Passa ali fora, na rua, uma manifestação não sei de que grupo. Também não entendo o motivo por que gritam. Fico-me sem saber qual é a pretensão por que aspiram. Braços no ar, gargantas gritantes, de dentro do vidro do café não consigo distinguir o que reivindicam. Uns tantos manifestantes entregam folhas impressas aos que contemplam os revoltados. Estes olham indiferentemente os papeis, outros nem isso, mantêm as mãos nos bolsos. E a manifestação lá segue, rua fora, com um destino que já estará marcado e um itinerário que foi antecipadamente delineado. Tudo organizado, até os cartazes cujos ditos se repetem na sua impressão.
Eu prefiro indignar-me em silêncio. Protestar no papel. Largar o meu fel sem deixar de me preocupar com a concordância das palavras, com a utilização dos verbos adequados, tendo em atenção não repetir termos já utilizados nas linhas de cima. Não faço barulho, é certo, mas obtenho o mesmo resultado daqueles que palmilham ruas com palavras de ordem. Isto é: não muda nada do que julgamos estar mal.
Nunca me atraiu a reclamação em grupo. Dá-me a sensação de se tratar de um acto de pouca coragem. Juntar vários para mostrar desacordo e quando se está só meter o rabo entre as pernas é sinónimo de falta de convicção quanto às razões que levam ao protesto.
Mas o ser humano é assim. Os exércitos são compostos por muitos militares. Os partidos políticos para serem fortes têm de ter milhares de seguidores. Os clubes de futebol com poucos adeptos não são temidos. Um pequeno grupo que se junta à volta de uma ideia, só atinge projecção relativa quando, mais tarde, consegue arregimentar no exterior do seu conjunto seguidores numerosos das suas propostas. As tertúlias, agrupamentos que, infelizmente, estão cada vez mais fora de moda, serviam para reunir cidadãos que se interessavam pelo mesmo tipo de problemas, de uma forma geral ligados às artes.
Agora, fazer deslocar massas de gente e, ao som de tambores, megafones, palavras de ordem gritadas que alguém preparou previamente, caminhar para um local onde se admite que aí será o ponto onde se encontra a solução de uma causa, esse exercício incomoda e não constitui solução de nada.
As liberdades têm a virtude de dar o direito a toda a gente de manifestar o seu descontentamento. Quer sejam exercidas por aglomerados de gente quer seja praticada isoladamente.
Liberdade, liberdade, cada um chama-lhe sua. A minha é esta. A da escrita. Não serve igualmente para nada, mas, ao menos, deixa o caminho livre para os outros que não têm nada a ver com o meu desassossego…
Eu prefiro indignar-me em silêncio. Protestar no papel. Largar o meu fel sem deixar de me preocupar com a concordância das palavras, com a utilização dos verbos adequados, tendo em atenção não repetir termos já utilizados nas linhas de cima. Não faço barulho, é certo, mas obtenho o mesmo resultado daqueles que palmilham ruas com palavras de ordem. Isto é: não muda nada do que julgamos estar mal.
Nunca me atraiu a reclamação em grupo. Dá-me a sensação de se tratar de um acto de pouca coragem. Juntar vários para mostrar desacordo e quando se está só meter o rabo entre as pernas é sinónimo de falta de convicção quanto às razões que levam ao protesto.
Mas o ser humano é assim. Os exércitos são compostos por muitos militares. Os partidos políticos para serem fortes têm de ter milhares de seguidores. Os clubes de futebol com poucos adeptos não são temidos. Um pequeno grupo que se junta à volta de uma ideia, só atinge projecção relativa quando, mais tarde, consegue arregimentar no exterior do seu conjunto seguidores numerosos das suas propostas. As tertúlias, agrupamentos que, infelizmente, estão cada vez mais fora de moda, serviam para reunir cidadãos que se interessavam pelo mesmo tipo de problemas, de uma forma geral ligados às artes.
Agora, fazer deslocar massas de gente e, ao som de tambores, megafones, palavras de ordem gritadas que alguém preparou previamente, caminhar para um local onde se admite que aí será o ponto onde se encontra a solução de uma causa, esse exercício incomoda e não constitui solução de nada.
As liberdades têm a virtude de dar o direito a toda a gente de manifestar o seu descontentamento. Quer sejam exercidas por aglomerados de gente quer seja praticada isoladamente.
Liberdade, liberdade, cada um chama-lhe sua. A minha é esta. A da escrita. Não serve igualmente para nada, mas, ao menos, deixa o caminho livre para os outros que não têm nada a ver com o meu desassossego…

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