domingo, 31 de maio de 2009

EUROPA

Essa Europa de que tanto se fala
e de que muitos querem fazer parte
não encontrou ainda o caminho,
anda confusa,
Essa Europa de que tanto se fala
anda perdida,
está a gastar tempo,
está a correr o risco de ficar pelo caminho.
A Europa das Nações é um sonho,
ter um objectivo comum
uma Constituição para todos,
um governo geral,
uma moeda igual – que já tem,
com línguas diferentes
costumes desiguais
bandeiras distintas
regiões autónomas,
conseguir tal objectivo, não é fácil.
E porquê,
se todos desejam fazer parte do grupo?
A resposta é simples:
é que a Europa é constituída por seres humanos,
também ela
como o resto do mundo
e é por isso que o entendimento,
a comunhão de ideias
e de interesses,
a capacidade de não exigir o comando,
o desprezar interesses pessoais,
o atender ao bem geral,
tudo isso falta ao Homem.
Querer ser o chefe,
o que manda,
desejar a melhor parte
é isso que destrói as comunidades,
é por aí que se partem as uniões.
A Europa chegou até onde está,
conseguirá avançar mais um pouco?
Mas quando?
E por quanto?
Até que ponto resistirá às discordâncias?
Ficará num mito?
Abdicarão os homens do muito mal pelo pouco bom?
E as regiões que, por essa Europa,
lutam por independência
estão a passar de moda?
Já eram?
Que isso de querer ser dono da sua rua
deixou de ter razão de ser?
Pois não parece…

E a emigração de que este Continente
está a ser alvo?
Os milhões de populações não europeias
que já entraram
e os milhões que virão a caminho,
instalando-se
tendo filhos,
muitos,
o dobro,
o triplo,
o quádruplo
dos naturais da Europa,
que mudança já provoca
e muito provocará
ainda mais
nos hábitos, costumes, língua,
cor da pele
na tradição europeia?
Daqui a cinquenta anos
quem cá estiver
e os que venham a ocupar
as terras europeias,
Paris,
Londres,
Madrid,
Berlim
todas as grandes cidades
deste Continente,
não encontrará nada igual ao que existe hoje.
Os adivinhos
que tenham a capacidade de ler no futuro
que desvendem esse mistério.
Talvez seja preferível, agora,
não saber…

Contemplando os homens de hoje
não será inevitável fazer
um exercício de reflexão
cauteloso?
E a pergunta impõe-se:
Como é possível existir uma Europa
com este material humano?
Essa Europa do todos por um
e do um por todos,
que vem nos livros
e se coloca nas bandeiras dos clubes
é uma forma de actuar
à moda antiga,
Porque a realidade de hoje é outra.
Afinal podemos ter esperança?
Será melhor persistir na Europa
ideal,
unida,
sonhada para ser eficiente,
capaz de juntar vontades,
interesses,
forças?

Deixo aqui a pergunta
esta e todas
e sei que há duas respostas,
antagónicas,
contrárias.
Uns, os crentes por natureza,
acreditam no êxito,
têm fé que os homens
encontrem o bom senso.
Outros, nos quais me incluo,
perderam a esperança.
Andamos a enrolar o tempo,
assistiremos aos altos e baixos,
aos avanços e aos recuos,
às reuniões,
aos banquetes
às discussões,
aos abraços,
às viagens para um e para outro lado,
aos discursos inflamados,
aos processos de intenções,
aos amuos,
aos sorrisos forçados,
às fotografias de grupo
todos em bicos de pés,
mas não passará disso,
ficará sempre nisso…

Europa unida,
em bloco
toda igual,
vivendo todos bem, os europeus?

Que sonho mais lindo!

UM FUTURO COMPLICADO




Ter sido determinado que as três eleições, que ocorrem este ano em Portugal, se efectuassem umas após as outras num curto espaço de tempo, muito embora não se admita que essa opção surgisse propositadamente para cansar os eleitores e dar-lhes as condições para faltarem ao seu dever, sobretudo sabendo-se que a atracção das praias se sobrepõe a um acto civilizacional que, por cá, se coloca sempre em lugar secundário, em particular na classe dos mais novos, terem os políticos, tidos como experientes, acordado nessa escolha de período não pode deixar de surpreender quem anda preocupado com o amanhã de Portugal.
Domingo, dia 7 de Junho, é o primeiro dia e, por sinal, destinado às eleições europeias, as que, precisamente, menos atraem os votantes. Vamos ver como se comporta o povo, de Norte a Sul, e tenhamos todos a esperança de que não se vai verificar uma ausência assustadora, mas se tal for comprovado não será de esperar que os partidos políticos e as entidades que se encontram ligadas a estas situações não venham demonstrar grande espanto, como se não fosse aguardado este comportamento dos cidadãos nacionais. Cá estamos para ver e ouvir.
Mas também pode ser que a situação que ocorra no domingo sirva de lição e dê argumentos para que os intervenientes em todo o processo abalem as estruturas e tudo façam, dentro dos seus limites de actuação nesta altura, já excedido o tempo mais indicado para chamar a atenção dos portugueses, de molde a que os actos eleitorais que se seguem proporcionem uma maior deslocação dos votantes em potência aos respectivos locais de escolha dos seus preferidos.
Numa ocasião em que, neste blogue ou noutro qualquer meio de comunicação mais influente, já pouco há a fazer, cada um procede da maneira que tem mais à mão para influenciar os próximos a fazer esse sacrifício de se colocarem na fila para efectuarem o seu dever de votar. Mas, provavelmente desta vez, não se formarão as tais “bichas” que sucederam em situações passadas. E oxalá esteja enganado na minha perspectiva. Mas a desmotivação dos portugueses é tão grande que, ao contrário do que seria de esperar, pois, quanto mais aflitos nos encontramos, maior tem de ser a motivação para interferirmos nas soluções.
Repito: seria bom que este prognóstico se encontrasse completamente fora da realidade. Não se trata de um desejo, como os que me conhecem sabem que não seria capaz de pensar assim. Mas, pelo contrário, de um texto de alguém que se encontra aflito com o futuro que não é estranho que, embora não se deseje, se espere que aconteça neste País!...

sábado, 30 de maio de 2009

ODE A PESSOA



Oh! Pessoa
tu que me inspiras, que me orientas
na minha cabeça ecoa
o que em mim sustentas
com o teu génio ou o dos teus heterónimos
com rima ou sem ela
mas sempre bela
afastando os demónios.
Ajuda-me, oh! Pessoa
a escrever esta ode
pensando em Lisboa
saindo como pode
com esforço, com rompantes
contrariando o ruído do café que me acolhe
que tem algo de igual ao teu que era dantes
mas que, tal como contigo,
é o café que escolhe
a freguesia, qual porto de abrigo
é ele que anima a que olhe
e veja o que me rodeia, o mau e o bom
aquilo que me foi dado apreciar,
deleitar
e ouvir o som
com agrado ou sem ele
E desde que me conheço
é o que peço:
que Aquele,
o que comanda,
não deixe a banda
à solta.
Pessoalmente penso assim
não me importa saber
se outros julgam igual a mim,
eu sei o que fazer
com a inspiração do poeta,
não basta pegar na caneta
e divagar,
pessoar,
procurar
no íntimo do sentimento
o que tiver mais cabimento
para saudar,
gritar
que poeta serei quem for
mas por amor
ao génio de um poeta dedico
e por aqui me fico
a compreendê-lo
e a relê-lo.

Ele, que dizia não ser nada
era tudo
perdido em frente da sua janela
ou sentado no café, à mesa,
procurando a frase mais bela
e encontrando com certeza
a sua inspiração
interpretando os sonhos do mundo
com devoção
bem no fundo
carregando a carroça da vida
com o fervor de um crente
que sabe que só há ida
por isso olhando sempre em frente
sem saber que o futuro
lhe traria tanta aclamação,
que transporia o muro
da vulgarização.

Oh! Fernando
tu que não sabias o que eras
nem como nem quando
que não crias deveras
nas certezas do mundo,
que só a Tabacaria era verdadeira
porque a vias ao fundo
da tua rua inteira
onde compravas os cigarros
da mesma maneira
que sacudias os catarros
e bebias a tua jeropiga
para acalmar a ânsia de versejar
e respirar
e produzir outra cantiga
sem fadiga,
naturalmente,
mas preocupadamente
a pensar que os versos criavam nada
que acontecia zero
que não havia fada
capaz de mudar, mesmo em desespero
a vida sensaborona,
triste e pesada,
qual matrona
pavoneada.
Hoje, o mundo sempre igual continua
parece diferente, mas nada mudou
aqui nesta como em qualquer outra rua
quer para quem trabalha e também estudou
porque os políticos continuam a falar
na busca de eleitor,
a dissertar
mas não são capazes, nem querem mudar
seja o que for
lá se vão enchendo
porque o que dá lucro vai-se mantendo
que o povo, esse fica,
a gritar pelo Benfica
sem eira nem beira
agarrado à bandeira
como se fosse da Pátria a salvação
a gritar nos estádios com emoção
contra quem seja
tendo na mão a cerveja
que dá calor
tremor
mas não altera os resultados
dos futebóis ou dos pecados.
Hoje está tudo na mesma
como a lesma.

Vês, Pessoa ?
Não fui capaz.
Estás onde estás
e eu estou onde estou
e não sei quando vou.
Verás que a minha intenção era boa
que me esforcei
mas o génio não agarrei.
Não digo como tu
que não sei o que serei,
sei sim, foi o génio que ficou no baú
e que também nada herdei
e como deixei de fumar
continuo sem achar
a Tabacaria
a que te trazia
o fumo da inspiração,
a divinização.

Perdoa-me, Fernando
Continuarei procurando
mas será tarde
para fazer alarde
de algo que me falta
para trazer à ribalta
coisa de valor,
mas amor
esse sim, não perdi
e como mostro aqui
não serei capaz
mas lá contumaz
é o que até agora tenho sido
e estou decidido
a prosseguir
enquanto a vida mo permitir.

Pessoa houve um,
não haverá mais nenhum
e se alguém o prometeu
não fui nem serei eu.

SÊ-LO E PARECÊ-LO...



Nem os políticos que estão no activo e que passam a vida a revelar faltas dos outros, nem esses que se julgam cumpridores absolutos das leis e que querem fazer crer aos cidadãos que são intocáveis e imunes de defeitos, até mesma essa camada de pessoas que deviam dar o exemplo mas passam a vida a cometer faltas, quando se lhes apontam tais erros dão-se ares de ofendidos, de perseguidos, de vítimas das más intenções de quem levanta a acusação.
Nem é preciso pôr mais na carta, dado que a opinião pública desfavorável que, cada vez mais, se avoluma em relação aos que se instalam nos lugares que lhe oferecem um elevado nível de vida que, fora disso, seria igual a todos os outros que enchem este País e que bem se queixam das agruras, a opinião pública, repito, não pode ser mais clara quanto à credibilidade que lhes merecem os chamados políticos profissionais. E, por vezes, alguns deles deixam-nos surpreendidos, pois que, apesar de tudo, sempre existem uns tantos que se podem julgar como pessoas de bom índole, razoáveis intenções de servir, diferentes da maioria que só procura entrar na vida pública com uma intenção: servir-se o mais possível das regalias e facilidade que são obtidas com os cargos que conseguem e, numa palavra, meter nos bolsos os maiores proventos que conseguirem, ao ponto de, em muitas situações, entrarem na política com uma mão à frente e outra atrás e, quando saem, surgirem com riquezas escandalosas.
As condescendências do Executivo de Sócrates, que não toma medidas quanto a dois casos noticiados esta semana de que o “patrão” da Telecom ganha quase 97 mil euros por mês e de que o similar de cargo na EDP leva para casa, mensalmente, outro tanto, quando recebia 4.800 euros quando exercia funções no Governo, não podem haver palavras que procurem justificar tamanha pouca vergonha!
Mas isto, sendo sabido por bastante de todos nós, os que estamos de fora e assistimos ao espectáculo sujo que nos é oferecido, não deixa de nos escandalizar. Agora, tanto os que se encontram lá no palco, como outros que já partiram para funções de que gozam agora as benesses que conseguiram com funções ultra bem remuneradas, graças à influência que exerceram, esses não podem alegar que desconhecem a lei que rege “a obrigatoriedade de aguardar três anos a partir da data da cessação da funções públicas, antes de exercer cargos em empresas privadas que prossigam actividades no sector tutelado anteriormente pelo próprio, desde que no período do respectivo mandato tenham sido alvo de benefícios fiscais de natureza contratual”.
Quantos não são, além dos enunciados atrás, quer nesta altura quer os que já beneficiaram antes, os ex-membros de governos que bem se regalam com lugares ultra-bem remunerados em empresas que, tempos atrás, estiveram sob a sua alçada política? Nem é preciso acrescentar mais casos à lista de tais personalidades.
Mas, o que me espantou recentemente foi ter tomado conhecimento do caso de uma figura que eu, apesar de tudo, ainda tenho na conta de se tratar de uma pessoa que não dá assim tanto nas vistas pela exibição de grandezas. Trata-se de Manuela Ferreira Leite. É sabido que exerceu as funções de ministra das Finanças durante o governo de Durão Barroso. Disso todos nos lembramos. Só que é menos do domínio público que, nessa ocasião, concedeu o regime de neutralidade fiscal à reestruturação do grupo Totta, que incluía, entre outros, o Santander Portugal. E essa determinação, cujos efeitos não vale a pena aqui reproduzir, custou ao Estado cerca de um milhão de euros.
Pois bem, apesar de serem conhecidas opiniões contrárias de técnicos fiscais quanto a dever a agora presidente do PSD cumprir ou não o que determina a lei descrita acima, o que é factual é que a D. Manuela, em 2007, exerceu as funções de administradora do Santander, auferindo, num ano, cerca de 83 mil euros de salário.
E, já se dizia em tempos recuados: não basta ser-se honesto, é preciso também parecê-lo… E, digo eu agora: todos têm o seu Freeport às costas!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

MENTIRA

Espalhar uma mentira
sempre com um ar sisudo
provocará certa ira
e deixa o da verdade mudo

Tanto se espalha uma peta
convencendo os que a escutam
que ninguém diz que é treta
e até quase a desfrutam

A mentira construída
com jeito e habilidade
é como uma ferida

Que só tratada a metade
provoca uma recaída
e nem se salva a verdade



JUIZO DOS JUIZES



Eu, por mim, não me canso de criticar todo o sistema de Justiça que existe em Portugal. Faço-o aqui frequentemente e, ao ter assistido num programa da SIC a uma reportagem feita no Supremo Tribunal da Justiça, em que foram ouvidos o Presidente e o Vice-presidente daquela Instituição, não posso deixar de expressar o meu completo desconsolo por verificar que, afinal, se compreende o motivo por que todo o processo de movimentação nesta área e precisamente cá no nosso País é tão criticado e perdeu toda a credibilidade por parte dos cidadãos.
As afirmações dos dois principais responsáveis pela Justiça no seu mais alto degrau não podiam dar melhores mostras de que estamos condenados a que nada se modifique, pois o agrado e os elogios que produziram ao trabalho que é feito nesse alto Tribunal, segundo eles, só é merecedor de elogios e não se ouviu uma só palavra que indicasse formas de modificar alguma coisa que contribuísse para o fim da tortura de longas esperas pelos resultados que têm de ser apresentados em cada julgamento.
Estão, pois, todos muito contentinhos. E, da parte do Governo que temos tido e dos anteriores, é preciso não esquecê-lo, nunca se verificou uma movimentação no sentido de modificar de vez uma situação que se tornou completamente vergonhosa.
É verdade que os advogados, especialmente o seu Bastonário, algumas vezes aludem a uma situação que tanto os prejudica, pois não é fácil convencer os seus clientes de que têm de aguardar longos meses e até vários anos para que as suas causas sejam resolvidas. E, sobretudo agora, que os custos judiciais também aumentaram, ainda mais se agravou a paciência dos cidadãos que, se, por um lado, não confiam muito na Justiça que temos, por outro, com o dinheiro que é preciso despender para tentar obter algum resultado, é difícil arriscar no escuro.
Será que, por mais eleições que tenham lugar e que se alterem as constituições governamentais, não se consegue que o nosso País se meta a fundo no problema e, doa a quem doer, altere substancialmente uma situação?

quinta-feira, 28 de maio de 2009

AGNÓSTICO

Deus, sejas tu quem fores e onde estejas
aqui estou eu, perdido na vida
na esperança de que do alto me vejas
e que me indiques a melhor saída

Tens de existir porque o mistério há
pois há muita coisa por explicar
terá sido, sim, algum Jeová
que foi autor do que é de espantar

Não pode haver fundamentalismos
há que aceitar o sim e o não
ser ateu é aos deuses dar prazer

Estou por isso à beira dos abismos
mas não preciso de nenhum perdão
menos a condena de um qualquer

SÓ 10 MILHÕES DE EUROS!!!




Oliveira e Costa foi, a seu pedido, à Comissão de Inquérito da Assembleia da República para apresentar as suas razões em relação ao caso do PBN e, numa longuíssima exposição, pretendeu explicar muitas das situações que foram criadas e enfrentadas ao longo da existência da instituição bancária, surgindo, perante este panorama, para além da acusação directa ao comportamento de Dias Loureiro, o ainda Conselheiro de Estado, e de outras personalidades, incluindo accionistas do Banco em causa, que ele chamou de “grupo dos 10”, mas deixando a impressão de que se excluía de qualquer responsabilidade no que respeita aos acontecimentos no interior daquela instituição bancária. Foram expostos muitos problemas que merecem ser averiguados profundamente para que sejam encontrados os verdadeiros culpados e, face a isso, de uma vez por todas se verifiquem as punições que raramente são aplicadas quando se situam nas áreas de “colarinhos brancos”.
Teria valido a pena que Oliveira e Costa, em lugar da canseira que representou para ele e para quem o esteve a ouvir, a leitura mal entendida de um texto durante cerca de 3 horas, tivesse entregue anteriormente toda a declaração aos membros do Conselho de Inquérito, o que teria permitido estarem já as perguntas formadas pelos inquiridores e sendo mais fácil apontar apenas as questões que mereciam maior atenção.
Seja como for, o que não parece oferecer dúvidas é que o objectivo prioritário de Oliveira e Costa, que na primeira apresentação aos interrogatórios que existiram antes de ter sido condenado a prisão preventiva, que se encontra a cumprir, se manteve em silêncio, era agora ter-se prontificado a desmentir algumas das afirmações prestadas por outros intervenientes que compareceram dias trás.
O que também há que sublinhar é que, tendo-se desculpado com diversos argumentos de muitos factos que são apontados como causadores da situação fraudulenta que motivou a actuação governamental de meter mão no assunto, em nenhuma parte da longa leitura de Oliveira e Costa se ouviu declarar-se também principal conivente nas acções que contribuíram para a situação negativa de mil e setecentos milhões de euros a que o BPN chegou, como anunciou agora o sector oficial, que declarou não ir despender um cêntimo em indemnizações ao actual detentor das acções daquela instituição.
Não restam dúvidas de que decorrem actualmente na opinião pública casos e declarações que, pelo menos nisso, distraem os cidadãos para o problema principal que nos rodeia e que é o de mais difícil solução. Quer Marinho e Pinto, o Bastonários dos Advogados que manteve uma discussão acesa com Manuela Moura Guedes e deixou bem claro que não tem “papas na língua”, quer agora Oliveira e Costa, ambos, e não só, dão mostras de que este País caiu nas mãos de sorvedores de dinheiro mal ganho, o que constitui um verdadeira afronta em relação ao estado em que se vive neste Rectângulo.
E, a propósito, os dez milhões de euros que foram exigidos e recebidos por Miguel Cadilhe, quando lhe foi entregue pelo Estado a conduta do BPN por alguns meses, o que resultou num salário de mais de 60 mil euros por dia (!), esse gesto também não esconde como os “espertos” fazem facilmente fortuna. Afinal, Oliveira e Costa foi mais comedido. “Só” recebeu duas vezes e meia menos pelos dez anos que se encontrou à frente do Banco – disse ele!.
Enfim, é este o País onde vivemos. Que se pode fazer?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

VERSOS LIVRES


Aqui estou eu à frente do papel
à espera que a inspiração me chegue
olhando para a rua a ver passar
aqueles que não olham para a folha
em branco à espera de estar cheio
de letras, de palavras e de versos

Serão felizes esses que não puxam
por um génio que não lhes faz falta?
Quem sabe se não seria melhor
conhecer tudo sobre o futebol
preocupar-me só com o meu clube
e andar em dia com o jet-set?

Se fosse assim, poemas não fazia
e descansava quem viesse a ler
todos os versos livres e bem livres
porque de rima mesmo nada têm
e a cadência é o que lhes resta
mas mesmo assim encheram o papel

ELEIÇÕES Á VISTA



Inegavelmente confundido no que diz respeito à escolha que me cabe fazer nas próximas eleições, em que os portugueses têm o dever de pensar seriamente nas preferências que vão assumir em três eleições, na que diz respeito aos representantes nacionais no Conselho da Europa, na do capítulo de apontar os responsáveis camarários e, acima de todas essas opções, na que se refere aos governantes que poderão vir a assumir a condução política de Portugal, repito, seriamente preocupado com a obrigação de ter de depositar os meus votos nas urnas, com o intento de errar o menos possível, com o tempo que vai faltando para enfrentar essa melindrosa acção, cada vez me encontro mais distante de ser capaz de acreditar que esse meu gesto irá ser o mais adequado.
É que, em cada zona que se situa na área abrangida pelos votos, com o tempo que vai avançando deparo sucessivamente com erros, falta de profissionalismo, ausência de bom senso, exibições de vaidades caricatas, gastos consentidos em todo o País e por determinação de diferentes poderes, mesmo locais, e em situações que não se podem considerar como inadiáveis, ausência de atribuições bem estudadas, a todos os níveis, de responsáveis, pois que se continuam a esconder as faltas dos culpados directos em cumprir mal as suas obrigações, teimosias em manter determinações equivocadas, mesmo que sejam audíveis as reclamações populacionais que já não escondem o seu descontentamento de Norte a Sul do País, ainda que não assistamos a propostas concretas que sejam convincentes.
Enfim, chegámos a uma altura em que a confiança se encontra completamente perdida e a esperança já só existe nas cabeças dos privilegiados, que esses ainda por aí existem e sabe-se, de uma forma geral, quem são, os que auferem pagamentos de ordenados que são inadmissíveis num País afogado em dívidas, como é o nosso. O que é de recear é que, por este motivo, as massas não venham a mostrar grande entusiasmo em se deslocar aos pontos da votação e esse é o grande perigo, porque as abstenções podem resultar num panorama posterior de ingovernabilidade que é, por sinal, o que os escolhidos até preferirão, dado que as condições actuais e as mais graves ainda que se aproximam podem servir de desculpa para a falência completa de um País que se arrisca a bater no fundo e a não ser capaz de voltar à superfície.
É que, para tentar pôr de pé o que se encontra doente com pouco remédio para salvamento, pode-se, apesar de tudo, esperar que algumas falhas perigosas em que nos meteram sejam solucionadas, por exemplo que a Justiça consiga vir a desempenhar o seu papel com absoluta justeza em todos os seus aspectos e que terminem, de vez, as demoras e as soluções revoltantes que têm marcado a actuação dos Tribunais. Será um passo positivo, se bem que não chegue para pôr em ordem todo o conjunto de maleitas que nos invadiram.
Passarão as escolas, especialmente as primárias (e continuo a chamar-lhes desta maneira, porque isso dos ciclos não melhorou em nada o ensino), a colocar nos estudos secundários os rapazes e raparigas devidamente preparados, como sucedia no tempo das gerações de há 40 e 50 anos, sobretudo quando o que seria necessário, nesta altura precisa que atravessamos, era ensiná-los com convicção como se deve praticar a Democracia?
Seremos capazes de resolver à distância problemas de enorme urgência, como é o da falta de médicos por todo o País, sobretudo no interior, deixando, como se encontra, a população mais carenciada desprotegida de saúde, mesmo que seja, por agora, com a contratação de técnicos estrangeiros, já que não se foi capaz de prever durante anos a fio que havia que tomar as medidas essenciais na Faculdade de Medicina?
Conseguiremos caminhar seguramente para o terminus do desemprego que grassa já a níveis de transformar a população nacional em pedintes que não conseguem sobreviver com a miséria em que se encontram já a viver?
Acabarão as falências sucessivas que se vêem por toda a parte de tantas empresas grandes, como sobretudo pequenas e médias?
Haverá esperanças de que iremos assistir a um corpo governamental de confiança, formado por políticos, para além de honestos, sobretudo competentes?
Chegará algum dia um Parlamento cuja composição não seja formada por elementos que só ali se situam para garantir uma reforma confortável e passar uma temporada a descansar em bons cadeirões e a fazer telefonemas e a entreterem-se no computador, nos intervalos em que não fazem a sua soneca, deixando os que ali estão para isso, a atacar de viva voz, mas sem resultados práticos, os adversários de partido?
Será que o Governo que vier a tomar posse não insistirá na loucura de endividar ainda mais Portugal com obras transcendentais que, por muito úteis que venham a ser no futuro, também deixarão os cidadãos de amanhã com encargos muito difíceis de liquidar?
Mas quanto ainda mais poderia aqui deixar neste texto, no capítulo da dificuldade em fazer a cruz nos boletins de voto com o mínimo de consciência que se tratou do mal menor. Mas a verdade é que os portugueses, precisamente por se estar a atravessar um período de muito difíceis, quase impossíveis, soluções, é que todos os portugueses devem analisar bem as suas consciências e não ficar em casa à espera que outros façam por si o que lhes compete. Que é votar!
Temos todos de tomar consciência de que o que corre enorme perigo, tanto por cá como noutros países onde já se começaram a verificar desacatos populares, é a própria Democracia. E a História já nos ensinou, mesmo no nosso corpo, como custa estarmos sujeitos a uma Ditadura…

terça-feira, 26 de maio de 2009

VERDADE


O que é isso da verdade
é a tua igual à minha
depende ela da idade
nunca se encontra sozinha?

Ela própria não se ajusta
com a que nós defendemos
a que é certa e que é justa
não é bem a que queremos

Porque a minha bem me calha
a tua não me dá jeito
a terceira é que não falha

A que merece respeito
a que por vezes baralha
a verdade sem defeito

SONDAGENS



Se as sondagens constituíssem uma certeza no que respeita aos resultados das eleições que se aproximam, se, para além de uma indicação das probabilidades, fossem uma garantia daquilo que é espectável e não fossem objecto da mais pequena dúvida, então não valeria a pena os votantes incomodarem-se comos resultados da ida às mesas para depositarem a sua opção e bastaria manterem-se nas suas ocupações habituais a aguardar os resultados oficiais que, dentro do espírito de confiança nas inquirições prévias a uma percentagem da população, já tinham apresentado a resposta segura.
Claro que, se fosse esse o procedimento da maioria dos cidadãos, o que aconteceria era que os abstencionistas obteriam a maior percentagem e isso alteraria enormemente os mapas das sondagens. Por isso, o panorama descrito neste texto não tem cabimento em circunstâncias normais de ida às urnas.
O que importa, pois, numa análise ao problema das sondagens é discutir se as mesmas são úteis ou não, para orientar os votantes a decidir sobre as suas escolhas. É certo que surgem sempre, nas indicações apresentadas pelos prognosticadores antecipados das eleições, as percentagens de votos em branco, dos de não sabem ou não respondem e de abstenções. De igual forma, as percentagens de erros também são levadas em conta nos inquéritos, as quais podem servir de desculpa para algumas diferenças mais evidentes que se encontrem posteriormente no conhecimento oficial da consulta à população.
Porém, há também que ter presente que os resultados tornados públicos das consultas prévias poderão influenciar as opções dos votantes na hora de colocarem o seu sinal nas folhas respectivas. É que, ao darem-se conta de que um determinado partido se encontra mal colocado na tabela, tal má qualificação tanto pode servir para prestar uma ajuda com mais um voto, como, precisamente ao contrário, se já se situa numa posição que não lhe dá garantia de marcar presença no panorama nacional, então não valerá a pena desperdiçar um voto e será preferível optar por aquele concorrente que as sondagens apontam como provável vencedor.
Em qualquer dos casos, o que tudo indica é que, ao fim e ao cabo, as sondagens não terão um efeito benéfico nas vontades concretas das populações menos confiantes nas suas opções, que são, podemos opinar, a maioria dos cidadãos com menor esclarecimento político. Mas também, se não se efectuasse esses estudos quanto às probabilidades do que irá sair de uma determinada eleição, também a Democracia seria mais difícil de pôr em prática, sobretudo nos países onde a população não se encontra ainda muito familiarizada com o respectivo uso das normas.
Na vida há sempre prós e contras naquilo que entendemos fazer.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

FASCINANTE


O que é ser fascinante para mim?
por exemplo é ver a natureza
dos campos e também do meu jardim,
como ouvir o coração com pureza;
não invadir o espaço alheio
e aproveitar todos os momentos,
é ter todos os dias o anseio
de a humildade praticar aos centos;
só se arrepender do que não fez,
estimular a criatividade,
brincar, como em criança talvez
e também chorar a felicidade;
ter pensamentos positivos é
fascinação plena de auto-estima
e perdoar às pessoas até
a vida não ter de ser uma esgrima;
descobrir que dos outros precisamos,
como aceitar que tudo tem limites
e mesmo aquilo que não gostamos
deva ser razão para que tu grites;
respirar a bela brisa do mar,
como curtir as pequenas vitórias
são coisas fascinantes e sem par
ao mesmo tempo verdadeiras glórias;
não prometer se não podes cumprir
é algo sem qualquer fascinação;
falar dos outros mal só é servir
para provocar grande confusão;
ter fascínio por algo fascinante
é poder ficar contente consigo
não é ser santo mas estar constante
com um sentimento muito amigo.

Depois deste sonho bem acordado
do que gostaria de ser sem ser
encarando de frente o meu fado
reconheço em mim homem qualquer

ESPERANÇA



Sejamos hoje optimistas. Tenhamos esperanças de que o nosso País, a breve prazo, irá entrar numa fase de crescimento e que todas as dificuldades com que se debate cá a população já há uma dezena de anos, que vão ser debeladas e que entraremos, por fim, numa fase de pleno emprego e de um ambiente social que se pode igualar aos mais avançados da Europa. Aceitemos também que o mundo, dividido em religiões diferentes, se passará a entender e que acabarão as questões que têm posto em confronto os diferentes grupos com fés antagónicas, sendo posto fim ao diferendo tão profundo entre muçulmanos e judeus e todas as religiões aceitarão as crenças dos outros, sendo ultrapassado, por isso, o mau ambiente que está instalado e terminarão os grupos de terroristas que têm assolado por toda a parte. Enchamo-nos de alegria pelo facto de a Europa ser capaz de criar os elos de ligação que contribuam para que, depois da existência da moeda única praticada por todos, sem excepções, se firmem os acordos no sentido de passar a verificar-se a prática de uma unidade nas mais diversas áreas, de molde a que, embora respeitando-se os hábitos e costumes de cada zona, se passe a viver em uníssono, económica, financeira, política, militar e socialmente falando.
Ao mesmo tempo que se conseguem dar esses passos da maior importância para que o entendimento humano seja uma realidade e um comportamento decisivo para que se possa apenas pensar no bem estar das populações, que acabem as enormes disparidades entre os muito ricos e os miseráveis, que exista um controlo de natalidade para que a não se verifique um aumento descontrolado de nascimentos sobretudo de emigrantes de países longínquos, simultaneamente com a duração da vida humana garantida em excelentes condições.
Tudo isso faz parte de uma perspectiva que os optimistas desejam manter e que não admitem que os mais realistas abordem temas que não se encontrem dentro deste panorama do ideal.
Pois aqui estou eu a fazer-lhes a vontade. Como me iludi ao mimosear-me com tamanhas regalias que deveriam, de facto, ter uma existência real na vida do ser humano! Mas, ao chegar ao fim da escrita, ao reler todo o texto, caí na verdade dos factos. Tudo o que ficou enunciado não passa de uma quimera que, desde que o mundo foi construído com as características que se vão descobrindo e com o modo de vida que as invenções humanas foram aplicando no Globo terrestre, nunca se caminhou nesse sentido e o egoísmo do Homem não deixou que, em qualquer altura, ao longo de séculos e de milénios, se conseguisse a tal harmonia, o referido bem-estar, o entendimento fraterno entre as populações.
Mas faz bem, de vez em quando, termos ilusões de que o futuro será um Paraíso terrestre. Mais vale concordar com a sentença de que “a esperança é a última a morrer…”

domingo, 24 de maio de 2009

GERAÇÃO SOFRIDA


Que esperanças tinha que houvesse Abril
o que eu ansiava por fim do inferno
bem dentro guardava sonhos mil
e que apodrecesse o que era governo

Levou tempo, tempo demais, demais
vivi o antes até demasiado tarde
passei por excessivos vendavais
tropecei em muita gente cobarde

Até que chegou, não era sem tempo
veio com armas, não era o ideal
para tantos terá sido um contratempo
não estava no programa tamanho funeral

Foi a euforia, a loucura nas ruas
tirou-se o tampão da garrafa fechada
tal como quem tira por fim as gazuas
do portão de uma quinta trancada

Uns quantos tinham razão de estar felizes
terão sofrido muito até então
não tiveram conta por quantas crises
passaram, apenas por dizerem não

Mas terá sido assim com a maioria,
toda essa gente que se mascarou
vestiu a farda do revolucionário, seria,
por dentro aquilo que mostrou ?

Quantos apanhada a carruagem em giro,
não foram os que ganharam com a troca ?
Fizeram tal e qual como o vampiro
e puseram-se, matreiros, bem à coca

Como ganharam com isso os aproveitas
chorudo futuro festejaram
valeu a pena a troca, largas colheitas
tiraram do campo que outros lavraram

Aqueles que tinham idade para tanto
e passado que sangrava em ferida
quase que foram postos a um canto
tratava-se, afinal, da geração sofrida

Sofrer antes e sofrer depois é muito
não é justo, há que reconhecer
poderá não ter sido esse o intuito
mas é algo que dá para entristecer

Geração sofrida, tem que se dizer,
ela existe, obscura e triste,
a juventude nem pode agradecer
ninguém mostrou e disse em que consiste

E assim se vai escrevendo a História
com lacunas, esquecimentos, inverdades
a geração sofrida escapa à memória
quem não sabe não alimenta saudades

Geração sofrida,
O que não pode estar é arrependida

JUVENTUDE DE HOJE

Numa altura destas, em que as perspectivas em relação ao futuro que nos espera, a nós como cidadãos do mundo, que enfrentamos as maiores dificuldades económicas e sociais que não poderiam ser esperadas uns tempos atrás, e que, em Portugal, por ser um País pobre e ainda longe dos avanços que já chegaram a muitas nações mesmo europeias, já atingiram proporções que estão a ser sentidas com enorme preocupação, neste momento preciso não será descabido dedicarmos a maior atenção ao que se passa com a juventude nacional que anda por aí e, de uma forma geral, não tomou ainda consciência do que a espera num futuro que não será muito longínquo.
É vulgar ver uma rapaziada estudantil que, nas horas de vaga nas escolas, se reúne em cafés perto das instalações liceais e aí dá mostras da uma irreverência e de um comportamento que, pelo menos para as pessoas que rondam agora idades entre os 60 e 70 anos, não poderão ser as mais aconselhadas, sobretudo se, de memória, efectuarem a comparação com o que ocorria nas suas épocas de infância.
Pois, com um vestuário despreocupado e que, pelos vistos, nem todos os estabelecimentos de ensino criam estatutos para que eles e elas se apresentem com limpeza e minimamente composto, especialmente no que diz respeito aos agora tão usuais decotes femininos exagerados, o que, de facto, não é o mais importante, o que se nota de seguida é o uso e abuso do tabaco, abrindo consecutivamente os maços de cigarros que é preciso ter dinheiro para suportar tamanho gasto. E, para além das despesas que fazem nesses estabelecimentos de bolos e de cafés e refrigerantes, a linguagem que usam e que fazem gala em utilizar aos gritos, de forma a que todos os clientes oiçam com clareza as asneiras que pronunciam, essa demonstração de falta de instrução escolar e de mau acompanhamento educacional por parte dos parentes caseiros provoca a quem os escuta, mesmo sem querer, uma repulsa e uma justificada preocupação no que diz respeito à confiança que é preciso depositar nos chamados homens de amanhã.
Há que fazer alguma coisa em relação a esta juventude que vive num mundo que não entendeu ainda como se encontra. Sem criar falta de confiança e um espírito de excessivo pessimismo, porque essa posição também não será a mais aconselhável a quem tem o futuro para gerir, o que terá verdadeira utilidade é dar a conhecer a essa rapaziada, que hoje anda pelos 14/16 anos, que o excesso de facilidades para gastos que podem ser evitados – como o tabaco e as bebidas que os pais suportam – talvez dentro de algum tempo não possam continuar a ser pagos, ou porque o desemprego atingiu a sua família mais próxima ou até porque a própria vida de todos os dias não permite que “caia” assim o dinheiro do “céu”, coisa que, no tempo dos antigos, não sucedia e nem por isso essa escassez causou revolta ou fez com que os homens saídos dessas fornadas tivessem tido maus comportamentos provocados pelas circunstâncias vividas em tal período.
Já, num blogue atrás, me referi à conveniência indiscutível de serem introduzidas nas aulas do primeiro ciclo uma classe de aprendizagem prática da Democracia, porque isso, sim, constitui uma necessidade que a juventude já hoje necessita e que será da maior utilidade para orientar o comportamento de todos os cidadãos que precisam de saber conviver e, sobretudo, ter capacidade para ouvir primeiro e contestar depois. E até, no que respeita aos palavrões que tanto saem das suas bocas, essa prática se perderá com o estudo e a prática das actuações democráticas.
Se não se verificar preocupação em instruir hoje os homens de amanhã, para que o mundo seja capaz de enfrentar as dificuldades que não desaparecerão assim tão depressa, ainda na nossa vivência, então comecemos já a preocupar-nos com o que acontecerá aos nossos descendentes. Os que cá ficam é que sofrerão.






sábado, 23 de maio de 2009

Pergunto-me muitas vezes se este exercício diário de preencher o meu blogue com opiniões que, no meu entender, têm razão para ser difundidos, na verdade são justificáveis e merecem a pena ser lidos.
No relatório que, periodicamente, recebo sou informado de que haverá ainda alguma gente que se detém a tomar conhecimento desta escrita.
Não se tratará de um masoquismo da minha parte o convencer-me que o direito que me assiste de colocar no exterior o que me vai no espírito, ao fim e ao cabo, não acabará por ser uma perda de tempo, quer da minha parte quer do lado dos que, pacientemente, tomam conhecimento do que entendo dever fazer no computador?
Por meu lado, costumo ir seguindo alguns blogues de pessoas conhecidas que, pelos vistos, merecem a atenção de um determinado público.
E faço-o para poder comparar com os temas que eu abordo e a forma como o faço.
E, tenho de ser autêntico, na maioria dos casos não lhes encontro razão para serem classificados como obras-primas.
Mas isso passa-se também com a literatura que vou acompanhando lançada por certos editores.
Não ponho mais na carta…

JORNALISMO, ISSO?



Para dizer a verdade, já há muito tempo que esperava deparar com um espectáculo semelhante, como o que o Bastonário da Ordem dos Advogados, dr. Marinho Pinto, ocasionou ao ser “entrevistado” pela “jornalista” Manuela Moura Guedes.
De facto, sendo eu um jornalista com mais de 50 anos de profissão e que passou por todas as etapas da carreira, desde o de aprendiz até de director de periódicos, tenho, no que respeita ao exercício da actividade, uma posição de respeito e de cumprimento de regras que não se conforma com atitudes que prejudicam a ideia do que é, de facto, a actividade jornalística.
Fui ensinado por vários mestres que desempenhavam funções em plena época do antigo regime, em que me foi sucessivamente recomendado que a função do entrevistador jornalista, não sendo fácil, deve ser exercida com a maior seriedade, pois que, antes que tudo, a opinião de quem pergunta nunca deve servir para corromper aquilo que o entrevistado tem para dizer. Por muito que o registador das respostas às perguntas feitas pense de maneira diferente, até contraditória, daquilo que é defendido pelo solicitado a apresentar os seus pontos de vista, de forma nenhuma essa distância de posições deve interferir na limpidez da transmissão plena daquilo que é afirmado para efeitos de registo para transmissão jornalística.
Dito isto de outra maneira, o entrevistador não pode exercer as funções de julgador, muito menos de acusador. O que tem a fazer é perguntar bem e, depois disso, ouvir tranquilamente a resposta. E se entender que esta não satisfará a curiosidade dos leitores, ouvintes ou espectadores televisivos, o que tem a fazer é procurar o esclarecimento com outra pergunta, deixando claro que o faz para retirar eventuais dúvidas que poderão ter surgido de uma contestação pouco esclarecedora.
Quando muito, para tirar partido da função que está a exercer, podem ser feitas perguntas maldosas, de difícil ou comprometedora resposta, e apenas nestas circunstâncias é possível introduzir uma determinada rasteira, mas sempre com ausência de opiniões inadequadas por parte de quem interroga.
Posto isto, voltando ao que se poderá admitir como uma espécie de entrevista feita por Manuel Moura Guedes ao Bastonário da Ordem dos Advogados, todo o tempo dedicado a essa tarefa foi preenchido, não por perguntas mas sim por acusações e por uma infinidade de opiniões prestadas por quem, em frente das câmaras da TVI, ali se encontrava unicamente como jornalista entrevistadora com o intuito de esclarecer a posição tomada por aquela figura que representa os advogados portugueses e que, por sinal, está a ser bastante contestada por motivo das afirmações públicas que o dr. Marinho Pinto tem vindo a fazer em diferentes ocasiões, pelo que se levantaram já contestações de alguns advogados, também membros da referida Ordem.
O que se tornava útil, pois, saber era se esses desagrados têm razão de ser a nível dos advogados ou se seria a permanente posição incómoda que tem sido tomada pelo Bastonário contra actuações, em diferentes áreas, de elementos bem situados em múltiplas interesses criados na vida pública, o que levou a que se levantasse uma fileira de descontentes que terão influenciado a opinião de Manuela Moura Guedes.
Seja como for, o que não pode passar sem reparo é, da parte dos profissionais da Imprensa, uma profunda repulsa pela maneira como esta participante da classe jornalística – mesmo pouco experiente como se sabe – tem de ser revelada. Provavelmente, se não existisse uma cobertura por parte da direcção da TVI, não se iria repetir aquela conduta que, publicamente, foi de forma clara denunciada.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

CACILHEIROS

Apeteceu-me um dia
recordar o passado,
andar para trás
muitos anos,
pôr o saudosismo em acção.
E fui ao Cais das Colunas
às que lá não estão
mas que eu as vi
na memória
e descendo aqueles degraus
molhei os pés no Tejo,
que frescura!
que odor!
que beleza as gaivotas em liberdade.
Como me recordo
dos cacilheiros que saiam logo dali
e chegavam ao mesmo sítio,
os cabos para os prender ao cais
eram atirados
com precisão
fixavam-se nas amarras
e as gentes,
sem aguardar o encosto completo
saltavam,
corriam para os seus destinos,
os imediatos,
enfiavam-se na praça,
nessa bela praça,
no Terreiro do Paço,
que podia ser ainda mais bonito,
muito mais bonito,
mas as gentes nem dão por isso,
a Praça do Comércio (que nome!)
não tem ajuda do poder
para a tornar muito mais atractiva.
Correm para a vida,
os populares,
os cacilheiros, já bem encostados,
deixam sair os passageiros,
os mais calmos,
também esses já sem se importar
que o Cais das Colunas
já não seja o que era antes.
É gente da outra Banda
que dorme lá
que ganha a vida deste lado,
que transformou Cacilhas,
o Ginjal,
Trafaria,
Caparica
em dormitórios.
Tu, cacilheiro, foste o culpado.
Antes da ponte
eras dono e senhor
do rio,
só tu ligavas as margens
do Tejo que,
no final, parece um oceano.
Eras o patrão do Tejo.
Agora, já não és essencial,
imprescindível,
única solução.
Mas continuas a ser útil,
desejado,
e, sobretudo, manténs a tradição
alimentas o saudosismo,
és uma relíquia preciosa
para a memória,
mas também os que não usam a ponte,
a que já teve dois nomes,
que são bastantes,
e ainda bem,
porque tu,
ó cacilheiro dos velhos tempos
pode ser que acabes por vencer
a modernidade,
a que deitou abaixo as colunas
e arredou para mais longe
o local onde te encostas para descansar,
de cada viagem,
fazendo-te perder a graça,
essa de ver entrar e sair a populaça,
no sítio certo, junto às colunas.
Foi isso que a imaginação
trouxe até mim,
o olhar para o Tejo e contemplar,
sentado em frescos bancos
de pedra,
com a barra ao fundo,
vária navegação circulando,
respirando o ar marítimo,
mastigando pipocas
e pevides,
compradas ao velho do tabuleiro,
que sonho!
E, de repente,
caí em mim.
Esta Lisboa que faz a inveja
de outras grandes capitais
que não têm este rio
a seus pés,
esta cidade que deslumbra as outras,
mas que, em lugar de olhar para fora,
para a água salgada,
para as ondas com a sua espuma,
para o reluzir do Sol no Tejo,
vira-se para dentro,
para o seu umbigo,
e nem parece ser
terra de Navegadores,
antigos mas recordados,
ficando-se com a impressão de que
se tem vergonha
de ficar à borda do mar das Descobertas.
Não merecemos o que temos,
e tu, ó cacilheiro,
ainda serás algo,
já pouco,
que tem de nos avivar a memória,
chamar a atenção para
o pouco que nos resta.
A modernidade?
Pois sim, mas sem destruir
as jóias do passado.
Que bonito é ver o cacilheiro
encolhidinho,
ao lado do grande paquete,
majestoso,
que passa
a abarrotar de tecnicismo,
orgulhoso do seu porte,
transportando uma multidão
a olhar sobranceiro
o pequeno cacilheiro,
a ínfima embarcação
a cruzar o Tejo na sua humildade
como um pedinte
se aproxima
do carro de luxo
num semáforo.
Ó cacilheiro,
modesto trabalhador que
nasce, vive e morre
sempre com o mesmo mister,
com a mesma viagem,
repetitiva,
monótona,
mas prestando um serviço,
sendo útil,
indispensável,
com gente sempre à sua espera,
que o aguarda a olhar para o relógio,
como quem combinou com o namorado
um encontro.
Ó cacilheiro,
Tu, em que as gaivotas
tuas conhecidas
poisam na amurada
saudando-te,
lembrando-te quem és,
não te deixando sonhar com fantasias,
com luxos,
com atitudes que não são as tuas.
Tu és o que és
e nós queremos-te assim.

A CÃMARA DE LISBOA QUE NECESSITAMOS


No grupo de eleições que, este ano, vão ocorrer por cá, as municipais também fazem parte da possibilidade dos cidadãos participarem na escolha dos seus candidatos preferidos. E, naturalmente, o caso de Lisboa pertence ao conjunto que poderá manter-se como se encontra agora ou ser modificado se os eleitores assim o considerarem útil.
Ao longo dos vários anos que ocorreram depois da Revolução – e já antes constituía uma preocupação minha muito própria -, tenho, dentro da minha capacidade de contribuir com as minha opiniões escritas, feito as minhas críticas mas, sobretudo, apresentado várias propostas que, na maioria das circunstâncias, não foram levadas em consideração por quem se propunha encabeçar a presidência municipal. E, desde o ter-me atirado ao saudoso (como pessoa) Kruss Abecassis, pela ideia e concretização daquele monstro em pleno Martim Moniz, do centro comercial destinado a chineses, indianos, gente das áfricas e muita variedade de contrabandistas de produtos escusos, o que o fez amuar comigo durante algum tempo, até outras medidas tomadas por diferente camarários que deram provas de total falta de imaginação e bom gosto, a tudo assisti e a todos dediquei as minhas profundas discordâncias, sem que, na maioria dos casos, tivesse assistido a uma confissão de que, realmente, tinham enveredado pelo pior caminho e que quem pagou foi a nossa bela capital que, de dia para dia, tem vindo a ver estragada na sua beleza intrínseca.
A minha cansada luta para que o Terreiro do Paço, começando por expulsar dali os vários ministérios que deveria ser colocados num só local que, como sucedeu em Madrid, é chamado de “Barrio de los Ministerios”, substituindo-os por hotéis de charme que se encarregariam de colocar aquela zona dentro de um movimento de qualidade que é o que falta em toda a baixa lisboeta – o que, bem sei, é uma medida que pertence ao Governo tomar, mas que acabará por ser encarada, espero -, nesta altura o que se vê aos domingos é, nas arcadas da Praça do Comércio, uma série de vendedores ambulantes de produtos que ali ficam bem, como selos, moedas e outros artigos que mostram o nosso artesanato, mas que mereciam que as suas ofertas ao público fossem feitas em embelezadas mesas, ao mesmo tempo que seria agradável que se instalasse uma música própria da nossa cidade, o que prestaria um ambiente de gosto apurado. O que é preciso é só bom gosto e imaginação.
Agora, a notícia que surgiu de que não tinha sido levada em consideração a instalação de um bonito e confortável hotel de charme no lugar onde esteve, durante décadas, o tribunal da Boa-Hora, esse medo de proceder a mudanças que distingam o centro da capital e o torne bem visível aos nossos visitantes estrangeiros que levam sempre lá fora a ideia de que Lisboa não tem vida e que é uma cidade triste, apesar de ter todas as características para ser considerada como uma das mais belas da Europa, esse passo atrás dado pelos “chefes” que temos e que não são capazes de dar mostras de desenvoltura de imaginação, colocou-nos, de novo, no marca passo que insistimos em manter e de que não somos capazes de nos libertar.
Estas e outras medidas que podem ser levadas a cabo sem necessidade de dispêndios dos nossos fundos, porque há sempre empresários, nacionais ou estrangeiros, que estão dispostos a arriscar em iniciativas que prometem lucros, continuam por não ser encaradas.
Vamos a ver o que nos oferece de novidade o resultado do próximo movimento eleitoral para a Câmara de Lisboa. Estamos condenados a repetir sempre o mesmo prato, mesmo que estejamos enfartados com a comida enjoativa que nos é oferecida?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

SOMOS O QUE SOMOS


Somos o que somos
Fomos o que fomos
Nós os portugueses
Estamos onde estamos
Às vezes
Algo prestamos
Nem sempre !

Pouco confiantes
Agora e dantes
Somos assim
Algo descontentes
Até ao fim
Talvez crente
Nem todos

Já fomos enormes
Mesm’até disformes
Sem pulso p’ra tanto
A deixar fugir
Com espanto
O nosso porvir
Será ?

Podia ser pior
Ter’inda mais dor
Como diz o povo
Sempre paciente
Não movo
Daqui p’ra frente
E espero

Fé e esperança
Mas sem confiança
É o que nos resta
Com o que nós temos
Não nos falte a festa
Que sempre soubemos
Fingir

Valerá a pena
Cambiar a cena ?
Pergunta-se por fim
Há quem não duvide
Quem ficar assim
É que não progride
Eis-nos

E hoje, afinal
Neste Portugal
Em pleno apuro
Todos perguntamos
Que futuro ?
Se inda prestamos
P’ra quê ?

A ver a Europa
Com a melhor roupa
Comemos as unhas
Roídos d’inveja
E metemos cunhas
P’ra alguém que veja
Ao longe

Que grande distância
Dizemos com ânsia
Contando os tostões
Não há quem governe
E quem venha depois
Que sej’um alterne
Melhor

E o povo, enfim,
O que neste jardim
Aceita o qu’está
Temendo o pior
Que a muda trará
Tem sempre pavor
Do depois

Somos o que somos
E assim nos pomos
No fim da Europa
Fomos o que fomos
Já ninguém nos poupa
Assim como somos
Choramos !

SEXOLOGIA



Ter assistido, em mais do que um noticiário na televisão, a uma filmagem clandestina e à reprodução da voz de uma “professora”, dita da disciplina de História, a, na sua aula, tratar do tema da sexologia e questionar aos gritos os alunos sobre a sua virgindade e as práticas que seguem no exercício do relacionamento e de apetites na área sexual, para além de até se referir à sua prática com o seu marido, ter tomado conhecimento desse acto que, pelos vistos, não foi ocasional pois teve repetições em diferentes classe da mesma “senhora professora” que, se classificou ela própria de “senhora doutora”, fazendo referência à mãe de uma aluna que a teria interpelado antes revoltando-se contra o caminho que os ensinamentos na classe não tinham nada a ver com a disciplina de História, não podia ter deixado de impressionar todos os que tomaram conhecimento da inqualificável demonstração de loucura de quem tem uma profissão que só aponta numa direcção, a de instruir os estudantes e a prepará-los, com conhecimentos básicos para enfrentar a vida com a melhor bagagem educativa que for possível.
Ainda bem que uma aluna teve possibilidade de gravar aquilo que se passava na sua aula, para poder provar no exterior que aquele espectáculo degradante acontecia, pois, caso contrário, seguramente que não seria crível e as coisas continuariam a ocorrer sem possibilidade de lhes pôr fim.
Agora, o que espantará muita gente é que, sendo a gravação efectuada servido para suspender a referida professora, a utilização deste meio permitiu igualmente punir a aluna, por ter sido violado o n.º 20 do Regulamento Interno. Imagine-se!...
Sim senhor, que não seja permitido que os estudantes, dentro das salas de aula, utilizem telemóveis, gravadores e máquinas fotográficas, ainda se compreende, agora, que um aluno, pelo facto de ter consigo um destes aparelhos – o que não quer dizer que os utilize sem um motivo forte -, ser punido por, numa situação daquelas em que era evidente estar a passar-se um acontecimento que não poderia passar sem ser analisada pelos pais e pelos serviços superiores de uma escola, isso parece levar demasiado à letra o teor da determinação escolar.
Faz-me, no entanto, pensar o comportamento da referida professora. É que, ao terem sido ouvidos alguns alunos sobre a actuação da referida mestra, foram vários que se prontificaram a prestar-lhe aplauso e até em considerá-la como uma “boa amiga” e que se preocupava com eles, considerando-a como “espectacular”, que é o adjectivo agora tão usado pela rapaziada., acrescentando que recebiam dela apoio “sempre que estavam tristes”.
Sendo assim, a pergunta a fazer é se esta senhora que, pelos vistos, de História ensinava pouco, não teria utilidade em ser utilizada em classes facultativas de sexologia, o que, segundo parece, também faz falta preparar a juventude, coisa que nós, no nosso tempo, tivemos de aprender à custa de cada um e na vida prática. Para alguns resultou, para outros nem por isso…

quarta-feira, 20 de maio de 2009

POETAS

Isto de querer ser poeta
pode bem nada dizer
há os que acham uma treta
e não ter mais que fazer
nem saber bem o que quer

Quem vai compor poesia
com esforço irá tentando
na ideia de que quem cria
sem saber como e quando
lá acabará rimando

Mas também sem rima vai
usando seu versejar
pois o que mais sobressai
é o que fica no ar
aquilo que faz cantar

Só que o poeta em geral
não consegue que em vida
o achem ser genial
e só depois da partida
a fama lhe dê guarida

Poetas mortos há muitos
quantos terão produzido
em lampejos bem fortuitos
alguns graças ao Cupido
face a coração partido

Sentir a vida de frente
descobrir suas fraquezas
faz que haja alguma gente
sem esconder suas belezas
também cante as tristezas

Deixar em verso bem escrito
aquilo que na alma vai
é como quem solta um grito
que nem por isso atrai
quem do seu mundo não sai

Gavetas cheias de versos
à espera que alguém os leia
que saiam em livro dispersos
mesmo não sendo epopeia
mas que mostrem certa veia

Há editores valorosos
que acham que a poesia
não tem que ter nos saudosos
exclusivo de valia
não deixando que teimosos
possam ver a luz do dia

LOPES DA MOTA




Até parece que não temos por cá problemas que nos atormentem o bastante e que, por isso, desperdiçamos tempo com situações que, pelo menos para a maioria dos cidadãos portugueses, não têm o menor merecimento e cujas soluções não trazem qualquer acréscimo ao afastamento das dificuldades que temos de enfrentar. As forças tidas como mediáticas ocupam os seus poderes a chamar a atenção para situações que, em muitos casos, deixam indiferentes os portugueses que, nem sequer se apercebem bem do que se passa em relação aos temas tão divulgados.
É o que tem acontecido, por exemplo, com Lopes da Mota, nome só agora conhecido nas ruas e que exerce as funções de presidente do Eurojust, um organismo que também a massa popular não tem a menor noção de que se trata. E, segundo o que tem vindo a lume, aquele responsável pelo departamento europeu que coordena as investigações sobre o caso Freeport, o tal que envolve o engenheiro Sócrates e que se tem arrastado ao longo dos anos, ao ponto de não haver nada decidido quanto a culpados que tenham que ser levados a tribunal, pois Lopes da Mota parece que terá exercido influência junto de magistrados para que actuem em favor do actual primeiro-ministro.
Quer dizer, não bastava já que o problema Freeport continue a manter-se na obscuridade de apuramento do ou dos responsáveis, para se juntar agora outro mistério, este do homem que dizem ter tentado silenciar os intervenientes na busca de culpados. E lá vão os partidos políticos, que não terão outras matérias de extrema importância para tratar, entrar na questiúncula, uns a pretender que o visado apareça no Parlamento para prestar depoimento e outros a impedir que isso aconteça…
Por sua vez, o actual bastonário da Ordem dos Advogados, que, sempre que tem oportunidade, surge a mostrar publicamente as suas opiniões sobre factos que, como cidadão, o incomodam – e aí também se verifica existir uma guerrilha entre oficiais do mesmo ofício que, ou estão de acordo com o seu representante ou se situam do outro lado da barreira -, e em que, em lugar de se discutir o desastre em que se encontra a Justiça no nosso País e surgirem propostas radicais de rectificar essa desgraça que atinge todos os portugueses, o que acontece é que se aproveitou a barafunda criada à volta do caso Lopes da Mota para também aí acrescentar alguma acha para a fogueira da distracção.
Estamos condenados, cá em Portugal, a andar tempos sem conta agarrados a situações que, na maioria dos casos, não deviam distrair a população nacional do principal que se situa, neste período, no centro das preocupações nacionais e internacionais.
Já não se pode esconder mais que o futuro, próximo e mais longínquo, que nos aguarda é de verdadeiro tormento. Há os que defendem o princípio de que não podemos perder a esperança, pois que é isso que nos resta “enquanto há vida”. E ficarmos por aí. Mas, como se não tivesse bastado que, desde o período pós-Revolução, tenhamos andado enganados com a ideia de que somos ricos e de que a Democracia é isso, o termos todos o direito de gastar o que não temos – mesmo sem nada fazermos para que consigamos esse benefício -, teimamos em manter uma ideia que, quando chegar a realidade, então o sofrimento é muito maior do que se estivéssemos conscientes há certo tempo de que as circunstâncias não nos foram favoráveis e que, por cá, todos se endividaram e acordaram tarde para constatar que aquilo que se deve, mais cedo ou mais tarde, tem de ser pago!...
Então, por exemplo, estarmos já a rondar os 10 por cento de gente desempregada no nosso País, não é questão muitíssimo mais importante do que aquilo que, comparado com tal flagelo, não passa de reles mexerico a que pretendem que fiquemos atentos?

terça-feira, 19 de maio de 2009

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Pergunto-me com frequência: se tivesse nascido noutro País e lá continuasse a viver, o meu pensamento seria o mesmo que mantenho agora?
Se sim, então o Homem comporta-se, em relação ao exterior de si próprio e quanto a si mesmo, de acordo apenas com o seu modo de ser.
Se varia conforme o ambiente que o rodeia, nesse caso é de fora para dentro que funciona a forma de ser de cada um.
Eu prefiro ser como sou, independentemente do lugar onde vivo.
Só não sei se o consigo

AS ANDORINHAS

Em hora da mais profunda tristeza
Dessa que não se sabe bem porquê
Deixa a nossa alma indefesa
E fica da angústia à mercê

Nessa altura em que o apoio nos falta
Muita coisa nos pode ajudar
E entre elas uma que sobressalta
É a Primavera, ei-la a chegar

Plena de perfumes vindos das flores
Surgem ao de cima grandes amores
Na nossa alma soam campainhas

E para compor tão bela pintura
Entram e cabem na mesma moldura
Os voos rasantes das andorinhas

SALÁRIOS CHORUDOS


Aproximando-se a data da chamada às urnas dos portugueses que se interessam por escolher, em consciência, os partidos que entendem que serão capazes de responder com mais competência às necessidades e problemas nacionais, o natural é que essas organizações políticas se esmerem em dar mostras de que se encontram preparados para a disputa e, para isso, em vez de se preocuparem em atacar os concorrentes – luta essa que não leva a nada – antes apresentam quais as medidas que tencionam pôr em prática caso tenham o privilégio de ir a fazer parte do Governo.
E como há tantos problemas que se encontram em “banho Maria” há imenso tempo, há anos, não será assim tão difícil apontar medidas que caiam bem no ambiente popular e que, sem demagogias, não sendo necessário prometer o que se sabe que não será viável cumprir, constituam a demonstração de que, quem se apronta a exercer responsavelmente o exercício do poder, tem projectos que são exequíveis e que fazem parte das inúmera queixas que, a todos os momentos, se ouvem por onde passamos.
Pois, uma dessas questões que se encontra dentro das possibilidades de quem vier a instalar-se em S. Bento é meter mão, já e sem demoras, nos salários que auferem vários dos gestores de empresas públicas, seja qual for a percentagem do Estado no capital delas, e que, em bastantes casos, constituem verdadeiras ofensas à pobreza nacional. Para não falar também que esses encargos são suportados com o dinheiro que os cidadãos entregam à Nação para serem bem geridos.
Pois, um desses maus exemplos foi divulgado agora na Imprensa e refere-se ao que é pago mensalmente ao presidente da EDP, António Mexia, e que corresponde a 12 vezes mais do que ganha o Presidente da República. Essa notícia saiu no dia 11 de Maio, no jornal “24 Horas” e, se não corresponde à verdade, então deve ser desmentido quanto antes e esclarecida qual é, de facto, o ordenado de tal personalidade que comanda uma empresa que tem o exclusivo da distribuição de electricidade no nosso País, impondo as tarifas que entende e sem o custo dos utentes poderem mudar de fornecedor.
Este exemplo é um dos que, entre muitos, precisa de ser aclarado por quem se perfilar para discutir a vontade dos cidadãos nacionais no acto eleitoral.
Quem avisa amigo é dos que precisam de ideias e desejam vir a beneficiar das mordomias que um Executivo sempre oferece. Bem basta que, depois de colocados nos postos de comando, façam ouvidos surdos e não se interessem em acompanhar, com a maior atenção, aquilo que os portugueses tanto clamam e apenas considerem que são importantes as suas próprias opiniões.
Estamos fartos disso. Não queremos mais ter de suportar essa situação. Com ditadura, que Deus nos livre… mas com democratas autoritários, isso também não!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

MUNDO NOVO

Eu imagino um mundo todo novo
nada parecido com o que temos
albergando também outro povo
outro povo, porém com outros demos

Tudo nada igual ao que temos hoje
nem parecido sequer ao que há
se não, quero um sítio que m’aloje
que me acolha ou me acolherá

No futuro talvez isso aconteça
quem sabe se será a salvação
não é que a geração d’hoje mereça
outro planeta com melhor visão

Mas se não se der tamanho abanão
se tudo se mantiver como agora
nesse caso o que temos então
será a terra sumida de aurora

O ocaso põe-se todos os dias
lembrando os mortais no fim da vida
e que bom seria se as alegrias
sarassem de vez todas as feridas

As feridas com que o homem briga
as doenças, os desgostos, enfim
todos esses males que o obriga
a ser perverso e a ser ruim

Somente com homem diferente e novo
será possível um mundo melhor
podemos esperar algo de um povo
que lhe seja igual ir p’ra onde for ?

Borrar la pizarra y empezar de nuevo
dizem os espanhóis para animar
será que isso pode ter relevo
e a solução é essa: começar!

Segundo as Escrituras foi assim
Deus criou as coisas bem a seu gosto
haverá opiniões e por fim
faz falta ter um mundo mais composto

Já basta de castigo por pecado
oh! Maldita maçã que foi mordida
Eva e Adão pertencem ao passado
Não se quer a História revivida

Gritarão os ventos que a memória
faz parte do viver dos nossos dias
mas por mais que não se esqueça a História
não se pode viver só de agonias

Por mais certo que seja o Testamento
tantos milhões de anos que passaram
justificam que a força do vento
arraste as ideias que pararam

Há que pedir agora ao Senhor
com fé ou sem ela, mas com despacho
que Deus ordene o Paraíso pôr
onde ele faz falta, cá em baixo


EUROPA UNIDA



Eu fui um dos entusiastas pela Europa una, desde que comecei a tomar consciência das vantagens e da importância deste Continente funcionar a uma voz colectiva, no capítulo dos interesses que beneficiam todos em geral, reunindo num só bloco todas as diversidades que não se justifica que funcionem em contra-ponto uns com os outros.
E a partir do momento em que foi determinada a utilização da moeda única – que parecia, antes, ser uma das dificuldades mais longínquas de ultrapassar -, maior empenho pelo alargamento da área comunitária cresceu no meu pensamento. Mesmo levando em conta que, ainda hoje, existem alguns poucos países que se mantêm de fora dessa decisão importante de arredar da união a variedade de moedas, o que não se pode admitir que ainda se mantenha, até nesse particular há que manter a confiança de que, a breve trecho, se convencerão os extraviados de que a sua conduta os coloca distantes do espírito de conjunto que não pode deixar de existir, se a intenção é a de participar no objectivo principal.
Mas, há que reconhecê-lo, não tem sido tarefa fácil abranger todos os participantes na ideia fundamental de que uma Europa a caminhar toda para o mesmo lado, é a única forma de se atingirem os propósitos para que foi imaginada desde a primeira hora. Os homens, sempre eles, não sendo capazes de perder esse seu princípio egoísta de protagonismo de lideranças, têm sido os causadores da lentidão e, até por vezes, retrocessos em fazer caminhar na boa direcção todos de uma só vez, pelo que ainda se encontra por firmar por todos os participantes o Tratado de Lisboa, seja olhado com alguma desconfiança o tema dos direitos humanos e a política externa europeia não siga um tratamento uniforme por todos os participantes, isso entre outras questões que se vão prolongando a aguardar que alguns acabem por desistir de pormenores.
Enquanto não se generalizar a ideia de que a Europa somos todos nós, europeus, e não cada um a defender as suas ideias nacionalistas, enquanto a Constituição Europeia não for aceite com a vontade de unir e não de dividir, enquanto a aplicação da justiça não tiver equivalência em todos os participantes e os programas governamentais de cada nação não assentarem basicamente nos princípios da unidade europeísta, ainda que atendendo às particularidades de cada caso, enquanto se mantiverem sejam quais forem os intentos divisionistas no seio da Europa da comunhão, então estaremos distantes do ideal que é existir uma força capaz de fazer frente a todos os tipos de crises que possam surgir do exterior. E, na situação que se vive actualmente, melhor do que nunca se tem de compreender esta realidade.
Que é fundamental manterem-se as características de cada povo, os seus fundamentos históricos, as suas tradições, as suas línguas, os seus hábitos e costumes, isso é uma realidade que não pode ser afastada. Mas o que não deve é constituir um obstáculo a que se unam as forças no sentido de se poder beneficiar das vantagens que representa o darem as mãos todos ao mesmo tempo e de se protegerem uns aos outros.
Será que podemos manter esperanças de que objectivo final será conseguido? Podemos confiar que os homens europeus terão a capacidade de caminhar no sentido certo?
A ser positiva a resposta, não será já amanhã que a obteremos. E até à decisão final ainda se depararão muitas contrariedades e bastantes retrocessos.

domingo, 17 de maio de 2009

GERAÇÃO SOFRIDA

Que esperanças tinha que houvesse Abril
o que eu ansiava por fim do inferno
bem dentro guardava sonhos mil
e que apodrecesse o que era governo

Levou tempo, tempo demais, demais
vivi o antes até demasiado tarde
passei por excessivos vendavais
tropecei em muita gente cobarde

Até que chegou, não era sem tempo
veio com armas, não era o ideal
para tantos terá sido um contratempo
não estava no programa tamanho funeral

Foi a euforia, a loucura nas ruas
tirou-se o tampão da garrafa fechada
tal como quem tira por fim as gazuas
do portão de uma quinta trancada

Uns quantos tinham razão de estar felizes
terão sofrido muito até então
não tiveram conta por quantas crises
passaram, apenas por dizerem não

Mas terá sido assim com a maioria,
toda essa gente que se mascarou
vestiu a farda do revolucionário, seria,
por dentro aquilo que mostrou ?

Quantos apanhada a carruagem em giro,
não foram os que ganharam com a troca ?
Fizeram tal e qual como o vampiro
e puseram-se, matreiros, bem à coca

Como ganharam com isso os aproveitas
chorudo futuro festejaram
valeu a pena a troca, largas colheitas
tiraram do campo que outros lavraram

Aqueles que tinham idade para tanto
e passado que sangrava em ferida
quase que foram postos a um canto
tratava-se, afinal, da geração sofrida

Sofrer antes e sofrer depois é muito
não é justo, há que reconhecer
poderá não ter sido esse o intuito
mas é algo que dá para entristecer

Geração sofrida, tem que se dizer,
ela existe, obscura e triste,
a juventude nem pode agradecer
ninguém mostrou e disse em que consiste

E assim se vai escrevendo a História
com lacunas, esquecimentos, inverdades
a geração sofrida escapa à memória
quem não sabe não alimenta saudades

Geração sofrida,
O que não pode estar é arrependida

GUERRA MUNDIAL



Toda a gente que não sentiu directamente os efeitos da Guerra Mundial, nem mesmo ao ter decorrido há dias o 64.º aniversário do fim desse flagelo, se pode dar conta do que representou essa convulsão universal que alguns, ainda conservados, viveram. Mesmo que Portugal não tenha participado directamente no conflito, não se deixou de, por cá, tomar contacto com os efeitos da referida catástrofe, sobretudo na falta de produtos principalmente alimentícios e com racionamentos impostos.
O momento de crise económica, financeira e social que se atravessa faz recordar, de certa maneira, as carências daquela época de conflito, se bem que, nesta altura, seja a pequenez do poder de compra que mais se reflecte no dia-a-dia dos cidadãos.
Seja como for, quem hoje tem uma idade superior a 70 anos, quem, mesmo que ainda criança na altura, tenha participado nas enormes filas que se formavam para adquirir alguns elementos essenciais à alimentação, como são o azeite, o arroz, o açúcar e até o pão, tendo de gerir muito bem as senhas de racionamento, não pode deixar de estabelecer um paralelo com as dificuldades passadas em tal período.
No entanto, esse exercício de estabelecer uma relação entre as duas épocas provocará uma tendência para tentar comparar as suas situações e estabelecer qual das duas será a mais difícil de suportar. É que, para se adquirirem produtos alimentares essenciais à vida da família se tornava necessário assumir diversas habilidades e passar longas horas da noite em “bichas”, mas, para se conseguir dinheiro, que é o que escasseia cada vez mais, não há fila que valha… E também para se arranjar emprego, seja qual for a idade do pretendente e a preparação académica de que disponha, há quem se mantenha meses e até anos na esperança de alcançar tal desiderato.
Daí que não se possa considerar tão disparatado estabelecer este paralelo. É que, actualmente, em que não se descortina forma de pôr fim a esta arrasadora crise internacional e em que, por toda a parte, se contempla o espectáculo degradante da queda social de famílias inteiras, com os filhos sem poderem ser atendidos, as percas das residências e as carências de alimentação, numa palavra, com a miséria sem tréguas a atacar gente que não tinha experiência em defrontar-se com as faltas de tudo, não será assim tão estranho que se ponha a questão de se não estará a fazer falta uma guerra que, por um lado reduza o excesso de população que atingiu proporções insustentáveis para o que a produção mundial pode suportar e, por outro, transforme o desemprego em abundância de trabalho para todos. A construção civil, essa, pelo menos, beneficiará muitíssimo com as destruições. Mas não só essa.
É verdade que um texto deste tipo provoca a revolta em muita gente. A mim também, que o escrevi. Mas, perante a incapacidade, já admitida universalmente, de não se saber se e quando se porá fim de vez à situação aflitiva que se atravessa há já demasiado tempo, em vez de assistirmos a este estado de definhar cada vez mais, tal como sucede com os transtornos de saúde que obrigam a cortar uma parte do corpo para o resto se salvar, assim também poderá ser a forma de revitalizar o mundo de uma enfermidade lenta e crónica, essa que, como agora se assiste, torna os ricos cada vez mais ricos e os miseráveis sucessivamente com mais carências.
É doloroso ter de admitir esta possibilidade. Lá isso é. Mas se não existir outra alternativa?

sábado, 16 de maio de 2009

DIREITOS E DEVERES


O Homem tem seus direitos
os gregos foram primeiros
e a Demo com seus defeitos
teve aí os seus obreiros

Os romanos se seguiram
as Doze Tábuas criaram
mas os plebeus não se riram
longe dos nobres ficaram

A Revolução Francesa
fez algo p’lo cidadão
trouxe alguma firmeza
na sua Declaração

Mas só a França lucrou
a Europa estava fora
e o mundo nem se atinou
com tais sinais de aurora

Foi precisa uma guerra
que espalhou p’lo Universo
malefícios de quem erra
mostram o Homem perverso

No fim as Nações Unidas
lá do Homem se lembraram
p’ra tapar muitas feridas
a Declaração criaram

A segunda, a que existe
extensiva a todo o mundo
mantendo o dedo em riste
mas pouco eficaz no fundo

Muçulmanos, por exemplo
tolerância não conhecem
e mesmo crentes no templo
as mulheres só obedecem

Respeitar opiniões
é coisa que não aceitam
provocando explosões
aos que no Islão rejeitam

Porém há tantos que tais
que aos outros não dão direitos
e mandando querem mais
julgando-se até perfeitos

Pois todas as ditaduras
de quaisquer ideologias
têm as mesmas posturas
de severas tutorias

Mas de direitos falando
úteis p’ra todos os seres
é bom não ir olvidando
que também há os deveres

Uns e outros são irmãos
até gémeos por sinal
e todos os cidadãos
devem ter esse ideal

Direitos têm de haver
essa regra é de ouro
mas deveres não esquecer
fazem parte do tesouro

Nunca é demais lembrar
quem os direitos quer ter
que os deveres têm de estar
ao lado de cada ser

CRIMINALIDADE



Acontece seguramente a todos os que têm por propósito escrever artigos com regularidade: ao acompanhar a comunicação social escrita, sempre que deparam com um tema que pode servir de base a um texto próximo, recortam a página e guardam-na para ser lida mais pausadamente na altura em que vai servir de inspiração. Algumas vezes esse artigo acaba por ser redigido, mas outras vezes não, pelo que, com o tempo, se vão acumulando, o que obriga a que, periodicamente, seja limpo esse arquivo improvisado, com lástima por não ter sido escrito o que estava previsto.
Pois passou-se isso mesmo comigo e já depois de ter redigido o parágrafo acima. Ao tomar conhecimento de que a PSP, depois desta ter sido confrontada com a entrevista televisiva prestada por um participante nos tumultos ocorridos no Bairro Azul da Bela Vista, em Setúbal, analisou o seu cadastro e procedeu a uma busca domiciliária. E, com tudo junto, encontrou matéria suficiente para o deter, incluindo um cocktail Molotoff e outras provas da sua má actuação. Foi um e quantos não se encontrarão em idênticas condições?
Mas o que ocorreu depois, quando o juiz de instrução decidiu julgar o caso? Simplesmente ordenou apenas que o detido ficasse sujeito a apresentações semanais na esquadra da PSP local!... E assim se ficou perante uma situação de indiscutível gravidade!
O problema não é, de facto, de resolução fácil. Constitui uma questão de ordem social, sem dúvida, mas não é exclusivamente isso. Não se trata apenas da cor negra dos participantes que enfrenta problemas de falta de recursos, para além de não ser forma de encararmos este tipo de situações quando os complexos racistas tomam conta das situações que devem ser encaradas. As leis que castigam as criminalidades devem ser aplicadas sejam quais forem os tipos ou grupos de pessoas que prevaricaram. Aqueles que são atingidos pelo mau comportamento de uma minoria populacional não têm de sofrer com a falta de vigilância ou a ausência de punição por parte daqueles que são pagos pelo Estado para manter a ordem.
Se se organizam grupos violentos de protesto pelo facto de um elemento da sua etnia ou classe de amizade ter sido preso ou mesmo acidentalmente morto quando enfrentou a força policial, não pode assistir-se a manifestações de protesto, e ainda por cima quando utilizam meios destruidores e desafiantes. Não podemos assistir a campanhas de amedrontação provocadas por gente com atitudes separatistas. E, ainda por cima, quando o alvo da revolta se tratou de um tal Antonino, que desde tempos recuados tinha participado em assaltos, roubos e em agressões violentas e foi apanhado com um carro roubado momentos antes.
Já chega de crises de que não se conhecem ainda formas de a solucionar. A grande falta de trabalho, para os que o querem ter, é, sem dúvida, só por si, uma enfermidade social de monta que pode conduzir a caminhos que, noutras circunstâncias, não ocorreriam. Ter família e não ter recursos para lhe dar nem sequer alimento, faltarem os meios mínimos para ser cumprida uma missão familiar por muito modesta que seja, quando se chega a essa situação tem de ser entendida a perca de cabeça que leva a um menos bom comportamento. Mas, se a condescendência das autoridades for ao ponto de não actuar dentro das regras para evitar que essa mancha já se situe dentro dos foros da criminalidade, então o que se pode esperar é que, de um dia para o outro, surja um confronto de forças populares cujas consequências são sempre difíceis de imaginar.
Foi assim que já nasceram algumas guerras civis!...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

DEIXEI DE FALAR

De repente, perdi a palavra
deixei de falar
fiquei mudo
nenhum som sai da minha boca
as mãos não chegam
para me expressar
só por escrito
posso transmitir o que me vai na alma
mas ninguém está disposto
a conversar comigo
só a ler o que eu escrevo.

Eu oiço, mas não falo,
faço caretas
para mostrar se estou satisfeito
ou triste
se concordo ou discordo
mas não exponho os meus pontos de vista
não consigo manter um diálogo
para além do curto sim ou não
e o uso da mímica
não chega para ser expressivo.

Por isso, uso o papel
e a caneta
como sempre fiz, antes, quando falava
mas é como quem argumenta sozinho
sem se ouvir
sem ter uma ideia do tom que deve utilizar
sem perguntas
sem respostas
e só sim porque sim
ou o contrário




As mesmas caras, as mesmas vozes, as mesmas frases,
o mesmo comportamento, tudo igual há 30 anos neste País.
A monotonia instalou-se, o grupo de privilegiados é sempre aquele,
desinteressante, enfastiador, repetitivo.
Por isso nada muda, nem melhora.
Portugal continua igual a si mesmo,
mas sempre há aqueles que se sentem satisfeitos com o que os rodeia.
E fazem o possível para manter o status quo.

JORNAIS



Quem, desde que se interesse pelo que se passa à sua volta ou mesmo mais distante, é cliente habitual dos jornais, os diários e os outros, e, num momento em que é forçoso fazer contas antes de se dirigir ao quiosque que vende publicações, como todos os dias faço, entende que se tem de enfrentar a realidade e reduzir o seu consumo, nesta altura da crise vê-se forçado a diminuir o gasto desse “pasto espiritual”, como lhe chamava um amigo que também era habitual consumidor de tal alimento.
Verdade seja, há produtos que se podem considerar mais de primeira necessidade do que os periódicos noticiários. Por isso, em plena época de redução de despesas, catalogando o que se gasta e que pode passar a ser omitido dos costumes, esse dispêndio situar-se-á numa primeira fila, até porque, mesmo que não seja do agrado, sempre se pode recorrer à análise dos computador e buscar aí as noticias que saem diariamente. E que muita gente já se encontra nessa situação e deixou de considerar indispensável adquirir um, dois ou três periódicos, essa demonstração tenho-a eu através das queixas que passaram a fazer parte da conversa do João, o proprietário do quiosque que me atende há anos, que pinta sempre o panorama que está a viver, apontando os diversos títulos e enumerando a quantidade de invendidos que está a devolver diariamente aos distribuidores. E, segundo a sua descrição, é cada vez maior o monte de jornais e revistas que voltam para trás por não encontrarem compradores.
Os editores de periódicos lá vão inventando acessórios para juntar às suas publicações, por forma a tentarem os leitores a escolher os seus títulos. E, segundo o João, é cada vez mais difícil arranjar espaço para guardar os copos, os talheres, os dvd, os volumes que são oferecidos e todo o tipo de outras bugigangas, não sendo por aí que se conseguem aumentar as tiragens daqueles títulos que não conseguem convencer os leitores fugidios.
Por outro lado, embora esse aspecto não seja, por completo, do conhecimento do público, a publicidade, que é o suporte mais importante nas receitas dos meios de comunicação, incluindo, está bem de ver, a televisão, tem vindo a reduzir-se de dia para dia, o que obriga a que cada um procure defender-se como pode e recorra a preços mais baixos e, sobretudo, as ofertas de bónus constituam uma maneira de atrair a canalização dos anúncios, mas mesmo assim está a ser cada vez mais difícil suportar os gastos que cada empresa do ramo tem de enfrentar.
Só quem já passou pelo calvário de pretender aumentar as vendas ou as audiências televisivas ou radiofónicas é que pode compreender a angústia de, por lado, não faltar a prestar o serviço informativo credível e, por outro, não entrar em manobras escuras de atrair esse público, seja a que preço for, incluindo o campo das difamações, das mentiras jornalísticas e dos escândalos.
Por aqui me fico. Deixo à imaginação dos meus leitores o porem-se no lugar dos responsáveis pelos órgãos de comunicação. E, nesta fase de crise profunda, não vale a pena pôr mais na carta, dado que todos compreendem o que representa a necessidade de fazer com que o dinheiro dê para suportar os gastos mensais obrigatórios…

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Crescer sem voltar a aprender,
sem recordar o aprendido
e sem se esforçar para não esquecer,
é perder todo o tempo de que dispomos
sem aproveitar o essencial da vida