(continuação)
O que me valia era que os Ficheiros iam respondendo financeiramente, mas havia que pensar, que puxar da imaginação e criar uma actividade com várias frentes, para dar total uso ao escritório existente. Como eu mantinha, há mais de um ano, uma coluna que saia semanalmente na primeira página do “Jornal do Comércio” e que se intitulava “Campanha para uma aproximação económica luso-espanhola”, que defendia a criação do que eu chamei, até poder, do “Mercado Comum Ibérico” – sublinhe-se que, nessa altura, nem se pensava no que nasceu anos mais tarde e que veio a ser o Mercado Comum Europeu – e em que se lançava a ideia de se aproveitar um mercado total de cerca de 50 milhões de consumidores, que era o total de habitantes dos dois países, produzindo, ora em Portugal ora em Espanha, géneros que se destinassem ao conjunto da Península, por via disso desenvolvi as melhores relações com os adidos de Imprensa e Comercial da Embaixada de Espanha, ao ponto de fazer parte de uma “peña” semanal que existia no Café Império e onde conheci e mantive profundas relações com o filósofo José Ortega e Gasset, o qual me tomou também como seu pupilo. Marcou-me muito a inteligência superior deste filósofo!
Mas voltando à coluna do “Jornal do Comércio”, certo dia recebi um telefonema de Miguel de Sttau Monteiro, administrador da companhia de seguros Mundial e irmão do que era meu amigo, o Luís Stau Monteiro, que me pedia para ir falar com ele sobre um assunto da maior importância. Propôs-me, então, que eu criasse uma firma, em que se passasse da teoria do aprofundamento das relações económicas com Espanha à prática, para o que ele disse representar um grupo, que tendo à frente o Conde de Caria, estaria disposto a suportar os gastos de lançamento, para mais tarde virem a fazer parte da sociedade.
(continua)
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