sexta-feira, 31 de julho de 2009

DEIXAR ALGUMA COISA

Há quem não se preocupe com isso
que o depois não seja um problema
se a vida já é algo tão maciço
para que serve aumentar o tema
o depois pertence ao infinito
a esse campo do desconhecido
porquê então andar por cá aflito
se o que a vida dá é bem sabido
e chega p’ra ocupar atenção
façamos bem o que há que fazer
e deixemos a preocupação
de pensar no que vem após morrer
lá está a cova e um caixão
e se acabou é só esquecer
também há quem prefira a cremação
pois por cá há bastante que fazer
e não dar que fazer é o melhor
aos outros depois de dar a partida
seja qual o caminho seja qual for
não há volta é apenas a ida
o melhor p’ra eles é esquecer
a vida vai seguindo cá no mundo
por grande que seja o desprazer
porque afinal no fundo, bem no fundo
ninguém se lembra nem na nossa rua
pois o tempo é o melhor remédio
cada um cá na vida continua
para matar saudades e desgostos
porque também propriamente o tédio
é coisa que muito foge dos rostos

Vale a pena deixar alguma cousa
que depois já não estando por cá eu
não se sabendo onde a alma repousa
se no tal Inferno ou se no Céu?
Isso para todos que têm fé
que acreditam que um depois existe
conhecendo-me a mim José
por certo mostram um semblante triste

Porque todos os outros, a maioria
raramente o que fui recordam
estavam bem longe do que eu sentia
por isso também depois não discordam
essa a razão por que quero deixar
alguma coisa que dê a ideia
do que procurei ser e sem mostrar
o que ocupou uma vida cheia

Antes papeis jaziam nas gavetas
cheios de bolor, grande confusão
era no tempo do uso das canetas
quando ainda não havia a paixão
por internet e computadores
porque hoje fica tudo no disco
que conserva bem todos os labores
durante anos sem menor belisco
aí fica o que hoje produzo
à espera de mais tarde ser visto
a menos que surja algum intruso
que não seguindo as regras de Cristo
entenda destruir só por maldade
ou até nova ciência humana
a tecnologia d’hoje altere
r apareça outra traquitana
que nem disco gravado recupere

Mas não, há que manter a esperança
de que algo de meu sempre resista
e de que certa bem-aventurança
permita que seja feita justiça
e que daqui a anos, muitos mesmo
o meu nome passe a ser falado
que não como um qualquer aventesmo
jornalista, escritor, poeta honrado

A esperança é grande desidério
e o seu fim é só no cemitério

PROMESSAS



José Sócrates teima em querer andar na berra e não consegue sossegar para que a opinião pública não o mantenha permanentemente na ponta da sua observação. Talvez ele julgue que esta posição de não adormecer na óptica dos portugueses o torne mais popular e vá fortalecendo a possibilidade de voltar a ocupar a chefia do Governo que vier a sair das eleições que estão à porta. Nunca se sabe o que vai na cabeças das pessoas e, por mais estranha que nos pareça a atitude de uma personalidade que se encontra sempre na montra, deverá ser a sua constante presença nos noticiários que lhe transtorna a racionalidade e faz perder o bom senso e aquilo que é o mais conveniente.
Esta agora de fazer a promessa de que o próximo Executivo irá oferecer 200 Euros a cada bebe que nasça em Portugal, abrindo uma conta poupança que só poderá ser movimentada quando a criatura atinja os 18 anos de idade, não sendo nenhuma novidade no panorama políticos de muitos países, até por cá já alguns municípios se anteciparam com uma ideia semelhante e até melhor, como por exemplo, o de Carrazeda de Anciães que atribui 2.500 euros e o de Murça que atribui aos casais com poucos rendimentos um subsídio de 1.500 Euros, assim como o de Mora, no Alentejo, que dá 500 Euros pelo nascimento do primeiro filho, assim como às famílias que atinjam o terceiro filho.
Em resumo, o Governo de Sócrates, se vier a reocupar o lugar, não prima pela novidade e, em comparação com a vizinha Espanha, com um Executivo socialista de Zapatero, fica a uma distância assinalável, pois os espanhóis gozam de um privilégio de receber 2.500 Euros pelo nascimento de cada criança.
Mas José Sócrates, nesta altura de tudo prometer como é o período pré-eleitoral, isto depois de ter permanecido mais de quatro anos a governar, também acena com uma oferta de 5.000 euros aos cidadãos que adquiram um automóvel eléctrico, estendendo esse bónus também às empresas. E as creches vão ter horário alargado, segundo palavras do ainda primeiro-ministro.
É evidente que tudo que sejam melhorias de condições de vida dos portugueses é de elogiar, a pena, porém, é que só quando se aproximam os períodos eleitorais é que se acumulem as promessas, para depois, no decorrer das governações, aqueles que davam tudo, passem a cortar e a esquecer o que ficou dito.
Porém há situações que surgem exactamente ao contrário. O caso da EMEL, a que me referi em texto anterior, é a demonstração de como, por vezes, as oposições se movimentam no sentido de causar má impressão nos próximos eleitores e terem, por vezes, êxito nessas intervenções. O caso da empresa pública camarária ter, precisamente neste momento, aparecido com uma medida de aumento de custos de aparcamento nas ruas da freguesia de Santo Condestável, em Campo de Ourique, em Lisboa, o que está a provocar uma verdadeira revolta aos moradores e aos comerciantes do bairro, quando estamos a pouca distância das eleições, está a contribuir para que António Costa, presidente da Edilidade alfacinha, venha a pagar as “favas” na hora da escolha. E aí, Santana Lopes fica a ganhar.
Mas este caso ainda vai dar muito que falar, por isso me reservo para um texto posterior.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

PRESIDENTES




Já se vê que se trata de uma casualidade, mas que não deixa de ser curioso, lá isso é inegável. Pois não é que quatro ex-presidentes de grandes clubes de futebol portugueses se encontram ou se encontraram recentemente envolvidos em situações que levou a Justiça a tê-los chamado, em ocasiões distintas, para darem andamento a processos que se encontram em andamento.
O primeiro e já é longa a história do seu caso foi e é o antigo presidente do Sport Lisboa e Benfica, Vale e Azevedo, que, encontrando-se agora a viver em Londres, não conseguiu que a sua situação ficasse completamente solucionada e ainda terá provavelmente de sentir os efeitos dos tribunais. O outro, que foi sentindo durante largo tempo, as consequências de um desentendimento conjugal, foi Pinto da Costa, a quem alguma comunicação social teima, inexplicavelmente, em servir-se do nome completo de Jorge Nuno Pinto da Costa e que ainda exerce o lugar de presidente do Futebol Clube do Porto, parece só agora ter ficado livre da embrulhada em que esteve envolvido e que teve o nome de Apito Doirado. O terceiro, nesta altura já tornada pública a acusação que lhe cabe do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), José Roquette, que assumiu em tempos as funções de presidente do Sporting Clube de Portugal, viu a sua casa e o escritório invadidos para efeito de buscas por parte de investigadores da Polícia Judiciária, tendo sido notificado para prestar declarações às autoridades judiciais e constituído arguido no âmbito do escândalo no complicado caso do Banco Português e Negócios. O quarto, não estando já no activo futebolístico e tendo passado ao seu filho o comando do Boavista Futebol Clube, mas mantendo-se agora na presidência do Município de Gondomar, Valentim Loureiro, também tem tido problemas com os Tribunais.
É por estas quatro coincidências que eu digo que os clubes de futebol que se encontram mais ou menos na berra têm ou já tiveram os seus presidentes, actuais ou passados, a contas com a Justiça. E talvez seja caso para afirmar também que, por este andar, não haverá cidadãos que, por muito amor que tenham, aos clubes a que estão ligados, não vão aceitar, de futuro, propostas para ocuparem lugares de presidência nos mesmos. Parece que se trata de uma perseguição ou de um enguiço.
É só esperar para ver, em breve, nos anúncios dos jornais sair, um pedido nestes termos: PRESIDENTE O PARA CLUBE DE FUTEBOL, PRECISA-SE”.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

COSTA E SANTANA



O frente-a-frente televisivo que teve lugar ontem com os dois candidatos à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, que exerce actualmente aquelas funções, e Santana Lopes, que já ocupou o mesmo lugar, podia ter deixado alguma ideia quanto ao mais bem preparado político para tomar conta da capital portuguesa que, como tem sido objecto continuado das minhas crónicas, não teve a sorte, desde o Marquês de Pombal, de contar com uma figura que soubesse aproveitar as características ímpares da nossa cidade capital por forma a satisfazer as legítimas aspirações que os lisboetas conscientes da importância de tal realidade tanto aguardam ver.
Podia-se ter formado uma opinião, mas tal não aconteceu.
Pelo menos eu, que tinha esta entrevista como ponto fulcral para me ajudar a formar uma opinião mais concreta do que aquela que já tenho, não posso deixar expresso que, a partir do confronto, fortaleci a minha preferência por um ou por outro.
É que, como sucede sempre quando os políticos se enfrentam, estando presentes ou sendo apenas em declarações que deixam formuladas, a principal preocupação dos concorrentes não foi a de deixar bem claras as intenções, os planos, as propostas que querem apresentar aos eleitores. O que eles fazem sempre é agarrarem-se ao passado, é referir o que o adversário não fez ou fez mal, é denegrir as acções dos outros. Quanto a aclarar o que vai constituir a sua preocupação prioritária, isso fica sempre num vago, numa nebulosa, numa ligeira ideia do que será o futuro.
Quanto a mim, ambos os concorrentes neste caso tiveram, no passado de cada um quanto a terem a condução do Município alfacinha, alguma coisa que se pode considerar positiva. Como os dois também merecem ser criticados por algumas acções que bem poderiam e deveriam ter sido excluídas das suas preocupações enquanto deles dependeu o comando da municipalidade lisboeta. E, no caso de António Costa, a acção que tem sido a sua prioridade nesta altura, o Terreiro do Paço, aí posso eu avançar com a minha opinião: não é aquilo que, nesta fase de debilidade financeira, Lisboa está a pedir. Mas isso deixo para crónica separada, aliás como já me referi em textos anteriores, alguns deles com anos de vida, nas colunas do “Diário de Notícias”.
Estou triste. A capital portuguesa merece ter um presidente de Município com verdadeira competência de gestão, isto é, com muita imaginação e bom gosto e que seja capaz de provocar uma mudança radical em todo o seu aspecto, sobretudo fazendo-a ter vida, com população e comércio que contribuam para, aproveitando a beleza do Tejo e as outras de tipo tradicional que possui naturalmente, sobressaiam e surjam aos olhos dos portugueses e dos visitantes estrangeiros que cá se deslocam.
Não, não vejo em nenhum destes dois candidatos, nem mesmo naqueles comentadores que surgem na televisão, como sucedeu também ontem na SIC Notícias, quem dê mostras de ter capacidade para exercer tal cargo camarário. Somos, todos ou quase, uns tristinhos da silva, uns “desimaginativos” que dá pena. Vejam lá se, na entrevista, algum dos dois se referiu, por exemplo, a uma coisa que nem é cara e que tanta falta faz ver em Lisboa: as flores. E isso é um pormenor, dirão, mas é de muitos pormenores deste tipo que se dá a volta ao aspecto da nossa capital
E só mais uma palavra: há que fazer com que os milhares de casas abandonadas ou a cair aos bocados, muitas delas propriedade da C.M.L., sejam rapidamente habilitadas e postas ao serviço de habitantes (não escritórios!...) que são os que dão vida à cidade.Fico-me por aqui. Mas tenho tanto para dizer, que o melhor será aguardar pela escolha que os lisboetas vão fazer no dia das Autárquicas

terça-feira, 28 de julho de 2009

SONETO

Soneto amigo eu estou contigo
bem que te procuro e te persigo
quando começo a juntar os versos
penso a direito mas saem-me inversos

Primeiro são quatro versos seguidos
As sílabas e os tons bem aferidos
depois o motivo e o enredo
não há mistério nem há segredo

Eis aqui a prova bem clarinha
de que o soneto nasce bem na linha
sem se saber como lá vem o resto

Após ser feito lê-se bem contente
com certa fé e por isso crente
de que o caminho está ali: o cesto

ERROS DOS POLÍTICOS




Bem sei que a situação relativamente recente da tomada de posse de Barak Obama como presidente dos E.U.A. ainda o conserva em relativo “estado de graça”. Mas, em todo ocaso, já se pode considerar como sendo bem diferente de inúmeros Chefes de Estado que têm sido contemplados por todo o mundo, sobretudo pela sua comunicação com os cidadãos e pelo à vontade demonstrado em todas as situações que têm surgido. Repito: pelo menos até agora.
A mais recente situação tornada pública foi a de que Obama, depois de ter feito referências desagradáveis a um polícia americano, quando este deteve um amigo seu, por sinal de cor, por este, tendo-se esquecido das chaves de sua casa no interior da mesma, foi obrigado a arrombar a porta da rua e, depois disso, por um vizinho ter chamado a polícia, um guarda levou-o preso apesar da explicações dadas, face a este acontecimento o presidente americano fez uma acusação pública dura a esse polícia, mais tarde, perante a verdade dos factos, Barak Obama não hesitou em pedir desculpas à polícia de Cambridge, reconheceu que as palavras que escolheu para relatar a tal circunstância deveriam ter sido bem diferentes, para não deixar a impressão que estava a difamar toda a polícia.
Pois é exactamente isto que eu desejo sublinhar neste texto. De que todas as pessoas estão sujeitas a cometer enganos e a praticar injustiças. Porém, o que deve ser feito é rectificar publicamente a falta ocorrida.
Se isso ocorresse por cá, entre os nossos políticos, todos, os que se situam em áreas de comando e os que se encontram nos outros lugares, muita coisa poderia ser perdoada, e bem ficaria que os autores de erros os reconhecessem e pedissem desculpa.
Mas não. A começar pelo que tem exercido as funções de chefe do Governo, que nunca se engana, que faz tudo certo, que também não tem dúvidas e que são sempre os outros que estão equivocados, com início nesse José Sócrates bem diferentes iriam as coisas e bem mais simpáticos seriam todos os que surgem frequentemente a prestar declarações. Claro, os governantes e os outros, dado que todos, como bons portugueses, não admitem que erram.
Estamos todos fartos de gente ultra-competente. O pior, porém, é assistirmos a cada passo a equívocos, técnicos e outros, que, de uma forma geral, custam dinheiro ao erário público. Ou seja, aos nossos bolsos.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

OS PARDAIS


Quatro pardalinhos brincam no chão do meu jardim
picam o chão com entusiasmo
e eu olho-os com ternura
pensando no mundo dos homens
desses que se guerreiam uns aos outros
e não confraternizam como estes pássaros
não dividem o que há para comer
são egoístas, querem só para si

E estes pássaros inocentes
que não sabem o que é pecado
que só procuram defender-se
dos que são gulosos
dos que apreciam o petisco
dos passarinhos fritos
saltitando, piando
lá vão apanhando as migalhas que
sem querer
os homens deixam cair

Que bom seria
se o mundo fosse todo como o dos pardais
dividindo o amor e as migalhas

EMEL DE NOVO



Tinha de ser. Então não é que a EMEL, essa empresa camarária que, nascida em 1994, tem dado largas mostras, ao longo da sua existência, que se trata de uma entidade incompetente, pois não conseguiu até agora garantir a permanência do aparcamento das viaturas no tempo para que pagam e isso por ausência constante de vigilantes, como sucede, pelo menos, no bairro de Campo de Ourique, resolveu agora, não se sabe com autorização de quem mas que tem de se supor que pertencerá a responsabilidade disso ao Município lisboeta, entendeu agora e apenas com um vago comunicado transmitido aos residentes e comerciantes do bairro, que, a partir de 1 de Agosto, todos esses usuários dos serviços que ali moram ou têm estabelecimentos passarão a pagar também o aparcamento, mesmo possuindo, como possuem, o cartão afixado no pára-brisas que, até agora, lhes dava a liberdade de o fazerem nas zonas cobertas por essa autorização.
Quer dizer, a EMEL, abusando de um direito que não pode ter, pelo menos alterando o que estava estabelecido antes, criou a revolta em todo o bairro, ao ponto de estar a circular um abaixo-assinado para tentar impedir este excesso que ninguém compreende como poderá ter sido concedido e por quem e ainda se esse alguém tem poderes legais para tamanho ataque aos bolsos dos campo-ouriquenses.
E o mais curiosos disto tudo é que, tendo início essa “roubalheira” em 1 de Agosto, no dia 26 de Julho veio anunciado na Imprensa que a tal EMEL duplicou cargos de chefia, tendo passado de 3 directores e 7 chefes de serviço, respectivamente para 5 e 13 responsáveis da área, rondando as suas remunerações à volta dos 3 mil euros e alguns deles com direito a viatura e telemóvel. A directora geral da empresa, Marina Ferreira, que tinha pedido a demissão no final de 2008, foi, entretanto, reconduzida no lugar pelo presidente do Município da capital.
E isto a que nós, os cidadãos indefesos, assistimos sem poder protestar e obter resultados com o seu inconformismo. E se até o vereador camarário Cardoso da Silva alegou desconhecimento dos factos, afirmando que tais alterações “não passam pela Câmara”, pois esta “apenas dá orientações genéricas à EMEL”, como será possível impedir que uma EMEL qualquer entenda passar a meter a mão nos bolsos dos cidadãos, só porque sim?...
Vamos a ver como fica tudo isto, mas se é desta forma que se governa um País, então podemos estar bem descansados!

domingo, 26 de julho de 2009

DÍVIDAS



Todos nós sabemos que as dividas do sector público a terceiros, quer nacionais quer estrangeiros, constituem uma realidade que vem de sempre, pois que o Estado português e suas dependências habituaram todos a ter de esperar, por vezes tempos que excedem a capacidade de resistência dos credores, até que, por razões burocráticas ou por falta de verba nas tesourarias, surja o dia ansiado para serem liquidadas as contas pendentes.
Sobretudo porque quem contrai as dívidas públicas não sente na pele o horror de ter os cobradores a bater à porta e a fazer escândalos, pois que os responsáveis pelos compromissos assumidos não o são em nome próprio, mas sim com a cobertura de um sector oficial e, em muitas situações, esses autores de um gasto sem capacidade de ser cumprido o prazo de liquidação, acabam por sair do sector em que se encontravam e deixam para o sucessor o incómodo de procurar encontrar fundos para se libertar do encargo recebido em herança, devido a isso, desde que o nosso País é País e porque não existe a cultura da honradez do cumprimento dos cargos que lhes foram entregues, o tal comportamento da dívida tem vindo a passar de avós, para pais e para filhos, ficando certamente tal hábito para os que vierem a seguir.
Por tal motivo, não pode causar grande surpresa anunciar-se agora, com certo ar de espanto, que o nosso País se encontra endividado ao estrangeiro em muitos milhares de milhões de euros. Até que nos fechem definitivamente as porta de crédito e que comecemos a receber negas de empréstimos de outras Nações, enquanto não chegar essa altura cá iremos apenas olhar para os débitos e créditos da nossa contabilidade pública e iremos seguindo sem e4xcessivas preocupações. O pior será quando – e oxalá isso nunca suceda – já não pudermos sequer honrar os compromissos com os nossos reformados. Nem quero imaginar o que sucederá nessa altura!...
Por agora, basta que dê conhecimento da dívida que a Câmara Municipal de Lisboa já não pode esconder, pois os credores, empresas privadas que participaram na construção do túnel do Marquês, recorreram aos tribunais para tentar ressarcir-se do montante por cobrar e que, segundo já é público, atinge os 22 milhões de euros, do tempo em que Santana Lopes foi Presidente.
Pergunto eu: e quanto estão a custar as obras no Terreiro do Paço? Então não seria normal que, antes de tudo, se paguem aos credores e só depois se meter o Município em gastos suplementares?
Provavelmente não é assim que pensam os responsáveis pelas instituições oficiais e serei eu que estou completamente equivocado. Se quem criasse dívidas oficiais e nãos as pagasse dentro dos prazos normais tivesse de responder criminalmente, por abuso de compromissos com dinheiros públicos, esse deixa andar dos tais fulanos acabaria de vez. Mas o quê? Isso suceder em Portugal? É impensável!...
E, ainda a tempo: a notícia de que os serviços centrais do Estado ainda não pagaram vários milhões de euros que devem às câmaras municipais de todo o País poderá dar razão a que, por sua vez, os municípios também não paguem a tempo aos fornecedores. É um ciclo vicioso. Mas, sendo assim, que nem uns nem outros se metam em compromissos sem saberem primeiro como vão arranjar o dinheiro para não ficarem pendurados…

sábado, 25 de julho de 2009

ESPERANÇA


Todos nos olham, ficam espantados
estamos na montra do mundo real
afinal, todos nós os enganados
fiámo-nos na pureza ideal

Um raio de luz
chegará um dia
qu’alegria
em que a nossa cruz
terá um bom fim
enfim

O Homem verá
que é bom sorrir
e aí partir
para o que será
um mundo melhor
o maior!

E é o Homem o maior culpado
porque é grande a sua ambição
nem os maus exemplos do passado
mostram dever ser outra a sua acção

ANIMAÇÃO EM LISBOA



O que eu tenho clamado pela falta de imaginação dos vários responsáveis que já passaram pela Câmara Municipal de Lisboa no sentido de fazerem o que estiver ao alcance das possibilidades financeiras do Município por forma a aproveitarmos as belezas naturais da nossa capital e lhe proporcionarem uma acrescida movimentação que retire a tristeza característica desta cidade, mas, até hoje, não passou esse meu esforço de uma pregação aos peixes, pois que continuamos, por exemplo, sem aproveitar as flores baratas que poderiam e deveriam animar e alegrar muitas das ruas, praças e avenidas, para não dizer também monumentos deste nosso Ulissipo.
Não se compreende que não tenha aparecido e continue sem aparecer alguém que tenha a capacidade de descortinar formas de embelezar muitos dos locais que fazem parte do conjunto da capital portuguesa, assim como criar uma circulação de pessoas que sirva de demonstração de que se trata de uma cidade com gente que se move a todas as horas. Sim, porque é sobejamente conhecido que, a partir de certas horas do fim do dia, as ruas alfacinhas se encontram praticamente vazias de habitantes e esse panorama é ainda mais aflitivo no centro da cidade, na chamada Baixa e no seu vizinho Chiado. Os estrangeiros que nos visitam perguntam-se repetidamente o que sucederá por cá, pois que se vêem obrigados a recolher aos hotéis para jantar e depois nem sabem para onde se deverão dirigir, para não andarem sozinhos pelos centros pedonais.
Esta iniciativa, agora divulgada a medo, de serem criados cafés e restaurantes com animação no final das tardes, tomando-se como exemplo o que ocorre em Espanha, quer em Madrid quer na maioria das cidades do País vizinho, esse despertar de alguém que, por fim, descobriu que havia que fazer alguma coisa no nosso burgo, vem, pelo menos, despertar as consciências para o que tem constituído uma preocupação do autor deste blogue.
Mas deveria começar-se pelo princípio. E, da parte das autoridades superiores, seria fundamental que o Terreiro do Paço servisse de exemplo e que as suas arcadas sem movimento passassem a contar com cafés-esplanadas, sobretudo com música ao vivo, ao mesmo tempo que poderiam ser aproveitadas para venda de produtos de qualidade, como seja a filatelia, os livros antigos, a pintura, a numismática e outras actividades que trariam movimento e característica própria ao local.
A partir daí, seguir-se-iam outros locais que pudessem criar vida no centro de Lisboa, sendo que a Associação de Valorização do Chiado, de recente criação, tem a grande responsabilidade de meter mãos à obra e de dar mostras daquilo que pode valer, não se ficando apenas por intenções mas agarrando firmemente um projecto que tem de ser posto em acção no mais curto espaço de tempo possível.
É o que posso acrescentar ao que tenho vindo a clamar há muitos anos. A esperança de não me ir embora desta sem aparecer quem seja capaz de sair da cepa torta da governação camarária da capital é o que me resta. Apesar de não acderditar muito na capacidade lusitana, mesmo assim cá guardo alguma expectativa. É o que me resta!...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

VER DO OUTRO LADO

Por vezes sinto que estou morto
que já não pertenço ao mundo dos vivos
que estou onde não estou
que vejo do outro lado o que aqui se passa
não é nada comigo
é coisa estranha e distante
faz-me lembrar da última vez
que fui levado ao cemitério
havia gente a chorar
havia ?...
e lá me conduziram para onde eu queria
para o fogo
para as labaredas que rodearam o meu corpo
mas não senti nada
já não estava ali
vi de fora
tudo ardeu num instante
ficaram cinzas
foram despejadas num depósito
tem graça
nasci de uma gota e acabo em pó
atravessaram toda um vida
para isto
para terem havido preocupações
para coisa nenhuma
alegrias
zangas
esforços
canseiras
amores
desamores
ânsias
satisfações
prazeres
contradições
verdades
mentiras
pensamentos
esquecimentos
promessas
falsidades
disfarces
vaidades
tanta coisa e nada
uma vida
tão longa e tão curta
não deu tempo
para fazer o que era preciso
para ser útil
para sobressair
há quem diga que sim
que sou diferente
que me distingo
mas eu
que não estou apaixonado
por mim
não acredito
não me iludo
sei que me esforço
que procurei atingir a bitola
do bom
mas fiquei-me pelo sofrível
pelo mediano
a olhar para cima
a admirar
o que estava no alto

Por isso quase prefiro sentir-me perto do fim
fazer de morto
olhar à distância
ficar como que à janela
a ver-me
e a sentir o sofrimento
o meu sofrimento
o meu desgosto
não culpo o mundo de não me ter colocado
em qualquer pedestal
por pequeno que tivesse sido
e se não cheguei lá
foi porque não o merecia
também não me revolto
por outros se terem sobressaído
mesmo que sem mérito
mas isso só em minha opinião
discutível
provavelmente souberam aproveitar
as oportunidades
foram sagazes
atreveram-se
eu não
também não tive quem me entusiasmasse
em casa
fiquei-me metido para dentro
a encher papel
a colocar cores nas telas
e a esconder tudo
e a amar o que não estava ao meu alcance
a música
a composição
o uso dos instrumentos musicais
e em vez disso
só a utilizar
a caneta e o pincel
desajeitadamente

Sinto
que me vejo de longe
que contemplo os lugares que frequentei
sem mim
observo
as pessoas com quem me dei
sem estarem ao meu lado
vejo-me
sentado no café onde escrevo
olho para as ruas por onde passei
com outra gente
contemplo e reparo
já não conto
não estou lá
ninguém dá pela minha falta
é como se nunca tivesse existido
o mundo não parou
outra gente chora
alegra-se
sofre
diverte-se
tudo como dantes
como quando estava vivo
imagino eu

Julgo ver o mundo
Com muitos mais problemas
com a população aumentada
quase não cabe em nenhum sítio
tem carências
o ambiente é pesado
falta a água
a poluição é insustentável
a competição não perdoa


Quando sinto
que já não estou vivo
e contemplo o espectáculo
de lá de onde estou
já não me importo por não me encontrar
em qualquer pedestal
por mais ínfimo que seja
ao estar na Terra
preferiria estar preste a sair
a tempo
para fugir ao futuro que me esperava
para escapar do medonho
do horrível
dos muitos mil milhões de habitantes
que vão atafulhar o Mundo
e que apesar das múltiplas
antigas e novas doenças
que atacarão o Homem
como há raças que não perdoam
fazendo filhos
muitos
sobrepondo-se a outros
que são mais prudentes
fazendo mudar de cor
o Planeta
apesar disso não ser importante
porque os conflitos
não escolhem tons de pele
sendo seres humanos
por isso mal formados
e cada vez mais agarrados a crenças
a fés
a religiões
que julgam que lhes trarão a salvação
que serão perdoados depois de mortos
que terão benesses e regalias
no fim dos caminhos
só quando se encontrarem no outro lado da barreira
é que descobrirão
como eu julgo que concluirei
quando chegar a minha vez
e estiver a desfrutar
a gozar as vistas
sabendo que Inferno há só um
e é na Terra
nessa altura
e só então
darão gargalhadas surdas
e terão vontade de voltar atrás
e abanar o ser humano
gritando-lhes para terem juízo
para despertarem
e para aproveitarem todo o tempo
que mediou entre a gota e o pó
fazendo com que o Mundo melhore
tirando partido
da Vida.

40 MILHÕES POR DIA!



É evidente que, da minha parte, não se pode esperar que eu seja um apologista da forma de fazer política de José Sócrates e a prova disso têm sido as minhas constantes críticas no que respeita à sua actuação. É mais do que evidente de que existem pessoas que têm uma habilidade muito especial para comandar um governo e outras que parece terem nascido sem o menor jeito de levar por diante essa função e, para além disso, não serem capazes de mostrar aos cidadãos que se esforçam por serem participantes naquilo que pode merecer a aprovação de uma maioria.
No caso especial do nosso País e sem fazer referência ao mal que se alastrou por todo o mundo, o que maior possibilidade oferece de efectuar comparações de uns países para os outros, aquilo que tem sido assinalável na sua compostura é a mínima capacidade do chefe do Executivo nacional de falar claro, de dizer as verdades, por muito duras que elas sejam, o prometer o que não pode cumprir, fazer sempre referências ao passado, em lugar de encaminhar os olhares dos portugueses para o futuro, usar uma linguagem e umas posturas que, podendo ser rectificadas – e para isso existem profissionais habilitados que podem prestar ajudas -, para sê-lo necessitam que os alunos sejam humildes e reconheçam que precisam de mudar e não dar ares de que sabe tudo e que os outros andam sempre enganados.
Enfim, isto já é conhecido de todos nós e, por muito que José Sócrates faça agora esforços para tentar mostrar o contrário, já não consegue convencer a maioria dos próximos votantes. É, pelo menos, a minha convicção, mesmo que muito preocupado esteja em relação aos resultados das eleições legislativas que vão ocorrer. É que a confusão política ameaça e, nas circunstâncias de crise em que se vive, não será fácil encontrar políticos que ponham os interesses de Portugal acima das conveniências partidárias e até pessoais.
Mas, ao termos de apurar as culpas – coisa de que, no nosso País, toda a gente foge em assumir -, é evidente que o principal responsável pela situação a que se chegar tem de ser Sócrates, porque não foi capaz de antever que, depois da maioria absoluta que ele não soube gerir por forma a ajudar os cidadãos a repetir um panorama que não obrigasse a desorientar o eleitorado, o que teimou em seguir foi uma política de desencanto, ajudado nisso pelo conjunto da maioria dos seus ministros que parece também terem sido escolhidos a dedo para formarem um “ballet” de mal comportados.
A notícia que nos chega agora de que o défice do Estado, segundo o ministro das Finanças – que não escondeu as palavras de que” Portugal bateu no fundo” – atingiu os mais de 40 milhões de euros por dia, devido sobretudo ao aumento das despesas, principalmente nos programas de apoio ao emprego e investimento, da Segurança Social, sem contrapartida de aumento de receitas, essa situação deve chegar para todos nós enfrentarmos seriamente a situação e imaginar o que o novo Executivo, o que sair das eleições à vista, terá de fazer. E não vai ser, seguramente, coisa agradável de suportar.
Por isso, quando assisto a exigências de algumas camadas da população, por certo com enormes dificuldades de vida, esperando que seja o Estado a resolver todos os problemas – e isso também porque falar hoje de milhares de milhões de euros é coisa banal, sobretudo quando o Governo se referia a obra públicas largamente anunciadas e agora postas a aguardar melhor oportunidade -, quando esses pedidos são tornados públicos só posso entender que a população nacional ainda não se deu conta da situação extremamente difícil em que vive o nosso País.
Divulgar esta verdade é ser pessimista ou, pelo contrário, trata-se de uma viso realista que os cidadãos devem conhecer?
Já nem, me atrevo a dar respostas como sendo certas. Eu vivo no mundo das dúvidas e preciso de saber sempre o que os outros também pensam.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

ESSA EMEL!...



Depois vêm os meus comentadores dizer-me que eu sou muito pessimista e que a vida em Portugal não é assim tão má como, por vezes, eu aqui a descrevo. E eu chego a interrogar-me se não terão razão aqueles que, sendo optimistas inveterados, sempre se mostram contentes com os acontecimentos e as decisões que ocorrem por cá. Mas, passado pouco tempo, volto de novo a sentir grande descontentamento face às medidas que vejo serem tomadas, sobretudo pelos maiorais portugueses.
Neste momento, voltando da rua e tendo ouvido as queixas que um proprietário de um restaurante e de um café que se revoltou verbalmente pelo facto de, tendo o cartão para fixar na viatura que lhe permite aparcar o seu automóvel na rua onde tem o estabelecimento, a partir do próximo 1 de Agosto a EMEL, com o apoio da Junta de Freguesia de Santo Condestável, estabelece novas regras para poder estacionar com aparcamento o seu meio de transporte. Quer dizer, se até agora, os residentes e os comerciantes que possuíssem o cartão para afixar no pára-brisas podiam aparcar sem necessidade de pagar como qualquer passante ocasional, a partir de agora deixam de ter essa regalia. Só durante a noite, dado que nas horas diárias não podem usufruir da vantagem anterior.
A EMEL, empresa que sempre deu mostras de falta de coordenação nas suas funções, pois que, por exemplo, em Campo de Ourique, muito raramente apareciam os seus fiscais a aplicar as multas aos aparcadores ocasionais, que aqui ficavam dias seguidos sem utilizarem os aparelhos que disponibilizam, segundo pagamento, a possibilidade de colocar o carro durante o período abrangido pelo valor pago, agora, com veleidades de bons cumpridores e com o apoio, pelos vistos da Câmara Municipal de Lisboa, sem mais aquelas distribuíram uns avisos com as novas condições e estão preparados para cobrar os montantes que os autuados desprevenidos e surpresos pela nova actuação, incluindo os moradores, terão agora de pagar.
E é assim! Se a crise mundial por cá faz das suas, não contentes com isso também as instituições nacionais, dentro das suas autonomias que os cidadãos têm de aceitar, não se ficam com penalizações que já existiam e, sem mais aquelas, aplicam novos encargos que os cidadãos, mesmo com as eleições à vista, passam a ser obrigados a cumprir.
Digam-me lá, então, se sou eu que sou pessimista ou se a infelicidade maior é termos de viver nesta Terra, em que cada fulano que tem uma cadeirinha de mando decide a seu belo prazer e o povo que se conforme.
Os optimistas que paguem então e que se conformem!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

NÃO VALEU A PENA

Quantos de nós, por esse mundo fora
nos perguntamos, sempre antes de
tomarmos a decisão: é agora?
ou vai ser então noutra altura que
podemos dar o passo bem pensado
esperando que algo depois vem
tendo por isso o maior cuidado
em não molestar, por tal, ninguém
e eu muito menos por ser frágil
e não desejar ser actor em cena
pois que a perguntar sou sempre ágil
pondo a questão se vai valer a pena

Interrogar antes é importante
é em sinal de ter mente serena
de se cuidar antes de ir avante
não dizer depois não valeu a pena

IDA À LUA


Como o tempo passa! Ainda me recordo da noite em que, na televisão, ainda a preto e branco, assisti ao momento que nunca mais me saiu da memória do primeiro homem a pisar o solo da Lua. E, naquele andar descontrolado, ter percorrido uns metros e colocado uma bandeira dos Estados Unidos da América no chão lunar.
Foi há quarenta anos. Parece que foi ontem!... E, afinal, duas noites atrás revi, de novo no écran da televisão mas agora a cores, as imagens que foram transmitidas em tempo real. E apareceu outra vez a figura do locutor português que, nessa altura, tinha estado 18 horas em pleno programa de transmissão da aventura que, ainda hoje, há quem não acredite que foi um acontecimento verdadeiro, de nome José Mensurado. E como surgiu com a demonstração exacta da idade que já tem hoje!
Em 1969, princípios de 1970, que isso se passou. E tendo sido utilizado como veículo de transporte para a Lua o “Apolo 13”, foi exactamente essa casualidade que me inspirou a dar o nome do Centro Comercial em que, na altura estava empenhado em erguer, que se chamou e chama APOLO 70. Sempre o Homem e as circunstâncias!...
É através destes factos que tomamos consciência de que a vida corre bem depressa e que os seres humanos, que têm hoje a idade que decorreu desde aquele feito histórico, depararam com um mundo todo ele completamente diferente do que existiu na época anterior e os outros, aqueles que andam agora pelos sessenta e mais anos, têm de sentir que são, de facto, muito antigos.
Comparando, porém, o antes e o depois, chegamos à conclusão triste de que os homens tanto se desentenderam quando ainda não se tinha ido à Lua como depois. O tempo do Hitler, das malfadadas guerras em todo o mundo, da reconstrução, do fazer de novo, das descobertas científicas em todas as áreas, da capacidade dos viventes terem mais tempo de existência, da rapidez estonteante das comunicações, da Europa tão mudada, do aparecimento de vários países novos, de, apesar da Democracia ter ganho força por todo o lado, ainda subsistem áreas políticas onde as ditaduras imperam e, no caso português, de terem mudado as opções de governação, o que não representou, passados anos, um contentamento em pleno dos cidadãos, tudo isso que vem assim a talho de foice sem necessidade de recorrer a qualquer cábula, fazendo esse exame a pergunta que surge á a de saber se a população terrestre é mais feliz hoje do que era há 100 anos.
Eu, por mim, não sei responder. Mas revolta-me assistir a um caminhar para situações cada vez mais penosas que temos de enfrentar. Até uma crise, nesta altura, tinha de fazer parte da ementa que é apresentada ao Homem. E, como se não chegasse, aí está a gripe A a atacar por toda a parte.
Ai Lua, Lua, que ainda não podes servir de abrigo aos desgostosos que, cá em baixo, se arrastam face às dificuldades que lhes são apresentadas e que, pelos vistos, não há esperanças que cheguem para dar satisfação plena.
E é com assim que nos vamos enfrentando por esta Vale de Lágrimas!...

terça-feira, 21 de julho de 2009

JANELA

A janela para o mundo
é meu lugar preferido
posso ver tudo ao fundo
sem dar uso ao ouvido

A janela bem aberta
deixa entrar o bom ar puro
uma espécie de oferta
mesmo estando no escuro

Boa janela da vida
cá do alto tudo vejo
daqui tomo a medida
às vezes até invejo

Mas aqui estou defendido
das ruas, do reboliço
não me agride o alarido
pois não chega ao meu cortiço

Nem sinto os encontrões
que bem sofre o pedestre
bem longe das multidões
por isso me sinto o mestre

Mesmo assim algo me falta
p’ra que estar vivo eu me sinta
é ter o cheiro da malta
conviver com o tio Pinta

Esse que fala barato
tem graça e não ofende
ainda que às vezes chato
com ele algo se aprende

Mas desse e doutros tais
ponho-me sempre à tabela
quando não aguento mais
o refúgio é a janela

DEPUTADOS



Não seria crível que, numa época que já foi palco recente de umas eleições, as europeias, e aguarda as duas próximas, as legislativas e as autárquicas, como todos nós sabemos, neste preciso momento se verificasse um tão avultado registo de faltas dos deputados na Assembleia da República. É como, se tratasse de uma empresa em fase crítica da sua existência e até com possibilidades de vir a verificar-se uma mudança dos elementos da sua administração, e os funcionários resolvessem dar o menor contributo possível por forma a ajudarem a ultrapassar o mau momento, registando elevados números de faltas justificadas e até as que sejam merecedoras de ressalva, mesmo essas são facilmente detectáveis de desinteresse em prestar um bom serviço a quem lhes paga, e bem, o seu serviço.
Pois, no Parlamento nacional, apenas 7 deputados não faltaram nunca ao serviço no ano que está a decorrer, e nas 460 reuniões que tiveram lugar no mesmo período, o mais faltoso chegou a atingir146 ausências.
Os nomes são conhecidos e a comunicação social já divulgou alguns deles, pertencendo o maior número ao PSD, logo seguido do PS.
Como digo acima, as próximas eleições legislativas, as que indicam precisamente onde vão cair os votos que dão lugares de deputados na Assembleia da República, dentro do sistema que funciona não apontam os nomes dos premiados e dos excluídos, isso por vontade directa do povo. São os partidos que, no interior das suas organizações, colocam os candidatos em posições que ficam mais próximo ou mais longe de caberem na escolha do eleitorado. Por isso, se os faltosos e mal comportados de cada bancada têm de novo assento no período seguinte das Legislativas, tal atribuição compete apenas ao agrupamento político a que pertence cada um.
E não ponho mais na carta. Que continuem, pois, a faltar às Assembleias é coisa que os cidadãos só ficam a saber. O que não podem é interferir e dar o dito por não dito quanto à escolha que foi feita no acto eleitoral.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

INFINITO

Para mim esse mistério
do celeste infinito
é algo de muito sério
do âmbito do bendito
e ao contemplar o céu
nele a lua destacada
penso sempre no ateu
sem resposta para nada
depois do que não tem fim
algo tem de existir
um muro talvez, enfim
com força p’ra resistir
mas a dúvida manter
sobre o que não tem resposta
é o mesmo que não crer
em religião imposta.

Agnóstico é o tal
que não sabendo a fundo
dar a resposta total
aos segredos deste mundo
prefere não se sujeitar
aos que apenas por fé
decidem acreditar
no que fazem finca-pé.
Outros, como S. Tomé
que são de ver para crer
ficam à espera até
qu’os consigam convencer

Até lá há qu’aguardar
e fazê-lo com respeito
no qu’é de acreditar
no que parece perfeito
se é a fé ou a ciência
ou se nenhuma acerta
qual delas é a essência
de toda a verdade certa

E isso do infinito
resta sem explicação
continua a ser um mito
já vem do tempo de Adão
e até que descubra alguém
o que é que ele tem por trás
não se pod’ir mais além
ninguém se mostra capaz

Oh infinito, infinito
só tu me fazes temer
criar profundo conflito
naquilo em que devo crer
não pedir explicações
por quem as dê não haver
fazem nascer ilusões
a manter até morrer



MUSEUS


Já não é apenas coisa deste ministro da Cultura, pois que vem de trás a indiferença em relação a não ser aproveitado o espaço e até o edifício, por muito pouco tratado que esteja, e que foi ocupado em tempos como Museu do Artesanato. Há muitos anos que se mantém nesse estado e ninguém é capaz de explicar o desinteresse, por parte do Estado, no que diz respeito às obras-primas que são produzidas pelas mãos hábeis do povo e que mostram a cultura, que sempre existiu e ainda se cultiva, e que tem origem em diferentes recantos do nosso País.
Quando se organiza um museu e se conservam os seus conteúdos para mostrar aos visitantes alguma coisa que vale a pena divulgar, é para se prestar um serviço ao próprio País e para honrar os feitos e as habilidades dos seus cidadãos. Para que no futuro exista material que vangloria quem os produziu e não deixa esquecer os antepassados.
Comecei por escrever que este erro do não aproveitamento do local encerrado e que aguarda que lá seja colocado, de novo, o mostruário que lá esteve em tempos, não é culpa apenas do actual responsável pelo departamento da Cultura, pois vem dos seus antecessores, mas algum exemplar de ministro tem de dar o primeiro passo, pelo que a pergunta a fazer é a quem se senta agora no cadeirão do lugar ministerial e, como a actuação dessa figura não se tem apresentado como muito produtiva, logo mais vale não deixar para o próximo Governo aquilo que já há muito devia estar feito.
Não há dinheiro, é verdade. Têm de se gerir os bens públicos com parcimónia, bom senso e sentido de opção, tudo bem apurado. Mas, com os Diabos, o Museu do Artesanato já tem edifício, é só limpá-lo e, por outro lado, também já existia o local onde sempre se manteve o Museu dos Coches e, perante a situação difícil que se vive neste momento, não era a época apropriada para se fazerem despesas com mudanças e arranjos para novas instalações. No entanto, essa extravagância já foi levada a cabo e para o que, sem grandes gastos, não se dá um passo, quanto a isso o Ministro da Cultura fecha os olhos.
É uma pequena coisa no meio da enormidade de acções que deveria ter sido tomadas em todas as zonas da governação portuguesa, admito. Mas por aqui se vê como a petulância daqueles que gerem o Executivo, estes agora e outros antes, não deixa que se debrucem sobre o que está à vista e nem se preocupam em ouvir as recomendações e até as queixas dos que são governados.
Então agora, com o calor que já se faz sentir e o cheiro a férias, não é de esperar que surjam agora demonstrações de eficiência daqueles que, penso eu, estão memo a adivinhar o ficarem sem emprego na próximas eleições.

domingo, 19 de julho de 2009

DESILUSÃO


Ilusões, todos as têm
é sinal de se estar vivo
esperanças que mantêm
e que provoca incentivo

Esperar por alcançar
algo que se tem em mente
e ter mesmo de esperar
todo o tempo pela frente

Quem espera sempre alcança
e o que nos salva é a fé
lá diz o sábio povão

Mas quem anda nesta dança
tem de saber como é
sentir a desilusão

JARDINAGEM EM CUECAS



Eu já tinha resolvido não me referir a esse homem que comanda na Madeira, pois os seus modos completamente totalitários, insultuosos perante tudo com que não concorda, mesmo quando terá razão, e demonstrativos de que abomina a Democracia, tudo isso, aliado a uma imagem que, dentro da estética, também não apetece observar, determinou que o ignorasse, pura e simplesmente.
Mas manda a verdade dizer que metermos a cabeça na areia sempre que surge alguma figura que agride os princípios fundamentais das liberdades mínimas é abrir-lhes campo de acção em que eles se deliciam e continuam a proceder dentro de comportamentos que têm, no mínimo, que ser rebatidos.
A última do homem que leva o nome de Alberto João Jardim e que se saiu agora com a declarar que a posição comunista, como partido político, deveria ser proibida no nosso sistema constitucional, alegando, e aí com razão, de que se o fascismo está contemplado nesse conjunto de leis básicas nacionais e é proibido, então também aquilo que ele considera ser o antagónico político, o comunismo, também não deveria ser permitido. É bizarro, totalitarista, mas não eia de ter lógica, embora reprovável.
Ora bem, como princípio de falta de liberdade de exercerem a sua crença política de todos os grupos que entendam praticá-las, é certo que não sendo autorizadas as que se situam num dos lados do panorama, então as outras, as que tomam acento na ponta adversa, também não terão razão de existir.
O que está mal, para quem acredita na completa liberdade de ideias, sejam elas quais forem, desde que sejam praticadas sem interferir na mesma liberdade de todas as outras, por mais contrárias que sejam, não existe razão democrática para não serem autorizadas nas sociedades que se dizem e são abertamente livres. E, no caso do Partido Comunista Potuguès, é fundamental não riscar da História que, durante o período salazarista, foi esta força, durante muito tempo a única, que lutou e sofreu por mostrar a sua actividade persistente contra o regime que vigorava.
Custa, de facto, assistir, em pleno ano 2001, a confrontos entre agrupamentos, políticos ou não, que se digladiam apenas porque pensam ou têm gostos antagónicos. São necessários muitos anos de prática democrática para se poder constatar que as populações cumprem basicamente as regras de aceitação dos pensamentos alheios. E o que se verifica passar-se, neste momento, na Irlanda, em que os cidadãos cristãos atacam os outros também cidadãos, mas protestantes, por não aceitarem a existência dessas gentes, essa atitude é, a todos os títulos, reprovável. E o Vaticano não deveria ficar calado perante estas demonstrações de mau comportamento.
Ora, pretendermos que Alberto João Jardim seja capaz de aceitar a existência de práticas políticas com as quais não concorda, é o mesmo que esperar que, na Madeira, se passe a viver, em todas as áreas, numa confortável convivência dos que aceitam os modos e os procedimentos do seu Presidente com aqueles que o consideram um bizarro ditador. Estes últimos são considerados madeirenses de segunda e terceira ordem e nunca com seguem levantar a cabeça na sua própria terra. Há que esperar como sucedeu com Salazar: por uma cadeira.

sábado, 18 de julho de 2009

SÓ, EU ESTOU

Mesmo acompanhado eu estando
com ruído à minha volta
quieto ou mesmo andando
no meio do mundo à solta
só, eu estou
assim me sinto
falando com meus botões
que são eles companheiros
de todas minhas paixões
que vivem nos meus galheiros

A pensar passo as horas
sem assim resolver nada
também tenho demoras
não serve alargar passada
só, eu estou
e precinto
os outros não têm culpa
por me verem isolado
nem serve minha desculpa
p’ra não m’olharem de lado

Se p’ra eu falar não falta
que eu tenha companhia
o que sobra é a malta
sendo muita m’enfastia
só, eu estou
no recinto
e olhando para dentro
p’ro fundo da minha alma
dessa forma me concentro
e me entra toda a calma


ERRARE!...



Se olharmos, com olhos de ver, para todo o mundo, temos de concluir que as asneiras que são feitas por aqueles que mandam não ocorrem apenas por cá. Onde há homens, para seguirmos a frase de origem latina (errar é próprio dos homens), logo surgem as más actuações. Portanto, isso não constitui um exclusivo dos portugueses e, especialmente, na época que atravessamos.
Veja-se o caso da Islândia que, nesta altura, se encontra em situação económica e financeira de declarada banca rota, isso depois de ter arvorado em exemplo para todo o mundo pelo salto qualitativo que tinha dado tempos antes. Agora, face à impossibilidade de se ressarcir do estado deplorável a que chegou, sempre tendo declarado a sua aversão quanto a aderir à Europa da maioria, veio mostrar que estavam enganados os seus políticos e resolveu, por consenso interno, pedir a adesão à União Europeia, esperando por aí, se for aceite o seu pedido, obter os auxílios de que tanto necessita, por forma a afastar a horrorosa crise que também ali faz das suas. Perante isto, se bem que o mal dos outros não nos provoque alegrias, sempre causa algum consolo no que diz respeito às asneiradas que por cá se praticam.
E a mais recente é aquela da ASAE, que foi criada por decreto em 2005 e que, em 2007, viu a sua actuação alargada pelo Governo, tendo sido atribuída competência policial criminal, com o uso de arma de defesa, tendo sido esquecida a necessidade da aprovação de tal medida pela Assembleia da República. Resultado: todas as medidas tomadas por esta instituição, de resto considerada necessária pela população, sempre que forem tomadas com as devidas regras de bom senso e sem violência, têm de ser anuladas pelos tribunais e isso não está fora de causa vir a suceder. É pena que os tais “homens”, que incluem mulheres, que participam nestas medidas de protecção da higiene e do da regras fiscais que se impõem, não levem em conta o mínimo da boa educação e utilizem meios e palavras que não são admissíveis mesmo em quem exerce funções de tipo policial. E é disso que toda a gente se queixa.
Mas, em resumo, o que se verifica é que o governo, agora este mas aplica-se a outros antes, não estude bem as medidas que resolve tomar, para não passarem pela vergonha de, tempo passado, ter de dar o braço a torcer e desfazer o que se empenhou em que ficasse feito.
Errare humanum est! – não nos cansamos de clamar. Mas bem poderíamos evitar andar sempre a repetir o mesmo.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

SOLIDÃO ENTRE MUITA GENTE


Andar pelo mundo
ouvir o ruído
mas bem lá no fundo
não ver o sentido
de tudo que passa
da gente que fala
da enorme massa
que nunca se cala
não ver os sentidos
daquilo que dizem
ter dor de ouvidos
sem ver se condizem
os sons que lhe saem
das bocas teimosas
parece que atraem
palavras folosas
com a vastidão
´é o que se sente
grande solidão
entre muita gente

ÁFRICA DEMOCRÁTICA!...




O Presidente Americano escolheu Gana como País africano para fazer uma visita. Lá teve as suas razões para ter escolhido esta Nação subsariana, que foi a primeira daquela região a obter a independência, e admite-se que o facto se deve a terem os seus antepassados saído daquela zona quando partiram para a América e por ter sido ali que se verificou o maior tráfico de escravos a serem enviados para o exterior.
O que importa, pois, nesta ocasião é na afirmação feita por Barack Obama de que acredita que a África pode vir a ser democrática. E talvez tenha fortes esperanças de que isso venha a suceder num futuro sabe-se lá quando.
É verdade que é importante termos confiança no mundo de amanhã para que se consiga atingir aqueles objectivos que muitos dos actuais cidadãos do mundo tanto aguardam, essa posição de optimismo provoca, pelo menos, um certo conforto. Mas há determinados passos na vida humana que precisam de muito forte convicção para que se façam afirmações que as circunstâncias não ajudam a que se tenha excessiva fé no seu cumprimento.
Plena Democracia em África, com povos que têm os seus hábitos enraizados em costumes tribais que não aceitam que os vizinhos pratiquem acções que não condizem com as suas, isso será muito apreciável, o que não poderá ser, admito, é que, assim de uma geração para a outra, seja tudo posto de parte e os indígenas passem a seguir normas de que estão completamente afastados.
É verdade que as migrações maciças que se têm observado nos últimos anos, fazendo com que milhões de naturais africanos partam para destinos distantes, antes obrigados pelo sistema da escravatura e nisso o Brasil foi um receptor privilegiado, seguindo-se depois os E.U.A., que essas saídas de África se tenham transformado depois em partidas desejadas pelos próprios, invadindo outras paragens mesmo à revelia dos países acolhedores à força, ao ponto de hoje existirem já milhões de descendentes dos naturais das diferentes Áfricas que hoje já têm nacionalidades várias, como sucede agora na Europa, lá isso é sabido. E Portugal não escapa à regra.
Tudo isso é certo. Porém, com excepção dos africanos letrados, que há bastantes e que não se distinguem dos de outras cores e em igualdade de condições, os outros mantêm-se enfeudados aos hábitos dos progenitores, vivem em regime de separação, formam clãs, guetos, bairros próprios e, com necessidade de ser exercida alguma repressão, como se vê ainda hoje suceder, para os tentar chamar ao convívio dos países onde agora habitam.
Por isso, muito embora Obama esteja a dar mostras de enorme boa vontade no sentido de tentar modificar alguma coisa que, no seu País, ainda não corre muito bem e de que o seu predecessor teve algumas culpas, no aspecto de aguardar que em África a autêntica Democracia seja praticada é uma aspiração que nem ele nem os cidadãos com a sua idade terão a sorte de contemplar. Talvez os netos ou bisnetos, nunca antes…

quinta-feira, 16 de julho de 2009

CONTENTE

Mesmo sem saber porquê
pois que tal não é preciso
é gostar do que se vê
e mostrar sempre um sorriso
contente,
contente
maravilha estar assim
sempre com ar de festim

Pode parecer doença
coisa física e mental
pois ter alegria intensa
lembra logo carnaval
contente,
contente
todos ao lado a chorar
quem ri a dissimular

Em época de tristeza
mostrar que é diferente
é p’ra já uma proeza
e que se anda a Poente
contente,
contente
será preciso inconsciência
ou deste mundo ausência?

Contente, contente
só com muita aguardente

PRESIDENTE PRECISA-SE...


A entrevista que Santana Lopes concedeu na televisão, agora como candidato à presidência do Município lisboeta, mostrou um político que não tem muito a ver com a ideia que dele se fazia quanto à sua personalidade. Pelo menos foi o que eu achei, admitindo, no entanto, que esta minha visão não coincida com a que todos os espectadores tenham retido.
Eu esclareço. Caiu bem que o candidato tenha afirmado que não iria fazer referências às actuações dos anteriores responsáveis da Câmara Municipal e, nesta sua presença, teve o cuidado de não agredir o outro concorrente, António Costa, assim como se absteve de criticar o presidente que o antecedeu quando ocupou aquele lugar e com quem, segundo parece, não mantém muito salutares relações.
Em resumo, pois: não sendo habitual assistir-se a comportamentos públicos dos políticos que não são capazes de se abster de fazer más referências às actuações dos que se situam em plataformas diferentes, tendo visto Santana Lopes, que, por sinal, ainda mantém a imagem de “Play boy”, mesmo já não se encontrando em idade para exercer esse cognome, foi agradável poder verificar que algo de diferente foi dado assistir no panorama político português. E, para além disso, não é possível esquecer que o então presidente camarário da cidade não foi capaz de solucionar o problema do Parque Mayer e deu um passo mais longo do que perna, tendo encarregado um arquitecto de nomeada, é certo, para efectuar o plano da reestruturação do local, o que custou uma fortuna, para tudo ter ficado em águas de bacalhau. Foi uma decisão apressada daquelas que não podem tomar os responsáveis por um lugar. Isso conta a seu desfavor.
Seja como for e como o que interessa é ter confiança sobre o que pretende fazer por Lisboa no lugar a que concorre nas próximas eleições autárquicas, a verdade é que não dei conta de que o seu programa ofereça completa garantia de que, nesta capital tão necessitada de intervenção para recuperar o mínimo de condições para nos dar a nós, alfacinhas, o mínimo de contentamento, o que me deixou foi a dúvida quanto à escolha que devo fazer na data eleitoral.
É certo que o actual detentor da presidência, António Costa, não mostrou, até agora, ter feito grande coisa para que a bela capital portuguesa tivesse dado já os primeiros passos para sair da modorra em que tem andado há imensos anos. Bem sei que se queixou sempre da debilidade financeira que se vive dentro da Autarquia e que não conseguiu obter a maioria de votos para lhe ser permitido efectuar os empréstimos bancários que considera essenciais. E sem dinheiro não é fácil dar grandes passos. Mas, perante outras opções tomadas, entre elas a das obras no Terreiro do Paço, estas que estão a ser realizadas, as quais eu considero não serem as correctas (e já há largos anos e por várias vezes as minhas preferências), há que levantar suspeitas sobre António Costa, se será ele a pessoa ideal para tomar as rédeas do poder alfacinha.
O panorama mostra, assim, duas escolhas possíveis. No caso do elemento socialista, mesmo tendo agora António Costa feito um acordo com Helena Roseta - o que não me parece grande escolha -, o problema também se liga ao resultado das eleições legislativas, sendo necessário saber se o Governo actual se mantém ou se haverá modificações e, nesses caso, o PS deixará de ser o partido prioritário (e o contario também se pode admitir, ou seja se for o PSD a vencer as legislativas as inclinações autárquicas também caiam no PS). É admissível pensar que, sendo LIsboa uma autarquia excepcionalmente importante, a mesma procure fazer a escolha ao contrário do que ocorre na área governamental.
Deixo aqui, portanto, uma chamada de atenção. Está em causa uma situação que muito interessa a todos e não só aos lisboetas. É a capital do País que se encontra a aguardar por uma mão de enorme capacidade imaginativa e operativa, por forma a recuperar a beleza natural que possui e tirando todo o partido da sua posição geográfica, com um belo rio a seus pés, as sete colinas a prestarem-lhe mudanças de fisionomia, uma Baixa que lhe foi deixada por um grande amigo da cidade, Marquês de Pombal, e os bairros antigos que, se se encontrassem noutra cidade europeia, seriam aproveitados em todo o seu esplendor, juntando o velho com a modernidade, como se encontra, por exemplo, nalgumas cidades italianas.
Eu tenho esperanças de que surja, ainda no meu tempo, um homem que seja possuidor da capacidade suficiente para dar a volta indispensável à nossa linda Lisboa.
Será Costa? Será Santana? Será outro? Aguardar e ter esperança é sempre o fado do lisboeta.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

COM LICENÇA


Deixem-me passar, tenho pressa
não tenho tempo a perder
é que eu fiz uma promessa
e não me quero abster.
Com licença,
com licença
abram alas, lá vou eu
quem não correu já perdeu

Tenho de chegar primeiro
outros que fiquem p’ra traz
que isso de ser ronceiro
não deixa ser-se sagaz.
Com licença,
com licença
não vou chegar atrasado
não tenho por isso agrado

Para mim pontualidade
até parece doença
e cheguei a esta idade
trazendo-a já de nascença.
Com licença,
com licença
de ter chegado são horas
não sou homem p’ra demoras

Até ao último dia
o relógio me comanda
ando sempre de vigia
e a pressa não abranda.
Com licença,
com licença
mesmo na hora final
eu serei bem pontual

DEPUTADO ONDE SEJA



Isto de ser permitido, dentro dos cânones legais, que um cidadão se candidate simultaneamente a mais do que um lugar sujeito a escrutínio eleitoral, da mesma maneira que qualquer pessoa pode responder ao mesmo tempo a diversos anúncios de emprego a ver qual deles sai e, se possível, a escolher entre aqueles que, por ventura, se mostrem disponíveis, tal atitude não tem classificação de mérito e merece, pelo contrário, a censura dos eleitores que têm de escolher na hora do voto.
E tanto é criticável aquele que se prontifica a participar nessa situação como o agrupamento partidário que acolhe, protege e divulga a referida disposição.
Pois foi exactamente esse caso, aliás mais do que um, que se apresentou ao eleitorado, com disposição de aceitar o cargo de deputado europeu como de presidente de uma Câmara Municipal. As eleições europeias já ocorreram e as municipais irão ocorrer. Vamos a ver os resultados.
Os políticos profissionais que temos por cá já conseguiram obter as piores classificações que são dadas pelos cidadãos aos que se alinham para ocupar esses lugares, mas, com esta atitude agora, ainda piora a consideração que lhes é atribuída. E os Partidos que dão acolhimento a essas disposições também não ficam bem na fotografia, pois representa uma protecção que não pode ser considerada como saudável, honesta e politicamente correcta.
Neste nosso País tudo tem sido feito, desde que a Democracia se implantou por cá, para denegrir a actuação dos cidadãos que optaram pela profissão, em “part” ou em total “time”, para poderem ter uma vida desafogada. Vale tudo! Desde que as condições de subsistência sejam muito melhores do que as dos cidadãos comuns.
Mas não podem os cidadãos fazer outra coisa que não seja suportá-los e, mesmo criticando as suas actuações, aspirar por obter idênticas posições. É isto o Homem. O que consegue alcançar uma actividade bastante lucrativa e o que, sem poder atingir tal posição, aspirar por lá chegar. E, enquanto isso, criticar…

terça-feira, 14 de julho de 2009

O MEU JARDIM

Que lindo é o meu jardim
Todo feito sem esforço
Com seu cheirinho a jasmim
E cavado sem remorso

Os gatos do meu vizinho
Vêm dormitar ao sol
Há odor de azevinho
E lá vai um caracol

As rosas quando florescem
Fazem esquecer os espinhos
Aqueles que as conhecem
Procuram-nas pelos caminhos

Buganvílias lindas são
E há-as de várias cores
Caem folhas para o chão
Mas são sempre os meus amores

A terra e o seu cheiro
Que o estrume agudiza
Preenchem cada canteiro
E refrescam mais a brisa

De manhã, de manhã cedo
Ouvem-se as avezinhas
Não posso mexer um dedo
Que não se assustem ‘tadinhas

Minha mulher cuida delas
Das ervas de cheiro, úteis,
O seu fim são as panelas
Não se diga que são fúteis

Com a pazinha de cabo
E o sachinho de furar
Lá se mandam p’ró diabo
Ervas daninhas danar

Os cactos que alguns não gostam
São afinal bem bonitos
Coitados, até se encostam
Aos que acreditam em mitos

Quando chega o fim do dia
Meu jardim é uma festa
Um melro co’a sua cria
Ao nosso enlevo se presta

Que lindo é o meu jardim
Não me canso de cantar
Se o perdesse, então sim,
Alguém me via chorar

RASGAR


Cá neste nosso País as modas pegam com excessiva facilidade. Então na linguagem, nesta que é a nossa e que merece muito mais do que a repetição de palavras que saem de repente da imaginação de um qualquer e que, de imediato, passam a ser repitas por tudo e por nada e sem atender ao sentido que as mesmas têm, isso tornou-se numa espécie de vício que, durante um largo tempo, são ditas e reditas, atingindo mesmo a exaustão e o ridículo. Por exemplo, essa do “digamos” que, por tudo e por nada, é acrescentada nos diálogos que são transmitidos, quer nas rádios quer nas televisões e sobretudo por individualidades, políticas e não só, que têm obrigação de não aderir a modismos tontos.
Agora, o que apareceu em todas as declarações que são feitas por figuras públicas, tantos as ligadas ao Governo como as que pertencem às oposições, sobretudo nesta altura do PSD, desde que Manuel Ferreira Leite declarou que não iria “rasgar” decisões tomadas pelo PS depois das próximas eleições legislativas, esse verbo serve para encher a boca de todos os que, agora então ainda com mais frequência por motivos do período em que se sobressaem as declarações eleitoralistas, não querem ficar atrás uns dos outros e todos utilizam a palavra para defender os seus pontos de vista.
Que pena que isto aconteça e que seja tão mal tratada a língua portuguesa por aqueles que, não se contentando em actuar mal na política, pertençam a que partido pertençam, estendem a sua participação naquilo que lhes competia defender com unha e dentes.
Olhem lá, senhores políticos profissionais: esta de se ter descoberto que os cadernos eleitorais se apresentam bastante falseados, sendo verdadeiramente assustador que surjam repetições de nomes do mesmo eleitor e que façam parte dos cadernos imensos outros que já não se encontram no número dos vivos. Isto dá bem ideia de que, afinal, pertencendo Portugal ao grupo de países europeus que devem estar perfeitamente actualizados com todos os elementos que se utilizam nas autêntica democracias, o que sucede é que bem podemos ombrear com as nações em que, até de propósito, os eleitores que são considerados para considerar nos poderes uns tantos ditadores encapotados, ao fim e ao cabo, só existem para ser utilizados para falsear os resultados.
É evidente que o que se verifica aqui não tem tal intenção. É apenas provas de incompetência, de trapalhice, de falta de rigor por parte dos serviços públicos que temos por cá. E conforme acontece isto…

segunda-feira, 13 de julho de 2009

ONDE ANDAS TALENTO?


Quando acordo cada manhã
e realizo que tenho mais um dia
para fazer o meu papel
de estar vivo
e, a pouco e pouco,
vou despertando, sem vontade de me mexer
então, confronto-me
com a realidade,
não é mais um
é um a menos
se contar, como é natural,
o que ma falta, na caminhada
e não o que eu já percorri.
Então, perco toda a vontade
de me meter ao caminho
pois é uma estrada que eu já conheço
onde transito todos os dias
e em que aspiro
encontrar o que nunca me apareceu.
Nesse trajecto
repito o exercício de escrever
na esperança de que
na ponta da caneta
me surja essa tão desejada
personagem que,
ao longo se tantos anos,
não há forma de vir ter comigo.
Mas eu teimo,
no fundo acredito que mereço
esse encontro,
quanto mais não seja
pelo tempo que tenho dedicado a essa busca,
pelo exercício permanente
que absorve as minhas energias mentais
e porque, apesar de tudo,
confio na sorte,
se tiver tempo para esperar.

Quando desperto pela manhã
passa-me tudo isto pela cabeça
e o desconsolo toma conta de mim
sem que transmita esse sentimento a ninguém.
É demasiado íntimo,
é excessivamente ridículo
para ser comunicado.
Não é entendível pelos outros,
porque consideram
que é um descontentamento vaidoso
porque interpretam a minha revolta como uma
demonstração de injustiça.
E talvez seja.
Afinal, quem levou uma vida
a tentar construir uma distinção,
quem sempre sonhou com o reconhecimento alheio
ao não ter encontrado o essencial
não pode andar conformado.

Onde andas tu, oh grandeza?
Por que não entras em mim, oh talento?

CASTIGO


Já não bastava a maldita crise, que apanha com todas as culpas para tudo que de mal acontece na área económica, financeira e social, e eis que invade o mundo outro emplastro, desta vez na área da saúde dos cidadãos, a gripe A, que, alastrando todos os dias e atacando por todo o mundo, irá, segundo os que dizem que sabem, agredir ainda mais lá para os princípios do Outono, isso no nosso País.
Todos os dias, em Portugal, se anuncia mais algum acréscimo no número de atacados pela sorrateira maleita, tendo-se chegado nesta altura já a um número que se aproxima da centena. E as recomendações médicas vão no sentido de que, ao mais pequeno sinal, os atacados devem permanecer em casa. O que se compreende.
Porém, conhecendo-nos como nos conhecemos, está-se mesmo a ver que o portuguesinho da silva vai começar a espirrar nos empregos, que é como quem diz, avisar que no dia seguinte não vai comparecer, pois não quer contagiar os colegas… E até pode ser verdade, mas, desconfiados como somos, podemos bem duvidar da verdade de tais sintomas.
Seja como for, o problema que se apresenta para aqueles que têm crenças religiosas é o de que estamos perante um problema que nos leva a admitir que o mundo se encontra numa espécie de posição de castigo pelos pecados que tenha cometido. Ter-se chegado a esta situação tão calamitosa para os habitantes terrestres, tudo ao mesmo tempo, poderia levar a que as mais altas figuras das diferentes posições de culto se propusessem a levantar as mãos para os Céus e, cada um por seu lado, implorasse clemência às Divindades da sua área.
È que, todo o panorama que se apresenta aos mortais de hoje, acrescido das atitudes violentas que ocorrem por autoria dos inúmeros terroristas que, cada um com a sua causa, provocam mortes todos os dias nos mais diferentes sítios do Globo, para não se falar já dos terramotos, como aquele ocorrido recentemente em Áquila, na Itália, tudo isso já é demais para a população que, neste século XXI, já tem a dose que chegue de contratempos.
O que vale é que os cidadãos do mundo, pelo menos os que se encontram a viver em zonas tidas como desenvolvidas, já se habituaram aos noticiários de tristeza que a Informação moderna divulga. E já ouve as novidades sem grande preocupação. É todo uma questão de hábito!...

domingo, 12 de julho de 2009

MORREU O "REI"





A morte, seja de quem for, não merece, certamente, a alegria de ninguém. É uma situação que sucede a todo o ser, a que ninguém escapa e, vistas bem as coisas, até é necessário que isso aconteça, pois que, conforme se está a verificar nas contas que se estão a fazer, a população mundial já excede alguma coisa aquilo que deveria ser o razoável, no sentido de ocupação de espaço, de consumo de bens de primeira necessidade, sobretudo da água, e, no caso das migrações, das mudanças de local, deixando vazios zonas em que se verificam vazios e sobrelotando outros em que já não cabem.
Mas, não é propriamente deste tema que vou tratar neste texto. É sobre a morte de um artista americano, sem dúvida com largas camadas de “fãs” espalhadas por todo o mundo, e de que se levantam até grandes dúvidas sobre a forma como se passou, mas que, desde que isso aconteceu já há tempo suficiente para deixar de ser notícia, não deixou de ocupar espaços em tudo que é elemento de divulgação, incluindo as televisões que se espalham por todo o espaço terrestre. Todos os dias, a todas as horas, lá surgem comentários, opiniões, situações já conhecidas e outras ainda em fase de novidade que se referem ao homem que, durante a sua existência, pela excentricidade da sua actuação se tornou figura apreciada e, digo mesmo, idolatrada por uma enorme camada de gente. Trata-se, está bem de ver, de Michaael Jackson.
Pois bem, pode haver multidões que tinham pelo intérprete musical de um estilo muito peculiar enorme paixão e que não se conformem com o seu desaparecimento da Terra. Ninguém tem nada a criticar quanto a isso. O que será pena, lá isso será, que outras figuras que mereceram o mesmo ou mais no capítulo de idolatria, por feitos que, mesmo não sendo comparáveis, não será descabido, ao colocá-los na balança dos préstimos ao mundo, que sejam considerados como tendo sido de muito menor importância do que aquele que, nesta altura, se encontra no alto de uma espécie de altar dos famosos.
Está-se mesmo a ver que, da minha parte, não existe uma apreciação fora do comum no que diz respeito ao artista Michael Jackson. Será por falta de gosto que tem de me ser atribuída. Não discuto. E, no que respeita a maiorias, eu nunca defronto aqueles que pensam de forma diferente da minha. Por isso, contra a barulheira que é feita à volta dessa personalidade, eu me fico por este humilde blogue que não tem audiência que valha a pena levar em conta.
Mas, independentemente da sua forma de vestir – tal, como por cá, existe quem se mostre assim -, da sua maneira de cantar e de dançar, o que me levou sempre a não poder ser compreensivo com o artista, foi a repugnância que mostrou ter pela cor natural da sua pele, querendo ser branco à força, para o que usou todas as formas que a ciência ainda pode servir, atitude essa que, perdoem-me, não pode ser encarada com bonomia.
Temos de aceitar abertamente aquilo que a Natureza e as circunstâncias nos destinam, em termos de raça, cor, nacionalidade, etc., dado o restante, isso sim, é possível modificar através da educação, das preferências religiosas e até da formas de ser, do caminho na vida que entendemos ou podemos adoptar.
Esse o motivo por que nunca achei grande graça ao falecido Jacky.

sábado, 11 de julho de 2009

FILIPA VACONDEUS



Não sei se me fica bem escrever sobre este assunto. Mas também não dizer nada quando sou eu próprio que assisto à enorme popularidade que a minha própria Mulher alcançou com o seu livro que acabou de ser publicado e já vai na quarta edição, com “tops” de venda em tudo que são centros comerciais e antes até de chegar às livrarias normais, não fazer uma só referência no meu blogue pode parecer que não estou de acordo com esse acréscimo de reconhecimento público que lhe é atribuído, pois com este livro já é o décimo de que é autora.
Esta edição, que tem o nome de RECEITAS LOW COST, trata de exercer a arte da cozinha com o menor custo possível, pelo que não podia estar mais adequado às dificuldades que se atravessam neste momento, quer em Portugal quer em todas as partes do mundo. O lançamento do livro ocorreu há dias no El Corte Inglês, onde esteve muita gente e foi um agradável momento de convívio.
Não vou, obviamente, alongar-me numa referência mais pormenorizada a esta obra que, na verdade, está primorosamente editada. Mas não podia deixar de, aos meus leitores, prestar-lhes esta indicação. Se eu dedico grande atenção ao que me rodeia e a crise que se atravessa constitui uma das preocupações, não poderia, repito, passar em branco no que diz respeito ao trabalho notável da autoria de Filipa Vacondeus.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

LUSOFONIA

Parte de um poema de 10 cantos, bastante longo, com o título LUSOFONIA, que será divulgado logo que existam condições para o mesmo poder chegar às mãos dos portugueses, mais tranquilos e depois do calamitoso momento que se vive nesta altura
Canto IV (parte)

Depois de bem lançadas as amarras
das nossas naus por esse mundo afora
sendo acompanhados por bandarras
em que poucos pensavam vir-se embora
a língua ia criando raízes
que essa não custava infiltrar
podendo ir servindo de matrizes
daquilo que queríamos deixar

Era essa ao menos a esperança
não nos podia faltar o engenho
já que tínhamos feito tanta andança
havia que tomar tal com empenho
pois era o que estava mais à mão
ou seja, na ponta da nossa língua
e ao mais novo ou ao ancião
do nosso falar não havia míngua

Com tanto século bem pela frente
o futuro podia esperar
não era preciso ser de repente
a fala lusa tinha de entrar
tal como a música só de ouvido
que o escrever só mais tarde ia
se é que não caíra no olvido
dos navegantes, da maioria

E Deus, como Luís de Camões disse
ajudaria a levar tal tarefa
mesmo parecendo uma tolice
algo mais seria que sinalefa
levar a língua a distante espaço
e deixá-la plantada em terreno
onde desfloraria com cansaço
tendo que ser dado tudo em pleno

Se tal esforço préstimos traria
ninguém pensava então em resultados
nessa altura o que se conseguia
era muito e era que os achados
soubessem quem éramos e trocassem
mútua compreensão e favores
por muito que no fundo conservassem
a troca de sinais com seus tambores

O necessário era falar
a preciosa forma de entender
não constituísse nunca um faltar
nas relações que havia que acender
e para isso o ensinar faltava
a Cruz de Cristo seguia à frente
e o caminho virgem desbravava
pondo em comunhão lá toda a gente




SANTANA AÍ VEM



Santana Lopes, na sua qualidade de candidato à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, nas próximas eleições autárquicas, já surgiu a afirmar que vai levar a peito a intenção de construir o novo túnel da avenida Fontes Pereira de Melo, para completar a ligação ao outro túnel que sai no Marquês de Pombal.
Não ponho em questão se esta obra é necessária ou não. O que pergunto, da mesma maneira que apresentei a mesma dúvida aos grandes empreendimentos que Sócrates defendia com tanto ardor – agora, entendeu deixar tais iniciativas para o próximo Governo, o que é de aplaudir -, é se o Município lisboeta dispões de fundos suficientes para se meter em tamanhos gastos, pois é sabido que os últimos responsáveis principais da Câmara deixaram a tesouraria exangue e tanto é assim que se levantaram lutas quanto ao pedido de auxílio bancário, o que só foi conseguido em parte.
No que se refere a este candidato que pretende repetir uma experiência anterior que não lhe saiu bem e todos nos recordamos do caso do Parque Mayer, em que o o projecto foi entregue a um arquitecto americano que, por muito competente que seja – e é, para além de promotor de nomeada daquilo em que se mete -, faz-se pagar principescamente e não tem de saber se, em termos oficiais, o terreno em causa está disponível para a obra ser executada – e não estava, pelo que tudo se encontra no estado em que se arrasta há imensos anos.
Também, quanto a Lisboa, os trabalhos que estão a ser escutados no Terreiro do Paço, por muito necessário que sejam – e não está provado que sejam estas as que mais serão indicadas para o local em causa -, não podem os lisboetas deixar de perguntar-se se não seria mais lógico que se começasse por arranjar os pisos das ruas mais movimentadas, pois os solavancos e os estragos nas viaturas não podem continuar por todos os motivos.
Afinal, quer seja no Governo quer na presidência da C.M.L., aquilo a que se assiste é a não serem atendidas devidamente as opções no capítulo de serem colocadas por ordem de urgência as obras que serão precisas. É um mal que vem de longe e que os nossos políticos parecem querer repetir sucessivamente. O que importa é o que dá mais nas vistas e não o que se torna inadiável para o conforto e o bem-estar dos cidadãos. Aguentemos, pois!...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

MILHÕES DE EUROS



Cinco milhões de euros ganhos em meia-hora é obra! Nem o Ronaldo consegue tamanha proeza. É necessário ter imensa habilidade, ser prodigioso, um verdadeiro artista para alcançar tal proeza. Mas, afinal, por cá, por este País de pelintras, isso é possível. E quem sabe não deixa que outros façam o mesmo. É um exclusivo, uma artimanha que apenas os beneficiados de alguma coisa conseguem. Vamos lá explicar:
Primeiro é preciso ter um lugar de destaque numa instituição que pertence ao Estado e que pode ser, por exemplo, a organização dos CTT; depois é necessário possuir influências, para poder exercer certo tráfego nesse ambiente e se for militante de um partido que tenha destaque na política, pois ainda melhor. E, se puder contar com companheiros que ajudem na execução de um plano bem elaborado, então a coisa tem todas as possibilidades de resultar em cheio e de escapar a investigações que, por ventura, possam surgir posteriormente, dado que, se for o conjunto de participantes todos ele formado por gente bem colocada no meio público, então as eventuais consequências de acusações que venham a ser feitas, as mesmas não terão condições para levar por diante qualquer processo que acabará por se perder na complicada teia jurídica.
Estou mesmo a entender a pergunta que bailará na boca de alguns que leiam este escrito: e como é que isso pode ocorrer? Muito fácil, digo eu. Pois escutem: essa instituição que pertence ao Estado, através do conjunto de administradores entende vender um edifício bem situado, de valor indiscutível e de fácil colocação no mercado. Sem efectuar aquilo que é o normal, parece até que o obrigatório, como seja abrir um concurso público, efectua essa venda a um comprador já antes definido e faz um preço que está longe de corresponder ao montante que lhe deve ser atribuído. Muito menor. Pois, sem deixar arrefecer a situação, esse comprador combinado, meia hora depois efectua, por sua vez, a venda do mesmo prédio a outro interessado, só que o produto agora da venda é de muitos milhões acima do que fez parte da escritura realizada no mesmo cartório que ainda está quente da operação anterior.
Com isto, tão simples, os vários milhões da diferença têm, naturalmente, que ser repartidos por vários intervenientes que deram possibilidade ao negócio.
Houve alguém prejudicado no meio de toda esta trapalhada? Traduzido em pessoas físicas conhecidas, não. Porque quem perdeu tem o nome de cidadãos portugueses. Contribuintes. E esses só tem voz para se defenderem e mal dos ataques ferozes das Finanças e de grande número de organismos estatais que não perdoam ao povinho comum.
O que não vale a pena é tentar imitar este tipo de acções, pois só os privilegiados é que têm direito a estas roubalheiras.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

VERSOS LIVRES


Aqui estou eu à frente do papel
à espera que a inspiração me chegue
olhando para a rua a ver passar
aqueles que não olham para a folha
em branco à espera de estar cheio
de letras, de palavras e de versos

Serão felizes esses que não puxam
por um génio que não lhes faz falta?
Quem sabe se não seria melhor
conhecer tudo sobre o futebol
preocupar-me só com o meu clube
e andar em dia com o jet-set?

Se fosse assim, poemas não fazia
e descansava quem viesse a ler
todos os versos livres e bem livres
porque de rima mesmo nada têm
e a cadência é o que lhes resta
mas mesmo assim encheram o papel

DESEMPREGADOS



Já era esperado que Manuel Pinho não ficasse desempregado, depois de ter pedido a demissão ou fosse obrigado a aceitá-la, após a cena ocorrida na Assembleia da República. Isto só vem provar que o que proporciona boa vida aos políticos não é propriamente o exercício dessas funções, onde até, na verdade, os ordenados que auferem não são nada que escandalize, mas que, após terminar a passagem pelos Governos, lhes caiam aos pés situações que, “por acaso”, constituem autênticos manas no que diz respeito às condições proporcionadas.
Lugares em bancos, em companhias que, no exercício anterior das suas funções, beneficiaram de alguma atitude que lhes proporcionou posições lucrativas de monta, uma panóplia de ofertas que têm de ser bem pensadas para ser escolhida a melhor, tudo isso faz parte do pós-Governo em que participaram os despedidos de funções ou que tenham tomada essa iniciativa por sua vontade.
Isso acontece agora, sucedeu ao longo de todos os Executivos e não só pós Revolução, mas era uma prática que vem do tempo da outra senhora, e seguramente que continuará a verificar-se pela vida política fora. Então, vão os homens renunciar à ginja sobre o bolo que lhes é oferecida sempre que deixam um lugar onde, digam lá o que disserem, se não fizeram favores de moto próprio, pelo menos criaram a ilusão de que isso sucedeu?
Claro que nem tudo são rosas. Pode acontecer que situações ocorridas antes venham a trazer amargos de boca tempos mais tarde. E não é por isso que o caso Freeport está a dar tanto que falar no período que atravessamos?
Mas, de facto, o mais vulgar não é isso, mas sim o contrário, ou seja ser alvo de ofertas de posições que, por vezes, se acumulam, tendo apenas que marcar presença e não exercer funções efectivas, o que é até o ideal, dado que as remunerações não falham.
Falar a essa gente de crise, de reformas que não chegam nem para pagar a renda da casa e muito menos para a farmácia e até para comer decentemente, é como contar-lhes uma história de fada má, pois nunca a vida lhes correu tão bem como nas condições em que se encontram. Joe Berardo, que andava à procura de um administrador da sua Fundação, nem hesitou. Tinha de fazer a oferta antes que outro empresário se antecipasse. E, pelo menos por antecipação, já ganhou!...