quarta-feira, 18 de junho de 2008

O MOTIVO


Nota – Comunicou-me uma Amiga bloguista que considerava que “os meus não são “blogs”, são "posts”. E que eu deveria nos meus escritos fazer ligações aos outros “blogs”, corroborando ou estando em desacordo com os “Bloggers”. Que é uma forma de entrar em diálogo com as outras pessoas e de discutir ideias”.
Ora bem, para além de confessar a minha ignorância técnica sobre a diferença que possa existir entre umas e outras, o que sucede é que eu sou dos poucos que apareço claramente com o meu nome e não me acoberto com títulos indecifráveis à primeira vista Por isso, se alguém lê aquilo que eu deixo expresso nos meus textos aqui colocados, não tem dúvidas sobre o seu autor e digo isto sem qualquer espírito de crítica em relação a quem não quer aparecer de cara aberta aos leitores .Cada um sabe de si.
Se algum dos eventuais seguidores dos meus blogues (e já viram que eu uso a expressão em português) me puder auxiliar com uma explicação clara quanto a isto dos “blogs” e dos “posts”e das vantagens em entrar em discussão aberta quanto aos assuntos que surgem expostos, eu, por mim, fico muito grato. E estou disposto a abrir portas.
No fundo, quem faz os seus blogues é porque encontrou esta forma de comunicar e sempre é mais económico para todos do que editar um livro!

Mesmo sem darmos por isso, tem de haver sempre um motivo para tomarmos qualquer iniciativa. Para levarmos por diante uma actividade. Para tentarmos uma experiência. Para nos desviarmos de uma direcção e optarmos por outra. Para qualquer finalidade. Mesmo para pronunciarmos uma frase, uma palavra, emitirmos um sinal. Até para estarmos quietos. Mudos.
O motivo é a justificação da nossa existência. É ele que nos leva a tomar uma atitude. Eu escrevo, neste momento, motivado pelo que julgo que pode sair de útil e de sincero. Seja o resultado da exteriorização de algo que não consigo conservar dentro. Faço-o porque desejo que outros, sejam eles quais forem, possam vir a tomar conhecimento do que me vai na alma. Disso que também não tenho nenhuma certeza do que seja, mas que sinto flutuar no meu interior. E se sinto, é porque existe, seja qual for o nome que se lhe queira dar.
Todo o ser humano, enquanto se movimenta, nem que seja apenas mentalmente, tem um motivo para resistir. O motivo que leva o pedinte a implorar uma esmola é o de manter a esperança de que conseguirá juntar o bastante para comer nesse dia.
Todo o ser humano, sem excepção, persegue um motivo que o leva a tomar as suas decisões em cada altura. O artista, o político, o empresário, o trabalhador braçal, todos, igualmente, guardam o seu motivo para se manterem nas suas funções.
O rico, esse então talvez disponha de mais motivos para insistir nos seus objectivos: os de conservar a fortuna, os de aumentá-la até onde possa ser, os de não querer que um dia os seus fartos bens caiam nas mãos de quem não saiba dar-lhes o uso adequado de conservação e aumento.
Então, e se o tal motivo que conduz os seres humanos um dia deixar de dar mostras da sua presença? Se a convicção de que aquilo que se fez ao longo da existência não serviu para nada e, na fase presente, não tem a menor utilidade? Se a petulância que fazia ainda manter a manutenção de uma vida desaparecer, se se evaporar aquilo que se julgou antes ser uma justificação para ir mantendo o fogo sagrado da vida, que decisão pode ser considerada como sendo a mais lógica?
Esse é o momento da angústia. Do desconsolo. É a altura de encarar de frente a realidade. Que é como quem diz, posto que, sem dúvida, felizmente, a esmagadora maioria dos cidadãos de todo o mundo não se dá conta de que tal encruzilhada da vida impõe que seja tomada uma decisão. E não leva em conta o que me vai servir de remate deste texto excessivamente cru e duro para poder ser seguido.
Em conclusão, pois: quando o motivo de cá estarmos a ocupar espaço no Globo terrestre se apresenta como um vazio, se o ser ou não ser já não é questão que se ponha, se apenas a expressão numérica é que conta – ser-se mais um demograficamente - , aí é que alguns, conscientes ou não do seu acto, encaram a realidade, partem para o acto que constitui sempre uma derradeira solução. E que, entre muitos outros nomes que lhes queiram atribuir, representa uma fraqueza, uma cobardia, uma desistência que, em nenhuma circunstância, o Homem deve assumir.
O objectivo de existir, mesmo quando cada vez se situe mais longe de ser alcançado, tem de estar sempre ligado ao motivo por que ainda cá estamos. E se estamos, é porque estamos!

4 comentários:

Marcelo Melo disse...

Caro José Vacondeus,

Identifiquei-me plenamente com a mensagem inicial que produziu neste texto.
De facto, também eu escrevo com o meu próprio nome, e também eu vivo na ausência desse diálogo com outros escritores de blogues, não embarcando na rotina das citações entre blogues, que acaba por desvirtuar, no meu entender, o valor intrínseco de cada um deles.

Descobri o seu blogue muito recentemente, e tentarei acompanhá-lo nas suas inserções.

Desejo-lhe um bom trabalho!

Marcelo Melo
www.3vial.blogspot.com

Anónimo disse...

Muito obrigado caro Larcelo Melo pelo seu comentário a que repondo com atraso porque não tinha visto. Vou estar atento aos seus blogues para os analisar. Cumprimentyos

José Vacondeus

Anónimo disse...

Muito obrigado caro Larcelo Melo pelo seu comentário a que repondo com atraso porque não tinha visto. Vou estar atento aos seus blogues para os analisar. Cumprimentyos

José Vacondeus

Anónimo disse...

Muito obrigado caro Marcelo Melo pelo seu comentário a que repondo com atraso porque não tinha visto. Vou estar atento aos seus blogues para os analisar. Cumprimentyos

José Vacondeus