segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

OPTIMISTAS E PESSIMISTAS


NÃO FAÇO IDEIA se Medina Carreira, o que foi já ministro das Finanças de um Governo antigo depois da Revolução, e agora mantém um espaço de comentarista na SIC, dando conta da sua enorme adversidade no que respeita à conduta da governação actual, não sei se o meu blogue faz parte das suas consultas habituais de elementos para alimentar os temas que trata perante os telespectadores. Eu não me considero tão agressivo como ele não esconde, pois no meu fundo ainda conservo alguma esperança de que vai aparecer uma cabeça bem pensante que consiga pôr ponto final na falta d competência que tem sido exposta ao longo dos dois Executivos chefiados por Sócrates.
Mas o que me surpreende, por vezes, é que o mesmo Medina Carreira aponta erros que, neste meu trabalho diário, têm vindo a ser debatidos, muito embora haja que reconhecer que muitos dos disparates que têm feito parte da actuação do actual detentor do poder sejam tão visíveis que o mais natural é que não escapem à observação de quem não se encontra muito distraído da actuação política, económica e social deste País.
Por exemplo, quando se referiu o comentador em causa à necessidade de passarem algumas gerações de portugueses antes que mudemos a nossa forma de enfrentarmos os problemas, posto que se trata de comportamentos que se encontram enraizados nos nossos seres, isso mesmo já fez parte do que expressei, até mais de uma vez, tendo proposto a quem me quisesse ligar alguma importância, especialmente por parte do nosso Ministério da Educação, que fosse introduzida na Instrução Primária (como eu continuo a chamar-lhe) a aula de “Prática de Democracia”, que deveria assentar sobretudo na aprendizagem de saber ouvir e de não impor a nossa opinião como sendo a única válida, esperando pela vez que nos caiba para opinar, sem que isso represente um ataque ao parceiro com quem conversamos.
Para que essa prática passe a fazer parte do hábito português, o que não se verifica nem sequer nos políticos que nos enchem os ouvidos, serão necessárias pelo menos três gerações, havendo que esperar pela altura em que, os que ainda não nasceram, comecem a dar mostras de ser capazes de, com naturalidade, ter essa forma de convivência.
Eu bem me esforço para também me incluir no tão grande número de “democratas” que apareceram, em Portugal, mal ocorreu o 25 de Abril, mas sou forçado a reflectir sempre que dou comigo a trocar impressões com outro e verifico, mais vezes do que gostaria, de que estou longe de atingir essa perfeição e tal humildade.
É por esse motivo que, com a escrita, me atrevo a fazer propostas para que este Portugal mude de trajecto em muitas das suas actuações. E, modéstia aparte, tenho de reconhecer que, não sendo o ideal, pois que o importante é fazer e não apenas apontar vias, pois mesmo assim julgo que já será meio caminho andando.
Com este ano de 2011 a assustar toda a gente, que, pelo menos, se tire algum proveito deste tormento: que se passe a compreender que a cada um de nós cabe a tarefa de contribuir para que esta nossa Terra saia da situação difícil em que a meteram, aquele que é apontado como sendo o principal culpado, mas também cada português, sem distinção, fazendo com que a baixa produção, que é a principal causa do estado em que estamos, passe a ser uma das melhores de toda a Europa, para podermos competir com os parceiros que, por seu lado, fazem o mesmo em cada local onde se situam.
Não deixemos o nosso interior vazio de população, não percamos tempo com os telefonemas desnecessários nas hora do trabalho, que, em vez de horas extraordinárias, façamos no serviço o que nos compete, que paremos por agora com as greves, que não solucionam nenhum problema. Se usarmos o bom senso e não a nossa mania de só clamar pelos direitos, esquecendo os deveres, talvez este ano de 2011, em lugar de surgir assim tão malvado, possa representar a abertura de uma porta nova que nos conduza a tempos bem diferentes.
E, sendo assim, não teremos de ouvir mais o Medina Carreira que, com o seu pessimismo, alguma utilidade tem, por muito que nos custe dar-lhe razão.

domingo, 2 de janeiro de 2011

DESPERDIÇAR O TEMPO

Só quando se chega a uma certa etapa da vida
é que descobrimos o tempo que desperdiçámos
o que não aproveitámos na corrida
e tudo aquilo que não alcançámos
o mal que com que utilizámos aquilo que tivemos
a pouca atenção que dedicámos ao que valia a pena
porque saber não soubemos
tirar partido de cada cena
e as preocupações que nos absorveram
distraindo toda a ilusão
não nos favoreceram
retirando grande parte da nossa atenção.

Só muito tarde é que entendemos
que a vida é tão passageira
que tudo o que perdemos
que deixamos sem eira nem beira
ficando pelo caminho da nossa andança
não aproveitando o melhor possível
e que, num prato da balança,
de forma bem visível
devem ser colocadas as boas situações
enquanto, no outro lado,
envergonhados como ladrões
sem querer dar grande brado
se podem olvidar os maus momentos,
olvidar não, talvez esconder
porque mesmo sem os largar aos quatro ventos
e isso não dê grande prazer
sempre será bom trazer à nossa memória,
de vez em quando, pelo menos,
aquilo que não tendo grande história
por serem males pequenos
o que poderia não ter sido feito
mas que, de certa maneira,
na altura deu algum jeito
e que mesmo sendo asneira
constituiu uma aprendizagem,
se é que serviu para não se repetir
e até para dar certa coragem
para conseguir fugir
de um possível desterro
e não voltar
ao mesmo erro
praticar.

Agora, com um passado que existiu,
com alguma coisa para contar,
pois houve gente que não viu
e por isso não pode divulgar
aquilo que merecer a pena
ser ouvido
e colocar em cena
para não cair no olvido.
Mesmo que não se diga nada
serve de lastro
para a longa caminhada
e faz parte de um cadastro
que, volta não volta,
saltará à memória
provocando ou não revolta
conforme seja a sua história
e a consciência de cada qual
filtrará o que ainda animará a existência
procurando talvez não voltar a fazer igual
pois para tanto não haverá paciência
e por muito que não haja já
grande vontade de mais longe ir
quem sabe o que se passará por cá
e daquilo de que teremos de fugir

Aqueles que estiverem agora
com a idade que já tivemos,
os que falta ainda muito para se irem embora
e sabem mais do que aquilo que soubemos
esses podem fazer melhor ideia
de que o tempo que têm para percorrer
nesta vida que é uma cadeia
em que se é feliz e há sofrer

deve ser o melhor aproveitado quanto puderem,
emendando sempre o mais rapidamente possível
o que sair mal e não souberem
como fazer melhor e ter nível
esses, por muito que não estejam interessados
em aprender mais alguma coisa
precisam de ser motivados
para deixar obra jeitosa
será pelos seus próprios meios
que evitarão fazer asneiras
e defrontar bloqueios
tendo de ultrapassar barreiras
tendo então ocasião de verificar,
e oxalá não seja demasiado tarde
que às vezes há que parar
sem medo de que lhes chamem cobarde
e então aí fazer a prova dos nove
fazendo aparecer a tal balança e nessa altura,
imitando aquele que sempre se comove
sujeitar-se à tortura
de nos dois pratos equilibrados
poder confirmar qual de ambas posições
pode dar maiores cuidados
se entre as duas acções
umas que boa disposição deixaram
e outras que apetece esquecer
sendo que todas ensinaram
a melhor conseguir viver

Se for preferível
partir na ignorância,
como tudo é discutível
é relativa a importância
e se julgar melhor para os outros deixar
o apuramento das suas acções,
assim deve ficar
e atender as suas opiniões
se é que alguém se interessará por isso,
então, não deixe cair os braços,
e faça o seu serviço
que é como quem diz
ponha o cérebro a funcionar
e ainda que não seja muito feliz
aceite o que lhe vier a calhar
aguarde apenas pelo dia da partida
sem reclamar contra nada
que todos têm a sua ida
seja qual for a via usada

Embora eu não me sinta capaz
de me deixar facilmente entregue
só ao que a vida nos traz
seja o que for que se segue
com o passar dos dias
enquanto funcionar a minha cabeça
não me deixo dominar por apatias
e não me peçam que esqueça
só me entregando ao que vem a seguir
mesmo já sabendo do que se trata
nunca pude sacudir
muita coisa mesmo chata
tanto o que deixei de fazer
como o que saiu menos bem

E agora,
com os meios técnicos que já estão
a ser usados sem demora
e à nossa disposição
que esse computador tão eficaz
a que eu não aderi com entusiasmo
mostra daquilo que é capaz
provocando tanto pasmo
e deixando o muito que fará adivinhar
não sendo já necessário guardar papéis
já valerá a pena deixar
tanto os feles como os méis
pois o tal “disco” pode tudo arquivar
e depois alguém poderá haver
que se incomode com a divulgação
que dê a conhecer
aquilo que constituiu a preocupação
do que ficou feito
não deixar escondido
e que de qualquer jeito
seja bastante difundido
que ponha nos pratos da tal balança
o que aqui deixo bem gravado
e que no final de tal dança
diga se de facto causa agrado
porque se não, bem simples é
deitar fora o disco e pronto…
mesmo dar-lhe um pontapé
e podem chamar-me tonto!

BPN, SEMPRE O BPN!...



SÓ NUM PAÍS COMO O NOSSO e tendo uma Justiça como a que se pavoneia por cá, é que uma situação deste tipo - o que aliás também não causa estranheza, devido à enormidade de outros problemas por apurar que igualmente se arrastam anos sem fim e se mantêm com as dúvidas que provocam e sem se apurar quem é ou quem são os responsáveis – ainda subsista um caso destes, sem que o assunto se considere definitivamente arrumado. Tenho debaixo de olho, como já certamente terão entendido, o caso do BPN, esse monstro que já custou milhares de milhões de euros ao Estado e que ainda se conserva de boca escancarada a aguardar lhe atirem mais dinheiro, independentemente dos administradores que foram e sejam nomeados para acabar de vez com aquele sorvedouro de milhões atrás de milhões.
A prova que o negócio não interessa a ninguém é que, das duas vezes que o Governo colocou em hasta pública a venda a particulares do Banco em causa, sempre ficou sem adjudicadores, pois que, nem sendo oferecido apenas pelo total das dívidas, nem assim alguém estará disposto a arriscar os seus capitais.
Por aqui se tem de deduzir que os governantes, que julgavam que faziam uma grande obra ao ter estatizado o BPN – e, uma vez mais, foi sob a alçada de José Sócrates que tal ideia surgiu -, o que foram foi criar um encargo monstruoso e isso sem ter tirado do precipício o estabelecimento bancário que, como se viu pela prisão até de Oliveira e Costa – só ele? -, deveria, logo na altura, ter levado outro caminho, pois que as condições em que o puseram já não eram favoráveis para outra solução que não fosse o encerramento puro e simples, ainda que houvesse que atender aos depósitos dos clientes que tinham confiado naquela casa de depósitos, para chamar-lhe alguma coisa.
É evidente que a actuação do Banco de Portugal, cuja função, entre outras, é também a de fiscalizar o comportamento dos bancos privados, é merecedora da mais firme censura, pois que, com o presidente que detinha no momento, Vítor Constâncio, e que agora se encontra calmamente a exercer funções no Banco Europeu, não actuou de harmonia com o seu dever. E deixou passar singelamente o que era público e notório, no ambiente generalizado de muita gente que actua no sector, que se passava muita coisa merecedora de observação rigorosa no seio daquele Banco. Mas os olhos ficaram fechados.
Para começar este ano novo, que vai obrigar todos os sectores da vida nacional, com mais empenho ainda do sector público, a utilizarem toda a sua atenção, vontade e competência nas acções que couberem a cada um de todos os portugueses, não posso deixar passar o assunto que é transposto do período que terminou anteontem e que, juntamente com uma infinidade de situações graves, têm de ser encarados com toda a força de que dispusermos.
Recomendar, também eu faço, para imitar os políticos que, por aí andam e que apontam, apontam… mas nada fazem…
E a terminar, apenas uma passagem sobre a tomada de posse da Presidente do Brasil, Dilma Roussef, que ocorreu ontem e à qual José Sócrates fez questão de estar presente. Sendo uma continuadora da tarefa de Lula da Silva que, como ela também afirmou, se empenhou pela diminuição da pobreza naquele País, seria bom que alguma coisa fosse apreendido, no mínimo para efeitos de arrependimento quanto ao que não conseguiu este nosso politico levar a cabo na sua actuação em Portugal. No mínimo, o discurso que pronunciou e em que deu mostras de enorme humildade, que bom seria que, se tivermos que ter o Sócrates ainda durante muito tempo no cargo que ocupa – e tudo pode acontecer nesta nossa Terra -, as afirmações da mulher Presidente poderiam servir para que metesse a mão na consciência e comparasse com o que tem sido a sua demonstração de arrogância e de sapiência máxima, a tal que já não se suporta por mais tempo.

sábado, 1 de janeiro de 2011

SORRIR


Queria morrer a rir
ir assim até ao fim
para lá me divertir
a ouvir falar de mim

Muito mal, assim assim
tudo me faria rir
o que quisessem, enfim
continuava a sorrir

Digam coisas, mesmo más
não me fazem deprimir
lá onde só há paz
só teria que sorrir

O pior é se se calam
me olvidam mesmo a dormir
não dizem nada, não falam
deixava então de sorrir

ELE QUE VENHA, NÓS CÁ ESTAMOS!


CHEGÁMOS! E bem podem todos (ou quase todos) os portugueses colocar o pé direito à frente, iludindo-se com esse gesto de prevenção de que os livrará daquilo que está prognosticado a um povo para o ano de 2011, pelo que essa entrada, logo que ocorra o primeiro segundo depois da meia-noite, talvez diminua ao maus acontecimentos esperados.
O annus horribilis que se apresenta e que não há forma de disfarçar para fingir que passamos por cima dele e que os maus acontecimentos não nos vão atingir, esse desejo não nos vai ser proporcionado por esses senhores que estão instalados na governação e que não conseguem convencer-nos que somos nós todos que nos deixámos envolver pelo pessimismo e que não existem razões assim tão negras que façam com que o mau humor nos atinja mais ainda do que é normal na tristeza nacional que nos distingue dos vizinhos espanhóis que, em qualquer circunstância, sempre aparentam que a vida lhes corre às mil maravilhas… o que não é o caso neste período.
Mas falemos de nós. E encaremos os aumentos que vão verificar-se em produtos mesmo de primeira necessidade, como o pão, às consequências da subida do IVA e com o IRS a mostrar-nos que o Fisco aí está a não deixar que fujamos ao que nos cabe ter de pagar… só pelo facto de somos portugueses, isto é, de ganharmos pouco e de pagarmos tanto ou mais do que sucede com outros povos da Europa, desse Continente que, por sinal, também não está a constituir um conjunto de países que assume a preocupação de prestar uma ajuda mútua, especialmente dos mais folgados aos que se encontram perante graves dificuldades, como é o nosso caso.
Em resumo: O ano de 2010, um número que até se pode considerar bonito de contemplar escrito, vai ficar na História como tratando-se de algo que marcará como sendo um período em que a maior parte do mundo não quererá recordar. É certo que as excepções surgem onde menos se esperaria que tal se passasse, a China, por exemplo, está a gozar o resultado de uma actuação política e económica que, não tendo sido nada agradável de suportar e que os chineses procuram agora deitar para trás das costas, até porque não desapareceu por completo a sombra da ditadura que marcou uma época, aparece perante países que gozaram de reputação de serem exemplares até a comprar as suas dívidas, e o Brasil, a índia e mesmo o Japão consegue, passar em redor da chamada crise, mas esse não é o procedimento comum e Portugal, que não pode gabar-se de, ao longo da sua existência, ter tido mais períodos de felicidade do que o contrário, encontra-se na posição de não estar tranquilo e de dar ares amarelentos de verdadeiro receio.
Como a esperança, apesar de todas as provas que nos foram dadas, é algo que os lusitanos não abandonam de todo, ainda que a desconfiança em relação aos que governam este País seja difícil de afastar, por esse motivo ainda se mantém em muitas famílias a expectativa de que alguma luz entre na cabeça de José Sócrates e, dado que ele permanece no posto até à altura em que saia (como diria La Palisse), consiga descobrir alguma receita inesperada que faça dar uma volta ao sombrio do panorama que se apresenta.
Que poderia eu, neste começo de um novo ano, escrever neste blogue diferente do que o que dará uns ares de menos pessimismo?
O que vier logo se vê e como não estamos, muitos de nós, em idade para fugir para outras paragens, aguentemos firme, que é como quem diz, com os abanões que nos forem provocados!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

VIRTUDES

Como oposto aos defeitos
nos seres humanos existem
virtudes com certos jeitos
que às más acções lá resistem
vale a pena recordar
algumas dessas purezas
e assim poder ficar
com umas tantas surpresas

Num mundo de correrias
em que tudo tem urgência
com tão raras cortesias
é bom mostrar paciência
e quando se vê qu’alguém falta
e nem sequer dá razão
nem a todos o que assalta
é conceder o perdão

Com aqueles que só brigam
e mostram grande arrogância
é verdade que se intrigam
se resposta é tolerância
mais ainda se interrogam
como com compreensão
com isso alguns afogam
alguma má criação



MAS É SÓ O SÓCRATES?


É VERDADE QUE NÃO PODEMOS escapar ao impulso de acusar sempre o Sócrates de tudo que corre mal cá pelo nosso berço. É certo que é ao primeiro-ministro que cabe a responsabilidade de escolher a sua comitiva de ministros e daí para baixo, mas também não é menos certo que cabe a essas personalidades muito do que de incorrecto se passa no panorama governativo que somos forçados a suportar.
Porém, se existisse o mínimo de atenção e de espírito selectivo por parte do chefe do Governo, é óbvio que, perante alguns disparates e certas demonstrações de incompetência que são alvo das maiores críticas, o que parecia ser o mais indicado era que fosse modificada a equipa, pois que enganarmo-nos nas escolhas é a coisa mais natural no ser humano, só que o mantermos os que não servem a ocupar os lugares que cabem apenas a quem é capaz de fazer o seu trabalho eficientemente, isso é que representa querermos assumir conjuntamente os erros dos subordinados.
Na lista de membros do Governo que José Sócrates reúne à sua volta não existem grandes dúvidas de que algumas dessas figuras há muito que deveriam ter sido excluídas e substituídas por outras que dessem mostras de constituir experiências que se tentavam. Mas isso não foi feito e até uma outra, rara, que saiu, ficou a deve-se a iniciativas próprias e não à consciência de existir essa necessidade.
O “jamais”, por exemplo, que ocupou já um bom lugar fora do ministério e o outro dos chifres, que também não ficou à procura de emprego, esses, como a da Educação, poderiam e deveriam ser o resultado de uma deliberação do chefe que, nisso, segue o que ocorreu com Mário Soares, numa altura em que teve a frase infeliz de se definir como “uno inter pares” e não como quem manda naquele sector e tem é de dar instruções e não de andar ao Deus dará sem meter na ordem os que se portam mal.
Digo isto e aflige-me assistir à aparição, com mais frequência do que seria desejado, do ministro Rui Pereira, que tem a seu cargo a Administração Interna e que deveria ser responsabilizado pela “fita” dos blindados, esclarecendo-se se a encomenda foi efectuada com os devidos cuidados para não se repetir o que sucedeu com os submarinos, em que as cláusulas não foram cuidadosamente preparadas de molde a não ocorrerem atrasos nas entregas, como sucedeu, e, com tudo isso, até se recusa a responder às perguntas que lhe fazem os reporters, dando ares de não ser obrigado a prestar contas ao contribuintes.
Já no caso e Teixeira dos Santos, em que está do que provado que se deixou ultrapassar pelos acontecimentos, não tendo sido capaz de prever o que viria – provavelmente também sem força para contrariar o seu chefe -, ao ponto de, nesta altura, ser tornado claro pelo Instituto de Gestão de Tesouraria e de Crédito Público – que nome pomposo de uma instituição, das muitas que existem e de que não serve quanto custam! – que o Estado precisa de 20 mil milhões de euros para, no ano que aí está a chegar, para fazer falta às exigências do mercado, isto quando os juros já se encontram de novo na casa dos sete por cento.
Também, quando se tornou conhecido de que a dívida dos portugueses, empresas e individuais, ao Fisco já atingiu o valor de 12 mil e 800 milhões de euros e que o défice público é de 12 mil e 500 milhões, pode-se fazer a pergunta se não podemos juntar num molhe todo o Conselho de Ministros (claro se estiverem ao corrente em pormenor da situação, como teria de ser) e exigir que o assunto tivesse sido debatido e não aceite pela maioria, surgindo o descontentamento de um ou de mais dos elementos, posto que se o encarregado das Finanças não dá sinais de ser capaz de solucionar o problema, os colegas têm o direito de não aceitar fazer parte de um grupo assim. E, claro, a José Sócrates compete ser o primeiro a tomar as necessárias medidas.
De facto, podemos honestamente reconhecer que não é só o Sócrates que não serve para se encontrar no cargo que ocupa. Todos os sues acompanhantes, se metessem a mão na consciência e reconhecessem que os seus pelouros também se situam na zona do disparate, ao não apresentarem a demissão (bem se sabe que para não perderem as regalias que ainda lhes poderão chegar na hora em que lhes for indicada a porta de saída), e ao permanecerem a fingir que actuam bem, não têm de ser excluídos da larga folha de incapazes.
Por isso, neste dia de adeus ao ano que parte e de pé direito preparado para pisar o risco do ano que entra, concedo esta indulgência ao homem que, é mais do que certo, já esteve mais longe de partir para outra. Nessa altura descansaremos da figura teimosa e vaidosa que nos tem vindo a atormentar há demasiado tempo. Mesmo que a que se seguirá também não represente a solução que Portugal tanto necessita!
Mas isso será azar em excesso…

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

CALVÁRIO

Há ou não razão p’ra desanimar
neste calvário imenso em que vivemos?
Mas então isto nunca irá acabar
e d’algo pior ainda tememos
e não se passa só em Portugal
o mundo inteiro não está melhor
para se conseguir fugir do mal
tanto faz que se vá p’ra onde for

A Terra anda toda ela às voltas
acalmia é pouco que se encontra
pois muitos malvados andam às soltas
já não escapa nada em qualquer montra
e nas finanças grandes roubalheiras
na política grassa a corrupção
pouca vergonha já não tem fronteiras
ao nosso lado pode estar ladrão

Não é bem assim, dizem confiados
os que ainda não sofreram danos
mas um dia destes ficam calados
se os atingirem alguns fulanos
é que isto de trabalhar não dá
não é bastante p’ra levar a vida
se é isso que se passa por cá
é igual aos que vêm de fugida

Calvário da vida não chega a todos
há os que conseguem bem escapar
para uns tantos os terem a rodos
outros nunca precisam de suar
ainda bem, pois não é regra geral
o ser feliz é coisa que existe
para os que só enfrentam o mal
há sempre aquele que a tudo resiste

AFINAL NEM TUDO É MAU!


CADA DIA QUE AVANÇA nesta altura do fim do ano, mais próximo nos encontramos do começo do 2011, o tal que tem vindo a ser anunciado como tratando-se do período m que os portugueses irão sentir na pele, alguns deles é evidente, ainda que seja a maioria, os efeitos de um Orçamento do Estado que, segundo enorme número de opiniões, irá castigar de forma bem sofrível os habitantes deste nosso Portugal.
É evidente que também se revelam muitas dúvida no que respeita ao cumprimento completo do referido documento, pelo que se propaga o sentimento de que o FMI acabará por chegar, de armas e bagagens, para fazer com que as determinações instaladas no Orçamento não fiquem meio aplicadas e, por via disso, até nem serão consideradas suficientes para que se modifique, de forma concreta, o “dolce fare niente”que tem constituído a actuação do Governo de José Sócrates… sempre ele!
Mas, na verdade, em plena antevéspera da chegada do primeiro dia do ano dito fatídico, ao lermos as notícias que se propagam, um estranho ao nosso comportamento lusitano a impressão com que ficará é a de que neste País tudo corre às mil maravilhas. Pois então vejamos algumas dessas manchetes dos jornais saídos hoje:
- Pinto da Costa quer casar com Fernanda.
- Mais de 100 milhões em compras no Natal deste ano.
- Jovens despem-se para ganhar roupa.
- Lotaria promove 45 a milionários.
- Turismo de luxo esgotado.
- Esperados cem mil foliões no areal da praia da Nazaré.
- Defesa dá cargo a “girl” socialista.
- Aeroporto de Lisboa cheio de figuras públicas que vão para o estrangeiro passar o Ano.
- Artur Agostinho anuncia que vai publicar um livro.
Então, perante tais novidade, será caso para pensar que o ano que está a chegar vai trazer assim tão más notícias? Não é que haverá muita gente que se encontra muito distante da ideia de que o futuro imediato não é assim tão negro como os pessimistas anunciam?
De facto, e ainda que isso tenha ocorrido fora de Portugal, ao saber-se que o “gay” Elton John, com o seu companheiro legal, passaram a ser “pais” de um menino que nasceu de uma barriga de aluguer, precisamente no Dia de Natal, o que nos entra na cabeça é que, nos tempos que ocorrem por todo o mundo, com crise ou sem ela, para uns tantos a felicidade e a alegria de viver não termina no ano de 2010.
E, no que respeita ao nosso País, sabendo-se que os portugueses gastaram este ano, pelas festas natalícias, mais 100 milhões de euros do que no ano passado, então há que concluir que são só os que se preocupam com as contas e que criticam a satisfação que envolve sempre o “nosso” Sócrates, aqueles que ficam macambúzios com as perspectivas macabras sobre o que está à porta à nossa espera.
Por mim, limito-me a registar os acontecimentos. E deixo para os outros as conclusões que entendem dever tomar. Como sempre só desejo estar enganado quando prevejo pior para o que vem a seguir.
Mas, também depois do confronto de ontem entre Cavaco Silva e Manuel Alegre, ambos a disputar o lugar em Belém – um a repetir e outro a tentar pela segunda vez -, não consigo entrar numa fase de optimismo. Está mais do que demonstrado que não será desta vez que a repetição das funções do lugar de P.R. não se realizará. E, de novo, até pelo desinteresse que as observações têm constatado de que, por parte dos portugueses, entusiasmo é coisa que não se verifica, tudo indica que não se operará uma excepção.
Se esse facto é bom ou se seria preferível ocorrer uma mudança, é coisa que só o futuro dirá.
Mas que futuro? Pergunto eu. Isso é coisa que ainda existe?

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

AQUILO QUE VEJO

Aquilo que vejo
que atrai meus olhos
que me causa ensejo
mesmo sendo aos molhos
eu acredito?
É verdade pura?
Não será um mito?
Uma desventura?
Mas vejo e pergunto:
poderei eu crer
constitui assunto
para eu ver
e aquilo que é dado
algo como queixa
será um recado
que a vida me deixa
uma prevenção
com certa importância
chama-me a atenção
provoca-me ânsia
abre-me o sentido
mas olho parando
e o despercebido
agora pensando
com calma observo
a ideia apurada
por fim lá conservo
a vista do nada
e aquilo que eu via
e que os olhos liam
tinha mais valia
e todos deviam
cá por este mundo
ter algum rigor
olhar sempre a fundo
que tudo tem valor

Por isso m’interrogo
procuro resposta
faço-o como um jogo
é quase uma aposta
tudo por que passo
e atrai minha vista
se causa embaraço
constitui uma pista?
Como em tanto assunto
não sei responder
até ser defunto
terei de aprender



TODOS SABEM QUE EU!...


OS PORTUGUESES SABEM!, esta a frase que se ouve sucessivamente sair das bocas dos políticos, de que não se excluem nem o Presidente da República nem o Primeiro-Ministro, sendo até estas figuras que mais mostram estar convencidos de que a Nação anda muito atenta ao que eles são e ao que eles fazem e dizem. E até o que foram.
Será uma forma de convencer a população de que se tratam de livros abertos, e que todos os nossos compatriotas, sejam eles quem forem, situem-se e vivam nos ambientes mais citadinos ou tenham as suas vidas nos interiores do nosso rectângulo, TODOS SABEM o que ocorre com as personalidades em questão e nem têm mais que fazer que não seja seguir, a par e passo, as suas actuações.
Estou mesmo a ver os dez milhões de portugueses, as senhoras Marias e os senhores Maneis, a maior percentagem de população que vive por cá, toda essa gente a estar ao corrente e muito interessada em conhecer os pormenores e as formas de ser de tais figuras públicas. Dessas e das outras.
Mas a verdade é que, pela forma sistemática com que fazem tal afirmação, ou estarão convencidos de tal posição ou apenas utilizam a frase para fazerem ressaltar o seu ego, o que, em ambos os casos, se trata de uma demonstração dos mesmos de falta de humildade e de pouco acerto com o grau de cultura que terão, posto que se trata, na sua maioria, de gente que terá passado pelo ensino superior.
O discurso de Natal de José Sócrates, que já deu para vários comentário, sobretudo de crítica ao conteúdo do texto lido pelo autor, no que me diz respeito nem pretendo acrescentar mais ao que foi divulgado. Não era de esperar outro tipo de afirmações por parte de uma pessoa que só atende aos seus próprios pensamentos e opiniões, visto que considera todos os que alimentam pontos de vista diferentes, sejam eles até muitos, como gente não merecedora de consideração e de ser minimamente atendida.
“Os portugueses sabem!”, isso sim, que o principal responsável pelo estado deplorável a que chegou o nosso País é a referida personagem que anda sempre a afirmar que isto nem vai mal, que temos solução à vista, que devemos ser optimistas e colaborar… não se sabe bem em quê!
Por outro lado, Cavaco Silva, que deveria ter o maior cuidado com as palavras que profere, ao ter declarado que, “para ser mais honesto do que ele será preciso nascer duas vezes!”, fez uma triste figura. Não é a frase mais apropriada para ser proferida por uma personalidade com as funções de Chefe de Estado. Isso talvez se diga nas discussões de pátio. Quando brigam, de janela para janela, as vizinhas que se insultam por a roupa ter deixado cair pingos na que está por baixo, é possível que estes argumentos surjam para atacar aqueles de quem não gostam. Mas um Presidente? Um homem que só deverá utilizar um vocabulário adequado ao lugar que ocupa, descer tão baixo na linguagem e só lhe faltando colocar a mão na anca para dar mais ênfase ao desafio que lança, isso é que não se pode suportar. Bem nos basta recordar uma das suas afirmações que fez tempos atrás, quando garantiu que “não se enganava e nunca tinha dúvidas”, coisa que a mim, que me engano muitas vezes e ando sempre com dúvidas, me faz a maior das confusões!
Tratando-se também de um candidato a nova ocupação do posto, maior espanto tem de causar a linguagem seguida. Mas temo-nos de nos conformar. Perante o espectro do ano de 2011 que está à vista, face ao que nos foi proporcionado pelos governantes que têm tido nas mãos o destino de Portugal, perante as oposições que não são capazes, igualmente, de fazer o seu serviço e que é o de apresentar concretamente soluções e não apenas o dizer mal, contemplando igualmente a confusão que tem de nos invadir quando se toma conhecimento por exemplo de que, não obstante a crise que se atravessa, o Reveillon que aí vem dá mostras de que, na noite dos festejos, existem vários hotéis de luxo que têm as lotações esgotadas, ao contemplar todo este panorama, que nos pode fazer admirar o que dizem as figuras de topo deste cantinho, o nosso que parece estar condenado ao sacrifício?
Se até o Município lisboeta anuncia que vai haver fogo de artifício no Tejo e que para isso gastou só metade do custo de outros anos, “apenas” 250 mil euros, para quê inquietarmo-nos com a situação que se vive?
Os portugueses “sabem bem” que não é caso para preocupações. O que vier logo se vê!...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

AMANHÃ

Chegado aqui
a esta hora da vida
já percebi
como foi triste a corrida
desenfreada
cheia de baixos e altos
desencantada
não faltaram sobressaltos
só compensada
pelo intercalar de sonhos
na busca imensa
da fuga dos enfadonhos
e com descrença
contemplo esta vida chã
e no escuro
não me censuro:
pois bem temo o amanhã!...

ÁGUAS DE BACALHAU


A HISTÓRIA DOS BLINDADOS, tal como sucedeu com a dos submarinos, dá a ideia de que vai ficar na mesma situação das chamadas “águas de bacalhau”, que é uma expressão intraduzível para qualquer outra língua, evidentemente porque isso de colocar o nosso bacalhau de molho é coisa que só se passa em Portugal onde, até há assim não tantos anos, se via em alguidares às portas das mercearias de bairro e em que se podiam comprar prontas a ser metidas nas panelas para os portugueses se deliciarem com o apetitoso bacalhau com batatas, entre outras receitas das milhentas que existem para o que já foi o “fiel amigo”.
Mas isso das “águas de bacalhau” já foi chão que deu uvas… para continuar a utilizar expressões tão lusitanas. E, actualmente, só ficou a frase e o seu significado, pois que o que não se perdeu foi o adiar soluções de problemas, coisa que, com crise ou sem ela, está instalada no nosso comportamento e é sempre o passar do tempo que resolve, só por si, as situações mais custosas e mais divulgadas num certo período, para ficarem esquecidas e sobrepostas por outras que entretanto vão aparecendo.
Voltando, pois, ao caso dos blindados, nesta altura a fazerem parte dos noticiários, o que não é tornado público é a indicação do ou dos responsáveis por uma aquisição que, custando dinheiros públicos, representam uma acção que não representa nenhum benefício para o País, pois que, com justificação ou não, o certo é que o motivo da encomenda ao estrangeiro de seis daquelas viaturas era o da realização em Lisboa da Cimeira em 19 de Novembro, tendo chegado dois dos seis requisitados depois daquela reunião de importantes figuras internacionais ter terminado e as restantes ainda se encontrarem no armazém de origem.
Apesar do montante elevado, quer no caso dos blindados quer também no que diz respeito aos submarinos, a realidade é que não ocorreu por cá aquilo que se impunha ser efectuado com absoluta rigidez e total transparência: a investigação profunda de toda a acção e o apuramento dos responsáveis quer pela encomenda logo de início quer da preparação dos contratos quer ainda das vias que levariam ao pagamento. Se se tratasse de um País a sério, se isto ocorresse num Estado que tivesse à sua frente pessoas que se preocupam, de facto, com a limpidez dos actos, não haveria dúvidas de que nada ficaria por esclarecer e que os habitantes seriam totalmente esclarecidos, pelo direito que têm de saber o que é feito com o dinheiro dos seus impostos, sobretudo numa altura em que se castiga toda a população com encargos cada vez mais pesados para tentar fugir do enorme desequilíbrio das contas públicas. Em meu entender, não basta que o Governo Civil de Lisboa, parece que a entidade com intervenção no caso tal como ele se encontra agora, tenha decidido não receber as quatro viaturas especiais que ainda não chegaram. Muito bem, nem poderia ser de outra maneira. Mas o que se impõe também é que se apurem responsabilidades, repito, no que se refere às datas das encomendas, aos contratos efectuados e, acima de tudo, apurar com total clareza, se, no meio disso tudo, existem algumas “luvas” que tenham interferido em toda a operação. Bem nos basta ficarmos com a dúvida no caso dos submarinos, de que se sabe já que houve gente que ficou bem servida de comissões, ainda que, por cá, todos sejam uns “santinhos” e não se apontasse um único fulano que tenha metido a mão na massa!
Neste nosso País é isso que sucede? Fala-se, fala-se, adiantam-se hipóteses de corrupção, o ministro da pasta a que diz respeito o assunto lá lança as suas vagas opiniões, mas tudo passa sem que ninguém seja verdadeiramente molestado, empurrando uns para os outros as eventuais culpas, como já foi bem mostrado no caso dos submarinos e em que ninguém procedeu mal, antes pelo contrário!
E ainda clamam por aí contra o FMI, por se tratar de uma organização estrangeira que não tem nada que meter o bedelho nos assuntos nacionais! Mas se nós não somos capazes, por incompetência, protecção das figuras políticas que estão no poder ou seja lá pelo que for não apontamos nunca o dedo a quem tem de ser abertamente denunciado, o certo é que andamos sempre nas tais “águas de bacalhau” e nem o pai morre nem a gente almoça!...
Ao menos que usemos a nossa língua com as frases características, para darmos largas ao que nos vai de revolta nos nossos íntimos.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A REALIDADE

Ilusão é de facto uma virtude
o sonho também ajuda a vencer
pensar no que é belo dá saúde
é só ver na vida o que é prazer

Imaginar agrada, as coisas boas
deixar para trás tudo que não presta
não atender às popas só às proas
seguir no mundo levantando a testa

Os desejos, mesmo não conseguidos
não serão no todo fatalidade
ainda que acabem nos olvidos

No fundo existe alguma crueldade
ao pôr em uso todos os sentidos
vendo ser outra a realidade

A VERDADE DÓI!...


IMAGINEMOS! IMAGINEMOS! Este o desafio que deve ser recomendado aos portugueses para que não entrem num desconsolo e passem a produzir ainda menos do que aquilo que tem resultado da sua actuação neste País.
Ao ter escutado as palavras de Sócrates, lançadas com a intenção de levar aos portugueses a confiança que é notório que lhes falta – e ele é dos raros que não entendem assim -, só nos resta utilizar a imaginação para ocultarmos as realidades, aquelas que se perfilam diante de todos nós, os que vivemos neste País e que, se não tivermos a felicidade fabricada de abraçarmos a ilusão, e apenas nos faz prostrar perante o panorama que se perfila e clamar contra quem nos fez chegarmos a este estado deplorável e em que o ano que vai entrar será implacável em não esconder.
Quem, como me sucedeu a mim, ao longo dos últimos tempos deste 2010 que se está a despedir e que deixa para o que lhe segue o encargo de se mostrar implacável, mas os que não esconderam o que se perfilava no panorama que já decorria e que, nesta altura, não haverá quem esconda – com a tal excepção do ainda Sócrates, que se mantém teimosamente convencido de que a sua actuação foi a melhor que qualquer político conseguiria -, o que tiveram de enfrentar foi a incompreensão e a fantasia daqueles, cada vez menos, que entendem que o esconder a verdade presta melhor serviço aos portugueses do que o prepará-los para situações mais graves que, se forem atacadas a tempo, ainda poderão encontrar alguma solução.
Se se toma conhecimento de que quase 8 mil milhões de euros é o montante da dívida das famílias aos bancos nacionais, por motivo das compras feitas, sobretudo de casas, devido ao desemprego que não torna possível satisfazer os créditos; se não se esconde que as baixas fraudulentas por falsa doença, dos que trabalham atingiu até agora o número de cerca de 68 mil, o que representa mais 20 mil do que o número atingido em 2009; se compararmos com o que ocorre por cá e levarmos em conta que, na Alemanha, por exemplo, as reforma só são atingidas aos 67 anos e que os americanos só têm 15 dias de férias por ano; se, atendendo aos preços que são praticados em Portugal e estabelecermos alguma comparação com certos produtos de primeira necessidade que estão à disposição dos consumidores (o que, especialmente na fronteira que nos separa, provoca a procura do outro lado da clientela lusitana); se tivermos esses pequenos exemplos em conta como forma de analisarmos, mesmo que de passagem, a nossa situação, logo poderemos encontrar campo para nos lastimarmos de não existir, por parte dos governantes, o mínimo de atenção quanto a não permitir que nos situemos no fim das várias filas que se situam ao longo da Europa.
E o pior de tudo, em meu entender, é que não se vislumbra, num horizonte que esteja à vista, uma saída positiva para os problemas, no mínimo aqueles que ainda poderão ter alguma solução mais fácil, já que os outros, os que nos foram colocados por falta de visão atempada, esses só através de meios muito violentos é que, daqui a muitos anos, talvez possam ser arredados da frente dos que estiverem na altura. Já não seremos nós!
Continuo a sustentar a curiosidade mórbida de saber o que vai acontecer a esse José Sócrates no dia em que for corrido do Governo e ficar sem esse emprego. E aí também ponho a minha imaginação em funcionamento.
Vejo-o, a ter de recorrer aos dinheiros armazenados ao longo deste últimos quinze anos e a mudar de residência, porque aquela boa casa da rua Castilho será muito exposta a críticas e, quem sabe, até a perseguições dos mais feridos pela actuação do ali morador e proprietário. Mas também o imagino a partir para um país europeu, na direcção dos que têm sido aparentemente muito seus amigos – mas igualmente se sabe, que depois de depostos muitos deixarão de conhecê-lo – e onde provavelmente arranjará uma ocupação bem remunerada, pois que desempregados só ficam os que têm actividades de menor importância.
Eu, por mim, com este hábito de sempre, de pôr a cabeça a “pintar” cenários e enredos para aquilo que escrevo, não deixo, enquanto por cá andar, de fazer funcionar a imaginação. Assim, confesso que não estou nada preocupado com o futuro do homem em causa. Ele poderá ter pouca habilidade para ser governante, mas que, quando ao seu futuro, não se terá distraído, e quanto a isso não alimento grandes dúvidas. E, a propósito, aos 18 presidentes de empresas públicas que terminam as suas funções no final deste ano, que irá suceder-lhes? Serão substituídos por outra gente que tenha a consciência bem definida de que não vai estar ao serviço dos que mandam lá no partido ou, pelo contrário, dedicar-se-ão honestamente às suas funções e não irão seguir exemplos tão largamente praticados por cá, de olhar apenas às suas conveniências, sem atender aos deveres de aumentar a produção nacional?
É isto que nos deve preocupar.

domingo, 26 de dezembro de 2010

SALVAR PORTUGAL

Portugueses que somos nesta terra
Com toda a História que de trás vem
Pouco andámos desde que na guerra
Afonso bateu na mãe

A modernidade que devagar
Foi alterando o que de longe vinha
Não foi bastante para alterar
Tudo o que de trás provinha

Neste século vinte e um, agora
Com a Europa debaixo de olho
Nós portugueses quase de fora
Temos de arrancar ferrolho

Cada vez mais longe vamos ficando
A ver a comunidade europeia
Ir para lá é ir aproveitando
Pois progresso é epopeia

Só trinta anos de democracia
Não chegam p’ra mudar mentalidades
Com novas gerações e teimosia
Talvez surjam qualidades

E p’ra não haver mais sofrimento
Para sermos aos melhores igual
Há que pôr cobro ao isolamento
Tentar salvar Portugal

Portugueses que estão para nascer
Trarão consigo tão bela missão
Nós, os que sofremos tanto querer
Regaremos a ilusão

Se não for assim poucas esperanças
Nos restam para atingir o ideal
Não nos chega engenho e finanças
Para salvar Portugal

SIM OU NÃO?



POR MUITO QUE SE TENHA QUERIDO disfarçar, ao longo do tempo que decorreu, que o Fundo Monetário Internacional não seria necessário actuar em Portugal, sobretudo devido às intervenções de José Sócrates que, com o seu optimismo excessivo a que já nos habituou, sempre iludiu as realidades do nosso País e se mostrou confiante de que éramos capazes de, sem interferências estranhas, resolver a embrulhada em que nos vínhamos metendo, mas actuando sempre ao contrário do que parecia que era conveniente, pois repito, por mais que se tenha proclamado tal libertação do FMI – e está por saber se, na verdade, será melhor ou pior alternativa cada uma delas -, começa-se agora a escutar um certo conformismo de que não haverá outra solução que não seja sujeitarmo-nos a que surja de fora o que poderá ser uma ajuda, se ela se traduz por uma redução das taxas de juro dos empréstimos de fora, que têm vindo sucessivamente a castigar-nos com valores elevados.
Sendo assim, aproximamo-nos do ano fatídico que está dado por antecipação como sendo algo que deixará uma marca negra na existência dos portugueses pois que os sacrifícios que nos são já pedidos poderão aumentar e não há até a ideia de como os poderemos suportar. Mas se isso representar um alívio posterior, se os descendentes que, mais tarde, terão que tomar conta do nosso País, então, já que fomos nós que o pusemos na situação em que se encontra, que nos caiba também o castigo de acarretarmos as dificuldades.
Por outro lado, se a intervenção do FMI representar a possibilidade de, no espaço de tempo em que a sua actuação actua, serenar a instabilidade financeira do resto da zona europeia, particularmente em Espanha, alguma vantagem se retirará desse gesto.
Igualmente, talvez se aproveite esse período para pensarmos a sério na área da produção nacional, não passando o tempo a falar de tal mal mas, pelo contrário, procurando as soluções que possam encontrar-se nas nossas próprias mãos, quer no mar que nos pertence, com uma pesca atacada a valer, como na agricultura posta de lado, especialmente procurando que o interior tão abandonado volte a ser ocupado por portugueses que, no desemprego, não têm no litoral e nas cidades nele situados, a solução para os seus problemas, ainda que para isso o Governo deva criar as condições para atrair, sobretudo a juventude, para essa área produtiva.
Isso, para não referir a necessidade de emendar os erros que se praticam por cá, como sejam as falsas baixas de “doentes” que os médicos, talvez com boas intenções, apadrinham, ao mesmo tempo que a Justiça tem de mostrar que não é aquela instituição que deixou há muito tempo de prestar o grande e bom serviço que dela se espera e que, como se sabe, representa uma enfermidade que está a destruir o resto do valor que a nossa Nação ainda poderá ter, posto que a descrença de todos em relação ao que ela deveria representar faz com que ninguém cumpra o mínimo, sendo o Estado o primeiro a não seguir as regras que se impõem para que um País se comporte como tal… e não como um simples lugar de gente mal comportada!

sábado, 25 de dezembro de 2010

DAR DE BEBER À DOR

Quem bebe pelo que for
nem precisa de motivo
o dar de beber à dor
é coisa de quem está vivo

O normal não era isso
mas sim beber p’la saúde
mas p’ra ser um bom castiço
assim bem melhor s’ilude

O fado pede desgraça
bem choradinha canção
com navalha e com murraça

e se se apanha um pifão
a coisa tem mesmo graça
e a dor já tem razão

PASSOU, ESTÁ PASSADO!...


DECORRIDO QUE FICA, com o dia de hoje, o que marca o que se chama de Festa da Família, obviamente para quem a tem e para os que, por razões religiosas ou por outras, entendem que é o momento que deve ser comemorado uma vez por ano, sendo a altura de juntar à volta da mesa as pessoas que contribuem para a tradição, não será o momento ideal para nos dedicarmos à reflexão constrangedora do que teremos de enfrentar já a seguir, decorrido que será o 31 de Dezembro, e entremos com o pé que seja no primeiro desse ano ameaçador de 2011.
Já sabemos que José Sócrates estará em Brasília nessa data, pois considera que tem muita importância para nós assistir à tomada de posse da sucessora da Lula da Silva, a nova presidente Dilma Rousseff, indo de mão estendida para “negociar” – foi este o verbo que foi utilizado pelo chefe do Governo nacional – uma compra da nossa dívida, sabendo-se, como se sabe, que Portugal necessita, como de pão para a boca, de mais de 46 mil milhões de euros, isso numa tentativa de evitar que o FMI ultrapasse as nossas fronteiras, contrariando o que, nos corredores de Bruxelas, se dá como adquirido, ou seja a iminente entrada, já em Janeiro, da acção do Fundo Monetário Internacional.
Levando em conta o que ainda Presidente da República – e, seguramente o que virá a ocupar o mesmo lugar após as eleições que se perfilam -, proferiu em afirmação pública de que, se essa intervenção se vier a verificar, será sinal de que “o governo falhou”, também por essa razão maior vontade existe de que não se chegue a tal necessidade. Porém, as circunstâncias não se apresentam de molde a sustentar esse desejo e haverá que admitir que o que se passará no decorrer do ano terrível que tem sido vastamente anunciado como sendo algo que os portugueses recordarão toda a vida, pelo lado mau, infelizmente.
O que é certo é que as notícias que são divulgadas todos os dias, não conseguem retirar do pensamento de todos nós que o panorama e as circunstâncias que dele advêm não vão constituir motivo para grandes alegrias. Não vou, nesta altura, enumerar os acontecimentos que fazem parte da inumerável lista de tristezas que ocorrem no nosso País. Haverá ocasião para isso.
Por hoje e dado que não desejo contribuir para que o ambiente fique estragado com más notícias, não vou acrescentar nada que, por sinal, tenho estado a tomar conhecimento e que, não só referente ao nosso País, mas também a situações deploráveis que ocorrem por esse mundo fora, especialmente no que respeita à Europa, de que tanto necessitamos que esteja com juízo, por esse motivo fico-me agora por aqui.
Que a ceia do Natal se coadune com a situação em que vivemos, ou seja que não tenha, em custo, ultrapassado o que se pode considerar razoável, pois que não se trata apenas de ter atenção ao colesterol, mas sim e também no capítulo da prevenção quanto às necessidades que vêm a seguir.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A ÁRVORE E O HOMEM

Árvore, homem são iguais
os dois com suas raízes
mas às vezes são demais
e tornam-se uns infelizes

O homem não é excepção
como árvore na floresta
quando chegar dia não
lá parte e se vai desta

A árvore nossa amiga
ali está p’ra nos servir
e quanto mais antiga
melhor é o seu cumprir

O seu fim nunca se sabe
pode até ser na fogueira
logo que o seu tempo acabe
seu destino é ser madeira

A floresta mete medo
quando por lá nos perdemos
é tal e qual o enredo
em que às vezes nos metemos

Subir à árvore em pequeno
é prazer da miudagem
mas pisar um bom terreno
exige menos coragem

Por muito que não se queira
cada dia é menos um
quem chega à nossa beira
acaba por ser nenhum

Os outros dizem o mesmo
a minha vez chegará
toda a gente vai a esmo
ninguém vai ficar por cá

A dúvida que aqui se deixa
é se esta nossa passagem
dá motivo para queixa
de quem fez igual viagem

Se poucos deram por isso
nem mal nem bem praticou
não foi o tal enguiço
enquanto por aqui andou

E a maioria é esta
dos milhões que aí param
é árvore em floresta
se a cortam nem reparam

Alguns que são mais falados
depois da sua partida
até foram maltratados
no percurso desta vida

Não é por muito lutar
durante a sua existência
que alguém pode julgar
que serve de referência

Homem velho, muitos anos
e tanto que ele sofreu
nunca fez grandes planos
só os que Deus lhe deu

A sombra que a árvore dá
para o homem é um prazer
mas quem ao lado está
por vezes nos faz tremer

Contas feitas afinal
entre os dois há diferenças
na busca do ideal
encontramos parecenças

Um e outra são precisos
um queima outra é queimada
mas os homens sem juízos
fazem sempre mais borrada

E tanto corta n’amiga
que um dia fica sozinho
perde onde hoje se abriga
e onde aves fazem ninho

Mas é esse o destino
traçado pela maldade
o homem esse traquino
não melhora com idade