quinta-feira, 12 de maio de 2011

O que é ter esperança
e ter fé no amanhã ?
é voltar a ser criança
agarrar-se ao talismã

E nas cartas esse crer
como nos búzios, nos astros,
é bom que se queira ver
o que está preso por nastros

Ler nas borras de café
e na redondinha bola
o que é preciso é ter fé
ver coelho na cartola

Não se deve criticar
nem que seja um aprendiz
que conjugue o verbo azar
pois só quer é ser feliz

Deixemos, pois, os mais crentes
iludir-se, pois então,
serão sãos, serão doentes?
uns dizem sim, outros não

Afinal, por esse mundo
vai-se vivendo de enganos
mas somando, lá no fundo,
muitos dias fazem anos

Isso é que é bem real
o resto são só histórias
mas o que é anormal
é ter apenas vitórias

Seja, porém, como for
cada um é como é
a mim não me falta amor
o que tenho é pouca fé

HAJA FÉ!



MUITOS SERES HUMANOS recorrem à sua fé para desanuviar as piores acções que lhes pesem na consciência e, no cão da Religião Católica, a Nossa Senhora serve de antídoto para melhorar o comportamento que, pelo menos nesses dias mais próximos atormentem aqueles que se encontram mais peto da crença que abraçam. É bom que assim seja e pelo menos essa frase tão portuguesa de “valha-nos Nossa Senhora” poderá, nem que seja por segundos, apelar para a ajuda de uma crença que é chamada a dar o eu auxílio.
Estes dos dias de Maio, 12 e 13, marcam em Portugal o apelo à devoção e, ainda que seja para muitos uma espécie de festa que se comemora com uma caminhada a pé, mesmo assim fará concentrar uma boa parte de crentes que se entregam nessas datas a uma convicção que só pode ser louvável.
Outras religiões também cumprem regras com datas estipuladas, quando não são todos os dias como sucede com os devotos do Islão e só há que respeitar as crenças de cada um, desde que não interfiram com as dos outros.
A grande pergunta que pairará nos espíritos é se tamanha entrega a cada caso religioso melhora, na verdade, as formas de lidar com o mundo de todos os que cumprem at é rigorosas regras, mas essa resposta fica por encontrar, especialmente quando encaramos com os terrorismos suicidas, por exemplo, e as g guerras que se têm verificado desde que o homem é homem e que, já na época dos Cruzados, pôr em confronto cristãos e muçulmanos por uns julgarem que estavam mais certos do que os outros. Mas adiante…
Encarando o que ocorre cá dentro de portas e sendo hoje 12 de Maio, poder-se-á dar uma vista de olhos em relação ao que ocorre quanto às desavenças que a que se assiste entre os partidos antagónicos que lutam por ser considerados os mais adequados para liderar o nosso País. Vamos a isso enquanto as procissões e os cantos religiosos ocorrem em Fátima e aí não se desfraldam bandeiras partidárias nem gritos de viva este ou aquele…
Caso se verifique que o PSD não se encontra, de facto, preparado para exercer a responsabilidade de governar Portugal se vencer as próximas eleições – isto dando crédito ao que o PS tem vindo a afirmar – seria importante que as cabeças pensantes deste grupo partidário dessem mostras com tempo suficiente para fazer crer os eventuais votantes de que essa escolha é suficientemente convincente e que o programa que prepararam dá mostras de que sabem o que querem e para onde vão.
Eu, por mim, não deixo que, pela minha contas, suportar algumas dúvidas, pois isto de tomar conta de um Executivo não é propriamente o resultado de uma prática prolongada nem sequer seja um curso que se tire numa faculdade, antes resulta do bom senso e da perspectiva que se tem em cada momento da melhor forma de actuar em benefício de um país e, acima de tudo, de conhecer o melhor possível o povo que se tem de dirigir, para, sem ser unicamente com o espírito doe agrado para receber aplausos, se decida com o sentido de, por vezes ao contrário da conquista da simpatia, atingir o objectivo apropriado para que o que se segue, ainda que à distância para se tingirem os fins seja difícil de aceitar pelos que poderão sair beneficiados o grupo de dos habitantes.
Ora, o que falta a todos os partidos que por aí lutam por conseguir o apoio do maior número possível dos compatriotas é exactamente o saberem explicar-se quanto aos desígnios dos objectivos que constituem a sua razão de existir, colocando os prós e os contras de forma a não deixarem dúvidas aos que são chamados, em determinada altura, a pôr ou não a cruz no quadradinho que se situa no papel que serve de voto.
Não basta, agora já a esta distância do que foi a Revolução de Abril, expressar o nome do partido que se proporciona para ser escolhido. Isto de chamar socialista, social-democrata, cristão democrata e menos ainda só de esquerda ou de direita (com excepção da mais bem formada politicamente que é a dos comunistas, que, mesmo assim, provoca enorme confusão com o mais recente bloco de esquerda, com os verdes – que não basta serem o que se confunde com vegetarianos – e outros agrupamentos mais frágeis que se situam igualmente na ponta essa zona), todas essas designações, para a maioria da população não passa de designações mas que, se lhes perguntarem que linha política seguem, não fazem senão uma ideia vaga que não serve de justificação para uma escolha partidária.
Lastimo muito expressar este opinião, mas bem gostaria que essas empresas de sondagens que opor aí pululam fizessem um estudo no que se refere ao que acabo de redigir. E logo se veria que convicções, exceptuando os mais antigos e especialmente os relacionados com o PCP, seriam apresentadas pelos enquistados. São o que são por alguma razão, até familiar, por ter ouvido dizer, por não serem de outro partido de que não gostam das caras dos responsáveis, e pelos motivos mais distantes da realidade ideológica, mas convictos de um princípio de ideologia política, lá isso é que será raro encontrar.
Comecei esta crónica tomando como exemplo o PSD, mas poderia ter escolhido outro. O que quer dizer que, se em vez das propagandas partidárias se fixassem em frases, quase sempre com pouco gosto e sem sentido publicitário que convença, para além, das fotografias dos mais conhecidos, como se se tratasse de um anúncio de um filme ou de um produto de beleza, surgissem explicações claras do que distingue a ideologia de um partido do outro que concorre ao mesmo, ainda que não seja fácil expor numa frase o que representa fazer-se parte de um grupo político, mas, mesmo assim, se cada um apelasse a um comportamento de regras que contribuísse para a construção de um país melhor, nestas condições algo de mais proveitoso resultaria do espaço, do tempo e do dinheiro que se gasta com propagandas inúteis.
Mas os elementos que se instalam nos partidos não se encontram lá pelo seu valor, mas sim pela oportunidade que cada um aproveita para, quem sabe, conseguirem um lugar que os compense do tempo que dedicam ao “empregador”.
Eu sei que há muita gente, demasiada, que não gosta nada de ler esta apreciação. Mas quem tem a coragem de lhes dizer na cara o que eles merecem, está sujeito a tudo.
Também – e a finalizar –, se não existissem vantagens económicas, sociais ou como lhes quiserem chama,r para aqueles que vestem as camisolas dos partidos, quem é que lá estaria para pegar nas bandeiras, gritar pelos partidos, calcorrear as ruas para fazer número, e, quando conseguem aproximar-se mais dos “chefões” lá obterem benefícios que compensam a aparência que dão de serem uns dedicados devotos da causa em que se movimentam. Os homens têm estas características que não são fáceis de corrigir e isso passa-se em redor do mundo, não existindo no mundo quem possa garantir que os adeptos de movimentos que pululam em imensas zonas terrestres, são todos fanáticos pela questões que abraçam e, talvez com excepção dos que entram na fase do terrorismo suicida, pois que essa classe é levada por fés e por crenças que comandam as acções racionais dos entes.
E mais não digo. Cada um que pense como quiser. Mas o sistema democrático nisto não se distingue muito do outro, o da ditadura, onde também quem se chega ao pé dos que mandam seguramente que o que esperam é também uma compensação.
O frente-a-frente a eu se assistiu ontem entre José Sócrates de Francisco Louçã retirou dúvidas de que, com algumas razões de um lado e de outro e uma imensidão de incongruências também saídas de ambas as bocas, ao não ser possível, com a maior bonomia, juntar o que de sensato se escutou do dois lados – e alguns houve – os confrontos não deixarão de se sobrepor às conveniências que poderiam colocar Portugal no bom caminho para nos sairmos bem connosco e com os outros.
Porque a proposta de não pagarmos a quem devemos e de discutir os valores dos juros – bem exagerados é certo – essa atitude dos esquerdistas colocava-nos na situação de não haver mais ninguém que se dispusesse a deitar-nos a mão em momentos da maior aflição, e a nossa imagem mundial ficaria pelas ruas da amargura.
Pedirmos apoio para que nos fosse dado mais tempo para cumprirmos as nossas obrigações, essa atitude bem negociada daria até uma demonstração de que, embora tivéssemos passado por um período governativo de má memória, estávamos a entrar no bom caminho.
Mas, ao fim e ao cabo, a realidade é que estamos todos nas mãos do que sair das eleições que aí estão a chegar e de como resolvermos depois a formação de um Governo que seja capaz de ter juízo.
Eu sei que é pedir muito. Mas não vimos tantas famílias a caminho a pé de Fátima e a arrastarem-se de joelhos no trajecto até à capela? Então, o que no falta agora é fé. Pouco mais nos resta!...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

FALTA DE ESPERANÇA

Eu sofro tanto por ver
em cada dia que passa
este País a morrer
entregue à sua desgraça

Foram tantas eleições
muitas escolhas, mudanças
houve várias opções
e outras tantas alianças

As disputas foram várias
zangas também um fartum
e promessas como árias
ninguém augurou jejum

Na escolha de quem governa
que desde setenta e quatro
se tem visto como alterna
que nem cenas de teatro

Sucedem-se Presidentes
todos prometem mudar
mas nenhum trouxe presentes
que apetecesse cantar

Nesta altura de mudança
com Cavaco a presidir
nasce mais uma esperança
de que se vai progredir

Mas então mudar Governo
votar outro Presidente
vai fazer com que este inferno
altere assim de repente?

Eu por mim julgo que não
não digo nada de novo
é precisa a opção
de trocar cabeça ao povo

ANSIEDADE



POR MUITO QUE SE ANSEIE por uma abertura à nossa aspiração de verem terminadas as fornadas sucessivas de maus agouros que se colocam no nosso caminho como Nação extra perturbada pelos acontecimentos que decorrem e os que estarão ainda para chegar, a realidade é bem diferente e todos os dias encontramos razões para aumentar as preocupações que não nos deixam descansados em relação ao futuro.
Não nos deixam é uma forma de dizer, porque a inconsciência nacional ainda não desapareceu de todo e o que se versifica é que, de uma forma bastante geral, os portugueses ainda não se abriram completamente às perspectivas infelizmente bastante concretizáveis no que respeita ao que vai ser, em muito breve tempo, aquilo com que temos de nos defrontar. Existe a consciência, sobretudo nas donas de casa, que os montantes que despendem nas compras diárias, sobretudo para alimentar a família, são cada vez mais escassos e que já se verifica uma maior cautela nas escolhas dos produtos, mas não é ainda o suficiente para, por exemplo, serem preferidos os produtos de origem nacional, como seja a fruta e os legumes, que será uma maneira de ajudar a nossa produção, mas com a atenção própria de quem está a ser útil ao País.
O caso concreto de que a tal ajuda dos 78 mil milhões de euros que resultaram da passagem por Portugal dos elementos os da Troyka, esse grande montante – ainda que não assegurado que seja suficiente para colocar as nossas financeiras com algum descanso – ainda depende do apoio dos principais partidos que constituem os governos do espaço europeu, pois que se o resultado da obtenção dessas decisões não nos for favorável ficará sem efeito o que saiu do acordo negociado em Lisboa.
Quer dizer, portanto, que, para além do problema que temos para enfrentar no capítulo do que sair das próximas eleições nacionais, o que constitui uma verdadeira preocupação pois não é de excluir um desentendimento entre os vários partidos que aspiram por comandar as operações – vide o frente-a-frente de ontem -, o que se prepara para constituir um enorme problema para quem vier a “vencer” o acto eleitoral é a enorme ausência de meios financeiros para solucionar as obrigações existentes, quer as internas quer as consequentes da dívida externa.
Vai ser um espectáculo digno da actuação de grandes actores o assistir aos seus monólogos, em que se colocam em bicos de pés e irão garantir ser os únicos capazes de solucionar o nosso grave problema, para, logo a seguir, termos todos nós, os espectadores que pagamos os bilhetes, a constatação de que são todos uns mentirosos, prometedores do impossível e apenas desejando sair-se pessoalmente bem do confronto em que se meteram e de que já não podem desistir, sobretudo quando as afirmações que fazem são sempre em nome pessoal, em que o “eu” predomina sobre o “nós”, pelo que a responsabilidade que assumem é ainda mais grave do que se tivessem a humildade de garantir apenas ir fazer o melhor do que forem capazes e não garantirem de que nunca se enganarão, como se isso fosse possível em qualquer ser humano.
Cá estou à espera, mas com uma angústia que nem lhes conto!...

terça-feira, 10 de maio de 2011

DÚVIDAS



SERÁ QUE AINDA EXISTIRÃO MUITAS DÚVIDAS no que respeita a eventuais resultados das eleições legislativas que estão aí á espreita?
O frente-a-frente que a que se assistiu ontem entre José Sócrates e Pulo Portas, em que o responsável pelo CDS – ainda que fale sempre em nome pessoal e raramente se refere ao “nós” que corresponderia ao ponto de vista do seu Partido – se “atirou” frontalmente ao primeiro ministro pois não tinha muito a perder e tudo o que constituísse dar mostras da sua incompatibilidade política com o responsável do Governo só contava a seu favor, pelo que fugiu sempre a dará resposta fulcral que lhe foi feita de aceitaria fazer parte de um Executivo onde o chefe do PS figurasse, essa amostra de como os dois políticos poderão alguma vez entender-se abriu as portas das dúv idas que ainda pudesse existir nos portugueses que se desloquem no dia 5 para depositar os seus votos.
Por mim sustento a ideia de que, após a contagem, serão necessários os resultados dos três partidos mais em evidência, PS, PSDD e CDS para se conseguir uma maioria que tenha capacidade de tomar decisões na Assembleia da República e, nessas circunstâncias, os confrontos a que se irão assistir não podem deixar descansados os habitantes deste País e o panorama que fica à vista é o de que será um autêntico mistério poder dizer desde já qual vai ser a forma de pagarmos aos credores e de criarmos as condições produtivas para deixarmos de f içar dependentes das ajudas exteriores que não poderão terminar.
Por hoje fico-me por aqui.
Deixo aos meus leitores o encargo de porem a funcionar as suas opiniões. Amanhã talvez falaremos.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

AINDA A TEMPO?

Já era tempo de se respirar
d’enfrentar a vida mesmo que resto
não nos imporem para trás andar
não precisar mais de fazer protesto
quem até hoje aguentou tanto
que com esperança lá foi vivendo
não é agora mesmo com espanto
que vale a pena gritar não entendo

Se metermos a mão na consciência
se humildade nós apelarmos
não pusermos a menor reticência
abandonando o desenrascarmos
talvez se encontre a solução
p’ro estado a que Portugal chegou
pois que isso está na nossa mão
cada um crendo “o melhor não sou”

Mas é pena pois que heróicos feitos
também tivemos com certa fartura
mas dessas acções tirarmos proveitos
se existiram foi de pouca dura
nunca soubemos recolher partido
que resultasse num bem pr’o País
foi escasso sempre esse sentido
tudo nos passou longe do nariz

Seja qual for a nossa conclusão
o que importa agora é mudar
estamos metidos na confusão
nem se sabe quem pode ajudar
e como um País não corre taipais
colocando letreiro de falência
nem remedeia andar a gritar ais
só nos pode salvar a coerência

Se agora somos mal governados
por quem bem devia fazer labor
e sem se sentirem sequer culpados
dizendo ao povo que “fazem favor”
há muita razão em os querer fora
em despedi-los com chuto no rabo
e pô-los à distância sem demora
não querendo ter mais nenhum nababo

Então depois quem vier a seguir
será capaz de por tudo nos eixos?
Se for igual a Alcácer Quibir
como foram outros tantos desleixos
após catástrofe nós não sabemos
se podemos pôr a casa em ordem
pois em discussões o tempo perdemos
ficando tudo na mesma desordem

Tenhamos então alguma memória
olhemos para trás e reflictamos
é o que nos diz toda a nossa História
sobretudo aquela que aplaudamos
e é pena, porque heróicos feitos
cá existiam com certa fartura
mas sempre os vimos de parapeitos
mesmo os que causaram certa agrura

Nesta altura já se perdeu bastante
o respeito pelo que fomos antes
a luta por esta vida andante
não nos dá tempo que seja sobrante
para reconhecer o bom que fomos
e o mais que podíamos ter feito
enquanto também ver o mal que somos
o que nos traria algum proveito

Ainda que mudar ao que chegámos
não seja obra fácil de assumir
após os males com que carregámos
e pouco ânimo para reflectir
faltando forças p’ra recomeçar
no sítio que tão bem conhecemos
aquilo que se impõe é não parar
esquecendo tudo o que sofremos

Antes do 25 e depois dele
lá p’ra muito longe tentando ver
para um futuro a que se apele
mais alegre e que se possa ver
o que mantemos é a esperança
de os vindouros serem mais felizes
que lhes chegue a bem-aventurança
de igualarem outros bons países

Se já nem isso conseguirmos ter
então é porque o fim está à vista
como depois da vida há um morrer
até aquele espírito fadista
não ficará para ser recordado
e cantares estranhos cá chegarão
pois que o chorar a ouvir o fado
é coisa que todos esquecerão

Os que ficarem neste canto luso
com outras cores e com outros falares
aos poucos deixarão tudo difuso
pois serão diferentes patamares
tendo já sido apagada a brasa
que era a causa de tanto afligir
pois quem não sabe manter sua casa
deve entregar a chave e partir

MUDAR DE VIDA



ESTA FOI A FRASE que Cavaco Silva usou no último comunicado que transmitiu aos portugueses. E, por mais que não pretenda eu dar a ideia de que não perco este hábito enfadonho de ter razão antes de tempo, não posso deixar de chamar a atenção para frases, acontecimentos ou eventualidades que, antes de sucederem, me surgiu a mesma ideia aqui neste despretensioso blogue. Mas não serve para nada! É um deconsolo.
O “mudar de vida” dos portugueses tem sido aqui referido repetidas vezes, pois sustento a opinião de que se este nosso espírito lusitano se continuar a manter, não é por cá virem troykas e por muitas opiniões teóricas dos tais “sábios” que aparecem e de que temos os ouvidos cheios que modificamos a caminhada que é imperiosa e que, a não se alterar fulcralmente no que tem sido ao longo da nossa existência como País, não conseguiremos sair desta cepa torta, comprometendo cada vez mais o nosso futuro, já que o presente não é de molde a satisfazer o que seria justo que gozássemos. No mínimo uma mediania de vida.
Que o dinheiro tem sido, especialmente desde que o Brasil deixou de ser um generoso fornecedor do ouro que de lá vinha no tempo do D. João V, um elemento escasso e até quando se verificou maior abundância foi utilizado da mesma maneira que sucede com os filhos que herdam fortunas mas logo a gastam com fantasias e desperdícios, isso é conhecido na nossa História e não é novidade para ninguém sobretudo para os portugueses que nunca passaram, a título pessoal e ao longo de uma existência que está escrita, da triste situação de pobreza. Temos nós, os que ainda por cá andamos nos tempos correntes, bem a noção de que assim é, pois que até as ajudas que vieram da Europa, no tempo do primeiro-ministro Cavaco Silva, em que desperdiçámos as pescas e abandonámos a agricultura só porque nos foram oferecidos uns “tostões” para deixarmos aos outros essa oportunidade que era, e tem de voltar a ser, uma das nossas formas de subsistência, e o resultado dessa atitude foi a que nos conduziu ao ponto onde estamos. É bom não passar ao esquecimento tal atitude governamental dessa época.
Pois agora, que somos forçados a importar tudo e mais alguma coisa, em particular o que não pode faltar para a nossa alimentação, deparamos com a notícia de que o azeite, a nossa riqueza de sempre, começou agora a ver aumentado o valor da nossa exportação e de que a amêndoa também regista uma subida animadora, ambos os produtos produzidos sobretudo no Alentejo, e que os autores de tal benefício são agricultores espanhóis que, em boa hora, entenderam que se tratava de uma actividade que estava paralisada em Portugal e que aqui existiam enormes probabilidades de se tornar num negócio rentável (mais uma razão que fortalece a teoria que defendo que a Ibéria, sem subalternização de qualquer dos dois países da Península, só teria vantagem em actuar como uma espécie de Benelux).
Alguém entende e pode aceitar que, no capítulo da fruta, a grande maioria deste produto que cá se consome é importado? E nenhum Governo, até agora e desde que começámos a “armar” que estávamos ricos, foi capaz de dar uma olhadela para este verdadeiro drama e de tomar as providências para que tudo mudasse? E no que se refere ao peixe, quando era tão prometedora a nossa actividade piscatória, foi uma medida inteligente destruir grande parte da nossa frota, isso enquanto aumentava o espaço oceânico exclusivo português? E no que se refere à carne que também vem tanta do estrangeiro? E por aí fora?...
Não há outras palavras que não sejam as de bem clara acusação da sua incompetência para pretender desculpar essa a gentinha que não pode ser perdoada por ter colocado Portugal na situação de abandono na área produtiva e no abandono a que chegámos do interior do nosso território que faz chorar quando o percorremos, contemplando as terras abandonadas e incultas que os governantes, quando vão todos contentinhos inaugurar em grandes excursões alguma porcariazinha que lhes servem de propaganda política, mas em que não os aflige olhar para o desertos contínuos de ausência de agricultura.
Ora bem, este pequeno apontamento serve apenas para, em primeiro lugar reforçar a minha luta escrita, que vem ainda de tempos muito atrás, antes do Abril, quando na minha Revista “o País Agrícola” insisti e até provoquei uma zanga com o ministro da Agricultura de Antão, o tal Barreto, para que nos deixássemos ensinar por aqueles que lá fora tiram partido do que têm e o aproveitam ao máximo (Israel, por exemplo, pelo que organizei viagens de agricultores nacionais a esse País, o que já aqui foi referido), para sairmos do amadorismo português que sempre constituiu a nossa maneira de tratar a terra (em pequenas parcelas e sem termos ideia do que devemos produzir, a que preço, com que qualidade e em que mercados poderemos vender).
E, independentemente dos muitos milhares de milhões de euros que já recebemos e que ainda vamos ficar a dever, com juros assustadores, o que se torna inevitável é que, na verdade, “mudemos de vida”, isto é, que passemos a pensar na melhor forma de produzir muito, bem e depressa para, competitivamente, nos colocarmos nos mercados que estejam em condições de se interessar por consumir o que cá fizermos. E só assim é que talvez consigamos pagar a quem devemos!...
Nunca me cansarei de insistir neste tema. Porque, por muito que falem em dinheiro os economistas, em percentagens, em juros, em mapas comparativos que ninguém entende, o que tem de fazer parte das nossas preocupações primárias é a produção que cada português pode oferecer à sua Terra, seja qual for a actividade a que se dedique. Tanto faz que seja uma figura situada num lugar cimeiro da administração pública, como um empregado simples de uma pequena empresa, se cada um se entregar à tarefa que lhe cabe com o maior e melhor sentido de responsabilidade, poderão os nossos descendentes, daqui a uns tantos anos, mesmo que sejam bastantes, assistir a um País que, se lhe contarem como era “mandrião” nem acreditam…
Eu, um pouco temeroso, fico a pensar e a dirigir-me a pergunta: mas por que será que os grupos partidários que se preparam para concorrer às eleições, por sinal os mesmos que já se enfrentaram em situações iguais anteriores e se portaram da mesma maneira, em lugar de se dedicarem a ataques uns aos outros não levantam a questão principal da escassez de produção nacional, e não apenas como princípio teórico mas apontando soluções práticas a que deitariam as mãos se saíssem com posição consistente no confronto? Digo isto porque, em situações anteriores de igual competição, nunca tive ocasião de constatar que surgissem propostas e intenções que dessem indicação de que a sua actividade iria ser dirigida no sentido de pôr o País a trabalhar e não de conceder aos habitantes regalias e boa vida… que é o que quase sempre sucede.
Claro que um concorrente que pretenda vencer um acto eleitoral, se a sua linguagem for a de pedir que todos trabalhem mais, que se entreguem com completa devoção ao que constituem as suas profissões, em vez de deliciarem os ouvidos da população com falsas regalias laborais, mais feriados, menos horas de serviço, aumentos de salários, esse participante estará, à partida, condenado a ficar em último lugar na escala da votação. E tudo isso explica a linguagem utilizada nos comícios.
É que o povo, na verdade, o que gosta é de ser enganado!

domingo, 8 de maio de 2011

A IDADE

Com a idade tudo é diferente
p’ros que têm consciência de tal
deixa de ter importância p’ra gente
tudo que antes era capital

Olhamos p’ras flores com outros olhos
são todas lindas em qualquer estação
singelas, soltas ou mesmo em molhos
regala a vista, adoça o coração

Os anos passam, pouco tempo resta
só vale a pena ater-se ao importante
entusiasmo não se manifesta
tudo o mais fica lá para montante

Eu digo isto, mas me envergonho
não me despego do que é menor
pois me toca no mundo enfadonho
muita coisa com bem pouco valor

Sou humano e por isso imperfeito
Faz o que digo, mas não o que faço
Mas o que é verdade e dá mais jeito
é não olhar ao que causa embaraço

A juventude é sim o futuro
pois é ela quem amanhã comanda
mas p’ra poder ultrapassar o muro
tem de aprender a dirigir a banda

E são os velhos quem passa a palavra
com a experiência de ter feito erros
e o saber que na terra se lavra
desde a nascença e até aos enterros

Quer para o bem ou p’ra todo o mal
a terceira idade é por vezes mestra
mas como o homem é um ser mortal
nem sempre dirige bem a orquestra

A grande dor é que nos tempos d’hoje
o testemunho não é bem passado
pois a juventude do saber foge
e os idosos olham para o lado

Mas mesmo assim a idade é um posto
ou pelo menos deveria ser
não vale a pena ter grande desgosto
só por se estar mais perto de morrer

HAVERÁ SOLUÇÃO?




PERANTE A AFIRMAÇÃO de Passos Coelho de que, com José Sócrates, não fará parte de um Governo que eventualmente seja a solução que venha a ser encontrada após as próximas eleições em 5 de Junho, a dúvida que se tem de colocar aos votantes que se deslocarem às urnas, posto que essa possibilidade não pode ser posta completamente de parte, sobretudo nesta altura em que as sondagens não indicam grande diferença de percentagem entre os dois partidos em causa, a solução estranha que poderá ser encontrada, é a de dar satisfação a Paulo Portas que não escondeu que anda habilidosamente à espreita de obter uma possibilidade de ascender ao lugar de primeiro ministro desta Terra politicamente um pouco à deriva.
Na eventualidade de ser imprescindível a inclusão do CDS para ser conseguida uma maioria absoluta do lado da Direita, posto que a eventualidade de tal ser obtido com o PS e toda a Esquerda não é hipótese fácil de ser conseguida, mantendo os dois responsáveis socialistas e sociais-democratas a teimosia em não se entenderem, o que poderá surgir como solução é ambos preferirem que o presidente dos democratas cristãos se sente na cadeira do comando, por muito desagrado que isso lhes cause e tenham de ser postas condições limitativas às “arrancadas” muitas vezes surpreendentes, por excesso de “eu” e falta de “nós” do homem do largo do Caldas. Deve ser bonito!
É evidente que apresento esta possibilidade sem a menor crença que tal suceda, mas como teoria não pode ser posta de parte. Pode ser uma forma tosca de Sócrates e Passos Coelho ultrapassarem a birra que ambos sustentam mutuamente, mas quanto a isso poder ser considerada uma atitude racional, disso está muito distante.
Seria bom que, ao longo da campanha eleitoral que até já teve início de forma subreptícia, qualquer dos dois grupos partidários com hipóteses de atingir o primeiro lugar pusesse em claro a solução que encontraria se a mínima vantagem dos votos os colocasse perante o dilema de terem de se entender para formar Governo, posto que os cidadãos ficariam esclarecidos e tomariam a sua opção com menos dúvidas e não cairiam em soluções de recurso, como poderá ser a de optarem por qualquer grupo partidário que não se encontre perante este dilema. Quer em qualquer dos dois lados extremos do quadro ideológico.
Portugal necessita de um Executivo que, perante as soluções saídas do estipulado com o grupo técnico europeu que permitiu que nos fosse concedido o empréstimo, que aí há-de vir ainda em prestações, dos 78 mil milhões de euros, e o problema não se ultrapassa com remendos políticos que obriguem a que o que ficou estipulado na ajuda firmada acabe por não ser totalmente cumprido, por ausência de cumprimento da nossa parte.
Não é que a Troyka tenha solucionado em absoluto a grave situação económica, financeira e social do nosso País. Muito longe disso. Pois que, se não conseguirmos aproveitar aquilo que nos foi concedido e de que não havia forma de rejeitarmos ou discutirmos, posto que quem pede não põe condições, antes se sujeita às que lhes são propostas, então é que bem poderemos ir preparando a cova do enterro nacional, já que, por muito “desorgulhosos” que estejamos por terem sido de fora que apareceram as ordens para termos de melhor o nosso comportamento de alguma infantilidade, ao não ter aparecido da nossa parte outra solução teremos que apelar ao juízo e portarmo-nos bem até sairmos da posição de parque de menores em que andámos entretidos.
As propostas que tenho apresentado neste meu blogue e que considero serem providas de certa precaução e de bastante esforço de pensamento, assim como outras que apareçam por parte de quem deseje participar na reconstrução nacional, muitas delas poderão ter alguma utilidade. O que é preciso é que os que se colocam enraizados nas posições de dirigentes não se convençam que têm o exclusivo da razão e não aceitem as ideias de boa vontade que os compatriotas com mostras de preocupação apresentem. Porque os têm de haver, o essencial é que lhes dêem passagem e não teimem em manter o acesso reservado ao que consideram ser o seu exclusivo da capacidade.
Sem grandes esperanças de que, no molho de concorrentes ao Governo que se apresentam em 5 de Junho, existam pessoas com tal humildade, não deixo de encher o meu blogue de dúvidas, e, já que ninguém me paga para as ter, pelo menos uso-as para fazer pensar quem não se vai encolher na passiva posição de abstencionista. Que é o pior que pode suceder quando não somos levados pelas opiniões dos outros que nos rodeiam e sabe-se lá com que intenções e com que conhecimentos.
Mais do que nunca, os portugueses têm obrigação de exercer a responsabilidade de escolher. Mesmo (salvo seja) que mal. Devem pensar nas consequências que a soma dos votantes irá oferecer a Portugal. E isso para que, depois, não se queixem de que tudo ficou na mesma ou ainda pior. Não estamos numa altura em que, bem à portuguesa, “seja o que Deus quiser”.
O tempo que falta é já curto para os portugueses decidirem cada um por si. Que o utilizemos para pensar profundamente naquilo que considerarmos ser o ideal para a resolver a situação em que nos encontramos e para, por muito que nos desgoste ter de mudar de opinião, recordar o que ocorreu de mal e que não podemos, de forma alguma, suportar que se repita.
Dentro da maneira lusitana de sermos, em que não somos grandes apreciadores de estudarmos as matérias antes e só depois verificarmos as consequências, com o nosso clássico “valha-nos Deus”, o risco é que venha a ser ainda pior. É certo.
Mas não nos resta outra alternativa que não seja experimentar coisa diferente. Quem sabe se, desta vez, nos bate à porta a sorte e a caminho dos 900 anos de vivência como País – o mais antigo da Europa -, não nos caberá, no mínimo o respeito de todas as outra Nações que nos deveriam olhar com o respeito que, pelo menos a idade, nos deveria conceder.

sábado, 7 de maio de 2011

COMPREENDER

Entender o que se ouve
perceber o que se vê
tirar a prova dos nove
decifrar o que se lê

Parar para reflectir
a dúvida não agradar
é forma de conseguir
sentir sempre um bem-estar

Mas fingir que compreende
só p’ra mostrar simpatia
depois d’algo se arrepende

pois quando num outro dia
a’lguém repetir pretende
aí enfrenta arrelia

A MENOS MÁ DAS POLÍTICAS



ACRESCENTO ALGUMA COISA ao que ontem foi expresso neste espaço. Muito haverá a referir no propósito de contribuir para que Portugal consiga encontrar maneira de, pelo seu próprio pé, alterar profundamente o sistema que tem sido utilizado quase desde que o País foi criado, ainda que levando em conta que diversas situações foram preenchendo a nossa História, algumas mais eficazes mas outras verdadeiramente demolidoras. Mas o que importa agora é apresentar propostas que, dentro do regime democrático que tem que ser mantido a todo o preço, aproveite na totalidade as vantagens do modelo, ainda que se não se possa esquecer o célebre princípio avançado por Winston Churchill de que “a Democracia é a menos má das políticas”.
E é ao retirar-lhe as partes que não beneficiam a sua aplicação prática que se poderá atingir um ideal que, apesar das deficiências que o Homem introduz em tudo que toca, não transformem o respeito pelas opiniões dos outros num completa demagogia, que é o caminho mais fácil e atractivo que, todos os que de democratas apenas possuem o nome, se servem desse factor para tirar partido do estabelecido.
Como princípio básico da vida, só os que se podem considerar como os melhores, de entre os conjuntos de indivíduos que formam uma linha de actuação, é que devem ter o direito de assumir a condução dos restantes, sendo escolhidos por todos e, no caso de terem ocorrido enganos nas classificações, rapidamente devem proceder à emenda para se ir a tempo de não prolongar os erros que os destacados tenham cometido.
Indo mais dentro da prática democrática e dado que os homens não são iguais, havendo os melhores, os piores, os mais conhecedores e os ignorantes, como existem os convencidos da sua importância, ainda que relativa, e os que, conscientes da sua pouca ciência, se entregam à preocupação de aprender cada vez mais, existindo de tudo e, de uma forma geral, competindo aos outros efectuar as apreciações e as escolhas, nem sempre a colocação no pedestal é feita com bom senso, justiça e rigidez de critérios, sendo frequente que o número um não atinja tal posição, o que fez foi ter usado de uma especial habilidade para se destacar aos olhos dos que se dispõem a servir de juízes. Enganar não é assim tão difícil.
Não se descobriu ainda uma forma correcta de se praticar a Democracia sem que existam partidos políticos, cada um defendendo princípios ideológicos que consideram ser os que melhor servem as liberdades, não devendo por isso ignorar-se se, em alguma ocasião, que todos têm o direito de seguir as normas em que acreditam, sempre e quando não interfiram com as que os outros grupos consideram ser o mais merecedores. É difícil, pois é, mas ser adversário não pode representar, em nenhuma circunstância, um inimigo. Ter gostos diferentes não significa que só o nosso é que tem direito a ser aplaudido pelo resto do mundo.
Esta uma regra que, se os seres humanos fossem compostos por animais racionais que procurassem a convivência ainda que as suas cabeças não funcionassem todas para o mesmo lado (digo assim para fugir da linguagem de muitos políticos portugueses, que só se preocupam em evidenciar uma cultura que, quase sempre é falsa), e assim se poderia considerar o ideal do entendimento na Esfera terrestre em que temos de viver. Só que não é isso que se passa em todos os quadrantes e tal a razão por que se verificam constantemente, desde que o homem é homem, disputas, confrontos, ataques e defesas, acusações, mortes por violências e toda a espécie de zangas que, desde que o mundo é mundo e em que o chamado Homus Sapiens procura impor as suas vontades, não houve altura em que tivessem sido evitadas.
No nosso caso, neste Portugal em que actualmente vivemos, desejando que não se repitam as desavenças políticas que nos costumam atormentar, agora que estamos a aguardar o dia 5 de Junho, para constatarmos quem vão ser os privilegiados (chamemos-lhes assim), que, de acordo com o sistema democrático em que assentamos, surja o partido, isolado ou em companhia para que obtenha mais força, e em que por alcançar maior número de votos será quem, a partir daí, indicará o indivíduo que entende ser o melhor preparado para se sentar na cadeira do Poder. Mesmo que, na realidade, não o seja.
É o sistema. O povo vota num grupo e é esse mesmo grupo que indica quem satisfaz, segundo o seu próprio juízo, da melhor maneira os seus interesses, ainda que, por vezes, não coincidam com os que o País considera serem os ideais.
Mas que outro regime poderia substituir o que grande parte do mundo aceita como sendo a mais aceitável? O tal “menos mau de todos”…
Não escondo que ando seriamente preocupado com o que se vai passar nessa data tão importante de Junho. Quando a distância entre os dois principais partidos, PS e PSD, nas sondagens não apresentam uma percentagem assim tão significativa que indique estar um dos dois mais perto de sair vencedor absoluto, pelo que, se tal vier a acontecer, a necessidade de recorrer ao CDS, para que o total dos votos possa formar a maioria absoluta, perante um caso destes, o partido “desempatador”, ficará com mais influência nas decisões do que o que se situa em primeiro lugar. Como esta possibilidade não está longe de poder acontecer no panorama à vista do nosso espectro político, teremos que estar preocupados quanto ao que poderá vir-nos bater à porta.
Perante esta possibilidade e não só, a mudança da Constituição que nos tem regido constitui uma necessidade absoluta para evitar situações que, como esta, nos põem perante problemas que não são fáceis de resolver. Seria muito conveniente que nos fôssemos preparando para uma situação que, num leque de dificuldades, exigirá que o homem que vier a exercer as funções primeiro-ministro seja alguém que enfrente as realidades, fale claro ao povo, não faça jogos escondidos e tenha a coragem de assumir os erros que eventualmente vir a praticar, pois que ninguém é completamente perfeito e só pode ser criticado se não reconhecer e emendar.
O Presidente da República apareceu finalmente a dirigir-se aos portugueses e, pondo de parte qualquer pretensão de imodéstia, assinalo que o que eu afirmei ontem no meu blogue parece ter sido lido pelo Chefe do Estado. E eu que não sou um aplaudidor incondicional das acções de Cavaco Silva, mesmo que não possa esquecer que foi no seu mandato como primeiro ministro que negociámos a nossa produção agrícola e piscatória com a Europa, o que reduziu drasticamente a nossa produção de que nesta altura tanto de clama pela sua falta.
Mas agora há que modificar de forma absoluta o nosso comportamento, como povo, como governantes, como interveniente em geral nas instituições do Estado, como sindicalistas, seja como for a nossa intervenção para a melhoria de um Portugal que não aguenta muito mais tempo se não forem utilizados os meios que, mal ou bem, o Tryplex acabou por acordar connosco.
Há ainda que saber se os tais 78 mil milhões de euros que nos são facilitados para, juntando aos outros milhares de milhões que já devemos com juros altíssimos, serão utilizados por mãos bem distintas das que dispôs José Sócrates e mesmo de outras que percam a cabeça com os altos montantes e não canalizem as verbas estritamente para as necessidade inultrapassáveis. E, para além disso, se aquele montante elevado é suficiente para solver compromisso a tempo e horas.
No meu blogue de ontem referi o que constituía a prioridades das prioridades no capítulo da promoção e da criação de empregos. Mas muitas outras formas existem para se dedicar a principal atenção que exigem medidas fortes e valentes no capítulo de abandonarmos até investimentos de segundas e terceiras necessidades.
Mas estar eu por aqui a desfilar medidas para uma gente que, por muito português que eu me considere que seja, um PS, PSD OU CDS, que estão convencidos que sabem tudo e que ninguém de fora, tem o direito de dar “palpites”, antes devendo ficar no seu canto a sofrer as consequências e a discordar, surdo e mudo, com as s medidas que venham a ser tomadas.
O que é pena é também que as publicações, rádios e televisões insistam em querer ouvir sempre as mesmas figuras que, quase que desde a Revolução assentou arrais em Portugal, dizendo sempre o mesmo, não trazendo soluções inovadoras, sejam as que parece terem o público que interessa para as mediações de audiências.
Estamos todos metidos no mesmo “embrulho”. E daqui não creio que saiamos.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

IMAGINAÇÃO


Bendita imaginação
que nos mostra o invisível
aonde não chega a mão
àquilo que é impossível
de alcançar
de agarrar
mas nos traz felicidade
porque dá p’racreditar
que não será p’la idade
que passou tempo d’amar

Imaginar tem defeitos
porque engana quem o faz
coloca tudo a preceito
convence do que é capaz
de fazer
de acontecer
torna os sonhos tão belos
quando acordado se está
imaginam-se castelos
tudo o que bom virá

Imaginar o terrível
coisa que não apetece
é transformar o visível
em coisa que não se esquece
só belezas
não tristezas
mesmo não sendo verdade
o que importa é a alegria
seja qual for a idade
nunca mostrar apatia

E aquilo que não temos
saúde, dinheiro e amor
importa é se parecemos
ter isso ao nosso redor
desfrutar
enganar
quem de nós tem certa pena
não sabendo imaginar
que nesta vida terrena
o bom é imaginar

ILUSÕES, QUEM AS NÃO TEM?




Este texto é longo. Mas muito fica ainda por escrever. O que me enche a cabeça com o propósito de contribuir para que este nosso País consiga sair do atolamento em que se encontra ocuparia um volume inteiro. Por isso o título é o que é.


AO TOMAREM AGORA OS PORTUGUESES conhecimento das duras dificuldades que lhes são impostas pela decisão saída da Troyka, e depois de se ter ouvido o ministro de saída, Teixeira dos Santos, de que s medidas são as necessárias, a pergunta que tem de saltar à cabeça de cada um que se encontra atento as estas coisas “complicadas” do nosso País – que são muito poucas tais mentes que se distraem com outros assuntos mais comezinhos -, é de como é que num Governo com tanta gente lá metida, directa e indirectamente, e agora com uma dimensão de ”politólogos”, como se lhes chama, que aparecem sucessivamente a opinar sobre a situação portuguesa na área da política, não houve ainda oportunidade para que alguém aparecesse a apresentar um rol de sugestões que se tornam essenciais para conduzir Portugal à situação de tranquilidade de que se espera há tantos e tantos anos de História.
Tenho que repisar o que já me saiu nestes escritos de que, de forma solta - como não posso fazer mais do que isso – tenho tido o descaramento de apontar soluções que, pelo menos sob o meu ponto de vista, poderiam ter sido utilizadas ou no mínimo comentadas e discutidas pelos tais “sábios” que mostram vaidosamente serem possuidores de múltiplos remédios, ainda que não passem, aqueles que têm tido nas mãos os meios para sair da teoria e entrar na prática, essa gente que não foi mais longe do que recorrer à intervenção externa (mesmo que se desculpem, atabalhoadamente, de que o PEC 4 resolvia tudo), em vista disso vou hoje, neste blogue, tentar enunciar uma série de medidas que, se me competisse actuar com força num Executivo, faria os possíveis para as pôr em prática.
Julgo que vou ser longo, pois tudo que vou escrever me vai saindo da cabeça, ainda que tenha arrecadado um extenso rol de acções que, sem ordem devidamente esquematizada, se têm vindo a cumular ao longo dos muitos anos de interesse pelo meu País, de actividade profissional que me obriga a acompanhar todos os movimentos que ocorrem nos sectores da política, da economia e do sector social, não ficando nunca indiferente ao que vou entendendo dever ser a acção que os responsáveis devem seguir.
Tem sido afirmado repetidamente - e o problema não é apenas de hoje nem só por culpa da malfadada crise que paga, neste década, as favas todas – que, a par de outras falhas ou até acima de todas elas, o nosso País se debateu sempre com a baixa produtividade de que foi e é autora, não bastando a desculpa de que se trata de uma Nação pequena e pobre para que nos conformemos com o pouco que sai das nossas mãos e é proposto aos outros para ser adquirido. Porque, desde 1974 estamos reduzidos ao rectângulo continental e às Ilhas Adjacentes, tendo antes contado com um espaço colonial enorme, para não recordar o que sucedia no tempo em que o Brasil pertencia à nossa administração e Goa, Damão e Diu e, mais recentemente, Timor estavam incluídos no mapa das propriedades lusitanas.
Pois bem, quando a área portuguesa se reduziu ao que somos hoje, beneficiando da implantação da Democracia e da integração no espaço europeu, a comparação que poderia ser feita era com parceiros deste Continente que ainda têm menos área territorial do que nós, a Suiça, o Luxemburgo, a Irlanda do Norte, a Holanda, a Islândia e tantos outros que não vou agora aqui descrever, até para não ser obrigado a verificar os quilómetros quadrados de cada um para não falhar na comparação. E, no que respeita à situação geográfica, a nossa até se pode considerar como privilegiada, bastando até referir a maior zona oceânica que nos rodeia e que tantos outros, mesmo grandes países, bem desejariam possuir. Desse modo, passando a utilizar a moeda que a maior parte dos 27 membros também consideram sua, assistindo a desenvolvimentos de outros povos que não se queixam da sua pequenez nem do aperto geográfico que alguns sofrem, o natural seria que nos adaptássemos rapidamente às circunstâncias que surgiam e reconstruíssemos a nossa vida de harmonia com o panorama que nos era oferecido.
Já não vivíamos sob um regime de opressão, as múltiplas cabeças que democraticamente poderiam ter actuado não estavam limitadas a pressões dirigidas por altos poderes e os partidos políticos estavam libertos de defender princípios que cada um entenderia ser o melhor. Ao povo coube-lhe passar a escolher. Que mais era então preciso?
Mas, se no passado histórico nunca demos mostras de saber tirar partido das boas ocasiões que o mundo nos proporcionou e nós lá fomos capazes de utilizar, satisfeitos e vaidosos com as descobertas, não tivermos o mérito de, ao mesmo tempo que levávamos o conhecimento actualizado a povos em estado de atraso absoluto, introduzindo apenas a nossa língua e mesmo essa não na totalidade dos territórios, não conseguimos obter o retrocesso merecido das riquezas que, logo a seguir, outros países, a Inglaterra e a Holanda, entre vários, extraíram com grande proveito. Se, pelo menos o tal rei Manuel I não tivesse feito o disparate de expulsar os judeus, bastante benefício teria sido conseguido com a sua habilidade de introduzir progresso nos sítios por onde passavam e passam.
Mas, sem entrar nos pormenores da nossa História que eu, no meu poema em 10 cantos, chamado LUSOFONIA, descrevo numa inspiração pobre de OS LUSÍADAS, chegando até aos nossos tempos – um dia será publicado, mas sem eu cá estar -, não deixo de me lastimar pela fraca postura portuguesa que os seus mais de 800 anos de vida bem ganharia em ter aproveitado para benefício de todos os lados E entro directamente nas acções que, na situação em que nos encontramos, deveríamos tomar de imediato. Isso para ver se se conseguirá, ao mesmo tempo que se vão pagando as dívidas que obrigam a que se contraiam ainda outras até ao final da década que temos pela frente, ir progredindo no sector da produtividade própria.
Falemos de desemprego e de produção insuficiente. E uma coisa está ligada à outra. Sabemos que o interior de Portugal não tem a ocupação humana que necessitaria para fazer desenvolver as áreas, sobretudo agrícolas, que têm vindo a ser abandonadas e que, na época de Cavaco Silva, como primeiro ministro, foram paralisadas com os dinheiros que a CEE nos ofereceu, isso ao mesmo tempo em que, sob o ponto de vista industrial, então ainda mais distantes se encontram tais áreas do aproveitamento que deveria ter-lhes sido atribuído. Pois era aí mesmo que deveria ser dado o primeiro passo, podendo uma máquina promocional a funcionar (e refiro-me aqui, de novo, à AICEP, esse instituto, agora nas mãos, por enquanto, de Basílio Horta e que deveria fazer o trabalho que lhe compete) que, por esse mundo fora e dado que tem muitas delegações espalhadas por múltiplos países, lhe cabe a obrigação de atrair financiamentos industriais para serem utilizados em Portugal, para o que a ofertas de terrenos e das maiores facilidades fiscais constituiriam uma maneira de pôr o nosso País a produzir e a exportar. Mas, para tal, impunha-se efectuar um estudo bem estruturado das nossas capacidades em atrair grandes e pequenas empresas a deslocarem-se para Portugal, sendo que aí a nossa mão-de-obra poderia ser utilizada. Não é não senhor, impossível de concretizar esta ambição. Só nos basta pôr nos lugares certos as pessoas certas e exigir-lhes resultados rápidos e concretos. Ou isso ou a rua…
Mas, na zona agrícola, que se encontra tristemente parada, basta recordar o que já foi objecto de um estudo da minha parte, em que Israel, que visitei com este objectivo variadas vezes, quando esse pequeno País pleno de problemas em redor quis atrair para a sua Terra Prometida o maior número possível de judeus para irem desenvolver os terrenos agrícolas (por sinal com uma má terra própria para produzir), acolheu gente vinda de países como a Rússia, Polónia e outros, quase todos pessoas letradas e com conhecimentos científicos bem distantes da agricultura, a atitude prática que tomou foi a de criar os “kibbutzin”, espaços destinados a acolher e a preparar gente não agrícola a dedicar-se a essa actividade, o que sucedeu com enorme sucesso, como se verifica hoje em que o alto nível de produtividade daí proveniente representa a capacidade daquele povo que é um modelo de resistência.
Quer dizer, olhando para o nosso caso, o que está por fazer num primeiro passo, é a ocupação e exploração de todo o interior português, não deixando um metro quadrado por utilizar seja com que actividade for, sendo que essa iniciativa teria o duplo valor de juntar o útil ao agradável, isto é a produção agrícola e a atribuição de emprego e eventualmente residência a quem se encontra incluído nos quase 800 mil indivíduos sem trabalho, número este em vias de ir aumentando.
E na parte industrial, a ajuda financeira que também pudesse ser dada às propostas que surgissem apresentadas por quem mostrasse capacidade para meter ombros a iniciativas com pés e cabeça, criando-se mesmo para isso instituições que tivessem o objectivo de estudar e ajudar os mais atrevidos, ao mesmo tempo que se convidavam empresas estrangeiras também se daria ajuda aos nacionais.
Claro que, para isso, se impõe que as burocracias tão do nosso agrado sejam arredadas e limitadas ao essencial, e para que tudo resulte com sinal positivo haverá que modificar completamente o nosso espírito de complicar, havendo todo o cuidado, há que dizê-lo, em não permitir que as corrupções se infiltrassem nos meios de decisão, para o que o sector da Justiça teria que ser reformulado com mão de ferro por forma a anular, tanto quanto possível, os habilidosos que se aproveitam sempre das circunstâncias parta retirar algum proveito das boas intenções dos outros.
Só agora é que “descobriram” que há Concelhos e Freguesias a mais neste nosso espaço, o que era evidente desde há centenas de anos mas que se entendia ser conveniente que assim fosse quando o regime político desejava ter sob controlo todo o País e para isso era conveniente tê-lo o mais dividido possível, pois se assim é impõe-se que a redução dessas instituições ocorra com a maior rapidez, sem hesitações. Vamos ver se é isso que irá ocorrer ou se, como é costume, passarão os anos e ficaremos na mesma. E, obviamente, é absolutamente necessário que o sector governamental disponha de uma maioria absoluta no Parlamento que lhe permita não estar sujeita a contestações de opositores que impeçam pôr em funcionamento os objectivos desejados e, no capítulo da Constituição, o mínimo essencial para que esse sector seja actualizado é um dos factores que muito ajudará a modificar o sistema em que nos temos movido.
Mas, tal como estas, múltiplas situações não podem perdurar, pois está mais do que visto que se tratam de entraves ao nosso desenvolvimento e, sobretudo, à mentalidade que perdura nas meninges lusitanas, tais anulações de atrasos devem constituir as prioridades do elenco governamental que sai vencedor no próximo dia 5 de Junho. Que é forçoso dar o golpe de misericórdia nos comportamentos que estão enraizados na nossa “portugalidade”, essa atitude tem de constituir o conteúdo principal das intenções dos próximos governantes.
Não somos capazes de reconhecer os nossos próprios defeitos. E de declará-los abertamente, mesmo que seja um Presidente da República a fazê-lo, pois que este não existe apenas para inaugurações e para tudo fazer para se manter no lugar ao longo de dez anos. Quanto mais elevado é o cargo maior responsabilidade deve ser assumida e só fica bem que, quando erramos, reconheçamos publicamente que a intenção era boa… mas que o resultado saiu mal. Ainda não entenderam os nossos políticos que os portugueses, sendo muito “discutidores”, porém, quando presenciam um arrependimento logo perdoam e até choram no ombro…
Fica-me tanto para expor que, depois do longo discurso que deixo, julgo que seria exagerado propor mais tempo de leitura a quem se tenha disposto a seguir o que acumulo nestes meus pensamentos. Mas, depois de tanta demonstração de pessimismo que não tenho podido evitar nestes meus blogues diários, dar a conhecer que bastante de criativo existe em mim que poderá melhorar um pouco a ideia que fazem os que me seguem, essa pretensão ser-me-á perdoada e bem desejo que tal suceda.
Quem não estiver de acordo com o que escrevo que o diga abaixo. O que é preciso é que, com educação e regras, a Democracia seja exercida neste País onde todos são “democratas” desde que os não contrariem!...

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A GULA

Querer tudo de uma vez
e ter medo que se acabe
não aceitar o talvez
de haver alguém que se gabe
de comer tudo
não deixando depois nada
do petisco saboroso
p’ra sorver uma garfada
do que estava apetitoso
ficar pançudo

Isso dos olhos comerem
põe bastante gente fula
faz os gulosos temerem
não satisfazer a gula
grande defeito
a temperança por si
é da ânsia o contrário
o guloso só se ri
nem chama a isso calvário
bom proveito



JÁ COMEÇOU A GUERRA!




ERA INEVITÁVEL. Não sei se haveria muita gente que esperasse outra coisa que saísse da boca daquele Sócrates, quando as televisões anunciaram que o primeiro-ministro ainda em exercício falaria aos portugueses às 20,30 horas para lhes dar a conhecer o resultado das negociações com a Troyka que ainda se encontra em Portugal.
Como sempre sucede com quem não é pontual a não ser para participar nas corridas que constituem a sua única forma de não fazer batota quando está em competição, apareceu atrasado, o que também poderá ter constituído um aumento de ansiedade por parte dos compatriotas que se mantinham em expectativa para conhecer o que os esperava para o futuro.
E, mesmo na companhia de um carrancudo, também ainda ministro das Finanças, e que, pelo aspecto, confirmou que as relações com o seu chefe não andam nada agradáveis – esperemos que a situação se venha a esclarecer logo que esteja passado este período de interregno com o que vai passar-se depois das eleições -, o que foi ouvido da boca de quem nunca foi capaz de ser sincero em todo o período da sua chefia do Executivo foi uma lista de vantagens e de esperanças que a Troyka tinha deixado, graças, segundo ele, a ter acolhido e seguido o PEC 4 que, de harmonia com o seu grupo, constituiu a causa da crise governamental que abalou a nossa serena vida política.
Os que ainda mantinham alguma esperança de que, nesta fase em que se aproximam as eleições, já não se verificasse uma repetição de afirmações que não têm nada a ver com a realidade nacional, esses, que talvez não sejam tão poucos como se poderá imaginar, respiraram de alívio, particularmente perante a notícia de que os dois meses suplementares de ordenado que fazem parte das contas das famílias lusitanas se mantinham, pois que corria aceleradamente o aviso de que essa regalia iria ser das primeiras a cortar nos orçamentos nacionais.
E, para além desta forma de alívio que fez respirar fundo os muitos portugueses que até já tinham gasto por conta o tal subsídio de férias, mais uns tantos resultados que saíram das negociações com a Troyka, todas, aproveitou José Sócrates para propagar o seu PEC 4, comprovando que as Oposições se tinham comportado mal ao recusar aprová-lo no Parlamento.
Quer dizer: não se tratou de uma informação pública daquilo que vai passar a constituir um período largo de maior aperto, como será inevitável, e que uma actuação já desnecessária de repetir por parte do grupo que se manteve na governação no mandato e meio que colocou o País como ele se encontra, mas sim de um aproveitamento para antecipar o período eleitoral que está a aparecer.
Não vou aqui repetir as críticas que lhe foram feitas, com razão ou sem ela, por opositores políticos que se preparam para entrar na luta renhida que aí vem. Seria tempo perdido. Mas não escondo que cada vez aumentam mais as minhas dúvidas quanto ao que sairá da escolha dos portugueses quando forem chamados a depositar o seu voto nas urnas. Não me admirará nada se o partido que mantém à frente o seu secretário-geral Sócrates der luta renhida à pretensão do PSD em ocupar o lugar tão desejado de comandar os destinos de Portugal, e mesmo que não alcance o lugar cimeiro, provoque algum problema no capítulo de encontrar a fórmula ideal do conjunto de parceiros para formar maioria.
E, no caso do CDS, devido a uma actuação de Paulo Portas, que se tem de considerar como manhosa mas eficiente, também a competição poderá obrigar a alianças que não serão as mais eficazes na situação que surgir.
Por mais difícil que se apresente o futuro político nacional, com as dívidas enormes por liquidar e em que a Troyka nos concede um empréstimo que não vai chegar para fazer frente aos compromissos existentes, custa a acreditar que existam ambições para se ser primeiro ministro (como o Portas não esconde), tal é a vaidade que consegue comprometer os homens, dado que sabem que não sairá dos seus bolsos o que constituem os compromissos que serão assumidos.
Por agora vamos assistir – como já se está a verificar – às acusações que sairão em catadupa dos participantes vários que subirão aos palanques para darem mostras da sua importância e do valor das suas propostas. Nisso, por cá somos mestres. Mas o pior é que os momentos dolorosos a que estamos todos condenados, nós os dez milhões que não vamos beneficiar das regalias que são sempre destinadas aos que se sentam nos vários poderes, a nós ninguém consegue tirar os sacrifícios a que estamos condenados e haverá sempre os que continuam a dispor de carros e motoristas à porta e que, sacudindo a água do capote, se preocupam em acusar os outros de serem os culpados de cada situação.
A mim, já nada me provoca admiração. Assisto às propagandas que por aí tanto circulam como se vivêssemos numa feira em que os vendedores gritam a boa categoria dos seus produtos e o baixo preço que custam. Mas todos, o único que fazem é enganar a freguesia.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

AGONIA

Os meus poemas são feitos com esforço
para lá mesmo do que posso
e insisto
e persisto
e quero convencer-me
que vale a pena.
É uma pena !
Não leiam, não,
faço questão
são um desastre.
Mas vou escrevendo
lá vou fazendo
e, se possível, com certa rima
que se aproxima
da perfeição
que é p’ra agradar
ao paladar
de quem os sabe saborear
devagar
p’ra não ter indigestão

Assim lá saem
maduros caem
triste figura
pobre do homem que não resiste
e que insiste
nesta falsura
de ser poeta
que é uma treta
digo eu, não sei,
se houvesse lei
que dominasse
e não deixasse
ser poeta quem não pode sê-lo
não estaria aqui a escrevê-lo,
e a lê-lo.

Poupava-os a este flagelo
Será que isso de ser poeta, cabe em mim?
Por fim !
Ou sou eu quem não cabe na poesia?
Que agonia !

ÃNSIA



HAVERÁ MUITOS PORTUGUESES que, nesta altura, às 19 horas de terça-feira, dia 6 de Maio, se encontrem ansiosos por conhecer o que decidiu a Troyka que garantiu que hoje comunicaria que medidas iriam ser tomadas para que Portugal possa beneficiar do empréstimo que, neste momento, já sabe que ultrapassam os 100 mil milhões de euros? Será que a maioria do povo nacional tem esse assunto a incomodá-lo?
O que a televisão, agora mesmo anunciou, é que, pelas 20 e trinta horas, José Sócrates irão anunciar ao Pais de que constam essas decisões. Mas como eu dei início à escrita deste blogue antes desse anúncio, o que faço apenas é transmitir que. da minha parte, existe uma expectativa que não me deixa tranquilo. Logo, vou interromper este desabafo e só o continuarei após ter digerido o que o primeiro-ministro de saída vai dizer.
E aqui venho eu depois de ter visto e ouvido o campeão do optimismo a dizer, num resumo resumido, que afinal não há motivos para os portugueses estarem preocupados. E, sobretudo, que o tal PEC 4, o que serviu de motivo para a demissão do Governo, e que não deveria ter sido utilizado para que se tivesse criado a crise política interna que está agora a decorrer.
Como boas notícias, caso elas venham a confirmar-se, é que não ocorrerá o corte por agora do subsidio de férias, ainda que tenha ficado por esclarecer qual o juro que vai ser aplicado pelo empréstimo que ficará estabelecido. Quanto ao resto, começarão agora as disputas verbais entre os adeptos socratianos e as oposições, cada um a defender os seus pontos de vista, ainda que não se conheçam concretamente pormenores importantes e sejam ignoradas as contas públicas, havendo que aguardar pela comunicação que a Troyka fará certamente e em que teremos todos nós portugueses que retirar todas as dúvidas que pairam nas cabeças daqueles que têm algumas noções destas coisas da governação…. o que é a maioria da população. Também se ficou a saber que o montante do empréstimo andará pelos 78 mil milhões de euros. Vamos a ver se chega.
Mas as eleições que estão à vista vão servir de matéria para que, de um lado e do outro – com o CDS à espreita -, surgirem os ataques mútuos e com a população a aguardar o que lhes vai sair na rifa, o que, nem é preciso ser optimista ou pessimista, corresponderá à realidade que, por agora, ainda se encontra na obscuridade.
Que Portugal vai utilizar o empréstimo enorme que lhe está destinado, isso já é certo. Que juro vai ser pago, esse é ainda um mistério. Que vão aparecendo as condições que nos são impostas, essas pertencem também s um vago conhecimento, pois só foi revelado por Sócrates o que o povo gostava de ouvir. Porém, no capítulo daquilo que é fundamental para se poder ir juntando dinheiro para nos libertarmos dos credores, ou seja quando à formulação de regras e procedimentos que nos levem a conseguirmos ser um País produtivo, no que respeita a esse factor encontramo-nos na mesma. Há que aguardar pelo resultado eleitoral do dia 5 de Junho para podermos fazer uma ideia daquilo que, a não aparecer, não resolverá a razão de fundo de nos encontrarmos a dever a toda a gente… É esta a nossa ânsia. E pelo que disse o negociador por parte do PSD, Eduardo Catroga, não podemos ficar assim tão contentes como o Sócrates pretendeu deixar expresso. Quem terá razão para que a tal ânsia não seja assim tão justificável?
Por agora e a esta hora da noite, é o que me sai neste blogue. Vai-me estragar a dormida o ficar a pensar no que não digo e não escrevo. Os optimistas que durmam descansados!...

terça-feira, 3 de maio de 2011

REI DO MAL

Os animais batem-se, mas não fazem guerra
Mas os homens, esses sim, mutilam, destroem
Querem dar cabo de tudo, cá nesta terra
Ao contrário do ditado, matam e moem

Se fossem apenas os humanos que exterminam
Apesar do mundo ficar sem movimento
Sempre restaria algo do que arruinam
E que depois cresceria, ainda que lento

As plantas, os rios, esse mar infindo
Isso, o homem depois de desaparecer
Quando o ser humano for dado como findo
Tudo florescerá e voltará a crescer

E não são somente as bombas que fustigam
Que fazem em pó cidades, nações inteiras
Os homens, esses maldosamente castigam
E fazem das florestas enormes braseiras

Por isso a pergunta que se faz é esta
O que será o pior de tudo, afinal
Será a guerra, essa monstruosa besta
Ou é na génese o homem o rei do mal ?




A GRANDE NOTÍCIA



O MUNDO PAROU. SERIA VERDADE? Osama Bin Laden teria, de facto, sido morto ao fim de dez anos de uma organização tão eficiente como é a americana nestes casos o andar a perseguir?
Mas há muitas dúvidas que ainda se põem. O ter sido atirado o seu corpo para o mar, para não ficar nenhuma zona onde pudesse vir a ser utilizada como local de devoção, essa atitude dará garantia de que o morto será, na verdade, o tal acusado de milhares de mortos, incluindo a medonha destruição, há dez anos, das torres gémeas de Nova Iorque, de ter sido apanhado? Esperemos que sim.
Em todos os casos, a realidade é que o terrorismo que está implantado por todo esse mundo não se baseia apenas num homem. Hoje em dia está difundido por uma série de “sucursais” que têm a seu cargo utilizar os meios do chamado “suicídio terrorista” que, basta haver uma cabeça louca e completamente dominada por uma raiva, para mais com a crença de que, após cada acto, o destino extra terrestre fica garantido num paraíso de enorme felicidade, para que determinadas criaturas, geralmente ligadas à fé muçulmana – mas não só e não é um exclusivo dessa fé – resolvem enveredar por essa prática.
Por outro lado, quantos seres humanos não haverá que tudo dariam para conseguir obter a divulgação da sua imagem por toda a Esfera, ainda que para isso se tornasse necessário praticar actos do tipo dos que Bin Laden foi o mentor?
Afinal, para se solucionar um problema que ocorra na superfície da Terra, com frequência não basta apenas uma determinada acção para pôr ponto final no que provoca certa preocupação. Quase sempre são necessárias múltiplas atitudes para que um objectivo seja alcançado. Por exemplo, o caso complicado em que Portugal se encontra.
Estaremos todos nós convencidos no nosso País que chegará que se realizem as próximas eleições do dia 5 de Junho para que o problema nacional fique solucionado? Ao conseguir-se um grupo governamental que, obtendo a maioria parlamentar, logo se consegue que tudo entre nos eixos?
Conforme eu não me canso de divulgar neste meu blogue que o mal do mundo tem um nome específico, chama-se Homem, pois que são as suas acções que ocasionam os desentendimentos sucessivos e as dificuldades em chegarem a acordos que, de um lado e de outro, merecem um mínimo de compreensão e de bom senso e bastante de humildade, não consigo mudar de opinião e de passar a conferir maior confiança nas decisões que têm de ser tomadas, ainda que algumas delas não sejam do nosso inteiro agrado. Daí o não poder fazer outra coisa, no caso português actual, que não seja ir votar no próximo dia 5, mesmo engolindo sapos vivos, e assistir ao que vai ocorrer logo a sair, às discussões entre os principais responsáveis, à continuação da falta de acordo para que se ultrapassem as dificuldades financeiras mas que, acima de tudo, Portugal passe a ser uma Nação produtora e o seu povo mude de atitude passiva e cómoda de deixar para os outros a obrigação de darem o máximo de si para que saiamos desta “dolce vitae”, que é como quem diz fazer o menos possível.
Mesmo que os desperdícios de milhões de euros que o Estado costuma fazer, baixem alguma coisa, tendo se suportar os aumentos de impostos que são mais do que certos, acrescentando-se alguns buracos aos cintos dos habitantes, mexendo-se nas leis laborais, tudo isso seguramente necessário, o importante é que se dê uma volta de 180 graus no funcionamento do nosso sistema. É na produção que o problema reside. É na agricultura de Norte a Sul, bem orientada e modernizada, na pesca no nosso enorme espaço oceânico, mas, sobretudo, na criação de zonas industriais no interior do País, convencendo empresas sólidas estrangeiras a vir beneficiar das facilidades que têm de se propagar, utilizando a mão de obra nacional que, também ela, tem de ser motivada a fazer o que é capaz de mostrar quando funciona na emigração, são nessas várias medidas que podem residir as soluções que, mesmo tardando a implantar-se, são as únicas que podem colocar o nosso País no lugar que nunca teve.
Se Osama Bin Laden morreu ou não, e oxalá que sim, é tema importante para o mundo inteiro. Mas o nosso problema caseiro, ainda que nos interesse acompanhar em pormenor esse acontecimento, obriga-nos a ter mais do que presente aquilo que também tem a ver com morte, sobretudo com o que se poderá catalogar como suicídio colectivo, o nosso desassossego é diferente e a eventual maneira de sairmos da embrulhada em que nos encontramos, essa está, de certa maneira, nas nossas mãos poder resolvê-lo. E quando digo nas nossas é claro que incluo os dez milhões de portugueses, dos que tomam a responsabilidade de se querer sobressair na exposição pública e dos que, anonimamente, estão incluídos na massa de população que forma o número de habitantes deste rectângulo tão bem colocado geograficamente… e tão mal aproveitado como tal.
Serão capazes todos os portugueses de assumir a responsabilidade que, por menor que seja, lhes cabe?
Essa é a grande questão, com Bin Laden vivo ou morto!...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

TRISTEZAS FADISTAS

As tristezas cá se cantam
motivos há para as ter
cantá-las pouco adiantam
não se deixa de sofrer

Na vida não fica espaço
p’rao mesmo tempo ter tudo
o fado canta o que faço
mas não posso fazer tudo

O fado espelha a alma
daqueles que mais sentem
o cantar algo acalma

Se dizem contrário mentem
pois há quem o leve à palma
e se calam consentem

TRABALHADOR É QUEM TRABALHA



O PRIMEIRO DE MAIO, que este ano calhou a um domingo e, por isso, não constituiu mais um feriado que se poderia juntar aos que anteriormente provocaram as “pontes”, foi simultaneamente o Dia da Mãe mas, com muito mais relevo comemorado, o Dia do Trabalhador, o que proporcionou que a CGTP e, naturalmente, a sua congénere UGT, aproveitassem para organizar manifestações que juntaram uma quantidade de gente que quer dar mostras de que se encontra ligada a este tipo de festejos.
Por minha parte, eu que fui um trabalhador desde que me conheço e que, quando isso até se usava pouco, fui um trabalhador-estudante, não me canso de afirmar que a expressão “trabalhador” que, politicamente é utilizada para fazer contraponto aos que proporcionam trabalho, os patrões, se bem que, sobretudo nas pequenas empresas, sejam estes a dar o couro e o cabelo, sem horários e sem regalias, o que quer dizer que trabalham muito mais do quis os que têm ao serviço e a quem pagam os seus salários.
Mas não é nesta questão que me quero meter, sobretudo nesta época em que existem mais de 600 mil portugueses que se encontram desempregados, ou seja não têm trabalho, havendo bastantes deles que recebem os subsídios que, vamos lá ver o que sucede com a Troyka, não se sabe se não acabarão.
Trabalhador é um título honroso quando os que têm o direito de o utilizar se entregam honradamente à profissão que exercem, ou seja, são pontuais, competentes, e utilizam as horas que lhes estão destinadas explosivamente para contribuir para que o País em que estão integrados aumente a sua produção, o que quer dizer que a distribuição dos rendimentos provenientes da sua actuação serve para tornar mais rica a Terra onde pertencem.
Quanto a patrão é a denominação que se dá a quem arrisca o que tem e frequentemente o que fica a dever para criar empresas, quantas vezes bastante falíveis, o que se traduz em postos de trabalho que, por sua vez, são o sustento dos outros, os que os sindicatos chamam em exclusivo de “trabalhadores”.
Trata-se, pois, de montar uma espécie de “clubite” futebolística, em que, de um lado estão os ditos “bons” e do outro os “malvados.
E é contra isto que não me canso de me revoltar, sobretudo quando oiço os discursos de gente como o Carvalho da Silva, que não é trabalhador nem patrão, mas que defende o seu “tacho” com unhas e dentes, pois o salário que recebe e até a oportunidade que teve para estudar enquanto mantinha essas mesmas funções – o que merece um elogio – é proveniente das posições que toma em que até dá ideias de se tratar de um presidente líbio qualquer, em que não abandona o lugar que ocupa nem que caiam raios e coriscos…
Porque defender os interesses de quem trabalha é uma acção digna, mas o que é preciso é não meter todos no mesmo saco, pois é mais do que sabido que os portugueses, por estilo, vício e costume que vem de longe da sua História não é propriamente um ser que cumpra meticulosamente as suas obrigações, contando-se até por graça, que não tem graça nenhuma, que o desempregado nacional não anda à procura de trabalho mas sim de emprego!...
Numa altura aflitiva de Portugal, em que se necessita urgentemente de tornar o País produtivo, a CGTP e a UGT fariam um melhor serviço se, enquanto lutam pela defesa dos direitos dos que trabalham, ao mesmo tempo recomendassem que cada um de nós efectuasse as suas funções com zelo e com consciência de que estão a contribuir para melhorar o futuro deles próprios mas, igualmente, dos seus filhos.
Mas como é que havemos de aspirar a ter dirigentes sindicais competentes e autênticos se, no resto das outras actividades, no Governo e fora dele, no Parlamento ou onde seja, nos partidos ou por aí, com o que podemos contar é essa gente que somos nós todos e que, nesta altura, nos encontramos à espera de um milagre, seja ele qual for?

domingo, 1 de maio de 2011

NÃO SE APURA

Milhentas questões da vida
muitas delas sem respostas
têm difícil saída
por mais que pesem nas costas

Quantas vezes é o quem
que na pergunta mais pesa
porque não se sabe bem
quem é que escondido lesa

E a forma que utiliza
quem na vida nos persegue
o como nos martiriza
mesmo que isso alguém negue

Que motivo p’ra tal ódio
o porquê de tanta zanga
será algum episódio
que julgou ser uma manga?

E em que sítio tal se deu
onde essa coisa passou
será que alguém se meteu
e o veneno largou?

O dia usado em tal acto
quando esse mal foi feito
nada ficou no retrato
o autor usou preceito

Quem, como, porquê, quando,
onde se deu a maldade
foi igual a contrabando
nunca se apura a verdade

TUDO PODE ACONTECER



NINGUÉM PODERIA IMAGINAR que se chegasse a este ponto. Anos atrás, eram raros os portugueses que se interessavam em estudar a língua espanhol. Era uma raridade. Hoje em dia, no Instituto Cervantes, em Lisboa, já são muitos os alunos que, antevendo a utilidade de acrescentar essa aprendizagem à nossa capacidade nata de falarmos vários idiomas, passaram a incluir o castelhano nesse número. E por alguma razão será.
Só que, de repente, de entre as múltiplas decisões erradas que tomam as nossas governações, foram os professores contratados antes dispensados e, nesta altura, têm de ser não nacionais da vizinha Espanha a tentar leccionar o que mal dominam. Há coisas mais graves, pois há, mas ao menos que não façamos erros mesmo menores!
Ao mesmo tempo e sem comparação a não ser para dar mostras de como somos tão inábeis nas decisões que por cá se tomam, acaba de chegar outro submarino, no valor de mil milhões de euros, fazendo parte da encomenda que foi feita há alguns anos e de que não se descobriu ainda quem é o responsável para poder prestar contas por tão inimaginável aquisição. É o que somos!
Pois, passado este intróito que não constitui qualquer novidade nem para os mais distraídos dos portugueses, o que eu pretendo é tocar, uma vez mais, o carrilhão do alerta. E tocá-lo bem forte, para que possa ser ouvido mesmo por aqueles que costumam fechar os ouvidos quando a conversa não lhes interessa.
Estou a escrever este texto e a ouvir um discurso a passar na televisão e em que José Sócrates afirma repetidamente aquilo que é o seu habitual elogio em boca própria e que pretende constituir a garantia de que o caminho que ele orienta é o mais correcto de todos. Um enjoo!
Está a falar de que são precisas mais exportações para relançar a nossa economia e conseguir o crescimento económico. Como se se tratasse de uma novidade. Como se fosse com palavras que a nossa situação gravíssima se resolvesse. E estou a ouvi-lo referir que são as energias renováveis que “fazem toda a diferença”… expressão que tanto cansa por não querer dizer nada! Assim como a aprendizagem do inglês se tratou de um passo salvador que ninguém antes se tinha lembrado de incluir nas escolas… quando eu e tantos outros da minha idade tivemos de estudar ainda ele não era vivo! Ele que, nesta altura, utiliza aquela língua de forma aflitiva…
E é por estas e por outras que não consigo reter dentro de mim a angustia que me consome e que não me deixa sentir o mínimo de esperança em assistir com vida ao renascimento nacional. Ficar calado é que não fico. E, em prosa ou em verso, digo o que não me sai do pensamento, pois que para alguma coisa terá de servir a possibilidade que alguns têm de usar a nossa língua como forma de fazer o seu blogue ou usar outro meio que deixe para o futuro uma ideia do que sentiam uns tantos portugueses.
E não é necessário ir muito longe. Bastam algumas contas de somar, daquelas que se apr4endiam nas primeiras classes da escola primária para tomar conhecimento da enormidade de euros que vão ser precisos juntar, resultado das dívidas que têm sido feitas e dos juros que Portugal tem vindo a contrair no último ano, os quais chegavam para pagar toda a rede TGV, ou sejam 8 mil milhões de euros, e sem estarmos na posse dos números que o Governo, ainda em exercício, não divulga, podemos afirmar que o total dos empréstimos que nos têm vindo a ser feitos e dos juros que são cada vez mais elevados, chega-nos essa vaga ideia para, sem não criarmos ilusões que nem os nossos bisnetos ficarão libertos de tal carga e se não nos queremos enganar a nós próprios, concluiremos que este País, na sua pequenez, na sua falta de produtividade, com os governantes que temos tido e se os que vierem a seguir os igualarem, não será capaz de pagar a quem deve, e vão ser precisos muitos e muitos anos a desembolsar das nossas (deles dos vindouros) pobres carteiras os montantes astronómicos que quem nos emprestou tem de reaver.
Com novas eleições a bater à porta e em que, neste preciso momento, ninguém é capaz de garantir o que vai sair da votação dos portugueses, por muito que se acredite que o PSD irá ultrapassar a percentagem que calhará aos socialistas, o único que podemos estar certos é de que, depois de um período governamental que nos deixou na miséria em que estamos, o que se seguirá não vai ser um mar de rosas, posto que falidos como estamos e sem vislumbrarmos a maneira de nos libertarmos das dívidas, quanto a mim só prevejo o triste panorama de que não vai ser um mais do mesmo, mas um pior do que antes.
Se não aparecer quem – e será algum desses que se vão apresentar ao eleitorado? – tenha a capacidade de convencer os portugueses que não chega carregar nos impostos e diminuir (imprescindível) os gastos, mas que o essencial é que este País comece, por fim, a produzir aquilo que importa e que é muito (pois não se perdeu o costume de deixar de comprar o que é estrangeiro) e que se lance na luta de competir, em exportações, com o que outros países fazem – desde que seja melhor e a preços mais aceitáveis -, se essa personalidade não existir o panorama que se apresenta é o mais negro que poderemos todos imaginar.
Tem de haver alguém que se lance na campanha de descobrir o que é que poderemos fabricar por cá e para isso todo o investimento que seja feito em estudos de mercados esternos é dinheiro bem empregado. Esse AICEP (Instituição que, se bem gerida, pode e deve ser duma forma de salvação nacional e de que sai agora Basílio Horta, e onde deve ser colocado alguém que tenha valor, inteligência, sentido elevado de responsabilidade e imaginação suficientes para descobrir mercados para nos dedicarmos apenas a tarefas que tenham aí assegurados compradores, atraindo ao mesmo tempo capitais de fora para, com facilidades atractivas da nossa parte, os convençamos a utilizar no nosso território, até com ofertas de terrenos disponíveis pelas Câmaras Municipais e garantias de mão-de-obra do nosso povo para aqui se instalarem (com contratos de trabalho que, por muito que sejam contestados pelos sindicatos, serão os únicos a atrair produtores), essa instituição acompanhada também de uma abertura plena de facilidades e vária ordem que sejam melhores do que as que obtêm os que investem noutras nações, tudo isso poderá ser uma forma de, ao longo de muitos anos, podermos tentar sair do buraco em que estamos metidos. E deixem lá os tais partidos retrógrados, que se clamam de Esquerda, como se a posição geográfica de um partido é que desse indicação de que actua correctamente face às necessidades de um País - o mesmo digo eu em relação aos que se dizem de Direita - a bramar contra tais medidas, pois que sem tais actuações o nosso funeral está mais do que marcado. Iremos parar ao fundo… E, ao mesmo tempo, seria uma forma de chamar população portuguesa que abandonou as terras do interior, por um lado por via da conversa em que Cavaco Silva caiu para receber compensações europeia para diminuir a produção agrícola, e igualmente porque lhe faltou actividade nas povoações de origem, o que quer dizer que, se um PS ou PSD tivessem pegado nestes temas para os incluir nos seus pseudo-programas talvez algum interesse eleitoral despertassem no próximos votantes.
E, claro, para tal também é forçoso mudar a mentalidade de trabalho do nosso povo, pois sem um afinco que sabemos ter quando o utilizamos nas emigrações, sem isso não passaremos da cepa torta. Não é por se estar muitas horas para executar uma tarefa que se é produtivo, mas sim fazer o mesmo trabalho e bem no mais curto espaço de tempo possível!
Não escondo que não acredito que sejamos capazes de pagar as dívidas acumuladas, seja qual for o resultado das próximas legislativas. Se não houver ajuda externa, adiando largamente nas datas de vencimentos das dívidas e reduzindo de forma drástica as percentagens dos juros que aceitámos, bem podem vir eleições e mais eleições, presidentes e mais presidentes, que dar a volta a isto é que não será possível.
Nas duas declarações públicas que o PS e o PSD entenderam dar a conhecer ontem, para além de serem imensamente vazias de conteúdo prático, só servem para provocar ainda mais a confusão nas cabeças dos portugueses que ainda estejam dispostos a ir depositar o seu voto nas urnas no próximo dia 5 de Junho. Propostas concretas, claras e exequíveis, zero. Ignorância, falta de coragem, ausência de programas com pés e cabeça, referindo sobretudo a verdade dos factos e que é a de não termos forma de solver as nossas dívidas de empréstimos dentro dos prazos estabelecidos disso ninguém abriu o bico.
Não é agradável ler este texto, bem sei. Mas se houver outra maneira de nos safarmos, então que apareça quem tiver a receita. Eu, por mim, e depois de uma vida de trabalho, não sou capaz de tirar da manga uma solução que agrade aos que estão satisfeitos com o que têm…
Com esta “tropa”, a vitória para o confronto que temos pela frente não dá nenhuma ideia de estar vencida…
Este longo texto não é, evidentemente, um programa de Governo, embora eu me confesse capaz de elaborá-lo com matéria suficientemente convincente para atrair uma enormidade de hesitantes. E apenas com propostas exequíveis.
Mas, felizmente eu não sou político, muito embora tivesse em tempos sido aliciado para me sentar no Parlamento. Mas eu não me dou bem a dormir nas cadeiras e a ter de estar de acordo com aquilo que, mesmo de olhos fechados, não merece o mau acordo e não é possível encontrar de um parceiro disposição bem educada para se tentar encontrar soluções que, somados os dois pontos de vista, talvez constituam maneira de se resolver um problema.
Discutir não é comigo!

sábado, 30 de abril de 2011

DESCULPA DO VENTO


Haverá alguém culpado
daquilo que eu aqui sou
com os ventos
cataventos
se fiquei cá deste lado
é porque alguém assoprou

O vento é uma desculpa
para mostrar um motivo
seja esse
bem merece
que possa abarcar a culpa
mesmo sem ser exclusivo

Seja quem for não importa
estou aqui é verdade
correria
ventania
se entrei por certa porta
sairei com humildade

Depois será o que for
nas trevas e sem ruídos
apatia
calmaria
quer beleza quer horror
não custarão os sentidos

O vento é coisa de vivos
quer mansinho quer zangado
arejando
maltratando
ás vezes traz donativos
outras mostra o seu enfado

Se sou aquilo que sou
os ventos não são chamados
inocentes
ou ausentes
quando for chamado eu vou
tal e qual outros finados

Vento sem culpa, ventinho,
não tem nada a ver comigo
assim sou
quando vou
ou quando irei de mansinho
p’ro meu derradeiro abrigo

VELHOS E NOVOS PAÍSES



OS NOSSOS MAIS DE OITO SÉCULOS de História são evocados frequentemente como motivo para reforçar as acções que tomamos em determinados momentos, como quem tem de se dar sempre razão a quem é velho apenas e só por essa circunstância. Como Portugal passou pelas mais variadas situações e delas, melhor ou pior, lá prosseguiu a sua existência, cada vez que temos pela frente um problema ainda que com gravidade acentuada logo toca o sino da longevidade para animar os sofredores de que, desta vez, também sairemos airosamente e caminharemos em frente. É uma forma muito lusitana de arredar asa dores e as aflições.
Na fase que atravessamos cá nos encontramos nós perante mais um período em que a solução para sairmos de um aperto que as circunstâncias nos criaram e os optimistas garantem que um País não desaparece assim e que, desta vez tal como das outras, continuaremos a seguir a nossa vida e, melhor ou pior, Portugal manter-se-á a acumular anos sobre a sua longa permanência.
O caso que tem sido tão falado nos últimos tempos da atitude tomada pelos islandeses para se conseguirem libertar das consequências de uma crise que suplantou a maioria das aflições por que passaram e ainda passam (vide o que ocorre connosco) tantas nações em diferentes partes do mundo, mas especialmente na Europa, o que um País com apenas 67 anos de idade – pois tornou-se independente da Dinamarca em 1944 – tem vindo a fazer naquela ilha friorenta lá no alto do Continente deveria ser estudado de forma profunda por todos nós que, aqui neste rectângulo, falamos demais e actuamos sempre de maneira curta.
Logo após a falência dos bancos islandeses e sem dinheiro do Estado para os salvar, foi logo criada uma Comissão Especial de Inquérito, cujo objectivo foi o de destapar todas as acções que foram as causadoras da situação a que chegaram e denunciar os compadrios que retiveram na origem nas corrupções, nos buracos negros de muitos milhões de euros, na pobreza e no desemprego. E, dois meses depois de terem aparecido os primeiros sinais dos efeitos da crise, logo se foi tomando conhecimento dos autores e dos responsáveis principais pelas ocorrências e um grupo formado apenas por seis elementos, todos competentes, logo foi vasculhada toda a história dos banqueiros mal comportados, das fortunas suspeitas de terem saído das criminosas actuações de uns tantos, dos responsáveis políticos que não foram capazes de usar os seus poderes para pôr ponto final numa situação que merecia ser devidamente condenada.
O relatório que foi posto à disposição dos islandeses, feito em apenas seis meses, deu conhecimento à população do que se tinha passado e foi daí que a Islândia começou a dar os passos que foram considerados indispensáveis para tirar o País do a fogo em que se encontrava. E foi a partir daí que toda a população, dando as mãos, pondo de lado preferências ideológicas na política, reescrevendo uma nova Constituição e reforçando a República instituída, tem vindo a conseguir melhorar o que dava mostras de não ter remédio. E, claro, os responsáveis têm vindo a ser obrigados a prestar contas.
Não acrescento o muito que há a referir no que respeita à actuação de um País que, encontrando-se lá nos altos da Europa, sem História para se gabar, tem constituído um exemplo que a mundo deveria aplaudir.
Não me permito fazer comparações. Tenho pelos velhos o maior respeito e os que deixam boa obra merecem ser recordados e acarinhados. Mas o que não podem é teimar em cometer os mesmos erros e não ser capazes de reconhecer que, por vezes, a idade cansa e provoca alguma teimosia que deve ser posta de lado para dar lugar a ideias novas que, também elas, resolvem problemas de acordo com as técnicas actuais.
Seria bom que algumas cabeças pensantes do nosso País fossem estudar na Islândia o que pode um País com menos de um século ensinar aos velhos.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

FELIZES E INFELIZES

Quando nós bramamos aos quatro ventos
infelicidade que nos calhou
não podemos esconder os lamentos
a que a má vida nos obrigou
queremos que saiba a maioria
o muito que sofremos nesta vida
o que é isso da grande agonia
o que nos coube na grande corrida

Só posso dizer num breve poema
que esse mal da infelicidade
que consideramos grave dilema
seria a maior felicidade
para os mais infelizes ainda
aqueles que não tendo mesmo nada
considerariam mudança linda
chamando a isso obra de fada

Não sejamos então grandes chorões
aceitemos aquilo que nos fez
sofrer constantemente abanões
e desfazendo as rugas da tez
chegar a este ponto cá da vida
trocar a nossa infelicidade
com tanta boa gente mais sofrida
p’ra eles seria felicidade