segunda-feira, 7 de abril de 2008

ESTA LISBOA QUE EU AMO!

Por mais que se queira não se consegue passar uma semana que não haja críticas a fazer ao que ocorre de mau em Lisboa -- e, escorregando um pouco a pena, para os erros que se descortinam por parte do Governo. É uma espécie de sina, mas o que posso garantir é que preferiria cantar hossanas e fazer rasgados elogios à inteligência, ao dinamismo e, sobretudo, à boa imaginação daqueles que nos cabem governar. Mas, vendo o que se tem passado em Atenas, em que já nem no atletismo vamos lá, não podemos tirar outra conclusão: este País tem de ir à bruxa !
Vou resumir uns poucos casos, de entre tantos que tenho em carteira, para não ocupar o precioso espaço que tem de ser bem administrado: não se pode deixar de referir a desastrada invenção do túnel do Marquês naquelas condições (como se sabe eu sou partidário de outra solução), conhecendo-se agora que só em 2005 é que a questão do tribunal que embargou a obra fica solucionada. Até lá, tudo parado… e o dinheirinho da Nação a esvair-se como sangue derramado. O preço por que ficará esse malfadado e perigoso túnel já ninguém controla e acabaremos por assistir à repetição da falta de senso e de conhecimentos técnicos com o que se tem passado com o outro túnel do Terreiro do Paço.
Mas outra notícia que constitui igual nódoa para o Executivo da Capital – que vem, evidentemente, do passado – é o abandono em que se encontram os bairros da avenida de Ceuta. Quem tem de circular por ali fica arrepiado com o espectáculo. A lixarada, a enorme imundice em que se encontram aqueles espaço em que até as ratazanas fazem dali o seu reino, o aspecto das casas e o que é imaginável que se passará lá nos interiores é verdadeiramente aflitivo. Estão prometidos há longo tempo o Centro de Saúde, que, existindo, não há forma de abrir, o pavilhão dos desportos, cuja construção está parada sem a menor explicação, o parque infantil que não se vislumbram esperanças de ser criado e muito mais que não comoveu a sensibilidade da Edilidade que findou e, por herança, da actual.
Pode-se dizer também que estes casos de bairros degradados são pequenas coisas, comparando-as com o que de vulto existe para fazer ou emendar. Poderá ser em parte verdade, mas como nem as miudezas são merecedoras do cuidado que deveria existir sempre e a vergonha da Câmara Municipal também não dá muito nas vistas, como pode haver esperança de ver um dia a nossa cidade com um ar de ter alguém que se preocupe a sério ?
Será por falta de dinheiro, dirão. Mas se, por outro lado o Estado tem capacidade para dispor de 2,2 milhões de euros para a Assembleia Nacional gastar com visitas ao estrangeiro (que belo aperto de cinto !), tanto mais que foi determinado recentemente que os acompanhantes dos deputados também têm direito a apanhar ar fora da fronteira, à custa do erário público, nem é preciso pôr a questão: se não há para uns, como pode haver para outros ?
Voltarei para a semana para me referir à proposta que surgiu de ser estudada a hipótese de uma ponte ou de um túnel entre as duas margens do Tejo. Carmona Rodrigues já deu “luz verde” para uma das hipóteses, para a segunda, obviamente, para não se desviar da moda. Por agora fico-me por aqui e deixo os leitores a pensar, se se quiserem dar a esse trabalho.

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