segunda-feira, 30 de novembro de 2009

FELIZES E INFELIZES

Quando nós bramamos aos quatro ventos
infelicidade que nos calhou
não podemos esconder os lamentos
a que a má vida nos obrigou
queremos que saiba a maioria
o muito que sofremos nesta vida
o que é isso da grande agonia
o que nos coube na grande corrida

Só posso dizer num breve poema
que esse mal da infelicidade
que consideramos grave dilema
seria a maior felicidade
para os mais infelizes ainda
aqueles que não tendo mesmo nada
considerariam mudança linda
chamando a isso obra de fada

Não sejamos então grandes chorões
aceitemos aquilo que nos fez
sofrer constantemente abanões
e desfazendo as rugas da tez
chegar a este ponto cá da vida
trocar a nossa infelicidade
com tanta boa gente mais sofrida
p’ra eles seria felicidade

DESAPARECER



Vou ficando mais conformado à medida que o tempo passa e tomo contacto com as opiniões expressas por várias figuras da nossa praça, em textos, entrevistas e afirmações avulso que aparecem nos diferentes órgãos de comunicação social, e em que os desconsolos e as declarações pessimistas já não são escondidas. Pelos vistos, pois, já não me encontro isolado na análise do amargo caminhar que o nosso País percorre, embora seja com enorme tristeza que verifico que não ando enganado nas referências que tenho feito ao futuro que parece esperar-nos.
António Barreto, que já foi ministro após o 25 de Abril, deputado e dirigente partidário do PS, agora limitado a ser observador atento ao que se passa no nosso País, em entrevista publicada num diário não hesita em afirmar que “Portugal está à beira do desaparecimento” e não esconde que “se não houvesse Europa, já teríamos tido golpes de Estado”… Pode-se ser mais claro?
Quem segue diariamente os meus blogues sabe que, dito assim ou por outras palavras, semelhante estado de espírito já revelei e os comentários que me são dirigidos, poucos é certo, mostrando desacordo quanto às preocupações que, sendo legítimas, podem não atingir todos os portugueses, talvez reflictam melhor se virem aumentar o número (e a qualidade) de pessoas que não podem andar satisfeitas.
Com um Governo que já deu mostras de não ser capaz de exerce as suas funções sem contar com o suporte de uma maioria parlamentar – o que, de facto, não é coisa fácil – e com uma oposição que, aproveitando-se da ocasião que os votos lhe proporcionaram, só com uma abertura total para as negociações e para um saber escutar as opiniões dos outros é que o Executivo de Sócrates terá possibilidades de levar por diante a carga que aceitou e a qual não é de boa atitude patriótica que desista pelo caminho, sabendo-se que essa posição só iria criar um ainda mais pesado fardo para ser resolvido pelo nosso País.
Como já afirmei anteriormente, mesmo com a protecção da Europa comunitária, que tudo faria para ajudar a evitar que tal sucedesse no nosso País, não é garantido que estejamos livres desse perigo: o do golpe de Estado, à semelhança do que ocorreu na Primeira República.
Também, a hipótese de Portugal “desaparecer” será apenas uma força de expressão que António Barreto utilizou de passagem. E é pena que a Espanha também não atravesse nesta altura uma situação descansada no aspecto económico e financeiro. Mas, como se trata de um vizinho com uma dimensão que o deixa mais descansado e com um número de habitantes que quintuplica o nosso, as possibilidades de recuperação são muito maiores do que as nossas. Por isso, de braço dado e com as características individuais de cada região, a força que a Península Ibérica tem condições para atingir constituem a esperança de que essa ideia de “desaparecimento” de um País deve ser posta de lado.
É o que eu penso.

domingo, 29 de novembro de 2009

TRISTE LISBOA

Rua vazia
de gente viva
onde é que pára
população?
Eu bem queria
cidade activa
não fosse rara
certa tensão
mas não se vê
o movimento
a alegria
duma cidade
neste café
onde eu assento
não há quem ria
só alta idade
estamos pois
a caminhar
no tal sentido
do cemitério
p’ra um depois
um certo esgar
sem alarido.
Esta é a sina
de um País
em decadência
já sem vontade
força latina
nem cicatriz
se vê essência
cá na cidade
até faz sol
e pouco frio
o clima é bom
não é por isso
velho briol
sem desafio
perdeu o tom
e o feitiço
e as tabernas
que alegravam
já pouco existem
sem freguesia.
Há poucas pernas
que não integram
e não resistem
à correria
ruas bem tristes
de ti Lisboa
já não existes
já foste boa.

GASTOS DO ESTADO


JÁ ME referi, há bastante tempo, neste meu blogue, ao assunto do exagero dos gastos públicos com automóveis ao serviço de figuras detentoras de cargos oficiais e até dos motoristas que, em exclusivo, se encontram às ordens dos respectivos utilizadores. Mas, claro que os detentores do poder, aqueles que um dia (mais tarde ou mais cedo) terão forçosamente de prestar contas pela sua desgovernação, não ligam ao que se lhes aconselha e continuam na sua cega-rega enquanto detiverem nas mãos a possibilidade de serem eles a decidir. E refiro-me aos actuais, não esquecendo os anteriores e não confiando naqueles que virão a seguir. São tudo gente que, na ausência de um sentido de responsabilidade, sem uma Justiça que funcione neste País, apontando sempre para o lado os culpados dos erros que são praticados – e nesse lado nunca se encontra ninguém -, encolhem os ombros e lá vão continuando a fazer das suas.
Refiro-me ao abuso de compra e utilização de automóveis, muitos deles de alta cilindrada e de luxo, que são postos à disposição de entidades, sem haver ninguém que ponha cobro a tais exageros, isso em qualquer altura mas, evidentemente, no período que atravessamos e em que qualquer cabeça sabe que o País não suporta despesas que podem e devem ser contidas.
A nota refere-se ao Tribunal Constitucional que entendeu comprar carros de luxo para cada um dos juízes (que são 13 e de nomeação política), concretamente BMW, no valor total de 665.504 euros, acrescentando-se que este tribunal é o único onde os juízes têm direito a automóvel como parte de sua remuneração, ou seja, podem usá-lo a título pessoal…
Não vale a pena referir, mais uma vez, a situação da Justiça no nosso País, e o mau serviço que está a ser prestado aos cidadãos. Já nem é preciso tocar nesse ponto que é bem conhecido de todos os portugueses. Mas, já que a Democracia dá a liberdade de se apontarem os erros do sector oficial, pois que outra coisa não está nas mãos dos cidadãos, não deixemos de sublinhar todos os erros que chegam ao conhecimento dos que são obrigados – e bem – a cumprir com os seus impostos.
E aproveito esta ocasião para repetir o que também escrevi tempos atrás. É que, para além dos ministros e dos secretários de Estado que se compreendem que tenham um carro ao seu serviço e um motorista também em exclusivo, dessas funções para baixo e em regime de excepção o que se impõe nas circunstâncias actuais é que sejam criados serviços especiais numa garagem do Estado, onde se encontrem vários automóveis e motoristas disponíveis, e, sempre que um funcionário que tenha a classificação necessária para poder utilizar as viaturas oficiais, deveria efectuar a respectiva requisição bem fundamentada e a viatura que seria posta à disposição ocasional seria a que estivesse disponível e o motorista igualmente que se encontrasse nas suas funções. Isso dos automóveis atribuídos a personalidades deveria ter terminado a partir do momento em que a crise se instalou e começou a fazer os seus efeitos maléficos que se conhecem.
Então não seria compreensível que se tivesse tomado esta medida? Quanto se teria até agora poupado de dinheiros públicos? Alguém se teria que considerar como desprestigiado com essa actuação?
A última que veio a lume, do choque violento de dois automóveis de alta potência e grande luxo, em que o que se encontrava ao serviço do secretário-geral da Segurança Interna, indo a alta velocidade, embateu, na avenida da Liberdade, no que serve para o presidente da Assembleia da República, tendo ficado ambos destruídos, este acontecimento só serve para recordar que há, de facto, excessivos carros luxuosos ao dispor de demasiada gente importante.
Mas, uma vez mais, ninguém vai ligar a estas e outras recomendações. Os Sócrates deste País são muitos. Não é só ele…

sábado, 28 de novembro de 2009

CALVÁRIO

Há ou não razão p’ra desanimar
neste calvário imenso em que vivemos?
se um dia isto tiver de acabar
e d’algo pior ainda tememos
e não se passa só em Portugal
o mundo inteiro não está melhor
para se conseguir fugir do mal
tanto faz que se vá p’ra onde for

A Terra anda toda ela às voltas
acalmia é pouco que se encontra
pois muitos malvados andam às soltas
já não escapa nada em qualquer montra
e nas finanças grandes roubalheiras
na política grassa a corrupção
pouca vergonha já não tem fronteiras
ao nosso lado pode estar ladrão

Não é bem assim, dizem confiados
os que ainda não sofreram danos
mas um dia destes ficam calados
se os atingirem alguns fulanos
é que isto de trabalhar não dá
não é bastante p’ra levar a vida
se é isso que se passa por cá
é igual aos que vêm de fugida

Calvário da vida não chega a todos
há os que conseguem bem escapar
para uns tantos os terem a rodos
outros nunca precisam de suar
ainda bem, pois não é regra geral
o ser feliz é coisa que existe
para os que só enfrentam o mal
há sempre aquele que a tudo resiste

OPOSIÇÕES CONSCIENTES PRECISAM-SE



DEPOIS do negro panorama que pintei no meu blogue de ontem, bem rebusquei nas notícias que circulam por aí alguma que me propusesse matéria para redigir um texto que fosse a antítese do que foi posto ontem à disposição de leitura. Mas não encontrei nada desse tipo. E percorri toda a Imprensa e, nas televisões, saltitei por todos os canais nacionais e o mesmo sucedeu.
Um dos temas que mais amargura me causou foi o de, depois de ter assistido às justificadas lamúrias dos desempregados, eles e elas mas ainda maior número no sector feminino, me ter sido dado conhecimento dos salários que recebem dois dos participantes no caso “Face Oculta”, precisamente aqueles que se encontram suspensos das suas actividades por determinação judicial, Armando Vara e José Penedos, um que ainda faz parte do Conselho de administração do BCP e o outro que acabou de interromper a sua posição de presidente da REN.
Pois, embora seja difícil aceitar que, na fase que atravessamos, onde a maioria esmagadora do povo português se debate contra as carências de todos os níveis com que as famílias sofrem, se verifiquem pagamentos de ordenados do nível que se divulgou serem os das duas personagens em causa. São centenas de milhar de euros anuais que calham a cada um, mas o mesmo acontece com os companheiros de ambos nas actividades que desempenham. O que quer dizer, o que não é novidade para nenhum português que se arrasta por esta Terra, que os salários atribuídos na zona bancária superior e nas empresas com alguma ligação ao Estado (porque as outras, as privadas, não têm que ser incluídas neste julgamento), são umas mãos abertas que devem envergonhar aqueles que recebem e os que fazem parte do conluio porque aprovam esse comportamento.
Por outro lado, perante as medidas que estão a ser tomadas pelas oposições na Assembleia da República, o exemplo agora dado de terem sido vetadas disposições do Governo, agora que já não tem a maioria, tal passo pode querer representar que os governantes se encontram numa posição bem difícil e não poderá, em muitos casos, actuar nas mais apropriadas condições. Se é que é capaz.
É evidente que as oposições políticas existem para isso mesmo, para fiscalizar na Assembleia e para propor medidas que se apresentem de maior valor do que aquelas que os governantes sujeitem à votação. Mas o momento que atravessamos exige que todos os passos sejam dados com profunda consciência e que não é pior a emenda do que o soneto!
Todos sabemos que o partido de Sócrates, embora vencedor nas últimas eleições, não tendo obtido a maioria absoluta, se encontra agora com a obrigação de seguir o que a maioria parlamentar votar. E, como as condições de Portugal no campo da economia e das finanças pública – para não referir o sector social, com o enorme desemprego que nos afoga – são deveras inquietantes, muito perigosas mesmo, o que possa sair do Parlamento, se a soma dos votos das bancadas não corresponder a uma melhoria para os graves problemas que Portugal tem para enfrentar., então bem podemos estar preparados para tudo e que de bom não será.
Soframos mais um pouco!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

NÓS POR CÁ

É o que dizem os nossos emigrantes
os que lá longe
enviam notícias
e não querem desconsolar
os que deixaram
os que por aqui ficaram
e que não sabem se a aventura
valeu a pena
se o sacrifico vai compensar
se o mistério do desconhecido
não é tão difícil de suportar.

"Nós por cá todos bem
vamos vivendo tranquilos
os salários são suficientes
os pequenos andam nas escolas
a Maria e eu
levamos os trabalhos
com satisfação
os patrões gostam de ambos
vamos juntando um dinheirinho
e o que enviamos todos os meses
dá para ir avançando
com a casinha no nosso terreno
aí na terra.
Nas férias já veremos
como vão andando as obras
se já puseram as janelas da frente
se o Manel colocou as macieiras
para irem crescendo
para no Verão já vermos um ou outro
fruto pendurado.
E os velhinhos?

Temos muitas saudades deles
da Mãe, do Pai e da Avó
que ainda se vão aguentando.
Como nos lembramos
do bom vinho da adega
e das frescas couves que a horta nos dava
e das ricas farinheiras
penduradas na lareira!
Aqui temos de comprar tudo
nada sai das nossas mãos
o que não é a mesma coisa,
mas haja dinheiro
e esse não falta
graças a Deus.
Comprámos um carrinho
vamos levá-lo nas férias
e é muito lindo
tanto eu como a Maria
tirámos cá a carta de conduzir
e temos todos os nossos papéis em ordem.”

Até ao mês de Agosto
de vez em quando vem uma cartinha
que pouco acrescenta
pois a vida vai correndo
com normalidade
e só se espera que as dificuldades
que grassam por todo o mundo
não venham a atingir também
os emigrantes portugueses.

Muitas cartas destas
é o que se deseja
que continuem a ser recebidas.


PRESTAR CONTAS


POR muito que alguém, maldosamente, julgue o contrário, a minha grande aspiração é conseguir ver o nosso querido País, antes da minha partida final, entrar na via correcta e em que a sua população, que é apenas de cerca de dez milhões, consiga atingir a felicidade mínima que qualquer habitante tem direito a usufruir. Bem bastaram os quase nove séculos que constituíram, até hoje, toda a vida de Portugal como Nação independente, em que as circunstâncias que foram proporcionadas aos lusitanos em todo esse tempo não se situaram, de uma forma geral, na área da prosperidade, para, nesta altura, em que se está a atravessar uma crise que não se consegue vislumbrar forma de sair dela, como se isso já não chegasse, ainda nos tenhamos de confrontar com um comportamento do sector político, todo ele, que tem de envergonhar qualquer ser humano responsável.
Não hesito em afirmar, alto e bom som, que esses portugueses, que se situam nas áreas das decisões importantes de Portugal, só têm dado mostras indesmentíveis de que não são capazes de utilizar o regime democrático que foi tão difícil introduzir, depois de um longo período de ditadura, e que parecem apostados em clamar por uma mudança igual à que se operou quando foi posto fim à Primeira República.
Esta afirmação escandaliza uma boa parte dos portugueses? Pois também a mim. Mas, ao ver, todos os dias, o que os noticiários mostram quanto às tentativas de verdadeiros assassinatos que estão a ter lugar, em que o regime afasta, cada vez mais, adeptos, mesmo os que, com idade para isso, deram largas e efusivas mostras de alegria no 25 de Abril, ao ouvir o que se diz nas ruas e até mesmo o que começa a ser escrito e dito por alguns chamados politólogos, entra-me na consciência a convicção de que, como as coisas estão a correr, não é possível prolongar por muito mais tempo a situação que se atravessa.
E, no que respeita aos mais novos, aos que não sofreram na pele os efeitos do antigo regime, então esses ainda mais inclinados se encontram para que o sistema actual sofra uma volta de 180 graus, e nós, os antigos, bem sabemos o que isso significa.
Nesta altura só basta que o Governo venha declarar que não tem forma de continuar a pagar as reformas e que, de um dia para o outro, a enorme quantidade de aposentados fica de mãos a abanar. Juntando-se os desempregados aos reformados, a multidão que constitui essas duas categorias da população ninguém sabe se não chegará para tomar iniciativas políticas que não têm nada a ver com a prática democrática.
Estou mesmo a ver que, se não existir outra solução para sairmos do buraco negro em que nos encontramos, os culpados de tamanha catástrofe, se lhes chegar a hora de terem de fazer contas, vão seguir o exemplo de Marcelo Caetano e de tantas outras gentes que, naquela altura, embarcaram rapidamente para o Brasil. E ali conspirarão contra os malvados que os fazem repetir a “injustiça” que calhou há trinta e cinco anos aos que já cá não encontravam lugar para viver.
Bem sei que este é um cenário catastrófico e quase ficcionista. Mas tem acontecido tantas vezes a realidade acabar por surgir dos romances, que nem sei bem se será assim tão pouco viável. Que todos os santinhos nos livrem de tão grande descalabro!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

SE

Sempre que algo queremos
e fazer não conseguimos
o primeiro que dizemos
e nisso muito insistimos
é esse pronome útil
que é sinal de precaução
e não sendo nada fútil
é o que está mais à mão

Se eu puder não faltarei
é a garantia dada
por quem do que diz faz lei
mesmo com boca fechada
se me sair a taluda
farei isso de seguida
e não preciso de ajuda
depois o se que decida

Se eu tivesse saúde
já veriam a genica
e a veloz atitude
do que nunca abdica
e se eu chegar atrasado
façam favor d’esperar
esse se é um malvado
provoca o desesperar

Ah, se isto e aquilo
sempre se a qualquer jeito
ninguém fica tranquilo
considera-o suspeito
é do Homem a desculpa
para não ficar mal visto
e não quer p’ra si a culpa
imitando a Jesus Cristo

CASA PIA, HAJA PIEDADE!



VÃO lá dizer isso a qualquer habitante dos 27 países da Comunidade Europeia e nenhum deles acredita que isso possa acontecer. Garanto que sim, que é uma realidade, que tal sucede nesta Nação chamada Portugal e então o incrédulo transforma-se em duvidoso. “Ah! Se é aí, então já não digo nada!” É a resposta.
E que assunto é então que provocou esta conversa? Pois, nada mais, nada menos do que o julgamento do caso da pedofilia da Casa Pia que, tendo tido início em 25 de Novembro de 2004, cinco exactos depois ainda não terminou e ninguém sabe quando terá o seu final.
De todos os intervenientes, os réus continuam a envelhecer, as consideradas vítimas, que eram rapazes no início, cresceram e alguns já constituíram família, houve até um que tentou suicidar-se. E o início do problema foi denunciado há sete anos, registando-se aí que se realizaram cerca de 450 audiências nos diferentes tribunais por onde passou o caso, o qual ocupou até agora o espaço escrito de 60 mil folhas, tendo prestado depoimentos mais de mil pessoas. E quanto custou tudo isto? Ninguém faz contas. Mas será uma barbaridade!
No meio de todo este panorama, só um arguido se confessou culpado, pois que os restantes seis reclamaram a sua inocência. Será que, no términos deste drama, se chegará a alguma conclusão no que respeita à acusação de culpados e, se os mesmos forem definidos, que penas lhes cabem? Ou, pelo contrário, a surpresa será a de só terem existido vítimas?
Esta situação que ocorre na Justiça portuguesa é a mais espectacular das muitas que, não sendo divulgadas na Informação, também se arrastam, por tempos infinitos, nas salas de audiências que temos. O que bem demonstra que, há muito tempo, há anos, que teria sido absolutamente necessário rever todo o sistema e que alguém ou alguma instituição jurídica ou política gritasse o “basta” ao tão aparatoso escândalo. Mas nada disso sucedeu e, da mesma maneira que inúmeros problemas que temos para resolver em Portugal se mantêm em “banho-Maria”, que é o processo mais cómodo que seguimos na nossa Terra, assim prossegue o tempo infinito que é forçoso aguardar numa situação tão importante para que a Democracia seja respeitada.
Por isso, estamos como estamos! E o primeiro-ministro, para espanto de todos, menos para os que o bajulam, é de que continua Sócrates a dar enormes demonstrações de que tudo corre bem no País e que não há ninguém que seja capaz de fazer melhor do que ele.
O dramático é se essa afirmação não anda longe da realidade!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

EXASPERAR

A esperança que andou sempre comigo
desde os inícios da longa caminhada
foi perdendo força, estava cansada
e agora longe está não a persigo

Também eu fui desistindo de a manter
não aguentava já não me dar frutos
a contar os meses, horas, minutos
e a esperança acabei por perder

Portanto o que me aguarda é a surpresa
chegar alguma coisa sem esperar
embora tenha já perdido a certeza

O que me resta agora é só esperar
não me deixando envolver pela tristeza
nem me valendo a pena exasperar

MEDINA CARREIRA - O PESSIMISTA!


CADA vez que Medina Carreira surge na televisão e expõe os seus pontos de vista sobre a situação económica portuguesa, não se ocultando por detrás de panoramas cor de rosa que, conforme são as suas exposições, estão muito longe de constituírem as que nos envolvem desde há uns tantos anos e que, nesta altura, dão mostras de se encontrarem a piorar rapidamente, ao ponto de num futuro, que não virá muito longe, passarmos a ser uns “pedintes da Europa”, repito, cada vez que o professor e economista e antigo membro de um governo, sem papas na língua, lança o aviso de que o caminho que levamos, se não mudarmos rapidamente de opção, se nos sentirmos satisfeitos com a situação que temos, se preferirmos ser optimistas para simples sossego dos nossos espíritos, mesmo que tenhamos consciência de que nos estamos a enganar a nós próprios, a sensação que tenho é que o que eu tenho andado a escrever há certo tempo neste meu blogue poderá constituir uma cópia de algum desabafo que tenha saído da boca de Medina Carreira. Mas a verdade é que as teses que tenho defendido neste espaço são mais antigas do que o surgimento do economista em público, o que me dá certo consolo pelo acerto que terei mantido com as minhas observações.
De resto, quem seguiu anos atrás, os meus editoriais no semanário que dirigi ao longo de uma década, “o País”, não se admirará das posições que tomo, pois sempre fui defensor de que, politicamente, os governantes têm obrigação de expor permanentemente a verdade, serem francos e abertos, não iludir os cidadãos, sobretudo quando as situações são mais complicadas, até mesmo num estado preocupante, não fazendo como se tem visto com o actual Governo mas já sucedeu o mesmo com anteriores – e bem nos bastou o estilo de mentira que aguentamos na época da Ditadura -, em que o falseamento das situações é que se encontra na primeira linha do interesse dos governantes.
No meu caso, até porque já passei por muitas situações ao longo do meu caminho profissional, que teve início em 1954, e em que paguei bem caro, perante a Censura e a polícia politica da época, o não me ter completamente calado e a ser obrigado a usar as metáforas e as entrelinhas para tentar fazer passar o que ia na cabeça, não será agora que deixo de apontar os erros, ainda que seja neste singelo blogue.
Este caso recente das escutas e da limpeza das mesmas por intervenção judicial, por muito que queiram disfarçar recorda os tempos antigos do fascismo. Ter visto uma peça de teatro proibida de ser representada, uma revista de que fui director a ser encerrada, a de um número deixado a Angola que escrevi numa deslocação que ali fiz, terem sido cortadas 64 páginas e, logo a seguir, ter sido preso, ter o então ministro da Presidência de Salazar, Correia de Oliveira, dado ordens ao Jornal do Comércio, onde eu mantinha uma coluna onde defendia a comunhão económica com Espanha, para não publicar mais a palavra “Ibéria”, substituindo-a por peninsular, sendo essa expressão também depois proibida até que acabou na minha exclusão como colunista, tudo isso e muitas situações que levam tempo a contar foi o que tive de suportar antes do 25 de Abril.
E depois? Bem, aí, com a chamada Liberdade em acção, aquilo a que assistimos é à intervenção sub-reptícia de deferentes poderes, por forma a que não possa ser exercida em absoluto a Democracia. Já naquele período, por ter clamado contra a inoperância de um ministro da Economia – que ainda está por aí a exercer cargos que lhe garantem a subsistência -, devido ao facto ridículo, de que ainda haverá quem se lembre, de ter desaparecido o bacalhau do mercado nacional e ter de se ir às fronteiras com Espanha, onde o fiel amigo se encontrava pendurado nas árvores nas entradas fronteiriças do País vizinho, obrigando os portugueses irem alí às comprasse se queriam adquirir tão precioso alimento, por esse facto, a publicidade daquele ministério foi cortada a “o País” e era grande o valor que era destinado a essa propaganda. E venham-me agora mostrar, como novidade, o que se passou também no início da era da Revolução!...
Não posso prolongar-me muito mais para descrever imensas situações por que me fizeram passar. Por isso mesmo escrevia num texto anterior que “estou farto!”. E ainda por cima, tenho de tomar conta das queixas que são agora feitas por gente que não vem de longe e que não tem possibilidade de efectuar a comparação do antes com o depois. O que não é ocaso de Medina Carreira que, embora não tenha passado por situações semelhantes à minha, tem idade para ter vivido a época salazarista e caetanista e também tem memória.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

VALEU A PENA?


Tudo o que se faz nesta vida
os esforços, empurrões
os desgostos na corrida
até as desilusões
na estrada que sendo curta
leva tempo a passar
é coisa que se furta
a encontrar

Repetir
voltar a ter
bem gostaria de ouvir
pergunto a quem entender
qual será o porvir
e se já cá estiveram
uma vez
o que foi que fizeram
com alguma lucidez

Ninguém recorda
é verdade
e se tal tema aborda
só com dificuldade
lá convence os parceiros
de que por cá já passou
que algumas carreiras
também calcorreou

Se é certo
que o repetir
mesmo não tendo sido perto
há-de vir
em consciência plena
para perguntar
afinal valeu a pena
a esta vida voltar?

COMPORTAMENTOS



COMO é possível que um Governo que tenha verdadeira consciência das suas possibilidades financeiras, que não perca nunca de vista o limite dos seus gastos e não ultrapasse o seu potencial actual e as responsabilidades que acabam por cair nos vindouros, como é que um tantos senhores que fazem parte de um Executivo, incluindo o chefe dos mesmos, neste caso o primeiro-ministro José Sócrates, aprovaram um pagamento ao falido Banco Português de Negócios, pela sua nacionalização, de 3 mil e quinhentos milhões de euros, sem saber na altura se o poderia voltar a privatizar e, nestas circunstâncias, por que valor o conseguiria fazer?
Se qualquer destes membros governativos que aprovaram a arrojada e impensada medida, fossem eles individualmente gerentes de uma empresa teriam a coragem de dar esse passo de despender uma verba que lhes faria tanta falta para outros investimentos e sem saber se a poderiam reaver noutra ocasião da sua vida empresarial? A resposta nem é preciso imaginá-la e como os que nos governam não sofrem no próprio bolso as consequências das as eiras que fazem!
No caso dos milhares de milhões entregues pelo Estado, basta dizer que esse dinheiro daria para 2 anos de subsídios de desemprego, como faria frente a inúmeras iniciativas que são absolutamente necessárias e que se encontram por realizar, nas áreas da educação, da saúde, da Justiça, sim dessa Justiça que não há forma de ter um comportamento digno, e até do auxílio ao empresariado que dê provas de poder prosseguir e apenas necessita de uma pequena ajuda.
Mas é o costume. No nosso País, no capítulo das opções, todos sabemos que não existe uma tomada de consciência e de responsabilidade dessa gente que tem a seu cargo o Governo – e não me refiro só a estes que lá estão agora, mas a todos que têm passado pelos lugares superiores. Esta tomada agora de posição, quanto à nova ponte sobre o Tejo, que está a dar a “guerra” que coloca frente-a-frente uma empresa luso-espanhola, que apresentou uma proposta mais barata e que parece que não vai ganhar o concurso, porque a empresa Mota-Engil (e, a propósito, o lucro desta sociedade subiu 16,5 por cento até Setembro passado, em elação ao mesmo período do asno passado, o que corresponde a 25,08 milhões de euros, segundo anunciou a própria em comunicado ao CMVM), a referida empresa, já tão conhecida pelo favor que recebeu no respeitante ao ser a escolhida para dar solução ao caso dos contentores no cais de Alcântara, e sem concurso, tudo indica que será a mesma que, apesar de ter apresentado uma proposta de valor superior, será a favorecida. Se é que, nesta altura, não estará já tudo decidido.
Isto só para mostrar como Portugal faz tudo para merecer estar colocado nos lugares cimeiros da Europa no capítulo das injustiças, dos favores a amigos, por isso também das corrupções, naturalmente com o apoio de alguns governantes, por tal motivo, repito, a maioria dos portugueses atentos concordarão que, se fossem competentes e cuidassem convenientemente dos dinheiros públicos, não deixariam de meter a mão nos casos escandalosos que ocorrem e não permitiriam que avançassem as situações que põem em perigo o futuro económico do nosso País.
E se me refiro a favores aos amigalhaços (pá!), não posso deixar em claro o que é do domínio público de que Armando Vara, esse ainda jovem ex-tudo, aufere por ano da Caixa Geral de Aposentações o montante de 25.996 euros, isso por ter sido deputado, secretário de Estado e ministro, para além de perto de 700 mil euros anuais que lhe são conferidos pelo total dos outros cargos em que esteve colocado e que, nesta altura, o de administrador do BCP (496.317 euros) está suspenso, devido ao caso em curso da Face Oculta.
Eu não sei que mais escrever no capítulo da prevenção de anormalidades que ocorrem cá nesta Pátria e que são consequência da deficiente actuação dos governantes. Mas se eles mudam e tudo continua mal na mesma?...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

DIÁRIO DA REPÚBLICA

Este texto não é da minha autoria, mas foi-me enviado por mail e pedido para divulgar. Como não têm conta os meus sobressaltos no capítulo da acção da Justiça em Portugal, não tenho dúvidas em incluir no meu blogue o que resulta da publicação no "Diário da República". E digam lá se não tenho razão para proclamar que ESTOU FARTO DISTO TUDO, como foi o que transmiti num blogue de há dias.
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Quando o magistrado Rui Teixeira é vetado para uma promoção a que temdireito pela nota meritória da sua avaliação, certamente por ter cometido oerro??!! De mandar prender suspeitos de pedofilia, pasmem meus senhores ,pois neste mesmo país, o NOSSO, o acisado pedófilo Hugo Marçal vai poderfrequentar um estágio para Juiz...Custa acreditar. Mas, o melhor, para quem tem dúvida, é consultar o Diárioda República. Isto é uma vergonha.Meu pobre país, para onde vais!!!...DIVULGUEM O MAIS POSSÍVELEscandaloso: HUGO MARÇAL ... JUÍZ ...!!!Digam-me que isto é mentira!!!!!Hugo Marçal... JUÍZ!!!!Este processo das crianças violadas vai mesmo ficar em "águas de bacalhau".É incrível a passividade do povo português face a este escândalo dapedofilia. Tem que se fazer justiça!Façam fwd do mail !!!!"Hugo Marçal está em vias de ser admitido a frequentar o curso de auditorde justiça do Centro de Estudos Judiciários.O nome do arguido no processo de pedofilia da Casa Pia vem publicado noDiário da República de ontem, entre centenas de candidatos a frequentar aescola que forma os juízes portugueses, mas ao contrário dos outros,
Hugo Marçal não vai prestar provas....Pelo facto de ser doutor em Direito - grau académico que terá obtido emEspanha - está por lei «isento da fase escrita e oral» e tem ainda«preferência sobre os restantes candidatos».Resultado: o advogado de Elvas está na prática à beira de ser seleccionadopara o curso que formará a próxima geração de magistrados!
O nome de Hugo Manuel S. Marçal surge na página 4961 do Diário daRepública - 2.ª série, com o número 802, na lista de candidatos a ingressar no CEJ.
Se concluir o curso com aproveitamento e iniciar uma carreira nos tribunais- primeiro como auditor de justiça, depois... Como juiz de direito - Marçalterá também o privilégio de não ser julgado num tribunal de primeirainstância.» AH, POIS É !!! É O PAÍS QUE TEMOS !!!ISTO É ESCANDALOSO E UM ATENTADO À DIGNIDADE DESTE PAÍS, SERÁ QUE O POVO NÃOVAI SABER E ATUAR EM CONFORMIDADE COM ESTE ESCÂNDALO OU JÁ NÃO TEM DIGNIDADE E NÃO SE IMPORTA?

VERGONHA

Se há razão para a ter
se algo te faz corar
merecer
chorar
a consciência ajuda
a dar um passo atrás
se não há quem acuda
para encontrar a paz
fugir
corar
não resolve só partir
há que de frente encarar
e fazer por conseguir
e o mal reparar
a vergonha
é remédio
de nada serve a ronha
que só provoca tédio
tapar a cara
esconder-se
com isso não mascara
o que pode é precaver-se
p’ro futuro
ter cuidado
fazer tudo com apuro
para não ser perdoado
a vergonha
não é peçonha



SUBORNOS



POR QUE será que não apareceu ainda a questão de saber se é mais culpado o que suborna ou o que é subornado? É estranho, mas parece que todos os comentadores e noticiaristas procuram não abarcar esse tema, preferindo colocar todas as culpas no negociante de sucatas, Manuel Godinho, por sinal o único que se encontra na cadeia, não mencionando claramente os outros, os que foram beneficiados com as “luvas” que os fizeram meter ao bolso proventos que a outra parte propôs para obter os resultados que esperava.
Com excepção de Armando Vara, que se encontra agora na berlinda das notícias, e cujas conversas telefónicas com José Sócrates poderiam aclarar as dúvidas que andam por aí espalhadas pela opinião pública, se não tivesse sido estranhamente mandada arquivar e, caso se pudesse confirmar que o primeiro-ministro não teve nada a ver com o que se passou na altura, no capítulo de intervenção nas situações dos jornais que atravessaram situações financeiras graves, se essa atitude medrosa não tivesse sido tomada talvez, nesta altura, já se pudessem pôr os pontos nos iis e a definição entre corruptores e corruptados não constituísse uma nebulosa que não serve a ninguém.
Afinal, por muito que o primeiro-ministro se defenda com a ajuda de uma rede protectora que, perante os portugueses, não consegue retirar as dúvidas que cada vez mais se adensam, a realidade é outra: da História já ninguém consegue tirar a suposição de que existiu um principal governante português que deixou as maiores suspeitas de que se terá deixado envolver por uma cadeia de corrupção e que, com maior ou menor escala, não conseguiu deixar claro se a sua participação foi efectiva ou apenas superficial.
São bem conhecidos os velhos ditados populares de que “quem não deve não teme” ou de que “mais vale sê-lo do que parecê-lo” ou ainda de que “quem não quer ser lobo não lhe veste a pele”, pois, com todos estes conselhos, bem poderia José Sócrates ter seguido um deles e não se via, por muito que queira garantir que é alheio a tudo, envolvido no pacote que não lhe deixa buraco para fuga.
Mas será que sou eu que me julgo sapiente ao ponto de encontrar soluções para os problemas dos nossos governantes ou, pelo contrário, o que eu possuo é uma ingenuidade em demasia, que me permite acreditar que todos são pessoas honestas, intocáveis no que respeita à sua honorabilidade e merecedoras da confiança absoluta quanto aos seus procedimentos?
Já ando baralhado com aquilo que sou e o que deveria ser!,…

domingo, 22 de novembro de 2009

VÍCIOS

O Homem não é seguro
faz-lhe falta pedagogo
quando se mete em apuro
consequência do jogo
os vícios maus conselheiros
levam-no por ruins caminhos
e quando metem dinheiros
são piores os cadinhos

Mas outros descontrolos
com bem difícil saída
os mais calmos ficam tolos
é por causa da bebida
acabar com esse vício
que à saúde faz tão mal
é um grande sacrifício
nem todos conseguem tal

Aceite p’la sociedade
mas dando sinal de fraco
já baixou para metade
esse vício do tabaco
o Homem já entendeu
que é um erro bem crasso
ter visto alguém que morreu
vítima de tal embaraço

Mas pior que tudo, digo
e com isto tu não jogas
não há um maior perigo
do que meter-se nas drogas
começando lentamente
aos poucos vão aumentando
passa-se com muita gente
sem saber se acaba e quando

OBAMA - MILAGRES?


ESPERAVAM-SE grandes benefícios com a visita que Barack Obama fez recentemente à ÁSIA. Até uma espécie de milagres. E, na verdade, não foi isso que sucedeu. Apesar da muita simpatia que inspira e da boa aceitação que tem tido em vários dos locais por onde já passou, aquela zona do Planeta não constitui a mais fácil no que respeita a obter bons resultados, pelo menos imediatos e visíveis, sobretudo se se trata de matéria relacionada com a colaboração mútua, pois que de mentalidades bastante contraditórias é disso que se trata.
Apesar de tudo, com a China, dada a grande mudança em comparação com o tempo de Mao-Tse-Tung, o relacionamento tem-se demonstrado bastante eficaz, no que se traduziu, nos últimos anos, numa verdadeira “invasão” de produtos daquela origem e da vivência de multidões de seus naturais em toda a parte do Mundo. Aí, a viagem feita pelo presidente americano só se revestiu, pelo menos que se saiba, de uma visita pouco mais que de cortesia, muito embora, provavelmente, se tenham verificado conversas dizendo respeito à situação que se vive na Coreia do Norte e no Irão, especialmente face às reticências chinesas, assim como as russas, quanto a sanções a aplicar aos países seguidores de experiências nucleares.
É que, no País deixado por Kim-Il Sung ao seu filho que lhe segue as pisadas, não se verifica mudança de caminho na ânsia de produzir urânio enriquecido e de efectuar experiências nucleares de mau presságio, pois que as ameaças veladas que são originárias de Pyongyang não podem deixar descansados os defensores da paz que, verdade seja dita, á maioria da população mundial. Mas, essa Coreia não fez parte do roteiro de visitas de Obama e, se tal tivesse sucedido, não espantaria que os desentendimentos tivessem sido bem visíveis. Tal tinha de estar fora das perspectivas diplomáticas.
Algo parecido se passaria com o Irão, em que as negociações se prolongam ao longo de vários anos e sem resultados palpáveis, pois as últimas notícias saídas da boca do chefe da diplomacia de Teerão, que se referem à possibilidade da troca de urânio enriquecido por combustível para o seu reactor experimental, essa possibilidade não passou ainda de vagas promessas. Não se pode imaginar como símbolo de esperança o que resultaria de conversações entre Obama e o presidente iraniano, Ahmadinejad.
No fundo, o que tem de constituir uma profunda preocupação para todos os cidadãos do mundo é a permanente ameaça de, um dia destes, sabe-se lá quando, um desses países já provadamente irresponsáveis, directa ou indirectamente por intermédio de qualquer grupelho suicida, o Al-Qaeda, por exemplo, entende, por raiva por outra razão que inventem, largar uma bomba daquelas de que o efeito só se soube há anos em Iroshima, mas que, se fosse agora, com os avanços nessa arma destruidora, os efeitos resultariam no fim do mundo.
Vem a propósito, fazer referência a uma peça de teatro da minha autoria, escrita antes do 25 de Abril, cujo tema é precisamente o da destruição do mundo por aquela via e em que só ficam vivas duas personagens: Adam e Eva. E, a partir daí, desenrola-se toda a história em 3 actos e 4 quadros. De resto, o filme intitulado “2012”, recentemente estreado em todo o mundo, em que, através de uma profecia maia, prevê o fim do mundo em 21 de Dezembro de 2012, através de um cataclismo que se debate sobre o Planeta e o arrasa, essa ameaça já não constitui surpresa para ninguém. Fui apenas eu que me antecipei, qualquer coisa como 50 anos, que escrevi a referida peça de teatro que, inexplicavelmente, ninguém se interessou ainda por a pôr em cena.
Até hoje, ainda não surgiu um produtor que procurasse fazer representar o que escrevi. Pode ser que, antes de acontecer a referida e estrondosa desgraça, o público possa assistir à sua representação. Se não, também o Fernando Pessoa – salvaguardada as distâncias – só foi reconhecido anos depois de estar morto!...
Eu, por mim, já me conformei com o deixar guardadas imensas obras literárias para um dia serem dadas a conhecer.

sábado, 21 de novembro de 2009

QUE FUTURO?

Com tanta desgraça que o mundo mostra,
diariamente, persistentemente
ao tomar conhecimento daquilo que o Homem é capaz
de fazer, com indiferença,
lendo as notícias e passando à frente
como assunto que não lhe diz respeito,
a pergunta que talvez valha a pena fazer
é se este caminho da humanidade
pode conduzir
a algo que aponte para uma melhoria,
para uma aproximação da felicidade,
para levar a que,
após tantos séculos de sofrimento,
o ser humano acabe por compreender
que, sobretudo os dois séculos mais recentes, não contribuíram para que se tivesse parado para pensar
e para concluir que
o avanço tecnológico que
se foi efectivando
só contribuiu para tornar
ainda mais malvado
o interior do Homo Sapiens.
Este último período de 50 anos.
esses então,
só serviram para que comprovar
que a idade, a sapiência, a descoberta de novos valores,
a experiência do antes vivido,
nada disso foi benéfico
quanto à melhoria
das qualidades humanas,
que são essenciais para que todos dêem as mãos
e acabem, de vez,
com as quezílias, as invejas,
sobretudo com os orgulhos,
essa palavra que se encontra agora tanto na moda
e que, em lugar de ser uma qualidade,
se trata de um defeito malquisto.

Perguntem lá a todos aqueles
que foram vítimas, recentemente, dos bombardeamentos,
de um lado e de outro,
na Faixa de Gaza ou em Israel,
se serviu para alguma coisa
terem estado vivos.
E os que sofrem as epidemias
por esse mundo fora?
E os que dormem nas ruas,
por não terem onde acolher-se?
E os que, dia a dia, vão ficando sem emprego, nesta fase triste da crise que ainda vai a meio?

Não pode haver esperança
Quanto ao futuro?
Os que ainda dispuserem de alguma consciência
só lhes restará irem-se entendendo.
Defendendo
e procurar não aumentar ainda mais
a massa da gente
imprópria para consumo

Os optimista pensam ao contrário.
Pois que sejam felizes assim
e que tenham a sorte de ir caminhando para o outro mundo
com a convicção de que
o que fica vai sempre melhorando.

Oxalá tenham razão.

COMPUTADORES



UMA AMIGA minha, por sinal médica, já na casa dos 60 e poucos anos, conversando um dias destes e vindo à baila o tema dos computadores, não teve qualquer hesitação em declarar que “essas modernices” não lhe interessavam nada e que nunca tinha sentido falta de saber mexer nas “complicadas” máquinas. Para além disso, até lhe metia raiva ver como a miudagem passava horas agarrada aos teclados, com jogos “esquisitos” e outras complicadas distracções. Esta a forma que utilizou para expor o seu ponto de vista de alergia em relação às tais “esquisitices”.
Conto este pormenor, hoje que resolvi, para desenfastiar, não me dedicar a temas complicados da política que temos por cá, pretendo apenas sublinhar a situação dos que, pertencendo já a uma geração que vem de longe, e que considera não estar já em condições de enfileirar na nova tecnologia da informática, deve, pelo contrário, ser convencida de que esta forma de comunicar, escrever, arquivar e tomar conhecimento do que o mundo informa não tem porquê ser apenas objecto de uso da juventude.
Eu próprio, que vim do tempo do jornalismo escrito à mão, depois às máquinas de escrever, primeiro aquelas antigas e pesadonas e depois as portáteis e, por fim, as eléctricas, e em que os arquivos dos jornais ocupavam espaços enormes e uma imensidade de pastas com textos e fotografias, quando passei à computorização, inicialmente também antiquada e sem os recursos que hoje apresenta, tive a minha reacção de recusa de adaptar-me à modernidade.
Quem ainda assistiu ao trabalho dos revisores dos textos que, sendo mestres do português, emendavam nas redacções os artigos saídos das mãos apressadas dos que escreviam e que só depois seguiam para as oficinas de composição e impressão, e quem contemplava depois os compositores, ainda antes das “linotipes”, a alinhar as letras de chumbo e a ler ao contrário as frase acabadas, é evidente que, mesmo com os primeiros computadores que ocupavam uma sala inteira, teve de ficar tão deslumbrado como desconfiado com a novidade. Mas a evidência era tão flagrante que não havia que hesitar. E hoje seria inconcebível admitir que era possível voltar aos tempos antigos.
Ora, o que eu pretendo expor com este intróito histórico é que há que convencer as velhas gerações, sejam quais forem as suas idades e desde que se encontrem com saúde bastante para poderem aderir às novas tecnologias, de que, tal como não se pode hoje passar sem receber os benefícios das mais modernas formas de medicina e cirurgia, também não é benéfico que não acompanhemos a juventude com os mails, os blogues, os SMS, as mensagens e todas as técnicas que não afinal assim tão complicadas que um adulto maduro não domine. E mais: é que acabaram os montes de papel que, os que sempre escreveram, guardavam pelos cantos das casas, para zanga das mulheres de família.
Já que a duração do tempo de vida aumentou tanto nos últimos anos, o mínimo que se pode fazer é ocupar os espaços sem ter nada que fazer e desenvolver a escrita e o arquivo de tudo, até de fotografias, que convém deixar para os que vierem depois. Pelo menos, no nosso País em que o entretenimento a escrever e a ler não é uma atracção muito apreciada pela terceira idade, será uma forma muito útil dos mais novos contribuírem para que os seus familiares de idade deixem de estar sentados a um canto a olhar para o infinito e lhes ofereçam, neste Natal que aí vem, um computador dos mais baratos e tenham paciência para os ensinar a tirar partido de um instrumento que a tecnologia moderna fez chegar até às nossas mãos.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

UM DIA

Um dia farei tal cousa
não partirei sem cumprir
quem não fizer não repousa
nem merece prosseguir
nesta viagem da vida
que um dia terminará
com a missão cumprida
p’ra ver Deus ou Allah

Um dia também eu provo
esse petisco bonito
porque daqui eu me movo
e se for bom eu repito
comer do bom e do mau
para ter opinião
ser lagosta ou bacalhau
o que estiver mais à mão

Um dia se for possível
vou conhecer tal lugar
para que se tiver nível
poder do mesmo falar
gosto de tudo qu’é belo
no ambiente em redor
e faço sempre apelo
a um mínimo de amor

Um dia, um dia destes
tenho esse livro de ler
a obra que vós fizestes
porque é sempre com prazer
que vejo o esforço d’amigos
em produzir o que valha
e se precisam d’abrigos
eu cá estou mesmo na calha

Um dia, tempos atrás
saiu-me fácil da pena
uma crítica tenaz
sobre uma lusa cena
daquelas que tanto enjoam
o comum do cidadão
mas que em muito ressoam
em qualquer opinião

Pois foi mesmo nesse dia
que acabei por entender
que não é por essa via
que alguém pode aprender
que fez mal e se assume
da responsabilidade
pois nunca virá a lume
o culpado da maldade

Um dia, talvez bem perto
o País entenderá
que o que tem como certo
é que isto mudará
não podem continuar
todas as grandes maldades
e quando isso acabar
outro Portugal será

APOSENTADOS



VEEM-SE constantemente aparecer nas televisões nacionais entrevistados ocasionais, nas ruas, para darem a sua opinião sobre temas que, nessa altura, estão a ser debatidos. E, ao ser-lhes perguntado qual a profissão que exercem, a resposta é, com grande frequência, de aposentados. Mas, ao darem a conhecer a sua idade, também constantemente, não escondem – e é esse o seu aspecto – encontrarem-se na casa dos cinquenta e poucos anos!
Por aqui se pode tomar consciência do montante astronómico que corresponderá ao total dos pagamentos mensais das reformas de todo o País, pois que, ao depararmos com a quantidade enorme de gente ainda distante dos 65 anos e com aspecto de se encontrarem em perfeitas condições para trabalhar que usufrui já desse benefício, não podemos deixar de fazer as nossas próprias contas e de nos interrogarmos, com natural preocupação, se os que estão reformados mas dentro das condições de idade que estão apropriadas, não têm razões para temer que não se encontre assim tão longe a altura em que os dinheiros reservados para esse efeito não termine e que não seja absolutamente imperioso tomar medidas drástica que levem a diminuições de valores e até - quem pode garantir o contrário? - ao fim de tal disposição.
É certo que, perante o grande volume de desempregados que circulam por aí, não é possível encontrar trabalho para esses a quem foi atribuída a reforma antes da idade regular, pelo que não existe saída para uma situação que pode vir a constituir um verdadeiro dilema. E assim ficamos a contemplar o problema.
Apesar de muitas mortes provocadas por epidemias que aparecem sem aviso, como agora esta denominada H1V1 ou gripe A, não obstante as doenças prolongadas que continuam, por esse mundo fora, a extinguir milhares e até milhões de vidas, por outro lado, as idades, antes consideradas avançadas, agora já se situam longe de chegar perto do fim, pelo que a população humana quase triplicou desde que, há cerca de cinquenta anos, no final da Guerra Mundial, encontrando-se então na casa dos dois mil milhões, anda em redor dos seis mil milhões.
Devemos reflectir sobre esta realidade. Tentar antever o que se passará no nosso Planeta daqui a outros cinquenta anos. E preparar os que têm probabilidades de cá se encontrarem nessa altura, para que tenham condições para enfrentar o que for se deparará ao Homem.
No que a nós diz respeito, os que circulamos e cumprimos a nossa obrigação de seres vivos, já temos bastante com que nos preocupar…

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A GULA

Querer tudo de uma vez
e ter medo que se acabe
não aceitar o talvez
de haver alguém que se gabe
de comer tudo
não deixando depois nada
do petisco saboroso
p’ra sorver uma garfada
do que estava apetitoso
ficar pançudo

Isso dos olhos comerem
põe bastante gente fula
faz os gulosos temerem
não satisfazer a gula
grande defeito
a temperança por si
é da gula o contrário
o guloso só se ri
nem chama a isso calvário
bom proveito

HÁ VARA NOS TRIBUNAIS?



QUANDO no meu blogue de ontem confessava que me encontrava “farto de isto tudo”, queria dizer que o espectáculo que o mundo oferece e, particularmente, a agonia que tem de se sentir ao analisarmos aquilo que ocorre pelo nosso País, sobretudo nas áreas da política, da economia e, de forma particular, no que se refere ao sector social, fazendo esforço para arredar da minha disposição esse enjoo, cada dia que passa ainda mais serve para avolumar as razões que levam a não conseguir perder essa estado de espírito. E não é possível distrair tal situação com a euforia futebolística que tem tentado distrair a população no caso do jogo com a Bósnia que, no momento em que redijo este texto, ainda não sei quem vai sair vencedor, mas não será por aí que a Nação fica mais feliz, ainda que, sem dúvida, a nossa malta se mantenha atenta a um encontro que sempre provoca alguma dose de optimismo no capítulo do chamado apelo patriótico.
Deixemos, porém, este factor transitório e prestemos atenção ao que foi motivo para uma notícia trazida a público sobre o homem que se encontra nesta altura nas páginas dos jornais. E, enquanto noutro espaço do mesmo periódico, se pode tomar conhecimento de que, no nosso País, se perdem 488 empregos por dia e que o número total já atingiu a casa dos 550 mil desempregados, é referida uma situação que, no mínimo, só pode ser considerada escandalosa: é que o total de ordenados e acumulações de todas as espécies que Armando Vara auferia no momento em que desempenhava as funções de administrador da Caixa Geral de Depósitos foi de 240 mil euros anuais.
Não importa excessivamente saber se o ex-governante esteve ou não envolvido no denominado caso do “Face Oculta”. Isso diz respeito às autoridades judiciárias. Mas o que não pode deixar de constituir um insulto à pobreza nacional, aos desempregados, aos que arrastam enormes dificuldades – e é a maior dia população -, a diferença abissal entre os felizardos e os cidadãos comuns, por muito mérito que possam ter os que, vindo das berças sem nada sobem na vida, e não se sabendo se, neste capítulo, é este um caso de mérito, por muito que se queira encontrar motivos para situações deste tipo que ocorrem na nossa Terra e precisamente nesta ocasião tão difícil para a esmagadora da maioria dos cidadãos lusitanos, não se pode ficar indiferente e sentir uma revolta quanto ao mau uso da Democracia e da luta pela igualdade possível entre todos os portugueses.
Não, não venham com essa do comunismo, que por lá também existiam desigualdades… e de que maneira! O que se tem de clamar é pelo esforço que deve estar presente na actuação dos governantes, no sentido de que não se observem poucas vergonhas desta tipo, sobretudo porque os exageros revoltantes que se verificam, a maior parte tem origem em lugares em empresas em que o Estado tem interferência, directa ou indirecta.
Então, não tenho de andar farto desta trampa toda?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

PERSEVERANÇA

Essa enorme qualidade
de querer chegar ao certo
não importa com que idade
esteja ela longe ou perto
se chama perseverança
parecida à teimosia
se precisa confiança
e mostra boa valia
pois s’aos outros fizer bem
dará certa esperança
de poder ir mais além
com sua perseverança

É preciso confiança
na’strada que se percorre
se ela vem de criança
é coisa que nunca morre
é crime grave tirar
e forçar a desistir
os que no seu caminhar
se propunham conseguir
ao contrário de uns tantos
que desistem à partida
é caso para festança
se se dá grande acolhida
à maior perseverança




FARTINHO...



ANDO FARTO disto tudo. Mas se deixo de me interessar pelo que se passa no meu País, que razão me assiste para poder criticar o que considero estar errado e que não pode passar em branco, pois, como cidadão, me assiste o direito de querer que os homens que tudo fazem para se encontrar na ribalta política e com isso ganharem bem a vida (ao contrário do que pretendem fazer crer que é por puro patriotismo) cumpram com o mínimo de seriedade e eficiência o lugar em que se encontram e que tudo fazem para que outros não o ocupem – vide a “guerra” que existe até dentro do mesmo partido, em que se enxovalham o mais que podem para limpar a concorrência - , repito, se paro com estes meus blogues quem fica a ganhar são aqueles que estão a usufruir das múltiplas benesses que são atribuídas a tais criaturas. E não venham dizer que há uns tantos que tinham maiores proventos noutras actividades, porque o que sucede é que, por meio da política, são conseguidas inúmeras negociatas, quanto mais não seja por via das influências que os contactos privilegiados proporcionam.
É natural, pois, que, tendo sofrido as consequências, como jornalista e autor, no antigo regime, chegue a esta altura e assista ao que ocorre com o maior desconsolo e chegue à conclusão de que os regimes políticos são todos óptimos ou péssimos, dependendo apenas da qualidade dos homens, da sua honestidade e do cumprimento de uma ética de vida que nada tenha a ver com o benefício próprio, que é, afinal, o que é corrente na prática dos que sobem na escadaria do poder.
Por aqui me fico hoje. Vou incluindo as minhas poesias, que essas, feitas sem qualquer presunção e com ausência absoluta de ganhos, servem, pelo menos, para expandir as angústias que circulam no mais fundo do meu ser.



terça-feira, 17 de novembro de 2009

CIRCUNSTÃNCIAS

Há aqueles que na vida acreditam
que a sina é que comanda o destino
o qual já se encontra bem traçado
ainda antes de se ser menino
dizia filósofo espanhol
sem ter de usar qualquer arrogância
que todo aquele que goza do sol
está sujeito a toda a circunstância

Assim, as circunstâncias e o homem
atravessam em conjunto este mundo
e por muito que não queiram que tomem
a atenção perde-se num segundo
e o facto de um passo dado então
cria a circunstância do acidente
podia ser em outra ocasião
mas foi ali e com esse existente

Também ficar rico assim de chofre
só porque comprou o número certo
passar a utilizar sempre o cofre
e não sentir já de dinheiro aperto
foi ou não foi essa tal circunstância
de ter então comprado a cautela
quando raramente tinha tal ânsia
e não sabe por que lhe deu aquela

Ortega y Gasset foi autor da tese
de que o homem e as circunstâncias
não é princípio que alguém despreze
e por muito que goze de abundâncias
não vive isolado do que à volta
lhe proporciona bem e mal
pois que mesmo dispondo de escolta
não difere de um qualquer mortal

O que há então que esperar com ânsias
é que a vida a nós nos gratifique
com a melhor de boas circunstâncias
que tal sorte de todo modifique
o que depois nos pode suceder
que as doenças por longe lá andem
que o trabalho tenha bom correr
e que todos malefícios desandem

EXPROPRIADOS


EU POR MIM sei os esforços que faço para encaminhar as minhas meditações escritas no sentido de valorizar as características positivas do nosso País e do povo que somos e temos sido. Mas se tais desejos não são encontrados, só me resta uma de duas coisas: ou não escrever nada ou fazer sair o que considero ser literariamente (ou jornalisticamente se for nessa condição) da forma mais honesta possível. Preciso de referir, de vez em quando, esta situação para me salvaguardar das críticas que, felizmente, recebo, o que é sinal de que o meu blogue é seguido ainda por um público com opinião.
Pois bem, o que hoje quero salientar é um caso que, tendo ocorrido na época em que Marcelo Caetano foi primeiro-ministro, serve de mostra de que o comportamento das forças políticas antes do 25 de Abril, em certos aspectos não se diferenciava muito do que ocorre agora, neste período da Democracia. E é pena.
Acontece que, em 1974, quando ainda não tinha ocorrido a Revolução, pouco tempo antes, o Gabinete da Área de Sines, então criado concretamente para expropriar cerca de 50 mil hectares de terrenos cultivados naquela zona, com o pretexto de ser dada execução a um projecto da construção do porto de Sines. Com o nome de “vendas amigáveis”, 210 proprietários das referidas terras viram-se corridos dos seus terrenos, ficando abandonadas os milhares de sobreiros, eucaliptos e olivais, os quais, grande parte ainda se encontra por aproveitar, com prejuízo para o Estado português.
No Governo de Cavaco Silva, em 1988, extinto o GAS, as terras em questão foram entregues à Direcção-Geral dos Recursos Florestais e às Câmaras de Silves e de Santiago de Cacém, mas nada foi feito no sentido de aproveitamento de toda a riqueza em cortiça que ali jazia abandonada. Durante todo este tempo sucedeu o abandono da área de uma grande parte de habitantes, ficando apenas a gente idosa. A mata cresceu de forma perigosa e ninguém cuida de dar caminho ao que foi alvo de medidas que não são capazes de encontrar solução para o problema.
Nesta altura, a Direcção-Geral das Florestas detém a maior parte dos terrenos, bem como os referidos Municípios, e nada nem ninguém surge a pegar num assunto tão escaldante.
Que resta então? Pois, com a entrada em vigor do XVIII Executivo, e com um ministro da Agricultura que não é o anterior – pelo menos nisso ganhou-se alguma coisa: esperança – renasceram as esperanças que andam há muito adormecidas. Pode ser que seja desta vez, 35 anos depois da primeira asneira levada a cabo pelo antigo regime, também tempo passado sobre os vários responsáveis no período democrático, alguém seja capaz de pegar o touro pelos cornos e não faça vista grossa sobre o que é uma vergonha de todo o tamanho e a prova de que, em qualquer situação política, os governantes portugueses não têm competência, coragem ou seja lá o que for, para fazerem alguma coisa de útil ao País a que pertencemos.
Está explicado o princípio deste texto, em que faço referência à dificuldade com que me debato frequentemente para não fazer crítica não positiva ao que somos, nós portugueses, em todas as classes sociais a que pertencemos. Mas, sobretudo, aos que se situam no chamado poder.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

SUBIR

P’ro alto queremos ir
subir, subir sem parar
é preciso conseguir
mesmo que possa cansar

Tod’as escadas da vida
se se sobem sem batota
não precisam de corrida
marcam certinha uma rota

Se porém nessa subida
nem sempre bem se proceda
rápida será descida
e até sucede a queda

Cuidado pois n’ascenção
a ver onde põe os pés
é bom olhar para o chão
sem te esqueceres quem tu és

Um corrimão sempre ajuda
o conselho de um amigo
haver alguém que acuda
e nos livre dum perigo

Quem somos nós p’ra subir
querendo ir aos extremos?
Temos que saber medir
mesmo o pouco que sabemos

Mas, porém, os que se arriscam
a subir sem as prudências
alguma coisa petiscam
mas sofrem consequências

Ir d’empregado a patrão
tem vantagens, isso tem
o pior é que então
sobem encargos também

Há que medir bem os passos
não aspirar impossível
só assim se criam laços
e a obra é visível

Porém, quem não corre o risco
não passa da cepa torta
nunca alcança o petisco
não lhe bate nem à porta

Em que ficamos então
vale a pena que se tente?
Ou a melhor sugestão
é permanecer temente

Cada um tem o seu caso
não há a regra geral
não se trata de ter prazo
o que importa é o final

Depois de muito subir
de tentar a nossa sorte
ninguém consegue fugir
de descer até à morte





DO MAL O MENOR...




JÁ NÃO é novidade nenhuma que a corrupção se instalou, nos mais diversos níveis, no nosso País. E não é um comportamento exclusivo dos nossos dias, pois desde tempos bastante recuados que isso de passar o envelope por debaixo da mesa é atitude que sempre correspondeu à necessidade de se conseguir um emprego, de passar num exame, de ganhar um concurso público, de obter a aprovação de um projecto, de convencer um fiscal de qualquer coisa a fechar os olhos a uma irregularidade. Enfim, nesta Terra onde, sobretudo por causa das inúmeras burocracias que fazem as delícias de imensos serviços públicos e que, em muitos casos, só conseguem retardar as resoluções, uma das maneiras de se poder fazer qualquer coisa de positivo é utilizar o dinheirinho por fora, beneficiando umas vezes funcionários de segunda ordem e noutras ocasiões até fulanos posicionados em lugares de destaque. Provavelmente, desde o tempo de Afonso Henriques que os lusitanos, no País então inventado, descobriram que não havia só que vencer os mouros e corrê-los daqui para fora, pois além das armas era necessário recorrer ao saquinho das pesadas moedas para conseguir “convencer” uns tantos teimosos a abrir as portas ao caminho que havia a percorrer.
Mas, enfrentando agora o que ocorre nos nossos dias, de facto, ou porque a coisa se tornou já tão corriqueira que não há porquê escondê-la ou devido ao facto de ter toda a gente ficado já farta de ver os desavergonhados ricos que se pavoneiam com exibições repentinas de milhões que conseguem extorquir por processos que o sistema até dá a impressão que protege, a verdade é que tem de exigir que a Justiça, apesar de ser aquela que temos, faça alguma coisa para pôr cobro a tantos sucessivos casos de corrupção.
Já perdemos a conta às situações que se encontram ainda por solucionar através das vias legais, pois que umas fazem esquecer as anteriores e a sucessão de dinheiros a circular por carreiros obscuros levam a que no fixemos nos mais recentes e deixemos de pensar nos anteriores. Este caso do sucateiro, que se encontra nesta altura debaixo de olho público, ninguém sabe durante quanto tempo andará nas páginas dos jornais e que mereçam das televisões o privilégio da saliência. Vamos ver até onde se manterá esta situação.
Porém, há que, em minha opinião, fazer um sublinhado na personalidade do, até agora, único participante no caso denominado “Face Oculta” e já detido, o empresário de sucata Manuel Godinho, o qual, segundo veio a lume, é considerado em Ovar uma pessoa de grande generosidade, pois são bastantes as situações em que deu provas do seu sentimento de ajuda dos alheios, ao ponto de ser chamado naquela terra como o “padrinho dos pobres”.
Enriqueceu imenso, dizem, apesar de ser filho de sucateiro que não passou nunca de uma relativa modéstia. Mas, através do seu trabalho e, provavelmente, dos métodos que o levaram a posicionar-se na situação que forçou a Justiça a intervir, sendo um corruptor que teve a “arte” de convencer personalidades importantes a posicionarem-se como “corruptados” - coitadinhos deles -, o que, em meu entender, o distingue de muitos e muitos que levaram uma vida a obter benefícios chorudos com o seu procedimento e andam por aí a pavonear-se, em diferentes áreas empresariais e mesmo políticas, como gente honesta é precisamente a característica de que deu mostras Manuel Godinho de não querer só para si os benefícios de que usufruiu.
Perante tantos glutões que ignoram as faltas dos outros, perdoem-me mas tenho de tirar o meu chapéu a uma excepção!

domingo, 15 de novembro de 2009

NEM SEMPRE

Nem sempre temos a disposição
para dedicar todo o carinho
que deve merecer com atenção
com o que deparamos no caminho

E nem sempre temos bastante tempo
que chegue para fazer um afago
surge por vezes algum contra-tempo
que só pode deixar grande estrago

Ser amigo, nem sempre, do amigo
é condição que se impõe a todos
quem não o for merece um castigo
alguma coisa que magoe a rodos

Cumprir sempre com as obrigações
em vez de nem sempre ter tal cuidado
mesmo que existam certas razões
a maior não está do nosso lado

Pois é, nem sempre estamos felizes
tristeza invade nosso espaço
toda a vida nós somos aprendizes
custa-nos a livrar do embaraço

Mas, o nem sempre não é passageiro
muitas vezes chega e se arruma
saca daquele seu ar de matreiro
e ao falar das gentes se acostuma




COMUNISMO E CAPITALISMO



QUEM não tem complexos em se referir e em analisar os dois tipos de governação que, de uma forma generalizada, em dada altura dividiram o mundo em duas partes, para lá e para cá do “Muro”, e, com conhecimento objectivo de ambas as situações, se encontra na posição de emitir a sua opinião, se não quiser defender facciosamente uma das facções como sendo a que, indiscutivelmente, merece a sua preferência e, numa posição contrária, aceita os pontos de vista da parte que se situa no outro lado das preferências, quem assim proceder encontra, admito eu, algumas dificuldades em dar exclusivamente a razão a uma das duas partes.
Quer dizer, o comportamento comunista ou mesmo socialista radical, enquanto foi seguido nos países que se submeteram à orientação soviética, permitiu que as populações que estavam englobadas naquela política, em muitos casos, se sentisse satisfeita com o sistema. Como não conheciam com exactidão o que ocorria nos chamados países do Ocidente, e dado que a propaganda que lhes era oferecida nas suas zonas não permitia elogios ao que deste lado se passava, a opinião generalizada era bastante negativa quanto ao regime vivido neste lado.
Digo isto com conhecimento de causa e não apenas por ter ouvido dizer. Eu, que estive várias vezes, mas alturas mais severas do domínio soviético, em diferentes países sob o domínio político ali implantado e até dormi, numa ocasião, em casa de um casal jovem de professores universitário, em Budapeste (em plena subjugação de Moscovo), com um bebé de berço, pude avaliar a disposição que residia naquele exemplo que não me foi imposto, porque fui eu que escolhi a opção do convívio. E, ao trocarmos conhecimento das condições de vida nas duas situações, deparei, em certa altura, que, mesmo os intelectuais dessa área não entendia as vantagens, por exemplo, de existirem inúmeras ofertas de diversas marcas, cheiros, preços, tamanhos de um determinado artigo (por exemplo, sabonetes), quando o consumo se resumia a um só. E por aí adiante…
Numa visita a Portugal de um director de um diário, membro do Partido Comunista, que jantou em minha casa, foi grande a admiração demonstrada por termos, como qualquer outra pessoa, uma mobília de uma boa madeira. E, após a apreciação de uns vinhos nacionais, confessou-se entristecido por não ter tido autorização de ser acompanhado pela sua mulher, mas, de uma forma geral, os jornalista que saíam tinham de viajar sozinhos.
Bem, isto passou-se naquela época atrasada em que o Muro ali se encontrava a dividir a Alemanha, muro esse que, como eu já escrevi neste blogue, eu passei em Berlim, depois de um demorado estudo do meu passaporte.
Mas, depois desta descrição toda, vale a pena sustermo-nos numa apreciação do que é este mundo do livre mercado. E analisarmos que não temos a saúde toda defendida, a educação gratuita se merecermos esse apoio, a atribuição de residência, embora com sujeição ao compromisso do número de filhos, o emprego garantido com remuneração mínima, mas com almoço no trabalho, espera de anos para adquirir um frigorífico, uma televisão ou uma rádio, mas com preços de saldo. Não temos deste lado nada disso. Mas temos, isso sim, a liberdade plena de nos revoltarmos contra o que consideramos ser ataques à cidadania.
Não pretendo ir a fundo em ambas as situações. Apenas desejo alertar os leitores para uma reflexão sobre ambas as posições políticas. E talvez chegar à conclusão de que o Homem não conseguiu ainda encontrar a maneira ideal de se governar, de conduzir a vida em quase total harmonia e com a felicidade política plena.
Já dizia Churchill que a Democracia era a menos má das políticas. Quer isto dizer, segundo o velho britânico, que não existe situação que possa ser considerada como isenta de defeitos. Para quê, portanto, escolher?

sábado, 14 de novembro de 2009

SOBERBA

Ser-se com outros pedante
querendo sobressair
nada faz com que adiante
ao contrário só faz rir
presunçosos
a soberba é grotesca
é prova de ruindade
é defeito que se pesca
onde não há humildade
orgulhosos

Normalmente os que sabem
não mostram qualquer vaidade
conscientes que não cabem
seja qual for a idade
o saber
São os muito ignorantes
que presumem de saber
dão mostra de arrogantes
para toda a gente ver
para esquecer

O mal é que o mundo aceita
os que arrotam pescadas
os que formam uma seita
e dizem coisas erradas
sem sentido
mas a soberba assusta
impõe-se aos temerosos
e até sendo injusta
adapta-se aos mais pirosos
humildade


FISCAIS - FISCALIZAM?



COMO é que nos admiramos de sermos um povo desobediente, amigo de não cumprir com as regras mínimas de convivência, sempre a faltar às obrigações mais elementares e quase sempre por simples comodidade e falta de vontade em obedecer a princípios que nem sequer são muito difíceis de executar?
Então, no que diz respeito aos condutores de automóveis são inúmeras as falhas que estes praticam de uma forma geral, começando pelo aparcar em qualquer sítio, sobre os passeios, em segunda fila, a interromper o trânsito, quando bastaria dar uma pequena volta ou esperar um pouco para não causar incómodo aos outros, mas é sobretudo em condução que, por se encontrarem envolvidos pela carcaça da viatura, os indivíduos se julgam donos do mundo e aí dão mostras do egoísmo, da sobranceria e da prepotência que o ser humano traz dentro de si e que procura com esforço não mostrar publicamente.
Há países onde os serviços de correcção das faltas de bom comportamento das populações, as polícias, para se ser mais claro, não se distraem e cumprem o seu dever aplicando as coimas aos que resistem em aceitar o que está estabelecido para todos. Na Suíça, por exemplo, onde vive um povo que, por nós, é considerado muito “chato”, especialmente por respeitar escrupulosamente os horários, um carro que permanece num local público mais do que dois dias, proporciona que logo apareçam as denúncias dos vizinhos que fazem com que o mesmo seja rebocado para parque apropriado. Por cá, o espectáculo de se assistir à exposição da velhas carcaças que vão apodrecendo nas ruas, essa exposição tem a sua graça.
Os portugueses, embora não gozem de felicidade a mais, pelo menos fazem o gosto ao dedo, isto é, contrariam o que os que mandam lhes impõem. E, até para isso, as instituições jurídicas, os parlamentos e as forças que têm a seu cargo o estabelecer as legislações, quando as redigem deixam sempre uma possibilidade de se jogar com a sua interpretação, o que quer dizer que as leis podem frequentemente ser ludibriadas e os advogados servem exactamente para isso, para dar a volta e encontrar uma escapatória que liberta os prevaricadores do cumprimento de penas.
Já não digo que seria bom que, em Portugal, fossemos rigorosos cumpridores de regras que, por serem escrupulosamente cumpridas, não deixariam margem ao nosso lusitânico hábito de usar a sua tão pândega improvisação, não assistindo assim às animadas falhas, sobretudo na área da construção, seja de uma simples casinha ou de um complicado túnel, com a maçador cumprimento de prazos e de custos, pois que o aumento para o dobro do que estava previsto dá sempre jeito a muita gente. Igualmente, na área das fiscalizações de toda a ordem, incluindo, evidentemente, as que competem aos Municípios, o rigor, que seria o fim das corrupções dos fiscais, dos que fecham os olhos constantemente para os construtores poderem estabelecer as suas próprias regras, então isso teria alguma graça?
Deixem-nos continuar a ser como somos. Não avançamos em nada no capítulo do progresso em todas as áreas, mas isso de sermos um povo que ama a perfeição, que adora não cometer faltas, que se deleita a puxar pela cabeça para encontrar maneiras de contornar as leis, isso, embora possa compensar bastante a pobreza e o atraso em que vivemos, é uma maçada que ninguém gosta de ter de suportar.
É o que pensa muita gente. E desde o tempo do Afonso Henriques. Não se julgue que é só de agora!...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

PACIÊNCIA


Sem ela não se consegue
atravessar existência
p’a ter uma vida alegre
é preciso paciência
mesmo muita
tê-la sempre bem presente
e não perder o controlo
porque muito que se sente
provocará grande dolo
dor fortuita
O contrário de tal dom
é, bem sabemos, a ira
isso não é de bom tom
não há ninguém que a prefira
é irritante
conseguir aguentar
é algo que tem ciência
obriga muito a pensar
recorrer à paciência
que brilhante
Alcançar ser paciente
com aquilo que irrita
transforma ateu num crente
destrói a vida aflita
milagre é
mal sofre quem não atinge
defesa do irritante
se não é verdade finge
tê-la em dose bastante
mesmo ao pé

A ira só causa dano
sem dar razão a quem tem
é como sujar um pano
sem proveito p’ra ninguém
paciência
o melhor é não ligar
aos que só fúria provocam
é passar e não parar
sem choros e sem lamúrias

EDUCAÇÃO



NÃO sou eu que o digo sem bases para o poder afirmar. É o que os observadores atentos, aqueles que não têm medo em apontar os nossos erros sendo também portugueses, e são as informações que chegam de fora, provenientes de estudos feitos por atentos observadores. Trata-se do nível de instrução dos nossos juvenis, comparativamente com o que ocorre em muitos países, mesmo daqueles que se situam em zonas onde até há bem pouco tempo era um regime de força que imperava. Refiro-me aos países chamados de Leste, como também se verifica o mesmo, por exemplo em Cuba. É triste chegar a esta conclusão, mas não vale a pena esconder a verdade se queremos emendar a tempo um dos problemas de Portugal que, a médio prazo, vai ser bem evidente e as consequências não podem, por isso, ser animadoras.
Temos a coragem ou não de nos convencermos de que os estudantes que saem das escolas, quer das secundárias quer ainda das superiores, de uma forma geral – havendo que reconhecer as excepções -, não se situam, ao nível dos conhecimentos, na craveira do que ocorre na Europa comunitária. O ensino que ocorre por cá não tem contribuído para que os alunos obtenham o proveito absoluto que tanto necessário é para que o desenvolvimento em todas as áreas se produza como é fundamental para a saída do estado paralisado em que nos encontramos.
A “guerra” criada entre o Ministério da Educação e a Fenprof, as greves, as lutas dos professores e a ex-ministra, as teimosias de um e de outro lado, tudo isso acrescendo um sistema que está completamente ultrapassado, como o de não serem levadas em conta as faltas às aulas, que sempre foi uma prioridade nas escolas, todas as situações que não se conseguiram rectificar contribuíram para se ter chegado ao ponto em que nos encontramos hoje.
E, para além do confronto que se estabeleceu no que se refere à avaliação dos professores, prova que necessita ser feita para evitar que existam profissionais mal preparados num sector em que a exigência tem de ser a maior, para que os alunos não sejam colocados na vida prática com deficiência de aprendizagem, ultrapassando essa fase que não tem razão para se arrastar ano atrás de ano, o que importa é rever com perfeita consciência e bom senso todo o sistema de ensino, e se, épocas passadas, de uma forma geral não se saia dos centros escolares com défice de aprendizagem.
Não é elogiar o que ocorria antes só por saudosismo, mas seria bom que se encarasse a realidade e se avaliasse se não á verdade que os mais velhos de hoje, os que estudaram, não aprenderam mais nessa altura do que hoje a rapaziada sabe.
Bastava esse exercício e não ter preconceitos. Mesmo com a maldita Mocidade Portuguesa e classes que não faziam falta nenhuma, só passavam de ano os que sabiam e os que não faltavam às aulas. Já não era pouco.
Nesta altura, uma vez mais, uma luz pode aparecer no fundo do túnel português: a actuação da nova Ministra da Educação. Há que esperar para ver se alguma coisa melhora no panorama. Também, se não, nem vale a pena gastarmos lágrimas!...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

MUROS DA FÉ



AGORA, que se fala tanto do muro de Berlim porque se comemorou o aniversário da sua queda (e espero que tenham lido, a tempo, neste meu blogue, o texto que escrevi em 27 de Outubro, antes pois da data nesta altura tão referida), é altura apropriada para o mundo se dar conta de que existem ainda três muros levantados que dividem populações desta parte norte do mundo. São eles o da Irlanda do Norte, do Chipre e de Israel.
Tratam-se de separações que pretendem marcar as distâncias entre religiões diferentes, e que, devido aos confrontos armados que têm tido lugar por tal motivo, forçaram a que uma das partes – ou até as duas simultaneamente – erguesse uma divisória suficientemente alta e forte que impeça o contacto entre as populações separadas. Logo, no arredo de amigos, famílias e interesses económicos.
Na verdade, parece inconcebível que, numa época em que se procura estabelecer comunidades, agrupar interesses, conviver para fazer frente às dificuldades que têm vindo a aumentar e que, até com a chamada crise económica, mais justifica que exista uma entreajuda dos vários participantes em vez das costas voltadas, seja precisamente com este panorama que se assista à manutenção de muros.
O mais incompreensível ainda é que se apontam, justificando esse tal desencontro, as diferenças religiosas, sobretudo no Chipre e na Irlanda do Norte, como se fosse muito difícil conciliar formas diferentes de seguir as crenças que cada grupo acolhe e pratica entre si. Já que, no que se refere a Israel e aos palestinos o afastamento tem como base um ódio mais profundo que põe frente-a-frente dois comportamentos que assentam em factos históricos com milhares de anos, também eles com origem numa crença religiosa. E daí vem o conflito que assenta no direito à posse da terra onde estão instalados dois países.
Também há que referir o que ocorre no que se refere às duas Coreia, a do Norte e a do Sul, e aí a diferenciação assenta exclusivamente nas orientações políticas seguidas por cada um desses países. Sendo que a divisão se situa no tão falado paralelo 38 (que, por sinal eu já visitei como jornalista e escrevi na altura sobre o caso), de ambos os lados se encontram as forças militares antagónicas, ainda que um número apreciável de militares americanos esteja colocado na parte sul, como que a prevenir contra o apetite de uma disputa entre ambos os pólos. E assim se conserva até que um dia, sobretudo na Coreia do Norte, se assista à substituição do sistema fundamentalista que já terminou até na China e que na Rússia sofreu um enorme amolecimento, para que um entendimento leve, sobretudo aos sul-coreanos, uma diminuição assinalável da pobreza.
Todos os muros que o Mundo insiste em manter são a demonstração plena de que o Homem não dá mostras de ser capaz de terminar com as separações e seguir o conselho de que a união faz a força.
Mas não podem ser muitas as esperanças numa mudança de comportamento. O egoísmo e a petulância política de que o meu sistema é melhor do que o teu fazem com que o entendimento não se mostra fácil. A não ser que a crise que grassa provoque um desejo de saída da situação através dos apoios que se recebam dos vizinhos. A fome aguça o engenho, diz-se, e o tempo que já ocorreu desde que se iniciou este período difícil para todo o mundo já deveria ter aberto os olhos aos que têm os muros a separá-los.
Mas parece que, até agora, não bastou…




quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ONDAS BENDITAS

As ondas da vida
com baixos e altos
única saída
causam sobressaltos
não é só no mar
que ela se encontram
por aí a andar
também se defrontam
e bem violentas
causam muita moça
enormes tormentas
pancada da grossa
se no mar se furam
já aqui na terra
o que elas procuram
é ser como a serra
o corpo retalham
deixam-no marcado
até esmigalham
causam desagrado
sem nenhuma ira
não é de estranhar
que por mim prefira
as ondas do mar






ÍDOLOS



DIGAM lá o que disserem, com todos os seus defeitos a televisão sempre proporciona fazer-se uma análise do que somos, nós portugueses, sobretudo quando se procura ouvir opiniões de rua ou são organizados concursos que desafiam os espectadores a concorrer e aí têm de mostrar a sua validade, sejam com perguntas que representam pontos ou se efectua o desafio de darem mostras de capacidades específicas, como é a de cantar, que é a que trata o tema a que vou referir.
Antes disso, porém, ainda não deixo escapar as avaliações que um programa da manhã faz nos passantes ocasionais e que se refere, especificamente, a saberes da língua portuguesa. E aí se constata como são pobres os conhecimentos que possuímos no que respeita à nossa própria fala e à respectiva escrita. Uma vergonha!
Mas quero chamar agora a atenção para um concurso que tem dado muito que falar e que tem como objectivo encontrar o que chamam de “Ídolo”, ou seja um jovem, parece que com o limite de idade dos 27 anos, que faça prova de que tem capacidade de aparecer a público a cantar no estilo “pop”.
Foram milhares os concorrentes que se submeteram ao juízo de quatro especialistas, segundo dizem, tendo, ao cabo de vários dias inteiros de julgamentos, sido apurados os considerados em condições de se sujeitarem ao segundo escrutínio. Isso fica para mais tarde. Pois o que importa, nesta altura, é termos a capacidade de reflectir sobre o triste espectáculo que foi dado aos espectadores televisivos, não só no que diz respeito à inconsciência da valia da maioria esmagadora dos participantes, mas sobretudo no capítulo do seu aspecto geral, da sua apresentação, do vestuário, dos modos de oratória.
A ideia com que se fica face ao espectáculo que foi proporcionado aos seguidores dos programas televisivos é a de que não podemos ficar satisfeitos com os chamados homens de amanhã, dado que foram em tão grande número os que se aprontaram para pretenderem ser “ídolos” e foi tão censurável a sua apresentação que não nos resta outra alternativa que não seja temermos pelo Portugal de amanhã, o que está mesmo aí à porta e que necessita de contar com cidadãos capazes de resolver os enormes berbicachos que a geração actual vai deixar.
Já não digo que a falta de consciência no que diz respeito às capacidades de virem a exercer bem a arte do canto, por muito “pop” que ele seja, seja assim tão grave, pois muita gente, mesmo crescida, não tem a noção do pouco valor que lhe cabe em determinadas actuações, sobretudo nas artísticas. Mas, sabendo que iam apresentar-se perante as câmaras televisivas, logo para serem vistos por milhões de espectadores e não terem cuidado no mínimo de roupagem que não escandalizasse, pelo desleixo, quem os observasse, essa atitude dá mostras de que a juventude anda convencida de que os que não apreciam os seus gostos e as suas preferências é que precisam de recauchutagem, que estão ultrapassados e têm de ser postos de lado.
Pobres “ídolos” estes que se preparam para entrar na luta da vida. Mas, como não podem ser excluídos da possibilidade de virem a ser eles os que cá ficam, quem sabe se não existe a hipótese de lhes caber a missão difícil de apagar a luz e de fechar a porta… E isso talvez contribua para os chamar à realidade.
Como gostaria que estas palavras não tivessem o mais pequeno sentido!