terça-feira, 30 de novembro de 2010

UM PORTUGUÊS

Esse dever
de ter alguma coisa que fazer
e não dar um passo
sentir cansaço
respirar fundo
ignorar o mundo
procurar frescura
não recear censura
de nada e de ninguém
não importa quem
assim vale a pena existir
e cá prosseguir
na roda da vida
tudo sem corrida
que o fim que se espera
é hoje o mesmo que era
e que sempre foi
que não se condói
com quaisquer pressas
e que pede meças
deixem-me assim ficar
neste meu lugar
sossegadinho
daqui a poucochinho
já sairei
sem saber para onde irei
mas fazer isso não faço
nem para tal me maço
exemplo vem de cima
e sem ter de fazer rima
o que digo é verdade
sem qualquer maldade
pensar que Deus e os anjos
só tocam seus banjos
sem preocupação
nem obrigação
olhando esta Terra
sempre com uma guerra
em que o Homem persiste
de inveja em riste
a estragar ambiente
em destruição crescente
para quê pois cansar-me
se pouco pode animar-me
a remar contra a maré
e sentado ou em pé
aguardo a minha vez
como qualquer português

Qualquer é como quem diz
pois tudo o que fiz
foi a aspirar
a não ser um qualquer
mas de pouco valeu
porque o que aconteceu
foi o que está à vista
o não deixar pista
para seguidores.
Adeus meus senhores!

2011- SÓ DESGRAÇAS!



GOZEMOS os dias que nos faltam para terminar o ano de 2010. É o fim de uma época que, não tendo constituído um exemplo de boa vida, muito pelo contrário, apesar disso vai ser recordada assim que passarmos a encarar o calendário com a indicação do ano de 2011. É que, segundo se prevê pelo Orçamento de Estado que mereceu a aprovação na Assembleia da República, em muitos de nós regista-se o sentimento que, presumo, os condenados à cadeia sofrem nos dias que faltam para começar a ser cumprida uma pena: a angústia do fim do que, sendo mau, sempre se suportava melhor do que aquilo que vem a seguir.
Como, para amenizar o que se perfila, sempre gozamos de uns feriaditos que, neste País, apesar de todos os contratempos, não faltam de vez em quando e na próxima quarta-feira lá vamos ficar no ripanço, se bem que, se perguntarmos a mais de metade da população, essa nem faz a menor ideia do motivo por que lhe é dito que não se trabalha. Nesse dia como em tantos outros. Seria bom que as televisões, que tantos programas têm com perguntas em concursos que são tidos como de conhecimento geral, em lugar de surgirem questionários sobre com quem está casado este ou aquele artista e interrogatórios quejandos que não acrescentam nada ao serviço público, bem poderiam incluir temas que fornecessem algum ensinamento ao vasto público deste País que, sobretudo no que se refere aos mais novos, os que não apanharam as escolas primárias de outros tempos e em que os professores ensinavam mesmo, não fazem a menor ideia de assuntos que, sendo da chamada cultura geral, não deveriam faltar nos que sabem muito de computadores… sobretudo para os jogos!
Pois o primeiro de Dezembro, chamado Dia da Independência, fará um interregno para se ir aproximando o primeiro de Janeiro, também feriado, tendo antes o 25 de Dezembro, Dia de Natal, em que, naturalmente, também não se trabalha.
Mas era sobre o ano que aí está a chegar que assentava o tema do blogue de hoje. E, mais do que tudo, trata-se de gozar bem estes poucos dias que ainda restam para, logo a seguir, colocarmos o colete à prova de balas e nos prepararmos para a fuzilaria que o fisco tem preparada, com o propósito, oxalá seja bem sucedido, de salvar Portugal da banca-rota… coisa que eu duvido muito que seja possível, posto que, como diz o povo, “tarde piaste”, visto que os sábios da política que nos governa não foram capazes de antever o que era mais do que certo.
A notícia surgida agora de que até as Igrejas católicas estão a sentir os efeitos da crise, pois as esmolas estão diminuir de volume de forma preocupante para sustentar as respectivas paróquias, até isso nos faz pensar seriamente que a coisa está, de facto, feia. E se também atentarmos na outra informação jornalística de que cerca de dez mil restaurantes já fecharam as portas e que se teme que, no próximo ano, ainda venha a ser pior, então parece ter toda a razão de ser o início deste meu blogue de hoje.
Insisto sempre no mesmo: Não se trata de pessimismo, mas apenas de prevenção. Eu, por mim, já há um certo tempo que reduzi no possível aquilo que considero como matérias dispensáveis. E isto como preparação do modo de vida que, provavelmente nunca mais será igual ao que foi noutros tempos.
Bem sei que esta atitude tem efeitos perversos no movimento comercial, logo no escoamento da produção. Mas há que ter presente que não é possível regressar aos costumes de antes, de gastar agora e pagar depois… se é que depois se pagou!
No mínimo, o que constitui obrigação de todos nós é o consumirmos, de preferência, produtos nacionais. Frutas e vegetais, sobretudo, para que não se continue a importar, por vezes de países bem longínquos, aquilo que temos cá e que é de boa qualidade.
E por hoje chega.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

COSTUME

Ao que nos acostumamos
o difícil é mudar
parece bem como estamos
para quê pois variar?
O costume é um vício
nem é preciso pensar
representa benefício
porquê portanto mudar?

O costume da leitura
de comprar no mesmo lado
de não alterar figura
de preferir estar calado
cada um tem seu costume
e às vezes bem estranho
como usar um perfume
que só sai depois do banho

No comer se impõe também
ao que nos habituamos
há quem olhe com desdém
pr’aquilo que nós gostamos
cada um e cada qual
tem seu costume de anos
até mesmo num casal
não há comunhão de manos

Quando se perde um costume
sendo hábito antigo
é com algum azedume
como quem perde um amigo
são os outros normalmente
que nos forçam a mudar
pois nunca nasce da gente
um costume afastar

ESTA LIBOA E ESTE PAÍS


Tive, ontem, domingo, que sair de casa apelas 11 hora da manhã. Por obrigação, pois vinham-me buscar para um empreendimento em Torres Novas onde não podia faltar, sem conduzir e apenas como companheiro na viatura, tive ocasião de analisar o movimento que ocorria naquela altura. Pois até me parecia que não conhecia a capital do nosso País. As ruas por onde passámos até chegar à saída de Lisboa davam um aspecto de abandono da cidade que afligia. Um deserto de gente que não se entendia. Bem sei que fazia frio, mas há sempre quem precise de sair e, por pouco movimento que se verificasse, aquele abandono que estava à vista é que impressionava. Na verdade, os cidadãos, talvez pela retracção em que se encontram e ainda que nos encontremos numa época em que o Natal se aproxima, não davam mostras de existir. Durante o trajecto, utilizando vias rápidas e auto-estradas, o movimento de automóveis também era deplorável. Chegados por volta das 13 horas, num percurso que algum trânsito teria que ocorrer, também o vazio consecutivo de automóveis fazia crer que se tratava de um País em que toda a população entendeu que deveria fazer greve de movimentos. Quilómetros seguidos sem que um carro tivesse de ser ultrapassado e em que, na direcção contrária, também se verificava uma pobreza de circulação.
O regresso, por ter demorado mais do que era esperado, ocorreu pelas 21 horas. E, admitindo que se tratava de um período em que muita gente que tivesse saído regressasse a suas casas na capital, o espanto repetiu-se: continuava a verificar-se uma escassez de trânsito que deu então para se começar a raciocinar quanto ao motivo de tamanha ausência de cidadãos que se movimentassem.
Faço-o, pois, agora. E, não encontrando outra explicação, sou levado a admitir que os portugueses, finalmente, já exaustos de ter abusado das ofertas de crédito que fizeram com que se gastasse o que não se tinha, endividando-se largamente, e agora defrontando os apertos que os bancos, por exemplo, fazem para reaver os pagamentos das suas dívidas, das casas, do carros, da mobílias, das viagens que tanto prazer deram a quem se serviu do que pareciam ser grandes facilidades, muitos deles agora também a fazer parte do grande número de desempregados, compreenderam que a solução agora é enfrentar a realidade da vida que lhes é proporcionada e começar a poupar, isto para usar uma linguagem pouco agressiva, porque o que será mais certo é que se verifique uma carência clara de meios para levar uma vida que tenha alguma coisa a ver com a que ocorreu durante um tempo de fantasias.
E isto enquanto se toma conhecimento que um responsável maior pelo Banco Provado, aquele que se mostra incapaz de repor os depósitos de imensos clientes que clamam pelo que lhes pertence, esse mesmo indivíduo que mora numa casa rica, tinha em casa milhões de euros em obras artísticas, as quais foram apreendidas pela Polícia Judiciária.
É, pois, assim. Uns com tantos e outros sem nada. Mas o nosso Pais cá vai caminhando, ainda que com as ruas e as estradas vazias por falta de meios para os cidadãos circularem, e o que o espera nos dias que aí estão à vista é assunto para encher páginas de textos daqueles que ainda se incomodam em relatar a paisagem que nos envolve.
Eu não sei se continuarei nesta senda de desgraças. Ando a pensar seriamente no assunto.

domingo, 28 de novembro de 2010

A PERFEIÇÃO

Não sei se a felicidade
reside no se julgar
que não constitui vaidade
o nunca se enganar
perfeição
que ilusão
atingi-la se presume
ser algo quase impossível
chegar mesmo lá ao cume
pode ser mas é falível

A obra-prima afinal
por muito bela que seja
não será nunca ideal
melhor sempre se deseja
alcançar
abraçar
o autor desconsolado
sofre por não conseguir
ver o trabalho acabado
sem o super atingir

Isso será consciência
de longe o máximo ver
e tal como em penitência
prosseguir sempre a sofrer
insistir
sem conseguir
o fazer coisa perfeita
não pertence ao ser humano
não se inventou a receita
pois a vida é um engano

Trabalho e aplicação
ajudam a lá chegar
mas nem o que é sabichão
deixa de se enganar
estar perto
não é o certo
é bem bom à roda andar
os génios o conseguiram
já chega p’ra s’admirar
sem perfeição s’atingir

Imperfeito mesmo sendo
é bom não ficar parado
original ou remendo
o preciso é que dê brado
com amor
o melhor
tem de sair bem do fundo
da alma, do coração
o ser primeiro ou segundo
só importa a devoção

Se um dia surgir o tal
o homem da perfeição
e se for em Portugal
que não haja presunção
em boa hora
mesmo agora
que tanto necessitamos
que surja alguém capaz
para qu’em ordem ponhamos
quem precisa tanta paz


PASSOS COELHO


JÁ PODEMOS ANDAR descansados. Pedro Passos Coelho, em entrevista divulgada, afirmou “estar preparado para tudo”. Disse a entrevistadora que o líder do PSD mostrou serenidade e um estilo fleumático. E deixou escapar a afirmação de que não quer apenas governar, quer mudar Portugal”.
Perante a possibilidade quase certa de poder vir a exercer as funções de primeiro-ministro do nosso País, o que os portugueses não desejam, nem por sombras, é que surja como seu substituto um político que se apresente com as certezas que nos foram impingidas nos últimos anos e que, não sendo capaz de ouvir as opiniões dos outros, se convença que o caminho que pretende seguir não oferece dúvidas.
Deixo este aviso porque, depois de tanta “ciência” propagada pelo próprio Sócrates e por bastantes dos seus sequazes, o que temos de andar é de pé atrás e desconfiar de todas as intenções, por mais sinceras que elas pretenda ser, o que não pode ser levado a mal por nenhum dos proponentes que surjam para os lugares que impõem, no mínimo, competência e honorabilidade nos actos que forem da sua autoria.
Por agora, e à distância ainda de uma mudança que ocorra no panorama político nacional, todas as dúvidas dos portugueses são justificadas. Gato escaldado de água fria tem medo, diz o povo na sua sabedoria. Que o homem que venha a ocupar – e ainda falta um certo tempo e até lá muita coisa vai ainda ocorrer – o posto de chefe do Governo faça um trabalho de casa profundo, não só no capítulo de não cometer mais erros do que os que foram largamente praticados mas também vindo munido de uma certa humildade, dado que as opiniões que se podem sempre colher não diminuem os que têm de tomar atitudes importantes e o aparecer depois publicamente a dar conta do erro praticado não representa nada que diminua a personalidade do homem. Antes pelo contrário.
Sabermos que Passos Coelho não teme que o FMI venha interferir na governação portuguesa representa que, na sua ideia, não ficará admirado se formos forçados a ter de aceitar a sua participação. E essa preparação para o que poderá ser o inevitável já ajudará o seu trabalho.
Não sei se a escolha que eventualmente os portugueses farão na altura das eleições legislativas, no caso de Passos Coelho, será a ideal. Mas numa coisa poderemos nós, habitantes deste País, ficar convencidos: é que, por muito errada que seja a votação, pior do que aquilo que temos vindo a suportar não será seguramente.
Isto digo eu que, durante bastante tempo, sobretudo durante o período inicial da sua governação, mantive uma certa esperança na acção socratiana. Parecia-me ser um político possuidor de convicções, mas não de teimosias, o que não é a mesma coisa. Mas enganei-me. E não terei sido só eu.
E já agora, antes de pôr o ponto final neste texto de esperança e de dúvida, tendo tomado conhecimento de uma notícia que se refere a que o Governo se está a preparar para mudar as leis do trabalho, não sabendo em pormenor de que constará essa decisão, só me detenho para lembrar os que seguem o meu blogue diário, de que, há algumas semanas atrás, não vou agora verificar a data exacta, me referi-me a este passo que, sendo doloroso e que comporta alguns perigos, representa uma medida que, tendo as limitações que a decisão comporta, poderá dar alguma ajuda para diminuir o estrondos número de desempregados que existem em Portugal.
Retirar aos empresários o medo de admitir novos funcionários nas suas empresas, sem correrem o perigo de não os poderem dispensar se as circunstâncias levarem a uma redução posterior, e não só isso como também conceder aos empregadores um subsídio, durante um certo tempo, equivalente ao que o Estado suportava na fase de desemprego, estas medidas, se forem bem pensadas, terão condições para obter resultados positivos no panorama da falta de trabalho que se verifica entre nós.
E é isto aquilo que eu chamo uma governação oportuna. Aquela que tem faltado.

sábado, 27 de novembro de 2010

ENTE

Se se pratica um crime impunemente
e a Justiça aí até faz de cega
a tranquilidade completamente
é algo difícll e que não pega

Dizer muitas vezes sinceramente
e querendo aos outros convencer
é coisa habitual de quem mente
e que só faz para dar prazer

É como o viver eternamente
no que muita gente tem esperança
mas a verdade racionalmente
muda com a música como a dança

Começa como acaba francamente
sem que cada um comande lá isso
o melhor portanto é ir docemente
preenchendo o tempo sem compromisso

E por mais que cada um seja crente
que à fé se agarre com fervor
tanto se está como se fica ausente
fugindo por isso do amargor

Se se atinge alto expoente
e algum valor os outros lhe dão
reflicta bem que o estar doente
acontece a qualquer cidadão

Qu’importa então ser fraco ou valente
ser rico ou mesmo até indigente
com muita saúde ou paciente
criticar tudo ou ser bem-dizente?

Se a todos cabe um finalmente
pois que cada qual será impotente
tanto p’ra escolher a sua semente
como ser o eterno residente

Quem algo tem de inteligente
não se julga dos outros diferente



SÓ DISPARATES!...


QUE GRANDE SURPRESA! A Assembleia da República deixou passar, na votação realizada ontem, o Orçamento de Estado para 2011 que o Governo, depois de prolongadas buscas de entendimentos com o PSD, apresentou para votação. Os sociais democratas, para que não fique registado na História que o seu sim foi expresso, limitaram-se à abstenção, pois que o total dos nãos dos restantes partidos não era suficiente para obstar a que o documento em causa enfrentasse a derrota. Tudo estava já estabelecido e o tempo que passou em aparentes negociações só serviu para arrastar, como é tanto do nosso gosto, as conclusões de uma decisão. E este caso não constituiu excepção.
Anda por aí a divulgar-se a ideia de que este Orçamento não é o que conviria a Portugal, na situação melindrosa em que nos encontramos. Mas, afinal, a questão não será bem essa. O problema põe-se em saber se, com este ou com outro enunciado de receitas e despesas para o próximo ano, mas com o mesmo grupo governamental, qualquer outro programa serviria para solucionar a posição em que nos deixaram chegar os homens de José Sócrates. Eu, por mim que não sou de grandes saberes, entendo que não. Que não existe Orçamento de Estado que nos valha e que, nesta altura, já não haverá possibilidade de mudar o elenco governativo, como não é também o momento politicamente adequado para se realizarem eleições legislativas. Esta a realidade.
Pergunta-se: então o que podemos fazer? Pois esse é o berbicacho maior! E, face a tamanho dilema, o que nos resta a nós, cidadãos, em que não está ao nosso alcance uma forma de intervir, é apenas mantermo-nos a aguardar o que vier a seguir, com FMI ou sem ele, pois qualquer intervenção que se verifique, de dentro ou de fora, ela só nos apresentará sempre um panorama pior do que o que existia antes. Os sacrifícios a que 2011 nos obrigará, provavelmente ainda serão aumentados face às circunstâncias seguintes.
Não, não me acusem de pessimista. Façam o favor de ler os meus blogues desde há muitos meses, e se não lhes provocaram, os avisos que lancei, nenhum interesse e até lhes deram pouca credibilidade, pois não venham agora chorar sobre o leite derramado. Tudo isto que está a ocorrer esteve sempre no meu óculo de observação e como não me intitulo um “politólogo” – como agora surgem tantos com esta designação – e muito menos sou um convencido que sei tudo, dado que, como diz o outro, só sei que não sei nada, ter-se-á que apelidar esta minha previsão como uma leitura independente, não facciosa, dos homens que ocuparam os lugares de destaque, tendo como exclusivo intuito procurar analisar bem as situações que nos iam aparecendo. E se também, apesar das revolta que sinto, não carrego comigo o espírito de vingança, até porque ela a existir será colectiva e não individual, não vislumbro com prazer um futuro negro a Sócrates e ao seu grupo governativo (até porque o que imagino que lhes sucederá vai ser precisamente o contrário, ou seja o gozo de enormes modormias, resultantes dos efeitos dos cargos que têm vindo a exercer na plataforma política).
O Natal que se aproxima, por sinal período do ano que eu, como já tive ocasião de esclarecer nos meus escritos, não atravesso com prazer, antes me provoca uma enorme nostalgia, na generalidade dos portugueses constitui uma época em que se instala um sentimento de “bondade”, ainda que seja colada pela tradição das prendas. Pois este ano, em face das coisas como se encontram, os comerciantes já se queixam de que se nota uma grande retracção nos gastos. Passou-se, no nosso País, de uma loucura de despender o que não se tinha para agora, tarde demais, se fazerem contas às moedas que ainda existam. Os que as conservam.
Mas, entretanto, e sem se conseguir entender o que passa nas cabeças tontas dos homens que permanecem nos postos de comando, as loucuras não param. Foram os blindados dos 5 milhões que não faziam falta, como se viu, é o caso do aeroporto de Beja que excede tudo que seria permitido. Mas são também as decisões sobre a não redução clara dos salários para a função pública no que se refere às empresas do Estado, precisamente aquelas onde os escândalos são mais notórios e… e aí por diante.
Há tanta coisa para referir, na área das contrariedades e das acções dessa gente, que nem existe espaço que chegue, assim como paciência dos leitores para acompanharem o rol infindável de erros e asneiras. Fico-me, pois, por aqui. Até à próxima.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A COERÊNCIA

Já era tempo de se respirar
d’enfrentar a vida mesmo o resto
de não p’ra trás andar
não ser preciso fazer mais protesto
quem até hoje aguentou tanto
quem com esperanças lá foi vivendo
não é agora até com espanto
que vale a pena gritar “não entendo!”

Se metermos a mão na consciência
se à humildade nós apelarmos
e não oferecermos resistência
abandonando o desenrascarmos
talvez se encontre a solução
p’ró estado a que Portugal chegou
pois isso estará na nossa mão
cada um crendo “o melhor não sou”

Se agora somos mal governados
por quem deve fazer o seu labor
e eles não se sentindo culpados
dizendo até que fazem favor
há muita razão em quem os quer for
em despedi-los com um chuto no rabo
e pô-los à distância sem demora
não deixando nenhum ser mais nababo

Então depois quem vier a seguir
será capaz de pôr tudo nos eixos?
Parece igual a Alcácer Quibir
somos peritos nisso dos desleixos
após catástrofe nunca sabemos
como voltar a pôr a casa em ordem
nas discussões muito tempo perdemos
restamos todos na mesma desordem

Mas é só hoje que isso sucede
que por nossa culpa nos afundamos
que nos envolvemos na própria rede
e com isso mesmo nos glorificamos?
Tenhamos então alguma memória
olhemos para trás e reflictamos
é o que nos diz parte da História
por mais que muitos de nós aplaudamos

Mas é pena pois que heróicos feitos
também tivemos com certa fartura
mas dessas acções tirarmos proveitos
se existiram foi de pouca dura
nunca soubemos recolher partido
que resultasse num bem pr’o País
foi escasso sempre esse sentido
tudo nos passou longe do nariz

Mas afinal este tão nosso ser
não vem desde tempo d’Afonso Henriques
até antes quando um povo qualquer
trazendo consigo todos os tiques
recebeu convite “para que fiques”

COPO MEIO CHEIO


HÁ COISAS QUE PARECEM só ser possível que aconteçam em Portugal. Porque nós temos o costume de provocar discussão sobre todas as matérias que põem em contraponto modos de ver opostos, impondo as nossas razões àquelas que são defendidas pelos adversários. Mesmo que a verdade não se encontre em nenhum dos lados. Foi o que se passou logo a seguir à tal greve que paralisou grande parte do País e em que os sindicalistas dizem ter sido participada por 3 milhões de portugueses e o Governo afirma estar muito longe desse número. É a história conhecida do copo meio cheio e meio vazio.
Seja qual for o número que se possa considerar verdadeira, o que se verificou e que principalmente Lisboa sentiu profundamente na pele, foi uma enorme dificuldade em concretizar actividades que estavam programadas por aqueles que não tinham motivo para participar na paragem do trabalho, ou porque não aderiram ao apelo sindicalista ou porque a sua vida na área profissional não se enquadra no campo do trabalho - desempregados ou reformados. Isso, para não se referir os que aproveitaram a oportunidade que lhes foi proporcionada para permanecerem comodamente refastelados nas suas casas, sobretudo se se trataram de funcionários públicos que sabiam de antemão que as suas repartições não abririam as portas. E também daqueles que, antevendo a dificuldade em utilizar transportes públicos para se deslocarem ao serviço, nem deram um passo para o sítio habitual do embarque, servindo essa desculpa para aumentarem o número propagado dos grevistas.
Quantos foram, realmente, esses é que ninguém está em condições de apresentar um número ou uma percentagem. Mas que fizeram parte do grupo que se classifica do lado dos faltadores ao trabalho e, portanto, se incluem na parte do copo parcialmente cheio, sobre isso não pode haver dúvidas. E também, pouco importa classificar com rigor onde devem ser colocados os que não estiveram a cumprir a sua obrigação profissional, dado que, em maior ou menor percentagem, o que faz reflectir é a situação de perigo que o nosso País atravessa e de um futuro que será de consequências imprevisíveis, mas que, apesar disso, não impede que os homens que sempre desejam colocar-se nas montras dos acontecimentos tirem partido pessoal ou de grupo das suas acções.
Não hesito sequer em dar visibilidade à minha posição de adversário de qualquer tipo de paralisações laborais numa altura em que o que é absolutamente necessário é aumentar a produtividade a todos os níveis e em todas as áreas do nosso País. Nas fábricas, na agricultura, nos serviços, no sector público e privado. Não podemos dar-nos ao luxo de fingir que contribuímos para o aumento de resultados visíveis naquilo que cada um de nós faz. Se sempre estivemos longe de acompanhar os níveis mais produtivos de outras partes do mundo, se, na verdade, nunca primámos por ser exemplares não só na produtividade como também na sapiência em colocar nos mercados aquilo que fomos capazes de extrair das nossas mãos, neste momento concreto em que nos encontramos fomentar qualquer tipo de greve, tanto mais que o resultado que poderá ser obtido, como reivindicação por um desagrado face ao às forças públicas, será absolutamente nulo, não tem efeitos positivos de nenhuma espécie.
Se se impõe como necessidade fulcral que o Governo de Sócrates saia de cena ou se, como remendo mais exequível, se proceda a uma remodelação da equipa actual, pelo menos enquanto não existirem condições para, sem pânico exterior, se verificar que o caminho certo para solucionar os nossos problemas está a ser encontrado, então que para isso se façam as pressões que forem julgadas mais convenientes, mas nunca através de paralisações de trabalho dos portugueses, essa atitude compreende-se e é até desejável. Mas, ao mesmo tempo, o que se torna indispensável incutir no espírito de toda a população portuguesa é a atitude de produzir cada vez mais, melhor e depressa, porque o atraso que levamos e a situação periclitante que atravessamos não nos dá outra alternativa.
E esta recomendação serve igualmente aos dirigentes sindicais, a esses que tendo a sua actividade profissional garantida devem reflectir um momento no que é melhor para o Portugal que é de nós todos.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A CONSCIÊNCIA

Será que isso é vulgar
que obriga a grande ciência
para neste mundo andar
pôr de parte a consciência?
Não tê-la sempre presente
até sem mostrar p’ra fora
é não querer ser prudente
falhando na própria hora

Ser consciente dos actos
antes de os praticar
evitando espalhafatos
que possam embaraçar
esse é princípio ideal
que muito ajuda a viver
e evita muito mal
impedindo de sofrer

Mas então a consciência
é coisa que se explique?
É mais do que uma tendência
mas de que não se abdique
é a forma de pensar
ver a fundo consequência
e não tem de hesitar
se é boa a consciência

De consciência limpa andar
não ter de se arrepender
é bom caminho traçar
sem ter nada que temer
dizendo sempre as verdades
próximo não enganar
só provoca amizades
andar perto do amar

Dizer mal sem ter razão
acusar sem prova ter
é desdenhar o perdão
que se merece ao morrer
tudo está nas nossas mãos
na nossa própria inocência
querermo-nos como irmãos
só com boa consciência

OU GREVE OU TRABALHO...


COM TANTA COISA POR FAZER neste País, com o trabalho que depende da vontade dos homens e que necessita do mesmo tempo para ser completamente executado como aquele que tem de se aguardar para colocar Portugal em ordem com as suas contas públicas em dia, o que a nós portugueses nos resta é, pois, deixa passar as folhas do calendário para podermos vir a ter uma vaga esperança de que, finalmente, o juízo nos chegue e alcancemos, pelo menos, a média da produção dos melhores estados europeus.
Tenho sempre este costume de iniciar os textos com um preâmbulo que, em meu entender, prepara os leitores para o assunto que vai ser tratado. E, desta vez, como o tema é o da greve que ocorreu ontem e prejudicou tanta gente, não me ocorreu outro assunto que o de recordar o que está por fazer neste Portugal.
Pelo que se ouviu nas reportagens transmitidas pelas televisões, muitos pequenos comerciantes queixaram-se da falta de clientes que acorreram aos seus estabelecimentos, pois que até nos quiosques de jornais se verificou uma baixa considerável de vendas, para além de terem sido ouvidas várias opiniões de rua de gente que se mostrou contrária à paralisação organizada pelas duas centrais sindicais.
A par disso, pode ler-se claramente numa reportagem saída num matutino que afirma que, só em Lisboa, existem mais de mil prédios que se encontram em condições de, mais dia amenos dia, se despedaçarem nas ruas onde se encontram. Isso, quando já na véspera, em plena avenida 5 de Outubro, um edifício inteiro descambou e todos os residentes tiveram de sair apressadamente, apenas com tempo para salvar os seus pertences mais urgentes.
São estas, de igual modo que em muitas outras situações, que nos fazem interrogar o que estão a fazer os responsáveis dos diferentes sectores de decisão deste País, que não dão mostras de ter qualificação suficiente para se anteciparem aos acontecimentos que se arrastam e que poderiam e deveriam ter tido uma acção eficaz por parte de que tem como profissão cuidar do interesses públicos.
Então, primeiro deixam-se cair os prédios e só depois, pela acção dos bombeiros, é que se vão retirar os entulhos? Quem deve exercer as funções para que se lhes paga um vencimento e que deveriam evitar chegar-se a uma situação já radical?
O que se assiste por esta capital, em que prédios que foram deitados abaixo depois mantêm-se com o espaço vazio, em que os tapumes impedem mesmo os transeuntes de circular e o mau aspecto visual tem de incomodar toda a vizinhança, a esse espectáculo ninguém põe cobro. Se os senhorios dos tais prédios não têm dinheiro para prosseguir as obras, então que se tomem as medidas necessárias – que podem ser muitas – para que a situação mude, tanto mais que é forçoso dar trabalho aos que se encontram parados e as câmaras municipais têm meios para actuar em conformidade.
Em plena Praça da Alegria, um local bem visitado por turistas, mostra umas casas com mais de cem anos, só de um andar, a desfazerem-se e com um aspecto desolador. Pois não existe no Município lisboeta quem encontre uma solução para o problema?
Estamos, na verdade, entregues ao descalabro. Não temos por cá gente que consiga colocar Portugal no bom caminho, seja no Governo, nos lugares públicos, nos sindicatos, nas empresas e, de uma maneira geral, também nos que se dizem “trabalhadores”. Chegámos a este ponto. E ainda existe quem mantenha esperanças em alguma coisa?
O meu desconsolo é completo. E a razão por que tenho um livro para publicar, com o título “DESENCANTO…POR ENQUANTO!”, aguardando apenas que um editor seja capaz de deitar a mão a uma obra que terá, sem dúvida, o maior êxito junto do público, a razão, repito é de mostrar como conseguimos atingir um lugar tão fundo na Esfera terrestre em que estamos inseridos.
Vou esperando, pois que andar a bater às portas de quem quer que seja, isso não faço. Têm de ser os editores a fazer o seu trabalho e a dar indícios de interesse por obras que merecem ser divulgadas.
Não é de admirar, com esta forma de nós sermos, que esteja tanta coisa por fazer em Portugal. Mas, lá greves é um ver se te avias…

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

ADIAR

Tem razão quem não tem pressa
e para depois se deixa
sem medo de que se esqueça
nem de ouvir qualquer queixa
confiando na cabeça

P’ra quê andar a correr
afogueado labor
esteja onde estiver
algo se faz com rigor
tudo pode dar prazer

O cansaço não é prova
de que o labor sai perfeito
e se é matéria nova
pode sair sem defeito
seja prosa ou seja trova

Esperar com paciência
dar tempo ao tempo, então
é apostar na cadência
à corrida dizer não
e mostrar a sã prudência

O adiar é bem cómodo
o depois logo se vê
é um dito popular
em que muita gente crê
sem sair do patamar

Assim sem fazer alarde
Sem gritos de ter razão
Muito menos ser cobarde
Pensar com os pés no chão
Que amanhã pode ser tarde

GREVES PRECISAM-SE...


NÃO SE PODE DEIXAR DE PÔR OS NOMES ÀS COISAS. Isso de fugir às responsabilidade, de sair sempre pela porta dos fundos, de não querer alimentar inimizades, sobretudo quando elas podem vir de alguém com um certo poder, tal atitude deve ser afastada do comportamento dos portugueses que, como é sabido, apenas dão mostras de uma posição que entendem ser justa quando se formam grupos, e quando existe alguém que, nas traseiras, prepara cartazes e frases feitas que se propagam nos altifalantes.
E é por isso que as organizações que movimentam multidões que ocupam as ruas e que se auto denominam como defensoras de ideais que têm em vista a protecção das populações, são quase sempre oriundas de movimentos políticos que, com tais atitudes, também pretendem angariar mais adeptos para as causas ideológicas que mantêm. Mas, quanto a isso, não existem novidades que os cidadãos não conheçam, e se aderem a tais aglomerados de participantes será por uma das razões à escolha: por terem prazer em fazer parte de movimentos que percorram as ruas e isso os diverte, porque, a junção a essas marchas lhes proporciona uma desculpa de falta aos deveres de trabalho, porque, obviamente, estão de acordo com os motivos da reclamação popular, e também porque sempre têm oportunidade de ser apanhados pelas câmaras de filmar das televisões e com isso gozarem do prazer de uma exposição, ainda que seja completamente efémera.
A greve geral, anunciada há já bastante tempo e que tem como cabeça de cartaz o homem forte da CGTP, Carvalho da Silva, que surge frequentemente a clamar contra as medidas que, na sua óptica, prejudicam os “trabalhadores” – como se fossem só os que trabalham por conta de outrem que sofrem as consequências da má governação socratiana -, porém, naquilo que ninguém é capaz de expor é se tamanha convergência de habitantes e residentes nacionais irá resultar na rectificação das acções governativas e se o tempo que foi perdido para traz sem serem dados os passos que as circunstâncias impunham para ter evitado o mal maior que nos encontramos agora a sofrer, é agora recuperado com esta paralisação e, a partir de tal tomada de posição tudo fica resolvido e já não temos de nos preocupar sobre se o FMI tem de vir até cá para impor as medidas que ainda mais agravarão o dia-a-dia dos portugueses ou se, através da paragem da actividade de uma centenas de milhar de portugueses, com isso resolvemos o problema.
Carvalho da Silva, que foi um antigo trabalhador dos estaleiros na outra margem do Tejo, participante no movimento comunista como era e é do seu inteiro direito, aderiu, em determinada altura da sua vida operária, ao apelo que a Esquerda específica lhe fez. E, sem que se possa acusá-lo de oportunidade aproveitada, é certo que tirou partido de tal passo e, utilizando as características que o marcam, subiu rapidamente dentro do movimento a que se atribui a luta pela melhoria das condições de vida dos que trabalham por conta alheia. Atingiu o primeiro posto. E, como funcionário dessa organização, chamada CGTP, fez desse caminho uma espécie de via que lhe foi proporcionando, para além da saída de funções operárias, os estudos superiores, o que, há que dizê-lo, só constituem um mérito e não motivo de crítica, se bem que os horários de que passou a usufruir lhe tenham proporcionado uma liberdade para o estudo que a anterior ocupação não permitia… nem o que ganhava chegava para se manter.
Lula da Silva, também ele um antigo operário, atingiu a posição de Chefe de Estado do Brasil e deu mostras de ser capaz de pôr ao serviço dessas funções um bom senso e uma actuação que lhe mereceram o respeito dos cidadãos brasileiros. Ocorre-me fazer agora esta pergunta: se Carvalho da Silva tivesse a oportunidade de chegar a um posto semelhante aqui em Portugal, que atitude seria a sua de forma a colocar o nosso País na senda certa, dentro, obviamente, do sistema político democrático que vigora entre nós e não recorrendo a qualquer modelo ditatorial e, como ele tem proclamado, saindo do espaço da Europa Comunitária e do euro, e fixando-se numa espécie de Albânia de outro tempo, aqui isolados do resto da Europa e do mundo?
Gostava de conhecer a opinião de muitos dos actuais seguidores das posições de Carvalho da Silva, já que eu, que também sou, como está largamente provado, um descontente com a actuação do Governo que temos, não alinho nas paralisações dos que trabalham, antes defendo a tese de que é imperioso que todos sejam mais eficientes nas funções que exercem, percam menos tempo agarrados aos telefones, não faltem tanto ao trabalho com a escusa de imensos motivos, sejam pontuais e actuem cá dentro como os nossos emigrantes no exterior procedem. Porque lá, se não cumprirem… são despedidos sem recurso à justa causa!
Assim, a grande greve que hoje vai ter lugar, não tem outro resultado que não seja o de “descansarem” mais este dia todos os que andam sempre a arranjar escusas para não porem os pés no lugar da sua actividade. Não é fácil largar esta opinião, pois muitos dos que são sempre vistos pelas câmaras de televisão a clamar pelos ditos “direitos dos trabalhadores”, nunca apelando pelo aumento de produtividade e menos ainda recomendando que todos se entreguem à sua actividade e não se distraiam com conversas, pelo contrário sempre acusando os empresários de prestarem um mau serviço ao País, o que também é verdade em muitos casos, repito, toda essa mole de gente que não tem a mínima comparação com, por exemplo, os trabalhadores alemães (já nem falo nos chineses) que lutam pela maior eficiência naquilo que é a sua labuta, repito, essa gente ao tomar conhecimento deste blogue é evidente que se insurgirá e não perdoará que, mesmo tendo o seu autor sofrido perseguições ao longo do antigo regime, nesta altura, será acusado de defensor do capitalismo, essa posição que nunca soube o que era.
Dói, pois dói. Mas então ninguém tem conhecimento desta situação e sou apenas eu que apelo ao bom senso?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

À GRANDE!


Frase sem sentido é
e quando nos falta tudo
é ver por aí o Zé
a gabar-se de pançudo

O gastar sem se ter conta
não dando ares de fraqueza
é aí que a gente tonta
diz à grande e à francesa

Porque antes só ia a França
quem era então gente rica
como sinal de abastança
pois pobre só Caparica

Os tempos porém mudaram
já não são os emigrantes
como então p’ra lá saltaram
procurando bens distantes

Por isso em tempos tais
se dizia com certeza
que quem gastava demais
vivia à grande, à francesa

Mas hoje, com esta crise
há quem mostre tal fartura
e mesmo que não precise
quer fazer essa figura?

Até mesmo os protegidos
da política que nos rege
se fazem de desvalidos
escondem quem os protege

Deixou de ter um sentido
dizer que é bom à francesa
pois grande só em gemido
quando ocorre uma despesa

NÃO APRENDEMOS NADA


É EVIDENTE que nem vale a pena perdermos tempo a admirarmo-nos pelo facto de os governantes que temos, neste caso a equipa do ministro Teixeira dos Santos, ter mostrado tanta relutância e dificuldade em efectuar o corte radical nas despesas, quando, afinal, o mais fácil e aquilo em que temos obrigação nós, portugueses, de ser mais experientes, pois nas nossas casas e sobretudo os que vieram de outros tempos, da época em que se tinha de viver de envelopes com o dinheiro que se podia dispor por mês em cada departamento dos gastos das famílias, o que parte de nós, lusitanos, tivemos alguma experiência é o de sermos obrigados a limitarmo-nos às possibilidades estritas que existiram, mas, repito, esse exercício que deveria ter sido aprendido por essa camada de inconscientes que tem andado a julgar que somos ricos é o que fez com que chegássemos a este ponto em que estamos, que é o de não conseguirmos eliminar gastos em coisas inúteis. Mas a verdade também é que, no período de vida actual, as juventudes gozam de privilégios que, trinta ou quarenta anos atrás, eram impensáveis. Passaram a dispor de carro próprio muito cedo, de não serem obrigados a ir a pé ou de transporte público para as escolas, de saírem à noite e de gastarem dinheiros que não foram obrigados a ganhar com trabalho, de tudo ser fácil o que os faz emitir opiniões convictas e de fazerem a vida baseada apenas na actualidade, nas “internets”, não querendo saber como foi a história dos antigos, pois o para trás já morreu… E é uma pena que assim seja.
Eu bem me lembro que, quando rapaz, acabada que era a Grande Guerra e ainda com o hábito das senhas de racionamento que limitavam as compras, a minha Mãe dividia, no início de cada mês, o dinheiro disponível para o período que se seguia e colocava-o em sobrescritos, com a respectiva indicação por fora as verbas destinadas a esse fim. E era escrupulosamente a cada montante que tinha de chegar para fazer face às necessidades estabelecidas, nunca podendo ser ultrapassadas.
Ora, na situação em que nos encontramos – e esse esquema até deveria ter sido seguido desde há já alguns dois ou três anos, senão mais -, onde reside a dificuldade em as tais cabeças pensantes, grandes sumidades e todos “doutores” e “engenheiros” com formações académicas de primeira linha, gente que, conforme é costume afirmar-se, são todos de “provas dadas”, qual o motivo por que não são capazes de efectuar um exercício tão fácil?
Neste blogue tenho dado já várias sugestões para que as economias públicas sejam efectuadas, pelo que não vou aqui repetir a lista que, no mínimo, poderia ter sido juntada a outras ideias que surgem constantemente na opinião pública. Mas o ministro das Finanças, bem sustentado pelo primeiro, entende que não deve prestar grande importância ao que se “diz por aí”, pois são eles os que sabem e não recebem lições de ninguém…
O que foi divulgado e não há assim tanto tempo de serem reduzidas as freguesias de Lisboa (e talvez também noutras cidades), pois que existem áreas onde o lado direito de uma rua pertence a uma direcção e o outro lado faz parte de outra freguesia (vide, por exemplo, a rua Ferreira Borges, em Campo de Ourique), essa medida faria baixar os custos, ainda que, em períodos normais, seja aconselhável a maior divisão possível para permitir um contacto mais directo com os munícipes, tal disposição será um dos recursos que se poderia deitar a mão.
Mas eu registo este apontamento apenas e só como exemplo, pois que existem muitíssimas outras rubricas onde a mão dos governantes, os que forem competentes, pode e deve mexer, com o objectivo que tem de ser o mais importante para tentar, em última e derradeira causa, não ir por outra acção e que é a de aumentar os encargos aos cidadãos.
Continuo nesta senda de não estar apenas a criticar, mas no propósito de participar, com alguma coisa, por pequena e insignificante que seja, no sentido de se criarem reservas para fazer face aos elevados juros que carregam as nossas costas e que os nossos vindouros terão de suportar com língua de palmo.
Vem este texto a propósito do comunicado feito agora pelo ministro das Finanças no Parlamento, em que deu conhecimento de que aquele montante de 550 milhões de euros que era forçoso reduzir nas despesas, para dar seguimento ao quer ficou acordado entre o Governo e o PSD, para efeitos da passagem do O.E., situação esta que parece ter dado tanta dor de cabeça a Teixeira dos Santos, o referido passo sempre foi dado, dando a impressão que se tratou de um esforço sobre-humano. Curioso, no entanto, foi verificar que um dos cortes se situa na área dos combustíveis, mas não se descortina a redução, que parece ser a mais natural, do número de viaturas, especialmente as de luxo, que abundam na área dos beneficiados do sector público. Coisas que só acontecem nesta nossa Terra!
A repetitiva afirmação, por parte dos elementos do Governo, de que a nossa situação não pode ser comparada à da Irlanda, por muito consolo que provoque a alguns que se contentam com pouco, tem de ser confirmada, lá para o primeiro trimestre do próximo ano, não só por nós próprios como da parte dos credores que não deixam de estar atentos ao comportamento que formos capazes de evidenciar, pois que as dívidas do Estado ao estrangeiro e os juros sempre a aumentar não vou tornar a nossa vida fácil.
Se as greves, como a que está anunciada para amanhã, voltarem a repetir-se, por muito justificável que seja e não deixe dúvidas quanto à opinião dos portugueses em relação à culpa do Governo Sócrates em ter permitido que a situação nacional chegasse a este ponto, não é com paralisações do trabalho que conseguiremos dar a ideia de que nos estamos a recuperar. E, nesse caso, teremos de sofrer as consequências das faltas de comedimento.
Mas continuemos a observar o que fazem os “inteligentes”. E cá estaremos para dar a opinião, como é o nosso direito.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

NÃO DEVO TER RAZÃO

Aquilo que nós pensamos
quando em tese insistimos
e depois nos admiramos
quando por fim consentimos
que afinal não é assim
que a razão não nos assiste
não vale fazer chinfrim
que a certeza não existe
ao chegar a esse ponto
dar a mão à palmatória
não fazer papel de tonto
e pôr fim na oratória
é o que se deve fazer
sair bem visto de cena
e com isso aprender
que teimar não vale a pena

E mesmo tendo razão
se o outro não a aceita
melhor oferecer a mão
porque amizade desfeita
só por uma teimosia
coisa que não vale a pena
pode ser que algum dia
noutra conversa amena
o assunto volte à calha
e quem antes discordava
já não faça de muralha
e com desculpa alinhava
e aí o que nos compete
é disfarçar utilizar
em vez de deitar foguete
assobiar para o ar

As muitas vezes na vida
em que a razão é nossa
não tem de causar ferida
nem provocar qualquer mossa
Com cuidado e gentileza
mais vale fazer de tolo
porque mesmo com certeza
deve ao outro dar consolo

Não custa nada fingir
é como esmola ao pobre
no fundo é só repartir
e ter um gesto mui nobre

Já com dúvidas é pior
mais vale ficar calados
teimar é risco maior
dá azo a sermos julgados

Assim, prudência aconselha
em qualquer ocasião
ter sempre atrás da orelha
dúvidas sobre a razão

PRESERVATIVO - VENHA ELE!


QUANDO ONTEM escrevi, neste meu blogue, que o homem, mesmo contrariado, lá consegue alterar o seu ponto de vista sobre determinadas matérias e, ainda que o faça muitas vezes demasiado tarde – o Sócrates, sempre ele, é disso um exemplo que nos tem custado os olhos da cara -, sempre é preferível que isso acabe por suceder do que nunca se verificar que tal passo seja dado, repito, quando redigi o texto em causa estava muito longe de imaginar que o Papa aparecesse a público para, dando o dito antes por não dito, defendesse o uso do preservativo para, como afirmou, precaver quanto à expansão da Sida, um terrível mal que não é conhecida só agora mas que há bastante tempo tem vindo a ser propagada, especialmente em África.
Ora aí está como, seja quem for a personagem que dê mostras de alterar os seus pontos de vista defendidos anteriormente com enorme convicção, não receia dar a mão à palmatória e se preste a acusações e críticas de quem ainda não entendeu que, ao contrário dos maus humores, é digo de louvor quem desça do pedestal e se exponha com a mais sincera modéstia.
O aconselhamento do uso desse apetrecho que defende o ser humano de contágios por via sexual, se passar a ser feito nos recintos religiosos, onde muita gente escuta as indicações que lhe são prestadas por personagens que lhe merecem a maior confiança, tal clareza de linguagem com ligação ao relacionamento do ser humano (já nem se faz referência agora à diferença de sexos), poderá ser muito mais eficiente do que qualquer tipo de propaganda comercial que, mesmo assim, lá é efectuada em certos meios de comunicação.
Será que as Igrejas, as diferentes que têm aceitação nos povos que ocupam os diferentes países europeus, poderiam prestar uma ajuda no sentido de instigar os habitantes deste Continente a criar movimentos que convençam os detentores do poder na sua área - isso para que uma união perfeita, harmoniosa, sem invejas e sem pretensões de alcançar vantagens pessoais e de nações umas sobre as outras – a edificar uma autêntica união de interesses, algo mesmo semelhante ao que muito se tem falado mas que não se concretiza, de uns Estados Unidos da Europa?
Se se perderam os complexos em relação ao antes tão temido em referir, o preservativo, não existem razões para que o Papa de um lado e os restantes membros superiores de outras ideologias religiosas não se unam e propaguem nos seus respectivos púlpitos este passo de tão grande importância que é o de passarmos, todos nós europeus, a concentrarmo-nos numa irmandade que, já com uma moeda única em vários diferentes nações - as que faltam têm de merecer a censura dos restantes -, ainda que com regimes políticos diferentes passem a constituir uma família que se ajuda em todas as circunstâncias.
Acabámos agora de facilitar a nossa área a uma Cimeira da NATO. Pois então que se dê um passo no sentido de se efectuar também uma Cimeira da Europa. E, em vez de andarem os nossos homens políticos a proclamar que não há semelhança entre as dificuldades que ocorrem em Portugal e o que se passa com a Irlanda e a Grécia, como quem sacode o contágio da lepra de que alguém sofre, o que se deveria era clamar por uma ajuda de todos os que se situam neste Continente e criar as condições para que não existam países pobres e países mais ricos neste nosso pedaço do mundo.
Se isso não suceder, então não será apenas Portugal e os outros países em dificuldade que correm o risco de desaparecer. Será a Europa, ela toda, que deixará de contar com o privilégio de continuar a constituir um espaço que sempre foi exemplo nesta nossa Crosta Terrestre.
A China aí está somente à espera. E podem esbracejar muito os que sempre foram contra a política de Mao-Tse tung, esse ditador que não criou grandes admiradores em todo o mundo não comunista, mas a verdade é que aquele País chegou ao ponto em que se encontra hoje e se dispõe até a comprar dívida pública a Portugal.

domingo, 21 de novembro de 2010

ESPERA

Quem na vida que se leva
parte dela não passou
à espera de quem lhe deva
veja o dia em que pagou?

O esperar é bem a sina
dos que andam pelo mundo
e sentar-se numa esquina
não é só p’ra vagabundo

Eu já vou, não me demoro
diz quem pede paciência
se se trata de um namoro
é sempre grande a urgência

Espera aí um bocadinho
às vezes é coisa d’anos
pode bem ser um espinho
que causa enormes danos

À espera andamos todos
desde o primeiro dia
e cansamo-nos a rodos
na esperança de magia

O HOMEM MUDA

NÃO CAUSA NENHUMA SURPRESA verificar-se permanentemente que o Homem tem uma enorme dificuldade em mudar de comportamento e em reconhecer os erros praticados, ao ponto de, em determinada altura da sua vida, ter de dar um passo atrás e de se penitenciar publicamente no que respeita a alguma culpa pelos fracassos, quer os pessoais quer os que envolvem grupos e coligações. De uma forma geral, só quando se atingem situações deveras penosas e decorrido um certo e até excessivo tempo sobre os factos que constituíram prova suficiente de que era forçoso tomar decisões contrárias às que tinham estado na base da formação antes tomada, apenas em tais circunstâncias e ouvidas que terão sido muitas críticas em relação ao que não havia maneira de ser alterado, só após se ultrapassarem imensas queixas é que o autor ou autores do mal que se atingiu é que, ainda que contrariados, os seres humanos se dispõem a encarar o assunto e a procurar outro rumo.
E se isso se verifica com o homem comum, aquele que apenas pode desgostar num núcleo restrito em seu redor, quando tal acontece com personalidades ditas públicas e, em particular, quando as suas acções envolvem países ou grupos de potências que se tenham juntado com um determinado objectivo, então as consequências são muitíssimo mais relevantes e a mutação de atitudes, de objectivos, de resultados provoca uma enorme mexida em fundamentos que estariam estabelecidos com uma certa firmeza nos seus alicerces.
O mundo caminha com uma velocidade tão elevada que, em muitas ocasiões, não dá tempo a que os altos responsáveis por determinadas áreas políticas e financeiras, com influência directa nas sociais, passem a utilizar vias diferentes, até mesmo de recuos, de modo a ajustarem-se às modernizações que as novas tecnologias impõem. E não só essas.
E aí, também o ser humano se tem de enquadrar, recusando seguir o seu apetite e escondendo a vaidade que lhe está intrínseca por ter sido autor ou participante de um modelo de que se gaba. E é precisamente tal atitude que custa a tais personalidades admitirem que se esgotou o tempo que lhes deu posição de nomeada e atrasam, tanto quanto conseguem, as alterações que se sobrepõem.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN ou NATO, viu chegada a sua hora de encarar a importância da sua actividade e, numa fase em que já não se justifica o frente-a-frente que motivou o nascimento dessa Organização, entre os países do Ocidente e a União Soviética, num período de guerra fria que terminou com a queda do muro de Berlim, havia que dar o braço a torcer e encarar a verdadeira importância da sua existência que, no momento que se atravessa e já desde há algum tempo, apenas se justifica para enfrentar as acções terroristas dos grupos que, sobretudo saídos de algumas áreas islâmicas, têm como único objectivo provocar um mal estar que tem como base a divergência de religião. Ainda que já algo tarde, havia que mudar. E mudou-se. E Lisboa foi palco dessa alteração.
As conclusões a que se chegaram e que serão revistas em 2012, provocaram uma alteração substancial no “modus operandi” da actuação da NATO – menos militar e com um toque civil de enorme importância -, o que mostra que este acto se enquadra na tal mudança de comportamento que o Homem, mesmo relutante, de vez em quando, não pode recusar-se a fazer.
O que será motivo para lastimar é que o exemplo colhido com o resultado positivo alcançado nesta reunião não sirva para criar um impulso de concórdia e de junção de vontades no que se refere à Europa, em que muitos dos participantes agora em Lisboa também fazem parte, com idênticas funções, no grupo os 27 do nosso Continente. Encontrando-se numa situação difícil quase todos os países que compõem o núcleo a que também Portugal pertence, o que seria desejável era que se efectuasse também uma Cimeira que procurasse formas de actuação e de inter-ajuda entre os mais bem situados e os que se situam num plano de grande carência. Afinal, são nações estranhas ao grupo, como a China, por exemplo, que se prestam a dar a mão, evidentemente com o objectivo de vir a receber benefícios por essa sua atitude.
Justifica-se, pois, o que começo por afirmar neste meu escrito. E vem, por maioria de razão, a propósito, porque foi o nosso País o escolhido para o encontro de tantos responsáveis mundiais durante dois dias. E não é possível deixar de fazer o sublinhado de que este acontecimento veio mesmo a calhar para encher o ego de José Sócrates.
Tem mesmo sorte este danado Homem, pois que por muito que, desde há tempos, tenham vindo a aumentar sucessivamente os sinais de desconsolo, por parte dos portugueses, em vê-lo à frente do Governo que ainda se mantém, têm surgido sempre alguns acontecimentos que lhe provocam um acréscimo de prazer em se ver ao espelho e, no caso presente, os inúmeros apertos de mãos que teve ocasião de dar, como anfitrião governamental, a tantas grandes figuras mundiais de enorme prestígio político, essa oportunidade ainda lhe vai provocar maior reticência em se afastar da cena política e a dar lugar a outra personagem que o substitua. Obviamente que tudo isso dentro de uma normalidade que não provoque ainda maior abanão no péssimo estado em que se encontra Portugal no capítulo da economia, das finanças e sobretudo da situação política que está instalada, atendendo às circunstâncias especiais que nos limitam em virtude do calendário que não permite atitudes imediatas deste tipo.
Mas, posta de parte, por hoje, esta circunstância, temos de nos congratular por ter ocorrido no nosso terreno uma reunião de todos os homens fortes da política mundial e só temos de desejar que esta mostra pública e internacional do nosso nome, como País, seja bem utilizada para podermos tirar algum proveito, no capítulo dos mercados que se podem conquistar para os produtos que já de nossa origem, mas, muito mais do que isso, que chame a atenção dos investidores de fora no sentido de trazerem o seu saber e o seu dinheiro para montar na nossa Terra novas empresas que contribuam para aumentar o nosso poder produtivo.
Se isso não suceder, o que é verdadeiramente lastimável, é porque nos mantemos, os cidadãos e os poderes públicos, sem aprender nada com o que se passa à nossa volta e mantemo-nos com as mãos metidas nos bolsos, apenas aptos e organizar greves – que não oferecem o menor resultado prático naquilo que é essencial – assim como também é da nossa preferência o assistirmos a serem estabelecidos feriados por dá cá aquela palha e, também por decisão do Governo, a dispensas de ponto dos funcionários públicos.

sábado, 20 de novembro de 2010

A PREGUIÇA

Que bom é não fazer nada
sem qualquer obrigação
e enfrentar a jornada
não dizendo sim nem não
tanto faz como até fez
ser tudo igual não importa
como andar de lés-a-lés
a bater a toda a porta
foi coisa de outros tempos
eu nem me quero lembrar
já não me servem d’exemplos
é hora de descansar

É preguiça?
Pois será
mas eu mando um grande “xiça”
ninguém me provocará
fujo das complicações
do que seja casa cheia
já perdi as ilusões
de que alguém me dê boleia
pois quando se conclui
que ao mundo já nada damos
é fugir e gritar: fui!
onde nem cabe o “digamos”

Quem de preguiça acusou
outros de nada fazerem
a certa altura chegou
em que vendo envelhecerem
nesse grupo também entra
e ao sofá se entrega
nessa fofura concentra
o que foi o cega-rega



NATO


NÃO ESCONDO que, em minha opinião, a Cimeira da NATO que está a ter lugar em Lisboa e que reúne um tão grande número de responsáveis maiores de diferentes países, incluindo Barak Obama (na sua primeira vinda ao nosso País), por ter uma tão larga repercussão em todo o mundo e, por isso, levar o nosso nome e a nossa existência junto de tantos povos que, como eu verifiquei várias vezes nas minhas viagens que fiz a inúmeros países, com frequência ao falar-se de Portugal levanta-se a interrogação “onde é que isso fica?”, devido a essa circunstância - e não só por isso - tem de merecer o aplauso de todos nós que, conscientes que temos de estar quanto à necessidade de colocarmos os nossos produtos fora das fronteiras nacionais, para tal, muito ajuda toda a propaganda que for feita sobre a realidade deste nosso País.
É evidente que a larga produção que nos falta não contribui para que tiremos todo o proveito que seria tão útil no sentido d se abrirem mercados de consumo no estrangeiro, mas, no mínimo e por agora, o turismo português pode ganhar alguma coisa com a difusão do nosso nome e, por outro lado, visto que necessitamos de grandes investimentos vindos do exterior, se a máquina de procura dessas aplicações externas fizer razoavelmente o seu trabalho – e de novo chamo a este tema a acção que se necessita da instituição que nos custa tanto dinheiro e que se chama AICEP -, sem dúvida que esta propaganda lusitana bastante ajudará.
É verdade que o incómodo que é provocado pelas limitações de movimentação que as seguranças são obrigadas a impor (e que vergonha essa dos blindados, que custaram tão caro, afinal nem tenham chegado a tempo!) e que o dispêndio que toda a Cimeira provoca caia numa altura em que as restrições de gastos seja a primeira prioridade, não se nega que tudo isso não constitua uma mais valia para o momento de dificuldades que atravessamos. Mas, se podemos cortar noutras áreas – como, por exemplo, os dos embelezamentos das ruas para lembrar a passagem do Natal -, neste caso o retrocesso de benefícios de que podemos vir q usufruir compensa o esforço monetário agora feito. É o meu ponto de vista.
Mas se, ao mesmo tempo, se toma conhecimento de que os CTT, instituição portuguesa com ligações ao Estado, cuja administração está disposta a perder 34 milhões de euros com rendas em prédios que, tendo sido utilizados pelos seus serviços, vão ficar vazios por deficiência de contrato com o senhorios, sendo inúmeros os casos em que as péssimas actuações dos seus responsáveis fazem deitar pela porta fora enormes montantes que deveriam causar os seus “despedimentos”… por justa causa, perante este panorama tristíssimo a que nos habituámos já desde há vários anos, teremos de aceitar o investimento que é feito com grande sacrifício do erário público, mas que, face ao TGV, ao novo aeroporto, às inúmeras auto-estradas em que desperdiçámos milhões de euros, mostra ser exactamente o contrário do que se gastou sem contrapartidas à vista.
A remodelação do Governo Sócrates, de que tanto se fala nesta altura, e que não será uma medida fácil e com os resultados positivos que se têm de requerer – pois não será natural que se prontifiquem, para fazer parte do Executivo do mesmo “chefe”, figuras de valor que sabem que o virar da esquina será de contribuição num mau esquema, arriscando-se a herdar as culpas que ficam a marcar as participações numa governação em que a História colocará uma mancha negra no seu período – está também a ocupar as preocupações dos portugueses que, apesar de tudo, sempre irão acompanhando os passos da nossa complicada vida nacional.
Esperemos pela partida dos vários presidentes de países que fazem parte da NATO para nos entregarmos então aos problemas nacionais, se é que os Sócrates que fazem parte do Governo português nos dêem alguma ideia daquilo que se vai passar no seu “recreio” de condução do nosso cansado País.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

AS QUINAS

I
Em certa manhã de nevoeiro
Vai despertar aqui no País
A esperança de ser feliz
Trazida por um alvissareiro?
II
Em Terra de tantos pacientes
Ainda há fé em epopeias
Pois o sangue que corre nas veias
Vem de outrora, de antigas gentes
III
Por mais que se julgue adormecida
A ânsia do Mostrengo matar
Grande coragem não vai faltar
Sempre se vai dar a acometida
IV
Tanta apagada e vil tristeza
Que é apanágio do Português
Não quererá que um dias, talvez
Ponha à mostra a sua sageza
V
Para os últimos deixarem de ser
P’ra entrarem no comboio perdido
Há que soltar o ar abatido
E sem demora correr, correr
VI
Olhemos aqui para os vizinhos
Esses, doutros tempos, Castelhanos
E honremos os velhos Lusitanos
Seguindo então novos caminhos
VII
Por mais que estejam adormecidos
Mesmo que pouco e mal se lute
Não se há-de perder o azimute
No fim não sairemos vencidos
VIII
Discutir-se-ão muitas opções
Os políticos debitarão
Mas negar, nunca o negarão
Esse mar que nos cantou Camões
IX
Seguro que vai ser necessário
Que a fome nos ataque primeiro
E que se faça um grande berreiro
A lastimar o nosso calvário
X
Mas p’ra atingir tão grato projecto
D’a os da Europa sermos iguais
Só teremos, oh simples mortais
Que rogar ao Supremo Arquitecto

DESCANSAR É BOM!!


ESTA DECISÃO tomada pelo governo de Sócrates de estabelecer o dia de hoje com o “benefício” de dispensa de ponto para os funcionários públicos só pode ter como justificação a baixa de salário de que tanto se fala naquele sector. Porque não há Cimeira da NATO que valha num País de tão baixa produção dos seus cidadãos como este nosso Portugal.
Quer dizer, todos os motivos servem para não trabalhar e esse incentivo parte de cima, daqueles que deveriam dar o exemplo, mas que utilizam todos os argumentos para meter as mãos nos bolsos, não só dos outros, com os aumentos do custo de vida, como igualmente dos seus, pela paralisação de actividades que promovem e seguem para si mesmos.
Os caricaturistas têm tido muitos casos para transmitir ao papel as “gracinhas” que os nossos governantes ocasionam e dariam para uma grande risota se a tristeza que atinge todos não transformasse as lágrimas do riso em lágrimas de sofrimento.
Mas que teria na cabeça este José Sócrates e todos os seus membros governamentais – porque não parece que algum deles tenha dado mostras de descontentamento pelas asneiras que se cometem – para acharem que esta medida desencantada do fundo dos seus cérebros viria mesmo a calhar numa altura em que o que deveria suceder era exactamente o contrário, ou seja tudo aberto, a funcionar, as lojas com as portas escancaradas a todas as horas e todos os dias (respeitando, evidentemente, os horários dos funcionários), isso para provocar o alargamento da necessidade de empregados e, com tal medida, tentar diminuir o elevadíssimo número de desocupados? Seria bom que os portugueses tomassem conhecimento da razão desta destemperada atitude, se existisse, da parte dos tais que mandam, o hábito de tudo explicar aos que pagam as contribuições e sofrem as consequências dos péssimos homens que temos nos lugares de chefia.
E como essa dispensa de trabalhar ocorre numa sexta-feira, é óbvio que se trata de uma “ponte”, das tais que caem sempre bem no prazer dos portugueses ainda mal estimulados para aumentar a produção nacional, e, por isso, vamos aproveitar este presente socratiano, porque enquanto ele se mantiver no lugar e não aparecer ninguém com um mínimo de vergonha e de bom-senso, que dê a volta a toda esta rebaldaria que nos comanda, sempre poderemos contar com uns descansos deste tipo, se bem que os sacrifícios de carteira e ao triste drama de assistirmos progressivamente ao caminhar para o fim do País que temos, sempre nos poderemos continuar a roçar pelas paredes.
E, enquanto a maioria dos políticos – e até dos agora apelidados de “politólogos” – anda a proclamar que é imperioso que Portugal produza mais, não indicando, porém, a forma de ser dado esse passo fundamental, na verdade, mas difícil de atingir nas actuais circunstâncias, e até Jerónimo de Sousa, na entrevista que deu ontem na RTP, não foi capaz de apresentar argumentos convincentes que, sem insistir nessa história doentia da Esquerda e da Direita, mostrasse quais os passos essenciais para que saiamos desta paralisação produtiva para uma dinâmica forma de passarmos a consumir internamente o que cá se faz e façamos todos os esforços para que as nossas exportações se tornem um apoio ultra-importante para equilibrar as contas públicas portuguesas.
Por meu lado, dando razão à necessidade fundamental do nosso País sair deste estado, que vem já de bastante longe, de nunca termos conseguido, apesar de sermos uma pequena Nação, uma posição de possuidores de um determinado número de produtos com características lusitanas que obtivessem um mercado externo importante e duradouro, como sucede com outros parceiros europeus de que se conhecem bem as suas actuações, dado que nos deixámos arrastar até esta altura e só agora é que gritamos face a tal carência, como as produções, primeiro, e as conquistas de compradores estrangeiros depois não são coisas que se consigam alcançar com relativa rapidez, não é coerente manter esperanças de que é agora que, através dessa propagação, vamos poder alterar o mau estado financeiro, económico e social em que nos encontramos. Não se trata de pessimismo, mas apenas de uma chamada à realidade, posto que é disso que todos nós necessitamos, aprendendo alguma coisa com os vastos erros praticados e tentando não os repetir para o futuro. A nossa juventude, sobretudo essa, deve ser chamada a enfrentar os factos concretos e, conhecendo o mau que foi produzido, a História mais antiga e a moderna, começar já a imaginar o que lhes caberá fazer quando for a sua vez de tomar conta dos destinos que se lhes depararem.
Mas, voltando ao tal dia sem trabalho que o Governo resolveu estabelecer para hoje, com a “ponte” consequente, fico mudo e perplexo. Nem sei o que devo dizer no meio de todo o espectáculo de pouca-vergonha que nos é oferecido pelos homens que se mantêm com os lugares de que desfrutam e com as benesses que para eles ainda dá para não se afligirem muito.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

HOMEM PERFEITO

Quisera eu ser outro ser
nem comigo me parecer
aceitar tudo, bom-mau
ter atenção ao degrau
e se é feio não ouvir
o melhor sempre é fingir
viver só um dia à vez
não ver mal que outro fez
deixar passar quem tem pressa
ajudar a quem tropeça
mostrar sempre paciência
e ter à mão a clemência
para quem tem pouco tino
e tem gosto em ser cretino
não mentir se não faz falta
nem nunca enfrentar a malta
se ela está enfurecida
e vem de arremetida
deixar quem quer dissertar
se é feliz só por falar
também contrariar
quem pensa nunca errar
e gosta de se ouvir
querendo sobressair
contrapor não vale a pena
não torna a conversa amena
nem sempre o contraditório
tem algo de meritório
estar de acordo p’ra fora
para dentro não senhora
mas ninguém dará por isso
p’ra não causar reboliço
queria ser bem perfeito
ser limpinho sem defeito
estar bem com todo o mundo
que digam eu ter bom fundo

Mas se eu fosse assim
poria a rir-se de mim
e a chamar-me nomes feios
e a gritá-los sem receios
quem fosse bem diferente
que é afinal toda a gente
e eu ficaria calado
sem reagir, sem enfado
pois um santo não reage
e aceita qualquer traje

Mas sendo assim afinal
não tendo nada de mal
p’ra que serve um ser quejando
que não faz qualquer desmando
que tudo deixa na mesma
e se move como lesma ?

Queria então ser assim
suave como cetim.
Mas sem fazer mal nem bem
ser assim um Zé ninguém
que não tira nem aumenta
e só coloca água benta
em tudo que o rodeia
é mole como geleia ?

Pensando bem, não senhor
prefiro sim pôr fervor
naquilo em que me empenho
dando todo o meu engenho
mesmo que contrariando
e provocando desmando
nos interesses já criados
ainda que mal pensados;
pior que fazer mal feito
mesmo obra sem preceito
é falta de iniciativa
é ficar na defensiva
é deixar cair os braços
é ser igual aos madraços
é não cuidar do futuro
nem mostrar ser-se seguro

Homem perfeito, vá lá
toda a gente gostará
até por comodidade
e para deixar saudade
quando partir e for desta
para a prolongada sesta

ESSE SER HUMANO!...


QUEM ACOMPANHA com alguma regularidade o meu blogue diário tem consciência de que a opinião que expresso quanto ao ser humano não é de completo apreço pelos seus actos, reconhecendo, no entanto, que, ao longo da existência desde milhares de séculos para trás e até aos dias de hoje, as raras excepções não são suficientes para que passe a ter outro conceito em relação ao seu comportamento. Afirmo isto com grande revolta contra mim mesmo, não só porque sou também um desses seres, mas igualmente devido ao facto de, com frequência, ter o desejo de mudar de ponto de vista e de encontrar razões para que me considere equivocado no conceito que faço sobre os mais de 6 mil milhões de criaturas que pisam nesta altura a crosta terrestre.
No entanto, se sem qualquer tipo de complexos metermos a mão na consciência, até porque com esse acto talvez possa, cada um de nós, procurar contribuir para que ainda mais alguma coisa de menos bom continue a sair das cabeças dos nossos governantes, talvez cheguemos à conclusão de que a maior parte de conflitos, desentendimentos e até guerras monstruosas que a História de todas as parte do mundo nos tem relatado, têm origem na falta de acordos e de diálogo amistoso entre as partes que se encontrem em confronto, por os lados opostos não desejarem que sejam consideradas cada uma mais fraca do que o opositor. A vaidade humana situa-se sempre em primeiro lugar e os resultados que se têm verificado nas milhentas ocasiões em que se impõe chegarem a acordo, esses situam-se na área das costas voltadas, quase sempre com prejuízo para todos os dissidentes.
Porquê venho eu agora com esta lamúria? Pois é perante a situação que se contempla na Europa dos nossos dias, em que, após se terem formado sucessivamente agrupamentos que têm a aparência e o propósito de juntar interesses dispersos, tendo-se já chegado à junção de 27 países que se comprometeram a seguir normas comuns, essa intenção não atingiu ainda – e existem muitas dúvidas sobre se alguma vez lá se chegará – o ponto em que se verifique a mais perfeita irmandade, a fim de os mais favorecidos estenderem as mãos aos que dão mostras de necessitar de auxílio, ainda que seja por falta de qualidade de actuação dos que são tidos como responsáveis.
Como já sucedeu noutras ocasiões no passado, tendo mesmo como exemplo o que constituiu o início da última guerra mundial e que foi precisamente neste nosso Continente que a ambição de estender o poder para além das fronteiras que cabiam aos que deram azo a tal carnificina, nesta altura, esse passo acabou por envolveu muitos países e povos, tanto na Europa como no resto do Planeta.
Mas, nesta altura, seria de esperar que os políticos de agora tivessem aprendido alguma coisa com os conhecimentos da História. E que, face ao que se atribui à crise – também ela consequência da má actuação dos homens -, enchendo-se tanto a boca de CEE, de Mercado Comum, de Comunidade Europeia e mesmo da vontade de nascer uma espécie de Estados Unidos da Europa, se verificasse uma completa unidade que não pudesse vir a ser a causa da destruição de um sonho que, tendo a maior razão de se tornar realidade, o que se contempla em cada dia que passa é que não se mantém o egoísmo de uns tantos parceiros desta zona do mundo que não desejam abdicar de alguma parte do seu poder e que, pelo contrário, se aproveitam de ser mais favorável a sua posição económica, territorial e financeira para aumentar o poderio de que gozam, ainda que, diga-se a verdade, essa situação favorável seja devida a uma melhor governação que protegeu os seus habitantes do pior da crise.
Portugal, como é mais do que conhecido, devido à péssima actuação dos seus governantes dos últimos anos, encontra-se na posição de ter de aguardar pela ajuda que lhe seja dada, por muito que os que cá se encontram no pelouro do comando façam por esconder essa realidade. E é agora que o encosto que venha do exterior, ainda que as orientações também tenham de nos ser dadas por outros que não portugueses, é urgente. Mas a Europa está a faltar, quer no quer a nós diz respeito como a outros países que, em idênticas circunstâncias, pelo que a nossa posição agora é de expectativa.
E, no que se refere ao (des)entendimento dentro das nossas próprias portas, entre os vários grupos políticos que são a base da Democracia, como nos podemos admirar por se assistir à falta de criação de agrupamento de países comunitários se, no que nos toca cá em casa, cada um puxa para o seu lado e o encontrarem-se soluções comuns é o mais difícil de se conseguir? Preocuparmo-nos com o bem geral, com o futuro de Portugal, ainda que isso obrigue a capitular de interesses pessoais ou de pequeno grupo, isso é que o Homem só muito raramente leva em atenção tal bem-fazer.
A situação portuguesa neste preciso momento que se atravessa deveria fazer com que todos nós, os que somos naturais e habitantes deste Rectângulo, puséssemos de lado convicções ideológicas, preferências casuais, interesses pessoais, apelando única e exclusivamente ao que é necessário empreender para que possamos sair, mesmo que só com grande dificuldade, do profundo “buraco” em que nos encontramos. E, se não existisse outra razão, pensássemos no panorama que espera os nossos vindouros, ao inferno em que vão viver ao longo de toda uma geração e ao desprezo que nascerá nas suas cabeças em relação a todos nós, os que, nesta altura, não fomos capazes de evitar tamanha situação dramática.
A dúvida está em saber se os causadores principais do descalabro a que chegámos, o Sócrates, o Teixeira dos Santos e, no fundo, todos os que, desde o momento em que se deveria ter enfrentado com competência a situação, não foram capazes de ter dado mostras de que não seguiam as pesadas de um chefe que, eu bem aviso, quando sair do pelouro irá encontrar uma situação de resguardo que o libertará de problemas e de pedido de responsabilidade por toda uma população, grande parte dela a que até votou na sua eleição… no segundo mandato!
Eu, por mim me declaro, também sou culpado!… Haja quem não tema meter também a mão na consciência.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

MAR


Óh mar que te perdes no infinito
onde a vista não alcança o termo
andas em busca de todo o estafermo
que nas tuas águas lança detrito

Já foste mais limpo óh mar sereno
mirávamo-nos todos no espelho
irmãos no mundo, do novo e velho
e não havia em ti qualquer veneno

Hoje, neste globo emporcalhado
onde o amanhã já pouco importa
não és para nós o mesmo singular

Perdeste o que era o nosso agrado
estás a tornar a nossa vida morta
acabas sendo uma estrumeira, oh mar!

OH MAR SALGADO!...


SENDO PORTUGAL um País que possui uma área marítima, incluída na Zona Económica Exclusiva, dezoito vezes maior do que o espaço terrestre que constitui o território que nos cabe nesta ponta da Península Ibérica, para além de ter sido, no passado, líder na História do mar, e, na actualidade, constituir, por todas essas razões, uma espécie de modelo desejado por tantos países do nosso Continente que, não tendo o mar a banhar-lhe as costas, bem desejariam dispor dessa oferta da Natureza para a aproveitarem em toda a sua plenitude, cabendo-nos tal privilégio o que nos leva a lastimar são as nozes que nos foram postas à disposição e a falta de dentes que nos têm faltado para as mastigar convenientemente.
Em termos populares é o que me salta na escrita que estou a produzir. E, desenvolvendo o tema com maior afinco, sem ser necessário recorrer a uma grande imaginação, é causa para nos pormos a meditar sobre a situação que o nosso País teria alcançado se, com espírito empreendedor e depositando grande confiança nas técnicas que têm vindo, há anos, a ser desenvolvidas nas explorações marítimas, o que proporcionou já a outras nações o terem ultrapassado enormes dificuldades económicas graças ao aproveitamento da área marítima de que dispõem para, entregando as buscas e explorações de petróleo procuradas nas suas águas a empresas internacionais que dominam tal negócio, se nos tivéssemos preocupado em seguir essa via não teríamos conseguido vermo-nos libertos da crise mundial que também nos atingiu de maneira feroz.
Mas vou mais longe. Se, em vez de termos expendido tantos milhões em auto-estradas que sobram no espaço terrestre que nos pertence e que, na fase actual, até nem se consideram tão essenciais, efectuando acordos com os especialistas na área petrolífera de molde a que as pesquisas retirassem todas as dúvidas sobre se, na área que nos corresponde no Oceano Atlântico, se verifica ou não a possibilidade de extrair o precioso líquido, nem é necessário grande esforço para se imaginar o ponto em que Portugal se encontraria hoje em tais circunstâncias. Afinal, o nosso querido Timor, aquela metade de País que tantas dificuldades atravessou e que, durante o período em que foi uma colónia portuguesa, nunca passou daquela cepa torta que constituiu uma norma de todos os pedaços que fizeram parte da nossa presença comunitária – Angola, teve a sorte de lhe ter sido descoberto petróleo, ainda na época de Salazar, o que causou ao ditador português um enorme aborrecimento e, nesta altura, tem o seu desenvolvimento pendente de tal realidade -, mas ainda quanto a Timor, nesta altura até se propõe ajudar o nosso País com a compra de alguma porção de dívida pública, esse exemplo não dá a menor ideia de ambicionarmos vir a gozar de idêntica felicidade, pois que os nossos Sócrates andam embevecidos com os seus próprios feitos e não dispõem de o mínimo de iniciativa para enveredar por aquilo que, sendo de princípio um sonho, valeria sempre a pena investir-se em tal hipótese, dados os resultados que se obteriam se, numa área marítima como aquela que se encontra ao longo da nossa costa, surgisse o que foi encontrado em tantas zonas do mundo.
Mas, se nem à pesca somos capazes de tirar o partido que, por exemplo os nossos vizinhos espanhóis, não deixam por mãos alheias, como é que podemos ter veleidades em que, das cabeças de governantes portugueses, tivesse saído algum espírito de iniciativa que atingisse a dimensão da probabilidade que refiro neste texto?
Eu não espero que sejam os de fora que venham criticar a nossa moleza em deitar as mãos a tudo que possa sugerir uma forma de nos desenvolvermos, aproveitando as circunstâncias que foram colocadas ao nosso alcance, neste caso pela característica da nossa posição geográfica. Se fossem esses, eu não gostaria nada. Mas sermos nós, portugueses, a apontar os erros que nos cabem, isso não apelido de falta de patriotismo pois, pelo contrário, o não dar um passo no sentido de apelar para as nossas faculdades criadoras é que tem de representar a ausência de amor ao que é nosso.
Sempre fui assim e continuarei a sê-lo… até!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

SOBERBA

Ser-se com outros pedante
querendo sobressair
nada faz com que adiante
ao contrário só faz rir
presunçosos
a soberba é grotesca
é prova de ruindade
é defeito que se pesca
onde não há humildade
orgulhosos

Normalmente os que sabem
não mostram qualquer vaidade
conscientes que não cabem
seja qual for a idade
o saber
São os muito ignorantes
que presumem de saber
dão mostra de arrogantes
para toda a gente ver
para esquecer

O mal é que o mundo aceita
os que arrotam pescadas
os que formam uma seita
e dizem coisas erradas
sem sentido
mas a soberba assusta
impõe-se aos temerosos
e até sendo injusta
adapta-se aos mais pirosos
humildade


BRINQUEMOS TODOS!



AFINAL ANDAMOS POR CÁ A BRINCAR A QUÊ? Esta a pergunta que fariam ainda os ingénuos portugueses, que são muitos, sobretudo os que não acompanham em pormenor o que o Governo que temos (não) vai fazendo. A afirmação saída da boca do ministro da Economia, António Mendonça, de que as obras do TGV, a partir do Poceirão e até ao Caia, vão começar no início de 2011, isto contrariando o que ficou combinado entre José Sócrates e o PSD, tal tomada de posição precisamente na altura em que os contribuintes vão sofrer ainda maior agravamento pelas exigências de dinheiros públicos que são cada vez mais escassos e em que as dívidas ao estrangeiro não param, não pode deixar senão de boca aberta todos nós que nascemos e vivemos nesta Terra.
É forçoso remodelar o Executivo, clamam alguns. Este grupo chefiado por Sócrates encontra-se completamente esgotado há já muito tempo, é o que se ouve em muitas bocas. Pois é, mas a verdade é que, enquanto isso não se verifica – e nem se sabe muito bem como tal pode suceder -, a brincadeira da governação é coisa que vai atirando para o fundo do mar esta ponta oeste da Europa que não dá mostras de encontrar um caminho de mínima seriedade, já que de competência isso nem vale a pena falar.
E a propósito disso mesmo, da seriedade, tal postura é coisa que não se verifica em nenhuma área de gente que se encontra bem situada no meio da putrefacção política, económica e financeira em que vivemos. Não é então isso que os jornais já não escondem, com os benefícios ofensivos que recebem alguns que não têm o menor pudor em sacar o que o possível, por mais vergonhoso que isso seja. O título que enchia as primeiras páginas dos diários, de que “ricos ganham milhões livres de impostos”, sendo expostos todos os nomes de alguns deles, posto que, seguramente haverá muitos mais de que nem se tem conhecimento, tamanho escândalo em que as caras dessas figuras são expostas e que surgem também com frequência nas televisões a debitar opiniões sobre o estado em que se encontra o País, essa pouca vergonha só é possível porque as forças que têm poder para pôr um ponto final fazem ouvidos de mercador e olham para o lado, dando também nesse sector a prova provada de que não existem.
Tudo que está mal por cá e que, mesmo perante as dificuldades financeiras com que nos debatemos – ou até por isso – maior razão oferece para que se actue com eficiência e que um Governo, se ele funcionasse correctamente, teria ocasião para interferir, ao depararmos com a indiferença em que se movimenta, deixa-nos de pés e mãos atados e não se compreende, por isso, que venha até o Presidente da República efectuar recomendações teóricas de que devem os portugueses ter confiança e fazer o que estiver ao alcance de cada um para que saiamos deste panorama.
É o que eu não me farto de repetir, pregando no deserto: é fundamental que todos os responsáveis em alguma coisa, especialmente os da política, falem a verdade e digam claramente o que está mal, apontando os caminhos que devem ser seguidos. Não escondam os erros, próprios e alheios. Tenham a coragem de reconhecer que, até da parte de cada um, não foi a melhor atitude, esta ou aquela, a que foi tomada.
Claro que eu sei que nós, portugueses, não somos muito adeptos de, por nossa iniciativa, confessarmos os erros que praticamos. A culpa é sempre dos outros. E quando presenciamos os benefícios exagerados que uns tantos ainda recebem, por motivo de se encontrarem em posições que lhes permite meter ao bolso valores fabulosos, a única atitude que nos resta é a da revolta. Muda e surda.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A FELICIDADE TEM FIM


Esses
os que atravessam a vida
embalados pelas musas da felicidade
conhecendo o desafogo
da saúde
dos bens materiais
dos amigos

Esses
com uma família amiga
um trabalho compensador
produtivo
rentável

Esses
que não têm de que se queixar
que tiveram sempre uma vida para trás
reconfortante
e o que está à vista
é animador

Tais humanos
só podem ter uma angústia
a de um dia isso acabar
a do fim de uma cena deslumbrante
sendo uma maldição o terem de deixar em meio
o que lhes dá tanta felicidade,
o não ser infinito o que corre bem
e essa inquietação dói mais
do que aos que não levam a vida
mergulhada em satisfação,
em alegrias,
em coisas boas

Esses
pelo contrário
são perseguidos pelo tormento,
pelo desgosto
pela reocupação
de tudo acabar um dia

Esses
não anseiam pelo ponto final
pelo dia em que há que virar a página

Uns e outros
Afinal
não sabem se a infelicidade acaba, num caso
e se a felicidade dura sempre

Mas todos
desconhecem o que virá depois

ESCREVER SEMPRE O MESMO


JÁ TENHO ESCRITO isto tantas vezes e de tantas maneiras que considero ser cansativo para quem me lê com regularidade que volte ao mesmo tema de novo. Mas por cá, neste País de gente que, sobretudo a que se encontra colocada em posições de relevância, não quer saber as opiniões dos outros, porque as deles é que são as únicas que merecem atenção, eu, que sou teimoso, acho que vale a pena insistir. E é isso que faço.
Já me referi em tempos às conversas em família, que era este o título, que Marcello Caetano, na sua época pós Salazar, manteve aos écrans da televisão do Estado em que, expondo os seus pontos de vista e sem conhecer o que pensavam os portugueses, pois a censura da época e o sistema ditatorial não dava essa abertura, numa linguagem de pai de família lá foi expondo alguma coisa do que ocorria, diferençando-se, nesse aspecto, do seu antecessor. Mas não era isso que eu propus, após o 25 de Abril, que fosse efectuado pelos diferentes chefes de Governo que foram assumindo essas funções. O que eu considero que sempre faltou na nossa Casa foi a explicação, em termos completamente entendíveis, do que tem sido feito e as razões por que se seguiu por um caminho e não por outro.
Sobretudo, a partir do período em que começámos a sentir nas costas os efeitos de uma crise que avançava bem claramente e só não a viu quem andava noutro planeta – o caso do Sócrates, que por isso nos deixou chegar ao ponto em que estamos -, todas as explicações verdadeiras e claras que se impunham ser transmitidas aos habitantes do nosso País eram poucas, porque em vez de andarem a pôr paninhos quentes naquilo que acabou por ser uma realidade bem sofrida, em lugar de avisarem que era necessário levar uma vida de harmonia com as nossas posses e não fazer aquisições de toda a ordem, só porque os bancos anunciavam ajudas de toda a forma e o gastar agora para depois logo se ver é coisa que tinha que acabar como é o panorama que enfrentamos neste momento.
Afinal, ainda hoje o José Sócrates não é capaz de transmitir aquilo que todos os portugueses tiveram e têm necessidade de conhecer e as afirmações de que “há outros ainda piores” serve para disfarçar o que é o principal do folhetim que tem vindo a ser construído entre nós. E todas as malvadezes políticas, com repercussão económica e financeira nas nossas contas, essas mantêm-se escondidas e as benesses escandalosas que são ainda concedidas a uns tantos ”amigalhaços”, como é o caso do presidente da EDP, António Mexia, que ganha 8.500 euros “por dia”…, para não falar também dos gastos com os festejos do próximo Natal, quando o que se impunha com gente que pensa e tem bom senso era o não despender um euro com iluminações e com apetrechos de qualquer espécie. E quando, como vem anunciado na Imprensa, o Executivo socratiano admitiu 45 novos funcionários por semana para assumirem cargos no Governo e na administração directa e indirecta do Estado, perde importância a afirmação de Eduardo Catroga de que “venha lá quem vier para comandar o Executivo “não há milagres”, pois que nos últimos 10/15 anos tivemos um modelo de desenvolvimento errado.
Eu vou, portanto, enquanto tiver forças para isso, teimando naquilo que considero indispensável fazer e que é o falar verdade aos portugueses, o não esconder os problemas que já temos e aqueles que aí vêm, o explicar minuciosamente os motivos que levam a serem tomadas medidas dolorosas e qual é o panorama que nos espera já a seguir e mais tarde.
Claro que a saída de José Sócrates do lugar de primeiro-ministro, o afastar-se, ainda que seja por sua vontade, só ajudaria alguma coisa, mas não é a solução completa do berbicacho em que nos encontramos, pois nem sabemos se existe por aí um conjunto de políticos que tenham capacidade, competência, valentia, pois então, para agarrar o que se arrasta por aí e que necessita de mão firme para mostrar, cá dentro e no ambiente externo, que finalmente somos capazes…
Quero acreditar. Quero. Insisto. Morrer na praia, como agora se diz, é que não!