quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A PERFEIÇÃO

Não sei se a felicidade
reside no se julgar
que não constitui vaidade
o nunca se enganar
perfeição
que ilusão
atingi-la se presume
ser algo quase impossível
chegar mesmo lá ao cume
pode ser mas é falível

A obra-prima afinal
por muito bela que seja
não será nunca ideal
melhor sempre se deseja
alcançar
abraçar
o autor desconsolado
sofre por não conseguir
ver o trabalho acabado
sem o super atingir

Isso será consciência
de longe o máximo ver
e tal como em penitência
prosseguir sempre a sofrer
insistir
sem conseguir
o fazer coisa perfeita
não pertence ao ser humano
não se inventou a receita
pois a vida é um engano

REGIONALIZAÇÃO


TEM-SE FALADO pouco deste tema que, agora mais divulgado pelo candidato à Presidência da Republico Defensor Moura, merecerá certa reflexão por parte de todos nós, portugueses, posto que se trata de alguma coisa que pode influenciar bastante a condução da vida nacional, sobretudo numa altura em que tantas dúvidas existem e poucas decisões que mereçam ser discutidas e avaliadas. Refiro-me à regionalização.
Não tenho dúvidas de que, num País como o nosso em que a corrupção tanta marca deixa nas actuações em múltiplas áreas onde a praga se verifica, o alargamento da intervenção política em todo o espaço nacional poderá permitir a expansão de mais braços do cancro que se movimentem onde haja possibilidade de conseguir benefícios pelas múltiplas portas do cavalo. Mas, o que há que medir são as vantagens da criação dessas zonas intermédias entre o poder central e os municípios e o perigo de se multiplicarem as intervenções gananciosas dos que se encontram sempre à espreita de obter proventos com a criação de novas instituições relacionadas com o comando.
Posta esta dúvida, o único que haverá que acautelar é precisamente a fiscalização rigorosa no que respeita a essa possibilidade, coisa que, até agora, sempre tem constituído um fechar de olhos por parte daqueles que, provavelmente, são os que mais fomentam a corrupção, quer por via das colocações em lugares de importância e bem remunerados de amigos, familiares e correligionários de partido, sem atender às competências e às necessidades restritas das ocupações, quer no capítulo dos favorecimentos nas compras e outras acções que são as que aumentam desmedidamente os gastos do Estado.
Acautelada que seja esta actuação, o que importa é saber, com rigor e após estudo profundo do problema, se a regionalização poderá ou não contribuir para que a actividade política, económica e social dos sectores do País que se situam fora da área onde está instalada a cabeça governamental, se essa nova actuação será mais profícua nas decisões que há que tomar para melhoria de vida dos habitantes em cada zona ou se, pelo contrário, os custos que provocam tais aumentos do número de funcionários e de instalações públicas, ainda que haja que requisitá-los dos municípios em redor, não justificam que esse paço seja dado.
Até agora não foi apresentado aos habitantes lusitanos um plano que lhes dê a possibilidade de formar uma opinião concreta - nem neste nem em outros assuntos -, posto que as lutas que se verificam, entre partidos e entre candidatos a eleições, nunca têm a pretensão de colocar a julgamento projectos e planos em que os autores se responsabilizem pelos resultados que poderão ser obtidos.
O que não oferece dúvidas é que, como tem sido demonstrado em diversas ocasiões, as tomadas de decisão que são oriundas do poder central e se referem concretamente a medidas em que os habitantes locais visados por elas não são minimamente ouvidos, o mesmo sucedendo também quanto aos municípios que, muitas vezes, aparecem depois a reclamar contra o que foi proclamado, tais situações não podem ser aceites e é forçoso encontrar uma saída correcta para elas.
Se é o regionalismo ou se existe uma outra maneira de solucionar o referido problema, essa dúvida deveria há muito deixar de se pôr. E é esta questão que levanto no meu texto de hoje.
Aqui fica, como tanta coisa que tenho escrito nos mais diversos meios de divulgação. Mal ou bem, vou fazendo a minha parte!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

OPINIÃO

Entendi, já muito tarde
que o dar opiniões
nem sequer serve de alarde
só provoca confusões
faz-nos parecer importantes
e se há alguém que nos oiça
mesmo sendo bem falantes
só pode partir a loiça
em bem calmo ambiente
no meio de muita gente

Se ninguém faz a pergunta
é guardar bem lá no fundo
quanto mais coisas se junta
mais perto se está do mundo
próximo ficando longe
pois que o saber demais cansa
o mais feliz é o monge
que não lhe agrada a falança
o calado é o melhor
quem maça é o falador

Opinar, essa atitude
que há quem goste d’exercer
até faz com que alguém mude
a sua forma de ser
opinião que asente
em bases bem estudadas
pode até ser convincente
não provocando maçadas
tenhamos pontos de vista
sejamos ou não artista

Calado é que eu não fico
não dizer sempre o que penso
que me chamem mafarrico
não preciso de consenso
o que tenho é que dizer
tudo que me vai na alma
pois isso me dá prazer
embora me tire a calma
contrapor é o que importa
pois que a fala não está morta

Afinal o opinar
É só p’ra desagradar

FALAR, FALAR!...


PRODUZIR E POUPAR esta frase tão atacada (e do mesmo também me culpo), e que foi largamente reproduzida na época do antigo Salazar, volta agora a ser dita, não propriamente desta maneira, por muitas bocas que agora “descobriram” que Portugal não é – nem nunca foi – uma Nação que tivesse capacidade de se bastar a si própria, fabricando e lançando nos mercados o que deveria sair das suas produções, quer no capítulo da agricultura e das pescas como no que se refere à sua indústria. Os políticos de agora e, em particular os economistas comentadores, não se cansam de clamar pela necessidade que se verifica de termos todos nós, os habitantes activos, de lançar mão ao trabalho, cada um na função que lhe compete, e de aumentar substancialmente o resultado do seu esforço, pois esta será a única forma de podermos enfrentar o descalabro em que nos encontramos, em que consumimos mais do que o que produzimos e, por isso, vemo-nos forçados a importar em excesso e, com isso, dado que as exportações não têm a mesma dimensão, vemo-nos forçados a desperdiçar dinheiros e, para sustentar tal mandria, endividarmo-nos cada dia mais.
Isto, qualquer pouco sabedor entende, só que ninguém aparece a explicar o como deverá ser feito. Lançar frases, a torto e a direito, apontar erros, utilizar apenas princípios, isso não falta por aí, desde os menos qualificados comentadores até às mais altas personalidades, incluindo o próprio Presidente da República em exercício e, nesta fase, todos os candidatos a esse lugar.
“Firmeza no combate à pobreza”, eis uma frase que foi proferida por Cavaco Silva no seu discurso do Ano Novo. Mas, como esta, outras semelhantes e com idêntico incentivo de dizer o que é necessário que exista, sem que se conheça a forma de alcançar, na prática, tal ou tais desideratos, essa expansão de opiniões teóricas é coisa que abunda, numa forma bem portuguesa de mostrar como se conhece o que está mal, mas que não se corre o risco de indicar como se deve fazer bem.
Será que o ano que acabou de entrar e que vem carregado de maus presságios mostrará que os homens que temos por cá e que presumem ser os que sabem tudo, os tais políticos de que não temos falta, actuarão de forma diferente e, sobretudo as oposições, abandonem o apontar os erros e se dediquem a expor o que fariam se fossem eles a ter nas mãos o comando das operações?
O que está mal, até péssimo, é coisa que bem sentimos na pele, mas a forma de dar a volta por cima e de actuar com competência, bom senso, sentido de responsabilidade e, acima de tudo, com absoluta transparência, para se pôr ponto final, de uma vez por todas, das actuações à escondidas, dessa vivência todos os portugueses sentem a falta e muito gratos ficariam se tal mudança surgisse o mais rapidamente possível.
Ainda a tempo!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

VER DO OUTRO LADO

Por vezes sinto que estou morto
que já não pertenço ao mundo dos vivos
que estou onde não estou
que vejo do outro lado o que aqui se passa
não é nada comigo
é coisa estranha e distante
faz-me lembrar da última vez
que fui levado ao cemitério
havia gente a chorar
havia ?...
e lá me conduziram para onde eu queria
para o fogo
para as labaredas que rodearam o meu corpo
mas não senti nada
já não estava ali
vi de fora
tudo ardeu num instante
ficaram cinzas
foram despejadas num depósito
tem graça
nasci de uma gota e acabo em pó
atravessaram toda um vida
para isto
para terem havido preocupações
para coisa nenhuma
alegrias
zangas
esforços
canseiras
amores
desamores
ânsias
satisfações
prazeres
contradições
verdades
mentiras
pensamentos
esquecimentos
promessas
falsidades
disfarces
vaidades
tanta coisa e nada
uma vida
tão longa e tão curta
não deu tempo
para fazer o que era preciso
para ser útil
para sobressair
há quem diga que sim
que sou diferente
que me distingo
mas eu
que não estou apaixonado
por mim
não acredito
não me iludo
sei que me esforço
que procurei atingir a bitola
do bom
mas fiquei-me pelo sofrível
pelo mediano
a olhar para cima
a admirar
o que estava no alto

Por isso quase prefiro sentir-me perto do fim
fazer de morto
olhar à distância
ficar como que à janela
a ver-me
e a sentir o sofrimento
o meu sofrimento
o meu desgosto
não culpo o mundo de não me ter colocado
em qualquer pedestal
por pequeno que tivesse sido
e se não cheguei lá
foi porque não o merecia
também não me revolto
por outros se terem sobressaído
mesmo que sem mérito
mas isso só em minha opinião
discutível
provavelmente souberam aproveitar
as oportunidades
foram sagazes
atreveram-se
eu não
também não tive quem me entusiasmasse
em casa
fiquei-me metido para dentro
a encher papel
a colocar cores nas telas
e a esconder tudo
e a amar o que não estava ao meu alcance
a música
a composição
o uso dos instrumentos musicais
e em vez disso
só a utilizar
a caneta e o pincel
desajeitadamente

Sinto
que me vejo de longe
que contemplo os lugares que frequentei
sem mim
observo
as pessoas com quem me dei
sem estarem ao meu lado
vejo-me
sentado no café onde escrevo
olho para as ruas por onde passei
com outra gente
contemplo e reparo
já não conto
não estou lá
ninguém dá pela minha falta
é como se nunca tivesse existido
o mundo não parou
outra gente chora
alegra-se
sofre
diverte-se
tudo como dantes
como quando estava vivo
imagino eu

Julgo ver o mundo
Com muitos mais problemas
com a população aumentada
quase não cabe em nenhum sítio
tem carências
o ambiente é pesado
falta a água
a poluição é insustentável
a competição não perdoa


Quando sinto
que já não estou vivo
e contemplo o espectáculo
de lá de onde estou
já não me importo por não me encontrar
em qualquer pedestal
por mais ínfimo que seja
ao estar na Terra
preferiria estar preste a sair
a tempo
para fugir ao futuro que me esperava
para escapar do medonho
do horrível
dos muitos mil milhões de habitantes
que vão atafulhar o Mundo
e que apesar das múltiplas
antigas e novas doenças
que atacarão o Homem
como há raças que não perdoam
fazendo filhos
muitos
sobrepondo-se a outros
que são mais prudentes
fazendo mudar de cor
o Planeta
apesar disso não ser importante
porque os conflitos
não escolhem tons de pele
sendo seres humanos
por isso mal formados
e cada vez mais agarrados a crenças
a fés
a religiões
que julgam que lhes trarão a salvação
que serão perdoados depois de mortos
que terão benesses e regalias
no fim dos caminhos
só quando se encontrarem no outro lado da barreira
é que descobrirão
como eu julgo que concluirei
quando chegar a minha vez
e estiver a desfrutar
a gozar as vistas
sabendo que Inferno há só um
e é na Terra
nessa altura
e só então
darão gargalhadas surdas
e terão vontade de voltar atrás
e abanar o ser humano
gritando-lhes para terem juízo
para despertarem
e para aproveitarem todo o tempo
que mediou entre a gota e o pó
fazendo com que o Mundo melhore
tirando partido
da Vida.

OPTIMISTAS E PESSIMISTAS


NÃO FAÇO IDEIA se Medina Carreira, o que foi já ministro das Finanças de um Governo antigo depois da Revolução, e agora mantém um espaço de comentarista na SIC, dando conta da sua enorme adversidade no que respeita à conduta da governação actual, não sei se o meu blogue faz parte das suas consultas habituais de elementos para alimentar os temas que trata perante os telespectadores. Eu não me considero tão agressivo como ele não esconde, pois no meu fundo ainda conservo alguma esperança de que vai aparecer uma cabeça bem pensante que consiga pôr ponto final na falta d competência que tem sido exposta ao longo dos dois Executivos chefiados por Sócrates.
Mas o que me surpreende, por vezes, é que o mesmo Medina Carreira aponta erros que, neste meu trabalho diário, têm vindo a ser debatidos, muito embora haja que reconhecer que muitos dos disparates que têm feito parte da actuação do actual detentor do poder sejam tão visíveis que o mais natural é que não escapem à observação de quem não se encontra muito distraído da actuação política, económica e social deste País.
Por exemplo, quando se referiu o comentador em causa à necessidade de passarem algumas gerações de portugueses antes que mudemos a nossa forma de enfrentarmos os problemas, posto que se trata de comportamentos que se encontram enraizados nos nossos seres, isso mesmo já fez parte do que expressei, até mais de uma vez, tendo proposto a quem me quisesse ligar alguma importância, especialmente por parte do nosso Ministério da Educação, que fosse introduzida na Instrução Primária (como eu continuo a chamar-lhe) a aula de “Prática de Democracia”, que deveria assentar sobretudo na aprendizagem de saber ouvir e de não impor a nossa opinião como sendo a única válida, esperando pela vez que nos caiba para opinar, sem que isso represente um ataque ao parceiro com quem conversamos.
Para que essa prática passe a fazer parte do hábito português, o que não se verifica nem sequer nos políticos que nos enchem os ouvidos, serão necessárias pelo menos três gerações, havendo que esperar pela altura em que, os que ainda não nasceram, comecem a dar mostras de ser capazes de, com naturalidade, ter essa forma de convivência.
Eu bem me esforço para também me incluir no tão grande número de “democratas” que apareceram, em Portugal, mal ocorreu o 25 de Abril, mas sou forçado a reflectir sempre que dou comigo a trocar impressões com outro e verifico, mais vezes do que gostaria, de que estou longe de atingir essa perfeição e tal humildade.
É por esse motivo que, com a escrita, me atrevo a fazer propostas para que este Portugal mude de trajecto em muitas das suas actuações. E, modéstia aparte, tenho de reconhecer que, não sendo o ideal, pois que o importante é fazer e não apenas apontar vias, pois mesmo assim julgo que já será meio caminho andando.
Com este ano de 2011 a assustar toda a gente, que, pelo menos, se tire algum proveito deste tormento: que se passe a compreender que a cada um de nós cabe a tarefa de contribuir para que esta nossa Terra saia da situação difícil em que a meteram, aquele que é apontado como sendo o principal culpado, mas também cada português, sem distinção, fazendo com que a baixa produção, que é a principal causa do estado em que estamos, passe a ser uma das melhores de toda a Europa, para podermos competir com os parceiros que, por seu lado, fazem o mesmo em cada local onde se situam.
Não deixemos o nosso interior vazio de população, não percamos tempo com os telefonemas desnecessários nas hora do trabalho, que, em vez de horas extraordinárias, façamos no serviço o que nos compete, que paremos por agora com as greves, que não solucionam nenhum problema. Se usarmos o bom senso e não a nossa mania de só clamar pelos direitos, esquecendo os deveres, talvez este ano de 2011, em lugar de surgir assim tão malvado, possa representar a abertura de uma porta nova que nos conduza a tempos bem diferentes.
E, sendo assim, não teremos de ouvir mais o Medina Carreira que, com o seu pessimismo, alguma utilidade tem, por muito que nos custe dar-lhe razão.

domingo, 2 de janeiro de 2011

DESPERDIÇAR O TEMPO

Só quando se chega a uma certa etapa da vida
é que descobrimos o tempo que desperdiçámos
o que não aproveitámos na corrida
e tudo aquilo que não alcançámos
o mal que com que utilizámos aquilo que tivemos
a pouca atenção que dedicámos ao que valia a pena
porque saber não soubemos
tirar partido de cada cena
e as preocupações que nos absorveram
distraindo toda a ilusão
não nos favoreceram
retirando grande parte da nossa atenção.

Só muito tarde é que entendemos
que a vida é tão passageira
que tudo o que perdemos
que deixamos sem eira nem beira
ficando pelo caminho da nossa andança
não aproveitando o melhor possível
e que, num prato da balança,
de forma bem visível
devem ser colocadas as boas situações
enquanto, no outro lado,
envergonhados como ladrões
sem querer dar grande brado
se podem olvidar os maus momentos,
olvidar não, talvez esconder
porque mesmo sem os largar aos quatro ventos
e isso não dê grande prazer
sempre será bom trazer à nossa memória,
de vez em quando, pelo menos,
aquilo que não tendo grande história
por serem males pequenos
o que poderia não ter sido feito
mas que, de certa maneira,
na altura deu algum jeito
e que mesmo sendo asneira
constituiu uma aprendizagem,
se é que serviu para não se repetir
e até para dar certa coragem
para conseguir fugir
de um possível desterro
e não voltar
ao mesmo erro
praticar.

Agora, com um passado que existiu,
com alguma coisa para contar,
pois houve gente que não viu
e por isso não pode divulgar
aquilo que merecer a pena
ser ouvido
e colocar em cena
para não cair no olvido.
Mesmo que não se diga nada
serve de lastro
para a longa caminhada
e faz parte de um cadastro
que, volta não volta,
saltará à memória
provocando ou não revolta
conforme seja a sua história
e a consciência de cada qual
filtrará o que ainda animará a existência
procurando talvez não voltar a fazer igual
pois para tanto não haverá paciência
e por muito que não haja já
grande vontade de mais longe ir
quem sabe o que se passará por cá
e daquilo de que teremos de fugir

Aqueles que estiverem agora
com a idade que já tivemos,
os que falta ainda muito para se irem embora
e sabem mais do que aquilo que soubemos
esses podem fazer melhor ideia
de que o tempo que têm para percorrer
nesta vida que é uma cadeia
em que se é feliz e há sofrer

deve ser o melhor aproveitado quanto puderem,
emendando sempre o mais rapidamente possível
o que sair mal e não souberem
como fazer melhor e ter nível
esses, por muito que não estejam interessados
em aprender mais alguma coisa
precisam de ser motivados
para deixar obra jeitosa
será pelos seus próprios meios
que evitarão fazer asneiras
e defrontar bloqueios
tendo de ultrapassar barreiras
tendo então ocasião de verificar,
e oxalá não seja demasiado tarde
que às vezes há que parar
sem medo de que lhes chamem cobarde
e então aí fazer a prova dos nove
fazendo aparecer a tal balança e nessa altura,
imitando aquele que sempre se comove
sujeitar-se à tortura
de nos dois pratos equilibrados
poder confirmar qual de ambas posições
pode dar maiores cuidados
se entre as duas acções
umas que boa disposição deixaram
e outras que apetece esquecer
sendo que todas ensinaram
a melhor conseguir viver

Se for preferível
partir na ignorância,
como tudo é discutível
é relativa a importância
e se julgar melhor para os outros deixar
o apuramento das suas acções,
assim deve ficar
e atender as suas opiniões
se é que alguém se interessará por isso,
então, não deixe cair os braços,
e faça o seu serviço
que é como quem diz
ponha o cérebro a funcionar
e ainda que não seja muito feliz
aceite o que lhe vier a calhar
aguarde apenas pelo dia da partida
sem reclamar contra nada
que todos têm a sua ida
seja qual for a via usada

Embora eu não me sinta capaz
de me deixar facilmente entregue
só ao que a vida nos traz
seja o que for que se segue
com o passar dos dias
enquanto funcionar a minha cabeça
não me deixo dominar por apatias
e não me peçam que esqueça
só me entregando ao que vem a seguir
mesmo já sabendo do que se trata
nunca pude sacudir
muita coisa mesmo chata
tanto o que deixei de fazer
como o que saiu menos bem

E agora,
com os meios técnicos que já estão
a ser usados sem demora
e à nossa disposição
que esse computador tão eficaz
a que eu não aderi com entusiasmo
mostra daquilo que é capaz
provocando tanto pasmo
e deixando o muito que fará adivinhar
não sendo já necessário guardar papéis
já valerá a pena deixar
tanto os feles como os méis
pois o tal “disco” pode tudo arquivar
e depois alguém poderá haver
que se incomode com a divulgação
que dê a conhecer
aquilo que constituiu a preocupação
do que ficou feito
não deixar escondido
e que de qualquer jeito
seja bastante difundido
que ponha nos pratos da tal balança
o que aqui deixo bem gravado
e que no final de tal dança
diga se de facto causa agrado
porque se não, bem simples é
deitar fora o disco e pronto…
mesmo dar-lhe um pontapé
e podem chamar-me tonto!

BPN, SEMPRE O BPN!...



SÓ NUM PAÍS COMO O NOSSO e tendo uma Justiça como a que se pavoneia por cá, é que uma situação deste tipo - o que aliás também não causa estranheza, devido à enormidade de outros problemas por apurar que igualmente se arrastam anos sem fim e se mantêm com as dúvidas que provocam e sem se apurar quem é ou quem são os responsáveis – ainda subsista um caso destes, sem que o assunto se considere definitivamente arrumado. Tenho debaixo de olho, como já certamente terão entendido, o caso do BPN, esse monstro que já custou milhares de milhões de euros ao Estado e que ainda se conserva de boca escancarada a aguardar lhe atirem mais dinheiro, independentemente dos administradores que foram e sejam nomeados para acabar de vez com aquele sorvedouro de milhões atrás de milhões.
A prova que o negócio não interessa a ninguém é que, das duas vezes que o Governo colocou em hasta pública a venda a particulares do Banco em causa, sempre ficou sem adjudicadores, pois que, nem sendo oferecido apenas pelo total das dívidas, nem assim alguém estará disposto a arriscar os seus capitais.
Por aqui se tem de deduzir que os governantes, que julgavam que faziam uma grande obra ao ter estatizado o BPN – e, uma vez mais, foi sob a alçada de José Sócrates que tal ideia surgiu -, o que foram foi criar um encargo monstruoso e isso sem ter tirado do precipício o estabelecimento bancário que, como se viu pela prisão até de Oliveira e Costa – só ele? -, deveria, logo na altura, ter levado outro caminho, pois que as condições em que o puseram já não eram favoráveis para outra solução que não fosse o encerramento puro e simples, ainda que houvesse que atender aos depósitos dos clientes que tinham confiado naquela casa de depósitos, para chamar-lhe alguma coisa.
É evidente que a actuação do Banco de Portugal, cuja função, entre outras, é também a de fiscalizar o comportamento dos bancos privados, é merecedora da mais firme censura, pois que, com o presidente que detinha no momento, Vítor Constâncio, e que agora se encontra calmamente a exercer funções no Banco Europeu, não actuou de harmonia com o seu dever. E deixou passar singelamente o que era público e notório, no ambiente generalizado de muita gente que actua no sector, que se passava muita coisa merecedora de observação rigorosa no seio daquele Banco. Mas os olhos ficaram fechados.
Para começar este ano novo, que vai obrigar todos os sectores da vida nacional, com mais empenho ainda do sector público, a utilizarem toda a sua atenção, vontade e competência nas acções que couberem a cada um de todos os portugueses, não posso deixar passar o assunto que é transposto do período que terminou anteontem e que, juntamente com uma infinidade de situações graves, têm de ser encarados com toda a força de que dispusermos.
Recomendar, também eu faço, para imitar os políticos que, por aí andam e que apontam, apontam… mas nada fazem…
E a terminar, apenas uma passagem sobre a tomada de posse da Presidente do Brasil, Dilma Roussef, que ocorreu ontem e à qual José Sócrates fez questão de estar presente. Sendo uma continuadora da tarefa de Lula da Silva que, como ela também afirmou, se empenhou pela diminuição da pobreza naquele País, seria bom que alguma coisa fosse apreendido, no mínimo para efeitos de arrependimento quanto ao que não conseguiu este nosso politico levar a cabo na sua actuação em Portugal. No mínimo, o discurso que pronunciou e em que deu mostras de enorme humildade, que bom seria que, se tivermos que ter o Sócrates ainda durante muito tempo no cargo que ocupa – e tudo pode acontecer nesta nossa Terra -, as afirmações da mulher Presidente poderiam servir para que metesse a mão na consciência e comparasse com o que tem sido a sua demonstração de arrogância e de sapiência máxima, a tal que já não se suporta por mais tempo.

sábado, 1 de janeiro de 2011

SORRIR


Queria morrer a rir
ir assim até ao fim
para lá me divertir
a ouvir falar de mim

Muito mal, assim assim
tudo me faria rir
o que quisessem, enfim
continuava a sorrir

Digam coisas, mesmo más
não me fazem deprimir
lá onde só há paz
só teria que sorrir

O pior é se se calam
me olvidam mesmo a dormir
não dizem nada, não falam
deixava então de sorrir

ELE QUE VENHA, NÓS CÁ ESTAMOS!


CHEGÁMOS! E bem podem todos (ou quase todos) os portugueses colocar o pé direito à frente, iludindo-se com esse gesto de prevenção de que os livrará daquilo que está prognosticado a um povo para o ano de 2011, pelo que essa entrada, logo que ocorra o primeiro segundo depois da meia-noite, talvez diminua ao maus acontecimentos esperados.
O annus horribilis que se apresenta e que não há forma de disfarçar para fingir que passamos por cima dele e que os maus acontecimentos não nos vão atingir, esse desejo não nos vai ser proporcionado por esses senhores que estão instalados na governação e que não conseguem convencer-nos que somos nós todos que nos deixámos envolver pelo pessimismo e que não existem razões assim tão negras que façam com que o mau humor nos atinja mais ainda do que é normal na tristeza nacional que nos distingue dos vizinhos espanhóis que, em qualquer circunstância, sempre aparentam que a vida lhes corre às mil maravilhas… o que não é o caso neste período.
Mas falemos de nós. E encaremos os aumentos que vão verificar-se em produtos mesmo de primeira necessidade, como o pão, às consequências da subida do IVA e com o IRS a mostrar-nos que o Fisco aí está a não deixar que fujamos ao que nos cabe ter de pagar… só pelo facto de somos portugueses, isto é, de ganharmos pouco e de pagarmos tanto ou mais do que sucede com outros povos da Europa, desse Continente que, por sinal, também não está a constituir um conjunto de países que assume a preocupação de prestar uma ajuda mútua, especialmente dos mais folgados aos que se encontram perante graves dificuldades, como é o nosso caso.
Em resumo: O ano de 2010, um número que até se pode considerar bonito de contemplar escrito, vai ficar na História como tratando-se de algo que marcará como sendo um período em que a maior parte do mundo não quererá recordar. É certo que as excepções surgem onde menos se esperaria que tal se passasse, a China, por exemplo, está a gozar o resultado de uma actuação política e económica que, não tendo sido nada agradável de suportar e que os chineses procuram agora deitar para trás das costas, até porque não desapareceu por completo a sombra da ditadura que marcou uma época, aparece perante países que gozaram de reputação de serem exemplares até a comprar as suas dívidas, e o Brasil, a índia e mesmo o Japão consegue, passar em redor da chamada crise, mas esse não é o procedimento comum e Portugal, que não pode gabar-se de, ao longo da sua existência, ter tido mais períodos de felicidade do que o contrário, encontra-se na posição de não estar tranquilo e de dar ares amarelentos de verdadeiro receio.
Como a esperança, apesar de todas as provas que nos foram dadas, é algo que os lusitanos não abandonam de todo, ainda que a desconfiança em relação aos que governam este País seja difícil de afastar, por esse motivo ainda se mantém em muitas famílias a expectativa de que alguma luz entre na cabeça de José Sócrates e, dado que ele permanece no posto até à altura em que saia (como diria La Palisse), consiga descobrir alguma receita inesperada que faça dar uma volta ao sombrio do panorama que se apresenta.
Que poderia eu, neste começo de um novo ano, escrever neste blogue diferente do que o que dará uns ares de menos pessimismo?
O que vier logo se vê e como não estamos, muitos de nós, em idade para fugir para outras paragens, aguentemos firme, que é como quem diz, com os abanões que nos forem provocados!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

VIRTUDES

Como oposto aos defeitos
nos seres humanos existem
virtudes com certos jeitos
que às más acções lá resistem
vale a pena recordar
algumas dessas purezas
e assim poder ficar
com umas tantas surpresas

Num mundo de correrias
em que tudo tem urgência
com tão raras cortesias
é bom mostrar paciência
e quando se vê qu’alguém falta
e nem sequer dá razão
nem a todos o que assalta
é conceder o perdão

Com aqueles que só brigam
e mostram grande arrogância
é verdade que se intrigam
se resposta é tolerância
mais ainda se interrogam
como com compreensão
com isso alguns afogam
alguma má criação



MAS É SÓ O SÓCRATES?


É VERDADE QUE NÃO PODEMOS escapar ao impulso de acusar sempre o Sócrates de tudo que corre mal cá pelo nosso berço. É certo que é ao primeiro-ministro que cabe a responsabilidade de escolher a sua comitiva de ministros e daí para baixo, mas também não é menos certo que cabe a essas personalidades muito do que de incorrecto se passa no panorama governativo que somos forçados a suportar.
Porém, se existisse o mínimo de atenção e de espírito selectivo por parte do chefe do Governo, é óbvio que, perante alguns disparates e certas demonstrações de incompetência que são alvo das maiores críticas, o que parecia ser o mais indicado era que fosse modificada a equipa, pois que enganarmo-nos nas escolhas é a coisa mais natural no ser humano, só que o mantermos os que não servem a ocupar os lugares que cabem apenas a quem é capaz de fazer o seu trabalho eficientemente, isso é que representa querermos assumir conjuntamente os erros dos subordinados.
Na lista de membros do Governo que José Sócrates reúne à sua volta não existem grandes dúvidas de que algumas dessas figuras há muito que deveriam ter sido excluídas e substituídas por outras que dessem mostras de constituir experiências que se tentavam. Mas isso não foi feito e até uma outra, rara, que saiu, ficou a deve-se a iniciativas próprias e não à consciência de existir essa necessidade.
O “jamais”, por exemplo, que ocupou já um bom lugar fora do ministério e o outro dos chifres, que também não ficou à procura de emprego, esses, como a da Educação, poderiam e deveriam ser o resultado de uma deliberação do chefe que, nisso, segue o que ocorreu com Mário Soares, numa altura em que teve a frase infeliz de se definir como “uno inter pares” e não como quem manda naquele sector e tem é de dar instruções e não de andar ao Deus dará sem meter na ordem os que se portam mal.
Digo isto e aflige-me assistir à aparição, com mais frequência do que seria desejado, do ministro Rui Pereira, que tem a seu cargo a Administração Interna e que deveria ser responsabilizado pela “fita” dos blindados, esclarecendo-se se a encomenda foi efectuada com os devidos cuidados para não se repetir o que sucedeu com os submarinos, em que as cláusulas não foram cuidadosamente preparadas de molde a não ocorrerem atrasos nas entregas, como sucedeu, e, com tudo isso, até se recusa a responder às perguntas que lhe fazem os reporters, dando ares de não ser obrigado a prestar contas ao contribuintes.
Já no caso e Teixeira dos Santos, em que está do que provado que se deixou ultrapassar pelos acontecimentos, não tendo sido capaz de prever o que viria – provavelmente também sem força para contrariar o seu chefe -, ao ponto de, nesta altura, ser tornado claro pelo Instituto de Gestão de Tesouraria e de Crédito Público – que nome pomposo de uma instituição, das muitas que existem e de que não serve quanto custam! – que o Estado precisa de 20 mil milhões de euros para, no ano que aí está a chegar, para fazer falta às exigências do mercado, isto quando os juros já se encontram de novo na casa dos sete por cento.
Também, quando se tornou conhecido de que a dívida dos portugueses, empresas e individuais, ao Fisco já atingiu o valor de 12 mil e 800 milhões de euros e que o défice público é de 12 mil e 500 milhões, pode-se fazer a pergunta se não podemos juntar num molhe todo o Conselho de Ministros (claro se estiverem ao corrente em pormenor da situação, como teria de ser) e exigir que o assunto tivesse sido debatido e não aceite pela maioria, surgindo o descontentamento de um ou de mais dos elementos, posto que se o encarregado das Finanças não dá sinais de ser capaz de solucionar o problema, os colegas têm o direito de não aceitar fazer parte de um grupo assim. E, claro, a José Sócrates compete ser o primeiro a tomar as necessárias medidas.
De facto, podemos honestamente reconhecer que não é só o Sócrates que não serve para se encontrar no cargo que ocupa. Todos os sues acompanhantes, se metessem a mão na consciência e reconhecessem que os seus pelouros também se situam na zona do disparate, ao não apresentarem a demissão (bem se sabe que para não perderem as regalias que ainda lhes poderão chegar na hora em que lhes for indicada a porta de saída), e ao permanecerem a fingir que actuam bem, não têm de ser excluídos da larga folha de incapazes.
Por isso, neste dia de adeus ao ano que parte e de pé direito preparado para pisar o risco do ano que entra, concedo esta indulgência ao homem que, é mais do que certo, já esteve mais longe de partir para outra. Nessa altura descansaremos da figura teimosa e vaidosa que nos tem vindo a atormentar há demasiado tempo. Mesmo que a que se seguirá também não represente a solução que Portugal tanto necessita!
Mas isso será azar em excesso…

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

CALVÁRIO

Há ou não razão p’ra desanimar
neste calvário imenso em que vivemos?
Mas então isto nunca irá acabar
e d’algo pior ainda tememos
e não se passa só em Portugal
o mundo inteiro não está melhor
para se conseguir fugir do mal
tanto faz que se vá p’ra onde for

A Terra anda toda ela às voltas
acalmia é pouco que se encontra
pois muitos malvados andam às soltas
já não escapa nada em qualquer montra
e nas finanças grandes roubalheiras
na política grassa a corrupção
pouca vergonha já não tem fronteiras
ao nosso lado pode estar ladrão

Não é bem assim, dizem confiados
os que ainda não sofreram danos
mas um dia destes ficam calados
se os atingirem alguns fulanos
é que isto de trabalhar não dá
não é bastante p’ra levar a vida
se é isso que se passa por cá
é igual aos que vêm de fugida

Calvário da vida não chega a todos
há os que conseguem bem escapar
para uns tantos os terem a rodos
outros nunca precisam de suar
ainda bem, pois não é regra geral
o ser feliz é coisa que existe
para os que só enfrentam o mal
há sempre aquele que a tudo resiste

AFINAL NEM TUDO É MAU!


CADA DIA QUE AVANÇA nesta altura do fim do ano, mais próximo nos encontramos do começo do 2011, o tal que tem vindo a ser anunciado como tratando-se do período m que os portugueses irão sentir na pele, alguns deles é evidente, ainda que seja a maioria, os efeitos de um Orçamento do Estado que, segundo enorme número de opiniões, irá castigar de forma bem sofrível os habitantes deste nosso Portugal.
É evidente que também se revelam muitas dúvida no que respeita ao cumprimento completo do referido documento, pelo que se propaga o sentimento de que o FMI acabará por chegar, de armas e bagagens, para fazer com que as determinações instaladas no Orçamento não fiquem meio aplicadas e, por via disso, até nem serão consideradas suficientes para que se modifique, de forma concreta, o “dolce fare niente”que tem constituído a actuação do Governo de José Sócrates… sempre ele!
Mas, na verdade, em plena antevéspera da chegada do primeiro dia do ano dito fatídico, ao lermos as notícias que se propagam, um estranho ao nosso comportamento lusitano a impressão com que ficará é a de que neste País tudo corre às mil maravilhas. Pois então vejamos algumas dessas manchetes dos jornais saídos hoje:
- Pinto da Costa quer casar com Fernanda.
- Mais de 100 milhões em compras no Natal deste ano.
- Jovens despem-se para ganhar roupa.
- Lotaria promove 45 a milionários.
- Turismo de luxo esgotado.
- Esperados cem mil foliões no areal da praia da Nazaré.
- Defesa dá cargo a “girl” socialista.
- Aeroporto de Lisboa cheio de figuras públicas que vão para o estrangeiro passar o Ano.
- Artur Agostinho anuncia que vai publicar um livro.
Então, perante tais novidade, será caso para pensar que o ano que está a chegar vai trazer assim tão más notícias? Não é que haverá muita gente que se encontra muito distante da ideia de que o futuro imediato não é assim tão negro como os pessimistas anunciam?
De facto, e ainda que isso tenha ocorrido fora de Portugal, ao saber-se que o “gay” Elton John, com o seu companheiro legal, passaram a ser “pais” de um menino que nasceu de uma barriga de aluguer, precisamente no Dia de Natal, o que nos entra na cabeça é que, nos tempos que ocorrem por todo o mundo, com crise ou sem ela, para uns tantos a felicidade e a alegria de viver não termina no ano de 2010.
E, no que respeita ao nosso País, sabendo-se que os portugueses gastaram este ano, pelas festas natalícias, mais 100 milhões de euros do que no ano passado, então há que concluir que são só os que se preocupam com as contas e que criticam a satisfação que envolve sempre o “nosso” Sócrates, aqueles que ficam macambúzios com as perspectivas macabras sobre o que está à porta à nossa espera.
Por mim, limito-me a registar os acontecimentos. E deixo para os outros as conclusões que entendem dever tomar. Como sempre só desejo estar enganado quando prevejo pior para o que vem a seguir.
Mas, também depois do confronto de ontem entre Cavaco Silva e Manuel Alegre, ambos a disputar o lugar em Belém – um a repetir e outro a tentar pela segunda vez -, não consigo entrar numa fase de optimismo. Está mais do que demonstrado que não será desta vez que a repetição das funções do lugar de P.R. não se realizará. E, de novo, até pelo desinteresse que as observações têm constatado de que, por parte dos portugueses, entusiasmo é coisa que não se verifica, tudo indica que não se operará uma excepção.
Se esse facto é bom ou se seria preferível ocorrer uma mudança, é coisa que só o futuro dirá.
Mas que futuro? Pergunto eu. Isso é coisa que ainda existe?

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

AQUILO QUE VEJO

Aquilo que vejo
que atrai meus olhos
que me causa ensejo
mesmo sendo aos molhos
eu acredito?
É verdade pura?
Não será um mito?
Uma desventura?
Mas vejo e pergunto:
poderei eu crer
constitui assunto
para eu ver
e aquilo que é dado
algo como queixa
será um recado
que a vida me deixa
uma prevenção
com certa importância
chama-me a atenção
provoca-me ânsia
abre-me o sentido
mas olho parando
e o despercebido
agora pensando
com calma observo
a ideia apurada
por fim lá conservo
a vista do nada
e aquilo que eu via
e que os olhos liam
tinha mais valia
e todos deviam
cá por este mundo
ter algum rigor
olhar sempre a fundo
que tudo tem valor

Por isso m’interrogo
procuro resposta
faço-o como um jogo
é quase uma aposta
tudo por que passo
e atrai minha vista
se causa embaraço
constitui uma pista?
Como em tanto assunto
não sei responder
até ser defunto
terei de aprender



TODOS SABEM QUE EU!...


OS PORTUGUESES SABEM!, esta a frase que se ouve sucessivamente sair das bocas dos políticos, de que não se excluem nem o Presidente da República nem o Primeiro-Ministro, sendo até estas figuras que mais mostram estar convencidos de que a Nação anda muito atenta ao que eles são e ao que eles fazem e dizem. E até o que foram.
Será uma forma de convencer a população de que se tratam de livros abertos, e que todos os nossos compatriotas, sejam eles quem forem, situem-se e vivam nos ambientes mais citadinos ou tenham as suas vidas nos interiores do nosso rectângulo, TODOS SABEM o que ocorre com as personalidades em questão e nem têm mais que fazer que não seja seguir, a par e passo, as suas actuações.
Estou mesmo a ver os dez milhões de portugueses, as senhoras Marias e os senhores Maneis, a maior percentagem de população que vive por cá, toda essa gente a estar ao corrente e muito interessada em conhecer os pormenores e as formas de ser de tais figuras públicas. Dessas e das outras.
Mas a verdade é que, pela forma sistemática com que fazem tal afirmação, ou estarão convencidos de tal posição ou apenas utilizam a frase para fazerem ressaltar o seu ego, o que, em ambos os casos, se trata de uma demonstração dos mesmos de falta de humildade e de pouco acerto com o grau de cultura que terão, posto que se trata, na sua maioria, de gente que terá passado pelo ensino superior.
O discurso de Natal de José Sócrates, que já deu para vários comentário, sobretudo de crítica ao conteúdo do texto lido pelo autor, no que me diz respeito nem pretendo acrescentar mais ao que foi divulgado. Não era de esperar outro tipo de afirmações por parte de uma pessoa que só atende aos seus próprios pensamentos e opiniões, visto que considera todos os que alimentam pontos de vista diferentes, sejam eles até muitos, como gente não merecedora de consideração e de ser minimamente atendida.
“Os portugueses sabem!”, isso sim, que o principal responsável pelo estado deplorável a que chegou o nosso País é a referida personagem que anda sempre a afirmar que isto nem vai mal, que temos solução à vista, que devemos ser optimistas e colaborar… não se sabe bem em quê!
Por outro lado, Cavaco Silva, que deveria ter o maior cuidado com as palavras que profere, ao ter declarado que, “para ser mais honesto do que ele será preciso nascer duas vezes!”, fez uma triste figura. Não é a frase mais apropriada para ser proferida por uma personalidade com as funções de Chefe de Estado. Isso talvez se diga nas discussões de pátio. Quando brigam, de janela para janela, as vizinhas que se insultam por a roupa ter deixado cair pingos na que está por baixo, é possível que estes argumentos surjam para atacar aqueles de quem não gostam. Mas um Presidente? Um homem que só deverá utilizar um vocabulário adequado ao lugar que ocupa, descer tão baixo na linguagem e só lhe faltando colocar a mão na anca para dar mais ênfase ao desafio que lança, isso é que não se pode suportar. Bem nos basta recordar uma das suas afirmações que fez tempos atrás, quando garantiu que “não se enganava e nunca tinha dúvidas”, coisa que a mim, que me engano muitas vezes e ando sempre com dúvidas, me faz a maior das confusões!
Tratando-se também de um candidato a nova ocupação do posto, maior espanto tem de causar a linguagem seguida. Mas temo-nos de nos conformar. Perante o espectro do ano de 2011 que está à vista, face ao que nos foi proporcionado pelos governantes que têm tido nas mãos o destino de Portugal, perante as oposições que não são capazes, igualmente, de fazer o seu serviço e que é o de apresentar concretamente soluções e não apenas o dizer mal, contemplando igualmente a confusão que tem de nos invadir quando se toma conhecimento por exemplo de que, não obstante a crise que se atravessa, o Reveillon que aí vem dá mostras de que, na noite dos festejos, existem vários hotéis de luxo que têm as lotações esgotadas, ao contemplar todo este panorama, que nos pode fazer admirar o que dizem as figuras de topo deste cantinho, o nosso que parece estar condenado ao sacrifício?
Se até o Município lisboeta anuncia que vai haver fogo de artifício no Tejo e que para isso gastou só metade do custo de outros anos, “apenas” 250 mil euros, para quê inquietarmo-nos com a situação que se vive?
Os portugueses “sabem bem” que não é caso para preocupações. O que vier logo se vê!...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

AMANHÃ

Chegado aqui
a esta hora da vida
já percebi
como foi triste a corrida
desenfreada
cheia de baixos e altos
desencantada
não faltaram sobressaltos
só compensada
pelo intercalar de sonhos
na busca imensa
da fuga dos enfadonhos
e com descrença
contemplo esta vida chã
e no escuro
não me censuro:
pois bem temo o amanhã!...

ÁGUAS DE BACALHAU


A HISTÓRIA DOS BLINDADOS, tal como sucedeu com a dos submarinos, dá a ideia de que vai ficar na mesma situação das chamadas “águas de bacalhau”, que é uma expressão intraduzível para qualquer outra língua, evidentemente porque isso de colocar o nosso bacalhau de molho é coisa que só se passa em Portugal onde, até há assim não tantos anos, se via em alguidares às portas das mercearias de bairro e em que se podiam comprar prontas a ser metidas nas panelas para os portugueses se deliciarem com o apetitoso bacalhau com batatas, entre outras receitas das milhentas que existem para o que já foi o “fiel amigo”.
Mas isso das “águas de bacalhau” já foi chão que deu uvas… para continuar a utilizar expressões tão lusitanas. E, actualmente, só ficou a frase e o seu significado, pois que o que não se perdeu foi o adiar soluções de problemas, coisa que, com crise ou sem ela, está instalada no nosso comportamento e é sempre o passar do tempo que resolve, só por si, as situações mais custosas e mais divulgadas num certo período, para ficarem esquecidas e sobrepostas por outras que entretanto vão aparecendo.
Voltando, pois, ao caso dos blindados, nesta altura a fazerem parte dos noticiários, o que não é tornado público é a indicação do ou dos responsáveis por uma aquisição que, custando dinheiros públicos, representam uma acção que não representa nenhum benefício para o País, pois que, com justificação ou não, o certo é que o motivo da encomenda ao estrangeiro de seis daquelas viaturas era o da realização em Lisboa da Cimeira em 19 de Novembro, tendo chegado dois dos seis requisitados depois daquela reunião de importantes figuras internacionais ter terminado e as restantes ainda se encontrarem no armazém de origem.
Apesar do montante elevado, quer no caso dos blindados quer também no que diz respeito aos submarinos, a realidade é que não ocorreu por cá aquilo que se impunha ser efectuado com absoluta rigidez e total transparência: a investigação profunda de toda a acção e o apuramento dos responsáveis quer pela encomenda logo de início quer da preparação dos contratos quer ainda das vias que levariam ao pagamento. Se se tratasse de um País a sério, se isto ocorresse num Estado que tivesse à sua frente pessoas que se preocupam, de facto, com a limpidez dos actos, não haveria dúvidas de que nada ficaria por esclarecer e que os habitantes seriam totalmente esclarecidos, pelo direito que têm de saber o que é feito com o dinheiro dos seus impostos, sobretudo numa altura em que se castiga toda a população com encargos cada vez mais pesados para tentar fugir do enorme desequilíbrio das contas públicas. Em meu entender, não basta que o Governo Civil de Lisboa, parece que a entidade com intervenção no caso tal como ele se encontra agora, tenha decidido não receber as quatro viaturas especiais que ainda não chegaram. Muito bem, nem poderia ser de outra maneira. Mas o que se impõe também é que se apurem responsabilidades, repito, no que se refere às datas das encomendas, aos contratos efectuados e, acima de tudo, apurar com total clareza, se, no meio disso tudo, existem algumas “luvas” que tenham interferido em toda a operação. Bem nos basta ficarmos com a dúvida no caso dos submarinos, de que se sabe já que houve gente que ficou bem servida de comissões, ainda que, por cá, todos sejam uns “santinhos” e não se apontasse um único fulano que tenha metido a mão na massa!
Neste nosso País é isso que sucede? Fala-se, fala-se, adiantam-se hipóteses de corrupção, o ministro da pasta a que diz respeito o assunto lá lança as suas vagas opiniões, mas tudo passa sem que ninguém seja verdadeiramente molestado, empurrando uns para os outros as eventuais culpas, como já foi bem mostrado no caso dos submarinos e em que ninguém procedeu mal, antes pelo contrário!
E ainda clamam por aí contra o FMI, por se tratar de uma organização estrangeira que não tem nada que meter o bedelho nos assuntos nacionais! Mas se nós não somos capazes, por incompetência, protecção das figuras políticas que estão no poder ou seja lá pelo que for não apontamos nunca o dedo a quem tem de ser abertamente denunciado, o certo é que andamos sempre nas tais “águas de bacalhau” e nem o pai morre nem a gente almoça!...
Ao menos que usemos a nossa língua com as frases características, para darmos largas ao que nos vai de revolta nos nossos íntimos.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A REALIDADE

Ilusão é de facto uma virtude
o sonho também ajuda a vencer
pensar no que é belo dá saúde
é só ver na vida o que é prazer

Imaginar agrada, as coisas boas
deixar para trás tudo que não presta
não atender às popas só às proas
seguir no mundo levantando a testa

Os desejos, mesmo não conseguidos
não serão no todo fatalidade
ainda que acabem nos olvidos

No fundo existe alguma crueldade
ao pôr em uso todos os sentidos
vendo ser outra a realidade

A VERDADE DÓI!...


IMAGINEMOS! IMAGINEMOS! Este o desafio que deve ser recomendado aos portugueses para que não entrem num desconsolo e passem a produzir ainda menos do que aquilo que tem resultado da sua actuação neste País.
Ao ter escutado as palavras de Sócrates, lançadas com a intenção de levar aos portugueses a confiança que é notório que lhes falta – e ele é dos raros que não entendem assim -, só nos resta utilizar a imaginação para ocultarmos as realidades, aquelas que se perfilam diante de todos nós, os que vivemos neste País e que, se não tivermos a felicidade fabricada de abraçarmos a ilusão, e apenas nos faz prostrar perante o panorama que se perfila e clamar contra quem nos fez chegarmos a este estado deplorável e em que o ano que vai entrar será implacável em não esconder.
Quem, como me sucedeu a mim, ao longo dos últimos tempos deste 2010 que se está a despedir e que deixa para o que lhe segue o encargo de se mostrar implacável, mas os que não esconderam o que se perfilava no panorama que já decorria e que, nesta altura, não haverá quem esconda – com a tal excepção do ainda Sócrates, que se mantém teimosamente convencido de que a sua actuação foi a melhor que qualquer político conseguiria -, o que tiveram de enfrentar foi a incompreensão e a fantasia daqueles, cada vez menos, que entendem que o esconder a verdade presta melhor serviço aos portugueses do que o prepará-los para situações mais graves que, se forem atacadas a tempo, ainda poderão encontrar alguma solução.
Se se toma conhecimento de que quase 8 mil milhões de euros é o montante da dívida das famílias aos bancos nacionais, por motivo das compras feitas, sobretudo de casas, devido ao desemprego que não torna possível satisfazer os créditos; se não se esconde que as baixas fraudulentas por falsa doença, dos que trabalham atingiu até agora o número de cerca de 68 mil, o que representa mais 20 mil do que o número atingido em 2009; se compararmos com o que ocorre por cá e levarmos em conta que, na Alemanha, por exemplo, as reforma só são atingidas aos 67 anos e que os americanos só têm 15 dias de férias por ano; se, atendendo aos preços que são praticados em Portugal e estabelecermos alguma comparação com certos produtos de primeira necessidade que estão à disposição dos consumidores (o que, especialmente na fronteira que nos separa, provoca a procura do outro lado da clientela lusitana); se tivermos esses pequenos exemplos em conta como forma de analisarmos, mesmo que de passagem, a nossa situação, logo poderemos encontrar campo para nos lastimarmos de não existir, por parte dos governantes, o mínimo de atenção quanto a não permitir que nos situemos no fim das várias filas que se situam ao longo da Europa.
E o pior de tudo, em meu entender, é que não se vislumbra, num horizonte que esteja à vista, uma saída positiva para os problemas, no mínimo aqueles que ainda poderão ter alguma solução mais fácil, já que os outros, os que nos foram colocados por falta de visão atempada, esses só através de meios muito violentos é que, daqui a muitos anos, talvez possam ser arredados da frente dos que estiverem na altura. Já não seremos nós!
Continuo a sustentar a curiosidade mórbida de saber o que vai acontecer a esse José Sócrates no dia em que for corrido do Governo e ficar sem esse emprego. E aí também ponho a minha imaginação em funcionamento.
Vejo-o, a ter de recorrer aos dinheiros armazenados ao longo deste últimos quinze anos e a mudar de residência, porque aquela boa casa da rua Castilho será muito exposta a críticas e, quem sabe, até a perseguições dos mais feridos pela actuação do ali morador e proprietário. Mas também o imagino a partir para um país europeu, na direcção dos que têm sido aparentemente muito seus amigos – mas igualmente se sabe, que depois de depostos muitos deixarão de conhecê-lo – e onde provavelmente arranjará uma ocupação bem remunerada, pois que desempregados só ficam os que têm actividades de menor importância.
Eu, por mim, com este hábito de sempre, de pôr a cabeça a “pintar” cenários e enredos para aquilo que escrevo, não deixo, enquanto por cá andar, de fazer funcionar a imaginação. Assim, confesso que não estou nada preocupado com o futuro do homem em causa. Ele poderá ter pouca habilidade para ser governante, mas que, quando ao seu futuro, não se terá distraído, e quanto a isso não alimento grandes dúvidas. E, a propósito, aos 18 presidentes de empresas públicas que terminam as suas funções no final deste ano, que irá suceder-lhes? Serão substituídos por outra gente que tenha a consciência bem definida de que não vai estar ao serviço dos que mandam lá no partido ou, pelo contrário, dedicar-se-ão honestamente às suas funções e não irão seguir exemplos tão largamente praticados por cá, de olhar apenas às suas conveniências, sem atender aos deveres de aumentar a produção nacional?
É isto que nos deve preocupar.

domingo, 26 de dezembro de 2010

SALVAR PORTUGAL

Portugueses que somos nesta terra
Com toda a História que de trás vem
Pouco andámos desde que na guerra
Afonso bateu na mãe

A modernidade que devagar
Foi alterando o que de longe vinha
Não foi bastante para alterar
Tudo o que de trás provinha

Neste século vinte e um, agora
Com a Europa debaixo de olho
Nós portugueses quase de fora
Temos de arrancar ferrolho

Cada vez mais longe vamos ficando
A ver a comunidade europeia
Ir para lá é ir aproveitando
Pois progresso é epopeia

Só trinta anos de democracia
Não chegam p’ra mudar mentalidades
Com novas gerações e teimosia
Talvez surjam qualidades

E p’ra não haver mais sofrimento
Para sermos aos melhores igual
Há que pôr cobro ao isolamento
Tentar salvar Portugal

Portugueses que estão para nascer
Trarão consigo tão bela missão
Nós, os que sofremos tanto querer
Regaremos a ilusão

Se não for assim poucas esperanças
Nos restam para atingir o ideal
Não nos chega engenho e finanças
Para salvar Portugal

SIM OU NÃO?



POR MUITO QUE SE TENHA QUERIDO disfarçar, ao longo do tempo que decorreu, que o Fundo Monetário Internacional não seria necessário actuar em Portugal, sobretudo devido às intervenções de José Sócrates que, com o seu optimismo excessivo a que já nos habituou, sempre iludiu as realidades do nosso País e se mostrou confiante de que éramos capazes de, sem interferências estranhas, resolver a embrulhada em que nos vínhamos metendo, mas actuando sempre ao contrário do que parecia que era conveniente, pois repito, por mais que se tenha proclamado tal libertação do FMI – e está por saber se, na verdade, será melhor ou pior alternativa cada uma delas -, começa-se agora a escutar um certo conformismo de que não haverá outra solução que não seja sujeitarmo-nos a que surja de fora o que poderá ser uma ajuda, se ela se traduz por uma redução das taxas de juro dos empréstimos de fora, que têm vindo sucessivamente a castigar-nos com valores elevados.
Sendo assim, aproximamo-nos do ano fatídico que está dado por antecipação como sendo algo que deixará uma marca negra na existência dos portugueses pois que os sacrifícios que nos são já pedidos poderão aumentar e não há até a ideia de como os poderemos suportar. Mas se isso representar um alívio posterior, se os descendentes que, mais tarde, terão que tomar conta do nosso País, então, já que fomos nós que o pusemos na situação em que se encontra, que nos caiba também o castigo de acarretarmos as dificuldades.
Por outro lado, se a intervenção do FMI representar a possibilidade de, no espaço de tempo em que a sua actuação actua, serenar a instabilidade financeira do resto da zona europeia, particularmente em Espanha, alguma vantagem se retirará desse gesto.
Igualmente, talvez se aproveite esse período para pensarmos a sério na área da produção nacional, não passando o tempo a falar de tal mal mas, pelo contrário, procurando as soluções que possam encontrar-se nas nossas próprias mãos, quer no mar que nos pertence, com uma pesca atacada a valer, como na agricultura posta de lado, especialmente procurando que o interior tão abandonado volte a ser ocupado por portugueses que, no desemprego, não têm no litoral e nas cidades nele situados, a solução para os seus problemas, ainda que para isso o Governo deva criar as condições para atrair, sobretudo a juventude, para essa área produtiva.
Isso, para não referir a necessidade de emendar os erros que se praticam por cá, como sejam as falsas baixas de “doentes” que os médicos, talvez com boas intenções, apadrinham, ao mesmo tempo que a Justiça tem de mostrar que não é aquela instituição que deixou há muito tempo de prestar o grande e bom serviço que dela se espera e que, como se sabe, representa uma enfermidade que está a destruir o resto do valor que a nossa Nação ainda poderá ter, posto que a descrença de todos em relação ao que ela deveria representar faz com que ninguém cumpra o mínimo, sendo o Estado o primeiro a não seguir as regras que se impõem para que um País se comporte como tal… e não como um simples lugar de gente mal comportada!

sábado, 25 de dezembro de 2010

DAR DE BEBER À DOR

Quem bebe pelo que for
nem precisa de motivo
o dar de beber à dor
é coisa de quem está vivo

O normal não era isso
mas sim beber p’la saúde
mas p’ra ser um bom castiço
assim bem melhor s’ilude

O fado pede desgraça
bem choradinha canção
com navalha e com murraça

e se se apanha um pifão
a coisa tem mesmo graça
e a dor já tem razão

PASSOU, ESTÁ PASSADO!...


DECORRIDO QUE FICA, com o dia de hoje, o que marca o que se chama de Festa da Família, obviamente para quem a tem e para os que, por razões religiosas ou por outras, entendem que é o momento que deve ser comemorado uma vez por ano, sendo a altura de juntar à volta da mesa as pessoas que contribuem para a tradição, não será o momento ideal para nos dedicarmos à reflexão constrangedora do que teremos de enfrentar já a seguir, decorrido que será o 31 de Dezembro, e entremos com o pé que seja no primeiro desse ano ameaçador de 2011.
Já sabemos que José Sócrates estará em Brasília nessa data, pois considera que tem muita importância para nós assistir à tomada de posse da sucessora da Lula da Silva, a nova presidente Dilma Rousseff, indo de mão estendida para “negociar” – foi este o verbo que foi utilizado pelo chefe do Governo nacional – uma compra da nossa dívida, sabendo-se, como se sabe, que Portugal necessita, como de pão para a boca, de mais de 46 mil milhões de euros, isso numa tentativa de evitar que o FMI ultrapasse as nossas fronteiras, contrariando o que, nos corredores de Bruxelas, se dá como adquirido, ou seja a iminente entrada, já em Janeiro, da acção do Fundo Monetário Internacional.
Levando em conta o que ainda Presidente da República – e, seguramente o que virá a ocupar o mesmo lugar após as eleições que se perfilam -, proferiu em afirmação pública de que, se essa intervenção se vier a verificar, será sinal de que “o governo falhou”, também por essa razão maior vontade existe de que não se chegue a tal necessidade. Porém, as circunstâncias não se apresentam de molde a sustentar esse desejo e haverá que admitir que o que se passará no decorrer do ano terrível que tem sido vastamente anunciado como sendo algo que os portugueses recordarão toda a vida, pelo lado mau, infelizmente.
O que é certo é que as notícias que são divulgadas todos os dias, não conseguem retirar do pensamento de todos nós que o panorama e as circunstâncias que dele advêm não vão constituir motivo para grandes alegrias. Não vou, nesta altura, enumerar os acontecimentos que fazem parte da inumerável lista de tristezas que ocorrem no nosso País. Haverá ocasião para isso.
Por hoje e dado que não desejo contribuir para que o ambiente fique estragado com más notícias, não vou acrescentar nada que, por sinal, tenho estado a tomar conhecimento e que, não só referente ao nosso País, mas também a situações deploráveis que ocorrem por esse mundo fora, especialmente no que respeita à Europa, de que tanto necessitamos que esteja com juízo, por esse motivo fico-me agora por aqui.
Que a ceia do Natal se coadune com a situação em que vivemos, ou seja que não tenha, em custo, ultrapassado o que se pode considerar razoável, pois que não se trata apenas de ter atenção ao colesterol, mas sim e também no capítulo da prevenção quanto às necessidades que vêm a seguir.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A ÁRVORE E O HOMEM

Árvore, homem são iguais
os dois com suas raízes
mas às vezes são demais
e tornam-se uns infelizes

O homem não é excepção
como árvore na floresta
quando chegar dia não
lá parte e se vai desta

A árvore nossa amiga
ali está p’ra nos servir
e quanto mais antiga
melhor é o seu cumprir

O seu fim nunca se sabe
pode até ser na fogueira
logo que o seu tempo acabe
seu destino é ser madeira

A floresta mete medo
quando por lá nos perdemos
é tal e qual o enredo
em que às vezes nos metemos

Subir à árvore em pequeno
é prazer da miudagem
mas pisar um bom terreno
exige menos coragem

Por muito que não se queira
cada dia é menos um
quem chega à nossa beira
acaba por ser nenhum

Os outros dizem o mesmo
a minha vez chegará
toda a gente vai a esmo
ninguém vai ficar por cá

A dúvida que aqui se deixa
é se esta nossa passagem
dá motivo para queixa
de quem fez igual viagem

Se poucos deram por isso
nem mal nem bem praticou
não foi o tal enguiço
enquanto por aqui andou

E a maioria é esta
dos milhões que aí param
é árvore em floresta
se a cortam nem reparam

Alguns que são mais falados
depois da sua partida
até foram maltratados
no percurso desta vida

Não é por muito lutar
durante a sua existência
que alguém pode julgar
que serve de referência

Homem velho, muitos anos
e tanto que ele sofreu
nunca fez grandes planos
só os que Deus lhe deu

A sombra que a árvore dá
para o homem é um prazer
mas quem ao lado está
por vezes nos faz tremer

Contas feitas afinal
entre os dois há diferenças
na busca do ideal
encontramos parecenças

Um e outra são precisos
um queima outra é queimada
mas os homens sem juízos
fazem sempre mais borrada

E tanto corta n’amiga
que um dia fica sozinho
perde onde hoje se abriga
e onde aves fazem ninho

Mas é esse o destino
traçado pela maldade
o homem esse traquino
não melhora com idade

A FESTA


ESTE TEMA DO NATAL, que é a época que eu não escondo que me causa tristeza, porque me obriga a reflectir sobre o mundo em que vivemos, o qual é consequência do comportamento, de uma forma geral, do ser humano a que pertencemos, não me dá razão para me sentir feliz, avaliando os resultados que, pelo menos nestes vinte e um séculos que decorreram, o Homem foi capaz de apresentar, pois que, para além da evolução técnica em muitas áreas que permitiram chegar a este ponto de chamado avanço, e também salientando as excepções das grandes cabeças pensantes e das saliências artísticas que merecem ser recordadas, a regra foi a das incompatibilidades, das invejas, das vaidades, tudo isso resultando em guerras tremendas e, ao fim e ao cabo, nessa divisão angustiante que não diminui, antes aumento, dos muito ricos e dos excessivamente miseráveis que pululam por todos os continentes.
A crise a que se chegou nesta altura, essa então não pode contribuir para que nos sintamos satisfeitos com o que foi feito e, acima de tudo, com a herança que cabe aos agora bebés e jovens que, logo a seguir, terão de suportar as dívidas que, no caso português, é o que tem sido a forma de viver seguida na época que chegou até hoje: compra-se agora e paga-se depois. Alguém suportará a dívida!
E, sabendo-se que, neste ano que está a terminar, os nascimentos de novas gerações ficou abaixo dos cem mil seres, quando as estatísticas indicam que necessitamos de algo como cento e sessenta mil para equilibrar a velhice que ainda se movimenta, por aí temos de concluir que o défice de gente jovem fará com que, quantos menos forem, mais caberá a cada um a quota parte que lhe cabe ter de pagar.
Mas, seja como for, hoje, sendo o dia que antecede a Festa que, dentro da normalidade, reúne a família – para não nos determos, como seria o mais lógico, naqueles que, não tendo casa, vivendo nas ruas, será apenas com a sopa dos pobres com que poderão “comemorar” a data -, cá tenho eu, neste meu blogue, que deixar os votos que estão na boca de toda a gente: Boas Festas para os que, por muitas dificuldades que estejam a enfrentar, esqueçam, por um dia, o que lhes está a custar tanto viver, mantendo a esperança de que o dia de amanhã se apresentará mais favorável.
É o que posso fazer, já que não tenho o direito de transmitir o meu desconsolo e a minha tristeza a quem não tem o mesmo sentimento. Que sejam, pois, felizes e deixem a vida correr…
Amanhã é outro dia!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A IDADE

Com a idade tudo é diferente
p’ros que têm consciência de tal
deixa de ter importância p’ra gente
tudo que antes era capital

Olhamos p’ras flores com outros olhos
são todas lindas em qualquer estação
singelas, soltas ou mesmo em molhos
regala a vista, adoça o coração

Os anos passam, pouco tempo resta
só vale a pena ater-se ao importante
entusiasmo não se manifesta
tudo o mais fica lá para montante

Eu digo isto, mas me envergonho
não me despego do que é menor
pois me toca no mundo enfadonho
muita coisa com bem pouco valor

Sou humano e por isso imperfeito
Faz o que digo, mas não o que faço
Mas o que é verdade e dá mais jeito
é não olhar ao que causa embaraço

A juventude é sim o futuro
pois é ela quem amanhã comanda
mas p’ra poder ultrapassar o muro
tem de aprender a dirigir a banda

E são os velhos quem passa a palavra
com a experiência de ter feito erros
e o saber que na terra se lavra
desde a nascença e até aos enterros

Quer para o bem ou p’ra todo o mal
a terceira idade é por vezes mestra
mas como o homem é um ser mortal
nem sempre dirige bem a orquestra

A grande dor é que nos tempos d’hoje
o testemunho não é bem passado
pois a juventude do saber foge
e os idosos olham para o lado

Mas mesmo assim a idade é um posto
ou pelo menos deveria ser
não vale a pena ter grande desgosto
só por se estar mais perto de morrer

VÃO-SE UNS, FICAM OUTROS...


JÁ ONTEM ME REFERI ao período que atinge o seu ponto mais alto na noite que decorre entre o dia 24 e 25 de Dezembro, data que os homens, em certa altura, decretaram, ser a do nascimento de Jesus Cristo, mas que é indiferente que corresponda à verdade ou não, porque o que importa é assinalar o aparecimento de um Homem que, como refere a História, se tratou de um Ser que tem vindo a servir de exemplo ao longo dos séculos, até agora vinte e um, e que, ao ter existido na realidade, o que se estranha é que, não se contando na época e nos muitos tempos que decorreram depois, os meios técnicos de comunicação de que se dispõem hoje, se tenha conseguido conservar a sua imagem que o cristianismo, essa religião também criada e divulgada pelos seres viventes com inteligência, se tenha expandido por muitos sectores do mundo.
Pois é do Natal que se trata. E sobre ele tive oportunidade de prestar o contributo que eu posso dar, tendo repetido o que já em anos anteriores foi motivo para escrever alguma coisa. E sendo esta noite que se realiza, para os praticantes, o festejo religioso da Missa do Galo, a qual, segundo algumas queixas que escutei e prestadas nas televisões por uns tantos sacerdotes, este ano não terá lugar em tão vasta área como antes, devido ao facto de se verificar alguma retracção por falta de público assistente, de padres que celebrem e também em virtude de uma clara preocupação em sair à noite, circunstância resultante da falta de confiança que se verifica actualmente de deixar as residências quando o escuro invade as ruas.
Seja como for, a realidade da vida actual é que coordena os comportamentos das pessoas e, em vésperas de apanharmos com o ano de 2011 pela frente, com o espectro das dificuldades que estão anunciadas pelo Orçamento do Estado, muitos dos portugueses – não a maioria, evidentemente, que nem tem ideia do que seja isso – temerá a chegada desse FMI que, de um lado se anuncia como sendo uma necessidade a que não se pode fugir e que até será bom para podermos ver o Governo de Sócrates ter de sujeitar às decisões que não saem da sua cabeça, mas que, por outro, é indicado como tratando-se do comando do nosso País por mães estrangeiras, o que molesta muito os que se clamam como patriotas inveterados que preferem o mal executado por compatriotas do que o eventual melhor – quem sabe? – mas saído de ideias que não têm a ver com o nosso País, repito perante a dita realidade, ainda que as famílias cumpram uma tradição que constitui, para cada povo, o que se transmite através de sucessivas gerações, a ideia negra que o que se tem que enfrentar logo a seguir, o desemprego que até atacará bastantes grupos familiares que poderão mesmo estar em festa, e o aumento do custo de vida que fará com que o dinheiro seja cada vez mais escasso, tudo isso poderá intervir no prazer de distribuir prendas, por muito poucas que elas sejam desta vez.
Mesmo nos casos, que abundam por aí, de falsas baixas por “doença”, que os médicos amigos mas pouco realistas em relação ao problema que causam ao País, e em que os festejantes se regalem com o prazer de ter em volta da mesa toda a família, sobretudo mais próxima, até aí o sorriso que romper para marcar uma ocasião, logo que se verifique a retirada dos participantes e, no dia seguinte, sendo já o Dia de Natal, chegarem à janela e verificarem a pouca gente que circula nesta cidade de Lisboa, esse sorriso se transformará numa face carregada de preocupação. Tem de ser inevitável.
Mas, mesmo tratando-se de uma breve momento de alegria, é bom que ele ocorra. A tristeza permanente faz envelhecer mais depressa. E de velhos está este País cheio… se bem que os novos, a juventude tenha de encarar o que a espera.
Mas também nós, que já fizemos parte desse grupo, passámos o nosso mau bocado. O que não se pode é comparar o que foi com o que vem. Os que se encontram nessa situação jovem, não viveram o então e os de hoje já não estará cá quando vier o depois…

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

NATAL

A data chega, infalível
cada ano, sem faltar
com festejos, consumível
dizem ser tempo de amar
sem ser com amor carnal
distribuir amizade
pelo menos no Natal
porque s’afasta a maldade
como manda o calendário
25 de Dezembro
como se fosse um notário
se tu t’esqueces eu lembro
boas-festas p’ro vizinho
seja amigo ou nem isso
há que parecer bonzinho
para depois dar sumiço.
Antes da data festiva
às compras se tem de ir
gastar pouco é missiva
faz falta é iludir.

Mas se no dia seguinte
for preciso fazer mal
com o máximo requinte
já se esquece o ideal
isto de ser comandado
pela folha da agenda
cumprindo sempre o feriado
como sendo uma encomenda
é caso p’ra perguntar
s’aquilo que está marcado
é que tem de se levar
até estar realizado

Cumpramos o estabelecido
façamo-lo tal e qual
será ele parecido
com todo e qualquer Natal

NATAL DIFÍCIL


AÍ ESTÁ ELE DE NOVO, repetindo o que sucede todos os anos. As mesmas frases, os mesmos votos, idênticas demonstrações exteriores de simpatia fabricada perante os outros. Há que cumprir um ritual, ainda que seja apenas uma indicação dada pelo calendário e que, como tantas outras manifestações de convívio, não corresponda em pleno ao significado do que se recorda, pois que se não for seguida a norma fica-se apontado como alguém que não se enquadra nos hábitos e costumes.
Pois é isso que me sucederá, embora eu não manifeste a tristeza que me envolve, especialmente no período natalício. Mas isso vem desde sempre. Na idade em que era costume as crianças correrem para a chaminé na ânsia de saber que prendas é que lhes tinham chegado, trazidas, nessa altura, pelo que se acreditava ser o Pai Natal, então eu não sentia o mesmo desejo. Bem sei que se tratava de uma época em que existia uma guerra mundial e que, em Portugal, se vivia com o problema dos racionamentos e que em mim me cabia, como rapaz da casa, ir para as “bichas” do pão, do azeite, do açúcar e de outros produtos com as senhas para adquirir o que faltava no mercado.
Ponho-me agora, a dias de entrar o tão temido 2011, a pensar que nos encontramos, já no século seguinte, numa situação parecida, não pela escassez de produtos mas sim, e ainda pior, pela miséria que vaga por aí e em que um grande número de portugueses anda cada vez mais a caminho das refeições que são distribuídas por organizações que se dedicam a acudir aos mais necessitados. E que a pobreza envergonhada, os desempregados, as famílias que viveram razoavelmente e que, de um dia para o outro, se viram despidas das mínimas condições de subsistência, até essas camadas são forçadas a recorrer a tais ajudas.
E se eu nunca fui um animado participante nesses festejos de Natal, então agora, nas condições actuais, ainda uma maior tristeza entra no meu espírito e uma espécie de revolta também me ataca, ao ver que as pessoas continuam, só por hábito mas sem poderem sentir no coração esse cumprimento, a desejar, a torto e a direito, as “boas festas”, como se nada de grave ocorresse por aí, neste caso em Portugal, que desse motivo a algum comedimento e certa demonstração de verdade nos votos que se fazem aos outros, até os que mal conhecemos.
Pois neste meu blogue, que diariamente preenche o espaço que tenho reservado para o efeito, apenas registo a passagem da data e demonstro a esperança, por pouca que seja, de ver o nosso País recompor-se a tempo da aflição em que se encontra e que, quem vier a caminho, na área da política, que tenha capacidade de actuar de forma bem diferente daquela que, há demasiados anos, o Sócrates utilizou à nossa custa.
Não sei quem possa ser, não escondo esta dúvida, mas como a esperança é a única a morrer, como diz o nosso povo, que a mantenhamos pelo menos nestes dias que se aproximam e em que o bacalhau serve de companhia, já que para o bolo-rei talvez não chegue o montante que se tem reservado e que o subsídio de Natal, para quem o tem, sempre ajuda alguma coisa.
Não sou capaz de fingir. É mais um Natal que ocorre e em que os portugueses, sentimentais como são, esquecem, num momento que passa depressa, asa agruras que se perfilam para chegar. Só que não podemos ignorar que, por esse País fora e com Lisboa a dar maior visibilidade, muitos excluídos dormem ao frio.
A tristeza, por mais que eu queira ver-me livre dela, não me deixa. Bem gostaria de andar esfusiante de alegria, mas pelo que assisto acontecer neste Globo e em particular no Portugal em que coube nascer, é coisa que não passa perto de mim. Vale-me a língua portuguesa, esta espantosa beleza a que me agarro tentando explorá-la o mais que posso e enquanto por cá andar. E por isso não paro de redigir em todos os momentos em que disponho de mim: é a poesia que me agarra e me dá um certo conforto, mas também a prosa, tanto mais que estou agora a ver se termino mais uma obra, esta com o título “HISTÓRIA DE UM LIVRO PERDIDO”, em que descrevo a passagem de mão de um volume que conta o que lhe ocorre com os seus diferentes donos. Pode ser que um editor se disponha a publicá-lo, mas se não, que fique por cá até um dia…
Entretanto, desejo a todos os que me seguem neste blogue, que o que está para ser proporcionado aos habitantes de Portugal não seja assim tão pesaroso como se imagina que pode acontecer… (è uma espécie de, o antes de ser já o era!).

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

DA MINHA JANELA

Olho da minha janela
E não vejo
Tudo é igual ao que via antes
Nada se me apresenta diferente
Tudo monótono
Tudo igual
Nada me estimula a tentar descobrir
Se o mundo mudou alguma coisa
Se os homens estão melhores
Do que eram antes
Se a verdade impera
Nas cabeças que circulam
Se o egoísmo
A vaidade
A inveja
O orgulho
A prosápia
Se alguma coisa desapareceu
Da cabeça dos homens
Se o dar importância aos outros
O ouvir as suas razões
Sem contrariar
Mesmo sem concordar com elas
Se tornou um hábito salutar
Evitando discutir
Só dando opinião
Quando os outros a pedirem
Isso não descortino da minha janela
Pelo que não me dá vontade de sair
De conviver
De fazer parte do grupo
Que só diz eu
E raramente nós

CONSCIÊNCIA


QUANDO, MESMO TARDE, reconhecemos que praticámos um erro, quem tem consciência e a sente a funcionar, deparará com uma enorme satisfação se apresentar as suas desculpas publicamente ou, no mínimo, declarar-se faltoso perante a outra parte que terá, eventualmente, ofendido. Não se trata esta declaração de uma retórica saída de alguém que se tem como exemplo, mas apenas de um ser humano, igual a todos os outros que, chegada a uma altura da sua vida, se declara incapaz de prosseguir mantendo uma forma de ser que, até aí, não constituiu razão para ser querido pelos próximos e igualmente para si próprio.
E se esse erro foi o de não ter conseguido reconhecer que os comportamentos dos outros merecem ser atendidos com complacência, por muito inquietantes e penosos que eles sejam, metendo a mão na consciência e verificando que nós mesmos, muitas vezes sem nos darmos conta disso, procedemos da maneira menos recomendável e sem termos a humildade suficiente para nos compenetrarmos que errar todos erram, ficamos com uma determinada amargura que talvez possa servir para uma tentativa de emenda e um procedimento seguinte bem mais aceitável.
Este desabafo saiu-me depois de ter tomado conhecimento da notícia de que a Câmara Municipal de Lisboa cometeu uma falta que merece bem um castigo. É que, ao lhe ter sido oferecido por escritura notarial uma quinta de grande valor dada a sua posição nesta cidade, por um proprietário que fez essa operação em contrapartida de uma autorização para ele também poder construir, tal gesto foi tido com a condição explícita de aquele terreno seria destinado exclusivamente à construção de equipamento social.
O que sucedeu, porém, foi uma coisa muito diferente. O Município lisboeta destinou aquele espaço valioso à venda livre, acabando por ser integrado num projecto pertencente a uma empresa que até é pertença do milionário do jogo nos casinos, Stanley Ho, o que lhe rendeu uma fortuna que ingressaram nos cofres camarários e espera-se bem que não tenha dado lucros a nenhum interveniente, como acontece tantas vees.
Como seria de esperar, o antigo dono do terreno moveu um processo contra o abuso camarário e durante anos o caso arrastou-se nos tribunais. O costume! Até que chegou a altura de a decisão judiciária sair e em que a C.M.L. ficou condenada a pagar ao antigo doador um montante que atinge os 119 milhões de euros. Como sempre sucede, uns cometem as faltas e mais tarde são outros que têm de suportar as consequências, se bem que não lhes saia do bolso os prejuízos que terão sido provocados.
Ora aqui está uma actuação de homens que, neste caso, pertencem ao município lisboeta, que tendo procedido mal, não foi por sua própria iniciativa que o erro foi reconhecido. Trata-se de um mau exemplo, pois que não foi emendada a mão pelo próprio organismo que, sobretudo por ser uma organização oficial, uma Câmara Municipal, maior motivo deveria ter para reconhecer o erro que cometeu.
Tanta coisa por esse mundo fora em que o ser humano, escondendo a consciência para não ter que dar o braço a torcer e, especialmente quando os prejuízos que poderão resultar dos maus gestos não tocam directamente nos seus bolsos – como sucede sempre que não é chamada à responsabilidade a personagem pública que deveria responder pela sua má actuação -, deixa que as situações se prolonguem pelos tempos fora e, de uma maneira geral, até quando saem as decisões nos tribunais já os intervenientes terão partido para outras funções ou até para o outro mundo.
Ainda a tempo, porque o assunto continua sem solução, dado que a socialista Ana Gomes, política polémica que tem dado provas de que não foge a tocar em temas que, alguns deles tocam em figuras que se encontram mais ou menos protegidas, a questão dos submarinos, cujo pagamento muito pesa no orçamento nacional, tema este a que eu me tenho dedicado neste meu blogue e em que não se vê o Governo actuar por forma a retirar todas as dúvidas sobre eventuais e mais que certas corrupções que tiveram ocasião devido à referida compra de submersíveis que, só quando existe desafogo financeiro é que se poderia encarar, essa escandalosa aceitação de um contrato que, apesar de obrigar a que o pagamento do elevado custo dos navios dever ser feita através de compras de produtos nacionais, tal não se cumpriu, pois essa situação e a quem cabem as responsabilidades, isso é que não se descortina, o que tem de levar os portugueses, tão aflitos com as enormes dificuldades que lhes são impostas, a insurgirem-se fortemente – era o que devia acontecer, mas as greves só servem para outras coisas -, mas tal não se verifica e assim ficamos a aguentar o que nos é imposto por uma administração que finge que está acordada.
E é neste ambiente que todos nós temos de viver!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

CIGANOS

Gente que é diferente
porque assim ela quer ser
não é questão de ser crente
todas as fés podem ter

É uma raça, será
mas mais de vida um estilo
pois os que temos por cá
não querem mudar daquilo

Por todo o mundo existem
as famílias se entrelaçam
e aos de fora resistem

Os ciganos ameaçam
os que de fora insistem
e a sua vida devassam

E CUBA HEIM?!...


QUEM HAVIA DE DIZER que, 50 anos passados sobre a revolução socialista cubana, em que Fidel de Castro, agora retirado pela sua enfermidade e é o seu irmão Raul que se encontra à frente do Poder, a população iria ouvir, de voz daquele responsável, a declaração de que a situação económica e financeira daquele País tinha chegado a um ponto de enorme dificuldade, acusando o Governo de ter escondido a verdade, alterando a verdade dos números e não tendo sido capaz de evitar a catástrofe em que se encontra.
Quer dizer, de uma parte do mundo as acusações são dirigidas ao capitalismo e à actuação de forças financeiras, em que muitos bancos mundiais estão envolvidos, provocando a crise que já ninguém é capaz de esconder, enquanto do outro lado do Globo, como é o caso agora de Cuba, surge a confissão de que aquele sistema comunista não tinha conseguido libertar-se da situação que se espalhou sem escolher opções políticas.
Sem escolher, não é bem assim, pois que a China, essa e dizem que graças à política que foi iniciada por Mao-Tse Tung, atingiu os nossos dias com uma vitalidade económica e financeira que até leva Teixeira dos Santos a pôr-se na posição de pedinte, dado que existem possibilidades dessa Nação no extremo Oriente poder comprar parte da nossa dívida externa.
Bem, aquilo que eu aprendi há muitos anos na Economia, ainda que nunca constituísse uma preferência da minha parte, pois que o jornalismo absorveu completamente o meu interesse, mesmo assim ensinou-me que é fundamental que a produção, em quantidade mas sobretudo em qualidade e em preço, são o mais importante para incutir numa nação o mínimo de capacidade para não depender do exterior, quer no que consome como na área da sua fortaleza financeira, dado que as exportações representam a entrada de dinheiro e o desafogo que provoca a independência essencial para não se ficar à espera de que qualquer ajuda venha de fora.
Claro que existem várias formas de produzir bem e barato. E nem todas serão as que, especialmente nos países do ocidente, serão as mais aceitáveis. A seguida pela China, na altura em que toda população vestia uniforme e se encontrava limitada a seguir os princípios do Livro Vermelho, com salários miseráveis e com ausência total de regalias mínimas que poderiam interferir na vida pessoal de cada cidadão, essa imposição, se permitiu ir acumulando a prática de trabalho que, até nas lojas que se espalham pelo mundo com artigos de origem desse País se verifica, representou uma violência que não será justo que se obrigue o ser humano a suportar.
Mas também exactamente o contrário, ou seja o não incutir nos cidadãos o espírito de participar positivamente na criação de riqueza, esta proveniente do trabalho justo e cumpridor, tanto da parte dos empresários como dos que fornecem a força e a capacidade de produzir, isso é que leva ao ponto em que, por exemplo e mau, se encontra Portugal.
Tanto se defenderam os chamados “direitos do trabalhador”, frase feita que ainda hoje sai da bocas de alguns políticos ligados a extremismos que não se adequam à realidade nacional, que o que resultou foi que um grande número de portugueses se mantêm na busca de emprego, mas menos no trabalho.
Cuba, deu agora sinal de que vai mudar de atitude política, para tentar sair da posição difícil em que se declara estar. É pena que uma filosofia política resultante de uma revolução que entusiasmou grande parte do mundo e colocou até o célebre Che Guevara num pedestal que se tem mantido, se encontre agora a dar conta da sua falência. E só se espera que os detractores daquela dissolução de um governo que, também ele, representava, na altura, o que não deve existir, com um ditador capitalista que era forçoso pôr a andar, o que se deseja é que não se verifique um regresso ao passado, porque de governantes incompetentes e mal intencionados está este Globo cheio.
A nós, todas as manifestações de falência do sistemas de governação nos têm de fazer pensar. E, pelo menos que nos sirva de alguma coisa para, se tivermos ainda tempo, agarrarmos com todas as mãos as hipóteses de salvação que nos restem.
Não é que com o mal dos outros podemos nós! O mal que ocorre fora das nossas fronteiras tem de servir para nos avisar de algo.