terça-feira, 30 de junho de 2009

OPÇÕES


Não me posso esquivar a comentar sempre que ocorrem quaisquer obras na nossa cidade de Lisboa ou quando, pelo contrário, não se avança com trabalhos que estão à vista de todos que têm de ser levados a cabo com urgência, com bom senso e com competência. Por isso, uso este espaço para me referir agora aos trabalhos que estão a prosseguir no Terreiro do Paço e em que o presidente da Câmara Municipal da cidade parece estar a usar todo o seu empenho.
Quem me acompanha, desde sempre, nos escritos que produzo respeitantes à nossa capital sabe que todas as actuações que têm como objectivo introduzir alterações em Lisboa, no capítulo da sua melhoria – e quando isso não sucede, também intervenho -, sabe perfeitamente que uma das minhas preocupações jornalísticas se tem pautado por forçar a que a beleza da nossa cidade seja aproveitada ao máximo e que a tristeza implantada na ruas, sobretudo a partir dos fins de tarde e em particular na chamada “Baixa”, esse aspecto tão desagradável e que espanta os turistas que nos visitam seja alterado.
Pois bem, não quero pronunciar-me ainda sobre se as mudanças que estão a produzir-se na Praça do Comércio são as mais adequadas ou não. Guardo essa apreciação para quando estiver concluída a obra que ali se faz. Mas, no plano geral das finanças públicas e ao ter recebido agora mesmo a notícia televisiva de que as esquadras da polícia de Lisboa estão desguarnecidas de viaturas para acudir às chamadas urgentes que os cidadãos fazem, o que me ocorre é, mais uma vez, uma questão de prioridades. E nisso, haveria que existir uma concordância entre o Município e o Governo, pois que se trata, como acontece frequentemente, de um problema de opções.
Quando tanto se apregoam obras públicas de custos monstruosos, em que o endividamento sobretudo ao estrangeiro é a única forma de se fazer face a tamanhos encargos – por muito que eles sejam precisos, mas a seu tempo -, isso da segurança dos cidadãos e do cumprimento das obrigações que cabem à polícia assegurar não poder ser cumprida, tem forçosamente que criar nos portugueses uma atitude de indignação.
E é só isto que me ocorre dizer no capítulo das obras no Terreiro do Paço e na falta de tanta coisa que se situa no campo das urgências.
A linda praça junto ao Tejo, que tanto agrada aos alfacinhas, apesar de, a partir das 20 horas, se encontrar deserta, merece e precisa de arranjos. Não há dúvidas quanto a isso. Mas não se poderia ter começado por outra coisa? Bem sei que aquilo dá mais nas vistas e sempre estamos
à porta de eleições municipais!...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O MUNDO DE AMANHÃ


São já várias as preocupações que são trazidas ao conhecimento dos habitantes da Terra e que dizem respeito ao futuro que espera a nossa Esfera, a quaL, na maioria dos casos, não É nada animadora.
Isso do aquecimento global já não constitui novidade e, pelos vistos, já todos se conformaram com a ideia de que os espaços dos dois pólos estão a diminuir a uma velocidade tal que não deixa dúvidas a ninguém que, dentro de algum tempo, os icebergs desaparecerão e a subida da água do mar ameaça reduzir a dimensão da área terrestre. Mas, se esse fenómeno ainda levará algum tempo até constituir uma preocupação apavorante para os habitantes no nosso Planeta, já a mudança das temperaturas que surgem nas diferentes estações do ano e conforme a respectiva posição geográfica, lá isso, que representa na nossa vivência actual o sentir de alguma diferença em relação ao que sucedia tempos recentes atrás, tem de provocar uma preocupação bem nítida para os cidadãos que vivem nesta altura.
Mas, o que não é ainda tão notado pela população mundial, pelo menos na dimensão exacta do que representa este facto, é o crescimento acelerado do número de habitantes que já estão instalados em diferentes pontos globais, com especial incidência para a Europa, em que a fluência de naturais de outras zonas vai criando uma acumulação de gente que, dentro de algum tempo, e que não será até muito, faz com que os residentes neste Continente se acotovelem de tal maneira que não ficará espaço para uma vida sem aquela competitividade aflitiva que torna o vizinho um inimigo que se odeia, em lugar de constituir um complemento da labuta do dia-a-dia.
Existe ainda espaço bastante nos interiores dos países, nas zonas menos invadidas? De facto há. Mas, o natural é que as populações procurem defender-se, deslocando-se para os sítios com maiores condições naturais, económicas e educacionais que lhes facilite a sobrevivência.
O crescimento desmesurado da população do Planeta já está a ser apontado por cientistas que se dedicam a estudar este fenómeno, alegando que isso não será fácil evitar. Uma organização inglesa, denominada Optimum Population Trust, já alertou para a necessidade do controlo do aumento populacional de todo o mundo, pois que os sete biliões que já enchem o espaço estão em vias de criar problemas de respiração, de fome, de sede e de um viver aceitável, pois que este número que já é sete vezes superior ao registado há dois séculos e que cresce anualmente cerca de 78 milhões, se não for controlado, chegará em 2050 ao número assustador de 9 mil milhões. No entanto, no que respeita aos cidadãos europeus de origem, verifica-se uma contenção de natalidade que se ajusta à necessidade de não aumentar incontrolavelmente o número de habitantes, mas, com as imigrações desmedidas de populações oriundas de zonas onde esta preocupação não se verifica, o que resulta daí é que, num espaço de tempo que está muito bem definido, aquilo que se definia por característica típicas dos europeus vai desaparecer e as cores das peles alteram-se completamente. Não haverá perigo por esse efeito, mas trata-se de uma mudança que estatisticamente será levada em conta.
Quem cá estiver que tome as medidas que forem possíveis e até pode ser que a água seja substituída por algum produto químico e as receitas culinárias se alterem por completo, ao ponto de não fazerem falta os espaços terrestres e marítimos para serem cultivados alimentos, criados gados e encontrados peixes que, no tempo actual, são a base da nossa vivência.
Qual poderá ser a solução para este grave problema que se vai apresentar aos futuros habitantes? Se calhar, na altura já se poderão optar, como alimentos, produtos servidos como receitas médicas. Uma pastilhinha de bacalhau com batatas e uns pós de bife com batatas fritas. Grandes banquetes!…

domingo, 28 de junho de 2009

MANIFESTO E CONTRA MANIFESTO


Só quem não os conhece a quase todos é que fica na dúvida quanto a isso de uns tantos se terem reunido para apresentar um abaixo-assinado contra os investimentos vultosos por parte do Estado e, logo a seguir, surgirem mais uns quantos a apresentar a sua opinião exactamente contrária. É evidente que expressar pontos de vista é um direito que cabe aos cidadãos quando se vive em regime democrático. E ninguém tem nada que se inquietar perante opiniões divulgadas com pompa e circunstância, como se costuma dizer agora, como também se é livre de fazer comentários, especialmente se, como é o caso, se descortina, de entre os nomes de ambas as partes, figuras que, tempos atrás, davam mostras de não seguir as linhas políticas que abraçam nesta altura, antes pelo contrário.
Nesta altura já não nos admiramos que, desde 1974, se depare com saltitões políticos que, quando parece haver conveniência, passam de uma opção partidária para outra e isso ocorre geralmente em favor dos grupos que se encontram mais bem situados no plano governativo. E o PS, que conquistou o poder há quatro anos, tem, naturalmente, sido, até esta altura, o mais beneficiado com as mudanças. São vários os exemplos que podiam ser aqui apontados, mas, como é sabido, não gosto de usar este meu blogue para fazer acusações que podem parecer perseguições seja a quem for. No entanto, dada a minha caminhada no meio jornalístico, é natural que, não tendo perdido a memória, tenha de fazer algum esforço para não trazer a lume certos casos que não consigo arredar do cerebelo.
Só acrescento algumas palavras no que diz respeito ao problema de fundo que divide os dois manifestos: é que, tanto de um lado como de outro, existem razões para serem levadas em conta as opiniões suportadas, ou seja, não é admissível que não se executem mais obras públicas, aquelas que são suportadas pelo Orçamento do Estado; mas o que sim é preciso ter bem presente é que há que usar opções bem discutidas e, sobretudo, não deixar para os vindouros dívidas que, nos anos que aí vêm, poderão constituir encargos impossíveis de cumprir.
Portanto, o que eu quero deixar expresso é que, pelos vistos, faz falta um terceiro auper-manifesto, este deixando bem claro aquilo que o Governo actual e o que vier a seguir, se se verificar uma mudança, em que se expresse aquilo que deve constituir uma preocupação do poder, quais as opções que não podem ficar a aguardar por futuras decisões, já que a mão-de-obra nacional disponível tem de ser ajudada a sair do desemprego e as empresas precisam de ser estimuladas. Mas sempre fazendo bem as contas, estudando impecavelmente os projectos, sendo exigentes com as datas de finalização de cada obra, e, acima de tudo, responsabilizando exemplarmente as incompetências e as falcatruas que se verificam para encaminhar dinheiros sujos para os bolsos dos sem-vergonha.
Isto quer dizer que, quase seguramente, vai surgir mais um grupo de manifestantes que, de acordo com os responsáveis do próximo Executivo, após as eleições legislativas, assim como as seguintes, as autárquicas, ambas já definidas as datas, apresentarão propostas e opiniões que se adaptem melhor ao espírito partidário que se situar mais bem colocado. É inevitável.
Mas, por mais que faça para disfarçar, a verdade é que, ao contemplar alguns nomes de ambos os subscritores dos dois manifestos, não posso deixar de me revoltar. Há lá cada menino que já passou por tudo e por todas as tendências políticas. Que rica Democracia, que permite tantas aldrabices!...

sábado, 27 de junho de 2009

RONALDINHO



Vou ser curto e grosso. Não é necessário alongar-me demasiado no texto a seguir para dar expressão ao que me vai na alma no que se refere a uma notícia que anda a encher os jornais e que, se me coubesse ainda a mim dirigir um órgão de Informação, evitaria que se ocupasse demasiado espaço com tal assunto.
Cá vai então o que pretendo tratar, mesmo de raspão, no meu desabafo de hoje: trata-se do escandaloso dinheiro que Cristiano Ronaldo ganha e, mais do que isso, sobretudo como ele o gasta.
Cada pessoa tem todo o direito de progredir na vida e de se fazer pagar o melhor que conseguir. Desde que sejam utilizados os meios rigorosamente legais, que os seus méritos sejam a razão base para justificar aquilo com que o mercado entende dever contribuir, se até pode proporcionar que outros usufruam simultaneamente da sua participação na sociedade, cobrando também a sua parte, numa palavra, se um indivíduo, através da raridade e da qualidade da sua actuação, é considerado como uma peça pouco igualável na sociedade humana, é evidente que tudo isso lhe proporciona a vantagem de elevar o mais que é possível a fasquia da sua notoriedade.
Isso é uma coisa, agora, que a Imprensa, não se contendo em resguardar o que não é notícia que valha a pena ser divulgada com tanto espavento, como seja a forma como o futebolista gasta a sua vasta riqueza, dando mostras de enorme desperdício, de um esbanjamento imoral e de afronta aos que se arrastam por aí à mingua de emprego e, por isso, com meios mínimos de sobrevivência, tal atitude é que me condói e me obriga a pensar que a actividade jornalística, se não tem hoje regras, já as teve tempos atrás. Mas tudo muda nesta vida!
Deixo uma palavra a Cristiano Ronaldo, mesmo que ele a não leia, como é mais do que certo! Claro que o próprio não tem culpa daquilo que divulgam acerca dele e do caminho que percorre. Poderia ser um pouco mais discreto no capítulo das casas que compra e que aluga e nos carros que estão ao seu dispo e que constantemente troca por outros. Lá isso podia. Mas há que não perder de vista que o rapaz teve uma infância pouco abundante de meios, quer de fundos quer de outra ordem, e isso explica muita coisa Também, toda aquela gente, da família e não só, que o rodeia, poderia ser mais cautelosa no capítulo do exibicionismo e retrair-se mais, não dando oportunidade que os “paparazzi” e outros se regalassem com os pontos fracos que conseguem obter para publicar nos órgãos que lhos compram.
Mas, seja como for, o jogador tão disputado pelo interesse mediático, não é o culpado maior do que ocorre. Até pode ser que ele veja o seu ego ser transportado a alturas que nunca imaginou que subissem a esse ponto e se sinta, por isso, como o melhor do mundo e considerando que os outros têm obrigação de o venerar.
Mas seria bom que algum amigo o protegesse. É que nunca se sabe qual será o dia de amanhã e já não é o primeiro jogador de futebol que conseguiu gozar de prazeres exagerados enquanto foi novo, mas que, quando chegou à idade de ser posto de lado, aí, por não ter sabido gerir com prudência os enormes dinheiros ganhos, encontrou-se, de repente, numa penúria onde, nessa altura, os seus antigos amigos desapareceram todos!...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

EUROPA


Essa Europa de que tanto se fala
e de que muitos querem fazer parte
não encontrou ainda o caminho,
anda confusa,
anda perdida,
está a gastar tempo,
está a correr o risco de ficar pelo caminho.
A Europa das Nações é um sonho,
ter um objectivo comum
uma Constituição para todos,
um governo geral,
uma moeda igual – que já tem,
com línguas diferentes
costumes desiguais
bandeiras distintas
regiões autónomas,
conseguir tal objectivo, não é fácil.
E porquê,
se todos desejam fazer parte do grupo?
A resposta é simples:
é que a Europa é constituída por seres humanos,
também ela
como o resto do mundo
e é por isso que o entendimento,
a comunhão de ideias
e de interesses,
a capacidade de não exigir o comando,
o desprezar interesses pessoais,
o atender ao bem geral,
tudo isso falta ao Homem.
Querer ser o chefe,
o que manda,
desejar a melhor parte
é isso que destrói as comunidades,
é por aí que se partem as uniões.
A Europa chegou até onde está,
conseguirá avançar mais um pouco?
Mas quando?
E por quanto?
Até que ponto resistirá às discordâncias?
Ficará num mito?
Abdicarão os homens do muito mal pelo pouco bom?
E as regiões que, por essa Europa,
lutam por independência
estão a passar de moda?
Já eram?
Que isso de querer ser dono da sua rua
deixou de ter razão de ser?
Pois não parece…

E a emigração de que este Continente
está a ser alvo?
Os milhões de populações não europeias
que já entraram
e os milhões que virão a caminho,
instalando-se
tendo filhos,
muitos,
o dobro,
o triplo,
o quádruplo
dos naturais da Europa,
que mudança já provoca
e muito provocará
ainda mais
nos hábitos, costumes, língua,
cor da pele
na tradição europeia?
Daqui a cinquenta anos
quem cá estiver
e os que venham a ocupar
as terras europeias,
Paris,
Londres,
Madrid,
Berlim
todas as grandes cidades
deste Continente,
não encontrará nada igual ao que existe hoje.
Os adivinhos
que tenham a capacidade de ler no futuro
que desvendem esse mistério.
Talvez seja preferível, agora,
não saber…

Contemplando os homens de hoje
não será inevitável fazer
um exercício de reflexão
cauteloso?
E a pergunta impõe-se:
Como é possível existir uma Europa
com este material humano?
Essa Europa do todos por um
e do um por todos,
que vem nos livros
e se coloca nas bandeiras dos clubes
é uma forma de actuar
à moda antiga,
Porque a realidade de hoje é outra.
Afinal podemos ter esperança?
Será melhor persistir na Europa
ideal,
unida,
sonhada para ser eficiente,
capaz de juntar vontades,
interesses,
forças?

Deixo aqui a pergunta
esta e todas
e sei que há duas respostas,
antagónicas,
contrárias.
Uns, os crentes por natureza,
acreditam no êxito,
têm fé que os homens
encontrem o bom senso.
Outros, nos quais me incluo,
perderam a esperança.
Andamos a enrolar o tempo,
assistiremos aos altos e baixos,
aos avanços e aos recuos,
às reuniões,
aos banquetes
às discussões,
aos abraços,
às viagens para um e para outro lado,
aos discursos inflamados,
aos processos de intenções,
aos amuos,
aos sorrisos forçados,
às fotografias de grupo
todos em bicos de pés,
mas não passará disso,
ficará sempre nisso…

Europa unida,
em bloco
toda igual,
vivendo todos bem, os europeus?

Que sonho mais lindo!

CONFUNDIDO


Inegavelmente confundido no que diz respeito à escolha que me cabe fazer nas próximas eleições, em que os portugueses têm o dever de pensar seriamente nas preferências que vão assumir em duas eleições que ainda faltam, no que se refere a esse dever de apontar os responsáveis camarários e, acima de todas as outras opções, quanto aos governantes que poderão vir a assumir a condução política de Portugal, repito, seriamente preocupado com a obrigação de ter de depositar os meus votos nas urnas, com o intento de errar o menos possível, com o tempo que vai faltando para enfrentar essa melindrosa acção, cada vez me encontro mais distante de ser capaz de acreditar que esse meu gesto irá ser o mais adequado.
É que, em cada zona que se situa na área abrangida pelos votos, com o tempo que vai avançando deparo sucessivamente com erros, falta de profissionalismo, ausência de bom senso, exibições de vaidades caricatas, gastos consentidos em todo o País e por determinação de diferentes poderes, mesmo locais, e em situações que não se podem considerar como inadiáveis, ausência de atribuições bem estudadas, a todos os níveis, de responsáveis, pois que se continuam a esconder as faltas dos culpados directos em cumprir mal as suas obrigações, teimosias em manter determinações equivocadas, mesmo que sejam audíveis as reclamações populacionais que já não escondem o seu descontentamento de Norte a Sul do País, tudo isso contribui para provocar a minha hesitação em depositar a minha escolha neste ou naquele partido. É que, no que respeita às Oposições, também as dúvidas me assaltam. Vamos a ver se, até ao dia decisivo, surgem propostas concretas, mesmo que se saiba, de antemão, que bastante do que se diz antes passa a não ter valor mais tarde.
O Presidente da República entendeu, e bem, ouvir os partidos mais salientes para conhecer se as duas eleições que restam se efectuarão num dia ou em dois separados. Nesta altura em que escrevo este texto estão a realizar-se os encontros em Belém, para apurar a decisão final. E já é conhecido que só em 12 de Agosto é que Cavaco Silva dá a conhecer o que entende que seja feito. Eu, por mim, optava pela economia de meios e de esforço dos eleitores, sobretudo numa época em que a praia é a maior contribuinte para o desvio de eleitores. Isto é, juntar tudo num só dia.
Enfim, chegámos a um momento em que a confiança se encontra completamente diluída, sobretudo porque a esperança não pode ser excessiva, sobretudo quando é cada vez maior o número de privilegiados que são, os que auferem pagamentos de ordenados e de reformas que são inadmissíveis num País afogado em dívidas, como é o nosso. E essa gente também é oriunda de grupos partidários que já estiveram em Executivos anteriores. Têm experiência disso.
O que é de recear é que, exactamente por este motivo, as massas não venham a mostrar grande entusiasmo em se deslocar aos pontos da votação e esse é o grande perigo, porque as abstenções podem resultar num panorama posterior de ingovernabilidade que é, por sinal, o que os escolhidos até preferirão, dado que as condições actuais e as mais graves que ainda se aproximam podem servir de desculpa para a falência de um País que se arrisca a bater no fundo e a não ser capaz de voltar à superfície.
É que, para tentar pôr de pé o que se encontra doente com remédio escasso para salvamento, pode-se, apesar de tudo, esperar que algumas falhas perigosas em que nos meteram sejam solucionadas, por exemplo que a Justiça consiga vir a desempenhar o seu papel com absoluta justeza em todos os seus aspectos e que terminem, de vez, as demoras e as soluções revoltantes que têm marcado a actuação dos Tribunais. Será um passo positivo, se bem que não chegue para pôr em ordem todo o conjunto de maleitas que nos invadiram.
Passarão as escolas, especialmente as primárias (e continuo a chamar-lhes desta maneira, porque isso dos ciclos não melhorou em nada o ensino), a colocar nos estudos secundários os rapazes e raparigas devidamente preparados, como sucedia no tempo das gerações de há 40 e 50 anos, sobretudo quando o que seria necessário, nesta altura precisa que atravessamos, era ensiná-los com convicção como se deve praticar a Democracia?
Seremos capazes de resolver à distância problemas de enorme urgência, como é o da falta de médicos por todo o País, sobretudo no interior, deixando, como se encontra, a população mais carenciada desprotegida de saúde, mesmo que seja, por agora, com a contratação de técnicos estrangeiros, já que não se foi capaz de prever durante anos a fio que havia que tomar as medidas essenciais na Faculdade de Medicina?
Conseguiremos caminhar seguramente para a diminuição progressiva do desemprego que grassa já a níveis de transformar a população nacional em pedintes que não conseguem sobreviver com a situação de miséria em que se encontra?
Acabarão as falências sucessivas que se vêem por toda a parte de tantas empresas grandes, mas igualmente de pequenas e médias?
Haverá esperanças de que iremos assistir a um corpo governamental de confiança, formado por políticos, para além de honestos, sobretudo competentes? Sim, isso mesmo: competentes!...
Chegará algum dia um Parlamento cuja composição não seja formada por elementos que só ali se situam para garantir uma reforma confortável e passar uma temporada a descansar em bons cadeirões e a fazer telefonemas e a entreterem-se no computador, nos intervalos em que não fazem a sua soneca, deixando os que ali estão para isso, a atacar de viva voz, mas sem resultados práticos, os adversários de partido?
Será que o Governo que vier a tomar posse não insistirá na loucura de endividar ainda mais Portugal com obras transcendentais que, por muito úteis que venham a ser no futuro, também deixarão os cidadãos de amanhã com encargos muito difíceis de liquidar?
Mas quanto ainda mais poderia aqui deixar neste texto, no capítulo da dificuldade em fazer a cruz nos boletins de voto com o mínimo de consciência que se tratou do mal menor. Mas a verdade é que os portugueses, precisamente por se estar a atravessar um período de muito difíceis, quase impossíveis, soluções, é que todos os portugueses devem analisar bem as suas consciências e não ficar em casa à espera que outros façam por si o que lhes compete. Que é votar!
Temos todos de tomar consciência de que o que corre enorme perigo, tanto por cá como noutros países onde já se começaram a verificar desacatos populares, é a própria Democracia. E a História já nos ensinou, mesmo no corpo de alguns, como custa estar-se sujeito a uma Ditadura…

quinta-feira, 25 de junho de 2009

CAMPO DE OURIQUE

É neste bairro de Campo d’Ourique
Nesta Lisboa que já foi alegre
Que mais apetece pedir que fique
E se não é d’aqui que se integre

Ruas planas e gente agradável
Lojas vistosas, também populares
Andar às voltas é até saudável
E há ainda quem tome bons ares

Mas tudo muda nesta Capital
Os mais velhos notam a diferença
E vai-se perdendo a tradição

O que se pode esperar, afinal,
De uma vida que é toda tensa
Onde a cabeça mata o coração?

MUDANÇA




Mas qual mudança, qual carapuça! Aquele José Sócrates continua na mesma, convencido de que ele é que sabe e que todos os que não concordam é que estão enganados. E o resto é pura conversa!...
Persistindo em aparecer, em que os seus modos, os seus gestos, com as mãos a fortalecerem as afirmações, e a consistência nas aprovações dos actos do seu Governo, em nada mudaram, essa mística que correu para aí de que o primeiro-ministro teria adoptado uma nova faceta, dando mostras de humildade e de arrependimento pelo modo como se comportou ao longo da legislatura que está próximo de terminar, tal falácia não passou de um desejo dos que ainda mantém alguma esperança de que uma reviravolta se tinha operado na cabeça daquela personalidade.
Mas não parece muito fácil que um vaidoso, um totalmente convencido que o seu caminho é sempre o certo, por muito que um acontecimento venha quebrar um pouco essa teimosia, não é normal que um indivíduo com tais característica seja capaz de se contemplar com tranquilidade e, de moto próprio, se auto-convença que necessita de alterar o seu estilo e de, nem que seja apenas para dar mostras no exterior, tentar convencer que não é exactamente o mesmo que se mostrava antes.
O inesperado - pelo menos para ele - resultado nas eleições europeias e a necessidade de reconhecer publicamente que o PS tinha dado mostras de uma quebra de força no ambiente nacional, apesar dessa circunstância, a verdade é que não foi suficiente para levar Sócrates a tomar as medidas que se impunham para tentar recuperar uma parte importante desse eleitorado. E uma das atitudes seria a de empreender acções que dessem bem nas vistas, sendo uma delas a de mudar espectacularmente de estilo nas discursatas que tanto gosta de fazer, a torto e a direito, sempre com o propósito único de se bajular a si e ao que fez o seu Executivo.
A outra medida que poderia ser levada a cabo – se bem que, há que reconhecê-lo, acarretasse uma enorme dose de dificuldades entre elas a de não encontrar substitutos, a tão pouco tempo de distância de não haver a certeza de o mesmo Executivo venha a repetir a sua actuação -, um outro gesto de grande importância eleitoralista seria a de substituir ou anunciar a substituição nesta altura, dos ministros que maior desagrado provocaram no decorrer da suas actuação. E esta teria de ser também uma medida em extremo de causa, mas quando as previsões não são muito optimistas, se Sócrates não estivesse tão convencido de que vai conseguir ultrapassar a prova a que se vai sujeitar, certamente que daria tal passo, fossem quais fossem as dificuldades e as consequências. Pelo menos admito a possibilidade.
Depois da entrevista concedida por Manuela Ferreira Leite à SIC, em que o estilo utilizado permitiu a possibilidade de comparar com a forma usada por Sócrates, independentemente de a situação do País poder vir a melhorar ou não, após essa demonstração e sem interferir na opinião qualquer influência de tipo partidário, tenho muitas dúvidas de que a opção pública não comece a deteriorar-se em relação ao secretário-geral do Partido Socialista. Parece-me evidente, mas até ao lavar dos cestos…
E quando me arrisco a dar mostras desta minha opinião, é porque estou convencido de que a oportunidade política de José Sócrates está a terminar talvez definitivamente, caso não consiga recuperar da derrocada que ele não preveria. É que, dentro do próprio P.S., já não poderá ser assim tão grande o apoio que poderá vir a obter, dado o desconsolo que é constatado um pouco à voz baixa.
Tenho pena de ter chegado a esta conclusão, mas, realmente, quem fecha os ouvidos e os olhos ao que já não pode ser escondido, como é o caso do que venho apontando, é porque, pelo menos esta impressão já não se consegue disfarçar: a de que Sócrates está a ensaiar o seu suicídio político.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

CANTAR

Cantar, cantar
é melhor que falar
sem dizer nada.
Cantar ao amor,
cantar de cor
com fervor
ou com humor.
Cantar à felicidade,
cantar à amizade,
cansar de tanto cantar,
não parar.

Cantar à esperança
no futuro,
trespassar o muro
do obscuro.
Cantar à poesia,
à fantasia,
à paz no mundo,
ao mar sem fundo,
à beleza
da Natureza.

Cantar até faltar o ar,
em qualquer lugar
sob o Sol a escaldar
ou com chuva a fustigar.
Cantar de pé,
olaré,
ou sentado,
sem enfado.
Cantar sempre muito
com o intuito
de expandir a alma
e dar voz a Talma
do teatro, sim senhor,
um autor
exemplar
para ver, ouvir,
sentir
… e cantar !

AUTOEUROPA


Bem sabemos que nestas coisas em que são chamados a intervir sindicato, estes, por sua vez, sujeitos a orientações políticas que advêm de radicalismos que nem sempre garantem defender melhor os interesses dos cidadãos que vivem do seu trabalho, em tais situações não é garantido que sejam encontradas as saídas mais convenientes nos desencontros que surgem com as empresas respectivas.
Este caso tornado público do conflito dentro da Autoeuropa, em que, alegando razões de economia de gastos com o pessoal, a construtora internacional de automóveis situada na outra banda de Lisboa, que até à data pagava o dobro do salário aos funcionários que exerciam a sua actividade aos sábados, propôs que esses mesmos trabalhadores passassem a receber o que paga todos os dias da semana, ou seja o ordenado singelo. E, como contrapartida desta medida, garantiu que não dispensaria, num prazo alargado, um número apreciável de colaboradoresa (cerca de 250) que ali se encontram em regime de trabalho provisório.
Abstenho-me de comentar esta proposta, pois prefiro pôr-me no lugar de um dos muitos trabalhadores que se reuniram em assembleia para decidir se aceitavam ou não a referida alternativa. É evidente que, situando-me no número dos que não se encontravam contratados a termo pré-estabelecido, teria que avaliar se me cabia o direito de pôr em causa a estabilidade desses colegas. E, nestas circunstâncias, nem hesitava em contribuir para que o seu problema ficasse solucionado.
O que ocorreu, no entanto? Da referida assembleia de trabalhadores saiu que havia que discutir com firmeza a decisão superior da administração da Autoeuropa, pois não foi encarada de ânimo leve a proposta de não continuar a ser pago em dobro o trabalho aos sábados. Isso, quando rumores que chegavam, provavelmente com o apoio das altas esferas empresariais na Alemanha, eram de que havia que tomar todas as precauções para evitar que a empresa em Portugal acabasse por ter fechar as portas e, nesse caso, não seriam duzentos e tal a ir para rua, mas umas centenas largas, ou seja a totalidade dos que ali exercem funções.
Dizem as notícias que este diferendo recorre de posições contrárias tomadas pela UGT e a UGTP, esta última colocando-se numa postura radical, o que aliás é seu costume de não atender às conveniências directas daqueles que têm os seus empregos em risco, preferindo actuar levada por princípios políticos que, mesmo merecendo alguma consideração, nem sempre atendem a esse princípio básico de que mais vale ceder alguma coisa do que perder tudo.
Se empresas internacionais, que tanto benefício oferecem ao nosso País, não só pela ocupação de muita mão-de-obra nacional, mas também pelas divisas que as suas exportações ocasionam, não são acarinhadas dentro das possibilidades que lhe podem ser conferidas, ainda que obtenham favoritismos superiores aos que recebem as portuguesas, o risco que se corre e que tem vindo a ser observado já com transferências de sociedades que fazem as malas e partem para outros países, é que continue a verificar-se essa fuga.
Há que pensar bem nisto, por muito que nos revolte a necessidade da nossa cedência…

terça-feira, 23 de junho de 2009

CARTAZES DE RUA




Claro que quem ocupa lugares de mando por via das eleições está ligado a um partido político e, por via disso, não toma medidas que, um dia, podem vir a prejudicar o seu grupo, não se dispõe a meter a mão em situações que lhe podem incomodar mais tarde. Esta será a única explicação que pode ser encontrada quanto a determinadas medidas que deviam ser tomadas e não constam das actuações desses mesmos mandões nas alturas em que têm a faca e o queijo na mão.
Vem esta reflexão a propósito dos inúmeros cartazes relativos às últimas eleições, as europeias, e que se mantêm em exibição espalhados por tudo que é sítio. Os responsáveis partidários por tal propaganda, depois dos respectivos actos terem ocorrido há já um certo tempo, não se preocupam em mandar retirar o que constitui uma afronta visual, talvez admitindo que, mesmo fora de prazo, continua a fazer alarde de pessoas e de organizações políticas que sempre desejam alardear. Mas, a verdade é que as leis fazem-se para serem cumpridas e, sobretudo no que diz respeito aos municípios, teriam de ser estes a aplicar coimas pesadas aos responsáveis partidários que não procedessem à limpeza total de toda a agressão visual que é feita num período que terá a sua justificação.
Mas, repito, os responsáveis pelo cumprimento das regras democráticas neste particular, pelo facto de, alguns, terem beneficiado dessa propaganda ou, mesmo não tendo sido assim, por fazerem parte de um partido que, nessa ou noutra ocasião, utiliza os meios publicitários por tudo que é sítio e sem pagarem a ocupação do espaço, não se esforçam por ser rigorosos em tal cumprimento, pois nunca se sabe se amanhã não lhes caberá a eles serem os propagandeados e quanto mais tempo estiverem as suas fotos expostas mais popularidades lhes é facultada.
É assim o ser humano e não há Democracia que resista à acção do Homem, pois todo esse produto, que os crentes afirmam ser fruto da mão de Deus, tem forçosamente o seu íntimo comandado por sentimentos que procuram sempre abonar em seu favor.
Daí assistirmos, a cada passo, a atitudes, acções, comportamentos que nos deixam a interrogar os motivos que levam este ou aquele a enveredar por determinado caminho. Da mesma forma que será natural que os outros se espantem quando nós actuamos de determinada maneira, sendo mais natural que tivéssemos escolhida outra via. Somos todos o tal produto e, com Democracia ou sem ela, temos dificuldade em praticar o que menos agride os outros e, se calhar, quando o fazemos somos apelidados de ingénuos, quando não nos aplicam outra classificação mais agressiva.
Enquanto houver Homens, será sempre assim…

segunda-feira, 22 de junho de 2009

CERTEZAS

Mas que bom é ter certezas
e nunca se enganar
é para dissimular
muitas de outras fraquezas

Não se pode acreditar
em quem se julga perfeito
porque um ser sem defeito
deve ser de agoniar

Por pequenina que seja
qualquer saída da norma
é ser-se de qualquer forma
alguém que às vezes graceja

Mas são assim os sisudos
e por certo convencidos
têm de ser atrevidos
e estar muito tempo mudos

Reconheço erros meus
não me deixo equivocar
estou-me sempre a enganar
tal qual sucede a Deus

Quando aceita homens desses
que se julgam infalíveis
o Criador baixa os níveis
e não ouve bem as preces

Ainda bem, eu cá digo
que as dúvidas não me deixam
como disso alguns se queixam
não será pois um castigo

Antes dúvida aparece
para ajudar a saber mais
em abrir novos canais
e é prova do interesse

Gente, pois, só com certezas
e a isso um dom chamam
estão nos que as não proclamam
e não entendem as defesas

NAMOROS



Agora, que estamos já em pleno Verão e em que o calor surgiu em sua plenitude, não existindo, na maior parte dos portugueses correntes, uma preocupação de tipo político, como seja a responsabilidade de ter de ir votar nos próximos dias e, mesmo que tal houvesse, o que chama mais a atenção são casos do tipo Cristiano Ronaldo, onde está, o que faz e com quem namora, a camada populacional que dá nas vistas, por este ou por aquele motivo mesmo que não seja de grande valor a razão, interessa-se sobremaneira sobre temas que, para quem coloca em segundo plano os problemas que têm forçosamente que assustar Portugal, por se tratarem de imagens do que acontece já hoje mas, sobretudo, do que ocorrerá num futuro, próximo ou mais distante, com consequências que, mesmo que previsíveis, o optimismo de muitos não deixa que os apoquentem, essa camada de cidadãos dedica a sua atenção a situações que, só através de análises de peritos psiquiátricos, poderão ser entendidos profundamente.
Eu explico. Talvez numa atitude que se pode considerar, no meu caso, de punição própria, uma espécie de masoquismo, resolvi, neste fim de semana, fornecer-me de umas tantas publicações, semanais e diárias, que se ocupam dos amores e desamores de umas tantas figuras de jovens e nem por isso que, no mercado que lhes é oferecido, beijam, namoram, desnamoram casam, descasam, pertencem agora a uns e umas que já andaram com outros e outras, que se falam ou estão de relações cortadas, que vaio de férias juntos para aqui e para ali, enfim, uma série de consideradas “notícias” que, vistas bem as coisas, até têm consumo e conseguem vender papel…
E o mais curioso é que, na maioria das situações, nem eu e até quem está ao meu redor e até acompanha mais estes problemas conhecemos os indivíduos, eles e elas, que vêm referidos em tais ditos noticiários. E, quando são acompanhados de fotografias, elas, sobretudo elas, aparecem retratadas, quase sempre, ou em fatos bonitos de se verem ou, melhor ainda, em corpos bem exibidos com a menor roupa possível.
Numa rápida passagem por essas publicações que, pelos vistos se vendem bem, apanhei os seguintes títulos: “Carla Matadinhio deu o primeiro beijo aos 13 anos”, “Patrícia Tavares foi madrinha de casamento de Simão e Zé Pedro declarou-se à ex-mulher de Sousa Tavares”, “Mário Esteves andou com Cinha depois de se ter envolvido com Elsa Raposo”, “Depois do casamento com Penim, Clara de Sousa namorou com Ricardo Oliveira e André Marques”, “Isabel Figueira casou com César Peixoto, que hoje namora com Diana Chaves”, “Antes de casar com Fernanda Serrano, ex-de Terruta, Pedro Miguel Ramos casou-se com Bárbara guimarães, que hoje é casada com Miguel Maria Carrilhe”, “Marta Leite Castro tem uma filha de Leonel Vieira, o ex- de Mafalda Pinto”. E mais, muito mais que não cabe aqui neste espaço, nem vale a pena referir porque não estou a dar nenhuma novidade a ninguém.
É evidente que não fere em nada os meus escrúpulos tomar conhecimento das aproximações e do voltar de costas que ocorrem por aí. Esta é a vida que hoje se leva e cada um sabe de si. Agora, o meu espírito jornalístico, aquele que eu considero o autêntico nesta profissão, é que me deixa perplexo. Então estes casos, assim tão vulgares, são, de facto, notícia? Quando antes se dizia na classe que, se o cão mordesse o homem, não havia que noticiar, agora se era o homem que mordesse o cão, então sim já se justificava ocupar um espaço na publicação a que se estava vinculado, quando era assim antes não posso deixar de me inquietar quando andam por aí tantos assuntos que acabam por morrer por falta de interesse dos jornalistas e se perde tanto tempo com mesquinhezes…
Por estes dias referir-me-ei à situação Casa Pita, que se arrasta desde 2003 e também ao que está a acontecer agora no Irão. Ou será que isso são acontecimentos menores?...

domingo, 21 de junho de 2009

DIZER MAL


Eu tive sempre uma grande preocupação durante a minha longa actividade jornalística, sobretudo depois da Revolução, pois antes lá estava a Censura para aplicar o seu lápis vermelho, em não referir demasiado explicitamente as faltas de figuras públicas, especialmente até as políticas, para dar margem às defesas próprias a que têm direito os visados, se bem que, como também tenho afirmado, quem se apronta para sobressair no quadro que se encontra, fica disponível para sofrer as consequências das opiniões diversas e não se pode queixar se existem pontos de vista que não são os que os próprios gostariam de receber. Mas, em todo o caso, há sempre que deixar uma margem e não ir ao fundo em ataques, sobretudo se se trata apenas de uma opinião pessoal ou se, nos casos de acusações mais directas, não existem entretanto provas irredutíveis daquilo que se afirma.
Está neste caso e no que se refere ao meu blogue, a situação conhecida por Freeport, pois, enquanto não existir uma acusação fundamentada em relação a José Sócrates, não me julgo capacitado para assumir esse papel de julgador pois tenho de me colocar na minha posição que é a de comentador. Assim procedi enquanto tive a responsabilidade de dirigir órgãos de informação e sempre exigi dos jornalistas sob minha responsabilidade que não utilizassem a sua opinião pessoal e a sua tendência política para redigirem os seus textos e conduzirem entrevistas.
Nos tempos que correm verifica-se, no que se refere a alguns jornalistas, um vago cumprimento desta regra que, quando comecei há cerca de 50 anos, me foi incutida por mestres que marcaram pela sua passagem na carreira tão difícil e que é essa de transmitir notícias e conhecimentos de uns para outros. E isso sem faltar à verdade, por muito que custe aos profissionais, por terem a tentação de informar que as coisas correm de outra maneira.
Este um desabafo que vem a calhar numa altura em que acabaram de se realizar umas eleições e caminhamos para outras ocasiões em que se vão defrontar, de novo, partidos políticos que são mais do agrado uns do que outros.
Impõe-se grande sentido de independência e cumprimento escrupuloso dos princípios democráticos, não só aos oficiais da informação mas também a todos os cidadãos, pois que estes só têm a ganhar se, depois de 35 anos de prática deste tipo político, derem algumas mostras de que não nos encontramos assim tão distantes do que a Europa necessita com urgência e em que cada País deve fazer os seus próprios esforços para contribuir no sentido de fortalecer a maneira livre de actuar no Continente.
O ideal nem sempre se consegue na vida. E, independentemente de gostos políticos, para uma Nação que tem de defrontar problema complicados, é sempre preferível que o Governo que teve a responsabilidade de conduzir um País, se se portou bem, isto é, se o seu saldo tiver sido positivo, que esse conjunto se mantenha, para conseguir concretizar o que se considera ser o menos mau. Mas não foi o caso que ocorreu connosco, temos que concordar, o seu Chefe não soube entender o que são prioridades e não soube ouvir as opiniões dos outros, mesmo os que pertencem a grupos políticos diferentes e, por isso, neste momento, o mais natural é que sofra as consequências de tal atitude.
Ele não perde muito, para além do ordenado de primeiro-ministro (isso se não tiver já, debaixo de olho, assim como os membros do seu Executivo, lugares chorudos à espera). Mas, se houver quwe encontrar novo Governo, é Portugal que tem de voltar ao princípio, ou seja estudar tudo de novo e a sofrer os custos que isso implica.
Mas sempre é preferível isso, do que continuar-se na má direcção.

sábado, 20 de junho de 2009

BOMBA ATÓMICA


As notícias não eram inesperadas. Há já bastante tempo, anos até, que países que conseguiram obter os elementos e a fórmula para construir armas atómicas, isso devido à passagem de cientistas da então União Soviética para outras nações que lhes deram guarida, constituíam uma ameaça mundial pelo indevido uso diabólico de pequenas nações, mas com meios financeiros poderosos, graças alguns à produção própria de petróleo, e outros por serem geridos por loucos e ambiciosos ditadores políticos.
Que se saiba com rigor, dois países têm feito lançamentos de bombas que são portadoras desse perigoso elemento atómico, aprofundando as experiências e, dessa forma, mostrando a todo o mundo que não têm que temer em relação às ameaças que já lhes foram dirigidas mesmo como potências dominadoras nessa área, como são os casos dos Estados Unidos da América e da Rússia actual. O Irão e a Coreia do Norte fazem até gala em não desmentir que dominam essa área. Por outro lado, Israel, se bem que não faça dessa posse um elemento assustador, prestam por seu lado um elemento de garantia de que, se vierem a ser atacados por tal via, possuem forma de ripostar com a mesma moeda. E todos sabem que os judeus não brincam em serviço e que, no capítulo do domínio das armas mais modernas e mais destruidoras, os seus cientistas não têm estado na posição de contempladores.
Que quer dizer isto? Que, se por qualquer atitude de loucura e de irresponsabilidade que possa ser iniciada por um desses pequenos países, um dos ditadores de qualquer de tais “sítios” resolver, num impulso de mau génio, carregar no botão que devem ter preparado, desenrola-se de seguida uma guerra atómica, cujas consequências não podem ser avaliadas com antecipação. Poderá ser o fim do mundo.
Esta minha preocupação não é apenas de hoje. Já há muitos anos, pelo nosso calendário antes mesmo da nossa Revolução, escrevi uma peça de teatro que foi até premiada e que tem o nome de “E a Terra, indiferente, continua rodando”. A então detentora da exploração do nosso Teatro Nacional de D. Maria II, D. Amélia Rey Colaço, quis colocá-la em cena, mas a censura da época não o permitiu. É que o tema da peça aborda uma guerra atómica mundial, com a destruição por toda a parte. Tendo ficado somente, por ter construído um albergue subterrâneo em condições, um cientista, de nome Adam e a sua secretária, chamada Eve, ao terem saído à luz do dia deparam-se com um mundo vazio do ser humano.
Conto isto porque, como guardo nos meus baús muita papelada que vou aumentando de conteúdo, pode ser que um dia apareça quer mostrada por mim quer por quem cá estiver depois da minha partida. Por agora, limito-me a continuar a dedicar-me à escrita, prosa e poesia, e a alguma pintura em acrílico, que não faz qualquer inveja aos génios que temos por aí.
E é tudo o que tenho para dizer.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

LUSOFONIA

ESTE POEMA TEM SIDO FEITO AOS POUCOS E NÃO SEI SE TENHO CORAGEM BASTANTE PARA PROSSEGUI-LO, COMO PRETENDO. VOU ACRECSENTANDO O QUE CONSEGUIR AINDA QUE SAIA E QUEM TIVER PACIÊNCIA E JULGAR QUE VALE A PENA PERDER TEMPO COM A SUA LEITURA, QUE O FAÇA E ME DIGA SE DEVO OU NÃO CONTINUAR. MUITO OBRIGADO



Canto I


Como foi bom ter visto o que deixaram
os homens desse século passado
pedra sobre pedra que lá juntaram
foi marca que ficou do nosso lado
onde conseguiram ir nossas naus
idas da bela praia lusitana
mostrando que não éramos tão maus
nós que fomos além da Taprobana

Por terras para nós desconhecidas
quiseram nossos Reis dar mostra viva
sabia-se que existiam partidas
o regresso seria expectativa
sempre p’ró Sul era o caminho certo
que a África ali estava aos pés
fosse o que fosse nada era perto
havia era que enfrentar marés

Por cá os Soberanos aguardavam
que notícias a chegar fossem boas
porque as más bastante cá estavam
só verdades queriam não as loas
e os nossos navegadores largados
a derrocadas chegaram de primeira
e não sendo por lá bem esperados
mesmo assim deixaram nossa bandeira

Havia que guardar o conquistado
deixar pelo caminho sinal do Norte
não podia ficar abandonado
o que tinha custado alguma morte
a nossa fé ali nos muçulmanos
não era fácil de introduzir
havia que esperar bem longos anos
e mesmo assim talvez não conseguir

Por isso o que havia que fazer
era ali deixar como um suporte
algo que não fácil de esquecer
como um altivo e majestoso forte
que pudesse olhar de perto a cidade
e como soldado e fiel cristão
por lá se deixou também um alcaide
em Marrocos, onde está Mazagão

Mais para baixo se foi encontrando
terra perdida, ninguém conhecia
havia que cuidar e ir zelando
o que o mistério oferecia
furando as ondas do Oceano
sonhou-se o que seria Santiago
sem deixar que nada nem ninguém vergue
não ficando um único lugar vago
lá está até hoje Cabo Verde

Mas muito mais longe donde partiram
já lá no Índico, outro Oceano
foi para aí que as nossas naus fugiram
levando nas mãos pendor lusitano
e outras gentes descobridor viu
já não tinha a mesma cor da pele
que onde se estava já era Diu
e que a fortaleza vos acautele

Ainda na Índia, mais adiante
a basílica de Bom Jesus é
o que é para nós o bandeirante
e ao mesmo tempo faz finca-pé
nessa mesma Índia onde estivemos
que descobrimos para todo o mundo
e por sermos assim não soubemos
conservar o que estava bem no fundo
que é a língua e aquilo que valemos

Enfrentando mares tão enfurecidos
e com povos nem sempre acolhedores
tardava a ficarem convencidos
houve até que sofrer amargores
mas a pouco e pouco conseguimos
mostrar quer eram boas intenções
e por fim aquilo que ali vimos
não deixou que fôssemos os brigões

Capitães das naus e seus marinheiros
que viam tudo por primeira vez
souberam que não eram os dinheiros
que fazia impor o português
havia que usar bem outros meios
o sorriso e até boas maneiras
ofertas a que não eram alheios
tudo isso destruía barreiras

Por vezes as armas eram precisas
a força e a destreza lá estava
o pior eram acções indecisas
e não estar certo da caminhada
mas sempre a tal força se evitou
não era essa a nossa intenção
foi sempre igual aonde se chegou

Após isso voltava-se ao mar
havia que seguir o seu caminho
muita coisa estava por achar
e não se dispunha de adivinho
colocado o padrão no seu lugar
deixada gente nossa nessas terras
não era hora de capitular
nem de nos metermos em grandes guerras

O português que foi deixou rastilhos
por lá restaram algumas palavras
talvez que uns tantos dos seus bons filhos
as usassem como sendo suas lavras
mas os séculos que foram correndo
e liquidaram a velha memória
fizeram prática de dessabendo
também é assim que se faz História

Encaminhando as naus mais p’ra diante
surgiu a China também vivente
com séculos de vida celebrante
mas sem ter ideia do Ocidente
e aí se subiu mais um degrau
até há pouco criámos o que durou
deixámos lá S. Paulo, em Macau
que a partir para a China até chorou

Também no Atlântico, noutro lado,
não esperavam os portugueses
os índios que lá tinham seu passado
não contando com uns tantos revezes
S. Francisco também abriu a porta
e sendo de Assis e da Penitência
ali português não foi letra morta
e se propagou com toda a coerência

Em tudo que era sítio, nossos frades
transpuseram a sua fé em Cristo
puderam mostrar suas qualidades
e nos indígenas pôr o seu visto
mesmo com a sua vida em perigo
por lutarem com crenças muito próprias
nada por lá seria inimigo
e as intenções não eram utópicas

Depois de tantos nomes tão famosos
de um Vasco da Gama bem certeiro
de outros descobridores valorosos
todos a quererem ser o primeiro
mais tarde calhou a outra figura
poder dar o passo memorial
tido como o da Boaventura
de nome Pedro Álvares Cabral

Uma lista enorme de valentes
como Albuquerque, o conquistador
foram na História expoentes
todos a merecerem seu louvor
pois cada um à sua vez
que deu enorme passo de gigante
dando mostras de que o português
quando quer vai pelo mundo adiante

Foram muitos os que marcaram ponto
na fila grande das celebridades
ainda que hoje se dê desconto
a quem não o fez p’ra deixar saudades
o mundo ingrato só um recorda
aquele que tal em voo de pomba
mesmo preso por uma certa corda
connosco aprendeu, Cristóvão Colombo

Os que depois de terras conhecidas
lá se instalaram p’ras defender
construindo fortes, até ermidas
que outros também as queriam ter
deixaram seus nomes lá bem gravados
e a Cruz de Cristo p’ra recordar
que por lá passaram gentes de fados
que tinham chegado do verde-mar

E as igrejas, os mosteiros ficaram
a marcar a presença portuguesa
e bastantes deles se conservaram
até hoje com a sua grandeza
são maravilhas, estão noutras mãos
não são nossas as terras onde ficam
porém serão assim nossos irmãos
que como tal até nos dignificam

Hoje em dia, tantos séculos passados
cada sítio escolheu seu caminho
não estamos na época dos Cruzados
e cada um pode fazer seu ninho
onde as circunstâncias o permitam
navegadores abriram as portas
fizeram primeiro a caminhada
pois nada disso foram horas mortas
realidade é p’ra ser aceitada

Somos mais pequenos face ao mundo?
na realidade grandes nunca fomos
estamos como nascemos, no fundo
temos de aceitar tal como somos
e se lá fora tanto nos mostrámos
em casa só ficámos reduzidos
ao muito pouco em que nos aflorámos
conformados com tempos já fugidos

O amanhã é incógnita de dor
não construímos para nós gozarmos
e por mais que surta hoje o clamor
depende daquilo que nos armarmos
para o futuro que nos espreita
o malvado que até prega partidas
e isso da Esquerda e da Direita
é coisa que pertence a datas idas

A juventude tem de preparar
aquilo que a espera na esquina
pois que não há mais terra para achar
a que existe já tem quem a domina.
Fiquemos assim Os Lusíadas lendo
que ainda pode dar-nos mais valia
aquilo que continuamos tendo
‘inda é a nossa lusofonia




Canto II

O mundo dormindo à nossa volta
não se preocupava com uns loucos
como nós, portugueses, cá à solta
e que por sinal éramos bem poucos
não levando em conta os nossos feitos
não se apercebendo da importância
e menos dos seus futuros proveitos

Só séculos depois lá despertaram
assustados entendera então
que as terras onde as nossas naus chegaram
passaram a ser da nossa comunhão
Que horror! Que injustiça, gritaram
um País tão pequeno não merece
aquilo que nos dizem que ganharam
mas que a nós, grandes, só enfurece

Todas as invejas não se esconderam
mais a mais se em terras africanas
grandes riquezas lá apareceram
e nem mesmo trovas camonianas
cantaram o que nós não descobrimos
estiveram lá anos enterradas
e o seu bom valor nunca sentimos
pois não chegaram lá nossas enxadas

Hoje, a nossa visita a terras velhas
será p’ra recordar só os heróis
mas também para construir grelhas
para ajudar futuro no depois
de onde saímos escorraçados
sem jeito para mostrar nosso amor
levamos lá hoje alguns recados
mostramos nosso lado sedutor

E a verdade sim deve ser dita
recordando nosso comportamento
com toda aquela gente bem aflita
foi com alguma pena o momento
em que o nosso coração ficou
metade por lá onde estivemos
e até hoje não se explicou
como entendermo-nos não soubemos

Em África nossa língua ficou
melhor ou pior igual se fala
o luso-afro lá se implantou
e os naturais disso fazem gala
por muitos outros sítios se perdeu
a semente não pegou bem na terra
na Ásia e na China lá morreu
aquilo que a lusíada encerra

Cantarmos os Lusíadas só resta
a quem já pouco fica para dar
não é agora altura para festa
e o que foi antes um patamar
não é já hoje em dia um trampolim
muito embora olhando a geografia
continuemos a ser um jardim
onde pouco paira a alegria

Devíamos por tal tudo fazer
para que nossa língua portuguesa
constituísse grande comprazer
e fosse hoje enorme grandeza
falada muito longe, toda a parte
pois que se noutros tempos desbravámos
agora só faltava engenho e arte
para deixar à solta o que bramámos

E as Tágides do Tejo saindo
nos corpos levariam os poemas
talvez assim iriam conseguindo
deixar lá longe lusitanos temas
difundir como fazem os ingleses
eles que não foram descobridores
ao contrário de mós os portugueses
que fomos primeiros velejadores

Injustiça esta de os outros ver
espalharem língua pelos lugares
quando era a nós que calhava fazer
e que em vez de usarem militares
ser o próprio povo a si chamar
essa função de ensinar tão nobre
e levá-lo por esse verde-mar
tanto ao rico como até ao pobre

Não soubemos nunca arrecadar
em proveito próprio distribuir
e sós uns poucos puderam gozar
e com isso também usufruir
das riquezas bem longe conseguidas
à custa de indígenas esforços
para isso valeram nossas idas
aqui e qlém com alguns remorsos

Os demais que já depois partiram
sabendo que encontravam firme terra
não provocou surpresa o que viram
pois não havia que enfrentar guerra
florestas adentro se instalaram
que as populações eram amenas
e os homens até se deslumbraram
com as mulheres que havia às centenas

E assim os filhos de sangue luso
foram nascendo com cores mais claras
e não se tratou de nenhum abuso
antes o fruto de novas searas
e por onde os portugueses passaram
deixaram sua marca lusitana
pois que esse convívio provocaram
nem que fosse mesmo numa cabana

Pretos ou índios havia por lá
as suas cores eram bem notadas
mas os que as naus levavam de cá
e o que depois foram as fornadas
eram homens ávidos de mulher
que eles com prazer aceitaram
e com espírito de bem me quer
à farta muitos filhos procriaram

Novas cores de pele foram surgindo
e cada vez que os nossos partiam
em que as fêmeas de cá não sorriam
tão somente no cais se despediam
eles sem parceiros nos seus destinos
e não sendo esquisitos de raça
não se importavam de fazer meninos
não lhes ocorria qualquer desgraça

E os meio-brancos assim nasceram
pois que os portugueses os fabricaram
e outros povos se surpreenderam
de poucos escrúpulos acusaram
para eles misturar era falta
fazer mulatos e indianos claros
era aquilo que nunca se exalta
só representavam grandes descaros

Não foi só sémen o que levámos
o falar era o que se impunha
foi assim com a língua que falámos
que foi entrando e formando cunha
em muitos sítios ela foi imposta
gentes de além as foram ouvindo
e como havia que lhes dar resposta
sem esforço se foi introduzindo

Grande diferença entre o outrora
e o que ocorre séculos passados
se o povo é o mesmo nesta hora
por cá não se igualam antepassados
o que está, está, fiar focou
cada um com o seu caminho andado
se na altura própria não mudou
não adianta agora o revoltado

Somos o que somos e como estamos
para onde vamos pouco ou nada altera
e temos ao lado nossos “hermanos”
que também gozaram mesma quimera
quando o ideal era a descoberta
e tendo passado já nossas ilhas
assinámos acordo pela certa
que foi o Tratado das Tordesilhas

E com o mundo dividido a meio
para não haver brigas de chegadas
havia então apenas o anseio
de das nossas naus e das amuradas
sermos primeiros a ver firme terra
que a nós competia descobrir
e junto ao mar ou no alto da serra
um Padrão colocar e assumir

O castelhano que hoje se fala
para lá da europeia Ibéria
foi obra de quem com enorme gala
levou a peito tarefa tão séria
por nosso lado, nessa mesma zona
com Atlântico a beijar a costa
havia que dar-lhe com certa fona
tarefa sido já antes sido imposta

E em Vera cruz, seu primeiro nome
os índios estavam e eram amenos
ainda por lá não havendo fome
nossos contactos foram bem serenos
nossos costumes logo empreenderam
até parece que deles gostavam
e os nossos vícios compreenderam
as relações dos dois nada custavam

Mas eram poucos, grande território
fazia falta levar nova gente
do outro lado havia fartório
e o clima era igualmente quente
não fazia mal, de cor mais escura
mas eram braços para trabalhar
havia que aproveitar fartura
chegava para todos sustentar

A escravatura assim se implantou
os brancos abusaram do poder
e por bastante tempo ela durou
fechar os olhos e fazer sofrer
de África vindas grandes famílias
levar acorrentados os maridos
sem liberdade alguma p’ra quezílias
pois se assim fizessem eram banidos

E por muitos anos isso durou
mesm’até depois da independência
patrão anafado não se fartou
e viveu à custa dessa demência
as casa grandes muito aumentaram
as sanzalas cresceram ‘inda mais
e assim todos se alimentaram
e nada do que vinha era demais

O açúcar nessas terras nascia
até da cana ele se tirava
e isso e outras coisas se podia
conseguir, pois o campo tudo dava
mas o Homem é bem mais exigente
e não lhe basta o que vê em cima
e no íntimo tinha bem assente
que a riqueza causa boa estima

O cheiro a ouro surgia de repente
indígenas nem caso lhe faziam
logo isso atraiu aquela gente
a que os lusitanos pertenciam
e foi nesse século dezasseis
que as naus de retorno cá trouxeram
o que para fazer muitos anéis
e o mais que aos tantos aprouveram

Foram monumentos e catedrais
e nos palácios festas deslumbrantes
que nessa época nada demais
só o povo ficou como era dantes
a ver chegar tantas fortunas
que diziam porvir lá de longe
pois as benesses só são oportunas
e nem todos se parecem com monge

Com índios, pretos, brancos e sem zanga
e a Família Régia lá então
foi fácil dar o grito de Ipiranga
nascendo o Brasil da comunhão
com gente de cá já tinha ido
e outra de lá já natural
foi em ambiente bem colorido
que se separou de Portugal
VOLTEI ATRÁS PARA ESCREVER QUE, NO DIA 8 DE JULHO, TERMINEI 50 PÁGINAS DESTE POEMA QUE QUIS DEDICAR À NOSSA LÍNGUA E QUE TEVE COMO INSPIRAÇÃO O NOSSO GRANDE LUSÍADAS, SEM PODER EVIDENTEMENTE FAZER A MENOR COMPARAÇÃO.















PROBLEMAS PARA RESOLVER



Num só texto vou-me referir a dois temas que, no fundo, estão intimamente ligados: o da chamada alteração de estilo que mostra agora José Sócrates, segundo alguns devido ao revês que sofreu o PS nas eleições europeias e à moção de censura que o CDS entendeu apresentar no Parlamento para obter não se sabe bem que resultado.
No que diz respeito à aparente humildade que o primeiro-ministro terá apresentado na entrevista dada na SIC, devo referir que, de facto, em relação a comportamentos a que nos habituara no que diz respeito à sua determinação de que só ele tem razão e que os outros, os adversários, andam sempre enganados, não se pode concluir daí que Sócrates terá feito um exame à forma como se apresenta sempre perante os cidadãos, sejam quais forem os motivos, pois a referida entrevista foi conduzida por uma jornalista que, ou estava já industrializada para não “apertar” excessivamente o convidado ou as condições impostas pelo político já impunham tais condições de o deixarem falar livremente.
Porque, há que referir que, ao contrário do estilo de Manuela Moura Guedes, que essa não põe questões mas faz afirmações e críticas, o que não é admissível num jornalista, esta perguntadora deu enorme margem de exposição dos seus pontos de vista, não fez trabalho e casa e, por isso, não foi capaz de pôr questões que obrigariam José Sócrates a mostrar se, de facto, adoptou um estilo novo de se explicar. E, sobretudo, nunca deixaria que o entrevistado alguma vez lhe pusesse a situação de “se me pergunta…”, pois que um jornalista de verdade logo diria que “peço desculpa, mas não antecipe perguntas que só eu faço…”
Enfim, não foi através deste trabalho jornalístico que se ficou a saber se o primeiro-ministro que temos já se encaixou num estilo que não se aproxima sequer da arrogância e do saber tudo.
A outra questão que ponho agora é a da moção de censura que o CDS entendeu dever apresentar no Parlamento, o que foi a demonstração perca de perca de tempo, pois eram sabidos de antemão os resultados de tal proposta política. E, com as eleições à vista, em que se adivinha que os resultados não serão os da repetição do passado escrutínio que colocou o PS em maioria, apenas uma demonstração de pretenso mediatismo e marcação de presença numa intervenção parlamentar que se sabia que era transmitida televisivamente, só isso poderá estar na base da iniciativa tomada por Paulo Portas, que é mestre em dar mostras de que está vivo, mesmo quando os resultados conseguidos em eleições não sejam de molde a lançar foguetes.
Eis-nos, pois, todos nós cidadãos portugueses, mais uma vez a aguardar que alguma coisa de importante ocorra na nossa vida política e não continuemos a marcar passo que, na situação actual, representa irmos perdendo cada vez mais posição de vencimento em relação à crise de todos os tipos que nos entram pelas portas dentro.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

MEMÓRIA

Tanta falta que ela faz
quando a ela recorremos
e se ela se compraz
não mostra o que queremos

É assim a tal memória
faz-nos sofrer com desgraças
recordar-nos cada história
que nem vê-la com mordaças

Certos nomes, certas caras
que precisamos lembrar
são situações bem claras
que a memória faz passar

Coisas passadas há anos
que os tempos já tinham posto
no fundo dos oceanos
não nos causam o desgosto

Mas ocorrências de há pouco
essas de que ‘inda paira o cheiro
deixam-nos como um bacoco
ardeu tudo num fumeiro

Pois a memória é assim
muitas vezes nos ajuda
compensa a dizer que sim
quando não teima em ser muda

Queixamo-nos muitas vezes
da falta que ela nos faz
então a nós portugueses
muita arrelia nos traz

Memórias da ditadura
é coisa que ninguém quer
é matéria muito dura
não é algo de prazer

Mas recordar coisas belas
bons momentos já passados
é como acender as velas
em honra de seres amados

Temo-nos que conformar
com as lembranças melhores
que já não querem voltar
a fazer seus favores

Memórias más nem pensar
mas são essas as que chegam
só dão para enfadar
e nos aconchegam

Se no botão eu pudesse
escolher o que me apraz
talvez nunca eu fizesse
olhar sempre para trás

Memória que até dá jeito
para lembrar os favores
que me trouxeram proveito
no que conta a desamores
então já não acho graça
mais vale não ter memória
que isso de mulheraça
é tema p’ra outr história

NOVO SÓCRATES?



Não podia deixar passar esta ocasião para, logo na manhã do dia seguinte, fazer referência à entrevista que José Sócrates concedeu à SIC, após o telediário da noite.
Confesso que, depois da sessão de ontem, na Assembleia da República, em que as oposições, todas elas, com saliência para Paulo Portas que tomou o comando das acusações ao primeiro-ministro, e face às afirmações surgidas de que se tinha alterado profundamente o comportamento do chefe do Governo, tendo passado – provavelmente só nessa ocasião – de arrogante a humilde, coisa que eu nunca considerei como sendo uma mudança assim tão visível, face a tudo isso sempre pensei que surgiria na entrevista televisiva um político que aproveitasse aquela ocasião (provavelmente programada para permitir uma visibilidade estudada), com um ar completamente modesto e em que, sem receio até do exagero, conseguiria transmitir alguns pedidos de perdão por certas falhas cometidas ao longo do seu mandato governamental. A minha ingenuidade chegou ao ponto de pensar que o exemplo de Obama, que não teve medo de afirmar em certa altura logo no início da sua presidência, que não sabia tudo, poderia ter influenciado o secretário geral do PS, no papel de principal responsável pela condução do País ao longo deste mandato que vai terminar em Outubro.
Como me enganei! Afinal, o entrevistado, ou não foi capaz de assumir esse papel ou era já assim que poderia ter estado combinado aquilo que se designou por “entrevista”. A jornalista, aliás simpática, não lhe fez qualquer pergunta difícil de responder. Não fez um bom trabalho de casa. Ali esteve a suportar uma propaganda socratiana, aquela que passou para as antenas dos televisores e que, atrevo-me a afirmar, mais uma vez enfastiou os portugueses que não se situam na sua área. E não se trata apenas de serem ou não socialistas os que ligaram as televisões para tomarem nota de um Sócrates que, se admitia, poderia aparecer e provocar uma surpresa a todos.
Pouco mais tenho a dizer quanto ao espectáculo bem conhecido que foi oferecido a quem se sujeitou ao discurso propagandístico. Nada de novo. O convencido que tem sempre razão não conseguiu – nem sei se estaria disposto a isso – falar das suas falhas e dos erros que, como seria natural, teriam de ser cometidos durante toda a legislatura.
Tratou-se de mais um atestado de pobreza política o que foi oferecido na dita entrevista. E foi uma pena. Tenho, de facto, um dó infinito deste homem que se julga o primeiro, o único, o certo, o indiscutível. Todo o mundo circula à sua volta e que não se dá conta de que aqui existe um homem-modelo, um político exemplar, alguém que ficará na História e, se não for assim, então todos terão de ser uns ingratos.
A pergunta a fazer aos portugueses – como se isso fosse possível! – é se, depois deste espectáculo televisivo, teria subido a pontuação de José Sócrates no conceito político. Dentro de todas as probabilidades, a minha opinião é a de que não foi acrescentado qualquer valor, se é que não desceu até na escala.
Digo isto, mas devo sublinhar que me transmite enorme preocupação que tal aconteça. É que o nosso País atravessa um período de enorme perigo social. E não é com a falta de uma política bem estruturada e firme que se consegue fazer com que não caiamos num atoleiro ainda pior do que aquele que atravessamos nesta altura. Bem desejaria deixar aqui boas esperanças em relação ao que se vai passar depois das próximas eleições que, segundo parece, ocorrerão em Outubro que aí vem. Mas não sou capaz de mentir…

quarta-feira, 17 de junho de 2009

ALTA VELOCIDADE?


Os homens têm destas coisas. Começam por teimar na posição que tomaram e depois, perante as circunstâncias que insistem em mostrar outro caminho, lá entendem dever aceder às propostas que não são as que antes consideravam inabaláveis. Mas, em todo o caso, é bom sinal quando se dá um passo atrás e se resolve adiar uma atitude que tinha sido tomada ou, dentro de outra hipótese, cancelá-la definitivamente.
Digo isto porquê? Perante a posição tomada agora pelo Governo de Sócrates de suspender, para depois das próximas eleições, ou seja deixando a solução do problema para o Executivo que vier a tomar posse em Outubro, face ao que se esperava há já algum tempo só agora foi accionada a não adjudicação neste altura do primeiro troço nacional da rede de alta velocidade, entre o Poceirão e o Caia, na fronteira com Espanha, o que corresponde à preocupação expressa pelo Presidente da República quanto à necessidade de não se comprometer o futuro no que diz respeito a gastos excessivos, ao tomar-se agora conhecimento deste volte-face em relação ao que era uma medida estabelecida, o que os portugueses têm de reconhecer é que aquilo que não contava com um enorme aplauso nacional foi levado em conta por José Sócrates.
Quais serão as consequências desta atitude? - pode-se perguntar. Para além da satisfação que será generalizada, julgo eu, tal decisão vai influenciar a votação que terá lugar em Outubro próximo. E como? Se fica nas mãos do próximo poder executivo o investimento na linha de caminho de ferro de alta velocidade, então será admissível que a orientação do voto seja a de colocar nas mãos dos opositores ao PS o comando das operações.
Quer dizer: os socialistas oferecem, de bandeja, aos seus adversários a posse do Executivo. Já não bastava a má colocação obtida no acto das europeias, para agora surgir nova e valiosa prenda para que os outros partidos, ainda que tenham de actuar posteriormente em coligação, pelos vistos de Direita, deem mostras da sua capacidade.
Ou não! Será que esta perspectiva assusta o eleitorado? Irá o PS, desta vez, actuar de forma a incutir confiança nos cidadãos, ou seja, apresentará um programa que conseguirá convencer os nacionais que já não se farão mais promessas que se sabe serem impossíveis de realizar?
Com as mesmas caras? Com os mesmos “jamais”? Com as teimosas ministras que não arredam um passo das medidas impopulares que tomam? Com os incompetentes que deram mostras de não serem capazes de enveredar por caminhos de bom senso?
Iisto não me parece possível, mas o povo está sempre disposto a acreditar, na ânsia de ver a sua vida melhorada. Por iso há que esperar para ter acerteza.

terça-feira, 16 de junho de 2009

MUDANÇAS


Será que se vai verifica uma mudança importante no panorama político nacional, na área que se tem de encarregar de levar por diante a governação que nos é proporcionada, ao ponto daqueles ministérios que mais fragilidades têm demonstrado virem a ser substituídos nas cabeças que os dirigem?
Esta pergunta é feita antes das eleições legislativas, pois seja qual for o grupo político, só ou acompanhado, que venha a tomar conta da governação portuguesa, mantenha-se ou não o PS com maior número de votos, mesmo que com maioria mas sobretudo sem ela, é sempre de ter esperanças de que sejam mandados para casa – se é que, como de costume, não se lhes arranjam aqueles “tachos” com que é habitual premiar mesmo os mais incompetentes – aqueles ministros que deram largas mostras de não serem capazes e, com isso, possamos vir a beneficiar de outra gente que seja capaz de encarar os problemas que nos atormentam e, de uma vez, meter a mão sem medo e andar para a frente com soluções.
Se for o caso da alteração governativa se produzir na totalidade, nestas condições será mais fácil não existirem compromissos e as escolhas dos que forem os substitutos se faça com maior cuidado e conhecendo-se de antemão quais são os pontos fracos, também haverá mais facilidade em atacar as situações mal conduzidas e mudar radicalmente de formas de as encarar.
Só vou aqui deixar uma amostra dos pelouros que necessitam urgentemente de medidas de fundo, posto que não é admissível que se mantenham as quezílias que se arrastam por tempos indefinidos. Claro que a Justiça é o que me salta em primeiro lugar, e não pode aqui haver desculpas com a crise internacional para que um ministro capaz, rodeando-se dos assessores que saibam da matéria, ouvindo todas as partes e não deixando de atender ao que o Bastonário da Ordem dos Advogados lhe poderá transmitir – visto que tem sido uma figura que surge frequentemente a apontar erros -, acabe com a vergonha das demoras e das decisões dos tribunais como aquelas que andam agora na boca de todos, a protecção dos menores, por exemplo, essa Justiça é a que está pedir a rapidez de uma mão salvadora.
Mas outros ministérios têm de ser alvo de urgente intervenção política: a educação, sem dúvida, para que se resolva o caso dos professores, mas não só isso, como seja as mudanças no ensino que, como é sabido, anda pelas ruas da amargura e a nossa juventude bem precisa de ser bem preparada. As Finanças, se bem que se trate de um sector que depende em grande percentagem do que ocorra no meio internacional, mas também aí se necessita de uma cara nova, mais convincente, para dar confiança aos cidadãos, pois que a que está já não consegue sequer essa mudança. A Economia não pode manter o mesmo detentor do pelouro. Já aqui, num blogue, lhe dediquei um espaço, mas é notório que o sector difícil, é certo, da produção nacional, não pode manter-se num marasmo como se encontra e é nos momentos difíceis que se tem de jogar na mudança, para permitir novos meios e novas perspectivas.
Enfim, as eleições têm de servir para alguma coisa. Porque, para ficar tudo na mesma não é necessário incomodar os cidadãos com idas às urnas.
É o que se espera que saia do próximo acto eleitoral. Porque, para ficarmos na mesa, entregues aos “milagres”, então mais vale sentarmo-nos às portas das nossas casas e rezarmos, se é que temos fé bastante…


segunda-feira, 15 de junho de 2009

ÁGUA

Já cá estavas quando eu nasci
bebi-te ainda sem saber quem eras
terei gostado, sim, gostei deveras
matando a sede, por isso sorri

Ó água pura que ainda existes
nem nisso pensam as gentes de hoje
se algum dia esse bem nos foge
será então que ficamos mais tristes

E esse dia terá que chegar
mesmo dizendo não os optimistas
é preciso não desviar as vistas
do mal que poderá todos matar

Água salgada, essa aumentará
mas tirar-lhe o sal é difícil cousa
na terra a que ainda repousa
virá o dia em que acabará

A Igreja chama-lhe água benta
e com esta baptiza as criancinhas
serão elas talvez, as pobrezinhas,
que terão de enfrentar tal tormenta

É ainda o líquido precioso
que tem servido para enganar
misturado no que se vai provar
pois é vício deste mundo enganoso

E na vida faz bem ter certa fé
é muito bom crer no que quer que seja
e em vez de água beber cerveja
como em seu lugar tomar água pé

Mas para ambas é essencial
essa água que não pode faltar
da mesma forma que não haver ar
é morte certa p‘ra qualquer mortal

Mas será que neste mundo em mudança
onde tudo se inventa cada dia
alguém conseguirá a utopia
de atingir a bem-aventurança?

Não sendo a água já tão necessária
ficamos nesse caso descansados
temos de olhar para outros lados
para outra coisa também primária

Porque não acabam as aflições
excesso de gente causa problemas
e serão tais os vários dilemas
que o melhor é não ter ilusões

ÁGUA



Já aqui me referi, em tempo oportuno, ao problema que o mundo tem que enfrentar daqui a algum tempo, a anos de vista, mais ou menos de acordo com a disposição dos que são mais ou menos pessimistas, e que se refere à escassez de água que vai ocorrer no nosso globo terrestre.
Serão 50 anos de expectativa? Serão mais? Ou nem isso? Seja o tempo que tardar até se confrontarem os humanos com tal descalabro, os cientistas, aqueles que estufam estes problemas não escondem que, a seu tempo, isso acontecerá. É uma fatalidade a que os que cá estiverem não escaparão.
Portanto, avisados os habitantes do mundo, lá isso estão. Se bem, nos dias em que vivemos agora, não haja motivos para deitarmos as mãos à cabeça. Por enquanto podemos desperdiçar esse precioso líquido, como fazemos todos que deixamos as torneiras abertas e que enchemos o copo e deitamos o resto fora do que sobrou por não termos bebido toda a água. Isso, para não falar de outros gastos supérfluos a que assistimos e não ficamos muito preocupados por isso.
No entanto, se não se trata de uma fantasia pessimista este aviso que a ciência já não esconde, a pergunta a fazer é o motivo por que os diversos governos espalhados pela Terra não deram ainda mostras de tomar medidas de modo a que se dê início a uma campanha de grande aproveitamento da água que cai das chuvas e a que sobra das enxurradas bem a que sobra dos rios em tempos de Inverno, encaminhando-a para depósitos construídos para o efeito, não a deixando perder-se nos mares e oceanos.
No que diz respeito ao nosso País, já que a Península Ibérica é apontada como sendo o primeiro território a vir a sofrer as consequências da escassez do referida líquido, não teria sido uma medida de prudência ter já investido numa política de poupança, com a criação de estruturas que contribuam para reservar o que é imprescindível para a vida humana?
Andam as cabeças políticas dos diferentes governos que têm passado pelo poder a dedicarem a sua atenção para diversos problemas que, também de facto, constituem preocupações que não podem ser postas de lado, como seja a substituição do petróleo, da electricidade, do carvão e de outros produtos que, até agora, têm estado no primeiro plano das utilizações humanas, mas, no que diz respeito à água, aí parece que se trata de algo de que o Homem pode prescindir e que já se conhece o que pode ser utilizado com o mesmo efeito.
Aí está aquilo a que o Executivo de José Sócrates poderia ter dado a maior atenção e até mostrar a sua preocupação que transmitiria aos portugueses, desenvolvendo medidas que iriam contra o não aproveitamento e criando condições para a armazenagem em condições próprias e renovando essas guardas, pois a água é um produto que não pode ficar preservado infinitamente.
Mas não. Isso era uma medida excessiva para a cabeça do primeiro ministro que temos tido. Ainda vamos a tempo?

domingo, 14 de junho de 2009

PERGUNTA



Eu pergunto-me, pergunto-me, procuro saber a resposta mas ela não aparece e não consigo descortinar a forma de obter satisfação a esta minha dúvida: qual a razão que me leva a este extremo de estar a perder, cada dia que passa, cada vez mais consideração pelos políticos tidos como profissionais dessa actividade. Eu que, pela profissão que exerci ao longo dos anos, antes e depois do 25 de Abril, tive oportunidade de conviver com tantas personalidades situadas nessa área e que conheci, como pessoas, um apreciável número de indivíduos que tinha e tenho de considerar como gente merecedora de consideração e, em certos casos, de amizade, ao analisar os feitos que saíram de uns tantos entra-me um azedume que só disfarço com a escrita a que me dedico, para fazer desviar a atenção para situações bem diferentes daquilo que constitui a sua actividade relacionada com a vida no nosso País.
Tenho que dizer isto, se bem que possa soar a elogio em boca própria: é que se me calhasse a mim assumir a responsabilidade de algum lugar visível e de importância quanto ao desenvolvimento nacional em alguma área considerada prioritária, não tomaria nunca o ar de ser portador da sabedoria total e muito menos assumiria a arrogância de afirmar que nunca me enganava e as dúvidas eram coisas que nunca passariam pelas minhas decisões. Estaria sempre pronto a mostrar que me tinha equivocado em alguma atitude tomada antes, pois não é por um ser humano se encontrar circunstancialmente num lugar em que pesam sobre si enormes responsabilidades de decisão, não é por isso que tem de estar sempre certo no que diz e no que faz. Por isso, o reconhecer um engano não pode constituir um crime pesado. O que sim tem de ser objecto de crítica e de admoestação é praticar esse erro e insistir nele, sem dar a mão à palmatória, não fazendo o possível para ir ainda a tempo de proceder à emenda.
Ora bem, aquilo a que se assiste cada vez com mais insistência é precisamente à prática de equívocos políticos originários de elementos que foram escolhidos pelos responsáveis principais dos Executivos, os quais tomam posse por via da indicação dos votos da população. E essas incompetências custam fortunas ao erário público, sem que exista uma determinação que lhes indique o caminho da porta da rua e, os faça responsavelmente pagar pela falta de capacidade de gerir os bens que são de todos os cidadãos.
As obras que são feitas e pagas pelo Estado, em que são verdadeiros rios de dinheiro que se perdem em virtude da falta de cumprimento dos orçamentos estabelecidos para efeitos dos concursos públicos, estes que ultrapassam em dobro e em triplo os valores indicados nos cadernos, ao que se têm de somar os prazos que também não são respeitados, prolongando-se anos e anos as datas de finalização estabelecidas, isto também representa custos que têm de ser suportados pelo erário que os cidadãos sustentam.
Foi agora tomada uma decisão de ser criado um organismo que (segundo parece vai oferecer mais alguns postos de actuação em que lá caberão, como é costume, uns tantos protegidos políticos) tem como objectivo fiscalizar o cumprimento de execução das obras públicas, no que respeita a custos finais e prazos de acabamento. Quer dizer, a Revolução ocorreu há 35 anos, passaram pelos Governos dezenas de bem instalados, desde sempre que têm lugar as saídas de milhões de euros dos cofres do Estado para liquidar as contas das obras públicas, sempre, ao longo de todo este tempo se tem verificado, mas só agora é que se “acordou” para esta necessidade de não deixar à solta a fiscalização dessa área tão importante. É obra!
A casa da Música (com uma derrapagem de 62 milhões e um atraso de 4,6 anos), antes a ponte Vasco da Gama (com aquele prolongamento em curva que não se entende outro motivo que não seja o fazê-la mais cara), o túnel do Rossio, o mesmo no Terreiro do Paço – esse então até faz dó saber que tem a mão de técnicos nacionais e isso provocou um desvio orçamental de 29 milhões de euros -, tudo isso para além de múltiplos outros que são o sinónimo de obras que nunca mais acabam, o que se passa por esse País fora em que as autarquias fazem das suas, com pouca fiscalização honesta, tudo isso é que constitui o Pão Nosso de cada dia neste nosso cantinho.
Eu, que recebi em minha casa, durante muito tempo, todas as sextas-feiras, tudo o que eram políticos desta Terra, de Esquerda e de Direita, e simultaneamente, muitos em actividade também hoje, em jantares em que a minha Mulher se esmerava, tudo para poder contribuir para a convivência entre adversários partidários, verificando que existia, na realidade, um relacionamento que permitia a troca de opiniões com absoluta boa vontade, perante essa situação tenho dificuldade em aceitar o motivo por que cheguei a este ponto de falta de consideração pelos profissionais da política que actualmente se sentam nos cadeirões de qualquer poder.
Eis, pois, a explicação do meu desencantamento (tenho até um livro pronto a ser editado, com o título “Desencanto… por enquanto!”) no que diz respeito ao que me é proporcionado assistir na Terra onde nasci. Se ainda existisse o meu antigo semanário, “o País”, que sempre primou pela independência absoluta, seguramente que seriam muitos os inimigos que teria que enfrentar, pois isso da Democracia, da aceitação das opiniões dos outros, da convivência salutar com aqueles que têm opiniões diferentes das nossas, não chegou ainda cá com inteira pureza. Trinta tal anos de liberdade não chegaram para educar este povo e, como já escrevi neste blogue, enquanto não existir uma classe para a miudagem do primeiro ciclo que ensine e estimule os princípios democráticos, essa prática não se instalará em Portugal. Continuaremos a ser como sempre fomos. A nossa opinião é que conta e o resto não merece importância!
Daí o meu azedume em relação aos políticos que temos. Eles saem da massa popular…

sábado, 13 de junho de 2009

CRISE - QUE PODIA SER?



Já com a devida distância em relação ao momento em que se tomou conhecimento dos resultados em todos os países europeus, dos que votaram para o seu Parlamento, talvez seja possível agora, com a conveniente tranquilidade, fazer uma análise mais apropriada quanto aos motivos possíveis que proporcionaram os números que foram divulgados.
É sabido que, nos casos da maioria das nações do nosso Continente, os governos que se encontram a governar na data em que se apuraram os resultados das eleições europeias sofreram revezes, pois não foram os mais votados e, nalgumas circunstâncias, até se colocaram em lugares secundários.
Quer isto dizer que o apuramento através dos votos depositados naquele momento pode reflectir o que se irá verificar quando ocorrerem as eleições legislativas? Esta a pergunta que vale a pena colocar a todos os cidadãos que costumam reflectir cuidadosamente quando analisam a evolução dos acontecimentos políticos, em vez de, com uma rapidez pouco aconselhada, tirarem logo conclusões que podem provocar equívocos.
Em primeiro lugar, há que ter em conta que se atravessa há já algum tempo um período de crise económica, financeira e social em todo o mundo, que tem conduzido os cidadãos dos diferentes países para uma situação amarga, de vida plena de dificuldades. E só esta circunstância chega para que as populações vão moendo um descontentamento em relação aos políticos que se encontram nos pelouros da governação, pois não vendo solucionarem-se as diferentes dificuldades que vão surgindo o natural é que admitam que outra característica políticas possa dar uma volta e trazer alguns benefícios que até agora têm faltado. “Pior do que aquilo que temos não poderá vir!”, é o que, provavelmente, os cidadãos pouco identificados com regimes partidários admitirão na hora de votarem.
No entanto, ao contrário de alguns “sábios” que, perante as câmaras de televisão e em algumas coluna dos jornais, não perdem a ocasião para difundir as suas opiniões, ditas e escritas com um ar estranho de grandes certezas, eu, cautelosamente, prefiro deixar a dúvida quanto ao que se vai passar nas legislativas que serão apresentadas. Isto, no que se refere ao nosso País, porque o que vai ocorrer em cada parceiro europeu, sobre isso nem me atrevo a dar palpites.
É certo que a figura pública de José Sócrates, só com grande mudança do próprio no que diz respeito à sua forma de se dirigir aos portugueses é que talvez seja ou venha a ser possível conquistar o apoio popular. Se o mesmo conseguir entender que deveria ter sido, ao longo do seu mandato, suficientemente modesto e compreensivo em relação às formas de actuar dos outros, não garantindo que só a sua é que é a perfeita, se ainda for a tempo para isso e, simultaneamente, faça uma mudança rápida no seu elenco governativo, aceitando e afirmando-o que, de facto, ocorreram situações que deveriam ter tido outro tratamento por parte de alguns ministros que mereceram a sua confiança, se ainda for a tempo de pedir desculpa aos portugueses por tudo isso e apresente agora soluções viáveis em relação ao futuro imediato, quem sabe se a população descontente não lhe dê ainda alguma “chance”, nem que seja para poder formar um Executivo de coligação.
Tudo é possível, pois, por vezes, o povo actua de forma absolutamente inesperada…