
Cada vez sinto maior dificuldade em optar pelo partido político que vai ser objecto da minha escolha no próximo dia em que, todos nós portugueses, temos obrigação cívica de não faltar na sala dos votos. E, ao assistir atentamente aos frente-a-frente que se têm realizado em diferentes estações televisivas, aumentaram ainda mais as minhas dúvidas. Não deparei, em nenhum dos participantes, uma posição que me desse confiança absoluta na sua capacidade de chefiar um governo em Portugal, particularmente nesta altura em que enfrentamos as maiores dificuldades de todos os tipos, com preponderância para a economia e para o social.
Aqueles que se mostram mais pretensiosos, com ar de serem sabedores absolutos daquilo que poderão fazer, que têm uma compostura que, em vez de atrair os eleitores, lhes causam alguma distanciação, que é o meu caso pois sempre me levantaram grandes desconfianças os que nunca se enganam e põem um ar de gozo aos que se encontram perante as suas afirmações, esses não conseguem chamar-me para colocar a cruzinha no seu quadrado. Os outros, ou apresentam dificuldades em expor os seus pontos de vista e baralham as explicações ou referem sempre o mesmo e não adiantam propostas que sejam claras para que o povo, mal preparado, sinta atracção por essa escolha.
Depois, e para mim o mais importante no meio de tudo isto, é que o partido – e, portanto, a figura que o representa – que vier a obter maior número de votos, nem que seja só mais um, se vai debater perante uma situação de enorme dificuldade em dar andamento àquilo que constituem ainda simples programas, propostas, intenções que, na maioria dos casos, são promessas que, mais tarde, não têm viabilidade de ser executadas.
Sendo assim, como é de esperar que venha a acontecer, dado que, perante a impossibilidade de dar andamento aos programas por insuficiência de posições partidárias no Parlamento, durante seis meses a seguir à data das eleições o Presidente da República não tem poder para dissolver o Executivo e, como a escolha para Belém que também se aproxima tira a possibilidade de Cavaco Silva ter idêntico gesto no prazo de seis meses antes da escolha para o lugar que ocupa hoje, tudo isso quer dizer que vamos enfrentar um período em que a governação de Portugal fica entregue à sorte, às disputas entre adversários políticos, a um marca-passo que, perante a urgência que tem o País em solucionar os inúmeros problemas que se foram amontoando desde há muitos tempos, será caso para nos irmos preparando para um futuro próximo que só servirá para nos afastar cada vez mais do progresso que a Europa tentará alcançar.
É pessimismo exagerado? Oxalá seja isso. Bem desejo estar equivocado neste juízo. Mas, como não tenho que dar satisfações a qualquer administração que comande este blogue, não hesito em expressar aquilo que me vai dentro e que, tenho consciência de que os portugueses fariam bem em encarar aquilo que pode muito bem suceder.
O confronto que teve lugar ontem, entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite, ainda mais desconsolado me deixou. Ambos não adiantaram nada que sirva para efectuar a minha escolha. Foram iguais a si mesmos e não conseguiram convencer os que têm dúvidas. Irei votar nalgum deles? Provavelmente não, nem que seja para ver se alguma coisa muda!
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