quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

BOA BOCA

A miséria é o fim
de quem se arrasta na vida
chegar a um extremo assim
de nem conseguir comida

Tudo o mais já se dispensa
uma cama, até um tecto
e só mesmo a doença
afasta qualquer projecto

Mas a fome, essa mesmo
atormenta bem no fundo
todo aquele que não come

E o mais nojento prato
sabe qual melhor petisco:
boa boca tem a fome!

DISCURSAR



NÃO PODIA HAVER NADA MAIS REVOLTANTE do que ter ouvido o discurso de Cavaco Silva, na sua campanha presidencial, em que lançou a pergunta, que ninguém poderia e deveria esperar que saísse da sua boca ao longo das funções que exerceu (e ainda exerce, como talvez exercerá), sobre o motivo por que não se actuou eficazmente na altura em que se podia ainda atenuar a chegada da crise ao nosso País. Então, onde se encontrava o Supremo Magistrado da Nação, durante os anos que decorreram e que deram mostras a muitos economistas – e ele é professor dessa especialidade – do que poderia acontecer por cá, e em que o responsável de Belém tinha obrigação de actuar junto do Governo que, por sinal, ele tanto protegeu?
Ter-se atirado agora ao Executivo de Sócrates, como se se tratasse de um concorrente à Presidência que nada tivesse a ver com as ocorrências naquele sector, ter essa atitude é que não era de esperar de quem se afirma ser dono de uma honorabilidade tal que são precisos de qualquer cidadãos dois nascimentos para igualar as suas virtudes nessa área.
Quem serão os consultores que rodeiam Cavaco e que não interferem nos textos dos seus discursos, que não o aconselham a mudar de estilo, que não são capazes de o fazer ver que há afirmações que não podem ser proferidas por quem tem a responsabilidade de um Presidente, mesmo que seja na posição de candidato ao mesmo lugar?
É possível que, bem à portuguesa, tenham os referidos consultores que se defrontar com a convicção do próprio de que não precisa de opiniões estranhas à sua e, nesse caso, terão de se encolher e aceitar passivamente os resultados dos equívocos do candidato. Isso, ou demitirem-se dessas funções.
Agora, que, de novo o afirmo, a mais que provável repetição cavaquista em Belém terá lugar, ficar-se-á a dever, não ao seu mérito mas sim ao demérito dos concorrentes. Porque, desse sector, não surgiu nenhuma surpresa de alguém que tivesse dado mostras de se diferençar suficientemente de forma a levantar, junto do eleitorado, o número bastante de votos para provocar a substituição de Cavaco Silva.
E é isso que vai ocorrendo neste Portugal. Que, seja lá qual for o futuro, o nosso País continuará a existir, como alguém também “sabiamente” afirmou numa reunião televisiva, parece-me que foi Basílio Horta, isso é verdade. Agora, o que resta aos portugueses que por cá andarem, é saber se, face aos outros países, especialmente à Europa onde estamos situados, encaixaremos, claro que “orgulhosamente”, na posição que nos é característica, ainda que disfarçada de subalterna, de Nação pobre e humilde, muito embora a nossa posição geográfica, com o Atlântico a mirar-nos embaraçado e sem compreender como é que um território banhado por ele em toda a sua extensão tanto despreza a riqueza que tem mesmo aos seus pés.
Mas, em contrapartida estamos recheados de grandes cabeças pensantes, de políticos de enorme valor, de uma população trabalhadora e capaz de produzir aquilo que consome e até de vender para o exterior o que lhe sobra.
Porém, como somos hábeis em vender dívida pública, não temos, por isso, razões para andarmos insatisfeitos… É do que se pavonearão os habituais satisfeitos com as suas acções governativas.
Amanhã referir-me-ei ao leilão que teve lugar de dívida pública e do alegado “sucesso” que se verificou com tal operação (a procura excedeu a oferta). Já tenho o texto alinhavado. Mas sempre quero assistir aos cânticos de vitória que Sócrates e os seus sequazes vão gritar por tudo que são meios e comunicação.
É que se o nosso endividamento serve para empobrecermos cada vez mais, pois o dinheiro que entra não se destina a investir, mas apenas para suportar despesas, e eu não posso manifestar alegria cada vez que se encontra quem nos empreste dinheiro. Mas já escreverei sobre isso…

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

RIQUEZA

Essa coisa de ser rico
e ter dinheiro de sobra
andando sempre no pico
ser ele o dono da obra
pode ser felicidade
nos seus bolsos sobretudo
mas só conhece a verdade
quem juntou muito escudo

Porém, afirmam alguns
dinheiro não chega a tudo
mesmo com tais fartuns
há quem peça amiúde
p’ra outros males ajuda
por exemplo na saúde
no que não serve a taluda
nem comprar a juventude

Ser feliz com os amores
que se compram com dinheiro
tais como outros favores
p’ra conseguir ser primeiro
dá vontade de chorar
ser rico então para quê
só se for para armar
enganando quem tal vê




ENTREVISTAS


ESTANDO BEM Á VISTA a data em que se vão defrontar nas urnas todos os candidatos a ocupar o lugar de Presidente da República, sendo no próximo dia 23 que os portugueses que se deslocarem a exercer o seu direito de voto – e oxalá, por muitas razões que se compreendem do desinteresse nacional quanto a este gesto, é desejável que a atitude de abstenção não se verifique -, ficarão a saber se ocorrerá a reeleição de Cavaco Silva por mais cinco anos ou se caberá a um dos restantes proponentes a responsabilidade de se instalar em Belém.
A esta distância e perante as ocorrências que foram permitindo que os cidadãos do nosso País formassem a sua escolha ou até aumentassem a sua dúvida, já não haverá muita matéria que possa alterar a disposição que terá sido tomada. E a entrevista concedida por Cavaco Silva, a última que a RTP proporcionou, julgo que serviu para concretizar aquilo que os portugueses, os que suportam estes diálogos que têm lugar com os interrogadores – no caso com Judite de Sousa -, serviu para confirmar o já estabelecido.
Digo isto, não como aplauso pela ideia positiva que o professor de Economia, em meu entender, transmite sempre aos portugueses, dado que a ligeireza de linguagem não constitui uma “mais valia” – como agora tanto se diz -, mas sim porque, em comparação com os seus concorrentes, será o que menos mal lá vai respondendo às questões que lhe são postas.
É verdade que, de uma maneira geral, não me conformo com as questões que são postas e com a forma como o interrogatório é posto, normalmente sem deixar que os entrevistados cheguem ao fim das respostas, se bem que haja que evitar que procurem transformar a oportunidade em espaço de propaganda das suas causas. Mas existem pontos importantes que devem ser apresentados aos candidatos e perde-se tempo com o abarcar de problemas que bem poderiam ser evitadas, pela sua insignificância.
Por exemplo, ao longo do questionário feito a Cavaco Silva, sempre mantive a ilusão de que lhe seria posta a questão de conhecer se, perante a eventualidade quase certa da vinda até nós o FMI, ele considerava que, no capítulo da anulação de despesas estatais que tanto contribuíram e continuam a causar um peso afrontoso no nosso erário público, não haveria que terem sido tomadas medidas drásticas (e nesta altura ainda com maior razão), por forma a não dar motivo aos contribuintes nacionais de acusarem os privilegiados de serem sempre os que menos sofrem com as medidas, fiscais e outras, que o Governo estabelece. Eu aguardei por essa pergunta, mas ela nunca apareceu por parte de Judite de Sousa.
Como, pertencendo a tarefa da entrevista a um jornalista experiente, um daqueles que exercem a profissão jornalística com absoluta independência e completo conhecimento das regras, haveria que lhe pôr a questão de saber se os gastos que são ocasionados com a sua campanha, como por exemplo o pagamento dos guarda-costas, que são os mesmos que actuam quando se trata de cobrir os passos de Cavaco Silve e da sua Mulher, até quando vai diariamente ao cabeleireiro, quando estes actuam na qualidade de elementos da Presidência, assim como o uso dos automóveis que se encontram ao serviço do candidato não serão os mesmos que se encontram ao serviço do Supremo Magistrado da Nação.
Faço esta observação, embora considere que Judite de Sousa será a profissional, desta época, mais adequada ao papel que lhe está reservado no caso, mas não posso fugir à tentação de reflectir sobre a prática jornalística no tempo em que, sobretudo por motivo das dificuldades que se viviam, até por razões da feroz Censura, obrigava a uma atenção cuidada na profissão, e verificar que é uma pena que não se aproveitem hoje as vantagens que se gozam da liberdade para tirar o máximo partido de, com o devido respeito pelo cumprimento das regras que não permitem que uma entrevista se transforme num acto inquisitório, obter esclarecimentos de pontos menos claros.
Atrevo-me a afirmar antes de tempo que, no meu parecer, Cavaco Silva passará no exame e deixará todos os concorrentes de fora e a lastimarem-se pelo facto de, segundo alguns, não terem tido igual tratamento por parte, sobretudo, da comunicação social. Será uma inevitabilidade. Mas, sendo assim, o que havia era que fazê-lo passar por um “aperto” nesta fase pré-eleitoral, de molde a obrigá-lo a entender que, apesar de existirem limitações no que se refere à não intromissão de Belém na acção governativa, o papel de um Presidente também é, ou sobretudo será, o de não ficar mudo e quedo sempre que constata que os responsáveis do Executivo não se encontram a cumprir correctamente as funções que lhe cabem no seu papel e com isso estarem a causar grande prejuízo a Portugal.
O aparecer em público, depois de larga conversa esclarecedora com os responsáveis governamentais, dando conta do seu ponto de vista e mostrando claramente ao País que também tem a obrigação de se inquietar, essa função tem de se verificar na fase que terá início logo que as disposições constitucionais o permitirem, evitando assim que se repitam os erros que têm sido cometidos desde o momento em que se conheciam os efeitos que poderiam cá chegar da crise que caminhava e, aos olhos do principal responsável, o primeiro-ministro José Sócrates, tudo lhe parecia ser um “mar de rosas”.
Aí, Belém não pode escapar às críticas, e será por esse motivo que se tem de recomendar ao próximo locatário, especialmente se for o mesmo que lá se encontrava na altura, que, aparte as disposições constitucionais, tem de ter um comportamento positivo e não de afastamento.
Cavaco fica a saber que estará debaixo de olho!...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

CONTENTE

Mesmo sem saber porquê
pois que tal não é preciso
é gostar do que se vê
e mostrar sempre um sorriso
contente,
contente
maravilha estar assim
sempre com ar de festim

Pode parecer doença
coisa física e mental
pois ter alegria intensa
lembra logo carnaval
contente,
contente
todos ao lado a chorar
quem ri a dissimular

Em época de tristeza
mostrar que é diferente
é p’ra já uma proeza
e que se anda a Poente
contente,
contente
será preciso inconsciência
ou deste mundo ausência?

Contente, contente
só com muita aguardente

JERÓNIMO MARTINS


AGORA, QUE PARECE ANDARMOS TÃO PREOCUPADOS (pelo menos por parte dos participantes nessa corrida) com a escolha do próximo Presidente da República, e quando um dos maiores problemas nacionais é precisamente a baixa produtividade dos portugueses – mesmo que o José Sócrates, como é seu hábito, ande a cantar vitória por se ter subido alguma coisinha, num muito raro sector, em 2010 - , ao ter sido dado conhecimento público de que existiu uma empresa nacional que bateu todos os recordes e foi até a terceira empresa mais valiosa na Bolsa de Lisboa, refiro-me à conhecida Jerónimo Martins, bastaria que se pedisse aos gestores dessa sociedade que emprestassem os seus conhecimentos e a sua prática ao sector nacional, mesmo ao Ministério da Economia e, sobretudo, ao AICEP, o instituto público que, agora comandado por Basílio Horta, não consegue convencer os exportadores e sobretudo os potenciais actores dessa área, que tem capacidade para exercer as funções para as quais foi concebido já há vários anos e de que, agora como antes, não deu mostras de justificar o muito dinheiro que custa ao erário público.
Quando uma empresa privada comprova que uma boa actuação lhe permite situar-se num plano avançado na área das exportações, ao contrário do que se verifica largamente em todo o espectro nacional, qualquer Governo com cabeça requereria o conselho sábio dos dirigentes da referia sociedade e procuraria aplicá-lo no conjunto do nosso sector empresarial privado.
Já há muito que os nossos governantes, estes de agora como os que passaram pelos lugares relacionados com a nossa produção e a colocação do que produzimos nos mercados estrangeiros, deveriam ter uma noção mínima das necessidades de encaminhamento, no capítulo da recomendação, nunca no da obrigatoriedade, mas, ao verificar-se que a sua ignorância é e tem vindo a ser total, pois nesse caso manda a humildade que nos submetamos à experiencia dos que sabem mais do que nós, seguindo as indicações que daí advenham.
O essencial é que, nos vários campos produtivos, comecemos por saber através de estudos precisos, ainda que devendo ser rápidos - ao contrário das habituais comissões que acabam sempre por não apresentar resultais práticos e de custarem fortunas - , que produtos têm possibilidade de receber a aceitação dos consumidores estrangeiros, onde e a que preços, para além de todas as características no que diz respeito ao aspecto, até ao nome a dar e isso dentro da possibilidades de dar resposta que tenhamos cá dentro, o que permitiria aos investidores, tanto aos que cá existissem como aos que se oferecessem de fora, uma certeza mínima de que se tratariam de operações com certa garantia.
E, na área agrícola, aí onde dispomos de campos, agora tão abandonados, e de um clima que, normalmente, nos privilegia em termos de novidades nas colheitas que antecedem as temporadas na Europa mais oriental, o trabalho do AICEP e de outros organismos semelhantes deveria ser aprofundado, ao ponto de justificar a sua existência e os custos em diversos escritórios situados em várias cidades estrangeiras, sendo que a chefia de tal Instituto deveria responsabilizar, através dos maus resultados obtidos, a continuação da sua existência ou a permanência da sua direcção.
Não temos capacidade financeira para continuar a suportar, com dinheiros púbicos, pessoas e entidades que não representam benefícios directoS e rápidos para a nossa economia.
Há que meter isso na cabeça, de uma vez por todas!...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

BOCEJO


A vida já me deu tudo o que tinha a dar
momentos de alegria e de prazer
já me satisfiz com o bem fazer
vi o que mundo pode mostrar

Levo pois que contar a quem me ouvir
se é que lá no fim outros estarão
prontos a receber-me a dar a mão
a quem não teve pena de partir

Porém tempo de mais onde me vejo
já cansa e não traz nada de novo
razão maior p’ra mais um bocejo

E sem ter muito mais o que fazer
nem nada p’ra deixar a este povo
não vejo razão p’ra não morrer

NOTÍCIAS E MAIS NOTÍCIAS!


ESTE PAÍS necessita, como de pão para a boca, que surjam com frequência notícias que desviem as atenções dos portugueses para outros assuntos que, embora momentâneos, sempre provocam uma paragem nas preocupações que, especialmente com a entrada deste ano de 2011, embora já sejam visíveis há um certo tempo, são agora anunciadas como vindo a ser ainda mais sofredoras nos meses que se perfilam no período que se aproxima.
Até as mortes de gente mais mediática servem para ocupar os noticiários e, em vista disso, provocar que as conversas referentes à estuporada crise passem, mesmo que por pouco tempo, para um plano menos prioritário, se bem que, logo a seguir, como nem podia deixar de ser, se esqueçam as más notícias que interromperam o dia-a-dia obrigatório, e o tema castigador continua a ser o que se sente mais no bolso e, por isso, volte à baila.
A morte de Carlos de Castro, que provocou uma evidente agitação pelos modos como ocorreu e, logo a seguir o também desaparecimento por doença do militar do 25 de Abril, Vítor Alves, foram duas ocorrências que, em campos absolutamente diferentes, caíram no conhecimento público com justificada surpresa. Os que cá ficam, esses mantêm-se a fazer contas à vida e a assistir ao afundar de Portugal, também anunciada esta desgraça pelas informações jornalísticas que não param de chegar ao conhecimento dos naturais e habitantes deste nosso País.
A realidade que sentimos na pele e que cada um de nós não tem possibilidade de dar a volta – pois que só se encontra ao alcance dos cidadãos o trabalharem mais e o produzirem melhor, dentro da actividade de cada um -, é que, por parte daqueles que ainda se mantêm na governação, não se verifica o mínimo de bom senso, de criatividade, de competência, de honorabilidade, também podemos acrescentar, de chamar a si aquele mínimo que se impõe há vários anos a esta parte e que é o de terem a consciência de que as disponibilidades financeiras de um País não são eternas, pelo que as despesas inconscientes que o Estado não consegue reduzir drasticamente continuam a ser produzidas e até a atingir recordes vergonhosos, por parte dos seus autores, que são até vários ministérios públicos, portanto sob a responsabilidade máxima primeiro-ministro, o senhor Sócrates, que se pavoneia por aí, com aquele ridículo ar alegre, a afirmar que tudo vai bem e a cantarolar as parcas melhoria que se verificam nalguma área… ainda que não cheguem para nada, em face do muitíssimo de que se necessita!
E os vários exemplos de gastos criminosos, que foram já tornados públicos, como a publicidade dispendida em 2010 por diferentes ministérios, que atingiu a casa dos onze milhões e meio de euros, a limpeza e a higiene nas mesmas áreas, perto dos 19 milhões, as horas extraordinárias 24 milhões e meio, os seminários realizados em cerca de 12 milhões, as comunicações na casa de mais de 13 milhões, as deslocações e estadas a fixarem-se nos 28 milhões e os combustíveis, resultado das milhares de viaturas ao serviço dos ministérios, que deveriam ter sido reduzidas há muito, a fixarem-se no número de 53 milhões de euros, todos estes números constituem a prova mais do que evidente de que, através das nossas iniciativas governamentais, não conseguimos pôr cobro ao desvario de dinheiro que, qualquer português médio, sem ser necessário situar-se na alta escala dos numerosos “professores” que absorvem os lugares de chefia, seria capaz de tomar as medidas que, cada um em sua casa, ao não dispor de verba para se meter em dispêndios que podem aguardar por melhor oportunidade, travaria eficazmente os gastos e, especialmente, as dívidas.
Será exactamente por isso que se nota um razoável conformismo na aceitação, por parte dos portugueses comuns, acolherem a intervenção do FMI na condução do sector económico e financeiro do nosso País, pois, por muito que isso atinja a vaidade nacional, quando não se dá mostras de capacidade para salvar Portugal do afundamento que muitos prevêem, temos de colocar de lado os orgulhos descabidos e aceitar o que, quem sabe, poderá constituir uma experiência que talvez melhor a situação que se vive na Nação que é a nossa…
Fala-se na eventualidade de que, se acontecer a chegada do FMI, será inevitável então a mudança de Governo e a realização de eleições, o que ocasionará, prevê-se com alguma certeza, a vez do PSD assumir o comando das operações.
Sendo assim, quem respirará fundo será o próprio Sócrates pois que, ainda que afirme o contrário, se vê liberto do flagelo que será ocasionado pelo efeito das medidas, ainda mais confrangedoras, que as circunstâncias exigirem e que, partindo as indicações de fora das fronteiras, o irão pôr a clamar:
“Agora digam que eu é que era mau!...”


domingo, 9 de janeiro de 2011

O AMANHÃ

Chegado aqui
a esta hora da vida
já percebi
como foi triste a corrida
desenfreada
cheia de baixos e altos
desencantada
não faltaram sobressaltos
só compensada
pelo intercalar de sonhos
na busca imensa
da fuga dos enfadonhos
e com descrença
contemplo esta vida chã
e no escuro
não me censuro:
pois bem temo o amanhã!...

CARLOS DE CASTRO


CONHECI-O POUCO DEPOIS dele ter chegado de Angola, sua terra Natal, por uma sua amiga me ter pedido para o ajudar no momento em que atravessava graves dificuldades de subsistência, até de fome, e necessitava de ser acolhido num jornal para ali desenvolver a sua apetência de se dedicar à análise da vida social dos então ainda não chamados como “socialite”. E, no semanário que dirigia, “o País”, dei-lhe possibilidade de ali publicar as suas notas, ainda que, francamente o digo, esse tema não fizesse parte das minhas preferências e, na minha rigidez, talvez excessiva, quanto à classificação da actividade de jornalista, excluísse esse sector dos comentários sobre a vida de uma certa camada de gente que, com todo o direito de existir, só interessa a um público que, verdade seja, terá um certo volume, mas não se inclui no que julgo mais importante para justificar a actividade jornalística.
Seja como for, o Carlos de Castro fez parte da minha equipa durante um certo tempo, até que encontrou o seu próprio rumo e tirou daí o proveito que procurava.
No capítulo da sua actuação íntima, ainda que fosse claro que as suas preferências amorosas assentassem na relação com alguém do seu próprio sexo, nunca essa inclinação foi demonstrada claramente, pelo que, pelo menos da minha parte, não lhe conhecia qualquer ligação masculina ou feminina, pois mantinha alguma discrição, o que seria sinal de que não estava disposto a ver discutidas as suas preferências na praça pública. E, mesmo que, nesta altura, já vários dos homens que figuram nas televisões, não escondam tais opções e façam surgir as caras dos companheiros com quem vivem, o que também é o seu direito, o Carlos do Castro nunca optou pela expansão de tais pormenores.
Pois teve-se agora conhecimento do fim trágico que apanhou o cronista social, precisamente em Nova Iorque, no quarto de um hotel e, segundo apurou a polícia, vítima de uma agressão violenta que chegou ao ponto de atingir o corte do aparelho sexual.
Por enquanto pouco se sabe das razões que levaram o provável culpado do acto a atingir tal atitude extrema, mas não restarão grandes dúvidas de que se tratou de um desespero ocasionado por algum delírio amoroso.
Pobre do Carlos que, connosco, comigo e com a minha Mulher, tinha um relacionamento muito afectuoso. Mas, tendo conseguido atingir os objectivos que o levaram a sair de Angola e a procurar, aqui no Continente, dar seguimento o que era a sua vocação, a de investigar os comportamentos da classe social que, tendo-o acolhido, lhe proporcionou uma vida feliz e até com regalias de viagens e de mordomias que, na altura em que o conheci, se encontravam bem longe de serem atingidas.
Nós, os que cá vivemos em Portugal, e que, sobretudo neste ano agora iniciado tememos o mal que ainda aí vai chegar, assistimos, com excessiva rapidez ao desaparecimento sucessivo de pessoas que alguma coisa significaram no ambiente em que nos movimentamos. Uns mais e outros menos, mas todos seres humanos.
O que vai passar-se ainda na nossa Terra, para além do que ocorrerá também por esse mundo fora, tão pouco tranquilo, a tudo isso é o que se chama o futuro. Que é como quem diz, a incógnita.

sábado, 8 de janeiro de 2011

TER CONFIANÇA

Ter confiança
em toda a gente
com esperança
ir para a frente,
avante, avante
há que vencer
ser-se gigante
é só querer
basta lutar
e a cara dar
aguentar
sem desarmar
faz falta fé
na tal vitória
com finca-pé
lá se faz história.
Bater, bater
no mesmo ponto
até vencer
sem ficar tonto
mas confiança
perdê-la não
desde criança
com devoção
porque ganhar
é sempre o lema
e avançar
soa a poema.
Bater, bater
grito de guerra
e a combater
é nossa a Terra.

Quem lança tal
grito histérico
não tem igual
é bem esférico
mas o que tem
é vozeirão
convence bem
qualquer pavão
mesmo medroso
sob a plumagem
mas desejoso
de molduragem
mas no seu caso
por incapaz
dá sempre azo
a Frei Tomás
faz o que eu digo
não o que faço
no meu abrigo
só ameaço
não custa tanto
estimular
lançar o canto
do atacar
desde que o perigo
não bata à porta
porque comigo
a coisa é torta.

Ter confiança
em todo o mundo
só esperança
que lá no fundo
fique quieta
sossegadinha
por ser só treta
que desalinha
esta cabeça
que bem sossega
por mais que peça
pois não se entrega
a outro afazer
por mais confuso
pois tal querer
é quase abuso

Mas p’ra viver
assim de lado
até morrer
bem estafado
sem ter cumprido
um lema certo
nem ter perdido
rumo de perto
há que deixar
dogmas cair
e caminhar
já sem sentir
censuras vagas
que fazem rir
por serem gagas
e não parar
mesmo no erro
até entrar
no seu enterro.

Que a vida é isso
tempo a passar
não há feitiço
é só esperar
qu’algo aconteça
sem s’ímportar
sem ter pressa
se vê depois
que a tal vida
só ou a dois
terá saída
deixa saudades
aos que cá ficam
poucas vontades
até debicam
algo que resta
que vai ficando
já pouco presta
p’ra todo o bando

Cá fica o mundo
entregue aos bichos
já tão imundo
pleno de lixos
e tal confiança
diz o poeta
nem por herança
nem como treta
se vai manter.
Vitória fica
noutro viver
em chafarica
que então houver
s’é que haverá
onde viver
já sem maná.
Avante, pois,
mas para onde
se o depois
já não responde.
É pôr de parte
entusiasmo
pois quem reparte
o seu orgasmo
mas já não goza
sequer fecunda
tem fraca prosa
que bem se afunda
se não houver
mudança tal
que deixe ter
um mundo igual
ao que há hoje
qu’está perdido
que bate e foge
solta um gemido.

Não vale a pena
fingir que sim
que é outra cena
nada é ruim
deixa-te estar
lá no teu canto
porque o gritar
não te faz santo.
Todo alarido
que aqui se faz
não tem sentido
não é capaz
de dar a volta
de despertar
quem anda à solta
sem acordar
para a verdade
p’ra não andar
pela cidade
sem rumo certo
sem qualquer norte
longe ou perto
da sua sorte.
Porque afinal
ter confiança
no bem, no mal
com esperança
sonho perdido
desperdiçado
não conseguido
o desejado.

Avante, pois
p’ra quê, senhores
se então depois
perdem-se amores.
Fica quieto
no teu cantinho
no teu espeto
sossegadinho
dizer que sim
dizer que não
é sempre fim
de uma ilusão
.

FALTA DE SENSO


EXCEDE TUDO o que seria aceitável, mesmo que se trate de um momento pré-eleitoral que permite que os opositores utilizem todos os meios para tentar desvirtuar as propostas daqueles que concorrem às mesmas funções, Refiro-me ao tema que tem vindo a ser utilizado para considerar que a compra de acções do Banco Português de Negócios e a venda das mesmas, tempos depois, com um lucro considerado enorme, se trate do resultado de favores que foram prestados a Cavaco Silva, logo por azar pelo elemento que se encontra com prisão domiciliária e que é considerado o maior responsável pelo estado a que fez chegar aquela instituição bancária que, por outro lado, já custou aos dinheiros públicos vários milhares de milhões de euros. A par disso, o que está a suceder com as fugas de depositantes que, até pelas afirmações condenatórias produzidas pelo mesmo Cavaco Silva, mais se acentuaram, tal acontecimento é que está a agravar ainda mais o que constitui uma clara falência do BPN, que nem encontra interessados em concorrer à proposta de venda feita pelo Governo, já duas vezes.
Já me referi a este assunto em blogue atrasado e aí demonstrei que, não sendo eu partidário absoluto da acção do actual Presidente da República nesse cargo, no que diz respeito a ter feito aquela compra, sobretudo quando ainda era professor e funcionário do Banco de Portugal, essa acção não tem nada de criminosa e muita gente fez o mesmo, obtendo os proveitos que são naturais nestes casos.
É evidente que, nesta altura, simultaneamente Presidente e candidato ao mesmo lugar, não pode entrar no mutismo e considerar como ofensivas as dúvidas que caiam sobre si. É do seu interesse e até constitui uma obrigação esclarecer repetidamente, se for necessário, tudo o que se passou e apresentar provas. O antigo primeiro-ministro Marques Mendes levou à televisão provas de que outras pessoas e na mesma altura adquiriram acções e em condições até melhores, acto que deveria caber ao visado sem dar ares de vítima. Quem se mete nestes “assados” tem que dar a cara e enfrentar as situações com todos os dados de que dispuser para desfazer todas as dúvidas.
É evidente que, tratando-se, da repetição do cargo de PR, diz a experiência que essa vantagem é normalmente garantida. Mesmo que, na primeira actuação, não tenha sido assim a tão grande contento como se gostaria. Esta é a minha opinião, claro! Mas especialmente o que tem acontecido, é que os frente-a-frente de todos os participantes nas televisões, não se têm revestido de temas que atraiam os portugueses ao ponto de não faltarem, no próximo dia 23, à colocação do seu voto nas urnas. E esse é que é o maior problema.
Porque, seja qual for o escolhido, não se espera que o comportamento do titular do cargo seja igual ao que ocorreu no período anterior. As circunstâncias são totalmente diferentes e os problemas a resolver vão exigir que o Governo que for e o Presidente que seja escolhido dêem mostras de actuação muito mais do que aceitável, de total competência e de conivência absoluta no interesse único do futuro do País.
Trata-se de algo muito difícil de conseguir e, para mal dos nossos pecados, por muito paciente que sejam os portugueses, há que atender que há limites e que a questão social, a miséria, as dificuldade que não vão faltar podem provocar algo que não seja uma nova revolução pacífica.
Quem avisa!...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

ASSOBIA-LHE ÀS BOTAS

Tudo o que temos e parte
deixando as mãos vazias
talvez por não termos arte
ou por falta de energias
isso que foi nosso antes
e depois deixou de o ser
até os próprios amantes
choram depois de perder

Há quem lute p’ra guardar
o que está mesmo a fugir
faz tudo para agarrar
acaba sem conseguir
tinha de ir lá se foi
já não chegam cambalhotas
mais vale fazer de herói
e assobiar-lhe às botas

Há certas botas que guincham
outras rangem ao andar
as que apertam e pés incham
como as que fazem suar
mas quando alguém lh’assobia
é o sinal de partida
não se trata de mania
mas sim concreta fugida

Perdida que é a esperança
de reaver o perdido
às botas com sua andança
só lhe resta o olvido
lá longe o assobio
do dono atarantado
pode ser um desafio
nada é recuperado

MÉDICOS


O NÚMERO DE DESEMPREGADOS em Portugal, que já anda pelos 700 mil, não pára de aumentar, posto que se as empresas também estão a encerrar em escala assustadora (no ano passado fecharam portas 11 empresas por dia), o mais natural é que os que lá actuavam se encontrem, repentinamente, sem ter trabalho e, com isso, o panorama de famílias sem possibilidades de solver os seus compromissos, sobretudo se foram assumidos em época que parecia ser de fartura – que sempre foi de ilusão, mais do que de realidade -, pelo que os créditos mal parados, especialmente nos bancos, também sobem de dia para dia.
Mas, se em todas as actividades se verifica um excesso de oferta para actuar profissionalmente, na classe de médicos aí o que se passa é precisamente o contrário, de carência no número de técnicos da saúde que preencham os lugares que já estão a dar mostras de não chegar para atender os doentes, especialmente nas áreas dos centros de saúde.
A notícia de que 110 médicos reformados voltaram ao serviço Nacional de Saúde, a pedido do Ministério que necessita ainda de mais, é a demonstração de que, conforme há já bastante tempo tem sido denunciado e neste meu blogue já assinalei mais de uma vez, as dificuldades que são postas aos alunos saído do secundário e que desejam seguir para a Faculdade de Medicina, com exigências de médias excessivamente elevadas e que não têm nada a ver com a vocação, essa sim necessária para seguir a carreira médica, tal procedimento que não há forma de ser rectificado, isso resultou no que hoje se verifica e em que são necessários contratar profissionais de outros países, sobretudo sul-americanos e agora a chamar os reformados para regressarem aos seus lugares.
Fico-me por aqui e com isto demonstro o que afirmo há muito tempo, no que se refere à nossa capacidade para solucionarmos os nossos próprios problemas, de que têm que ser os outros para indicar os caminhos que necessitamos seguir para sairmos das situações difíceis.
A mais que certa chegada do FMI para pôr alguma ordem na execução, até do Orçamento que temos e que, segundo parece, não é bastante para atacar as dificuldades, essa será uma demonstração, aliás não a primeira, de que têm de ser os outros a desembarcar no aeroporto e a impor as regras que são excessivas para a nossa capacidade de as seguir.
Para quê pôr mais na carta no que diz respeito à análise daquilo que somos e das nossas capacidade em sair dos problemas pelos nossos próprios meios. Quando aparecem os profissionais do optimismo – como também há os que o são do pessimismo – a clamar que Portugal já passou por diversas fases de dificuldades extremas e que sempre conseguiu sair delas, sendo verdade o que não se esclarece é que essas ultrapassagens de tais situações foram feitas à custa de soluções que, logo a seguir, nos colocaram em posições também muito difíceis e que nos conduziram a enormes sofrimentos do povo português.
Analisemos a nossa História com total isenção e independência e verifiquemos o que se passou a seguir às saídas das dificuldades que nos atingiram. E nem acrescento mais, porque cada um é que deve fazer o seu próprio juízo e daí tirar as conclusões que achar convenientes.
Mas, o que nos tem de deixar perplexos é o facto de assistirmos ao tempo (portanto dinheiro) que se gasta nesta altura com o caso das acções que provocaram a Cavaco Silva um lucro que causa inveja, e ninguém de todos os candidatos a Belém gasta um segundo que seja a referir esta situação da escassez de médicos a actuar no sector da saúde popular, como em muitas outras situações que, essas sim, provocam um verdadeiro mal estar nos portugueses mais necessitados.
Mas não, o importante é dedicar toda a atenção a isso das acções, ma o caso BPN no capítulo da falta de fiscalização que se impunha na altura em que já era visível que havia ali matéria para actuar, isso deixa-se arrastar nos Tribunais e há que esperar anos até que... não se apontem os responsáveis – que têm de ser vários. Isto é que é o Portugal que sempre se soube salvar das situações complicadas!


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

AFINAL

Ao não estar pronto em seu dia
seja por bem ou por mal
quem procura a harmonia
só persegue o afinal
o mau assim
tem seu fim
porque isso do finalmente
leva tempo a conseguir
não é bem o que se sente
quer a sério ou a fingir

Afinal sempre vieste
é desabafo de amigo
a prova de que quiseste
trocar impressões comigo
se nos vemos
nos entendemos
assim acordo lá chega
e as mãos num bom aperto
põem fim a qualquer pega
afinal está tudo certo

Não era assim afinal
mas sim de outra maneira
é como no prato o sal
se é demais sai asneira
peso e medida
não causa ferida
está escrito no destino
há que ter um ideal
mas quando se perde o tino
não se chega ao afinal

Afinal tão simples era
afinal não custa nada
já chegou a primavera
do ar fresco, uma lufada
que delícia
tal carícia
impossível afinal
há muita coisa na vida
mas copiar tal e qual
faz-se mesmo de fugida

O fim de tudo lá chega
sem se alcançar ideal
vê-se muita gente grega
p’ra pôr o ponto final
o mortal
o fatal
e o que se diz nesse dia
como é regra geral
terminou a agonia
lá se foi o afinal


CANDIDATOS


É EVIDENTE que qualquer cidadão, num país livre, tem todo o direito de comprar acções que se encontrem disponíveis, seja de um banco ou de uma qualquer empresa. E se fizer bom negócio quando as quiser vender, isso faz parte da lei da oferta e da procura que, nas zonas de economia não controlada, não há ninguém que possa impedir tal tipo de operações.
Utilizo esta observação para me referir aos ataques que têm sido dirigidos a Cavaco Silva, pois, segundo parece, foi o que se apresenta neste momento à candidatura para a Presidência da República, no seu caso repetente das funções, que terá, anos atrás, quando era ainda funcionário do Banco de Portugal, adquirido uma porção desses tais documentos de participação na SLN, empresa proprietária do BPN, Banco Português de Negócios, os quais, ao vendê-los depois, lhe terão proporcionado um ganho de perto de 140 por cento do valor da compra.
Sobre isto atrevo-me a expressar a minha opinião e, desde já tenho que deixar claro que, no que se refere ao comportamento político de Cavaco Silva, não sou seu grande apreciador: pois entendo que se trata de uma busca excessiva, por parte dos actuais opositores ao candidato em causa, de erros presumidamente cometidos no passado, sem atender a circunstâncias e a naturais interesses humanos em tirar proveitos com uma acção que dava indicações de poderem ser aproveitados, dentro das normas limpas e correctas de qualquer pessoa.
Se Cavaco Silva tinha relações, até de amizade, com elementos em cargos superiores do BPN, e deles terá recebido informações que o levaram a fazer a operação em causa, isso não me parece que seja motivo para surgirem, nesta altura, acusações que põem em dúvida a sua honorabilidade.
Mesmo que, mais tarde, já com Cavaco a exercer funções de Presidente, este tenha, ainda que como reconhecimento do bom conselho que terá recebido dos referidos conselheiros, o residente em Belém tenha entregue cargos que, como todos os políticos fazem, correspondam a funções de excepção – incluindo o de Conselheiro do Estado, se bem que este, afirmo-o com clareza, seja excessivo -, até aí não vejo que seja motivo bastante para considerar a figura em causa como imerecedora de fazer parte do conjunto de candidatos.
Não é, pois, por aí que um cidadão deve ser julgado para efeitos de receber ou não o apoio dos portugueses. Agora, a existirem outros motivos, entre eles o de não ter sabido exercer o cargo com a competência que se exige a uma função que, por muitas limitações que tenha, tem o dever de mostrar clareza em todas as atitudes que toma e por muito que não possa intervir na acção do Governo, mesmo assim o que ninguém lhe proíbe é que expresse publicamente as suas opiniões – depois de devidamente debatidas as questões com o primeiro-ministro em exercício -, esclarecendo os portugueses no que se refere aos problemas que estejam a decorrer e que não sejam resolvidos com a competência que é requerida aos governantes.
E, nesse particular, especialmente ao assistir-se o que estava à vista de todos e muitas cabeças pensantes mostraram, ou seja no caminho do despesismo infantil que estava a ser feito e que acabaria por colocar Portugal na situação em que se encontra, aí, Cavaco Silva pecou de forma clara, tanto mais que, conforme afirma repetida e ridiculamente, sendo economista, ele “nunca se engana e raramente tem dúvidas”.
Quanto a mim, cabem-lhe culpas por não ter declarado publicamente que não estava de acordo com a actuação de José Sócrates e que, por aquele caminho, previa um beco sem saída que acabaria por chegar… como chegou! Por muito que tal actuação pudesse destabilizar a governação naquela altura, o que era um risco grave, seria preferível corrê-lo do que presenciarmos hoje o que nos coloca na situação periclitante que atravessamos.
De igual modo, como já tiver ocasião de referir, o lustro que o actual Presidente tira da sua própria personalidade, sobretudo quando surge com aquela afirmação “os portugueses conhecem-me”, “sabem que eu sou o maior…” e outras frases do género, aí é que há que apontar a falta de estilo e de sentido de convencimento de que sofre o pretendente à repetição do cargo de Supremo Magistrado da Nação.
Nisso sim, poderiam os outros concorrentes à caminhada para Belém levantar a sua voz, em vez de o acusarem pelo facto de se ter enganado na escolha dos antigos amigos que acabaram por não corresponder ao que deles talvez esperasse. É que isso de nos enganarmos, em relação aos amigos e conhecidos, é coisa que sucede a todos e só descobrimos isso depois e nunca antes…
Irá acontecer também na escolha dos portugueses, no próximo dia 23, para a Chefia do Estado. Enganar-se-ão todos, mas há que eleger e o leque de escolha não garante que não se caia no habitual: o menos mau de todos!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A PERFEIÇÃO

Não sei se a felicidade
reside no se julgar
que não constitui vaidade
o nunca se enganar
perfeição
que ilusão
atingi-la se presume
ser algo quase impossível
chegar mesmo lá ao cume
pode ser mas é falível

A obra-prima afinal
por muito bela que seja
não será nunca ideal
melhor sempre se deseja
alcançar
abraçar
o autor desconsolado
sofre por não conseguir
ver o trabalho acabado
sem o super atingir

Isso será consciência
de longe o máximo ver
e tal como em penitência
prosseguir sempre a sofrer
insistir
sem conseguir
o fazer coisa perfeita
não pertence ao ser humano
não se inventou a receita
pois a vida é um engano

REGIONALIZAÇÃO


TEM-SE FALADO pouco deste tema que, agora mais divulgado pelo candidato à Presidência da Republico Defensor Moura, merecerá certa reflexão por parte de todos nós, portugueses, posto que se trata de alguma coisa que pode influenciar bastante a condução da vida nacional, sobretudo numa altura em que tantas dúvidas existem e poucas decisões que mereçam ser discutidas e avaliadas. Refiro-me à regionalização.
Não tenho dúvidas de que, num País como o nosso em que a corrupção tanta marca deixa nas actuações em múltiplas áreas onde a praga se verifica, o alargamento da intervenção política em todo o espaço nacional poderá permitir a expansão de mais braços do cancro que se movimentem onde haja possibilidade de conseguir benefícios pelas múltiplas portas do cavalo. Mas, o que há que medir são as vantagens da criação dessas zonas intermédias entre o poder central e os municípios e o perigo de se multiplicarem as intervenções gananciosas dos que se encontram sempre à espreita de obter proventos com a criação de novas instituições relacionadas com o comando.
Posta esta dúvida, o único que haverá que acautelar é precisamente a fiscalização rigorosa no que respeita a essa possibilidade, coisa que, até agora, sempre tem constituído um fechar de olhos por parte daqueles que, provavelmente, são os que mais fomentam a corrupção, quer por via das colocações em lugares de importância e bem remunerados de amigos, familiares e correligionários de partido, sem atender às competências e às necessidades restritas das ocupações, quer no capítulo dos favorecimentos nas compras e outras acções que são as que aumentam desmedidamente os gastos do Estado.
Acautelada que seja esta actuação, o que importa é saber, com rigor e após estudo profundo do problema, se a regionalização poderá ou não contribuir para que a actividade política, económica e social dos sectores do País que se situam fora da área onde está instalada a cabeça governamental, se essa nova actuação será mais profícua nas decisões que há que tomar para melhoria de vida dos habitantes em cada zona ou se, pelo contrário, os custos que provocam tais aumentos do número de funcionários e de instalações públicas, ainda que haja que requisitá-los dos municípios em redor, não justificam que esse paço seja dado.
Até agora não foi apresentado aos habitantes lusitanos um plano que lhes dê a possibilidade de formar uma opinião concreta - nem neste nem em outros assuntos -, posto que as lutas que se verificam, entre partidos e entre candidatos a eleições, nunca têm a pretensão de colocar a julgamento projectos e planos em que os autores se responsabilizem pelos resultados que poderão ser obtidos.
O que não oferece dúvidas é que, como tem sido demonstrado em diversas ocasiões, as tomadas de decisão que são oriundas do poder central e se referem concretamente a medidas em que os habitantes locais visados por elas não são minimamente ouvidos, o mesmo sucedendo também quanto aos municípios que, muitas vezes, aparecem depois a reclamar contra o que foi proclamado, tais situações não podem ser aceites e é forçoso encontrar uma saída correcta para elas.
Se é o regionalismo ou se existe uma outra maneira de solucionar o referido problema, essa dúvida deveria há muito deixar de se pôr. E é esta questão que levanto no meu texto de hoje.
Aqui fica, como tanta coisa que tenho escrito nos mais diversos meios de divulgação. Mal ou bem, vou fazendo a minha parte!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

OPINIÃO

Entendi, já muito tarde
que o dar opiniões
nem sequer serve de alarde
só provoca confusões
faz-nos parecer importantes
e se há alguém que nos oiça
mesmo sendo bem falantes
só pode partir a loiça
em bem calmo ambiente
no meio de muita gente

Se ninguém faz a pergunta
é guardar bem lá no fundo
quanto mais coisas se junta
mais perto se está do mundo
próximo ficando longe
pois que o saber demais cansa
o mais feliz é o monge
que não lhe agrada a falança
o calado é o melhor
quem maça é o falador

Opinar, essa atitude
que há quem goste d’exercer
até faz com que alguém mude
a sua forma de ser
opinião que asente
em bases bem estudadas
pode até ser convincente
não provocando maçadas
tenhamos pontos de vista
sejamos ou não artista

Calado é que eu não fico
não dizer sempre o que penso
que me chamem mafarrico
não preciso de consenso
o que tenho é que dizer
tudo que me vai na alma
pois isso me dá prazer
embora me tire a calma
contrapor é o que importa
pois que a fala não está morta

Afinal o opinar
É só p’ra desagradar

FALAR, FALAR!...


PRODUZIR E POUPAR esta frase tão atacada (e do mesmo também me culpo), e que foi largamente reproduzida na época do antigo Salazar, volta agora a ser dita, não propriamente desta maneira, por muitas bocas que agora “descobriram” que Portugal não é – nem nunca foi – uma Nação que tivesse capacidade de se bastar a si própria, fabricando e lançando nos mercados o que deveria sair das suas produções, quer no capítulo da agricultura e das pescas como no que se refere à sua indústria. Os políticos de agora e, em particular os economistas comentadores, não se cansam de clamar pela necessidade que se verifica de termos todos nós, os habitantes activos, de lançar mão ao trabalho, cada um na função que lhe compete, e de aumentar substancialmente o resultado do seu esforço, pois esta será a única forma de podermos enfrentar o descalabro em que nos encontramos, em que consumimos mais do que o que produzimos e, por isso, vemo-nos forçados a importar em excesso e, com isso, dado que as exportações não têm a mesma dimensão, vemo-nos forçados a desperdiçar dinheiros e, para sustentar tal mandria, endividarmo-nos cada dia mais.
Isto, qualquer pouco sabedor entende, só que ninguém aparece a explicar o como deverá ser feito. Lançar frases, a torto e a direito, apontar erros, utilizar apenas princípios, isso não falta por aí, desde os menos qualificados comentadores até às mais altas personalidades, incluindo o próprio Presidente da República em exercício e, nesta fase, todos os candidatos a esse lugar.
“Firmeza no combate à pobreza”, eis uma frase que foi proferida por Cavaco Silva no seu discurso do Ano Novo. Mas, como esta, outras semelhantes e com idêntico incentivo de dizer o que é necessário que exista, sem que se conheça a forma de alcançar, na prática, tal ou tais desideratos, essa expansão de opiniões teóricas é coisa que abunda, numa forma bem portuguesa de mostrar como se conhece o que está mal, mas que não se corre o risco de indicar como se deve fazer bem.
Será que o ano que acabou de entrar e que vem carregado de maus presságios mostrará que os homens que temos por cá e que presumem ser os que sabem tudo, os tais políticos de que não temos falta, actuarão de forma diferente e, sobretudo as oposições, abandonem o apontar os erros e se dediquem a expor o que fariam se fossem eles a ter nas mãos o comando das operações?
O que está mal, até péssimo, é coisa que bem sentimos na pele, mas a forma de dar a volta por cima e de actuar com competência, bom senso, sentido de responsabilidade e, acima de tudo, com absoluta transparência, para se pôr ponto final, de uma vez por todas, das actuações à escondidas, dessa vivência todos os portugueses sentem a falta e muito gratos ficariam se tal mudança surgisse o mais rapidamente possível.
Ainda a tempo!