terça-feira, 1 de março de 2011

PORTUGAL ROUFENHO

O “Portugal roufenho”, de Camilo,
Não foi só no século dezanove,
Aí estamos nós, de novo a admiti-lo
E a sentir na pele quanto chove
De asneiras e de grande incompetência.
Burocratas e chatos de morrer,
É demais a falta de paciência
Para suportar enorme sofrer
E que chegue pr’a aguentar tamanho
Desgoverno que mostraram aqueles
Que se foram, de espírito tacanho,
Que perderam anos, enormes reles,
Que nos puseram no fim da corrida
E quase mais pobres do que estávamos
Quando se deu início à partida
P´ra democracia que desejávamos.

Sim, esperança não há que perder
Como é costume do nosso povo,
Já que mal pior não pode haver
E algo de melhor virá de novo.
Mas, entretanto, aperta o cinto
Pede quem governa este País,
Porque há que sair do labirinto
E falta esperar para ser feliz.
Como está distante a boa meta,
O “Portugal roufenho” de outrora
Deixa ainda Zé povinho sem cheta
E não se vislumbra a grande aurora.

Pode ser que haja ainda um final
E que seja diferente do agora,
Que se perca até a capital
E que Bruxelas passe a dar a hora
P’ra que este País entre nos eixos,
É triste mas será algum remédio
Único fim de todos os desleixos
E pontapé dado em todo o tédio.

Poderá depois chover no molhado
Arrepelarem-se forte os cabelos,
Chamar todos os nomes ao culpado,
Não terem conta muitos pesadelos,
Mas o que está feito, feito estará,
Não vale a pena olhar para trás
Só com a Europa se contará
É o que resta a quem foi incapaz.
Chega recordar os antepassados
Aos nossos maiores cantar glórias
Apontar todos os que nos seus fados
Merecem o respeito e as memórias.
Também as batalhas e descobertas
Devem ser lembradas para o futuro
P’ra tirar dúvidas e serem certas
As verdades rijas que nem muro.

Numa diáspora e com bravura
Espalhámos a língua e costumes,
A gastronomia e a cultura,
As canções e as danças, sem queixumes,
.Agora é lembrar os injuriados,
Aos nossos maiores cantar glórias,

Apontar todos os que nos seus fados
São dignos do respeito e as memórias
Será essa a nossa consolação
Restam os dedos, foram os anéis
E pensamos que não será em vão
Que, por mais que andemos aos papéis,
Fica o orgulho na nossa História,
Num País de séculos, sofredor,
Que nunca deve perder a memória
Daquilo que em nós for merecedor

De pé ficaremos nessa Europa
Dos ricos, pois então, e nós à espreita
Mas o povo não quer andar à coca
Já chega da tanta meia-desfeita
Pois que numa manhã de nevoeiro
Hão-de aparecer as epopeias
E não nasceu ainda o coveiro,
Daí podem tirar vossas ideias,
Que cavará a nossa sepultura,
Florirão ainda muitas acácias
Passaremos por cima das agruras
Também não serão precisas falácias
Para se poder gritar de alegria
Aquilo que ansiámos p’ró final
O poder afirmar com galhardia
Renasceu viçoso o Portugal !

ESPERA GALEGO!


ESTA FRASE MUITO ANTIGA tem a sua razão de ser. É que, neste nosso País, mesmo no tempo em que era usual utilizar os serviços dos emigrantes galegos que faziam os recados e que, de corda ao ombro, eram o que se chama “pau para toda a obra”, então se fazia esperar bastante tempo para decidir a nova tarefa que lhes seria destinada.
Mas, o que importa é apontar aquilo que constitui um hábito de toda a vida dos portugueses, pois sempre demos mostras de que não nos apressamos perante as necessidades de sermos diligentes e rápidos na execução de tarefas que se encontram a aguardar que sejam iniciadas e depois concluídas. Nas obras que se mantêm em todo o País, por vezes anos paralisadas ou em lume lento, quando não a aguardar que as instâncias do poder dêem o seu consentimento, aí se encontra a prova de que muito gostamos nós de empatar, pois que as equipas de decisão oficial são constituídas por cidadãos nacionais que as circunstâncias colocam, em dada altura, em lugares de apreciação e de decisão. Como eu afirmei neste blogue várias semanas atrás, todos nós somos um pouco “Sócrates”, no capítulo de actuarmos tarde e fora de tempo ou de nem sequer darmos um passo se o interesse não apontar para o nosso lado.
Se nos queixamos, pois, do aparente desinteresse das forças públicas em despachar, rápida e eficientemente, os processos que se encontram depositados nas suas secretárias, se nos calhar sermos nós a ocupar essas funções, provavelmente sucederia o mesmo, posto que é um hábito enraizado de não nos interessarmos pelo bem público e os problemas dos outros cada um que os resolva, mesmo que esteja em causa a melhoria das condições do nosso País. E contra isso não há maneira de nos modificarmos.
Logo, a espera é a posição mais natural que ocupa grande parte do tempo de todos nós. E também por isso é que a chamada “cunha”, o favorzinho ao amigo ou ao parente, a tal história dos “boys”, o passar à frente da lista da papelada, o obter o “sim” numa fila sucessiva de “nãos” em igualdade de circunstâncias, até a corrupção que, em tantas ocasiões, opera “milagres”, esses comportamentos são os que os mais favorecidos têm de deitar mão, pois que a espera, sempre ou quase, aumenta os custos, quando não provoca a desistência de se prosseguir numa iniciativa que poderá até ser muito útil a Portugal.
As notícias são permanentes quanto a casos que ocorrem e que, infelizmente, nos deixam já conformados com o vício de empatar que se depara a cada passo da nossa existência nacional. Por exemplo, ainda ontem vinha anunciado que um projecto para a construção de dois edifícios no Porto, de complemento à maternidade Júlio de Matos, se arrasta há cerca de vinte anos a aguardar, e que só agora é que foi aprovado, o que dará assistência para acolher cerca de mais quatro mil partos por ano e muito melhor assistência a mães e crianças. Mas esta anomalia não é uma excepção. Quantos casos semelhantes e ainda mais escandalosos não ocorrem de Norte a Sul do nosso País? E, muito embora o fim dessas “empatocracias” possa contribuir para animar os investimentos que são tão necessários para que o nosso País consiga sair da situação periclitante em que se encontra e proporcione mesmo a criação de novos empregos, mesmo assim o prazer mórbido de todos aqueles que só encontram pontinhas para impedir que os outros cidadãos ponham a funcionar as suas iniciativas, esse gozo doentio surge a cada passo e, especialmente na câmaras municipais, os clássicos fiscais que aparecem de pasta e livros de multas na mão, se, nos casos em que isso corre e que não são poucos, em que o sobrescrito com as notas lá funciona, o que se passa é o impedimento de desenvolver iniciativas que, bastantes vezes, melhoram o que já existe.
Mas não é só nessas áreas que o sacrifício da espera e as revoltantes paralisações de actuações dos responsáveis pelo andamento de investigações se depara aos cidadãos. O caso do pequeno Rui Pedro, com então onze anos de idade, desaparecido há treze anos e que só agora é que é preso o que é dado como acusado do acontecimento, quando essa investigação, na data respectiva da ocorrência, já indicava ser o próprio o autor da má acção, essa demonstração de demora em actuar a que a própria Polícia não escapa, coisa que, aliás, faz é uma constante dos Tribunais portugueses, esse mau exemplo é um dos muitíssimos que se dão neste nosso rectângulo peninsular.
É uma tristeza que, enquanto por um lado temos a característica do desenrascanço, sendo rápidos a sair dos berbicachos em que nós próprios nos metemos, em contrapartida criamos os longos tempos de espera em pôr em prática o que nada justifica que permaneça adormecido nas gavetas dos diversos escalões oficiais que fazem parte da complicada burocracia portuguesa. É isso que justifica, em grande parte, a embrulhada situação a que chegámos em Portugal, pois arrastamos, desde sempre, a nossa própria sombra, gozando do prazer mortífero de meter o pé à frente em tudo que os outros fazem, talvez também por inveja de não termos sido nós os autores das ideias. Ou também para justifica a passagem da mão por baixo da mesa com o respectivo “cumprimento” que, em muitos casos, é o remédio para fazer mexer o que se encontra paralisado.
Será que o contacto com a Europa, ela também a andar à volta com os seus problemas e sem conseguir ganhar tempo para pôr a funcionar a razão da sua criação, fará com que, um dia, ponhamos de parte esse nosso “espera galego”?
Será que este nosso caminhar para o fundo acabará, só quando lá tocarmos, por fazer com que despertemos para a realidade?
Eu já acredito em tudo!...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

NÃO ESTOU

Não estou p’ra ninguém
podem bater, gritar
eu sei que sou um sem-vintém
mas não quero que me venham incomodar
chatear
desassossegar
quebrar o meu direito de estar só
de me encafuar no meu portaló
de ouvir o meu só-li-dó
sem companhia, apenas, com a poesia
da mediania
que consigo arrancar
do meu patamar

Não toquem, não chamem
não estou, não existo
por mais que clamem
já está mais que visto
não é nesta hora que vou atender
ceder
receber.
Tenho à minha frente um papel branco
e estou a tentar ver se arranco
num solavanco
p’ra conseguir esta poesia
que fantasia
Se iniciar talvez a vá acabar.
Se calhar !...

NÁUSEA


NÃO TINHA QUE SER apenas Jean Paul Sartre a ter dado mostras da sua náusea em relação ao que o estava a enojar na altura em que se viu obrigado a escrever a obra que ficou para o futuro e que, ainda hoje, mesmo com o mundo a atravessar circunstâncias diferentes, se tem de aceitar que existam muitos cidadãos que o que mais pretendam será encontrarem-se fora do ambiente que os rodeia. No meu caso, não é apenas o que se passa dentro das nossas portas – e já chegava para um verdadeiro mal-estar - , mas também aquilo que ocorre por diferentes sítios da nossa Esfera terrestre e que, de dia para dia, se estendem por outras zonas, posto que os humanos, com distinção para os mais responsáveis, não conseguem contentar-se em fazer progredir as suas vidas e as dos seus semelhantes sem ter de invadir o bem-estar dos vizinhos, sobretudo se eles se situarem em países próximos.
O que ocorre neste momento na zona do Médio Oriente é bem a demonstração de que continua a existir quem, conseguindo colocar-se em posições pessoais de comando de povos, tirando largos proventos desses lugares, não aceitam ver chegado o momento apropriado para dar lugar a outros e, mesmo contra a vontade das maiorias, resguardando-se na protecção das forças que cobrem os seus actos e com o apoio dos outros seres que, sempre existindo, se regalam com as recompensas e os protegem e aplaudem, vão cumulando no exterior as riquezas que lhes entra nos bolsos e, com desumano finca-pé, utilizam todos os meios, sangrentos também, para não dar um passo em retirada.
Este o panorama que se contempla em muitas zonas que são alvo, nesta altura, da observação de todo o mundo que, mesmo retendo as fortunas que os líderes transferiram para o exterior dois seus países, assim mesmo não conseguem ir mais além, até porque o exemplo que Bush fez correr os E.U.A. em relação ao Iraque, não aconselha a que se vá mais longe do que os comentários de longe.
Por cá, actualmente a aguardar o que vai sair do encontro de Sócrates com a Senhora Merkel, que, já se sabe, à sua chegada a Lisboa servirá para mais um êxtase de vitória do homem que temos de aguentar no Governo português, e, como consequência, ou não, dessa conversa que obriga o nosso primeiro-ministro a cumprir a “ordem de chamada” que lhe foi feita, saber-se se o FMI sempre tem de vir actuar no nosso território ou se aguardar-se-á mais algum tempo, pois que estamos dependentes do que em Março a Europa decidir, enquanto isso a nossa economia afunda-se cada vez mais e é o próprio nosso ministro das Finanças que não esconde que as demoras só servem para que os juros da dívida se mantenham em crescendo, acima dos 7% a cinco e a dez anos, sendo que, de novo na próxima semana, se realizará mais uma emissão de títulos de tesouro à volta dos mil milhões de euros.
E, no capítulo da mudança do comando do Executivo, o PSD, mantendo a conversata que só serve para ir mostrando o seu pavor em pegar na “criancinha” que se em contra em situação de enorme debilidade e de que ninguém quer ficar com a responsabilidade de assistir aos seus últimos momentos, em lugar de avançar com armas e bagagens para mostrar aquilo que realmente vale - se é que vale -, o que o seu responsável principal, Passos Coelho, faz é largar conceitos. Mas fartos de intenções estamos todos nós. O que se impõe, com a maior urgência, é que alguém, na área da política, tenha a coragem de, com o mínimo de viabilidade de ser aceite pelo conjunto parlamentar, diga ao povo português aquilo que se propõe fazer e com que elementos físicos e humanos.
Na árvore do Governo, sequinha de adubo, o fruto podre de Sócrates encontra-se preso por uma réstia de fio. Basta arrancá-lo e deitá-lo para a estrumeira. E, com um tratamento competente, fazer revigorar a planta que, estremecendo de susto pelo que tem passado, se deixe conduzir para que volte, ainda que não se saiba o tempo que isso levará, primeiro a fazer nascer as folhas e depois, aproveitando bem o sol que é essencial, a dar mostras de que é capaz de produzir os frutos que justificam a sua existência. E o mercado que receberá essa produção poderá, então, compensar o que custou fazer renascer o que parecia morto e sem remédio.
Se conseguirmos esse feito, já não aparecerão embaixadores estrangeiros que surjam depois a dizer que Portugal “compra brinquedos caros e inúteis e tem muitos generais sentados”, rindo-se dos submarinos e dos carros de assalto que as “inteligências” políticas que temos por cá fazem gastar ao pobre erário público português. Agora, perante essa realidade, só temos de engolir em seco e de taparmos a cara de vergonha… mesmo que os culpados desses disparates voltem um dia a sentar-se numa cadeira da governação… como parece que, infelizmente, poderá suceder!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

DESTA PARA MELHOR

Como é ingénuo o povo
não se esforça p’ra pensar
mais antigo ou mais novo
prefere ouvir a pensar

Repetir ditados velhos
não faz falta acreditar
seja em pé ou de joelhos
até pode ser orar

Ir desta para melhor
há muito tempo que é dito
seja lá para onde for
é algo no infinito

Por cá sábia é muita gente
opinião não lhe falta
melhor que seja crente
p’ro dia em que tiver alta

Ou seja deixar a cama
e pôr fim a toda a dor
tirar do corpo o pijama
e ir desta p’ra melhor

PACIÊNCIA FOI-SE...


ATINGI, NESTE FIM-DE-SEMANA, o ponto máximo a que um ser humano, como eu sou, pode chegar, no capítulo de suportar uma governação portuguesa que nos conduziu e continua a levar ao fundo de um abismo que se nos apresenta há bastante tempo e que, todos nós, cidadãos, somente podemos contemplar de mãos na cabeça, sem dispormos dos meios que nos ajudem a solucionar a tragédia que nos rodeia por todos os lados.
Tenho, como é sabido, deixado aqui expresso neste blogue o meu profundo desagrado em relação a esse homem que persiste em manter-se à frente de um Executivo que, independentemente da crise que serve como desculpa para tudo, tem sido ele que não deu, não dá nem conseguirá dar mostras de ser capaz de dar a volta à situação e de escapar do descalabro a que temos sido conduzidos em Portugal.
José Sócrates, por muito perigoso que seja criar nesta altura uma crise política, não pode permanecer nem mais um dia no lugar em S. Bento e já que o Partido Socialista, no seu seio, não encontra um substituto para o seu secretário geral, só através de uma atitude firme do PSD é que se conseguirá a alternativa mais normal nas circunstâncias actuais. E, como já aqui referi em texto anterior, Passos Coelho, demasiado cauteloso para o meu gosto, já deveria ter dado nota publicamente da existência de um grupo (mesmo sem indicar nomes) formado para constituir o Executivo que entrasse após eleições que, segundo tudo indica, lhe dariam o primeiro lugar na escolha democrática que tivesse lugar.
E, na eventualidade de não obter o PSD maioria absoluta, o facto de não ter referido personalidades que estariam contactadas para fazer parte do grupo governamental permitiria a negociação com o CDS, em que Portas anda ansioso para voltar a sentar-se num cadeirão do poder ministerial, entregando-lhe duas ou três posições, tais como a Agricultura, o Comércio e algumas secretarias de Estado que não provocassem distúrbios de exibicionismo excessivo por parte de um Paulinho que não é capaz de se conter quando as circunstâncias recomendam certo recato.
Isto, porque há que actuar rapidamente de molde a retirar ao grande culpado do estado a que chegou o nosso País, por falta de antecipação a tempo de medidas que evitariam bancarrota em que nos encontramos e por andar permanentemente convencido que tem sempre razão e, por isso, não conseguir ouvir opiniões alheias, pois que não há ninguém, excepto os inveterados ditadores políticos, que sejam donos de toda a verdade.
Os Hitlers, os Mossulinis, os Mao.Tse.Tungs e actualmente os Kadhafis têm o fim que se conhece. Ninguém deseja que, por cá, os Sócrates, por muito democrata que se afirmem, se vejam obrigados a fugir para um lugar para si seguro, não sei se a Venezuela do “amigo” Hugo Chevez, já que a senhora Merkel, essa não estaria disposta seguramente a acolher quem fez gastar à Alemanha demasiado dinheiro em pura perda.
Quando, mesmo sem a intervenção do FMI, quem trabalha e se vê obrigado a passar recibos verdes, do montante que lhe cabe cobrar, uma grande percentagem vai para às mãos do Estado, esse que gasta desmedidamente em desperdícios e não há forma de meter mãos a fundo nas despesas, os cada vez mais desempregados que circulam por este País e não vêem uma única medida que lhes transmita esperança de solucionar o problema, quem, como todos nós, tomamos conhecimento de que há que devolver a Bruxelas, vários milhões de euros, porque as ajudas em subsídios que recebemos da União Europeia destinadas à nossa área agrícola e em que as nossas obrigações não foram cumpridas por falta de controlo estatal (o que também sucedeu em relação à Grécia…pudera!), tais apoios não fizeram com que a produção nacional na agricultura conseguisse atingir o ponto que evitasse as importações a que nos sujeitamos e a zero de exportações, nem sequer de frutos que poderiam gozar de um mercado externo apreciável, quando – e isso ainda que escapando ao socratismo – um espécie de Nação como a nossa, entende despender milhões em submarinos e, mais recentemente, em carros de assalto, continuando-se sem saber quem ganhou e seguramente muito, com tais operações, quando o que nos faz falta é uma frota de barcos ultra-rápidos que controlem a vasta cota marítima de que dispomos e que, afinal, nem sequer aproveitamos como era devido, devendo ser possuidores de uma frota pesqueira suficiente para suprir os mercados exteriores, quando mantemos, nesta época em que nada o justifica, um encargo militar que bem deveria ser reduzido, até para não proporcionar aos que de fora nos ridicularizam, dizendo que somos “um País de generais sentados”, quando não conseguimos acabar rapidamente com as centenas de empresas públicas que só servem para dar emprego, sempre bem pago, aos amigos dos que mandam, gastando fortunas que saem do miserável erário público, logo dos bolsos dos portugueses, quando não existe a coragem de declarar frontalmente de que não existem fundos para suportar as onerosas obras que se mantêm como emblema deste grupo do ainda primeiro-ministro, como o mítico TGV e coisas parecidas, quando tudo isso e o muito que tem vindo a ser denunciado neste meu blogue diário é o que se pode considerar o produto da governação de José Sócrates, o que se torna urgente é que, na falta de uma atitude mais comedida mas com idêntico resultado, os habitantes deste País não deixam dúvidas de que não é possível suportar por mais tempo este “cancro” que nos atacou e está a acabar com o resto que ainda poderá ter cura.
Os discursos, monótonos e vazios de conteúdo quanto ao realismo, em que aponta caminhos mas não dá um passo no sentido de concretizar as teorias de que tanto fala, essa atitude de que os portugueses estão totalmente enfastiados, o que mais uma vez demonstrou no que disse no encontro do Partido Socialista e em que se propôs como candidato à renovação do lugar que ocupa (e que certamente obterá, pois que as cúpulas do PS encontram-se completamente vagas de visão realista, e em que não vai ser por aí que um grupo que prestou grandes serviços democráticos a Portugal se encontra, nesta altura, sem ser capaz de resolver, no seu seio, o que, a fazê-lo, poderia, em eleições que se aproximem, fazer subir na opinião pública o conceito que já teve noutras ocasiões. Por isso se impõe que seja por outra via que o complot de Sócrates saia porta fora.
Aquilo de que se fala e que os mails que correm convidam para que, no próximo mês de Março, os portugueses se juntem numa manifestação para clamar contra a presença desse homem que já não se suporta nem por mais um dia, essa movimentação mostrará se, na realidade, os portugueses estão até aos cabelos. Não sei se esta movimentação, quando se der, chega para o fulano ser ele próprio a dar o passo que se impõe, isso se não quiser que, mesmo com a distância que o nosso Povo impõe nas atitudes revolucionárias que se sabe que, que se repita entre nós o que tem acontecido nos países do Norte de África

sábado, 26 de fevereiro de 2011

SAFEM-SE QUANTO ANTES!


DEPOIS DE TER SAÍDO ONTEM o meu blogue é que tomei contacto com as notícias que saíram em vários jornais de que José Rodrigues dos Santos e Judite de Sousa tinham apresentado a sua demissão dos cargos que ocupam na RTP, pelo que os seus salários milionários, seguramente aumentados (mas com isso não têm os portugueses nada a ver, porque se trata agora de uma empresa privada), deixam de constituir um peso no erário público, como sucede, aliás, com milhares de situações congéneres que ocorrem por todo o País, em que as desregradas retribuições que o sector governamental permite, essas, se bem que não totalmente conhecidas, continuam apesar incompreensivelmente nos bolsos de todos os cidadãos nacionais, esses que suportam os pesados encargos que a indiscutível banca rota do País está a ter de suportar. Menos mal que esta situação ficou resolvida, ainda que o mérito não tivesse ficado a pertencer ao sector governativo, mas sim porque dois elementos se transferem para fora da estação televisiva que apresenta anualmente milhões de euros de prejuízo.
E a prova de que as coisas caminham cada vez mais para uma derrapagem financeira sucessivamente mais funda, é que, finalmente – e digo assim porque a minha opinião de associar a TAP a uma companhia estrangeira que se encontre com folga financeira é já antiga e, no caso, até indiquei preferencialmente a congénere espanhola, para ao caso de unir mercados turísticos, na circunstância o da Península Ibérica, posto que poderia tal medida canalizar visitantes para uma zona comum dos dois países -, o Governo encara a hipótese de atacar os prejuízos da companhia aérea portuguesa, só que, como não podia deixar de ser, o tal Sócrates, sempre longe das realidades e das soluções que interessam mais a Portugal, deu sinais de urgência em fechar as negociações com a brasileira TAM e a chilena LAN, sabendo-se que também a Lufthansa mostrou interesse em estudar a possibilidade de estudar a participação. Só que, tal como eu tenho insistentemente batalhado nessa tecla, o caso do turismo, de tão excepcional peso nos números do PIB nacional, tendo em conta, como também referi no blogue de ontem (como em vários anteriores), que a actuação do AICEP deveria fazer parte de todo o projecto, posto que diminuiria também enormes gastos que se mantêm nos mercados estrangeiros, onde existem escritórios em duplicado e até em triplicado, do departamento do turismo, da TAP e, por seu lado, do AICEP, todos com o mesmo propósito…
Eu, por mim, não tenho esperanças nenhumas de que os tradicionais chefes que andam por aí a dar ordens e a inaugurar tudo e nada, sempre acompanhados por aglomerados de centenas de beija-mãos que fazem questão em aparecer junto do “protector”, sejam capazes de se informar das opiniões de quem quer que seja e que, quem sabe, poderiam constituir algo de interesse. Mas, enquanto por cá andar e tiver forças nos dedos vou escrevendo, como sempre fiz, mesmo quando, como agora, ninguém ligasse nenhuma.

VÍCIOS

São tantos que o Homem tem
bastantes mais que as virtudes
sendo mal julga que é bem
ataca mais juventudes

A droga esse veneno
quando chega já não larga
é um martírio pleno
que torna a vida amarga

Mas há muitos outros vícios
que alastram por esse mundo
são enormes suplícios
tornam Homem vagabundo

O fumar e o beber
mentir também não escapa
mesmo sendo um prazer
nada se faz à sucapa

O jogo então esse mal
fortunas tem devorado
é uma atitude fatal
qu’as famílias dão cuidado

Não são os jovens apenas
que se deixam apanhar
idosos com suas penas
acabam por lá chegar

É que vícios, tais perigos
são fáceis de conseguir
empurrá-los são castigos
custam muito a despedir

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

SE EU FOSSE UM HOMEM RICO!

Hoje estou num desses dias
com ganas de fazer nada
todos nós temos manias
ou gosto pela vida airada
tenho livros para ler
mais de dez na escrivaninha
pinturas para fazer
mas caí nesta morrinha
é preguiça
enfermiça

Olho só, mas nada vejo
nem isso quero fazer
tudo me causa bocejo
mas que maçada viver
e falar não é comigo
que trabalho isso me dá
andar também não consigo
dar uns passitos vá lá
mandriice
que lesmice
vou falando com quem passa
poesia escreverei
mirarei a mulheraça
e tudo que sei farei
com vontade
e qualidade
Postas as coisas assim
parando para pensar
ponho esta questão a mim
em prosa ou a versejar
pode-se ser mais feliz
estando atento à nossa volta
e sendo sempre juiz
ou seguir na vida à solta
divertido
extrovertido?

Boa questão está no ar
que responda quem souber
cada um faça o que achar
o que mais lhe aprouver
porém o mundo não deixa
que cada qual faça a escolha
pois muita porta se fecha
quem anda à chuva se molha
aguenta
que tormenta

Sendo pobre, coisa má
mais difícil a opção
não há por perto o sofá
e p’ra dormir há o chão
por isso não fazer nada
não é escolha para ter
e andar na vida airada
não é questão de querer
o trabalho quando falta
sem ser por própria vontade
mesmo doente com alta
não dispõe de liberdade
desemprego
desassossego

Comigo não é assim
não sou pobre nem sou rico
é só por não estar afim
não quero e nem abdico
já nesta altura da vida
de ser de outra maneira
o momento é que convida
seja certo ou seja asneira
dolência
independência

Não posso ser mentiroso
pôr em questão meus desejos?
É que dá certo gozo
fingir que tenho bocejos
não, nunca estou desse modo
no “dolce fare niente”
por mim nunca me incomodo
na posição de ausente
é que tenho consciência
de que o tempo que me falta
me desperta a exigência
de não m’entregar à sesta
essa a razão por que faço
esforços p’ra produzir
e afugento o cansaço
em troca do insistir
teimosia
rebeldia

Estou num dia portanto
ao contrário do que disse
em que p’ra dentro canto
não vejo nisso chatice
acrescento mais poemas
ao rol imenso em arquivo
são quase todos algemas
que eu deixo em donativo
aos que ainda cá ficarem
nada têm de nocivo
mesmo sem apreciarem
testamento
sem talento

Só se for rico
o mafarrico

QUE RICOS SALÁRIOS!...


SE EU SOU UM DAQUELES que expressa publicamente o seu enorme desagrado em relação ao caminho que a situação portuguesa leva e que tem sido a causa pela qual atingimos o estado degradante em que Portugal se encontra – e que nos pode importar, como desculpa, que outros países atravessem igualmente um período difícil! -, muitos mais cidadãos haverá que, não sendo indiferentes a tudo de mau que os nossos governantes praticam, também se arrepelarão por não assistirem a medidas que deveriam ser tomadas e que deixam indiferentes aqueles que estão colocados nos lugares que lhes dão possibilidade de remediar algumas situações.
Eu devo confessar que me falta já o mínimo de complacência para tentar encontrar desculpas que minimizem os erros que são praticados, como também a falta de senso (para não chamar outra coisa) para meter mão nos problemas que correm mal e que se mostram necessitados de medidas imediatas e decisivas.
É que há coisas que nem precisam de grandes cabeças para verificar que não podem continuar por mais tempo a correr tal como se encontram. As dos salários e de todas as benesses que são atribuídas a uma rede enorme de figuras que, por muito que mereçam ser compensadas nos casos em que mostram competência – se for esse o caso, aliás raro -, essas situações, numa altura como esta em que a população se defronta com as maiores dificuldades, o País tem pela frente um encargo de dívida e de juros que levarão muitos anos a ser resolvidos e o desemprego atingiu proporções que põem até em causa a tranquilidade social que, com os exemplos vindos do Médio Oriente, podem provocar reacções inesperadas, face a tudo isso as condições extra favoráveis que continuam a ser concedidas a uma classe privilegiada que representa mesmo uma afronta e um desafio aos que têm de recorrer à ajuda de comida para sustentar as suas famílias e não existe nenhuma desculpa para que as entidades que têm na mão o poder de decidir não actuem eficazmente, por forma a que não se verifiquem, nesta altura, tais anomalias.
O exemplo que a comunicação social já tornou público de algumas figuras estarem a auferir salários e outras ajudas que ultrapassam, esse mau exemplo pode ser aqui reproduzido. Alguns elementos que actuam na RTP constituem uma pequena amostra do muito que há a fazer, visto que rondam os 15 mil euros mensais, desde José Alberto de Carvalho, Judite de Sousa, José Rodrigues dos Santos e outros, mesmo que andem na casa dos seis mil euros. Mas não é apenas aí que se verificam os exageros, posto que já foi divulgado que Basílio Horta, agora presidente do IACEP. O tal instituto que tem a seu cargo a responsabilidade de fazer com que aumentem as nossas exportações pelo mundo e pormova os investimentos estrangeiros no nosso terreno, tal antigo membro do CDS e hoje colaborador do PS, ganha mensalmente 6278 euros, para além de subsídio de almoço, carro e motorista e seguro de saúde e isso enquanto oito membros da direcção do mesmo Instituto custam ao Estado 450 mil euros anuais.
Por aqui se vê o forrobodó que representa estar incluído em organismos que, dependendo dos dinheiros públicos, sobrecarregam o passivo de um País que, dentro de pouco tempo, poderá não poder pagar as reformas daqueles que trabalharam toda uma vida. E eu, com este blogue, como todos os demais que só podem revoltar-se a nível de amigos e família, só podemos assistir e sem possibilidade de fazer os que mandam pagar, a dinheiro ou de outra forma, o que significa a sua indiferença face a estas malvadezes.
E aproveito ainda para voltar a falar do AICEP. Este Instituto, que existe há vários anos e já teve outro nome, tem sobre si uma enorme responsabilidade, pelo que não se admite que tenha ao seu serviço um único elemento que não esteja mentalizado para a tarefa importante que lhe cabe, sobretudo estando colocado em diferentes países em que a sua actuação é fulcral para que os nossos produtos sejam aí introduzidos e se crie o interesse em transferir para Portugal investimentos que aumentem por cá a produção nacional. O resultado do trabalho de cada um deveria ser divulgado para se ter a noção concreta de que se justificam os montantes que custam os respectivos escritórios, alguns deles criados, segundo se diz, para dar emprego a familiares e amigos.
O cidadão nacional, na sua esmagadora maioria, não tem a mais pequena ideia no que diz respeito a estes casos como a inúmeros outros em que só interessa aos promotores das actividades favorecer outras pessoas, ainda que com prejuízo de não ser feito, no mínimo, um trabalho que seja útil à comunidade.
Se eu hoje ainda dirigisse um Jornal independente, como foi o caso de “o País”, que mesmo assim resistiu dez anos, nada destas coisas ficaria por denunciar. E não para favorecer qualquer partido, mas apenas para benefício dos interesses de Portugal e do seu povo, que anda há muito tempo pelas ruas da amargura… e que amargará ainda mais se não surgir quem, democraticamente, saiba dar a volta a isto!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

FUTURO


O presente o que decorre
o que se está a viver
é algo que se percorre
dando tempo pr’a morrer

No dia-a-dia se sabe
o que se anda a fazer
antes que eles se acabe
é aproveitar o prazer

Amanhã é outro dia
aparece de surpresa
algo que nos angustia
ninguém tem uma certeza

Para o futuro distante
esse para lá dos anos
há que ficar vigilante
e precaver desenganos

Diz o povo sabedor
o futuro a Deus pertence
peçam-lhe então o favor
que nosso caminho incense

Se quem ao nascer soubesse
o mau futuro que o espera
melhor era que morresse
antes de entrar na Esfera

PARTIDOS SIM, MAS...


NÃO SERÁ OBJECTO de grande discussão o facto de que os partidos são essenciais na sustentação da Democracia política e, até levando em conta a frase célebre de Winston Churchil de que a opção democrática é a menos má de todas as outras que se praticam, mesmo assim e quem viveu já em pleno a experiência de se encontrar sujeito à opressão de uma ditadura não manterá grandes dúvidas de que se deve saudar constantemente a descoberta, há milhares de anos, do estilo político de que os gregos foram os autores.
Posta esta salvaguarda, falemos agora do que ocorre entre nós, em que, numa Democracia ainda imberbe – pois que 37 anos de implantação de um regime deste tipo não são suficientes para enraizar o hábito que necessita de várias gerações para que se aprofunde com naturalidade o seu uso -, se notam defeitos no seguimento das regras básicas a que, naturalmente, os seres humanos reagem mal, por brigarem com a sua tendência em impor a sua própria opinião e não admitir a dos outros.
Então no caso dos latinos e, em particular, dos portugueses, nós que tanto damos mostras de não gostar de ouvir o que os demais dizem e de lhes cortar a palavra obrigando que seja a nossa a sobressair no diálogo, sobretudo os que se ufanam de ser “democratas” de toda a vida, temos de tomar consciência humilde de que não estamos preparados para, como se verifica amiúde na convivência com a maioria do povo britânico (que tem essa prática há mais de trezentos anos… e mesmo assim!), ouvir até ao fim o que um convivente nos afirma e, só no final do seu discurso, expor o nosso ponto de vista controverso.
Que a tia Maria e o senhor António, pessoas simples do nosso povo, não façam a mais pequena ideia do que representa a obrigação de dar passo ao vizinho e, por isso, as ainda existentes zaragatas de pátio, constituem uma forma de discordar do que qualquer um faz ou diz, que isso ocorra não tem de causar grande espanto aos que possuem alguma ideia do comportamento tradicional da maioria esmagadora do povo lusitano. Mas que, na área da política, no ambiente em que se movimenta essa classe que tem obrigação de se situar num plano superior no capítulo do conhecimento, essa dificuldade em adaptar-se ao respeito pela forma de pensar dos adversários que seguem linhas diferente é bastante mais criticável e merece uma reprimenda severa por parte dos observadores das atitudes tomadas por tal classe.
É sabido que, por cá – e não só -, os que se acolhem aos grupos partidários existentes o fazem com uma preocupação saliente: a de receberem uma protecção, sobretudo no propósito de encontrarem uma actividade que lhes garanta um modo de vida superior ao que detinham noutras circunstâncias. E, em grande parte desses casos, dependendo também da ânsia de cada um em salientar-se nas hostes partidárias, acaba por ser compensado com uma função numa empresa que se encontre ligada ao partido, geralmente com compensação atraente. Na situação actual, até a criação de institutos, assessorias e outras actividades que são dispensáveis, tudo isso tem servido para satisfazer as pretensões dos elementos que procuram o guarda-chuva protector.
O mais escandaloso, porém, é quando não chega a busca de emprego satisfatório, mas se passa ao enriquecimento ilícito nos partidos, como agora se tem dado conta na Imprensa e em que são apontados nomes de indivíduos que, à custa dos lugares que obtêm por essa via, metem ao bolso fortunas que destroem a ideia do rigor da Democracia. O Homem é capaz de tudo e não hesita quando descortina a oportunidade de se servir das ocasiões que se lhe deparam para tirar proveito para si próprio do que lhe é proporcionado.
Mas pode haver partidos sem homens?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

DOUTORES E ENGENHEIROS

Isso, dizem, pr’aprender
estudar n’altas esferas
serem “doutores” tem de ser
essas sim são as quimeras
dos que deixam para trás
o que foi antes estudado
porque isso do eficaz
é coisa que dá enfado
o preciso é conseguir
chegar ao fim da etapa
poder então exibir
diploma como capa
dum curso n’importa qual
c´’oa mais diferente ciência
desde que sirva afinal
para dar certa aparência
senhor doutor, engenheiro
é o qu’importa ser dito
para além disso o dinheiro
não é assim tanto um mito
antes no nosso País
tem muito a ver com canudo
e para se ser feliz
hoje euro foi escudo
ter no cartão de visita
o “dr.” sempre ajuda
é algo que muito excita
mesmo não sendo a taluda

É o que hoje se passa
em tais estudos maiores
uma minoria escassa
alunos e professores
cumprem mal suas funções
faltando horas e dias
em que nas vitais lições
acontecem anarquias

Hoje ninguém marca falta
não precisam pôr lá pés
p’ra não assustar a malta
basta ouvir uns lamirés
e os anos se sucedem
alcançam o fim do curso
e todos que assim procedem
utilizam tal recurso
mais tarde na vida prática
se verá utilidade
se ao menos a gramática
foi estudada com vontade
e se o nosso português
mereceu aprendizagem
com profunda solidez
e não singela abordagem

Esses cursos por aí
sem se saber qual o uso
se alguém lhes sorri
é porque é um intruso
sem ânsia de saber algo
só o canudo lh’interessa
para dar ares de fidalgo
na vida subir depressa

Mas faculdades antigas
as médicas e das letras
essas não vão em cantigas
e não aceitam penetras
como outras que sempre deram
mostras de grande rigor
e nunca satisfizeram
quem só queria o “doutor”
essas deitam cá p’ra fora
gente que sabe o que faz
cábulas mandam embora
têm ensino capaz

País com tais faculdades
a só querer ganhar dinheiro
pois engana as mocidades
sem preparar um obreiro
isso que por cá existe
e a esse ponto chegámos
numa situação triste
qu’em silêncio aceitámos

O melhor será então
fazer como em todo o mundo
pôr nos “doutores” um travão
e ver o assunto a fundo
só ao médico tratar
com essas letras vaidosas
aos demais não aplicar
tais alcunhas faustosas




SAI A BEM OU A MAL?


EU, QUE ATÉ JULGO conseguir manter uma certa dose de suporte para me considerar distante das pessoas que gostam de exibir o que consideram ser os seus próprios dotes extraordinários de comportamento, não sendo por isso nada de exemplar pois que essa atitude constitui uma defesa minha em relação ao que tem capacidade para me irritar, apesar disso tenho de confessar que existe uma personagem que já conseguiu ultrapassar a exigência que faço a mim mesmo de dar oportunidade aos outros de exporem as suas opiniões, por muito que não concorde com elas, e, em cada altura que surge essa figura a exibir-se perante as câmaras de televisão a gabar-se dos seus feitos e da sua competência e a fazer propaganda do conjunto que chefia, alterando doentiamente a verdade dos factos e pretendendo dar uma cor de rosa às situações mais carregadas de fel que têm vindo a agravar-se ao longo dos tempos, entro, cada vez que isso sucede, numa espécie de transe que altera toda a paciência que possa possuir.
Claro que não necessito esclarecer mais em pormenor quanto à identidade do visado, pois que o texto lido atrás não deixa dúvidas de que se trata do primeiro-ministro que ainda se mantém em actividade no nosso País e que a sua ganância pelo poder não lhe permite vislumbrar que a maioria dos portugueses não se conforma por muito mais tempo em ter de suportar os erros crassos que têm vindo a ser praticados ao longo da vigência do seu Executivo, mas com maior incidência desde há uns cinco anos para cá. Essa personagem chama-se, está bem de ver, José Sócrates.
Devo esclarecer, quem mantiver algumas dúvidas no que se reporta a esta minha incapacidade em suportar o exibicionismo do referido político, de que não se trata, nem de perto nem de longe, com a sua ligação e até posição de mando na área socialista. Nada disso. Se ele pertencesse a outro partido, fosse ele qual fosse, e desse mostras de idêntico comportamento, ou seja, o de fazer afirmações públicas completamente contrárias à realidade dos factos e que, devido à posição que assumisse como são as que desempenha agora, implicasse, como implica, na situação de Portugal em termos mesmo de sobrevivência, se fosse isso que sucedesse a minha repulsa pelo homem seria exactamente a mesma.
O que se tem de estranhar e eu, pelo menos, não deixo de ficar perplexo, é que, chegados que estamos ao estado em que o País se apresenta, para além dos ataques continuados de todos os partidos da Oposição e em que a Assembleia da República se transformou num ringue de combate de palavras, quase sempre com ares de enorme agressividade – o que não se pode criticar, posto que é nesse lugar que os confrontos devem ter lugar -, não tivesse ainda surgido, por parte de quem reúne condições para sair-se de forma positiva da proposta, com um plano bem urdido e mostrando objectivos concretos que não se ficassem pela crítica sem demonstrações de soluções, pois que o caso do Bloco de Esquerda não teve a menor utilidade prática, como os seus proponentes tinham obrigação de ter consciência antecipada do que se passaria, o que é de provocar bastante interrogação, quer cá dentro de portas como até nos países que estão atentos ao que ocorre neste espaço da Península Ibérica, é que mantenhamos este estado de coisas de vendo passar o tempo com as dívidas a acumularem-se monstruosamente e sem que se vislumbre um mínimo de esperança em todos os nacionais que, enfrentando já uma vida que se apresenta plena de dificuldades, sabem que o que os descendentes vão receber é uma Nação subjugada ao aperto que os credores externos irão fazer durante anos sem fim.
Por muito que a situação económica e financeira do País não seja propícia a que se criem situações de conflito político – pois que se os juros das dívidas permanentes que vamos fazendo correm o risco de aumentar ainda mais do que já estão -, a realidade porém é a de que não é possível permanecer impassível e a aguardar nem se compreende bem o quê.
Há, pois, que ter a coragem de romper com o que ameaça estar a eternizar-se e procurar uma saída, a qual, com um Governo chefiado pela personagem que ainda lá se conserva, já não haverá perspectivas de se alterarem para melhor.
As ocorrências que têm estado a verificar-se nos países do Norte de África, com as populações a exigirem as saídas dos detentores do poder de vários países da zona, ainda que não tenham de servir de exemplo no nosso caso, podem, no entanto, ter a capacidade de mostrar que os naturais não devem ficar indiferentes ao que os que são colocados nos lugares de mando não podem ser deixados sem que assumam as suas responsabilidades e, se se furtarem a isso, fazê-los pagar pela incompetência ou por outra falha que não seja admissível a quem se prontificou a assumir funções que põem causa a vivência dos cidadãos de um País, como é o que ocorre em Portugal.
Cada um tem o dever, para não dizer a obrigação, de não disfarçar quanto ao que lhe cabe como cota parte da sua qualidade de cidadão nacional. Eu, tal como fiz anos atrás quando os jornalistas só podiam participar fugindo à pressão das Censura, nesta altura utilizo este meu blogue para acordar as consciências.
Cada um dá o que pode!...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

DOENÇA

Isso de haver doenças
é coisa que não s’entende
pois só com enormes crenças
é que se aceita o que prende

Eu peço explicação
e quem souber que conteste
porque não há compaixão
de quem habita o Celeste?

Quem nos fez logo d’início
devia deixar na acta
d’o Homem não ter suplício

Ter hora da morte exacta
a partida sem bulício
sem precisar de malata

SOCIEDADE DE INCOMPETENTES


EU BEM SEI QUE este meu blogue me tem servido ultimamente para expulsar para fora de mim aquilo que mais me atormenta no que diz respeito à situação, cada vez mais dramática, que tem sido imposta a este nosso País e que não deixa grandes esperanças de podermos assistir, ainda nos nossos dias, a uma mudança, mesmo modesta que seja, que anime os portugueses a reaver aquilo a que alguns chamam de “orgulho” por ter nascido neste torrão. Mas, no fundo, fazendo jus àquilo que são os nossos hábitos e ao conformismo que temos enraizado e que sustenta uma certa esperança que vem desde o berço da nossa nacionalidade, apesar de ir apontando os erros indesculpáveis que os nossos “mandões” nos impõem – e revoltávamo-nos nós, eu incluído e com acção assumida, da actuação de Salazar como ditador, mas esse, ao menos, não gastava desalmadamente e não se abotoou com valores, nem perdia tempo com inaugurações constantes -, tendo como base tal vício de acreditar que o mal nem sempre dura, cá fui acreditando que algum “milagre” seria capaz de descer do santuário de Fátima e fazer aquilo que os nossos homens se têm mostrado incompetentes de realizar.
Mas nada dura toda a vida e, provavelmente porque o período que passei dias atrás num hospital me fez arrumar o pensamento, encontro-me agora entregue a uma descrença total e não posso continuar a sustentar alguma ponta de credibilidade quanto a não ter já tempo para assistir a um Portugal bem de pé e a ser respeitado, já não só pela sua História mas principalmente pelo seu comportamento neste período que merecia ser conduzido por gente que não nos envergonhasse.
Todos os dias e a todo o momento as notícias que chegam ao conhecimento dos cidadãos nacionais são, umas atrasa das outras, a demonstração de que, com excepção do ridículo Sócrates que, com aquele sorrisinho irritante anda sempre a proclamar “vitórias” nos feitos que inventa termos alcançado, o panorama real é confrangedor. Esta de que os salários dos polícias e dos guarda republicanos estarem em risco de, em breve, não serem pagos, constitui mais uma demonstração de como os dinheiros públicos são dispendidos à toa e de que o que é fundamental bem pode esperar, não pode deixar de produzir em todos nós uma revolta que, se isto se passasse na Líbia, no Egipto ou num desses países agora em polvorosa, já teria ocasionado um ajuntamento de portugueses a pedir a expulsão dos incompetentes de S. Bento. Mas, como é aqui que nos situamos, as coisas vão ocorrendo e só se protesta entre dentes, dado que o medo que vigorou durante a época ditadura, mesmo para aqueles que não a conheceram na pele se transmitiu por tradição.
O assistir-se à transmissão televisiva das viagens de montes de gente que babujam o primeiro-ministro e que, acompanhado agora por sete ministros foi inaugurar o início da construção da auto-estrada em Trás-os-Montes que, por muito justa que fosse esta iniciativa, o momento critico de falta de meios para outras iniciativas bem mais urgentes não aconselhava a que fosse levada a cabo, essa demonstração de irrealismo e, ao mesmo tempo, de propaganda como se tratasse de um período pré-eleitoral, tal forma ofensiva que José Sócrates encontra para querer convencer os portugueses que o seu Governo está activo, só pode levar a que, cada vez mais, ansiemos pelo dia em que, mesmo com os problemas políticos que isso representaria, ponhamos na rua tal figura de opereta.
È que, ao mesmo tempo que se fazem tais demonstrações de gabarolice governamental, surge a notícia triste e revoltante de que uma atleta portuguesa que foi campeã do mundo na modalidade de corta-mato, Albertina Dias, por se encontrar abandonada e sem forma de sustento, actua agora como mulher a dias e está obrigada a vender as medalhas olímpicas que conquistou para poder subsistir, agora que está viúva.
É desta maneira que o nosso País e aqueles que o governam tratam os seus naturais. Por um lado, movimentam-se em potentes e luxuosas viaturas e procedem a manifestações de vaidade, ao mesmo tempo que sustentam imensas empresas estatais, com ordenados principescos dos seus amigos e permitem que os bancos obtenham lucros escandalosos, e, por outro, deixam morrer à fome aqueles que, ao contrário deles, nunca prestigiaram o nome de Portugal.
Ai Sócrates, Sócrates! Quando é que poderemos assistir à tua partida, provavelmente para o mesmo sítio para onde irá viver o Khadafi e os outros que se têm eternizado nos poderes? Façam uma sociedade de incompetentes políticos e instalem-se bem longe das sociedades que os desejam ver pelas costas!...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

ORGULHO

Isso, que muita gente diz que tem
e que se orgulha de ter
é coisa que de algum lado vem
mas deveria esquecer

Gabar-se de certas coisas é feio
ser orgulhoso de quê?
porque no fundo é um garganteio
que afinal ninguém vê

Melhor optar por coisa diferente
orgulho não, humildade
pois que no meio de toda a gente
o que conta é a verdade

Ser orgulhoso e até dizê-lo
é mostrar o que um sente
muito melhor seria não fazê-lo
atitude mais decente

É ouvir o governante orgulhar-se
de tudo aquilo que faz
mas o que esquece é desculpar-se
se mostra ser incapaz

Todo aquele que no orgulho assenta
o seu princípio de vida
é porque em ínfima coisa sustenta
no mundo a sua corrida

Eu, por mim, orgulhoso não sei ser
nem tenho razão p’ra isso
toda a vida até eu envelhecer
a língua foi compromisso

Ter honra, satisfação, ser feliz,
mas orgulho é pecado
depende da forma como se diz
melhor é ficar calado







INDECISÕES


É PERFEITAMENTE NATURAL que os portugueses que andam minimamente a par do que se passa no nosso País, com algum conhecimento e, por isso, com uma certa opinião formada, o que, no conjunto dos cerca de dez milhões que dizem sermos, não andarão – digo eu, sem possuir quaisquer dados estatísticos que apoiem este ponto de vista – para além dos quinhentos mil ou, quando muito e recorrendo à maior boa-vontade, dum escasso milhão, esses concidadãos que os políticos, nas suas afirmações discursadas não se cansam de afirmar que “os portugueses conhecem-me…”, andam completamente baralhados em relação ao que poderá vir por aí, agora que a luta pelas presidenciais já passou e o que vai ocorrer entre as relações do PR e do chefe do Governo é coisa que não está ainda muito bem aclarada, nem provavelmente entre eles.
É evidente que a atitude de uma certa concordância que se manteve no primeiro período de Cavaco Silva, que o levou a não interferir, nem por meio da palavra pública, isso facilitou as más medidas que o Executivo entendeu tomar e também os erros de tipo económico e financeiro que levaram a que Portugal tivesse atingido o descalabro em que se encontra, devido à falta de visão e às previdências que eram indispensáveis e que não foram exercidas. Um economista e professor da cadeira, como é ou foi Cavaco Silva, tinha obrigação de contribuir para não ser apanhado de surpresa pela tal crise que foi avançando e, nessas circunstâncias, era sua obrigação ter intervindo, no mínimo utilizando a fala com os portugueses em que, mesmo não podendo obrigar o Governo a mudar de estratégia, fazia reflectir e talvez levasse o primeiro-ministro a tomar alguma cautela contra o seu indesculpável optimismo doentio.
E é isso que ainda se perguntará agora, passado o tempo sobre a data em que ficou encontrado o residente presidencial. Vai o PR pôr de parte preconceitos constitucionais, optando pela defesa dos interesses do nosso País, ainda que tendo de enfrentar as dificuldades que isso lhe possa provocar? Irá ao ponto de, na falta de um acordo institucional por parte dos governantes, lançar a tal “bomba atómica” que será a “arma” de que dispõe e se confina no despedimento do Governo?
Os tais 500 mil ou, quando muito, um milhão de portugueses que terão alguma consciência do que se passa politica e economicamente no nosso País, suportam esta situação a atormentar-lhes os seus pensamentos? E haverá depois grandes indecisões no que se refere à escolha dos partidos, numa eventual votação para a área do Parlamento, se for esse o caso que as circunstâncias poderão impor, sabendo-se que uma crise política em pleno período de enormes dificuldades financeiras que o nosso País atravessa, só se agravarão ainda mais?
Vivemos, de facto, um período de dúvidas. Sabem muitos aquilo que não querem, não sendo demagógico afirmar que o José Sócrates, a manter-se no lugar que ocupa, é que não atingirá algo parecido com a maioria a preferi-lo, mas quem o possa substituir, que partido ou coligação fará, já nesta altura, parte das pretensões dos portugueses, tão longe não se irá provavelmente no nosso País. Serão, pelo contrário, muitas as indecisões.
Perante o panorama político que se atravessa, sabe-se onde se encontra o mal, mas o bom ou até o sofrível é que é mais difícil apontar. Excluindo os inveterados de alguns partidos, mais de esquerda mas também de direita, uns tantos saudosistas do passado, os restantes, a maioria, essa não alimenta uma certeza e caminha bamboleante com o que vai ouvindo aos vizinhos, apenas lastimando-se pela estado a que tudo isto chegou.
Era altura de aparecer algum político, reconhecidamente como sendo uma personalidade séria e competente, que fosse dando, com absoluta independência partidária, indicações daquilo que será o mais conveniente para que os problemas que temos para resolver não aumentem e, claro está, fazendo com que todos nós, os mais humildes e os considerados mais sabedores, mudemos de comportamento e passemos a englobar um esforço comum de produção activa, cada um no seu sector, e, para além disso, os próprios políticos também alterem a sua linguagem de convencidos e, em vez de se atacarem mutuamente e se agarrarem aos poderes, passem a reconhecer os erros que pratiquem, quando existirem, e a emendá-los humildemente, fazendo obra que se veja e não apenas enumerando o que é o ideal, mas não produzindo obra concreta que faça com que sejamos produtivos, conscientes das nossas obrigações de cidadãos que não devem interessar-se apenas pelo emprego, mas desprezando o trabalho, e, remando todos para o mesmo lado, fazer com que este País de grande História mas poucos efeitos alcance o progresso que procura há séculos.
Será um sonho? Pode ser. Mas já terá chegado a hora de nos deixarmos de indecisões e de sermos capazes de encarar a realidade. Com humildade e sem “orgulhos”…

domingo, 20 de fevereiro de 2011

AGNÓSTICO

Deus, sejas tu quem fores e onde estejas
aqui estou eu, perdido na vida
na esperança de que do alto me vejas
e que me indiques a melhor saída

Tens de existir porque o mistério há
pois há muita coisa por explicar
terá sido, sim, algum Jeová
que foi autor do que é de espantar

Não pode haver fundamentalismos
há que aceitar o sim e o não
ser ateu é aos deuses dar prazer

Estou por isso à beira dos abismos
mas não preciso de nenhum perdão
menos a condena de um qualquer

MUÇULMANOS


COMO TODA A GENTE tenho seguido com a maior atenção o que tem vindo a acontecer nos países islâmicos que, como é sabido, não escondem a sua pouca antipatia – quando não é muito pior – pelo munido ocidental e, particularmente, pelos que não praticam a sua religião e, mesmo assim, entre eles, também se defrontam, nas divisões que sustentam, sobretudo entre xiitias e sunistas.
Mas há que reconhecer que causou alguma surpresa verificar que, particularmente na vaga de juventude, tem vindo a crescer o descontentamento face aos governos que comandam os vários países, dando a aparência - que falta ainda confirmar no futuro que aí poderá mostrar se é realmente assim que sucede -, de existir uma aspiração a maior liberdade e a que a democracia, ainda que relativa, chegue a esses pontos onde as pesadas estruturas implantadas há séculos, não deixam que os governos sejam eleitos por vontade da escolha das populações respectivas.
O que ocorreu agora no Egipto (por enquanto ainda escrevo com a ortografia que temos implantada e, como apanhei uma mudança há muitos anos da forma de redigir, não estou muito receptivo, por enquanto, a alterar a forma da minha escrita em português), que se pegou de seguida aos outros povos vizinhos, que vou enumerá-los e de que fazem parte Marrocos, Argélia, Tunísia, Síria, Jordânia, Líbia, Iémen, Djibuti, Bahrain, Omã, Arábia Saudita e Irão – espero não me ter passado nenhuma -, com a primeira queda do ditador Mubarak que, afinal, logo após o seu afastamento demorado e contrário ao seu desejo, deu entrada num hospital com um problema que faz duvidar sobre a sua resistência na luta contra a morte, logo os restantes países com a mesma religião muçulmana utilizaram os seus maiores espaços públicos, principais, no caso a praça chamada da Liberdade, e, como um rastilho, foram contagiados pela aspiração que começou por juntar centenas de milhares de egípcios que, ao fim de 18 dias, conseguiram fazer valer os seus protestos e o brigaram a que o seu presidente não tivesse outro remédio que não fosse o de abandonar o poder.
E, dentro do espanto de todo o mundo, até Muammar Kadhafi da Líbia, sempre tão persistente na sua aposição de condutor dos povo, se encontra em maus lençóis por uma idêntica aspiração dos líbios que não escondem já a sua determinação em fazê-lo abandonar a sua tenda presidencial e ir armá-la noutro sítio.
Mas, afinal, qual o motivo por que dedico este espaço a referir o que já é do conhecimento de todos os que não se desinteressam por saber o que se passa por esse mundo fora?
Pois é tão simples como isto: será que ao Terreiro do Paço lhe falta espaço suficiente para acolher uma multidão de portugueses que, até se poderiam espalhar pelas ruas da Baixa, para bramarem contra a política que José Sócrates tem imposto e que conduziu Portugal à situação em que se encontra nesta altura e ao que se perfila para continuar até atingir os pobres vindouros que não terão culpa nenhuma do País que vão encontrar? É verdade que vivemos em Democracia e que, por isso, existem meios legais que permitem que o Executivo socratiano seja deposto, mas as circunstâncias económicas e financeiras que atravessamos – sempre com o mesmo causador - não têm dado ocasião a que, por via do Parlamento, os passos necessários tenham sido dados e o exemplo dado pelo Bloco de Esquerda até mostrou a maneira de como não se deve actuar para atingir correctamente o objectivo desejado.
Espera-se que o principal partido da oposição seja capaz de, apresentando um plano de Governo, indicando os nomes das personalidades que recomenda para tomar conta das pastas que é preciso ocupar (deixando alguns lugares em branco, para criar a ideia de que, em caso de necessidade absoluta de incluir o CDS no molho de governantes, com o necessário cuidado para que não tem tenham de ser entregues aquelas que não convirá nada que Paulo Portas logo se abotoe com elas, e só então e a guardando a oportunidade no tempo que seja mais adequada para dar aos cidadãos a possibilidade de escolherem, apresentar a moção de confiança que se impõe.
O PSD, pois que outro não se encontra em condições de ocupar o lugar do PS – e não importa já falar de esquerda e de direita, pois o que tem de estar em causa é a salvação do naufrágio do nosso País e já se sabe que existem sempre forças que estão em desacordo com esta medida -, tem de se apressar e de não andar a adiar constantemente aquilo que lhe cabe e que se sabe perfeitamente que constitui uma pesada tarefa que lhe irá acarretar muitas responsabilidades e até revoltas, posto que as medidas a tomar terão de ser muito duras e antipáticas.
Só que temos de pensar todos que se for o FMI a desembarcar no aeroporto, essas imposições restritivas não serão nada doces e aí todos os agrupamentos sindicais meterão as violas nos sacos e há que aguentar mansinho…
Dito isto, vou tratar de mim, pois que o facto de ter saído do hospital não quer dizer que me encontre já em plena forma.