terça-feira, 14 de dezembro de 2010

SOZINHO

Passar um tempo sozinho todos os dias
Faz bem, ajuda a pensar
Reconforta, tira-nos as manias
Mostra tudo mais alvar

Connosco falamos, procuramos respostas
Para os problemas da vida
Incute-nos forças para subir as encostas
E sara alguma ferida

Falta isolarmo-nos de vez em quando
Ter o silêncio do mundo
Pôr na correria um certo abrando
Travar p’ra respirar fundo

Se toda a gente no nosso Hemisfério
E os que mandam na guerra
Parassem e pudessem pensar a sério
Haveria paz na Terra

BLA, BLA, BLA...


NESTA MINHA ÃNSIA de me querer actualizar o mais que consigo do que ocorre por esse mundo fora e de, na medida do possível, efectuar o exercício da comparação com o que sucede cá dentro, à nossa volta, não me bastando o que tive oportunidade de observar directamente no decorrer das minhas mais de 60 visitas a países diferentes ao longo da minha actividade jornalística, pois que a velocidade da vida actual provoca alterações muito rápidas e o que sucedia antes já hoje se observa de maneira diferente, então neste meu desejo de estabelecer um paralelo gostaria de saber se, nestes países europeus, particularmente os que também se defrontam com os graves problemas da crise económica e financeira, tenho interesse em conhecer se os habitantes respectivos têm um comportamento semelhante ao que se verifica no nosso meio e se as suas preocupações se equivalem às que, pelo menos pelo que se observa nas revistas ditas de sociedade, em que uma grande parte da população segue atentamente os namoros, as separações, as roupas que vestem, as frases que dizem e todas os não importantes acontecimentos que têm a ver com tais figuras que, ocasionalmente, se situam numa espécie de montra do interesse público, se essa forma de actuar tem alguma coisa a ver com a que por cá se pratica.
Eu bem sei que, de entre os dez milhões de portugueses que seremos os que cá vivem, se as estatísticas ainda forem fiáveis, a esmagadora maioria é constituída pelas senhoras Marias e os senhores Maneis que não fazem a menor ideia de que tal gente que se pavoneia existe. A televisão, é verdade, dá uma enorme difusão de caras e palavreados de uns tantos – são sempre os mesmos – que têm acesso a uma exposição pessoal, por razões da profissão que exercem ou porque estendem os pescoços sempre que surge uma oportunidade para dar nas vistas. E, no que respeita a esses, a culpa também não é totalmente dos próprios, pois que são os caçadores de imagem que não funcionam em campos de alargada margem para poder variar. Mas esse é uma realidade e por isso aqui deixo a anotação.
Porém, o que me desperta a curiosidade é se, por essa Europa fora, sucede exactamente o mesmo. Em Espanha, sabemos nós, até pela leitura da conhecida revista “Hola”, esse massacrar de personagens que são permanentes nos noticiários ditos de sociedade também se verifica. Porém, como o território dos vizinhos é muitas vezes maior do que o nosso e os acontecimentos ocorridos na Catalunha, na Andaluzia, na Galiza podem não interessar tantos aos habitantes das restantes regiões, dilui-se mais esse massacrar de “sempre os mesmos”.
Agora, no que nos diz respeito, a admiração que poderá persistir é de que, havendo tanto motivo para nos preocuparmos seriamente com o que constitui uma cada vez maior dificuldade de manter um nível de vida minimamente sofrível e sendo grande a ameaça de que o que está para chegar ainda dará ocasião a mais profundo sofrimento, não se compreende muito bem como haja gente que se interesse ainda pelo ar de uma existência regalada que se lhes nota e acompanhe os namoros e as zangas que ocorrem em determinados casais, geralmente tratando-se de pessoas da área do espectáculo.
Isto quer dizer que, venha lá o que vier, haja trabalho ou continuem a sofrer-se os efeitos do desemprego, a população, sobretudo a citadina, deixa-se embalar pelas “cantigas de amor” e pelos resultados dos seus clubes de futebol – que esses, apesar das baixas de assistência, não se encontram afastados dos clãs e das exibições de cachecóis que se continuam a verificar -, o que pode então classificar-se como sendo uma espécie de estupefaciente, o qual até ajuda os políticos mais espertos a utilizá-lo para esconder os seus disparates.
Esta situação, no entanto, não pode durar por muito tempo. Conhecendo-se, como é sabido hoje, que as instituições que fornecem, sobretudo refeições, a um número elevado de famílias, todos os dias vêm aumentada a sua “clientela” e que até já está a ser muito seguida a atitude dos restaurantes que já não desperdiçam os restos das refeições que não saem, servindo para alimentar muita gente, o que se perfila como cenário português é de que terá de perder interesse o que ocorre com os que casam e descasam que, por enquanto, ainda faz parte de um determinado noticiário de bisbilhotice.
Seria bem melhor que não fosse assim. Que nos deslumbrássemos com tais questões de intimidade de uns tantos. Mas o mundo não pára e as voltas que dá levam os homens a subir ao cume dos montes e a escorregar desamparados para o fundo dos vales!...
Ao ter assistido a mais um “Prós e Contras” que tem lugar às segundas-feiras, apesar do respeito que me merecem os intervenientes, especialmente ontem, em que as figuras em causa representaram uma parte importante de pensadores portugueses, não posso deixar de repetir aquilo que, sem nenhuma espécie de vaidade que não tem lugar sobretudo num País onde as atitudes socratianas já cansam, no entanto não me apetece desaparecer deste mundo sem que alguma razão me seja apontada: a de que tudo aquilo que foi dito e bastante do que outros participantes, no mesmo programa, também afirmaram, já aqui figurou no meu blogue, dito da mesma maneira ou de forma diferente, mas com um sentido semelhante.
É verdade que faz falta repetir ainda que seja sempre o mesmo, que se apontem erros, para que a população tome consciência de que o caminho que tem sido apontado ao nosso País tem de ser alterado e que nos cabe a todos nós, cada um no seu poiso, contribuir para que, pelo menos, a produção nacional passe do paralisante para o evolutivo. E isso verifica-se em toda e qualquer acção que nos caiba efectuar, numa obra, por pequena que seja, numa repartição pública, no atendimento dos clientes nas lojas, por mais ínfimas que elas se mostrem, enfim em todas as actividades, até na comunicação com os outros em que o perder tempo com conversas fúteis reduz os efeitos positivos do trabalho. E, de igual modo, fazendo os maiores esforços para que pratiquemos uma tão eficiente democracia no dia-a-dia, quanto consigamos introduzi-la nos nossos hábitos.
Esta parte final do meu texto de hoje parece não ter nada a ver com a parte inicial do blogue. Mas, vistas bem a coisas, tudo se relaciona com aquilo que tem de constituir uma mudança visível na vida de Portugal.
Ficarmos mais tempo assim como nos encontramos, essa é que é a forma de, cada vez mais
depressa, nos estarmos a desfazer. E não é aos poucos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

NATUREZA


Flores do meu jardim
pássaros em torno
cheiro a alecrim
ver porta do forno
pedras reluzentes
ventinho que passa
a palha nos dentes
o sol na vidraça
som melodioso
delícia d’ouvidos
d’um autor famoso
lá de tempos idos
a sombra gozando
de árvore frondosa
sentadinho estando
de forma dengosa
vejo caracol
a passar sem pressa
pauzinhos ao sol
algo qu’o aqueça

Bela Natureza
qu’o Homem despreza
falta-lhe firmeza
para impor limpeza
deixar sujidade
por onde se passa
em qualquer cidade
em total desgraça
antes era limpo
falta de cuidado
só porque o repimpo
é do seu agrado
e a pouco e pouco
com andar dos anos
se torna bacoco
por causa dos danos

Mas o meu jardim
que eu cuido com zelo
transporta p’ra mim
o prazer do belo
aqui não se suja
nada vai pr’o chão
sem medo que fuja
o auto do borrão
o sol e a chuva
chegam quando querem
são com’uma luva
quase nada ferem
se assim fosse o mundo
onde muit’estragam
pondo tud’imundo
e bastante esmagam
mas que diferença
do que ver é dado
alguma doença
põe em mau estado
quem respira pós
que pairam no ar
pois que não há prós
só contras d’azar

Se no Paraíso
que dizem haver
é grande o juízo
não dá p’ra sofrer
tudo se conserva
sem ninguém ‘stragar
e se há lá erva
e é são o ar
sem a sujidade
que o vivo provoca
ninguém tem saudade
nem a Terra evoca
então vale a pena
daqui se partir
p’ra ter outra cena
gostar de dormir
estar descansado
com o que o rodeia
até acordado
por nada anseia

Mas aqui na ‘sfera
onde sobra gente
nem a Primavera
faz nascer semente
do amor à Terra
criando um futuro
liberto de guerra
com tudo bem puro
onde a amizade
acima de tudo
e a lealdade
serão conteúdo
razão de viver
se se cumprir bem
o que é prazer
ajudar alguém
então para isso
Natureza amar
será compromisso
não pode faltar

Não sujemos pois
o que é de todos
sejamos heróis
sem quaisquer engodos






TERCEIRA IDADE


FUGIMOS NATURALMENTE a enfrentar esta realidade que, cada vez mais, se torna mais assustadora, no sentido em que a população do mundo inteiro, devido aos progressos que a medicina atinge, vai morrendo cada vez mais tarde. Sobretudo, como é lógico, nos países com maior desenvolvimento, pois que, nos outros extremos, em zonas onde a pobreza ainda se mantém num escalão muito elevado, aí até são as crianças que não ultrapassam as pequenas idades. Mas, em média, a velhice atingiu já proporções que estavam bem longe de ser imaginadas há pouco menos de um século.
Portugal, que não se situa na franja dos mais ricos e também não pertence à classificação dos miseráveis, mesmo assim é tido como um País onde a terceira idade suplanta a quantidade de jovens, pelo que o encargo que tem com os reformados é muito comprometedor para as finanças destinadas às pensões. Segundo números divulgados, existem entre nós 2077 pensionistas que têm mais de 100 anos, o que confirma amplamente que o problema que eu tenho debatido neste meu blogue de que caminhos para um beco com difícil saída de não chegarem os descontos dos que ainda descontam para suportar as reformas que há que entregar aos que trabalharam até ao momento da sua retirada.
É por estas e por outras, de que, evidentemente, não excluo os múltiplos problemas que se têm vindo a amontoar de diferentes origens e de tão complicadas soluções, que me interrogo sobre a apetência que ainda se verificará por parte de alguns desejosos de vir a tomar posse como responsáveis maiores da governação portuguesa. Que medidas são as que vão tomar para inverter a situação que se instalou por cá? Que soluções antipopulares se irão atrever a pôr em acção na convicção de que essas poderão colocar no bom caminho este País destroçado? Não têm noção do risco que correm de, por muito que se apresentem a culpar de todos os males os seus antecessores e, principalmente, o imediato de nome José Sócrates, não se conseguirão libertar também de grande parte das acusações que lhes cairão em cima?
Que poder tem, realmente, no ser humano a ânsia da fama, de mediatismo, de se colocar acima dos outros, de ter à sua volta quem elogie os seus actos, de sentir a sensação de que muita coisa depende da sua vontade, para fazer com que se ponham de parte todos os riscos de avançar para o palanque e de subir os degraus da importância!
Afinal, ainda bem que existe gente que se prontifica a fazer este papel e que não é tão pouca como isso, pois que, na hora de dar o passo, até briga e faz a sua própria propaganda com declarações de ser o melhor de todos.
Eu cá fico a escutar, a ouvir e a comentar. É o papel do não corajoso, é certo, mas quando a consciência tem mais força do que a vaidade, quando já se fez muito para trás e as circunstâncias actuais não são de molde a esperar que, da nossa parte, alguma coisa saia já que contribua para melhorar o País a que pertencemos, o melhor então é limitarmo-nos à capacidade que nos cabe.
Os exemplos históricos dos incapazes que ocuparam lugares de responsabilidade pública sem terem dado mostras de saber desempenhar as funções a que se propuseram, isso chega para cada um se compenetrar de que há limites para tudo e que quem não sabe tocar viola que se fique só pelo rabecão…


domingo, 12 de dezembro de 2010

LÁGRIMAS

Lágrima que é furtiva
a bela área recorda
mesmo sendo algo esquiva
do olho lá se transborda

Dizer adeus bem molesta
quem parte p’ra não voltar
s’é inimigo dá festa
se não é p’ra lagrimar

Lágrima não faz ruído
em silêncio lá desliza
quando muito um gemido

aparece e não avisa
e um soluço contido
com lágrima rivaliza

SONDAGENS


NÃO É QUE ISSO CONSTITUA uma notícia inesperada, mas não podia passar sem eu fazer referência a uma sondagem que foi feita por uma entidade dedicada a este tipo de averiguações e em que se apurou que se as eleições legislativas se realizassem nesta altura, a soma dos votos do PSD e do CDS atingiriam uma maioria para governar, com o PS a descer nas intenções, ao ponto de não ultrapassarem os 27,2 por cento, ou seja representando uma baixa nas preferências dos portugueses e em que José Sócrates, isolado e em comparação com Pedro Passos Coelho se ficaria nos 31,6% contra 38,6 do concorrente social-democrata. Não é assim uma enorme diferença, mas sempre baixou no conceito dos votantes.
Provavelmente para os próprios militantes socialistas este apuramento, que não agradará, não deixa ficar espantados os que estejam atentos às opiniões que se ouvem e sentem com grande frequência na vida corrente do nosso País, mais em relação ao próprio secretário-geral do agrupamento político do que no se refere ao PS ele mesmo. É que as queixas vão directamente no que se refere à actuação de que José Sócrates deu mostras durante o período da sua governação, no primeiro período mas, pior ainda ao longo da repetição que se verifica como chefe do Executivo.
A questão que se põe é se, apesar da má experiência que tem sido demonstrada e das múltiplas acusações dos adversários, incluindo as provenientes do responsável principal do PSD, ao dar-se início a uma nova experiência governativa a comparação com o anterior poder apresentará resultados positivos de monta, porque se não for assim então todo o custo de eleições e o tempo que se perde ao longo do período das campanhas será em pura perda. Nem queremos pensar que tal sucederá, pois seria pior a emenda do que o soneto… e neste momento não nos podemos dar ao luxo de também ficarmos sem ele.
Pelo menos, de uma coisa ficarão os portugueses libertos: de discursos plenos de excessiva e caricata confiança em si próprio, de elogios ao seu umbigo, de uma falta de modéstia e de uma ausência de capacidade de ouvir que, tudo isso, são características que um responsável principal por um Conselho de Ministros deve ter em atenção permanente. Mas, obviamente, não é tudo que necessita tal personalidade. Porque o bom senso e uma dose suficiente de dúvidas constituem também alguma coisa que, na medida do possível, é conveniente que não se ausentem de cada medida que tem de ser tomada.
Agora, se é necessário unir os votos dos PSD aos do CDS para que a maioria absoluta seja alcançada, pois que os 8,8% de votos desta última formação, indicados na mesma sondagem, são, apesar da baixa cotação, essenciais, enquanto o PCP somado com o Bloco de Esquerda se ficam ambos pelos 15,8% e a abstenção é apontada na sondagem como atingindo os 38,5%, isto quer dizer que o panorama que se pode observar em tais circunstâncias não aponta para outra alternativa que não seja a da referida união política.
Não se pode dizer que, nesta altura, e atendendo ao que a sondagem em causa permite concluir, seja entusiasmante a visão política do futuro que se aproxima, isto levando em conta que as circunstâncias dificílimas que é forçoso ultrapassar não são muito propícias a dualidades de opiniões, tanto mais que as experiências vividas no nosso País e o conhecimento que temos de alguns protagonistas, como, por exemplo, o convencimento pessoal também de Paulo Portas – de Paulo Coelho ainda só existem perspectivas -, não animam a aguardar-se por uma governação no mínimo calma.
Aquilo que eu tenho referido continuadamente aqui neste meu blogue de que se torna essencial que quem vier tomar conta do Estado (para usar este expressão pouco técnica) se tem que convencer que só falando a verdade aos portugueses, esclarecendo tudo e não deixando nada no obscuro, tendo mão firme em relação às irresponsabilidades dos que são obrigados a cumprir as suas obrigações, acabando de vez com os favoritismos e pondo a Justiça a funcionar com destreza e com competência, pois enquanto tal não se verificar não é possível dar a volta de 180 graus que se impõe neste País sem rumo, sendo que tudo isso, a meu ver, não é fácil de antever.
Mas estes são apenas e só futurismos que valem o que valem. Aguardemos, portanto, no que pode assemelhar-se a um milagre.



sábado, 11 de dezembro de 2010

O RELÓGIO

O tempo passa e repassa
e não para nunca a meio
faça o homem o que faça
com coragem ou com receio

O tiquetaque enfadonho
não perdoa só avança
sem ter nada a ver com sonho
regista toda a tardança

Mas se o Homem o inventou
o relógio é o lema
e se ele se atrasou
pode causar problema

Há muita gente que manda
que ordena sem preceito
mas a todos quem comanda
é o relógio a seu jeito

São horas, lembra o patrão
ao pulso apontando o dedo
se o trabalho paga o pão
chegar tarde mete medo

Tudo tem a sua hora
e o relógio o indica
mas se a solução demora
na foto alguém mal fica

Só que a hora de partir
antes nunca se conhece
só depois de despedir
é que o relógio aparece

Lá na certidão gravada
fica a hora da partida
tal como na chegada
o relógio marca a vida

A toque de caixa andamos
um, dois, três o chefe ordena
e se no meio paramos
perde-se tempo com pena

Relógio de ponto marca
o tempo que se trabalha
ele é o patriarca
regista sempre o que falha

Enfim, gostemos ou não
é a máquina infernal
tira qualquer ilusão
a quem se comporta mal

Os que às horas não ligam
e que nem relógio usam
a nada eles se obrigam
a tudo também se escusam

Um dia talvez virá
que relógio se dispense
o povo sabedor dirá
o futuro a Deus pertence

Se essa fé salvadora
para algo servir então
o relógio porta fora
e há quem peça perdão

LÁ CHEGOU O SUBSÍDIO DE NATAL!


POR MAIS DIFÍCIL QUE SEJA crer nesta realidade, o certo é que, apesar das circunstâncias se apresentarem cada vez mais difíceis para a esmagadora maioria dos portugueses, ainda existe muita gente entre nós que não realizou que o panorama real que vivemos é de um Estado mesmo à beira da rotura total de meios financeiros para fazer face às responsabilidades que tem de assumir e que muito comprometem as obrigações que cabem a uma figura de retórica que, para o povo, sempre representou o salva-vidas nos momentos de aflição.
Por falta de comunicação daqueles que têm tido o dever de falar verdade aos contribuintes, dourando a pílula nas alturas de mais negras cenas e escondendo a realidade para não serem acusados de maus gestores, sempre se assistiu no nosso País, como nos conta a História, a um disfarce, especialmente também para os que gozando de privilégios que os distingue da maioria, não terem de dar o exemplo, ou seja reduzir as mordomias que lhes são concedidas. Em tempos antigos eram os que pertenciam à nobreza, agora estão situados nas áreas sob protecção do sector político e, como lhes chamam alguns, do capital.
Seja como for, o que se passa é que a consciência generalizada de que Portugal se encontra numa situação de extrema pobreza e em que, com excepção dos tais “abençoados”, o Estado também sofre de falta de meios para fazer frente aos seus compromissos, essa realidade ainda não chegou com absoluta clareza à cabeça da maioria dos cidadãos que fazem parte da população nacional.
É por isso que se assiste com enorme frequência aos pedidos de ajuda que são apresentados sempre que uma qualquer amargura surge, como foi agora o caso do tornado que ocorreu na zona de Santarém, Tomar e arredores, em que os prejuízos atingem os 15 milhões de euros, sendo os atingidos, na sua maioria, particulares que viram as suas casas e alguns estabelecimentos em condições de destruição. Porém, muito embora o ministro da pasta respectiva, como sucede com frequência, tenha feito a promessa de que as instituições oficiais acudirão aos prejudicados – coisa que, como foi descrito numa emissão televisiva, ainda não sucedeu em relação a um caso ocorrido em 2008 -, as esperanças são muito escassas por parte dos que necessitam de ajuda. E esse é o mal que tem de ser apontado aos que se situam nos lugares de governação, de que não são capazes de falar a verdade e de dizer claramente que os dinheiros públicos não se encontram em condições de atender às necessidades mínimas, ao ponto de, como se divulgou nesta altura, há pelo menos dois tribunais do nosso País em que os telefones foram cortados por falta de pagamento das facturas respectivas. Em Torres Vedras e em Loures sucedeu isso mesmo.
Sendo assim, não seria muito mais honesto, por parte dos que têm cargos de governação, declarar abertamente que os cidadãos portugueses devem encarar de frente a realidade de que o Estado se encontra numa situação de enorme carência de meios? E isso porque também – entre tantas outras coisas de que nem existe ainda divulgação pública – a verba que é destinada à promoção externa do turismo nacional, por meio do AICEP, que é o organismo que dispõe desse encargo de enorme importância, tem ainda por assinar o protocolo que financia a rede de delegados que têm a seu cargo tal missão no exterior, e em que, por sinal o montante previsto para 2011 e inscrito no O.E. é de 15 milhões de euros, a mesma verba que é requerida pelos atingidos pelo tornado atrás descrito.
Não será necessário pôr mais na carta. E se bem que o 13.º mês referente ao subsídio deste Natal ainda tenha sido pago neste ano de 2010, o que todos os reformados imploram é que se consigam estruturar as finanças do Estado de modo a que não se atinja a situação gravíssima de ocorrer um fechar dessa porta. Mas como o Governo negociou a passagem do encargo desse sector, da PT, por exemplo, beneficiando da entrada das verbas acumuladas para esse efeito, o que seria quase impossível de admitir é que os novos governantes que aí poderão vir se defrontem com o problema de que acusem depois os anteriores, salvando-se da responsabilidade do acto.
Nem tenho coragem para pensar que esse drama se apresentará algum dia no palco da nossa política. Mal já estamos… mas tanto!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

DESASSOSSEGO

Que desassossego é este?
Será por ter de aguardar a diligência
a que nunca se sabe quando chega,
aquela que nos leva quem sabe para onde,
que nos tira deste lugar
onde todos somos diferentes
fingindo que somos iguais ?
Iguais a quê ?
Será porque muitos se julgam génios
e que, pobres deles, não medem o infinito,
esse infinito de que se continua a não saber onde acaba?

Vale a pena ter certezas ?
Dizer coisas como sendo as definitivas ?
Afirmar sempre: “então é assim” ?
Quem só tem dúvidas
e tem consciência de que se engana muitas vezes
não pode ter outra atitude
que não seja a de se andar a perguntar,
constantemente,
se, neste mundo, alguma coisa é assim tão importante
que valha a pena...

Que desassossego é este ?
Por que não me conformo ?
Se o mundo é isto que fizeram
dizem que perfeito,
que genial,
que bem pensado
e que até foi cansativo
que houve mesmo que descansar ao 7.º dia
e afinal saiu aquilo que vemos,
que foi piorando desde o tempo das cavernas
até chegarmos ao que somos hoje
aos muito ricos e aos desgraçados
às multinacionais,
aos donos de tudo,
que, cada vez mais, fazem com que tudo seja igual
com gente a empurrar-se
e a andar sucessivamente mais apertada,
porque se uns desistiram de ter filhos
outros fazem-nos com fartura
e compensam largamente.
Para quê ?
para daqui a pouco não caberem
os que cá andarem,
não comerem senão todos o mesmo,
não beberem sempre que têm sede,
terem de acabar por se matar
uns aos outros ?

É esse o desassossego.
não por nós, que cá andamos ainda
mas pelos que virão depois,
não muito depois
porque não vai tardar que acabem por se dar conta
de que os que andavam por estes sítios antes
não foram capazes de ser sinceros,
de fazer alguma coisa para que não se chegasse ao irresolúvel.
Mas, afinal, haverá motivo para o desassossego ?
Hoje ? Agora ? Já ?

Resta-nos apenas a esperança,
a tal, aquela a que se recorre sempre,
a que é tão comum aos mortais
Agarremo-nos a ela e confiemos nos homens.
Podemos fazer outra coisa ?




LEIS LABORAIS


QUEM COMO É O MEU CASO, não tem qualquer ligação directa à política, excepto como observador, comentador e “sofredor” das consequências provocadas pelas medidas desatinadas dos governantes, portanto sem responsabilidade no que respeita aos resultados das disposições que são tomadas, pode tranquilamente dar opiniões, mesmo que sejam as mais arrojadas e que abarquem atitudes de que o resultado não venha a ser o mais desejável. É o que se chama, na linguagem futebolística, ser treinador de bancada. Tenho disso perfeita consciência.
No entanto, não se pode proibir que um cidadão, no exercício da sua inteira liberdade, opine o que entende ser o mais indicado para enfrentar um problema que se apresenta e divulgue esses seus pontos de vista. O único risco é que outro parecer diferente, de alguém que igualmente entenda dar viva voz ao que pensa, salte em contraponto e apresente as razões da discordância. Até é bom que isso aconteça, pois provoca o diálogo que apenas se deseja que assente no mínimo de boa educação, sem ofensas pessoais e que não siga as posições que, muitas vezes, são tomadas pelos políticos que não beberam ainda suficientemente as regras da Democracia.
Este preâmbulo serve para me referir às aparentes intenções do Governo de Sócrates de tentar flexibilizar as leis laborais, isso conforme sussurros que são oriundos de Bruxelas. É que, como seria de esperar, as forças que se assumem como sendo de Esquerda, como se essa posição, tal como a contrária, representasse que a verdade absoluta reside num ponto específico do mapa político de tendências de actuação, esses grupos que, obviamente, incluem as centrais sindicais, em especial as que se encontram mais identificadas com os sectores do PCP e do Bloco de Esquerda, não perdem tempo e, mesmo antes de se realizarem eventuais conversações com o Executivo, lançam os seus brados de revolta, ainda que o drama do desemprego não deixe de aumentar e não se encontrarem soluções para, pelo menos, colocar um travão nessa onda.
Acerca da flexibilização das leis laborais, isto é, o ser necessário proceder a alterações nos códigos que regem a dispensa de pessoal, medindo bem o alcance da disposição que estabelece a chamada “justa causa”, sobre este assunto já se pôde ler neste blogue, semanas atrás, um ponto de vista que pretendia precaver o excesso de temor dos empresários, grandes, pequenos e médios, em admitir novos colaboradores, pois o não acerto nas escolhas ou mesmo a baixa de resultados que sejam obtidos, sobretudo por via da crise que tem altos e baixos, tem como resultado o evitar o mais possível aumentar, ainda que temporariamente, o número de funcionários.
E é aqui que, honestamente, eu sublinho a tese que apresento nos dois parágrafos iniciais, de que, sem assumir responsabilidade política em tomar medidas de extrema importância, é fácil dar “palpites”, pois que se os resultados que saírem das opiniões externas não farão sofrer na pele os seus autores. E, neste caso da flexibilização das leis laborais, ninguém pode garantir que, por um lado, o ser mais fácil dispensar pessoal proporcione aumento de trabalho a ser concedido aos desempregados e, por outro lado, que a eventual má acção de certos empresários não contribua para mais despedimentos sem um motivo aceitável.
Agora, que alguma coisa tem de ser feita e que não nos podemos manter nesta contemplação em que nos encontramos, quanto a isso não omito o parecer que há que correr riscos. E que, com uma fiscalização eficiente, talvez se possa actuar de forma a que não seja afastado de todos, empresários e trabalhadores, com os sindicatos com idêntico comportamento, o espírito de que o desemprego não pode continuar a aumentar e que compete a todos contribuir, com a parte ao seu alcance, para dar a volta a tamanho drama.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

TAEDIUM VITAE

Felizes são os que têm
Todo o tempo do mundo
Os que vão depois e vêm
Sem ter problemas de fundo

E se existem não se ralam
A vida são só dois dias
De coisas tristes não falam
Não têm essas manias

Contentes, é bem de crer
Conseguem sorrir até
E nada os faz deter

Já lhes chega o saber
Que em latim o taedium vitae
É cansaço de viver

MUDEMOS O MUNDO


SOU UM ENTUSIASTA seguidor de todas as tentativas de descobertas pelos cientistas do futuro que está guardado ao mundo em que nos movemos. E, para quem não se encontra envolvido directamente nessas pesquisas, o único que lhe resta é ir tomando conhecimento, especialmente através de reportagens televisivas que alguns canais incluem nas suas programações, dando conta dos avanços e das novidades que vão surgindo.
É evidente que se necessita estar preparado psicologicamente para não se criar um desmedido pavor em relação ao que provavelmente esperam os seres humanos na altura, não se sabe quando e se sucederá, em que o Globo terrestre enfrentar problemas que, na maioria dos casos, serão consequência da ausência de medidas e de precauções que o Homem devia e deve tomar e que, infelizmente, continuam a não constituir a atenção devida.
Os quase sete mil milhões de habitantes que ocupam o território terrestre, não dando mostras de diminuir nos tempos que contemplamos pela frente, constituem um dos dramas que têm de atormentar a mole humana que, em muitas zonas mais habitadas, já representa um acotovelar doentio que transmite aos cidadãos o desejo de fugir das competições. Por outro lado, sabe-se que existem ainda muitas áreas onde a ausência de população cria vazios que contradizem com os grandes pontos em que os excessos de urbanização tornam as vidas muito difíceis. A distribuição de habitantes tem vindo a fazer-se de forma muito desordenada e a liberdade de escolha que as democracias, cada vez mais implantadas, oferecem ao ser humano, proporcionam também que a atracção pelos locais mais concorridos sejam os preferidos por aqueles que utilizam as migrações como salvaguarda das suas necessidades.
Portugal, nesse aspecto, é bem um dos exemplos característicos das atracções que levam os habitantes campesinos a deslocarem-se para as cidades e para o litoral, onde igualmente os níveis de vida são mais sugestivos do que as planícies e as montanhas. É, de facto, um erro que vai sair caro ao nosso País.
Na situação actual que atravessamos e fazendo apenas referência ao caso nacional, uma das medidas que os governantes deveriam levar a peito era o de proporcionarem condições atractivas para que o interior do País viesse a ser preenchido, não só com actividades agrícolas e de criação de pastagens para a produção de animais, como também convidando investidores para que as indústrias se sentissem protegidas e gozassem de todas as vantagens em criar pólos produtivos, aumentando a nossa capacidade de preencher as necessidades internas e as de exportar.
Já há anos, conhecendo como conheço o que levou Israel a desenvolver tão rápida e tecnicamente o seu pequeno espaço geográfico, com a maioria do terreno ocupado com areia e lutando com grande escassez de água, pois não obstante estes situações negativas o ter sido possível atingir com os “kibbutzin” – reservas agrícolas que acolheram milhares de judeus oriundos de toda a parte do mundo para ajudar a desenvolver o seu País – grande área da zona produtiva fora das cidades, o que fez foi prestar assistência técnica às camadas de imigrantes que chegaram e que, não tendo conhecimentos agrícolas (a maior parte era constituída por gente de formação académica superior e com línguas de origem diversas, mas totalmente desligada da actividade agrícola), se submeteram à aprendizagem que lhes foi servida e, a partir daí, cada um, com o pedaço de terreno que foi posto à sua disposição, passou a produzir o que lhe foi indicado e da forma como os técnicos estabeleceram. Pois foi baseado nessa experiência de tão bons resultados, tendo transmitido ao nosso Ministério da Agricultura a disponibilidade que me foi comunicada pelo sector governamental israelita de dar-nos a conhecer os meios utilizados, coisa que, do nosso lado, não mereceu o menor interesse... O costume!...
Continuamos a necessitar de criar no interior de Portugal formas de utilizar muitos dos nossos desempregados, facilitando-lhes a vida através das “enxadas” que lhes deviam ser entregues para produzir – que o mesmo é dizer, os elementos técnicos e os ensinamentos para serem úteis ao País, para além da exploração de terrenos que se encontram largamente abandonados, apesar dos seus donos não os utilizarem e não se verificar, por isso, a produção de que Portugal necessita como de pão para a boca.
Mas, afinal, o texto que me preparava para desenvolver no respeitante ao panorama assustador que o Globo terrestre não encontra forma de solucionar, acabou por ficar reduzido apenas ao caso nacional. Mas tem de se começar sempre por um princípio e esse situa-se, por agora, neste nosso Rectângulo. Todo o resto, isso cabe aos grandes cientistas alertarem as populações para o perigo que aí virá, mas nenhum dos leitores deste blogue se encontrará ainda vivo para se assustar nesta altura.
O que nos vale também a nós, portugueses, é que o panorama que aguarda o espaço terrestre não se apresenta como estando a merecer o espírito de conservação que uns tantos, poucos por sinal, alertam para que não se acabe com as riquezas de flora e de fauna que, desde que o mundo é mundo – e de que não se sabe cientificamente como apareceu – tem existido, muito embora grande parte já se tenha perdido e continue em risco de ir diminuindo. Por isso, quando o mal maior ocorrer, se o fim do Planeta sempre vier a acontecer, como aparece, volta não volta, essa ameaça vinda de uns tantos estudiosos, ninguém ficará para reclamar. Só nos resta, por isso, nesta altura e nos tempos que chegam a seguir, é que se verifique a lástima do Homem não ser capaz de se deixar de guerras de toda a espécie e, unindo-se desprendidamente de interesses mesquinhos, procure tornar a vida de todos, homens, nascença e até à morte, com o agrado mínimo.
Vejam o tornado que resolveu “visitar” uma zona de Portugal. O Homem tem alguma capacidade para fazer frente a essas catástrofes?

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

DIVIDIR

É sempre difícil conta
faz falta a matemática
para alguns é uma afronta
e nãos lhes agrada a prática

Ter algo a julgar que é nosso
mas afinal é de uns tantos
provoca certo alvoroço
quando não alguns espantos

Dividir não apetece
é melhor ser tudo nosso
tocar no nosso interesse
é mexerem-nos no bolso

Se for para nós, somar
é coisa interessante
como o multiplicar
se nos ajuda é calmante

Mas já o diminuir
naquilo que nos pertence
só dá é para fugir
perder a ninguém convence

O dividir não agrada
ter que cortar aos pedaços
nem mesmo ao camarada
ainda sendo com abraços

Os ricaços mesmo em vida
não gostam de dividir
a fortuna bem gerida
não dá para subtrair

Depois de mortos, enfim
a lutas que surgem logo
mesmo com grande chinfrim
para alguns é desafogo

Dividir para reinar
é d’alguns espertos lema
até faz outros chorar
causando-lhes um problema

Operação mal querida
o dividir que s’aprende
faz moça em toda a vida
se é bom ou mau já depende

TRABALHO SIM - DESEMPREGO NÃO!


NÃO É MEU COSTUME falar de mim próprio. Não me considero como exemplo para nada nem para ninguém. E o facto de manter este blogue é apenas devido à necessidade que sinto de escrever, expondo para o exterior aquilo que me atormenta no pensamento. É uma maneira de pensar em voz alta. Seguramente, a minha longa actividade como jornalista deixou-me este hábito e, para além da actividade literária que mantenho, guardando para o futuro o aparecimento do que tenho produzido, quer em prosa quer em poemas, este exercício de comentar o que mais me toca no campo dos acontecimentos liberta-me de uma espécie de retenção íntima do que considero merecedor de ser apreciado.
Digo isto porque não me julgo suficientemente convencido de que, em relação aos que me lêem, este meu blogue diário tenha interesse suficiente para ser largamente divulgado e se existem alguns que são tidos como de grane popularidade, atrevo-me a admitir que este não se situe assim em tão baixa escala, mas se é isso que sucede, então pratica-se uma grande injustiça em relação à minha produção diária. Sou levado, pois, a crer que a falta será porque não me mostro capaz de fazer a divulgação suficiente para atingir o grau maior da escala. E muita gente não tem ainda conhecimento da sua existência.
Mas não é isso que interessa. O importante agora é pegar na notícia divulgada nesta altura de que José Sócrates, por recomendação de Bruxelas, vai ver-se obrigado a tomar a decisão de flexibilizar as leis laborais, alterando as dificuldades que se têm mantido para que as empresas dispensem os trabalhadores, sem terem de enfrentar a cláusula da “justa causa” que, sempre que os recursos dos empregadores não suportam os encargos provenientes do número de colaboradores com que contam e têm absoluta necessidade de reduzir o seu número, não o podem fazer e acabam por fechar portas e, dessa forma, representa maior o prejuízo humano, pois que, em tais condições, ninguém pode obstar a que vão encerrando definitivamente muitos escritórios e lojas, tanto de grandes como de pequenas e médias empresas.
Afinal, o que eu pretendo referir neste texto é que, sem tirar proveito de ter, muitas vezes, razão antes de tempo, aqui deixo expresso que já há bastantes meses aludi, neste espaço, à necessidade de, mais dia menos dia, se deitar mão a esta medida que, sendo inegavelmente, uma atitude só de extremo recurso, pois ninguém pode garantir que não se pratiquem abusos e que, à sombra de uma facilidade, muitos empresários não dispensem pessoal por razões bem diferentes do excesso de gente em cada caso, não obstante isso trata-se de uma medida que será inevitável fugir dela.
Neste momento ainda não existem elementos seguros no que respeita a pormenores da flexibilização para que Bruxelas aponta, mas que Sócrates terá de seguir essa via, disso já não haverá grandes dúvidas, pois que as conversações que vai ter com as entidades sindicais, obviamente a lutar para que se não siga o recomenda, daí não sairá nada que contrarie o inevitável.
Justifica-se, pois, que deva deixar aqui a alusão que eu fiz, tempos passados, a este mesmo tema, antecipando-me ao que era de prever, muito embora desejasse que não fosse necessário ir tão longe.
Seja como for, as circunstâncias que ocasionam o aumento sucessivo de portugueses sem trabalho e a necessidade de serem tomadas providências para que se vá solucionando esta desgraça, tal imperiosidade terá, parece, levado Sócrates a encarar a situação e, antes que o FMI ou outra organização do mesmo teor venha impor as sua directrizes deste teor, parece ter acabado por decidir-se e a dar mostras de que, apesar dos seus optimismos, lá consegue ter o mínimo de capacidade para encarar problemas que não têm outra forma de ser tomados em mão. O que é pena é que, como sempre lhe tem sucedido, não chegue nunca a tempo para evitar o pior e só quando nos encontramos afogados com os problemas é que, em desespero de causa, lá aparece com ares de grande vencedor.
Volto a referir aquilo que sugeri no início deste blogue de hoje: se lerem com algum interesse os que venho a apontar há muito tempo, talvez acabem por me dar razão em alguns temas que defendo. Só que acertar antes de ocorrerem as situações é quase tão mau como actuar depois deles terem aparecido.
Sou, por isso, um Sócrates ao contrário!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

EXAME


Quanto mais eu procuro o saber
mais longo vejo caminho à frente
e toda a minha ânsia d’aprender
mal chegou julgando-me inteligente
Quanto mais penso que sei
Menos ciência terei

Conviver com alguém que sabe mais
ouvir da sua boca coisas novas
em mim até provoca vendavais
fazendo-me descobrir belas provas
Meter a mão na consciência
Faz descobrir a carência

Se depois de muito caminho andado
pleno de bons actos como de maus
todo o conhecimento armazenado
não chegou para elevar os graus
Onde está então o saber
Mesmo pouco mas a valer?

Se outra coisa não for conseguida
ao longo de toda a vida passada
ao menos que se dê certa guarida
ao que se aprendeu em tal cruzada
Quem sabe se no derrame
Alguém fará um exame

DELICIOSAS PONTES...


AS BOAS NOTÍCIAS para os portugueses vêm mesmo a calhar no ano em que as dificuldades que se anunciam ocasionadas pela crise e vão constituir uma longa lamúria bem justificada necessitam de alguma compensação, essas sabem bem mesmo que representem mais gastos do que economias. Refiro-me às “pontes” que se perfilam em 2011, devido aos feriados que o calendário aponta calharem em dias que convidam a não trabalhar na data intermédia. Levando em conta uma notícia que uma televisão já divulgou, parecem ser vários esses prolongamentos de paralisações do trabalho, o que quer dizer que, num País em que a produção não representa nem nunca representou uma característica nacional, ficar mais tempo no ripanço caseiro ou ir relaxar com algum dispêndio que sai dos bolsos, estes tipos de feriados alongados não contribui em nada para contrariar os problemas portugueses.
Já se sabe que, da parte do Governo – se este lá se conservar ao longo de 2011 -, não se verifica nenhuma medida que contrarie o apetite de não se cumprirem obrigações profissionais, pois que até, por tudo e por nada, descobrem forma de dispensa de marcação do ponto, como se chama desde sempre a essa coisa de não obrigar os funcionários públicos a comparecer nas repartições a que pertencem. A menos que um FMI qualquer, uma dessas organizações que cá venham deitar a mão ao descalabro a que se chegou, também, para além da área das Finanças, tenha poder para incutir espírito produtivo num povo que, por sua livre vontade, não dá mais de si do que aquilo a quer é obrigado.
Sim, porque se o nosso problema é o da falta de dinheiro no erário público e de despesas excessivas num Estado que peca por ser demasiado grande para um País tão pequeno, não tendo sido nunca desmentido que a baixa produção que, a todos os níveis e que é o resultado da deficiente acção dos que dirigem e dos que executam, é a maior culpada dos défices de toda a ordem e, em particular, na balança de pagamentos, se aceitamos esse mal temos de, rapidamente, produzir muito mais, já nem digo como sucede com os chineses mas, no mínimo compararmo-nos aos restantes países europeus, pelo que, então, o que há a fazer é, mesmo enfrentando protestos por parte dos sindicatos que, já se sabe, não contribuem para que saiamos da molenguice laboral que nos caracteriza, fomentar de todas as formas o espírito de, cada um de nós, isso sim apelando a todos os cidadãos, tomar consciência da urgente necessidade de considerarmos pouco o que fazemos diariamente nas actividades que desempenhamos.
Os políticos que tanto falam não dizendo, quase sempre, nada que se possa considerar como fomentador do melhor comportamento dos cidadãos, deveriam, logo a partir do dia 1 de Janeiro de 2011, apelar para que todos os portugueses, sejam eles quais sejam, se compenetrem de que não teremos salvação possível e em particular nem poderemos pagar as dívidas que são deixadas aos vindouros, se não intuirmos que, o que cada um produz no País tem de passar a ser o dobro.
Parecerá um exagero, sobretudo dito por alguém que trabalhou 50 anos da sua vida sempre com o maior empenho, mas ter-se-á apenas que classificar como uma forma de tocar um sino que, se não for ouvido como um alerta, então funcionará apenas como um badalo de cemitério…

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

DIA

O que é isso de ser dia
a folha do calendário
a página que se vira
algo que até agonia
pertence ao nosso fadário
seja verdade ou mentira?

Quem de manhã se levanta
aí o tem pela frente
será igual ao de ontem
e p’ra quem tem vida santa
ou p’ra quem está doente
haja quem cenas lh’apontem

O ser sempre a mesma coisa
monotonia de vida
faz perder a esperança
a ambição sequiosa
uma alegria contida
toda e qualquer confiança

Só se deseja que chegue
a noite para dormir
esquecer dia passado
nem mesmo assim se sossegue
a pensar no que há-de vir
virando-se p’ró outro lado

Mesmo ocupando a cabeça
levando-a sempre a pensar
como a fazer estes versos
não é coisa que se esqueça
o nunca se variar
os dias só são perversos

E mesmo a ver os marcelos
que todos dias invadem
nossos ouvidos e olhos
falando p’los cotovelos
julgando que persuadem
só nos criam é ferrolhos

Quem está preso e risca a data
na folhinha na parede
contando o tempo que falta
sabe bem que o que empata
é’star envolto na rede
que tapa os olhos à malta

Mas os milhões deste mundo
tendo muito que fazer
não podem estar seguros
que cada dia no fundo
traz algo para prever
que não aumentem os juros

É essa a situação
no trabalho ou na reforma
com emprego ou sem ele
não está pois na nossa mão
descobrir plataforma
pois há que sofrer na pele

Cada dia que aparece
que temos d’iniciar
no estado em que tudo está
só lá vai com uma prece
para os que sabem rezar
ou andar ao Deus dará!




DIVIDENDOS


TEM SIDO UMA QUESTÃO debatida a de estar a verificar-se o que alguns classificam como “fuga” aos impostos que bastantes empresas estão a seguir através da distribuição de dividendos referentes aos lucros obtidos no decorrer do ano de 2010 antes do dia 31 de Dezembro, posto que, de acordo com as disposições fiscais, esses pagamentos a ocorrerem já no período seguinte sofrerão uma taxa que o Estado passa a impor.
Existem casos em que as liquidações aos accionistas atingem valores consideráveis, como é o que ocorre com a PT que, devido à operação financeira bem divulgada que efectuou e que lhe proporcionou o arrecadar alguns milhões de euros, por esse motivo dispõe-se a distribuir a cada detentor de acções dessa sociedade que, por sinal, é também participada em grande parte pelo Estado, um montante não desprezível. Logo, ao serem efectuados esses tipos de operações ainda este ano, o que poderia caber ao sector fiscal se transitassem para 2011, passa a pertencer a cada um dos detentores dos papeis de participação da posse das empresas em causa.
Como seria de esperar, os partidos da Esquerda mais radical, o PCP e o BE, logo surgiram a propor que o referido diploma legal que só entra em vigor com início do ano que se segue, tivesse aplicação já no período actual, o que levaria a que as escusas a prestar contas ao fisco nas situações em que existem distribuição de dividendos não pudessem ter lugar. Mas o diploma apresentado na A.R. não mereceu a aprovação dos restantes grupos parlamentares, incluindo o próprio Partido Socialista, a quem pertence a autoria da disposição legal que permite a possibilidade de não caírem nos cofres do Estado os valores que são retribuição de dividendos.
Põe-se então a questão de, a cada um de nós que não somos accionistas desses grupos empresariais que apresentaram lucros no exercício de 2010, ser partidário de uma das duas opções: ou a aceitação de uma medida legal que corresponde a um acto justo e que constituía uma disposição que existia na altura em que as posições de accionistas foram tomadas; ou assumir uma tomada de consciência face à situação do País no momento que se atravessa e, perante isso, claudicar do que corresponde a uma distribuição legal. Mas, para se poder ter uma opinião independente, é forçoso não fazer parte do conjunto de directamente interessados na situação. Os de fora não sentem nos bolsos os efeitos das imposições fiscais e, por isso, é-lhes fácil defender uma posição, seja ela qual for mas, sobretudo, a de apelar ao gesto moral de prestar a sua colaboração e ajuda aos cofres do Estado.
A minha opinião, porque também tenho direito a tê-la, é a de que, muito embora os portugueses tenham de estar todos solidários em relação à contribuição que cada um deve, moralmente, prestar para diminuir os efeitos perniciosos que estamos a sofrer e, sobretudo, os que ainda virão a caminho, não pode, no entanto, desligar-se da ideia de que os culpados políticos por termos atingido uma situação tão extrema, esses continuam a ter a sua vida bem orientada e, quando partirem, de moto próprio ou forçados a isso, para outros caminhos, esses serão seguramente também confortáveis e assistirão, sempre de longe, ao sofrimento dos que permanecem, porque não têm outra alternativa.
Não se trata de um sentimento de vingança, mas apenas de justiça. O justo seria que se lhes impusesse distribuir, com tudo aquilo que lhes sobra, o que falta aos mais necessitados e que são cada vez mais na nossa triste Terra.
Claro que é uma fantasia, mas se se trata apenas de uma opinião!...

domingo, 5 de dezembro de 2010

PERFEITO

Ser perfeito, acertar
os erros não cometer
e nunca se enganar
dará um grande prazer

O primor e a mestria
são coisas de ser perfeito
até a fazer magia
é preciso arte e jeito

Porém é uma verdade
isso vem desde gaiato
pois que tal qualidade

não se apanha por contrato
apurando-se com idade
faz o homem ser um chato

SÁ CARNEIRO


VALE A PENA INCOMODARMO-NOS com tudo que corre mal no nosso País? Cada vez que me debruço sobre as notícias que saem a lume e verifico que as suas características e a ausência de soluções no que se refere aos inúmeros problemas que se arrastam tempos infinitos sem solução, podendo-se por isso considerar como características portuguesas, passada que se encontra há já muito tempo a indignação que, a pouco e pouco, foi diminuindo, o que faço para me defender dessa sensação é uma de duas coisas: não comprar tantos jornais como fazia anteriormente e, se os adquiro, ler só os títulos e passar por cima dos pormenores. Claro que isto escrevo eu agora, porque a verdade é que não consigo libertar-me de uma específica revolta pela indiferença das forças públicas em dar mostras de fazer o seu trabalho e de ir protelando o encontro das respostas que se impõem para esclarecimento da opinião pública.
Querem então um exemplo das nossas características? Pois aí vai: o caso chamado de Camarate, ou seja o acontecimento que fez agora 30 anos que ocorreu e que consistiu na queda do pequeno avião que transportava Sá Carneiro e os seus acompanhantes, Amaro da Costa e familiares e de elementos que faziam parte do grupo que ia apoiar a candidatura de Soares Carneiro ao Porto, que provocou a morte de todos os ocupantes, esse caso ainda hoje se encontra entregue a um pleno mistério.
É verdade, passara três décadas e não se apurou ainda se se tratou de um acidente ou se foi um crime preparado, até, segundo dizem, em que o principal visado seria o então ministro da Defesa, Amaro da Costa. Mas nunca nada ficou esclarecido.
Ficou bem claro que as instituições que possuímos para encontrar respostas a problemas que nos são postos, como este de um avião que, mal levanta voo do aeroporto de Lisboa, logo a seguir se despenha em Camarate, essas forças especializadas não dispõem de elementos que não se fiquem rigorosamente mudas e não haja uma só pessoa que seja capaz de assumir o defeito, o erro, a incompetência, seja o que for, pelo menos para que se aponte o dedo a quem apresenta tal falta de capacidade.
Não tenho mais nada a acrescentar a tamanha demonstração de inexistência de sentido de responsabilidade. E nunca ninguém é chamado a assumir as culpas, sendo o silêncio e o passar do tempo que serve para que se acabe por esquecer o que para trás ficou. Mas, também muito no nosso estilo, nesta altura, tantos anos ocorridos, a data comemorativa do acontecimento serve para fazer contas e prognósticos quanto ao que se passaria hoje se Sá Carneiro não tivesse morrido então. E as conjecturas mais dispares saíram de inúmeras cabeça pensantes, alvitrando a situação que teria hoje Portugal na eventualidade da acção do líder na época do PPD se ter prolongado até aos dia de hoje.
Eu, por mim, sinto-me incapaz de imaginar um panorama actual em tais circunstâncias. E isso porque, desde então e até à data, muitas coisas ocorreram que influíram sobremaneira na conduta dos políticos portugueses e ninguém pode garantir que, por um lado, o povo português se tivesse mantido fiel a uma votação ao centro e, por outro, Sá Carneiro conseguisse utilizar a sua compostura política dentro de normas que, com os tempos e também com a nossa adesão à CEE, se alteraram profundamente.
Claro que, no que diz respeito a uma comparação com a actuação de José Sócrates, caso esse paralelo tivesse lugar, não se imagina a mão do tão desejado politico desaparecido a fazer alguma coisa semelhante ao que o socratismo saltou cá para fora.
Seja como for, admita-se a situação que se quiser, o que me faz a mim pensar nesta altura – pois que não vale a pena transportarmo-nos a situações que já estão fora das hipóteses – é como é possível que haja ainda quem deseje ser presidente desta Republica e chefe de um Governo deste País, para dirigir não sei o quê e comandar não se sabe que forças. Só se for para se colocar à cabeça de um grupo que, sem rei nem roque, com um pretendente a um trono que também acabou por se desfazer e o seu detentor em ir para o Brasil, na tentativa de ali existirem melhores perspectivas, o que também não aconteceu, só se for, repito, com a ideia de que, neste Rectângulo republicano, ainda hoje se vai mantendo a esperança de que acabemos por vir a ser alguma coisa que, para além da língua, que essa é valiosa, mereça considerar-se Pátria.
Estão enganados! Não se trata de falta de patriotismo, mas sim o desejo de acabar por partir para outros aléns e de, na hora da despedida, olhar para trás não com o azedume do espectáculo que fica mas com a satisfação de apreciar as inúmeras portas que ficam abertas para um futuro risonho que se deixa aos que vêm a caminho. O que não quero é ter de esconder a cara!...


sábado, 4 de dezembro de 2010

A REALIDADE

Ilusão é de facto uma virtude
o sonho também ajuda a vencer
pensar no que é belo dá saúde
é só ver na vida o que é prazer

Imaginar agrada, as coisas boas
deixar para trás tudo que não presta
não atender às popas só às proas
seguir no mundo levantando a testa

Os desejos, mesmo não conseguidos
não serão no todo fatalidade
ainda que acabem nos olvidos

No fundo existe alguma crueldade
ao pôr em uso todos os sentidos
vendo ser outra a realidade

ORDENADO MÍNIMO


ANDAMOS AGORA NESSA FASE de discutir a promessa que tinha sido feita pelo Governo de aumentar o ordenado mínimo nacional, de 475 euros para 500 mensais. E, perante a afirmação de Sócrates de que não era viável tal cumprimento do prometido, por dificuldades financeiras bem visíveis por parte das empresas, levantou-se uma quezília que, obviamente, envolve também e sobretudo os sindicatos.
Pondo de parte a necessidade de se fazerem todos os esforços para diminuir, na medida do possível, as dificuldades com que lutam os mais desprotegidos, o que se torna, julgo eu, essencial é analisar com bom senso a questão toda ela. É que, contrariamente ao que se verifica na maioria dos países de todo o mundo, em Portugal trabalham-se 11 meses e recebem-se 14 remunerações mensais. E essa invulgaridade dá ocasião para que, visto de fora, não se esconda alguma estranheza.
Mas vamos ao fundo da questão e, mesmo tocando fundo no nosso bolso, habituado que está a, em Dezembro de cada ano e na altura das férias, receber mais um mês de ordenado, apesar disso valerá a pena termos a honestidade suficiente para, com absoluta independência de interesses, enfrentar a questão nua e crua.
Vamos a um pequeno exercício de contas: quem ganhe mensalmente 1000 euros, recebe por ano 14.000, atendendo às tais duas mensalidades que são acrescidas nas datas indicadas. Dado que só utiliza 11 meses no esforço que presta à sua actividade, quer dizer que cada mês efectivo de actividade profissional é retribuído por 12.727 euros. Poderão ser apelidadas de tendenciosas estas contas, mas que constituem uma mera operação de matemática, sobre isso não podem existir opiniões contrárias.
Por outro lado, analisando sem quaisquer complexos, qual é o espelho da produção portuguesa, comparando-a com outros países, também europeus – porque não é aceitável fazê-lo em relação a países do Extremo Oriente, a China por exemplo - , teremos de ser honestos e não ocultar que o resultado dessa actividade não pode ser posto em confronto, por ser negativo o saldo para o nosso lado, com o que sai das mãos dos nossos trabalhadores, pois que, para falar claro, diremos apenas que esses lá de fora “não brincam em serviço”.
Fala-se também da falta de preparação da grande maioria dos empresários nacionais, o que corresponde a uma evidência indiscutível. E daí que os nossos emigrantes, ao actuarem para lá das fronteiras nacionais, mostram ser muito produtivos, consequência de duas coisas: a excelente orientação que lhes é dada pelas empresas estrangeiras e também, não escondamos, o receio que paira sempre sobre as suas cabeças de que, se não corresponderem em resultados de trabalho ao que recebem como remuneração, a porta de saída é-lhes logo indicada e não têm recurso à tal “justa causa” que cá tanto tem contribuído para se lutar pelo emprego, mas não pelo trabalho…
Tudo isto para eu expressar o quê? Que, em lugar de existir essa luta pelos 13º e 14º mês, o que deveria constituir um esforço de todos era o aumento dos salários de todos os que trabalham, dividendo os tais subsídios pelos 12 meses e, obviamente, ao ser tomada essa medida, os reformados serem em absoluto abrangidos pela mesma medida. E, dessa forma, o ordenado mínimo nacional subiria mais do que os tais 500 euros…
E, a propósito de reformados, é ao assistir-se aos programas televisivos em que muita gente participa telefonicamente com comentários ao tema que está a ser debatido, em que surgem os nomes, as idades e as situações de actividade, que se verifica que é assustadoramente grande o número de participantes que, com menos de 65 anos (e muitos até na casa dos 50), se encontram já na categoria de “reformados”.
Como é que é possível dispor de dinheiros públicos para fazer frente aos gastos inadiáveis de um Estado, quando uma enorme parte das verbas, mesmo que elas pertençam ao sector social, são destinadas a pagar a uma grande parte da população que já não trabalha – portanto já não desconta – e, com a extensão de vida que é hoje uma realidade, apenas subsiste por via das verbas que, mesmo pequenas, ínfimas, de fome, no conjunto constituem um montante elevado?
A propósito de fome, há que referir que nunca se verificou em Portugal uma necessidade tão grande de recorrer às refeições gratuitas que as ainda existentes organizações de apoio ao pobres, entre elas as Misericórdias, como agora sucede. Esta é a demonstração de que já nos encontramos numa fase verdadeira e assustadoramente de falta de recursos de um enorme número de pessoas e de famílias que não têm maneira de se alimentar. Uns tempos atrás, quando parecia que Portugal vivia uma época de grande fartura, porque nunca os governos expuseram a realidade e tomaram as devidas medidas de precaução, ninguém foi capaz de prever que se atingiria este ponto. E é por isso que eu considero que este meu blogue, não só pelo que escrevo agora mas pelo que eu adverti antes, deveria ser seguido com alguma atenção e bastante credibilidade.
Será, afinal, por estas e por outras que eu prevejo que o próximo responsável do Governo, quando surgir, se vai apresentar fazendo sempre recurso à desculpa de que os seus antecessores não souberam precaver-se e lhe deixaram, um berbicacho de difícil solução. E que as medidas ainda mais pesadas que forem necessárias tomar, tudo o que tiver de ser feito será consequência do triste passado que herdou… Haveremos sempre de atirar as culpas para quem esteve, nunca para quem está.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

DEVER E NÃO PAGAR

Primeira dívida custa
inquieta sua estreia
pois que o credor assusta
a quem não lhe paga odeia

Mas a vida como está
e dinheiro tanto falta
ao princípio assustará
depois s’acostuma a malta

Hoje, uns aos outros dever
é coisa mais que normal
o preciso é não morrer
sem cumprir o que é formal

Se dever pouco em fiado
batem à porta os credores
já causa menos enfado
se for de grandes valores

Hoje até os bancos sentem
os de cá e os de lá
quando os devedores lhes mentem
dizendo que certo está

O amanhã não se sabe
no que tud’isto vai dar
mas antes que tudo acabe
alguém muito vai ganhar

AS DÚVIDAS


TENHO-ME DEDICADO muitas vezes a pensar em quem é que eu, se dependesse da minha vontade pessoal e única, escolheria para chefiar um governo que assumisse a responsabilidade de passar a “tomar conta” do nosso País e deparo com uma enorme dificuldade em encontrar a personagem que me mereceria total confiança para solucionar todos os grandes problemas em que Portugal se encontra. Por muito que vasculhe na vasta lista de proponentes que se situam na “bicha” para um dia arranjarem esse emprego, não dou com ninguém que me satisfaça em absoluto. Sem reticências.
Pode ser que se trate da excessiva exigência que ponho na selecção de uma figura que preencha, de forma quase completa, as características que eu alinho para ser desempenhado o referido cargo com o mínimo de condições. Mas, tenho que dizê-lo, por isto ou por aquilo, não consigo apontar uma preferência que me deixe em completa tranquilidade em relação ao futuro de Portugal.
A verdade, porém, é que é forçoso encontrar alguém que, na devida altura, surja a substituir o actual José Sócrates, pois que não existem grandes dúvidas de que o fim do seu “reinado” se encontra à vista, sem necessidade de binóculos. E, face a esta situação, o indivíduo que tomará o seu lugar já deveria fazer parte do meu imaginário, preenchendo as medidas mais imediatas que irá tomar logo após a sua posse. Mas não escondo que as dúvidas que me assaltam são muitas. E as esperanças, por isso, não abundam igualmente.
Porém, a vida continua e o que vem a seguir àquilo que existe é uma constante a que não se pode fugir, embora muitas vezes o povo recorde a frase que tem muitas razões para ser dita: “foi pior a emenda do que o soneto!”
No caso do chefe do Governo que tomará lugar em S. Bento essa situação, suponho, não ocorrerá. Porque fazer mais mal ao País do que o que tem sido a actuação do actual ocupante daquela casa apalaçada, essa ocorrência não estará prevista nem mesmo no espírito dos mais pessimistas.
Mas, o que nos resta a todos nós, os que apenas assistimos e somos forçados a desempenhar as funções que a vida nos reserva, é manter uma certa esperança. E, perante o que parece inegável, de que o próximo primeiro-ministro será o número um do PSD, Pedro Passos Coelho, terá de existir a expectativa de que, pelo menos, a escolha dos elementos que farão parte do seu conjunto ministerial venha a ser feita com o maior sentido de responsabilidade, sem preferências por companheiros que tenham por base somente cores partidárias, pagamentos de favores antigos e conveniências no que se refere a prevenção do futuro no campo individual. É o mínimo que se pode desejar a esta distância.
Mas, já agora, na altura em que redijo este texto, aguardo que as notícias vindas de Zurique indiquem a quem vai calhar a organização do Campeonato de futebol de 2018 e, por isso, mantenho a televisão ligada num canal em contacto com a Suíça. Está a tardar mais do que se esperava, mas já são quase 15,30 minutos e assinalam o atraso na decisão dos elementos do comité desportivo da FIFA que, pelos vistos, custam a chegar a um consenso. E os presságios, nesta altura, é de que a Rússia estará a provocar alguma confusão, pois que o interesse que se verifica na Europa de ver aquela Nação mais integrada no conjunto do nosso Continente, esse agrado para muitos dos elementos europeus dará meios para que a decisão final acabe por ser essa.
Até que, com grande ansiedade por parte dos assistentes à cerimónia do anúncio – já com Sócrates a caminho da Argentina (e depois do discurso “tonto” que produziu naquela cidade suíça), pois que fez aquela viagem mas não se dispôs a esperar até ao anúncio do resultado da FIFA - , acabou por chegar o porta-voz que retirou o sufoco dos aguardantes. E o sobrescrito com a indicação definitiva foi entregue no palco e o anúncio saiu: A Rússia foi a escolhida como sede do mundial de 2018 e o QATAR será o responsável pela mesma organização em 2022! E, como era natural, uma parte da assistência deu largas ao seu contentamento e a outra parte, resignada, aceitou a decisão.
Há que reflectir se, no caso português, essa não escolha do grupo ibérico representará grande perca, ainda que talvez se pudesse recuperar alguma pequena parte dos muitos milhões de euros que se gastaram loucamente (e que ainda não estão recuperados e se mantêm as dívidas para serem pagas mais tarde) com as construções de inúteis estádios que se encontram sem actividade. Por outro lado, dado que faltam oito anos para se chegar ao referido período do campeonato, resta saber se a eventual restauração da normalidade económica, política, financeira e social do nosso País, nessa altura, já estará encontrada. Se não, até poderá ter sido melhor que o encargo com tal realização futebolística não nos tenha calhado, até porque a Espanha também tem de pôr a sua casa em ordem e, nesse particular, seria aconselhável que esta Ibéria desse os passos necessários de braço dado, um Pais com o outro seu parceiro, em lugar de se entregarem os dois a fantasias, por mais gostosos que fossem, nesta altura, justificar até o que se gastou agora com as várias viagens de variadas figuras, para assistirem em Zurique à abertura de um sobrescrito.
Afinal, a dúvida que mantenho em relação à escolha do próximo primeiro-ministro não se fica por aí. Falta de certezas abunda em todos os que, aspirando pela perfeição, neste ou naquele ponto, sempre descortinam alguma coisa que não coincide com o ideal.
Daí o perguntar também: teria sido preferível que Portugal e Espanha tivessem sido escolhidos para o evento de 2018? Provavelmente sim, mas sempre é melhor encarar as realidades e lidar com elas do que andarmos permanentemente a admitir o pouco provável e a lastimarmo-nos por não o conseguir. A experiência que temos encarado nos tempos que correm é bem a prova disso mesmo. E já é altura de termos aprendido alguma coisa com as aspirações, os desejos, os sonhos e de enfrentarmos as realidades, por mais duras que elas sejam.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

BOCEJO

A vida já me deu tudo o que tinha a dar
momentos de alegria e de prazer
já me satisfiz com o bem fazer
vi o que mundo pode mostrar

Levo pois que contar a quem me ouvir
se é que lá no fim outros estarão
prontos a receber-me a dar a mão
a quem não teve pena de partir

Porém tempo de mais onde me vejo
já cansa e não traz nada de novo
razão maior p’ra mais um bocejo

E sem ter muito mais o que fazer
nem nada p’ra deixar a este povo
não vejo razão p’ra não morrer


ISTO É UNIÃO?


“NÃO PRECISAMOS DE AJUDA!...” e também “Não precisamos de sugestões de ninguém!...”– estas as frases que José Sócrates entendeu lançar e que ontem, nas televisões, foram tornadas públicas. Pareceu-me que tinha ouvido mal, mas noutras estação, algum tempo depois a mesma afirmação foi bem marcada. Fiquei esclarecido, embora já o estivesse antes perante as atitudes consecutivas do chefe do Governo português, o qual, inconsequente como tem mostrado ser ao longo das suas duas condições governamentais, não provoca já quaisquer surpresas. Mas, neste fase em que nos encontramos, temos de reconhecer que este primeiro-ministro não é capaz de rectificar nada de toda a sua conduta governativa.
Mas, ao fim e ao cabo, acabo por não saber que atitude deva assumir. Se a de admitir que estamos todos enganados e que a posição privilegiada do primeiro-ministro, concedendo-lhe elementos que não estão ao alcance da população em geral e também dos tidos como gente sabedora que tem vindo a avisar os portugueses de que nos encontramos numa situação de autêntico perigo em relação aos dias que se aproximam e ao ano de 2011 que tem de ser suportado com as mais rigorosas dificuldades, se é isso que se situa na área da realidade ou se, em vez do susto que nos acompanha, o que José Sócrates afirma é que tem de ser encarado como tratando-se de uma tranquilidade e que todos, portanto, temos de continuar a vida como até agora e em que os números do desemprego progressivo que se vem registando são cada vez mais temerosos.
Hoje, que em Zurique se decide onde terão lugar os campeonatos de futebol de 2018 e o seguinte, se será o grupo Portugal/Espanha que ficará com o encargo de receber os participantes em tais reuniões de países – para o que os dois principais elementos governamentais da Península Ibérica vão estar presentes para animar as hostes, como se essa decisão viesse resolver de imediato os enormes problemas que nos assustam a nós, cidadãos, mas, pelos vistos, não a eles chefes de Governos -, ficam os cidadãos, de um de outro lado da fronteira, dependentes de “tão importante” matéria.
Eu, por mim, confesso, falta-me a paciência para assistir a esta disputa em que toda a Europa, em lugar de se juntar e fazer os impossíveis para encontrar formas de enfrentar a tal crise, ajudando-se mutuamente, anda nesta competição de ofertas de posições para ganharem uma “guerra” de campeonatos de futebóis, como se isso representasse um passo certo naquilo que falta neste Continente: a união, a amizade, a colaboração, as mãos dadas para fortalecermos todos em uníssono.
Mas este ser humano que circula por todo o Hemisfério não é material em que se possa confiar!...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

IBÉRIA

Oh! Meu País como gostaria de te ver
diferente
não impotente
mas a querer
dar a volta por cima
e com o desejo de quem afirma
que os séculos passados
não foram deixados
em vão
com a sensação
de que não vale a pena lutar
porque é preciso ir à guerra
e não capitular
pois afinal o que temos é só a nossa terra
e aqueles que a foram definhando
antes da Revolução e depois andando
sempre a julgar que somos
o que não somos
fingindo primeiro de ricos
e depois feitos em fanicos
esses que terão a culpa
não têm desculpa
mas também não pagarão
neste País de perdão.
Olhar para trás nesta fase
apontar culpados já nem vale a pena
é como largar uma frase
de outra peça, de outra cena
já não entra no enredo
já não resolve o problema
o que é preciso é não ter medo
de encarar de frente
bem de frente a situação
e ver que um País doente
só tem uma salvação:
que todos os portugueses se juntem
e puxem para o mesmo lado
e, neste caso, não perguntem
se há tempo para arrazoado
arregaçando bem as mangas
deixando de lado queixas
esquecendo todas as deixas
para produzir, produzir
sem olhar a sacrifícios
para pensar no porvir
usando todos os artifícios
que o engenho e a arte proporcionarem
e que o bom senso e o suor puserem à disposição
ou mais vale abandonarem
o que ainda estará na mão
embarcando não para descobrir novos mundos
mas para fugir do triste destino
que nos ameaça lá nos fundos
e procurando outro figurino
bem diferente, bem melhor
com políticos corajosos e competentes
realistas, actuando com primor
e que estejam cientes
de que os países só se podem governar
com coragem e determinação
e que não é possível amodernar
a nossa nação
sem honradez e sem patriotismo
sem valentia e sem desprendimento
não querendo cair no populismo
nem tão pouco deixar-se abater pelo desalento.

Oh! Meu País, como gostaria de te ver
entregue a outra gente
para poder crer
que havia ainda semente
capaz de fazer florir
a flor murcha que por aí ainda exista
e poder sorrir
com espírito altruísta,
sonhador é certo
e com esperança, que é a última a perder
mas mesmo não estando perto
a volta a dar a isto e entender
que mais vale tarde do que jamais
e ou nos salvamos todos
homens e animais
ou voltamos ao tempo dos visigodos
e encaramos a geografia
sem pensar em miséria
e por muito que provoque azia
encorparmo-nos numa Ibéria.

SÓCRATES E ZAPATERO


Não tive internet todo o dia, pelo que só agora inscrevo este texto no blogue que deveria ter saído logo de manhã. As minhas desculpas.



JÁ NÃO TENHO GRANDES DÚVIDAS de que este ponto de vista que vou aqui expor, não representando novidade para aqueles que conhecem a ideia que defendo desde há muitos anos, de que os dois Países ibéricos deveriam unir-se num interesse comum que lhe dê mais força e importância para defender os seus propósitos, mesmo assim ainda conta, sobretudo deste lado da fronteira, com muitos adversários que continuam ligados àquilo que eu chamo de aljubarrotismo, que o mesmo é dizer de um pavor em contemplar Portugal sujeito ao poder espanhol. O que é, em meu entender, um perfeito disparate.
Mas, desta vez e ao acompanhar a junção que se prepara para conseguir que o Campeonato de Futebol de 2018 seja realizado pelos nossos dois países (o que tem o seu valor em termos de turismo, mas que não é fundamental face a outros problemas muito mais importantes que temos para resolver), só pergunto se isso é mais oportuno do que fazermos frente às más vontades que existem no ambiente do grupo europeu unido, como, por exemplo, da Alemanha da Senhora Merkel, em que tem existido e aumentará certamente uma determinada má aceitação e em que se verifica distracção em ajudar-nos a nós e ao nossos vizinhos no sentido de conseguirmos sair da posição difícil em que nos colocou a crise… para definir um culpado de fora de portas.
Avaliemos, portanto, a realidade possível: se Portugal e a Espanha resolvessem dar as mãos e apresentar-se claramente perante o Conselho da Europa como um agregado de dois países que se dispõem a cumprir as regras estabelecidas pela Comunidade e até a forçar, através do tamanho do conjunto, da população unida e da situação geográfica de que gozam, seria natural que os restantes que formam os 27 seguissem o exemplo e encontrassem maneiras de convergir em soluções que interessam a todos e que têm custado a ser aceites pela totalidade. Por exemplo, a questão do euro, em que ainda existem parceiros, como a Grã Bretanha, que não aderiram até hoje à moeda única, não constituiria o nosso caso um passo concreto para que a União Europeia ultrapassasse as indecisões que se mantêm e fortaleceria o braço dado que nem todos os europeus dão mostras de querer dar?
Não tenho grandes esperanças de que os governantes portugueses que temos e, provavelmente, aqueles que venham a seguir, tenham capacidade para tomar a iniciativa deste calibre. Os complexos de toda a ordem e a ausência de realismo quanto ao que é importante fazer para, com a maior urgência, fazer o que for necessário para resolver os nossos graves problemas, tudo isso impede que atinjamos tal desiderato. É, de facto, precisa muita coragem e grande poder de persuasão para ter semelhante atitude. E, claro, impunha-se, antes, fazer um estudo profundo dos passos que devem ser dados, das consequências da medida e juntar os argumentos suficientes para transmitir aos restantes parceiros por forma a que sejam entendidos os resultados positivos para todos de constituirmos um exemplo de união e de caminhar de mãos dadas e de olhos nos olhos. Esse passo poderia e deveria ser levado em frente se existissem entre os nossos maiores do Governo gente com visão para além do que está diante do nariz.
Para além da nossa actuação, portugueses e espanhóis, convictos dos efeitos positivos que a União Ibérica transmitiria ao grupo grande, haveria igualmente que contar com o apoio do nosso compatriota Durão Barroso que, penso eu, não obstaria a que tal feito se concretizasse.
Estas coisas penso-as eu que, sendo acusado de ter razão muitas vezes antes de tempo, aquele em que fui realizando ao longo dos anos e em que pude pôr em prática ideias que, julgadas inconversíveis, acabaram por surgir à vista, também esta me leva a crer que, mesmo que enquanto por cá andar possa assistir ao surgimento do que aparece agora como uma fantasia, mais tarde, não sei quando mas as dificuldades acabam por juntar forças agora separadas, essa União Ibérica será uma realidade.
Com a Europa mais forte ou, ao contrário, com o nosso Continente disperso, as duas previsões apontam para que esta nossa ponta europeia voltada para o Atlântico dê as mãos e resista ao mau à sua volta ou sirva de exemplo para os restantes países que, agora com uma unidade imperfeita, se convençam que a união não é bem aquilo que praticam.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

UM PORTUGUÊS

Esse dever
de ter alguma coisa que fazer
e não dar um passo
sentir cansaço
respirar fundo
ignorar o mundo
procurar frescura
não recear censura
de nada e de ninguém
não importa quem
assim vale a pena existir
e cá prosseguir
na roda da vida
tudo sem corrida
que o fim que se espera
é hoje o mesmo que era
e que sempre foi
que não se condói
com quaisquer pressas
e que pede meças
deixem-me assim ficar
neste meu lugar
sossegadinho
daqui a poucochinho
já sairei
sem saber para onde irei
mas fazer isso não faço
nem para tal me maço
exemplo vem de cima
e sem ter de fazer rima
o que digo é verdade
sem qualquer maldade
pensar que Deus e os anjos
só tocam seus banjos
sem preocupação
nem obrigação
olhando esta Terra
sempre com uma guerra
em que o Homem persiste
de inveja em riste
a estragar ambiente
em destruição crescente
para quê pois cansar-me
se pouco pode animar-me
a remar contra a maré
e sentado ou em pé
aguardo a minha vez
como qualquer português

Qualquer é como quem diz
pois tudo o que fiz
foi a aspirar
a não ser um qualquer
mas de pouco valeu
porque o que aconteceu
foi o que está à vista
o não deixar pista
para seguidores.
Adeus meus senhores!

2011- SÓ DESGRAÇAS!



GOZEMOS os dias que nos faltam para terminar o ano de 2010. É o fim de uma época que, não tendo constituído um exemplo de boa vida, muito pelo contrário, apesar disso vai ser recordada assim que passarmos a encarar o calendário com a indicação do ano de 2011. É que, segundo se prevê pelo Orçamento de Estado que mereceu a aprovação na Assembleia da República, em muitos de nós regista-se o sentimento que, presumo, os condenados à cadeia sofrem nos dias que faltam para começar a ser cumprida uma pena: a angústia do fim do que, sendo mau, sempre se suportava melhor do que aquilo que vem a seguir.
Como, para amenizar o que se perfila, sempre gozamos de uns feriaditos que, neste País, apesar de todos os contratempos, não faltam de vez em quando e na próxima quarta-feira lá vamos ficar no ripanço, se bem que, se perguntarmos a mais de metade da população, essa nem faz a menor ideia do motivo por que lhe é dito que não se trabalha. Nesse dia como em tantos outros. Seria bom que as televisões, que tantos programas têm com perguntas em concursos que são tidos como de conhecimento geral, em lugar de surgirem questionários sobre com quem está casado este ou aquele artista e interrogatórios quejandos que não acrescentam nada ao serviço público, bem poderiam incluir temas que fornecessem algum ensinamento ao vasto público deste País que, sobretudo no que se refere aos mais novos, os que não apanharam as escolas primárias de outros tempos e em que os professores ensinavam mesmo, não fazem a menor ideia de assuntos que, sendo da chamada cultura geral, não deveriam faltar nos que sabem muito de computadores… sobretudo para os jogos!
Pois o primeiro de Dezembro, chamado Dia da Independência, fará um interregno para se ir aproximando o primeiro de Janeiro, também feriado, tendo antes o 25 de Dezembro, Dia de Natal, em que, naturalmente, também não se trabalha.
Mas era sobre o ano que aí está a chegar que assentava o tema do blogue de hoje. E, mais do que tudo, trata-se de gozar bem estes poucos dias que ainda restam para, logo a seguir, colocarmos o colete à prova de balas e nos prepararmos para a fuzilaria que o fisco tem preparada, com o propósito, oxalá seja bem sucedido, de salvar Portugal da banca-rota… coisa que eu duvido muito que seja possível, posto que, como diz o povo, “tarde piaste”, visto que os sábios da política que nos governa não foram capazes de antever o que era mais do que certo.
A notícia surgida agora de que até as Igrejas católicas estão a sentir os efeitos da crise, pois as esmolas estão diminuir de volume de forma preocupante para sustentar as respectivas paróquias, até isso nos faz pensar seriamente que a coisa está, de facto, feia. E se também atentarmos na outra informação jornalística de que cerca de dez mil restaurantes já fecharam as portas e que se teme que, no próximo ano, ainda venha a ser pior, então parece ter toda a razão de ser o início deste meu blogue de hoje.
Insisto sempre no mesmo: Não se trata de pessimismo, mas apenas de prevenção. Eu, por mim, já há um certo tempo que reduzi no possível aquilo que considero como matérias dispensáveis. E isto como preparação do modo de vida que, provavelmente nunca mais será igual ao que foi noutros tempos.
Bem sei que esta atitude tem efeitos perversos no movimento comercial, logo no escoamento da produção. Mas há que ter presente que não é possível regressar aos costumes de antes, de gastar agora e pagar depois… se é que depois se pagou!
No mínimo, o que constitui obrigação de todos nós é o consumirmos, de preferência, produtos nacionais. Frutas e vegetais, sobretudo, para que não se continue a importar, por vezes de países bem longínquos, aquilo que temos cá e que é de boa qualidade.
E por hoje chega.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

COSTUME

Ao que nos acostumamos
o difícil é mudar
parece bem como estamos
para quê pois variar?
O costume é um vício
nem é preciso pensar
representa benefício
porquê portanto mudar?

O costume da leitura
de comprar no mesmo lado
de não alterar figura
de preferir estar calado
cada um tem seu costume
e às vezes bem estranho
como usar um perfume
que só sai depois do banho

No comer se impõe também
ao que nos habituamos
há quem olhe com desdém
pr’aquilo que nós gostamos
cada um e cada qual
tem seu costume de anos
até mesmo num casal
não há comunhão de manos

Quando se perde um costume
sendo hábito antigo
é com algum azedume
como quem perde um amigo
são os outros normalmente
que nos forçam a mudar
pois nunca nasce da gente
um costume afastar

ESTA LIBOA E ESTE PAÍS


Tive, ontem, domingo, que sair de casa apelas 11 hora da manhã. Por obrigação, pois vinham-me buscar para um empreendimento em Torres Novas onde não podia faltar, sem conduzir e apenas como companheiro na viatura, tive ocasião de analisar o movimento que ocorria naquela altura. Pois até me parecia que não conhecia a capital do nosso País. As ruas por onde passámos até chegar à saída de Lisboa davam um aspecto de abandono da cidade que afligia. Um deserto de gente que não se entendia. Bem sei que fazia frio, mas há sempre quem precise de sair e, por pouco movimento que se verificasse, aquele abandono que estava à vista é que impressionava. Na verdade, os cidadãos, talvez pela retracção em que se encontram e ainda que nos encontremos numa época em que o Natal se aproxima, não davam mostras de existir. Durante o trajecto, utilizando vias rápidas e auto-estradas, o movimento de automóveis também era deplorável. Chegados por volta das 13 horas, num percurso que algum trânsito teria que ocorrer, também o vazio consecutivo de automóveis fazia crer que se tratava de um País em que toda a população entendeu que deveria fazer greve de movimentos. Quilómetros seguidos sem que um carro tivesse de ser ultrapassado e em que, na direcção contrária, também se verificava uma pobreza de circulação.
O regresso, por ter demorado mais do que era esperado, ocorreu pelas 21 horas. E, admitindo que se tratava de um período em que muita gente que tivesse saído regressasse a suas casas na capital, o espanto repetiu-se: continuava a verificar-se uma escassez de trânsito que deu então para se começar a raciocinar quanto ao motivo de tamanha ausência de cidadãos que se movimentassem.
Faço-o, pois, agora. E, não encontrando outra explicação, sou levado a admitir que os portugueses, finalmente, já exaustos de ter abusado das ofertas de crédito que fizeram com que se gastasse o que não se tinha, endividando-se largamente, e agora defrontando os apertos que os bancos, por exemplo, fazem para reaver os pagamentos das suas dívidas, das casas, do carros, da mobílias, das viagens que tanto prazer deram a quem se serviu do que pareciam ser grandes facilidades, muitos deles agora também a fazer parte do grande número de desempregados, compreenderam que a solução agora é enfrentar a realidade da vida que lhes é proporcionada e começar a poupar, isto para usar uma linguagem pouco agressiva, porque o que será mais certo é que se verifique uma carência clara de meios para levar uma vida que tenha alguma coisa a ver com a que ocorreu durante um tempo de fantasias.
E isto enquanto se toma conhecimento que um responsável maior pelo Banco Provado, aquele que se mostra incapaz de repor os depósitos de imensos clientes que clamam pelo que lhes pertence, esse mesmo indivíduo que mora numa casa rica, tinha em casa milhões de euros em obras artísticas, as quais foram apreendidas pela Polícia Judiciária.
É, pois, assim. Uns com tantos e outros sem nada. Mas o nosso Pais cá vai caminhando, ainda que com as ruas e as estradas vazias por falta de meios para os cidadãos circularem, e o que o espera nos dias que aí estão à vista é assunto para encher páginas de textos daqueles que ainda se incomodam em relatar a paisagem que nos envolve.
Eu não sei se continuarei nesta senda de desgraças. Ando a pensar seriamente no assunto.

domingo, 28 de novembro de 2010

A PERFEIÇÃO

Não sei se a felicidade
reside no se julgar
que não constitui vaidade
o nunca se enganar
perfeição
que ilusão
atingi-la se presume
ser algo quase impossível
chegar mesmo lá ao cume
pode ser mas é falível

A obra-prima afinal
por muito bela que seja
não será nunca ideal
melhor sempre se deseja
alcançar
abraçar
o autor desconsolado
sofre por não conseguir
ver o trabalho acabado
sem o super atingir

Isso será consciência
de longe o máximo ver
e tal como em penitência
prosseguir sempre a sofrer
insistir
sem conseguir
o fazer coisa perfeita
não pertence ao ser humano
não se inventou a receita
pois a vida é um engano

Trabalho e aplicação
ajudam a lá chegar
mas nem o que é sabichão
deixa de se enganar
estar perto
não é o certo
é bem bom à roda andar
os génios o conseguiram
já chega p’ra s’admirar
sem perfeição s’atingir

Imperfeito mesmo sendo
é bom não ficar parado
original ou remendo
o preciso é que dê brado
com amor
o melhor
tem de sair bem do fundo
da alma, do coração
o ser primeiro ou segundo
só importa a devoção

Se um dia surgir o tal
o homem da perfeição
e se for em Portugal
que não haja presunção
em boa hora
mesmo agora
que tanto necessitamos
que surja alguém capaz
para qu’em ordem ponhamos
quem precisa tanta paz