terça-feira, 31 de março de 2009

Os violentos, os corruptos,
os desonestos
e todos os que têm voz
gritam e assustam
Mas, e os mudos?
Esses, não se dá por eles

BOTAR FALADURA


As vezes que José Sócrates surge, perante as câmaras de televisão, a “botar faladura” – que outra forma não será fácil de encontrar para reproduzir as intervenções que o primeiro-ministro faz a pretender explicar aquilo que, tratando-se de propaganda da sua actuação na política, constitui o motivo por que deixa o seu gabinete e se dispõe a comparecer em público - todas essas vezes excessivas mostra o seu estilo que, como aqui tenho afirmado com frequência, é cansativo, quanto mais não seja dada a forma que utiliza de querer mostrar-se sempre sabedor e competente no que respeita à actuação do seu Governo.
Mas, enfim, cada um explica-se como julga ser a melhor maneira para transmitir aos outros as suas teses, só que, quando se ocupa um lugar de destaque e com enorme responsabilidade política, como é o caso, se for necessário até deve aconselhar-se com profissionais do discurso e ouvir as críticas que são feitas e os conselhos que surgem de diferentes lados.
Em resumo: o político Sócrates não tem habilidade para expor as suas razões na praça pública e, cada vez que teima em surgir nessa condição, só aumenta a repulsa que os portugueses já sentem por ele. E não o escondem. Muito embora, não me canso de o afirmar, não esteja à vista ainda uma alternativa governamental ao que se encontra no poder. E esse é o verdadeiro problema!
Mas não é apenas a figura de Sócrates que tem fartado os cidadãos portugueses de ouvir e de ver. Logo a seguir, mas com um ar que se pode considerar mesmo humorístico, vem o responsável pelas Obras Públicas. Mário Lino, aquele que garantiu a todo o País que o novo aeroporto da capital teria de ser localizado na Ota e não poderia ficar situado na outra margem do rio Tejo. Todos nos recordamos do já célebre “jamais” e da garantia dada pelo mesmo de que, nesse lado, só havia deserto! E o resultado está a ser visto. Como se nunca tivesse aberto a boca em relação àquela localização, agora garante que é Alcochete o local ideal. Outra "faladura".
E, também os concursos do TGV e da nova ponte sobre o Tejo, que estão já na forja para serem lançados, só por pertencerem ao sector comandado por aquele membro do Governo entram na linha dos projectos que levantam as maiores desconfianças, no que diz respeito a custos, a prazos e às localizações. É que, no total, se trata de um investimento da ordem dos 10 mil milhões de euros e, por isso, não podem – ou não devem – ficar sob a alçada de um governante que diz e desdiz com a maior facilidade. Isto, para não falar já na inconsciência de se pretender, nesta altura particular de enormes dificuldades financeiras, estar a esbanjar dinheiro que, todos temos de saber, vai faltar dentro de pouco tempo. Quem ouviu ontem, na televisão, o economista e antigo ministro Silva Lopes, fazer o retrato do que nos espera em Portugal, de, dentro de pouco tempo, não se poder fugir aos cortes nos salários, porque a dificuldade que se enfrenta já nos empréstimos oriundos do estrangeiro, não só às empresas como ao próprio Estado nacional, isso não retira dúvidas de que o que vem aí é aterrador.
Até por isso, não posso deixar de me referir ao ministro da Justiça, Alberto Costa, que tão mal tem gerido a pasta que, segundo as acusações que surgem de todos os lados, tem cumprido desastradamente o que deveria funcionar como um relógio, e que, como se estivéssemos a navegar no mar das maravilhas, fez uma visita, dita “profissional” à China e a Macau, para efeitos de “regulação dos serviços jurídicos e assistência à mesma”, pelo que teve conversações com a sua homóloga chinesa para “fazer o ponto da situação dos acordos existentes entre os dois países”!...
Estão enganados aqueles que supõem que Alberto Costa, com as eleições à vista e não sabendo se se vai conservar naquele lugar, entendeu por bem efectuar esta visita que, por mais que queiram afirmar o contrário, não se podia tratar de outra coisa que não fosse um aproveitamento ainda a tempo das mordomias ministeriais que uma viagem deste tipo lhe proporcionaria.
E Sócrates a ver e a consentir. Deve-lhe ter dito: “Vai lá rapaz. Aproveita agora porque o depois ninguém pode garantir”. E como foi em chinês que “falaram”, por cá ninguém pode saber o que disseram e o que combinaram!
Pois é isto que sucede neste pobre País, que cá se vai embrulhando, mesmo muito mal, com a crise que não nos larga, mas com muitas "faladuras"...

segunda-feira, 30 de março de 2009

SER HOMEM

É preciso ser Homem
mas só isso não chega
é fundamental ter sentimentos
e usá-los
senti-los
transmiti-los
gostar do sol
da chuva
do vento
da lua
ter um ideal
e lutar por ele
defender o ambiente
e conservá-lo para o futuro
pensar nos que virão
e que vão herdar aquilo que lhes deixamos
não ser egoísta
respeitar os vizinhos
todos
os da rua
os do País
os do mundo
saber falar, mas, sobretudo
saber ouvir
pensar no que faz
e no que não deve fazer
e se fez e foi mal
arrepender-se sem receio
de mostrar o erro

É preciso ser Homem
mas de cabeça levantada
e consciência tranquila

Haverá quem seja assim?

EU


A 19 de Março
nesse mês de Primavera
sou Peixes e não disfarço
nasci eu, nasceu a fera

Foi na década de trinta
já lá vão bastantes anos
muita coisa já extinta
belezas e desenganos

Lá nas Caldas da Rainha
minha mãe me deu à luz
só não fui um alfacinha
era essa a minha cruz

Desigual de muita gente
não subi no pedestal
talvez roçasse a tangente
mas nada de genial

Escrita e poesia
pintura também saiu
música eu bem queria
mas tal não me acudiu

Sei o que é ser conformado
com o patamar que tive
menos mal por ter chegado
ao alto de um declive

Afinal e em resumo
perto de chegar ao fim
há que dizer com aprumo
eu nunca gostei de mim




NOMES DAS RUAS


Uma forma que ainda temos em Portugal de prestar homenagem a cidadãos que se salientaram no bom sentido do resto da população, ainda é o de ser dado o seu nome a uma rua no local mais adequado para essa referência. E, verdade seja dita, há sempre algum motivo que justifica essa recordação feita através de uma placa na esquina da rua escolhida.
O que se verifica, porém, não é tanto isso, pois, com excepção talvez das terras da província, onde a população e os municípios vivem perto dos homenageados, ainda em vida ou já depois do seu desaparecimento do mundo dos vivos, no que se refere às cidades esse gesto já é menos frequente, não se sabe se por ausência de conhecimento da existência de habitantes nesses centros ou se por desinteresse em reconhecer figuras que merecem ou mereceram ser recordadas nas placas identificas das avenidas, ruas e até travessas. Então, nos bairros novos, é vulgar encontrarem-se locais identificativos das residências dos locatários com a designação de rua A ou rua B, e por aí fora, quando há tantas personalidades que justificam plenamente que, pelo papel que desempenham ou desempenharam, têm jus a que sejam recordadas, pelo menos através daquela indicação do nome do local público.
Lisboa, deveria dar o exemplo neste particular. Não sei se a preocupação em atribuir nomes a novos arruamentos ou a antigos que ainda são conhecidas por denominações sem sentido ou sem razão de ser pertence a alguma departamento especial ou mesmo seja uma atribuição dos vereadores. Seja como for, o que deveria existir era a possibilidade de os próprios munícipes se dirigirem à Câmara Municipal de Lisboa, não só com propostas relacionadas com este tema como com ideias de outras espécies, isso no sentido de terem oportunidade de mostrar a sua participação e de contribuirem para os serviços municipais com ajudas que podem ser preciosas.
Esta mania, que tem o seu cúmulo nos Governos que temos tido, antigos e mais modernos, de não dar a oportunidade aos cidadãos de fazer ouvir as suas vozes, mesmo sabendo-se que, em muitos casos, as opiniões que são expressas pelo povo em geral não têm condições para serem atendidas, mas, com esse costume de auto convencimento dos governantes os cidadãos vão-se desinteressando de contribuir para o bom caminho das governações, sejam elas quais forem.
A acção das Juntas de Freguesia, já aqui referida em blogue anterior, seria da maior importância para colocar os munícipes com a ideia de que as suas propostas seriam sempre bem acolhidas e seguidas na medida do possível.
Mas esta ideia de abrir os ouvidos e prestar a maior atenção ao que a população tem para alvitrar acerca de muitos assuntos em que as ideias oriundas dessas bases podem ter grande significado, tal forma de aceitar o comportamento democrático sem restrições é coisa que ainda se encontra muito distante da forma de actuar dos que têm o comando nas mãos, mas que não devem fechar os olhos e os ouvidos às opiniões dos que, em certos casos, sabem mais.

domingo, 29 de março de 2009

TER FÉ


Quem me dera ter tal fé
E crer naquilo que fosse
Mesmo no que não se vê
Crer no fel e crer no doce
Crer no Céu e no Inferno
Crer no depois de amanhã
Acreditar no eterno
Tê-lo como talismã
Ser dono d'uma esperança
Ao horóscopo dar crédito
Não deixar de ser criança
Sem pretender ser inédito !

Tenho falta desses creres
Pois não sei o que isso é
Nunca senti tais prazeres
De idolatrar, de ter fé
De pedir e ser ouvido
Por deuses, santos, beatos
De, no fundo, ter sentido
Que não serão uns ingratos

Aqueles que sem querer
Por mais esforços que façam
Mantêm o seu descrer
E vivem tempos que passam
Mesmo se lhes toca a sorte
E a vida lhes sorrir
Como nada, nem a morte
Os poderá corrigir
Esses, uns pobres coitados
Que, como eu, se fartaram
E nunca foram bafejados
Porque nunca acreditaram
Nem no após, nem no final
Dizem que é falso, isso sim,
Que o que é, de facto, um mal
É crer que nada tem fim

E quando tudo se finar
Se, afinal, há outra vida
E há outro caminhar
Por estrada indefinida
Que devem fazer então ?
Quem lhes poderá valer ?
Se não merecem perdão
Nem sabem a quem se ater.
Lá nos fundos do Inferno
Também não estranharão
Por mais que seja eterno
Esse lume em que arderão.

Isso porque cá na vida
Neste mundo tão ingrato
Onde falta peso, medida
Não passou d'um curto acto,
Se se sofreram agruras
Dissabores, ingratidões
Se foram tais as torturas
Os desgostos e empurrões
Qu' importa que, no final,
Haja outra via a seguir
Pois já conhecendo o mal
Tanto faz que o porvir
Venha a ser o mais dramático
Em que se possa cair.
Isto para se ser prático !

Mas os que cá neste mundo
Não têm razões de queixa
Que no fundo, lá no fundo
Não gostam que algo mexa
Esses serão uns bons crentes
E adoram divindades
Por isso são tão tementes
De um fim com atrocidades
Quererão que se prolongue
O que por cá disfrutaram
Se eternize e se alongue
Tudo aquilo que gozaram

Têm razão os coitados
É triste perder favores
Que gozaram aos bocados
Quer em moeda ou louvores
Só pensar que deixam tudo
Quando entrarem no caixão
Que à volta se queda mudo
E só lhes resta o perdão
Se é que há quem os desculpe
Dos erros que cá fizeram
Os admoeste ou os multe
Pelo amor que nunca deram
E se assim for, desgraçados,
Pouco serve arrepender
Estarão amaldiçoados
Não há forma de volver !


Fica assim, pois, a questão
Por fim haverá Além ?
Dizer sim ou dizer não
É verdade de ninguém
E a dúvida persiste
Terra não pára por tal
Dum lado há quem insiste
Que se vive em grande mal
Que é pecado ser descrente
E não aceitar o depois
Como o que tem ponto assente
No que só crê dois mais dois
Não tem de ser castigado
Não tem culpa de pensar
De querer esmiuçado
De não poder aceitar.
Os mistérios insondáveis
Que os homens ainda inventam
E que são tão contestáveis
Qu' aqueles, mesmo os que tentam,
Não conseguem enfronhar
Porque a razão não os deixa
Porque insistem em pensar
E sempre há razões de queixa

Em plena dúvida, então
Por que caminho vou eu ?
Se me fizeram cristão
Como poderia ser judeu
Ter Allah como profeta
Ou ser seguidor de Buda
Qualquer que fosse a meta
Não sei se teria ajuda
E por aqui concluo
Que morrerei sem saber
Se afinal eu usufruo
Do direito de não crer

Haja então o que houver
Sendo ou não um pecador
Que seja o que Alguém quiser
Que possa ser julgador
Pois se, enfim, houver um Deus
Que é um todo poderoso
Que ama mesmo os ateus
Terá de ser generoso
E os que buscam certezas
Esses mais razões terão
Para justificar as fraquezas
E merecer um perdão

Sem querer ser prognóstico
Nem poder vaticinar
Resta-me ser agnóstico
E com paciência esperar

Ou será, por mais que insista
Em luta mesmo comigo
Que acabo por ser deísta
Como recurso ou abrigo ?

Nesta ânsia de saber
Faça aquilo que fizer
Já não me chega entender
E seja o que Deus quiser !

PRESERVATIVO



Isto de se andar a falar, por tudo e por nada, do uso do preservativo, chegando-se ao ponto de ser o próprio Papa a referir que não aprova tal utilização, leva a que se admita, de forma bizarra, que esta questão se transforme num problema que deve preocupar toda a humanidade e de que os seis mil milhões de habitantes do Globo tenham de pensar duas vezes sempre que dois seres têm ocasião para praticar uma vulgar união sexual, ou seja, se devem seguir as indicações papais ou se, pelo contrário, é cada um que decide sobre a forma de querer procriar ou, simplesmente, pretende apenas aproveitar os prazeres que as relações humanas propiciam.
É verdade que o Papa não será a entidade mais indicada para fazer este tipo de recomendações. E nem vale a pena referir os motivos por que entendo emitir esta opinião. Nem Sua Santidade, nem Suas Eminências os Bispos e, por aí abaixo, mesmo os Padres. E está bem de ver a razão desta afirmação. Que chamem a atenção para os graves riscos dos seropositivos transmitirem a sua condição de portadores da sida a terceiros e que, através desse aviso, procurem diminuir a propagação de um mal que tem vindo a ser espalhado, especialmente nos meios menos esclarecidos e mais pobres da Terra, como acontece em África e noutros continentes de igual menoridade intelectual e financeira, que seja esse o propósito só é louvável que seja feito. Mas, como é evidente, não será através da recriminação do uso do preservativo que esse objectivo será conseguido.
O Papa, portanto, cometeu um erro humano. E é pena que tenha entrado por esses caminho, de tal forma que até súbditos do seu esquema eclesiástico, como Bispos, surgiram a público opinando de forma não coincidente, até quando apresentaram razões e desculpas, um pouco “esfarrapadas” para que a contradição não surgisse como uma desobediência ao que vinha de cima.
É um facto, que só a fé muito introduzida não leva em linha de conta, que são os homens que, seguindo a sua vocação, se integram nas religiões que consideram serem as verdadeiras. Mas, apesar disso, não deixam de pertencer ao sector humano, o que significa que estão sujeitos a não serem diferentes de todos os outros, caindo, por isso, por vezes em erros. E manda a condescendência, mesmo de quem não segue a linha religiosa do Papa, que se desculpem falhas, sobretudo se se tratarem de excessos de argumentação, de intromissão em temas que não serão muito bem dominados por quem os utiliza nas suas afirmações.
Imagino que o bom senso já terá dado mostras, no Vaticano, do erro cometido. Teria sido preferível não avançar por esses terrenos do preservativo que, obviamente, iriam levantar contestação em todo o mundo e deixariam em posição incómoda os praticantes do catolicismo. Até mesmo, como já se constatou, nos diferentes graus canónicos que a Igreja católica sustenta.
Isso só poderá querer dizer, certamente, que não basta aos homens vestirem os hábitos sacerdotais, desde o mais alto posto, para ficarem libertados de, uma vez ou outra, praticarem os seus deslizes. Mesmo que muito raramente. O que se impõe é que os seus seguidores tenham a complacência suficiente para aceitar tais passos ao lado como resultado dos homens não serem deuses e, por isso, estarem sujeitos a lhes escapar uma ou outra verticalidade.

sábado, 28 de março de 2009

TODA A POESIA NESTE BLOGUE É MINHA


AMOR DE PARDAIS
Quatro pardalinhos brincam no chão do meu jardim
picam o chão com entusiasmo
e eu olho-os com ternura
pensando no mundo dos homens
desses que se guerreiam uns aos outros
e não confraternizam como estes pássaros
não dividem o que há para comer
são egoístas, querem só para si

E estes pássaros inocentes
que não sabem o que é pecado
que só procuram defender-se
dos que são gulosos
dos que apreciam o petisco
dos passarinhos fritos
saltitando, piando
lá vão apanhando as migalhas que
sem querer
os homens deixam cair

Que bom seria
se o mundo fosse todo como o dos pardais
dividindo o amor e as migalhas



MUSEU DOS COCHES



Muito se brinca por cá, sobretudo quando algumas cabeças mal pensantes resolvem dar mostras de que existem e vá de inventar uma polémica nova para distrair as pessoas, pois que os pequenos problemas, como os penalties mal marcados, é que conseguem juntar umas tantas reclamações que se organizam e enquanto andam à volta dessas causas que não servem para nada, as outras, as verdadeiramente importantes, essas, como lá ninguém consegue chegar, ficam para se dizer mal entre portas, para provocar uma revolta muda, para ir aumentando o descontentamento que, esse, nem com as próximas eleições se vão resolver.
Ora, este do projecto para o novo Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, só podia surgir agora, numa altura em que todos deveríamos estar muito quietinhos, para que os próprios movimentos não constituíssem a mesma pequena despesa, pois que o não gastar um cêntimo mal gasto tem de ser a ordem que todos devem cumprir.
Por isso, não discuto sequer se o Museu dos Coches está bem onde está ou se ficará melhor noutro que lhe venha a ser destinado, o que sim merece a minha preocupação é, uma vez mais, a falta de compreensão dos que tomam medidas fora de tempo de que nos encontramos numa fase em que, repito e não me canso de o fazer, temos de ter o maior tento em não criar mais razões para que os vindouros nos venham a acusar de que não fomos capazes de prever o futuro, tendo gasto o que fazia falta na altura própria e também nos tempos que se avizinhavam.
Já não se esconde que estamos, nos tempos que correm, a gastar mais de dois milhões de euros por hora e que a dívida externa, a pública e a privada, ultrapassa já uma altíssima percentagem do PIB. Quer dizer, estamos, portanto, empenhados até à raiz dos cabelos e isso deve-se a quem? Naturalmente a quem toma as decisões em nome do Estado e não é capaz de fazer contas à vida. A esses não os podemos desculpar nunca!
Bem basta o que já foi pela bolsa fora, como os dez estádios construídos por este País, os submarinos – de que falarei em breve – e que nos vão ficar atravessados, os auxílios concedidos à Banca e que nem por isso solucionaram a situação dos empréstimos necessários às PMEs, assim como as mãos largas com as nomeações e respectivos pagamentos de ordenados com as nomeações dos “boys”. Tudo isso não pode ser esquecido, mas já não tem remédio. Agora, o que ainda vamos a tempo de evitar, isso não pode escapar nem a um simples blogue que, modestamente, levanta a sua voz de indignação, quanto mais não seja para que, no futuro, se possa constatar que alguém não se conformou com o que se estava a passar. E, ao menos que, como acontece sempre com os que fazem a História e alteram as verdades, não deixem de referir que houve alguém que preencheu páginas computorizadas a contar o que se passava e não deixou de referir as maiores acusações aos governantes que existiam por cá.

sexta-feira, 27 de março de 2009

SER HOMEM

É preciso ser Homem
mas só isso não chega
é fundamental ter sentimentos
e usá-los
senti-los
transmiti-los
gostar do sol
da chuva
do vento
da lua
ter um ideal
e lutar por ele
defender o ambiente
e conservá-lo para o futuro
pensar nos que virão
e que vão herdar aquilo que lhes deixamos
não ser egoísta
respeitar os vizinhos
todos
os da rua
os do País
os do mundo
saber falar, mas, sobretudo
saber ouvir
pensar no que faz
e no que não deve fazer
e se fez e foi mal
arrepender-se sem receio
de mostrar o erro

É preciso ser Homem
mas de cabeça levantada
e consciência tranquila

Haverá quem seja assim?

PORTUGAL A FALIR!...




Portugal está em riscos de falir? Esta questão foi posta recentemente pela SIC, a estação de televisão que conta com larga audiência e que, face a isso, deixou muitos espectadores em verdadeiro pavor.
É evidente que esta pergunta e a falta de resposta, porque ninguém pode acrescentar alguma coisa a este alarme, só é possível devido ao facto de o Governo que temos suportado ao longo desta legislação o que tem feito é embalar os problemas, com afirmações públicas, pelo primeiro-ministro e por alguns dos seus companheiros de Executivo que só têm servido para provocar, cada vez mais, uma desconfiança quanto à capacidade de liderança dos que se encontram no poder. Temos, pois, que não esconder um grito de revolta que nos anda a querer saltar do peito, muito embora – e isso é que é dramático – não saibamos, na maioria de nós, portugueses, o que iremos votar no próximo acto (e isto se não se abstiver uma grande parte dos cidadãos), em quem depositaremos a nossa escolha.
É demais! Não podemos suportar por mais tempo aquela figura arrogante de José Sócrates a perder tempo e a fazer como antigamente, no tempo da Ditadura, com inaugurações e a colocar uma pá de cimento em obras que até dão vontade de rir. E as suas afirmações aos jornalistas, sempre com um ar de que não quer ser incomodado, de que vai tudo bem e que ele é que sabe, em vez de se preocupar em fazer diminuir a imagem péssima que tem junto dos portugueses, o que aumenta é a aversão que por ele os portugueses sentem cada vez mais. E quem tem dúvidas basta andar por aí, coisa que ele não faz e que, tal como Salazar, perdeu o contacto com as populações… que é a pior coisa para um governante…
Alguém deveria dizer-lhe, mesmo que ele naturalmente não quisesse ouvir, que, se obtiver de novo votos suficientes para formar Governo, mesmo que não maioritário, o que é evidente, isso não será por mérito próprio, mas apenas e só porque as oposições não são capazes de desempenhar o papel que lhes cabe e não mostram ao povo uma saída por essa via. E esse é que é o problema principal do nosso País. No meu entender, está bem de ver.
Tenho vindo, com enorme esforço, a contemporizar com a acção do Ministério de Sócrates, na esperança de que o homem acabaria por ser capaz de reconhecer que tem actuado com ausência de capacidade de evitar que o nosso País acabe por cair numa situação tal que seja comparável a uma falência empresarial. Mas chego a esta conclusão: a de que não é justo que tenhamos de correr o risco de cair nessa situação. E, todos, a contemplar o caminho que levamos, nada podemos fazer no sentido de sairmos deste atoleiro de incompetência em que nos encontramos.
Também, verdade seja dita, os colaboradores que são escolhidos para ocupar lugares de enorme importância para auxiliar a recuperação de Portugal, parece que, de propósito, estão a ser repescados por aquilo que o seu passado negativo tem para mostrar. Veja-se o que sucede com o AICEP. Mas, sobre isto, escreverei um dia destes. Mesmo que não resolva nada, cheguei ao ponto de não poder ficar mais tempo sem largar para o exterior aquilo que precisa de ser dito.
Bem me bastaram os anos em que, durante a época da outra senhora, a Censura e a PIDE calavam a boca dos jornalistas, dos que se atreviam a fazer chegar ao exterior o que se podia denunciar. Eu sei o que me custou essa mordaça…

quinta-feira, 26 de março de 2009

ONDE ANDAS, TALENTO?


Quando acordo cada manhã
e realizo que tenho mais um dia
para fazer o meu papel
de estar vivo
e, a pouco e pouco,
vou despertando, sem vontade de me mexer
então, confronto-me
com a realidade,
não é mais um
é um a menos
se contar, como é natural,
o que ma falta, na caminhada
e não o que eu já percorri.
Então, perco toda a vontade
de me meter ao caminho
pois é uma estrada que eu já conheço
onde transito todos os dias
e em que aspiro
encontrar o que nunca me apareceu.
Nesse trajecto
repito o exercício de escrever
na esperança de que
na ponta da caneta
me surja essa tão desejada
personagem que,
ao longo se tantos anos,
não há forma de vir ter comigo.
Mas eu teimo,
no fundo acredito que mereço
esse encontro,
quanto mais não seja
pelo tempo que tenho dedicado a essa busca,
pelo exercício permanente
que absorve as minhas energias mentais
e porque, apesar de tudo,
confio na sorte,
se tiver tempo para esperar.

Quando desperto pela manhã
passa-me tudo isto pela cabeça
e o desconsolo toma conta de mim
sem que transmita esse sentimento a ninguém.
É demasiado íntimo,
é excessivamente ridículo
para ser comunicado.
Não é entendível pelos outros,
porque consideram
que é um descontentamento vaidoso
porque interpretam a minha revolta como uma
demonstração de injustiça.
E talvez seja.
Afinal, quem levou uma vida
a tentar construir uma distinção,
quem sempre sonhou com o reconhecimento alheio
ao não ter encontrado o essencial
não pode andar conformado.

Onde andas tu, oh grandeza?
Por que não entras em mim, oh talento?

AS BARBAS DE MOLHO


Já ninguém procura esconder esta realidade: Portugal, nesta fase, em que nos encontramos, dá mostras de estar envelhecido e de continuar, neste caminho que se apresenta, a aumentar o número de gente idosa. E é o próprio Instituto Nacional de Estatística que prevê que, daqui a cinquenta anos, haverão 271 idosos por cada 100 jovens, isto levando em conta que o nosso País contará com dez milhões de habitantes e que esse número se deverá ao volume migratório e a níveis de fecundidade elevada resultante dessas populações oriundas do exterior.
Ora bem, a dúvida que será legítimo levantar é se as características do povo português, nessa altura, se manterão como têm vindo a ser uma constante desde tempos remotos e que ainda hoje constituem uma espécie de marca própria. O comportamento dos portugueses tem um estilo próprio e, quer as demonstrações favoráveis quer as outras, ambas têm estado na base dos resultados que obtivemos e que continuamos a conseguir. Quanto ao futuro, aos anos que ainda vêm a uma certa distância, ninguém pode fazer uma antecipação segura.
Mas, ao analisarmos o que se passa à nossa volta neste rectângulo situado na ponta final da Europa, sobre isso temos possibilidade de verificar que alguma coisa desfigura o que deveria já ter sido rectificado, especialmente por parte dos governantes que, por mais que se apontem deficiências de execução e se alvitrem caminhos mais certos, no que diz respeito ao Governo de Sócrates não há forma de encontrarmos uma saída, de que tanto precisamos, desta situação dramática que atravessamos.
Bem pode o próprio Presidente da República pedir rigor nos investimentos públicos, sobretudo nos casos de teimosia socratiana de prosseguir com a ideia de obras públicas que, ou são desnecessárias ou seria aconselhável que essa situação fosse enfrentada só mais tarde, quando as finanças públicas o puderem suportar sem sacrificar outras exigências. Mas o Executivo faz orelhas mocas e faz questão de deixar dívidas para os vindouros, quando os responsáveis de hoje, que já se encontrarem reformados, não tiverem que prestar contas ao País.
E, a propósito de reformados, no caso do pagamento das respectivas reformas, bem se podem preocupar os que tiverem que sofrer as consequências de existirem mais velhos do que novos. Conseguirá esta minoria descontar o bastante para manter os que trabalharam antes e depois têm direito a ser recompensados? Que medidas são hoje tomadas de molde a precaver essa maldição que não é preciso ser-se pessimista para imaginar tal possibilidade?
Mas, muito mais há a criticar os que, nos dias de hoje, já que não têm meios para superar a crise, pelo menos que não a agravem com sonhos delirantes. Que, por exemplo, metam mão nas regalias de ordenados sumptuosos e outras mordomias que continuam a ser atribuídos a administradores em instituições ligadas ao Estado, como se pôde ler na notícia saída de que o Banco de Portugal fixou o pagamento de um salário mensal de 19.500 euros ao administrador provisório do Banco Privado Português e acrescentou na nota que aquele funcionário tem direito a todas as regalias de natureza social, para além, está bem de ver, de uma viatura para utilização pessoal.
Será, então, que o País está, de facto, envelhecido? E será, portanto, por isso que existe a preocupação, por parte daqueles que têm nas mãos a condução da Pátria em diferentes sectores, o afã em garantir uma reforma daquelas que hoje atribuem por conveniência? Se sim, teremos neste caso um exemplo.
E esta é uma pequena amostra do que ocorre por aí, em que os favores são prestados uns aos outros, porque nunca se sabe o que pode passar amanhã e é bom garantir que os que são agora favorecidos não se esqueçam de que podem vir a ter nas mãos decisões que interessem aos que agora são os favorecedores.
Ora aqui está uma característica dos portugueses. Mais uma vez pergunto: será que se vai manter, pelos anos fora, esta situação de que é bom “ir pondo as barbas de molho” e, para isso, há toda a conveniência em salvaguardar a necessidade de recordar que “agora fiz por ti… depois fazes tu por mim!”?

quarta-feira, 25 de março de 2009

COMO NÓS - CIGANOS



Não é que eu tenha uma grande afinidade com a raça cigana, mas devo reconhecer que o afastamento que se verifica é mais por culpa dos que não pertencem a esse grupo étnico do que por opção cigana em se separar da maioria da população onde vive. E, naturalmente, ao criar-se uma separação, os que se encontram na ala dos minoritários procuram agrupar-se e, com isso, manter uma separação que não favorece nenhuma das partes.
Temos de reconhecer que cada forma de vida tem de ser aceite com naturalidade e, da mesma forma que existem qualidades gastronómicas diferenciadas de terra para terra, folclores distintos e até, nalguns casos, pronúncias da mesma língua que cria distinções, tudo isso a constituir uma riqueza que deve ser aproveitada, também os ciganos aplicam as suas regras nas suas festas, nos seus casamentos e, de uma forma particular, na condução das suas actividades. A pouco e pouco, verdade seja dita, os que conseguem sobressair em nível de vida das camadas mais deficitárias, esses, mesmo conservando os hábitos que vêem de gerações, vão-se diferenciando e procuram envolver-se com as características do país onde habitam. Não sei, confesso, se fazem bem em pretender seguir as regras dos locais onde se instalaram e até, como sucede, nos países onde já nasceram
Verifica-se nesta altura, em que os ciganos imigrantes, vindos da Roménia, já se encontram por todos os sítios e trazem consigo o hábito de pedir e de tentar vender material insignificante, sempre com o objectivo final de procurar a esmola, deparamos com frequência esse tipo de cidadãos que, pelo seu vestuário, pelo linguarejar específico que não podem evitar e pela forma de se apresentarem, especialmente as mulheres, com bebés ao colo e sentadas no solo, tal característica de pedintes não pode agradar e até provoca certa estranheza que venham de tão longe da Europa, atravessando diversas nações sempre com a sua prática pedinte, até chegarem a este extremo europeu.
Seja como for, trata-se de uma realidade que tem de ser encarada e tratada com a humanidade e os meios de que dispomos, por forma a solucionar um problema que não pode ser ignorado.
Agora, que concordemos com o que veio anunciado em vários órgãos de comunicação social de que, em alguns pontos de Portugal, se está a proceder à discriminação de crianças ciganas, colocando-as até em contentores para fazerem a sua aprendizagem escolar, isso é que nenhum português de boa cepa pode aceitar de ânimo leve. Não à separação e, bem pelo contrário, o que se torna imprescindível é que os não ciganos confraternizem com os que pertencem a essa etnia, por forma a formar-se um entendimento fraterno que permita, depois pela vida fora, não se criem barreiras entre portugueses, sejam de que cor forem, da religião que tiverem, do partido político que escolherem ou do clube futebolístico que mais gostarem.
Não é possível estabelecermos barreiras entre cidadãos, desde que todos cumpram as regras e que um velho ditado português explica com perfeição – em Roma sê romano!
É verdade que muita famílias ciganas transformam mal viver aos seus vizinhos, pois não conseguem conservar dentro de portas os seus costumes e transportam para o exterior os seus modos de se comportarem, que não agrada a quem deles toma conhecimento. Mas, para isso, é que servem as forças públicas e os serviços sociais. Aconselhando, amoldando os comportamentos e, de bons modos, tentar que os que são diferentes passem a cumprir as regras de convivência das maiorias. Olhem na Suíça, onde existe uma rigidez absoluta e quem chega e não conhece as regras fica desorientado. Ali, a partir das 22 horas, nem se pode puxar o autoclismo!
É estranho, mas é uma regra. Quem vai de fora só tem é que cumprir…

terça-feira, 24 de março de 2009

NOVA PONTE




Repete-se o que se passou com a discussão sobre o local onde instalar o novo aeroporto, em que o cómico ministro das Obras Públicas lançou o seu célebre “jamais” e em que nesta altura está a insistir com a nova ponte sobre o Tejo, para facilitar as comunicações com o aeroporto que, parece, sempre se vai fixar na outra banda. Mário Lino, com aquele seu ar que dá vontade de rir aos portugueses, garante que deposita toda a confiança nos estudos que foram feitos no que diz respeito à ligação Chelas/Barreiro, quando existem opiniões, suponho que também fundamentadas tecnicamente, que aconselham que a ponte ligue o Beato ao Montijo, por ser mais directo a Alcochete, local onde se fixará o tal discutido aeroporto. Dizem alguns que esta ligação poupa 7,3 kms. Em comparação com a preferência do Lino. Os cidadãos, que não têm acesso aos estudos, só podem aguardar pelo fim do confronto e aceitar, sem outro remédio, o que for decido pelos que têm nas mãos o poder. Mais tarde logo se vê se foi uma boa opção ou se se tratou de mais um equívoco dos muitos que ocorrem por cá e em que os que chegam depois ao Governo têm de enfrentar, se pertencerem a outro partido, e logo acusam o anterior de "burrice” e de dinheiro mal gasto. E andamos sempre nisto, sem que ninguém seja julgado por ser teimoso e incompetente.
Eu, aqui neste blogue, não posso acrescentar uma opinião que valha a pena. Mas tenho a humildade de reconhecer que quem sabe são os outros e que só depois de se terem desembolsado milhões é que se pode chegar a uma conclusão. Que bom seria que José Sócrates fosse assim, soubesse ouvir, despender o que fosse preciso para que os que são competentes em cada matéria garantam a melhor qualidade do trabalho que está em estudo. E se não for assim, responsabilizar os que deram opinião e foram pagos para isso, no caso de se terem enganado.
Isto? No nosso País? Em que ninguém tem culpa de nada e podem aparecer perante as câmaras de televisão a fazerem figura de sábios?
É o que temos. O desastre é que continuamos nisto…

segunda-feira, 23 de março de 2009

PROVEDOR DE JUSTIÇA



Alguém, por esse mundo fora, seria capaz de prever que a nomeação de um novo Provedor de Justiça, em Portugal, levaria nove meses a ser conseguida – se é que a coisa vai ficar por aqui -, pois a disputa entre partidos políticos que se confrontam nas coisas mais insignificantes proporcionou esta historieta de trazer por casa, de o Partido Socialista estar a puxar por um seu candidato, e o Partido Social Democrata ter outras ideias, não se sabendo bem onde cairia a escolha.
Chegou-se ao ponto bizarro do primeiro-ministro usar a expressão e acusar o PSD de “fazer birra”, por se recusar a aceitar Jorge Miranda para desempenhar aquele lugar, e tudo indica que o PS se prepara para uma tentativa de acordo com os outros agrupamentos políticos com acento na Assembleia da República para se chegar a uma conclusão, isto enquanto Manuela Ferreira Leite afirma peremptoriamente que a nomeação do Provedor pertence ao seu partido e não aos socialistas. E andamos nisto!
A obrigatoriedade de dois terços do Parlamento para se poder efectuar a nomeação, faz com que sejam necessários 154 votos entre os 230 deputados, o que cria o problema de os 121 representantes socialistas, somados a 11 comunistas, 11 do CDS e a 8 do Bloco de Esquerda, mais 2 do PEV, fazerem com que ainda falte um para se atingir aquele mínimo imposto. Como, ainda por cima, a votação é secreta, ninguém garante que todos os participantes dos partidos referidos votem na mesma personalidade apontada.
É, de facto, uma vergonha que existam estes impasses na política, tudo isto enquanto a maioria da população anda de calças na mão, os afectados pela crise, está bem de ver, colocando-se em segundo plano os problemas de verdadeira seriedade que são necessários para tentar resolver o que nos aflige a todos. Que não se admirem depois os que se sentam nos cadeirões do poder se receberem dos cidadãos o desprezo e o desinteresse em colaborar, como é agora tão notório, de Norte a Sul. E daí a manifestação que teve lugar recentemente e que atingiu a proporção que foi conhecida por todos, menos por Sócrates.
Tendo-se chegado ao ponto do ainda Provedor da Justiça, Nascimento Rodrigues, ter ameaçado de abandonar o cargos, pois não está disposto, e compreende-se, a ficar “eternamente” à espera que se resolva o problema da sua substituição, tal situação daria vontade de rir se não correspondesse à má qualidade das nossas instituições políticas e daqueles que se encontram nos lugares próprios para resolver, depressa e bem, as situações urgentes e difíceis que vão surgindo.
Haverá quem nos valha?

domingo, 22 de março de 2009

PENSAMENTO

Há sempre pedras inesperadas no meio das caminhadas da vida, mas há que superá-las sem nos magoarmos demasiado, para além das feridas que são inevitáveis, mesmo que custem muito a sarar.

EUROPA UNIDA!



Ao analisar o que se passa por essa Europa que eu, ingenuamente, cheguei a supor que fosse mais rápido e bastante mais fácil conseguir-se o entendimento e a formação em uníssono de um conjunto de países que juntassem forças no sentido de enfrentarem os problemas que a tecnologia avançada, por um lado, e a ambição humana, por outro, vão tornando mais complicados de resolver, chego à conclusão que não vai ser nem nesta nem na próxima década que teremos a felicidade de assistir a um Continente a caminhar de mãos dadas, todos a pensar naquilo que poderia até ter evitado que a malfadada crise, que surgiu do outro lado do Atlântico, tivesse cavalgado todos os muros que se lhe depararam pela frente sem que surgisse uma oposição forte e preparada que se encontraria neste lado do Hemisfério.
Os 27 chefes de Estado e de Governo que se reuniram em Bruxelas para debater a posição da União Europeia na junção do chamado ainda G20, que vai pôr em confronto, em Londres, em 2 de Abril próximo, as economias mais ricas do mundo e isso para tentar o acordo sobre uma lista de princípios que comporá a agenda dos 27, nessa altura o objectivo a atingir é a regulação financeira e a reforma de instituições como o Fundo Monetário Internacional, tudo no sentido de ser conseguida a restauração dos canais de crédito como chave para a saída da tal crise.
Verifica-se, no entanto, um desalinhamento por parte da Grã Bretanha em fazer coro com a tese comum, preferindo juntar-se à linha proposta por Washington, o que constitui mais uma falta de união das várias que se têm constatado desde que se deram os primeiros passos na constituição da Europa comunitária. O bom senso que, nestas coisas, deve prevalecer sobre os interesses particulares de cada participante, é o que se torna essencial para que não fiquemos a contemplar encontros, almoços, fotografias de grupo e apertos de mão e abraços, mas no que diz respeito a resultados, os avanços produzem-se pachorrentamente. Lá vão sendo conseguidos, mas à custa de uma perda tremenda de tempo, ao ponto de termos chegado até aqui por via de demoras exasperantes.
O ser humano tem grande dificuldade em colocar em segundo lugar os seus interesses pessoais e de grupo em favor dos benefícios que se podem conseguir através da prioridade que tem de ser dada ao bem generalizado. Só com o caminhar dos anos e com muita persistência se vai conseguindo aquilo que é uma ambição desejada por muitos neste nosso Continente: os Estados Unidos da Europa.
Ninguém pode garantir que se chegará a este objectivo e se sim, quando. Mas, quanto a mim, a profunda diversidade que existe de nações e de povos a fazer todos sacrifícios em seu favor único, não se importando com o que ocorre em casa dos vizinhos, não deixando de se preocupar com as tradições, as línguas, as histórias de cada região, mas tendo em comum interesses económicos e sociais, essas divisões só servem para criar conflitos e os que são desse tempo não esquecerão facilmente a II Guerra Mundial, que teve início precisamente entre países vizinhos.
Isso do meu bairro, da minha rua, do lado da minha casa na rua, do meu andar no prédio, já é chão que não dá uvas. O bom é a vizinhança unida e a sua inclusão de interesses em todos os bairros e em todas as cidades. Aquilo que é bom para mim tem de ser igualmente salutar para aos outros… Mas isto, para ser conseguido é fundamental que os Homens deixem de parte as suas conveniências próprias e olhar substantivamente para o bem comum. Será alguma vez possível atingirmos esse objectivo? Já não vai ser no meu tempo!...

sábado, 21 de março de 2009

Neste Dia Mundial da Poesia não quero deixar de participar com alguns poemas da minha autoria que fazem parte de um arquivo de mais de 500 produções a aguardar por altura adequada para serem divulgados. Pode ser que ainda em vida.
E, se não, também não se perderá muito.
Mais vale ser conhecido e considerado depois, que nunca antes.

CABEÇA A FUNCIONAR

Ter cabeça instalada
a funcionar como deve
e o corpo, quase nada
mostra que está disponível
e que lhe é impossível
estar igual ao que era antes
é pior do que o contrário
pois quem não pensa
nem tenta
entender o que se passa
e aceita tudo que faça
mas reflectir
é sentir
que nada já é igual
que o que ocorre está mal
que as pernas não obedecem
e que os músculos fenecem
a ligeireza perdeu-se
agora só devagar
e a cabeça a pensar
a entender
a sofrer
a aceitar a velhice
bem longe da meninice
essa que foi e não volta
sem ser razão para revolta
antes tem de ser aceite
e no fundo agradecer
por não ter acontecido perder
o que resta
e fazer até bela festa
pela cabeça que impera
e que, por isso, espera
o dia do adeus final
em que já não se sente o mal.

PINTAR

Como gosto de pintar
De trazer à tela em branco
O dom que sinto no ar
E da alma o arranco

Como ter papel à frente
À espera que o preencha
Com versos que estão na mente
A pedir que eu lhes mexa

Mas a música saltitante
Essa sim bem gostaria
De fazer dela uma amante

Mas aí é que eu não pego
Nem marcha nem sinfonia
Com desgosto, não lhe chego

CEGO


Aquilo que eu vejo hoje
o que gosto e o que detesto
as flores, as árvores, a Natureza
e as maldades dos homens
só é possível porque os meus olhos
ainda funcionam
e é com eles que o meu cérebro
raciocina
se alegra e se revolta
se sensibiliza
me obriga a olhar para trás e para a frente
a parar para ver melhor
a espantar-me com o belo
e com o desprezível

Mas penso se um dia
deixo de ver
se terminam as minhas contemplações
se se fecha a janela da vida
se só poderei
ouvir, apalpar, falar
e só com isso serei capaz de decifrar
o que se planta diante de mim,
então o cérebro trabalhará a dobrar
penso eu, mas talvez a falta de visão
descanse mais o pensamento
o que não se vê
se não mostra a beleza
também não revolta
quando é isso mesmo:
repugnante


OS PÁSSAROS


O céu sem aves não seria céu
Azul, com nuvens e sol a brilhar
Faltava-lhe vida, qual mausoléu
De silêncio, ausente do piar

Os pássaros são vida que remexe
Que fazem companhia aos isolados
Cruzando os ares em belo feixe
Fazendo os seus ninhos nos silvados

À solta e em plena liberdade
Chilreando felizes com a vida
Ignorantes do que é o mundo cão

Isso tem de ser a felicidade
Já que não precisam doutra guarida
Porque pássaros em gaiolas, não !

sexta-feira, 20 de março de 2009

MAIS UM PENSAMENTO

Há locais, onde se produz obra literária,
que desenvolvem mais imaginação do que outros, completamente áridos.
Tenho andado em busca desses sítios, na ânsia da mesma e do génio, mas se encontro uma falta-me o outro.
Os dois sem simultâneo é que ainda não me surgiram.
Chegarão a tempo?

É UMA ALEGRIA!...



Não tenho, propositadamente, tocado no tema Manuel Alegre para não deitar achas para uma fogueira que tem andado a fumegar no panorama político nacional e que, de uma forma particular, atinge especialmente o secretário-geral do Partido Socialista e, por via disso, o próprio Governo sob sua conduta.
Havia que ver como a situação evoluía e, da minha parte, com o conhecimento que tenho do antigo refugiado na Argélia, altura em que eu tanto acompanhei essa deslocação por via da correspondência assídua que mantinha com o seu companheiro de fuga política, Fernando Piteira Santos, como já me referi, tempos atrás, neste mesmo blogue, em que, pelo facto de ter interferido para o esconder quando, dias antes da sua fuga para o Algarve, me pediu para o ajudar nessa difícil missão, pois tinha a PIDE a persegui-lo, a nossa antiga amizade e essa acção proporcionou que mantivéssemos uma correspondência assídua, via Paris, onde existia uma pessoa que encaminhava as nossas cartas, a sua e a minha, nos dois sentidos, pois por essa via e com esse acompanhamento da personalidade da figura preponderante no PS, Alegre, e também porque acolhi as suas crónicas regulares no semanário que eu dirigia, “o País”, tenho, em relação a ele, uma opinião das suas características, o que, de certo modo, ajuda a compreender a posição que tem tomado no Parlamento e como figura notória dentro do partido em que está integrado.
No que diz respeito a José Sócrates, quanto a este político o meu conhecimento da sua formação é bastante mais reduzida, primeiro porque não se trata de um lutador do passado pela mudança do regime existente e depois porque o seu comportamento, na qualidade de chefe de um Executivo, não tem proporcionado entender com alguma profundidade qual a inclinação esquerda/direita que orienta os seus passos. Confesso que me sinto, por vezes, confundido quanto à direcção que esta figura política sustenta nos seus actos de governação, embora, nesta fase de crise profunda que obriga a atitudes que, por vezes, impõem desvios de inclinações partidárias, mesmo assim, alguma coerência poderia existir e as explicações públicas são sempre úteis para isso mesmo, para justificar certas medidas que estarão em desacordo com tomadas de posição que podem parecer contrárias aos princípios seguidos na base pelo seu partido político. Tudo isso, para além de não ser este exactamente o momento que atravessamos o mais adequado para andarmos a discutir posições de esquerda ou de direita, dado que o essencial é conseguirmos vencer o que nos aflige bem no fundo.
Por outro lado, não deixo de expressar a minha opinião no que diz respeito à atitude pouco entendível que Manuel Alegre tem seguido, porque estar em desacordo com tomadas de posições do seu partido nesta altura difícil do País e do mundo é atitude que se compreende, mas manda a verticalidade que se seja claro e que se apontem as discordâncias com absoluta responsabilidade e sem ferir o conjunto da organização partidária a que pertence. A revista “OPS”, de que saiu agora o terceiro número e de que é líder Alegre, refere-se concretamente à corrupção e à promiscuidade que grassa entre os partidos políticos, nas autarquias, no próprio Estado e no mundo empresarial, em que a falta de regras legais claras não põem fim a tamanha pouca vergonha, e essa mansidão, afirma, é a grande culpada do que ocorre e daí o contestatário socialista acusar ainda Sócrates de não ter coragem para enfrentar o problema, não escondendo o seu desacordo quanto a estar o Estado a injectar milhares de milhões na banca, “quando cresce o número de desempregados e sobretudo quando é preciso dinheiro para iniciativas sociais urgentes”. E isso para não falar já na distracção no que se refere a não serem tomadas medidas severas contra as impunidades que se verificam nas múltiplas acções corruptas sobretudo na zona financeira que, assim como as protecções que são dadas na área dos combustíveis, na empresa pública de electricidade que mantém os preços maiores da Europa sem que tal incomode os governantes, todo esse conjunto e muitas outras situações que mereciam terem sido tratadas já por quem tem obrigação de cuidar de todas as situações criticáveis e não o foram. Se esse mal-estar indicado agora na publicação “OPS”, conta, julgo eu, com o aplauso de um grande número de portugueses, o que, em minha opinião, se impunha era que o descontente em causa viesse a lume público dar nota das suas opiniões, em vez de criar dentro do seu próprio Partido uma separação que não conduz a uma solução positiva.
Eu tenho estado em completo desacordo com a arrogância e o excesso de apreço pelo próprio umbigo de que o actual primeiro-ministro tem dado excessivas provas. A falta de humildade afasta-me do seu caminho. Mas, ao não ver no horizonte, outra estrada para desembaraçar Portugal do clima austero em que se encontra, isso obriga-me a suportar quem, noutras circunstâncias, já teria sido alvo do meu ataque sem tréguas. Mas a vida é assim…

quinta-feira, 19 de março de 2009

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Quem escreve terá sempre, julgo eu, a ideia de que, um dia, surgirá a obra-prima.
É como quem joga na lotaria; de tantas vezes tentar, alguma vez lhe poderá caber um prémio grande. Pelo menos, essa esperança vai-se mantendo.
E é bom que assim seja.
Se a perfeição, o sublime, o inédito, o belo é um objectivo que só alguns alcançam, o sustentar a ideia de que, numa certa altura, pode surgir a inspiração, quem se dedica à escrita ou a qualquer das outras produções artísticas, tem de alimentar esse sonho que é, quase sempre, o sustentáculo do esforço que não pode faltar para se caminhar para atingir o objectivo.
Vale sempre a pena a tentativa e a teimosia em lutar contra a não comparência do génio. Desistir é que nunca!
Poderá a obra produzida não ser a tal, não corresponder ao desejado, não ser ainda dessa vez que saia senão a sombra do que se terá sonhado.
Se assim é, o rasgar e o não prosseguir na caminhada, o não escrever outra vez, o não pintar por cima, o não emendar a pauta serão atitudes compreensíveis, mas não constituem as ideias.
No capítulo da escrita, escrever, não ficar satisfeito mas, em lugar de destruir conservar para, noutra altura, voltar a pegar no trabalho, talvez seja esta a melhor atitude.
Porém, não há regras. Se as houvesse!...


PENSAMENTOS MEUS

Antes de entrares em conflito com um próximo deverás tentar solucionar essa contrariedade dentro de ti mesmo

MARÇO, O MEU MÊS (19)

Que viva Março, que viva !
Da Primavera e das flores
Esse mês que nos cativa
Do perfume e dos amores
O mês da iniciativa

Por lá nasci e fiquei
Marcado para o futuro
Tanto amei e desamei
E me transformei num duro
E por mim eu cá cheguei

Mês dos Peixes, diz quem sabe,
Quem crê na Astrologia
Nos seus dias tudo cabe
Muita tristeza, alegria,
Mesmo que o mundo desabe

As rosas do meu jardim
Começam a despontar
Em Março, mês do jasmim,
Que tão bem cheira ao luar
E eu, disso, falo por mim

Mesmo descrente no tema
Não sendo dele um fiel
Sempre dedico um poema
Que deixo neste papel
A Março, por estratagema

COMUNIDADE IBÉRICA



Por mais que eu evite tocar excessivamente no assunto que tem atraído a minha atenção ao longo dos anos e até poderei afirmá-lo, sem complexos, que, desde há mais de meio século que tenho este tema sob a maior atenção, não posso deixar passar em branco o que a comunicação social divulgou agora quanto a estar a Espanha a doutorar professores destinadas a instituições do ensino superior português, dada a escassez de programas de doutoramento para certas áreas de estudo no nosso mercado.
Existe uma certa dificuldade entre nós em arranjar lugares de acesso para alunos em programas de doutoramento, sobretudo no ensino politécnico, pelo que esta medida teve de ser encarada com urgência, ao mesmo tempo que muitos docentes nacionais têm de se deslocar aos seminários que decorrem para lá das fronteiras. É que o novo regime jurídico do nosso ensino superior, de 2008, obriga as universidades a terem mais de 50% do seu corpo docente com o grau de doutor.
Isto quer dizer que, mesmo contrariando aquela gente portuguesa que ainda mostra algum enjoo ao facto de necessitarmos cada vez mais da comparticipação dos nossos vizinhos ibéricos (não agora em crise, mas logo que seja viável), a verdade tem vindo a mostrar, e cada vez mais, a indispensabilidade de unirmos forças neste bloco na ponta ocidental da Europa por forma a criarmos uma força, em área, população, posição geográfica e entendimento linguístico, que permitem que termine de vez a divisão que só tem servido para o Continente a que pertencemos se vangloriar com a inexistência de um agrupamento nacional que possa fazer frente aos que se têm, ao longo da História, mostrado sempre como mais importantes. Refiro-me à França, Alemanha e Grã-Bretanha.
Ao longo dos séculos passados e desde sempre existiu uma certa influência da intriga de maneira a que nunca tivesse sido possível criar um entendimento, sobretudo económico e social, que pusesse os dois países peninsulares em comunhão de interesses. Isso não agradava, de forma alguma, aos parceiros europeus. E nem os relacionamentos familiares que tiveram lugar entre a monarquia espanhola e portuguesa, nem isso foi favorável a tal conjunção de conveniências, isso, claro, na situação actual, sem que cada um perca as suas origens, as suas raízes, as posições emblemáticas e até políticas que distinguem as nações. Países com mais de um idioma existem neste nosso Continente e nem por isso deixam de ser independentes e autónomos nas suas populações. E hoje, até com a mesma moeda, e aceitando princípios que são comuns, não deixando morrer as suas próprias tradições, até as gastronómicas, respeitam bandeiras diferentes, têm as suas próprias autonomias políticas, mas honram-se por pertencerem ao mesmo grupo nacional.
Um dia isso sucederá por cá, como já tanto se fala na candidatura ibérica em relação ao Mundial de futebol em 2018, cujo registo já foi aceite pela FIFA. É o que eu vaticino em relação ao futuro. Agora, com a crise que atacou todos por igual, não é a altura ideal para mexermos no que se vai arrastando, mas, no momento em que se começar a vislumbrar uma saída desse martírio, quem estiver na cadeira do poder logo verá se não é mais viável e mais forte fazer uma caminhada em parceria, na conquista de mercados e na imposição dos nossos interesses com um tamanho muito mais expressivo, ou se valerá a pena andarmos a esticar o pescoço e a cantar de galo, sem que ninguém nos oiça e nos ligue a mais ínfima importância por esse mundo fora. O problema reside aqui e sem o mais pequeno complexo.

quarta-feira, 18 de março de 2009

PENSAMENTOS MEUS

Faz só aquilo que amas e serás feliz.
E quantos são os que só se entregam ao trabalho que não constitui apenas uma obrigação?
E será que é vulgar encontrar quem saiba do que é que gosta?
Também existe alguma felicidade em não saber o que verdadeiramente se ama?


A frase é conhecida. Não custa nada dizê-la.
“Amarás o próximo como a ti mesmo”
Mas se não te amas a ti?

MÁRINHO!...



A idade e a sabedoria acumulada pelo exercício da experiência colhida têm feito de Mário Soares uma personalidade que, os que o conhecem desde tempos remotos, os que conviveram com ele nas alturas da outra senhora, os que não é apenas pelo contacto eventual que ocorreu em determinada altura que têm alguma noção do que é o Homem que, hoje, com mais de 80 anos, ainda dá a conhecer os seus pensamentos, todos esses não podem deixar de admirar a sua capacidade de discernir sobre o que ocorre no nosso País e o que pode ainda vir a passar-se por cá, entre portas.
Eu, que sempre que me chega às mãos um escrito do antigo emigrante político, do participante activo das ocorrências logo após o 25 de Abril, do primeiro-ministro que foi alvo de algumas controvérsias pela ligeireza que demonstrava, aqui e ali, nas soluções dos problemas políticas e do Presidente da República que deu mostras da sua já posição de Estado e que conseguiu acomodar-se aos parceiros do seu partido e às oposições que faziam o seu papel, eu, que não deixo de procurar estar ao corrente das posições que toma Mário Soares, também agora que se situa numa situação de reserva de opinião, pois saboreio nesta altura, com acordos e desacordos, o que sai da pena do antigo secretário-geral do P.S. nos textos semanais do Diário de Notícias. E o que tive ocasião de apreciar ontem mostra que os seus 83 anos não pesam desfavoravelmente na cabeça do viciado da política.
Mas, digo isto porquê? Porque, em certa medida, nota-se uma certa equivalência entre aquilo que Soares pensa e o que eu tenho escrito nos meus blogues. Isso, no que se refere à apreciação do que tem sido feito por este Governo e, no essencial, por José Sócrates.
É óbvio que o antigo dirigente socialista não poderia pôr-se a discordar completamente com a maneira de actuar dos actuais governantes, mas não deixa de ser claro quando afirma que, sobretudo face à manifestação de protesto que ocorreu na sexta-feira passada, o Executivo deve ouvir com atenção e ponderar a indignação das pessoas, que vai crescer “não tenhamos dúvidas” e debater os fenómenos, as suas causas e consequências com os responsáveis dos partidos, em ambiente discreto. Para saber o que sentem as pessoas mais afectadas pela crise.
E não escondeu Mário Soares que não basta fazer uma viragem à esquerda no discurso político, mas torna-se necessário chegar às pessoas, aos desempregados, aos que estão em desespero com a falta de perspectivas e com os horizontes completamente fechados. E acrescenta: pondere-se nisso!
Mário Soares não esconde os conselhos e recorda que o diálogo é a maior forma de fazer acordos e de satisfazer contrariedades. Ora, isso é o mais tem faltado a este Executivo de Sócrates, figura que mostra sempre, pelo seu estilo de comunicar, que a razão pertence-lhe em absoluto, que não existem erros e enganos nas suas acções, que são os outros que estão enganados. Em vez de se penitenciar pelos maus passos e as más palavras que são originários do seu grupo governamental, o único que sabe dizer é que todos os demais navegam por mares errados.
Se, na actual vigência governativa, gozou da maioria absoluta e não a tem sabido utilizar, na próxima parada de governação, em que, atrevo-me eu a afirmar, não contará com tal regalia, vai ser o bom e o bonito.
Ou talvez, sujeito a acordos, a coisa possa correr melhor. Quem sabe?

terça-feira, 17 de março de 2009

RETRATO

Já com muitos anos e bem maduros
alto, olhos verdes, fundo alourado
óculos sempre postos e seguros
barbicha branca e escura, tudo apurado

Olhar profundo p’ra ver bem na alma
dos outros com quem tem de conviver
parco nas palavras, pedindo calma
com pressa na vida até morrer

Esperando ter tempo p’ra deixar
algo de importante p’ro futuro
mas sem fé de alcançar o patamar

Eis-me aqui, eu José, vendo o muro
que muito me esforço para saltar
mas sem conseguir, eu me esconjuro

OPINIÕES


Ao ter tomado conhecimento de que um cantor português, independentemente do valor que lhe encontram os seus intransigente fãs, ao ter apresentado um espectáculo no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, com cerca de dezasseis mil espectadores, no final da sua actuação esteve a dar autógrafos até às seis horas da manhã, pois a fila de admiradores era quilométrica, ao inteirar-me que existem portugueses que, precisamente nesta altura da nossa vida, têm a capacidade para se submeterem ao prazer que sentirão de se chegar ao pé do ídolo para o ver de perto e receber uma assinatura num papel, tenho de concluir que, de facto, existem factores que condicionam o comportamento das gentes e que, pondo todas as dificuldades de parte, considerando-as, julgo eu, de somenos importância, são capazes de atribuir como a coisa mais importante nessa altura que é o entregarem-se com paixão a um ser que, para eles, tem de ser a coisa mais bela do mundo.
E, como a notícia que assinala esse acontecimento refere que, entre a multidão, se encontravam figuras conhecidas pelo seu estatuto de saliência no ambiente nacional, tais como o médico José Maria Tallon, a produtora Teresa Guilherme, o cantor Pedro Abrunhosa e a jornalista Maria Elisa, entre outros, perante este leque de personalidades que entregaram o seu tempo a conviver com um “feito” desta monta, não posso, honestamente, deixar de considerar que a minha admiração não tem razão de ser. Que sou eu que ando enganado cá neste mundo.
Quer dizer, esta sessão de autógrafos de Tony Carreira – pois que é ela a figura em referência -, que ocorreu na véspera da manifestação de cerca de 200 mil sindicalistas que ocupou Lisboa, teve também o mérito de, uns na rua e outros subordinados ao espaço facultado pelo número limitado de lugares na casa de espectáculos onde se realizou o concerto, juntar a multidão respectiva para gritar por uma causa. No fundo, são tudo pessoas que, cada qual com a sua dedicação, se deslocam para participar num feito que consideram digno de ser distinguido.
Não vou, claro, dar a minha opinião, absolutamente pessoal, quanto às qualidades que encontro ou não no cantor Tony Carreira. Cada um aprecia o que entende ser da sua preferência. E isso não se pode discutir.
Eu, neste meu singelo blogue, limito-me a dar mostras da minha surpresa ao tomar conhecimento de que as populações, quando têm ocasião para se reunir em redor de um motivo que lhes agrada ou que lhes convém (há de tudo), não perdem ocasião para se manifestar em grupo. É como o reclamar com parceiros em redor, mas ficar caladinho quando não tem mais ninguém que o acompanhe, isso é que é mais difícil.
O Homem tem destas coisas!...

segunda-feira, 16 de março de 2009

JUNTAS DE FREGUESIA



Há tanta coisa que falta fazer neste País e nem todas requerem investimentos custosos que estão, nesta altura, fora das nossas possibilidade, que nos perguntamos, nós os que pomos a funcionar a nossa cabeça e não a usamos apenas para nos pentearmos, que somos levados a pensar naquilo que talvez fizéssemos se estivéssemos no lugar daqueles senhores do Poder, que, usando a expressão bem portuguesa, até nos mete raiva que os governos sucessivos que, desde 1974, ocuparam o lugar cimeiro, incluindo este que se encontra em preparação para lá ficar mais uma temporada, não tivessem dado mostras de caminhar por áreas que estão mesmo a pedir que se lhes preste atenção.
Uma das actuações que merece ser focada, quanto mais não seja neste blogue, que tem pretensões em acertar em cheio nas questões que mais afectam os naturais desta Pátria, é a utilização que deveria ser dada às Juntas de Freguesia espalhadas por esse País fora (e que são, precisamente, 4.295) e que, no capítulo dos movimentos eleitorais, recebem a menor importância dos partidos políticos. E é ou não é verdade que são precisamente essas pequenas repartições que contactam mais directamente com os cidadãos, conhecendo-os um a um – pelo menos devem fazê-lo – e sabendo em pormenor a sua forma de viver e as dificuldades ou as abastanças que gozam ao longo da sua existência?
Pois, um presidente de Junta competente não tem de se resguardar atrás da sua secretária e, pelo contrário, tem obrigação de visitar os moradores nas suas residências, de oferecer o seu auxílio naquilo que estiver dentro das suas atribuições e, para além disso, obter informações de viva voz quanto à forma de vida de cada família. É essa a maneira de dar mostras da sua existência e, acima de tudo, da sua utilidade.
Quando isso não se verifica, até por serem algumas freguesias demasiado extensas, pelo menos a presença da Junta deve dar-se a conhecer através de contactos escritos e ganha muito em proporcionar a visita dos moradores na área sempre e quando tenham algum problema a apresentar.
Infelizmente, é sabido, não são muitos presidentes de Junta de Freguesia que procedem desta forma e eu, por exemplo, que resido há mais de 40 anos em Campo de Ourique, pertencendo à Junta de Santo Condestável, nunca vi a cara do homem que se encontra (e nem sei se tem sido o mesmo desde o 25 de Abril) a presidir àquela repartição. E é uma pena, porque tenho a convicção que poderia ser de alguma utilidade em favor do bem-estar de bastantes moradores nesta área. Sobretudo com propostas ligadas à área cultural e no capítulo de criar um movimento que leve a Câmara Municipal a efectuar a experiência de não calcetar os passeios deste bairro, todo ele sempre a direito, sem subidas nem descidas, não com o empedrado à portuguesa mas com placas a imitar esses desenhos lisboetas, evitando, dessa forma, a má visão dos calceteiros de cócoras e a preços elevadíssimos com os salários e sobretudo com a demora nos trabalhos, para além dos buracos permanentes que existem pelo levantamento permanente de pedras que se soltam.
Mas não é isto que vem agora à colação, mas sim o contacto quase familiar do presidente das juntas com os residentes em cada área respectiva.
Claro que cá estou eu, mais uma vez, a pregar aos peixes. Mas pode ser que, lá para o século que vem, alguém se lembre que existiu um morador na rua Ferreira Borges, que não se resumia a escrever blogues.

domingo, 15 de março de 2009

Já nem sei onde ouvi este princípio que me ficou para a totalidade da minha existência e que recordo a cada passo:
Há duas coisas que se podem considerar inesgotáveis na nossa vida – o Universo e a ignorância.
O primeiro é algo com que temos de nos conformar, até ao momento em que a ciência consiga dar resposta a essa verdadeira interrogação.
Mas a segunda, essa, enquanto existir um ser humano, não haverá quem aceite, em pleno, que o saber tudo é coisa que não se conseguirá nunca

2OO.OOO NA RUA A PROTESTAR



A manifestação que, organizada pela CGTP, conseguiu juntar no sábado passado, ontem portanto, segundo parece, cerca de 200 mil “protestadores” contra a actuação do Governo de José Sócrates, o que provocou o maior confusão no tráfego da capital, sobretudo na avenida da Liberdade e ruas transversais, não causou, no entanto, no ambiente governamental, aquela preocupação que seria de esperar, apesar de ter sido bem exposta nos órgãos de comunicação social.
Com excepção do ministro Santos Silva, que é a figura que tem sempre a seu cargo a defesa das acções do Executivo socratista e que, a seu modo, algumas vezes grotesco, salta com frequência para o ataque às forças políticas adversárias, essa figura, no programa da SIC feito em comunhão com o “Expresso”, lá mostrou alguma coisa tida como explicação quanto a essa gigantesca manifestação popular ou lá o que era.
O que parece que ficou evidente é que aquela caminhada de gente que gritou todo o tempo, tinha um adversário concreto: José Sócrates. As bandeiras e frases exibidas tinham, quase todas, um alvo explícito: o nome e até a cara do primeiro-ministro, apontado como o culpado maior da situação aflita que se vive em muitas classe populares, com particular destaque para o desemprego que grassa de Norte a Sul de Portugal. Isso ficou claro.
Embora eu sempre tenha sido desfavorável a todos os tipos de aglomerações de criaturas que pretendem clamar em uníssono frases feitas por outros para expor o seu descontentamento perante alguma coisa que não lhes agrada, visto não ser desta forma que se resolvem os problemas, dado que é à mesa das negociações, entre gente civilizada e disposta a aceitar as opiniões dos outros, quando são melhores do que as suas, que se podem chegar a acordos satisfatórios, pois, apesar desse ponto de vista que defendo, face ao estado a que chegaram as coisas perante um Governo maioritário que teve, mesmo que com as dificuldades encontradas – temos que as aceitar -, algumas oportunidades para ultrapassar problemas pesados, a verdade é que deixou agravar demasiado as situações, chegando-se ao ponto de terem sido criadas as condições para se verificar esta soltura de gente a clamar por justiça, tal como as que tiveram lugar com o caso dos professores, que já seria uma derradeira forma de mostrar que as coisas não podiam continuar como estavam e havia que as solucionar, ainda que com o desacordo explícito - dos governantes
A verdade, porém, é que o Partido Socialista, com um secretário-geral e, por via disso, também chefe do Executivo, não tem sabido satisfazer também as opiniões favoráveis da totalidade dos seus militantes, o que ocasionou até que um grupo de altos representantes do seu grupo, no qual se destaca Manuel Alegre, não tivesse conseguido disfarçar a sua discordância com determinadas atitudes que têm sido tomadas com origem no largo do Rato.
Ocorrendo tudo isto no mesmo ano em que se realizarão no nosso País as eleições que colocarão em lugares de importância política elementos oriundos dos partidos concorrentes, não pode José Sócrates andar conformado com a sua actuação, por muito que pretenda afastar-se em viagens tidas como políticas por países que não apresentam, nesta altura, motivo de urgência de maior. O que se impunha era tentar formas de solucionar as questões internas de extrema gravidade que ocorrem no nosso País.
Eu, por mim, já cheguei à conclusão de que, perante os comportamentos â que se tem assistido, os resultados eleitorais, no que se refere à Assembleia da República, portanto à posse no Governo seguinte, não retirarão ao PS o seu lugar de comando, mas, no que diz respeito a maiorias, essa posição é que não parece poder verificar-se de novo, pelo que as circunstâncias se apresentarão bem diferentes daquilo que até agora tem existido.
Corro um risco atrevido com esta afirmação, mas apenas me fio no, apesar de tudo, certo bom senso do ser humano, da população, dessa que, apesar dos desvarios que o Homem provoca com as suas ambições pessoais, sempre acaba por, quando se encontra no aperto, acertar com uma saída menos péssima.

sábado, 14 de março de 2009

VERGONHOSO

Eu olho envergonhado em meu redor
Não encontro resposta p’ro que vejo
O mundo estava mal, mas está pior
É o que penso, digo-o sem pejo

O Homem faz guerras, uma vergonha
A inveja atingiu um grau maior
O ambiente está uma peçonha
Não se consegue ir para melhor

Envergonho-me, sim, do ser humano
Tratou-se por certo de um engano
Não foi para isto que foi criado

Assim, tenho de achar vergonhoso
E não poderei encontrar repouso
Se não se emendar o que está errado


ASSALTOS AUMENTAM



Ao ter assistido, na TV, a descrição do actor português que passou recentemente uma larga temporada no Brasil, de apelido Melo (peço desculpa por não ter fixado o nome) e em que contou o assalto de que foi vítima no Rio de Janeiro, em que lhe levaram tudo e esteve em riscos de vida, coisa que é tão banal naquela cidade carioca, só me veio à lembrança a vaga de assaltos e de roubos, também violentos, que estão a ocorrer no nosso País, com o uso de armas de fogo que cada vez são mais vulgares nas mãos dos bandidos, situação esta que, segundo parece, não se verifica, por parte das forças policiais, solução à vista, ao ter feito a reflexão quanto aos dias de amanhã que nos esperam não posso considerar-me tranquilo.
E é já a Imprensa que confirma essa insegurança, transmitindo dados oficiais portugueses que mostram ter aumentado o crime violento em 2008 e em relação ao ano anterior foi de 10,7% esse salto estatístico.
Estas notícias não constituem, de facto, nenhuma surpresa a dar aos cidadãos nacionais, dado que, diariamente, se tomam conhecimento de novos assaltos a tudo que pode representar alguns benefícios para os ladrões. Os bancos, que constituíam um objectivo quase raro dos amigos do alheio, hoje estão na mira de autênticos “gangs” criados para o efeito. E não se ficam por aí os malandrões dos bolsos alheios, pois que qualquer restaurante em pleno funcionamento é cobiçado para serem obrigados os clientes a deixar os seus haveres, como as caixas registadoras de tudo que é estabelecimento representam uma meta a atingir em cada acção, para não falar no habitual que são as estações de gasolina, as preferidas por tal gentalha.
Quer dizer, segundo tudo indica, não faltará muito tempo para alcançarmos a situação de vida perigosa que se conhece no Brasil, ficando quase igualitários neste particular, mas bem distantes no que diz respeito ao todo o resto que constitui as riquezas naturais que ali foram descobertas pelos portugueses nos anos de 1500.
A imigração que se tem verificado de cidadãos brasileiros que ainda procuram em Portugal o ponto de sossego para exercerem as suas profissões, essa tem tendências a diminuir, até porque o desemprego que grassa por cá não continua a constituir motivo de atracção dos nossos irmãos brasucas.
Mas poderemos andar descansados quanto às más acções dos grupos de roubo que podem transferir-se atravessando o Atlântico, se não se formar uma defesa policial capaz de tirar da cabeça dessa vaga de assaltantes brasileiros a ideia de que, deste lado da Europa, é tudo mais fácil para os objectivos que têm em mente?
Descansados é que não podemos ficar. E o actual Governo, no fim do seu quarto ano de vida, assim como os que se lhe sucederem, têm de tomar todas as medidas que estiverem ao seu alcance para não dar ocasião a que o mesmo venha a ocorrer entre nós. Há que confiar que não sucedam primeiro as malfeitorias e só depois, com lentidão, é que as polícias dão ares da sua graça!
Mais um problema para nos atormentarmos, para além dos muitos com que já nos defrontamos.

sexta-feira, 13 de março de 2009

VER DO OUTRO LADO

Por vezes sinto que estou morto
que já não pertenço ao mundo dos vivos
que estou onde não estou
que vejo do outro lado o que aqui se passa
não é nada comigo
é coisa estranha e distante
faz-me lembrar da última vez
que fui levado ao cemitério
havia gente a chorar
havia ?...
e lá me conduziram para onde eu queria
para o fogo
para as labaredas que rodearam o meu corpo
mas não senti nada
já não estava ali
vi de fora
tudo ardeu num instante
ficaram cinzas
foram despejadas num depósito
tem graça
nasci de uma gota e acabo em pó
atravessaram toda um vida
para isto
para terem havido preocupações
para coisa nenhuma
alegrias
zangas
esforços
canseiras
amores
desamores
ânsias
satisfações
prazeres
contradições
verdades
mentiras
pensamentos
esquecimentos
promessas
falsidades
disfarces
vaidades
tanta coisa e nada
uma vida
tão longa e tão curta
não deu tempo
para fazer o que era preciso
para ser útil
para sobressair
há quem diga que sim
que sou diferente
que me distingo
mas eu
que não estou apaixonado
por mim
não acredito
não me iludo
sei que me esforço
que procurei atingir a bitola
do bom
mas fiquei-me pelo sofrível
pelo mediano
a olhar para cima
a admirar
o que estava no alto


Por isso quase prefiro sentir-me perto do fim
fazer de morto
olhar à distância
ficar como que à janela
a ver-me
e a sentir o sofrimento
o meu sofrimento
o meu desgosto
não culpo o mundo de não me ter colocado
em qualquer pedestal
por pequeno que tivesse sido
e se não cheguei lá
foi porque não o merecia
também não me revolto
por outros se terem sobressaído
mesmo que sem mérito
mas isso só em minha opinião
discutível
provavelmente souberam aproveitar
as oportunidades
foram sagazes
atreveram-se
eu não
também não tive quem me desse
o entusiasmo que eu aspirava
fiquei-me metido para dentro
a encher papel
a colocar cores nas telas
e a esconder tudo
e a amar o que não estava ao meu alcance
a música
a composição
o uso dos instrumentos musicais
e em vez disso
só a utilizar
a caneta e o pincel
desajeitadamente


Sinto
que me vejo de longe
que contemplo os lugares que frequentei
sem mim
observo
as pessoas com quem me dei
sem estarem ao meu lado
vejo-me
sentado no café onde escrevo
olho para as ruas por onde passei
com outra gente
contemplo e reparo
já não conto
não estou lá
ninguém dá pela minha falta
é como se nunca tivesse existido
o mundo não parou
outra gente chora
alegra-se
sofre
diverte-se
tudo como dantes
como quando estava vivo
imagino eu

Julgo ver o mundo
Com muitos mais problemas
com a população aumentada
quase não cabe em nenhum sítio
tem carências
o ambiente é pesado
falta a água
a poluição é insustentável
a competição não perdoa


Quando sinto
que já não estou vivo
e contemplo o espectáculo
de lá de onde estou
já não me importo por não me encontrar
em qualquer pedestal
por mais ínfimo que seja
ao estar na Terra
preferiria estar preste a sair
a tempo
para fugir ao futuro que me esperava
para escapar do medonho
do horrível
dos muitos mil milhões de habitantes
que vão atafulhar o Mundo
e que apesar das múltiplas
antigas e novas doenças
que atacarão o Homem
como há raças que não perdoam
fazendo filhos
muitos
sobrepondo-se a outros
que são mais prudentes
fazendo mudar de cor
o Planeta
apesar disso não ser importante
porque os conflitos
não escolhem tons de pele
sendo seres humanos
por isso mal formados
e cada vez mais agarrados a crenças
a fés
a religiões
que julgam que lhes trarão a salvação
que serão perdoados depois de mortos
que terão benesses e regalias
no fim dos caminhos
só quando se encontrarem no outro lado da barreira
é que descobrirão
como eu julgo que concluirei
quando chegar a minha vez
e estiver a desfrutar
a gozar as vistas
sabendo que Inferno há só um
e é na Terra
nessa altura
e só então
darão gargalhadas surdas
e terão vontade de voltar atrás
e abanar o ser humano
gritando-lhes para terem juízo
para despertarem
e para aproveitarem todo o tempo
que mediou entre a gota e o pó
fazendo com que o Mundo melhore
tirando partido
da Vida.

QUATRO ANOS DE GOVERNO



É mais do que evidente que, mesmo que este Governo tivesse actuado, durante o período de quatro anos em que decorreu o seu exercício e que terminou ontem. com a mais perfeita das condutas, não se livraria das críticas de que é alvo, as que lhe são feitas e outras que, por ventura, ocorressem ao restante leque político e, igualmente, por muitos dos cidadãos portugueses que sentem na pele os efeitos do mau momento económico e social que se vive.
É sabido que, quem se expõe, sobretudo por sua livre vontade, perante a crítica dos que têm de viver sob os efeitos da sua actuação, não tem de estranhar que haja quem se encontre na outra ponta das preferências e que, face a essa circunstância, não esconda a aversão que lhe vai nas entranhas. Na área da política e, claro, em democracia, as oposições que existem servem precisamente para dar mostras do seu pensamento adverso daquilo que o partido vencedor utiliza. Se sucedesse o contrário é que era para estranhar. Quanto à disposição por parte dos cidadãos comuns sem partidarismos específicos, são as circunstâncias de cada caso que levam a que existam os apoiantes da governação vigente ou que se revoltem quanto a medidas que lhes são desfavoráveis. É por isso que, as perguntas de rua feitas por algumas televisões sobre “o que faria se mandasse”, não têm outro resultado que não seja cada um expor aquilo que lhe convem pessoalmente e que não tem nada a ver com a necessidade de se efectuar uma governação que sirva toda a comunidade.
Mas, falemos, tão correcta e honestamente quanto possível, no que diz respeito à actuação do Executivo de José Sócrates ao longo destes quatro anos que agora ocorreram. É evidente que esta também é uma opinião pessoal e, portanto, sujeita à concordância ou não de quem ocupar o tempo a ler este blogue, mas, dado que me sujeito abertamente à crítica, não escondo aquilo que diria pessoalmente ao primeiro-ministro caso ele se dispusesse a ouvir o que um jornalista independente pensa da sua actuação.
Considero que este período passado e, sobretudo, a partir do momento em que se começaram a sentir em Portugal os efeitos da crise que já é por demais conhecida, não se pode considerar como o ideal para um grupo de governantes poderem brilhar com a forma de exercerem a sua actividade. Mas também, por outro lado, é nas alturas mais difíceis que os homens capazes têm ocasião para dar mostras das suas habilidades, não se refugiando nas dificuldades para complicar ainda mais o que já é complicado levar a cabo.
E, sobretudo, existindo a cedência ao princípio de que, com a ajuda dos outros, é sempre mais fácil solucionar os problemas e encontrar saídas para as questões complicadas, sabendo ouvir e acolhendo os conselhos de parceiros e até de adversários, não se escondendo atrás do malfadado orgulho que tanto ataca os homens vaidosos, dessa forma até as oposições são da maior utilidade, deixando-as fazer propostas e não temendo revelar que as ideias que tenham, por ventura, saído dessas áreas, foram ajudas preciosas e que são acolhidas com o maior entusiasmo.
Ora, nada disto fez o governo de Sócrates. Disso tenho de o acusar. Foi arrogante, mal disposto, pouco amigo de dar explicações, fazendo algumas más figuras, especialmente por parte de uns tantos dos seus ministros que têm deixado muito a desejar, prometeu o que não devia e que sabia que não podia cumprir, não actuou em certas áreas que se mostravam mais necessitadas de uma mexida profunda, como, por exemplo, a Justiça (insisto nesta zona que tantas vezes tenho referido nos meus blogues) como outras igualmente mal tratadas pelos poderes públicos, enfim, não tenho a convicção de que este Governo tenha utilizado os quatro anos de que dispôs com aquela competência que seria desejável, especialmente numa altura em que a situação se mostrava desconfortável aos portugueses, com todos estes factores negativos não posso deixar em claro que o grupo de Sócrates foi o culpado de não ter conseguido mostrar aos cidadãos nacionais que vivíamos um período de dificuldades e que não era aconselhável exorbitar das nossas baixas possibilidades.
Mas a pergunta a fazer é, afinal, bem simples: e nas eleições que se aproximam, em que agrupamento se encontra uma resposta que permita o mínimo de confiança para a escolha de um Executivo que substitua o PS? Os partidos de Esquerda, os mais débeis em adeptos, vão poder subir na escala de representantes, mas não o bastante para tomar conta de um Governo, pelo que só poderão servir para prestar apoio ao grupo vencedor que não tenha obtido maioria, e será provavelmente o PS. Mas, no cômputo geral, atrevo-me desde aqui e a esta distância a afirmar que talvez se ganhe alguma coisa com o facto dos socialistas não obterem de novo uma maioria consoladora. É que não deram mostras de saberem utilizá-la. Não tiveram a macieza suficiente para, mesmo com votantes bastantes para fazerem passar as suas ideias, mesmo assim saberem ouvir indicações, opiniões, conselhos, que só lhes ficaria bem reconhecer como válidos. E isso teria sido extremamente útil a Portugal. Vamos a ver o que a abstenção que tudo indica vai ser enorme, acabará por permitir que saia nas urnas.
Estão ainda longe. Pois estão. Mas é aconselhável ir pensando já nesse dia em que teremos que nos deslocar para colocar o nosso voto. Vai ser, desta vez, mais necessário do que nunca.



quinta-feira, 12 de março de 2009

CONVERSAS

As conversas são tal qual as cerejas
umas atrás das outras sem parar
servem-se como petiscos em bandejas
não é fácil ouvir sem contestar

Falar, p’ra muita gente é preciso
é como abrir à alma as portas
o ideal, porém, é ter bom siso
e não se embrenhar em zonas mortas

Trocar ideias e os outros ouvir
ficar calado quando outrem fala
saber escutar com todo o respeito

É princípio sagrado do sentir
é dar a ideia de que se iguala
é andar perto do que é ser perfeito

VIAGENS DOS DEPUTADOS



Então, não devemos andar todos desconfiados, nós, os cidadãos deste País em que as falcatruas se sucedem umas às outras e sempre conduzem a que uma enormidade de euros vão parar aos bolsos de uns tantos espertos da silva?
Devemos ser confiantes e acreditar que os acontecimentos que são dados a conhecer – e quantos não ficam no segredo dos deuses? -, nem todos são factores de más acções por parte dos que se aproveitam do que lhes passa perto. Mas muitos passariam despercebidos se não existisse uma actividade que lá vai conseguindo informações que transmite ao público. Refiro-me, está bem de ver, ao jornalismo e à possibilidade que existe nos nossos dias de, apesar de tudo, não funcionar uma Censura, como aquela que estava sempre atenta e furiosa antes do 25 de Abril.
Pois bem, graças a essa facilidade, foi dada a conhecer na Imprensa portuguesa uma incongruência verdadeiramente revoltante. Sobretudo por não se verificar um elemento fiscalizador dentro da Assembleia da República, bem necessária sobretudo neste momento de crise, por forma a evitar despesas supérfluas, com as viagens e estadias dos deputados que atingem verbas, como agora foi divulgado, que se podem considerar excessivas.
É verdade que a actividade dos representantes do povo no Parlamento, em princípio e em tese, inclui a necessidade de deslocações em serviço a vários pontos do País e do estrangeiro. Assim, num blogue como este, não é possível opinar se poderiam ter sido evitadas algumas dessas deslocações. Mas que, desde o início deste ano e até ao fim de Fevereiro passado, se tenham realizado cerca de 106 deslocações, das quais apenas duas dentro do território nacional, e que essas viagens tenham custado à Assembleia da República mais de 235 mil euros, isso é que constitui motivo para levantar a questão de se não conviria analisar em pormenor cada caso, no que diz respeito aos destinos, às razões, imperiosas ou evitáveis e à facturação que as duas agências de viagens que têm o exclusivo para se encarregarem das operações de transporte e de estadias.
Não pretendo levantar aqui a desconfiança em relação a exclusivos concedidos para apenas duas agências tratarem das deslocações dos deputados. Mas a explicação deste facto está em falta e seria bem recebida por todos os que andam a contar os tostões por este País para as despesas familiares e que têm consciência de que o que se gasta mal na nossa Terra sai dos bolsos dos portugueses e deveria ser respeitado com absoluta consciência dos poderes públicos.
Insisto, pois: é evidente que Jaime Gama, na qualidade de Presidente do Hemiciclo, não pode dedicar a sua actividade a tipos de fiscalização das viagens dos deputados. Mas talvez lhe coubesse actuar no sentido de fazer todos os esforços por forma a tentar conseguir a criação de um departamento que tivesse tal encargo e se respopnsabilizasse directamente perante o Tribunal de Contas. Ou se criasse outro departamento mais indicado.
Quando se está em recessão e as debilidades vão sendo cada vez maiores, não é crível que qualquer partido com representação na Assembleia se oponha a que se tomem medidas que têm como objectivo controlar despesas públicas, de que não se excluem as viagens dos deputados.
Ou há moralidade ou comem todos…