Esqueço-me de tudo e de nada
do importante e do singelo
e de forma desvairada
já não sei se vou fazê-lo
e até o que eu prometi
e do que nunca esqueci
o olvido é constante
o puxar pela memória
é acção de cada instante
dava p’ra longa história
pôr em ordem todo o drama
a lista dos esquecimentos
que arde como uma chama
e que voa com os ventos
Este esquecer sem fim
me faz olvidar de mim
domingo, 20 de março de 2011
ESQUECIMENTO
O QUE INTERESSA

QUE INTERESSE PODE TER, aos que por cá se vêem envoltos no problema principal que nos aflige, que o mundo se encontre nesta altura a enfrentar um número enorme de problemas que, pela sua periculosidade e dadas as consequências que se antevêem no horizonte, o mais próximo mas também que surgirá a um prazo que nos atingirá a todos, que razões existem para que os portugueses se incomodem excessivamente se, as situações que ocorrem entre as nossas portas, o termos de encontrar forma de solucionar o maior imbróglio que por cá existe e que se chama Sócrates é isso que nos atinge directamente e o resto é lá com os que se defrontam com berbicachos que os obrigam a solucionar cada um em sua casa?
Na verdade, ao seguirmos os noticiários televisivos e as crónicas que ocupam todos os espaços escritos quer pelas redacções quer pelos colaboradores avulso – e, claro, não excluo os “blogues” -, constatamos que os motivos base de tais escritos e de imagens se filiam no que ocorre nesta fase que se classifica como sendo de uma crise política com que o País se encontra confrontado. A continuação do Governo chefiado por José Sócrates situa-se, no período que estamos a atravessar, o maior acidente que poderia ter chegado até nós e a solução desse fantasma é o que ocupa toda a atenção dos portugueses.
Ao redigir este texto tenho também de concordar que, dentro do princípio de que cada um cuida de si e que com o mal dos outros podemos nós bem – frase bem portuguesa e que se encontra enraizada no espírito bem nacional -, realmente não há desgraças no mundo que possam sobrepor-se àquela de que andamos a sofrer as consequências na pele há, pelo menos, dez anos. Mas, ao parar para reflectir com absoluta independência, não posso deixar de contemplar todo o panorama que o mundo nos está a mostrar desde há já algum tempo e resignar-me a considerar que temos todos nós por cá a sorte de não terem ocorrido neste nosso rectângulo os dramas que fazem sofrer populações e países que se encontram na fase de deitar mãos à obra e de reconstruir tudo, desde o princípio, aquilo que forças da Natureza ou forças humanas deixaram em absoluta destruição material, moral, política e social. Cada caso com as suas causas.
Bem sei que também é uma forma de comportamento lusitano actuar de forma totalmente ao contrário, ou seja não se lastimar quando se quebra uma perna, pois muito pior seria se tivessem sido as duas…, mas há que recorrer sempre a um mínimo de bom senso e de saber medir as dimensões das desgraças e de estabelecer paralelos entre o que ocorre connosco e o que vitima os outros.
Em resumo: as lutas fratricidas que se instalaram no Médio Oriente e que provocaram – e ainda não estão solucionadas – as quedas de alguns governantes de todo o poder e as mortes de muita população que entendeu chegar a altura de terminar com tais situações, sendo que, no caso da Líbia, a recusa de um Kadafi em largar o poder, tem provocado a luta contra o próprio povo líbio e a intervenção em ultimo extremo de países estranhos ao facto interno, provocando ainda maiores aumentos do preço do petróleo, igualmente a falta de entendimento no ambiente dos países reunidos em redor do interesse europeu e da defesa de uma comunidade que se devia apoiar mutuamente, com a mesma moeda mas sem conseguir formar a tal federação que se impõe para que o euro não acabe por se diluir, bem como – e com um verdadeiro sublinhado que deve ser feito - a tão recente e dramática catástrofe ocorrida no Japão e que ninguém garante que não se venha a alastrar, por via da mancha nuclear, a outras zonas do mundo, provocada por terramotos e por tsunamis que o homem não pode controlar, tudo isso, a nós portugueses, mesmo assistindo às descrições de tais acontecimentos, não representa uma aflição tão merecedora da maior atenção do que o caso que podemos resumir chamando-lhe Sócrates, pois, há uns tempos para cá, é esse o motivo de toda a nossa atenção e que consegue reunir o maior número de intervenientes que põem de lado todos os outros enormes casos aflitivos que ocorrem no nosso Planeta.
As manifestações dos “à rasca”, num sábado, a outra ocorrida ontem e organizada pela CGTP, as greves dos camiões, os desfiles dos professores, tudo isso faz deslocar pessoal para, de braço no ar, com cartazes preparados com frases feitas e os chefes desses grupos, que por sinal não são desempregados, tudo isso faz considerar os tão graves problemas que ocorrem no mundo como sendo de somenos importância.
Mas o que nesta altura ocupa todo o espírito lusitano, dos que são a favor dos que são contra, é, sem dúvida, a grande questão de saber se, na semana que vai entrar, o Governo de Sócrates continua agarrado ao poder ou se outra solução surgirá, por via de eleições ou outra, mesmo que a fé em que as coisas melhorem não seja a que domina os que conhecem melhor a situação política, económica, financeira e social do nosso País. Porque esses, entre os quais me situo, não alimentam grandes esperanças de que se encontre à vista uma alternativa que dê garantias de que os que se sentarem no poder tragam as receitas mais adequadas para pôr a funcionar aquilo que se impõe e que é o atacar o desemprego, o aumentar a produção nacional, o acabar drasticamente com as despesas desnecessárias e meter na cabeça dos portugueses que é forçoso que cada um cumpra, com o seu trabalho afincado, a obrigação que lhe cabe de não aguardar que seja o Estado que tem de fazer tudo.
Que existem políticos à espreita para se sentarem nos lugares nos gabinetes, isso está bem à vista. O PSD há já bastante tempo que o demonstra. E o CDS de Portas, hoje até com uma reunião em Viseu em que não foi escondida a sua ânsia em voltar a ocupar um ministério (oxalá não seja de novo a Defesa e não se verifiquem mais compras de submarinos) e em que os seus sequazes apelaram para que lhe fosse dado o posto de primeiro ministro, tudo isso dá mostras de que o ser humano e os portugueses em particular não perdem tempo em demonstrar que são sempre os melhores e que nuca se enganam.
Mas que temos de não ficar parados, lá isso é verdade. E os jovens de hoje, que se dizem que estão agora “à rasca” o que será que vão dizer quando tiverem de fazer dos bolsos os pagamentos dos milhares de milhões das dívidas que têm sido feitas até hoje.
Pessimista? Nem por isso. Quem cá estiver lá para diante, quando tudo isso ocorrer, se houver quem leia blogues antigos que me faça a estátua ou me dê um nome de rua, o que nem será caso para admiração, dado que, segundo parece, estão a preparar uma cerimónia para encontrar uma parede onde surja o nome de Carlos Castro!...
Na verdade, ao seguirmos os noticiários televisivos e as crónicas que ocupam todos os espaços escritos quer pelas redacções quer pelos colaboradores avulso – e, claro, não excluo os “blogues” -, constatamos que os motivos base de tais escritos e de imagens se filiam no que ocorre nesta fase que se classifica como sendo de uma crise política com que o País se encontra confrontado. A continuação do Governo chefiado por José Sócrates situa-se, no período que estamos a atravessar, o maior acidente que poderia ter chegado até nós e a solução desse fantasma é o que ocupa toda a atenção dos portugueses.
Ao redigir este texto tenho também de concordar que, dentro do princípio de que cada um cuida de si e que com o mal dos outros podemos nós bem – frase bem portuguesa e que se encontra enraizada no espírito bem nacional -, realmente não há desgraças no mundo que possam sobrepor-se àquela de que andamos a sofrer as consequências na pele há, pelo menos, dez anos. Mas, ao parar para reflectir com absoluta independência, não posso deixar de contemplar todo o panorama que o mundo nos está a mostrar desde há já algum tempo e resignar-me a considerar que temos todos nós por cá a sorte de não terem ocorrido neste nosso rectângulo os dramas que fazem sofrer populações e países que se encontram na fase de deitar mãos à obra e de reconstruir tudo, desde o princípio, aquilo que forças da Natureza ou forças humanas deixaram em absoluta destruição material, moral, política e social. Cada caso com as suas causas.
Bem sei que também é uma forma de comportamento lusitano actuar de forma totalmente ao contrário, ou seja não se lastimar quando se quebra uma perna, pois muito pior seria se tivessem sido as duas…, mas há que recorrer sempre a um mínimo de bom senso e de saber medir as dimensões das desgraças e de estabelecer paralelos entre o que ocorre connosco e o que vitima os outros.
Em resumo: as lutas fratricidas que se instalaram no Médio Oriente e que provocaram – e ainda não estão solucionadas – as quedas de alguns governantes de todo o poder e as mortes de muita população que entendeu chegar a altura de terminar com tais situações, sendo que, no caso da Líbia, a recusa de um Kadafi em largar o poder, tem provocado a luta contra o próprio povo líbio e a intervenção em ultimo extremo de países estranhos ao facto interno, provocando ainda maiores aumentos do preço do petróleo, igualmente a falta de entendimento no ambiente dos países reunidos em redor do interesse europeu e da defesa de uma comunidade que se devia apoiar mutuamente, com a mesma moeda mas sem conseguir formar a tal federação que se impõe para que o euro não acabe por se diluir, bem como – e com um verdadeiro sublinhado que deve ser feito - a tão recente e dramática catástrofe ocorrida no Japão e que ninguém garante que não se venha a alastrar, por via da mancha nuclear, a outras zonas do mundo, provocada por terramotos e por tsunamis que o homem não pode controlar, tudo isso, a nós portugueses, mesmo assistindo às descrições de tais acontecimentos, não representa uma aflição tão merecedora da maior atenção do que o caso que podemos resumir chamando-lhe Sócrates, pois, há uns tempos para cá, é esse o motivo de toda a nossa atenção e que consegue reunir o maior número de intervenientes que põem de lado todos os outros enormes casos aflitivos que ocorrem no nosso Planeta.
As manifestações dos “à rasca”, num sábado, a outra ocorrida ontem e organizada pela CGTP, as greves dos camiões, os desfiles dos professores, tudo isso faz deslocar pessoal para, de braço no ar, com cartazes preparados com frases feitas e os chefes desses grupos, que por sinal não são desempregados, tudo isso faz considerar os tão graves problemas que ocorrem no mundo como sendo de somenos importância.
Mas o que nesta altura ocupa todo o espírito lusitano, dos que são a favor dos que são contra, é, sem dúvida, a grande questão de saber se, na semana que vai entrar, o Governo de Sócrates continua agarrado ao poder ou se outra solução surgirá, por via de eleições ou outra, mesmo que a fé em que as coisas melhorem não seja a que domina os que conhecem melhor a situação política, económica, financeira e social do nosso País. Porque esses, entre os quais me situo, não alimentam grandes esperanças de que se encontre à vista uma alternativa que dê garantias de que os que se sentarem no poder tragam as receitas mais adequadas para pôr a funcionar aquilo que se impõe e que é o atacar o desemprego, o aumentar a produção nacional, o acabar drasticamente com as despesas desnecessárias e meter na cabeça dos portugueses que é forçoso que cada um cumpra, com o seu trabalho afincado, a obrigação que lhe cabe de não aguardar que seja o Estado que tem de fazer tudo.
Que existem políticos à espreita para se sentarem nos lugares nos gabinetes, isso está bem à vista. O PSD há já bastante tempo que o demonstra. E o CDS de Portas, hoje até com uma reunião em Viseu em que não foi escondida a sua ânsia em voltar a ocupar um ministério (oxalá não seja de novo a Defesa e não se verifiquem mais compras de submarinos) e em que os seus sequazes apelaram para que lhe fosse dado o posto de primeiro ministro, tudo isso dá mostras de que o ser humano e os portugueses em particular não perdem tempo em demonstrar que são sempre os melhores e que nuca se enganam.
Mas que temos de não ficar parados, lá isso é verdade. E os jovens de hoje, que se dizem que estão agora “à rasca” o que será que vão dizer quando tiverem de fazer dos bolsos os pagamentos dos milhares de milhões das dívidas que têm sido feitas até hoje.
Pessimista? Nem por isso. Quem cá estiver lá para diante, quando tudo isso ocorrer, se houver quem leia blogues antigos que me faça a estátua ou me dê um nome de rua, o que nem será caso para admiração, dado que, segundo parece, estão a preparar uma cerimónia para encontrar uma parede onde surja o nome de Carlos Castro!...
sábado, 19 de março de 2011
CAMINHANDO
Caminhante, caminhante
eu sou
e por uma vida errante
nem eu sei para onde vou
sem destino
embora com fim marcado
e porque também desafino
prefiro ficar calado
Pois se falo não me ouvem
é melhor
à volta as sentenças chovem
que horror
nem sequer deixam espaço
e o meu silêncio impõem
não tem valor o que faço
elas não matem mas moem
Mesmo assim lá vou andando
sempre hirto e de pé
às vezes sou eu que mando
outras nem sei quem é
as circunstâncias
são elas que me comandam
grandes ânsias
mesmo mal por vezes mandam
Ficar parado não cansa
as pernas
mas cabeça sempre dança
aceita coisas modernas
ir em frente é preciso
sem hesitar
porque o triste indeciso
morre a olhar para o ar
A pergunta aqui fica
à espera
e a qualquer se aplica
sincera
é melhor sempre correndo
ou não ter pressa em chegar
pois o que se vai fazendo
não pode nunca parar?
Devagar ou em corrida
chega um dia o fim da vida
eu sou
e por uma vida errante
nem eu sei para onde vou
sem destino
embora com fim marcado
e porque também desafino
prefiro ficar calado
Pois se falo não me ouvem
é melhor
à volta as sentenças chovem
que horror
nem sequer deixam espaço
e o meu silêncio impõem
não tem valor o que faço
elas não matem mas moem
Mesmo assim lá vou andando
sempre hirto e de pé
às vezes sou eu que mando
outras nem sei quem é
as circunstâncias
são elas que me comandam
grandes ânsias
mesmo mal por vezes mandam
Ficar parado não cansa
as pernas
mas cabeça sempre dança
aceita coisas modernas
ir em frente é preciso
sem hesitar
porque o triste indeciso
morre a olhar para o ar
A pergunta aqui fica
à espera
e a qualquer se aplica
sincera
é melhor sempre correndo
ou não ter pressa em chegar
pois o que se vai fazendo
não pode nunca parar?
Devagar ou em corrida
chega um dia o fim da vida
ESTAFADOS

O TRISTE ESPECTÁCULO QUE FOI oferecido aos portugueses, nesta última sexta-feira, em que o primeiro-ministro, já sem mostrar preocupação em tentar transmitir a ideia de que está seguro na sua verdade, pois que já não conseguiu esconder frases entre dentes que não foram próprias de quem ocupa um lugar como o de chefe de um Governo, essa amostra da qualidade que temos como cidadãos não deixou quaisquer dúvidas de que, com uma crise ou sem ela, não é possível admitir por mais tempo suportar uma figura como aquela que já entrou no descalabro de atitudes e que, a continuar no lugar, ainda provocará mais estragos neste nosso País tão afundado como Sócrates o deixa.
Quer o Governo caia do poleiro ou não – posto que, para além da possibilidade de ser apresentada uma moção de censura ou a votação do PEC seja negativa é de admitir ainda que o próprio Governo apresente o seu propósito de abandonar as funções -, tudo ainda é de levar em consideração. Mas uma coisa é mais do que certa: continuarem as coisas como estão é que não haverá muitos portugueses que consigam aguentar.
E, para não repetir muito o que foi ontem largamente divulgado em toda a comunicação social, fixo-me apenas num ponto que constituiu uma notícia que ocupava um cantinho de um diário: rezava a notícia que o antigo ministro Jorge Coelho, ao sair do lugar que ocupou nas Obras Públicas, foi ocupar o lugar de vice-presidente da empresa Mota-Engil e que, entre salários e prémios, a sua remuneração anual é de 700 mil euros.
Não considero valer a pena aumentar este espaço com mais considerações e perder tempo com apreciações sobre essa figura política que só desejo saber o que é que lhe vai suceder no dia em que for despedido do cargo que tão mal para Portugal tem desempenhado.
Como nós todos ficamos, isso não é preciso que me digam. Agora ele!...
Quer o Governo caia do poleiro ou não – posto que, para além da possibilidade de ser apresentada uma moção de censura ou a votação do PEC seja negativa é de admitir ainda que o próprio Governo apresente o seu propósito de abandonar as funções -, tudo ainda é de levar em consideração. Mas uma coisa é mais do que certa: continuarem as coisas como estão é que não haverá muitos portugueses que consigam aguentar.
E, para não repetir muito o que foi ontem largamente divulgado em toda a comunicação social, fixo-me apenas num ponto que constituiu uma notícia que ocupava um cantinho de um diário: rezava a notícia que o antigo ministro Jorge Coelho, ao sair do lugar que ocupou nas Obras Públicas, foi ocupar o lugar de vice-presidente da empresa Mota-Engil e que, entre salários e prémios, a sua remuneração anual é de 700 mil euros.
Não considero valer a pena aumentar este espaço com mais considerações e perder tempo com apreciações sobre essa figura política que só desejo saber o que é que lhe vai suceder no dia em que for despedido do cargo que tão mal para Portugal tem desempenhado.
Como nós todos ficamos, isso não é preciso que me digam. Agora ele!...
sexta-feira, 18 de março de 2011
DISCUTIR
Falem, falem por aí
e gritem tudo bem alto
não ouvi tudo, sai
fui ficando em sobressalto
As mãos não têm descanso
a cara acompanha os gestos
o corpo toma balanço
e sai um mar de protestos
Outros não têm razão
estes só dizem verdades
será jactância ou não
Mas são só as liberdades
em que nesta geração
se discutem pluralidades
e gritem tudo bem alto
não ouvi tudo, sai
fui ficando em sobressalto
As mãos não têm descanso
a cara acompanha os gestos
o corpo toma balanço
e sai um mar de protestos
Outros não têm razão
estes só dizem verdades
será jactância ou não
Mas são só as liberdades
em que nesta geração
se discutem pluralidades
FALASAR

JÁ NEM VALE A PENA escrever muito sobre o que se passa neste nosso País, pois as declarações que são feitas repetidamente, tanto pelos que se situam ainda na área da governação como os que, de fora, não se cansam de apontar erros, tudo isso já sobeja de ler e de ouvir, dado que o que interessa é que o estado a que isto chegou já não vai lá com conversas, escritas ou faladas.
Da parte do socratismo, enquanto ainda agoniza no seu lugar e não é corrido seja qual for a forma que possa ser utilizada, não se aguenta mais escutar que o fulano que nos colocou na situação degradante em que Portugal se encontra repete cansativamente que “fez o seu melhor” e que a culpa de tudo isto é daqueles que provocam a crise no seio lusistano que poderia ser bem evitada. Do lado dos opositores não se ouvem outras afirmações que não sejam as de apresentar todos os argumentos que difundem a ideia de que o grande culpado de tudo isto só tem um nome: José Sócrates.
Depois da substituição já indiscutível que ocorrerá do primeiro-ministro e do seu conjunto ministerial, os que tomarem posse vão passar os primeiros tempos a demonstrar os elementos de que passam a dispor e que demonstram a dificuldade (para não dizer impossibilidade) que encontram para poder desempenhar as suas funções que o resultado eleitoral lhes proporcionará e que, face a elas, são forçados a tornar ainda mais difícil a vida dos portugueses, pelo que, perante isso, o pedido de ajuda aos FMIs e outros terá de ser inevitável.
Este é o panorama, por esta ordem ou com outra, para que os portugueses têm de estar preparados para enfrentar e não vale a pena andarmos, uns e outros, a inventar discursatas que só fazem perder tempo, que é o que temos cada vez menos, pois que aquele que se desperdiçou desde há uns dez anos para trás acabou por nos colocar agora perante uma situação que não se compadece mais com ilusões e histórias para apontar os heróis e os vilões.
Claro que o TGV, a ponte nova sobre o Tejo e todas as fantasias que ainda continuam a ser, descaradamente, propagadas pelo actual Executivo, tudo isso será metido na gaveta, para não dizer que irá parar ao caixote do lixo. Mas, entretanto e enquanto o passo da substituição governamental não se der, dado que há que cumprir normas e prazos que, nesta conjuntura que se apresentam, será nessa altura que se tomará consciência do dramático problema que se acrescenta ao já existente. E como os empréstimos externos se reduzirão drasticamente, pois que a desconfiança dos credores, os actuais e os potenciais, fará com que se terá de encarar o enorme perigo de faltar o dinheiro nos cofres do Estado para enfrentar as despesas correntes e aí em todas as áreas de compromissos – os salários públicos, os pagamentos dos juros que caem todos os dias, as reformas, etc. – e será então que a população em geral se revoltará ainda mais perante o verdadeiro estado de “à rasquinha” que não será fácil solucionar.
E, em cada dia que vai passando, o que poderia parecer um mistério toda a embrulhada que resultou da apresentação de um PEC em Bruxelas, sem que por cá não se tivesse verificado um anúncio prévio e sem conhecimento sequer do Presidente da República, nesta altura está mais do que esclarecido: tratou-se de um golpe baixo de Sócrates para provocar que, no Parlamento, a não passagem do documento lhe desse motivo para apresentar a demissão, passando as culpas do facto aos adversários políticos que quererá apontar como os maus da fita!...
Está claramente escrito o nosso destino imediato. Da minha parte, há já bastante tempo que venho a prever um desfecho deste tipo ou de outro que tivesse as mesmas consequências. E aqueles que me acusaram de pessimismo que metam agora a mão na consciência e que tratem de arregaçar as mangas e de enfrentar o que aí vem. E torna-se forçoso dizer aos portugueses que só depende deles o poder, com os anos que isso levará, dar a volta ao panorama. Na agricultura, nas pescas, nas sus empresas e aqueles que trabalham por conta de outros, têm todos os portugueses que convencer-se de que lhes é imposto que deixem de passar o dia agarrados aos telefonemas não profissionais e, mesmo esses, sendo rápidos e práticos. Mas, para isso, os governantes de então, terão que ser os primeiros a dar o exemplo, deixando-se de falasar e não gastando nem um centavo que não seja rigorosamente necessário.
Se os portugueses, aqueles que ainda não estão reformados – cuja percentagem em idades, que não se aceita bem que já o sejam, é elevadíssima -, cumprirem correctamente as funções a que são obrigados essa ajuda servirá de alguma maneira para que a produção nacional se passe a aproximar da que se verifica nos restantes países europeus.
Porque dos políticos pouco há a esperar. Os que ainda não saíram, já se sabe, mas os que vierem não se conhece ainda se serão capazes…
E é esta a futurologia que se pode fazer.
Da parte do socratismo, enquanto ainda agoniza no seu lugar e não é corrido seja qual for a forma que possa ser utilizada, não se aguenta mais escutar que o fulano que nos colocou na situação degradante em que Portugal se encontra repete cansativamente que “fez o seu melhor” e que a culpa de tudo isto é daqueles que provocam a crise no seio lusistano que poderia ser bem evitada. Do lado dos opositores não se ouvem outras afirmações que não sejam as de apresentar todos os argumentos que difundem a ideia de que o grande culpado de tudo isto só tem um nome: José Sócrates.
Depois da substituição já indiscutível que ocorrerá do primeiro-ministro e do seu conjunto ministerial, os que tomarem posse vão passar os primeiros tempos a demonstrar os elementos de que passam a dispor e que demonstram a dificuldade (para não dizer impossibilidade) que encontram para poder desempenhar as suas funções que o resultado eleitoral lhes proporcionará e que, face a elas, são forçados a tornar ainda mais difícil a vida dos portugueses, pelo que, perante isso, o pedido de ajuda aos FMIs e outros terá de ser inevitável.
Este é o panorama, por esta ordem ou com outra, para que os portugueses têm de estar preparados para enfrentar e não vale a pena andarmos, uns e outros, a inventar discursatas que só fazem perder tempo, que é o que temos cada vez menos, pois que aquele que se desperdiçou desde há uns dez anos para trás acabou por nos colocar agora perante uma situação que não se compadece mais com ilusões e histórias para apontar os heróis e os vilões.
Claro que o TGV, a ponte nova sobre o Tejo e todas as fantasias que ainda continuam a ser, descaradamente, propagadas pelo actual Executivo, tudo isso será metido na gaveta, para não dizer que irá parar ao caixote do lixo. Mas, entretanto e enquanto o passo da substituição governamental não se der, dado que há que cumprir normas e prazos que, nesta conjuntura que se apresentam, será nessa altura que se tomará consciência do dramático problema que se acrescenta ao já existente. E como os empréstimos externos se reduzirão drasticamente, pois que a desconfiança dos credores, os actuais e os potenciais, fará com que se terá de encarar o enorme perigo de faltar o dinheiro nos cofres do Estado para enfrentar as despesas correntes e aí em todas as áreas de compromissos – os salários públicos, os pagamentos dos juros que caem todos os dias, as reformas, etc. – e será então que a população em geral se revoltará ainda mais perante o verdadeiro estado de “à rasquinha” que não será fácil solucionar.
E, em cada dia que vai passando, o que poderia parecer um mistério toda a embrulhada que resultou da apresentação de um PEC em Bruxelas, sem que por cá não se tivesse verificado um anúncio prévio e sem conhecimento sequer do Presidente da República, nesta altura está mais do que esclarecido: tratou-se de um golpe baixo de Sócrates para provocar que, no Parlamento, a não passagem do documento lhe desse motivo para apresentar a demissão, passando as culpas do facto aos adversários políticos que quererá apontar como os maus da fita!...
Está claramente escrito o nosso destino imediato. Da minha parte, há já bastante tempo que venho a prever um desfecho deste tipo ou de outro que tivesse as mesmas consequências. E aqueles que me acusaram de pessimismo que metam agora a mão na consciência e que tratem de arregaçar as mangas e de enfrentar o que aí vem. E torna-se forçoso dizer aos portugueses que só depende deles o poder, com os anos que isso levará, dar a volta ao panorama. Na agricultura, nas pescas, nas sus empresas e aqueles que trabalham por conta de outros, têm todos os portugueses que convencer-se de que lhes é imposto que deixem de passar o dia agarrados aos telefonemas não profissionais e, mesmo esses, sendo rápidos e práticos. Mas, para isso, os governantes de então, terão que ser os primeiros a dar o exemplo, deixando-se de falasar e não gastando nem um centavo que não seja rigorosamente necessário.
Se os portugueses, aqueles que ainda não estão reformados – cuja percentagem em idades, que não se aceita bem que já o sejam, é elevadíssima -, cumprirem correctamente as funções a que são obrigados essa ajuda servirá de alguma maneira para que a produção nacional se passe a aproximar da que se verifica nos restantes países europeus.
Porque dos políticos pouco há a esperar. Os que ainda não saíram, já se sabe, mas os que vierem não se conhece ainda se serão capazes…
E é esta a futurologia que se pode fazer.
quinta-feira, 17 de março de 2011
GERAÇÃO SOFRIDA
Que esperanças tinha que houvesse Abril
o que eu ansiava por fim do inferno
bem dentro guardava sonhos mil
e que apodrecesse o que era governo
Levou tempo, tempo demais, demais
vivi o antes até muito tarde
passei por excessivos vendavais
tropecei em muita gente cobarde
Até que chegou, não era sem tempo
veio com armas, não era o ideal
para tantos terá sido contratempo
não estava no programa esse funeral
Foi a euforia, a loucura nas ruas
tirou-se o tampão da garrafa fechada
tal como quem tira por fim as gazuas
do portão de uma quinta trancada
Uns quantos tinham razão de estar felizes
terão sofrido muito até então
não tiveram conta por quantas crises
passaram, apenas por dizerem não
Mas terá sido assim com a maioria,
toda essa gente que se mascarou
vestiu a farda do revolucionário, seria,
por dentro aquilo que mostrou ?
Quantos apanhada a carruagem em giro,
não foram os que ganharam com a troca ?
Fizeram tal e qual como o vampiro
e puseram-se, matreiros, bem à coca
Como ganharam com isso os aproveitas
chorudo futuro festejaram
valeu a pena a troca, largas colheitas
tiraram do campo que outros lavraram
Aqueles que tinham idade para tanto
e passado que sangrava em ferida
quase que foram postos a um canto
tratava-se, afinal, da geração sofrida
Sofrer antes e sofrer depois é muito
não é justo, há que reconhecer
poderá não ter sido esse o intuito
mas é algo que dá para entristecer
Geração sofrida, tem que se dizer,
ela existe, obscura e triste,
a juventude nem pode agradecer
ninguém mostrou e disse em que consiste
E assim se vai escrevendo a História
com lacunas, esquecimentos, inverdades
a geração sofrida escapa à memória
quem não sabe não alimenta saudades
Geração sofrida,
o que não pode estar é arrependida
o que eu ansiava por fim do inferno
bem dentro guardava sonhos mil
e que apodrecesse o que era governo
Levou tempo, tempo demais, demais
vivi o antes até muito tarde
passei por excessivos vendavais
tropecei em muita gente cobarde
Até que chegou, não era sem tempo
veio com armas, não era o ideal
para tantos terá sido contratempo
não estava no programa esse funeral
Foi a euforia, a loucura nas ruas
tirou-se o tampão da garrafa fechada
tal como quem tira por fim as gazuas
do portão de uma quinta trancada
Uns quantos tinham razão de estar felizes
terão sofrido muito até então
não tiveram conta por quantas crises
passaram, apenas por dizerem não
Mas terá sido assim com a maioria,
toda essa gente que se mascarou
vestiu a farda do revolucionário, seria,
por dentro aquilo que mostrou ?
Quantos apanhada a carruagem em giro,
não foram os que ganharam com a troca ?
Fizeram tal e qual como o vampiro
e puseram-se, matreiros, bem à coca
Como ganharam com isso os aproveitas
chorudo futuro festejaram
valeu a pena a troca, largas colheitas
tiraram do campo que outros lavraram
Aqueles que tinham idade para tanto
e passado que sangrava em ferida
quase que foram postos a um canto
tratava-se, afinal, da geração sofrida
Sofrer antes e sofrer depois é muito
não é justo, há que reconhecer
poderá não ter sido esse o intuito
mas é algo que dá para entristecer
Geração sofrida, tem que se dizer,
ela existe, obscura e triste,
a juventude nem pode agradecer
ninguém mostrou e disse em que consiste
E assim se vai escrevendo a História
com lacunas, esquecimentos, inverdades
a geração sofrida escapa à memória
quem não sabe não alimenta saudades
Geração sofrida,
o que não pode estar é arrependida
FMI OU O QUE QUER QUE SEJA!...

ESTA PERGUNTA que constitui uma razão para que o Executivo de Sócrates tudo faça para se manter no poder e ameaçar com a crise política que, segundo ele, será provocada pelos outros e que ele “dá o seu melhor” – frase que pronunciou vezes sem conta na última entrevista que concedeu à televisão – para evitar que cá chegue o que diz ser um mal para o País, mas a questão que divide bastantes opiniões e que não se sabe se será, de facto, uma catástrofe ou uma inevitabilidade, tem, obviamente, que colocar a dúvida em muitos portugueses, pelo menos aqueles que seguem mais atentamente a evolução dos acontecimentos, pois que sofrer no bolso os efeitos das medidas que têm sido progressivamente tomadas isso não passa despercebido.
Mas, a final, o termos de requerer a intervenção do FMI para fazer face ao interminável pedido de empréstimos, com juros cada vez mais elevados, é inevitável ou haverá outra forma de sairmos deste atoleiro em que nos fizeram cair?
E quem é capaz de responder, com total idoneidade e absoluta confiança na sua opinião, a este problema de tão grande importância?
A opinião do que se mantém no lugar de primeiro-ministro de Portugal, essa já se conhece e, honestamente, temos de colocar dúvidas no que nos diz. E os que afirmam que será preferível que as medidas que há que tomar para terminarmos, o mais depressa possível, com a corrida aos empréstimos e se ataque a fundo no corte das despesas que podem ser anuladas, será que tais pontos de vista nos favorecem?
Bem, não vou aqui colocar-me em nenhum dos dois lados. Porque o que é indiscutível é que, se tivesse o Governo feito os cortes que se impunham em tudo que constituiu um vida à grande e à francesa – para usar a nossa expressão antiga -, medidas essas que, aqui neste blogue e lá muito para trás eu apontei em diferentes ocasiões, talvez agora o afogamento não fosse tão profundo, se bem que o problema principal que é de não produzirmos, logo exportarmos, aquilo que consumimos e sermos obrigados a adquirir fora uma larga margem de produtos, se o “sabedor absoluto” Sócrates não fosse o casmurro que tem mostrado ser a sua especialidade, é evidente que não nos encontraríamos tão no fundo como estamos.
Logo, também como o mandão do PS já reconheceu que se os planos que mantém como os mais adequados não forem aprovados na A.R. o seu Executivo se demitirá e ele próprio se colocará à frente do Partido para discutir novas eleições, isso quer dizer que está à vista a tal crise política e que um panorama diferente surgirá neste nosso tão castigado País.
Agora, o que ele não pode é fugir das culpas das consequências de tudo isso. E nem vale a pena entrar em discussão quanto ao passado, por mais recente que ele seja, pois que o que nos tem de preocupar é o futuro e o que caberá aos vindouros ter de suportar, devido à má actuação dos actuais, o enorme “embrulho” de problemas que lhes deixamos.
Com FMI ou sem ele, o destino já está marcado. E a História descreverá, daqui a anos, todos os episódios e apontando as culpas a quem as tiver. Só que já estarão todos mortos e, provavelmente, com nomes postos em ruas e avenidas.
Alguém duvida?
Mas, a final, o termos de requerer a intervenção do FMI para fazer face ao interminável pedido de empréstimos, com juros cada vez mais elevados, é inevitável ou haverá outra forma de sairmos deste atoleiro em que nos fizeram cair?
E quem é capaz de responder, com total idoneidade e absoluta confiança na sua opinião, a este problema de tão grande importância?
A opinião do que se mantém no lugar de primeiro-ministro de Portugal, essa já se conhece e, honestamente, temos de colocar dúvidas no que nos diz. E os que afirmam que será preferível que as medidas que há que tomar para terminarmos, o mais depressa possível, com a corrida aos empréstimos e se ataque a fundo no corte das despesas que podem ser anuladas, será que tais pontos de vista nos favorecem?
Bem, não vou aqui colocar-me em nenhum dos dois lados. Porque o que é indiscutível é que, se tivesse o Governo feito os cortes que se impunham em tudo que constituiu um vida à grande e à francesa – para usar a nossa expressão antiga -, medidas essas que, aqui neste blogue e lá muito para trás eu apontei em diferentes ocasiões, talvez agora o afogamento não fosse tão profundo, se bem que o problema principal que é de não produzirmos, logo exportarmos, aquilo que consumimos e sermos obrigados a adquirir fora uma larga margem de produtos, se o “sabedor absoluto” Sócrates não fosse o casmurro que tem mostrado ser a sua especialidade, é evidente que não nos encontraríamos tão no fundo como estamos.
Logo, também como o mandão do PS já reconheceu que se os planos que mantém como os mais adequados não forem aprovados na A.R. o seu Executivo se demitirá e ele próprio se colocará à frente do Partido para discutir novas eleições, isso quer dizer que está à vista a tal crise política e que um panorama diferente surgirá neste nosso tão castigado País.
Agora, o que ele não pode é fugir das culpas das consequências de tudo isso. E nem vale a pena entrar em discussão quanto ao passado, por mais recente que ele seja, pois que o que nos tem de preocupar é o futuro e o que caberá aos vindouros ter de suportar, devido à má actuação dos actuais, o enorme “embrulho” de problemas que lhes deixamos.
Com FMI ou sem ele, o destino já está marcado. E a História descreverá, daqui a anos, todos os episódios e apontando as culpas a quem as tiver. Só que já estarão todos mortos e, provavelmente, com nomes postos em ruas e avenidas.
Alguém duvida?
quarta-feira, 16 de março de 2011
A REALIDADE
Ilusão é de facto uma virtude
o sonho também ajuda a vencer
pensar no que é belo dá saúde
é só ver na vida o que é prazer
Imaginar agrada, as coisas boas
deixar para trás tudo que não presta
não atender às popas só às proas
seguir no mundo levantando a testa
Os desejos, mesmo não conseguidos
não serão no todo fatalidade
ainda que acabem nos olvidos
No fundo existe alguma crueldade
ao pôr em uso todos os sentidos
vendo ser outra a realidade
o sonho também ajuda a vencer
pensar no que é belo dá saúde
é só ver na vida o que é prazer
Imaginar agrada, as coisas boas
deixar para trás tudo que não presta
não atender às popas só às proas
seguir no mundo levantando a testa
Os desejos, mesmo não conseguidos
não serão no todo fatalidade
ainda que acabem nos olvidos
No fundo existe alguma crueldade
ao pôr em uso todos os sentidos
vendo ser outra a realidade
CONVERSAS FIADAS

NO DIA EM QUE FOR POSSÍVEL, neste nosso País, não nos incomodarmos com o que um primeiro-ministro diz ou deixa de dizer, o que não sucede no momento que atravessamos, nessa altura, ainda que a situação económica, financeira e social não se tenha ainda recomposto do estado em que se encontra agora, pelo menos não nos atormentaremos perante aquilo que somos forçados a suportar e que é o que sai da boca de um fulano que dá toda a ideia de viver noutro planeta e de não ter a menor ideia da realidade que o rodeia a ele a todo o País onde existimos.
Este sentimento não constitui uma raridade em Portugal. Basta andar por todos os sítios por onde passamos ao longo deste nosso território e o que se escuta com mais vulgaridade é a adversidade quanto ao governante que está instalado e que se encontra protegido pelo receio de todas as partes com possibilidades em ocupar o lugar que lhe tem cabido, mas que não se atrevem a tomar a decisão. É que dar a volta de 180 graus aos procedimentos que sejam capazes de colocar o nosso País numa plataforma que possa ser considerada como a possível e minimamente certeira, isso quando conscientemente, a situação atingiu aquela considerada como a de não ter ponta por onde se lhe pegue, tal pavor em pegar num País que atingiu o fundo do poço e que nem um milagre o consegue fazer subir à superfície apenas pelos seus próprios meios, é esse grau de debilidade que assusta qualquer provável sucessor nas funções de chefe de um novo Governo e que o faz reter-se apenas como comentador e maldizente.
Mas que as coisas não podem permanecer durante mais tempo como estão, que, por mais difíceis que tenham de ser as soluções para repor Portugal no caminho que lhe pertence por direito e como Nação europeia a cumprir o papel que a História lhe reserva, tem forçosamente que surgir alguma solução, ainda que se mantenha a ideia de que a dependência dos restantes modos que, do exterior, lá têm vindo a fazer aumentar a enorme dívida que já está assente na pipa e que algum dia haverá que liquidar, o que entrou mais os elevadíssimos juros que sobrecarregam os vindouros nacionais.
Da Europa, a que aderimos com a esperança de que se tratava de uma comunidade que iria funcionar como uma federação, até talvez uns futuros estados unidos, verifica-se que a promessa feita nos primórdios da sua constituição como CEE est5á cada vez mais longe de se verificar. Cada um por si e ninguém por todos é o panorama que se apresenta para os que, como Mário Soares, tanto aspiravam que se concretizasse um dia.
A ideia que eu defendo há muitos anos de se formar, com a vizinha Espanha, uma espécie do Benelux, a Ibéria, para lhe dar um nome, em que esta Península daria mostras da sua força no compromissos que fossem firmados no conjunto das nações que aderiram à Comunidade europeia, discutindo, lado a lado, com a Alemanha e a França, as formas de levar por diante a unidade que tem faltado neste nosso Continente, tal proposta encontra-se muito longe de vir a ser concretizada, posto que, sobretudo do lado de cá da fronteira, não se viu nunca e também agora uma iniciativa governamental e parlamentar que conduza a tal passo.
Daí que estamos entregues a nós mesmos. E como não há razão para crer que a actual conjectura do Executivo seja capaz de enfrentar abertamente a difícil situação em que nos encontramos, pois que a teimosa convicção de Sócrates de que ele é único com razão e senhor da verdade absoluta, a saída possível reside apenas na queda forçada do Gabinete governamental e desejar que, no seu lugar, os portugueses tenham capacidade para escolher razoavelmente o substituto, um partido ou uma coligação, que, em derradeira causa, pegue no doente chamado Portugal e consiga libertá-lo da morte anunciada.
A todos nós, que ainda estamos vivos, só nos resta assistir ao espernear do defunto e tudo fazer para que consigamos, através da produção, que é o que sempre nos faltou, suportar o consumo interno e conquistar até mercados externos. Não há outra maneira de podermos subsistir. E isso quer dizer que cada um de nós se deve compenetrar de que o trabalho é isso mesmo: o não passarmos o tempo na conversa, nas fugas ao café, nos telefonemas a torto e a direito, e sim utilizar todo o período de actividade apenas agarrados ao que devemos fazer e a produzir.
É isto que compete a todos os que se situam nos lugares de comando, começando pelo Presidente da República e incluindo todos os lugares de chefia, incluindo o Parlamento, dando o exemplo de arregaçar as mangas, de restringir ao máximo as despesas inúteis e de recomendar aos portugueses aquilo que é forçoso que lhes seja dito, sem tibiezas e sem complexos.
A morte anunciada do nosso País só será evitada se acabarmos de vez com as conversas fiadas dos políticos, sejam eles quais forem, e se passe dos discursos à acção.
Não vejo outra forma.
P.S. – Acabo de seguir com a maior atenção a entrevista que José Sócrates deu à SIC e, em primeiro lugar, só tenho que lastimar que continuemos a não dispor de jornalistas com capacidade para apresentar um questionário – e não a fazer afirmações que não lhes competem – que obrigue os entrevistados a não se repetirem nos pontos que lhes interessam e a deixar em claro respostas que os obriguem a não fugir às questões. E foi isso que sucedeu ontem.
Mas, quanto a poder ainda existir alguma expectativa no que respeita a declarações que ajudassem a esclarecer a forma de fazer política do que ainda se mantém como primeiro-ministro e, pelos vistos, face a uma eventual crise politica (que Sócrates referiu 23 vezes), declarou-se disponível para concorrer a outras eleições. Logo, agarrado ao poder ele está. Mas há que voltar ao assunto. Depois…
Este sentimento não constitui uma raridade em Portugal. Basta andar por todos os sítios por onde passamos ao longo deste nosso território e o que se escuta com mais vulgaridade é a adversidade quanto ao governante que está instalado e que se encontra protegido pelo receio de todas as partes com possibilidades em ocupar o lugar que lhe tem cabido, mas que não se atrevem a tomar a decisão. É que dar a volta de 180 graus aos procedimentos que sejam capazes de colocar o nosso País numa plataforma que possa ser considerada como a possível e minimamente certeira, isso quando conscientemente, a situação atingiu aquela considerada como a de não ter ponta por onde se lhe pegue, tal pavor em pegar num País que atingiu o fundo do poço e que nem um milagre o consegue fazer subir à superfície apenas pelos seus próprios meios, é esse grau de debilidade que assusta qualquer provável sucessor nas funções de chefe de um novo Governo e que o faz reter-se apenas como comentador e maldizente.
Mas que as coisas não podem permanecer durante mais tempo como estão, que, por mais difíceis que tenham de ser as soluções para repor Portugal no caminho que lhe pertence por direito e como Nação europeia a cumprir o papel que a História lhe reserva, tem forçosamente que surgir alguma solução, ainda que se mantenha a ideia de que a dependência dos restantes modos que, do exterior, lá têm vindo a fazer aumentar a enorme dívida que já está assente na pipa e que algum dia haverá que liquidar, o que entrou mais os elevadíssimos juros que sobrecarregam os vindouros nacionais.
Da Europa, a que aderimos com a esperança de que se tratava de uma comunidade que iria funcionar como uma federação, até talvez uns futuros estados unidos, verifica-se que a promessa feita nos primórdios da sua constituição como CEE est5á cada vez mais longe de se verificar. Cada um por si e ninguém por todos é o panorama que se apresenta para os que, como Mário Soares, tanto aspiravam que se concretizasse um dia.
A ideia que eu defendo há muitos anos de se formar, com a vizinha Espanha, uma espécie do Benelux, a Ibéria, para lhe dar um nome, em que esta Península daria mostras da sua força no compromissos que fossem firmados no conjunto das nações que aderiram à Comunidade europeia, discutindo, lado a lado, com a Alemanha e a França, as formas de levar por diante a unidade que tem faltado neste nosso Continente, tal proposta encontra-se muito longe de vir a ser concretizada, posto que, sobretudo do lado de cá da fronteira, não se viu nunca e também agora uma iniciativa governamental e parlamentar que conduza a tal passo.
Daí que estamos entregues a nós mesmos. E como não há razão para crer que a actual conjectura do Executivo seja capaz de enfrentar abertamente a difícil situação em que nos encontramos, pois que a teimosa convicção de Sócrates de que ele é único com razão e senhor da verdade absoluta, a saída possível reside apenas na queda forçada do Gabinete governamental e desejar que, no seu lugar, os portugueses tenham capacidade para escolher razoavelmente o substituto, um partido ou uma coligação, que, em derradeira causa, pegue no doente chamado Portugal e consiga libertá-lo da morte anunciada.
A todos nós, que ainda estamos vivos, só nos resta assistir ao espernear do defunto e tudo fazer para que consigamos, através da produção, que é o que sempre nos faltou, suportar o consumo interno e conquistar até mercados externos. Não há outra maneira de podermos subsistir. E isso quer dizer que cada um de nós se deve compenetrar de que o trabalho é isso mesmo: o não passarmos o tempo na conversa, nas fugas ao café, nos telefonemas a torto e a direito, e sim utilizar todo o período de actividade apenas agarrados ao que devemos fazer e a produzir.
É isto que compete a todos os que se situam nos lugares de comando, começando pelo Presidente da República e incluindo todos os lugares de chefia, incluindo o Parlamento, dando o exemplo de arregaçar as mangas, de restringir ao máximo as despesas inúteis e de recomendar aos portugueses aquilo que é forçoso que lhes seja dito, sem tibiezas e sem complexos.
A morte anunciada do nosso País só será evitada se acabarmos de vez com as conversas fiadas dos políticos, sejam eles quais forem, e se passe dos discursos à acção.
Não vejo outra forma.
P.S. – Acabo de seguir com a maior atenção a entrevista que José Sócrates deu à SIC e, em primeiro lugar, só tenho que lastimar que continuemos a não dispor de jornalistas com capacidade para apresentar um questionário – e não a fazer afirmações que não lhes competem – que obrigue os entrevistados a não se repetirem nos pontos que lhes interessam e a deixar em claro respostas que os obriguem a não fugir às questões. E foi isso que sucedeu ontem.
Mas, quanto a poder ainda existir alguma expectativa no que respeita a declarações que ajudassem a esclarecer a forma de fazer política do que ainda se mantém como primeiro-ministro e, pelos vistos, face a uma eventual crise politica (que Sócrates referiu 23 vezes), declarou-se disponível para concorrer a outras eleições. Logo, agarrado ao poder ele está. Mas há que voltar ao assunto. Depois…
terça-feira, 15 de março de 2011
NATUREZA
Flores do meu jardim
pássaros em torno
cheiro a alecrim
ver porta do forno
pedras reluzentes
ventinho que passa
a palha nos dentes
o sol na vidraça
som melodioso
delícia d’ouvidos
d’um autor famoso
lá de tempos idos
a sombra gozando
de árvore frondosa
sentadinho estando
de forma dengosa
vejo caracol
a passar sem pressa
pauzinhos ao sol
algo qu’o aqueça
Bela Natureza
qu’o Homem despreza
falta-lhe firmeza
para impor limpeza
deixar sujidade
por onde se passa
em qualquer cidade
em total desgraça
antes era limpo
falta de cuidado
só porque o repimpo
é do seu agrado
e a pouco e pouco
com andar dos anos
se torna bacoco
por causa dos danos
Mas o meu jardim
que eu cuido com zelo
transporta p’ra mim
o prazer do belo
aqui não se suja
nada vai pr’o chão
sem medo que fuja
o auto do borrão
o sol e a chuva
chegam quando querem
são com’uma luva
quase nada ferem
se assim fosse o mundo
onde muit’estragam
pondo tud’imundo
e bastante esmagam
mas que diferença
do que ver é dado
alguma doença
põe em mau estado
quem respira pós
que pairam no ar
pois que não há prós
só contras d’azar
Se no Paraíso
que dizem haver
é grande o juízo
não dá p’ra sofrer
tudo se conserva
sem ninguém ‘stragar
e se há lá erva
e é são o ar
sem a sujidade
que o vivo provoca
ninguém tem saudade
nem a Terra evoca
então vale a pena
daqui se partir
p’ra ter outra cena
gostar de dormir
estar descansado
com o que o rodeia
até acordado
por nada anseia
Mas aqui na ‘sfera
onde sobra gente
nem a Primavera
faz nascer semente
do amor à Terra
criando um futuro
liberto de guerra
com tudo bem puro
onde a amizade
acima de tudo
e a lealdade
serão conteúdo
razão de viver
se se cumprir bem
o que é prazer
ajudar alguém
então para isso
Natureza amar
será compromisso
não pode faltar
Não sujemos pois
o que é de todos
sejamos heróis
sem quaisquer engodos
pássaros em torno
cheiro a alecrim
ver porta do forno
pedras reluzentes
ventinho que passa
a palha nos dentes
o sol na vidraça
som melodioso
delícia d’ouvidos
d’um autor famoso
lá de tempos idos
a sombra gozando
de árvore frondosa
sentadinho estando
de forma dengosa
vejo caracol
a passar sem pressa
pauzinhos ao sol
algo qu’o aqueça
Bela Natureza
qu’o Homem despreza
falta-lhe firmeza
para impor limpeza
deixar sujidade
por onde se passa
em qualquer cidade
em total desgraça
antes era limpo
falta de cuidado
só porque o repimpo
é do seu agrado
e a pouco e pouco
com andar dos anos
se torna bacoco
por causa dos danos
Mas o meu jardim
que eu cuido com zelo
transporta p’ra mim
o prazer do belo
aqui não se suja
nada vai pr’o chão
sem medo que fuja
o auto do borrão
o sol e a chuva
chegam quando querem
são com’uma luva
quase nada ferem
se assim fosse o mundo
onde muit’estragam
pondo tud’imundo
e bastante esmagam
mas que diferença
do que ver é dado
alguma doença
põe em mau estado
quem respira pós
que pairam no ar
pois que não há prós
só contras d’azar
Se no Paraíso
que dizem haver
é grande o juízo
não dá p’ra sofrer
tudo se conserva
sem ninguém ‘stragar
e se há lá erva
e é são o ar
sem a sujidade
que o vivo provoca
ninguém tem saudade
nem a Terra evoca
então vale a pena
daqui se partir
p’ra ter outra cena
gostar de dormir
estar descansado
com o que o rodeia
até acordado
por nada anseia
Mas aqui na ‘sfera
onde sobra gente
nem a Primavera
faz nascer semente
do amor à Terra
criando um futuro
liberto de guerra
com tudo bem puro
onde a amizade
acima de tudo
e a lealdade
serão conteúdo
razão de viver
se se cumprir bem
o que é prazer
ajudar alguém
então para isso
Natureza amar
será compromisso
não pode faltar
Não sujemos pois
o que é de todos
sejamos heróis
sem quaisquer engodos
NATUREZA ZANGADA

PERANTE O QUE SUCEDEU e ainda continua a ocorrer com os múltiplos sismos e o devastador tsunami que se verificaram lá no extremo do mundo – para nós que nos situamos neste cantinho atlântico -, não podemos deixar de admitir que todos os problemas da Terra, incluindo a tão próxima chamada crise económica e adjacentes que atacou grande parte dos países desta Esfera, não pode ser considerada senão como um pequeno percalço que nos incomoda mas que não mexeu na nossa vida, no sentido de a termos perdido devorados por qualquer avalancha de águas ou soterrados pelas destruições de cidades sacudidas pelos abanões.
O Japão, que sentiu na pele o que representa um bombardeamento atómico, apesar de ter saído derrotado de uma guerra mundial que o submeteu a ficar obrigado a seguir as normas que os vencedores lhes impuseram, neste caso os E.U.A., apesar disso – ou, provavelmente, talvez por isso -, mostrou ao mundo que era capaz de se recompor e saiu de toda a difícil situação de cabeça bem levantada e, até dias atrás, apresentou-se como sendo um País moderno, desenvolvido, com um povo que, não obstante as suas características de tradições conservadoras, se colocou bem à frente tecnologicamente falando, como representam as 50 estações de energia nuclear que fornecem grande parte da energia que é consumida localmente.
Pois foi precisamente aí que a Natureza resolveu aplicar a sua fúria e, numa espécie de castigo contra os seres humanos que tão mal se têm portado em relação ao que lhes tem sido deixado para que usufruam das belezas e da conveniência em se darem fraternalmente por forma a usufruírem do facto de lhes ser concedida a vida, a ideia com que se fica é que, de facto, a destruição tão avassaladora de que aquele País está ser vítima será uma chamada de atenção, pois que, embora tenha calhado aos nipónicos serem eles a pagar por todos, esse aviso servirá para todos os mais de seis mil milhões habitantes de todo o espaço terrestre.
A crise económica que atravessa o mundo e que se sente, em maior ou menor dose, por toda a parte, ao pé deste pavoroso acontecimento no Japão não passa de um acontecimento de grau secundário, pois que não há comparação entre as faltas e deficiências de vivência do dia a dia e a destruição massiva que atingiu os japoneses.
Eu, por mim, interrogo-me quanto ao que considero ser um castigo que alguma força extraterrestre aplicou naquela zona, mas com intenção de despertar a atenção do mundo inteiro. É uma forma, como outra qualquer, de tirar alguma utilidade da desgraça. E seria bom que os homens aprendessem alguma coisa com tão terrível acontecimento. Os desentendimentos que se verificam em tantas partes do globo, a própria falta de união da Europa, até mesmo o caso do Sócrates que se passa cá por casa, tudo isso são pequenos casos que não merecem ser considerados como importantes, face ao que assistimos que está a ocorrer em terras nipónicas.
E, perante o inqualificável comunicado que José Sócrates entendeu dever apresentar ontem, por muito que deixe grande parte dos portugueses indignados, a verdade é que não se lhe deve dar a importância que nem merece ter. Um tsunami por cá constituiria algo que nem nos daria ocasião nos lembrarmos que nos tinha calhado tal figura a chefiar um Governo. E, se isso sucedesse, também ter tal governante a tomar conta do Pais depois do desastre, também seria alguma coisa de arrepiante. Em 1755 sempre houve um Marquês de Pombal que se encontrava à altura da gravidade da situação. Pensemos o que seria se, na altura, existisse uma figura socratiana!...
Vamos a ver como é que o povo japonês, passado este período de destruição, levantará de novo cabeça. Capaz será e disso já deu mostras da sua força. Mas que temos de lastimar que a Natureza tenha escolhido um País já tão castigado antes – mesmo que com culpas próprias na altura -, ao mesmo tempo que nos faz pensar no motivo por que não escolheu outro onde existem governantes que muito merecem que as suas afrontosas fortunas pessoais, roubadas aos cidadãos, sejam gastas na reconstrução dos locais onde gozam de vidas sumptuosas, ao lado de populações miseráveis.
Mas isto sou eu a estranhar o facto de não haver justiça nem mesmo nos espaços extraterrestres onde, por ventura, exista quem comande as acções que são tomadas à revelia da vontade dos seres humanos… Cada um pensa como quer!
O Japão, que sentiu na pele o que representa um bombardeamento atómico, apesar de ter saído derrotado de uma guerra mundial que o submeteu a ficar obrigado a seguir as normas que os vencedores lhes impuseram, neste caso os E.U.A., apesar disso – ou, provavelmente, talvez por isso -, mostrou ao mundo que era capaz de se recompor e saiu de toda a difícil situação de cabeça bem levantada e, até dias atrás, apresentou-se como sendo um País moderno, desenvolvido, com um povo que, não obstante as suas características de tradições conservadoras, se colocou bem à frente tecnologicamente falando, como representam as 50 estações de energia nuclear que fornecem grande parte da energia que é consumida localmente.
Pois foi precisamente aí que a Natureza resolveu aplicar a sua fúria e, numa espécie de castigo contra os seres humanos que tão mal se têm portado em relação ao que lhes tem sido deixado para que usufruam das belezas e da conveniência em se darem fraternalmente por forma a usufruírem do facto de lhes ser concedida a vida, a ideia com que se fica é que, de facto, a destruição tão avassaladora de que aquele País está ser vítima será uma chamada de atenção, pois que, embora tenha calhado aos nipónicos serem eles a pagar por todos, esse aviso servirá para todos os mais de seis mil milhões habitantes de todo o espaço terrestre.
A crise económica que atravessa o mundo e que se sente, em maior ou menor dose, por toda a parte, ao pé deste pavoroso acontecimento no Japão não passa de um acontecimento de grau secundário, pois que não há comparação entre as faltas e deficiências de vivência do dia a dia e a destruição massiva que atingiu os japoneses.
Eu, por mim, interrogo-me quanto ao que considero ser um castigo que alguma força extraterrestre aplicou naquela zona, mas com intenção de despertar a atenção do mundo inteiro. É uma forma, como outra qualquer, de tirar alguma utilidade da desgraça. E seria bom que os homens aprendessem alguma coisa com tão terrível acontecimento. Os desentendimentos que se verificam em tantas partes do globo, a própria falta de união da Europa, até mesmo o caso do Sócrates que se passa cá por casa, tudo isso são pequenos casos que não merecem ser considerados como importantes, face ao que assistimos que está a ocorrer em terras nipónicas.
E, perante o inqualificável comunicado que José Sócrates entendeu dever apresentar ontem, por muito que deixe grande parte dos portugueses indignados, a verdade é que não se lhe deve dar a importância que nem merece ter. Um tsunami por cá constituiria algo que nem nos daria ocasião nos lembrarmos que nos tinha calhado tal figura a chefiar um Governo. E, se isso sucedesse, também ter tal governante a tomar conta do Pais depois do desastre, também seria alguma coisa de arrepiante. Em 1755 sempre houve um Marquês de Pombal que se encontrava à altura da gravidade da situação. Pensemos o que seria se, na altura, existisse uma figura socratiana!...
Vamos a ver como é que o povo japonês, passado este período de destruição, levantará de novo cabeça. Capaz será e disso já deu mostras da sua força. Mas que temos de lastimar que a Natureza tenha escolhido um País já tão castigado antes – mesmo que com culpas próprias na altura -, ao mesmo tempo que nos faz pensar no motivo por que não escolheu outro onde existem governantes que muito merecem que as suas afrontosas fortunas pessoais, roubadas aos cidadãos, sejam gastas na reconstrução dos locais onde gozam de vidas sumptuosas, ao lado de populações miseráveis.
Mas isto sou eu a estranhar o facto de não haver justiça nem mesmo nos espaços extraterrestres onde, por ventura, exista quem comande as acções que são tomadas à revelia da vontade dos seres humanos… Cada um pensa como quer!
segunda-feira, 14 de março de 2011
CHULARIAS
Eu não brinco às escondidas
com tudo sério nas vidas
enfrento bem de frente, até o tufão
por maior que seja o seu empurrão
por certo vários cá passaram
e que tristes marcas deixaram
mas ao apurar o saldo, que grande alegria
saber que eu nunca recebi alforria
e sempre recusei alpista
na minha profissão de jornalista
isso grande desconsolo
dos que pretendiam regalar-se com o bolo
das primazias e dos favores
dos louvores
das honrarias
que lhes dão as chularias
de quem sobe à custa dos demais
e que quer sempre mais e mais.
Mas comigo, não!
Nunca fui mamão !
com tudo sério nas vidas
enfrento bem de frente, até o tufão
por maior que seja o seu empurrão
por certo vários cá passaram
e que tristes marcas deixaram
mas ao apurar o saldo, que grande alegria
saber que eu nunca recebi alforria
e sempre recusei alpista
na minha profissão de jornalista
isso grande desconsolo
dos que pretendiam regalar-se com o bolo
das primazias e dos favores
dos louvores
das honrarias
que lhes dão as chularias
de quem sobe à custa dos demais
e que quer sempre mais e mais.
Mas comigo, não!
Nunca fui mamão !
ESCOLHER O QUÊ?

TINHA DE ACONTECER, ainda que eu me tivesse consciencializado de que deveria dar uma folga aos meus textos neste blogue, dada a inutilidade evidente dos protestos e do afundamento cada vez mais rápido do estado a que chegou este nosso País. Mas a manifestação que teve lugar no sábado da denominada geração à rasca, e, passado o acontecimento, face à ineficácia em alterar as causas que nos conduziram a este ponto, cá venho eu acrescentar alguma lamúria ao que, nesta altura, constituirá uma voz unânime de uma esmagadora maioria de portugueses, mesmo dos que ainda mantenham alguma esperança de que, ao longo da existência que lhes couber, ainda assistirão a um resplandecer do que, apesar de tudo, ainda se pode considerar como o que está a restar de Portugal.
Eu não faço ideia se José Sócrates, ainda que encafuado num buraco da sua casa, terá tido a coragem de assistir ao que as televisões mostraram sobre os desfiles que ocorreram em diversas partes nacionais. E, no caso afirmativo, se terá ficado com a ilusão de que todos se encontram enganados e que não são sequer dignos do esforço e da dedicação que ele se convence que entrega em pleno à Nação; se não está a chefiar um Governo muito competentes e que todos os cidadãos são uns ingratas!...
Só pode ser isso que esse homem tem enfiado na cabeça e que, para mal dos pecados de todos nós, estará rodeado de uns tantos engraxadores, desses que existem em todos os regimes políticos, como se vê até agora na Líbia, em que Kadafi tem em volta os apaniguados que lá vão recebendo as benesses que o “todo poderoso” vai distribuindo, pelo que, sem poderem agora procurar outra saída, se vão mantendo para explorarem até ao fim o que puderem extorquir em favores que lhes vão sendo distribuídos.
Só que, até acontecer a queda que surgirá inevitavelmente, o Estado vai dando mostras sucessivas de fraqueza e, o facto de serem agora as reformas que vão começar a ser mexidas – como eu, neste blogue, previ meses atrás, o que provocou até algum mal estar pelos comentários que me chegaram – é um dos vários passos que Teixeira dos Santos, com aquele seu ar de sofredor, já anunciou, mas que se espera que, provavelmente, o subsídio de férias venha a ser um dos próximos golpes que o socratismo apresentará, mesmo sem o FMI cá ter chegado ainda.
Isto tudo para dizer o quê? Que já não há soluções milagrosas que nos libertem do afogamento a que nos condenaram os governantes, que não souberam tomar as previdências que reduzissem (porque evitá-lo seria impossível) os efeitos tão nefastos em que a crise mundial nos colocou e que a Europa Comunitária também não teve capacidade de encontrar saídas em bloco, como era o desejável.
A questão põe-se, pois, dentro deste esquema:
- eperar-se que Sócrates apresente a sua demissão do Governo é impensável, face às suas características de manter um ego colocado bem alto;
- verfificar que o Partido Socialista dos tempos presentes – bem diferente do que foi noutras alturas - seja capaz de substituir o seu secretário-geral e apresentar outra figura com capacidade de governar, não é passo que sossegue os mais crentes;
- operar-se um movimento de coragem da parte do PSD, de molde a que apresente à discussão parlamentar uma moção de censura que, mesmo com o risco de necessitar de ajuda do CDS para atingir força maioritária bastante, coloque Passos Coelho na chefia de um Executivo, é um gesto que faz tremer os seus partidários só ao pensarem que herdam um presente envenenado, pois é como que passar a administrar uma empresa falida, sem crédito e com um enorme rol de dívidas.
Tratam-se, portanto, de opções cada uma delas mais aterradora do que a outra, e o amor à Pátria, tanto proclamado em alturas de glória, não se vislumbra em nenhuma das figuras políticas que, por aí, circulam à vista desarmada.
O “Diário de Notícias” deste domingo, ontem, dedica espaços a mostrar aqueles membros de partidos e também de deputados à Assembleia da República, indicando nomes de beneficiados que têm recebido o chamado subsídio de integração civil, ou seja, os deputados que, ao saírem das suas funções, regressa às actividades que exerciam antes, pelo que os milhões de euros que lhes têm sido destinados saem, obviamente, do erário público.
Mas, mais avassalador do que isso é a lista de anteriores membros do Parlamento que, por essa via, obtiveram colocações em empresas no exterior, grande parte delas ligadas ao sector público, com posições de enorme vantagens pessoais e que obviamente não desejam que as circunstâncias actuais se modifiquem, ainda que, na maioria dos casos, já tenham em vista saídas, até para o estrangeiro, que não os deixará em más condições. E é o mesmo Jornal diário que relata a facturação de sociedades em que os deputados têm participações que, só em 2009, atingiram os 111 milhões de euros, enquanto “quase um terço das sociedades ligadas a parlamentares teve prejuízos no mesmo período”.
Por esta pequena amostra se pode ver como não é através de manifestações de rua que a situação se vai alterar. E aí está a razão por que, não tendo sido capaz de manter o silêncio neste blogue como quis anunciar dias atrás, não consegui ficar quieto e a falar sozinho.
“O povo é quem mais ordena” – gritam eles. Pois vão gritando, vão!
Eu não faço ideia se José Sócrates, ainda que encafuado num buraco da sua casa, terá tido a coragem de assistir ao que as televisões mostraram sobre os desfiles que ocorreram em diversas partes nacionais. E, no caso afirmativo, se terá ficado com a ilusão de que todos se encontram enganados e que não são sequer dignos do esforço e da dedicação que ele se convence que entrega em pleno à Nação; se não está a chefiar um Governo muito competentes e que todos os cidadãos são uns ingratas!...
Só pode ser isso que esse homem tem enfiado na cabeça e que, para mal dos pecados de todos nós, estará rodeado de uns tantos engraxadores, desses que existem em todos os regimes políticos, como se vê até agora na Líbia, em que Kadafi tem em volta os apaniguados que lá vão recebendo as benesses que o “todo poderoso” vai distribuindo, pelo que, sem poderem agora procurar outra saída, se vão mantendo para explorarem até ao fim o que puderem extorquir em favores que lhes vão sendo distribuídos.
Só que, até acontecer a queda que surgirá inevitavelmente, o Estado vai dando mostras sucessivas de fraqueza e, o facto de serem agora as reformas que vão começar a ser mexidas – como eu, neste blogue, previ meses atrás, o que provocou até algum mal estar pelos comentários que me chegaram – é um dos vários passos que Teixeira dos Santos, com aquele seu ar de sofredor, já anunciou, mas que se espera que, provavelmente, o subsídio de férias venha a ser um dos próximos golpes que o socratismo apresentará, mesmo sem o FMI cá ter chegado ainda.
Isto tudo para dizer o quê? Que já não há soluções milagrosas que nos libertem do afogamento a que nos condenaram os governantes, que não souberam tomar as previdências que reduzissem (porque evitá-lo seria impossível) os efeitos tão nefastos em que a crise mundial nos colocou e que a Europa Comunitária também não teve capacidade de encontrar saídas em bloco, como era o desejável.
A questão põe-se, pois, dentro deste esquema:
- eperar-se que Sócrates apresente a sua demissão do Governo é impensável, face às suas características de manter um ego colocado bem alto;
- verfificar que o Partido Socialista dos tempos presentes – bem diferente do que foi noutras alturas - seja capaz de substituir o seu secretário-geral e apresentar outra figura com capacidade de governar, não é passo que sossegue os mais crentes;
- operar-se um movimento de coragem da parte do PSD, de molde a que apresente à discussão parlamentar uma moção de censura que, mesmo com o risco de necessitar de ajuda do CDS para atingir força maioritária bastante, coloque Passos Coelho na chefia de um Executivo, é um gesto que faz tremer os seus partidários só ao pensarem que herdam um presente envenenado, pois é como que passar a administrar uma empresa falida, sem crédito e com um enorme rol de dívidas.
Tratam-se, portanto, de opções cada uma delas mais aterradora do que a outra, e o amor à Pátria, tanto proclamado em alturas de glória, não se vislumbra em nenhuma das figuras políticas que, por aí, circulam à vista desarmada.
O “Diário de Notícias” deste domingo, ontem, dedica espaços a mostrar aqueles membros de partidos e também de deputados à Assembleia da República, indicando nomes de beneficiados que têm recebido o chamado subsídio de integração civil, ou seja, os deputados que, ao saírem das suas funções, regressa às actividades que exerciam antes, pelo que os milhões de euros que lhes têm sido destinados saem, obviamente, do erário público.
Mas, mais avassalador do que isso é a lista de anteriores membros do Parlamento que, por essa via, obtiveram colocações em empresas no exterior, grande parte delas ligadas ao sector público, com posições de enorme vantagens pessoais e que obviamente não desejam que as circunstâncias actuais se modifiquem, ainda que, na maioria dos casos, já tenham em vista saídas, até para o estrangeiro, que não os deixará em más condições. E é o mesmo Jornal diário que relata a facturação de sociedades em que os deputados têm participações que, só em 2009, atingiram os 111 milhões de euros, enquanto “quase um terço das sociedades ligadas a parlamentares teve prejuízos no mesmo período”.
Por esta pequena amostra se pode ver como não é através de manifestações de rua que a situação se vai alterar. E aí está a razão por que, não tendo sido capaz de manter o silêncio neste blogue como quis anunciar dias atrás, não consegui ficar quieto e a falar sozinho.
“O povo é quem mais ordena” – gritam eles. Pois vão gritando, vão!
domingo, 13 de março de 2011
CONFISSÃO
Dizer a outro, em segredo
o mal que tenhamos feito
confessar
libertar
fazê-lo até com medo
mostrando o que é defeito
Fazendo-o na sacristia
também no confessionário
recolhido
escondido
para alguns é agonia
será até um calvário
Mas com a fé a mandar
no dizer de quem confessa
liberta-se
desperta-se
pode outra vez começar
quanto ao mau de trás esqueça
Dessa forma a consciência
volta a dormir descansada
liberta
aberta
p’ra dar nova sequência
a seguinte caminhada
Já livre então dos pecados
tranquilo fica o crente
ar puro
passado o muro
malefícios perdoados
só há que seguir ee
É assim o ser humano
inventa religiões
esperteza
ardileza
como uma nódoa no pano
tudo sai com esfregões
Quem não crê que por contar
lá vem perdão para asneiras
realista
ateísta
será até acabar
portador dessas besteiras
E se for homem de bem
dos seus erros consciente
pensador
com rigor
para sempre lá retém
e paga por não ser crente
MÃO NA CONSCIÊNCIA

TENHO DE DIZER ABERTAMENTE que não fiz parte da multidão que participou ontem no protesto que adoptou o slogan de “geração à rasca”. O texto que escrevi na véspera do acontecimento para ser lido no próprio dia dava conta da opinião que defendia e defendo de que não é apenas a juventude que tem razões para se insurgir contra a situação a que o País chegou. E referi-me, repito hoje, àquilo que foi um título que dei em artigos saídos na Imprensa em que eu classificava os habitantes portugueses da minha área etária de “geração sofrida”, posto que nós sofremos antes, na época da ditadura, e depois, com o PREC que, quem já se mexia por cá, bem teve de suportar. Isto, claro para os que tinham profissões como a minha, de jornalista, perseguidos pela PIDE e depois, por aqueles que sempre há e muitos que apanham os comboios das revoluções, que têm de ser chamados de “revolucionários de pacotilha”.
Face a isso, levantei a questão de que não eram apenas os jovens que tinham razão para protestar contra o estado a que isto tudo chegou. E reafirmo agora esse ponto de vista.
Mas, como é importante que cada um de nós, ao reconhecermos que não acertamos em pleno na atitude antes tomada (que bom que seria que José Sócrates tivesse essa capacidade de emendar a mão), o declaremos publicamente, aqui venho eu acrescentar alguma coisa que esclareça o que ficou escrito neste blogue. É que, ao assistir televisivamente à manifestação que teve lugar, meti a mão na consciência e, repetindo o tema-base de que os seniores e os de mais idade sofrem ainda mais as consequências de um actuação política socrática que é absolutamente condenável, não posso agora deixar de reconhecer que uma movimentação daquele volume só era possível com a rapaziada a fomentar a sua organização, pois que a mesma junção de tanta gente, se não gozasse do privilégio dos mais novos terem metido ombros, ainda que um pouco aventureiramente, não seriam as gerações seguintes que iriam tomar a iniciativa, dado que, como se tem visto, é unicamente através de organizações politicas e sindicais que se consegue, e com a utilização de grandes verbas, que se levam a cabo coisas parecidas como a de ontem, mas sempre sem o fervor e a verdade que se verificou em Lisboa, Porto e nalgum outro lugar.
Parabéns, pois, juventude. Não é que dali saia alguma coisa que dê a volta a toda a incompetência do Governo e aos passos temerosos das Oposições. Muito menos Sócrates se terá incomodado muito com o que terá visto televisivamente (julgo eu). Mas é possível que alguma coisa possa surgir agora do sector partidário e que tenha servido de injecção de vitaminas naqueles que andam há muito tempo a criticar mas que não se atrevem a ocupar um lugar que, na verdade, provoca susto por ser da maior dificuldade tirar agora Portugal do buraco em que o meteram. É que, se isso acontecer e tudo se mantiver na mesma, então é que o “enrascanso” se transformará nalguma coisa que não se fica por uma passeata pela avenida da Liberdade, com cartazes e cantares de “povo unido”…
Face a isso, levantei a questão de que não eram apenas os jovens que tinham razão para protestar contra o estado a que isto tudo chegou. E reafirmo agora esse ponto de vista.
Mas, como é importante que cada um de nós, ao reconhecermos que não acertamos em pleno na atitude antes tomada (que bom que seria que José Sócrates tivesse essa capacidade de emendar a mão), o declaremos publicamente, aqui venho eu acrescentar alguma coisa que esclareça o que ficou escrito neste blogue. É que, ao assistir televisivamente à manifestação que teve lugar, meti a mão na consciência e, repetindo o tema-base de que os seniores e os de mais idade sofrem ainda mais as consequências de um actuação política socrática que é absolutamente condenável, não posso agora deixar de reconhecer que uma movimentação daquele volume só era possível com a rapaziada a fomentar a sua organização, pois que a mesma junção de tanta gente, se não gozasse do privilégio dos mais novos terem metido ombros, ainda que um pouco aventureiramente, não seriam as gerações seguintes que iriam tomar a iniciativa, dado que, como se tem visto, é unicamente através de organizações politicas e sindicais que se consegue, e com a utilização de grandes verbas, que se levam a cabo coisas parecidas como a de ontem, mas sempre sem o fervor e a verdade que se verificou em Lisboa, Porto e nalgum outro lugar.
Parabéns, pois, juventude. Não é que dali saia alguma coisa que dê a volta a toda a incompetência do Governo e aos passos temerosos das Oposições. Muito menos Sócrates se terá incomodado muito com o que terá visto televisivamente (julgo eu). Mas é possível que alguma coisa possa surgir agora do sector partidário e que tenha servido de injecção de vitaminas naqueles que andam há muito tempo a criticar mas que não se atrevem a ocupar um lugar que, na verdade, provoca susto por ser da maior dificuldade tirar agora Portugal do buraco em que o meteram. É que, se isso acontecer e tudo se mantiver na mesma, então é que o “enrascanso” se transformará nalguma coisa que não se fica por uma passeata pela avenida da Liberdade, com cartazes e cantares de “povo unido”…
sábado, 12 de março de 2011
À RASCA
ISTO DE CHAMAR “geração à rasca” à juventude que, nesta altura e precisamente hoje, dia 12, vai fazer a sua manifestação para reclamar pela forma como está a ser tratada pelos governantes que temos, não posso classificar como muito feliz, da mesma forma que seria contrário que tal apodo fosse aplicado a outro grupo etário, como, por exemplo, aquele a que eu pertenço. Porque para utilizar tal denominação o que tem de ser dito é que quem está completamente enrascado é Portugal, todo ele, como Nação que, sobretudo pelo seu passado quinhentista, e postos de lado os exageros de grandiosidade que são normalmente cantados na História – porque, como eu não me canso de referir, particularmente nos 10 cantos da minha “Lusofonia” que choram o mau aproveitamento que foi feito da difusão da língua Pátria que se deixou ultrapassar pelo idioma inglês que não foi divulgado através de descobrimentos de novas terras -, não merecia que tivéssemos atingido uma tão baixa plataforma no panorama mundial e europeu em que se encontra.
Pois é hoje que sai à rua aquilo que se espera (porque estou a escrever este texto na véspera do acontecimento) que seja uma demonstração de enorme proporção do desassossego em que vivem os portugueses – e não serão só os jovens -, enfrentando as maiores dificuldades e não assistindo a perspectivas animadoras que façam alterar o estado de espírito que atinge a grande maioria dos cidadãos lusitanos.
Mas eu tenho de dar mostras da reclamação pessoal que face ao presenciar o apoio específico que é dado aos jovens por esta atitude. É que, no seu caso, pelo menos gozam de uma vantagem e que é a de estarem ainda na idade em que muito futuro, mau ou bom, os espera. Agora aqueles que se encontram, como é o meu caso, na categoria que eu já chamei, num texto publicado por aí, de “geração sofrida”, ou sejam os que atravessaram o período político da ditadura (sobretudo os que tinham uma profissão que estava sob o olhar e a perseguição permanente da PIDE) e que, após o 25 de Abril e cruzando aquele PREC de má memória, com o tal Vasco Gonçalves em perseguição dos que não apoiavam o seu comportamento – e deste muita juventude nem tem o menor conhecimento -, essa camada de população não vislumbra já a possibilidade de poder vir a gozar de um período que lhes traga a tranquilidade de se despedirem da vida com alguma satisfação.
É que, as reformas, por mais pequenas que sejam, que ainda vão recebendo, essas encontram-se já perante o dilema – e eu parece que adivinhei quando escrevi, tempos atrás, neste blogue que um dia acabariam -, de irem sofrer reduções, segundo o anúncio dado hoje (ontem) pelo Ministro das Finanças de que, já em 2012, se verificarão cortes (não disse quantos) nas pensões acima de 1.500 euros -, pelo que não será a juventude à rasca que sofrerá as consequências de acabarem de vez quando isso puder vir a acontecer e então assistir-se-á a um espectáculo doloroso de um desfile de cadeiras de rodas e até de macas cheias de inválidos pertencentes à tal geração sofrida mas que, pelos vistos, não estará à rasca!
Cavaco Silva, no seu discurso de retomada de posse, quis referir-se à juventude fazendo-lhes um apelo que, quanto a mim, não tem o menor sentido, posto na equação em que foi colocada. Como se dependesse exclusivamente dessa gente jovem o alterar, nesta altura, o Governo que temos, o de fazer com que o País passasse a ser um lugar produtivo, com adequadas exportações e com iniciativas de investimentos, com a agricultura a desempenhar o papel que lhe cabe, as pescas a voltarem a ser o que já foram e os que exercem profissões se consciencializarem de que as horas em que se encontram a actuar profissionalmente não podem nem devem ser perdidas com as distracções que os portugueses tanto gostam de aproveitar (mas que, quando são emigrantes, nem lhes passa pela cabeça procederem dessa forma).
Se, como eu tenho aqui proclamado, nas escolas primárias, à infância, se ensinasse a prática democrática, o saber ouvir os mais sabedores, os direitos mas sobretudo os deveres que os cidadãos devem seguir para que o País a que pertencem progrida, então, talvez dentro de três a quatro gerações o nosso País se pudesse enfileirar na lista dos mais prósperos. Mas não é com desfiles plenos de cartazes que as coisas mudam para melhor. Só se produz barulho, proclamação de frases feitas, encher de lixo os locais por onde passa a manifestação. Nada mais do que isso!
Logo, nós, os que já fizemos (ou não) o que nos cabia fazer, não podemos ter perspectivas de assistir à mudança que, por muito que se deseje, não é a juventude que a vai proporcionar.
Pois é hoje que sai à rua aquilo que se espera (porque estou a escrever este texto na véspera do acontecimento) que seja uma demonstração de enorme proporção do desassossego em que vivem os portugueses – e não serão só os jovens -, enfrentando as maiores dificuldades e não assistindo a perspectivas animadoras que façam alterar o estado de espírito que atinge a grande maioria dos cidadãos lusitanos.
Mas eu tenho de dar mostras da reclamação pessoal que face ao presenciar o apoio específico que é dado aos jovens por esta atitude. É que, no seu caso, pelo menos gozam de uma vantagem e que é a de estarem ainda na idade em que muito futuro, mau ou bom, os espera. Agora aqueles que se encontram, como é o meu caso, na categoria que eu já chamei, num texto publicado por aí, de “geração sofrida”, ou sejam os que atravessaram o período político da ditadura (sobretudo os que tinham uma profissão que estava sob o olhar e a perseguição permanente da PIDE) e que, após o 25 de Abril e cruzando aquele PREC de má memória, com o tal Vasco Gonçalves em perseguição dos que não apoiavam o seu comportamento – e deste muita juventude nem tem o menor conhecimento -, essa camada de população não vislumbra já a possibilidade de poder vir a gozar de um período que lhes traga a tranquilidade de se despedirem da vida com alguma satisfação.
É que, as reformas, por mais pequenas que sejam, que ainda vão recebendo, essas encontram-se já perante o dilema – e eu parece que adivinhei quando escrevi, tempos atrás, neste blogue que um dia acabariam -, de irem sofrer reduções, segundo o anúncio dado hoje (ontem) pelo Ministro das Finanças de que, já em 2012, se verificarão cortes (não disse quantos) nas pensões acima de 1.500 euros -, pelo que não será a juventude à rasca que sofrerá as consequências de acabarem de vez quando isso puder vir a acontecer e então assistir-se-á a um espectáculo doloroso de um desfile de cadeiras de rodas e até de macas cheias de inválidos pertencentes à tal geração sofrida mas que, pelos vistos, não estará à rasca!
Cavaco Silva, no seu discurso de retomada de posse, quis referir-se à juventude fazendo-lhes um apelo que, quanto a mim, não tem o menor sentido, posto na equação em que foi colocada. Como se dependesse exclusivamente dessa gente jovem o alterar, nesta altura, o Governo que temos, o de fazer com que o País passasse a ser um lugar produtivo, com adequadas exportações e com iniciativas de investimentos, com a agricultura a desempenhar o papel que lhe cabe, as pescas a voltarem a ser o que já foram e os que exercem profissões se consciencializarem de que as horas em que se encontram a actuar profissionalmente não podem nem devem ser perdidas com as distracções que os portugueses tanto gostam de aproveitar (mas que, quando são emigrantes, nem lhes passa pela cabeça procederem dessa forma).
Se, como eu tenho aqui proclamado, nas escolas primárias, à infância, se ensinasse a prática democrática, o saber ouvir os mais sabedores, os direitos mas sobretudo os deveres que os cidadãos devem seguir para que o País a que pertencem progrida, então, talvez dentro de três a quatro gerações o nosso País se pudesse enfileirar na lista dos mais prósperos. Mas não é com desfiles plenos de cartazes que as coisas mudam para melhor. Só se produz barulho, proclamação de frases feitas, encher de lixo os locais por onde passa a manifestação. Nada mais do que isso!
Logo, nós, os que já fizemos (ou não) o que nos cabia fazer, não podemos ter perspectivas de assistir à mudança que, por muito que se deseje, não é a juventude que a vai proporcionar.
sexta-feira, 11 de março de 2011
CADA VEZ ME CONVENÇO MAIS que continuo a manter essa característica de ter muitas vezes razão antes de tempo. E eu, que me manifesto sempre contra os convencidos de que são exemplares e que as suas acções é que são as certas, perante este facto não me congratulo, antes me penalizo, pois que seria preferível que tal especificidade se encontrasse abundantemente naqueles que têm nas mãos tomar medidas de utilidade pública e não num simples jornalista e autor, nesta altura, de blogues e de textos para ficarem na gaveta.
Mas o documento que o PSD tornou público e que pretende ser um programa económico para ser posto em prática caso se verifique a ocasião de substituir o Partido Socialista na governação nacional, esse texto que, segundo as notícias vindas a lume, demorou nove meses a ficar concluído por um gestor de empresas, de nome Pedro Reis, que será um conselheiro económico de Pedro Passos Coelho, sem pretender angariar louros que não desejo, fico com a impressão que o tal conselheiro é leitor do blogue que tenho vindo a publicar diariamente aoa longo de bastante tempo.
Mas também se pode dar a casualidade de coincidirmos em pontos de vista e que não se trate nada de ter influenciado a redacção do referido documento. Também pouco importa. O essencial é ficar-se a saber que o PSD já começa a tomar posição para fazer o chega para lá a José Sócrates, necessitando-se saber se essa atitude será proveniente de um menção de censura ou se aguardará por outra iniciativa que seja tomada, por exemplo, pelo Presidente da República.
Mas eu não vou aqui estabelecer um plano de comparação entre aquilo que ficou escrito neste espaço e o que agora faz parte do programa surgido. Há pontos de vista iguais, outros semelhantes e alguns que não coincidem, mas, de uma maneira geral, há tomadas de posição que, pelo menos no que me diz respeito, por muito difíceis que serão de tomar se tornam essenciais para que muita coisa se distancie do pântano em que temos vindo a cair e que, cada vez mais, se torna quase impossível tratar sem dor.
Tudo indica que não existirá outra saída que não seja a da passagem pelo presidente do PSD a mudança que se aguarda. Eu não sei se existem capacidades para este figura vir a exercer correctamente as funções que lhe estão a ser postas nas mãos, se bem que não vislumbre outra saída provável para o que se encontra a cair de maduro… ou de podre, para ser mais explícito.
Mas deixo nas mãos dos que eventualmente acompanhem o que tem saído neste espaço para prestarem a sua opinião no capítulo de estarem ou não de acordo com o que digo agora.
Se trata de ter ou não razão antes de tempo, isso fica depositado no parecer de outros, que não de mim!
Mas o documento que o PSD tornou público e que pretende ser um programa económico para ser posto em prática caso se verifique a ocasião de substituir o Partido Socialista na governação nacional, esse texto que, segundo as notícias vindas a lume, demorou nove meses a ficar concluído por um gestor de empresas, de nome Pedro Reis, que será um conselheiro económico de Pedro Passos Coelho, sem pretender angariar louros que não desejo, fico com a impressão que o tal conselheiro é leitor do blogue que tenho vindo a publicar diariamente aoa longo de bastante tempo.
Mas também se pode dar a casualidade de coincidirmos em pontos de vista e que não se trate nada de ter influenciado a redacção do referido documento. Também pouco importa. O essencial é ficar-se a saber que o PSD já começa a tomar posição para fazer o chega para lá a José Sócrates, necessitando-se saber se essa atitude será proveniente de um menção de censura ou se aguardará por outra iniciativa que seja tomada, por exemplo, pelo Presidente da República.
Mas eu não vou aqui estabelecer um plano de comparação entre aquilo que ficou escrito neste espaço e o que agora faz parte do programa surgido. Há pontos de vista iguais, outros semelhantes e alguns que não coincidem, mas, de uma maneira geral, há tomadas de posição que, pelo menos no que me diz respeito, por muito difíceis que serão de tomar se tornam essenciais para que muita coisa se distancie do pântano em que temos vindo a cair e que, cada vez mais, se torna quase impossível tratar sem dor.
Tudo indica que não existirá outra saída que não seja a da passagem pelo presidente do PSD a mudança que se aguarda. Eu não sei se existem capacidades para este figura vir a exercer correctamente as funções que lhe estão a ser postas nas mãos, se bem que não vislumbre outra saída provável para o que se encontra a cair de maduro… ou de podre, para ser mais explícito.
Mas deixo nas mãos dos que eventualmente acompanhem o que tem saído neste espaço para prestarem a sua opinião no capítulo de estarem ou não de acordo com o que digo agora.
Se trata de ter ou não razão antes de tempo, isso fica depositado no parecer de outros, que não de mim!
quinta-feira, 10 de março de 2011
QUANDO TUDO ANDA MAL qualquer hipótese de se poder contemplar alguma mudança, por mais pequena que ela seja, que injecte um mínimo de esperança neste povo tão sacrificado e já completamente descrente de que se consiga colocar Portugal num plano diferente daquele em que se encontra, ao aguardar-se pelo discurso na tomada de posse do segundo mandato de Cavaco Silva no lugar de PR e, através das suas palavras, por alguma coisa que o distanciasse do que foi a sua actuação ao longo dos cinco anos anteriores, a Nação, não digo em peso porque a grande maioria dos portugueses já não consegue depositar confiança no que dizem os homens que se sentam nos lugares do poder, mas alguma parte ainda parou para verificar se esta manifestação que teve lugar no Parlamento seria o preâmbulo de uma nova época de um País que já bateu há muito no fundo. Palavras foram as que se ouviram e, se bem que, da sua parte, alguma coisa tivesse dado mostras de que Cavaco Silva regressa com vontade de não deixar andar, como fez antes, e, ainda que interferindo no que está escrito na Constituição, não se portará passivamente e, desta vez, pelo menos falará claro, posto que não há nenhuma lei que o proíba da falar ao Povo e de esclarecer o que anda sempre na obscuridade dos segredos que os governantes desejam guardar. Não digo mais nada. De discursos estamos todos fartos, De intenções, isso é o que mais sobra por cá. De recomendações, disso então nem precisamos de nos encherem os ouvidos. O essencial é que se faça, que se ponham os naturais deste nosso País a tomar consciência de que é imperativo trabalhar-se e não continuarmos a deixar passar o tempo e que, cada um na sua actividade, nos empenhemos o máximo por produzir e que, dentro das nossas portas, façamos o que conseguimos quando somos emigrantes (se bem que, aí, o pavor pelo despedimento ponha os que lá se encontram a não brincar em serviço…), se as palavras do Presidente da República, agora que já não corre o risco de não voltar a ser eleito, forem dirigidas nesses sentido e se, com essa actuação, incutir nos portugueses a tomada de consciência de que não somos, na esmagadora maioria dos cidadãos, cumpridores dos deveres que nos cabem, então sim, alguma utilidade poderão ter as suas palavras. Mas têm de ser repetidas e de deixar que governantes, como é o caso de Sócrates, andem por aí a fazer inaugurações estúpidas e a fazer afirmações de que o nosso Paios se encontra à frente de tudo!!! De discursos estamos fartos. Mas falar claro e dizer as verdades isso é que é essencial. E por aqui me fico.
terça-feira, 8 de março de 2011
Sendo hoje terça-feira de Carnaval, mais uma data marcada para se realizar um acontecimento, e encontrando-se este Portugal na situação em que o contemplamos, não apetece, na verdade, participar numa espécie de alegria forçada, em que as máscaras servem para fingirmos que somos o que não somos.
Deixemos o Sócrates continuar na sua máscara de que está a fazer um trabalho que ele considera ser o melhor para o País.
Eu, por mim, não entro no desfile.
Deixemos o Sócrates continuar na sua máscara de que está a fazer um trabalho que ele considera ser o melhor para o País.
Eu, por mim, não entro no desfile.
E sendo amanhã o dia estabelecido para a tomada de posse do Presidente Cavaco Silva, ao mesmo tempo que ocorre a Quarta-Feira de Cinzas, só resta aguardar se o que constitui o tradicional funeral carnavalesco estabelecerá alguma comparação do início do período novo da actuação do P.R., com o que marcou o conformismo a que se assistiu na sua actuação anterior.
