sábado, 11 de outubro de 2008

MARCHA DE LISBOA

OLHAR PARA A FRENTE

Lisboa do Sol brilhante
Lisboa do Tejo aos pés
Tu tens a força gigante
Tu és assim como és
Mesmo a olhar p’ro futuro
Tens sempre o passado atrás
E sou fiel, isso juro
Ao amor que tu me dás

Cantiga da rua
Tu és para nós
A força da voz
Que actua
Esperança, tão boa
Que vem já de trás
Que o povo é capaz
Oh! Lisboa
Cidade velhinha
Não julgues que a história
Parou na escadinha
Na rua estreitinha
E é só memória
Olhar para a frente
E força alfacinha
Que o coração sente
A ânsia da gente
Que canta e caminha

Mas se o passado morreu
E o orgulho permanece
U/ma nova fé nasceu
No coração que amanhece
Lá no alto, o castelo
Sempre estava e há-de estar
A olhar tudo que é belo
E a Lisboa namorar

CASAS DA CÃMARA





São muitas as anomalias que sucedem nesta nossa Terra, naquela que se classifica como nação, mas que não se sabe bem se, ao fim de tantas centenas de anos de existência, será já um país ou não chegou ainda lá e não passa de um sítio onde vive gente que não se comporta devidamente, por forma a que seja fabricado permanentemente o futuro para os vindouros, com o fim de não virem a deparar com um montão de asneiradas que são depois forçados a emendar. Perante isso, quando aponto aquilo que considero disparate, a minha preocupação é somente a de contribuir para alertar um pequeno círculo de leitores, sabendo de antemão que não posso pretender fazer mais do que isso. O que é pouco, concordo.
Pois vem neste momento a talho de foice o tema, que está agora a ser tão falado, de antigos responsáveis máximos do Município lisboeta terem feito favores, sabe-se lá porquê, ao ponto de terem dispensado, sob aluguer, casas que são pertença da Câmara, por valores verdadeiramente estapafúrdios. Um diário escreveu mesmo em título “Rendas de casa ao preço de um café”, acrescentando que um total de 4.222 andares foram entregues a favorecidos camarários, provavelmente por se tratarem de funcionários municipais ou parentes dos mesmos, mas, de qualquer forma, sob o beneplácito de quem punha e dispunha dentro da instituição que é paga por dinheiros públicos… que o mesmo é dizer, também por pagamentos dos munícipes através das múltiplas taxas aplicadas aos cidadãos que residem na capital.
Todos nós conhecemos gente que chegou ao ponto, pelo menos nalguns casos, de terem feito boas fortunas à custa de favores prestados através da influência tida junto dos serviços camarários, especialmente na área das licenças e de autorizações fraudulentas de actos que um cidadão vulgar não consegue. Antigos fiscais, transformados depois em construtores civis ou actuando junto destes, que aparentam um nível de vida que não seria nunca possível apenas com o salário que auferem na sua actividade, são a prova disso. Basta fazer um pequeno inquérito junto dos cidadãos e logo se encontram dúzias desses casos E não vale a pena surgirem os inflamados alguns ditos ofendidos, porque, como em todas as coisas, também aqui pagará o justo pelo pecador.
Eu, pelo menos, sei de algumas situações que se diriam escandalosas. E os favores não se ficam apenas na concessão de licenças. Vão ao ponto de prolongarem quase indefinidamente, até anos, a mantenção de obras paradas, cobrando evidentemente por esses favores, razão do escândalo de se assistir por tempos longuíssimos algumas ruas plenas de tapumes e, não só isso, mas também o sítio de arrumação dos carros ocupados com abusivas correntes, que os mestres-de-obras ocupam para seu uso pessoal. E os fiscais, "gente bondosa", fecham os olhos… não se sabendo o que é que abrem! É preciso pôr mais na carta para que os serviços superiores actuem, ou será que esses ignoram ingenuamente o que se passa?

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Quem tem muita paciência, demonstra grande amor, dá sempre sinais de compreensão,
não exibe mas sente-se grande sabedoria, tem uma inequívoca força de vontade, é senhor de
enorme coragem, anda neste mundo sem ocupar o lugar de ninguém,
será que uma pessoa assim existe?
Se sim, não lhe levantem nenhuma estátua,
não propaguem os seus feitos, não o medalhem, nem lhe
concedam qualquer condecoração.
~
É que os seres bons não podem saber que o são,
porque se isso acontece
deixam de o ser.

A VIDA



A vida passa com baixos e altos
rindo p’ra uns, gozando com outros
sorrateira ou correndo aos saltos

Não é a mesma para toda a gente
muda de face em cada momento
torna difícil caminhar em frente

Mas como os mortais, tem seus preferidos
há os que escolhe p’ra bem servir
e os que mantém sempre desvalidos

É cínica e traiçoeira a magana
ataca muitas vezes pelas costas
à bruta ou com ares de filigrana

Mas eis que de repente se arrepende
e no meio de enorme confusão
a uma prece avulsa lá atende

E tudo muda como por feitiço
de um grande azar algo se compõe
e dá também aos males um sumiço

A vida deixa assim seu conteúdo
tem de se atravessar com paciência
já que o tempo é borracha p’ra tudo

OCUPAÇÕES



Quem viveu a Revolução lembra-se que, nessa altura de compreensível confusão, o Estado actuou, sobretudo no Alentejo, nacionalizando diversas propriedades que, sendo pertença de gente com largas áreas de terra que não cultivava dado que, na sua maioria, se tratava de proprietários que nem residiam na zona, com o objectivo de fazer distribuição desses terrenos agrícolas a trabalhadores que poderiam passar a dar produtividade. E como, de boas intenções está o Inferno cheio, a verdade é que, também em imensos casos, os novos ocupantes de tais terras não deram seguimento ao que se pretendia e, algum tempo mais tarde, chegou-se à conclusão que o propósito não tinha dado aquele resultado que se esperava, encontrando-se as parcelas divididas novamente abandonadas. Isto de ser agricultor não é para todos e não são acções revolucionárias, sobretudo quando não existem medidas devidamente estruturadas para se alcançar bons fins, que conseguem atingir os objectivos desejados, por mais bem intencionados que possam ser.
Mas já antes, em 1973 – logo, não havia a desculpa do movimento revolucionário -, o Estado expropriou cerca de 20 mil hectares de terra nas zonas de Sines e de Santiago do Cacém, com o objectivo de se construir o complexo industrial de Sines, ainda que alguns desses terrenos estejam localizados a muitos quilómetros da praia. Mas o Estado, com a sua força e a fama de ser pessoa de bem e bom pagador (!), actuou como lhe aprouve e os expropriados ficaram a ver as seus terras mudarem de mãos e, ao contrário do que estava indicado fazer, ali não se mexeu uma palha e o próprio Gabinete da Área de Sines, que foram os serviços oficiais que se encarregaram da expropriação, foram extintos há mais de 10 anos. Resultado está tudo abandonado, as casas existentes na zona encontram-se em ruínas e ninguém é capaz de fazer justiça (?) e de encarar o problema. Ninguém!
Os ministérios empurram o caso de uns para outros e já que o Governo que temos e todos os anteriores fecham os olhos e ocupam grande parte do seu tempo a discutir situações que não dão mostras de urgência, pelo menos o Presidente da República (através dos seus assessores) deveria chamar a si a situação e tentar eliminar injustiças, tudo dentro da Lei e da Ordem, está mais do que visto, mas com o propósito de ir arrumando assuntos pendentes, que é aquilo que mais existe neste País.
Um blogue não serve para nada? Talvez não. Quem o escreve sente os problemas que chama à colação e fica sempre com esperanças de que uns tantos seguidores dêem ou não razão aos pontos tocados. Pelo menos aqui chega-me a indicação de que mais de mil leitores “espreitam” estes escritos… Já fico contente.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

CRIANÇAS ABANDONADAS


Fala-se tanto de um determinado político português, refere-se bastante aquela personalidade lusitana que dá muito nas vistas pelas sentenças lançadas nos jornais ou proclamadas nas rádios e nas televisões, aponta-se com certa admiração para uma determinada figura que dá respostas aos jornalistas com o ar de ser assim e não haver mais conversas, em resumo, são às centenas os indivíduos que, por qualquer motivo mais saliente, pretende dar mostras de que a sabedoria chegou ali e parou. E que não ninguém com melhor coração.
Os génios são uma espécie que não falta por estes sítios e que a comunicação social, tão escassa de gente nova para ouvir e ver e também de quem falar, repete, insiste, cansa, reproduz incessantemente fotos, quer nova quer rebuscadas nos arquivos onde não chegam a aquecer lugar.
É isto o Portugal que temos! Repetitivo, chato, a dar-lhe sempre na mesma e a não ter imaginação para coisas novas. Os próprios jornais, fracos de títulos, parecendo hoje incapazes de resumir em poucas palavras as ideias dos textos produzidos abaixo, não inovam, repetem hoje o tema que tem vindo a ser debatido há dias.
E isto para querer dizer o quê? Pois simplesmente por que não somos capazes de inovar, de ter imaginação para lançar novas pedradas no charco, para criar movimentos, algo de novo e de diferente.
A Imprensa, tal como está a suceder agora às editoras do nosso País, têm-se agrupado sob a protecção de um confortável capital, copiando o que tem sucedido com outros meios de comunicação com peso, para que não se diga que existe diferença quanto ao mundo do futebol, em que se disputam a peso de oiro artistas da bola, ao ponto de os melhores mudarem de sítio... mas tudo continuando na mesma, pouco imaginativos, falta de novidade, de independência, de amor à camisola.
Daí que, tudo que ocorre neste Portugal dos velhos costumes, se vai mantendo tal como sempre sucedeu ao longo das épocas. Com Revoluções ou sem elas!
Somos lentos, pegajosos, desconfiados dos outros, mesmo que tenham boas ideias, e assim nos vamos mantendo por mais governos que mudem ali em S. Bento.
E querem um exemplo rápido? Pois aí vai:
Sempre foi uma operação demoradíssima, de anos atrás de anos, isso de dar acolhimento familiar a crianças que tão têm progenitores em lares onde existe amor, vontade e meios para prestar educação e encaminhar seres que são vítimas da má sorte desde que nascem. Há anos, mudaram as regras, no sentido de criar facilidades às normas de adopção. Verificou-se, apesar de tudo, alguma melhoria, a julgada conveniente pelos temerosos de darem grandes passos. Mas, a situação mantém-se um pesadelo, quer para a miudagem ansiosa de família quer para os candidatos – e são muitos – a receber no seu ambiente familiar os desejosos de amor.
A malfadada burocracia portuguesa com que se tropeça em todas as áreas de decisão da área oficial, essa gentinha que se continua a manter por aí, por detrás de secretárias que acolhem os “não prestam”, é tudo isso que, desde que este País se fundou tem vindo a gerir as nossas vidas e atrasar, cada vez mais, a ansiada evolução que nos foge a olhos vistos.
Perante tamanha mania do “empata”, já estou como aquele que, num rasgo de raiva por ver tudo sempre na mesma, não hesita em largar a sua frase preferida: “mais vale fazer mal, mas fazer, do que não ser muito perfeitinho não fazendo nada!

TERREIRO DO PAÇO



Não sei se valeu a pena, mas não posso deixar de me regozijar pelo facto de, tendo insistido neste tema durante anos, ultimamente neste blogue mas antes em vários órgãos de informação onde prestei os meus serviços, acabar agora a Câmara Municipal de Lisboa por se decidir em vender palácios de sua propriedade na capital, com a condição de neles virem a ser instalados hotéis de charme, que o mesmo é dizer estabelecimentos de turismo de luxo, visto ser esta actividade muito qualificada a que mais nos interessa, pois não somos Nação com tamanho para os outros tipos de recepção turística, como é o de massas que não comporta a quantidade de divisas que nos fazem tanta falta.
É um passo importante, tenho eu que dizer em conformidade com as teses que tenho defendido nesta área, mas não posso deixar de lastimar que ainda não tenha sido desta vez que o Terreiro do Paço se vê livre daqueles enormes espaços ocupados por ministérios públicos, visto ser aí, não tenho dúvida, o local onde deveriam existir estabelecimentos dedicados ao mesmo turismo de qualidade, assim como as arcadas já há muito que teriam que albergar bons restaurante e cafés com música clássica ao vivo, seguindo o exemplo a que se assiste na piazza de S. Marcos, em Veneza, que acolhe diariamente muitos visitantes que não se importam de pagar bem mais caro uma bebida que ali consomem.
De igual forma, vem de novo a propósito (e repito-me as vezes que forem precisas, até que as forças me faltem ou que haja alguém que resolva actuar) fazermos por cá aquilo que já existe em Madrid, do tempo ainda do Franco, que é o Bairro dos Ministérios, em que todos os estabelecimentos da administração pública se encontram reunidos num só local, com as vias de comunicação bem delineadas e os parques de estacionamento com as dimensões necessárias, o que ocasionaria uma enorme economia de edifícios, de pessoal e de tempo dos usuários que não seriam obrigados a andar de Herodes para Pilatos, cada vez que necessitam de tratar de um documento oficial.
Sobretudo agora, que se verifica a chegada da crise também à imobiliária, em que, segundo as notícias, mais de 500 empresas ligadas ao sector interromperam por cá a actividade, o mesmo acontecendo em Espanha, por exemplo, talvez seja a altura de abrir um concurso para edificação, em local que seria encontrado com cabeça e bom senso, do tal Bairro, negociando trocas de edifícios públicos pelos custos das respectivas obras. Querem uma ajuda? Será que o enorme terreno onde se encontra a Penitenciária de Lisboa e o outro ao lado, que pertence ao Ministério da Defesa, com grande valor, não chegam para compensar a construção do Bairro dos Ministérios? Julgo que um concurso internacional chamaria com facilidade empresas de outros países e, obviamente, do nosso, a participarem numa obra de tão significativa importância.
Cá estou eu a apelar para a imaginação, para o bom senso e para o desafio que temos de exigir dos nossos governantes. Não é só palavreado e promessas que devem prevalecer na acção dos que têm a responsabilidade de deixar obra para o futuro. Caso, isso não seja pedir demais aos tais senhores!...

POR AQUI VOU

Eu por aqui vou
sem saber caminho,
pergunto quem sou
olho pr’o vizinho
p’ra ter uma ideia
vou fazer o quê?
nem mesmo à boleia
daqui que se vê?
mas vou caminhando
não há mais remédio
e enquanto andando
pleno de tédio
percebo o final
o que lá no fundo
que me faz sinal
para deixar o mundo
tenho pois de ir
ficar é parar
hei-de conseguir
cá estou a tentar

Eu por mim vou
deixo-me levar
se eu nem sou quem sou
posso caminhar
para ir, para ir,
ver passar as horas
não posso fugir
nem ter mais demoras
com angústia, porém
da longa espera
em vez de eu ir, vem
já não é quimera
é sim pesadelo
grande sofrimento
pois deixou de sê-lo
que até o talento
que nunca apareceu
foi coisa de sonho
a ver não se deu
e bem me envergonho
de o ter procurado
e me ter escapado

Por isso aqui vou
estou pronto, sem sustos
ao lume me dou
ao sono dos justos

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

TER CONFIANÇA

Ter confiança
em toda a gente
com esperança
ir para a frente,
avante, avante
há que vencer
ser-se gigante
é só querer
basta lutar
e a cara dar
aguentar
sem desarmar
faz falta fé
na tal vitória
com finca-pé
lá se faz história.
Bater, bater
no mesmo ponto
até vencer
sem ficar tonto
mas confiança
perdê-la não
desde criança
com devoção
porque ganhar
é sempre o lema
e avançar
soa a poema.
Bater, bater
grito de guerra
e a combater
é nossa a Terra.

Quem lança tal
grito histérico
não tem igual
é bem esférico
mas o que tem
é vozeirão
convence bem
qualquer pavão
mesmo medroso
sob a plumagem
mas desejoso
de molduragem
mas no seu caso
por incapaz
dá sempre azo
a Frei Tomás
faz o que eu digo
não o que faço
no meu abrigo
só ameaço
não custa tanto
estimular
lançar o canto
do atacar
desde que o perigo
não bata à porta
porque comigo
a coisa é torta.

Ter confiança
em todo o mundo
só esperança
que lá no fundo
fique quieta
sossegadinha
por ser só treta
que desalinha
esta cabeça
que bem sossega
por mais que peça
pois não se entrega
a outro afazer
por mais confuso
pois tal querer
é quase abuso

Mas p’ra viver
assim de lado
até morrer
bem estafado
sem ter cumprido
um lema certo
nem ter perdido
rumo de perto
há que deixar
dogmas cair
e caminhar
já sem sentir
censuras vagas
que fazem rir
por serem gagas
e não parar
mesmo no erro
até entrar
no seu enterro.

Que a vida é isso
tempo a passar
não há feitiço
é só esperar
qu’algo aconteça
sem s’ímportar
sem ter pressa
se vê depois
que a tal vida
só ou a dois
terá saída
deixa saudades
aos que cá ficam
poucas vontades
até debicam
algo que resta
que vai ficando
já pouco presta
p’ra todo o bando

Cá fica o mundo
entregue aos bichos
já tão imundo
pleno de lixos
e tal confiança
diz o poeta
nem por herança
nem como treta
se vai manter.
Vitória fica
noutro viver
em chafarica
que então houver
s’é que haverá
onde viver
já sem maná.
Avante, pois,
mas para onde
se o depois
já não responde.
É pôr de parte
entusiasmo
pois quem reparte
o seu orgasmo
mas já não goza
sequer fecunda
tem fraca prosa
que bem se afunda
se não houver
mudança tal
que deixe ter
um mundo igual
ao que há hoje
qu’está perdido
que bate e foge
solta um gemido.

Não vale a pena
fingir que sim
que é outra cena
nada é ruim
deixa-te estar
lá no teu canto
porque o gritar
não te faz santo.
Todo alarido
que aqui se faz
não tem sentido
não é capaz
de dar a volta
de despertar
quem anda à solta
sem acordar
para a verdade
p’ra não andar
pela cidade
sem rumo certo
sem qualquer norte
longe ou perto
da sua sorte.
Porque afinal
ter confiança
no bem, no mal
com esperança
sonho perdido
desperdiçado
não conseguido
o desejado.

Avante, pois
p’ra quê, senhores
se então depois
perdem-se amores.
Fica quieto
no teu cantinho
no teu espeto
sossegadinho
dizer que sim
dizer que não
é sempre fim
de uma ilusão.

NOTÍCIAS




Isto de os jornais, diários ou não diários, lançarem as notícias sem primeiro irem investigar se há verdade naquilo que escrevem ou se é apenas uma suposição, este mal que a rapaziada jornalística dos nossos dias já adquiriu - o vício do menor esforço -, coisa que no tempo em que eu comecei em tão nobre profissão poderia causar o despedimento imediato (se bem que também existisse a censura que não deixava informar, até as verdades), essa forma de trabalhar pode provocar com frequência que os bem intencionados, como eu ainda sou, peguem numa dessas “bombas” e a difundam nos meios disponíveis.
Foi o que aconteceu comigo, no blogue em que afirmei que os militares não tinham dinheiro para os ordenados e nem também para os subsídios. É mentira! O ministério da Defesa veio garantir que “os vencimentos nunca estiveram em causa” e que esses estão garantidos até ao final do ano. O “Correio da Manhã” enganou-se. E emendou depois o erro. Só isto!...
Já outra notícia, essa, infelizmente, está confirmada. É a de que o mercado perdeu dez mil milhões de euros num só dia e que a 2.ª feira passada foi uma data negra na história da Bolsa. Quem joga ali sabe que é verdade e que as quedas nas cotações das acções foram catastróficas. Tudo, por causa da malvada crise que, segundo uns, é a machada fatal no sistema capitalista, se bem que isso não signifique que o outro, o marxista-leninista, se venha a implantar. Ambos já mostraram que o ser humano não se dá bem com nenhuma forma de ganhar dinheiro sem ser através do seu trabalho e das acções puras, libertas de invejas, de ganâncias, de falcatruas. E há algum sistema que se exclua deste mal que o Homem traz consigo dos berços e não hesita em utilizar, porque o dinheiro é tão bonito… tão bonito o maganão?
Afinal, toda a gente sabe que os bancos de todo o mundo – e os nossos não estão excluídos, antes pelo contrário – ao quererem ganhar fortunas com os empréstimos, sem cuidar das garantias, porque quanto maiores fossem os valores, mais percentagem nos juros recebiam, exageraram de tal forma esse negócio, até com uma publicidade gulosa que entusiasmava os clientes, tendo acabado por criar uma montanha de cobranças incobráveis, e, em cadeia, as desvalorizações dos preços das casas, as perdas das mesmas pelos quase proprietários, e, há males que vêm por bem, o aparecimento agora de andares para arrendar, que era o que nunca deveria ter desaparecido. Isto acontece por cá, mas nos outros países situações de outras ordens também causam dissabores aos cidadãos respectivos.
Vá lá, que a corrida aos bancos para levantar os depósitos se conseguiu evitar e é natural que, em Portugal, isso não venha a suceder, mas que o mal ainda está em princípios de procissão, acerca desse perigo ninguém pode armar-se em adivinho e largar pela boca fora, seja nas televisões seja na imprensa, prognósticos sapientes, com ares de que sabem tudo e nunca se equivoca. Sejam eles quem forem!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O FUTURO

Neste País onde estamos
onde nascemos, vivemos
ainda nos conservamos
temos aquilo que temos

E é pouco, coisa pouca
e cada dia é menos
a caixa vai estando oca
à fartura só acenos

Mas que podemos fazer
que nos resta nesta hora
em que é enorme o muro?

Já nem se pode crer
não serve ir para fora
não me apetece o futuro




É sempre bom ter alguém que nos oiça, mesmo que não tenhamos nada para dizer.
Pelo menos, ficamos com a impressão de que o que não dissemos teria a sua importância.

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Quem escreve terá sempre, julgo eu, a ideia de que, um dia, surgirá a obra-prima. É como quem joga na lotaria; de tantas vezes tentar, alguma vez lhe poderá caber um prémio grande. Pelo menos, essa esperança vai-se mantendo. E é bom que assim seja.
Se a perfeição, o sublime, o inédito, o belo é um objectivo que só alguns alcançam, o sustentar a ideia de que, numa certa altura, pode surgir a inspiração, quem se dedica à escrita ou a qualquer das outras produções artísticas, tem de alimentar esse sonho que é, quase sempre, o sustentáculo do esforço que não pode faltar para se caminhar para atingir o objectivo.
Vale sempre a pena a tentativa e a teimosia em lutar contra a não comparência do génio. Desistir é que nunca!
Poderá a obra produzida não ser a tal, não corresponder ao desejado, não ser ainda dessa vez que saia senão a sombra do que se terá sonhado. Se assim é, o rasgar e o não prosseguir na caminhada, o não escrever outra vez, o não pintar por cima, o não emendar a pauta serão atitudes compreensíveis, mas não constituem as ideias.
No capítulo da escrita, escrever, não ficar satisfeito mas, em lugar de destruir conservar para, noutra altura, voltar a pegar no trabalho, talvez seja esta a melhor atitude.
Porém, não há regras. Se as houvesse!...

DESENCANTO... POR ENQUANTO!




Li, há dias, um conceito que me pôs a pensar. “Mais vale emprestar os livros, que tê-los em casa a apanhar pó”.
De facto, uma biblioteca é um local que acumula muita da poeira que anda sempre no ar. E, como é difícil enfiar a ponta do aspirador no pouco espaço que fica por cima dos volumes, quando é preciso retirar um dos estão guardados há algum tempo, os dedos ficam impregnados daquele desagradável cotão. Mas, daí a afirmar-se que mais vale emprestá-los, quanto a isso levanto os meus “peros”.
É que a experiência me ensinou que, de cada dois livros que se empresta, um não volta ao dono. E, geralmente, se não se aponta o título da obra que saiu e o nome do facilitado, perde-se a ideia de para quem foi o livro que nunca mais o devolve, ou, como já aconteceu, no regresso acaba por ser recebido outro autor. Quer dizer, o empréstimo deu mal resultado.
Não é que vá afirmar que, para quem tem a paixão dos livros, estes sejam como o complemento da família. Não vou tão longe, mas que, em bastantes casos, é preferível a companhia destes que constatar a chegada de um familiar que, só porque o é, tem de ser escutado, respondido e até, por vezes, servido de algo que se coma ou se beba, lá que isso se passa é sabido por muita gente.
Claro que não me refiro a todos os membros da família, que os há que são preferidos, aqueles por quem nos preocupamos com a sua saúde, que temos prazer em receber na nossa casa, de quem sentimos a falta quando estão muito tempo afastados. Só que existem os outros. Os que nos são impostos. Os que são familiares por acréscimo e não nos dizem nada, pagando-nos na mesma moeda. A esses, eu prefiro os livros. Sem hesitação no que afirmo.
Quando se possui uma biblioteca razoavelmente recheada, com edições já todas lidas e que merecem o carinho da arrumação ao nosso gosto, por autores, por temas, por nacionalidades, como se quiser, é um prazer, volta não volta, retirar uma brochura e voltar a ler uma passagem já conhecida, mas que a ocasião propicia a recordação de um determinado texto.
E os livros novos que se vão conseguindo obter, começam por se acumular na fila para serem apreciados e depois a serem acumulados junto dos outros, os que já lá estão nas prateleiras, esses, por serem os neófitos, se já não cabem ficam empilhados à frente de outros que não lhes cedem lugar.
Não é que me incomode demasiado, mas, mesmo fugindo à questão, sou levado a perguntar-me, de vez em quando, sobre quem será que, depois de eu partir, se ocupará de arrumar no seu sítio e com carinho os livros que forem surgindo. Foram anos de conservação avara que, de um dia para o outro, poderão ficar órfãos. A menos que, dado o valor relativo que tal conjunto venha a ter, quem obtiver tal presente entenda transformá-lo em dinheiro líquido. E alguns volumes, até os autografados por autores de grande mérito, merecerão dos alfarrabistas uma atenção muito particular.
Que horror! Trocar literatura pelo vil metal!...
Já quase estou de acordo com o conceito de que “mais vale emprestar livros do que deixá-los a apanhar pó!...”
Eu acrescentaria: mais vale doar livros a instituições que cuidem bem deles, dos que deixá-los à mercê de quem de quem não os aprecia. É preciso é actuar a tempo, para a morte não nos apanhar e surpresa!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

Chamar a atenção para situações que dão mostras de estar mal resolvidas, não se deve considerar crítica maldosa. Antes pode contribuir para encontrar melhores soluções: Felizes os que aceitam reparos construtivos. E os agradecem, seguindo-os. Pobres, os que só apreciam as louvaminhas, sobretudo as que são facilitadas com intenções secundárias. Louvores que esperam contrapartidas.

MILITARES SEM DINHEIRO



Depois daquilo que tem sido escrito neste blogue acerca do estado em que se encontra esta nossa Nação, não surge o apetite de acrescentar mais lamúrias, bastando apenas a revolta de não se conseguir ver e ouvir das bocas dos diversos membros do Governo, a começar, como é natural, pelo seu principal responsável, uma palavra que seja a descrever a verdade sobre aquilo que se passa nas contas públicas, em lugar de afirmações em que ninguém já acredita, com fantasias de que tudo vai bem, nunca esteve melhor, e o remédio para todos os males que nos afligem está a ser aplicado…
Claro que nada disso é verdade e se alguma culpa se pode aplicar aos governantes actuais, sobretudo àqueles que dormem nas cadeiras quando o Presidente discursa, a verdade é que milagres ninguém pode fazer e o ponto a que chegámos –não valendo a pena estarmos a apontar o dedo para figuras passadas, porque isso não resolve nada – é de tal forma difícil que não é com discursos e com pesporrências sem sentido que se convencem os portugueses de que o que está a ser feito é o melhor e mais ninguém seria capaz de encontrar outro caminho mais aceitável. Isso, porque há sempre quem seja capaz de, num ou noutro ponto, ser dono de soluções melhores do que as nossas. Basta ouvi-los com humildade, que é o que eu acuso estes senhores que têm a presunção de saber tudo.
Um exemplo de que o nosso País se encontra encravado com problemas que não é possível esconder. Vem nos jornais e ninguém ainda desmentiu essa notícia. As forças militares portuguesas não têm verba para pagar salários e, a três meses do final do ano, falta-lhes cerca de 100 milhões de euros para fazer face às despesas com vencimentos e pensões.
É necessário pôr mais na carta?

domingo, 5 de outubro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

A imaginação é, por vezes, muito mais generosa do que a realidade. Os prazeres que podem ser conseguidos, através da ideia que formamos de um acontecimento que se deseja que se realize, mas que não é alcançado, tais gozos só se atingem através do sonho acordado que somos capazes de alimentar.
Não provoca a mesma excitação ver a foto de um elemento nu do outro sexo (ou do mesmo, conforme os gostos), ou, se o interesse excede o comum, imaginar essa mulher ou esse homem completamente despido de roupas ou, se possível, visualizá-lo a proporcionar o espectáculo de se ir desnudando a pouco e pouco. Há alguma diferença. E, melhor ainda do que ter permissão para assistir a esse espectáculo é, sem consentimento, espreitar por qualquer frecha disponível. O buraco da fechadura sempre ganhou foros de ser o melhor amigo do olho indiscreto. Com as fechaduras modernas, esse prazer tem vindo a ser anulado. Benditas as chaves de ferro, que necessitavam de uma abertura generosa para poderem cumprir a sua missão. A da chave e a do olho.
Mas, a imaginação é sempre a melhor forma de, sem intromissão de terceiros, se alimentarem expectativas. De se fomentarem ilusões. De satisfazer um desejo de se possuir, em ilusão, o que não se encontra, de momento, disponível. E talvez nunca venha a estar. E, só o cansaço de não se conseguir atingir o objectivo, poderá, com o tempo, liquidar tal ilusão.
O desconsolo, porém, é quando, satisfeita que seja a ambição alimentada, se depara com a realidade. E o concreto não coincide com o abstracto. Tudo o que se desejava não corresponder àquilo que se tinha construído na imaginação. Enquanto encoberta a verdade, foi alimentada uma ideia que, perante o facto consumado, caiu como um castelo de cartas.,

DISCURSOS



O Presidente da República, como se está fazendo um hábito salutar, aproveitou mais um acto solene para debitar um discurso. E, desta vez, foi a comemoração do 5 de Outubro que, para os republicanos e no regime em que vivemos, se tratou de um momento que não poderia passar em claro e que, sobretudo na situação difícil que se atravessa, merecia conhecer o que pensa o Magistrado da Nação.
Bem, nunca é demais conhecermos, todos nós cidadãos deste País, como interpreta o ocupante do Palácio de Belém a governação que temos e aquilo que se pode extrair das suas palavras e até mesmo das entrelinhas das afirmações que faz. Pertence ao Chefe do Estado mostrar a sua opinião quanto à forma como o Governo tem desempenhado a sua missão, posto que, das palavras do chefe do Governo, são vastamente conhecidos os elogios em boca própria, no que é seguido pelos seus colaboradores directos dos ministérios, os bons, os sofríveis e os maus, grupo em que tem a primazia aquele do “jamé” – sim, eu sei que se escreve “jamais”, escusam já de estar a preparar a crítica -, personagens essas que nunca têm a humildade de reconhecer um erro, de aceitar um conselho, de emendar um passo mal dado. Mas isso é um mal dos portugueses, em geral, e por essa razão não podemos esperar excepções dos “portugas” que são governantes ou políticos de um modo geral.
Refiro-me agora às palavras de Cavaco Silva naquele referido discurso na Praça do Município. Disse ele que “o Estado deve garantir dois factores essenciais: a justiça e a segurança”.
Ora bem, farto de saber estará o que também já comandou um governo, que, desde passadas direcções de executivos e até hoje, não houve um só capaz de meter na ordem a desgovernada justiça que é o mal que mais pesa nas acções de quase todos os cidadãos. E, no que se refere à segurança, sabendo-se que ela tem vindo a enfraquecer desde que esta nova onda de assaltos, roubos, furtos se instalou no nosso País, a fragilidade das medidas e das penalizações que são necessárias para pôr um cobro razoável à malandragem, tudo isso, com ligação sempre à justiça, não têm chegado para podermos dizer a Cavaco Silva que ele tem de “apertar” com Sócrates para que ele se deixa de “fanfarronices” de que nunca há razão para queixas.
Não sei se outro que estivesse ou que venha a estar no seu lugar seria ou será capaz de solucionar o problema, nem é isso que interessa agora. Mas nós, os que servimos apenas para pagar impostos e sofrer com as más governações, temos direito à tal indignação. Ao menos é u
isso que nos resta desta Democracia que nos calhou na rifa...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

GRITAR BEM ALTO



Penso nisso muitas vezes
se melancólico estou
chegam-me à cabeça teses
direito ao papel eu vou
vontade vem-me da alma
de dizer alto e bom som
não fazendo apelo à calma
nem mostrar ser de bom tom
porque no tempo é que penso
no que me falta ainda
ponho de parte o bom senso
porque já nada se alinda
e face a tal realidade
se tudo que fiz não conta
não deixo nada a metade
vamos a isso: à afronta !

Portugal está num beco
bem difícil a saída
é como um País já seco
sem água nem na descida
há que fazer qualquer cousa
e jamais ficar parado
não desculpar quem repousa
e se põe sempre de lado
por muito que esteja errado.

Faz falta gritar bem alto
apontar o que está mal
se o País não der o salto
mantendo-se sempre igual
então as crianças de hoje
amanhã descobrirão
que em Terra do bate e foge
não há qualquer salvação
e o mais perto aqui ao lado
que também foi ditadura
já oferece o seu telhado
para vida menos dura
e não se queixem depois
os do aljubarrotismo
que se julgam heróis
mesmo deixando um abismo

Penso nisso a miúdo
e não sendo exemplar
ponho na balança tudo
e paro para analisar
o que passa à minha volta
e é ao estudar o mundo
que me ressalta a revolta
à superfície e no fundo
e ao pela manhã ler
os jornais que tenho à mão
fico logo a saber
que se vive em tensão
que há mortes e há guerras
que só vencem os mais fortes
os que dominam nas terras
mesmo provocando mortes
os mais ricos, poderosos
que têm primos e primas
e não são os valorosos
os que merecem estimas.
Fico, pois, desanimado
só me resta é gritar
ver onde chega meu brado
não passa do poemar
mas se mais longe não vou
se só me ouvem ao pé
não vou sair donde estou
na mesa do meu café

Estou limitado por isso
ao que a minha voz alcança
poder dos outros cobiço
dos que usam a gritança
mas que posso fazer eu
para além de encher papel
tal como pobre plebeu
perante um rei cruel
de manhã escrevo poemas
poemas… que fantasia !
abordo somente uns temas
com rima, por teimosia
são centenas, já milhares
que acumulo sem saber
se serão assim vulgares
mas dão-me tanto prazer
ao vê-los surgir na folha
que descubro a qualidade
numa miragem zarolha
que desperta caridade.
E de tarde vou pintando
quadritos a óleo puro
e com isso vou gritando
para mim e sem futuro.

Pensando sempre assim
pois isso ninguém me impede
sigo a gritar para mim
sequinho cheio de sede
sede de ver melhorar
este mundo, tão maldoso
sem crença já de chegar
a tempo de ter o gozo
de ver o Homem mudar.
Morrerei desiludido
o depois a lastimar
que eu não fui um protegido
pois a vera felicidade
está naquele que acredita
que o Homem tem qualidade
para mudar onde habita
que a água não faltará
e oxigénio também
e a cura haverá
p’ra se viver mais além
E em todo o globo cabe
cada um no seu lugar
a fazer só o que sabe
sem andar a empurrar
o vizinho que incomoda.
Se os velhos forem tantos
mesmo não estando na moda
não se afastando p’ros cantos
mas com amor para dar
se vier a ser assim
se tudo se alterar
coisa em que eu não creio
não é preciso chinfrim
e muito menos receio.

Se o mundo se endireita
Portugal imitará
e a malta satisfeita
as hossanas cantará
eu é que não acredito
nem no mundo ou só cá
e é por isso que eu grito
p’ra me ouvir Deus e Alá
qualquer Buda ou seu parente
que p’ro caso tanto faz
já que o Homem é que não sente
o mal que lhe vem de traz
do jardim do Paraíso
no tempo de Adão e Eva
quando se perdeu o siso
e se caiu na treva
como dizem Escrituras
e a maçã desfez perdão
e s’inventaram figuras
e com nova situação
os cristão recomeçaram
a encarar o seu mundo
e nunca mais descansaram
convencidos bem no fundo
de toda a sua verdade

Faço, pois, mal em gritar
contra quem contente diz
tudo vai continuar
o ser humano é feliz ?
Tenho de dar grito alto
mesmo sem ter resultados
a vida é um sobressalto
nós andamos enganados
e num futuro qualquer
mais próximo ou nem por isso
seja homem ou mulher
verá que não foi enguiço
aquilo de que avisaram
os que estavam mais atentos
para o pior alertaram
apelando aos sentimentos.

VIRTUAL


Têm razão se me acusarem de eu bater excessivamente na tecla da má justiça que temos neste nosso País que não há forma de proceder a um exame de consciência e fazer todos os esforços para emendar os erros clássicos que nos perseguem, alguns desde o nascimento da nossa nacionalidade. E este dos processos demorarem anos até chegar o momento da sentença, é um daqueles casos que não se entende como é que os sucessivos governos que surgem não são capazes de solucionar uma falha que atinge todos os sectores da existência de Portugal como Nação.
Nação? Mas é possível que este cantinho à beira-mar plantado, com uma situação geográfica invejável, um clima que, até hoje, é também considerado, em relação à Europa toda, como apetecível, com um povo que, sob o ponto de vista do acolhimento de estranhos é até submisso, é possível que chamemos a isto País? Não tenho nenhum receio que os facciosos nacionalistas, até aqueles que foram agora julgados e condenados e que fazem o gesto do braço estendido, me julguem como anti-patriota. Porque não sou nada disso e quando defendo a criação da Ibéria, como espaço nacional, com mais do que uma língua – no que não seriamos sequer inéditos -, isso apenas para que terminasse um minúsculo bocadinho de terra ao lado de outro que também necessita muito da nossa influência para se tornarem, os dois, num bloco de peso e de influência europeu, quando, desde sempre tomo essa posição o que desejo é que não fossem nem a França, nem a Alemanha e até a Grã Bretanha a dominarem sempre a zona europeia. Passaríamos todos, os da Ibéria, a ser parceiros a sério.
Mas o que volto hoje a referir é o mau funcionamento da Justiça que temos, em que, apenas como exemplos passageiros, constatamos que o julgamento das FP 25 levou mais de dez anos em tribunal, em que o caso Camarate foi arquivado, depois de vinte anos após o acidente, o processo Costa Freire terminou por prescrição, os dirigentes da UGT esperaram quinze anos pela sentença, o problema com a Universidade Moderna tardou que se fartou, tudo isso para não se falar do doentio processo Casa Pia que ainda aguarda pelas alegações finais. Pergunta-se então: no meio judicial, nas mãos dos poderes nessa área, no próprio Governo anda tudo a dormir na forma? Ninguém dá o murro na mesa e grita BASTA!
É por estas e por outras que eu duvido que o nosso comportamento seja o de um país a sério. Tem de ser virtual, que é uma palavra que anda muito na moda. É assim como o “digamos”, que está mesmo a calhar para um povo que também finge que existe… pelo menos algum dele, o que também usa e abusa do “de alguma maneira”. Isto só dá para brincar… também virtualmente
!