segunda-feira, 17 de novembro de 2008

PAÍS, ISTO?


Vá lá, que no capítulo da escaramuça que se tem mantido na área da Educação, com uns professores teimosos, uns alunos a aproveitar para brincar às manifestações e uma Ministra que, finalmente, resolveu esta noite passada dar um pouco de si e rectificar (ela chama clarificar) aquela medida que merecia mesmo ser rasgada na cara de quem a redigiu, a da não clarificar as faltas justificadas e meter tudo no mesmo saco, vá lá, dizia eu, que as coisas se encaminham para uma eventual solução. Mas ainda não é desta, esclarecem os professores da Fenprof, que a solução foi encontrada. Ainda fazem finca-pé no problema das avaliações e, ao fim e ao cabo, o que não conseguem é convencer os portugueses de que não querem é ser avaliados… por muito que afirmem o contrário.
Perante este estado de coisas, eu por mim confirmo aquilo que escrevi aqui ontem: tem de ser José Sócrates a sair do seu cacifo e dar mostras de que, com a Ministra caladinha para sempre, ponha os pontos nos “is” e apresente soluções que sirvam todos, sobretudo, os portugueses que pagam os seus impostos e não estão para suportar greves caríssimas e contribuições para que os estudantes saiam das escolas cada vez a saber menos.
E enquanto esse folclore nojento se arrasta, por seu lado o Ministério das Finanças não está para graças. E vá de exigir dos funcionários mínimos de cobranças diárias aos devedores ao fisco, chegando essa obrigação a cada “cobrador” ter de apresentar resultados de montantes cobrados até ao valor de 75 mil euros, e desde o mínimo de 3 mil, obrigações estas que se manterão até ao fim do ano. Não estou contra o dever dos contribuintes cumprirem o que lhes incumbe, mas lastimo que não conste em nenhum despacho a obrigação do Estado pagar as suas dívidas, que são muitas e s em prazo instituido. O cidadão que espere...
E já que estou a referir-me a dívidas, como o folclore dentro do nosso País não dá mostras de abrandar, vale a pena transcrever uma notícia vinda a lume de que uma empresa pediu a hipoteca judicial da sede do Banco Santander Totta, na rua do Ouro, por alegada recusa da instituição bancária em devolver 3,6 milhões de euros que, parece, foram cobrados de forma ilegal.
A falta que fazem as velhas revistas do Parque Mayer, com Censura e tudo, para podermos gozar à tripa forra as calamidades que ocorrem nesta Terra a que se costuma dizer que é um País!...

domingo, 16 de novembro de 2008

E DEPOIS?

Sempre há um depois do que agora passa
Alguma coisa de que se suspeita
Ou de que se tem só ideia escassa
Mas que está bem ao pé de nós à espreita

Esse depois assusta muita gente
Pode ser p’ra melhor ou nem por isso
Quem pode saber é só o que sente
Que esta vida é toda um compromisso

Se o depois é tão grande mistério
E se há também quem tal não entenda
Esteja só ou tenha vida a dois

Será bom ver o amanhã a sério
Estar sempre pronto para a contenda
Para não perguntar sempre: e depois?...

MÃO Á PALMATÓRIA


A Ministra da Educação não desarma e mantém-se na sua. Veio agora a firmar publicamente que “se o Governo suspendesse a avaliação seria uma vergonha”. Quer dizer, na opinião da responsável pela instrução escolar dos portugueses, repensar um assunto e, se for caso disso, não persistir teimosamente na defesa de um ponto de vista, dando mostras humildes de querer chegar a um consenso e de, até mesmo, dar o braço a torcer, actuar dessa forma modesta é… uma vergonha!
Eu não dou daqui razão à atitude dos professores, que vieram para a rua comportar-se como se gente sem a menor formação educativa se tratasse. Nem por sombras! Acuso mesmo essa classe de não ter sido capaz de lidar com um problema que, mesmo tratando-se de enfrentar uma ministra teimosa e dura de ouvido, teria de ser levado a seu termo de uma maneira mais elegante. As greves e as manifestações de rua com o aspecto que aquelas tiveram só devem ser utilizadas em derradeira circunstância e as explicações públicas têm obrigação de ser dadas com uma boa imagem dos declarantes – que não é o caso dos elementos do Sindicato.
Quanto aos alunos, ninguém me convence de que não houve ali a mão de gente crescida interessada em deixar o Governo socialista em maus lençóis. Há sempre, nestes casos, interesses que estão alheios ao fundamento dos problemas em discussão. E é pena.
Agora, quanto ao Executivo de Sócrates, já que a ministra sustenta que sé está a actuar assim para cumprir o programa governamental, bem podia e devia o primeiro-Ministro actuar de forma a que não deixasse chegar a situação ao extremo em que se encontra. É que acabam por perder todos e, em primeiro lugar, os estudantes que sofrem as consequências de as aulas serem interrompidas, de os educadores andarem distraídos com outros assuntos, em vez de estarem a ensinar os que vão até eles para aumentar os seus conhecimentos.
Só Sócrates tem poder para acabar de vez com este conflito vergonhoso. Já que a Ministra não pretende ir contra o Programa do Governo, então que seja o seu responsável principal a intervir para encontrar uma solução que possa ser aceite pelas partes em conflito, mesmo com a declaração de que a sua actuação é contrária ao seu entendimento. Para além disso, existem sempre os exames finais para penalizar quem não sabe da matéria, quem, em vez de estudar andou a atirar ovos à Ministra. Não se trata de uma vingança, mas de avaliação das duas partes: a da competência dos professores em ensinar e a da capacidade de aprendizagem dos alunos, sobretudo daqueles que não querem ser penalizados por falta às aulas.
Dar a mão à palmatória, neste caso escolar, é preferível a manter indefinidamente uma “guerra” que não dá nota positiva a ninguém!...

sábado, 15 de novembro de 2008

ODE A PESSOA

Oh! Pessoa
tu que me inspiras, que me orientas
na minha cabeça ecoa
o que em mim sustentas
com o teu génio ou o dos teus heterónimos
com rima ou sem ela
mas sempre bela
afastando os demónios.
Ajuda-me, oh! Pessoa
a escrever esta ode
pensando em Lisboa
saindo como pode
com esforço, com rompantes
contrariando o ruído do café que me acolhe
que tem algo de igual ao teu que era dantes
mas que, tal como contigo,
é o café que escolhe
a freguesia, qual porto de abrigo
é ele que anima a que olhe
e veja o que me rodeia, o mau e o bom
aquilo que me foi dado apreciar,
deleitar
e ouvir o som
com agrado ou sem ele
E desde que me conheço
é o que peço:
que Aquele,
o que comanda,
não deixe a banda
à solta.
Pessoalmente penso assim
não me importa saber
se outros julgam igual a mim,
eu sei o que fazer
com a inspiração do poeta,
não basta pegar na caneta
e divagar,
pessoar,
procurar
no íntimo do sentimento
o que tiver mais cabimento
para saudar,
gritar
que poeta serei quem for
mas por amor
ao génio de um poeta dedico
e por aqui me fico
a compreendê-lo
e a relê-lo.

Ele, que dizia não ser nada
era tudo
perdido em frente da sua janela
ou sentado no café, à mesa,
procurando a frase mais bela
e encontrando com certeza
a sua inspiração
interpretando os sonhos do mundo
com devoção
bem no fundo
carregando a carroça da vida
com o fervor de um crente
que sabe que só há ida
por isso olhando sempre em frente
sem saber que o futuro
lhe traria tanta aclamação,
que transporia o muro
da vulgarização.

Oh! Fernando
tu que não sabias o que eras
nem como nem quando
que não crias deveras
nas certezas do mundo,
que só a Tabacaria era verdadeira
porque a vias ao fundo
da tua rua inteira
onde compravas os cigarros
da mesma maneira
que sacudias os catarros
e bebias a tua jeropiga
para acalmar a ânsia de versejar
e respirar
e produzir outra cantiga
sem fadiga,
naturalmente,
mas preocupadamente
a pensar que os versos criavam nada
que acontecia zero
que não havia fada
capaz de mudar, mesmo em desespero
a vida sensaborona,
triste e pesada,
qual matrona
pavoneada.
Hoje, o mundo sempre igual continua
parece diferente, mas nada mudou
aqui nesta como em qualquer outra rua
quer para quem trabalha e também estudou
porque os políticos continuam a falar
na busca de eleitor,
a dissertar
mas não são capazes, nem querem mudar
seja o que for
lá se vão enchendo
porque o que dá lucro vai-se mantendo
que o povo, esse fica,
a gritar pelo Benfica
sem eira nem beira
agarrado à bandeira
como se fosse da Pátria a salvação
a gritar nos estádios com emoção
contra quem seja
tendo na mão a cerveja
que dá calor
tremor
mas não altera os resultados
dos futebóis ou dos pecados.
Hoje está tudo na mesma
como a lesma.

Vês, Pessoa ?
Não fui capaz.
Estás onde estás
e eu estou onde estou
e não sei quando vou.
Verás que a minha intenção era boa
que me esforcei
mas o génio não agarrei.
Não digo como tu
que não sei o que serei,
sei sim, foi o génio que ficou no baú
e que também nada herdei
e como deixei de fumar
continuo sem achar
a Tabacaria
a que te trazia
o fumo da inspiração,
a divinização.

Perdoa-me, Fernando
Continuarei procurando
mas será tarde
para fazer alarde
de algo que me falta
para trazer à ribalta
coisa de valor,
mas amor
esse sim, não perdi
e como mostro aqui
não serei capaz
mas lá contumaz
é o que até agora tenho sido
e estou decidido
a prosseguir
enquanto a vida mo permitir.

Pessoa houve um,
não haverá mais nenhum
e se alguém o prometeu
não fui nem serei eu.

ESPÓLIO DE FERNANDO PESSOA


Como seria interessante poder conhecer a reacção de Fernando Pessoa, lá onde estiver e para os que acreditam que há um sítio para onde se vai depois de morto, ao contemplar o leilão que teve lugar e ainda está por resolver completamente do espólio literário do poeta e escritor que, enquanto foi vivo, não mereceu a admiração e o apreço que veio a conquistar depois de ter partido.
Quem tem consciência que o ajudante de guarda-livros que passou grande parte da sua existência a habitar um quarto numa rua estreita da Baixa lisboeta e que, depois de beber o seu bagacito, ia sentar-se numa mesa no Café da Arcada e aí escrevia o muito que, passados anos, constitui o valioso material que foi discutido agora numa leilão proporcionado pelos seus familiares, quem, sendo considerado “pessoano” tem aquele autor na galeria dos seus predilectos, como é o meu caso, não pode deixar de, por um lado, manifestar a sua revolta pela ingratidão pública durante tantos anos e, nesta altura e a partir de determinado momento passar ser considerado como um mestre na ingrata missão de deixar no papel o muito que o seu íntimo deixou transparecer.
Os editores, que são os grandes culpados, quase sempre, de não saber distinguir os valores autênticos no meio dos vendilhões de palavras que, sobretudo na nossa era, sobressaem por motivos vários mas geralmente longe do valor da escrita que produzem, esses profissionais da venda de obras que merecem esse título deverão meter as mãos nas consciências e reconhecer que pouco lhes interessa analisar as propostas que lhes chegam de trabalhos que, pode acontecer, só mais tarde serão reconhecidos como valorosos, para, em primeiro lugar, colocarem os fazedores de escritos que apenas possuem um nome que lhes é reconhecido por serem vistos nas colunas dos jornais ou nas televisões, por exercerem qualquer mister que tem público… público esse que, de uma maneira geral, não lê livros.
Fernando Pessoa rendeu, com o leilão, cerca de 350 mil euros, dando a ganhar à leiloeira 66 mil da mesma moeda.
Vamos a ver como fica, no final do que é chamado “leilão virtual”, todo este espólio, em que o Estado ainda tem de exercer o seu direito de preferência que lhe cabe e ainda após a C.M.L. determinar, após decisão judicial, se alguns dos lotes pessoanos, que declara terem sido adquiridos em 1986 por 36 mil euros, lhes vão ser entregues.
Menos mal que o contrato de arrendamento da casa onde viveu os últimos tempos Fernando Pessoa, em Campo de Ourique, propriedade do município lisboeta, já está salvaguardada, e é essa mesma casa onde, actualmente, se vai recordando a vida literária do infausto Mestre.
Termino como comecei: será que Pessoa se riria de todo este barafustante leilão da papelada, manuscrita ou passada alguma à máquina de escrever, numa altura em que a ele tanto lhe importaria que surgissem apressadamente os descendentes daqueles que não lhe ligaram muita importância enquanto foi vivo?

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

FALAR


De repente, perdi a palavra
deixei de falar
fiquei mudo
nenhum som sai da minha boca
as mãos não chegam
para me expressar
só por escrito posso transmitir
o que me vai na alma
mas ninguém está disposto
a conversar comigo
e só a ler o que eu escrevo.

Eu oiço, mas não falo,
faço caretas
para mostrar se estou satisfeito
ou triste
se concordo ou discordo
mas não exponho os meus pontos de vista
não consigo manter um diálogo
para além do curto sim ou não
e o uso da mímica não chega
para ser expressivo.

Por isso, uso o papel
e a caneta
como sempre fiz, antes, quando falava
mas é como quem argumenta sozinho
sem se ouvir
sem ter uma ideia do tom que deve utilizar
sem perguntas
sem respostas
e só sim porque sim
ou o contrário

Não falar terá as suas vantagens
não aborrece o próximo
não lhe castiga os ouvidos
não corre o risco de dizer coisas inúteis
de falar por falar
do palrar demais
não tem de se arrepender do que disse
não tem de voltar atrás
com a palavra dada
não empenha a palavra de honra
só vale o que escreve
mas isso tem remédio
deita o papel para o lixo
não o mostra a ninguém.

Falar, falar…
falar barato
abrir a boca para dizer o que lhe vem à cabeça
até asneiras
quando mais valia ter ficado calado
que é o risco de quem não tem
tento na língua.

Por isso, desde que deixei de falar
passei a andar mais descansado
não tenho de me conter
para não dizer mais do que devia
falo comigo mesmo
sem som
e só funciona
o mesmo comando que antes
orientava as palavras:
o cérebro
e esse, de facto,
não se vê
nem se ouve.






EDUCAÇÃO


Já não bastava a crise que alastrou e alastra por todo o mundo e que nos chega, inevitavelmente, com as consequências bem nefastas que são conhecidas e de que não sabemos ainda como poderemos ultrapassá-las, não é suficiente esse tormento que atinge a maioria da população portuguesa, a mais débil economicamente, e eis que surge a posição agreste tomada pelos professores de Portugal e, não contentes com isso, também a rapaziada que anda a estudar, nitidamente comandada, vem para a rua gritar que não aceita a forma como as faltas às aulas lhes são impostas.
Ou seja, atravessamos um período em que, por um lado, a população constituída pelos mestres das escolas anda aos gritos “a ministra para a rua” e, por outro, os alunos usam o mesmo slogan e se divertem porque, enquanto participam nessa alegre manifestação, não têm de estudar nem de estar a aprender nas aulas.
Não pretendo agora avaliar as razões que levaram a que se chegasse a esta situação tão radical. As duas causas, dos que ensinam e dos que aprendem, podem e devem ser analisadas e discutidas, mas, segundo parece, deixou-se chegar a discórdia a tal ponto que já não será possível invocar o diálogo para se procurar chegar a uma solução.
Por um lado, a questão da avaliação dos professores é recusada pelos próprios porque, segundo afirmam – e percebe-se pouco das alegações apresentadas -, está baseada em excessiva burocracia de papelada, a qual faz perder muito tempo para ser preenchida. É estranho, mas é o que afirmam.
No caso dos alunos, ainda que dando a impressão que ali anda mão de graúdos a incendiar o ambiente, a razão dos protestos é de que a justificação das faltas não aceita os casos de doença, parecendo que este é o único fundamento dos protestos.
Pouco pode ser dito por quem não está colocado no meio de tanta barafunda. Mas, que existe todo o direito a avaliar os professores, os cidadãos que têm sobre si a responsabilidade de colocar na vida pública os futuros seres que, por seu lado, devem contribuir para que este País não se mantenha na cauda da Europa, quanto a essa necessidade de seleccionar os bons profissionais e de excluir os que não são capazes de formar a gente nova, quanto a isso permito-me opinar que sou favorável a deixar ensinar apenas aqueles professores que dão mostras de fazer o trabalho com total competência.
Já, quanto aos alunos que não querem prestar contas em relação às suas faltas às aulas, nesse ponto não abdico das normas que existiam no meu tempo, em que se perdia o ano quando se excediam 10 faltas. Mas, evidentemente, os atestados médicos permitiam estar doente, muito embora nos exames finais, aí se tinha de mostrar que se sabia da matéria analisada.
Ora bem, não havendo já nada a fazer em relação ao péssimo ambiente com a Ministra, então, sem ter de ser considerada essa atitude como fraqueza do Governo, mas simplesmente o desejo de encontrar uma saída, procedendo-se às alterações possíveis – e só essas - para satisfazer professores e alunos, dar descanso à detentora da pasta da Educação e nomear um substituto que mostre claramente logo de princípio que “se acabou a brincadeira”, essa talvez seja a única forma de “apagar o fogo”, mantendo, no entanto, a vigilância para que não se reacenda mais tarde. Já chega de má actuação de um lado e de outro. E se Sócrates não é capaz de acabar rapidamente com essas brincadeiras, então que pague as favas nas próximas eleições. Mas, para ganhar quem?...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Já ouvi dizer que um escritor não se arrisca. E isso, para mim, é o mesmo que afirmar que só corre riscos quem atravessa a rua despreocupadamente, ignorando as passadeiras dos peões, quem passa junto a um prédio em obras ou, muitas vezes mais afoito, resolve aventurar-se a subir os Himalaias Não é apenas isso – e já é muito – que serve para alinhar nas experiências de arriscar. Quem escreve e dá a ler aos outros o que lhe sai em prosa ou em verso enfrenta as críticas, especialmente as malévolas, de quem considera que a obra publicada não merece o apoio de quem perdeu tempo a apreciá-las e sujeita-se, por isso, a ser apontado como um mau cumpridor da tarefa a que se entregou.
E, dentro deste ponto de vista, sucede o mesmo aos que pintam e esculpem, aos autores musicais e, obviamente, aos que interpretam, com a voz ou com um instrumento musical, as composições dos outros.
Logo, o não fazer nada ou não dar a conhecer aquilo que constitui um atrevimento de produção, é a situação mais cómoda para não se ficar sujeito a críticas. Não correr esse risco é uma maneira de viver em tranquilidade, muito embora não se fique alguma vez a saber se valeu ou não a pena conhecer a opinião alheia.
Eu, pelos vistos, quero correr o risco de conhecer o que os outros pensam das minhas escritas e das minhas pinturas. E, mesmo que opinem desfavoravelmente, o mais que posso fazer é não aceitar tais opiniões ou admitir que têm mau gosto.
E cá vou continuando teimosamente…



CEGO


Aquilo que eu vejo hoje
o que gosto e o que detesto
as flores, as árvores, a Natureza
e as maldades dos homens
só é possível porque os meus olhos
ainda funcionam
e é com eles que o meu cérebro
raciocina
se alegra e se revolta
se sensibiliza
me obriga a olhar para trás e para a frente
a parar para ver melhor
a espantar-me com o belo
e com o desprezível

Mas penso se um dia
deixo de ver
se terminam as minhas contemplações
se se fecha a janela da vida
se só poderei
ouvir, apalpar, falar
e só com isso serei capaz de decifrar
o que se planta diante de mim,
então o cérebro trabalhará a dobrar
penso eu, mas talvez a falta de visão
descanse mais o pensamento
o que não se vê
se não mostra a beleza
também não revolta
quando é isso mesmo:
repugnante

O pior é a leitura
o breille ajuda, dizem os invisuais
mas não se anda tão ao par
do que vai saindo
e que valha a pena
embora, por outro lado,
não se tenha de assistir
à enormidade de lixo literário
que as editoras atiram para a rua.

É melhor ou pior ser cego?
o ideal é não se conhecer nunca
a resposta
ficar na dúvida
questionar-se até ao fim.
Por enquanto, já que vejo
deixem-me ficar assim!...





VENDER O QUE NÃO É PRECISO




C’oa breca, mas eu não desejo glorificar-me cada vez que assisto a uma tomada de posição dos governantes que coincida com opinião dada publicamente por mim, quer neste blogue quer em artigos saídos em diferentes órgãos de comunicação, mas, como mais vale tarde do que nunca, pelo menos que, com enormes atrasos, acabe por verificar que tinha razão na altura em que manifestei uma opinião que não era asneira de todo.
Desta vez, o caso é o de o ministro Nuno Severiano Teixeira ter anunciado que o Governo se prepara para alienar muito do património militar, constituído por quartéis, conventos, cadeias, hospitais, fortes, tudo já fora de uso e em condições até de mau funcionamento, não ficando para trás o próprio edifício do Ministério, também ele, apesar de imponente de aspecto, em risco de caiarem painéis de pedra, e que o valor que se espera que vá enriquecer o montante destinado a modernizar as infra-estruturas das Forças Armadas, dizem, atingirá cerca de 834 milhões de euros.
Tudo isto parece ser medida acertada, a mesma que eu já tinha alvitrado em tempos – e não só no que se refere ao Ministério da Defesa -, mas o que faz levantar certas dúvidas é a circunstância de esta atitude ir levar 12 anos a ser levada a cabo. E todo esse tempo chega e sobra para que uns novos governantes que, entretanto, possam surgir, não venham com opinião diferente e tudo fique “em águas de bacalhau”.
Digo isto não por excesso de pessimismo, mas por estar escaldado como cidadão normal por ver anúncios de iniciativas que, passados tempos, ou ficam nas gavetas esquecidas ou acabam mesmo por ser revogadas porque quem toma posse, mais tarde, nos lugares de decisão, aparece com ideias novas ou defende as antigas, não mexendo uma palha no sentido de fazer progredir o que tinha sido decidido antes.
Eu, por mim, aquilo que continuo a defender é que, aproveitando até um período em que o Estado está cheio de dívidas antigas que leva tempo a liquidar, e as faltas de dinheiro para pôr de pé medidas que são da maior importância para não ficarmos cada vez mais para trás, em comparação com a Europa a que pertencemos, desfazermo-nos de tudo que está a cair de podre e que não tem utilidade na vida moderna só pode ser observado com aprovação, isso, repito, desde que o dinheiro apurado não seja gasto em ordenados escandalosos de funcionários superiores, sobretudo de empresas públicas, nem em adquirir automóveis de modelos luxuosos sempre que um novo alto cargo entra no esquema.
E sobre isto dos carros, repito o que já escrevi em mais de uma ocasião: que é existir uma garagem de carros oficiais e uma disponibilidade de motoristas - muito menos do que existem hoje -, por forma a acabar com esse “riquismo” de ter sempre à porta das repartições um automóvel à disposição do chefe e com o motorista sentado à espera que “sua excelência” queira sair, para ir para casa ou para levar os filhotes ao colégio. Se fosse necessário requisitar condução quando fosse preciso para o serviço e surgisse um carro, fosse ele qual fosse, o disponível, e com o condutor que, também ele, fosse o que se encontrava na lista para sair, se essa fosse a forma de utilização das viaturas, quantos milhões de euros se economizavam por ano?

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

CAMPO DE OURIQUE


É neste bairro de Campo d’Ourique
Nesta Lisboa que já foi alegre
Que mais apetece pedir que fique
E se não é d’aqui que se integre

Ruas planas e gente agradável
Lojas vistosas, também populares
Andar às voltas é até saudável
E há ainda quem tome bons ares

Mas tudo muda nesta Capital
Os mais velhos notam a diferença
E vai-se perdendo a tradição

O que se pode esperar, afinal,
De uma vida que é toda tensa
Onde a cabeça mata o coração?

UM PAÍS DE CASOS




Estamos numa altura em que, todos os dias, acontece alguma coisa que extravasa os hábitos de tranquilidade que se tinham noutros tempos. E quem não anda completamente ao corrente da evolução da vida na nossa Terra, chega a acumular casos e a fazer confusões de nomes e de situações, misturando já tudo e metendo os pés pelas mãos.
Por isso, quem vai seguindo os meus blogues, talvez fique satisfeito pela selecção que faço no prosseguimento diário das “broncas” que se vão sucedendo. E já quase não tenho espaço para abarcar todas as mais importantes, para não falar do cuidado que ponho em não repetir temas já referidos, a não ser quando os folhetins vão aumentando de interesse e os seus autores vão acrescentando mais este ou aquele pormenor que merece ser divulgado.
Por hoje, ataco duas situações que, não se tratando de um grande “furo” que nos deixe de boca aberta, representam, pelo menos, o estado a que se chegou na desvergonha de comportamentos que já nem são limitados a pessoas que não têm responsabilidade na vida pública portuguesa. O primeiro a merecer a referência da minha atenção diz respeito a duas personalidades que deveriam ter mais cuidado nos seus procedimentos, para não dar razão ao dito tão antigo de que não é preciso só sê-lo, também importa parecê-lo. E se não é bem assim, pelo menos é parecido.
Ora, aquela do ministro da Economia, Manuel Pinho, que, na altura, detinha um alto cargo no BES, ter passado uma procuração com plenos poderes para compra/venda de um prédio em Lisboa, isso na hora em que o nomeado procurador, Manuel Sebastião, fazia parte da equipa de administradores que acompanhavam Vítor Constâncio no Banco de Portugal, passando agora a desempenhar as funções de presidente da Autoridade da Concorrência, essa atitude que, tratando-se de dois portugueses comuns, não mereceria qualquer comentário – a não ser fazer a estranheza da procuração, quando os dois estariam na cidade e não havia necessidade de um deles se esconder -, ao ter sido levada a cabo por quem foi, merece, isso sim, no mínimo que seja um acto tornado público. E que nos interroguemos sobre a razão do facto.
E, já agora, sublinhar a circunstância que está a ocorrer sucessivamente, de que os favores cá se fazem e cá se pagam, não sendo por acaso que os intervenientes de situações parecidas com esta, pouco depois mudam de lugares para outros ainda melhores e a ganharem mais dinheiro…
Falar agora de Vítor Constâncio e da sua pálida e atrasada actuação no drama do BPN, eu, que o conheço, não me passa pela cabeça que tenha existido o menor interesse de ordem pessoal do governador do Banco de Portugal. Agora, que não pode o homem com as obrigações que lhe cabem, desculpar-se, por muitos profundos discursos que faça na Assembleia da República, isso é que não se pode omitir na apreciação da ocorrência. Não vou ao ponto de subscrever o tom de Paulo Portas quando aproveitou a ocasião para se sobressair no Parlamento, ele que não está em condições de criticar ninguém, sobretudo depois daquele dos submarinos, quando foi ministro da Defesa .Mas tenho pena que Vítor Constâncio não tivesse actuado com a firmeza e a rapidez que o caso merecia.
Ao fim e ao cabo, estamos condenados a ser um País mal gerido e de interesses ocultos que circulam nos subterrâneos da política! Somos um País de casos...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

DESENCANTO...POR ENQUANTO!

Cada vez mais tenho a sensação de que, para os outros, fui sempre alguém do lado de lá. Não só para os mais afastados, mas também para os parentes. Quanto mais tempo vivo, mais me convenço desta realidade, E, nesta altura, não vale a pena disfarçar que não é assim. A culpa, se é que se pode querer descortinar culpado nesta situação, terá de ser atribuída apenas a mim. Porque não serei abertamente comunicativo. Porque não pertenço àquela maioria de pessoas que mostram dar grande importância ao que os outros dizem, sobretudo quando internamente não atribuem valor suficiente para isso. Será por não ter esse sentimento de interesse demonstrativo, que tanto agrada aos outros interlocutores. Será por isso. Mas, seja pelo que for, a realidade é essa: Provoco pouco sentimento de intimidade nos outros.
E a verdade é que nem sei se sinto falta dessa intimidade. Dessa cumplicidade. Mesmo no que diz respeito aos amigos mais chegados, nunca senti esse entrosamento, daqueles que dá para trocas de confidencialidades. O meu íntimo sempre foi resguardado e, talvez por isso, o dos outros nunca me foi revelado. Antes assim.
Aquilo a que se chama “abrir-se” com alguém, foi coisa que nunca fez parte dos meus costumes. Sobretudo, porque não creio que interesse ao próximo saber o que vai no meu íntimo. Poderão, por simples curiosidade, escutar o que lhes transmitisse de muito privado que existisse no meu âmago, mas mais do que isso não se passaria.
Estar do lado de lá é, pelo menos, estar nalgum sítio. Digo eu, para justificar o meu ponto de vista. Estar em todos os lugares, do lado de cá e do lado de lá, mostrar abertura e até entusiasmo quanto ao que se escuta numa conversação, é uma forma de estar na vida para além de ser cómodo. E não importa averiguar o grau de verdade que existe em tal posição. Se eu fosse assim, só tinha a ganhar no capítulo da apreciação dos outros a meu respeito.
Mas, quanto à apreciação de mim para mim próprio?

EMEL



Então não é que uma empresa municipal, que tem dado mostras de funcionar tão bem, estando exemplarmente a exercer as funções que lhe são atribuídas, e que, para além disso, é de tão grande importância no que se refere ao aparcamento das viaturas automóveis na cidade de Lisboa, não é que, de repente, perde a sua presidente do conselho de administração, de nome Marina Ferreira, alegadamente por “motivos pessoais”, segundo a própria! Esta demissionária e antes ex-vereadora do Município alfacinha chegou a ser tempos depois, interinamente, presidente da C.M.L., na altura em que Carmona Rodrigues deixou aquele cargo. Logo, trata-se de uma personagem com curriculum de mando e de responsabilidades que não sei se foram sempre levadas a cabo com inteira satisfação dos munícipes. Digo que não sei, para dizer alguma coisa.
António Costa, presidente do Município, aceitou a demissão da responsável principal da EMEL, que assim se chama a organização que, para além de tudo, encontra-se sob responsabilidade da Câmara.
A razão por que dou importância de blogue a este acontecimento é para fazer a mim próprio uma pergunta, de que antecipadamente sei a resposta, mas a deixo ao sabor dos que me lêem: A EMEL tem cumprido plenamente o papel que lhe foi entregue?
Falo, por exemplo, de um bairro que conheço bem: de Campo de Ourique. Os aparelhos colocados nos passeios para que os usuários dos aparcamentos nas ruas possam, depois de enfiar o seu dinheiro na ranhura própria, retirar o cartão que colocam na plataforma do pára-brisas, esses gingarelhos, que nem sempre funcionam, estão por toda a parte, mas o que não se vê nunca é os funcionários da empresa a verificarem se os automóveis têm à vista o tal identificativo das horas pagas para estacionar. Mas ao que, com frequência, se assiste é a indivíduos à paisana, ou seja sem qualquer identificação visual, a abrir aquelas caixas do dinheiro e a retirá-lo, tudo isso à frente de qualquer pessoa e com o maior à-vontade. Isto é a prova provada de que não existe qualquer controlo por parte da tal EMEL, ao mesmo tempo que se lê com frequência que a empresa não é lucrativa.
Casos destes só podem verificar-se no nosso País, porque noutro qualquer já há muito tempo que a situação estava regularizada e não dava ocasião a rirmo-nos todos das ineficiências dos empreendimentos geridos pela administração pública, isto, claro, com excepção para o Ministério das Finanças, que esse, no capítulo da recolha de contribuições e impostos, aí nunca falha!...Vamos a ver quem substitui a presidente demissionária da EMEL. Não é por nada, mas só para confirmar se a empresa andou mal, de facto, só por ter sido mal administrada

CABEÇA PERFEITA



Ter cabeça instalada
a funcionar como deve
e o corpo, quase nada
mostra que está disponível
e que lhe é impossível
estar igual ao que era antes
é pior do que o contrário
pois quem não pensa
nem tenta
entender o que se passa
e aceita tudo que faça
mas reflectir
é sentir
que nada já é igual
que o que ocorre está mal
que as pernas não obedecem
e que os músculos fenecem
a ligeireza perdeu-se
agora só devagar
e a cabeça a pensar
a entender
a sofrer
a aceitar a velhice
bem longe da meninice
essa que foi e não volta
sem ser razão para revolta
antes tem de ser aceite
e no fundo agradecer
por não ter acontecido perder
o que resta
e fazer até boa festa
pela cabeça que impera
e que, por isso, só espera
o dia do adeus final
em que já não se sente o mal.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

PASTOR

Se tivesse que ser outra coisa
na vida
e me dessem a escolher
logo à partida
se soubesse o que sei hoje
por pouco que seja
esteja como esteja
talvez tivesse optado por ser pastor
por certo estranho
junto do meu rebanho
para os outros que me olhariam
andando por montes e vales
entregue ao não te rales
mas sempre com papel e caneta
a inspirar-me na Natureza
e a reproduzir sua beleza
e só pensar nos bons actos
que o ser humano poderia fazer
e pondo bem longe a hora de morrer

Que bom seria ser pastor
viver isolado das maldades
ser feliz
de raiz
ouvir apenas os balidos
das minhas companheiras
as ovelhas
e de vez em quando os ladridos
do fiel amigo
sempre atento ao perigo
que possa existir
de alguma fugir
do grupo que me dá
esta profissão de pastor

De manhã à noite
ter a imaginação
sempre em acção
ver passar as estações do ano
todas elas úteis e benéficas
sentir o sol e o vento,
mas ter presente o talento
beijando cada flor do caminho
cuidando em raízes não pisar
e deslumbrando o olhar
sem ambições, sem maldades
pegando no cordeirinho
que também quer o seu caminho
e, de vez em quando,
fazendo saltar os poemas
agarrado ao cajado
que também puxa pelos temas
sem pretender compreender
o mundo que se atravessa
e que desde ali não se pode ver

E à noite, recolhidas as ovelhas,
abrigado no curral, pensar
à luz do petróleo, sonhar
lembrar-me que os ricos
sofrem por querer mais
que eu com os meus nicos
sou feliz, por demais.

Ser pastor neste mundo
é o que eu queria no fundo.


GREVE DOS PROFESSORES


Pois é, quando duas opiniões se confrontam, se não têm capacidade para se ouvir mutuamente, falar cada uma de sua vez, reconhecer até alguma razão em determinadas passagens da controvérsia, dar algum tempo para cada parte analisar a situação sossegadamente e com a participação dos companheiros respectivos do seu lado, quando não existe uma certa maleabilidade que amenize a dureza dos pontos de vista, quando é este é o panorama que se verifica como é o caso dos professores e da ministra da Educação, aquilo a que se assiste é a tudo ficar na mesma, entrar-se até em campos de confrontos violentos, custar muito caro a cada parte sustentar os seus pontos de vista e, finalmente, quem perde com isto tudo são aqueles que aguardam por soluções que lhes sejam benéficas, neste caso os estudantes que, ao fim e ao cabo, muitos até gostam que estes desentendimentos ocorram, como são aqueles que não apreciam muito ter de estudar, fazer exames, ser analisados.
Depois da manifestação que ocorreu pelas ruas principais de Lisboa cheias de gente que dava gritos, exibia bandeiras e fazia gestos, parecendo ser tudo menos dignos profissionais do ensino, ouvindo-se depois a ministra apresentar as suas razões, quem se encontra de fora do problema ficou sem poder ter uma opinião concreta para tamanha discórdia e após aquele espectáculo de enorme mau gosto, de uma e de outra parte, pois a senhora dona do pelouro da Educação tinha obrigação de, aproveitando as televisões e as rádios perante as quais falou, não deixar dúvidas sobre a sua pertinência em não dar uma volta ao problema, depois de tudo o que se passou deveria ser mostrado aos portugueses, o desejo de terminar com uma quezília que está a custar dinheiro ao País.
Mantenho, por isso, aquilo que escrevi ontem sobre a necessidade de o primeiro-Ministro, sem complexos de nenhuma espécie, fazer uma lavagem no seu elenco e, com critério e A BEM DA NAÇÃO, como se dizia antes mas com outro significado, mandar descansar aquelas figuras políticas que deram já mostras de não estarem a fazer um trabalho que seja útil ao País.
Faça isso, José Sócrates. E verá que pode até ser muito útil naquilo que vai precisar na altura das eleições: a opinião favorável dos portugueses, daqueles que, nesta altura, já se perguntam sobre quem o poderá substituir no próximo Executivo.

domingo, 9 de novembro de 2008

BURROS

Ter sempre razão
É tão doentio
Como a discussão
Vem do mau feitio

Não saber ouvir
Fechar-se ao diálogo
É como cair
Num triste monólogo

Aqueles que insistem
E são tão casmurros
Enfim, não desistem
O que são é burros

E mesmo na hora
De partir p'ra outra
Se já estão de fora
Dizem que estão noutra

Se fica p'ra trás
O mal que foi feito
Já tanto lhes faz
Estão noutro pleito

Mas nada já muda
Seguem sem razão
Até sem ajuda
Têm ares de leão

São burros, são burros
Dizem os sensatos
Mas eles dão urros
E chamam-lhes chatos

Então na política
São mesmo teimosos
É a ver quem fica
Sempre mais vaidosos

Quando muda a coisa
Outros lhes sucedem
P'ra partir a loiça
Licença não pedem

O povo assim fica
A chuchar no dedo
E já nem critica
Tem medo, tem medo

Na vida, afinal
Quem ganha tem lata
Meter não faz mal
Na poça, a pata

Os burros quem são
Pergunto por fim
São os que no chão
Dizem sempre sim

Burros, pobrezinhos
Nobres animais
Esses, coitadinhos
Não são seus iguais

ERROS DO GOVERNO



Depois deste tema sobre a liberdade que vem reproduzido abaixo e que faz parte do meu futuro livro com o mesmo título do texto transcrito, lá volto eu a focar as desgraças que ocorrem por estas terras, já que, como tenho afirmado, são volumosas as matérias que me dão ocasião para preencher este espaço e o contrário é tão raro que só me daria para escrever uma vez por semana, em lugar de o fazer todos os dias, como tem acontecido
Vamos, portanto, a isso. Começo por repisar um assunto a que já me referi por mais de uma vez e que, por casualidade, num programa televisivo desta semana, foi focado e repisado. Trata-se da questão do preço dos medicamentos em Portugal, comparativamente com o que se paga noutros países, sobretudo em Espanha, e o custo que o Estado suporta, em muitos milhões de euros anuais, tudo porque as forças governamentais não mostram ter força bastante para lutar com os lobbies farmacológicos, não controlando os preços e não obrigando a que as doses que se vendem por cada receita sejam mais reduzidas, o que ocasiona o montão de remédios com datas ultrapassadas, porque não foram tomados para além de meia dúzia de pastilhas, quando é o caso, que são entregues às farmácias para reciclar… dizem.
Mas digo mais: o caso da linha do Tua, que provocou o descarrilamento de um comboio naquela via, levou dois meses a ser apurado o motivo do acidente. Morreu gente e DOIS MESES! de espera por um inquérito… Cá está. Esses fulanos que se intitulam de mandões na máquina governativa não são capazes de ter vergonha naquelas caras e actuar rapidamente, tomando todas as medidas para que não ocorram esperas, estas e todas as que são costume naquilo que se diz ser o nosso País. São todos uns autênticos “panhonhas”, que é o nome que se lhes pode dar, sem interessar a que partido político pertencem. São portugueses sem vergonha da figura que fazem. É o mínimo que posso dizer.
E, já agora, também chamar à liça o caso do aeroporto de Beja. Saiu a lume que o caso tem já dois anos de atraso e que as linhas de ligação a esse posto de partida e chegada de aviões, quer as rodoviárias quer as ferroviárias não estão sequer estudadas. Pode ser que não seja urgente pôr de pé este aeroporto. Talvez até seja. Mas então, para quê gastar dinheiro em estudos e lançar a ideia no conhecimento público, se não existe a ideia de levar a iniciativa por diante? Andamos a brincar a quê? Ao Portugal a fingir?
E temos nós de votar, nas próximas eleições, num Governo que tome conta disto. Mas qual? Que gente existe por aí, capaz de se deixar de fantasias, de jogos de poder, e tenha o mínimo de bom senso para ser capaz de actuar por objectivos, ter noção das opções mais urgentes e funcionar por ordem das nossas possibilidades, pondo na rua todos os “jamés” que andam por aí a gastar o pouco dinheirinho que temos?
Só deixo aqui um conselho de um ignorante português que, apesar de tudo, se sente com mais discernimento do que aquele que tem sido mostrado ao longo dos múltiplos governos que passaram pelo Poder: Antes das eleições, faça uma limpeza no seu elenco, pois está mais que demonstrado que essa gente, na sua maior parte, não tem capacidade para ocupar os lugares que ocupa. E, claro, não lhes entregue depois lugarões desses que os ministros e seus descendentes logo ocupam e onde vão ganhar ainda mais dinheiro do que recebem agora. Eu já sei que tudo isto que deixo aqui escrito não é para ser lido. Mas, no meu caso, posso dormir mais descansado...

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Ainda está por explicar completamente o que é isso de liberdade. Um preso pode gozar um pouco mais da liberdade do que aquele que se desloca para onde quer e pode? Um multimilionário é, na verdade, um homem livre? Um crente fervoroso da sua religião tem liberdade absoluta?
E poderia ir por aí fora com este tipo de interrogações. Só que a resposta não surge com facilidade. Há muitos mas! Excessivos até!
Seguramente, a liberdade é a característica de não se ter necessidade de qualquer outro para viver. Logo, liberdade absoluta não existe. Se há necessidade de recorrer ao trabalho para se ir vivendo, ninguém consegue isolar-se totalmente do mundo que o rodeia. E, por isso, tem de fazer concessões.
A solidão, até mesmo o isolamento quase completo e a fuga ao relacionamento podem ser conseguidos só até certo ponto, pois são interrompidos sucessivamente. As necessidades básicas do ser humano impõem os contactos, por poucos que eles sejam. Logo, existe dependência dos outros. Portanto, não há liberdade total.
Essa liberdade absoluta só chega ao homem quando se morre. Aí, liberta-se de tudo. Não necessita mais, seja de quem for. O milionário não tem de se preocupar mais com a guarda dos seus valores. Já não lhe pertencem. O miserável também não precisa da esmola dos outros. O que trabalha, o que obedece, o que se sujeita a normas estabelecidas para que possa manter-se vivo, todos esses só com a morte atingem a liberdade plena.
O homem, desde que nasce, é um escravo dos deveres, de obrigações, de compromissos. Tem de ser cumpridor de regras que outros estabeleceram. Não pode fazer tudo que lhe apeteça, porque se o fizer é criticado, é mal visto, é penalizado e pode deixar de ter a outra liberdade, aquela que também não existe atrás das grades.
Eu, que escrevo este texto, sou livre de colocar no papel aquilo que quero. Mas deixo de o ser se pretendo divulgar publicamente em livro o que produzo. Para mim escrevo o que quero e o que me apetece e o que consigo, mas para os outros essa liberdade fica condicionada à possibilidade de edição. E essa é comandada pelo interesse de um editor, o qual, por sua vez, está limitado pelos interesses do mercado. De que hajam leitores. E estes dependem do seu grau de cultura e do seu poder de compra.
Liberdade, liberdade, cada um chama-lhe sua! Mas, por mais que grite, por muito que se esfalfe cada um de nós a clamar pelo fim das limitações, estamos todos condicionados e isso da liberdade é retórica dos livros.

sábado, 8 de novembro de 2008

TERMAS

Há-as de todos os tipos
Lindas e apalaçadas
As que só usam os ricos
Que aí passam temporadas

Como há as medianas
Que bolsos magros suportam
São quase sempre espartanas
Os clientes não se importam

A que eu uso é especial
Há anos que a escolhi
Para mim é uma praxe

No centro de Portugal
Amei-a logo que a vi
Tem por nome Alcafache

PORTUGUESES BEM DISPOSTOS




Bem gostaria de poder preencher os meus blogues com temas que dessem conta de factos ocorridos em Portugal que nos fizessem transbordar de alegria, o que seria sinal que não seria necessário recorrer a assuntos que só sublinham os erros e as asneiradas que se praticam por cá a vários níveis, e em que as forças públicas estão permanentemente a ser chamadas à liça, porque, por mais que não queiramos, é dessa origem que saltam maiores razões para nos inquietarmos.
Hoje, sábado, poderia surgir alguma coisa que aliviasse os tormentos provocados por inúmeros factos que não nos deixam contentes por sermos naturais deste País. Fartos, como estamos, com situações penosas, como é a que está ainda sob a nossa atenção, a do B.P.N., bem andei à busca de uma notícia, uma só que fosse, que amenizasse o ambiente em que vivemos. Mas não! Só se inventasse uma história mirabolante, que fosse procurar numa ficção de autor bem disposto, mas eu não gosto, nos meus blogues, de fantasiar. Por isso lá vai o que tenho para dizer nesta altura:
Foi bem visível a manifestação dos professores em Lisboa, que reuniu, segundo dizem, cerca de cem mil almas a gritar pelas suas razões. E a marcação de uma greve dos “ensinadores” da nossa juventude surgiu como indicação do passo seguinte dessa classe, dado que não concordam com o modelo de avaliação dos professores.
Quem, como eu e como serão muitos que frequentaram velhas épocas escolares, tem presente que os alunos, com mais de 10 faltas num ano às classes respectivas, “chumbavam” sem apelo nem agravo e que os professores tinham de cumprir rigorosamente as suas obrigações – e uma delas era serem competentes -, exercendo verdadeira autoridade para poderem exigir dos estudantes o melhor que eles podiam dar de si, quem se encontrar nessas condições não pode deixar de sentir saudades como as que eu tenho de alguns dos seus mestres antigos, praticamente todos, como é óbvio já mortos, que deram mostras de saber o que estavam a fazer e, dentro do rigor que era habitual nessa época, deixaram atrás de si muita instrução dada. Aprendeu-se muito e longe de nós de lhes faltarmos ao respeito e de fingirmos que sabíamos!...
Eu não desejo pronunciar-me quanto à concordância ou não com as reivindicações dos professores de hoje, também não deposito grande confiança na Ministra que gere o sector, mas faz-me alguma confusão ver aqueles que deviam ser os que dão o exemplo, a marcar greves e a andar pelas ruas de braços no ar e aos gritos. Não pega!
Mas, já agora, só mais uma coisinha sem importância: a de as cartas de condução, ao terem de ser revalidadas, se esperar meses (eu aguardei 7) para receber a que substitui a que caducou. Nem pude conduzir em Espanha, porque ali o papelito de substituição não é aceite, sobretudo onde a revalidação se faz num quarto de hora nos serviços respectivos.
Como é que se consegue apresentar assuntos que nos animem a ser portugueses bem dispostos
?...

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

BEIRA ALTA


Sentado nesta cadeira
numas termas, num café
é em plena Alta Beira
que vejo viver a fé

Quase tudo gente idosa
que não esconde suas dores
tem o seu quê de chorosa
mas sem bons nem maus agouros

Pessoas de índole boa
só talvez gritem demais
seu falar não atraiçoa
pois são plenos vendavais

Essas palavras cantadas
pelas mulheres, sobretudo
são todas bem silabadas
mesmo que sem conteúdo

No final de cada frase
Põem aí o acento
é essa afinal a base
de um certo encantamento

Aqui estou nesta cadeira
a ouvir falar quem passa
gozando os prazeres da Beira
desta gente amigalhaça

Numa altura das vindimas
a poesia melhora
saltam da pena as rimas
e a inspiração aflora

Falai, falai oh Beirões
o vosso falar tem graça
todos vós sois campeões
pois não choram a desgraça

Aqui o tempo ficou-se
deixou progresso passar
vive-se como se fosse
uma ilha em pleno mar

Os filhos da terra voltam
em férias de emigração
suas alegrias soltam
e abre-se o coração

Rever as velhas casinhas
mostrar os carrinhos novos
gozar as boas pinguinhas
bailar modinhas nos povos

Tudo isto é Beira Alta
a verdade é bela e pura
o que não há não faz falta
e as paisagens são pintura

Oh Beira Alta querida
com tanta casa fechada
é pena estares ferida
por muita gente emigrada





AINDA O B.P.N. - NÃO ESCONDER!

Há ocasiões para tudo. Dias atrás e por razões compreensíveis, a eleição de Obama para a presidência dos E.U.A. preencheu os espaços de comunicação e, durante bastante tempo, sempre que houver novidades, o tema não deixará de ser o preferido por todos os que escrevem e comunicam.
Mas, nesta altura e por cá, o que chama a atenção principal dos mesmos comunicadores é o que ocorreu e que se vai conhecendo a pouco e pouco. Refiro-me, naturalmente, à bronca do Banco Português de Negócios.
Pois a burla, o abuso de confiança, a fraude fiscal e os buracos nas contas são motivo mais do que suficiente para que o assunto não passe sem serem apontados e sublinhados uma a uma das descobertas que forem sendo reveladas, existindo a ânsia, mais do que normal, de saber o que vai acontecer aos que forem considerados culpados da má gestão, tenha sido ela programada para benefícios próprios quer se tratem de incompetências na ocupação dos seus lugares.
Decorrem, neste momento, investigações pelo Ministério Público, ao mesmo tempo que uma queixa-crime contra incertos, acompanhada por uma auditoria interna ordenada por Miguel Cadilhe, o actual presidente do B.P.N., tudo isso procura pôr tudo a limpo.
Fala-se de que já foram apuradas práticas ilegais praticadas pelos anteriores membros da administração do banco, assim como por estranhos a esses cargos, sobretudo no capítulo do crédito mal parado muito suspeito, pelo que tudo junto provocou uma situação de iminente falência que só foi salva pela intervenção governamental, o que ocasionou a transferência de prejuízos para o âmbito estatal, que, até este momento, já “enterrou” cerca de 400 milhões naquela instituição bancária. E esses prejuízos, diz-se, atingirão em Dezembro os mil milhões de euros.
Ainda a procissão vai no adro neste caso do B.P.N. e já se conhece a acção de cinco indivíduos, neste momento arguidos de um processo que está já ser julgado na Boa-Hora, que utilizaram o meio da extorsão daquele Banco de uma avultada quantia, sob a ameaça de divulgarem os casos ilícitos de que tinham conhecimento e que punham em maus lençóis os administradores envolvidos.
Enfim, um rol de roupa suja que veio ainda causar pior ambiente ao que já existe em relação à actuação das organizações bancárias, tudo porque se tratam de negócios altamente rentáveis que, de uma forma geral, através de juros altos, acodem aos aflitos e, graças a isso, salvam empresas e ajudam a criar outras. Por vezes, as garantias não são suficientes e esse é o risco que pode provocar situações difíceis, o que, como é sabido, muito raramente sucede. Daí, o ser banqueiro não é fazer parte de uma pequena ou média empresa, dessas que, por cá, andam sempre de calças na mão mas que, é preciso que seja dito e repetido, criam muitos empregos e distribuem melhor as riquezas.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

QUADRAS SOLTAS

O coração bate, bate
Quando te vejo passar
Não sei se é um biscate
Ou vontade de te amar

O cardiologista sabe
Que o ritmo do coração
É tanto que já nem cabe
No peito, sua prisão

É tão bom ter bons amigos
Com quem se possa contar
Pior são os inimigos
Aqui e em qualquer lugar

O vento forte é tremendo
Faz mexer tudo por dentro
Mau também se não entendo
O que me tira do centro

AINDA BARACK






Bem sei que o assunto-chave destes dias continua a ser a vitória eleitoral de Barack Obama nas eleições presidenciais dos E.U.A. Não posso nem devo, por isso, afastar-me do tema que traz todo o mundo pendente daquilo que o vitorioso americano será capaz de fazer em comparação com o desastre Bush que conduziu o mundo à situação em que se encontra.
Mas, por mais que reconheça essa obrigatoriedade, não consigo fugir, mesmo de passagem, a sublinhar um “pequeno” pormenor que foi revelado por Paulo Portas, em plena Assembleia da República, de que o ordenado do governador do Banco de Portugal é de 17 mil euros mensais, ou seja, traduzido isso nos velhos contos – que ainda continua a ser a moeda que muitos portugueses compreendem melhor -, 3.400 contos por mês que, ainda dividido pelos 30 dias, dá a módica quantia de 111 mil escudos por dia…
Para quê acrescentar mais alguma coisa a estes números, num País e numa altura em que as dificuldades de viver são cada vez maiores entre nós e que, os desempregados, os reformados e os que ganham pouco, ou seja, a maioria esmagadora da população, se vê em palpos de aranha para conseguir comer todos os dias.
Mas, já agora, mais um acréscimo a este tema que não cabe no “obamismo” que domina as atenções: é sobre os 10 milhões de euros que parece que Miguel Cadilhe reivindica, na qualidade de presidente do Banco Popular de Negócios demitido, cláusula que faz parte do seu contrato quando tomou posse do lugar e deixou de receber a reforma de outra instituição bancária onde tinha prestado serviço. Isto é o que corre agora como notícia, porque as situações do mesmo tipo, de fortunas que ganham uns tantos fulanos que, sempre com ligação actual ou passada à política, vivem contentíssimos da vida e, claro, têm razões para isso. E não ponho mais na carta, porque já estou agoniado de escrever tantos zeros à direita, no que se refere a umas sumidades que são portugueses, vivem em Portugal e gozam dos prazeres que são conferidos a uns amigalhaços que, quando as coisas estiverem ao contrário, também lá estão para acudir.
Mas, no que se refere ao B.P.N., muita tinta vai ainda correr sobre situações criadas que conduziram ao estado a que se chegou e que, segundo se diz à boca pequena – e agora já nem isso, porque parece que se perdeu o medo de divulgar situações que deram muito dinheiro a ganhar a uma determinada gente -, as contas daquela instituição andaram à solta e agora tarde piaste.
Contentemo-nos a ir seguindo a trajectória do Obama e ir apreciando a forma como ele vai solucionando os inúmeros problemas que já tem pela frente. Sempre gostaria de ver um dos nossos sábios, esses que dão sempre opiniões e conselhos em tudo que é órgão de Informação, a ter de resolver os berbicachos que o Barack não pode fingir que desconhece…

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

BERTRAND

Oh Bertrand da juventude
Dos vinte anos de então
Eu te recordo amiúde
Quando já sou ancião

Junto dos livros, aí,
Nasceu em mim a paixão
De ler o que depois li
De não perder a lição

Estudava então também
Que a vida fácil não era
Tinha de ir mais além
Quem sabe o que nos espera

Tive sorte, a Bertrand
Ensinou-me o caminho
Mostrou-me o amanhã
Serviu-me também de ninho

Então, o grande Aquilino
Que aí sempre parava
Tornou-se o meu paladino
E ouvi-lo eu adorava

E à tarde, ao cafezinho
Tomado ali no Chiado
Podia ser o padrinho
A estimar o afilhado

Oh Bertrand, passaram anos
E aí estás sempre de pé
Na esquina, não há enganos
Em plena rua Garrett

BARACK OBAMA




Por muitas matérias importantes que houvesse que tratar em relação aos assuntos que tenham a ver com o que ocorre no nosso País, o facto de ter saído vencedor das eleições presidenciais nos E.U.A. o candidato que se esperava, Barack Obama, este acontecimento tem de superar todos os outros, por mais destacados que eles sejam. Hoje tem de ser o assunto do dia. E vai-se prolongar pelos tempos mais próximos, dado que as expectativas são enormes por todo esse Planeta fora, uns a favor do resultado, outros nem por isso, mas, de qualquer maneira, segundo eu subscrevo, o que satisfaz mais é assistir à partida, para a reforma, de Georges Bush. Qualquer substituto servia, mas este traz algumas vantagens em relação ao seu opositor.
Agora, há que aguardar até ao dia da tomada de posse e, a partir daí, estar-se atento às decisões que o novo importante homem do mundo irá tomar, para poder constatar se a mudança de decisor no que respeita a medidas que se impõem ser levadas a cabo para ver se, mesmo a crise de ordem financeira que nos preocupa a todos, isso e o resto caminha no sentido das resoluções que aproveitem não só interior dos Estados Unidos da América, mas igualmente os países que, mesmo sem quererem, dependem, directa e indirectamente, do que diz respeito ao dólar. Uma América sã, sob o ponto de vista da sua economia e não só, permite que se respire um melhor ambiente de vida.
Barack Obama transmitiu, ao longo da campanha, um certo ar de bom senso e de preocupação em solucionar os problemas que o ainda residente na Casa Branca foi criando no decorrer do seu mandato. E são inúmeras as situações que não podem ficar como estão, quer no interior do seu País quer, diria sobretudo, fora das suas fronteiras. E não são medidas fáceis de tomar, pois, por exemplo, sair do Iraque não é atitude que se tome só por mandar retirar as tropas americanas que lá se encontram. Dizer adeus e depois? E nos restantes locais onde Bush interferiu e que, com o novo Presidente, precisam de encontrar solução que não deixe as coisas piores do que aquilo em que se encontram?
Só em Janeiro é que o novo Presidente se vai sentar na cadeira da Casa Branca. Mas, até lá, seguramente que terá que organizar o seu gabinete e irá reunir elementos que lhe permitam, logo no primeiro dia de actividade presidencial, anunciar medidas que todos aguardam que sejam levadas a cabo. E são muitas. E de enorme responsabilidade. E que interferem de forma profunda no seguimento das acções políticas que o Globo enfrenta. Nem vale a pena, por agora, enumerá-las.
Por cá, sem comparação na importância que tem o que acabo de referir, não resisto, porém, a escrever, mesmo de passagem, sobre o caso do plano de reforma de Miguel Cadilhe com a sua saída do BPN. Fala-se de 10 milhões de euros. De facto, o Totomilhões ou o Totoloto só sai a alguns. Poucos. E têm de jogar. Quem não arrisca, não petisca. Mas isto há cada prémio!...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!


Isto de existir é algo que se devia aprender. Seria bom que fizesse parte de uma disciplina escolar. Que fosse ensinada por técnicos que tivessem dado provas de experiência de vida, com conhecimento do que são as alegrias e, em contrapartida, o que se sofre com as dores, as físicas e as morais.
Claro que isto é uma fantasia, pois, na prática, não é possível definir professores com tais atributos. Mas, em teoria, que seria de grande utilidade ensinar a miudagem, juntamente com as outras matérias, como o português, a matemática, a geografia e por diante, mesmo apenas em teoria serviria de muito aprender a saber viver.
As teorias são teorias. E o que ocorre realmente no dia-a-dia é coisa bem diferente. E as circunstâncias que surgem a cada passo, são tão diferentes umas das outras e em relação a cada ser humano, que seria necessário elaborar um dicionário de possíveis acontecimentos para abranger, nas aulas, todos os casos. Mas surpresas sempre ocorreriam.
Perante esta realidade, basta que concluamos que existir é aproveitar o facto de ter sido posto neste mundo e prosseguir a caminhada, sabendo que só há duas verdades absolutas: o nascimento e a morte. O que fica pelo meio está entregue às circunstâncias, e essas podem, isso sim, ser aproveitadas ou deixadas pelo caminho. Depende da vontade de cada um, do trabalho que se deseja acrescentar e da ajuda do espírito que existe dentro de nós e que, digam o que disserem, pode ser amigo ou inimigo.
Lutar contra as adversidades que as tais circunstâncias também proporcionam, pode contribuir para desviar, atrasar, alterar, por pouco que seja, aquilo que as agruras da vida fazem saltar debaixo dos pés. Mas trata-se de uma guerra, de certa forma, inglória, porque o Homem não é dono e senhor absoluta do percurso da sua existência. Não é genial se o seu espírito não estiver para aí virado. Mas pode alcançar um nível de valor apreciável, se se empenhar com todo o esforço que tiver disponível, para tentar sair da mediania.
Existir, com algum valor, não é tarefa fácil. Talvez consiga quem se esforça por contrariar o que a má sina tiver pré-determinado. Não se conseguirá em termos absolutos, mas sempre se pode pregar uma partida aos criadores das circunstâncias.
O essencial é que a esperança não falte.

O TEMPO

O relógio marca as horas
Do tempo que vai passando
Do tempo que vai matando
Esperanças e demoras
Imparável no avanço
Cada dia e cada hora
Sem regresso, vai embora
Na labuta, sem descanso

O ontem já é história
O hoje vive-se à pressa
Desejando que se esqueça
O que está na memória
Só o amanhã é talvez
Não se sabe o que será
Nem mesmo s’algo virá
Só s’espera a nossa vez

Neste corrida do tempo
Ficar p’ra trás não agrada
Parar é que não é nada
É até um contratempo
Andar sempre a desoras
Mas p’ra quê tanta corrida
Se em tudo nesta vida
O relógio marca as horas ?

CONTENTORES


Aquela questiúncula sobre a extensão da área dos contentores no cais de Alcântara, o que permite receber até um milhão daquelas caixas gigantes, em vez dos 300 mil que neste altura lá cabem, pôs os amantes de Lisboa contra a Administração-Geral do Porto de Lisboa que, através da empresa que tem o exclusivo daquela ocupação de espaço, a Liscont, uma sociedade comercial que pertence maioritariamente à firma Mota-Engil.
Eu, por mim, não disponho de elementos que me permitam avaliar se esse aumento de espaço naquela zona tão delicada como é o cais de Alcântara é imprescindível para acolher aquela muralha de aço, mas o que causa alguma confusão aos observadores é que a decisão tomada pelos “donos” do porto de Lisboa não tenham sujeito a concurso público tal medida. Isto cheira a favorzinho a de amigos, por muito competente que possa ser a empresa que vai tomar a responsabilidade do facto consumado.
Vão ser demolidos dois edifícios e o espaço que vais ser ocupado corresponde a mais 500 metros para montante do cais.
Tudo bem ou não, dependendo do conhecimento que se tenha de toda a operação e da necessidade imperiosa de ser tomada aquela iniciativa. Mas uma coisa é certa: é que Lisboa não aproveita, como seria desejável, a maior parte do espaço que corre ao logo do Tejo e que, qualquer outra capital da Europa tanto desejaria poder dispor para benefício turístico e prazer dos seus cidadãos.
O que poderia ser feito naquele capítulo no espaço que corre ao lado do rio! Mas a nossa imaginação é pouco fértil em muitos casos e neste, sobretudo com uma Administração do Porto de Lisboa que, pelo menos da fama não se livra, de ser a dona e senhora de toda a área, é difícil meter o bedelho, pois já nos tempos de Salazar, apesar da sua mandice, era zona em que ninguém punha e dispunha.
Vamos a ver como fica isto, mas o tempo passa e não se consegue ver tirar-se partido de uma longa caminhada que acompanha o Tejo e que se poderia ver, na parte que não fosse utilizada para prestar serviço aos barcos que atracam, como uma bela avenida, florida e movimentada, com a ilusão de que se ia embarcar outra vez e partir para outros “achamentos” por esse mundo fora. Nem imaginações gostosas nos são capazes de proporcionaros patrões desta País!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Ser-se amigo, verdadeiramente amigo de alguém, seja homem ou mulher, exige muito de quem assume essa posição. É vulgar ouvir dizer de outra pessoa “é meu amigo”.
Não custa nada fazer essa afirmação e não representa qualquer compromisso, seja de que lado for. Mas uma coisa é dizer e outra, bem diferente é ser-se de facto.
Eu sou exigente com os que considero meus amigos. Excessivamente mesmo.
Talvez por isso, já me têm dito que sou chato. Que me zango com eles, sobretudo quando considero que o seu comportamento não é equivalente ao que eu tomaria em circunstâncias contrárias.
É verdade, tomo-me como exemplo a seguir, sobretudo no que diz respeito à pontualidade, pois que, quando marco um encontro com qualquer pessoa, faço sempre os possíveis por chegar sempre antes. Incluindo os amigos. E a esses não dou margem para desculpas. Aos outros, à generalidade das pessoas, resigno-me. Não tenho outro remédio.
Com os meus amigos zango-me, com, os demais, embucho.
O que eu não sou é um amigalhaço. Desses que afirmam ter muito amigos. E que dizem ser amigos de muita gente.
O verdadeiro amigo nunca se declara, mostra-o. Sobretudo nos momentos difíceis. Quando é mais preciso. Quando se tem de fazer sacrifício para o provar.
Agora, um grande desgosto é defrontar-se com a situação de constatar que aquele amigo que se tinha como incondicional, no fim de contas, na hora decisiva, deu mostras de que não era o que se pensava. É uma altura dolorosa.
Talvez possa ser comparada com a traição de um amor que se tinha com o ser do outro sexo… isto digo eu. Não sei se até pior.
Porque a paixão entre sexos diferentes… ou não, pode sempre perder-se pelo caminho, porque outro desenfreado ardor pode intrometer-se na caminhada e deitar por terra o que se julgava inabalável.
A amizade sã entre amigos, essa tem de resistir a todos os confrontos
. É incondicional

ONDA

Onda que vais e que voltas
como outras tão revoltas
perigosa
espumosa
lembras-me o mundo em redor
também ele agressor
por vezes de tão má sorte
provocando até a morte

Bela és onda do mar
não dás tempo a descansar
buliçosa
caprichosa
atrás de ti outra vem
e mais uma ali além
formaste-te bem à vista
e criaste bela crista

Também o que nos rodeia
por vezes dá a ideia
de beleza
de pureza
que é coisa para ajudar
a olhar de frente o mar
em hora de acalmia
que alimenta a fantasia

As aparências iludem
e por vezes se confundem
movimentos
sentimentos
as ondas são traiçoeiras
tal como gentes matreiras
que não mostram o que são
quais águas em mansidão

Maré cheia onda forte
com altivez e bom porte
violenta
atormenta
que até em pedra dura
tanto dá até que fura
mas depois em baixa-mar
tudo volta a sossegar

Contemplo a onda na ida
e vejo-a tal qual a vida
que se vai
não se distrai
a mesma ou outras retorna
e sendo assim não transtorna
que nem onda quando volta
igual a cavalo à solta

Belezas que o mundo tem
com muitos mas e porém
de contrastes
e de trastes
a quem vive dá apego
ainda que sem sossego
numa viagem redonda
tal e qual enorme onda



ESTADO CUMPRIDOR




Esta situação agora revelada de o Governo ter nacionalizado o BPN, ao mesmo tempo que prepara a entrada noutros bancos, se deixou perplexa a grande maioria da população, pelo contrário, a uns tantos que se intitulam bem informados, deu oportunidade de afirmarem que era coisa que já era esperada há certo tempo, apesar dos valorosos e estranhos activos que foram localizados nos cofres do banco, como moedas valiosas, quadros de Miró e outros bens comercializáveis, para além de uma pouco fiável organização bancária em Cabo Verde. Tudo isso e o que for inventariado no decorrer na posse do Estado que, não obstante, parece não chegar para suportar os prejuios.
Seja como for, segundo parece o BPN constitui, por agora, um mistério que é preciso esclarecer. É forçoso, pois, esperar pela informação oficial, se é que ela vier a ser divulgada com todos os pormenores. Nem se admite que não seja. No que se refere à entrada do Governo noutros bancos, vamos a ver a que conclusões o Banco de Portugal chega, que, neste caso, não terá tido o cuidado de actuar de harmonia como estas coisas merecem. E, para lá de todo o enredo, o que não será admissível admitir é que não se encontrem os culpados do estado a que chegou o BPN. A haver culpas, ninguém pode ficar na sombra. Se se tratou de má gestão, quem foi o autor ou os que, em grupo, provocaram a situação a que se chegou, o ou os têm de ser tornados públicos. Para que não se mantenha o costume deste País de morrer sempre solteira a má actuação dos que não se portam bem.
Mas, já que me estou a referir ao Estado, não deixo passar a questão, bem antiga, de ser tal figura um devedor permanente, sendo considerado um mau pagador que, por não ter cara, nem deixar ver que face mostra quando leva meses e anos a liquidar as suas dívidas, se mantém impassível e orgulhoso. Neste momento, que se resolveu apurar, sem grande rigidez, o montante que as forças públicas têm para pagar aos mesmos a quem exige que sejam pontuais nas suas liquidações a ele próprio, fala-se de muitos milhões, isto sem entrar em linha de conta com as dívidas das autarquias e das empresas públicas, sofrendo com isso os pobres dos industriais e dos comerciantes que, sendo fornecedores de trabalho, serviços e mercadorias, pagam devidamente os IVAs, as contribuições, cumprem com os seus fornecedores e, sentados aguardam que o tal fulano que não presta contas a tempo resolva “fazer o favor” de pôr a pagamento facturas penduradas.
A informação pública divulgada agora é de que o Estado vai pagar, em três meses, 1.200 milhões de dívidas em atraso. Cá estamos para ver.
Mas o problema, no caso deste ser cumprido, pois que nunca se sabe se os governantes têm palavra, é a definição se, a partir desta altura, se estipula que o Estado fique com a obrigação de pagar o que deve dentro de um espaço de tempo rigidamente definido, 3 meses, por exemplo. Por que se não suceder isso, volta-se de novo à mesma e o próximo Executivo terá de repetir o gesto de boa vontade que até pode servir para ficar bem visto em próximo período eleitoral.
Andamos sempre a deitar a mão a situações que, se o bom senso fizesse parte de todos os governantes que este País vê passarem pelos cadeirões do poder, não seria necessário actuar no derradeiro momento. O que está a ocorrer no Bairro Alto, com a obrigatoriedade dos bares e tabernas encerrarem as suas portas às 2 da manhã, para acabar de vez com a algazarra que ali se verifica, de bêbados, drogados, malfeitores, zaragateiros e todos os que adoram as confusões, e que dura até de manhã não deixando pregar olho os sofredores dos residentes, é uma situação de emergência, quando esta medida devia ter existido desde o primeiro dia. Mas, enfim. A nossa rapaziada merece distrair-se e, para quem não trabalha (que horror, tal humilhação!), não é justo mandar os pequenos para a cama a horas convenientes, em vez de se drogarem por aí e de circularem de garrafa de cerveja a beber pelo gargalo.

domingo, 2 de novembro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Para mim, a escrita constitui uma obrigação, mesmo que ela não passe do papel preenchido, sem outro destino que não seja ficar a aguardar melhores dias, mesmo assim, se deixei na véspera uns textos por acabar, por que a imaginação secou em determinada altura, considero isso um dever que ficou por cumprir e a que tenho de dar seguimento.
Escrever isto é quase como fazer uma confissão.
É abrir-me para o papel, sem saber se, algum dia, este desabafo chega ao conhecimento de alguém.
Se tal acontecer quando eu já não fizer parte do número dos vivos, pois que comentem como quiserem os críticos das obras feitas.
Mas se a leitura dos meus textos cair nas mãos de alguém que ainda possa cruzar-se comigo na vida, já é mais complicado aceitar-se o olhar desagradado dos outros.
Já estou por tudo.
Até para admitir que o caminho destes textos que vou acumulando ser o da camioneta do lixo que, por vezes, vejo, da minha janela, passar na rua onde moro.

CANTEMOS Á CHUVA

Chove lá fora, chove
depois de uma longa seca
será a prova dos nove
dos que molham a careca

Primeira chuva é tão bom
lava as ruas, lava a alma
dá gosto ouvir o seu som
e até o calor acalma

Há que sair com chapéu
e que fugir das goteiras
com alegria Deus meu
vêm aí as janeiras

Depois das primeiras águas
nas cidades são bastantes
pois surgem depois as mágoas
queixam-se os lamuriantes

Mas para ter sol na eira
e a chuva no nabal
há que ir pedir à feira
à bruxa do arraial

Chuva, chuva venha ela
contratempo não será
pode-se ver da janela
e o sol depois virá

Cantemos portanto à chuva
à sua força de vida
assenta como uma luva
quando com conta e medida

JANTARES-DEBATE




Os militares, sobretudo as altas esferas, estão a mostrar com clareza o seu descontentamento em relação, segundo as suas próprias palavras, à forma como são tratados pelo poder político. Reunidos num jantar – que é a forma bem portuguesa de se discutirem os assuntos – o coronel Vasco Lourenço, um dos cabecilhas na revolta militar que deu azo ao 25 de Abril, deixou expresso que”ou o Governo quer as Foças Armadas com todas as condições ou acabe com elas”. Mais explícito não poderia ser e acrescentou uma espécie de ameaça que só não entende quem não quer: os jovens militares desesperados “podem pôr em causa a democracia”, assim, tal e qual!
Porém o descontentamento atinge também os mais velhos e os que ocupam postos bem elevados. Até disseram, “as Forças Armadas estão na primeira linha da intervenção na política externa, mas depois tratam-nos como simples mangas de alpaca”.
O jantar com oficiais no activo, na reserva e na reforma, é “um sinal de que algo vai mal”, tendo mostrado o seu acordo o general Loureiro dos Santos, pois as altas esferas militares não escondem o seu desconforto.
Só que, ao mesmo tempo que correm estas notícias que, por tratarem de um assunto que diz respeito a uma esfera tão melindrosa como é a das Forças Armadas, não pode deixar tranquilos os cidadãos comuns, surgiu uma outra que, a quem se encontra no sector civil, provoca a maior surpresa: então não é que, dos 1.543 militares residentes em casas das Forças Armadas, 57 por cento paga uma renda mensal inferior a 100 euros; e ainda mais: que só 138 inquilinos com farda pagam rendas acima dos 250 euros! E tudo isto é imposto por decreto-lei, com data de 1997, que estabelece que os valor das rendas aos militares não pode, em momento algum, ser superior a 15 por cento da remuneração ou pensão e complemento da pensão, líquidos, do arrendatário.
Pergunto com a maior humildade: será que no tal jantar debate este tema foi posto em equação? Dentro do mau tratamento que é motivo de queixa de generais e de todos postos por aí abaixo até um certo nível, o facto das rendas das casa que lhes são atribuídas não terem nada a ver com aquilo que suportam os civis, terá amenizado a má disposição dos queixosos?
Este blogue, escrito por um jornalista que morrerá com esse espírito de observação, poderá não agradar, de vez em quando, a este ou àquele. Mas, como nós, os na nossa classe, nunca obtivemos mordomias, nem parecidas como estas que são concedidas aos militares superiores, ao ponto de, hoje em dia, nem a Casa da Imprensa, que nos concedia assistência médica e medicamentosa que ainda se poderia considerar favorável, até isso o governo de Sócrates entendeu pôr fim, temos mais do que motivos para nos queixarmos da situação em que nos forçam a viver. E, ao contrário de quase todas as outras classe trabalhadoras, inexplicavelmente, não fazemos greves, nem provocamos manifestações com bandeiras. É por isso que o Governo abusa, até porque nos conhece a cara e nos trata com intimidade...
E por que é que eu não segui a carreira militar, podendo hoje ser um general cheio de medalhas e de farda deslumbrante? Escolhi o jornalismo e olhem... deu nisto!

sábado, 1 de novembro de 2008

SAUDADES

As saudades que levo quando parto
E deixo para trás tudo o que gosto
Dizer adeus à vida mesmo que farto
É tristeza que lembra um sol posto

E logo que partem as andorinhas
Vinda a hora de mais outras viagens
Deixam-nos saudades as pobrezinhas
Cujos destinos são outras paragens

Saudades temos nós de quem morreu
E deixou na nossa alma um vazio
Ficando só à vista escuro véu

Aquilo que passou de ser verdade
A imagem de quem se foi, partiu
Porque o que nos resta é a saudade


ARRENDAMENTO DE ANDARES


Quem, como jornalista que vem dos antigos tempos, sentiu na pele os efeitos da Censura, como foi o meu caso, situação que os actuais profissionais, por muito que se lhes relate o que sucedia então, não conseguem fazer uma pálida ideia dessa realidade de então, ao tomar agora conhecimento de que os blogues se encontram na mira da lei, a primeira sensação que se tem é que, afinal as coisas não mudaram assim tanto.
Mas, pensando bem, vendo a fundo as consequências que podem advir de afirmações escritas e, quase sempre anónimas, porque a maioria destes escritos não estão identificados, a conclusão a que se chega é que, democracia sim, mas lançamento de atoardas à toa, ultrapassar as regras que impõem a liberdade de expressão, fazer afirmações acusatórias de ordem pessoal e entrando na intimidade das pessoas, isso não pode passar sem que exista a justa penalização.
Digo isto sem ficar nada preocupado, pois que, por vício profissional e por restrições que imponho a mim próprio, só abordo situações que não se situem nas áreas das que merecem castigo judicial.
Dito isto, refiro-me agora, mesmo que rapidamente, a um tema de que já escrevi algo: à situação das casas degradadas que, segundo notícias, já atingem cerca de 200 mil, mas que muitos senhorios mostram receio de as lançar no mercado de arrendamento, dado que, quando alguns inquilinos suspendem o pagamento das referidas rendas e é movida uma acção de despejo, não contestada pelo inquilino, demora em média dois anos a ser resolvida em tribunal.
Ora aí está como dois problemas se juntam: um, o de que se acumulam as casas vazias que, também por esse facto, se vão degradando e dão exteriormente o aspecto que se encontra por esse Pais fora, sobretudo em Lisboa, e o outro, aquele que tem sido aqui constantemente referido e que diz respeito à má actuação da nossa Justiça, que é um dos males que necessitam a que os governantes deitem a mão, com a maior urgência, não a possível mas até a impossível.
Numa altura de crise aguda e em que a compra de andares deixou de ter a preferência dos cidadãos, por razões que estão mais do que debatidas, a solução – como eu aqui tenho defendido repetidamente – é o aluguer até para procurar trazer para a capital grande número de habitantes que se viram obrigados a residir nos arredores e que, nas horas de ponta, inundam as estradas, por utilizarem as suas viaturas e, nesse caso, consumirem combustível que atingiu preços insuportáveis.
Encarando este problema em todos os seus ângulos, resolver de uma só vez o caos das casas vazias em Lisboa (e refiro-me apenas à Capital) soluciona outras situações, todas elas graves: melhora o aspecto de muitos locais lisboetas onde se assiste a autênticas demonstrações de degradação, deita mão aos ex-devedores aos bancos de prestações com as compras já não suportadas e, por fim, mete na ordem o sector judicial que não dá garantias aos proprietários de andares para arrendar, nos casos de atraso nos pagamentos das rendas.
Não me meti na intimidade de ninguém. Que tenham paciência os que espreitam um deslize para se queixarem dos blogues.