segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

INDECISÕES


É PERFEITAMENTE NATURAL que os portugueses que andam minimamente a par do que se passa no nosso País, com algum conhecimento e, por isso, com uma certa opinião formada, o que, no conjunto dos cerca de dez milhões que dizem sermos, não andarão – digo eu, sem possuir quaisquer dados estatísticos que apoiem este ponto de vista – para além dos quinhentos mil ou, quando muito e recorrendo à maior boa-vontade, dum escasso milhão, esses concidadãos que os políticos, nas suas afirmações discursadas não se cansam de afirmar que “os portugueses conhecem-me…”, andam completamente baralhados em relação ao que poderá vir por aí, agora que a luta pelas presidenciais já passou e o que vai ocorrer entre as relações do PR e do chefe do Governo é coisa que não está ainda muito bem aclarada, nem provavelmente entre eles.
É evidente que a atitude de uma certa concordância que se manteve no primeiro período de Cavaco Silva, que o levou a não interferir, nem por meio da palavra pública, isso facilitou as más medidas que o Executivo entendeu tomar e também os erros de tipo económico e financeiro que levaram a que Portugal tivesse atingido o descalabro em que se encontra, devido à falta de visão e às previdências que eram indispensáveis e que não foram exercidas. Um economista e professor da cadeira, como é ou foi Cavaco Silva, tinha obrigação de contribuir para não ser apanhado de surpresa pela tal crise que foi avançando e, nessas circunstâncias, era sua obrigação ter intervindo, no mínimo utilizando a fala com os portugueses em que, mesmo não podendo obrigar o Governo a mudar de estratégia, fazia reflectir e talvez levasse o primeiro-ministro a tomar alguma cautela contra o seu indesculpável optimismo doentio.
E é isso que ainda se perguntará agora, passado o tempo sobre a data em que ficou encontrado o residente presidencial. Vai o PR pôr de parte preconceitos constitucionais, optando pela defesa dos interesses do nosso País, ainda que tendo de enfrentar as dificuldades que isso lhe possa provocar? Irá ao ponto de, na falta de um acordo institucional por parte dos governantes, lançar a tal “bomba atómica” que será a “arma” de que dispõe e se confina no despedimento do Governo?
Os tais 500 mil ou, quando muito, um milhão de portugueses que terão alguma consciência do que se passa politica e economicamente no nosso País, suportam esta situação a atormentar-lhes os seus pensamentos? E haverá depois grandes indecisões no que se refere à escolha dos partidos, numa eventual votação para a área do Parlamento, se for esse o caso que as circunstâncias poderão impor, sabendo-se que uma crise política em pleno período de enormes dificuldades financeiras que o nosso País atravessa, só se agravarão ainda mais?
Vivemos, de facto, um período de dúvidas. Sabem muitos aquilo que não querem, não sendo demagógico afirmar que o José Sócrates, a manter-se no lugar que ocupa, é que não atingirá algo parecido com a maioria a preferi-lo, mas quem o possa substituir, que partido ou coligação fará, já nesta altura, parte das pretensões dos portugueses, tão longe não se irá provavelmente no nosso País. Serão, pelo contrário, muitas as indecisões.
Perante o panorama político que se atravessa, sabe-se onde se encontra o mal, mas o bom ou até o sofrível é que é mais difícil apontar. Excluindo os inveterados de alguns partidos, mais de esquerda mas também de direita, uns tantos saudosistas do passado, os restantes, a maioria, essa não alimenta uma certeza e caminha bamboleante com o que vai ouvindo aos vizinhos, apenas lastimando-se pela estado a que tudo isto chegou.
Era altura de aparecer algum político, reconhecidamente como sendo uma personalidade séria e competente, que fosse dando, com absoluta independência partidária, indicações daquilo que será o mais conveniente para que os problemas que temos para resolver não aumentem e, claro está, fazendo com que todos nós, os mais humildes e os considerados mais sabedores, mudemos de comportamento e passemos a englobar um esforço comum de produção activa, cada um no seu sector, e, para além disso, os próprios políticos também alterem a sua linguagem de convencidos e, em vez de se atacarem mutuamente e se agarrarem aos poderes, passem a reconhecer os erros que pratiquem, quando existirem, e a emendá-los humildemente, fazendo obra que se veja e não apenas enumerando o que é o ideal, mas não produzindo obra concreta que faça com que sejamos produtivos, conscientes das nossas obrigações de cidadãos que não devem interessar-se apenas pelo emprego, mas desprezando o trabalho, e, remando todos para o mesmo lado, fazer com que este País de grande História mas poucos efeitos alcance o progresso que procura há séculos.
Será um sonho? Pode ser. Mas já terá chegado a hora de nos deixarmos de indecisões e de sermos capazes de encarar a realidade. Com humildade e sem “orgulhos”…

domingo, 20 de fevereiro de 2011

AGNÓSTICO

Deus, sejas tu quem fores e onde estejas
aqui estou eu, perdido na vida
na esperança de que do alto me vejas
e que me indiques a melhor saída

Tens de existir porque o mistério há
pois há muita coisa por explicar
terá sido, sim, algum Jeová
que foi autor do que é de espantar

Não pode haver fundamentalismos
há que aceitar o sim e o não
ser ateu é aos deuses dar prazer

Estou por isso à beira dos abismos
mas não preciso de nenhum perdão
menos a condena de um qualquer

MUÇULMANOS


COMO TODA A GENTE tenho seguido com a maior atenção o que tem vindo a acontecer nos países islâmicos que, como é sabido, não escondem a sua pouca antipatia – quando não é muito pior – pelo munido ocidental e, particularmente, pelos que não praticam a sua religião e, mesmo assim, entre eles, também se defrontam, nas divisões que sustentam, sobretudo entre xiitias e sunistas.
Mas há que reconhecer que causou alguma surpresa verificar que, particularmente na vaga de juventude, tem vindo a crescer o descontentamento face aos governos que comandam os vários países, dando a aparência - que falta ainda confirmar no futuro que aí poderá mostrar se é realmente assim que sucede -, de existir uma aspiração a maior liberdade e a que a democracia, ainda que relativa, chegue a esses pontos onde as pesadas estruturas implantadas há séculos, não deixam que os governos sejam eleitos por vontade da escolha das populações respectivas.
O que ocorreu agora no Egipto (por enquanto ainda escrevo com a ortografia que temos implantada e, como apanhei uma mudança há muitos anos da forma de redigir, não estou muito receptivo, por enquanto, a alterar a forma da minha escrita em português), que se pegou de seguida aos outros povos vizinhos, que vou enumerá-los e de que fazem parte Marrocos, Argélia, Tunísia, Síria, Jordânia, Líbia, Iémen, Djibuti, Bahrain, Omã, Arábia Saudita e Irão – espero não me ter passado nenhuma -, com a primeira queda do ditador Mubarak que, afinal, logo após o seu afastamento demorado e contrário ao seu desejo, deu entrada num hospital com um problema que faz duvidar sobre a sua resistência na luta contra a morte, logo os restantes países com a mesma religião muçulmana utilizaram os seus maiores espaços públicos, principais, no caso a praça chamada da Liberdade, e, como um rastilho, foram contagiados pela aspiração que começou por juntar centenas de milhares de egípcios que, ao fim de 18 dias, conseguiram fazer valer os seus protestos e o brigaram a que o seu presidente não tivesse outro remédio que não fosse o de abandonar o poder.
E, dentro do espanto de todo o mundo, até Muammar Kadhafi da Líbia, sempre tão persistente na sua aposição de condutor dos povo, se encontra em maus lençóis por uma idêntica aspiração dos líbios que não escondem já a sua determinação em fazê-lo abandonar a sua tenda presidencial e ir armá-la noutro sítio.
Mas, afinal, qual o motivo por que dedico este espaço a referir o que já é do conhecimento de todos os que não se desinteressam por saber o que se passa por esse mundo fora?
Pois é tão simples como isto: será que ao Terreiro do Paço lhe falta espaço suficiente para acolher uma multidão de portugueses que, até se poderiam espalhar pelas ruas da Baixa, para bramarem contra a política que José Sócrates tem imposto e que conduziu Portugal à situação em que se encontra nesta altura e ao que se perfila para continuar até atingir os pobres vindouros que não terão culpa nenhuma do País que vão encontrar? É verdade que vivemos em Democracia e que, por isso, existem meios legais que permitem que o Executivo socratiano seja deposto, mas as circunstâncias económicas e financeiras que atravessamos – sempre com o mesmo causador - não têm dado ocasião a que, por via do Parlamento, os passos necessários tenham sido dados e o exemplo dado pelo Bloco de Esquerda até mostrou a maneira de como não se deve actuar para atingir correctamente o objectivo desejado.
Espera-se que o principal partido da oposição seja capaz de, apresentando um plano de Governo, indicando os nomes das personalidades que recomenda para tomar conta das pastas que é preciso ocupar (deixando alguns lugares em branco, para criar a ideia de que, em caso de necessidade absoluta de incluir o CDS no molho de governantes, com o necessário cuidado para que não tem tenham de ser entregues aquelas que não convirá nada que Paulo Portas logo se abotoe com elas, e só então e a guardando a oportunidade no tempo que seja mais adequada para dar aos cidadãos a possibilidade de escolherem, apresentar a moção de confiança que se impõe.
O PSD, pois que outro não se encontra em condições de ocupar o lugar do PS – e não importa já falar de esquerda e de direita, pois o que tem de estar em causa é a salvação do naufrágio do nosso País e já se sabe que existem sempre forças que estão em desacordo com esta medida -, tem de se apressar e de não andar a adiar constantemente aquilo que lhe cabe e que se sabe perfeitamente que constitui uma pesada tarefa que lhe irá acarretar muitas responsabilidades e até revoltas, posto que as medidas a tomar terão de ser muito duras e antipáticas.
Só que temos de pensar todos que se for o FMI a desembarcar no aeroporto, essas imposições restritivas não serão nada doces e aí todos os agrupamentos sindicais meterão as violas nos sacos e há que aguentar mansinho…
Dito isto, vou tratar de mim, pois que o facto de ter saído do hospital não quer dizer que me encontre já em plena forma.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

REGRESSO POR AGORA...


CÁ VOLTEI. Mas não foi, claro está, coisa agradável. Menos mal que o British Hospital é, de facto, um estabelecimento hospitalar perfeito, ainda que, por ser privado, não está à mão de quem não possui contratos de utilização medida, desses que ainda persistem por aí. No meu caso, sendo um antigo sócio da Casa da Imprensa, sempre usufrui das condições que vinham ainda de tempos do passado político, mas nesta época socratiana, subitamente os jornalistas deixaram de gozar desse e de outras protecções que a classe possuía e que, desde intervenções, estadias e medicamentos, tudo era concedido aos profissionais do jornalismo, mas que, já desde três ou quatro anos que tudo isso terminou.
Como o nosso médico de rins e vias urinárias, a quem os jornalistas chamam “o nosso canalizador”, dr. Joshua Ruah, ali exerce a sua actividade operatória, recorrendo a vários malabarismos de auxílio lá temos que recorrer ao referido local de intervenções cirúrgicas para poder atacar as maleitas que os homens sofrem e que, mais ano menos ano, quase todos acabam por ser vítima dos problemas que os atacam.
Não julguem, pois, os profissionais de outras áreas que o meio jornalístico goza de regalias especiais, o que até seria natural, dado que se trata de uma actividade que impõe uma grande dedicação e muito tempo sentado a escrever e que, por esse motivo, os actuantes masculinos são clientes assíduos do referido médico que é considerado como grande amigo.
Mas, este blogue não pretende entrar neste tipo particular de assistência médica dentro de um sistema social que tem vindo a ser drasticamente diminuído em todas as classes espalhadas pela população portuguesa.
Enquanto me mantive resguardado num quarto do referido hospital, pouco contacto tive com o mundo exterior e apenas com algum noticiário que podia ser visto através da televisão, mas encarreguei alguém de me reservar as notícias principais, pois que o vício da informação actualizada é coisa que não se perde em nenhuma fase da vida dos que sempre se dedicaram à recolha actualizada dos acontecimentos que merecem ser bem observados e, caso se justifique, retransmitidos, ainda que seja com comentários adicionais.
Vou, pois, recomeçar este espaço. Até porque, durante a minha ausência, acumulei qualquer coisa como 230 mails que me foram enviados, uma parte deles a estranhar a minha interrupção de presença diária, a que já habituei uma boa porção de seguidores.
Pois aqui estou para dizer que, por enquanto, continuo vivo e disposto a contribuir com este espaço para aqueles que, pelos vistos, o apreciam.
Mas estou ainda muito frouxo e isso leva-me a ter que manter um certo resguardo, pois se elas matam, pelo menos moem…

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

DESEMPREGO

Cada um faz o que pode
o que sabe, o que o deixam
aquilo p’ra que lhe pagam
à espera que se acomode
já que os outros não se queixam
e também não o afagam

Se outra coisa fizesse
se aquilo que faz agora
não fosse do seu agrado
e algo mais merecesse
podia-se ir embora
partindo p’ra outro lado?

Emprego há com fartura
como dantes sucedia
e se podia escolher?
A vida hoje é bem dura
piora dia p’ra dia
o melhor é não mexer

Agora eu faço isto
sem patrão que me ordene
mas também sem ter quem pague
por agora não desisto
sem haver acto solene
oxalá ninguém me esmague

Nesta altura o que é melhor
a quem tem emprego mau
é fazer por conservar
pois será muito pior
escorregar do degrau
ficando a olhar p’ro ar

A vida tem coisas más
fazem a gente infeliz
que causam desassossego
uma delas bem tenaz
que provoca cicatriz
á a tal do desemprego

O homem mal prevenido
distraído com trabalho
olha pouco p’ro futuro
quando à volta há colorido
nem procura um atalho
ignora p’ra lá do muro

Porém a vida é assim
até bem desconcertante
qualquer lado está aberto
e o que é mais ruim
aparece num instante
como o bom pode estar perto

Perder emprego hoje em dia
nos bolsos meter as mãos
é a coisa mais normal
uma grande vilania
que ocorre aos cidadãos
a cada um que é mortal

Comprar hoje e de seguida
cumprir a obrigação
d’ir pagando as mesadas
é confiar bem na vida
sendo novo ou ancião
sem contar com as guinadas

Por isso enfrentar credores
mesmo antigos qu’eles sejam
do tempo em que havia emprego
pertence ao número d’horrores
daqueles que bem aleijam
obrigando a ir ao prego

Os bancos grandes culpados
com isso muito ganharam
de tanto terem fiado
agora sem ordenados
não pagam o que pagaram
é crédito mal parado

Não há quem dê volta a isto
o homem provoca o mal
ir p’ro bem é que é custoso
o desemprego é um quisto
e não existe hospital
que cure tal desditoso



DÍVIDAS


QUANDO SE ANDA a dizer que os nossos descendentes é que vão pagar a pesada factura que os governantes que temos tido deixam de herança, o que é, infelizmente, verdade, esquecemo-nos que nós, que estamos ainda vivos, já somos devedores a outrem e que não é apenas por se ter comprado casa com empréstimo bancário – o que não é o meu caso – ou adquirimos outros bens pela mesma via, como sucedeu a tantos com automóvel e bens caseiros, o que significa que, sem nos ter sido pedida autorização, os cavalheiros que se situam nos lugares de comando se encarregaram de nos pôr com o cobrador à porta, que é como quem diz, posto que nem é assim, dado que o pagamento é feito por vias que aparecem por diversas formas sub-reptícias, como seja, por exemplo, serem incluídas as verbas respectivas em facturações de electricidade e outras, de que não nos podemos escapar.
A notícia triste que apareceu é que Portugal já emitiu, este ano, uma dívida pública no valor de 8,25 mil milhões de euros e, feitas as contas, o financiamento do Estado equivale a dizer que cada português fica devedor de 778 euros. Isto, para além do que cada um tem por pagar das suas aquisições directas. E todos aqueles que se gabam de serem de boas contas, de que não devem nada a ninguém pois que apanhem lá com esta, pois que tanto cabe o adjectivo de devedor aos muito ricos como aos pobrezinhos que têm de recorrer à sopa das instituições da caridade.
E o mais caricato de tudo isto que tem a ver com dívidas que nos caem em cima é que o Governo não se preocupa sequer em dar contas que têm de ser prestadas no futuro, algum até será muito próximo, e que caíram nas nossas costas quando este Executivo já não se encontrar nas suas funções actuais, tendo cada um, desde o Primeiro José Sócrates, partido já para outros “paraísos”, sacudindo a água do capote, e que quem cá ficar que se aguente! Nem sequer sabemos que condições fazem partes dos contratos feitos com diversões países que já nos deitaram a mão, como a China, o Brasil, Angola e outros?
Será que, na hora da substituição do actual ministério de Sócrates, quem tomar o seu lugar vai exigir contas claras e não irá suceder como em tantos sítios no mundo em que, só depois da partida dos chefes máximos, fixando-se geralmente fora das fronteiras para não serem incomodados, é que aparecem todos os “podres” que foram ocultados durante as suas vigências?
Existe alguma garantia de que todo o sistema que se manteve e constituiu a protecção aos amigos do peito, chamem-se eles “boys” ou outra coisa qualquer, será desmantelado, por forma a que os encobrimentos que se têm verificado, ao longo dos tempos presentes e passados, não se mantenham em funções e não possam então criar os entraves conhecidos para que as verdades nuas e cruas surja até ao conhecimento publico?
Eu, por mim, já tenho a maior das dúvidas que se seja capaz de, uma vez por todas, mudar aquilo que constitui uma forma de actuar dos portugueses e que não desaparecerá assim de um dia para o outro.
Tenho aqui afirmado que todos nós temos um pouco de Sócrates e que, tal como a prática democrática para ser praticada com um mínimo de regras são necessárias várias gerações e é por isso que tenho insistido na necessidade de ser criada uma cadeira na classe primária do ensino que meta na cabeça das crianças essa prática de saber ouvir e de só exprimir a nossa opinião depois do parceiro ter terminado – coisa que nenhum dos políticos que há por aí é capaz de fazer!...
E com esta vos deixo por algum tempo. Oxalá não seja muito. É que vou ser sujeito a uma intervenção cirúrgica e não posso garantir que volte e quando.
Um abraço aos que seguem este blogue.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

BURROS

Ter sempre razão
É tão doentio
Como a discussão
Vem do mau feitio

Não saber ouvir
Fechar-se ao diálogo
É como cair
Num triste monólogo

Aqueles que insistem
E são tão casmurros
Enfim, não desistem
O que são é burros

E mesmo na hora
De partir p'ra outra
Se já estão de fora
Dizem que estão noutra

Se fica p'ra trás
O mal que foi feito
Já tanto lhes faz
Estão noutro pleito

Mas nada já muda
Seguem sem razão
Até sem ajuda
Têm ares de leão

São burros, são burros
Dizem os sensatos
Mas eles dão urros
E chamam-lhes chatos

Então na política
São mesmo teimosos
É a ver quem fica
Sempre mais vaidosos

Quando muda a coisa
Outros lhes sucedem
P'ra partir a loiça
Licença não pedem

O povo assim fica
A chuchar no dedo
E já nem critica
Tem medo, tem medo

Na vida, afinal
Quem ganha tem lata
Meter não faz mal
Na poça, a pata

Os burros quem são
Pergunto por fim
São os que no chão
Dizem sempre sim

Burros, pobrezinhos
Nobres animais
Esses, coitadinhos
Não são seus iguais

ANOMALIAS


POIS É. EU FUI UM DESSES!... Na altura das últimas eleições para a Presidência da República, munido do cartão de eleitor e do novo cartão de identidade, chegado que fui à mesa do voto recebi a informação que me teria que deslocar a um local para saber qual era o meu novo número e o local do voto. E aí deparei com uma fila de centenas de pessoas, algumas delas reclamando por se encontrarem ali há imenso tempo. Claro que desisti. E não votei. Logo, pertenço ao número daqueles que não contribuíram com a escolha, logo eu que, desde o primeiro momento em que a Democracia nos permitiu participar em tal acto, nunca tinha faltado a esse direito e até, na primeira acção depois do 25 de Abril, fiz parte de uma mesa no meu bairro.
Mas isso é só para poder ter mais alguma justificação para andar tão desconsolado com o que ocorre no nosso País e me dá alguma força para me servir deste blogue para expandir as minhas lamúrias de português revoltado…
Como nos podemos, pois, admirar de sermos naturais de um País onde morrem as pessoas velhas em casa, serem denunciadas as desconfianças de vizinhos e de parentes às autoridades várias e só passados anos é que se resolve forçar a porta para encontrar os corpos dos desaparecidos muito tempo antes? Isto só poderia acontecer aqui!...
E que nos espanta que tenhamos um primeiro-ministro que, face a todos os acontecimentos de descalabro que ocorrem na nossa Terra, persista doentiamente em discursar publicamente dando largas à sua opinião, de que tudo corre às mil maravilhas e que, em várias áreas, somos até os melhores do mundo?
É então de estranhar que um partido político, nem interessa saber se é de Esquerda ou de Direita… ou de nada, sendo minoritário e, portanto, não conseguindo impor as suas ideias através de qualquer voto, apresente uma moção de censura no Parlamento, até com data marcada, sabendo de antemão que não vai ser acompanhado em tal proposta e que, portanto, o seu gesto só serve para lançar fantasias e com isso desacreditar politicamente o País perante os observadores estrangeiros que, naturalmente, não entendem um gesto inútil de um grupo, ainda que mínimo, que parece andar a brincar no meio de uma situação tão séria como aquela que se travaessa?
Como, por outro lado, de que servem as andanças mercatórias e nas áreas agrícolas de um líder de um partido pequeno, que não tem conseguido subir na posição modesta que tem conseguido nas eleições que têm ocorrido, e que, verdade seja, embota tenha voz possante na Assembleia da República e apresente mesmo críticas directas a José Sócrates, falando sempre com o seu “eu digo”, “eu quero”, como tratando-se de um grupo partidário apenas formado por uma pessoa, o que se verifica é que o seu interesse prioritário é o de alcançar, a todo o custo, o regresso a fazer parte de um Governo que o chame, sabendo-se que unicamente o fará se necessitar do apoio do CDS para formar uma maioria, pelo que voltou a querer, a todo o custo, evidenciar a sua importância, propondo-se como repetidor da liderança do PP, o que conseguiu, demonstração esta de que não são os ideais políticos que interessam, mas apenas a promoção pessoal? Este caso aponta-se apenas como mais um fait-divers da nossa política.
Mas, afinal, não é só em Portugal que os políticos dão mostras de que o que lhes interessa acima de tudo é o seu próprio bem-estar e que resistem nos seu lugares muito para além do tempo que o bom senso e a vontade clara dos povos apontam como devendo ser a sua saída, pois que o que se passou no Egipto e se mostra querer repetir-se em Argélia e noutros países vizinhos do Médio Oriente, para não falar do caso de Berlusconi que, em Itália, não entendeu ainda que o seu comportamento civil não se adapta ao rigor que se impõe aos homens públicos, tudo isso para não referir várias outras situações por esse mundo fora que bem merecem o desprezo do resto do espaço terrestre, todos esses tristes exemplos deveriam servir, por outras razões mas também face ao descontentamento de uma enorme faixa de cidadãos portugueses que não necessitam de montar barracas numa praça lisboeta para provar que a manutenção de Sócrates à frente de um Governo não é desejada por um elevado número de gente do nosso País, mas afinal não são bastante convincentes para fazer acordar do seu sonho quem, pelos vistos, nem se perder umas eleições, se mostra convicto de que chegou a sua hora.
Mas não é, evidentemente, sem levar em conta a situação crítica em que se encontra Portugal, com as enormes dívidas que já nos sobrecarregam e as que serão ainda contraídas não se sabe durante quanto tempo, com uma produção que não chega para criar activos e que não se descobre quem seja capaz de apontar as condições para que ultrapassemos tal linha negativa, que pode um partido político qualquer, sem atender às circunstâncias gerais e sem apresentar primeiro um plano credível e factível, aparecer a derrubar o que, sendo mesmo muito mau, não pode ser posto na rua assim só porque apetece…
O que tem que se exigir é que terminem, antes disso, e de vez, os gastos inúteis que continuam a ser feitos pelo grupo socratiano e que acordem do sono profundo em que se encontram todos esses membros de um Executivo que, quando chegar a altura, têm de ser julgados severamente pelo mau trabalho que têm vindo a fazer, os que ainda lá estão e os que partiram entretanto.
Porque uma coisa tem de ser certa: não podem ser inocentados todos os que, ao redor do seu chefe Sócrates foram e continuam a ser os causadores do estado deplorável a que fizeram chegar o nosso País, por não terem sabido actuar a tempo. Eu, pelo menos, se ainda for vivo, não deixarei de participar, claro que com a escrita, nesse enumerado de maus comportamentos que têm de ficar bem gravados na memória e na má História deste País.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

ÁRVORE E HOMENS

Árvore, homem são iguais
os dois com suas raízes
mas às vezes são demais
e tornam-se uns infelizes

O homem não é excepção
como árvore na floresta
quando chegar dia não
lá parte e se vai desta

A árvore nossa amiga
ali está p’ra nos servir
e quanto mais antiga
melhor é o seu cumprir

O seu fim nunca se sabe
pode até ser na fogueira
logo que o seu tempo acabe
seu destino é ser madeira

A floresta mete medo
quando por lá nos perdemos
é tal e qual o enredo
em que às vezes nos metemos

Subir à árvore em pequeno
é prazer da miudagem
mas pisar um bom terreno
exige menos coragem

Por muito que não se queira
cada dia é menos um
quem chega à nossa beira
acaba por ser nenhum

Os outros dizem o mesmo
a minha vez chegará
toda a gente vai a esmo
ninguém vai ficar por cá

A dúvida que aqui se deixa
é se esta nossa passagem
dá motivo para queixa
de quem fez igual viagem

Se poucos deram por isso
nem mal nem bem praticou
não foi o tal enguiço
enquanto por aqui andou

E a maioria é esta
dos milhões que aí param
é árvore em floresta
se a cortam nem reparam

Alguns que são mais falados
depois da sua partida
até foram maltratados
no percurso desta vida

Não é por muito lutar
durante a sua existência
que alguém pode julgar
que serve de referência

Homem velho, muitos anos
e tanto que ele sofreu
nunca fez grandes planos
só os que Deus lhe deu

A sombra que a árvore dá
para o homem é um prazer
mas quem ao lado está
por vezes nos faz tremer

Contas feitas afinal
entre os dois há diferenças
na busca do ideal
encontramos parecenças

Um e outra são precisos
um queima outra é queimada
mas os homens sem juízos
fazem sempre mais borrada

E tanto corta n’amiga
que um dia fica sozinho
perde onde hoje se abriga
e onde aves fazem ninho

Mas é esse o destino
traçado pela maldade
o homem esse traquino
não melhora com idade


POR CÁ E POR LÁ


ESTE PERÍODO DEMAIS DE UMA SEMANA em que fui obrigado a interromper este meu blogue diário por motivo já indicado de avaria no computador, o que ocorreu neste nosso Portugal deu margem para múltiplas crónicas comentando os acontecimentos, o que, nesta altura e dada a velocidade com que as situações de vão alterando, já não se justifica que acumule num só texto tudo o que constituiu motivo para notícias e que, com a passagem dos dias, ficam logo arrecadadas no esquecimento.
Vou, pois, fazer uma passagem ligeira e referir os que talvez mereça maior atenção. E, desde logo, o anúncio com data marcada da moção de censura ao Governo que o Bloco de Esquerda disse que iria apresentar no dia a seguir à tomada oficial e posse do Presidente da República, essa atitude constituiu, sem dúvida, a mais importante das situações ocorridas na área política nacional. E, se bem que a vontade de uma grande parte dos grupos partidários situados no Parlamento, excluindo, está bem de ver, o próprio PS, o facto de ter sido o Bloco de Esquerda a ser o autor da decisão e que nem ao próprio Partido Comunista agradasse demasiado ser incluído no grupo de apoio a tal proposta, é evidente que todos os outros, especialmente o PSD, não estarão dispostos a seguir uma decisão que é oriunda de um grupo político que se encontra nos antípodas das ideologias socialistas no modelo que o PS segue.
Em resumo, pois, e para não me alongar num tema que já está a ser debatido em excesso, como seja a oportunidade da medida anunciada e os efeitos que ela teria se fosse praticada na data indicada pelos autores, por isso fico-me por aqui, com a clara visão de que se tratou de um atitude que os próprios esquerdistas não crêem que terá algum resultado prático. OP PSD, evidentemente, não vai votar essa proposta… está tudo dito!...
Apetecia-me comentar assuntos sérios, como seja a posição tomada pela senhora Merkel em relação às directrizes que ela propõe para que a Europa encontre um caminho mais prático nas funções que lhe cabem para dar alguma ordem a este Continente que, infelizmente, não dá mostras de encontrar uma atitude de solidariedade em todos os sectores que deveriam ser merecedores de um acordo genérico que servisse de uma espécie de constituição para que todos os parceiros do grupo europeu seguissem uma linha de conduta unânime a todos.
E, sobre este ponto, voltarei ao assunto com a tese que eu defendo há muitos anos de ser criada uma aliança de vários tipos na nossa Península Ibérica, por forma a que esta ponta da Europa pudesse ter voz activa e com peso junto do bloco do nosso Continente e, dessa forma, perante o grupo franco-alemão ou outro, mas com uma verticalidade absoluta e apresentando propostas que merecessem o respeito dos restantes parceiros, por forma a que o peso dos nossos dois países tivesse audiência suficiente para dar mostra de que estamos interessados em unir e não em dividir.
Mas fico-me agora por aqui. Amanhã talvez me debruce um pouco sobre o que mereça ser analisado.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Finalmente, depois de doze dias sem computador e em que andei de mão em mão junto de técnicos para que me recuperassem o disco que parecia estar perdido, lá consegui que um desses salvadores me pusesse isto a funcionar, se bem que com alterações a que me tenho que habituar. Vou, por isso, recomeçar com o meu blogue diário, pelo que me tenho que habituar ao que já constituía antes um hábito.

Vou actualizar-me com o material que há para comentar, neste País em que tudo é difícil, até arranjar um computador.

Saudações a todos os que talvez tenham pensado que eu já teria partido, mas ainda não foi desta, ainda que, como vou ser operado no British na próxima quarta-feira, psovavelmente, se houver alguma complicação, me calarei durante alguns dias.

Entretanto, como o meu novo livro por editar já se encontra pronto, com o título “História de um livro perdido”, pois cá fica para acrescentar ao atafulhado armazém de material para o futuro…

domingo, 30 de janeiro de 2011

ANDAR POR CÁ

Andar por cá a arrastar-se
sem que a idade ajude
vá lá a gente fiar-se
pois tudo nos desilude
e os dias vão passando
vem mais um aniversário
sem saber como e quando
acaba este calvário

O sofrer com a doença
ninguém quer mas tal sucede
lá se vai mantendo a crença
de vir o que bem se pede
p’ra não fugirmos à sina
de dar com o inesperado
situação que mofina
mesmo passando ao lado

Mas, p’ros novos ensinar
devem cá estar os mais velhos
se dizem não precisar
sempre metem os bedelhos
mesmo p’ra não repetir
os erros já praticados
para poder prosseguir
caminhos novos traçados

Ao menos que o sacrifício
que cada idoso suporta
preste algum benefício
e ajude a abrir a porta
qu’aos novos a vida oferece
com teoria sem prática
e a juventude merece

São assim as gerações
e os que ainda se movem
assumem obrigações
por isso não se comovem

SÓ POR CÁ!...


NÃO, NÃO ESTAMOS a passar por nenhum primeiro de Abril. Encontramo-nos mesmo em Janeiro de 2011. Mas a notícia que apareceu, muito timidamente, num rodapé de um diário foi clara: o submarino da esquadra portuguesa que se encontrava já retirado do serviço, de nome Albacora, atracado na Margueira, Almada, onde esperava destino (como tanta coisa que nós mantemos por cá), por falta de uso… afundou-se!
Se isto ocorresse noutro País seguramente que seria motivo para uma averiguação aprofundada e o responsável por tal acontecimento tão caricato seria chamado a explicar-se e a responder pelo desmazelo, pois que, precisamente por já não se encontrar em actividade, talvez pela antiguidade, é que já deveria ter levado um caminho, provavelmente de aproveitamento das partes que ainda pudessem servir para as oficinas náuticas ou outro fim de utilidade. Ma “apodrecer” encostado a um cais e acabar por se afundar, isso é que não sucederia seguramente.
São estes factos que tornam Portugal numa Nação de gente que deixa espantados todos os observadores estrangeiros que ainda se preocupam em acompanhar os acontecimentos que ocorrem entre as nossas portas e que, para países escrupulosos nas suas decisões, constituem factor de risota e de descrédito daquilo que se passa neste extremo ocidental da Europa.
Mudando de assunto, mas já que me refiro a um caso ligado aos submarinos, não posso deixar de salientar a atitude desse activo homem que não pára de se mostrar continuamente perante as câmaras televisivas, numa ânsia excessiva de ser sempre protagonista seja do que seja. Refiro-me a Paulo Portas que, adiantando-se ao que ocorre na complicada situação do Governo de Sócrates e fazendo já as malas com antecipação para um tão desejado regresso à zona ministerial, propôs, numa altura em que não estão à vista eleições legislativas, que se fizesse desde já uma aliança entre o “seu” partido e o PSD, dando de imediato os passos para que o seu substituto no comando do CDS ficasse escolhido a seu gosto, tudo isto numa antecipação que se adapta perfeitamente ao passo que também deu quando, no momento em que exercia as funções de ministro da Defesa – e foi, de facto, uma escolha adequada para aquele lugar de um civil sem a mais pequena experiência de que são as forças armadas! -, pôs a funcionar uma encomenda de submarinos sem que tivessem sido tomadas as precauções que se impunham para não se verificasse depois, como está a suceder, as contrapartidas de compras em igual valor de produtos portugueses (coisa, aliás, difícil de conseguir), o que provocou e irá ainda ocasionar um verdadeiro ataque ao erário público que se está a começar a pagar e deixa para os vindouros o resto que falta… se é que não nos conseguimos livrar do compromisso.
Quer dizer: por um lado não somos suficientemente precavidos para evitar os descalabros que ocorrem para nossa vergonha e, por outro, adiantamo-nos demasiado quando os interesses pessoais se colocam acima do que poderia constituir uma boa medida para o País.
E quando eu afirmo, sem receio de críticas, que, cada vez mais, me desconsola assistir às atitudes dos seres humanos e, se eles se colocam na área dos políticos, ainda maior é o meu desagrado, haverá quem não concorde comigo e está no seu direito. Mas o que não me é dado ver são acções que me façam mudar de opinião.
E então, por cá, a enormidade de maus exemplos que são oferecidos à contemplação dos portugueses, esse caminhar sobre lama que nos atola a todos, não deixa vontade de lutar ingloriamente. Com esta gente o futuro está mais do que definido. Um milagre ou um naufragar, os dois extremos, é o que deixamos aos vindouros. Coitados!...

sábado, 29 de janeiro de 2011

ENGANADO

A rua que m’ensinaram onde ir
a porta com o número que anotei
o caminho que teria de seguir
a difícil rota por onde andei
Tudo com esperança
Sem medrança
porque ali encontraria a felicidade
deixaria para trás a mesquinhez
onde seria pura a amizade
o gosto de viver vinha de vez
Perfeição
Ilusão
porém, depois de muito procurar
por becos e vielas me meter
de ter pensado em não continuar
face à perspectiva de me perder
Parei p’ra respirar
Precisava de m’animar
tinha sido por certo enganado
o que queria ver não existia
tinha tido todo aquele enfado
felicidade total não havia
Avisado fiquei
Mas já não parei
alguém me preveniu pelo caminho
que não valia a pena eu cansar-me
a vida tinha mais do que um espinho
pelo que era esse o conselho a dar-me

Fé que nos cega lá me empurrou
não queria ficar agarrado ao solo
já ninguém ao ouvido me sussurrou
pois era desmedido o desconsolo



ENGANADOS


ASSISTI ONTEM á sessão ocorrida na Assembleia da República e tive de chegar a uma conclusão: que, no que me diz respeito, ando completamente enganado quanto à análise da situação em que se encontra Portugal pois, afinal, segundo as afirmações feitas por José Sócrates, com aquele seu ar de convicção absoluta, encontramo-nos em perfeitas condições e, em muitas áreas, mesmo à frente do que ocorre na Europa!
O pior foi que, logo a seguir, as notícias davam conta da inauguração do novo hospital pediátrico de Coimbra e que, nos cinquenta e vários milhões que foram o seu custo, se tinha verificado um erro de cerca de oito milhões a mais, em relação ao orçamento feito antes, e o prazo também tinha sido excedido, pois tardou em ficar pronto mais três anos do que marcava o projecto. Este é o panorama que se contempla desgraçadamente em Portugal e nada do que esse José Sócrates imagina que ocorre por cá. E não há forma de o fazer entender que é ele que não faz a mais pequena ideia daquilo que somos e do que em vindo a piorar de há uns anos a esta parte. E, já agora e cabendo ainda neste espaço, a notícia ontem divulgado na televisão de que a maior parte de adjudicações de compras públicas são feitas sem concurso, o que é mais do que claro que, por essa via, existem sempre corrupções, luvas dadas por fora, interesses que beneficiam uns tantos, e, uma vez mais, é o Governo o grande culpado por não pôr cobro a tais malandrices.
Quer dizer, por um lado temos um primeiro-ministro que passa a vida a gabar-se tontamente daquilo que diz ser de bom o que fazemos por cá, e que o seu Executivo é o melhor de todo o mundo, e, por outro, aquilo que se verifica é que só nos defrontamos com asneiras de todas a espécie, de que nunca se encontram os responsáveis, sobretudo quando eles provêm da área da governação, como ainda no passado domingo, em plenas eleições, ocorreu aquela vergonha que, em qualquer lugar onde exista bom senso, o primeiro da fila de causadores de tal acontecimento, logo se perfilava para ir à sua vida… mas bem longe de qualquer posição de poder.
Quando até a chanceler Merkel fez saber a todo o mundo que a sua posição é a da solidariedade europeia, advertindo que as dívidas que os países estão a contrair, como é o nosso caso, são o pior passo que pode ser dado, comprometendo o futuro de cada situação dessas, ao mesmo tempo que os nossos vizinhos espanhóis não hesitaram em aumentar a idade da reforma para os 67 anos, ao contrário do que ocorre para cá das nossas fronteiras onde, não ligando aos 65 de idade, uma enorme parte de reformados sai do trabalho na casa dos cinquenta anos, logo ficando a pesar no erário público, o que se assiste por parte das resoluções do conjunto executivo de Sócrates é o não se darem passos que apontem para soluções, porque toda a atenção é dispensada às gabarolices de que somos exemplares.
Claro que, do aumento de desemprego não saímos nem sairemos com esta gente que nem sequer é capaz de entender que, no mínimo, havia que dar uma volta ao elenco nos vários ministérios que são ocupados por já mais do que assumidos incompetentes. E, com isto tudo, o homem de S. Bento não esconde a cara perante as altíssimas remunerações de que já saíram nos jornais os números atribuídos aos administradores de empresas publicas e de que ele, com a autoridade que lhe é conferida, deveria ter posto já ponto final em tais situações.
Não me apetece avançar com mais texto. Perante o triste espectáculo que nos dá sempre o José Sócrates quando surge descaradamente a fazer declarações de enorme competência, sua e do seu elenco, a apontar primeiros lugares a nós que olhamos em volta e só assistimos à pequenez em que fomos colocados por aqueles que só são gabarolas, face a isso, ou fazemos listas tão grandes dos disparates que nem caberiam no espaço que dedico neste blogue ou nos encafuamos na tristeza que nos move.
É o que estou a fazer agora. Amanhã logo se verá.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A ILUSÃO

Ter ilusão sempre ajuda
a vencer o dia-a-dia
ir pensando na taluda
provoca muita alegria

Viver uma vida inteira
a manter tais esperanças
é colocar feiticeira
num jardim só de crianças

Mas na falta de melhor
esperançoso ajuda
pois olhando ao redor

E vendo que nada muda
já serve seja o que for
esperança nos acuda

AS EXCEPÇÕES E A REGRA


QUE INTERESSA LÁ que a situação que o País atravessa seja um dos mais complicados e difíceis de solucionar que jamais a nossa História tenha suportado? Que diferença pode fazer que consigamos ou não sair deste atoleiro em que fomos metidos, por culpa da situação mundial mas também com enorme dose de irresponsabilidade do Governo que temos tido em Portugal desde há uns anos? Tudo isso pode ser atirado para trás das costas pois o assassinato de Carlos Castro nos E.U.A. ocupou as espaços da comunicação social portuguesa muito mais do que o problema de saber se o FMI sempre se vem instalar por cá ou não ou se, como sucede há dois dias, o assunto Casa Pia e o desmentido do principal arguido, Carlos Silvino, mais conhecido pelo Bibi, quanto a tudo que afirmou ao longo de nove anos e serviu para as condenações de diversos acusados de pedofilia, é agora desmentido.
É isto que ocorre neste nosso Portugal. E é com os diferentes “fait divers” que trazem sempre entretido os nossos cidadãos que se conseguem ir esquecendo os gravíssimos problemas que não se solucionam, com eleições ou sem elas.
É verdade? É mentira? Alguém pagou vai pagar ao homem que foi considerado pelo tribunal como o mais culpado desse crime horrendo que é aliciar crianças, sobretudo sem família por perto, asiladas, para entreter sexualmente umas tantas figuras que, por sinal, até são consideradas públicas?
Depois de nove anos de julgamento, como demonstração do estado em que se encontra a nossa Justiça, usando os advogados como elemento de atraso no prosseguimento normal dos julgamentos, a vergonha atinge o ponto máximo que uma Nação pode atingir. E cá fica toda uma população, já tão castigada pela desconfiança que transporta quanto a tudo que constitui acções provenientes das forças políticas e adjacentes que temos, com mais este caso que afasta sucessivamente os portugueses do andamento do seu próprio País.
Já tanto faz como fez! – é o que se houve sair de muitas bocas que se situam na nossas áreas de actuação. O desinteresse, como o que ocorreu no passado domingo, devido ao impedimento criado no acto de votação, com as dificuldades levantadas pelo facto de existir um mau serviço provocado pelos novos cartões de cidadão, até isso que, em qualquer País levantaria uma celeuma com graves consequências, pois cá, não fazendo com que o ministro da Administração Interna não queira pôr o seu lugar à disposição – pois custa muito ficar desempregado e não receber subsídio -, tudo vai cair no esquecimento e só os directores que se demitiram deram provas de que ainda há, felizmente, gente que, sendo nacional, mostram vergonha na cara. Mas são as excepções. A regra é bem outra!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

OPINIÃO

Entendi, já muito tarde
que o dar opiniões
nem sequer serve de alarde
só provoca confusões
faz-nos parecer importantes
e se há alguém que nos oiça
mesmo sendo bem falantes
só pode partir a loiça
em bem calmo ambiente
no meio de muita gente

Se ninguém faz a pergunta
é guardar bem lá no fundo
quanto mais coisas se junta
mais perto se está do mundo
próximo ficando longe
pois que o saber demais cansa
o mais feliz é o monge
que não lhe agrada a falança
o calado é o melhor
quem maça é o falador

Opinar, essa atitude
que há quem goste d’exercer
até faz com que alguém mude
a sua forma de ser
opinião que assente
em bases bem estudadas
pode até ser convincente
não provocando maçadas
tenhamos pontos de vista
sejamos ou não artista

Calado é que eu não fico
não dizer sempre o que penso
que me chamem mafarrico
não preciso de consenso
o que tenho é que dizer
tudo que me vai na alma
pois isso me dá prazer
embora me tire a calma
contrapor é o que importa
pois que a fala não está morta

Afinal o opinar
É só p’ra desagradar

EMENDAR A MÃO


É BONITO PODERMOS ASSISTIR a uma emenda dos erros cometidos. E se isso é proveniente de um político e, por cima, sendo ele português, maior é o prazer que nos pode causar um gesto desse tipo. E eu não sei se a tomada de posição do Presidente da República acabado de reeleger, em que claudicou do seu vencimento naquela funções, ficando a receber apenas as suas duas reformas, de professor jubilado e de antigo funcionário do Banco de Portugal (o que perfaz o montante de cerca de dez mil euros) se deve a um acto de penitência por ter proclamado aquele triste e despropositado discurso, logo após saber da sua vitória na corrida para Belém, o qual foi objecto das mais justificadas críticas e, neste blogue, também eu me insurgi, no dia seguinte, a tão mais pensadas palavras, se isso se deve a um castigo proporcionado a si próprio ou se, não levando em conta o referido acto, em qualquer dos casos teria já na cabeça dar tal passo. Seja como for, os portugueses devem aplaudir o gesto e ficarem satisfeitos pelo voto ter caído na repetição do mandato. seu rendimento Agora, só resta aguardar pelo comportamento de Cavaco Silva em relação ao andamento das operações do Governo de Sócrates – ou do que se seguir -, sendo enorme a ânsia para que não se trate de uma repetição do que sucedeu durante os últimos cinco anos. Ou seja, dentro dos limites que a Constituição impõe, o que não se pode é assistir a um mutismo vindo de Belém, pois que, apesar dos essenciais entendimentos em privado com o chefe do Executivo, se não resultarem as opiniões do Supremo Magistrado e se estas forem objecto de um estudo apurado, a afirmação pública da sua opinião é obrigatória, por muito mau ambiente que cause entre os dois poderes.
Porque a recessão que espreita à porta de Portugal e por muito que o ainda José Sócrates afirme que anda tudo “às mil maravilhas”, a realidade é bem outra e hoje, no dia a dia, os portugueses sentem profundamente nos seus bolsos os efeitos de uma falta de perspectiva que o Governo manteve ao longo dos últimos anos, deixando que os portugueses se precavessem, não criando dívidas, sobretudo junto dos bancos tão solícitos em emprestar, as quais resultaram naquilo a que se assiste hoje: aos créditos ditos mal parados.
O caso do BPN, que se revela agora que já estava falido logo que foi criado, a situação dos submarinos que, embora tenha nascido num Governo anterior e o mau passo dado ficou a dever-se ao então ministro da Defesa, Paulo Portas, mas que a Justiça, que tem vindo a actuar de mal a pior e o poder executivo não encontra maneiras de meter tudo na ordem – do tipo doa a quem doer, pois que não existe outra maneira que seja capaz de solucionar um problema da gravidade deste, que se pode situar no primeiro plano das situações pesadíssimas do nosso País -, agora o caso Casa Pia que, tendo demorado anos sem fim, depara neste momento com uma situação que envergonha os não envergonhados intervenientes na referida área, todos, juízes, advogados, serviços dos tribunais, etc.,ao ponto de se levantar a grande dúvida nacional sobre a forma de comportamento da diferentes instituições que intervêm no apuramento das culpas, assim como a corrupção que está instalada em tudo que é sítio, a grande mas também a pequena, a das luvas que se dão aos fiscais de toda a ordem e que impedem que as leis sejam cumpridas pelos cidadãos, pois que está estabelecido que os cumpridores não conseguem nunca levar a direito os seus direitos, tudo isso é que deveria constituir a preocupação número um de todos os responsáveis, os maiores e os mais pequenos, os que se sentam em cadeirões e em salas bem mobiladas como aqueles que se encontram por detrás dos guichets, e tudo o mais que se encontra na base da situação que atravessamos neste nosso País, com enorme desemprego mas também com um número elevadíssimo de gente disponível que prefere manter-se a receber o subsídio de desemprego do que ir ocupar postos de trabalho, com essa grandiosa lista de situações que deveriam constituir a preocupação número um de todos, desde o Presidente da República, passando pelo sector do Estado e chegando aos cidadãos, claro que o gesto agora demonstrado por Cavaco Silva é digno de ser apreciado. Mas, se me perguntasse, eu diria que achava preferível que aumentassem o rendimento mensal do locatário de Belém assim como o de todos os elementos que têm responsabilidades no caminho que o nosso País leva, do que mantermo-nos a ter de ouvir os “jamais” sucessivos que nos chegam através das demonstrações de incompetência que, pelo menos para os que estão atentos, provoca uma enorme vontade de mudar de nacionalidade. E deixem-me repetir o que afirmo acima: é preferível termos membros do Governo e das instituições do Estado uma boa remuneração, mas que sejam indiscutivelmente competentes, tenham bom senso e sejam sérios, do que pagarmos vencimentos, por muito pequenos que sejam, a gentinha que anda por ali só a coçar o rabo pelos cadeirões, a assistir às inaugurações, a porem-se a jeito para as entrevistas e apara as fotografias e, quanto a resultados, são só disparates…

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

APODRECER


Como ele passa, o grande atrevido
Nem nos dá descanso para pensar
O que fica p’ra trás cai no olvido
Tudo se conjuga no verbo amar

Mas esse tempo, o tão necessário
P’ra levar a vida que nos impõem
Acaba por ser enorme calvário
Da via que os outros nos dispõem

Tal como um verme, rói-nos e tortura
Vai corroendo a carne e a alma
Quase nos tira o que é bom de viver

E é do lado de cá da sepultura
Com o seu tempo e sem perder a calma
Que nós começamos a apodrecer

SER BRUXO


NÃO,EU NÃO SOU BRUXO. Se bem que algum proveito pudesse tirar se me calhasse esse privilégio. O que talvez me ocorra é estar muito atento aos acontecimentos que nos rodeiam e, aproveitando alguma experiência que a vida me concedeu, o que me obrigou a antecipar-me ao que previa que viesse pela frente, fui forçado a tentar evitar o pior, ainda que consciente de que o ter dúvidas e o não albergar certezas sempre ajuda a defendermo-nos melhor dos maus momentos que calham a todos.
Não se tratando de um elogio em boca própria, mas apenas uma observação em voz alta, que é como quem diz, de uma transcrição escrita do que considero ser uma característica que não é por isso que pode atribuir mais felicidade ao seu portador, pois o ter razão antes de tempo não é valorizado neste mundo em que nos movimentamos, apesar disso aqui deixo expresso que este meu blogue não será assim um tão pouco útil meio de ser acompanhado e, quanto isso, sim, sinto-me lisonjeado.
previsão que, na altura, provocou uns tantos comentários desfavoráveis, o facto de ter avisado de que as leis laborais necessitavam de ser revistas, por muito que isso fosse doloroso para quem trabalha por conta de outrem, pois o que estava e Mas vamos ao que importa: então não se tratou de uma continua em questão é o enorme desemprego que grassa no nosso País e tornava-se e mantém-se actual todo o esforço que seja feito para reduzir o número elevadíssimo de gente que não tem trabalho? E o primeiro passo já foi dado, posto que as noticias são de “despedir mais fácil e mais barato”, só restando que a fiscalização, como eu avisei na altura, não permita que sejam cometidos abusos por parte de empresários sem escrúpulos. Se as empresas com dificuldades forem forçadas a reduzir empregados, que o façam para não aumentarem as falências e os encerramentos, mas se voltarem a necessitar de aumentar o seu número de colaboradores, nessa ocasião que recebam um prémio na área dos encargos fiscais, esta a proposta que aqui deixo. Desta maneira, a luta contra o desemprego poderá ter algum resultado.
Mas também, noutra área, o que Mário Soares escreveu ontem, na sua habitual crónica no D.N., de que Sócrates cometeu o erro de dar apoio ao candidato presidencial Manuel Alegre, por evidente falta de visão política – o que nele é habitual -, o que fez foi dividir, isso digo eu agora, o voto dos socialistas entre o poeta e Fernando Nobre, tendo este beneficiado com o disparate, pois que colocou o PS em posição mais difícil para efeitos de uma votação, quando ela ocorrer, na área das legislativas, tendo ainda Mário Soares, nesse mesmo texto, criticado Cavaco Silva pelo seu discurso tão despropositado após este ter tido conhecimento da sua vitória presidencial, e tudo isso também aqui foi referido nesta blogue e logo em seguida a terem ocorrido os casos em questão. E se, até pessoalmente, porque mantenho com Mário Soares uma amizade que vem de longe e que provocou mesmo, durante as dez vez que o acompanhei nas suas visitas como primeiro-ministro e eu nas funções de jornalista, não o sigo em todos os seus pontos de vista e até, nessas ocasiões, trocámos opiniões que nem sempre eram coincidentes, nesta altura, que sigo atentamente essa figura da nossa Democracia e com idade superior à minha, tenho de o felicitar pela lucidez extraordinária que demonstra nos seus comentários e que, no momento difícil que atravessa Portugal, continua a ser uma referência que não deve ser posta de parte.
O facto de não se estar sempre de acordo com os pontos de vista de figuras que tiveram interferência na vida pública nacional, no momento em que foi alterado o sistema político que antes existia, não quer dizer que não se reconheça o valor das actuações que, em momentos concretos, pertenceram a esses seres humanos.
Todos nós, por muito perfeitos que pretendamos ser, praticamos sempre alguns erros. O essencial é que os reconheçamos quando, depois das ocorrências, nos convencemos ou sejamos convencidos de que deveria ter sido diferente o nosso procedimento. E é isso que não sucede com muita gente que, ocupando postos de responsabilidade pública, nunca se dão por vencidos. E nós bem sabemos quem são esses figurões!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A CHUVA


A chuva molha a cidade
Fica mais triste, escurece
É duro, mas é verdade
É assim, quando aparece

Tocada a vento, então,
Mais agreste fica ainda
Nela o Homem não tem mão
Mas por vezes é bem vinda

Sim, há gente que a deseja
Que tanto implora por ela
É o pão da sua boca

Ela é sua benfazeja
Desponta como uma estrela
Toda a chuva será pouca

ÁGUAS PASSADAS


AS ELEIÇÕES decorreram, por sinal mal e em virtude das deficiências tão naturais no nosso País em que, como me sucedeu, nem o bilhete de identidade novo nem o cartão do voto serviram para se exercer esse direito, e como foi tema que se esgotou no domingo, é assunto passado e, cada vez mais e eu não abdico desse comportamento, o que se torna absolutamente necessário é que nos preocupemos com o que está pela frente e não com o que faz parte do antes.
Cavaco Silva, como era esperado, venceu a reeleição e vai, portanto, repetir o mandato, só que temos de esperar que não seja, de facto, uma repetição de comportamento, pois que as circunstância não dão ocasião a que, no cumprimento escrupuloso da Constituição, a sua actuação não se limite a não intervir nem mesmo com um esclarecimento claro e sistemático, que nada o impede de fazer, por forma a marcar aos portugueses qual é a sua posição, ainda que ela não seja condizente com a actuação do Executivo.
Pondo de parte também a infeliz declaração do Presidente da República no CCB, em que não foi capaz e nem teve ninguém que lhe desse uma opinião – se é que ele aceita opiniões estranhas à sua -, pois mostrou recalcamento em vez de ter evidenciado uma posição humilde de ganhador, deixando isso para trás e esperando que as críticas que lhe foram feitas tenham servido para alguma coisa, o que os portugueses talvez aguardem é que os próximos cinco anos de presidência sejam preenchidos por uma actuação positiva, de interferência pública, obviamente sempre depois de esgotados os esforços para que o responsável número um do Governo reflicta profundamente sobre os resultados das medidas que terá em vista tomar.
E, dentro das regras que estabelece a Constituição, o direito de veto presidencial está consagrado e mesmo que as leis nessas circunstâncias venham a ser de novo aprovadas no Parlamento, os pontos de vista do Presidente devem ser tornados públicos, sujeitando-se este ao apoio ou ao desagrado que os portugueses entenderem dedicar-lhes. É esse o risco que os políticos, sejam eles quais forem, têm obrigação de correr, visto que é para isso que assumem os lugares que ocupam e que o dinheiro do Estado lhes paga.
Agora ficamos todos a aguardar que o novo período que temos pela frente se apresente, pelo lado de Belém, mais eficiente e, de acordo com as enormes dificuldades que Portugal vai enfrentar, desta vez não podendo existir desculpas, constitucionais ou outras, que sirvam para ir deixando andar o que está mal em vez de meter mão a fundo nos problemas e não deixando a população entregue às suas dúvidas e a assistir impávida aos erros pecaminosos que são praticados pelos serviços do Estado. Como foi esta, como exemplo, que ocorreu em diversas mesas de voto e de que, certamente, não sairão nunca os culpados.
Se Cavaco Silva foi tão capaz de acusar os restantes cinco candidatos de se terem portado mal durante a campanha, pois que use agora essa mesma actuação ao longo do mandato que cai reiniciar. Sendo que, nesse comportamento de utilidade nacional, aí terá utilidade nacional e não apenas amuo pessoal.
Fui severo com Cavaco Silva? Pois todos nós temos de o ser com ele e com todos os políticos que, se tudo fazem para atingir cargos e não são obrigados a seguir essa profissão, têm de se sujeitar à exposição pública.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

LUSOFONIA - canto quarto (XI I e XIII)

XII

Como somos e como nós falamos
sobretudo isso, a língua nossa
se de alguma coisa nos gabamos
e que não admitimos que façam troça
tudo que digamos e escrevamos
para que a lusofonia possa
ir mostrando o melhor que nós temos
também alguma coisa do que cremos

XIII

Cá no rectângulo poucos ficaram
os bastantes para poder manter
o que havia e não abdicaram
da sua obrigação de defender
pois este reino que alguns criaram
o que Afonso Henriques fez nascer
ainda que com agrura e castigo
no Continente foi então postigo

ESTE PAÍS, SE ASSIM SE PODE CHAMAR1...


NÃO, ISTO NÃO É UM PAÍS. É uma coisa parecida, algo que se assemelha. Mas não é, na verdade, o que se pode considerar como uma Nação com cabeça, tronco e membros. O Chefe do Estado ainda em funções e também candidato ao novo período, afirmou, à saída do acto eleitoral em que também participou, que não mandava nos portugueses. E isso é verdade em parte. Porque, pelo menos pode actuar no sentido de forçar, através da sua crítica pública, a forma deficiente como funcionam muitas e muitas das instituições públicas que existem, até em demasia, neste rectângulo que se chama Portugal.
Ora bem, melhor, ora mal, eu ontem não votei. Digo-o aqui publicamente. Mas desloquei-me ao local que, na minha freguesia, constitui o ponto onde me está indicado para exercer esse meu direito. Mas, com grande surpresa minha, ao apresentar o cartão de eleitor e o cartão de cidadão, foi-me dito que teria de me colocar numa fila longa que existia à entrada da escola onde decorria o acto, pois que os cadernos eleitorais não se encontravam actualizados e, portanto, havia que consultar a base de dados para se saber qual o número que me correspondia.
E o que se passou comigo, que me retirei sem votar, foi o que, segundo deram nota os noticiários, sucedeu a milhares de votantes, não se podendo saber quantos terão actuado dessa forma. E o que se ouviu também nas televisões foi que não se sabia a quem cabia a responsabilidade desta falha, o que não foi diferente do que, ao longo da nossa vida como Estado, desde que ele existe – penso eu -, sempre se verificou: ninguém neste espaço tem culpa de nada; são sempre os outros!
Não, meus caros compatriotas. Isso do patriotismo, que é sinónimo de não se revoltar contra o muito de anormal que se passa neste sítio – de gente mal comportada -, de olhar sempre para a nossa História e, por muito que nos satisfaça, não tem nada a ver com aquilo que deve ser o nosso futuro, que esse, pelo que tem vindo a acontecer desde já muitas dezenas de anos, não pode oferecer perspectivas aceitáveis, o tal patrioteirismo que alguns, sobretudo políticos, se arrogam, tem de ser vivamente condenado pelos efeitos maléficos que contemplamos.
Gostaria de saber o que é que esse homem que se chama José Sócrates e, portanto, o primeiro responsável pelas sucessivas escorregadelas que são frequentes onde vivemos, aqui, poderá explicar no que respeita a este verdadeiro naufrágio na pretensão de captar votos presidenciais. Se aparecerá com o seu estúpido optimismo, com as razões que só ele encontra em todas as situações ou se será capaz de se penitenciar, posto que tudo que sucede, de bom e de mau, a um Estado pertence, a culpa ou o elogio, a quem se encontra à frente de um Governo.
Cá ficamos nós, portugueses, nas mãos e ao sabor das incompetências de quem governa. Já não há paciência possível!
Mas, numa demonstração que julgo não ser necessário fazer, da minha intransigente independência quanto a apoiar uns e atacar outros, visto que só me interessa é o melhor para Portugal, no que se refere à candidatura de Cavaco Silva, que saiu vencedor, chamo agora a atenção para dois factos em que fixei a atenção e que, na circunstâncias actuais em que nada já altera o que foi o voto dos portugueses, se podem apontar no seguinte:
- Que, no decorrer da campanha do já vencedor, se viram os guarda-costas do candidato e que são, precisamente, os mesmos que se encontravam e se encontram de novo ao serviço de Belém, portanto pagos pelo erário público. Resta saber se os carros utilizados não seriam também os que pertencem ao serviço de Belém:
- Depois da eleição e da vitória de Cavaco Silva, o carro que transportou o casal ao CCB, um Mercedes luxuoso acabado de adquirir, tem razão de ser face às economias que se exige que sejam escrupulosamente cumpridas e cujo exemplo deveria vir precisamente do Presidente acabado de reeleger?
Pois é. Se pensarmos que o primeiro PR que Portugal teve logo após a implantação da República ia de eléctrico de sua casa para Belém - e também não é preciso tanto! -, que grande diferença existe nos nossos tempos em que as mordomias máximas não são postas de lado, antes são aproveitadas em pleno.
E já agora, depois de ter ouvido o vencedor Cavaco ter proferido aquele discurso no CCB em que, arrogantemente, se voltou contra os outros candidatos, os vencidos, em lugar de, modestamente, ter agradecido apenas os votos que lhe couberam e limitar-se à sua posição sem ofender os adversários, não posso deixar de criticar severamente quem deu mostras de falta de humildade, Foi uma pena! E, depois ao pretender falar para o público que se encontrava fora, lendo um papel que lhe tinha sido entregue na altura (como seu viu), utilizou a mesma linguagem, o que quer dizer que os seus assessores são os autores do que afirma o professor, mas a responsabilidade é toda de quem não é capaz de entender qual é o comportamento mais correcto de que não se pode afastar. Estou desolado!
Deixem-me lastimar a falta de compreensão e de bom senso por parte dos maiores deste local onde vivemos. Mas, independentemente dessa situação, temos de continuar a viver aqui. Pois façamo-lo…

domingo, 23 de janeiro de 2011

LUSOFONIA - canto sexto (XXXII - XXXIII)

XXXII

A pouco e pouco nasceram cidades
com nomes portugueses p’ra lembrar
que havia que pagar grandes saudades
do que p’ra trás ficara a chorar
não contando para isso as idades
o desejo só era d’avançar
as cidades nasceram pedra a pedra
o resto lá na terra também medra

XXXIII

A língua, sempre a língua que é a nossa
se ia então expandindo pouco a pouco
e antes dos motores era em carroça
que se levava tudo até o coco
e pr’aprendê-la se levava coça
que não dava para ser dorminhoco
e assim contra o tempo lutando
foi o bom português por lá ficando


VOTAR, VOTAR...



PODE PARECER não vir nada a propósito mas, em meu entender, tudo está ligado à nossa condição de sermos naturais de um País que, no que se refere aos seus governantes, quando se trata de solicitar para que não deixem de participar no acto do voto, nesse aspecto é grande a lista de propostas e até de promessas que saem das bocas dos políticos, mas, por outro lado, o prestar os apoios e os serviços que necessitam os portugueses, aí já a situação muda completamente de figura.
Porquê este arrazoado num dia em que são chamados às urnas todos os nacionais, com a ideia, que se entende, de que se trata de uma obrigação cívica? Pois está aí bem à vista: E tem a ver com o acontecimento que foi e está a ser ainda objecto de tanta divulgação pública, o assassinato de Carlos Castro em Nova Iorque, e de que o rapaz que foi protagonista do acto, não se conhecendo ainda os pormenores que levaram a tão brutal morte, mas em que, a família do participante na tragédia, um jovem de Cantanhede que acompanhava o assassinado, preso e possivelmente sujeito a pena pesada que pode ir até à prisão perpétua, necessitando de auxílio por parte do Consulado do nosso País situado na cidade americana, se encontra perante um desinteresse infeliz que nos leva a pensar o que se passaria se o caso fosse ao contrário, isto é, se o preso americano estivesse na cadeia portuguesa. E não é necessário ter grande imaginação, conhecidas que são as actuações da diplomacia ianque para acudir aos seus naturais em situações fora do seu país.
Mas, chamada que foi ao texto esta tristeza dos nossos procedimentos, vem agora a propósito deste domingo de eleições presidenciais, recordar o que é recordado aos cidadãos portugueses para que façam o que dizem ser o seu dever – e é - , quando, em contrapartida, cá, pelo nosso País, não existem deveres, muito menos obrigações, de os responsáveis que ocupam os lugares de serviço público, de cumprirem as tarefas que lhes correspondem e para o que são pagos pelos impostos, no nosso caso bem pesados, que os contribuintes têm de suportar.
Votar, escolher hoje o Presidente da República que vai instalar-se em Belém e que, muito seguramente, será o que lá passou o último período, isso é largamente recomendado. Mas garantir que as obrigações que cabem aos locatários dos deferentes postos da administração pública têm de ser cumpridas, isso é assunto que nem sequer foi focado nas diversas campanhas que ocuparam, também com o nosso dinheiro, uns largos dias e, a partir da eleição, nem será tema que interesse ser debatido, porque a população tem mais com que se preocupar e os dirigentes não querem igualmente chamar o assunto à discussão.
Votamos, os que lá forem colocar o seu papel, e pronto. Os que ficam em casa – e fazem mal – esses riem-se e, a partir desta altura, não deixam de criticar os actos dos que não foram eles que lá os colocaram.
E é este o panorama que nos oferece a nossa querida Democracia que, digam lá o que disserem, ainda é a menos má das políticas. E, ao não haver outra que não permite as ocorrências que os seres humanos, pois que são eles que criam as religiões e as políticas, provocam, seguiremos assim e não vislumbramos, no horizonte que nos é proporcionado, qualquer alternativa que nos leve a preferi-la.
Bem gostaria, mas não tenho perspectivas optimistas para incluir neste meu blogue.

sábado, 22 de janeiro de 2011

LUSOFONIA - INTRODUÇÃO


Aquilo que até hoje nossa história
tem mostrado do que fomos capazes
com alguns desenganos também glória
pondo lado a lado tolos e ases
não tendo conseguido só vitórias
mas deixando alguma obra por fases
merece ser deixada pr’ó futuro
com o génio que houver e com apuro

Os Lusíadas serviram de guia
cantando feitos antes e depois
suspirando pela lusofonia
como tocado por todos os sois
mesmo sem ter génio em demasia
ainda que aspirando sermos dois
daqui eu parto para a caminhada
sabendo qu’é tarefa esforçada

Do princípio se deve começar
percorrendo a via conhecida
com intenção de fazer meditar
sem esquecer rima e a medida
tempos modernos não podem faltar
contando o que tem sido a nossa vida
para que mais nossos vindouros
reconheçam os erros e tesouros

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS (3)


INTERROMPI ONTEM e ainda bem o meu comentário de todos os dias e, naturalmente, nesta altura sobre as eleições presidenciais. O motivo foi indicado, mas também não me encontrava disposto a opinar no que se refere à preferência da escolha. É que, com a maior das franquezas, só poderia referir o menos mau de todos os proponentes, porque, nas circunstâncias actuais que o nosso País atravessa, não deposito absoluta confiança em qualquer das personalidades que se propõem ocupar o lugar, se bem que, como será óbvio, exclua logo à partida alguns que considero completamente fora das perspectivas mínimas que são exigidas.
Mas, sendo hoje véspera do dia em que se verifica a chamada às urnas, também não será o momento para fazer qualquer recomendação dentro da minha óptica, falível como todas. Não deixo de afirmar que dúvidas, essas mantenho-as. Mas como o pior em democracia é não exercer o direito que assiste a todos os cidadãos, mesmo sem certezas há que ir depositar o papelinho na urna para isso montada.
A pesar de tudo, o que julgo poder afirmar nesta altura e mesmo levando em conta que as sondagens já apontam para a personagem que parece ser a que não vai mesmo permitir a passagem a uma segunda volta, o que me leva a escrever este texto é a lástima de não ter assistido, nas passagens que as televisões transmitiram, a nenhuma referência aos inúmeros actos e incompetência que ocorreram nos anos mais próximos de governação e que, se se repetirem ou forem praticados outros de género idêntico, qual a atitude do Presidente eleito.
Vou enumerar uns tantos:
- Já não se põe e hipótese de serem construídos mais campos de futebol por Portugal fora, mas se outra alternativa semelhante se verificar, qual a atitude do então locatário de Belém?
- No capítulo da fiscalização que tem de ser severa em relação aos gastos que, só agora nesta altura se anuncia que o ministro das Finanças vai ter que levar a peito, que medidas tomará o PR, mesmo sabendo-se que não lhe competem constitucionalmente essas funções, para interromper as perdas de cabeça do primeiro-ministro que tiver a seu cargo o Executivo que estiver no poder?
- Algum candidato se referiu ao problema do desemprego, em termos de ser encontrada forma de o diminuir, sabendo-se, como se sabe, que existem dificuldades, por parte de certos empresários, em conseguir interessados em trabalhar, mas que o subsídio de desemprego não motiva a que sejam aceites as propostas que pequenas empresas fazem, pelo que preferem em manter-se naquelas condições e não sofrem, por isso, qualquer eliminação das listas dos protegidos por aquele auxílio?
- Será preferível evitar que se verifiquem conflitos políticos entre Belém e S. Bento, ou, em face do enterro que se estiver a verificar do nosso País, pôr de parte essa precaução e dar aos portugueses conhecimento da opinião do Supremo Magistrado da Nação, isso acompanhado de medidas de última alternativa?
- E, no que se refere ao excesso de viaturas ao serviço de uma enormidade de funcionários públicos considerados merecedores de benesses especiais, qual a opinião da personagem que vier a assumir o referido lugar?
- Claro que, em primeiro lugar, se impõem as conversas privadas com o primeiro ministro que estiver a exercer, mas, face à eventual teimosia deste em não mudar de estratégia, o comunicar aos portugueses qual a posição de Belém, isso é que é preciso ter em conta. O mutismo, nunca!
Por agora não adianto mais e muito haveria a referir e, como todos os cidadãos nacionais, fico na expectativa. Mas sem grande confiança no que aí virá.
A volta a dar a tudo isto é de tal grandeza que não sei se esse “milagre” se operará. E como a situação avançou, no mau sentido, com excessiva velocidade, agora há tudo a aguardar. E as esperanças, se bem que se devam manter dentro do possível, não constituem uma arma de que se disponha por aí perto.
E é tudo o que tenho a dizer nesta véspera da escolha que saia das mãos dos portugueses. E só desejo que não se atinja um número considerado recorde na classe das abstenções!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

LUSOFONIA canto dez (XI I e XIII)

XII

A lusofonia é a riqueza
que nos resta de toda a existência
para nós constitui uma beleza
mas só resiste se houver competência
devemos confessar nossa tristeza
por termos revelado tanta ausência
de uma dura luta ser mantida
por muito que custasse ser parida

XIII

Mais espalhá-la já não é possível
visto que o falar muitos o conseguem
mas não basta, não fica aí o nível
pois é aquilo que os que escrevem
desejariam que fosse possível
e o que não descobridores conseguem
não se admite que não seja crível
não mostrar como português é belo
que terá jus a merecer desvelo
ANDO, DE FACTO, BEM DESILUDIDO em relação aos candidatos que se apresentam para serem julgados no próximo domingo, aguardando, cada um deles, que seja o escolhido e, se não na primeira volta, pelo menos na segunda, como alguns afirmam ir conseguir.
Eu peço desculpa, mas como tiver de ser sujeito a uma colonescopia, não me encontro em condições de acrescentar, como tinha previsto, o ponto de vista que vou mantendo em relação ao que se passa neste nosso País.
Vou ver se arrebito e se, mais tarde, acrescento alguma coisa que valha a pena…
Saudações

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

LUSOFONIA canto dez (VIII e VIII)

VII

Todo o mundo se viu envolvido
pelo bicho medonho qu’abocanhou
tudo que mexia, já sem sentido
e sempre que podia devorou
mas Portugal sendo mais desvalido
a boa solução não encontrou
sofreram muito também alguns ricos
tendo ficado empresas em fanicos

VIII

Mas que fazer porém contra tal mal
se todo o mundo estava a sofrer
disso não se livrava Portugal
ao globo era sina pertencer
aqui governantes deram sinal
de mal cumprir nos fi
zeram ver
desenganos e lutas partidárias
deram ocupação a alguns párias

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS ( 2)


ATÉ AO DIA DA ESCOLHA DO PRESIDENTE continuarei a focar este tema, pois que, ainda que a atenção dos portugueses ande ocupada com as preocupações que abundam no que diz respeito às condições de vida que todos nós sentimos, sempre se reveste de importância grande o analisar qual será o comportamento do homem que vier a ocupar a cadeira de Belém.
Se for o mesmo que vem de trás, Cavaco Silva, será natural que se mantenha a dúvida sobre se se vai tratar de uma repetição de maneira de actuar, ou seja quase nada interveniente em termos práticos, conformado com as limitações que são atribuídas ao PR e permitindo que se pratiquem barbaridades executivas sem uma palavra pública que mostre aos cidadãos que não se trata de um lugar de enfeite político, ainda que as consequências de uma intervenção mais eficaz corra o perigo da desestabilização. Mas sempre será preferível isso do que assistir-se ao afundamento do nosso País, como aconteceu ao longo do período que teve Sócrates como protagonista.
No caso, pouco provável, de assentar em Belém outro protagonista que tem andado a fazer a sua própria propaganda, infelizmente não apareceu uma personalidade que tivesse a capacidade de convencer que algo de novo surgiria com condições para fazer um trabalho que se adapte às circunstância que são as que vivemos neste época.
Falo de Manuel Alegre, por exemplo, dado ter a experiencia destas andanças e ter feito parte de uma posição adversa ao regime salazarista, ainda que a maior parte do tempo o retivesse na Argélia e, portanto, sem intervenção directa no confronto. Mas a demonstração que tem dado, nas intervenções públicas que são transmitidas, da falta de conhecimento das realidades actuais do mundo em que vivemos, também o ataque ineficaz que tem feito a Cavaco Silva, memo sendo este merecedor em certos aspectos, em lugar de ser portador de um discurso que mostre, de forma concreta, qual seria a sua actuação ao estar instalado no lugar que tanto pretende ocupar, tal posição não lhe terá trazido possibilidade de conquistar votos. No caso de se manter o Partido Socialista no poder ou se for outro o grupo político que possa substituir o que ocupa esse lugar, em nenhum dos casos a linguagem de Alegre não me deu a ideia que tenha sido bastante para vir a ser preferido e, provavelmente, nem chegará para que se realize uma segunda volta. E isto digo eu que, por conhecimento antigo do poeta, bem me agradaria que ele tivesse condições para atingir o lugar por que se encontra a bater, mas seria fundamental que mudasse de discurso e usasse a sua boa voz para fazer chegar até aos portugueses casos realistas e explicações concretas da maneira de fugirmos a sete pés da aflição em que nos encontrarmos e de que não há quem diga até que ano, lá muito para diante, os nossos descendentes terão de aguentar. Mas fico-me pelo desejo, posto que as realidades são bem mais duras do que aquilo que gostaríamos de ter.
Quanto aos restantes, a pouca esperança que se vê existir em poderem atingir o primeiro lugar na escala das hipóteses, julgo não ser necessário fazerem-se grandes conjecturas. Há que ser realista e, por muito que possa custar a alguns que têm mantido o desejo de ser outro o panorama, não será desta vez que alcançarão tal propósito.
Mas há que ir votar. E isso para que não venham depois aqueles que não passaram a barreira, sejam eles quais forem, a querer convencer os portugueses de que as abstenções ficaram cheias de intenções de voto nos seus nomes.
Depois disso, perante os resultados, o que nos resta a todos nós é aguardar pelo que virá a seguir. Ou seja, verificar se o Governo que temos se mantém ou se as circunstâncias apontarão para uma alteração profunda do panorama político, que se espera e bem se necessita que conduza Portugal na direcção adequada ao viver melhor, saindo da mediocridade em que temos estado metidos.
Mas eu, neste blogue, vou acrescentando, até ao dia das eleições, aquilo que julgo ser uma opinião fundamentada em anos de vida e de profissão que sempre exerci de um jornalismo que, na época em que a comecei, exigia o cumprimento de regras e, como havia que fugir à garra da censura, obrigava a um estudo profundo da situação política e que, com a transição pós 25 de Abril, que também me apanhou em plena actividade, mais capacidade teve de existir de estar atento à evolução que se operava e de acompanhar a comparação do nosso sistema com o dos outros países democráticos que nos rodeiam por esse mundo fora.
Ninguém me convenceu ainda de que a experiência dos que vêm do regime anterior e continuaram a funcionar na situação nova, essa transição não serviu para nada e que os profissionais do jornalismo que só contactaram com o depois, esses podem emitir opiniões abalizadas servindo-se apenas dos conhecimentos históricos do que foi a época deixada para trás.
Estas eleições, assim como a situação que se vive na época actual têm de provocar maior angústia a quem não deseja, nem por sombras, que se repita o que se passou em Portugal, porque a conheceu, do que aos que só têm uma ideia contada do que foi.
Mas isso é pouco aceite agora.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

LUSOFONIA canto dez (XXI I e XXIII)

XXII

Ter mostrado tanta incapacidade
é desmazelo que me atormenta
é prova de uma enorme maldade
de atitude tornada odienta
pode-se perder tudo mas vontade
especialmente a que não se tenta
essa de não espalhar com destreza
a lusofonia, a nossa riqueza

XXIII

É malvadez que não perdoaremos
todos os que sua língua adoram
dado que p’ro futuro ficaremos
a saber que os vindouros choram
o precioso tempo que perdemos
que todos os lusófonos deploram
mas essa tinha que ser nossa sina
nem nos vale intervenção divina

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS (1)


APROXIMADOS QUE ESTAMOS do dia em que vão realizar-se as eleições presidenciais, já no próximo domingo, dia 23, será altura de todos nós, portugueses, começarmos a dispor de espaço no nosso pensamento para escolhermos quem vamos preferir para exercer as funções que, neste regime semi-presidencialista, correspondem à de acompanhar, com a distância imposta pela Constituição da República, as actuações dos Governos que estiverem eleitos e que lhes caiba a obrigação de serem competentes e honestos de modo a proteger toda uma Nação que está dependente da eficiência de uma porção de indivíduos.
Consciência deste problema por certo que existirá em grande parte dos cidadãos nacionais – não todos, porque, infelizmente, um número considerável de gente aqui nascida e a viver no solo português, não se sente ligada aos problemas que, como sempre foi forma de dizer entre nós, “é a eles que compete tomar conta disto” - , mas repito, um número apreciável de compatriotas não deixa de se inquietar em relação à escolha que for feita pela generalidade.
Acontecem, porém, duas situações que não ajudam a que a população se entregue, com o entusiasmo que deveria existir, à discussão sobre quem se encontrará em melhores condições para ocupar o palácio de Belém. A primeira é que as difíceis condições de resistência do povo, de uma forma geral, às imposições consequentes da crise que nos atacou e à má defesa que o Executivo de Sócrates nos proporcionou, não deixam margem para que se dedique uma grande importância ao acto que se aproxima; e a segunda deve-se ao facto de todos os concorrentes, uns mais e outros menos, mas nenhum a merecer elogio pela sua actuação, terem ocupado o período eleitoral com ataques de ordem pessoal e a perderem tempo com temas de importância secundária, não salientando o que de mais urgente e preocupante deve estar na primeira linha das actuações, por forma a que os portugueses fiquem com a convicção de que a actuação do próximo Magistrado será revestida de uma utilidade inegável.
Um por um, todos merecem uma observação cuidada em relação àquilo que disseram e também ao seu comportamento ao longo do período eleitoral. Não vou aqui comentar aquilo que não contribuiu para que, pelo menos no meu ponto de vista, se possa afirmar que todos os participantes estiveram à altura do lugar a que aspiram. É um facto que existem grandes distâncias entre todos os concorrentes, assistindo-se até a casos que nem merecem ser referidos, não indo eu indicar quais, mas, de uma forma geral, não me tranquilizou o que me foi dado assistir neste ou naquele pormenor.
Seja como for, por agora e faltando ainda uns dias para o acontecimento, deixo expresso que não me sinto satisfeito com o que foi amplamente mostrado nas televisões. E isso preocupa-me.
Mas os políticos não conseguem perceber que não é por se porem a atacar os outros concorrentes – a imitar os confrontos que se passam entre alguns clubes de futebol e em que a má educação de certos dirigentes afasta até os amadores da modalidade desportiva -, que conseguem atrair votos para as suas causas. Se surgisse um ao menos que se apresentasse com ideias concretas (e não apenas teorias) para que Portugal consiga sair do lamaçal em que se encontra, mesmo sabendo-se que é na actuação governativa que essa função tem lugar, isso não se viu nem ouviu com a franqueza que se impõe.
Um Presidente da República não pode exercer o que cabe aos Governos fazerem, mas ninguém proíbe que mostre claramente qual é a sua opinião e, em vez de se manter calado para não criar conflitos políticos, depois de fazer ver ao primeiro-ministro no activo e em privado o seu desacordo em relação a algo que esteja para ser planeado ou já o tenha sido, se não obtiver um acordo pode e deve dizer aos cidadãos que a sua posição não condiz com o que se está a passar. E a Assembleia da República deve estar plenamente ao corrente desse desencontro de pontos de vista, pois que é a ela que cabe tomar posição, sabendo-se como se sabe, que quando existe maioria parlamentar, o Governo se encontra protegido… até certo ponto!
Numa altura em que os juros que se referem à dívida pública se anunciam que não pararem de subir, sendo já superiores a 7% e em que, encontrando-se no mercado internacional a nossa oferta, é cada vez mais assustadora a “herança” que deixamos para o futuro, essa função de Presidente de uma República, que não encontra cura, só pode ser entregue a quem dê o mínimo de garantias de que não vai choramingar ofensas pelas críticas que lhe possam ser feitas, dentro das regras democráticas.
Mas, no que se refere ao Presidente que está ainda em Belém, nesta altura temos de estar preocupados quanto a saber se Cavaco Silva, se repetir as funções, como tudo indica, irá mudar de atitude e puxará a si a responsabilidade, que também lhe cabe e muito, de tudo fazer para não deixar que o nosso País caminhe ainda mais para a derrocada.
E se for outro o vencedor – coisa que parece não estar assim tão garantida -, esta recomendação aplica-se-lhe igualmente. Não é esta a ocasião que permita enganos na escolha. E até será um horror se concluirmos depois que “do mal o menor”!...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

DIREITOS E DEVERES

O Homem tem seus direitos
os gregos foram primeiros
e a Demo com seus defeitos
teve aí os seus obreiros

Os romanos se seguiram
as Doze Tábuas criaram
mas os plebeus não se riram
longe dos nobres ficaram

A Revolução Francesa
fez algo p’lo cidadão
trouxe alguma firmeza
na sua Declaração

Mas só a França lucrou
a Europa estava fora
e o mundo nem se atinou
com tais sinais de aurora

Foi precisa uma guerra
que espalhou p’lo Universo
malefícios de quem erra
mostram o Homem perverso

No fim as Nações Unidas
lá do Homem se lembraram
p’ra tapar muitas feridas
a Declaração criaram

A segunda, a que existe
extensiva a todo o mundo
mantendo o dedo em riste
mas pouco eficaz no fundo

Muçulmanos, por exemplo
tolerância não conhecem
e mesmo crentes no templo
as mulheres só obedecem

Respeitar opiniões
é coisa que não aceitam
provocando explosões
aos que no Islão rejeitam

Porém há tantos que tais
que aos outros não dão direitos
e mandando querem mais
julgando-se até perfeitos

Pois todas as ditaduras
de quaisquer ideologias
têm as mesmas posturas
de severas tutorias

Mas de direitos falando
úteis p’ra todos os seres
é bom não ir olvidando
que também há os deveres

Uns e outros são irmãos
até gémeos por sinal
e todos os cidadãos
devem ter esse ideal

Direitos têm de haver
essa regra é de ouro
mas deveres não esquecer
fazem parte do tesouro

Nunca é demais lembrar
quem os direitos quer ter
que os deveres têm de estar
ao lado de cada ser