segunda-feira, 22 de agosto de 2011

DESEMPREGO


Cada um faz o que pode
o que sabe, o que o deixam
aquilo p’ra que lhe pagam
à espera que se acomode
já que os outros não se queixam
e também não o afagam

Se outra coisa fizesse
se aquilo que faz agora
não fosse do seu agrado
e algo mais merecesse
podia-se ir embora
partindo p’ra outro lado?

Emprego há com fartura
como dantes sucedia
e se podia escolher?
A vida hoje é bem dura
piora dia p’ra dia
o melhor é não mexer

Agora eu faço isto
sem patrão que me ordene
mas também sem ter quem pague
por agora não desisto
sem haver acto solene
oxalá ninguém me esmague

Nesta altura o que é melhor
a quem tem emprego mau
é fazer por conservar
pois será muito pior
escorregar do degrau
ficando a olhar p’ro ar

A vida tem coisas más
fazem a gente infeliz
que causam desassossego
uma delas bem tenaz
que provoca cicatriz
á a tal do desemprego

O homem mal prevenido
distraído com trabalho
olha pouco p’ro futuro
quando à volta há colorido
nem procura um atalho
ignora p’ra lá do muro

Porém a vida é assim
até bem desconcertante
qualquer lado está aberto
e o que é mais ruim
aparece num instante
como o bom pode estar perto

Perder emprego hoje em dia
nos bolsos meter as mãos
é a coisa mais normal
uma grande vilania
que ocorre aos cidadãos
a cada um que é mortal

Comprar hoje e de seguida
cumprir a obrigação
d’ir pagando as mesadas
é confiar bem na vida
sendo novo ou ancião
sem contar com as guinadas

Por isso enfrentar credores
mesmo antigos qu’eles sejam
do tempo em que havia emprego
pertence ao número d’horrores
daqueles que bem aleijam
obrigando a ir ao prego

Os bancos grandes culpados
com isso muito ganharam
de tanto terem fiado
agora sem ordenados
não pagam o que pagaram
é crédito mal parado

Não há quem dê volta a isto
o homem provoca o mal
ir p’ro bem é que é custoso
o desemprego é um quisto
e não existe hospital
que cure tal desditoso

OS DESERTOS AGRÍCOLAS EM PORTUGAL




TAL COMO AFIRMEI NO BLOGUE DE ONTEM, vou referir-me hoje aos vastos espaços que se encontram no interior do nosso País e onde, por abandono dos seus residentes, atraídos pelas cidades ou mesmo pela emigração para o exterior, se verifica que existem aldeias inteiras sem população ou com muito pouca, onde só vive gente de muita idade que não pôde optar por acompanhar os seus familiares mais novos, ficando, por isso, os campos também abandonados e em que a produção agrícola está reduzida a pequenas hortas caseiras.
E, perante este fenómeno verdadeiramente desolador e de completa inutilidade na produção, não se viu ainda um Governo, dos que temos tido há já uma boa dezena de anos, que chamasse a si a solução do problema, fazendo com que voltasse tais localidades a sentir a presença do homem.
Pois, com uma ministra da Agricultura que tomou recentemente posse, para mais tratando-se de uma mulher que, afirmam os feministas que bastante podem alterar a maneira de governar, é de aguardar pela sua actuação no sentido de conseguir encontrar modo de criar meios que incitem os jovens a integrar-se no meio agrícola, tanto mais que o desemprego é cada vez maior e os mais novos, sobretudo os casais, poderão interessar-se por um modo de vida que, não fazendo parte dos seus planos, sobretudo por desconhecimento dos proveitos que podem tirar desta nova actividade, os levará a sair das cidades onde já verificaram que a sua luta é improdutiva pelos tempos mais próximos.
Tal como eu incitei anos atrás, quando era director da revista “País Agrícola”, e em que organizei várias viagens a Israel para que os agricultores portugueses pudessem tomar contacto com a realidade naquele País, especialmente com a existência dos “kibbutzin” em que o Governo local recebeu milhares de judeus residentes em países estranhos, como a Alemanha, a Rússia, a Polónia e outros, pois que até do Brasil encontrei pessoas que se encontravam integradas nesses espaços agrícolas a iniciar a vida aí existente, e a verdade é que deparei com pessoas altamente qualificadas no aspecto profissional e de instrução superior que, acedendo ao apelo que o seu País fazia e às condições que lhes proporcionava, se deslocaram com as famílias e passaram a exercer a actividade de agricultores, aprendendo tudo desde os mais elementares princípios e, com a ajuda de um departamento especial criado para o efeito, recebendo as ferramentas que lhes foram proporcionadas para pagarem depois, deram início a essa actividade nova e, passados anos, criaram uma classe de agricultores de estatuto educacional acima de todas as médias e cujas produções fizeram com que Israel passasse a exercer um papel importante no mercado europeu de produtos agrícolas.
Se a ministra se desse ao trabalho de ir ver como funciona a repartição de agricultura israelita, coisa que eu propus por várias vezes a mais do que um ministro português que passou pela pasta, mas que sempre foi ignorado, encontrará a receita ideal para que se copie entre nós, dentro do possível e das contingências que nos regem – obviamente sem as restrições que foram impostas, há mais de 50 anos, no início da criação dos kibbutzin, que obrigavam a uma igualdade rigorosa de comportamento dos utentes -, se tal fosse executado, sem constrangimentos nem complexos, poderia ver-se, dentro de algum tempo, grande parte do nosso território agora deserto e com os campos sem produção com uma juventude que, bem informada dos objectivos e até com a possibilidade de lhes fazer mostrar localmente como funcionam e como são altamente rentáveis esses espaços que antes eram desertos e, passados anos, mostram hoje áreas agrícolas muito desenvolvidas e lucrativas.
Escrevo isto mas não tenho qualquer esperança de que haja um ministro ou ministra que seja capaz de fazer alguma coisa para solucionar um dos muitos problemas que temos no nosso País. Mas bastava perguntarem a um das centenas de agricultores portugueses que, por intermédio de o “País Agrícola”, visitaram Israel anos atrás, para recolherem opiniões que lhes seriam úteis e convincentes.
Eu fico-me, como sempre a ter razão antes de tempo. É um desconsolo!...

domingo, 21 de agosto de 2011

TEMPO FOI-SE

Ter saudades do passado
mesmo sendo tempo triste
é não ter posto de lado
algo que já não se aviste

A idade bem contava
juventude toda acesa
altura em que só contava
com o que era surpresa

Agora que o tempo foi-se
pensar no que há-de vir
dói como se fosse um coice

Já nem dá para pedir
nem p’ra quem se baloice
pois agora é só partir

O TEMPO VOA



OS DIAS PASSAM, o Verão, ainda que zangado com os portugueses que se encontram de férias nas praias, também está a caminhar apressado, e os pesados encargos para os portugueses que o Governo já anunciou para o tempo próximo espreitam para entrar em vigor, o que, com a velocidade do tempo, aí estarão para deixar o povo nacional ainda mais sobrecarregado, o que torna difícil imaginar como se encontrará este País no ano de 2012, com ainda mais pobreza que, de resto, se verifica nas ruas de Lisboa em que os pedintes se sucedem a implorar por dinheiro para comida. A fome, na verdade, está bem visível e não se descortina a forma como se solucionará um problema de tão grande gravidade.
Enquanto isso, passados já mais de dois meses sobre a entrada em vigor da actuação do Governo de Passos Coelho, não sendo, em termos de normalidade, um tempo excessivo, nas condições em que Portugal se encontra, cada dia que passa e sem se verem medidas de fundo que tenham como objectivo principal o equilíbrio das contas públicas, representa uma maior inquietude dos naturais deste nosso País e as consequências inerentes na actividade empresarial que, numa velocidade assustadora, se encontra a encerrar portas dos estabelecimentos e dos escritórios por Portugal fora.
Não vou repetir o que já faz parte de um discurso de toda a gente no que respeita às despesas por conta do Estado que não se vêem ser anuladas drasticamente. Quando se anuncia um aumento nas conta do gás e da electricidade, tem-se de perguntar se foram analisados os salários e todas as benesses que são concedidas aos gestores das respectivas empresas e mão só desse mas de todas as firmas em que o Estado interfere no seu capital.
Ninguém pode entender os motivos por que Pedro Passos Coelho, na sua qualidade de primeiro-ministro não deu mostra ainda de entrar com mão de ferro nos temas que mais escandalizam os contribuintes, especialmente os que já se encontram na classe de reformados e que rezam para que não sejam atingidos por cortes (a do Natal já se sabe) que reduzam ainda mais as condições de vida dos que descontaram toda a vida e se reformaram dentro da idade dos 65 anos – porque os muitos que deixaram de trabalhar antes do estabelecido, esses não podem retaliar contra a situação.
Como já vai extenso este texto, guardarei para amanhã o problema da desertificação do interior do País e para a qual não se viu serem tomadas medidas para diminuir progressivamente com esse malefício. Voltarei portanto…

sábado, 20 de agosto de 2011

FALAR



As conversas são tal qual as cerejas
umas atrás das outras sem parar
servem-se como petiscos em bandejas
não é fácil ouvir sem contestar

Falar, p’ra muita gente é preciso
é como abrir à alma as portas
o ideal porém é ter bom siso
e não se embrenhar em zonas mortas

Trocar ideias e os outros ouvir
ficar calado quando outrem fala
saber escutar com todo o respeito

É princípio sagrado do sentir
é dar a ideia de que se iguala
é andar perto do que é ser perfeito

ABAIXO O FACEBOOK





ANDEI A ADEAR REFERIR-ME A ESTE TEMA, mas não consigo arrastar por mais tempo esta crítica. Trata-se do facto de Cavaco Silva se dirigir ao povo português por intermédio do facebook, o que é, realmente, uma maneira pouco alargada de comunicar com todos os naturais deste Pais, dado que a grande maioria de habitantes não possui computador e não usa a Internet como modo de saber das notícias. Se bem que, na maioria dos casos, também é verdade que os temas que são referidos pelo Presidente da República não são aqueles que se podem considerar de primeira importância, mesmo assim não é aceitável que o locatário de Belém não se expresse clara e abertamente através dos meios de que se dispõe, com a televisão em primeiro lugar.
Já o Presidente da Madeira, Alberto Jardim, não esconde os seus maus modos e aparece a dizer o que lhe vai na alma, muito embora, também seja necessário afirmar que, quase sempre, o responsável número um pelo Arquipélago, com excepção quando surgiu muito delicado a agradecer o auxílio que foi prestado pelo Continente na altura em que se produziu o desastre que a Natureza provocou e em que se verificou um gesto de solidariedade dos portugueses, faz-se ver nos écrans televisivos com os modos e as palavras rudes reflectindo o seu desespero contra o Governo da Nação, acusando-o de não lhe dar as condições ideais para ele poder fazer ainda melhor figura junto dos madeirenses, com obras e mais obras que o resto do País tem pago ao longo dos anos. E, nessas alturas, deita pela boca fora todos os impropérios que entende serem os mais apropriados.
A comparação é de que nem tanto ao mar nem tanto à terra, mas que seria importante que Cavaco Silva saísse da sua timidez pública e, mesmo que a Constituição não lhe dê poderes para actuar em certas áreas que estão a pedir a mão de alguém com coragem, assim mesmo e até porque a sua reeleição, quando dor a altura, não está em perigo porque este mandato é o último em que tem lugar, apesar de tudo as circunstâncias que se apresentam ao povo português e o futuro ainda se mostrar mais difícil são condições para que o responsável máximo da Nação não dê mostras de que está vivo e só mande recados pelo tal facebook.
A desagradável manifestação que ocorreu em Londres já duas semanas e noutras cidades britânicas deve fazer-nos pensar seriamente na eventualidade de ocorrer uma imitação nacional do sucedido. E como a nossa Justiça não tem a ligeireza da inglesa que, em duas semanas apenas, já prendeu cerca de 200 participantes e os está a castigar – se fosse cá teríamos anos de espera e a resolução acabaria por se perder -, logo é caso para não ficarmos sossegados, pois que as dificuldades que a vida apresenta são propícias a que se formem grupos de gente que anda desejosa de partir montras, incendiar automóveis e fazer as maiores sevícias que a ocasião proporcionar.
Ora, seria de esperar que Cavaco Silva, que se encontra em gozo de férias – ele como a maioria do Governo – talvez seja um desejo de todos os portugueses conhecer a opinião do Chefe e não por facebook.
Numa altura em que Portugal, ao contrário do que se afirma ser a sua compostura, assiste a assaltos seguidos aos bancos, como tem sucedido por estes dias, só se aguarda que as forças vivas da Nação dêem um ar da sua graça e acalmem os espíritos da população, não só com intervenções firmes contra tal tipo de roubo como no que respeita a medidas que estejam a ser tomadas para contrariar a direcção que está a tomar a actividade dos ladrões.
Bem basta o que está a ocorrer no Algarve, com prejuízo em relação ao sector do turismo que está a sofrer as consequências, até pelas notícias que correm nos jornais estrangeiros, como é o caso de Inglaterra que não esconde os acontecimentos.
Abaixo, pois, o facebook e viva o encarar das situações, com cara aberta para os portugueses!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

RIR DE MIM PRÓPRIO

Não sou muito de me rir
sobretudo a contra-gosto
o que é preciso é sentir
para se ver bem no rosto

A gargalhada sentida
de dentro da alma sai
essa sim por mim querida
como chega também vai

Vistas as coisas no fundo
se há algo p’ra me rir
o melhor deste mundo

P’ra mim é de mim fugir
este pobre moribundo
nem sabe p’ra onde ir


SONHAR É BOM!...



OBSERVANDO BEM O QUE SE PASSA neste País, temos de assinalar que o mês de Agosto, desde o dia 1, deu mostras de uma redução de movimento nas ruas de Lisboa, mas, chegado ao dia 15, essa calmaria que se gozava mudou radicalmente, sinal de que grande parte dos habitantes que se tinham deslocado para férias cautelosamente regressaram e o feriado que ocorreu na sexta-feira e que também serviu às mil maravilhas para uma das tão desejadas “pontes” fez com que as estradas se tivessem enchido de viaturas de volta à capital, ao ponto de ter voltado a ver-se um movimento de pessoas que fazia esquecer o tempo de férias.
É isto a que a crise obriga e começa-se a verificar que os portugueses estão a entranhar a situação de dificuldades que, para bastantes, ainda é coisa que só acontece aos outros.
Mas, circulando nas ruas em que habitualmente se transita e estando atentos às lojas que se viam em determinados circuitos, depara-se com um grande número que têm as portas fechadas e até com indicações de que já não estão em funcionamento. Segundo se leu, um dia destes, na Imprensa, no nosso País há cada vez mais empresas a declararem falência e por dia, diz a mesma informação, registam-se 17 que acabam de funcionar.
Porém, o que é verdadeiramente intrigante é que, na mesma Imprensa, se anuncia que a administração da Caixa Geral de Depósitos custa 2,585 milhões de euros por ano. Isso, enquanto, por outro lado, se propaga que as férias judiciais deparam com 6,2 milhões de euros em processos, ou seja, existe nos tribunais 1.149 processos pendentes que correspondem ao montante referido, ou seja trata-se de um valor de grande importância que se encontra paralisado à espera das decisões dos juízes.
Por aqui se pode verificar como o nosso País produz mel e sempre com atraso, pois que não é apenas nos campos e nas fábricas que respondemos com deficiência às necessidades nacionais, mas em todas as actividades em que a mão humana tem de interferir. Temos de ser nós próprios, dentro do País a reconhecer tal característica negativa, não desejando que venham de fora, seja quem for, a indicar-nos as razões do atraso em que nos encontramos em relação à própria Europa a que pertencemos.
Veio anunciado, um dia destes, que Portugal pode produzir 280 milhões de ouro e que uma empresa se dispôs a iniciar a exploração de 490 quilos por ano. Ora, se assim é, não será caso para que as instituições oficiais coloquem os olhos nesta possibilidade e se apressem a não colocar impedimentos burocráticos – se for este o caso – de forma a que se possa usufruir, o mais rapidamente possível, desta valiosa ajuda às nossas finanças?
Igualmente, no imenso oceano que temos pela frente, havendo a possibilidade de existir petróleo, terão sido dados os passos necessários a obter os rendimentos que tal fortuna tem dado a vários países?
Digo nisto porque só com um “milagre” destes tipos é que talvez possamos sair do buraco em que estamos metidos e, sendo assim, há que confiar na sorte e jogar tudo para que não sejam apenas os países árabes e Angola (onde já estivemos e não obtivemos nenhum benefício com o oiro negro) a gozar dos privilégios das extracções do fundo da terra e dos mares.
Quem se encontra metido numa aflição é lógico que deposite esperanças em tudo o que pode acontecer, o mais viável e até o menos previsível. É o que estou a fazer.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

FAZER DE CONTA


Nem sempre o que é possível se consegue
fará falta algo, mesmo a fé
é preciso que o que se persegue
deixe de estar longe e fique ao pé

Muitas vezes tem que se dar o passo
ainda que não seja nosso agrado
há que manter fortes nervos de aço
e esquecer o que está ao lado

Por muito que se trate de uma afronta
aquilo que é preciso p’ra vencer
nada poderá ser de grande monta

Pois por mais longe que esteja pronta
o que queremos ver alvorecer
o importante é não fazer de conta

GOVERNANTES DISTRAIDOS



NÃO HÁ DÚVIDAS de que a situação em que este novo Governo (já começa a não ser assim tão novo como isso) encontrou o País obriga a que sejam tomadas medidas bem dolorosas para os cidadãos, sobretudo devido à imperiosa obrigação de serem cumpridas as decisões tomadas e assinadas com a Troyka e em que intervieram 3 partidos políticos, dois no Governo e um na Oposição.
Mas a pergunta que se tem de fazer é se não haverá forma de atenuar um pouco as medidas mais custosas de suportar, e neste aspecto até se pode dar alguma razão aos partidos da Esquerda que defendem a tese das conversações para aliviar alguma coisa o pesado fardo dos impostos que surgem agora de rompante.
O aumento de 6 para 23 por cento do IVA em muitas áreas mas, sobretudo, nas contas do gás e da electricidade, a partir de Outubro próximo, este tão grande pulo nas facturas que caem às famílias que, já nesta altura, se defrontam com o peso que têm de liquidar mensalmente, e em que as pequenas pensões dos reformados não conseguem aguentar tamanho rombo nas suas economias reduzidas, essa medida que é imposta pelos governantes que temos agora talvez pudesse ser mais reduzido, sobretudo se os cortes nas despesas do Estado, que demoram em ser reduzidos e onde já ainda há muito para eliminar, tivessem já sido produzidos e assiste-se a uma demora excessiva em serem tomadas as me4didas essenciais e urgentes.
Já aqui me referi – e não foi a primeira vez – à diminuição drástica dos automóveis, os de luxo e os outros, que se encontram à disposição de alguns ditos “servidores” do Estado e, consequentemente, também à redução dos motoristas que passam os dias sentados nas viaturas a aguardar que “Suas Excelências” se dignem descer dos seus aposentos para se dirigirem para casa…
Mas o que nos deixa boquiabertos é que não se vislumbra um único sinal que mostra ser essa a intenção dos governantes, já que existe um secretário de Estado que salutarmente continua a utilizar a sua “Vespa” pessoal.
E o rombo que vão levar os poucos dinheiros dos portugueses com o IRS do próximo ano, onde não serão levados em conta gastos com a saúde, pelo que não serão descontados nas contas finais os valores que essa área necessita, até com as deslocações de ambulâncias, o que leva a que sejam, dispensados muitos bombeiros, sobretudo da província, que tinham a sua existência garantida com a utilização desses serviços.
É evidente que a preocupação com os já 675 mil desempregados que constam dos registos oficiais não deixarão grande margem de sossego aos que têm o encargo de governar Portugal, mas quando se lê na Imprensa que o presidente da Carris, de nome José Silva Rodrigues, recebe um salário bruto mensal de 5.900 euros e que ainda se queixa de que é baixo (veja-se a “Visão” desta semana), só se pode fazer a pergunta aos nossos homens do Executivo se andam a dormir na forma ou se não têm vergonha de deixar que estas situações se passem no nosso País.
Na verdade, mudam as forças de comando, sai um Governo e entra outro, mas a população não pode mais senão deitar as mãos à cabeça e soluçar em silêncio. A pobreza, especialmente a envergonhada, grassa de Norte a Sul. Só nos resta temer que não surja um dia destes uma avalancha de protestantes que dêem mostras da sua revolta tal como se assistiu ao que se passou em Londres.
Será bom que não confiem em demasia nos tais “bons costumes” portugueses!”…

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

JUVENTUDE

Pouca importância se dá
Nos dias que vão correndo
Ao que é mesmo um maná
Viver sem estar sofrendo

E os jovens, esses então
Nem sabem que são felizes
Ter pela frente um vidão
P’ra regar suas raízes

Ter saúde é tal benesse
Que nem se pode medir
Quando a doença aparece
Dá vontade de fugir

A juventude não sabe
O bem que é ser-se novo
E tudo que um dia acabe

Como bem lá diz o povo
Mesmo que o mundo desabe
Fica a semente num ovo

JUVENTUDE EM PERIGO



QUANDO SOMOS FORÇADOS a assistir ao tristíssimo espectáculo que nos deram aqueles jovens que, nas cidades inglesas, se dedicaram à destruição pela destruição, sem terem justificado o motivo da sua acção, não podemos deixar de reflectir sobre o comportamento dos jovens de hoje, daqueles e de muitos outros que se espalham pelo mundo, e de averiguar se haverá forma de alterar a actuação de uma juventude que nesta altura não é produtiva e não tem como objectivo a preparação de um futuro agradável que devem depois usufruir.
Existem de facto razões para que a juventude dos nossos dias se comporte de forma que tem de nos preocupar, a nós, os mais velhos, e que temos o direito de aspirar por um mínimo de condições para que, tal como aconteceu aos da minha geração e seguintes, tivemos de seguir regras que, certamente nem todas agradáveis, mas que, mesmo assim, formaram uma camada de cidadãos que levaram a sua vida sem os sobressaltos que agora se verificam.
A educação familiar que, antes, era aplicada pelos pais e tutores das crianças e a instrução que se aplicava nas escolas, esses dois factores terão servido para formar uma juventude que, ao longo de várias gerações, foi cumprindo e seguindo os passos dos seus antecessores que era considerada como exemplar. Mal ou bem, o facto é que essa condição serviu para criar o ambiente que, nos momentos que atravessamos, se vai vivendo.
É certo que o ser humano tem sido o causador dos acontecimentos que se vão avolumando no campo terrestre. O avanço da tecnologia, bem útil por um lado, e a criação de utensílios como o mundo dos computadores, tudo isso tem provocado que, sem entrar em pormenores, a evolução da juventude t5enha sido desviada para diferentes interesses do que anteriormente ocupava a juventude. As dificuldades no acompanhamento por parte dos progenitores dos filhos que antes eram vigiados e colocados nos bons caminhos, assim como a diminuição do rigor por parte dos professores que já não têm condições para impor cumprimentos de regras aos alunos, essas duas condições podem ser indicadas como as principais causadoras das “liberdades” concedidas à pequenada e que, depois, já com idade de adolescência, também se julga com direitos a seguir comportamentos que não serão, nem de longe nem de perto, os mais indicados para uma formação de adultos bem comportados.
A inquietação natural, que a geração adulta que ainda se encontra em funções nos mais diversos planos de actividade, tem de sentir perante os comportamentos que, não só em Londres como noutras cidades inglesas, foram divulgados pelas televisões, não encontrará sossego face às condições de vida que são apresentadas nesta fase, pelo que saltará a dúvida sobre se todos aqueles que irão tomar lugar, mais dia menos dia, nos postos de comando a que, naturalmente, terão acesso, serão capazes de modificar o sentimento de destruição de que deram mostras recentemente.
É certo que a actual onda de governantes que existem não só na Europa mas em diferentes partes do mundo não têm mostrado um comportamento que sirva de exemplo aos que têm idades de adolescência e que, perante tamanho fracasso, sustentem ambições de, quando chegar a sua vez, “entrar a matar”. Mas, mesmo dando razão aos descontentes, não é por isso que poderemos ficar descansados. O futuro do mundo corre perigo. Essa é a verdade.
Aqui, em Portugal, apesar de “brandos costumes” de que somos apelidados, a onda de protestos que as circunstâncias de vida difícil nos impõe, a revolta íntima que roí um grande número de cidadãos que não encontram maneira de solucionar a situação a que chegámos, tudo isso ajuda a que a vaga de próximos governantes seja capaz de encontrar um comportamento aceitável e não admirará que, subitamente, as cidades do nosso País sejam, dentro de algum tempo, palco de acontecimentos semelhantes aos que ocorreram na Grã Bretanha.
Só se espera que não se atinja tamanha calamidade. Vamos aguardar para ver…


terça-feira, 16 de agosto de 2011

DINHEIRO FOGE



É SABIDO QUE O DINHEIRO NÃO TEM PÁTRIA, pelo que é muito difícil controlar os movimentos que os detentores de capitais elevados realizam, tudo com o intuito de fugir a encargos fiscais, de não ser alvo de eventuais desvalorizações com as subidas dos custos de vida e sobretudo para procurar mercados que não se encontrem em situação difícil, pois a segurança é condição essencial para que o dito dinheiro não procure mudar de sítio.
Nesta altura da vida inquietante neste País que, pertencendo a uma Europa que também ela não dá mostras de garantir um futuro próximo de entendimento colectivo, são os chamados “off shores” que atraem os possuidores de fortunas, pois, mesmo não sendo os juros que ali são pagos pelos depósitos inferiores aos que são oferecidos no mercado internacional, é a cautela que aponta o destino que tem sido dado para resguardar os capitais.
No caso português, já foi divulgado que, neste momento, um montante que atinge os vários milhares de milhões de euros, se encontra desviado para ilhas onde se situam os referidos “off shores”, o que quer dizer que, em vez desses montantes se encontrarem investidos em Portugal, sobretudo no sector produtivo, o que não pode deixar de ser considerado como um acto de verdadeiro egoísmo, se bem que, da parte do sector governamental, não se tenha verificado qualquer atitude que desmotive essas saídas de dinheiro, nem que seja através de uma oferta de um juro na Caixa Geral de Depósitos que alicie os capitalistas a não fazerem sair do País as verbas que cá fazem bastante falta.
Uma medida deste tipo ou outra que produza os efeitos desejados é atitude que se espera de um Governo que esteja atento ao que se passa no seu e nosso País.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Desejo informar os leitores habituais deste meu blogue que, por razões de avaria no sistema que eu mantenho no meu computador, fui forçado a abrir outro blogue onde tenho estado a dar saída aos meus pontos de vista.


O endereço novo é josvacondeus.blogspot.com mas o anterior mantém os textos que lá foram introduzidos antes da avaria.

CHULARIAS

Eu não brinco às escondidas
com tudo sério nas vidas
enfrento bem de frente, até o tufão
por maior que seja o seu empurrão
por certo vários cá passaram
e que tristes marcas deixaram
mas ao apurar o saldo, que grande alegria
saber que eu nunca recebi alforria
e sempre recusei alpista
na minha profissão de jornalista
isso grande desconsolo
dos que pretendiam regalar-se com o bolo
das primazias e dos favores
dos louvores
das honrarias
que lhes dão as chularias
de quem sobe à custa dos demais
e que quer sempre mais e mais.
Mas comigo, não!
Nunca fui mamão !

GASTOS PARA ANULAR

TENHO EVITADO EXPRESSAR A MINHA OPINIÃO no que respeita aos indivíduos que, no decorrer das suas vidas, acabam por chegar a lugares de comando no Estado e que me fazem crer que, ao atingirem tais posições perdem completamente as aptidões para enfrentar os problemas que, antes de se situarem nesses postos, tinham ideias concretas para dar os passos necessários. Não sei se se trata de alguma precaução quanto a estarem precavidos para evitar críticas que não estarão preparados para suportar ou se será por já se encontrarem aninhados e, nessas condições, o único que os preocupa é manterem os lugares a todo o custo, pelo que evitam chamuscar relações que lhe poderão ser úteis num futuro.
Seja pelo que for, agora que se encontra na chefia do Governo um Passos Coelho que, há bem pouco tempo, dava ideia de vir a ser um responsável que não viraria a cara a qualquer dificuldade, especialmente por ter assistido ao desastre que foi o comando do seu antecessor Sócrates, o que certamente estaria no pensamento de muitos portugueses é que o seu mandato seria conduzido no sentido de economizar o mais possível os gastos do Estado, de encaminhar o País para a produção necessária para evitar as importações e abrir portas à exportação, ao mesmo tempo que tudo isso e muito mais seria feito para diminuir substancialmente o desemprego, pois eram e são estes os pontos que mais importa atacar se queremos, de facto, vencer a crise em que nos colocaram e para que nós contribuímos, só que, perante o que se verifica, não têm sido dados os passos que poderão ser considerados de valor bastante para se sair tão rápido quanto possível do buraco em que estamos metidos.
Faço esta afirmação porque não posso deixar de estranhar que, no espaço de tempo que já decorreu desde a tomada de posse e até hoje, se bem que tenha de reconhecer que não pode ser perdida a noção de responsabilidade que envolve as funções de primeiro-ministro, mas como em tempo de guerra não se limpam armas, mais vale pecar por ligeireza do que por lentidão e é nesse capítulo que me revolta a expectativa em que nos encontramos todos os portugueses, pois bastante mais e melhor do que saiu das decisões governamentais deveria ter sido mostrado e executado.
Quando se anuncia que não há dinheiro na P.S.P. e na G.N.R. pagar para combustíveis e até fazer face a despesas e4ssenciais em ambas as instituições, quando todos os dias se aguarda mais um fracasso financeiro para suportar este e aquele sector governativo, para não falar nos municípios que só têm dívidas que vão crescendo e não existe maneira de solucionar, perante todo este panorama enegrecido e sabendo-se que a frota de viaturas que se encontra ao serviço dos vários organismos públicos é de uma dimensão exagerada que não é compreensível e que, por isso, os gastos com combustível já são suportados com enorme dificuldade, para não falar no número grande de motoristas que se encontram exclusivamente ao serviço de figuras públicas, tudo isso que já foi referido no meu blogue e até antes, na minha coluna do Diário de Notícias, não se tendo verificado a mínima alteração no referido sector, venho com insistência repetir aquilo que eu faria se me coubesse zelar pelas despesas do Estado e que é a criação de uma repartição dedicada exclusivamente ao controlo do movimento das viaturas estatais, em que apenas os ministros e secretários de Estado teriam direito a viatura e a motorista designado, pois todos os outros cargos teriam que solicitar à repartição criada para o efeito em que lhes seria facultado um carro e o condutor que estivesse disponível. Imagine-se o que representaria de poupança esta restrição do facilitismo que ainda se verifica de muita gente ter carro à porta, com motorista às ordens, que transporta de casa para o trabalho e vice versa, o que representa umas dezenas de milhar de automóveis de que dispõem funcionários públicos desde directores-gerais.
Não ponho mais na carta. Este assunto já foi tratado por mim, neste blogue e não só, mas os que mandam, incluindo o primeiro-ministro, disfarçam e lá se mantêm com as mordomias que não coincidem com os encargos fiscais de toda a ordem que o povo português tem de suportar.

domingo, 14 de agosto de 2011

FUTURO NÃO APETECÍVEL

Neste País onde estamos
onde nascemos, vivemos
ainda nos conservamos
temos aquilo que temos

E é pouco, coisa pouca
e cada dia é menos
a caixa vai estando oca
à fartura só acenos

Mas que podemos fazer
que nos resta nesta hora
em que é enorme o muro?

Já nem se pode crer
não serve ir para fora
não me apetece o futuro

FERIADOS - QUE DELÍCIA!



ESTOU NESTE MOMENTO a ver e a ouvir Marcello Rebello de Sousa (assim mesmo com as consoantes duplas), e, conhecendo-o como conheço, dou-lhe o desconto que julgo ser essencial para ir seguindo semanalmente as suas opiniões sobre as mais variadas matérias, tantas que fazem pensar como é possível que um único ser humano possa ser conhecedor de um leque tão vasto como o “politólogo” faz questão de mostrar, sobretudo com uma convicção que os seus gestos bem medidos pretendem dar o ar de ciência absoluta e de não aceitar controvérsias sobre o que apresenta.
Se a firmo isto é porque estimo a personagem em questão e que por isso faço os possíveis não perder todos os domingos aquele espaço em que fala o “prof.”
Mas o que acabei de ouvir, aliás como em muitas outras ocasiões, não acrescentou nada que possa ser utilizado neste meu blogue, antes me deixou a impressão de que Marcelo é leitor assíduo do que aqui deixo gravado, pois, por exemplo, referiu-se à falta de uma boa comunicação por parte dos elementos do Governo, falta esta que tem feito parte nestes meus discursos…
Foi pena que, a propósito do feriado nacional que, como sempre, ocorre em 15 de Agosto, desta vez a uma segunda feira, com a extensão propícia a uma das muitas “pontes” tão do agrado dos que estão empregados (que os desempregados choram por não desfrutar desta paragem no trabalho), repito, que o Homem que se propõe andar em dia com os acontecimentos do nosso País não tivesse feito alusão a não terem terminado ainda as paralisações que o calendário nacional regista, pois que se estamos a sofrer as consequências bem dolorosas com a crise e com a má actuação de governantes que não foram capazes de porem ordem na vida pública, o que compete ao Executivo em funções é não adiar soluções e ser tão rápido e eficiente nas mudanças de benesses que estão enraizadas no nosso sistema como está a ser em relação aos impostos e medidas que muito castigam os portugueses.
Há que dizer estas coisas aos governantes de hoje. Já que temos que os suportar, sempre é melhor isso do que o que se passava imediatamente antes, ainda que não se possa ser complacente com os erros, adiamentos, e tudo que não seja contribuir para solucionar o nosso problema. Bem e depressa.

sábado, 13 de agosto de 2011

PESSIMISTA

Por muito que o pessimismo
magoe a nossa cabeça
p’ra fugir de tal abismo
há qu’esperar qu’aconteça
um milagre e muita crença
no futuro que virá
e se contemple a nascença
de um qualquer Alá
com outro ou com esse nome
capaz d’enfrentar tormentas
que ponha fim à vil fome
e às coisas odientas
porque o Homem, já sabemos,
não consegue dar a volta
aos males de que sofremos
e que nos causam revolta

Depois de milhões de anos
a estragar o que existia
foram eles, seres humanos,
que sem a menor mestria
foram o mundo destruindo
até chegar ao que existe
maltratando e agredindo
tornando a vida mais triste
apesar das modernices
dos inventos espaventosos
engenhocas, doutorices,
na busca só de mais gozos

Mesmo mais depressa andar
e falar com longe gente
não serviu p’ra minorar
aquilo que está presente
e que é a vil tristeza
de em cada dia que passa
se ir perdendo a defesa
contra a enorme desgraça
de ficar longe o domínio
do mundo onde vivemos
ser claro o vaticínio
de que em breve não cabemos

De tanto mexer na Terra
de aquecer o ambiente
sabendo o Homem que erra
mesmo assim não é prudente
e segue destruição
não protege florestas
aumenta a poluição
indo por vias funestas
velhas estações do ano
que hoje já não perduram
transformaram-se em engano
temperaturas se misturam

Perante estrago tanto
do Homem tão insensível
a vida perdeu encanto
pouco já é aprazível
tem lugar o pessimismo
mesmo p’ro mais animado
ganha força o ateísmo
é melhor ficar calado



VÍTOR GASPAR




COITADO, O HOMEM NÃO TEM CULPA, pois o que lhe sucede é que tomou posse de um lugar que, por mais virtudes que lhe sejam encontradas como profissional que leve a sério a sua missão, o que lhe compete fazer é transmitir novidades penosas para todo o povo português, dado que o momento e a situação em que se encontra Portugal não lhe dão margem para ser o anunciador do bem estar, antes lhe cabe ser a ave agoirenta que, ainda que com ar penoso, transmita o que os cidadãos portugueses não desejariam ouvir.
Vítor Gaspar de seu nome, o novo ministro das Finanças que substituiu um outro que também atravessou um período de lamúrias e de más notícias – ainda que não tivesse nunca tido a coragem de se culpabilizar, a si e ao Executivo de que fazia parte com um Sócrates sempre a bater no peito e a gritar que era o melhor -, tem agora que suportar com a necessidade de remediar todas as travessuras que foram produzidas por demasiado tempo e cabe-lhe a difícil tarefa de convencer o sacrificado povo de que o mal que é imposto é rigorosamente nece4ssárioo e que o que vem a seguir ainda será pior.
Estamos, pois, numa fase comparável à que se tem de suportar quando, no hospital, temos de encarar com a realidade de o médico ter de dar o golpe no furúnculo que deita pus, pelo que lhe temos de gritar que corte, mas depressa! E que não deixa nada por espremer, pois que se é forçoso sofrer o sacrifício, que seja quanto mais depressa melhor…
Ainda que os governantes actuais já não escondam, como sucedia antes, as realidades e o primeiro-ministro dê um ar de clareza que nunca deveria ter faltado no nosso meio político, a verdade é que ainda não foi claramente expresso ao povo português, com palavras simples e sem “digamos” de nenhuma espécie, faltando uma exposição feita em conjunto, do Governo e do próprio Presidente da República, mesmo assim ainda há uma grande parte da população que não se compenetrou ainda da situação penosa que nos envolve. E a prova é que, perante alguns concertos com artistas estrangeiros que nos visitam, em que os preços são elevados em euros, se forma filas de entusiasta aderentes, dormindo até nas noites anteriores junto às bilheteiras para adquirirem as suas entradas, o que demonstra que, especialmente a juventude, não tomou ainda consciência de que o que espera os habitantes deste Pais é um futuro penoso e que seria bom irmo-nos, todos, preparando para enfrentar as realidades que nos vão ser apresentadas.
Jé me referi aqui a uma necessidade imperiosa de ser incluídas escolas primárias uma aula prática de Democracia, para que os jovens alunos comecem a usá-la com a maior naturalidade, sabendo ouvir os outros e só falando quando chegasse a sua vez e tenham alguma coisa de útil para dizer, procurando ser o mais úteis possível à sociedade, mas isso não foi ainda considerado como útil e é pena, porque estamos a perder um tempo precioso. De resto aquilo que se vê, cada vez em maior número, de paredes gatafunhadas de rabiscos feitos por gente seguramente jovem que não entendeu ainda aonde deve chegar a bossa liberdade sem interferir na dos outros…
Digo isto, mas bem podia estar calado. Nada disto já remedeia o tempo que perdemos nestes trinta e tal anos depois da Revolução…