segunda-feira, 19 de maio de 2008

HERMAN JOSÉ

Eu bem sei que este tema é escaldante, porque existe ainda muita gente que considera que a personagem em questão é intocável ou que, pelo menos, será injusto apontar defeitos a uma figura que conquistou tanta popularidade que não pode merecer reparos quanto à sua actividade profissional. mas o que eu não estava à espera, é que, o pequeno texto que saiu aqui sobre a figura de Herman José levantasse certa indignação de, pelo menos um seguidor dos blogues.
Será evidente que não estou de acordo e por mais qualidades que possa encontrar especialmente nos primórdios da sua actuação, não deixo de sublinhar a derrapagem a que se entregou, sobretudo a partir do momento em que, ele próprio, se classificou como sendo o inatingível.
Começo por sublinhar que, no capítulo da imitação de figuras públicas, Herman José ocupa um lugar destacável. Dentro da imagem crítica de quem pretende tirar partido da comicidade do acto, reconheço que poucos atingiram o nível do referido cómico. Na maioria dos casos acertou com o que pretendia. E foi devidamente reconhecido por isso.
Mas, noutras áreas, por exemplo na entrevista, deve ser dito que o seu comportamento profissional não esteve, nem de perto nem de longe, ao nível do que seria desejável. E isso porque nunca foi capaz de se recolher no lugar que lhe competia, ou seja, o de perguntar sem se intrometer nas respostas obtidas e muito menos querer tirar partido do seu exemplo para obscurecer o entrevistado. Foi sempre evidente o seu desejo de sobressair em lugar de mostrar claramente o que estava em evidência e que era ouvir quem se apresentava para dizer de sua vontade.
Mas, no capítulo dos diferentes programas de que foi autor e figura central, quem fizer honestamente uma rectrovisão de todos, não pode deixar de verificar que, em cada um que ia aparecendo a qualidade diminuía e isso porque, digo eu, a sua imodéstia em olhar-se descomprometidamente ia fazendo com que não o deixasse encontrar erros, exageros de comportamento e, acima de tudo, vulgarismos cada vez mais acentuados.
Ignoro se o comportamento sexual das pessoas que se mostram excessivamente em público tem influência na forma de se exibir. Não sei, francamente o declaro. Actores houve e bons que, sabendo-se seguidores de vias sexuais diferentes das mais usuais, tendo mesmo companheiros do seu sexo a viver conjugalmente, nem por isso se preocuparam em levar para o cenário qualquer imagem que recordasse essa sua escolha pessoal. Nem a favor nem contra, muito menos, como é o caso em observação, pretendendo dar uma ideia de excesso de “machismo” , este então verdadeiramente ridículo.
E meto aqui um intervalo ara referir aquele triste espectáculo dado no Coliseu, nos “Globos de Oiro”, em que este Herman andou a arrastar o outro, parece que se chama Jorge Palma, pelo palco fora. E o que se estranha é que haja publicações que considerem essa vergonha de “o momento mais hilariante da noite”. Há alguém que pense que tal poderia ver-se num espectáculo congénere da Europa ou da América? Mas não. Nós somos muito modernos, muito desenvolvidos… e por isso estamos onde estamos e somos como somos!
Seja como for, não foi por acaso que Herman José, que atingiu um nível de vida reconhecidamente superior, especialmente mais notado para quem veio de uma mediania financeira conhecida, tendo atingido tal situação graças às remunerações que foi obtendo por via do seu trabalho como humorista, não terá sido inesperada a queda que surgiu a partir de certa altura ainda não muito distante. E, quanto a mim, até tardou mais do que seria de esperar, atendendo à demasiada persistência do próprio em utilizar uma vulgaridade de linguagem, de apresentação e de modelo de programas que ninguém o convencia que estavam a “pisar o risco” da condescendência do público.
A saída de comparsas dos seus trabalhos, especialmente do último que atingiu foros de falta de imaginação e de excesso de mau gosto, o empurrão que levou no canal em que transmitia para horários fora da capacidade de expectação, tudo isso representou aquilo que, parece que ainda hoje, não foi entendido por muitos seguidores do “hermanismo”.
Vamos a ver se, nesta nova fase, tudo isso será superado.
Não vou já, depois do espectáculo que nos foi dado ver e que se mostra como uma etapa diferente, mas com o Herman a ser anfitrião e a falar bastante, não quero entrar numa análise profunda. O meu desejo é que o rapaz tenha tido tempo, no interregno ocorrido, para reflectir naquilo que deve introduzir e no que terá de pôr de parte se quer entrar em nova era. Não digo se duvido ou se tenho esperança. Nem irei bater mais nesta tecla. Tenho outros assuntos muito mais importantes para debater. O público que se manifeste. E as chamadas percentagens de espectadores que mostre se algo mudou ou se tudo ficou na mesma, depois da mexida.
O que desejo é que, a pessoa, o homem, o artista tenha a humildade suficiente para não dizer que os outros é que estão errados, que ele é um deus e que, por isso, não admite que estejam em desacordo com a sua actuação pública.
E se houver quem queira contradizer este blogue, pois que o faça. Para isso é que serve a liberdade de expressão. E o facto de alguém, como eu ou como outros, dedicar tempo a este tema, já será motivo para que a figura em causa mostre o tal “orgulho”, o que está tanto na moda na fraseologia dos portugueses... e que eu também não deixo de condenar.

4 comentários:

Marta disse...

Entre a opinião de José Vacondeus, e a de Francisco Pinto Balsemão, opto pela segunda: http://www.youtube.com/watch?v=Q_gPfu7IpC4

Anónimo disse...

Que curioso, o efeito espantoso que tem a blogoesfera - como se de um secreto confessionário se tratasse. 25 anos depois de no Tal Canal, o grande Herman ter desconstruido a simpática mas risível cozinheira / esposa do ilustre bloguista, este resolve regurgitar o imenso sapo que engolira inteiro, e ensaia vingar-se da "agressão" humoristica, esquecendo-se de que - por muito mais do que uma vez - expressou (ou viu-se forçado a isso) a sua admiração pelo trabalho do Herman. Tenta agora, como se a memória não existisse, assumir um papel de "virgem ofendida" e avisar o mundo de que os mais de 30 anos de carreira do nosso maior humorista foram em vão. O José Estebes, a Maximiana, o Nelo, o Diácono, o Zé Chunga, a Supertia, o Lauro Dérmio nunca existiram. Foram visões colectivas - tipo Fátima. E nós, os que guardamos os seus programas religiosamente somos pastorinhos enganados. Foi então preciso este "Padre Mário Oliveira" para nos explicar que "o milagre Herman nunca existiu". No mínimo triste.

Rui esteves disse...

Amigo, é feio apagar os comentarios que nao interessam ! seu otario invejoso ! se entrasse em decomposição fisica ( pois as intlectual ja entrou há muito) nao era nada mal pensado!
Um grande abraço para si, e olhe como o seu nome diz Vá com Deus que nós ca na terra passamos bem sem si!

Zé Carlos Santos disse...

Olha segundo o dvd d tal canal parece que Herman josé viu esta critica escrita no blogue! é pena realmente que nao lhe responda! mas por outro lado, e tal como ele diz, tem muito respeito pelas pessoas idoas que espera tambem ser uma dentro em breve! Assim podemos diferenciar entre Joses Vacondeus e Hermans Josés!


Triste país este com triste gente a adorná-lo!

Parabens Herman , estás de volta E EM GRANDE!