(continuação)
Nessa altura, surgiu um catalão, Rafael Campins Peidro, que andava, há bastante tempo, a tentar autorização para importar gás butano para lançar a sua firma em Portugal. E pediu a ajuda da Incremele.
Por sorte, logo a seguir aos primeiros contactos com o referido espanhol, acabou o monopólio que detinha a Sacor, quanto à importação de gás. E foi com base numa nova situação que se fez um acordo para o Campins Peidro passar a integrar, como sócio, a Incremele, utilizando-se as instalações para sede da nova firma criada, cujo nome foi o de Gás Flaga Portuguesa, SARL, de que fiquei administrador-delegado.
Foi um trabalho muito interessante, se bem que completamente afastado da área do jornalismo, de que, repito, estava impedido de exercer a profissão, o que causava o maior dos desgostos.
Desenvolveu-se uma empresa que chegou a ter dimensão nacional, com agentes espalhados por todo o País e com estação de enchimento no Cacém, tudo obra de uma equipa criada por mim e de que fazia parte, como director comercial, o Álvaro Belo Marques. Embora se tratassem de garrafas de gás de 2 quilos, mesmo assim a Cidla chegou a temer a concorrência, porque o objectivo era atingir os consumidores de fraco poder económico, dado que a Flaga também vendia fogões, candeeiros, etc.
Todos os produtos, incluindo as garrafas de gás vazias, eram importados de Barcelona, da Flaga espanhola, e foi por isso que o Rafael Campins, quando começámos a poder fabricar tudo em Portugal, mostrou o seu desagrado pois, descobriu-se mais tarde, cada vez que existia uma exportação em Espanha, a firma de lá recebia do Estado a chamada “prima de exportación”, cuja verba era muito apreciável.
A situação durou ainda dois anos e entre nós não se compreendia que o catalão, cada vez que vinha a Lisboa, não mostrava grande entusiasmo com o desenvolvimento espectacular da empresa lusitana.
Até que, em dada altura, surgiram no Banco ordens de pagamento de facturas da Flaga, SA, referentes a fornecimentos de material que não tinham sido feitos. Levantada a questão, o Campins não teve outro remédio senão confessar que a sua firma em Espanha se encontrava em situação crítica e que aquela tinha sido a única maneira para solucionar um aperto financeiro, através do tal prémio que dava o Governo de lá sobre as facturas de exportação apresentadas ao Banco. E como era o accionista principal das duas Flagas, não tinha satisfações a dar!
A partir daí o ambiente de trabalho degradou-se e as relações pessoais também deixaram de ser de amizade. E, como não poderia deixar de ser, em virtude da obrigatoriedade de liquidar facturas de mercadorias que não tinham sido recebidas, as dificuldades de tesouraria da Flaga Portuguesa passaram a ser grandes. E, perante esta realidade, o Campins alegava que só lhe interessava tratar da firma espanhola!...
Não tinha, assim, outra alternativa que não fosse afastar-me de um caso que caminhava para um desfecho imprevisível. E, por isso, demiti-me do lugar de administrador-delegado e negociei a venda das minhas acções. Comigo, embora não fosse sócio, mas revoltado com a situação, também se demitiu o Belo Marques.
Logo a seguir, o Campins, para se ver livre de problemas, passou também a sua posição a um grupo português, o qual, segundo parece, mantém a empresa, mas não foi capaz de sustentar a expansão que lhe tinha sido dada.
Foi nesta altura, por volta de 1967, que, ainda sem poder exercer a minha actividade jornalística, procurei prosseguir a minha vida na área dos combustíveis. E ofereci os meus serviços à Fina Portuguesa, para onde entrei com o cargo de director comercial.
Por sorte, logo a seguir aos primeiros contactos com o referido espanhol, acabou o monopólio que detinha a Sacor, quanto à importação de gás. E foi com base numa nova situação que se fez um acordo para o Campins Peidro passar a integrar, como sócio, a Incremele, utilizando-se as instalações para sede da nova firma criada, cujo nome foi o de Gás Flaga Portuguesa, SARL, de que fiquei administrador-delegado.
Foi um trabalho muito interessante, se bem que completamente afastado da área do jornalismo, de que, repito, estava impedido de exercer a profissão, o que causava o maior dos desgostos.
Desenvolveu-se uma empresa que chegou a ter dimensão nacional, com agentes espalhados por todo o País e com estação de enchimento no Cacém, tudo obra de uma equipa criada por mim e de que fazia parte, como director comercial, o Álvaro Belo Marques. Embora se tratassem de garrafas de gás de 2 quilos, mesmo assim a Cidla chegou a temer a concorrência, porque o objectivo era atingir os consumidores de fraco poder económico, dado que a Flaga também vendia fogões, candeeiros, etc.
Todos os produtos, incluindo as garrafas de gás vazias, eram importados de Barcelona, da Flaga espanhola, e foi por isso que o Rafael Campins, quando começámos a poder fabricar tudo em Portugal, mostrou o seu desagrado pois, descobriu-se mais tarde, cada vez que existia uma exportação em Espanha, a firma de lá recebia do Estado a chamada “prima de exportación”, cuja verba era muito apreciável.
A situação durou ainda dois anos e entre nós não se compreendia que o catalão, cada vez que vinha a Lisboa, não mostrava grande entusiasmo com o desenvolvimento espectacular da empresa lusitana.
Até que, em dada altura, surgiram no Banco ordens de pagamento de facturas da Flaga, SA, referentes a fornecimentos de material que não tinham sido feitos. Levantada a questão, o Campins não teve outro remédio senão confessar que a sua firma em Espanha se encontrava em situação crítica e que aquela tinha sido a única maneira para solucionar um aperto financeiro, através do tal prémio que dava o Governo de lá sobre as facturas de exportação apresentadas ao Banco. E como era o accionista principal das duas Flagas, não tinha satisfações a dar!
A partir daí o ambiente de trabalho degradou-se e as relações pessoais também deixaram de ser de amizade. E, como não poderia deixar de ser, em virtude da obrigatoriedade de liquidar facturas de mercadorias que não tinham sido recebidas, as dificuldades de tesouraria da Flaga Portuguesa passaram a ser grandes. E, perante esta realidade, o Campins alegava que só lhe interessava tratar da firma espanhola!...
Não tinha, assim, outra alternativa que não fosse afastar-me de um caso que caminhava para um desfecho imprevisível. E, por isso, demiti-me do lugar de administrador-delegado e negociei a venda das minhas acções. Comigo, embora não fosse sócio, mas revoltado com a situação, também se demitiu o Belo Marques.
Logo a seguir, o Campins, para se ver livre de problemas, passou também a sua posição a um grupo português, o qual, segundo parece, mantém a empresa, mas não foi capaz de sustentar a expansão que lhe tinha sido dada.
Foi nesta altura, por volta de 1967, que, ainda sem poder exercer a minha actividade jornalística, procurei prosseguir a minha vida na área dos combustíveis. E ofereci os meus serviços à Fina Portuguesa, para onde entrei com o cargo de director comercial.
(continua)
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