domingo, 11 de janeiro de 2009

PORTUGUÊS MAL TRATADO



Hoje, domingo, estando um dia de frio mas com o sol a iluminar Lisboa, existindo a necessidade de ter cuidado com os gastos que podem ser evitados, com a gasolina, por exemplo, ponho-me a pensar em casa, a reler livros antigos (ando à volta com “Os Maias” que, no meio de uns doze que tenho ali ainda por abrir, é o que me apetece rememorar), ainda consigo tomar contacto com as notícias dos jornais e de me pôr no lugar das duas frentes em guerra, Israel e o Hamas, sem saber exactamente o que faria se eu fosse um deles e me agarrasse fortemente às minhas razões para me indignar com o adversário que me estava a atacar – eu, pessoalmente, tenho a minha opinião, mas não tenho poder para acabar com o dilema – e, no meio disto tudo, ao ouvir um interlocutor que surgiu na televisão e que usou e abusou do termo “o personagem”, isso mesmo, no masculino, deu-me ganas de não interferir hoje nos assuntos que existem nesta nossa Terra e ficar-me por isto que é a nossa rica língua portuguesa e que, com os modernismos que surgem com uma velocidade estonteante, se vai alterando a contra-gosto dos que têm prazer em ir mantendo o que está tão bem e que não existem razões para se mexer.
Eu sei que as línguas não são estáticas, que a evolução da vida provoca alterações que o próprio povo introduz nas palavras e nas expressões, ao ponto de, com o passar dos anos, aquilo que se dizia e até escrevia de uma determinada maneira passa a outra forma e quem não se dedica ao estudo linguístico nem se dá conta dessas mudanças. Mas, quando essas tendências de deixar para trás formas de falar de que somos testemunhas que existiam e ainda existem e somos forçados a assistir àquilo que não é outra coisa senão vícios de linguagem, não parece normal que fiquemos indiferentes e deixemos passar o mau uso da língua que temos obrigação de amar e respeitar.
Ora, esta de “o” personagem, quando sabemos que, no nosso idioma, todas as palavras terminadas em “agem” são femininas – garagem, imagem, vantagem, coragem, passagem, etc., etc… -, ao contrário do que sucede em castelhano, em francês e em italiano (mas os porquês não vêm agora a talho de foice), sobretudo quando esse masculino é usado por actores, que, mais do que todos os outros, têm obrigação de não falar errado, esta pena que reside em mim de ter de suportar palavras que, no meu tempo de escola primária, mereciam benditas palmatoadas, esta angústia é um mal de que já não me livrarei enquanto por cá andar.
É como um apresentador de televisão, que não tem culpa de o aceitarem à frente das câmaras dando permanentemente mostras da sua incultura, da sua falta de vocabulário, de tal forma que tem de recorrer permanentemente ao “digamos” para preencher os espaços em branco em que o discurso lhe escapa, é também como o que sucede com esse (i)responsável pela “faladura” pública que me põe neste estado de depressão e de tristeza por ver a nossa linda língua a ser devorada todos os dias.

2 comentários:

carloesse75 disse...

Good morning! I was browsing the web for personal knowledge, finding your blog interesting!
I will with a simple, well made, wrote a moving, beautiful photos and how immaginerà not know English very well. I am sure it will include any spelling mistakes, I apologize in advance. I'm an Italian boy who writes poems, with a dream in the drawer, open a room in Paris a winbar.
I would not mind a comment, what I write, in my humble Italian site,
in thanks for the inadvertent intrusion greetings
Carlo

José Baldomero Pinto Vacondeus disse...

Bun giorno
Io capisco italiano e sono anche poeta. Me piacerebe potere leggere um poema suo. Puo usare il mio mauil
jose.vacondeus@clix.pt