sexta-feira, 25 de março de 2011

PORTUGUESES QUE SOMOS


QUANDO SE CONTEMPLA, como me sucede neste momento, em que escrevo o presente texto (quinta-feira, dia 24 de Março, pelas 17 horas) e na televisão nos é dado observar os membros em boa cavaqueira e que se preparam para reunir em Conselho Europeu, a pergunta que nos salta à cabeça é se todos esses vários responsáveis dos diferentes países que formam o conjunto do nosso Continente têm a mais pequena ideia da forma como se comportam os portugueses, sobretudo nesta altura em que o primeiro ministro demissionário, José Sócrates, se apresenta nessa qualidade de político que, ainda que fosse pela sua própria vontade, não teria outra forma de sustentar o lugar que ocupava.
É certo que, da nossa parte, também não nos podemos arrogar do privilégio de sermos conhecedores profundos das formas de pensar dos diversos povos europeus ali representados, mas, fazendo o exame ao contrário, não podemos deixar de reconhecer que, no caso dos lusitanos, é bem mais difícil que os outros entendam perfeitamente quais são as nossas maneiras de actuar perante situações que exigem bom senso, tranquilidade, sentido apurado de defesa dos interesses que dizem respeito ao grupo populacional de que fazemos parte. Sobretudo na área da política, somos nós próprios cá de casa que não temos capacidade para prever as reacções dos parceiros de língua e de Pátria face a situações mais complicadas.
Posto este desabafo, que não adianta nem atrasa no capítulo de alterarmos a nossa maneira de ser, agora que nos encontramos já aliviados de um governante que, no decorrer do seu mandato, o que fez foi ter colocado Portugal numa posição de afundamento progressivo da sua já tão difícil situação de que a crise mundial foi grande contribuinte, perante a sua demissão de moto-próprio para se adiantar ao que lhe aconteceria por decisão alheia, o que faria bem, a todos nós portugueses que iremos deitar o nosso voto na altura em que isso for requerido, era reflectirmos um pouco sobre aquilo que temos sido e ainda somos, ou seja, metermos bem a mão na consciência e penitenciarmo-nos por este nosso feitio de passar a vida de mão estendida na pedincha de auxílio dos outros e, quando o obtemos, não o utilizar com o devido proveito o que nos chega.
Com excepção da altura em que, perante o Plano Marshall, a seguir à Grande Guerra, Salazar recusou o apoio que nos foi oferecido, com sucedeu a outros parceiros da Europa, alegando não necessitarmos de “esmolas”, mais recentemente, por via da nossa adesão à CEE, não deixámos nunca de participar das várias ofertas que nos foram proporcionadas. Mas, infelizmente, sem tirar todo o proveito que cabeças bem pensante não desperdiçariam.
Vamos a exemplos:
Quando, sendo Portugal o País com maior área marítima, logo que nos foi proposto reduzir a frota marítima, sobretudo a pesqueira, a troco da facilitação financeira que nos foi oferecida, de imediato nos pusemos de mãos estendidas e não hesitaram os governantes da altura em seguir o caminho mais fácil, mesmo que isso representasse, como sucedeu, a perca de uma actividade produtiva que, nesta altura, poderia e deveria fazer parte do sector de aumento de riqueza e de possibilidade de exportarmos o que nos sobrasse, numa altura como aquela o que interessou foi receber de fora e não houve quem reflectisse no sentido de prever o futuro.
Mas o mesmo sucedeu em relação à agricultura. Também, a troco de pararmos de cultivar e de aproveitar as características próprias da nossa temperatura propícia a anteciparmo-nos umas semanas da produção hortícola e frutícola do resto do Continente, meteu-se ao bolso o qu3e pareceu ser uma oferta dos deuses e os campos nacionais ficaram à mercê daqueles que, em vez de tractores e de maquinaria agrícola moderna, se regalaram com automóveis topo de gama e com viagens de milionários. Agora choram com a pouca produção que conseguimos, num período em que tanta falta nos faz o equilíbrio das contas nacionais.
Pois é a torcer a orelha que os portugueses tomam consciência de que a situação económica e financeira do País não encontrará equilíbrio sem o auxílio do estrangeiro e que serão necessárias várias décadas para podermos – se pudermos – não ser uma Nação, aqui na ponta da Europa, a assistir ao desenvolvimento de tantos povos que, esses sim, nunca voltaram as costas à produção e foram capazes de ultrapassar as crises que lhes surgiram.
Não venham agora deitar as culpas só a um Sócrates que, por péssimo e destruidor que tenha sido e foi, não pode ser acusado isoladamente do que se sofre actualmente e daquilo que vai ainda passar-se por este País. Somos todos nós, os que não gostamos de utilizar o tempo de que dispomos para, nos horários respectivos, não nos distrairmos com disfarces de produção, que é forçoso que tomemos consciência das diferenças de actividade produtiva que nos separam dos povos que se encontram já na senda do progresso, mesmo aqueles que estiveram submetidos às ditaduras de vária cores.
Por hoje, não me dedico a referir o que vai suceder, politicamente falando, neste nosso País à beira mar plantado. Já com a Primavera chegada. Pelo menos recebamos um pouco de optimismo, com ou sem acordo ortográfico que, como se vê, ainda não faz parte da minha semântica.

quinta-feira, 24 de março de 2011

IR PARA ONDE?

Ir a caminho e parar
não cumprir obrigação
ficar a gozar o ar
como outros também farão

Não quero
não me apetece
não entro em desespero
esperem que eu regresse
pode ser que algum dia
me salte a tal vontade
e por artes de magia
seja qual for a idade
lá prossiga
a caminhada
com mão amiga amarrada

Mas ficar onde estou
sentir a monotonia
mas sem saber p’ronde vou
metido com fantasia
nisso não sinto prazer
tal coisa não me alegra
não sei que deva fazer
preciso de certa regra

Vou andando
sem destino
e se paro não sei quando
num enorme desatino
julgando que era p’ro Norte
por isso cheguei aqui
só confiando na sorte
se foi para o que nasci
mais valia ter ficado
nas origens paternais
não atingiria o estado
de procurar ideais

Se em dada altura da vida
já não interessa o caminho
pois se está certa a partida
quando é que não adivinho
para trás ou para a frente
agora tanto me dá
se há quem comande a gente
ir p’raqui ou p’racolá
não quero
nem me apetece





INTERVALO NO DRAMA


FOI UM VERDADEIRO FARTUM o que ontem foi mostrado, através da televisão, com a Assembleia da República a evidenciar o que são os vários pontos de vista políticos que não coincidem nas soluções dos problemas que se apresentam. No ponto de vista do debate foi vasta a exposição, mas o País já não se compadece com queixas e com acusações. O que precisa é de encontrar o caminho que o desvie das constantes escorregadelas, políticas, económicas e sociais antes ocorridas e que, precisamente neste período concreto, não deixam margem para um recobro que o doente já aguenta mal.
Não importa relembrar agora as razões que cada uma das Oposições – e estas com motivos nem sempre comparáveis -, apresentaram para não votar favoravelmente o PEC 5 que o Governo, fora de prazos institucionais, teve de sujeitar ao veredicto do Parlamento. Já se esperava o resultado e o próprio José Sócrates, mostrando mesmo a sua falta de coragem para dar a cara às consequências, não aguentou manter-se presente no Hemiciclo e aproveitando a hora marcada, provavelmente de propósito, da sua entrevista com o Presidente da República, deixou o lugar vago na bancada do Governo. A história contará o sucedido.
Mas o momento é, de facto, de enorme preocupação. Acabado que está o “reinado” de Sócrates, pedida que foi a sua demissão ao Presidente da República, que podem esperar os portugueses do que vem aí a seguir? Nas circunstâncias em que se encontra Portugal, será que a Europa, por muito que tenha dado a impressão de que fazia muitos mimos ao primeiro ministro que era nítido estar de saída, vai dar mostras de que é capaz de dar a ajuda de que tanto necessitam os seus substitutos?
Não posso deixar de marcar posição no meu pouco feliz hábito de ter razão antes de tempo. Quando, tempos atrás, não fugi ao prognóstico no que respeita à vinda do FMI, se bem que por via do Fundo Europeu e ainda que não já amanhã, não era que fosse meu desejo essa chegada, mas havia que ser coerente e antever o que se tornava inevitável. E é isso que, inevitavelmente, irá suceder.
Agora, há que esperar pelas eleições que têm de decorrer entre 15 de Maio e 15 de Junho, data mais que garantida pelas circunstâncias, e em que os portugueses são obrigados a participar em grande número, posto que não se podem alhear da responsabilidade que lhes cabe na escolha. E, como Sócrates anunciou há dias, ele lá estará para discutir o lugar que pôs agora à disposição. Então veremos.
Foi pena que não tivesse sido apresentada ao País, por um acordo prévio dos partidos, pelos menos os que não se mostram muito radicais, uma possibilidade de ser constituído um Executivo de recurso proposto ao Presidente da República, de que fizessem parte membros do PS, PSD, CDS e até da própria Esquerda mais longínqua. Claro que a condição essencial seria a de que não fizesse parte desse Governo quem se encontrou sempre na berlinda, José Sócrates, mas, em qualquer dos casos, esta suposição, tenho de reconhecê-lo abertamente, não passa de uma fantasia que só seria viável num paraíso onde os seres humanos não participassem.
Claro que, da parte dos cidadãos portugueses, as exigências que o PEC transporta e que já foram negociadas em Bruxelas, sem autorização das instituições nacionais, essas serão aplicadas e resta ainda saber se o tão apetecido subsídio de férias ainda fará parte este ano do hábito português.
Fica-se agora à espera daquilo que Cavaco Silva virá dizer ao País, pois que não é de crer que se mantenha aquele mutismo que já enerva. Não é que as suas palavras acrescentem algo ao que já foi largamente proclamado pelos diferentes participantes no burburinho político que teve lugar hoje (ontem, parta quem me lê).
Ao fim de um dia que nem correu muito mal em Lisboa, a nível de Sol, a correr como sempre faço redijo este texto. Fica muita coisa para dizer, mas estarão fartos, creio, todos os que não se alheiam dos problemas do nosso País e já não suportam muita comentarice…

quarta-feira, 23 de março de 2011

COMENDADORES

Ilustres personagens elas são
fazem sempre lembrar as honrarias
convencem-se que não foi por bizarrias
que lhes coube na rifa tal brasão

Um rei, um presidente, tanto faz
acordou de manhã com tal lembrança
ou foi a consorte que com bonança
recomendou alguém como capaz

E assim nasce mais um premiado
é alguém que, de facto tem valor?
será ele quem vai ficar babado

Porque há quem mereça sem favor
que seja e muito bem condecorado,
mas a maior parte comendador?

OS AGOSTINHOS


NÃO É QUE SE POSSA CHAMAR de uma grande surpresa, não porque a figura que nos deixou se encontrasse em estado extremo de doença, mas porque a sua idade já era de molde a situá-lo numa barreira que não se encontraria assim tão longe da última, se bem que, cada vez mais, a caminhada humana se prolongue para lá do que antes era considerado impensável.
Morreu Artur Agostinho e aqui está mais um acontecimento que me leva a contar alguma coisa que se relaciona com os múltiplos contactos que eu tive com imensas personalidades, nacionais e estrangeiras, e, neste caso, com o antigo locutor português, especialmente depois da sua estadia no Brasil, consequência do mau tratamento que lhe foi dado por cá após a Revolução de 25 de Abril. É que antes disso, ainda que eu exercesse a profissão de jornalista, as nossas posições em relação ao sistema político então vigente, por razões entendíveis não proporcionavam a mesma confraternização que eu mantinha com outros colegas. Isso, para além de a sua área ser a desportiva, especialidade de que eu nunca fui grande sabedor.
Acompanhei, no entanto, o processo que o PREC lhe fez passar, com a prisão sem julgamento e, por isso, a sua decisão de partir para o Brasil, onde procurou, durante alguns anos, exercer uma profissão que lhe garantisse, a si e à sua família, o mínimo de subsistência. Mais ou menos na mesma altura, outro profissional da televisão, Henrique Mendes, partiu para o Canadá, também insatisfeito com o ambiente que lhe foi criado aqui em Portugal.
Como os dessa época se recordam – a memória é a sensibilidade mais traidora a que o ser humano tanto necessita recorrer - , o semanário “o País” que eu lancei e dirigi durante dez anos, pretendeu ser uma publicação indiscutivelmente independente de correntes politicas, pelo que incluía nas suas páginas uma coluna denominada “Coluna da Esquerda” e outra com o título de “Coluna da Esquerda”. E isso, precisamente porque, na primeira, tomavam posição semanal o Fernando Piteira Santos, Jaime Gama e Manuel Alegre e na contrária e dado que tinha recebido das duas figuras atrás referidas, Artur Agostinho e Henrique Mendes, pedidos seus para dizerem de sua justiça, posto que se consideravam mal tratados e sentiam saudades do contacto com os compatriotas a residirem em Portugal, pelo que foram mantendo, por isso, uma assiduidade de textos que vinham de onde se encontravam então.
E essa colaboração prolongou-se, com as características de se tratarem de pessoas obviamente magoadas com o sistema político que passou a ser seguido em Portugal.
Entretanto, na coluna contrária, os colaboradores ligados ao sistema revolucionário, comprovadamente de esquerda, ocupavam o espaço que lhes estava destinado e que se manteve ao longo de bastante tempo, dando possibilidade de comparar pontos de vista contrários que, segundo sempre defendi e defendo, é através da troca de opiniões que se pode e deve manter a busca pelas soluções mais apropriadas aos problemas que envolvem os seres humanos. O saber ouvir e, enquanto isso, manter-se calado e esperar pela sua oportunidade para contradizer o que considere errado, essa atitude está ainda por praticar em Portugal, razão pela qual tantas discussões, ofensas, agressões verbais se verificaram e se continuam a manter no nosso panorama político, o que conduz a que não consigamos encontrar a via para solucionar as situações complicadas que, sempre e progressivamente, se agravam cada dia mais na vida portuguesa.
Mas voltando ao Artur Agostinho, numa das minhas deslocações ao Brasil, nessa época plena de emigrantes portugueses saídos da camada empresarial que não tinha sido bem tratada pela nova vaga revolucionária que aqui se instalou e que dava mostras da sua revolta, sendo esse o local de língua portuguesa fora de portas onde o meu semanário “o País” gozava, depois do desportivo “A Bola”, do mais elevado número de vendas, nessas circunstâncias, tendo combinado com o antigo locutor um encontro no Rio de Janeiro, tive nessa altura ocasião de ouvir de viva voz as suas queixas em relação ao que lhe tinha ocorrido por cá e, naturalmente, a opinião que exprimia não tinha a menor semelhança com a euforia que, entretanto, aqui se vivia e que só perdeu força no momento em que Vasco Gonçalves começou a fazer das suas…
Mal podia prever o então destroçado com as ocorrências nacionais que, anos mais tarde, depois do seu regresso definitivo e da sua nova participação na vida artística, televisiva e outras, acabaria por receber novamente o aplauso do público e pudesse vir a ser até condecorado pelo Presidente da República, mostrando mesmo vaidade em exibir, na botoeira do casaco, o sinal de que tinha sido reconhecido como comendador.
Mas tudo isto obriga-me a incluir neste relato algo que ocorreu no intervalo de uma coisa e de outra: quando foi inaugurada a sede no largo do Rato do PS, realizando-se ali um copo de água, encontrava-me eu em conversa com Mário Soares em pleno salão principal quando, num vozeirão de grande poder, do fundo da sala se me dirigiu o seu portador, largando esta frase:
- Oh José Vacondeus! Ficas a saber que se continuas a publicar no teu Jornal os textos daqueles reaccionários, eu não escrevo mais na Coluna da Esquerda. Ou eles ou eu!...
Imagine-se o meu espanto. Olhei para o Mário Soares, que permaneceu calado, e a única coisa que me veio à fala foi o que não consegui impedir que saísse:
- Pois olha, Então eles!...
E fez-se um silêncio que até provocou no Mário Soares um certo espanto. E não se verificou mais conversa.
É que, de facto, não sendo eu um íntimo nem de Artur Agostinho nem de Henrique Mendes, provavelmente o que seria natural é que lhes tivesse dado a conhecer que terminariam ali os seus desabafos enviados de longe. Mas não consegui sujeitar-me a uma imposição idêntica a tantas outras que me tinham sido feitas ao longo do anterior regime político. E, nessa época, o único a fazer era obedecer.
Levando em conta os largos proveitos que tantos obtiveram e continuam a conseguir pela aceitação absoluta das linhas estabelecidas pelos patrões partidários que se situam no poder – e era nessa ocasião o caso -, os erros de cálculo e de não aproveitamento das circunstâncias favoráveis, sejam elas quais forem, que se apresentam… bem se pagam. Mas, em contrapartida, dorme-se mais tranquilo. Ainda que lutando contra todas as dificuldades que a vida coloca.
Morreu, pois, Artur Agostinho, pessoa que, eu reconheço, ao contrário de tantas outras que me proporcionaram ter podido deitar-lhes a mão como é natural entre os seres humanos, e passaram por cima e não deram mostras em qualquer ocasião do que lhes tinha sido proporcionado pelas circunstâncias, de terem usufruído de uma oportunidade – por acaso oferecida por mim -, no caso do agora falecido esse nunca deixou de, cada vez que me via, apertar-me fortemente a mão, como sinal de que tinha bem presente que, naquele dia no Rio de Janeiro, eu lhe fui oferecer a possibilidade de exercer uma actividade jornalística compensada, como era a de se passar a editar “o País” também no Brasil, sob a sua orientação, para o que existia ali um patrocinador disposto a apoiar a ideia. Infelizmente, essa oportunidade foi por ele aproveitada mas com outra iniciativa, pois lançou, isso sim, uma publicação desportiva, o que me desgostou na altura, mesmo que, no seu caso, por sinal não tenha resultado. Mas como não costumo manter pela vida fora angústias que só servem para provocar ainda maiores tristezas do que aquelas que somos obrigados a suportar pelas circunstâncias, acabei por deitar para trás das costas o que tinha ocorrido.
Houve mais tarde ocasião e por sua iniciativa, de ele se referir já aqui em Lisboa, ao facto, lastimando não ter correspondido ao meu gesto de confiança que lhe transmiti, anos atrás, naquele restaurante no “calçadão” do Rio. Eu, por mim, nunca me mostrei disposto a relembrar tal episódio. O que lá vai, lá vai…
Agora, mais uma vez, pois, atravessando um dia que marca uma situação de despedida, repete-se este hábito tão português de surgirem os “amigos de sempre”, os “feiticeiros do Oz” as figuras que nunca faltam nas imagens televisivas e outras, tirando partido em seu proveito do facto de uma personalidade que desaparece ter tido alguma coisa a ver com quem fala dele.
Chegou, pois, a tua vez Artur. Pelo menos, embora tenha sentido na pele, há 36 anos atrás, os efeitos de uma mudança do sistema político que se viveu e a que ele, por não sentir necessidade de tomar outro caminho, dando a impressão de se encontrar perfeitamente adaptado, conseguiu depois reaver os efeitos benéficos da mudança que se operou e acabou por receber uma comenda que o antigo regime não entendeu nunca proporcionar-lhe. As coisas que a vida oferece!
Quem ainda consegue ser reconhecido em vida, sejam quais forem os dissabores por que tenha passado, pelo menos parte com a sensação de que valeu a pena!
A tempo, registo a casualidade de, num dia, se verificar o falecimento do Artur Agostinho, para, no que se segue e em que se regista o seu funeral, ocorrer algo que marca também o anúncio de outras exéquias. As do Governo de Sócrates, seja qual for a maneira como tais ocorrerão.
A diferença entre os dois acontecimentos é que, se no íntimo de muitos dos portugueses se verificará, creio, uma manifestação de alegria, no exterior do conjunto o que formará um panorama generalizado é o pavor pelo que se vai passar a seguir e quais as consequências de um passo que, nesta altura, oferecem perigos enormes no ambiente do exterior e dos nossos credores, que já são muitos.
Pois que, tal como sucede nas famílias que ficam sempre a aguardar ansiosamente o que lhes caberá no testamento deixado pelo defunto, esperando ser alguns mais beneficiados do que outros, e, no caso nacional, os que já foram contemplados já há bastante tempo que se vêm servindo das mãos largas do que tiver desaparecido, porque os restantes têm de agarrar agora os problemas e procurar não serem piores administradores do que foi o que se escapou a tempo…
Perdoa-me Agostinho ter misturado alhos com bugalhos, mas não consegui resistir à oportunidade. Afinal, é a minha pequena vingança por me teres pregado a partida no Brasil e de que eu já me tinha esquecido!

terça-feira, 22 de março de 2011

FELIZES E INFELIZES

Quando nós bramamos aos quatro ventos
infelicidade que nos calhou
não podemos esconder os lamentos
a que a má vida nos obrigou
queremos que saiba a maioria
o muito que sofremos nesta vida
o que é isso da grande agonia
o que nos coube na grande corrida

Só posso dizer num breve poema
que esse mal da infelicidade
que consideramos grave dilema
seria a maior felicidade
para os mais infelizes ainda
aqueles que não tendo mesmo nada
considerariam mudança linda
chamando a isso obra de fada

Não sejamos então grandes chorões
aceitemos aquilo que nos fez
sofrer constantemente abanões
e desfazendo as rugas da tez
chegar a este ponto cá da vida
trocar a nossa infelicidade
com tanta boa gente mais sofrida
p’ra eles seria felicidade

TRISTEZA


POIS É, A CULPA É SEMPRE DOS OUTROS! Esta maneira tão portuguesa de julgar os acontecimentos e de empurrar para alguém as faltas de cumprimento correcto de qualquer coisa que nos atinja, numa altura como esta em que o nosso País se encontra perante mais um dilema que compromete tragicamente o futuro imediato toma foros de grande loucura, pois é de um lado e de outro que se assiste a este tipo de acusações e quem assiste aos dedos espetados dos acusadores, que somos todos nós portugueses, a vontade que tem é a de não continuar a assistir a esse espectáculo desolador e de fugir para horizontes longínquos onde tais cenas de pátio não tenham lugar.
Sendo isso a que se assiste em Portugal sempre que partes antagónicas resolvem discutir em público as suas convictas razões, neste momento concreto em que o Governo, por um lado, defende a sua actuações e acusa as oposições de falta de sentido de Estado – uma das frases feitas que se usam -, do lado antagónico os argumentos utilizados assentam precisamente em pontos de vista que contradizem as afirmações da outra parte.
Não vale a pena entrar aqui em pormenores, por demais conhecidos, do que leva a que a situação política nacional tenha atingido pontos tão baixos e recursos a mentiras que não servem já para justificar as decisões que vão ser tomadas esta semana na Assembleia da República. O que não haverá já ninguém por cá que tenha dúvidas é que não se acabou por chegar a um ponto final na situação tão periclitante em que o nosso País tem vindo a arrastar-se ao longo dos últimos tempos. Resta apenas saber qual a forma como o novo conjunto de governantes será composto e, depois disso, que tipo de actuação terá que se distinga longinquamente da que foi utilizada pelo grupo de José Sócrates.
Deixo na imaginação dos pacientes seguidores deste meu blogue o irem-se entretendo com as suas perspectivas, naturalmente fruto das vontades ideológicas que mantiverem. Posto que, no campo prático, a situação difícil que há que enfrentar não será de molde a trazer-nos uma tão grande felicidade que nos deixe descansados, a nós próprios e aos nossos descendentes.
O filme que nos é colocado para podermos assistir não é propriamente uma comédia. E o drama situa-se na escala dos mais pesados que nos será proporcionado.
Mudarão os actores, é certo, e isso já anima um pouco. Resta saber se as suas representações serão do agrado de quem tem de pagar os bilhetes, ainda que não presencie as cenas de boa vontade.
Vamos lá, pois, para o espectáculo, a chorar até antes de começarem a actuações no palco ou no écran. E já sabemos que esta semana será bastante preenchida de declamações de todos os que estão bem ensaiados para proceder às acusações dos colegas de ofício.
Haja paciência!

segunda-feira, 21 de março de 2011

AMANHÃ

Chegado aqui
a esta hora da vida
já percebi
como foi triste a corrida
desenfreada
cheia de baixos e altos
desencantada
não faltaram sobressaltos
só compensada
pelo intercalar de sonhos
na busca imensa
da fuga dos enfadonhos
e com descrença
contemplo esta vida chã
e no escuro
não me censuro:
pois bem temo o amanhã!...

AMBIÇÕES


UMA DAS CARACTERÍSTICAS do ser humano, sejam quais forem as circunstâncias que atravesse na vida, é a de manter, desde muito tenra idade, uma ou mais ambições em atingir determinados objectivos que irá desenvolvendo na caminhada que tem de percorrer.
As crianças, com a maior ingenuidade, começam por ter apetites de, quando forem crescidos, desempenharem profissões que mais os atraem durante esse período de sonhos, tais como serem polícias, bombeiros ou também de seguirem as actividades dos seus pais. Mas, com o correr dos tempos, à medida que vão avançando nos estudos – e isso na época actual e na mais próxima dos dias de hoje, porque antes essa perspectiva era mais rara -, as ambições vão-se fortificando no espírito de cada um, dependendo os fins em vista de muitas circunstâncias de que, naturalmente e mais ainda no período que atravessamos em Portugal, a ansiedade em dar continuidade profissional proveitosa aos cursos seguidos, enfrentando o dramático desemprego, é que pesará mais nas decisões que têm de tomar em momento apropriado.
Mas, tendo sob observação os homens de hoje e tomando por exemplo mais concreto alguns que se exibem voluntariosamente perante os panoramas televisivos – que é a grande atracção que movimenta essa classe de gente que surgiu com vida no período da Revolução de 74 -, pode-se nessa camada constatar que a actividade política é a que atrai inegavelmente uma boa porção de homens e mulheres que se aproveitam de tal via para atingir os objectivos que têm em mente e que, se seguissem as carreiras que os seus estudos lhes poderiam proporcionar, nem de perto nem de longe se aproximariam de algo que lhes pudesse proporcionar as regalias que uma entrega bem calculada a um partido que esteja situado razoavelmente na tabela ou, no mínimo, em condições de poder subir no seu escalão, lhes poderá proporcionar.
É evidente que esta observação se aplica a muita gente que, ao longo dos últimos 36 anos e sobretudo nas épocas mais recentes, tem andado atenta às oportunidades que as circunstâncias lhes oferecem e, não excluindo os indivíduos que alinham em partidos por única convicção ideológica, que os haverá, embora poucos, uma grande parte só tem ido entregar a sua inscrição partidária após um estudo cuidadoso das possibilidades de utilizar essa escolha como trampolim para, não só obterem, por exemplo, um lugar bem guloso de deputado na Assembleia da República, como o poder esgueirar-se por entre os muitos concorrentes aos múltiplos objectivos possíveis, de maneira a conseguirem um apoio dos já instalados em tais agências de empregos e, sobretudo, o caírem nas boas graças do chefe principal que lhes poderá deitar uma mão se derem mostras de serem fieis seguidores dos passos, sejam eles quais forem, que os “patrões” partidários considerarem como sendo os fundamentais para mostrarem fidelidade.
Foi sempre assim. Antes do 25 e depois. Nada mudou nesse particular. Logo após a Revolução, quando surgiram os que eu chamei sempre de “revolucionários de pacotilha” e de “democratas à pressa”, e até na época actual, em que os “salvadores da Pátria” surgem por todos os lados, posto que têm podido contar com um ambiente propício criado pelo desastrado José Sócrates, nesta altura concreta, tudo se propicia para abrir largas portas aos que se considerem nas condições ideais para gritar aos portugueses que reside neles a salvação de Portugal.
A queda anunciada de um Governo que se encontra em estado moribundo e as razões que se observam nas derradeiras gaffes cometidas pelo ainda primeiro-ministro, para além do descontentamento nacional que é bastante generalizado em relação ao Executivo, tudo isso, com o principal partido da oposição a declarar-se preparado para substituir o actualmente em funções, havendo dúvidas de que, em eleições antecipadas que venham a ser efectuadas, a maioria absoluta possa caber ao PSD, era mais do que óbvio que o grupo político, situado na linha da direita e que se encontra mais interessado em prestar a ajuda necessária para juntar votos, não iria perder a oportunidade de se oferecer para tal e é aí que o seu presidente actual, Paulo Portas, aparece para levar a cabo uma ambição que se lhe nota e que, provavelmente, desde o primeiro dia em que anuiu à actividade política, ainda que subalterna, constitui uma meta que desejava atingir.
E como, tempos antes, foi o escolhido para exercer umas funções que não lhe estavam, de todo, adaptadas às suas características, as de ministro da Defesa (imagine-se…), nas quais não deixou boas recordações e em que a história dos submarinos ficará gravada no seu “curriculum”, a meta agora idealizada está mesmo a ver-se qual é: a de poder vir a conseguir as funções de primeiro-ministro, eleito por um CDS para quem, na reunião partidária que aconteceu neste fim-de-semana em Viseu, não mostrou o mínimo pejo em declarar abertamente que a sua ambição é de a ver os portugueses votarem em massa no grupo que chefia, mesmo que, até agora, a percentagens de aderência dos portugueses tenha sido bem diminuta.
É evidente que a liberdade política que nos rege não permite que nada nem ninguém possa obstar a que um cidadão nacional se proponha a ocupar, mediante a escolha popular, um posto que deposite nas suas mãos os maiores poderes que um Estado democrático oferece. Isso deixo claro.
E como eu não sou o português mais indicado para opinar nestas circunstâncias, haverá seguramente quem se encontre em melhor posição para o fazer, no que diz respeito à disponibilidade demonstrada por Paulo Portas. Eu, por mim, que o conheci quando foi pedir emprego ao semanário de que eu era sub-director, “o Tempo”, tinha ele então os seus 18 anos, fiquei logo com a convicção de que se tratava de um jovem pleno de ambições, pois já se classificava ele próprio, ainda que sem a menor experiência, com condições para ser um excepcional jornalista. E, a partir daí, fui acompanhando o seu trajecto.
Todavia, contemplando o que constituiu a obra de José Sócrates, tendo assistido a todo o mar de equívocos, de erros, de convicções ruinosas que colocaram Portugal no estado em que se encontra, sou levado a imaginar que, tratando-se o presidente actual do CDS de uma personalidade também permanentemente utilizadora do “eu”, falando sempre em nome pessoal, não obstante dever fazê-lo como um conjunto de pessoas, com a convicção plena de que ele é tudo e os outros pouca coisa, de que a verdade está sempre do seu lado e de que nunca erra e nem precisa de ouvir os parceiros para depois aparecer a comunicar os resultados, não utilizando o “nós” mas sempre o “eu”, não dando a ideia de que terá alguma vez coragem para se confessar publicamente enganado, ao pôr as duas figuras lado a lado e utilizando todas as possibilidades que a comparação pode permitir e que seja aceitável nestes casos, eu, por mim e aqui neste texto sem ambições, só pode dizer que, claro que Sócrates nunca…, mas quanto a Portas não escondo que tenho as minhas dúvidas. E cada vez que o oiço falar em público e contemplo os seus modos… interrogo-me.
Menos-mal que as possibilidades caem sobre um homem, Pedro Passos Coelho, de que não existem ainda razões para apontar grandes falhas, por muito que haja quem o culpe de o PSD ter deixado passar Orçamento e PECs que talvez pudessem ter ficado pelo caminho. Não me resta outro refúgio que não seja depositar o mínimo de esperança de que, por muito mau que seja o panorama, pelo menos vimo-nos livres da figura que tem de ser julgada, pelo menos pela História. Oxalá não me engane.
Já que a dúvida é o que nos envolve nesta fase periclitante do futuro imediato nacional, pois ao menos que nos refugiemos nesse ténue chapéu de chuva, à espera de que não venha aí nenhum tsunami ou coisa parecida, pois que nessas circunstâncias não haverá quem nos salve!...

domingo, 20 de março de 2011

ESQUECIMENTO

Esqueço-me de tudo e de nada
do importante e do singelo
e de forma desvairada
já não sei se vou fazê-lo
e até o que eu prometi
e do que nunca esqueci
o olvido é constante
o puxar pela memória
é acção de cada instante
dava p’ra longa história
pôr em ordem todo o drama
a lista dos esquecimentos
que arde como uma chama
e que voa com os ventos

Este esquecer sem fim
me faz olvidar de mim

O QUE INTERESSA


QUE INTERESSE PODE TER, aos que por cá se vêem envoltos no problema principal que nos aflige, que o mundo se encontre nesta altura a enfrentar um número enorme de problemas que, pela sua periculosidade e dadas as consequências que se antevêem no horizonte, o mais próximo mas também que surgirá a um prazo que nos atingirá a todos, que razões existem para que os portugueses se incomodem excessivamente se, as situações que ocorrem entre as nossas portas, o termos de encontrar forma de solucionar o maior imbróglio que por cá existe e que se chama Sócrates é isso que nos atinge directamente e o resto é lá com os que se defrontam com berbicachos que os obrigam a solucionar cada um em sua casa?
Na verdade, ao seguirmos os noticiários televisivos e as crónicas que ocupam todos os espaços escritos quer pelas redacções quer pelos colaboradores avulso – e, claro, não excluo os “blogues” -, constatamos que os motivos base de tais escritos e de imagens se filiam no que ocorre nesta fase que se classifica como sendo de uma crise política com que o País se encontra confrontado. A continuação do Governo chefiado por José Sócrates situa-se, no período que estamos a atravessar, o maior acidente que poderia ter chegado até nós e a solução desse fantasma é o que ocupa toda a atenção dos portugueses.
Ao redigir este texto tenho também de concordar que, dentro do princípio de que cada um cuida de si e que com o mal dos outros podemos nós bem – frase bem portuguesa e que se encontra enraizada no espírito bem nacional -, realmente não há desgraças no mundo que possam sobrepor-se àquela de que andamos a sofrer as consequências na pele há, pelo menos, dez anos. Mas, ao parar para reflectir com absoluta independência, não posso deixar de contemplar todo o panorama que o mundo nos está a mostrar desde há já algum tempo e resignar-me a considerar que temos todos nós por cá a sorte de não terem ocorrido neste nosso rectângulo os dramas que fazem sofrer populações e países que se encontram na fase de deitar mãos à obra e de reconstruir tudo, desde o princípio, aquilo que forças da Natureza ou forças humanas deixaram em absoluta destruição material, moral, política e social. Cada caso com as suas causas.
Bem sei que também é uma forma de comportamento lusitano actuar de forma totalmente ao contrário, ou seja não se lastimar quando se quebra uma perna, pois muito pior seria se tivessem sido as duas…, mas há que recorrer sempre a um mínimo de bom senso e de saber medir as dimensões das desgraças e de estabelecer paralelos entre o que ocorre connosco e o que vitima os outros.
Em resumo: as lutas fratricidas que se instalaram no Médio Oriente e que provocaram – e ainda não estão solucionadas – as quedas de alguns governantes de todo o poder e as mortes de muita população que entendeu chegar a altura de terminar com tais situações, sendo que, no caso da Líbia, a recusa de um Kadafi em largar o poder, tem provocado a luta contra o próprio povo líbio e a intervenção em ultimo extremo de países estranhos ao facto interno, provocando ainda maiores aumentos do preço do petróleo, igualmente a falta de entendimento no ambiente dos países reunidos em redor do interesse europeu e da defesa de uma comunidade que se devia apoiar mutuamente, com a mesma moeda mas sem conseguir formar a tal federação que se impõe para que o euro não acabe por se diluir, bem como – e com um verdadeiro sublinhado que deve ser feito - a tão recente e dramática catástrofe ocorrida no Japão e que ninguém garante que não se venha a alastrar, por via da mancha nuclear, a outras zonas do mundo, provocada por terramotos e por tsunamis que o homem não pode controlar, tudo isso, a nós portugueses, mesmo assistindo às descrições de tais acontecimentos, não representa uma aflição tão merecedora da maior atenção do que o caso que podemos resumir chamando-lhe Sócrates, pois, há uns tempos para cá, é esse o motivo de toda a nossa atenção e que consegue reunir o maior número de intervenientes que põem de lado todos os outros enormes casos aflitivos que ocorrem no nosso Planeta.
As manifestações dos “à rasca”, num sábado, a outra ocorrida ontem e organizada pela CGTP, as greves dos camiões, os desfiles dos professores, tudo isso faz deslocar pessoal para, de braço no ar, com cartazes preparados com frases feitas e os chefes desses grupos, que por sinal não são desempregados, tudo isso faz considerar os tão graves problemas que ocorrem no mundo como sendo de somenos importância.
Mas o que nesta altura ocupa todo o espírito lusitano, dos que são a favor dos que são contra, é, sem dúvida, a grande questão de saber se, na semana que vai entrar, o Governo de Sócrates continua agarrado ao poder ou se outra solução surgirá, por via de eleições ou outra, mesmo que a fé em que as coisas melhorem não seja a que domina os que conhecem melhor a situação política, económica, financeira e social do nosso País. Porque esses, entre os quais me situo, não alimentam grandes esperanças de que se encontre à vista uma alternativa que dê garantias de que os que se sentarem no poder tragam as receitas mais adequadas para pôr a funcionar aquilo que se impõe e que é o atacar o desemprego, o aumentar a produção nacional, o acabar drasticamente com as despesas desnecessárias e meter na cabeça dos portugueses que é forçoso que cada um cumpra, com o seu trabalho afincado, a obrigação que lhe cabe de não aguardar que seja o Estado que tem de fazer tudo.
Que existem políticos à espreita para se sentarem nos lugares nos gabinetes, isso está bem à vista. O PSD há já bastante tempo que o demonstra. E o CDS de Portas, hoje até com uma reunião em Viseu em que não foi escondida a sua ânsia em voltar a ocupar um ministério (oxalá não seja de novo a Defesa e não se verifiquem mais compras de submarinos) e em que os seus sequazes apelaram para que lhe fosse dado o posto de primeiro ministro, tudo isso dá mostras de que o ser humano e os portugueses em particular não perdem tempo em demonstrar que são sempre os melhores e que nuca se enganam.
Mas que temos de não ficar parados, lá isso é verdade. E os jovens de hoje, que se dizem que estão agora “à rasca” o que será que vão dizer quando tiverem de fazer dos bolsos os pagamentos dos milhares de milhões das dívidas que têm sido feitas até hoje.
Pessimista? Nem por isso. Quem cá estiver lá para diante, quando tudo isso ocorrer, se houver quem leia blogues antigos que me faça a estátua ou me dê um nome de rua, o que nem será caso para admiração, dado que, segundo parece, estão a preparar uma cerimónia para encontrar uma parede onde surja o nome de Carlos Castro!...

sábado, 19 de março de 2011

CAMINHANDO

Caminhante, caminhante
eu sou
e por uma vida errante
nem eu sei para onde vou
sem destino
embora com fim marcado
e porque também desafino
prefiro ficar calado

Pois se falo não me ouvem
é melhor
à volta as sentenças chovem
que horror
nem sequer deixam espaço
e o meu silêncio impõem
não tem valor o que faço
elas não matem mas moem

Mesmo assim lá vou andando
sempre hirto e de pé
às vezes sou eu que mando
outras nem sei quem é
as circunstâncias
são elas que me comandam
grandes ânsias
mesmo mal por vezes mandam

Ficar parado não cansa
as pernas
mas cabeça sempre dança
aceita coisas modernas
ir em frente é preciso
sem hesitar
porque o triste indeciso
morre a olhar para o ar

A pergunta aqui fica
à espera
e a qualquer se aplica
sincera
é melhor sempre correndo
ou não ter pressa em chegar
pois o que se vai fazendo
não pode nunca parar?

Devagar ou em corrida
chega um dia o fim da vida


ESTAFADOS


O TRISTE ESPECTÁCULO QUE FOI oferecido aos portugueses, nesta última sexta-feira, em que o primeiro-ministro, já sem mostrar preocupação em tentar transmitir a ideia de que está seguro na sua verdade, pois que já não conseguiu esconder frases entre dentes que não foram próprias de quem ocupa um lugar como o de chefe de um Governo, essa amostra da qualidade que temos como cidadãos não deixou quaisquer dúvidas de que, com uma crise ou sem ela, não é possível admitir por mais tempo suportar uma figura como aquela que já entrou no descalabro de atitudes e que, a continuar no lugar, ainda provocará mais estragos neste nosso País tão afundado como Sócrates o deixa.
Quer o Governo caia do poleiro ou não – posto que, para além da possibilidade de ser apresentada uma moção de censura ou a votação do PEC seja negativa é de admitir ainda que o próprio Governo apresente o seu propósito de abandonar as funções -, tudo ainda é de levar em consideração. Mas uma coisa é mais do que certa: continuarem as coisas como estão é que não haverá muitos portugueses que consigam aguentar.
E, para não repetir muito o que foi ontem largamente divulgado em toda a comunicação social, fixo-me apenas num ponto que constituiu uma notícia que ocupava um cantinho de um diário: rezava a notícia que o antigo ministro Jorge Coelho, ao sair do lugar que ocupou nas Obras Públicas, foi ocupar o lugar de vice-presidente da empresa Mota-Engil e que, entre salários e prémios, a sua remuneração anual é de 700 mil euros.
Não considero valer a pena aumentar este espaço com mais considerações e perder tempo com apreciações sobre essa figura política que só desejo saber o que é que lhe vai suceder no dia em que for despedido do cargo que tão mal para Portugal tem desempenhado.
Como nós todos ficamos, isso não é preciso que me digam. Agora ele!...

sexta-feira, 18 de março de 2011

DISCUTIR

Falem, falem por aí
e gritem tudo bem alto
não ouvi tudo, sai
fui ficando em sobressalto

As mãos não têm descanso
a cara acompanha os gestos
o corpo toma balanço
e sai um mar de protestos

Outros não têm razão
estes só dizem verdades
será jactância ou não

Mas são só as liberdades
em que nesta geração
se discutem pluralidades

FALASAR


JÁ NEM VALE A PENA escrever muito sobre o que se passa neste nosso País, pois as declarações que são feitas repetidamente, tanto pelos que se situam ainda na área da governação como os que, de fora, não se cansam de apontar erros, tudo isso já sobeja de ler e de ouvir, dado que o que interessa é que o estado a que isto chegou já não vai lá com conversas, escritas ou faladas.
Da parte do socratismo, enquanto ainda agoniza no seu lugar e não é corrido seja qual for a forma que possa ser utilizada, não se aguenta mais escutar que o fulano que nos colocou na situação degradante em que Portugal se encontra repete cansativamente que “fez o seu melhor” e que a culpa de tudo isto é daqueles que provocam a crise no seio lusistano que poderia ser bem evitada. Do lado dos opositores não se ouvem outras afirmações que não sejam as de apresentar todos os argumentos que difundem a ideia de que o grande culpado de tudo isto só tem um nome: José Sócrates.
Depois da substituição já indiscutível que ocorrerá do primeiro-ministro e do seu conjunto ministerial, os que tomarem posse vão passar os primeiros tempos a demonstrar os elementos de que passam a dispor e que demonstram a dificuldade (para não dizer impossibilidade) que encontram para poder desempenhar as suas funções que o resultado eleitoral lhes proporcionará e que, face a elas, são forçados a tornar ainda mais difícil a vida dos portugueses, pelo que, perante isso, o pedido de ajuda aos FMIs e outros terá de ser inevitável.
Este é o panorama, por esta ordem ou com outra, para que os portugueses têm de estar preparados para enfrentar e não vale a pena andarmos, uns e outros, a inventar discursatas que só fazem perder tempo, que é o que temos cada vez menos, pois que aquele que se desperdiçou desde há uns dez anos para trás acabou por nos colocar agora perante uma situação que não se compadece mais com ilusões e histórias para apontar os heróis e os vilões.
Claro que o TGV, a ponte nova sobre o Tejo e todas as fantasias que ainda continuam a ser, descaradamente, propagadas pelo actual Executivo, tudo isso será metido na gaveta, para não dizer que irá parar ao caixote do lixo. Mas, entretanto e enquanto o passo da substituição governamental não se der, dado que há que cumprir normas e prazos que, nesta conjuntura que se apresentam, será nessa altura que se tomará consciência do dramático problema que se acrescenta ao já existente. E como os empréstimos externos se reduzirão drasticamente, pois que a desconfiança dos credores, os actuais e os potenciais, fará com que se terá de encarar o enorme perigo de faltar o dinheiro nos cofres do Estado para enfrentar as despesas correntes e aí em todas as áreas de compromissos – os salários públicos, os pagamentos dos juros que caem todos os dias, as reformas, etc. – e será então que a população em geral se revoltará ainda mais perante o verdadeiro estado de “à rasquinha” que não será fácil solucionar.
E, em cada dia que vai passando, o que poderia parecer um mistério toda a embrulhada que resultou da apresentação de um PEC em Bruxelas, sem que por cá não se tivesse verificado um anúncio prévio e sem conhecimento sequer do Presidente da República, nesta altura está mais do que esclarecido: tratou-se de um golpe baixo de Sócrates para provocar que, no Parlamento, a não passagem do documento lhe desse motivo para apresentar a demissão, passando as culpas do facto aos adversários políticos que quererá apontar como os maus da fita!...
Está claramente escrito o nosso destino imediato. Da minha parte, há já bastante tempo que venho a prever um desfecho deste tipo ou de outro que tivesse as mesmas consequências. E aqueles que me acusaram de pessimismo que metam agora a mão na consciência e que tratem de arregaçar as mangas e de enfrentar o que aí vem. E torna-se forçoso dizer aos portugueses que só depende deles o poder, com os anos que isso levará, dar a volta ao panorama. Na agricultura, nas pescas, nas sus empresas e aqueles que trabalham por conta de outros, têm todos os portugueses que convencer-se de que lhes é imposto que deixem de passar o dia agarrados aos telefonemas não profissionais e, mesmo esses, sendo rápidos e práticos. Mas, para isso, os governantes de então, terão que ser os primeiros a dar o exemplo, deixando-se de falasar e não gastando nem um centavo que não seja rigorosamente necessário.
Se os portugueses, aqueles que ainda não estão reformados – cuja percentagem em idades, que não se aceita bem que já o sejam, é elevadíssima -, cumprirem correctamente as funções a que são obrigados essa ajuda servirá de alguma maneira para que a produção nacional se passe a aproximar da que se verifica nos restantes países europeus.
Porque dos políticos pouco há a esperar. Os que ainda não saíram, já se sabe, mas os que vierem não se conhece ainda se serão capazes…
E é esta a futurologia que se pode fazer.

quinta-feira, 17 de março de 2011

GERAÇÃO SOFRIDA

Que esperanças tinha que houvesse Abril
o que eu ansiava por fim do inferno
bem dentro guardava sonhos mil
e que apodrecesse o que era governo

Levou tempo, tempo demais, demais
vivi o antes até muito tarde
passei por excessivos vendavais
tropecei em muita gente cobarde

Até que chegou, não era sem tempo
veio com armas, não era o ideal
para tantos terá sido contratempo
não estava no programa esse funeral

Foi a euforia, a loucura nas ruas
tirou-se o tampão da garrafa fechada
tal como quem tira por fim as gazuas
do portão de uma quinta trancada

Uns quantos tinham razão de estar felizes
terão sofrido muito até então
não tiveram conta por quantas crises
passaram, apenas por dizerem não

Mas terá sido assim com a maioria,
toda essa gente que se mascarou
vestiu a farda do revolucionário, seria,
por dentro aquilo que mostrou ?

Quantos apanhada a carruagem em giro,
não foram os que ganharam com a troca ?
Fizeram tal e qual como o vampiro
e puseram-se, matreiros, bem à coca

Como ganharam com isso os aproveitas
chorudo futuro festejaram
valeu a pena a troca, largas colheitas
tiraram do campo que outros lavraram

Aqueles que tinham idade para tanto
e passado que sangrava em ferida
quase que foram postos a um canto
tratava-se, afinal, da geração sofrida

Sofrer antes e sofrer depois é muito
não é justo, há que reconhecer
poderá não ter sido esse o intuito
mas é algo que dá para entristecer

Geração sofrida, tem que se dizer,
ela existe, obscura e triste,
a juventude nem pode agradecer
ninguém mostrou e disse em que consiste

E assim se vai escrevendo a História
com lacunas, esquecimentos, inverdades
a geração sofrida escapa à memória
quem não sabe não alimenta saudades

Geração sofrida,
o que não pode estar é arrependida

FMI OU O QUE QUER QUE SEJA!...


ESTA PERGUNTA que constitui uma razão para que o Executivo de Sócrates tudo faça para se manter no poder e ameaçar com a crise política que, segundo ele, será provocada pelos outros e que ele “dá o seu melhor” – frase que pronunciou vezes sem conta na última entrevista que concedeu à televisão – para evitar que cá chegue o que diz ser um mal para o País, mas a questão que divide bastantes opiniões e que não se sabe se será, de facto, uma catástrofe ou uma inevitabilidade, tem, obviamente, que colocar a dúvida em muitos portugueses, pelo menos aqueles que seguem mais atentamente a evolução dos acontecimentos, pois que sofrer no bolso os efeitos das medidas que têm sido progressivamente tomadas isso não passa despercebido.
Mas, a final, o termos de requerer a intervenção do FMI para fazer face ao interminável pedido de empréstimos, com juros cada vez mais elevados, é inevitável ou haverá outra forma de sairmos deste atoleiro em que nos fizeram cair?
E quem é capaz de responder, com total idoneidade e absoluta confiança na sua opinião, a este problema de tão grande importância?
A opinião do que se mantém no lugar de primeiro-ministro de Portugal, essa já se conhece e, honestamente, temos de colocar dúvidas no que nos diz. E os que afirmam que será preferível que as medidas que há que tomar para terminarmos, o mais depressa possível, com a corrida aos empréstimos e se ataque a fundo no corte das despesas que podem ser anuladas, será que tais pontos de vista nos favorecem?
Bem, não vou aqui colocar-me em nenhum dos dois lados. Porque o que é indiscutível é que, se tivesse o Governo feito os cortes que se impunham em tudo que constituiu um vida à grande e à francesa – para usar a nossa expressão antiga -, medidas essas que, aqui neste blogue e lá muito para trás eu apontei em diferentes ocasiões, talvez agora o afogamento não fosse tão profundo, se bem que o problema principal que é de não produzirmos, logo exportarmos, aquilo que consumimos e sermos obrigados a adquirir fora uma larga margem de produtos, se o “sabedor absoluto” Sócrates não fosse o casmurro que tem mostrado ser a sua especialidade, é evidente que não nos encontraríamos tão no fundo como estamos.
Logo, também como o mandão do PS já reconheceu que se os planos que mantém como os mais adequados não forem aprovados na A.R. o seu Executivo se demitirá e ele próprio se colocará à frente do Partido para discutir novas eleições, isso quer dizer que está à vista a tal crise política e que um panorama diferente surgirá neste nosso tão castigado País.
Agora, o que ele não pode é fugir das culpas das consequências de tudo isso. E nem vale a pena entrar em discussão quanto ao passado, por mais recente que ele seja, pois que o que nos tem de preocupar é o futuro e o que caberá aos vindouros ter de suportar, devido à má actuação dos actuais, o enorme “embrulho” de problemas que lhes deixamos.
Com FMI ou sem ele, o destino já está marcado. E a História descreverá, daqui a anos, todos os episódios e apontando as culpas a quem as tiver. Só que já estarão todos mortos e, provavelmente, com nomes postos em ruas e avenidas.
Alguém duvida?

quarta-feira, 16 de março de 2011

A REALIDADE

Ilusão é de facto uma virtude
o sonho também ajuda a vencer
pensar no que é belo dá saúde
é só ver na vida o que é prazer

Imaginar agrada, as coisas boas
deixar para trás tudo que não presta
não atender às popas só às proas
seguir no mundo levantando a testa

Os desejos, mesmo não conseguidos
não serão no todo fatalidade
ainda que acabem nos olvidos

No fundo existe alguma crueldade
ao pôr em uso todos os sentidos
vendo ser outra a realidade

CONVERSAS FIADAS


NO DIA EM QUE FOR POSSÍVEL, neste nosso País, não nos incomodarmos com o que um primeiro-ministro diz ou deixa de dizer, o que não sucede no momento que atravessamos, nessa altura, ainda que a situação económica, financeira e social não se tenha ainda recomposto do estado em que se encontra agora, pelo menos não nos atormentaremos perante aquilo que somos forçados a suportar e que é o que sai da boca de um fulano que dá toda a ideia de viver noutro planeta e de não ter a menor ideia da realidade que o rodeia a ele a todo o País onde existimos.
Este sentimento não constitui uma raridade em Portugal. Basta andar por todos os sítios por onde passamos ao longo deste nosso território e o que se escuta com mais vulgaridade é a adversidade quanto ao governante que está instalado e que se encontra protegido pelo receio de todas as partes com possibilidades em ocupar o lugar que lhe tem cabido, mas que não se atrevem a tomar a decisão. É que dar a volta de 180 graus aos procedimentos que sejam capazes de colocar o nosso País numa plataforma que possa ser considerada como a possível e minimamente certeira, isso quando conscientemente, a situação atingiu aquela considerada como a de não ter ponta por onde se lhe pegue, tal pavor em pegar num País que atingiu o fundo do poço e que nem um milagre o consegue fazer subir à superfície apenas pelos seus próprios meios, é esse grau de debilidade que assusta qualquer provável sucessor nas funções de chefe de um novo Governo e que o faz reter-se apenas como comentador e maldizente.
Mas que as coisas não podem permanecer durante mais tempo como estão, que, por mais difíceis que tenham de ser as soluções para repor Portugal no caminho que lhe pertence por direito e como Nação europeia a cumprir o papel que a História lhe reserva, tem forçosamente que surgir alguma solução, ainda que se mantenha a ideia de que a dependência dos restantes modos que, do exterior, lá têm vindo a fazer aumentar a enorme dívida que já está assente na pipa e que algum dia haverá que liquidar, o que entrou mais os elevadíssimos juros que sobrecarregam os vindouros nacionais.
Da Europa, a que aderimos com a esperança de que se tratava de uma comunidade que iria funcionar como uma federação, até talvez uns futuros estados unidos, verifica-se que a promessa feita nos primórdios da sua constituição como CEE est5á cada vez mais longe de se verificar. Cada um por si e ninguém por todos é o panorama que se apresenta para os que, como Mário Soares, tanto aspiravam que se concretizasse um dia.
A ideia que eu defendo há muitos anos de se formar, com a vizinha Espanha, uma espécie do Benelux, a Ibéria, para lhe dar um nome, em que esta Península daria mostras da sua força no compromissos que fossem firmados no conjunto das nações que aderiram à Comunidade europeia, discutindo, lado a lado, com a Alemanha e a França, as formas de levar por diante a unidade que tem faltado neste nosso Continente, tal proposta encontra-se muito longe de vir a ser concretizada, posto que, sobretudo do lado de cá da fronteira, não se viu nunca e também agora uma iniciativa governamental e parlamentar que conduza a tal passo.
Daí que estamos entregues a nós mesmos. E como não há razão para crer que a actual conjectura do Executivo seja capaz de enfrentar abertamente a difícil situação em que nos encontramos, pois que a teimosa convicção de Sócrates de que ele é único com razão e senhor da verdade absoluta, a saída possível reside apenas na queda forçada do Gabinete governamental e desejar que, no seu lugar, os portugueses tenham capacidade para escolher razoavelmente o substituto, um partido ou uma coligação, que, em derradeira causa, pegue no doente chamado Portugal e consiga libertá-lo da morte anunciada.
A todos nós, que ainda estamos vivos, só nos resta assistir ao espernear do defunto e tudo fazer para que consigamos, através da produção, que é o que sempre nos faltou, suportar o consumo interno e conquistar até mercados externos. Não há outra maneira de podermos subsistir. E isso quer dizer que cada um de nós se deve compenetrar de que o trabalho é isso mesmo: o não passarmos o tempo na conversa, nas fugas ao café, nos telefonemas a torto e a direito, e sim utilizar todo o período de actividade apenas agarrados ao que devemos fazer e a produzir.
É isto que compete a todos os que se situam nos lugares de comando, começando pelo Presidente da República e incluindo todos os lugares de chefia, incluindo o Parlamento, dando o exemplo de arregaçar as mangas, de restringir ao máximo as despesas inúteis e de recomendar aos portugueses aquilo que é forçoso que lhes seja dito, sem tibiezas e sem complexos.
A morte anunciada do nosso País só será evitada se acabarmos de vez com as conversas fiadas dos políticos, sejam eles quais forem, e se passe dos discursos à acção.
Não vejo outra forma.
P.S. – Acabo de seguir com a maior atenção a entrevista que José Sócrates deu à SIC e, em primeiro lugar, só tenho que lastimar que continuemos a não dispor de jornalistas com capacidade para apresentar um questionário – e não a fazer afirmações que não lhes competem – que obrigue os entrevistados a não se repetirem nos pontos que lhes interessam e a deixar em claro respostas que os obriguem a não fugir às questões. E foi isso que sucedeu ontem.
Mas, quanto a poder ainda existir alguma expectativa no que respeita a declarações que ajudassem a esclarecer a forma de fazer política do que ainda se mantém como primeiro-ministro e, pelos vistos, face a uma eventual crise politica (que Sócrates referiu 23 vezes), declarou-se disponível para concorrer a outras eleições. Logo, agarrado ao poder ele está. Mas há que voltar ao assunto. Depois…

terça-feira, 15 de março de 2011

NATUREZA

Flores do meu jardim
pássaros em torno
cheiro a alecrim
ver porta do forno
pedras reluzentes
ventinho que passa
a palha nos dentes
o sol na vidraça
som melodioso
delícia d’ouvidos
d’um autor famoso
lá de tempos idos
a sombra gozando
de árvore frondosa
sentadinho estando
de forma dengosa
vejo caracol
a passar sem pressa
pauzinhos ao sol
algo qu’o aqueça

Bela Natureza
qu’o Homem despreza
falta-lhe firmeza
para impor limpeza
deixar sujidade
por onde se passa
em qualquer cidade
em total desgraça
antes era limpo
falta de cuidado
só porque o repimpo
é do seu agrado
e a pouco e pouco
com andar dos anos
se torna bacoco
por causa dos danos

Mas o meu jardim
que eu cuido com zelo
transporta p’ra mim
o prazer do belo
aqui não se suja
nada vai pr’o chão
sem medo que fuja
o auto do borrão
o sol e a chuva
chegam quando querem
são com’uma luva
quase nada ferem
se assim fosse o mundo
onde muit’estragam
pondo tud’imundo
e bastante esmagam
mas que diferença
do que ver é dado
alguma doença
põe em mau estado
quem respira pós
que pairam no ar
pois que não há prós
só contras d’azar

Se no Paraíso
que dizem haver
é grande o juízo
não dá p’ra sofrer
tudo se conserva
sem ninguém ‘stragar
e se há lá erva
e é são o ar
sem a sujidade
que o vivo provoca
ninguém tem saudade
nem a Terra evoca
então vale a pena
daqui se partir
p’ra ter outra cena
gostar de dormir
estar descansado
com o que o rodeia
até acordado
por nada anseia

Mas aqui na ‘sfera
onde sobra gente
nem a Primavera
faz nascer semente
do amor à Terra
criando um futuro
liberto de guerra
com tudo bem puro
onde a amizade
acima de tudo
e a lealdade
serão conteúdo
razão de viver
se se cumprir bem
o que é prazer
ajudar alguém
então para isso
Natureza amar
será compromisso
não pode faltar

Não sujemos pois
o que é de todos
sejamos heróis
sem quaisquer engodos






NATUREZA ZANGADA


PERANTE O QUE SUCEDEU e ainda continua a ocorrer com os múltiplos sismos e o devastador tsunami que se verificaram lá no extremo do mundo – para nós que nos situamos neste cantinho atlântico -, não podemos deixar de admitir que todos os problemas da Terra, incluindo a tão próxima chamada crise económica e adjacentes que atacou grande parte dos países desta Esfera, não pode ser considerada senão como um pequeno percalço que nos incomoda mas que não mexeu na nossa vida, no sentido de a termos perdido devorados por qualquer avalancha de águas ou soterrados pelas destruições de cidades sacudidas pelos abanões.
O Japão, que sentiu na pele o que representa um bombardeamento atómico, apesar de ter saído derrotado de uma guerra mundial que o submeteu a ficar obrigado a seguir as normas que os vencedores lhes impuseram, neste caso os E.U.A., apesar disso – ou, provavelmente, talvez por isso -, mostrou ao mundo que era capaz de se recompor e saiu de toda a difícil situação de cabeça bem levantada e, até dias atrás, apresentou-se como sendo um País moderno, desenvolvido, com um povo que, não obstante as suas características de tradições conservadoras, se colocou bem à frente tecnologicamente falando, como representam as 50 estações de energia nuclear que fornecem grande parte da energia que é consumida localmente.
Pois foi precisamente aí que a Natureza resolveu aplicar a sua fúria e, numa espécie de castigo contra os seres humanos que tão mal se têm portado em relação ao que lhes tem sido deixado para que usufruam das belezas e da conveniência em se darem fraternalmente por forma a usufruírem do facto de lhes ser concedida a vida, a ideia com que se fica é que, de facto, a destruição tão avassaladora de que aquele País está ser vítima será uma chamada de atenção, pois que, embora tenha calhado aos nipónicos serem eles a pagar por todos, esse aviso servirá para todos os mais de seis mil milhões habitantes de todo o espaço terrestre.
A crise económica que atravessa o mundo e que se sente, em maior ou menor dose, por toda a parte, ao pé deste pavoroso acontecimento no Japão não passa de um acontecimento de grau secundário, pois que não há comparação entre as faltas e deficiências de vivência do dia a dia e a destruição massiva que atingiu os japoneses.
Eu, por mim, interrogo-me quanto ao que considero ser um castigo que alguma força extraterrestre aplicou naquela zona, mas com intenção de despertar a atenção do mundo inteiro. É uma forma, como outra qualquer, de tirar alguma utilidade da desgraça. E seria bom que os homens aprendessem alguma coisa com tão terrível acontecimento. Os desentendimentos que se verificam em tantas partes do globo, a própria falta de união da Europa, até mesmo o caso do Sócrates que se passa cá por casa, tudo isso são pequenos casos que não merecem ser considerados como importantes, face ao que assistimos que está a ocorrer em terras nipónicas.
E, perante o inqualificável comunicado que José Sócrates entendeu dever apresentar ontem, por muito que deixe grande parte dos portugueses indignados, a verdade é que não se lhe deve dar a importância que nem merece ter. Um tsunami por cá constituiria algo que nem nos daria ocasião nos lembrarmos que nos tinha calhado tal figura a chefiar um Governo. E, se isso sucedesse, também ter tal governante a tomar conta do Pais depois do desastre, também seria alguma coisa de arrepiante. Em 1755 sempre houve um Marquês de Pombal que se encontrava à altura da gravidade da situação. Pensemos o que seria se, na altura, existisse uma figura socratiana!...
Vamos a ver como é que o povo japonês, passado este período de destruição, levantará de novo cabeça. Capaz será e disso já deu mostras da sua força. Mas que temos de lastimar que a Natureza tenha escolhido um País já tão castigado antes – mesmo que com culpas próprias na altura -, ao mesmo tempo que nos faz pensar no motivo por que não escolheu outro onde existem governantes que muito merecem que as suas afrontosas fortunas pessoais, roubadas aos cidadãos, sejam gastas na reconstrução dos locais onde gozam de vidas sumptuosas, ao lado de populações miseráveis.
Mas isto sou eu a estranhar o facto de não haver justiça nem mesmo nos espaços extraterrestres onde, por ventura, exista quem comande as acções que são tomadas à revelia da vontade dos seres humanos… Cada um pensa como quer!

segunda-feira, 14 de março de 2011

CHULARIAS

Eu não brinco às escondidas
com tudo sério nas vidas
enfrento bem de frente, até o tufão
por maior que seja o seu empurrão
por certo vários cá passaram
e que tristes marcas deixaram
mas ao apurar o saldo, que grande alegria
saber que eu nunca recebi alforria
e sempre recusei alpista
na minha profissão de jornalista
isso grande desconsolo
dos que pretendiam regalar-se com o bolo
das primazias e dos favores
dos louvores
das honrarias
que lhes dão as chularias
de quem sobe à custa dos demais
e que quer sempre mais e mais.
Mas comigo, não!
Nunca fui mamão !

ESCOLHER O QUÊ?


TINHA DE ACONTECER, ainda que eu me tivesse consciencializado de que deveria dar uma folga aos meus textos neste blogue, dada a inutilidade evidente dos protestos e do afundamento cada vez mais rápido do estado a que chegou este nosso País. Mas a manifestação que teve lugar no sábado da denominada geração à rasca, e, passado o acontecimento, face à ineficácia em alterar as causas que nos conduziram a este ponto, cá venho eu acrescentar alguma lamúria ao que, nesta altura, constituirá uma voz unânime de uma esmagadora maioria de portugueses, mesmo dos que ainda mantenham alguma esperança de que, ao longo da existência que lhes couber, ainda assistirão a um resplandecer do que, apesar de tudo, ainda se pode considerar como o que está a restar de Portugal.
Eu não faço ideia se José Sócrates, ainda que encafuado num buraco da sua casa, terá tido a coragem de assistir ao que as televisões mostraram sobre os desfiles que ocorreram em diversas partes nacionais. E, no caso afirmativo, se terá ficado com a ilusão de que todos se encontram enganados e que não são sequer dignos do esforço e da dedicação que ele se convence que entrega em pleno à Nação; se não está a chefiar um Governo muito competentes e que todos os cidadãos são uns ingratas!...
Só pode ser isso que esse homem tem enfiado na cabeça e que, para mal dos pecados de todos nós, estará rodeado de uns tantos engraxadores, desses que existem em todos os regimes políticos, como se vê até agora na Líbia, em que Kadafi tem em volta os apaniguados que lá vão recebendo as benesses que o “todo poderoso” vai distribuindo, pelo que, sem poderem agora procurar outra saída, se vão mantendo para explorarem até ao fim o que puderem extorquir em favores que lhes vão sendo distribuídos.
Só que, até acontecer a queda que surgirá inevitavelmente, o Estado vai dando mostras sucessivas de fraqueza e, o facto de serem agora as reformas que vão começar a ser mexidas – como eu, neste blogue, previ meses atrás, o que provocou até algum mal estar pelos comentários que me chegaram – é um dos vários passos que Teixeira dos Santos, com aquele seu ar de sofredor, já anunciou, mas que se espera que, provavelmente, o subsídio de férias venha a ser um dos próximos golpes que o socratismo apresentará, mesmo sem o FMI cá ter chegado ainda.
Isto tudo para dizer o quê? Que já não há soluções milagrosas que nos libertem do afogamento a que nos condenaram os governantes, que não souberam tomar as previdências que reduzissem (porque evitá-lo seria impossível) os efeitos tão nefastos em que a crise mundial nos colocou e que a Europa Comunitária também não teve capacidade de encontrar saídas em bloco, como era o desejável.
A questão põe-se, pois, dentro deste esquema:
- eperar-se que Sócrates apresente a sua demissão do Governo é impensável, face às suas características de manter um ego colocado bem alto;
- verfificar que o Partido Socialista dos tempos presentes – bem diferente do que foi noutras alturas - seja capaz de substituir o seu secretário-geral e apresentar outra figura com capacidade de governar, não é passo que sossegue os mais crentes;
- operar-se um movimento de coragem da parte do PSD, de molde a que apresente à discussão parlamentar uma moção de censura que, mesmo com o risco de necessitar de ajuda do CDS para atingir força maioritária bastante, coloque Passos Coelho na chefia de um Executivo, é um gesto que faz tremer os seus partidários só ao pensarem que herdam um presente envenenado, pois é como que passar a administrar uma empresa falida, sem crédito e com um enorme rol de dívidas.
Tratam-se, portanto, de opções cada uma delas mais aterradora do que a outra, e o amor à Pátria, tanto proclamado em alturas de glória, não se vislumbra em nenhuma das figuras políticas que, por aí, circulam à vista desarmada.
O “Diário de Notícias” deste domingo, ontem, dedica espaços a mostrar aqueles membros de partidos e também de deputados à Assembleia da República, indicando nomes de beneficiados que têm recebido o chamado subsídio de integração civil, ou seja, os deputados que, ao saírem das suas funções, regressa às actividades que exerciam antes, pelo que os milhões de euros que lhes têm sido destinados saem, obviamente, do erário público.
Mas, mais avassalador do que isso é a lista de anteriores membros do Parlamento que, por essa via, obtiveram colocações em empresas no exterior, grande parte delas ligadas ao sector público, com posições de enorme vantagens pessoais e que obviamente não desejam que as circunstâncias actuais se modifiquem, ainda que, na maioria dos casos, já tenham em vista saídas, até para o estrangeiro, que não os deixará em más condições. E é o mesmo Jornal diário que relata a facturação de sociedades em que os deputados têm participações que, só em 2009, atingiram os 111 milhões de euros, enquanto “quase um terço das sociedades ligadas a parlamentares teve prejuízos no mesmo período”.
Por esta pequena amostra se pode ver como não é através de manifestações de rua que a situação se vai alterar. E aí está a razão por que, não tendo sido capaz de manter o silêncio neste blogue como quis anunciar dias atrás, não consegui ficar quieto e a falar sozinho.
“O povo é quem mais ordena” – gritam eles. Pois vão gritando, vão!

domingo, 13 de março de 2011

CONFISSÃO


Dizer a outro, em segredo
o mal que tenhamos feito
confessar
libertar
fazê-lo até com medo
mostrando o que é defeito

Fazendo-o na sacristia
também no confessionário
recolhido
escondido
para alguns é agonia
será até um calvário

Mas com a fé a mandar
no dizer de quem confessa
liberta-se
desperta-se
pode outra vez começar
quanto ao mau de trás esqueça

Dessa forma a consciência
volta a dormir descansada
liberta
aberta
p’ra dar nova sequência
a seguinte caminhada

Já livre então dos pecados
tranquilo fica o crente
ar puro
passado o muro
malefícios perdoados
só há que seguir ee

É assim o ser humano
inventa religiões
esperteza
ardileza
como uma nódoa no pano
tudo sai com esfregões

Quem não crê que por contar
lá vem perdão para asneiras
realista
ateísta
será até acabar
portador dessas besteiras

E se for homem de bem
dos seus erros consciente
pensador
com rigor
para sempre lá retém
e paga por não ser crente

MÃO NA CONSCIÊNCIA


TENHO DE DIZER ABERTAMENTE que não fiz parte da multidão que participou ontem no protesto que adoptou o slogan de “geração à rasca”. O texto que escrevi na véspera do acontecimento para ser lido no próprio dia dava conta da opinião que defendia e defendo de que não é apenas a juventude que tem razões para se insurgir contra a situação a que o País chegou. E referi-me, repito hoje, àquilo que foi um título que dei em artigos saídos na Imprensa em que eu classificava os habitantes portugueses da minha área etária de “geração sofrida”, posto que nós sofremos antes, na época da ditadura, e depois, com o PREC que, quem já se mexia por cá, bem teve de suportar. Isto, claro para os que tinham profissões como a minha, de jornalista, perseguidos pela PIDE e depois, por aqueles que sempre há e muitos que apanham os comboios das revoluções, que têm de ser chamados de “revolucionários de pacotilha”.
Face a isso, levantei a questão de que não eram apenas os jovens que tinham razão para protestar contra o estado a que isto tudo chegou. E reafirmo agora esse ponto de vista.
Mas, como é importante que cada um de nós, ao reconhecermos que não acertamos em pleno na atitude antes tomada (que bom que seria que José Sócrates tivesse essa capacidade de emendar a mão), o declaremos publicamente, aqui venho eu acrescentar alguma coisa que esclareça o que ficou escrito neste blogue. É que, ao assistir televisivamente à manifestação que teve lugar, meti a mão na consciência e, repetindo o tema-base de que os seniores e os de mais idade sofrem ainda mais as consequências de um actuação política socrática que é absolutamente condenável, não posso agora deixar de reconhecer que uma movimentação daquele volume só era possível com a rapaziada a fomentar a sua organização, pois que a mesma junção de tanta gente, se não gozasse do privilégio dos mais novos terem metido ombros, ainda que um pouco aventureiramente, não seriam as gerações seguintes que iriam tomar a iniciativa, dado que, como se tem visto, é unicamente através de organizações politicas e sindicais que se consegue, e com a utilização de grandes verbas, que se levam a cabo coisas parecidas como a de ontem, mas sempre sem o fervor e a verdade que se verificou em Lisboa, Porto e nalgum outro lugar.
Parabéns, pois, juventude. Não é que dali saia alguma coisa que dê a volta a toda a incompetência do Governo e aos passos temerosos das Oposições. Muito menos Sócrates se terá incomodado muito com o que terá visto televisivamente (julgo eu). Mas é possível que alguma coisa possa surgir agora do sector partidário e que tenha servido de injecção de vitaminas naqueles que andam há muito tempo a criticar mas que não se atrevem a ocupar um lugar que, na verdade, provoca susto por ser da maior dificuldade tirar agora Portugal do buraco em que o meteram. É que, se isso acontecer e tudo se mantiver na mesma, então é que o “enrascanso” se transformará nalguma coisa que não se fica por uma passeata pela avenida da Liberdade, com cartazes e cantares de “povo unido”…

sábado, 12 de março de 2011

À RASCA

ISTO DE CHAMAR “geração à rasca” à juventude que, nesta altura e precisamente hoje, dia 12, vai fazer a sua manifestação para reclamar pela forma como está a ser tratada pelos governantes que temos, não posso classificar como muito feliz, da mesma forma que seria contrário que tal apodo fosse aplicado a outro grupo etário, como, por exemplo, aquele a que eu pertenço. Porque para utilizar tal denominação o que tem de ser dito é que quem está completamente enrascado é Portugal, todo ele, como Nação que, sobretudo pelo seu passado quinhentista, e postos de lado os exageros de grandiosidade que são normalmente cantados na História – porque, como eu não me canso de referir, particularmente nos 10 cantos da minha “Lusofonia” que choram o mau aproveitamento que foi feito da difusão da língua Pátria que se deixou ultrapassar pelo idioma inglês que não foi divulgado através de descobrimentos de novas terras -, não merecia que tivéssemos atingido uma tão baixa plataforma no panorama mundial e europeu em que se encontra.
Pois é hoje que sai à rua aquilo que se espera (porque estou a escrever este texto na véspera do acontecimento) que seja uma demonstração de enorme proporção do desassossego em que vivem os portugueses – e não serão só os jovens -, enfrentando as maiores dificuldades e não assistindo a perspectivas animadoras que façam alterar o estado de espírito que atinge a grande maioria dos cidadãos lusitanos.
Mas eu tenho de dar mostras da reclamação pessoal que face ao presenciar o apoio específico que é dado aos jovens por esta atitude. É que, no seu caso, pelo menos gozam de uma vantagem e que é a de estarem ainda na idade em que muito futuro, mau ou bom, os espera. Agora aqueles que se encontram, como é o meu caso, na categoria que eu já chamei, num texto publicado por aí, de “geração sofrida”, ou sejam os que atravessaram o período político da ditadura (sobretudo os que tinham uma profissão que estava sob o olhar e a perseguição permanente da PIDE) e que, após o 25 de Abril e cruzando aquele PREC de má memória, com o tal Vasco Gonçalves em perseguição dos que não apoiavam o seu comportamento – e deste muita juventude nem tem o menor conhecimento -, essa camada de população não vislumbra já a possibilidade de poder vir a gozar de um período que lhes traga a tranquilidade de se despedirem da vida com alguma satisfação.
É que, as reformas, por mais pequenas que sejam, que ainda vão recebendo, essas encontram-se já perante o dilema – e eu parece que adivinhei quando escrevi, tempos atrás, neste blogue que um dia acabariam -, de irem sofrer reduções, segundo o anúncio dado hoje (ontem) pelo Ministro das Finanças de que, já em 2012, se verificarão cortes (não disse quantos) nas pensões acima de 1.500 euros -, pelo que não será a juventude à rasca que sofrerá as consequências de acabarem de vez quando isso puder vir a acontecer e então assistir-se-á a um espectáculo doloroso de um desfile de cadeiras de rodas e até de macas cheias de inválidos pertencentes à tal geração sofrida mas que, pelos vistos, não estará à rasca!
Cavaco Silva, no seu discurso de retomada de posse, quis referir-se à juventude fazendo-lhes um apelo que, quanto a mim, não tem o menor sentido, posto na equação em que foi colocada. Como se dependesse exclusivamente dessa gente jovem o alterar, nesta altura, o Governo que temos, o de fazer com que o País passasse a ser um lugar produtivo, com adequadas exportações e com iniciativas de investimentos, com a agricultura a desempenhar o papel que lhe cabe, as pescas a voltarem a ser o que já foram e os que exercem profissões se consciencializarem de que as horas em que se encontram a actuar profissionalmente não podem nem devem ser perdidas com as distracções que os portugueses tanto gostam de aproveitar (mas que, quando são emigrantes, nem lhes passa pela cabeça procederem dessa forma).
Se, como eu tenho aqui proclamado, nas escolas primárias, à infância, se ensinasse a prática democrática, o saber ouvir os mais sabedores, os direitos mas sobretudo os deveres que os cidadãos devem seguir para que o País a que pertencem progrida, então, talvez dentro de três a quatro gerações o nosso País se pudesse enfileirar na lista dos mais prósperos. Mas não é com desfiles plenos de cartazes que as coisas mudam para melhor. Só se produz barulho, proclamação de frases feitas, encher de lixo os locais por onde passa a manifestação. Nada mais do que isso!
Logo, nós, os que já fizemos (ou não) o que nos cabia fazer, não podemos ter perspectivas de assistir à mudança que, por muito que se deseje, não é a juventude que a vai proporcionar.

sexta-feira, 11 de março de 2011

CADA VEZ ME CONVENÇO MAIS que continuo a manter essa característica de ter muitas vezes razão antes de tempo. E eu, que me manifesto sempre contra os convencidos de que são exemplares e que as suas acções é que são as certas, perante este facto não me congratulo, antes me penalizo, pois que seria preferível que tal especificidade se encontrasse abundantemente naqueles que têm nas mãos tomar medidas de utilidade pública e não num simples jornalista e autor, nesta altura, de blogues e de textos para ficarem na gaveta.
Mas o documento que o PSD tornou público e que pretende ser um programa económico para ser posto em prática caso se verifique a ocasião de substituir o Partido Socialista na governação nacional, esse texto que, segundo as notícias vindas a lume, demorou nove meses a ficar concluído por um gestor de empresas, de nome Pedro Reis, que será um conselheiro económico de Pedro Passos Coelho, sem pretender angariar louros que não desejo, fico com a impressão que o tal conselheiro é leitor do blogue que tenho vindo a publicar diariamente aoa longo de bastante tempo.
Mas também se pode dar a casualidade de coincidirmos em pontos de vista e que não se trate nada de ter influenciado a redacção do referido documento. Também pouco importa. O essencial é ficar-se a saber que o PSD já começa a tomar posição para fazer o chega para lá a José Sócrates, necessitando-se saber se essa atitude será proveniente de um menção de censura ou se aguardará por outra iniciativa que seja tomada, por exemplo, pelo Presidente da República.
Mas eu não vou aqui estabelecer um plano de comparação entre aquilo que ficou escrito neste espaço e o que agora faz parte do programa surgido. Há pontos de vista iguais, outros semelhantes e alguns que não coincidem, mas, de uma maneira geral, há tomadas de posição que, pelo menos no que me diz respeito, por muito difíceis que serão de tomar se tornam essenciais para que muita coisa se distancie do pântano em que temos vindo a cair e que, cada vez mais, se torna quase impossível tratar sem dor.
Tudo indica que não existirá outra saída que não seja a da passagem pelo presidente do PSD a mudança que se aguarda. Eu não sei se existem capacidades para este figura vir a exercer correctamente as funções que lhe estão a ser postas nas mãos, se bem que não vislumbre outra saída provável para o que se encontra a cair de maduro… ou de podre, para ser mais explícito.
Mas deixo nas mãos dos que eventualmente acompanhem o que tem saído neste espaço para prestarem a sua opinião no capítulo de estarem ou não de acordo com o que digo agora.
Se trata de ter ou não razão antes de tempo, isso fica depositado no parecer de outros, que não de mim!

quinta-feira, 10 de março de 2011

QUANDO TUDO ANDA MAL qualquer hipótese de se poder contemplar alguma mudança, por mais pequena que ela seja, que injecte um mínimo de esperança neste povo tão sacrificado e já completamente descrente de que se consiga colocar Portugal num plano diferente daquele em que se encontra, ao aguardar-se pelo discurso na tomada de posse do segundo mandato de Cavaco Silva no lugar de PR e, através das suas palavras, por alguma coisa que o distanciasse do que foi a sua actuação ao longo dos cinco anos anteriores, a Nação, não digo em peso porque a grande maioria dos portugueses já não consegue depositar confiança no que dizem os homens que se sentam nos lugares do poder, mas alguma parte ainda parou para verificar se esta manifestação que teve lugar no Parlamento seria o preâmbulo de uma nova época de um País que já bateu há muito no fundo. Palavras foram as que se ouviram e, se bem que, da sua parte, alguma coisa tivesse dado mostras de que Cavaco Silva regressa com vontade de não deixar andar, como fez antes, e, ainda que interferindo no que está escrito na Constituição, não se portará passivamente e, desta vez, pelo menos falará claro, posto que não há nenhuma lei que o proíba da falar ao Povo e de esclarecer o que anda sempre na obscuridade dos segredos que os governantes desejam guardar. Não digo mais nada. De discursos estamos todos fartos, De intenções, isso é o que mais sobra por cá. De recomendações, disso então nem precisamos de nos encherem os ouvidos. O essencial é que se faça, que se ponham os naturais deste nosso País a tomar consciência de que é imperativo trabalhar-se e não continuarmos a deixar passar o tempo e que, cada um na sua actividade, nos empenhemos o máximo por produzir e que, dentro das nossas portas, façamos o que conseguimos quando somos emigrantes (se bem que, aí, o pavor pelo despedimento ponha os que lá se encontram a não brincar em serviço…), se as palavras do Presidente da República, agora que já não corre o risco de não voltar a ser eleito, forem dirigidas nesses sentido e se, com essa actuação, incutir nos portugueses a tomada de consciência de que não somos, na esmagadora maioria dos cidadãos, cumpridores dos deveres que nos cabem, então sim, alguma utilidade poderão ter as suas palavras. Mas têm de ser repetidas e de deixar que governantes, como é o caso de Sócrates, andem por aí a fazer inaugurações estúpidas e a fazer afirmações de que o nosso Paios se encontra à frente de tudo!!! De discursos estamos fartos. Mas falar claro e dizer as verdades isso é que é essencial. E por aqui me fico.

terça-feira, 8 de março de 2011

Sendo hoje terça-feira de Carnaval, mais uma data marcada para se realizar um acontecimento, e encontrando-se este Portugal na situação em que o contemplamos, não apetece, na verdade, participar numa espécie de alegria forçada, em que as máscaras servem para fingirmos que somos o que não somos.
Deixemos o Sócrates continuar na sua máscara de que está a fazer um trabalho que ele considera ser o melhor para o País.
Eu, por mim, não entro no desfile.
E sendo amanhã o dia estabelecido para a tomada de posse do Presidente Cavaco Silva, ao mesmo tempo que ocorre a Quarta-Feira de Cinzas, só resta aguardar se o que constitui o tradicional funeral carnavalesco estabelecerá alguma comparação do início do período novo da actuação do P.R., com o que marcou o conformismo a que se assistiu na sua actuação anterior.

segunda-feira, 7 de março de 2011

PANO PARA MANGAS


Pegar num assunto a sério
comentá-lo com alguém
mesmo sendo um mistério
que levanta o seu porém
é base de discussão
mesmo zanga à portuguesa
todos julgam ter razão
ninguém quer mostrar fraqueza

Eu é que sei, diz de um lado
tenho de tal a certeza
não posso ficar calado
e não me causa surpresa
tal afirma o sabedor
que é quem provoca zangas
e seja o tema que for
ele dá pano p’ra mangas

E a língua popular
usa termos curiosos
como este do pano dar
p’ra enervar os nervosos
p’rá conversa prolongar
as mangas vêm à baila
só é preciso falar
ainda que nada valha

Isto das mangas faz rir
porque até lembra o pobrete
que nem precisa falir
anda em mangas de colete
afinal neste País
que é bem terra de tangas
não espanta haver quem diz
não chegar pano p’ra mangas

COERÊNCIA


EU TENHO DE SER COERENTE e, como não tenho de prestar contas a ninguém sobre aquilo que opino, pois bem bastaram os muitos anos do tempo da ditadura em que a minha profissão de jornalista era condicionada pelo lápis vermelho dos censores, em face disto e como não tenciono prolongar por muito mais tempo este meu blogue vou, enquanto aqui me encontro, dando vazão ao meu descontentamento sobre o ambiente que nos envolve a todos nós, portugueses.
A verdade, pois, é esta: como as notícias a comentar já são só muito raramente de algum optimismo, a vontade em comunicar com os leitores que terei é cada vez mais diminuta, pelo que a convicção que se me assalta de que já chega, pela minha parte, de contribuir para a tristeza de nós todos, essa tentação de parar aumenta de dia para dia.
No entanto, enquanto aqui vou expondo os pontos de vista que mantenho no que se refere à situação que se atravessa e, sem poder fazer outra coisa, fazendo perspectivas em relação ao futuro, a única coisa que mantenho é a esperança de que os fieis seguidores deste meu blogue o divulguem junto dos seus amigos, pois que o único consolo que ainda tenho neste particular é que o número de leitores que me é indicado com regularidade pela organização dos blogues vá aumentando, caso contrário convenço-me de que é absolutamente inútil este esforço que vou fazendo.
Por outro lado, tenho conhecimento de que há “sites” deste género que contam com um número muito elevado de seguidores fieis, o que provavelmente constitui a prova de que as preferências não se discutem e que existem “bloguistas” que contam com uns fãs, como acontece em tudo que é público, como com os cantores que são seguidos furiosamente por montes de gente, e em que não se necessita de explicação para entender o fenómeno. Cada um tem o que merece.
Mas hoje, não me apetece abordar qualquer tema em específico. E fico-me, portanto, por aqui.
Enquanto for preenchendo este espaço, incluindo todos os dias um poema inédito da minha produção, aqui estarei. Quando deixar de o fazer, também não ficarão grandes saudades. É o que presumo.
Por isso, a partir de agora não será um texto diário que preencherá este espaço. Aparecerá quando me der o apetite e sem obrigatoriedade de cumprir uma espécie de compromisso de todos os dias. um poema inédito da minha produção, Quando deixar de o fazer definitivamente, também não ficarão grandes saudades. É o que presumo. Talvez quando verificar que o comportamento dos portugueses, sobretudo dos políticos que estão instalados nos postos que tanto resguardam como subsistência das benesses que obtêm, ao contrário da maioria esmagadora dos cidadãos, se está a alterar e que a tão desejada Democracia se começa a praticar ainda que os 36 anos da sua existência entre nós não cheguem para se instalar na cabeça das populações os deveres primeiro e só depois as obrigações, quando e se isso suceder então terei algum ânimo para prosseguir.
Até lá, deixo de ter esta função do blogue como um compromisso.

domingo, 6 de março de 2011

PALAVRAS LEVA-AS O VENTO!

Vento que sopras ligeiro
pões os cabelos à solta
és como aquele romeiro
que não se sabe se volta
que vai p’ra lá na estrada
em ligeira caminhada

Quando de mansinho vais
e não provocas pavor
ninguém pensa em vendavais
e menos no Bojador

vento nem sempre é chuvada
pode do ar ser lufada

Mas quando os deuses se zangam
e sopram com muita força
aí os ventos descangam
e não há quem não se torça

e a força da rajada
leva tudo de enfiada

Tal como o ser humano
só é bom o meio termo
moderado não faz dano
em excesso é um estafermo

a fúria de uma rajada
traz consigo a derrocada

Vento, vento és amigo
porque trazes as sementes
que acabam por ter abrigo
em locais que são nascentes

que são as melhores achadas
para as que estão despegadas

Os moinhos te aguardam
tua força dá a luz
dos mesmo que se resguardam
por baixo do seu capuz

sabem que uma ventoada
é boa se é bem usada

E o povo que é sábio
e que por vezes tem tento
diz sem ir ao alfarrábio:
palavras leva-as o vento

e até a própria abrilada
chegou numa madrugada…
…qual vento !