sábado, 20 de dezembro de 2008

DESENCANTO... POR ENQUANTO!

No meu bairro lisboeta, num jardim frondoso, existe um espaço que é dedicado às crianças. É ali que elas se regalam nos baloiços, nos escorregas e na areia da praia que serve para fazerem os seus castelos e brincar aos pasteleiros com as suas forminhas fingidas.
Sento-me, algumas vezes, num banco, dos que rodeiam o espaço infantil e procuro transportar-me a esse mundo da ingenuidade. Faço esforços para me sentir, também eu, menino da idade dos que estão ali e tento recordar o período da minha infância, em que poderia estar a gozar as fantasias que lhes são próprias. Não me chega à memória nenhuma sensação do prazer conseguido num jardim infantil. Será porque, nessa altura, não havia estes espaços. Não existia a preocupação de cuidar da juventude, da primeira. Ou, se havia, nunca ninguém lá me levou.
Procuro descobrir a sensação que a miudagem sente, quando pede aos pais para a deixarem ir brincar com os outros meninos naquele espaço. E mais ainda quando se põem a deslizar nos escorregas e a baloiçar-se naqueles assentos com cordas.
Claro que, por muito que me esforce, não consigo chegar lá. Não atinjo o meu desejo, Não pode um adulto, muito adulto, transportar-se até à idade da inocência. É um recuo impossível de fazer. A mim, talvez me tenha feito falta não ter passado por esse período das correrias, dos jogos inventados por cabeças virgens de maldade.
O que eu não sei é se os adultos, com menos idade do que eu, que tenham beneficiado na infância de tal experiência, são agora pessoas mais bem formadas, mais cuidadosas com a pequenada, verdadeiramente preocupados com a instrução, que fará dos homens de amanhã cidadãos melhores do que aqueles que hoje se confrontam com o mundo.
Deixo a pergunta porque, com o andar dos tempos, não tenho conseguido verificar que a miudagem de hoje é mais bem comportada, mais consciente, mais desejosa de ser gente capaz, do que aquela que, em épocas passadas, aprendia bastante na instrução primária e, com reguadas ou sem elas, entrava nos liceus a saber já bastantes coisas.
Convençam-me que estou enganado. Quem me dera!...

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