
JÁ NADA nos pode surpreender no nosso País. Aquilo que pareceria impossível há uns anos atrás, ao surgir nos noticiários dos nossos dias actuais é recebido com pouca atenção. Tudo é natural!
Imaginemos que, num passado mesmo depois da Revolução, seria comunicado aos portugueses que o Ministério da Saúde iria recrutar mais algumas dezenas de médicos estrangeiros, por períodos de três anos, para actuarem nos centros de saúde nacionais, indo procurá-los na América Latina, sobretudo em Uruguai e Cuba, e isto porque existem cerca de 400 mil utentes portugueses sem médico de família. Seria normal, então?
Os serviços oficiais reconhecem agora que há muitos estrangeiros a exercer a profissão médica em Portugal, havendo mesmo cerca de 4.400 inscritos na Ordem dos Médicos, muitos oriundos da União Europeia, do Brasil e também da América do Sul.
Dada esta notícia, a pergunta que tem de ser feita é como foi possível ter-se chegado a este extremo sem que nenhum dos vários governos que passaram pelo poder, com diversos ministros da Saúde, tivesse sido capaz de levantar o problema de aliviar a entrada de estudante na Faculdade de Medicina, sabendo-se que as altas médias exigidas em relação ao curso secundário foram o maior impedimento para que se formassem bastantes profissionais da actividade médica. E sendo que, “fazer um médico” ocupa uma média de 10 anos desde que um candidato entra na área do ensino superior.
É certo que, infelizmente, não é apenas nesse sector que os homens que temos tido na área da política e a quem não são pedidas responsabilidades quando prestam maus serviços à Nação, que se notam constantemente falta de perspectivas em relação ao futuro, deixando-se chegar ao apuro absoluto para, só depois, se ir a correr remediar as situações, mas tudo tem de ter um máximo de suporte e os 36 anos decorridos desde o 25 de Abril são tempo demais para ainda poder haver paciência.
Toda a gente no nosso País sabia que a política do ensino médico estava em Portugal a ser mal conduzida. Não se levou em conta a realidade de que para ser um bom profissional da saúde não é o mais importante ter sido bom aluno nos liceus, mas sim a vocação de seguir essa via. E, sendo certo que nos cursos de medicina exista a maior exigência de aplicação, já que se obrigue a que as médias para entrar na respectiva faculdade andem médias dos 19/20 graus, aí ninguém explica que os bons clínicos tenham de ser bons “marrões”, por exemplo em geografia, história e literatura.
O resultado que tudo isto deu é aquilo que as noticias divulgam de que, em determinados hospitais, este fim-de-semana houve doentes que, na secção das urgências, passaram mais de uma dúzia de horas a aguardar por atendimento. E que vários centros de oncologia espalhados pelo País estão a ser encerrados, exactamente pelo mesmo motivo, a falta de clínicos que atendam os pacientes necessitados.
Cá estamos, pois, no caminho de que Cavaco Silva lançou o alarme. O de uma situação explosiva. Eu ando a avisar, neste meu blogue, mesmo antes do Presidente da República. Haja quem imagine sobre quem cá estará nessa altura, para apagar a luz e fechar a porta!

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