo uma fiscalização rigorosa para que os empregados não sofressem do abuso de “patrões” que se aproveitassem de tal liberdade e não admitissem mais pessoal para ocupar as horas de actuação. E tudo isso enquanto, por outro lado, as instituições oficiais 1ue regulam a actividade comercial, especialmente as Câmaras Municipais que andam sempre à caça de receitas por tudo e por nada, abrissem francamente as suas ideias, diminuindo o mais possível os entraves que gostam de criar, burocratizando especulativamente tudo o que consideram de licenças. É sabido que tais sectores locais da governação actuam mais rigorosamente no que respeita a autorizar do que o contrário. O que leva a que o desconsolo e as desistências de bastante investidores que poderiam aumentar os seus negócios – com o aumento de postos de trabalho – surjam em primeiro lugar e, no caso de serem estrangeiros, deixarem Portugal à busca de outro País identificado com as facilidades.
Volto a este Governo que temos agora. Há que ter a compreensão suficiente para que apareçam rapidamente novas atitudes que contribuam para que sejamos mais produtivos e em que os ingressos de dinheiro sejam facilitados, tudo para que a economia do nosso País se equilibre com urgência. E a participação que se pede aos contribuintes, essa virá mais depressa se se puder contar com a compreensão dos que se encontram por detrás das secretárias e tratam os contribuintes com completo desconhecimento das realidades nacionais.

domingo, 17 de julho de 2011

AI, EUROPA!


Essa Europa de que tanto se fala
e de que muitos querem fazer parte
não encontrou ainda o caminho
anda confusa
anda perdida
está a consumir tempo
corre o risco de ficar pelo caminho.
A Europa das Nações é um sonho
ter esse objectivo comum
uma Constituição para todos
um governo geral
uma moeda igual (que só tem quase)
com línguas diferentes
costumes desiguais
bandeiras distintas
regiões autónomas
conseguir tal objectivo, não é fácil.
E porquê
se todos desejam fazer parte do grupo?
A resposta é simples:
é que a Europa é constituída por seres humanos
também ela
como o resto do mundo
e é por isso que o entendimento
a comunhão de ideias
e de interesses
a capacidade de não exigir o comando
o desprezar interesses pessoais
o atender ao bem geral
o não ser invejoso
tudo isso falta ao Homem.
Querer ser o chefe
o que manda
desejar a melhor parte
é isso que destrói as comunidades
é por aí que s partem as uniões.
A Europa chegou até onde está
Conseguirá avançar mais um pouco?
Mas quando?
E a que preço?
Até que ponto assistirá pacificamente às discordâncias?
Restará um mito?
Abdicarão os Homens do mau pelo pouco bom?
E as regiões que, por essa Europa,
lutam por independência
estão a passar de moda? Já eram?
Que isso de querer ser dono da sua rua
deixou de ter razão de ser?
Pois não parece…

E a emigração de que este Continente
está a atrair tantas populações
os milhões de pessoas não europeias
que já se instalaram
e os que virão a caminho
acomodando-se
tendo filhos
muitos
o dobro
o triplo
o quádruplo
dos naturais europeus
que mudanças irão provocar
nos hábitos
costumes
língua
cor de pele
da tradição europeia?
Daqui a cinquenta anos
quem cá estiver ainda
e os que nasçam
descendentes dos actuais europeus
de origens várias
de
Paris
Londres
Madrid
Berlim
Lisboa
de
todas as grandes cidades
deste Continente
não encontrarão nada igual ao que existe hoje.
Os que tenham a capacidade
de ler no futuro
que sejam capazes de desvendar
o que aí virá,
poderão começar a fazer uma ideia.
embora talvez seja preferível
não se ficar a saber já…

Contemplando todos os Homens de hoje
não será difícil
fazer um exercício de reflexão.
A pergunta impõe-se:
Como é possível continuar a existir
uma Europa
com este material humano?
Essa Europa de todos por um
e de um por todos
é um desejo
um mito
mas toda a realidade dos dias de hoje
é outra.
Podemos ainda ter esperança?
Será preferível persistir numa Europa
ideal
unida
amiga
sonhada para ser diferente
do que se conseguiu até hoje
capaz de juntar vontades
interesses
forças?

Deixo aqui a pergunta
esta e outras.
e sei que há duas respostas possíveis
antagónicas
divergentes.

Existe fé de que os Homens
acreditam no êxito?
Há esperança que os Homens
apesar das suas características
encontrem o bom senso
mas outros?
Talvez, mas a maioria
perdeu a vontade de acreditar.

Europa unida?
Um bloco?
Vivendo todos os europeus
em comunhão?

Que sonho mais lindo!...

EUROPA DESUNIDA



NÃO HÁ DÚVIDAS DE QUE, em termos de memória, os portugueses são campeões em perdê-la e a sucessão de acontecimentos faz com que os passados caiam no esquecimento, sobretudo porque surgem sempre os chamados “arrivistas” que, apanhando o comboio m andamento, são os que beneficiam do que foi produzido antes e esses, na maioria dos casos, são eliminados do pensamento e a História, que é a mais falsa das divulgações dos acontecimentos, passa a ser escrita com novos protagonistas que se intitulam eles próprios como os autores de determinado acontecimento e passam a ser considerados como os inventores e protagonistas de um determinado acto que é julgado como sendo novo.
Como jornalista que fui de épocas anteriores, com uma formação profissional que não tem nada a ver com o que se pratica hoje, habituado a ter de informar sobre uma variedade enorme de temas, pois que só os que se dedicavam ao tema do desporto é que figuravam numa classificação à parte, continuo hoje, já reformado e com actuação permanente na escrita, a “ingerir” grande parte da informação que os jornais publicam e, com alguma mágoa, a dar-me conta dos defeitos que anteriormente eram punidos e que hoje já constituem uma maneira valiosa de exercer a profissão. Não vou aqui enumerar e apontar os mais salientes, até porque a classe de hoje aponta os antigos como “fora de prazo” e não reconhecem valor no trabalho que era exercido antes (sem computadores e apenas com apelo aos arquivos existentes que havia que consultar para não se faltar à verdade).
Vem ao caso, como exemplo, o “Diário de Notícias” – que já foi um dos diários mais lidos em Portugal, o que não sucede hoje e estando muito longe disso -, e utilizo a leitura de uns tantos dias atrás para recordar, sobretudo o seu director João Marcelino, de que fui detentor de uma coluna semanal no referido jornal, intitulada “ESTA LISBOA QUE EU AMO”, e nessa altura , poucos anos atrás, me referi a diversos assuntos que tinham a ver com o estrago que estava a suceder na nossa capital e apresentando soluções para vários problemas que, por sinal, ainda se mantêm.
Pois o que saiu largamente propagado em diversas páginas refere-se, de acordo com o título, a que a chamada “Baixa” lisboeta se transforma num cemitério de lojas. Sendo uma triste realidade hoje, já o era há cinco e dez anos atrás, e tendo sido o assunto debatido nos meus textos, nessa altura apontava também para o triste espectáculo de terem desaparecido os andares na zona para viverem famílias, dado que a utilização de tal espaço passou a ser para a instalação de escritórios, o que fez com que, a partir das setes horas da tarde, o movimento de habitantes seja praticamente nulo. E esse deserto, que deveria constituir o prosseguimento de assunto pela Redacção do referido “D.N.”, foi completamente esquecido e essa actuação como tantas outras certamente que tem sido a causa do abaixamento de divulgação do mesmo Jornal, ao ponto de se encontrar numa situação de baixa de tiragem que deveria incomodar que o dirige e administra. No meu caso, que fui também em diferentes ocasiões responsável redactorial por outras publicações, sempre que se verificava algum desinteresse por parte dos leitores, isso obrigava-me a rever a situação e a definir caminhos que “segurassem” as tiragens do meu meio de informação.
Na situação actual do nosso País, não há que duvidar de que a matéria a tratar pelos meios de Informação é muito mais alargada do que a que constituía o período, por exemplo, em que a Censura actuava severamente sobre tudo que representasse comunicar ao publico o que se ia passando. E os jornalistas, como eu, tínhamo-nos de sujeitar ao que os capitães ignorantes obrigavam a cortar dos textos e, passando-se rapidamente para o depois do 25 de Abril, essa mudanças repentina, sobretudo com os arrivistas revolucionários que se instalaram nas curvas do poder e que interferiram também nas Redacções dos órgãos de comunicação. Essas duas situações constituíram uma experiência que tive de suportar, sendo que a maioria dos jornalistas de hoje nem uma nem outra conheceram.
E é por isso que me entristece verificar que assuntos da maior importância para que o nosso País saia da situação de afundamento em que se encontra não constituam uma acção a que os jornais existentes hoje deveriam deitar mãos e não largar até que os problemas estejam resolvidos. Escrevendo algo numa ocasião, logo esquecem o assunto, em lugar de prosseguirem com marcação de um desejo de emendar, sendo essa a única forma em que, por vezes, os responsáveis governativos atendem e são forçados a dar sinal de vida, nem que seja por comunicados oficiais que, também aí, constituem uma forma de a publicação em causa se agarrar com mais afinco ao assunto.
Toco neste tema porque espero que o Jornal em causa não dê mostras de desinteresse em analisar as críticas que lhes são dirigidas, e que o seu Director não faça vista grossa não albergue a comentadores que não mostram força escrita suficiente para interessar os leitores, contando nas suas páginas com textos que, segundo eu próprio tenho constatado por contactos com leitores do referido diário, afastam da leitura muita gente.
Dá-me pena que um “D.N.” que marcou várias épocas com o ar de importância que lhe era reconhecido, mesmo ao longo do período da ditadura, nunca se deixou cair no “branco” de leitura que hoje se constata.



sábado, 16 de julho de 2011

SOLITÁRIO



Há quem não seja capaz de estar só
De se entranhar, de consigo viver
De se enfiar no seu próprio guarda-pó
E de discutir sozinho o seu querer

Há gente assim, que gosta de multidões
Que só consegue andar na confusão
Quer o seu mundo cheio de atenções
Mesmo que daí não saia conclusão

Que bom, por isso, é o silêncio da noite
Ainda que não exista quem se afoite
A ter à sua volta só penumbra

Ainda assim e estando a pensar alto
Sem nada que lhe provoque sobressalto
É algo que ao solitário deslumbra

DIÁRIO DE NOTICIAS



NÃO HÁ DÚVIDAS DE QUE, em termos de memória, os portugueses são campeões em perdê-la e a sucessão de acontecimentos faz com que os passados caiam no esquecimento, sobretudo porque surgem sempre os chamados “arrivistas” que, apanhando o comboio m andamento, são os que beneficiam do que foi produzido antes e esses, na maioria dos casos, são eliminados do pensamento e a História, que é a mais falsa das divulgações dos acontecimentos, passa a ser escrita com novos protagonistas que se intitulam eles próprios como os autores de determinado acontecimento e passam a ser considerados como os inventores e protagonistas de um determinado acto que é julgado como sendo novo.
Como jornalista que fui de épocas anteriores, com uma formação profissional que não tem nada a ver com o que se pratica hoje, habituado a ter de informar sobre uma variedade enorme de temas, pois que só os que se dedicavam ao tema do desporto é que figuravam numa classificação à parte, continuo hoje, já reformado e com actuação permanente na escrita, a “ingerir” grande parte da informação que os jornais publicam e, com alguma mágoa, a dar-me conta dos defeitos que anteriormente eram punidos e que hoje já constituem uma maneira valiosa de exercer a profissão. Não vou aqui enumerar e apontar os mais salientes, até porque a classe de hoje aponta os antigos como “fora de prazo” e não reconhecem valor no trabalho que era exercido antes (sem computadores e apenas com apelo aos arquivos existentes que havia que consultar para não se faltar à verdade).
Vem ao caso, como exemplo, o “Diário de Notícias” – que já foi um dos diários mais lidos em Portugal, o que não sucede hoje e estando muito longe disso -, e utilizo a leitura de uns tantos dias atrás para recordar, sobretudo o seu director João Marcelino, de que fui detentor de uma coluna semanal no referido jornal, intitulada “ESTA LISBOA QUE EU AMO”, e nessa altura , poucos anos atrás, me referi a diversos assuntos que tinham a ver com o estrago que estava a suceder na nossa capital e apresentando soluções para vários problemas que, por sinal, ainda se mantêm.
Pois o que saiu largamente propagado em diversas páginas refere-se, de acordo com o título, a que a chamada “Baixa” lisboeta se transforma num cemitério de lojas. Sendo uma triste realidade hoje, já o era há cinco e dez anos atrás, e tendo sido o assunto debatido nos meus textos, nessa altura apontava também para o triste espectáculo de terem desaparecido os andares na zona para viverem famílias, dado que a utilização de tal espaço passou a ser para a instalação de escritórios, o que fez com que, a partir das setes horas da tarde, o movimento de habitantes seja praticamente nulo. E esse deserto, que deveria constituir o prosseguimento de assunto pela Redacção do referido “D.N.”, foi completamente esquecido e essa actuação como tantas outras certamente que tem sido a causa do abaixamento de divulgação do mesmo Jornal, ao ponto de se encontrar numa situação de baixa de tiragem que deveria incomodar que o dirige e administra. No meu caso, que fui também em diferentes ocasiões responsável redactorial por outras publicações, sempre que se verificava algum desinteresse por parte dos leitores, isso obrigava-me a rever a situação e a definir caminhos que “segurassem” as tiragens do meu meio de informação.
Na situação actual do nosso País, não há que duvidar de que a matéria a tratar pelos meios de Informação é muito mais alargada do que a que constituía o período, por exemplo, em que a Censura actuava severamente sobre tudo que representasse comunicar ao publico o que se ia passando. E os jornalistas, como eu, tínhamo-nos de sujeitar ao que os capitães ignorantes obrigavam a cortar dos textos e, passando-se rapidamente para o depois do 25 de Abril, essa mudanças repentina, sobretudo com os arrivistas revolucionários que se instalaram nas curvas do poder e que interferiram também nas Redacções dos órgãos de comunicação. Essas duas situações constituíram uma experiência que tive de suportar, sendo que a maioria dos jornalistas de hoje nem uma nem outra conheceram.
E é por isso que me entristece verificar que assuntos da maior importância para que o nosso País saia da situação de afundamento em que se encontra não constituam uma acção a que os jornais existentes hoje deveriam deitar mãos e não largar até que os problemas estejam resolvidos. Escrevendo algo numa ocasião, logo esquecem o assunto, em lugar de prosseguirem com marcação de um desejo de emendar, sendo essa a única forma em que, por vezes, os responsáveis governativos atendem e são forçados a dar sinal de vida, nem que seja por comunicados oficiais que, também aí, constituem uma forma de a publicação em causa se agarrar com mais afinco ao assunto.
Toco neste tema porque espero que o Jornal em causa não dê mostras de desinteresse em analisar as críticas que lhes são dirigidas, e que o seu Director não faça vista grossa não albergue a comentadores que não mostram força escrita suficiente para interessar os leitores, contando nas suas páginas com textos que, segundo eu próprio tenho constatado por contactos com leitores do referido diário, afastam da leitura muita gente.
Dá-me pena que um “D.N.” que marcou várias épocas com o ar de importância que lhe era reconhecido, mesmo ao longo do período da ditadura, nunca se deixou cair no “branco” de leitura que hoje se constata.