quarta-feira, 31 de agosto de 2011

FAMÍLIA


A sua
a exemplar
satélite como a lua
conhecendo o verbo amar
e girando em redor
então se for bem amiga
sendo grande é melhor
estando pronta a ajudar
não recorrendo à briga
até se não concordar
essa é a desejável
a que todos bem precisam
é a única aceitável
os seus membros fraternizam

Mas se não é isto que passa
se é grande a indiferença
se a amizade é escassa
e a relação é mesmo tensa
nesse caso é preferível
fora de portas tentar
gente que seja sensível
p’ra receber e p’ra dar
amizade simples e pura
sem ser preciso pedir
tê-la é uma ventura
apetece bem sorrir

Se o mundo é uma família
aí está um mau exemplo
andar sempre em vigília
a defender cada templo
porque se a fraternidade
em cada um existisse
não haveria maldade
nem tão pouco malandrice


Mas se enfim o tal mundo
feito de brigas e zangas
só mostra ter um mau fundo
ser composto de capangas
e em vez da união
e de todos se ajudarem
cada a querer seu quinhão
entre todos se matarem
são raras famílias boas
quem as tem que as conserve
ter ao lado tais pessoas
não é nada que enerve

Com família ou sem ela
o Homem é egoísta
e por qualquer bagatela
vende a alma, muda de pista

A DESGRAÇA BATE Á PORTA



CLARO QUE O GOVERNO, na sua ânsia de reduzir o mais depressa possível os gastos que lhe pertencem, toma decisões que tornam cada vez mais difícil a vida dos portugueses. E, na área da saúde, são bastante preocupantes as notícias que, todos os dias, chegam ao conhecimento dos habitantes. As comparticipações que têm sido atribuídas aos doentes, essas vão sendo reduzidas cada vez em maior número de medicamentos não comparticipados, sendo importante as recomendações que o Infarmed e agora também o Tribunal de Contas têm vindo a fazer para que os médicos, em lugar de marcas, receitem genéricos, de maneira a que essa imposição seja seguida por essa classe que, com assiduidade, se deixa conduzir por outros interesses.
Esta situação que, diga-se a verdade, também tinha constituído um abuso por parte dos necessitados de fármacos e em benefício das farmácias que, segundo consta, não pertencem ao número de estabelecimentos que estão a ser obrigados a fechar as portas, antes pelo contrário beneficiam da situação de desespero em que a população se encontra, no entanto deveria merecer uma cuidadosa atenção dos poderes públicos pois que, sobretudo os idosos, não podem ser deixados nas mãos da crise, antes necessitam de um esforço dos governantes para não os sacrificar cada vez mais.
Por outro lado, dizem os jornais que estão a encerrar por dia mais de uma centena de lojas em Portugal, o que representa uma terrível onda de aumento do desemprego, para além da baixa de impostos que isso representa, deixando os Municípios ainda mais aflitos com a descida de receita fiscal, o que, no conjunto, cria dúvidas quanto à meta do défice este ano de 2011 e que, na governação de José Sócrates este se tinha comprometido no Memorando assinado com a troyka de que esse défice seria fixado em 5,9%, o que tudo parece indicar que não será conseguido este ano.
E o que torna ainda mais inquietante quanto a ser possível atingir os melhores resultados no ano que caminha são as notícias que vão assustando, por exemplo de que existem “facturas escondidas” como as que foram agora descobertas e referentes a obras no Jamor, e que se encontram por liquidar, num valor que ultrapassa os 9 milhões de euros, ainda que o então secretário de Estado do Desporto tenha já declarado que desconhecia essa situação. Um caso que faz pensar na ausência de responsabilização por parte dos elementos que, encontrando-se no Executivo, não fizeram o seu trabalho com a eficiência que lhes é exigida.
É por tudo isto que a preocupação no nosso País quanto ao futuro, que se mostra bem negro, ainda aumenta mais quando são os próprios poderes a avisar que o mês de Setembro surgirá com medidas que bastante magoarão o já tão sacrificado bolso dos cidadãos. Tudo que acontece no nosso País é verdadeiramente assustador, pelo que não se compreende que existam ainda movimentos que organizem greves e menos ainda se admita que a “geração à rasca” esteja a preparar um regresso às ruas no dia em que for apresentado o Orçamento, como se qualquer dessas manifestações possam alterar ou remediar o ponto a que chegámos e cuja origem vem de trás, talvez mesmo desde que Cavaco Silva foi chefe do Governo nacional. Custa a dizer isto, mas a memória não pode servir apenas para recordar feitos futebolísticos que, apesar de tudo, têm sido conseguidos.
Com todo este panorama vamos pedir ajuda a quem? À Europa? Mas essa também não leva um caminho seguro e anda à espera de que apareça alguém que seja capaz de unir forças e determine a tal unidade, política e económica, que esteve na origem da fundação da então CEE e que, pelas mãos dos homens, chegou até hoje no estado em que se vê.
Pelo menos não somos só nós os incompetentes!...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A PERFEIÇÃO

Não sei se a felicidade
reside no se julgar
que não constitui vaidade
o nunca se enganar
perfeição
que ilusão
atingi-la se presume
ser algo quase impossível
chegar mesmo lá ao cume
pode ser mas é falível

A obra-prima afinal
por muito bela que seja
não será nunca ideal
melhor sempre se deseja
alcançar
abraçar
o autor desconsolado
sofre por não conseguir
ver o trabalho acabado
sem o super atingir

Isso será consciência
de longe o máximo ver
e tal como em penitência
prosseguir sempre a sofrer
insistir
sem conseguir
o fazer coisa perfeita
não pertence ao ser humano
não se inventou a receita
pois a vida é um engano

Trabalho e aplicação
ajudam a lá chegar
mas nem o que é sabichão
deixa de se enganar
estar perto
não é o certo
é bem bom à roda andar
os génios o conseguiram
já chega p’ra s’admirar
sem perfeição s’atingir

Imperfeito mesmo sendo
é bom não ficar parado
original ou remendo
o preciso é que dê brado
com amor
o melhor
tem de sair bem do fundo
da alma, do coração
o ser primeiro ou segundo
só importa a devoção

Se um dia surgir o tal
o homem da perfeição
e se for em Portugal
que não haja presunção
em boa hora
mesmo agora
que tanto necessitamos
que surja alguém capaz
para qu’em ordem ponhamos
quem precisa tanta paz



FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS




A NOTÍCIA DE QUE VÁRIOS SERVIÇOS da Segurança Social se encontram encerrados por motivo de férias dos funcionários, não ficando nenhum para garantir a actividade por erro de quem marcou esses descansos ao mesmo tempo, tal actuação de incompetência do funcionário ou funcionários que têm a obrigação de prestar um serviço público minimamente aceitável, tal actuação que causa as maiores dificuldades aos utentes, aos contribuintes que têm o dever de receber o maior cuidado e o melhor contributo por parte das forças oficiais não pode passar despercebido e, obviamente, sem a punição adequada.
Este caso e outros do mesmo estilo de prejuízo em relação aos habitantes portugueses, não é invulgar no nosso País, só que a sua divulgação não é muito corrente e por isso passam despercebidos na maioria das situações. Mas são precisamente situações mais ou menos parecidas, em que o povo é maltratado pelos funcionários que são pagos para se dedicarem com a maior dedicação ao tratamento das massas públicas, as que se vão conhecendo aqui e ali, mas que os portugueses, com o seu hábito de reclamarem em voz alta mas nunca levando às últimas consequências as queixas a que têm direito, deixam passar sem que a divulgação pública atinja a grandeza que deveria ser bem clara.
Ora, quando se torna necessário dispensar muitos funcionários públicos por impetuosidade de encerramento de múltiplas repartições oficiais, são precisamente as situações em que se verifica incompetência e até desinteresse por parte dos servidores do Estado que se encontram nos seus lugares mas não os cumprem com o cuidado que lhes deve ser aplicado, são tais comportamentos que devem chamar a atenção dos serviços de estudo do desinteresse dos funcionários – e se não existe essa classificação, pois já era altura de ser criada – para dispensar os que não servem e, com isso, até servir de exemplo aos que ainda se julgam resguardados da dispensa de trabalho e que cumprem mal e porcamente o trabalho que têm de executar com todo o empenho e a maior responsabilidade.
É triste que se tenha de actuar desta maneira para que se consiga impor um mínimo de cumprimento dos deveres que cabem a quem se encontra a desempenhar funções que têm como finalidade servir exemplarmente os habitantes contribuintes, mas numa altura em que sobram trabalhadores na área oficial, a única forma de actuar com sentido de justiça é excluir dos serviços os que não cumprem.
São estas atitudes que devem ser prioritárias no capítulo da melhoria dos serviços públicos e, ao mesmo tempo, limitar o número de funcionários, até para que cada um esteja limitado ao trabalho que lhe compete e, através disso, darem mostras de que são pontuais, cumpridores e bons executantes.
E cá estou eu com fantasias, com propostas que são de difícil execução. Mas que o País não pode manter-se entregue aos que apenas desejam o emprego garantido e não o trabalho que lhe cabe, esse, como é o caso de Portugal, nunca conseguirá dar mostras de produtividade, pois o que se encontra por fazer vaie-se prolongando por tempo indefinidos, passando de geração para gerações e, em dada altura, é que se nota que o que se faz não chega para o que se consome.
Não sei se alguma vez teremos as pessoas que, nos locais de decisão, serão capazes de enfrentar abertamente os problemas que todos conhecemos mas que ninguém se atreve a enfrentar. E até tenho receio de indicar a maneira de actuar nesse sentido que, obviamente, não tem nada a ver com a prática da Democracia, que, por ser ainda tão jovem no nosso País, é confundida com demagogia o que é a maior inimiga das liberdades.
Vamos a ver se daqui a dez ou vinte anos seremos capazes de entender e praticar aquilo que os democratas de anos de exercício já praticam em certos pontos do mundo. Até lá teremos de nos sujeitar aos arremedos de tal execução e se, com isso, nos bastará para alterarmos fulcralmente o que apregoamos à boca cheia ser a nossa Democracia.
Eu, por mim, já perdi as esperanças de ser assistente de tal mudança. Sobretudo porque, ao contrário do que tenho recomendado neste meu blogue, ainda não foi introduzida nas escolas primárias a aula de “prática democrática”, que é, acima de tudo a característica de saber ouvir e de só interromper o parceiro depois de escutar completamente o que ele tem para dizer. Discutir, só em último recurso...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

BRASIL

Já fui ao Brasil
vezes sem conta
iria mais mil
com toda a afronta
lá me deslumbrei
por lá convivi
e gostei
de tudo que vi
as paisagens
o clima
as viagens
por terra ou vistas por cima
o doce falar do português
o deles de modo seu
pelo que o entender talvez
nosso falar se faz breu
as comidas são delícia
e dos sumos nem se fala
e não é preciso perícia
pois ali ninguém se rala

O pior é o resto
os cuidados que há que ter
pois há sempre um pretexto
para perder o prazer
ir à rua sem cuidado
sem o dinheiro do ladrão
pode causar mau bocado
e estragar todo o festão

Nem tudo são prazeres
não se vive só dos olhos
de ver as lindas mulheres
todas cheias de folhos
quanto a entrar nas favelas
isso aí é outra coisa
haverá lá coisas belas
mas entrar ninguém ousa

Em tempos mais recuados
portugueses se instalavam
e ficavam acomodados
e bom dinheiro ganhavam
depois da Revolução
gentes de cá partiram
era alguma protecção
para os que daqui fugiram
agora dá-se o contrário
são eles que nos procuram
vive-se pois neste rosário
amizade os dois juram

Porque irmãos todos nós somos
a língua até bem nos junta
pobrezinhos também fomos
sempre se fez a pergunta
quando andávamos de tanga
à espera de uma resposta:
se o grito do Ipiranga
ajudava na encosta!

BRASILEIROS EM PORTUGAL



JÁ LÁ VAI O TEMPO em que cabia aos portugueses a possibilidade de levar a mão de obra até ao outro lado do Atlântico e fizeram-no dentro dos sacrifícios que tinham de fazer para afastarem-se das famílias e encherem os porões dos navios que faziam uns preços mais suportáveis para as bolsas vazias dos nossos emigrantes. Lá partiam, de saco às costas e à aventura que os esperava para satisfazer as suas ambições de ganhar dinheiro e terem o gosto de, passado um período mais ou menos longo para suportarem a despesa de pagar outras viagens aos seus parentes mais chegados. Foram anos a fio deste corrupio de “portugas”, como lá chamavam, que se foram instalando e, na maior parte, progredindo na sua subsistência até à altura que se sentiam seguros no prosseguimento da sua actividade no País irmão. E, por mais curiosos que pareça, a função de padeiros foi a que mais atraio muitos dos nossos compatriotas que por lá ficaram.
É longa e variada a história dessas aventuras que tiveram como protagonistas milhares de portugueses, sendo que bastantes prolongaram no Brasil as gerações que já lá nasceram e se instalaram como naturais desse País, assim como houve os que não resistiram às saudades e, depois de terem já acumulado um relativo pé de meia, acabaram por regressar e edificar as suas casas, construídas com um aspecto e um gosto que marcou uma época, sendo até chamadas tais vivendas como “casas dos brasileiros”.
Esse período teve a sua duração e, principalmente depois da Revolução de Abril, começou a ocorrer a inversa do que se passava antes, isto é a vinda de brasileiros que procuravam aqui, em Portugal, fazer a sua vida, posto que por lá as coisas não corriam muito de feição. E passou-se tudo ao contrário, pois que aqui sempre encontraram modo de vida, mesmo que as funções que exerceram fossem de categoria inferior, elas empregadas domésticas e os homens na construção civil. Isso, na maioria dos casos, pois que também tiveram acção noutras profissões mais elevadas, de acordo com as suas habilitações, as que as tinham.
Começou a verificar-se, então, no outro lado do Atlântico, uma repentina subida do nível de vida e o Brasil começou a ser apontado como um exemplo de progresso, ao contrário da crise que se manifestava por muitas partes do Globo. E hoje em dia, já não admira tomar-se conhecimento de uma boa parte de brasileiros que deixaram os seus lugares de trabalho e que regressaram à sua Terra de origem.
Para além disso, verifica-se, por parte do sector económico mais evoluído, uma apetência para atrair empresas de monta que desenvolvem a sua actividade em terras de Vera Cruz, como se apelidava em certa altura da História. Até que surgiu agora a notícia de que um banco brasileiro, o BIC, se dispôs a adquirir o fatídico nosso BPN, tendo já apresentado uma proposta que o Governo tem de avaliar com a maior cautela, porque se é verdade que o estabelecimento bancário nacional que foi adquirido pelo Executivo português tem uma história que não está devidamente aclarada, causa alguma admiração que seja um banco brasileiro a querer adquiri-lo e nenhum nacional tenha mostrado disposição para dar esse passo.
Na verdade, como o povo diz, o pobre desconfia sempre da fartura quando ela lhe é oferecida, mas andarmos nós com aquele trambolho às costas, já que houve umas cabeças de “génios” que, em dada altura resolveram nacionalizar um estabelecimento falido e com um passivo assustador, pois agora, por muito que se desconfie da oferta, digo eu, o melhor é passá-la para outro, mesmo que o que se receba seja bastante inferior ao que a governação da altura disponibilizou para ficar com o BPN na posse da nacionalidade portuguesa.
Perdido por dez, perdido por mil, se há quem se julgue capaz de fazer progredir o que para nós só representa um dado morto, já que são inúmeros os problemas que temos pela frente, ao menos que nos livremos
deste…

domingo, 28 de agosto de 2011

INVEJA

E eu que sempre disse
que a inveja é uma tontice
fui afinal assombrado
pelo mal por esse lado
mesmo querendo fugir
procurando não cair
o não ter o que se quer
torna mau todo o ser

Lutar ao longo da vida
na busca de uma saída
pelo lado que aspiramos
e por muito que vivamos
ter inveja sem querer
ainda que com sofrer
é difícil exercício
quase mesmo um suplício

Por exemplo, ser poeta
mas sem atingir a meta
do génio que a outros cabe
e que a mim não há quem gabe
tem de inveja provocar
enquanto por cá andar
e disso eu não escapo
fico feito num farrapo

Afinal sou invejoso
que isso de ser famoso
não assenta no meu jeito
e medalhas no meu peito
eu não me posso gabar
é coisa que nem sonhar
nos outros eu vejo ter
não tenho tal merecer

Carros, palácio, dinheiro
são promessas de santeiro
nada disso me interessa
nem me passa p’la cabeça
mas a inveja que eu sinto
é a dos génios, não minto
acabo por conformar-me
não vale a pena enfadar-me

Este grande sofrimento
da falta do bom talento
é a pior das invejas
não se cura nas igrejas
só a morte é que a leva
não há escrita que a descreva
não se o tem e é tudo
e isso vem de miúdo

Mas tal inveja faz bem
m
esmo sofrendo, porém,
criou certo desafio
ainda que doentio
mas não deixou que parasse
e que sempre pugnasse
para vencer tal peleja
destruindo a in
veja

ESSE JARDIM, SE NAO EXISTISSE...



FICOU-SE AGORA A SABER que a dívida da Madeira anda em redor dos mil milhões de euros e Jardim faz acusações ao Governo da Metrópole, especialmente ao que foi comandado por José Sócrates – que já não se encontra em condições de rebater o que quer que seja -, afirmando que não recebeu a ajuda necessária para fazer frente aos gastos que ele considerava necessários no arquipélago de que é responsável. E insurge-se, acima de tudo, por não ter sido dada ao Governo madeirense a autonomia essencial para ele ter força para decidir, sem interferência do poder central, no que se refere a medidas a tomar no capítulo de obras que, diga-se a verdade, o responsável local por aquele arquipélago tem executado com fartura.
Tudo isso estaria bem se, na Metrópole, todas as zonas que têm necessidade de ver executados arranjos, que há muitos anos as populações locais reclamam, e que são adiadas de Governo para Governo com a desculpa de falta de verba. Por isso não é admissível que, só para calar a boca ao Jardim da Madeira, se atendam as suas exigências e se deixem os portugueses de muitas zonas do Continente a chuchar no dedo, dado que não têm à frente dos respectivos Concelhos homens que, ofendendo mesmo as personalidades que comandam o Executivo, conseguem alcançar o que é pretendido e justo.
A ameaça que, volta não volta, se entende nas palavras do homem em causa, de caminhar para uma independência daquele território situado em pleno Atlântico, mesmo sem saber se os madeirenses pretendem tal mudança, o que apetece é fazer a vontade a quem aspira por mais poder pessoal, ainda que essa alteração do que existe trouxesse os maiores problemas de sobrevivência aos que são naturais daquele Paraíso terrestre que consegue assim se manter mesmo com as limitações que um País como o nosso tem de enfrentar em todo o seu território.
O que não se pode admitir é que as forças vivas que têm o dever de governar todo o espaço nacional deixem um Jardim qualquer sem a resposta que ele merece, posto que a Democracia que se segue por cá autoriza que cada um dê mostras públicas daquilo que pensa, mas largar aquelas bojardas que saem da boca de quem devia ter mais tento na língua, posto que não é o lugar que ocupa o referido Jardim, mesmo sendo por eleição e escolha dos naturais daquelas ilhas, que lhe permite arrogar-se o direito de utilizar os discursos para pretender dar mostras aos que o elegem que ele é o verdadeiro e único defensor dos interesses da população local.
Se um dia, através de uma determinação dentro dos princípios que a nossa Constituição permite, lhe for feita a vontade, entregando-se-lhe a “chave” de que ele se julga ser merecedor, seria divertido assistir ao susto que o homem apanhava, pois acabava-se o sítio onde ele, sempre que está aflito, recorre e então surgiria de mão estendida a solicitar a esmola que era essencial para que todo as duas ilhas não passassem fome.
A paciência tem limites. E a do lado de cá está a esgotar-se…

sábado, 27 de agosto de 2011

VERDADE

Que é isso da verdade?
Existe?
Resiste?
Tem alguma validade?
Cada um chama-lhe sua
e os outros também
há os que lhe chamam falcatrua
encaram-na com desdém
nem a minha nem a tua
afinal
o que é real
é que há outra verdade
a que tem tudo a ver
com a realidade
e ser a única a merecer
por estar limpa de interesses
a que é independente
que não recebe benesses
a única que não mente.
Mas, por fim,
é tão difícil assim
saber onde verdade está?
Se mais longe ou mais perto
se aqui ou acolá
talvez só no deserto
onde o Homem não se encontra
onde não pode inventar
onde não existe montra
que serve para se mostrar

PUBLICIDADE NA TELEVISÃO



JÁ ME REFERI A ESTE TEMA, mas a repulsa que sinto permanentemente pela exibição de uma publicidade televisiva que, em lugar de propagandear marcas e produtos, o que faz é afastar os televidentes das propostas que são feitas, essa não atracção pelo recomendado faz-me pensar como é possível que empresas que entregam e pagam a publicitários o que desejam tornar conhecido não sejam capazes de reagir a um tão visível mau trabalho que, por sinal, cada vez mais se depara nos écrans televisivos.
Não tenho nenhum receio de apontar, como exemplo, os anúncios em que interferem os denominados “Gatos Fedorentos” e em que é necessária uma grande paciência para acompanhar cada exibição para, chegando ao fim, não se ficar com a incerteza sobre que produto propagandeiam. Mas não só esses, porque outros se colocam na mesma classificação, isto o é, de serem longos e maçadores e não dando preferência a mostrar o fim para que se encontram a fazer aquele papel, ou seja, o de anunciarem uma marca, um produto, algo que deve ser mostrado abertamente, sem hesitações nem complexos, ainda que tenham a interpretação própria dos que são convidados a fazer esse papel. É o caso de um anúncio, em que aparece uma espécie de cantor, a lançar numa voz pouco apetecível, parece que de um seguro, com a designação de LOGO… e que, até pela sua repetição enjoativa, só faz com que os eventuais interessados não sigam a recomendação. Pelo menos é o que se passa comigo e acredito que não seja o único.
Que me perdoem as marcas que são aqui focadas, já que poderia facilmente enumerar uma série delas, mas o que pretendo é chamar a atenção das empresas, as que anunciam e as que servem de veículo, para regressarem alguma coisa aos métodos que se seguiam, em épocas passadas e em que, na altura em que uma marca se propunha ser anunciada, à volta de uma mesa se juntavam pessoas de reconhecido empenho em criar temas inéditos e de boa aceitação junto do público e, às vezes, em noites inteiras até aparecer uma proposta aplaudida por todos que lá acabava por saltar aquilo que depois era fixado na vista e nos ouvidos da população. Não vou aqui referir exemplos, pois que muitos são conhecidos de quem me lê agora, mas, no meu caso, em que participei várias vezes nessas reuniões que as agências de publicidade propunham, não posso deixar de me inquietar pela mudança operada no meio que, pelos vistos, não representa uma melhoria na área publicitária.
Claro que aparecem sempre os novatos, ditos revolucionários das tradições, que acusam os antigos de velharia e de ultrapassados. Já estou habituado, mas no meu caso, que sou partidário das inovações e dos avanços onde os mesmos representem melhoria, mas quando essas mudanças representam uma pioria do anterior, não posso ficar calado e sem reacção.
Pelo minha ortografia se vê que não aderi ainda ao que já foi implantado, se bem que não ainda oficialmente. E como o meu computador também necessita de meter um programa com essa evolução – de que eu, pessoalmente, não sou adepto -, até que chegue a data em que será excluída, por força de uma lei, a utilização da que for considerada anterior ortografia, até então e nem tendo a certeza de que ainda escreverei nessa altura, prossigo neste meu caminhar sem me incomodar se me chamam “bota de elástico”, mas com a consciência de que, tal como os ingleses, que não se rebaixaram perante os outros novos países, em relação à existência dos britânicos, deixando cada um “torpedear” a sua língua mas não alterando uma única vírgula do que nasceu nas ilhas situadas na Europa, eu conservo-me seguidor do que estava antes.
No nosso caso, sendo que fomos nós, séculos passados, a espalhar a lusitanidade, por muito mal que o tivéssemos feito (e no meu poema em 10 cantos chamado simplesmente Lusofonia descrevo toda a caminhada da nossa língua), mesmo não tendo sido capazes de seguir o exemplo dos ingleses, que chegaram às terras que outros – e nós, sobretudo – descobriram, para implantar o sua linguagem, que ainda hoje por lá se utiliza, mas o que é certo é que se espalharam pelo mundo e nós ficámos reduzidos a alguns povos que, com o dinamismo que as línguas têm, cada um pratica à sua maneira, sendo o original intocável.
Seja como for, por cá temos de ser exigentes e proteger, o melhor que pudermos e soubermos, o que nos foi deixado pelos ancestrais. Não sendo, porém, as línguas estáticas, as alterações que forem sofrendo devem sujeitar-se apenas ao praticado pelo povo, que é de facto quem introduz os neologismos que se têm de aceitar.
Lembremo-nos, por exemplo, o termo usado na calçada do Combro, que apareceu assim porque a população, como hoje ainda sucede, “comeu” as consoantes do “cúmero”, ou seja do cimo, o que talvez venha a suceder, num futuro não muito longínquo com a palavra “câmara”, que o povo pronuncia “Cambra”, mas isso será admissível e não o exagero de não escrever as chamadas letras mortas, porque elas, em muitos casos, fazem falta, como é o caso de “facto” que, sem o “c” fica a querer dizer uma vestimenta e não se justifica a aproximação com o que os brasileiros dizem e escrevem.
Mas, enfim, manda quem pode e muitas vezes ma

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

FUTURO

Cheguei a uma altura
em que ando pelo mundo
sem saber para onde olhar
já não me interessa a figura
nem procuro ver o fundo
para onde vou ficar

Para trás foi o que foi
já nada será mudado
não vale a pena lembrar
e se agora algo dói
o melhor é pôr de lado
e o futuro adivinhar

Mas futuro? Que mistério!
Nesta ânsia de escrever
acumular prosa e verso
já não é nada de sério
mesmo dando algum prazer
serve tanto como um terço

HOMENS RICOS





ESTE NOSSO PAÍS que gozou, ao longo de muito tempo, da classificação de ser detentor dos bons costumes, em que nada progredia e em que a evolução a que se assistia, a boa e a má, não tinha entrada na nossa área, há uma temporada para cá e com uma rapidez assustadora veio mostrar como não há zonas onde o homem não dê mostras das suas partes maldosas, com surpresa e talvez por influência de acontecimentos que ocorriam fartamente por esse mundo fora, começou a apresentar situações que, nesta altura, são notícia constante e em que, especialmente no sector do turismo e com o Algarve como preferência, contrariam totalmente a fama justa de que éramos indicados.
Tendo começado pelas caixas do multibanco, utilizando-se os explosivos com gás de botijas que não eram habituais entre nós, daí foram as próprias instalações bancárias que foram alvo dos gangues que se formaram e que sofreram os assaltantes que, à mão armada, se foram instalando e se tornaram numa actividade frequente.
Quer dizer, seja por influência de actividades que se importaram com a chegada de emigrantes que eram portadores de tais hábitos e que aproveitaram e se aproveitam do escasso policiamento de que dispomos e, melhor ainda, de uma Justiça que não está preparada para responder a tais acções criminosas, a verdade é que, como alunos que somos e bem aplicados, logo utilizámos essas lições e passámos a actuar com eficiência. Até as esplanadas servem para realizar esses actos e os roubos de pertences das vítimas que não serão portadoras de fortunas, essa acção pode classificar-se como sendo mesmo à portuguesa, pois que o pouco que cada assaltado trará consigo, até isso serve para ser alvo dos grupos que, sem receio das eventuais reacções, lá fogem depois a pé e tranquilamente. Nisto, podemos dizer que também temos os nossos métodos bem lusitanos, dado que nem sempre se necessita roubar antes um carro, que isso é coisa de profissionais de fora de portas…
Enquanto isso ocorre, foi chegado o momento de o Governo decretar o aumento das cargas fiscais aos ricos, sendo já anunciada essa actuação através do Orçamento do próximo ano. A crise chega a todos e os que dão mostras de continuarem a governar-se bem no meio de uma aflitiva situação que os habituais pagantes de impostos não podem escapar aos diversos que os atingem, entre os quais o do corte no subsídio do Natal.
No entanto, essa determinação de os mais ricos virem a ser taxados com mão mais pesada, tem de levar em conta que, não tendo o dinheiro amor a nenhuma pátria, a sua fuga para os chamados paraísos fiscais é uma eventualidade que não pode fugir da intenção dos governantes. Logo, se a determinação do Estado for, na prática, aplicada sem ter presente que há que ter essa possibilidade bem presente, pelo que não se podem espantar os que podem fazer aplicações em investimentos nacionais e se isso suceder sem a oferta de possibilidades em aplicar os seus bens na economia nacional, fica-se sem se atingir o objectivo principal que é o de proporcionar a essa camada de beneficiários com a fartura de fundos que possuem a utilização dos seus bens monetários em actividades produtivas que, ao mesmo tempo, criam também postos de trabalho. Por isso, em meu entender, só devem ser taxados mais pesadamente aqueles ditos ricos que não apresentem ao sector fiscal propostas de investimento produtivo ou mesmo aceitarem perspectivas que o próprio Governo lhes proporcionar.
Mas isto será pedir demasiado aos cérebros pouco imaginativos, que existem e não são poucos, que estão colocados em lugares de comando e que se limitam em proibir e raramente em apresentar saídas de desenvolvimento que há por aí e com
fartura.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

IMAGINAÇÃO

Bendita imaginação
que nos mostra o invisível
aonde não chega a mão
àquilo que é impossível
de alcançar
de agarrar
mas nos traz felicidade
porque dá p’racreditar
que não será p’la idade
que passou tempo d’amar

Imaginar tem defeitos
porque engana quem o faz
coloca tudo a preceito
convence do que é capaz
de fazer
de acontecer
torna os sonhos tão belos
quando acordado se está
imaginam-se castelos
tudo o que bom virá

Imaginar o terrível
coisa que não apetece
é transformar o visível
em coisa que não se esquece
só belezas
não tristezas
mesmo não sendo verdade
o que importa é a alegria
seja qual for a idade
nunca mostrar apatia

E aquilo que não temos
saúde, dinheiro e amor
importa é se parecemos
ter isso ao nosso redor
desfrutar
enganar
quem de nós tem certa pena
não sabendo imaginar
que nesta vida terrena
o bom é imaginar

IMAGINAÇÃO ONDE ESTAS?



QUANDO O DINHEIRO NÃO ABUNDA é que pode a imaginação mostrar o que vale e os habilidosos aproveitam essa circunstância para dar largas à produção que pode sair das suas decisões. É o que devia ver-se no nosso País, já que devemos andar todos preocupados em não ficar parados e, sem receio de grandes críticas, porque a ocasião não permite utilizarmos uma perfeição extrema, o que conseguirmos produzir com pouco ou até nenhum dinheiro merecerá os aplausos de todos nós portugueses.
Não me canso de criticar o tempo e o dinheiro perdidos com a volta que foi dada ao Terreiro do Paço, sem que o seu aspecto melhorasse como merece aquele espaço tão bonito da nossa capital, refiro-me ao que escrevi múltiplas vezes e que, com o mínimo de ginástica financeira poderia ter sido já feito há muito tempo, pois que, para além de ter sido retirado o aspecto de parque automóvel, o que não era difícil efectuar, pois bastou uma proibição e mais nada, e ainda por cima foi efectuado aquele arranjo do chão que seria a última coisa a ser pensado, posto que outros arranjos eram mais necessários, repito que lastimo que as cabeças da Autarquia e também do sector governamental, dado que haverá intromissão do Governo quanto a obras em sectores públicos de tão grande importância para o aspecto da cidade capital do País, face a essa ausência completa de um estudo em que o bom gosto impere não posso deixar de fazer repetidas críticas a quem toma as decisões e não se rodeia de gente que aconselhe e que ajude a não ser feita má figura.
Se a referida Praça do Comércio fizesse parte de uma cidade capital de um país da Europa, estou convencido que seria tirado o maior proveito e que se transformaria num espaço esplendoroso que seria propagandeado turisticamente como emblema dessa nação que se orgulharia da sorte que lhe tinha cabido de se pavonear com o que t minha recebido dos antepassados – no nosso caso do Marquês de Pombal que tirou o maior partido de um Terramoto que devastou toda a Lisboa.
Mas nós não somos capazes de, pelo menos, honrar as heranças, já que o novo que tem vindo a ser implantado não corresponde a nenhum rasgo de génio.
O que eu faria do Terreiro do Paço não vou agora repetir, pois tem sido por mim largamente exposto e também neste blogue. Se alguém que tem o comando nas mãos lê este escrito – e, se não, devia fazê-lo, já que há tantos assessores no Município e nas repartições do Estado -, pois então que mostre a sua indignação ou o seu aplauso, pois que mudo é que não deve ficar.
Eu canso-me com estas preocupações em ver a nossa cidade capital ser tão mal tratada. Agora há a desculpa da falta de meios, mas quando foi feito aquele horror do Martim Moniz que tem sido deixado como está por ausência de escrúpulos em reconhecer os erros, nessa altura havia fundos na Câmara Municipal.
Mas não tem remédio este nosso comportamento. E arreganhamo-nos sozinhos!...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

MÉRITO

Aquele que nasce pobre
e rico acaba a vida
que deixe o que lhe sobre
a quem nem possui guarida

Por esse mundo de Cristo
há quem na vida amarinha
por vezes fica mal visto
em redor só deixa espinha

Se ao mérito se deve
a sua boa ascensão
isso é de quem se atreve

a prestar boa atenção
ao que não sendo até leve
precisa de forte mão



INCOMPETENTES



CLARO QUE O GOVERNO, na sua ânsia de reduzir o mais depressa possível os gastos que lhe pertencem, toma decisões que tornam cada vez mais difícil a vida dos portugueses. E, na área da saúde, são bastante preocupantes as notícias que, todos os dias, chegam ao conhecimento dos habitantes. As comparticipações que têm sido atribuídas aos doentes, essas vão sendo reduzidas cada vez em maior número de medicamentos, sendo importante as recomendações que o Infarmed e agora também o Tribunal de Contas têm vindo a fazer para que os médicos, em lugar de marcas, receite genéricos, tal quase imposição deverá ser seguida por essa classe que, com assiduidade, se deixa conduzir por outros interesses.
Esta situação que, diga-se a verdade, também tinha constituído um abuso por parte dos necessitados de fármacos e em benefício das farmácias que, segundo consta, não pertencem ao número de estabelecimentos que sejam obrigados a fechar as portas, antes pelo contrário beneficiam da situação de desespero em que a população se encontra, no entanto deveria merecer uma cuidadosa atenção dos poderes públicos pois que, sobretudo os idosos, não podem ser deixados nas mãos da crise, antes necessitam de um esforço dos governantes em não os sacrificar mais.
Por outro lado, dizem os jornais que estão a encerrar por dia 100 lojas em Portugal, o que representa uma terrível onda de aumento do desemprego, para além da baixa de impostos que isso representa, deixando os Municípios ainda mais aflitos com a baixa de receita fiscal, o que, no conjunto, cria dúvidas quanto à meta do défice este ano de 2011 e que, na a governação de José Sócrates este se tinha comprometido no Memorando assinado com a troyka de que esse défice seria fixado em 5,9%, o que tudo parece indicar que não será conseguido este ano.
E o que torna ainda mais inquietante quanto a ser possível atingir os melhores resultados no ano que caminha são as notícias que vão assustando, por exemplo de que existem “facturas escondidas” como as que foram agora descobertas e referentes a obras no Jamor, e que se encontram por liquidar, num valor que ultrapassa os 9 milhões de euros, ainda que o então secretário de Estado do Desporto tenha já declarado que desconhecia essa situação. Um caso que faz pensar na ausência de responsabilização por parte dos elementos que, encontrando-se no Executivo, não fizeram o seu trabalho com a eficiência que lhes é exigida.
É por tudo isto que a preocupação no nosso País quanto ao futuro, que se mostra bem negro, ainda aumenta mais quando são os próprios poderes a avisar que o mês de Setembro surgirá com medidas bastante magoarão o já tão sacrificado bolso dos cidadãos. Tudo que acontece no nosso País é verdadeiramente assustador, pelo que não se compreende que existam ainda movimentos que organizem greves e menos ainda se admita que a “geração à rasca” esteja a preparar um regresso às ruas no dia em que for apresentado o Orçamento, como se qualquer dessas manifestações possam alterar ou remediar o ponto a que chegámos e cuja origem vem de trás, talvez mesmo desde que Cavaco Silva foi chefe do Governo nacional. Custa a dizer isto, mas a memória não pode servir apenas para recordar feitos futebolísticos que, apesar de tudo, têm sido conseguidos.
Com todo este panorama vamos pedir ajuda a quem? À Europa? Mas essa também não leva um caminho seguro e anda à espera de que apareça alguém que seja capaz de unir forças e determine a tal unidade, política e económica, que esteve na origem da fundação da então CEE e que, pelas mãos dos homens, chegou até hoje no estado em que se vê.
Pelo menos não somos só nós os incompetentes!...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

ERRAR

Quem não fez ainda isso ?
Que erro não praticou ?
Só não fez esse serviço
Quem a vida não gozou

Há uns que mais, outros menos
Mas um homem sem pecado
Só p’ra fugir aos Infernos
É que escapou desse fado

Há que perder petulância
Evitar que se atropele
D’ errar é tal abundância

Que há que escrever na pele
O erro ganha importância
Quando se aprende com ele

TER RAZÃO ANTES DE TEMPO...






Este texto foi publicado numa coluna que mantive no “Diário de Notícias”, há já, pelo menos, cinco anos. Por aqui se vê como a minha luta em tentar que os governantes que ocupam os lugares de comando dediquem alguma atenção em conhecer os pontos de vista de quem dá mostras de se preocupar com o que se passa no nosso País. Essa preocupação não é de hoje.



GASTAR MENOS NESTE PAÍS
PODERÁ dar o ar de pretensiosismo será provavelmente arrogante o título. Seguramente haverá quem encontre nesta afirmação algo de exagero. Aceito tudo isso. Com a devida humildade.
Mas, o que é certo é que, até hoje, não percebi na boca e na intenção de qualquer candidato aos diferentes lugares políticos uma indicação de que poderia existir o desejo de actuar dentro dos moldes que defendo. E essa minha proposta não é só de hoje, pois há bastante tempo divulguei esta ideia. Que considero fundamental levar a cabo.
É sabido que o Estado despende centenas de milhões de contos com os múltiplos alugueres de instalações dispersas por Lisboa, que destina aos inúmeros serviços ministeriais – e outros – e que os contribuintes têm de procurar encontrar para tratar os mais diversos assuntos. Isso, para não falar dos edifícios que são propriedade estatal e que também se espalham por toda a capital.
Ora, tomando como exemplo Espanha, que tanto está na moda apontar como ponto de comparação, importa referir que existe em Madrid um chamado Bairro dos Ministérios – criado no tempo de Franco, imagine-se !
E o que é esse tal Bairro ? Nem mais nem menos do que um aglomerado, numa só zona, de todos os serviços ministeriais e adjacentes que, bem servido por uma rede de transportes públicos de todas as espécies, incluindo o metropolitano, com um parque de estacionamento de enorme capacidade, oferece aos cidadãos a possibilidade de resolverem os seus problemas que digam respeito aos serviços públicos e até mesmo a instituições que sejam dependentes de participações estatais.
Propor que se comece a pensar na construção em Lisboa de um similar Bairro dos Ministérios será pedir excessivamente a quem venha a instalar-se no pelouro máximo do Governo, seja lá quem for ?
Será preciso explicar a enorme economia que tal representaria para os dinheiros públicos, por muito grande que seja o investimento necessário (mas o que é isso comparado com o que custou a Expo 98 e o que vai custar o Euro 2004 ?), para além da comodidade e da diminuição drástica de gastos da população cada vez que tem de se deslocar de um para outro sítio para ultrapassar a burocracia que também está instalada com raízes no nosso País ? É evidente que ninguém necessita de todos os pormenores sobre as vantagens da referida realização.
Mas, para além do termo dos alugueres de locais onde existem dependências oficiais e do encaixe de muitos milhões que representaria a venda de todas as propriedades do Estado, o que baixaria substancialmente o investimento com a construção do Bairro dos Ministérios, haveria que tomar uma decisão, bem difícil, por certo, dado ir tocar nas mordomias de muitos que são “servidores do Estado”, e que consistiria numa operação de mãos limpas que muito honraria um Governo que tivesse a coragem de dar tal passo. Trata-se da criação de um serviço, ao nível de direcção-geral e dependente directamente do primeiro-ministro, que tivesse a seu cargo a distribuição de viaturas para uso dos funcionários superiores que tivessem direito a tal regalia.
Com excepção dos ministros e dos secretários de estado, todos os restantes servidores públicos deveriam ter de requisitar uma viatura e o motorista que estivesse disponível para efectuar o transporte que fosse considerado. Quer dizer, acabavam os desperdícios que se verificam ainda hoje e que resultam de terem à porta de várias repartições as viaturas de “Suas Senhorias” estacionadas e o motorista exclusivo a aguardar ordens (quando não têm de fazer depois horas extraordinárias !...).
Imagine-se o que seria necessário de valentia de um Governo que instituísse esta forma de economizar milhões de contos por ano, despendendo-os, isso sim, em favor da saúde, da educação e até mesmo do rejuvenescimento dos tribunais, pois são também estes últimos que constituem um sorvedouro dos impostos pagos pelos contribuintes, em virtude de se encontrarem completamente ultrapassados na sua forma de actuar e, com as demoras, custarem fortunas a toda a gente…e ao Estado.
Perguntar-se-á, evidentemente, onde é que poderia ficar instalado o Bairro dos Ministérios de Lisboa. E aí, a resposta não é fácil. Recordar-se-ia que já existiu um espaço que estava mesmo à medida para erigir os múltiplos edifícios ministeriais: aquele onde se construiu a Expo 98. Com os mesmo milhões que se gastaram nessa demonstração de vaidade num país que precisa, em primeiro lugar, de tratar dos seus habitantes e só depois, muito depois, mostrar-se aos de fora, com tudo isso e o que se acumulou de prejuízos existiria já hoje o Bairro dos Ministérios. Mas o que lá vai, lá vai…
Como ainda há espaços em Lisboa onde se poderá demolir o que está velho e caduco, como infelizmente ainda restam muitos locais onde faz dó ver o que por lá existe, será apenas uma questão de opção e de vontade política.
É preciso, para já, um novo aeroporto internacional ? Não pode esperar algum tempo a terceiras ponte a atravessar o Tejo em Lisboa, por muito necessária que ela seja ? Ainda que a segurança não possa ser abandonada , temos meios para desviar, de imediato, avultadas verbas nas Forças Armadas ? E os tais novos estádios de futebol, cujo custo está avaliado em vários milhões de contos (ou em euros, como queiram), será assim tão vergonhoso declarar a nossa impossibilidade financeira para tal fim ?
Sendo assim, resta fazer a última pergunta: teremos alguma vez a felicidade de ter um governo que arregace as mangas… e FAÇA ?
Sonhar não custa !....



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

DESEMPREGO


Cada um faz o que pode
o que sabe, o que o deixam
aquilo p’ra que lhe pagam
à espera que se acomode
já que os outros não se queixam
e também não o afagam

Se outra coisa fizesse
se aquilo que faz agora
não fosse do seu agrado
e algo mais merecesse
podia-se ir embora
partindo p’ra outro lado?

Emprego há com fartura
como dantes sucedia
e se podia escolher?
A vida hoje é bem dura
piora dia p’ra dia
o melhor é não mexer

Agora eu faço isto
sem patrão que me ordene
mas também sem ter quem pague
por agora não desisto
sem haver acto solene
oxalá ninguém me esmague

Nesta altura o que é melhor
a quem tem emprego mau
é fazer por conservar
pois será muito pior
escorregar do degrau
ficando a olhar p’ro ar

A vida tem coisas más
fazem a gente infeliz
que causam desassossego
uma delas bem tenaz
que provoca cicatriz
á a tal do desemprego

O homem mal prevenido
distraído com trabalho
olha pouco p’ro futuro
quando à volta há colorido
nem procura um atalho
ignora p’ra lá do muro

Porém a vida é assim
até bem desconcertante
qualquer lado está aberto
e o que é mais ruim
aparece num instante
como o bom pode estar perto

Perder emprego hoje em dia
nos bolsos meter as mãos
é a coisa mais normal
uma grande vilania
que ocorre aos cidadãos
a cada um que é mortal

Comprar hoje e de seguida
cumprir a obrigação
d’ir pagando as mesadas
é confiar bem na vida
sendo novo ou ancião
sem contar com as guinadas

Por isso enfrentar credores
mesmo antigos qu’eles sejam
do tempo em que havia emprego
pertence ao número d’horrores
daqueles que bem aleijam
obrigando a ir ao prego

Os bancos grandes culpados
com isso muito ganharam
de tanto terem fiado
agora sem ordenados
não pagam o que pagaram
é crédito mal parado

Não há quem dê volta a isto
o homem provoca o mal
ir p’ro bem é que é custoso
o desemprego é um quisto
e não existe hospital
que cure tal desditoso

OS DESERTOS AGRÍCOLAS EM PORTUGAL




TAL COMO AFIRMEI NO BLOGUE DE ONTEM, vou referir-me hoje aos vastos espaços que se encontram no interior do nosso País e onde, por abandono dos seus residentes, atraídos pelas cidades ou mesmo pela emigração para o exterior, se verifica que existem aldeias inteiras sem população ou com muito pouca, onde só vive gente de muita idade que não pôde optar por acompanhar os seus familiares mais novos, ficando, por isso, os campos também abandonados e em que a produção agrícola está reduzida a pequenas hortas caseiras.
E, perante este fenómeno verdadeiramente desolador e de completa inutilidade na produção, não se viu ainda um Governo, dos que temos tido há já uma boa dezena de anos, que chamasse a si a solução do problema, fazendo com que voltasse tais localidades a sentir a presença do homem.
Pois, com uma ministra da Agricultura que tomou recentemente posse, para mais tratando-se de uma mulher que, afirmam os feministas que bastante podem alterar a maneira de governar, é de aguardar pela sua actuação no sentido de conseguir encontrar modo de criar meios que incitem os jovens a integrar-se no meio agrícola, tanto mais que o desemprego é cada vez maior e os mais novos, sobretudo os casais, poderão interessar-se por um modo de vida que, não fazendo parte dos seus planos, sobretudo por desconhecimento dos proveitos que podem tirar desta nova actividade, os levará a sair das cidades onde já verificaram que a sua luta é improdutiva pelos tempos mais próximos.
Tal como eu incitei anos atrás, quando era director da revista “País Agrícola”, e em que organizei várias viagens a Israel para que os agricultores portugueses pudessem tomar contacto com a realidade naquele País, especialmente com a existência dos “kibbutzin” em que o Governo local recebeu milhares de judeus residentes em países estranhos, como a Alemanha, a Rússia, a Polónia e outros, pois que até do Brasil encontrei pessoas que se encontravam integradas nesses espaços agrícolas a iniciar a vida aí existente, e a verdade é que deparei com pessoas altamente qualificadas no aspecto profissional e de instrução superior que, acedendo ao apelo que o seu País fazia e às condições que lhes proporcionava, se deslocaram com as famílias e passaram a exercer a actividade de agricultores, aprendendo tudo desde os mais elementares princípios e, com a ajuda de um departamento especial criado para o efeito, recebendo as ferramentas que lhes foram proporcionadas para pagarem depois, deram início a essa actividade nova e, passados anos, criaram uma classe de agricultores de estatuto educacional acima de todas as médias e cujas produções fizeram com que Israel passasse a exercer um papel importante no mercado europeu de produtos agrícolas.
Se a ministra se desse ao trabalho de ir ver como funciona a repartição de agricultura israelita, coisa que eu propus por várias vezes a mais do que um ministro português que passou pela pasta, mas que sempre foi ignorado, encontrará a receita ideal para que se copie entre nós, dentro do possível e das contingências que nos regem – obviamente sem as restrições que foram impostas, há mais de 50 anos, no início da criação dos kibbutzin, que obrigavam a uma igualdade rigorosa de comportamento dos utentes -, se tal fosse executado, sem constrangimentos nem complexos, poderia ver-se, dentro de algum tempo, grande parte do nosso território agora deserto e com os campos sem produção com uma juventude que, bem informada dos objectivos e até com a possibilidade de lhes fazer mostrar localmente como funcionam e como são altamente rentáveis esses espaços que antes eram desertos e, passados anos, mostram hoje áreas agrícolas muito desenvolvidas e lucrativas.
Escrevo isto mas não tenho qualquer esperança de que haja um ministro ou ministra que seja capaz de fazer alguma coisa para solucionar um dos muitos problemas que temos no nosso País. Mas bastava perguntarem a um das centenas de agricultores portugueses que, por intermédio de o “País Agrícola”, visitaram Israel anos atrás, para recolherem opiniões que lhes seriam úteis e convincentes.
Eu fico-me, como sempre a ter razão antes de tempo. É um desconsolo!...

domingo, 21 de agosto de 2011

TEMPO FOI-SE

Ter saudades do passado
mesmo sendo tempo triste
é não ter posto de lado
algo que já não se aviste

A idade bem contava
juventude toda acesa
altura em que só contava
com o que era surpresa

Agora que o tempo foi-se
pensar no que há-de vir
dói como se fosse um coice

Já nem dá para pedir
nem p’ra quem se baloice
pois agora é só partir

O TEMPO VOA



OS DIAS PASSAM, o Verão, ainda que zangado com os portugueses que se encontram de férias nas praias, também está a caminhar apressado, e os pesados encargos para os portugueses que o Governo já anunciou para o tempo próximo espreitam para entrar em vigor, o que, com a velocidade do tempo, aí estarão para deixar o povo nacional ainda mais sobrecarregado, o que torna difícil imaginar como se encontrará este País no ano de 2012, com ainda mais pobreza que, de resto, se verifica nas ruas de Lisboa em que os pedintes se sucedem a implorar por dinheiro para comida. A fome, na verdade, está bem visível e não se descortina a forma como se solucionará um problema de tão grande gravidade.
Enquanto isso, passados já mais de dois meses sobre a entrada em vigor da actuação do Governo de Passos Coelho, não sendo, em termos de normalidade, um tempo excessivo, nas condições em que Portugal se encontra, cada dia que passa e sem se verem medidas de fundo que tenham como objectivo principal o equilíbrio das contas públicas, representa uma maior inquietude dos naturais deste nosso País e as consequências inerentes na actividade empresarial que, numa velocidade assustadora, se encontra a encerrar portas dos estabelecimentos e dos escritórios por Portugal fora.
Não vou repetir o que já faz parte de um discurso de toda a gente no que respeita às despesas por conta do Estado que não se vêem ser anuladas drasticamente. Quando se anuncia um aumento nas conta do gás e da electricidade, tem-se de perguntar se foram analisados os salários e todas as benesses que são concedidas aos gestores das respectivas empresas e mão só desse mas de todas as firmas em que o Estado interfere no seu capital.
Ninguém pode entender os motivos por que Pedro Passos Coelho, na sua qualidade de primeiro-ministro não deu mostra ainda de entrar com mão de ferro nos temas que mais escandalizam os contribuintes, especialmente os que já se encontram na classe de reformados e que rezam para que não sejam atingidos por cortes (a do Natal já se sabe) que reduzam ainda mais as condições de vida dos que descontaram toda a vida e se reformaram dentro da idade dos 65 anos – porque os muitos que deixaram de trabalhar antes do estabelecido, esses não podem retaliar contra a situação.
Como já vai extenso este texto, guardarei para amanhã o problema da desertificação do interior do País e para a qual não se viu serem tomadas medidas para diminuir progressivamente com esse malefício. Voltarei portanto…

sábado, 20 de agosto de 2011

FALAR



As conversas são tal qual as cerejas
umas atrás das outras sem parar
servem-se como petiscos em bandejas
não é fácil ouvir sem contestar

Falar, p’ra muita gente é preciso
é como abrir à alma as portas
o ideal porém é ter bom siso
e não se embrenhar em zonas mortas

Trocar ideias e os outros ouvir
ficar calado quando outrem fala
saber escutar com todo o respeito

É princípio sagrado do sentir
é dar a ideia de que se iguala
é andar perto do que é ser perfeito

ABAIXO O FACEBOOK





ANDEI A ADEAR REFERIR-ME A ESTE TEMA, mas não consigo arrastar por mais tempo esta crítica. Trata-se do facto de Cavaco Silva se dirigir ao povo português por intermédio do facebook, o que é, realmente, uma maneira pouco alargada de comunicar com todos os naturais deste Pais, dado que a grande maioria de habitantes não possui computador e não usa a Internet como modo de saber das notícias. Se bem que, na maioria dos casos, também é verdade que os temas que são referidos pelo Presidente da República não são aqueles que se podem considerar de primeira importância, mesmo assim não é aceitável que o locatário de Belém não se expresse clara e abertamente através dos meios de que se dispõe, com a televisão em primeiro lugar.
Já o Presidente da Madeira, Alberto Jardim, não esconde os seus maus modos e aparece a dizer o que lhe vai na alma, muito embora, também seja necessário afirmar que, quase sempre, o responsável número um pelo Arquipélago, com excepção quando surgiu muito delicado a agradecer o auxílio que foi prestado pelo Continente na altura em que se produziu o desastre que a Natureza provocou e em que se verificou um gesto de solidariedade dos portugueses, faz-se ver nos écrans televisivos com os modos e as palavras rudes reflectindo o seu desespero contra o Governo da Nação, acusando-o de não lhe dar as condições ideais para ele poder fazer ainda melhor figura junto dos madeirenses, com obras e mais obras que o resto do País tem pago ao longo dos anos. E, nessas alturas, deita pela boca fora todos os impropérios que entende serem os mais apropriados.
A comparação é de que nem tanto ao mar nem tanto à terra, mas que seria importante que Cavaco Silva saísse da sua timidez pública e, mesmo que a Constituição não lhe dê poderes para actuar em certas áreas que estão a pedir a mão de alguém com coragem, assim mesmo e até porque a sua reeleição, quando dor a altura, não está em perigo porque este mandato é o último em que tem lugar, apesar de tudo as circunstâncias que se apresentam ao povo português e o futuro ainda se mostrar mais difícil são condições para que o responsável máximo da Nação não dê mostras de que está vivo e só mande recados pelo tal facebook.
A desagradável manifestação que ocorreu em Londres já duas semanas e noutras cidades britânicas deve fazer-nos pensar seriamente na eventualidade de ocorrer uma imitação nacional do sucedido. E como a nossa Justiça não tem a ligeireza da inglesa que, em duas semanas apenas, já prendeu cerca de 200 participantes e os está a castigar – se fosse cá teríamos anos de espera e a resolução acabaria por se perder -, logo é caso para não ficarmos sossegados, pois que as dificuldades que a vida apresenta são propícias a que se formem grupos de gente que anda desejosa de partir montras, incendiar automóveis e fazer as maiores sevícias que a ocasião proporcionar.
Ora, seria de esperar que Cavaco Silva, que se encontra em gozo de férias – ele como a maioria do Governo – talvez seja um desejo de todos os portugueses conhecer a opinião do Chefe e não por facebook.
Numa altura em que Portugal, ao contrário do que se afirma ser a sua compostura, assiste a assaltos seguidos aos bancos, como tem sucedido por estes dias, só se aguarda que as forças vivas da Nação dêem um ar da sua graça e acalmem os espíritos da população, não só com intervenções firmes contra tal tipo de roubo como no que respeita a medidas que estejam a ser tomadas para contrariar a direcção que está a tomar a actividade dos ladrões.
Bem basta o que está a ocorrer no Algarve, com prejuízo em relação ao sector do turismo que está a sofrer as consequências, até pelas notícias que correm nos jornais estrangeiros, como é o caso de Inglaterra que não esconde os acontecimentos.
Abaixo, pois, o facebook e viva o encarar das situações, com cara aberta para os portugueses!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

RIR DE MIM PRÓPRIO

Não sou muito de me rir
sobretudo a contra-gosto
o que é preciso é sentir
para se ver bem no rosto

A gargalhada sentida
de dentro da alma sai
essa sim por mim querida
como chega também vai

Vistas as coisas no fundo
se há algo p’ra me rir
o melhor deste mundo

P’ra mim é de mim fugir
este pobre moribundo
nem sabe p’ra onde ir


SONHAR É BOM!...



OBSERVANDO BEM O QUE SE PASSA neste País, temos de assinalar que o mês de Agosto, desde o dia 1, deu mostras de uma redução de movimento nas ruas de Lisboa, mas, chegado ao dia 15, essa calmaria que se gozava mudou radicalmente, sinal de que grande parte dos habitantes que se tinham deslocado para férias cautelosamente regressaram e o feriado que ocorreu na sexta-feira e que também serviu às mil maravilhas para uma das tão desejadas “pontes” fez com que as estradas se tivessem enchido de viaturas de volta à capital, ao ponto de ter voltado a ver-se um movimento de pessoas que fazia esquecer o tempo de férias.
É isto a que a crise obriga e começa-se a verificar que os portugueses estão a entranhar a situação de dificuldades que, para bastantes, ainda é coisa que só acontece aos outros.
Mas, circulando nas ruas em que habitualmente se transita e estando atentos às lojas que se viam em determinados circuitos, depara-se com um grande número que têm as portas fechadas e até com indicações de que já não estão em funcionamento. Segundo se leu, um dia destes, na Imprensa, no nosso País há cada vez mais empresas a declararem falência e por dia, diz a mesma informação, registam-se 17 que acabam de funcionar.
Porém, o que é verdadeiramente intrigante é que, na mesma Imprensa, se anuncia que a administração da Caixa Geral de Depósitos custa 2,585 milhões de euros por ano. Isso, enquanto, por outro lado, se propaga que as férias judiciais deparam com 6,2 milhões de euros em processos, ou seja, existe nos tribunais 1.149 processos pendentes que correspondem ao montante referido, ou seja trata-se de um valor de grande importância que se encontra paralisado à espera das decisões dos juízes.
Por aqui se pode verificar como o nosso País produz mel e sempre com atraso, pois que não é apenas nos campos e nas fábricas que respondemos com deficiência às necessidades nacionais, mas em todas as actividades em que a mão humana tem de interferir. Temos de ser nós próprios, dentro do País a reconhecer tal característica negativa, não desejando que venham de fora, seja quem for, a indicar-nos as razões do atraso em que nos encontramos em relação à própria Europa a que pertencemos.
Veio anunciado, um dia destes, que Portugal pode produzir 280 milhões de ouro e que uma empresa se dispôs a iniciar a exploração de 490 quilos por ano. Ora, se assim é, não será caso para que as instituições oficiais coloquem os olhos nesta possibilidade e se apressem a não colocar impedimentos burocráticos – se for este o caso – de forma a que se possa usufruir, o mais rapidamente possível, desta valiosa ajuda às nossas finanças?
Igualmente, no imenso oceano que temos pela frente, havendo a possibilidade de existir petróleo, terão sido dados os passos necessários a obter os rendimentos que tal fortuna tem dado a vários países?
Digo nisto porque só com um “milagre” destes tipos é que talvez possamos sair do buraco em que estamos metidos e, sendo assim, há que confiar na sorte e jogar tudo para que não sejam apenas os países árabes e Angola (onde já estivemos e não obtivemos nenhum benefício com o oiro negro) a gozar dos privilégios das extracções do fundo da terra e dos mares.
Quem se encontra metido numa aflição é lógico que deposite esperanças em tudo o que pode acontecer, o mais viável e até o menos previsível. É o que estou a fazer.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

FAZER DE CONTA


Nem sempre o que é possível se consegue
fará falta algo, mesmo a fé
é preciso que o que se persegue
deixe de estar longe e fique ao pé

Muitas vezes tem que se dar o passo
ainda que não seja nosso agrado
há que manter fortes nervos de aço
e esquecer o que está ao lado

Por muito que se trate de uma afronta
aquilo que é preciso p’ra vencer
nada poderá ser de grande monta

Pois por mais longe que esteja pronta
o que queremos ver alvorecer
o importante é não fazer de conta

GOVERNANTES DISTRAIDOS



NÃO HÁ DÚVIDAS de que a situação em que este novo Governo (já começa a não ser assim tão novo como isso) encontrou o País obriga a que sejam tomadas medidas bem dolorosas para os cidadãos, sobretudo devido à imperiosa obrigação de serem cumpridas as decisões tomadas e assinadas com a Troyka e em que intervieram 3 partidos políticos, dois no Governo e um na Oposição.
Mas a pergunta que se tem de fazer é se não haverá forma de atenuar um pouco as medidas mais custosas de suportar, e neste aspecto até se pode dar alguma razão aos partidos da Esquerda que defendem a tese das conversações para aliviar alguma coisa o pesado fardo dos impostos que surgem agora de rompante.
O aumento de 6 para 23 por cento do IVA em muitas áreas mas, sobretudo, nas contas do gás e da electricidade, a partir de Outubro próximo, este tão grande pulo nas facturas que caem às famílias que, já nesta altura, se defrontam com o peso que têm de liquidar mensalmente, e em que as pequenas pensões dos reformados não conseguem aguentar tamanho rombo nas suas economias reduzidas, essa medida que é imposta pelos governantes que temos agora talvez pudesse ser mais reduzido, sobretudo se os cortes nas despesas do Estado, que demoram em ser reduzidos e onde já ainda há muito para eliminar, tivessem já sido produzidos e assiste-se a uma demora excessiva em serem tomadas as me4didas essenciais e urgentes.
Já aqui me referi – e não foi a primeira vez – à diminuição drástica dos automóveis, os de luxo e os outros, que se encontram à disposição de alguns ditos “servidores” do Estado e, consequentemente, também à redução dos motoristas que passam os dias sentados nas viaturas a aguardar que “Suas Excelências” se dignem descer dos seus aposentos para se dirigirem para casa…
Mas o que nos deixa boquiabertos é que não se vislumbra um único sinal que mostra ser essa a intenção dos governantes, já que existe um secretário de Estado que salutarmente continua a utilizar a sua “Vespa” pessoal.
E o rombo que vão levar os poucos dinheiros dos portugueses com o IRS do próximo ano, onde não serão levados em conta gastos com a saúde, pelo que não serão descontados nas contas finais os valores que essa área necessita, até com as deslocações de ambulâncias, o que leva a que sejam, dispensados muitos bombeiros, sobretudo da província, que tinham a sua existência garantida com a utilização desses serviços.
É evidente que a preocupação com os já 675 mil desempregados que constam dos registos oficiais não deixarão grande margem de sossego aos que têm o encargo de governar Portugal, mas quando se lê na Imprensa que o presidente da Carris, de nome José Silva Rodrigues, recebe um salário bruto mensal de 5.900 euros e que ainda se queixa de que é baixo (veja-se a “Visão” desta semana), só se pode fazer a pergunta aos nossos homens do Executivo se andam a dormir na forma ou se não têm vergonha de deixar que estas situações se passem no nosso País.
Na verdade, mudam as forças de comando, sai um Governo e entra outro, mas a população não pode mais senão deitar as mãos à cabeça e soluçar em silêncio. A pobreza, especialmente a envergonhada, grassa de Norte a Sul. Só nos resta temer que não surja um dia destes uma avalancha de protestantes que dêem mostras da sua revolta tal como se assistiu ao que se passou em Londres.
Será bom que não confiem em demasia nos tais “bons costumes” portugueses!”…

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

JUVENTUDE

Pouca importância se dá
Nos dias que vão correndo
Ao que é mesmo um maná
Viver sem estar sofrendo

E os jovens, esses então
Nem sabem que são felizes
Ter pela frente um vidão
P’ra regar suas raízes

Ter saúde é tal benesse
Que nem se pode medir
Quando a doença aparece
Dá vontade de fugir

A juventude não sabe
O bem que é ser-se novo
E tudo que um dia acabe

Como bem lá diz o povo
Mesmo que o mundo desabe
Fica a semente num ovo

JUVENTUDE EM PERIGO



QUANDO SOMOS FORÇADOS a assistir ao tristíssimo espectáculo que nos deram aqueles jovens que, nas cidades inglesas, se dedicaram à destruição pela destruição, sem terem justificado o motivo da sua acção, não podemos deixar de reflectir sobre o comportamento dos jovens de hoje, daqueles e de muitos outros que se espalham pelo mundo, e de averiguar se haverá forma de alterar a actuação de uma juventude que nesta altura não é produtiva e não tem como objectivo a preparação de um futuro agradável que devem depois usufruir.
Existem de facto razões para que a juventude dos nossos dias se comporte de forma que tem de nos preocupar, a nós, os mais velhos, e que temos o direito de aspirar por um mínimo de condições para que, tal como aconteceu aos da minha geração e seguintes, tivemos de seguir regras que, certamente nem todas agradáveis, mas que, mesmo assim, formaram uma camada de cidadãos que levaram a sua vida sem os sobressaltos que agora se verificam.
A educação familiar que, antes, era aplicada pelos pais e tutores das crianças e a instrução que se aplicava nas escolas, esses dois factores terão servido para formar uma juventude que, ao longo de várias gerações, foi cumprindo e seguindo os passos dos seus antecessores que era considerada como exemplar. Mal ou bem, o facto é que essa condição serviu para criar o ambiente que, nos momentos que atravessamos, se vai vivendo.
É certo que o ser humano tem sido o causador dos acontecimentos que se vão avolumando no campo terrestre. O avanço da tecnologia, bem útil por um lado, e a criação de utensílios como o mundo dos computadores, tudo isso tem provocado que, sem entrar em pormenores, a evolução da juventude t5enha sido desviada para diferentes interesses do que anteriormente ocupava a juventude. As dificuldades no acompanhamento por parte dos progenitores dos filhos que antes eram vigiados e colocados nos bons caminhos, assim como a diminuição do rigor por parte dos professores que já não têm condições para impor cumprimentos de regras aos alunos, essas duas condições podem ser indicadas como as principais causadoras das “liberdades” concedidas à pequenada e que, depois, já com idade de adolescência, também se julga com direitos a seguir comportamentos que não serão, nem de longe nem de perto, os mais indicados para uma formação de adultos bem comportados.
A inquietação natural, que a geração adulta que ainda se encontra em funções nos mais diversos planos de actividade, tem de sentir perante os comportamentos que, não só em Londres como noutras cidades inglesas, foram divulgados pelas televisões, não encontrará sossego face às condições de vida que são apresentadas nesta fase, pelo que saltará a dúvida sobre se todos aqueles que irão tomar lugar, mais dia menos dia, nos postos de comando a que, naturalmente, terão acesso, serão capazes de modificar o sentimento de destruição de que deram mostras recentemente.
É certo que a actual onda de governantes que existem não só na Europa mas em diferentes partes do mundo não têm mostrado um comportamento que sirva de exemplo aos que têm idades de adolescência e que, perante tamanho fracasso, sustentem ambições de, quando chegar a sua vez, “entrar a matar”. Mas, mesmo dando razão aos descontentes, não é por isso que poderemos ficar descansados. O futuro do mundo corre perigo. Essa é a verdade.
Aqui, em Portugal, apesar de “brandos costumes” de que somos apelidados, a onda de protestos que as circunstâncias de vida difícil nos impõe, a revolta íntima que roí um grande número de cidadãos que não encontram maneira de solucionar a situação a que chegámos, tudo isso ajuda a que a vaga de próximos governantes seja capaz de encontrar um comportamento aceitável e não admirará que, subitamente, as cidades do nosso País sejam, dentro de algum tempo, palco de acontecimentos semelhantes aos que ocorreram na Grã Bretanha.
Só se espera que não se atinja tamanha calamidade. Vamos aguardar para ver…


terça-feira, 16 de agosto de 2011

DINHEIRO FOGE



É SABIDO QUE O DINHEIRO NÃO TEM PÁTRIA, pelo que é muito difícil controlar os movimentos que os detentores de capitais elevados realizam, tudo com o intuito de fugir a encargos fiscais, de não ser alvo de eventuais desvalorizações com as subidas dos custos de vida e sobretudo para procurar mercados que não se encontrem em situação difícil, pois a segurança é condição essencial para que o dito dinheiro não procure mudar de sítio.
Nesta altura da vida inquietante neste País que, pertencendo a uma Europa que também ela não dá mostras de garantir um futuro próximo de entendimento colectivo, são os chamados “off shores” que atraem os possuidores de fortunas, pois, mesmo não sendo os juros que ali são pagos pelos depósitos inferiores aos que são oferecidos no mercado internacional, é a cautela que aponta o destino que tem sido dado para resguardar os capitais.
No caso português, já foi divulgado que, neste momento, um montante que atinge os vários milhares de milhões de euros, se encontra desviado para ilhas onde se situam os referidos “off shores”, o que quer dizer que, em vez desses montantes se encontrarem investidos em Portugal, sobretudo no sector produtivo, o que não pode deixar de ser considerado como um acto de verdadeiro egoísmo, se bem que, da parte do sector governamental, não se tenha verificado qualquer atitude que desmotive essas saídas de dinheiro, nem que seja através de uma oferta de um juro na Caixa Geral de Depósitos que alicie os capitalistas a não fazerem sair do País as verbas que cá fazem bastante falta.
Uma medida deste tipo ou outra que produza os efeitos desejados é atitude que se espera de um Governo que esteja atento ao que se passa no seu e nosso País.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Desejo informar os leitores habituais deste meu blogue que, por razões de avaria no sistema que eu mantenho no meu computador, fui forçado a abrir outro blogue onde tenho estado a dar saída aos meus pontos de vista.


O endereço novo é josvacondeus.blogspot.com mas o anterior mantém os textos que lá foram introduzidos antes da avaria.

CHULARIAS

Eu não brinco às escondidas
com tudo sério nas vidas
enfrento bem de frente, até o tufão
por maior que seja o seu empurrão
por certo vários cá passaram
e que tristes marcas deixaram
mas ao apurar o saldo, que grande alegria
saber que eu nunca recebi alforria
e sempre recusei alpista
na minha profissão de jornalista
isso grande desconsolo
dos que pretendiam regalar-se com o bolo
das primazias e dos favores
dos louvores
das honrarias
que lhes dão as chularias
de quem sobe à custa dos demais
e que quer sempre mais e mais.
Mas comigo, não!
Nunca fui mamão !

GASTOS PARA ANULAR

TENHO EVITADO EXPRESSAR A MINHA OPINIÃO no que respeita aos indivíduos que, no decorrer das suas vidas, acabam por chegar a lugares de comando no Estado e que me fazem crer que, ao atingirem tais posições perdem completamente as aptidões para enfrentar os problemas que, antes de se situarem nesses postos, tinham ideias concretas para dar os passos necessários. Não sei se se trata de alguma precaução quanto a estarem precavidos para evitar críticas que não estarão preparados para suportar ou se será por já se encontrarem aninhados e, nessas condições, o único que os preocupa é manterem os lugares a todo o custo, pelo que evitam chamuscar relações que lhe poderão ser úteis num futuro.
Seja pelo que for, agora que se encontra na chefia do Governo um Passos Coelho que, há bem pouco tempo, dava ideia de vir a ser um responsável que não viraria a cara a qualquer dificuldade, especialmente por ter assistido ao desastre que foi o comando do seu antecessor Sócrates, o que certamente estaria no pensamento de muitos portugueses é que o seu mandato seria conduzido no sentido de economizar o mais possível os gastos do Estado, de encaminhar o País para a produção necessária para evitar as importações e abrir portas à exportação, ao mesmo tempo que tudo isso e muito mais seria feito para diminuir substancialmente o desemprego, pois eram e são estes os pontos que mais importa atacar se queremos, de facto, vencer a crise em que nos colocaram e para que nós contribuímos, só que, perante o que se verifica, não têm sido dados os passos que poderão ser considerados de valor bastante para se sair tão rápido quanto possível do buraco em que estamos metidos.
Faço esta afirmação porque não posso deixar de estranhar que, no espaço de tempo que já decorreu desde a tomada de posse e até hoje, se bem que tenha de reconhecer que não pode ser perdida a noção de responsabilidade que envolve as funções de primeiro-ministro, mas como em tempo de guerra não se limpam armas, mais vale pecar por ligeireza do que por lentidão e é nesse capítulo que me revolta a expectativa em que nos encontramos todos os portugueses, pois bastante mais e melhor do que saiu das decisões governamentais deveria ter sido mostrado e executado.
Quando se anuncia que não há dinheiro na P.S.P. e na G.N.R. pagar para combustíveis e até fazer face a despesas e4ssenciais em ambas as instituições, quando todos os dias se aguarda mais um fracasso financeiro para suportar este e aquele sector governativo, para não falar nos municípios que só têm dívidas que vão crescendo e não existe maneira de solucionar, perante todo este panorama enegrecido e sabendo-se que a frota de viaturas que se encontra ao serviço dos vários organismos públicos é de uma dimensão exagerada que não é compreensível e que, por isso, os gastos com combustível já são suportados com enorme dificuldade, para não falar no número grande de motoristas que se encontram exclusivamente ao serviço de figuras públicas, tudo isso que já foi referido no meu blogue e até antes, na minha coluna do Diário de Notícias, não se tendo verificado a mínima alteração no referido sector, venho com insistência repetir aquilo que eu faria se me coubesse zelar pelas despesas do Estado e que é a criação de uma repartição dedicada exclusivamente ao controlo do movimento das viaturas estatais, em que apenas os ministros e secretários de Estado teriam direito a viatura e a motorista designado, pois todos os outros cargos teriam que solicitar à repartição criada para o efeito em que lhes seria facultado um carro e o condutor que estivesse disponível. Imagine-se o que representaria de poupança esta restrição do facilitismo que ainda se verifica de muita gente ter carro à porta, com motorista às ordens, que transporta de casa para o trabalho e vice versa, o que representa umas dezenas de milhar de automóveis de que dispõem funcionários públicos desde directores-gerais.
Não ponho mais na carta. Este assunto já foi tratado por mim, neste blogue e não só, mas os que mandam, incluindo o primeiro-ministro, disfarçam e lá se mantêm com as mordomias que não coincidem com os encargos fiscais de toda a ordem que o povo português tem de suportar.

domingo, 14 de agosto de 2011

FUTURO NÃO APETECÍVEL

Neste País onde estamos
onde nascemos, vivemos
ainda nos conservamos
temos aquilo que temos

E é pouco, coisa pouca
e cada dia é menos
a caixa vai estando oca
à fartura só acenos

Mas que podemos fazer
que nos resta nesta hora
em que é enorme o muro?

Já nem se pode crer
não serve ir para fora
não me apetece o futuro

FERIADOS - QUE DELÍCIA!



ESTOU NESTE MOMENTO a ver e a ouvir Marcello Rebello de Sousa (assim mesmo com as consoantes duplas), e, conhecendo-o como conheço, dou-lhe o desconto que julgo ser essencial para ir seguindo semanalmente as suas opiniões sobre as mais variadas matérias, tantas que fazem pensar como é possível que um único ser humano possa ser conhecedor de um leque tão vasto como o “politólogo” faz questão de mostrar, sobretudo com uma convicção que os seus gestos bem medidos pretendem dar o ar de ciência absoluta e de não aceitar controvérsias sobre o que apresenta.
Se a firmo isto é porque estimo a personagem em questão e que por isso faço os possíveis não perder todos os domingos aquele espaço em que fala o “prof.”
Mas o que acabei de ouvir, aliás como em muitas outras ocasiões, não acrescentou nada que possa ser utilizado neste meu blogue, antes me deixou a impressão de que Marcelo é leitor assíduo do que aqui deixo gravado, pois, por exemplo, referiu-se à falta de uma boa comunicação por parte dos elementos do Governo, falta esta que tem feito parte nestes meus discursos…
Foi pena que, a propósito do feriado nacional que, como sempre, ocorre em 15 de Agosto, desta vez a uma segunda feira, com a extensão propícia a uma das muitas “pontes” tão do agrado dos que estão empregados (que os desempregados choram por não desfrutar desta paragem no trabalho), repito, que o Homem que se propõe andar em dia com os acontecimentos do nosso País não tivesse feito alusão a não terem terminado ainda as paralisações que o calendário nacional regista, pois que se estamos a sofrer as consequências bem dolorosas com a crise e com a má actuação de governantes que não foram capazes de porem ordem na vida pública, o que compete ao Executivo em funções é não adiar soluções e ser tão rápido e eficiente nas mudanças de benesses que estão enraizadas no nosso sistema como está a ser em relação aos impostos e medidas que muito castigam os portugueses.
Há que dizer estas coisas aos governantes de hoje. Já que temos que os suportar, sempre é melhor isso do que o que se passava imediatamente antes, ainda que não se possa ser complacente com os erros, adiamentos, e tudo que não seja contribuir para solucionar o nosso problema. Bem e depressa.

sábado, 13 de agosto de 2011

PESSIMISTA

Por muito que o pessimismo
magoe a nossa cabeça
p’ra fugir de tal abismo
há qu’esperar qu’aconteça
um milagre e muita crença
no futuro que virá
e se contemple a nascença
de um qualquer Alá
com outro ou com esse nome
capaz d’enfrentar tormentas
que ponha fim à vil fome
e às coisas odientas
porque o Homem, já sabemos,
não consegue dar a volta
aos males de que sofremos
e que nos causam revolta

Depois de milhões de anos
a estragar o que existia
foram eles, seres humanos,
que sem a menor mestria
foram o mundo destruindo
até chegar ao que existe
maltratando e agredindo
tornando a vida mais triste
apesar das modernices
dos inventos espaventosos
engenhocas, doutorices,
na busca só de mais gozos

Mesmo mais depressa andar
e falar com longe gente
não serviu p’ra minorar
aquilo que está presente
e que é a vil tristeza
de em cada dia que passa
se ir perdendo a defesa
contra a enorme desgraça
de ficar longe o domínio
do mundo onde vivemos
ser claro o vaticínio
de que em breve não cabemos

De tanto mexer na Terra
de aquecer o ambiente
sabendo o Homem que erra
mesmo assim não é prudente
e segue destruição
não protege florestas
aumenta a poluição
indo por vias funestas
velhas estações do ano
que hoje já não perduram
transformaram-se em engano
temperaturas se misturam

Perante estrago tanto
do Homem tão insensível
a vida perdeu encanto
pouco já é aprazível
tem lugar o pessimismo
mesmo p’ro mais animado
ganha força o ateísmo
é melhor ficar calado



VÍTOR GASPAR




COITADO, O HOMEM NÃO TEM CULPA, pois o que lhe sucede é que tomou posse de um lugar que, por mais virtudes que lhe sejam encontradas como profissional que leve a sério a sua missão, o que lhe compete fazer é transmitir novidades penosas para todo o povo português, dado que o momento e a situação em que se encontra Portugal não lhe dão margem para ser o anunciador do bem estar, antes lhe cabe ser a ave agoirenta que, ainda que com ar penoso, transmita o que os cidadãos portugueses não desejariam ouvir.
Vítor Gaspar de seu nome, o novo ministro das Finanças que substituiu um outro que também atravessou um período de lamúrias e de más notícias – ainda que não tivesse nunca tido a coragem de se culpabilizar, a si e ao Executivo de que fazia parte com um Sócrates sempre a bater no peito e a gritar que era o melhor -, tem agora que suportar com a necessidade de remediar todas as travessuras que foram produzidas por demasiado tempo e cabe-lhe a difícil tarefa de convencer o sacrificado povo de que o mal que é imposto é rigorosamente nece4ssárioo e que o que vem a seguir ainda será pior.
Estamos, pois, numa fase comparável à que se tem de suportar quando, no hospital, temos de encarar com a realidade de o médico ter de dar o golpe no furúnculo que deita pus, pelo que lhe temos de gritar que corte, mas depressa! E que não deixa nada por espremer, pois que se é forçoso sofrer o sacrifício, que seja quanto mais depressa melhor…
Ainda que os governantes actuais já não escondam, como sucedia antes, as realidades e o primeiro-ministro dê um ar de clareza que nunca deveria ter faltado no nosso meio político, a verdade é que ainda não foi claramente expresso ao povo português, com palavras simples e sem “digamos” de nenhuma espécie, faltando uma exposição feita em conjunto, do Governo e do próprio Presidente da República, mesmo assim ainda há uma grande parte da população que não se compenetrou ainda da situação penosa que nos envolve. E a prova é que, perante alguns concertos com artistas estrangeiros que nos visitam, em que os preços são elevados em euros, se forma filas de entusiasta aderentes, dormindo até nas noites anteriores junto às bilheteiras para adquirirem as suas entradas, o que demonstra que, especialmente a juventude, não tomou ainda consciência de que o que espera os habitantes deste Pais é um futuro penoso e que seria bom irmo-nos, todos, preparando para enfrentar as realidades que nos vão ser apresentadas.
Jé me referi aqui a uma necessidade imperiosa de ser incluídas escolas primárias uma aula prática de Democracia, para que os jovens alunos comecem a usá-la com a maior naturalidade, sabendo ouvir os outros e só falando quando chegasse a sua vez e tenham alguma coisa de útil para dizer, procurando ser o mais úteis possível à sociedade, mas isso não foi ainda considerado como útil e é pena, porque estamos a perder um tempo precioso. De resto aquilo que se vê, cada vez em maior número, de paredes gatafunhadas de rabiscos feitos por gente seguramente jovem que não entendeu ainda aonde deve chegar a bossa liberdade sem interferir na dos outros…
Digo isto, mas bem podia estar calado. Nada disto já remedeia o tempo que perdemos nestes trinta e tal anos depois da Revolução…

O TEMPO


O relógio marca as horas
Do tempo que vai passando
Do tempo que vai matando
Esperanças e demoras
Imparável no avanço
Cada dia e cada hora
Sem regresso, se vai embora
Na labuta, sem descanso

O ontem já é história
O hoje vive-se à pressa
Desejando que se esqueça
O qu’está na memória
Só o amanhã é talvez
Não se sabe o que será
Nem mesmo s’algo virá
Só s’espera a nossa vez

Neste corrida do tempo
Ficar p’ra trás não agrada
Parar é que não é nada
É até um contratempo
Andar sempre a desoras
Mas p’ra quê tanta corrida
Se em tudo nesta vida
O relógio marca as horas ?

TEMPO PERDIDO



Vítor Gaspar de seu nome, o novo ministro das Finanças que substituiu um outro que também atravessou um período de lamúrias e de más notícias – ainda que não tivesse nunca tido a coragem de se culpabilizar, a si e ao Executivo de que fazia parte com um Sócrates sempre a bater no peito e a gritar que era o melhor -, tem agora que suportar com a necessidade de remediar todas as travessuras que foram produzidas por demasiado tempo e cabe-lhe a difícil tarefa de convencer o sacrificado povo de que o mal que é imposto é rigorosamente nece4ssárioo e que o que vem a seguir ainda será pior.
Estamos, pois, numa fase comparável à que se tem de suportar quando, no hospital, temos de encarar com a realidade de o médico ter de dar o golpe no furúnculo que deita pus, pelo que lhe temos de gritar que corte, mas depressa! E que não deixa nada por espremer, pois que se é forçoso sofrer o sacrifício, que seja quanto mais depressa melhor…
Ainda que os governantes actuais já não escondam, como sucedia antes, as realidades e o primeiro-ministro dê um ar de clareza que nunca deveria ter faltado no nosso meio político, a verdade é que ainda não foi claramente expresso ao povo português, com palavras simples e sem “digamos” de nenhuma espécie, faltando uma exposição feita em conjunto, do Governo e do próprio Presidente da República, mesmo assim ainda há uma grande parte da população que não se compenetrou ainda da situação penosa que nos envolve. E a prova é que, perante alguns concertos com artistas estrangeiros que nos visitam, em que os preços são elevados em euros, se forma filas de entusiasta aderentes, dormindo até nas noites anteriores junto às bilheteiras para adquirirem as suas entradas, o que demonstra que, especialmente a juventude, não tomou ainda consciência de que o que espera os habitantes deste Pais é um futuro penoso e que seria bom irmo-nos, todos, preparando para enfrentar as realidades que nos vão ser apresentadas.

Digo isto, mas bem podia estar calado. Nada disto já remedeia o tempo que perdemos nestes trinta e tal anos depois da Revolução…
Jé me referi aqui a uma necessidade imperiosa de ser incluídas escolas primárias uma aula prática de Democracia, para que os jovens alunos comecem a usá-la com a maior naturalidade, sabendo ouvir os outros e só falando quando chegasse a sua vez e tenham alguma coisa de útil para dizer, procurando ser o mais úteis possível à sociedade, mas isso não foi ainda considerado como útil e é pena, porque estamos a perder um tempo precioso. De resto aquilo que se vê, cada vez em maior número, de paredes gatafunhadas de rabiscos feitos por gente seguramente jovem que não entendeu ainda aonde deve chegar a bossa liberdade sem interferir na dos outros…