quarta-feira, 31 de março de 2010

BUSCA DE ACALMIA

Mar que em mim existe revoltado
na busca continuada de acalmia
não consegue manter-se sossegado
no longo caminhar do dia-a-dia
e os ventos que sopram em redor
não deixam que as ondas me descansem
cada vez a angústia é maior
sem haver alguns que me esperancem

Os seis mil milhões que por todo o mundo
se movimentam cada um à sua
tendo de viver em cada segundo
desejando que nada os obstrua
uns conseguindo outros nem por isso
a grande maioria se debate
com o que na vida é grande enguiço
e torna o dia-a-dia em combate

Por isso se escuta tanta queixa
de gente p’lo desânimo tocada
a quem a felicidade não deixa
alegre marca da sua passada
as excepções existem, são bastantes
causando inveja aos que ao contrário
têm razão para ser protestantes
por sofrerem penas neste calvário

Eu, por mim, luto contra o mar revolto
as ondas permanentes que atormentam
vendo o vento que anda sempre solto
todos minha inspiração atormentam
num vai e vem de baixos e de altos
nos bons poemas, noutros um horror
em pensamentos, tristes sobressaltos
que deixam marca de enorme dor

Mas é esse, do poeta o martírio
encontrar o sítio e o momento
p’ralcançar conveniente delírio
em que se estando a sentir o vento
ele traga por vezes bons auspícios
e talento que quase sempre falta
e que provoca tantos sacrifícios
até fazer chegar algo à ribalta

Acalmia é coisa que se busca
bastante para o espírito sossegar
p’ra não haver aquilo que ofusca
o que esteja pronto para dar
mas quando por muito que se procure
a tranquilidade não aparece
não há ninguém que bem se aventure
porque o génio fugiu, não se merece

PRÉDIOS ENTAIPADOS


CADA VEZ que me disponho a escrever um texto para colocar neste meu blogue diário, portanto, como diria o M. de La Palisse, todos os dias, o trabalho maior que encontro é tentar descobrir algum tema que não se enquadre com o ambiente de tristeza, de pessimismo, de maus presságios que, infelizmente, é o que não nos falta e que, por isso mesmo, é aquele que salta imediatamente ao pensamento.
Não se perfila hoje uma excepção. Corri as notícias todas e, nem no nosso País nem no panorama internacional deparei com alguma coisa que me levasse a cantar hossanas e a transmitir esse contentamento aos leitores deste meu trabalho. E não encontrei nada que me conduzisse em tal direcção. Lá por fora, as acções terroristas – agora até em Moscovo, o que fará com que muitos russos se recordem do sanguinário Estaline, que no seu tempo, era apenas ele que “tinha o exclusivo” de liquidar aqueles que não lhe agradavam, não deixando que, nem terroristas nem ninguém, colocassem bombas em comboios ou onde quer que fosse -, assim como todas as ameaças e os tiroteios que, em diferentes zonas, ocorrem e que não mostram sinais de ter fim, tudo isso não serve de exemplo a nada nem a ninguém anima a que se encontrem razões para olharmos para o Mundo com optimismo. E até a Europa unida, como tanto tem sido desejada, até essa leva tempo excessivo a dar mostras de um entendimento e de se conseguir um dia o máximo que os sonhadores, cada vez menos, ainda esperam ver: a concretização dos Estados Unidos da Europa.
E então cá, neste nosso burgo? Com a necessidade imperiosa que existe de se encontrar forma de diminuir o desemprego – porque acabá-lo, é coisa impensável -, tudo que possa contribuir para se chegar perto desse objectivo deveria ser aplaudido e entusiasmado. Logo, por esse Portugal fora, as licenças de construção, devidamente reguladas de acordo com as conveniências de ordenamento, isso sim, mas sem demoras de licenças que os Municípios passam, essa atitude contribui para que as empresas do sector, sobretudo as mais pequenas, e, portanto, os operários respectivos, vissem as suas actividades apoiadas. Isso, sem dúvida. Mas o que não poderia deixar de ser rigorosa é a chamada fiscalização, por parte dos elementos que, em muitos casos (é do que se queixam largamente os arquitectos), talvez também porque as suas remunerações não sejam de acordo com a responsabilidade que lhes cabe, se deixam enredar pela atitude do facilitismo, que á uma forma de chamar a corrupção, que, ao contrário de poder apressar as decisões, o que faz é que os custos das obras se eleve excessivamente e que as regras sejam obscurecidas, contribuindo para o permitir a utilização de materiais que não oferecem garantia de duração.
E, no capítulo de cumprimento de prazos, nesse particular o fechar de olhos dos tais fiscais, especialmente quanto ao tempo que é permitido permanecerem os taipais à frente dos prédios para lá do fim das obras, aí todos os cidadãos se deparam com os inconvenientes que resultam de tamanho desleixo.
Todos nós, sobretudo em Lisboa, nos incomodamos com esse abandalhamento dos espaços ocupados nos passeios com trabalhos de construção que se prolongam por tempos indefinidos, mas que podem fazer os contribuintes se é a própria Câmara Municipal que não fiscaliza os seus fiscais e contribui para que a tão usual corrupção funcione em pleno?
Só que não quer, no seio do Município lisboeta, é que não se dá conta dessa rebaldaria que ocorre na capital e tanto faz mudarem presidentes, vereadores e outras figuras que lá estão a ganhar os seus vencimentos… porque tudo se mantém sempre na
mesma!

terça-feira, 30 de março de 2010

CHEGA P'RA LÁ!

Somos demais neste mundo
não cabem tantos milhões
estamos a bater no fundo
são muitas as confusões
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Cinquenta anos atrás
dois mil milhões sobre a Terra
calcula se és capaz
quanta gente hoje encerra
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Três vezes ela aumentou
seis mil milhões agora
as cidades atulhou
estão a deitar por fora
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Há sítios que esvaziaram
nasceram desertos novos
os que lá estavam mudaram
só há velhos nesses povos
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Há quem muitos filhos tenha
são os que vêm de fora
por cá há quem se sustenha
à espera de melhor hora
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Por isso a cor das gentes
na Europa se cambia
há cada vez mais nascentes
de outra raça e etnia
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Os velhos mais vão vivendo
a morte tarda em chegar
os novos que vão crescendo
não dão p’ra equilibrar
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Com este acotovelar
de multidões que s’apertam
já é grande a falta de ar
de sufoco não libertam
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...




GENTE A SÉRIO?


DIGAM-ME LÁ se nós, portugueses, somos todos assim. Refiro-me, está bem de ver, à maioria, porque os restantes, os “chatos”, os que se podem considerar mais ou menos perfeitos, esses não contam para efeitos de apreciação global.
Eu sei que os jornais, uns tantos, tiram partido da insuficiência mental daqueles que se dedicam a ler com entusiasmo determinadas “notícias” que só podem chamar a atenção a quem, de facto, não encontra outros motivos de maior interesse para preencher a sua curiosidade, pois, com franqueza, há que ter uma certa pena dos que, com tantos problemas sérios que têm de nos afligir cá por este nosso País, ainda dedicam algum tempo a assuntos que não merecem nem sequer a leitura dos títulos.
Então, que pode chamar a atenção dos portugueses para o caso agora divulgado da ex-mulher de Pinto da Costa ter voltado a casar com o seu ex-marido?
Eu, por mim, entendo que os periódicos deveriam pôr ponto final em todas as referências que são feitas a essa figura que, não se sabe bem porquê, é, sobretudo nas televisões, denominado pelo seu nome completo: Jorge Nuno Pinto da Costa. É que, na maioria das situações, ou se dão notícias de tipo amoroso do homem ou então são aproveitadas as frequentes afirmações que saem da boca do “homem do Porto” e, tal como sucede com Jardim, da Madeira, são aproveitadas pelas suas características bizarras, por vezes ofensivas, ou, no mínimo, sem a menor base de senso que um responsável, seja ele de que tipo for, não deve perder de vista.
Como complemento desta referência, eu reafirmo o que já disse aqui neste espaço: independentemente do espaços reservado por certa comunicação social no que se refere ao relacionamento de ordem pessoal do Pinto da Costa, no capítulo da sua actividade como presidente de um clube de futebol, tal como o Alberto João, na sua qualidade de presidente do Governo da Madeira, se, num caso, eu fosse adepto do Futebol Clube do Porto e, no outro, se me coubesse ser um habitante da Ilha da Madeira, provavelmente eu seria adepto destas duas figuras, pois, parece não haver grandes dúvidas de que ambos têm cumprido com agrado os lugares que ocupam, e essa circunstância permite desculpar-se a falta de condições de ambos para serem capazes de terem o chamado tento na língua.
Agora, que qualquer deles – e, no que se refere a Jardim, não há motivos para se lhe apontar algum desvio – tenha mudado de amores, que os filhos casem ou descasem, que sejam vistos com alguma nova parceira, que mude de casa ou se mantenha na mesma, tudo isso não deveria constituir razão para ocupar espaço nos jornais ou nas televisões. Não faz a menor diferença seja a quem seja.Mas, infelizmente, nós, portugueses, bastantes, apesar de tudo, talvez para disfarçar as más notícias de ordem social e económica que nos afectam diariamente, não deixamos de dar importância a essas “notícias” de pátio que nos querem enfiar pela cabeça dentro. Nem haveria outra forma de dizer isto!

segunda-feira, 29 de março de 2010

QUEIMAR AS PESTANAS

Lá vai o tempo, atrasado
em que queimar as pestanas
tinha o seu significado
por serem acções humanas

Sobretudo a juventude
que estudava à luz da vela
mantinha essa atitude
não vinha luz da janela

Hoje, com tanto avanço
não há perigo em queimar
as pestanas, um descanso

Nem estudo é de arrasar
e a vela só usa o tanso
a frase é só p’ra lembrar!

POUCAS VERGONHAS


NÃO, NÃO DESARMO em relação ao alvo que mantenho na mira e que diz respeito a, com a assistência que me assista – que é quem lê o meu blogue diário -, denunciar permanentemente as poucas vergonhas que ocorrem em Portugal, e que, em vez de se verificarem actuações por parte de quem ainda possui algum mando (porque também esse está em vias de se extinguir), pelo contrário, aquilo a que dedicam atenção é somente aos casos de segunda ordem e de importância secundária.
Cada vez que a comunicação social dá conta de situações de verdadeiro escândalo com as remunerações e outras benesses que os administradores de empresas, as públicas e as não públicas, recebem das empresas em que actuam, a esmagadora maioria de portugueses que conseguem manter-se na corda bamba dos orçamentos caseiros não podem fazer outra coisa que não seja roer as unhas e aumentar o seu stress que, no caso dos miseráveis, tem de ter outro nome, simplesmente revolta.
Veio agora a lume que a administração do Banco Espírito Santo, uma empresa privada, é sabido, mas que a sua existência e os enormes lucros que lhe cabem resultam de uma actuação junto do população nacional, essa instituição gastou, em 2009, 12,1 milhões de euros com remunerações e prémios aos seus 27 membros da administração, dos quais 11 executivos e 16 não executivos, cabendo ao presidente da comissão executiva, Ricardo Espírito Santo Salgado, 1,050 milhões divididos em 435 mil em ordenados, 603 mil em prémios e 12 mil em subsídios.
Pois bem, repito que cada empresa privada renumera os seus administradores conforme entende e de acordo com a decisão tomada em assembleia de accionistas, mas, no caso dos Bancos, quando se chega à conclusão, como sucede com o BPP, que está prestes a ser declarado falido, e que, até se assiste a que um administrador desse Banco se tenha transferido para outra instituição dependente da Caixa Geral de Depósitos, isso, enquanto cerca de 100 colaboradores do BPP se encontram em vias de despedimento, nestas circunstâncias não é possível mantermo-nos impassíveis face ao que se passa à nossa volta.
Eu, por mim, volto a afirmá-lo, não desarmo. Pode não servir para nada, pelo menos de imediato, todas as denúncias que aqui registo e as escandaleiras que só num País de “brandos costumes” – como foi conhecido durante muito tempo – é que podem ocorrer. Mas eu confio que, num futuro, que pode até não ser assim tão próximo, alguém recorde quem teve uma vida de inconformismo, antes em relação ao estado ditatorial que se vivia e que, a mim pessoalmente, atingiu de forma bem efectiva, ao longo da minha profissão de jornalista. Pois não poderia ser agora, em que tanto se proclama a vida democrática, que o sistema da “rolha” volte a ser implantado.Se quem ler este blogue lhe der a expansão para outros destinos, então o seu efeito será ainda mais efectivo. E não digam quem é o autor, que eu não preciso de publicidade.

domingo, 28 de março de 2010

FUTURO

Neste País onde estamos
onde nascemos, vivemos
ainda nos conservamos
temos aquilo que temos

E é pouco, coisa pouca
e cada dia é menos
a caixa vai estando oca
à fartura só acenos

Mas que podemos fazer
que nos resta nesta hora
em que é enorme o muro?

Já nem se pode crer
não serve ir para fora
não me apetece o futuro




FUTURO NEGRO


NÃO TÊM CONTA as vezes a que me tenho referido a este tema que, digam lá o que disserem, é aquele que mais me preocupa e que, no fundo, mais deveria fazer pensar aqueles que me lêem, incluindo, principalmente, os que não crêem nos meus presságios em relação ao futuro do nosso Pais. Mas eu vou insistindo, primeiro porque estou suficientemente convencido de que não andarei muito longe quanto ao panorama que se perfila no horizonte e que as gerações que, estando já vivas, dentro de algum tempo tomarão nas mãos, pelo que lhes caberá a vez de o enfrentar; e, depois, porque ainda mantenho certa esperança de que existirão algumas possibilidades, ainda que remotas, de se tomarem determinadas medidas para tentar reduzir os enormes dissabores e dificuldades que se perfilam num futuro cada vez mais próximo.
Quem segue com atenção alguns programas televisivos que, nos últimos tempos, têm procurado pôr os portugueses ao corrente do que se passa, nas áreas económica e social, principalmente essas, em Portugal e não se limitam os tais cidadãos a contemplar as bacoradas que certos políticos, completamente ignorantes, debitam apenas para fazer prevalecer a sua imagem junto do público que, não se tirando de cuidados, acredita em tudo que lhe dizem tais figurões, se, sobretudo aos domingos, no canal SIC Notícias, pelas 20 horas, num programa que tem o título “Plano Inclinado”, tal público mais desejoso de não ser enganado puder assistir a uma exposição feita por três economista, Medina Carreira, Bagão Félix e um professor Roque, nessa ocasião tem possibilidade de tomar consciência da realidade que se atravessa no nosso País e daquilo com que iremos deparar, os que forem ainda vivos, a um não muito longo espaço de tempo.
A preocupação de que tenho dado nota neste meu blogue de que os dinheiros públicos, tal como eles se apresentam hoje e que, apenas através de contas bem feitas, serão os que puderem ser utilizados algum tempo mais lá para a frente – e estas expressões tão simples, despidas de preconceitos de linguagem vaidosa que não se adapta à rudeza do que há para descrever, pretendem apenas ser bem compreendidos pela maioria dos cidadãos -, esses fundos, perante sobretudo o aumento desmedido das reformas, antecipadas sobretudo, que estão a ser concedidas nesta altura e que aumentarão ainda mais, dado o pavor que mostram os que trabalham ainda e que preferem mudar de forma de vida, terão, inevitavelmente, que não chegar para fazer face aos montantes totais das reformas. Nesta altura, segundo notícias recentes, o montante que o Estado despende por dia com tal pagamento atinge já os 51 milhões de euros. Por dia, repito!....
Esta situação tem de ser compreendida e mesmo que os poderes públicos prefiram não revelar aos portugueses o que será inevitável que suceda, alguém tem de ir lançando o seu grito de alarme, pois, como tenho sempre defendido, é preferível ir prevenindo agora do que, depois, se apanhar o susto clamoroso face à realidade dos acontecimentos.
Aqui deixo o que os economistas acima referidos têm vindo a dizer, o que me deixa bem acompanhado quando tenho falado bem claro quanto a esta situação. Não se sabe quando, mas que, numa altura que surgirá a determinado prazo, as notícias avassaladoras começarão por anunciar o fim do 14º mês, depois o 13.º e o caminho posterior poderá ser o da redução sucessiva dos montantes mensais das reformas, tudo isso, a menos que se verifique um “milagre”, é o que, para os naturais de Portugal, deve constituir uma inevitabilidade.
Andaram os governantes a gastar o dinheiro a torto e a direito, suspenderam agora as grandes obras de loucura, mas se as tivessem iniciado já, o que aconteceria era a sua suspensão a meio e as dívidas a atormentarem ainda mais os nossos vindouros, foi necessário lançar um PEC, mas outro aparecerá a breve trecho, aumentando ainda mais o custo que a população terá de pagar… nem se cabe como, e é este o futuro que os optimistas dos Governos, os que nunca se enganam, os que sabem tudo e não precisam de lições de ninguém, são esses todos que, quando se retirarem da vida publica, talvez levem algum pecúlio bem guardado que lhes retirará a necessidade de estenderem a mão à caridade, como vai suceder à população que não tem outro remédio que não seja o de suportar as consequências.
Fim do primeiro acto…

sábado, 27 de março de 2010

BOM SENSO

O que tanta falta faz
p’ra que o mund’ande melhor
e que não acabe a paz
e se propague o amor
é só preciso bom senso
em todos gestos humanos
e na busca do consenso
procurar não fazer danos

Pensar sempre antes de agir
estudar consequências
evitar o agredir
aceitar certas cedências
isso é da vida um modo
de quem tem compreensão
se tem a dar dar-se todo
e fazê-lo com paixão

Se há na vida ideal
para manter o convívio
procurando o menos mal
e sentindo certo alívio
o bom senso lá faz falta
para fazer amizades
com toda e qualquer malta
de poucas e mais idades

Numa palavra por isso
o Homem bem necessita
assumir o compromisso
de uma atitude bonita
só o bom senso indica
comportamento perfeito
e por isso bem lhe fica
utilizá-lo a seu jeito

REMÉDIOS GENÉRICOS


E DIGAM LÁ que o nosso País não é o campeão das dificuldades, das burocracias, das limitações ao progresso, tudo provocado pela nossa maneira própria de ser que parece fazer gosto em dificultar a vida ao próximo, como gozo pessoal ou colectivo de alguns, de quem alguma coisa podia fazer para as coisas correrem ao contrário.
Esta, de os laboratórios de medicamentos genéricos se debaterem com a maior das incompreensíveis dificuldades para poderem lançá-los no mercado, quando as respectivas fórmulas de composição já caíram no domínio público, ao ponto de se terem de aguardar largo tempo até que os serviços oficiais dêem permissão para tal acontecer, isto com elevado prejuízo de toda a gente, em primeiro lugar os doentes que necessitam de utilizar as respectivas receitas e que não têm posses suficientes para poder comprar os remédios, geralmente com preços elevadas, dos mesmos sem a classificação de genéricos, mas também do próprio Estado, pois é forçado a despender verbas superiores como compensação dos gastos farmacêuticos, tal demora não se consegue ultrapassar porque, como é sabido, em Portugal, para resolver até os assuntos fáceis, é necessário dar tempo ao tempo, sentarmo-nos todos a contemplar e só, passado muito período perdido, é que lá aparece alguém, com alguma vista mais alargada, que toma a iniciativa de fazer andar o que estava adormecido por um sr. Silva qualquer que, por azar, é o que tem intervenção na matéria. Até nesta situação nos encontramos longe da Europa, quando o aproximarmo-nos se trata de coisa bem fácil.
E tudo isto para não referir, de novo, o atraso com que se aguarda que saiam as leis que possibilitam a venda das unidoses de determinadas medicinas, medida essa que, em muitos países da Europa, como a Grã Bretanha, por exemplo, há muitos anos que se encontra em vigor.
E nós, que nos queixamos somente dos políticos. Acusamos permanentemente do sr. Sócrates de ser um incapaz – e é -, mas, ao fim e ao cabo, o que o nosso País tem em demasia é gente que o iguala, portuguesismos da silva que, por todos os lados, o que são capazes é de fazer a vida negra aos outros cidadãos, aos outros, que, por sinal, se dependesse então desses a solução de muitos problemas também tudo ficaria na mesma, pois que o melhor é estar quietinhos e não ter maçadas.
Pois sim, chamem-me o que quiserem, acusem-me de não ser um fervoroso amante do estilo nacional de se actuar e de não gabar, por tudo e por nada, os nacionais deste País. Mas, por muito que gostasse de poder “dourar a pílula”, a minha verdade é que não consigo impor ao meu pensamento elogios à forma como nos costumamos comportar, sobretudo nas áreas da governação, posto que, por razões que se encontrão talvez na área antropológica, ao longo dos séculos e apesar de termos marcado a História com feitos que nos colocaram no cume dos acontecimentos de valor de todo o Mundo, de há umas temporadas para cá e já lá irão demasiados anos, excessivas décadas, não temos razões para, honestamente, nos considerarmos como exemplos ao cima da Esfera terrestre.
Provavelmente precisaremos de sofrer os efeitos de um aperto bem forte para conseguirmos dar a volta à nossa maneira de ser, para despertarmos deste torpor em que temos andado, para merecermos mesmo a posição geográfica privilegiada que nos foi entregue e de que nem somos capazes de tirar o respectivo proveito.
Agora, que o novo “comandante” do PSD já foi escolhido, Passos Coelho, se estivesse ele a ocupar as funções de primeiro-ministro teria a capacidade para pôr a andar milhentas situações que se encontram empenadas e que só necessitam de expediente para sim desse empanamento? É a dúvida que passou a existir desde ontem à noite, quando foi dada a notícia do resultado das eleições nos sociais-democratas.Eu, que sou também um portuguesinho da Silva, não me sinto capacitado para acrescentar mais ao que acabei de escrever. No livro que tenho para publicar – se um editor, claro que tem de ser português, for capaz de pegar nele – e que tem o título “Desencanto… por enquanto”, talvez consiga adiantar mais ao que acabo de expressar. Esperemos que, ainda em minha vida, eu veja um editor expedito querer ter a iniciativa de pegar numa obra que promete ter grande acolhimento dos portugueses. E se escrevo isto aqui é porque a vontade que eu tenho de passar para o papel o que a minha intuição me indica, me dá, julgo eu, autoridade para verificar que, afinal, neste País, não existem apenas editores que vendem livros como quem vende batatas

sexta-feira, 26 de março de 2010

EUROPA

Essa Europa de que tanto se fala
e de que muitos querem fazer parte
não encontrou ainda o caminho
anda confusa
anda perdida
está a consumir tempo
corre o risco de ficar pelo caminho.
A Europa das Nações é um sonho
ter esse objectivo comum
uma Constituição para todos
um governo geral
uma moeda igual (que já tem quase)
com línguas diferentes
costumes desiguais
bandeiras distintas
regiões autónomas
conseguir tal objectivo, não é fácil.
E porquê
se todos desejam fazer parte do grupo?
A resposta é simples:
é que a Europa é constituída por seres humanos
também ela
como o resto do mundo
e é por isso que o entendimento
a comunhão de ideias
e de interesses
a capacidade de não exigir o comando
o desprezar interesses pessoais
o atender ao bem geral
o não ser invejoso
tudo isso falta ao Homem.
Querer ser o chefe
o que manda
desejar a melhor parte
é isso que destrói as comunidades
é por aí que s partem as uniões.
A Europa chegou até onde está
Conseguirá avançar mais um pouco?
Mas quando?
E a que preço?
Até que ponto assistirá pacificamente às discordâncias?
Restará um mito?
Abdicarão os Homens do mau pelo pouco bom?
E as regiões que, por essa Europa,
lutam por independência
estão a passar de moda?Já eram?
Que isso de querer ser dono da sua ruas
deixou de ter razão de ser?
Pois não parece…

E a emigração de que este Continente
está a atrair tantas populações
os milhões de pessoas não europeias
que já se instalaram
e os que virão a caminho
instalando-se
tendo filhos
muitos
o dobro
o triplo
o quádruplo
dos naturais europeus
que mudanças irão provocar
nos hábitos
costumes
língua
cor de pele
da tradição europeia?
Daqui a cinquenta anos
quem cá estiver ainda
e os que nasçam
descendentes dos actuais europeus de origem
Paris
Londres
Madrid
Berlim
Lisboa
todas as grandes cidades
deste Continente
não encontrará nada igual ao que existe hoje.
Os que tenham a capacidade
de ler no futuro
que sejam capazes de desvendar
o futuro.
Embora talvez seja preferível
não se ficar a saber já…

Contemplando todos os Homens de hoje
não será difícil
fazer um exercício de reflexão.
A pergunta impõe-se:
Como é possível continuar a existir
Uma Europa
Com este material humano?
Essa Europa de todos por um
e de um por todos
é um desejo
um mito
toda a realidade dos dias de hoje
é outra.
Podemos ainda ter esperança?
Será preferível persistir numa Europa
Ideal
Unida
Amiga
Sonhada para ser diferente
do que se conseguiu até hoje
capaz de juntar vontades
interesses
forças?

Deixo aqui a pergunta
esta e outras.
e sei que há duas respostas possíveis
antagónicas
divergentes.

Têm fé de que os Homens
acreditam no êxito
têm fé que os Homens
apesar das suas características
encontrem o bom senso
mas outros
talvez a maioria
perderam a esperança

Europa unida?
Um bloco?
Vivendo todos os europeus
em comunhão?

Que sonho mais
lindo!...






EUROPA, VAI OU NÃO VAI?


É UMA ENORME desilusão, para todos os que, como eu, sempre acreditaram nas vantagens da criação e existência da União Europeia, verificar que os comportamentos de alguns dos participantes no Grupo não correspondem ao que se esperaria de um conjunto que deveria marchar bem coeso. Sobretudo neste período tão difícil para todos os países e que, no nosso Continente, se tem feito sentir de forma bem evidente, sendo que uns tantos dos aderentes ao bloco europeu, como é o caso actual da Grécia mas que se poderá estender a outras Nações, se encontram em situação declaradamente difícil, particularmente em termos financeiros, pois é precisamente neste período que se verifica um desencontro de opiniões e em que a falta de unificação de interesses mais se faz observar.
É verdadeiramente incompreensível que, também neste particular, os Homens se estejam a mostrar separados, isto é, quando a união da Europa deveria estar mais actuante e, dando o exemplo ao mundo, é quando os interesses privados de cada Nação mais se fazem projectar, abandonando o sentido da harmonia que tinha de estar presente quando as necessidades mais o impõem.
É certo que a Europa, ao longo da sua História, sempre fez questão de evidenciar os desencontros, sobretudo entre vizinhos, e as guerras que ocorreram pelo passado fora fizeram prova disso mesmo. A Europa Central, neste particular, tomou várias vezes as rédeas dessas inimizades e as invasões de uns e outros, que ocorreram por motivos diferentes, ficaram a marcar as atitudes de confronto que alguns condutores da política mostraram uns aos outros.
Mas então, não foi por isso mesmo que nasceu a iniciativa da União Europeia, sob diversas matrizes, é certo, até mesmo como o do estatuto de Estados Unidos da Europa? Não terá sido com o objectivo de fazer coincidir os interesses dos diferentes povos deste Continente, que se criou a moeda única e que tem vindo a ser desenvolvida, ainda que demoradamente, uma política de unidade, com um Banco comum, uma Parlamento que junte os interesses de todos os membros de variadas línguas e outras medidas que têm vindo a ser desenvolvidas, sempre com espírito de um por todos e todos por um?
Foi. Claro que sim. Só que o ser humano não consegue entender que é com uma verdadeira e sã união que se consegue enfrentar as dificuldades que surgem, também elas criadas pelo mesmo Homem. E, o maldito egoísmo, a desprezível inveja, a malfadada ambição, a ridícula vaidade, tudo isso consegue que as vantagens da comunhão de interesses seja suplantada pela mesquinhes. E, precisamente no momento em que o auxílio deve ser prestado, é nessa altura que surgem as tendências para a separação, para o abandono do auxílio que deve ser prestado aos que o pedem.
Enfim, não estamos ainda nessa situação que, a dar-se, porá fim ao ideal de uma Europa solidária. Mas, por minha parte começo a ter receios de que, com o exemplo da Grécia e, quem sabe, quando chegar a vez de outro País que se encontre nas mesmas condições complicadas precisar de auxílio dos “Irmãos”, se assista a um virar de costas que porá fim a um sonho que, até esta altura, ainda se situa na área das realidades.
Até ao último momento, por minha parte ainda vou conservando a esperança de que os habitantes deste Continente e, em particular, os seus dirigentes políticos, não perderam de vez o juízo. Há que ter fé nos Homens!...

quinta-feira, 25 de março de 2010

AQUILO QUE EU VEJO

Aquilo que vejo
que atrai meus olhos
que me causa ensejo
mesmo sendo aos molhos
eu acredito?
É verdade pura?
Não será um mito?
Uma desventura?
Mas vejo e pergunto:
poderei eu crer
constitui assunto
para eu ver
e aquilo que é dado
algo como queixa
será um recado
que a vida me deixa
uma prevenção
com certa importância
chama-me a atenção
provoca-me ânsia
abre-me o sentido
mas olho parando
e o despercebido
agora pensando
com calma observo
a ideia apurada
por fim lá conservo
a vista do nada
e aquilo que eu via
e que os olhos liam
tinha mais valia
e todos deviam
cá por este mundo
ter algum rigor
olhar sempre a fundo
que tudo tem valor

Por isso m’interrogo
procuro resposta
faço-o como um jogo
é quase uma aposta
tudo por que passo
e atrai minha vista
se causa embaraço
constitui uma pista?
Como em tanto assunto
não sei responder
até ser defunto
terei de aprender

CRIAR EMPREGO?



COMO TENHO DÚVIDAS com frequência, interrogo-me assiduamente sobre o caminho a seguir e as razões que me assistem para ter uma determinada opinião. E como o ficar parado não é a solução, lá tenho de optar e, não raramente, me engano.
Esta não é a expressão da felicidade absoluta, mas quando admitimos os nossos erros, se eles são praticados com total isenção de maldade, teremos, pelo menos, a possibilidade de rectificar os nossos pontos de vista e de apresentarmos as nossas desculpas a quem, por ventura, tenhamos induzido em falta.
Pois bem, é o que me acontece no que respeita a ter de expressar o meu ponto de vista e não estar absolutamente seguro de que será esse o correcto ou se, pelo contrário, não haverá outro que se justifique, com maior valia, quanto ao apuramento do bom senso.
Pois cá vai aquilo que me mantém na dúvida: está a levantar-se nesta altura uma onda que se inclina para a abertura dos supermercados nos domingos e nos feriados, com a alegação de que o público consumidor nem sempre pode utilizar os dias úteis para proceder aos seus abastecimentos. Como há quem defenda outra alternativa que é a de se proceder como com as farmácias, em que se verifica um calendário de estabelecimentos de serviço, com alternativas de trabalho.
Eu também tenho a minha opinião e ela tem a ver com a necessidade urgente de criar trabalho e de combater o desemprego que grassa pelo nosso País, aliás como em toda a parte do mundo, e que é forçoso que anime as imaginações para que diminua tal flagelo. Ora, exactamente para respeitar as horas de actividade dos funcionários dos supermercados, a solução tem de ser a de aumentar o número de trabalhadores e de criar turnos que respeitem os dias de descanso que a lei impõe.
Por esse motivo, não só no que respeita aos supermercados mas talvez estendendo essa possibilidade a toda a espécie de estabelecimentos de porta aberta, sem restrições e apenas dependendo da vontade dos proprietários, alargar-se-ia o tempo de trabalho e, por essa via, alguns desempregados poderiam obter solução para os seus problemas.
Como em tudo na vida, impõe-se sempre alguma imaginação para fazer frente a problemas que nos surgem e, no caso do desemprego que alastra pela Esfera terrestre e, em grande parte, pelo aumento substancial de população, de duração que se verifica no tempo de vida do ser humano e dos avanços na tecnologia que reduz, sempre aumentando, a necessidade de mão-de-obra nas fábricas, tudo isso contribui para que, cada vez mais, o número de potenciais trabalhadores desocupados vá aumentando. Este o panorama, apesar de, como foi já divulgado pelo Instituto de Emprego, se terem revelado qualquer coisa como 60 mil recusas em aceitar ofertas de empregos, em 2009, na altura destes serem atribuídos. Isto, quando há cerca de 690 mil desempregados em Portugal. Não é caso para pormos as mãos na cabeça?
Como toda esta situação se vai resolver é que não sei se haverá alguém capaz de dar a resposta tão desejada. Talvez que soluções idênticas à que apresento, dos supermercados abertos aos domingos e feriados, seja uma delas. Mas, claro, está muito longe de ser bastante.

quarta-feira, 24 de março de 2010

CONTRADIÇÕES

As contradições existem
estão do outro e deste lado
e as duas lá resistem
enfrentando-se com enfado
a verdade e a mentira
são exemplos bem patentes
por vezes causam a ira
de muitas das nossas gentes

O valente e o cobarde
fazem parte da História
o primeiro causa alarde
o outro perde a memória
mas os dois são grande parte
deste mundo em que vivemos
um é porta-estandarte
o segundo nós tememos

Ser nesta vida sincero
traz por vezes dissabor
causa certo desespero
a quem tem esse valor
porque usar a falsidade
uma forma de fingir
com tamanha habilidade
leva-se a vida a sorrir

E isso de ser honrado
dos outros não querer nada
será sempre um coitado
sem conseguir vida airada
porque o roubo se é bem feito
tenha o nome que tiver
não é chamado defeito
pode levar ao poder
Daqui há que concluir
que o defeito é ciência?
Não há que por aí ir
que ceder a tal tendência
cada um tem seu perfil
não muda só porque sim
mantém-se no seu carril
e assim vai até ao fim

POBRES DEPUTADOS


DOU COMIGO a achar graça ao deputado socialista e que já foi membro de um Governo, José Lello, sempre que se mostra em qualquer programa de televisão a botar opinião sobre casos políticos, pois que, noutras alturas, debitava sobre temas que se relacionavam com a cadeira que detinha num Executivo. Mas, desta vez, provocou-me um sorriso a sua intervenção no Hemiciclo, em que entendeu ser seu direito mostrar a revolta contra os fotógrafos que, no Parlamento, obtendo imagens do alto das galerias, cobrem os ecrãs dos computadores colocados perante cada deputado e de cuja utilização variada gozam, desde as últimas obras naquele recinto, os mais de uma centena de representante do povo, que fazem uso de tal instrumento de trabalho para poderem também servir-se do mesmo para contactos pessoais, com mails e, segundo alguém já escreveu nos jornais, quando não lhes interessa a discussão que se está a processar à sua volta, também deitarem uma espreitadela a programas de jogos que, na verdade, para quem gosta, ocupa bem as horas mortas.
Pois não é que José Lello fez ouvir a sua reclamação pelo facto de haver profissionais da fotografia, ao serviço da comunicação social, que, de cima para baixo, do alto das bancadas, colhiam imagens do écran do”seu” computador e tomavam conhecimento do que o deputado estava a consultar? Tratava-se, insurgiu-se José Lello, de uma intromissão na sua vida privada, para além de que, segundo versão do próprio, os mesmos fotógrafos, dada a posição superior que ocupavam, também colhiam retratos dos decotes das senhoras ao serviço da Assembleia e, segundo ele – o que é mais estranho – também as pernas, estas fotografados de cima para baixo… o que não foi explicado claramente pelo incomodado representante do povo.
A esta reclamação, viu-se obrigado o presidente do Hemiciclo, Jaime Gama, a esclarecer que aquele espaço era um local onde a liberdade de acção dos profissionais da comunicação não tinha que ser limitada e, para mais, os computadores não eram pertença dos senhores deputados, mas sim do Estado. O que ali se dizia e se fazia era para ser mostrado a todo o País, logo para fora do espaço das paredes, não se verificando, por isso, quebras de segredos pessoais.
Não disse Jaime Gama, mas talvez tivesse apetite de recordar, que foi ali precisamente que o então ministro da Economia, por sinal pertencendo ao mesmo Partido que Lello, foi fotografado e apanhado pelas câmaras de televisão a fazer o gesto do corno para a bancada do PCP, e não houve ninguém, nem mesmo o seu colega que agora protesta contra os fotógrafos, que tivesse saltado a clamar pela “invasão das atitudes pessoais”.
É por estas e por outras que, para disfarçar o meu desprazer com os acontecimentos políticos que, gente que não servia nem para contínuos de qualquer repartição pública – com perdão destes profissionais, que os há com capacidade -, ocupa ligares que lhes assentam como albardas!
Só que, para fazer rir, não teríamos nós, os cá de fora, de pagar os salários e as mordomias que eles levam para casa (se bem que, nalguns casos, poucos, até mereçam bem mais!

terça-feira, 23 de março de 2010

DESCONSOLADO

Aqui estou eu, desconsolado
a ver passar o mundo
à minha volta
sem que nele interfira
sem que o melhore
mas também pouco
o piorando.
Sou mais um
dos milhares de milhões
que por cá andam
a consumir o ar,
a água, o ambiente,
o espaço e que contribui para que o amanhã
seja muito pior,
mais escasso de tudo,
menos belo,
menos natural.

Aqui estou, enfastiado
já sem me importar
com o que vem a seguir,
com o que vai ser o futuro,
aquele que não me vai encontrar...
para me desconsolar

TÃO FLORIDOS QUE ELES ANDAM!


MANTENHO-ME com a interrogação que há que fazer a todo o sector administrativo, seja do Governo seja de qualquer instituição dependente do poder oficial, sobre se está definitivamente entendido que cada responsável pela área que comanda tem obrigação de zelar pelos gastos de dinheiros públicos exclusivamente orientados para casos de necessidade absoluta. E a resposta que consigo obter, perante o que se observa por todo o lado e face até às notícias que a comunicação social transmite, é de que ainda não foi devidamente entendido que vivemos, em Portugal, um período, que vem, aliás, já de um tempos atrasados, em que a palavra de ordem tem de ser uma única: a de poupar o mais que for possível e estabelecendo prioridades rígidas que têm de ser escrupulosamente cumpridas. Assim parece que está a suceder com as reparações das estradas e, nas cidades, como Lisboa, nos passeios, pois que os buracos em série que causam tanto prejuízo nas viaturas que circulam e incómodos nos peões que têm de se deslocar, em que a compreensão dos cidadãos dá a entender que, de certo modo, assim deve ser, dentro da tal preocupação de não se ultrapassarem as necessidades mínimas.
Mas é este o comportamento de todo o sector oficial? Boa pergunta, pois a resposta é conhecida de todos os portugueses. Por mais espanto que isso cause, quanto mais responsáveis dão as personalidades que deviam dar o exemplo, pior é o seu comportamento. Então essa, de José Sócrates gastar milhares de euros por ano em flores, que, segundo ele, se destinam à manutenção dos jardins da sua residência oficial e também para ofertas, como se isso constituísse uma necessidade imperiosa, tal comportamento só pode sair de uma pessoa como é o primeiro-ministro que temos que, em vez de se preocupar em esclarecer com verdade os portugueses, em lugar de andar permanentemente a fazer propaganda das suas acções, não atende às notícias e às opiniões que inundam o País de Norte a Sul e continua como se não fosse obrigado a portar-se com total rigor e permanentemente atento aos passos que dá sem o menor senso comum.
De resto, por diversos lados o Governo não se coíbe de aguardar melhor oportunidade para despender verbas em arranjos de vários quilates, como foi relatado que a Secretaria-Geral da Presidência do Conselho assinou um contrato com a TMN para prestação de serviços móveis no montante de 75 mil euros, assim como a instalação de painéis foto voltaicos pela EDP, com o custo de 50 mil euros, sendo que o Ministério dos Negócios Estrangeiros já gastou 756 mil euros na gestão do sistema multimédia para a rede consular.
Enfim, nem vale a pena pôr mais na carta. Assim se justifica o tal PEC que os mais pobres portugueses são obrigados a suportar (e que, por sinal, na entrevista conduzida por Sousa Tavares na RTP, e em que poderia ter sido aproveitada a ocasião para aclarar o assunto com o ministro das Finanças e não tal não foi conseguido). E, enquanto andamos nesta irresponsabilidade governamental, vamos suportando os disparates sucessivos e continuamos a aguardar pelo final de uma cena de que não vemos forma de ter esperanças em que tudo não acabe de maneira muito desastrosa para o nosso País!...

segunda-feira, 22 de março de 2010

VERGONHA

Se há razão para a ter
se algo te faz corar
merecer
chorar
a consciência ajuda
a dar um passo atrás
se não há quem acuda
para encontrar a paz
fugir
corar
não resolve só partir
há que de frente encarar
e fazer por conseguir
e o mal reparar
a vergonha
é remédio
de nada serve a ronha
que só provoca tédio
tapar a cara
esconder-se
com isso não mascara
o que pode é precaver-se
p’ro futuro
ter cuidado
fazer tudo com apuro
para não ser perdoado
a vergonha
não é peçonha

POUCAS VERGONHAS


DEVO ADMITI-LO QUE já tinha tomado a decisão de deixar de preencher o meu blogue, que considero merecer assuntos mais limpos, com estes casos de autêntica vergonha da política nacional, com as protecções escandalosas que prestam uns aos outros, agora tu e depois não te esqueças de mim, como se têm verificado por cá, embora, reconheço-o, não seja somente uma situação dos nossos dias, pois sempre ocorreram mesmo na época passada da ditadura, apesar de Salazar não precisar de pôr o seu bolso à disposição por ser outra a sua ambição, mas dando essas oportunidades aos seus apaniguados, pois se também não o fizesse não teria as protecções de que gozou enquanto foi vivo e chefe do Governo.
Mas, ainda que resista a ocupar-me de assuntos que só desprestigiam quem segue por tais caminhos, mesmo assim, não resisto e, de vez em quando, caio na tentação de referir situações que bem enegrecem a imagem daqueles que se metem em tamanhos escândalos à honradez. Pois é o que me sucede nesta altura.
Recebi um mail que anda por aí a correr os computadores dos que se mostram interessados por ter conhecimento das poucas-vergonhas que os homens provocam. E, como está na moda aparecer sempre o nome de Vara em tudo que se associa a maus comportamentos, cá me encheu o écran a notícia que aproveito para colocar no meu blogue de hoje. Não se trata de um diz-se, diz-se, mas sim de uma informação que é dada com elementos de comprovação e que todos podem confirmar se o quiserem fazer.
No relatório da Caixa Geral de Depósitos, referente a 2008, publicado em Abril do ano passado, nas páginas 504 a 542, pode tomar-se conhecimento de que Armando António Martins Vara, vogal do Conselho de Administração da referida instituição, terminou o seu mandato em 9/01/2008 e por ter trabalhado 9 dias nesse ano na CGD teve direito a uma remuneração-base de 23.726,95 euros. E acrescenta o mail: à média de 2.637,44 euros por dia, tendo recebido uma verba superior ao seu vencimento mensal a que teria direito (18.550 euros). Depois, em 16 de Janeiro de 2008 seguiu para a administração do BCP, acompanhado de Santos Ferreira e Vítor Lopes Fernandes, também administradores cessantes da CGD.
Fica-se a saber igualmente, através da referida informação que corre nos computadores de muitos interessado, que os administradores da Caixa gozaram de um estatuto remuneratório que correspondeu a 26.500 euros, 14 vezes por ano, isto para o Presidente, porque Armando Vara recebia 22.525 igualmente vezes 14 pagamentos anuais.
Mas, através do que consta na página 540 do Relatório referido, Armando Vara recebeu da CGD 23.742,72 euros de ferias não gozadas e, por outro lado, coube-lhe 117.841,03 euros de participação nos lucros da Empresa/Prémios de Gestão referentes a 2007 e recebidos no ano seguinte, isso sem referir outras regalias, como o cartão de crédito e à aposentação, etc., para além de 961,87 euros por gastos de telefone, isto referente aos tais 9 dias de actividade, que foi o tempo que Vara ocupou em actividade na CGD.
Porém, no tal mail que está a ser divulgado, é recordado que Armando Vara, ao ter mudado da CGD para o BCP, passou a exercer as funções de vice-presidente do Banco, de onde saiu por motivo dos acontecimentos que, por sinal, ainda estão completamente por esclarecer.
Não me disponho a fazer comentários a todo este historial que corresponde a uma amostra daquilo que ocorre em Portugal em muitas situações e em que as pouca vergonhas dos favores que andam a fazer uns aos outros, desses que defendem com unhas e dentes as regalias que são construídas para criar paraísos de vida a grupos de gente que, não tendo contribuído em nada para que Portugal passasse a ser uma País democrático de regime, se serve da libertinagem que instituiu e tira partido vergonhoso do que os outros lhe permitem que usufruam.
No fundo, são todos culpados da situação que se estabeleceu. Pois também ninguém se atreve a meter mão em tudo isso e cá vamos, caminhando para lugar incerto, enquanto durar a vida doçura…

domingo, 21 de março de 2010

BUSCA DE ACALMIA

Mar que em mim existe revoltado
na busca continuada de acalmia
não consegue manter-se sossegado
no longo caminhar do dia-a-dia
e os ventos que sopram em redor
não deixam que as ondas me descansem
cada vez a angústia é maior
sem haver alguns que me esperancem

Os seis mil milhões que por todo o mundo
se movimentam cada um à sua
tendo de viver em cada segundo
desejando que nada os obstrua
uns conseguindo outros nem por isso
a grande maioria se debate
com o que na vida é grande enguiço
e torna o dia-a-dia em combate

Por isso se escuta tanta queixa
de gente p’lo desânimo tocada
a quem a felicidade não deixa
alegre marca da sua passada
as excepções existem, são bastantes
causando inveja aos que ao contrário
têm razão para ser protestantes
por sofrerem penas neste calvário

Eu, por mim, luto contra o mar revolto
as ondas permanentes que atormentam
vendo o vento que anda sempre solto
todos minha inspiração atormentam
num vai e vem de baixos e de altos
nos bons poemas, noutros um horror
em pensamentos, tristes sobressaltos
que deixam marca de enorme dor

Mas é esse, do poeta o martírio
encontrar o sítio e o momento
p’ralcançar conveniente delírio
em que se estando a sentir o vento
ele traga por vezes bons auspícios
e talento que quase sempre falta
e que provoca tantos sacrifícios
até fazer chegar algo à ribalta

Acalmia é coisa que se busca
bastante para o espírito sossegar
p’ra não haver aquilo que ofusca
o que esteja pronto para dar
mas quando por muito que se procure
a tranquilidade não aparece
não há ninguém que bem se aventure
porque o génio fugiu, não se merece

CONFESSO QUE ENTENDO...


A PROPÓSITO do texto saído no “Expresso” de ontem e escrito por Miguel Sousa Tavares, em que o título e o conteúdo se baseiam no tema “Confesso que não entendo”, surgiu-me o desejo de contrariar a tese defendida, afirmando claramente que eu tenho que confessar que sim, que entendo. Vamos a ver se esta questão será merecedora de polémica.
Vou-me referir somente aos temas que, em meu entender, são os que valem a pena ser apontados, pela sua importância de teor nacional e atendendo ao momento crítico e bastante alargado no tempo que todos nós, os portugueses para referirmos apenas o nosso caso, temos de suportar.
Que a comunicação social dos dias de hoje se encontra quase toda ela nas mãos de empresários e são os interesses económicos que dominam as tendências das informações que saem a lume, como não fosse isso que se esperaria desde há uns anos a esta data, não podendo ser de outra forma, pois que tudo no mundo que nos rodeia, desde que tenha verdadeira importância é dominada pelo poder financeiro e até o político, por muito que queiram os profissionais desse sector dar mostra de outra coisa, o certo é que, sem o poder do dinheiro, nos nossos dias, não se verifica poder de qualquer outra espécie, incluindo, está bem de ver, o político.
O Congresso do PSD, que teve lugar há dias e cujo resultado final ainda está por apurar, esse não terá qualquer resultado prático se as influências financeiras não pesarem fortemente no agrupamento que passar a ter nas suas mãos o comando das operações do actual maior partido nacional da Oposição. Logo, a escolha do próximo Presidente, seja a quem for que venha a calhar como resultado das votações no dia 26, ficará, seguramente, a ser observada em minúcia pelo poder do dinheiro, sabendo-se, como se sabe, que os sociais-democratas dependem em grande percentagem daquilo que o empresariado de peso se propuser ajudar. Podem os próprios parecer que se ofendem e que não á nada disso que ocorrerá, mas, lá bem no fundo, quem, nesta carência de meios que se vive, dirá que não a um forte apoio monetário que lhe seja oferecido?
No capítulo da chamada “escandaleira” do negócio do terminal de contentores de Alcântara, com a dita indemnização que o Estado terá provavelmente de pagar à Liscont, se o contrato for anulado ou, na alternativa, até os gastos que ali se terão de fazer por conta do erário público, isso que também está intimamente ligado a interesses de empresas que se encontram apoiadas pelos milhões de euros de que podem dispor, pois o capital espreita, sorrateiramente, a conclusão de uma situação que se vai arrastando e de que os principais interessados mantêm debaixo de olho.
E ficando agora por aqui, basta-me aludir também às contas astronómicas que escritórios privados de advogados apresentam às várias dependências do Governo que utilizam os seus serviços (quando existem milhares advogados que são funcionários públicos e que não são utilizados para actuar, apenas com o custo dos seus ordenados, ao serviço do sector oficial), o que prova também que o dinheiro é que comanda a escolha de quem deseja que se ocupe de causas, e nem é necessário aludir a múltiplos exemplos que vão sendo dados a conhecer, como, para referir mais um, aquele de ter sido um arquitecto americano afamado, que recebeu milhões de euros por ter feito o projecto do “novo” Parque Mayer, o mesmo que, por sinal, ficou na gaveta, mas o erário público esse bem sofreu com tal pagamento.
Pois repito: eu confesso que entendo tudo. É só o ser humano que, como aqui o tenho largamento acusado, anda sempre a “cheirar” o odor das notas, tenham elas a origem que tiverem, que põe de parte o bom senso, o interesse comunitário, a razoabilidade e se preocupa, acima de tudo, com o seu próprio bem ou, em alternativa, com a defesa dos ganhos do seu grupo.
Sempre foi assim, desde que o ser humano existe. Só que, com o andar dos tempos e com o avanço das modernidades e das tecnologias, a especialidade em explorar os outros, essa reveste-se agora de requintes, de esconderijos, de parece que não é, mas é…
Entende-se ou não se entende?

sábado, 20 de março de 2010

CONTRATEMPOS

Tempo é coisa que não se segura
a medi-lo levamos toda a vida
e enquanto a existência dura
se não a damos toda por perdida
agarramos a árvore do tempo
porque essa, sim, é a que se vê
agarramo-la sem um só lamento
pois no tempo, nele só se crê

Não se vê, mas sente-se bem passar
tal como dizem, que o tempo é dinheiro
tudo ao mesmo tempo, até faltar o ar
mas para partir quem irá primeiro
pois todos nós, claro, envelhecemos
quem lá chegar que veja bem a hora
se o tempo conta como cá fazemos
e se também há depois e agora

Os minutos de tempo que separam
uns momentos dos outros, tal e qual,
servem para todos os que os comparam
e apartam o que é bom do que é mal
marcando os piores com uma cruz
metendo em cápsulas todos os tempos
que voam com a rapidez da luz
tanto bons como os que são contratempos

Bons tempos que já lá vão e não voltam
que os maus esses nunca se esquecem
os tempos perdidos que nos revoltam
que também eles são os que envelhecem.
Se é tempo de começar novamente
mesmo que seja já com tempo pouco
pelo menos que chegue à tangente
para nos salvar deste tempo louco
que de loucura anda o mundo cheio
em correria no mesmo lugar
com o Homem sempre em grande anseio
de do mesmo sítio nunca mudar

Seja de chuva o tempo que faz
ou um bom sol ilumine a terra
aquilo de que ninguém é capaz
é de evitar que haja sempre uma guerra
todo o tempo da história do mundo
séculos e séculos que passaram
mostraram como sempre lá no fundo
houve quem morresse e os que mataram
sem compensar todo o tempo perdido
face ao tempo que não foi vivido.
Bem bastam os desperdícios dos tempos
Com todos os inesperados contratempos.

HOMENS ZANGADOS


É VERDADE que não é só de hoje, pois o Homem, desde os primórdios da sua existência, tem dado mostras claras de não se sentir confortável quando o parceiro concorre com feitos e palavras que não condizem com a sua forma de pensar e portanto não são do seu agrado, mas, ao chegarmos a este ponto da vida humana, com todos os avanços da ciência e da tecnologia, em pleno século XXI, e em que o auge da discórdia atingiu um nível que será difícil prever como será solucionado, é caso para pensarmos que o futuro que se perfila não promete que a tal Democracia, a menos má das políticas de que tanto se fala e de que tão mal se pratica, consiga que os “patrões” das diferentes frentes mundiais nas áreas da política, da religião, da economia, dos países que se espalham pela Terra, controle os que têm a responsabilidade de tornar a vida mais serena de todos os habitantes espalhados pelo Globo.
É longa esta entrada, mas a intenção foi deixar claro que tem de existir preocupação no que respeita ao caminhar dos seres humanos nos anos que se apresentam pela frente, dado que, especialmente neste último quinquénio, com a difícil crise que resolveu atacar todo o nosso Planeta e que, já pela segunda vez na História dos homens – a outra foi em 1929, mas com menor extensão -, o que já não corria bem para a maioria das populações das classes baixas e, sobretudo, das de grande pobreza, que é sempre a que luta com mais dificuldades para se manter, tem vindo a mostrar-se quase insustentável e não dá mostras de inverter a tendência, pelo menos nos anos mais próximos. E, no meu blogue de anteontem dei o meu parecer sobre a situação.
Mas, não é verdade, que as lutas, algumas sangrentas e com uma violência bem demonstrada, que persistem em suceder em diferentes partes do Mundo, e bastantes delas por razões que seriam facilmente resolúveis se os seus intervenientes não se odiassem ferozmente, não têm fim e, pelo contrário, têm todo o aspecto de pretenderem prosseguir até nem se sabe quando? O que ocorre há imensos anos, nos confrontos que envolvem palestinianos e israelitas não é bem a demonstração de que não é visível vontade dos homens se entenderem? E, não sendo só aí, tendo como base aparente razões de índole religiosa, mas quando não é essa a razão outras se inventam para colocar frente-a-frente defensores de ideias desiguais? Será que está completamente afastada a hipótese de alguma Nação de segundo plano, com a divulgação que já não se esconde da posse de elementos atómicos que antes só se encontravam nas mãos de duas nações responsáveis, não seja atraída pela raiva e não despolete essa arma tão destruidora e seja a causadora de uma catástrofe mundial pavorosa?
Mas, pondo de lado tamanhos horrores e falando-se agora apenas do nosso País, que é o que temos à porta, também se pode fazer a interrogação se, por cá, estamos todos de mãos dadas a tentar solucionar os problemas de ordem financeira, económica e social que se situam na base principal das dificuldades que atravessamos, para não falar também das políticas, que essas provêm das ambições e das vaidades dos participantes? A resposta é conhecida.
E, já agora, um apontamento de passagem que vem justificar que o Homem é o único causador dos confrontos de toda a espécie que têm lugar seja onde for onde vivamos e que prova à saciedade que somos nós, os humanos, quem não fazemos o essencial para terminar com os conflitos, mesmo aqueles de pátio, como será considerado este que vou enunciar: é que, embora possa parecer ridículo levantar esta questão minúscula, aqui a deixo como mero exemplo: então, a greve que se anuncia dos pilotos da TAP, desses profissionais que auferem mensalmente uma média de 8.600 euros por mês, e em que, fechando os olhos aos baixos salários médios da generalidade dos portugueses (não falo aqui dos escândalos conhecidos), exigem um aumento?
Perante este caso, insignificante face ao que pode vir a acontecer no mundo em que habitamos, nem tem cabimento continuar a escrever sobre este caso nacional nem com todas as socrotices que suportamos diariamente. São tudo “mixarias”!

sexta-feira, 19 de março de 2010

LIVROS AMIGOS

Livros amigos
novos e antigos
que nunca se zangam
e até nos mangam
que nos acompanham
e nunca estranham
também envelhecem
amarelecem
mas não se queixam
e não nos deixam
e dos que gostamos menos
fazem-nos acenos
se os pomos de lado
não se nota enfado
ficam na prateleira
com sua soneira
mas não os perdemos
somos nós que os temos
não os abandonamos
somos todos manos
e algo nos ensinam
mesmo se desafinam
sempre aprendemos
e não nos ofendemos
por os seus autores
não nos quererem leitores.
Um dia virá
que algo mudará
com mais paciência
e mais indolência
mudemos de gosto
e o que nos é exposto
passe a fazer parte
do que chamamos arte
e será um livro mais
ao lado dos tais
dos que gostamos
daqueles que amamos.
Oh livros amigos
novos e antigos
pena não poder
tê-los ao morrer

LIVROS QUE SOBRAM


NÃO me canso de lançar este pedido às editoras portuguesas que, frequentemente, atiram para a queima milhares de livros que, não tendo tido aceitação no mercado nacional, ficam a ocupar espaço nos armazéns dessas casas que “fabricam” edições. Trata-se de fazer um acordo com o Ministério da Cultura e dos Negócios Estrangeiros, de modo a que possam obter uma compensação com a sua entrega gratuita para serem enviadas esses milhares de volumes para os países de língua portuguesa, posto que se conhecem os pedidos que surgem desses territórios, ávidos de contactar com a produção literária no nosso idioma.
Na verdade, a nossa obrigação mínima na ajuda da fixação da língua de Camões tem de ser a de enviarmos o maior número possível de literatura nacional para onde ainda se mantém a forma lusitana de comunicar. E, sobretudo, porque da parte das antigas Colónias portuguesas, em África e, em menor dose, em Goa e, mais difundida, em Timor, se constata uma apetência por ser conservada e melhorada a cultura com a nossa estirpe, nestas circunstâncias tudo que seja, da nossa parte, contribuir para que esse desejo se mantenha terá de constituir interesse por parte das nossas forças governamentais.
Mas isso digo eu e, seguramente, por parte de uma enorme camada de gente profundamente ligada à expansão da lusofonia, igual opinião existe. E, mesmo que não se verifique um movimento que mostre claramente o importante que representaria para nós tudo fazermos de forma a que contribuíssemos com entusiasmo para fortalecer a divulgação de uma língua que, pertencendo a um pequeno País, se encontra numa posição bem à frente de todas as que se falam por esse mundo fora, ainda assim, não restarão dúvidas de que esse passo marcaria uma demonstração de que os governantes não se incomodam apenas com os problemas de ordem económica e financeira.
Quem tem cabeça para pensar e imaginação bastante para encontrar formas de servir a Pátria sem recorrer a gastos exagerados que, nesta altura, estão fora de contexto – coisa que não se vislumbra por parte dos governantes que temos tido -, pode perfeitamente encontrar soluções para que os editores ponham à disposição os tais livros que não foram bem aceites no mercado nacional e se encontram na situação de “sobras”, e, através de negociações com transportadoras que, seguramente, se disporiam a participar na iniciativa de, dentro das possibilidades e sem exigências de tempo, se ocupariam de fazer chegar aos destinos, previamente estabelecidos pelos dois Ministérios atrás referidos e, com a colaboração do tal AICEP – a quem eu me refiro neste blogue com insistência -, fazer chegar ao destino as edições que cá se destinavam à destruição pura e simples.
Claro que, para que esta iniciativa tivesse êxito, seria fundamental que todos os elementos envolvidos nesta acção o fizessem devidamente motivados pelo objectivo em si. E essa atitude impunha que as diferentes forças governamentais ligadas ao sector dos livros se empenhassem a fundo numa acção que, não obtendo lucros de votação, deixaria os seus participantes com a satisfação de um dever cumprido.
Bem sei que isso, nos dias de hoje, não chega. Mas se o Estado se empenhasse, mesmo fazendo a propaganda dos seus feitos…

quinta-feira, 18 de março de 2010

FAZER A DIFERENÇA

O fazer a diferença
que é coisa que se usa
para mim bem se dispensa
por me parecer obtusa
pois prefiro dispensar
a frase tão corriqueira
e se tenho que falar
direi de outra maneira

Não ser assim dessa forma
distinguir-se p’ra melhor
p’ra quê seguir essa norma
quem quer falar com rigor
insistir em frases feitas
repetir o que se escuta
é como pegar maleitas
ter medo de ir à luta

É assim que a língua morre
e a nossa tão linda é
e os erros em que ela incorre
fazem-nos chorar até
p’ra quê sem fim repetir
quando variar podemos
vale a pena reflectir
naquilo que nós dizemos

É como o tal “logo mais”
em que os incultos insistem
são como os vendavais
em que os fracos não resistem.
P’ra salvar o português
das invasões asneirentas
é preciso honradez
e reacções violentas



VERGONHAS


DEPOIS do texto longo que deixei passar ontem neste espaço, parece que pouco mais haveria a dizer no que respeita à situação que se observa no nosso mundo e, no caso português, quanto às anomalias que se têm vivido nos últimos anos – para não fazer referência ao passado mais distante e de triste memória -, mas, com este vício de não guardar no interior o que nos amarga a existência, não posso passar em branco aquilo que foi divulgado nesta altura e que tem de nos revoltar, especialmente por ser cada vez mais amargurante o termos de suportar as dificuldades que a crise, ou lá o que lhe queiram chamar, nos obriga a passar.
Mas, isto de ser mostrado como gente mediática (que é maneira que se inventou para chamar os homens e as mulheres que surgem constantemente nos écrans das televisões e nas páginas dos jornais, ao ponto até de se ter de enjoar a persistência com que os “impingem”), um número de pessoas que se sobressai por qualquer razão, até mesmo no mau sentido, faz com que a apreciação ou o asco nos prendam a atenção e, como é o caso do que vou expor, não deixem passar em branco, sem comentário, algo que, de facto, constitui uma vergonha para os beneficiados, mas também para aqueles que consentem que factos destes ocorram.
Então não é, que um administrador da empresa estatizada Portugal Telecom, com um nome que tem andado muito zonas de Informação, Zeinal Bava, recebeu o ano passado, como pagamento do exercício das suas funções, entre salários e prémios de gestão, um milhão e meio de euros, esclarecendo a Informação jornalística que veio a lume que, para receber um funcionário normal da mesma empresa tal montante teria de trabalhar 80 anos, face ao salário médio líquido dos que são funcionários daquela e que é de 1.250 euros!
Se bem que, em comparação com os pagamentos que ocorrem noutros países nos mesmos cargos de mando, em Portugal ainda é onde se é menos generoso, por exemplo em relação a Espanha, não deixa de ser revoltante que, no nosso País, em que o chamado PEC ainda mais vem criar dificuldades aos trabalhadores correntes – e é bom que tenham emprego, porque mais de 600 mil estão desocupados -, não deixa de ser escandaloso que pessoas como o indicado acima, como Henrique Granadeiro (que até foi anteriormente consultor de um nosso Presidente da República), Francisco Soares Carneiro e Rui Pedro Soares (ambos já saídos, por motivo do caso das escutas no processo “Face Oculta”) tivessem auferido no ano transacto salários da ordem das muitas centenas de milhar de euros.
Então não existe no nosso País ninguém com poder que, sem se poder esconder da vergonha que tais ocorrências têm de proporcionar, seja capaz de tomar medidas que terminem de vez com tamanhas vergonhas ou, no mínimo, aparecer perante os portugueses a demonstrar a sua discordância com abusos, mesmo que lícitos, desta espécie e, acima de tudo, pelo facto das misérias que constituem uma praga que se encontra espalhada de Norte a Sul?
Tudo indica que não. Tudo muito caladinho, tanto em Belém como em S. Bento, se bem que o Chefe do Estado, muito de passagem e sem o ar de se encontrar deveras incomodado, se tenha referido ao tema.
Mas o que é preciso é não deixar a questão ao abandono. Há que repetir, repetir, dar os nomes às coisas e às pessoas.

quarta-feira, 17 de março de 2010

QUAL A SOLUÇÃO?


Este blogue de hoje é, anormalmente, de tamanho superior ao costumado. Mas o assunto justifica que me alongue para além do habitual.


ANDO há um certo tempo com vontade de expandir aquilo que eu sinto dentro das minhas reflexões, com as dúvidas de que não me liberto e com a sensação da falta de saber que também me acompanha para todo o lado.
De igual modo, como o “nunca” e o “sempre” são advérbios que eu procuro excluir do meu vocabulário, deparo com certa dificuldade em expor, de forma convincente, a tese – chamemos-lhe assim – que eO FUTURO QUE NOS ESPERA
ANDO há um certo tempo com vontade de expandir aquilo que eu sinto dentro das minhas reflexões, com as dúvidas de que não me liberto e com a sensação da falta de saber que também me acompanha para todo o lado.
De igual modo, como o “nunca” e o “sempre” são advérbios que eu procuro excluir do meu vocabulário, deparo com certa dificuldade em expor, de forma convincente, a tese – chamemos-lhe assim – que eu acarreto no que diz respeito ao que será o futuro deste Mundo em que nos movimentamos todos, no qual, chegada esta altura, deparamos com aquilo que se denomina por crise e que se apresenta como um porvir difícil de imaginar e que poucos acreditarão que seja promissor para a humanidade que luta, nesta altura, com problemas de vária espécie, desde o económico ao social. Para não entrar na área política que, em cada zona, tem as suas características próprias.
Tenho evitado expressar o meu ponto de vista, porque aceito tranquilamente que haverá um grande número de gente que não aceitará de nenhum modo o que eu imagino que poderá acontecer num futuro a que eu já não assistirei e, a dar-se, levará ainda bastante tempo a apanhar a maioria dos cidadãos de hoje ainda em actividade. Logo, se alguém se assustar com o panorama que descrevo, poderá descansar que não prevejo que esteja à espreita na curva da nossa vida. Será muito mais tarde.
Entrando, pois, na matéria em causa, o que me leva a manter como previsão eventual é que, partindo do excesso de população em todo o mundo que se atingiu já neste momento, ou sejam os seis mil e quase quatrocentos milhões de habitantes em toda a Esfera, e sabendo-se que, quando terminou a Grande Guerra Mundial, em 1944, o número de seres vivos se fixava nos três mil e pouco milhões, temos que, em cerca de sessenta e seis anos o aumento faz tocar os habitantes mundiais no dobro do número anterior. Esta é uma realidade que tem de fazer pensar.
Sendo assim, para além dos sistemas financeiros e económicos que se implantaram por toda a parte que, com a ânsia dos homens de verem aumentar rapidamente os seus níveis de vida e atendendo às facilidades conseguidas com empréstimos, sobretudo por parte das instituições que tiram grande proveito dessas operações, a causa maior do desbarato de dinheiros para aquisição de bens que não havia paciência para aguardar melhor oportunidade, que logo se veria como seriam liquidados, essa apetência desmedida foi a causa principal para que, subitamente, se tomasse conta de que havia excessiva e falsa exibição de melhoria de qualidade de vida de milhões de habitantes deste Mundo. E quando chegou o momento de se aperceberem que tinha havido excesso de concessão de créditos, ao ponto de, na hora de encarar as realidades, o que se verificou por toda a parte foi a imposição da liquidação das dívidas através da perca dos bens obtidos com demasiadas facilidades, nessa altura os credores viram-se invadidos por excessos de activos e falta perigosa de compradores por outro lado, desequilibrando-se as balanças do deve e do haver e alterando-se o normal exercício das compras e das vendas, até do próprio dinheiro.
Claro que esta é uma forma simplista de tentar justificar a origem da tal crise, mas, em resumo, o panorama descrito pode dar uma ideia do que esteve, em grande parte, na origem do descalabro a que se chegou e que fez com que os endinheirados – que há sempre e que aparecem sorrateiramente nas horas de maiores aflições – tivessem visto chegar uma oportunidade para adquirirem por preços irrisórios determinados bens móveis e imóveis que, tempos atrás, só poderiam ser obtidos noutras condições.
Mas, o que importará agora é ter uma ideia, por mais ingénua que ela possa parecer, da forma como poderá o mundo sair deste estado de coisas com que se defronta neste preciso momento. E isso tanto faz que seja num ou noutro país, em Portugal ou mesmo nos E.U.A., neste em que ninguém o preveria, há uns anos atrás, que viesse a ter de enfrentar tal situação de, também, tão elevado desemprego.
Ora, é exactamente quanto a este sector, o de uma imensidão de gente por todo o mundo sem local de trabalho, que uma reflexão no respeitante à forma de resolver o problema tem de merecer algum esforço por parte de todos os que, mesmo encontrando-se já na situação de reformados, não podem deixar de se inquietar, pois a decadência dos sistemas de sustentação dos fora do activo é uma previsão que não se encontra apenas na boca dos chamados pessimistas.
Os mais idosos recordam-se que, há meio século atrás, um ser humano que tinha conseguido chegar aos sessenta anos já era considerado um velho. Todos nós nos lembramos disso. Hoje, com setenta e oitenta anos, as populações que lá chegaram movimentam-se com a ligeireza a que não era visível na nossa juventude assistir-se. Por isso, não pode deixar de provocar algum escândalo que trabalhadores com 60 e poucos anos, até antes como se verifica constantemente no nosso País, se apresentem para serem admitidos na categoria de reformados!
Por outro lado, a juventude, agora com instrução escolar mais avançada do que sucedia antes – se bem que, no capítulo dos conhecimentos, não se tenha progredido grande coisa -, essa, quando começa a laborar e, por esse motivo, desconta para os fundos de segurança que têm de suportar os custos das reformas dos idosos, sendo cada vez em menor número dos que usufruem das pensões que lhes cabem, o risco que está à vista é que não andará longe o tempo em que não chegará o que pagam uns para receberem outros.
E, ainda para aumentar a dificuldade da resolução do problema, também a evolução da ciência, fazendo com que cada vez morram mais tarde os seres humanos, essa circunstância provoca o alargamento da estadia no campo dos vivos aqueles que, até ao último momento, têm direito a receber mensalmente a pensão que lhes está destinada.
Será possível que esta situação se mantenha por muitos mais anos? Alguém, na política ou fora dela, é capaz de garantir que tamanho desequilíbrio conseguirá prolongar-se pêra além do não se sabe o quê?
É chegado, então, o momento de eu divulgar aquilo que considero a tese sobre o futuro que espera os habitantes deste mundo. E assim, sem entrar no campo das reflexões excessivamente complicadas, o que parece poder ser encarado com mais simplicidade, são duas hipóteses que, com o tempo, os homens serão capazes de enfrentar. Ei-las:
Uma será uma guerra planetária que, com o uso das destruições atómicas, os inimigos, que os há com fartura por aí, sejam por motivos fanáticos de religiões, sejam por confrontos ideológicos que também se conhecem, resolvam carregar no botão da bomba fatídica e, com as respostas que logo surgiriam, as destruições maciças fizessem o trabalho de massacrar populações inteiras e provocassem o fim de territórios que lhes eram antagónicos. É uma possibilidade de o número de habitantes mundiais se reduzir ao nível do que já existiu nas épocas em que não se verificava o drama do desemprego que hoje se espalha por toda a parte.
E qual seria a outra forma de ultrapassar o mesmo castigo de não se encontrar ocupação laboral para milhões de habitantes do mundo? Pois a possibilidade dos cientistas solucionarem a questão de se poder ir habitar num planeta que se encontre à chamada “mão” dos terrestres. Que digo eu? Talvez Marte?
Se for um local em que as viagens interplanetárias se passem a fazer com relativa facilidade e rapidez, se o avanço tecnológico chegar a atingir tal perfeição, aí o risco seria o de que a juventude fosse a preferida para aproveitar tal experiência, o que, nestas circunstâncias, faria com que os velhos permanecessem por cá e o Mundo, perante isso, passaria a ser um local de reforma, uma estância para idosos.
Depois de divulgar esta reflexão, encontro-me preparado para todos os comentários que resolvem dirigir-me, imaginando eu, desde já, que não serão os mais agradáveis, pois é difícil que o ser humano se encontre preparado para aceitar as dificuldades que, inevitavelmente, se vão apresentar mais cedo ou mais tarde.
u acarreto no que diz respeito ao que será o futuro deste Mundo em que nos movimentamos todos, no qual, chegada esta altura, deparamos com aquilo que se denomina por crise e que se apresenta como um porvir difícil de imaginar e que poucos acreditarão que seja promissor para a humanidade que luta, nesta altura, com problemas de vária espécie, desde o económico ao social. Para não entrar na área política que, em cada zona, tem as suas características próprias.
Tenho evitado expressar o meu ponto de vista, porque aceito tranquilamente que haverá um grande número de gente que não aceitará de nenhum modo o que eu imagino que poderá acontecer num futuro a que eu já não assistirei e, a dar-se, levará ainda bastante tempo a apanhar a maioria dos cidadãos de hoje ainda em actividade. Logo, se alguém se assustar com o panorama que descrevo, poderá descansar que não prevejo que esteja à espreita na curva da nossa vida. Será muito mais tarde.
Entrando, pois, na matéria em causa, o que me leva a manter como previsão eventual é que, partindo do excesso de população em todo o mundo que se atingiu já neste momento, ou sejam os seis mil e quase quatrocentos milhões de habitantes em toda a Esfera, e sabendo-se que, quando terminou a Grande Guerra Mundial, em 1944, o número de seres vivos se fixava nos três mil e pouco milhões, temos que, em cerca de sessenta e seis anos o aumento faz tocar os habitantes mundiais no dobro do número anterior. Esta é uma realidade que tem de fazer pensar.
Sendo assim, para além dos sistemas financeiros e económicos que se implantaram por toda a parte que, com a ânsia dos homens de verem aumentar rapidamente os seus níveis de vida e atendendo às facilidades conseguidas com empréstimos, sobretudo por parte das instituições que tiram grande proveito dessas operações, a causa maior do desbarato de dinheiros para aquisição de bens que não havia paciência para aguardar melhor oportunidade, que logo se veria como seriam liquidados, essa apetência desmedida foi a causa principal para que, subitamente, se tomasse conta de que havia excessiva e falsa exibição de melhoria de qualidade de vida de milhões de habitantes deste Mundo. E quando chegou o momento de se aperceberem que tinha havido excesso de concessão de créditos, ao ponto de, na hora de encarar as realidades, o que se verificou por toda a parte foi a imposição da liquidação das dívidas através da perca dos bens obtidos com demasiadas facilidades, nessa altura os credores viram-se invadidos por excessos de activos e falta perigosa de compradores por outro lado, desequilibrando-se as balanças do deve e do haver e alterando-se o normal exercício das compras e das vendas, até do próprio dinheiro.
Claro que esta é uma forma simplista de tentar justificar a origem da tal crise, mas, em resumo, o panorama descrito pode dar uma ideia do que esteve, em grande parte, na origem do descalabro a que se chegou e que fez com que os endinheirados – que há sempre e que aparecem sorrateiramente nas horas de maiores aflições – tivessem visto chegar uma oportunidade para adquirirem por preços irrisórios determinados bens móveis e imóveis que, tempos atrás, só poderiam ser obtidos noutras condições.
Mas, o que importará agora é ter uma ideia, por mais ingénua que ela possa parecer, da forma como poderá o mundo sair deste estado de coisas com que se defronta neste preciso momento. E isso tanto faz que seja num ou noutro país, em Portugal ou mesmo nos E.U.A., neste em que ninguém o preveria, há uns anos atrás, que viesse a ter de enfrentar tal situação de, também, tão elevado desemprego.
Ora, é exactamente quanto a este sector, o de uma imensidão de gente por todo o mundo sem local de trabalho, que uma reflexão no respeitante à forma de resolver o problema tem de merecer algum esforço por parte de todos os que, mesmo encontrando-se já na situação de reformados, não podem deixar de se inquietar, pois a decadência dos sistemas de sustentação dos fora do activo é uma previsão que não se encontra apenas na boca dos chamados pessimistas.
Os mais idosos recordam-se que, há meio século atrás, um ser humano que tinha conseguido chegar aos sessenta anos já era considerado um velho. Todos nós nos lembramos disso. Hoje, com setenta e oitenta anos, as populações que lá chegaram movimentam-se com a ligeireza a que não era visível na nossa juventude assistir-se. Por isso, não pode deixar de provocar algum escândalo que trabalhadores com 60 e poucos anos, até antes como se verifica constantemente no nosso País, se apresentem para serem admitidos na categoria de reformados!
Por outro lado, a juventude, agora com instrução escolar mais avançada do que sucedia antes – se bem que, no capítulo dos conhecimentos, não se tenha progredido grande coisa -, essa, quando começa a laborar e, por esse motivo, desconta para os fundos de segurança que têm de suportar os custos das reformas dos idosos, sendo cada vez em menor número dos que usufruem das pensões que lhes cabem, o risco que está à vista é que não andará longe o tempo em que não chegará o que pagam uns para receberem outros.
E, ainda para aumentar a dificuldade da resolução do problema, também a evolução da ciência, fazendo com que cada vez morram mais tarde os seres humanos, essa circunstância provoca o alargamento da estadia no campo dos vivos aqueles que, até ao último momento, têm direito a receber mensalmente a pensão que lhes está destinada.
Será possível que esta situação se mantenha por muitos mais anos? Alguém, na política ou fora dela, é capaz de garantir que tamanho desequilíbrio conseguirá prolongar-se pêra além do não se sabe o quê?
É chegado, então, o momento de eu divulgar aquilo que considero a tese sobre o futuro que espera os habitantes deste mundo. E assim, sem entrar no campo das reflexões excessivamente complicadas, o que parece poder ser encarado com mais simplicidade, são duas hipóteses que, com o tempo, os homens serão capazes de enfrentar. Ei-las:
Uma será uma guerra planetária que, com o uso das destruições atómicas, os inimigos, que os há com fartura por aí, sejam por motivos fanáticos de religiões, sejam por confrontos ideológicos que também se conhecem, resolvam carregar no botão da bomba fatídica e, com as respostas que logo surgiriam, as destruições maciças fizessem o trabalho de massacrar populações inteiras e provocassem o fim de territórios que lhes eram antagónicos. É uma possibilidade de o número de habitantes mundiais se reduzir ao nível do que já existiu nas épocas em que não se verificava o drama do desemprego que hoje se espalha por toda a parte.
E qual seria a outra forma de ultrapassar o mesmo castigo de não se encontrar ocupação laboral para milhões de habitantes do mundo? Pois a possibilidade dos cientistas solucionarem a questão de se poder ir habitar num planeta que se encontre à chamada “mão” dos terrestres. Que digo eu? Talvez Marte?
Se for um local em que as viagens interplanetárias se passem a fazer com relativa facilidade e rapidez, se o avanço tecnológico chegar a atingir tal perfeição, aí o risco seria o de que a juventude fosse a preferida para aproveitar tal experiência, o que, nestas circunstâncias, faria com que os velhos permanecessem por cá e o Mundo, perante isso, passaria a ser um local de reforma, uma estância para idosos.
Depois de divulgar esta reflexão, encontro-me preparado para todos os comentários que resolvem dirigir-me, imaginando eu, desde já, que não serão os mais agradáveis, pois é difícil que o ser humano se encontre preparado para aceitar as dificuldades que, inevitavelmente, se vão apresentar mais cedo ou mais tarde.

terça-feira, 16 de março de 2010

DEUS


O Deus de que se fala
é uma mancha
uma sombra
não tem imagem
não é visível
há quem O imagine sentado
com barba branca
olhos azuis
a roupagem até aos pés
pois não se pode idealizar
um Deus de gravata
de casaco e calças vincadas
com o cabelo cortado e penteado
de unhas arranjadas
e sapatos com sola
e atacadores.
Terá de ser uma névoa
que não fala
que soam as Suas palavras
nos nossos ouvidos
vindas de dentro de nós próprios
perguntamos-Lhe algo
e Ele responde sem som
fala sem ser ouvido
sentimos o Seu afago
mas sem que use as mãos
procuramos entender as Suas razões
não discutimos o que nos parece serem Seus erros
um Deus nunca se engana
mesmo quando nos inquietamos
com as injustiças que ocorrem no mundo
com a fome que mata as crianças
com os abanões da Natureza
com as guerras que não são evitadas
com as epidemias que matam milhões
aceitamos
seguimos em frente
dizemos “graças a Deus”.
O Homem é previdente
é prudente
é sobretudo temeroso
teme discordar do desconhecido
mesmo quando não vê
o melhor é não discutir
e colocar-se do outro lado.

Não tem certezas
mas, pelo sim pelo não,
manda o bom senso
não levantar dúvidas.

Seja o que Deus quiser!...

PEC - ESTABILIDADE?


DIGAM lá o que disserem, mas as medidas agora surgidas e que se acotovelam todas no documento chamado PEC, Programa de Estabilidade e Crescimento, são decisões que, com todos os seus defeitos, de uma coisa podem e devem ser acusados os seus autores: é que apareceram já tarde e se tivessem, essas ou talvez outras mais suaves, sido tomadas algum tempo atrás, por certo que os efeitos já se teriam notado na situação catastrófica que enfrentamos agora em Portugal e não seriam, por isso, tão dramatizadas nesta altura como tratando-se de um apertar de cinto que os portugueses são obrigados a suportar com surpresa.
Aquilo que eu tenho proclamado neste blogue de que o Governo de Sócrates tem de ser acusado severamente pelo facto de ter andado sempre com um ar de satisfeito a iludir a população de que tudo estava a correr satisfatoriamente, por vezes até com ares de que o resto da Europa se defrontava com problemas, enquanto por cá nos situávamos, em muitos casos, à cabeça dos melhores, essa posição de mentira não serviu para outra coisa senão o não ter preparado os portugueses para o mal que ainda estava para chegar e que os governantes não encontravam forma de ultrapassar.
O que valeu ao grupo do primeiro ministro que nos calhou na rifa foi de que as Oposições não foram capazes de constituir alternativa e só agora é que o PSD, a segunda posição política que poderá vir a concorrer ao lugar, se juntou num congresso em busca de condições para transmitir crédito suficiente junto da população votante. Mas tudo isso leva o seu tempo e, entretanto, temos de viver com o que existe, que é uma situação de feroz apertar do cinto, de termos de reduzir ainda mais os gastos e assistindo a que esse regra não seja de ordem geral, pois que ainda existe uma camada da população que, graças a habilidades conseguidas através das concessões que os “amigos” do Governo foram facilitando e que, neste pacote do PEC, não se vêem claramente eliminadas.
Claro que está fora de questão que o Presidente da República tome a iniciativa de dissolver o Parlamento e de, por via disso, serem convocadas eleições. A situação deficitária do País não permite que se corra o risco de baixarem ainda mais os níveis de confiança externa em relação às necessidades que ainda temos, e muitas, de empréstimos vindos do exterior. Logo, só nos resta aguentarmo-nos sozinhos e fazermos tudo, com os nossos próprios parcos meios, para nos aguentarmos, por muito mal que seja.
Quer isto dizer que, se continuarem alguns sectores, com o apoio das centrais sindicais, a instigar greves e reivindicações de gastos com salários e de aumentos de benefício para os trabalhadores, o que há a fazer então é cada um pegar no bonézinho e sair por esse mundo fora a pedir esmola para subsistir. Carvalho da Silva, entre outros, terão de ir à frente, a menos, que já conseguiram amealhar o suficiente para escapar a debandada geral.

segunda-feira, 15 de março de 2010

BALANÇA

Tudo na vida é uma balança
dois pratos estão sempre a aguardar
no fundo sempre existe a esperança
de ver alguma coisa a balançar

A balança da vida bem assusta
sobem e descem pratos que lá estão
e o nosso nem sempre está em cima
dado o peso da insatisfação

Os grandes desencontros com a sorte
tudo isso faz pesar mais no prato
mas o bem estar, o sentir-se forte
chega-nos alegria até no trato

Que o nosso prato suba é o desejo
que todos nós levamos nesta vida
o preciso é que não falta ensejo
e que se acabe vencendo a corrida

Contrabalançar o bom e o mau
lembrar tudo aquilo que já passou
subindo na vida cada degrau
descendo sempre que se enganou

E a balança está a observar
para que lado cai mais cada braço
para dar algum tempo a emendar
o que terá sido algum fracasso

Orientar na balança o fiel
é missão que só a cada um cabe
é nisso que constitui o papel
daquele que disto pouco sabe

MENTIRAS POLÍTICAS


CADA VEZ que se assiste, num programa semanal da SIC denominado “o Plano Inclinado”, ao que dizem três economistas portugueses de reputação inegável, Medina Carreira, João Duque e Silva Lopes, sobre o estado da Nação, temos de concluir que o que se apronta para ocorrer num próximo futuro, logo ainda nos nossos dias mas, sobretudo, quanto ao que os nossos descendentes vão encontrar quando lhes chegar às mãos a responsabilidade de acarretar sobre os ombros a herança que os actuais governantes lhes deixam, esse panorama não pode ser mais dramático e a vontade que nos fica de permanecermos a vida que ainda nos resta neste rectângulo e de convencermos a juventude actual para que arranje energias que cheguem para o que tiver de enfrentar, tudo isso não pode obedecer a uma atitude de honestidade e de patriotismo, pois que corresponde a seguirmos o exemplo dos políticos que nos estão a governar e que é o de afirmarem que há países que se encontram pior dos que nós e que, por cá, só os pessimistas é que não aceitam os benefícios que têm surgido pelas mãos dos que conseguem algo que a ingratidão das oposições não reconhece.
Fartos destes quadros cor-de-rosa para “inglês ver” estamos nós. Mas o certo é que não podemos fazer nada para contrariar o caminho que somos forçados a percorrer, mesmo vendo o fundo da linha a ameaçar-nos com a queda e não podendo deixar de dar razão ao que os mestres da economia nos dizem, naquele programa televisivo e nos comentários escritos que a comunicação social nos oferece constantemente.
Os portugueses encontram-se perante uma situação como a daqueles doentes com uma epidemia já em estado desesperado, em que os médicos afirmam não poder fazer nada para evitar o derradeiro momento, e em que todos os dias os sintomas são cada vez mais nítidos de que nada se pode fazer e que, talvez, só uma mudança de hospital e de remédios, com operações decisivas mas altamente perigosas, com uma reza aos santos milagreiros ou utilizando qualquer uma dessas medidas em último extremo é que provavelmente se produza o milagre. Só que, o clínico de serviço à cabeceira, aquele que entendeu tomar conta dos enfermos em exclusividade e tapou todas as possibilidades de aparecerem outros técnicos com eventuais soluções, esse, mantendo-se no lugar, continua a alimentar esperanças de que o problema vai ser resolvido. E as famílias, na falta de confiança em que outras mãos sejam capazes de salvar o seu parente, vão mantendo, ainda que cada vez menos, uma réstia de fé, suficiente para ir mantendo os técnicos de medicina com medo de que seja pior a emenda do que o soneto.
A pergunta que, no caso real que vivemos, tem de ser feita, é como é que Portugal se vai livrar da calamidade que acarreta e que, não sendo igual ainda ao que está a suceder à Grécia – o que constitui a consolação de Sócrates e do seu ministro das Finanças -, já se apresenta como sendo de extrema gravidade.
O PEC foi finalmente apresentado. Mas o que o Governo não consegue demonstrar é uma atitude que retire quaisquer dúvidas quanto às medidas de economia feroz nos gastos públicos. Todos nós, cidadãos, conhecemos situações que, à nossa volta, nos saltam sobre as despesas que os cidadãos suportam e que bem poderiam acabar drasticamente, podendo ser cada uma de pouca importância, mas que, no total do País, representam verbas de grande volume.
Os portugueses têm de saber a verdade. Não lhes pode ser escondido que o seu futuro, mesmo o próximo, não é nada apetecível. Só que os governantes não são capazes de falar verdade. Vivem agarrados à mentira. E nisso, Sócrates é o campeão!...