sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

VIRTUDES

Como oposto aos defeitos
nos seres humanos existem
virtudes com certos jeitos
que às más acções lá resistem
vale a pena recordar
algumas dessas purezas
e assim poder ficar
com umas tantas surpresas

Num mundo de correrias
em que tudo tem urgência
com tão raras cortesias
é bom mostrar paciência
e quando se vê qu’alguém falta
e nem sequer dá razão
nem a todos o que assalta
é conceder o perdão

Com aqueles que só brigam
e mostram grande arrogância
é verdade que se intrigam
se resposta é tolerância
mais ainda se interrogam
como com compreensão
com isso alguns afogam
alguma má criação



MAS É SÓ O SÓCRATES?


É VERDADE QUE NÃO PODEMOS escapar ao impulso de acusar sempre o Sócrates de tudo que corre mal cá pelo nosso berço. É certo que é ao primeiro-ministro que cabe a responsabilidade de escolher a sua comitiva de ministros e daí para baixo, mas também não é menos certo que cabe a essas personalidades muito do que de incorrecto se passa no panorama governativo que somos forçados a suportar.
Porém, se existisse o mínimo de atenção e de espírito selectivo por parte do chefe do Governo, é óbvio que, perante alguns disparates e certas demonstrações de incompetência que são alvo das maiores críticas, o que parecia ser o mais indicado era que fosse modificada a equipa, pois que enganarmo-nos nas escolhas é a coisa mais natural no ser humano, só que o mantermos os que não servem a ocupar os lugares que cabem apenas a quem é capaz de fazer o seu trabalho eficientemente, isso é que representa querermos assumir conjuntamente os erros dos subordinados.
Na lista de membros do Governo que José Sócrates reúne à sua volta não existem grandes dúvidas de que algumas dessas figuras há muito que deveriam ter sido excluídas e substituídas por outras que dessem mostras de constituir experiências que se tentavam. Mas isso não foi feito e até uma outra, rara, que saiu, ficou a deve-se a iniciativas próprias e não à consciência de existir essa necessidade.
O “jamais”, por exemplo, que ocupou já um bom lugar fora do ministério e o outro dos chifres, que também não ficou à procura de emprego, esses, como a da Educação, poderiam e deveriam ser o resultado de uma deliberação do chefe que, nisso, segue o que ocorreu com Mário Soares, numa altura em que teve a frase infeliz de se definir como “uno inter pares” e não como quem manda naquele sector e tem é de dar instruções e não de andar ao Deus dará sem meter na ordem os que se portam mal.
Digo isto e aflige-me assistir à aparição, com mais frequência do que seria desejado, do ministro Rui Pereira, que tem a seu cargo a Administração Interna e que deveria ser responsabilizado pela “fita” dos blindados, esclarecendo-se se a encomenda foi efectuada com os devidos cuidados para não se repetir o que sucedeu com os submarinos, em que as cláusulas não foram cuidadosamente preparadas de molde a não ocorrerem atrasos nas entregas, como sucedeu, e, com tudo isso, até se recusa a responder às perguntas que lhe fazem os reporters, dando ares de não ser obrigado a prestar contas ao contribuintes.
Já no caso e Teixeira dos Santos, em que está do que provado que se deixou ultrapassar pelos acontecimentos, não tendo sido capaz de prever o que viria – provavelmente também sem força para contrariar o seu chefe -, ao ponto de, nesta altura, ser tornado claro pelo Instituto de Gestão de Tesouraria e de Crédito Público – que nome pomposo de uma instituição, das muitas que existem e de que não serve quanto custam! – que o Estado precisa de 20 mil milhões de euros para, no ano que aí está a chegar, para fazer falta às exigências do mercado, isto quando os juros já se encontram de novo na casa dos sete por cento.
Também, quando se tornou conhecido de que a dívida dos portugueses, empresas e individuais, ao Fisco já atingiu o valor de 12 mil e 800 milhões de euros e que o défice público é de 12 mil e 500 milhões, pode-se fazer a pergunta se não podemos juntar num molhe todo o Conselho de Ministros (claro se estiverem ao corrente em pormenor da situação, como teria de ser) e exigir que o assunto tivesse sido debatido e não aceite pela maioria, surgindo o descontentamento de um ou de mais dos elementos, posto que se o encarregado das Finanças não dá sinais de ser capaz de solucionar o problema, os colegas têm o direito de não aceitar fazer parte de um grupo assim. E, claro, a José Sócrates compete ser o primeiro a tomar as necessárias medidas.
De facto, podemos honestamente reconhecer que não é só o Sócrates que não serve para se encontrar no cargo que ocupa. Todos os sues acompanhantes, se metessem a mão na consciência e reconhecessem que os seus pelouros também se situam na zona do disparate, ao não apresentarem a demissão (bem se sabe que para não perderem as regalias que ainda lhes poderão chegar na hora em que lhes for indicada a porta de saída), e ao permanecerem a fingir que actuam bem, não têm de ser excluídos da larga folha de incapazes.
Por isso, neste dia de adeus ao ano que parte e de pé direito preparado para pisar o risco do ano que entra, concedo esta indulgência ao homem que, é mais do que certo, já esteve mais longe de partir para outra. Nessa altura descansaremos da figura teimosa e vaidosa que nos tem vindo a atormentar há demasiado tempo. Mesmo que a que se seguirá também não represente a solução que Portugal tanto necessita!
Mas isso será azar em excesso…

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

CALVÁRIO

Há ou não razão p’ra desanimar
neste calvário imenso em que vivemos?
Mas então isto nunca irá acabar
e d’algo pior ainda tememos
e não se passa só em Portugal
o mundo inteiro não está melhor
para se conseguir fugir do mal
tanto faz que se vá p’ra onde for

A Terra anda toda ela às voltas
acalmia é pouco que se encontra
pois muitos malvados andam às soltas
já não escapa nada em qualquer montra
e nas finanças grandes roubalheiras
na política grassa a corrupção
pouca vergonha já não tem fronteiras
ao nosso lado pode estar ladrão

Não é bem assim, dizem confiados
os que ainda não sofreram danos
mas um dia destes ficam calados
se os atingirem alguns fulanos
é que isto de trabalhar não dá
não é bastante p’ra levar a vida
se é isso que se passa por cá
é igual aos que vêm de fugida

Calvário da vida não chega a todos
há os que conseguem bem escapar
para uns tantos os terem a rodos
outros nunca precisam de suar
ainda bem, pois não é regra geral
o ser feliz é coisa que existe
para os que só enfrentam o mal
há sempre aquele que a tudo resiste

AFINAL NEM TUDO É MAU!


CADA DIA QUE AVANÇA nesta altura do fim do ano, mais próximo nos encontramos do começo do 2011, o tal que tem vindo a ser anunciado como tratando-se do período m que os portugueses irão sentir na pele, alguns deles é evidente, ainda que seja a maioria, os efeitos de um Orçamento do Estado que, segundo enorme número de opiniões, irá castigar de forma bem sofrível os habitantes deste nosso Portugal.
É evidente que também se revelam muitas dúvida no que respeita ao cumprimento completo do referido documento, pelo que se propaga o sentimento de que o FMI acabará por chegar, de armas e bagagens, para fazer com que as determinações instaladas no Orçamento não fiquem meio aplicadas e, por via disso, até nem serão consideradas suficientes para que se modifique, de forma concreta, o “dolce fare niente”que tem constituído a actuação do Governo de José Sócrates… sempre ele!
Mas, na verdade, em plena antevéspera da chegada do primeiro dia do ano dito fatídico, ao lermos as notícias que se propagam, um estranho ao nosso comportamento lusitano a impressão com que ficará é a de que neste País tudo corre às mil maravilhas. Pois então vejamos algumas dessas manchetes dos jornais saídos hoje:
- Pinto da Costa quer casar com Fernanda.
- Mais de 100 milhões em compras no Natal deste ano.
- Jovens despem-se para ganhar roupa.
- Lotaria promove 45 a milionários.
- Turismo de luxo esgotado.
- Esperados cem mil foliões no areal da praia da Nazaré.
- Defesa dá cargo a “girl” socialista.
- Aeroporto de Lisboa cheio de figuras públicas que vão para o estrangeiro passar o Ano.
- Artur Agostinho anuncia que vai publicar um livro.
Então, perante tais novidade, será caso para pensar que o ano que está a chegar vai trazer assim tão más notícias? Não é que haverá muita gente que se encontra muito distante da ideia de que o futuro imediato não é assim tão negro como os pessimistas anunciam?
De facto, e ainda que isso tenha ocorrido fora de Portugal, ao saber-se que o “gay” Elton John, com o seu companheiro legal, passaram a ser “pais” de um menino que nasceu de uma barriga de aluguer, precisamente no Dia de Natal, o que nos entra na cabeça é que, nos tempos que ocorrem por todo o mundo, com crise ou sem ela, para uns tantos a felicidade e a alegria de viver não termina no ano de 2010.
E, no que respeita ao nosso País, sabendo-se que os portugueses gastaram este ano, pelas festas natalícias, mais 100 milhões de euros do que no ano passado, então há que concluir que são só os que se preocupam com as contas e que criticam a satisfação que envolve sempre o “nosso” Sócrates, aqueles que ficam macambúzios com as perspectivas macabras sobre o que está à porta à nossa espera.
Por mim, limito-me a registar os acontecimentos. E deixo para os outros as conclusões que entendem dever tomar. Como sempre só desejo estar enganado quando prevejo pior para o que vem a seguir.
Mas, também depois do confronto de ontem entre Cavaco Silva e Manuel Alegre, ambos a disputar o lugar em Belém – um a repetir e outro a tentar pela segunda vez -, não consigo entrar numa fase de optimismo. Está mais do que demonstrado que não será desta vez que a repetição das funções do lugar de P.R. não se realizará. E, de novo, até pelo desinteresse que as observações têm constatado de que, por parte dos portugueses, entusiasmo é coisa que não se verifica, tudo indica que não se operará uma excepção.
Se esse facto é bom ou se seria preferível ocorrer uma mudança, é coisa que só o futuro dirá.
Mas que futuro? Pergunto eu. Isso é coisa que ainda existe?

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

AQUILO QUE VEJO

Aquilo que vejo
que atrai meus olhos
que me causa ensejo
mesmo sendo aos molhos
eu acredito?
É verdade pura?
Não será um mito?
Uma desventura?
Mas vejo e pergunto:
poderei eu crer
constitui assunto
para eu ver
e aquilo que é dado
algo como queixa
será um recado
que a vida me deixa
uma prevenção
com certa importância
chama-me a atenção
provoca-me ânsia
abre-me o sentido
mas olho parando
e o despercebido
agora pensando
com calma observo
a ideia apurada
por fim lá conservo
a vista do nada
e aquilo que eu via
e que os olhos liam
tinha mais valia
e todos deviam
cá por este mundo
ter algum rigor
olhar sempre a fundo
que tudo tem valor

Por isso m’interrogo
procuro resposta
faço-o como um jogo
é quase uma aposta
tudo por que passo
e atrai minha vista
se causa embaraço
constitui uma pista?
Como em tanto assunto
não sei responder
até ser defunto
terei de aprender



TODOS SABEM QUE EU!...


OS PORTUGUESES SABEM!, esta a frase que se ouve sucessivamente sair das bocas dos políticos, de que não se excluem nem o Presidente da República nem o Primeiro-Ministro, sendo até estas figuras que mais mostram estar convencidos de que a Nação anda muito atenta ao que eles são e ao que eles fazem e dizem. E até o que foram.
Será uma forma de convencer a população de que se tratam de livros abertos, e que todos os nossos compatriotas, sejam eles quem forem, situem-se e vivam nos ambientes mais citadinos ou tenham as suas vidas nos interiores do nosso rectângulo, TODOS SABEM o que ocorre com as personalidades em questão e nem têm mais que fazer que não seja seguir, a par e passo, as suas actuações.
Estou mesmo a ver os dez milhões de portugueses, as senhoras Marias e os senhores Maneis, a maior percentagem de população que vive por cá, toda essa gente a estar ao corrente e muito interessada em conhecer os pormenores e as formas de ser de tais figuras públicas. Dessas e das outras.
Mas a verdade é que, pela forma sistemática com que fazem tal afirmação, ou estarão convencidos de tal posição ou apenas utilizam a frase para fazerem ressaltar o seu ego, o que, em ambos os casos, se trata de uma demonstração dos mesmos de falta de humildade e de pouco acerto com o grau de cultura que terão, posto que se trata, na sua maioria, de gente que terá passado pelo ensino superior.
O discurso de Natal de José Sócrates, que já deu para vários comentário, sobretudo de crítica ao conteúdo do texto lido pelo autor, no que me diz respeito nem pretendo acrescentar mais ao que foi divulgado. Não era de esperar outro tipo de afirmações por parte de uma pessoa que só atende aos seus próprios pensamentos e opiniões, visto que considera todos os que alimentam pontos de vista diferentes, sejam eles até muitos, como gente não merecedora de consideração e de ser minimamente atendida.
“Os portugueses sabem!”, isso sim, que o principal responsável pelo estado deplorável a que chegou o nosso País é a referida personagem que anda sempre a afirmar que isto nem vai mal, que temos solução à vista, que devemos ser optimistas e colaborar… não se sabe bem em quê!
Por outro lado, Cavaco Silva, que deveria ter o maior cuidado com as palavras que profere, ao ter declarado que, “para ser mais honesto do que ele será preciso nascer duas vezes!”, fez uma triste figura. Não é a frase mais apropriada para ser proferida por uma personalidade com as funções de Chefe de Estado. Isso talvez se diga nas discussões de pátio. Quando brigam, de janela para janela, as vizinhas que se insultam por a roupa ter deixado cair pingos na que está por baixo, é possível que estes argumentos surjam para atacar aqueles de quem não gostam. Mas um Presidente? Um homem que só deverá utilizar um vocabulário adequado ao lugar que ocupa, descer tão baixo na linguagem e só lhe faltando colocar a mão na anca para dar mais ênfase ao desafio que lança, isso é que não se pode suportar. Bem nos basta recordar uma das suas afirmações que fez tempos atrás, quando garantiu que “não se enganava e nunca tinha dúvidas”, coisa que a mim, que me engano muitas vezes e ando sempre com dúvidas, me faz a maior das confusões!
Tratando-se também de um candidato a nova ocupação do posto, maior espanto tem de causar a linguagem seguida. Mas temo-nos de nos conformar. Perante o espectro do ano de 2011 que está à vista, face ao que nos foi proporcionado pelos governantes que têm tido nas mãos o destino de Portugal, perante as oposições que não são capazes, igualmente, de fazer o seu serviço e que é o de apresentar concretamente soluções e não apenas o dizer mal, contemplando igualmente a confusão que tem de nos invadir quando se toma conhecimento por exemplo de que, não obstante a crise que se atravessa, o Reveillon que aí vem dá mostras de que, na noite dos festejos, existem vários hotéis de luxo que têm as lotações esgotadas, ao contemplar todo este panorama, que nos pode fazer admirar o que dizem as figuras de topo deste cantinho, o nosso que parece estar condenado ao sacrifício?
Se até o Município lisboeta anuncia que vai haver fogo de artifício no Tejo e que para isso gastou só metade do custo de outros anos, “apenas” 250 mil euros, para quê inquietarmo-nos com a situação que se vive?
Os portugueses “sabem bem” que não é caso para preocupações. O que vier logo se vê!...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

AMANHÃ

Chegado aqui
a esta hora da vida
já percebi
como foi triste a corrida
desenfreada
cheia de baixos e altos
desencantada
não faltaram sobressaltos
só compensada
pelo intercalar de sonhos
na busca imensa
da fuga dos enfadonhos
e com descrença
contemplo esta vida chã
e no escuro
não me censuro:
pois bem temo o amanhã!...

ÁGUAS DE BACALHAU


A HISTÓRIA DOS BLINDADOS, tal como sucedeu com a dos submarinos, dá a ideia de que vai ficar na mesma situação das chamadas “águas de bacalhau”, que é uma expressão intraduzível para qualquer outra língua, evidentemente porque isso de colocar o nosso bacalhau de molho é coisa que só se passa em Portugal onde, até há assim não tantos anos, se via em alguidares às portas das mercearias de bairro e em que se podiam comprar prontas a ser metidas nas panelas para os portugueses se deliciarem com o apetitoso bacalhau com batatas, entre outras receitas das milhentas que existem para o que já foi o “fiel amigo”.
Mas isso das “águas de bacalhau” já foi chão que deu uvas… para continuar a utilizar expressões tão lusitanas. E, actualmente, só ficou a frase e o seu significado, pois que o que não se perdeu foi o adiar soluções de problemas, coisa que, com crise ou sem ela, está instalada no nosso comportamento e é sempre o passar do tempo que resolve, só por si, as situações mais custosas e mais divulgadas num certo período, para ficarem esquecidas e sobrepostas por outras que entretanto vão aparecendo.
Voltando, pois, ao caso dos blindados, nesta altura a fazerem parte dos noticiários, o que não é tornado público é a indicação do ou dos responsáveis por uma aquisição que, custando dinheiros públicos, representam uma acção que não representa nenhum benefício para o País, pois que, com justificação ou não, o certo é que o motivo da encomenda ao estrangeiro de seis daquelas viaturas era o da realização em Lisboa da Cimeira em 19 de Novembro, tendo chegado dois dos seis requisitados depois daquela reunião de importantes figuras internacionais ter terminado e as restantes ainda se encontrarem no armazém de origem.
Apesar do montante elevado, quer no caso dos blindados quer também no que diz respeito aos submarinos, a realidade é que não ocorreu por cá aquilo que se impunha ser efectuado com absoluta rigidez e total transparência: a investigação profunda de toda a acção e o apuramento dos responsáveis quer pela encomenda logo de início quer da preparação dos contratos quer ainda das vias que levariam ao pagamento. Se se tratasse de um País a sério, se isto ocorresse num Estado que tivesse à sua frente pessoas que se preocupam, de facto, com a limpidez dos actos, não haveria dúvidas de que nada ficaria por esclarecer e que os habitantes seriam totalmente esclarecidos, pelo direito que têm de saber o que é feito com o dinheiro dos seus impostos, sobretudo numa altura em que se castiga toda a população com encargos cada vez mais pesados para tentar fugir do enorme desequilíbrio das contas públicas. Em meu entender, não basta que o Governo Civil de Lisboa, parece que a entidade com intervenção no caso tal como ele se encontra agora, tenha decidido não receber as quatro viaturas especiais que ainda não chegaram. Muito bem, nem poderia ser de outra maneira. Mas o que se impõe também é que se apurem responsabilidades, repito, no que se refere às datas das encomendas, aos contratos efectuados e, acima de tudo, apurar com total clareza, se, no meio disso tudo, existem algumas “luvas” que tenham interferido em toda a operação. Bem nos basta ficarmos com a dúvida no caso dos submarinos, de que se sabe já que houve gente que ficou bem servida de comissões, ainda que, por cá, todos sejam uns “santinhos” e não se apontasse um único fulano que tenha metido a mão na massa!
Neste nosso País é isso que sucede? Fala-se, fala-se, adiantam-se hipóteses de corrupção, o ministro da pasta a que diz respeito o assunto lá lança as suas vagas opiniões, mas tudo passa sem que ninguém seja verdadeiramente molestado, empurrando uns para os outros as eventuais culpas, como já foi bem mostrado no caso dos submarinos e em que ninguém procedeu mal, antes pelo contrário!
E ainda clamam por aí contra o FMI, por se tratar de uma organização estrangeira que não tem nada que meter o bedelho nos assuntos nacionais! Mas se nós não somos capazes, por incompetência, protecção das figuras políticas que estão no poder ou seja lá pelo que for não apontamos nunca o dedo a quem tem de ser abertamente denunciado, o certo é que andamos sempre nas tais “águas de bacalhau” e nem o pai morre nem a gente almoça!...
Ao menos que usemos a nossa língua com as frases características, para darmos largas ao que nos vai de revolta nos nossos íntimos.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A REALIDADE

Ilusão é de facto uma virtude
o sonho também ajuda a vencer
pensar no que é belo dá saúde
é só ver na vida o que é prazer

Imaginar agrada, as coisas boas
deixar para trás tudo que não presta
não atender às popas só às proas
seguir no mundo levantando a testa

Os desejos, mesmo não conseguidos
não serão no todo fatalidade
ainda que acabem nos olvidos

No fundo existe alguma crueldade
ao pôr em uso todos os sentidos
vendo ser outra a realidade

A VERDADE DÓI!...


IMAGINEMOS! IMAGINEMOS! Este o desafio que deve ser recomendado aos portugueses para que não entrem num desconsolo e passem a produzir ainda menos do que aquilo que tem resultado da sua actuação neste País.
Ao ter escutado as palavras de Sócrates, lançadas com a intenção de levar aos portugueses a confiança que é notório que lhes falta – e ele é dos raros que não entendem assim -, só nos resta utilizar a imaginação para ocultarmos as realidades, aquelas que se perfilam diante de todos nós, os que vivemos neste País e que, se não tivermos a felicidade fabricada de abraçarmos a ilusão, e apenas nos faz prostrar perante o panorama que se perfila e clamar contra quem nos fez chegarmos a este estado deplorável e em que o ano que vai entrar será implacável em não esconder.
Quem, como me sucedeu a mim, ao longo dos últimos tempos deste 2010 que se está a despedir e que deixa para o que lhe segue o encargo de se mostrar implacável, mas os que não esconderam o que se perfilava no panorama que já decorria e que, nesta altura, não haverá quem esconda – com a tal excepção do ainda Sócrates, que se mantém teimosamente convencido de que a sua actuação foi a melhor que qualquer político conseguiria -, o que tiveram de enfrentar foi a incompreensão e a fantasia daqueles, cada vez menos, que entendem que o esconder a verdade presta melhor serviço aos portugueses do que o prepará-los para situações mais graves que, se forem atacadas a tempo, ainda poderão encontrar alguma solução.
Se se toma conhecimento de que quase 8 mil milhões de euros é o montante da dívida das famílias aos bancos nacionais, por motivo das compras feitas, sobretudo de casas, devido ao desemprego que não torna possível satisfazer os créditos; se não se esconde que as baixas fraudulentas por falsa doença, dos que trabalham atingiu até agora o número de cerca de 68 mil, o que representa mais 20 mil do que o número atingido em 2009; se compararmos com o que ocorre por cá e levarmos em conta que, na Alemanha, por exemplo, as reforma só são atingidas aos 67 anos e que os americanos só têm 15 dias de férias por ano; se, atendendo aos preços que são praticados em Portugal e estabelecermos alguma comparação com certos produtos de primeira necessidade que estão à disposição dos consumidores (o que, especialmente na fronteira que nos separa, provoca a procura do outro lado da clientela lusitana); se tivermos esses pequenos exemplos em conta como forma de analisarmos, mesmo que de passagem, a nossa situação, logo poderemos encontrar campo para nos lastimarmos de não existir, por parte dos governantes, o mínimo de atenção quanto a não permitir que nos situemos no fim das várias filas que se situam ao longo da Europa.
E o pior de tudo, em meu entender, é que não se vislumbra, num horizonte que esteja à vista, uma saída positiva para os problemas, no mínimo aqueles que ainda poderão ter alguma solução mais fácil, já que os outros, os que nos foram colocados por falta de visão atempada, esses só através de meios muito violentos é que, daqui a muitos anos, talvez possam ser arredados da frente dos que estiverem na altura. Já não seremos nós!
Continuo a sustentar a curiosidade mórbida de saber o que vai acontecer a esse José Sócrates no dia em que for corrido do Governo e ficar sem esse emprego. E aí também ponho a minha imaginação em funcionamento.
Vejo-o, a ter de recorrer aos dinheiros armazenados ao longo deste últimos quinze anos e a mudar de residência, porque aquela boa casa da rua Castilho será muito exposta a críticas e, quem sabe, até a perseguições dos mais feridos pela actuação do ali morador e proprietário. Mas também o imagino a partir para um país europeu, na direcção dos que têm sido aparentemente muito seus amigos – mas igualmente se sabe, que depois de depostos muitos deixarão de conhecê-lo – e onde provavelmente arranjará uma ocupação bem remunerada, pois que desempregados só ficam os que têm actividades de menor importância.
Eu, por mim, com este hábito de sempre, de pôr a cabeça a “pintar” cenários e enredos para aquilo que escrevo, não deixo, enquanto por cá andar, de fazer funcionar a imaginação. Assim, confesso que não estou nada preocupado com o futuro do homem em causa. Ele poderá ter pouca habilidade para ser governante, mas que, quando ao seu futuro, não se terá distraído, e quanto a isso não alimento grandes dúvidas. E, a propósito, aos 18 presidentes de empresas públicas que terminam as suas funções no final deste ano, que irá suceder-lhes? Serão substituídos por outra gente que tenha a consciência bem definida de que não vai estar ao serviço dos que mandam lá no partido ou, pelo contrário, dedicar-se-ão honestamente às suas funções e não irão seguir exemplos tão largamente praticados por cá, de olhar apenas às suas conveniências, sem atender aos deveres de aumentar a produção nacional?
É isto que nos deve preocupar.

domingo, 26 de dezembro de 2010

SALVAR PORTUGAL

Portugueses que somos nesta terra
Com toda a História que de trás vem
Pouco andámos desde que na guerra
Afonso bateu na mãe

A modernidade que devagar
Foi alterando o que de longe vinha
Não foi bastante para alterar
Tudo o que de trás provinha

Neste século vinte e um, agora
Com a Europa debaixo de olho
Nós portugueses quase de fora
Temos de arrancar ferrolho

Cada vez mais longe vamos ficando
A ver a comunidade europeia
Ir para lá é ir aproveitando
Pois progresso é epopeia

Só trinta anos de democracia
Não chegam p’ra mudar mentalidades
Com novas gerações e teimosia
Talvez surjam qualidades

E p’ra não haver mais sofrimento
Para sermos aos melhores igual
Há que pôr cobro ao isolamento
Tentar salvar Portugal

Portugueses que estão para nascer
Trarão consigo tão bela missão
Nós, os que sofremos tanto querer
Regaremos a ilusão

Se não for assim poucas esperanças
Nos restam para atingir o ideal
Não nos chega engenho e finanças
Para salvar Portugal

SIM OU NÃO?



POR MUITO QUE SE TENHA QUERIDO disfarçar, ao longo do tempo que decorreu, que o Fundo Monetário Internacional não seria necessário actuar em Portugal, sobretudo devido às intervenções de José Sócrates que, com o seu optimismo excessivo a que já nos habituou, sempre iludiu as realidades do nosso País e se mostrou confiante de que éramos capazes de, sem interferências estranhas, resolver a embrulhada em que nos vínhamos metendo, mas actuando sempre ao contrário do que parecia que era conveniente, pois repito, por mais que se tenha proclamado tal libertação do FMI – e está por saber se, na verdade, será melhor ou pior alternativa cada uma delas -, começa-se agora a escutar um certo conformismo de que não haverá outra solução que não seja sujeitarmo-nos a que surja de fora o que poderá ser uma ajuda, se ela se traduz por uma redução das taxas de juro dos empréstimos de fora, que têm vindo sucessivamente a castigar-nos com valores elevados.
Sendo assim, aproximamo-nos do ano fatídico que está dado por antecipação como sendo algo que deixará uma marca negra na existência dos portugueses pois que os sacrifícios que nos são já pedidos poderão aumentar e não há até a ideia de como os poderemos suportar. Mas se isso representar um alívio posterior, se os descendentes que, mais tarde, terão que tomar conta do nosso País, então, já que fomos nós que o pusemos na situação em que se encontra, que nos caiba também o castigo de acarretarmos as dificuldades.
Por outro lado, se a intervenção do FMI representar a possibilidade de, no espaço de tempo em que a sua actuação actua, serenar a instabilidade financeira do resto da zona europeia, particularmente em Espanha, alguma vantagem se retirará desse gesto.
Igualmente, talvez se aproveite esse período para pensarmos a sério na área da produção nacional, não passando o tempo a falar de tal mal mas, pelo contrário, procurando as soluções que possam encontrar-se nas nossas próprias mãos, quer no mar que nos pertence, com uma pesca atacada a valer, como na agricultura posta de lado, especialmente procurando que o interior tão abandonado volte a ser ocupado por portugueses que, no desemprego, não têm no litoral e nas cidades nele situados, a solução para os seus problemas, ainda que para isso o Governo deva criar as condições para atrair, sobretudo a juventude, para essa área produtiva.
Isso, para não referir a necessidade de emendar os erros que se praticam por cá, como sejam as falsas baixas de “doentes” que os médicos, talvez com boas intenções, apadrinham, ao mesmo tempo que a Justiça tem de mostrar que não é aquela instituição que deixou há muito tempo de prestar o grande e bom serviço que dela se espera e que, como se sabe, representa uma enfermidade que está a destruir o resto do valor que a nossa Nação ainda poderá ter, posto que a descrença de todos em relação ao que ela deveria representar faz com que ninguém cumpra o mínimo, sendo o Estado o primeiro a não seguir as regras que se impõem para que um País se comporte como tal… e não como um simples lugar de gente mal comportada!

sábado, 25 de dezembro de 2010

DAR DE BEBER À DOR

Quem bebe pelo que for
nem precisa de motivo
o dar de beber à dor
é coisa de quem está vivo

O normal não era isso
mas sim beber p’la saúde
mas p’ra ser um bom castiço
assim bem melhor s’ilude

O fado pede desgraça
bem choradinha canção
com navalha e com murraça

e se se apanha um pifão
a coisa tem mesmo graça
e a dor já tem razão

PASSOU, ESTÁ PASSADO!...


DECORRIDO QUE FICA, com o dia de hoje, o que marca o que se chama de Festa da Família, obviamente para quem a tem e para os que, por razões religiosas ou por outras, entendem que é o momento que deve ser comemorado uma vez por ano, sendo a altura de juntar à volta da mesa as pessoas que contribuem para a tradição, não será o momento ideal para nos dedicarmos à reflexão constrangedora do que teremos de enfrentar já a seguir, decorrido que será o 31 de Dezembro, e entremos com o pé que seja no primeiro desse ano ameaçador de 2011.
Já sabemos que José Sócrates estará em Brasília nessa data, pois considera que tem muita importância para nós assistir à tomada de posse da sucessora da Lula da Silva, a nova presidente Dilma Rousseff, indo de mão estendida para “negociar” – foi este o verbo que foi utilizado pelo chefe do Governo nacional – uma compra da nossa dívida, sabendo-se, como se sabe, que Portugal necessita, como de pão para a boca, de mais de 46 mil milhões de euros, isso numa tentativa de evitar que o FMI ultrapasse as nossas fronteiras, contrariando o que, nos corredores de Bruxelas, se dá como adquirido, ou seja a iminente entrada, já em Janeiro, da acção do Fundo Monetário Internacional.
Levando em conta o que ainda Presidente da República – e, seguramente o que virá a ocupar o mesmo lugar após as eleições que se perfilam -, proferiu em afirmação pública de que, se essa intervenção se vier a verificar, será sinal de que “o governo falhou”, também por essa razão maior vontade existe de que não se chegue a tal necessidade. Porém, as circunstâncias não se apresentam de molde a sustentar esse desejo e haverá que admitir que o que se passará no decorrer do ano terrível que tem sido vastamente anunciado como sendo algo que os portugueses recordarão toda a vida, pelo lado mau, infelizmente.
O que é certo é que as notícias que são divulgadas todos os dias, não conseguem retirar do pensamento de todos nós que o panorama e as circunstâncias que dele advêm não vão constituir motivo para grandes alegrias. Não vou, nesta altura, enumerar os acontecimentos que fazem parte da inumerável lista de tristezas que ocorrem no nosso País. Haverá ocasião para isso.
Por hoje e dado que não desejo contribuir para que o ambiente fique estragado com más notícias, não vou acrescentar nada que, por sinal, tenho estado a tomar conhecimento e que, não só referente ao nosso País, mas também a situações deploráveis que ocorrem por esse mundo fora, especialmente no que respeita à Europa, de que tanto necessitamos que esteja com juízo, por esse motivo fico-me agora por aqui.
Que a ceia do Natal se coadune com a situação em que vivemos, ou seja que não tenha, em custo, ultrapassado o que se pode considerar razoável, pois que não se trata apenas de ter atenção ao colesterol, mas sim e também no capítulo da prevenção quanto às necessidades que vêm a seguir.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A ÁRVORE E O HOMEM

Árvore, homem são iguais
os dois com suas raízes
mas às vezes são demais
e tornam-se uns infelizes

O homem não é excepção
como árvore na floresta
quando chegar dia não
lá parte e se vai desta

A árvore nossa amiga
ali está p’ra nos servir
e quanto mais antiga
melhor é o seu cumprir

O seu fim nunca se sabe
pode até ser na fogueira
logo que o seu tempo acabe
seu destino é ser madeira

A floresta mete medo
quando por lá nos perdemos
é tal e qual o enredo
em que às vezes nos metemos

Subir à árvore em pequeno
é prazer da miudagem
mas pisar um bom terreno
exige menos coragem

Por muito que não se queira
cada dia é menos um
quem chega à nossa beira
acaba por ser nenhum

Os outros dizem o mesmo
a minha vez chegará
toda a gente vai a esmo
ninguém vai ficar por cá

A dúvida que aqui se deixa
é se esta nossa passagem
dá motivo para queixa
de quem fez igual viagem

Se poucos deram por isso
nem mal nem bem praticou
não foi o tal enguiço
enquanto por aqui andou

E a maioria é esta
dos milhões que aí param
é árvore em floresta
se a cortam nem reparam

Alguns que são mais falados
depois da sua partida
até foram maltratados
no percurso desta vida

Não é por muito lutar
durante a sua existência
que alguém pode julgar
que serve de referência

Homem velho, muitos anos
e tanto que ele sofreu
nunca fez grandes planos
só os que Deus lhe deu

A sombra que a árvore dá
para o homem é um prazer
mas quem ao lado está
por vezes nos faz tremer

Contas feitas afinal
entre os dois há diferenças
na busca do ideal
encontramos parecenças

Um e outra são precisos
um queima outra é queimada
mas os homens sem juízos
fazem sempre mais borrada

E tanto corta n’amiga
que um dia fica sozinho
perde onde hoje se abriga
e onde aves fazem ninho

Mas é esse o destino
traçado pela maldade
o homem esse traquino
não melhora com idade

A FESTA


ESTE TEMA DO NATAL, que é a época que eu não escondo que me causa tristeza, porque me obriga a reflectir sobre o mundo em que vivemos, o qual é consequência do comportamento, de uma forma geral, do ser humano a que pertencemos, não me dá razão para me sentir feliz, avaliando os resultados que, pelo menos nestes vinte e um séculos que decorreram, o Homem foi capaz de apresentar, pois que, para além da evolução técnica em muitas áreas que permitiram chegar a este ponto de chamado avanço, e também salientando as excepções das grandes cabeças pensantes e das saliências artísticas que merecem ser recordadas, a regra foi a das incompatibilidades, das invejas, das vaidades, tudo isso resultando em guerras tremendas e, ao fim e ao cabo, nessa divisão angustiante que não diminui, antes aumento, dos muito ricos e dos excessivamente miseráveis que pululam por todos os continentes.
A crise a que se chegou nesta altura, essa então não pode contribuir para que nos sintamos satisfeitos com o que foi feito e, acima de tudo, com a herança que cabe aos agora bebés e jovens que, logo a seguir, terão de suportar as dívidas que, no caso português, é o que tem sido a forma de viver seguida na época que chegou até hoje: compra-se agora e paga-se depois. Alguém suportará a dívida!
E, sabendo-se que, neste ano que está a terminar, os nascimentos de novas gerações ficou abaixo dos cem mil seres, quando as estatísticas indicam que necessitamos de algo como cento e sessenta mil para equilibrar a velhice que ainda se movimenta, por aí temos de concluir que o défice de gente jovem fará com que, quantos menos forem, mais caberá a cada um a quota parte que lhe cabe ter de pagar.
Mas, seja como for, hoje, sendo o dia que antecede a Festa que, dentro da normalidade, reúne a família – para não nos determos, como seria o mais lógico, naqueles que, não tendo casa, vivendo nas ruas, será apenas com a sopa dos pobres com que poderão “comemorar” a data -, cá tenho eu, neste meu blogue, que deixar os votos que estão na boca de toda a gente: Boas Festas para os que, por muitas dificuldades que estejam a enfrentar, esqueçam, por um dia, o que lhes está a custar tanto viver, mantendo a esperança de que o dia de amanhã se apresentará mais favorável.
É o que posso fazer, já que não tenho o direito de transmitir o meu desconsolo e a minha tristeza a quem não tem o mesmo sentimento. Que sejam, pois, felizes e deixem a vida correr…
Amanhã é outro dia!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A IDADE

Com a idade tudo é diferente
p’ros que têm consciência de tal
deixa de ter importância p’ra gente
tudo que antes era capital

Olhamos p’ras flores com outros olhos
são todas lindas em qualquer estação
singelas, soltas ou mesmo em molhos
regala a vista, adoça o coração

Os anos passam, pouco tempo resta
só vale a pena ater-se ao importante
entusiasmo não se manifesta
tudo o mais fica lá para montante

Eu digo isto, mas me envergonho
não me despego do que é menor
pois me toca no mundo enfadonho
muita coisa com bem pouco valor

Sou humano e por isso imperfeito
Faz o que digo, mas não o que faço
Mas o que é verdade e dá mais jeito
é não olhar ao que causa embaraço

A juventude é sim o futuro
pois é ela quem amanhã comanda
mas p’ra poder ultrapassar o muro
tem de aprender a dirigir a banda

E são os velhos quem passa a palavra
com a experiência de ter feito erros
e o saber que na terra se lavra
desde a nascença e até aos enterros

Quer para o bem ou p’ra todo o mal
a terceira idade é por vezes mestra
mas como o homem é um ser mortal
nem sempre dirige bem a orquestra

A grande dor é que nos tempos d’hoje
o testemunho não é bem passado
pois a juventude do saber foge
e os idosos olham para o lado

Mas mesmo assim a idade é um posto
ou pelo menos deveria ser
não vale a pena ter grande desgosto
só por se estar mais perto de morrer

VÃO-SE UNS, FICAM OUTROS...


JÁ ONTEM ME REFERI ao período que atinge o seu ponto mais alto na noite que decorre entre o dia 24 e 25 de Dezembro, data que os homens, em certa altura, decretaram, ser a do nascimento de Jesus Cristo, mas que é indiferente que corresponda à verdade ou não, porque o que importa é assinalar o aparecimento de um Homem que, como refere a História, se tratou de um Ser que tem vindo a servir de exemplo ao longo dos séculos, até agora vinte e um, e que, ao ter existido na realidade, o que se estranha é que, não se contando na época e nos muitos tempos que decorreram depois, os meios técnicos de comunicação de que se dispõem hoje, se tenha conseguido conservar a sua imagem que o cristianismo, essa religião também criada e divulgada pelos seres viventes com inteligência, se tenha expandido por muitos sectores do mundo.
Pois é do Natal que se trata. E sobre ele tive oportunidade de prestar o contributo que eu posso dar, tendo repetido o que já em anos anteriores foi motivo para escrever alguma coisa. E sendo esta noite que se realiza, para os praticantes, o festejo religioso da Missa do Galo, a qual, segundo algumas queixas que escutei e prestadas nas televisões por uns tantos sacerdotes, este ano não terá lugar em tão vasta área como antes, devido ao facto de se verificar alguma retracção por falta de público assistente, de padres que celebrem e também em virtude de uma clara preocupação em sair à noite, circunstância resultante da falta de confiança que se verifica actualmente de deixar as residências quando o escuro invade as ruas.
Seja como for, a realidade da vida actual é que coordena os comportamentos das pessoas e, em vésperas de apanharmos com o ano de 2011 pela frente, com o espectro das dificuldades que estão anunciadas pelo Orçamento do Estado, muitos dos portugueses – não a maioria, evidentemente, que nem tem ideia do que seja isso – temerá a chegada desse FMI que, de um lado se anuncia como sendo uma necessidade a que não se pode fugir e que até será bom para podermos ver o Governo de Sócrates ter de sujeitar às decisões que não saem da sua cabeça, mas que, por outro, é indicado como tratando-se do comando do nosso País por mães estrangeiras, o que molesta muito os que se clamam como patriotas inveterados que preferem o mal executado por compatriotas do que o eventual melhor – quem sabe? – mas saído de ideias que não têm a ver com o nosso País, repito perante a dita realidade, ainda que as famílias cumpram uma tradição que constitui, para cada povo, o que se transmite através de sucessivas gerações, a ideia negra que o que se tem que enfrentar logo a seguir, o desemprego que até atacará bastantes grupos familiares que poderão mesmo estar em festa, e o aumento do custo de vida que fará com que o dinheiro seja cada vez mais escasso, tudo isso poderá intervir no prazer de distribuir prendas, por muito poucas que elas sejam desta vez.
Mesmo nos casos, que abundam por aí, de falsas baixas por “doença”, que os médicos amigos mas pouco realistas em relação ao problema que causam ao País, e em que os festejantes se regalem com o prazer de ter em volta da mesa toda a família, sobretudo mais próxima, até aí o sorriso que romper para marcar uma ocasião, logo que se verifique a retirada dos participantes e, no dia seguinte, sendo já o Dia de Natal, chegarem à janela e verificarem a pouca gente que circula nesta cidade de Lisboa, esse sorriso se transformará numa face carregada de preocupação. Tem de ser inevitável.
Mas, mesmo tratando-se de uma breve momento de alegria, é bom que ele ocorra. A tristeza permanente faz envelhecer mais depressa. E de velhos está este País cheio… se bem que os novos, a juventude tenha de encarar o que a espera.
Mas também nós, que já fizemos parte desse grupo, passámos o nosso mau bocado. O que não se pode é comparar o que foi com o que vem. Os que se encontram nessa situação jovem, não viveram o então e os de hoje já não estará cá quando vier o depois…

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

NATAL

A data chega, infalível
cada ano, sem faltar
com festejos, consumível
dizem ser tempo de amar
sem ser com amor carnal
distribuir amizade
pelo menos no Natal
porque s’afasta a maldade
como manda o calendário
25 de Dezembro
como se fosse um notário
se tu t’esqueces eu lembro
boas-festas p’ro vizinho
seja amigo ou nem isso
há que parecer bonzinho
para depois dar sumiço.
Antes da data festiva
às compras se tem de ir
gastar pouco é missiva
faz falta é iludir.

Mas se no dia seguinte
for preciso fazer mal
com o máximo requinte
já se esquece o ideal
isto de ser comandado
pela folha da agenda
cumprindo sempre o feriado
como sendo uma encomenda
é caso p’ra perguntar
s’aquilo que está marcado
é que tem de se levar
até estar realizado

Cumpramos o estabelecido
façamo-lo tal e qual
será ele parecido
com todo e qualquer Natal

NATAL DIFÍCIL


AÍ ESTÁ ELE DE NOVO, repetindo o que sucede todos os anos. As mesmas frases, os mesmos votos, idênticas demonstrações exteriores de simpatia fabricada perante os outros. Há que cumprir um ritual, ainda que seja apenas uma indicação dada pelo calendário e que, como tantas outras manifestações de convívio, não corresponda em pleno ao significado do que se recorda, pois que se não for seguida a norma fica-se apontado como alguém que não se enquadra nos hábitos e costumes.
Pois é isso que me sucederá, embora eu não manifeste a tristeza que me envolve, especialmente no período natalício. Mas isso vem desde sempre. Na idade em que era costume as crianças correrem para a chaminé na ânsia de saber que prendas é que lhes tinham chegado, trazidas, nessa altura, pelo que se acreditava ser o Pai Natal, então eu não sentia o mesmo desejo. Bem sei que se tratava de uma época em que existia uma guerra mundial e que, em Portugal, se vivia com o problema dos racionamentos e que em mim me cabia, como rapaz da casa, ir para as “bichas” do pão, do azeite, do açúcar e de outros produtos com as senhas para adquirir o que faltava no mercado.
Ponho-me agora, a dias de entrar o tão temido 2011, a pensar que nos encontramos, já no século seguinte, numa situação parecida, não pela escassez de produtos mas sim, e ainda pior, pela miséria que vaga por aí e em que um grande número de portugueses anda cada vez mais a caminho das refeições que são distribuídas por organizações que se dedicam a acudir aos mais necessitados. E que a pobreza envergonhada, os desempregados, as famílias que viveram razoavelmente e que, de um dia para o outro, se viram despidas das mínimas condições de subsistência, até essas camadas são forçadas a recorrer a tais ajudas.
E se eu nunca fui um animado participante nesses festejos de Natal, então agora, nas condições actuais, ainda uma maior tristeza entra no meu espírito e uma espécie de revolta também me ataca, ao ver que as pessoas continuam, só por hábito mas sem poderem sentir no coração esse cumprimento, a desejar, a torto e a direito, as “boas festas”, como se nada de grave ocorresse por aí, neste caso em Portugal, que desse motivo a algum comedimento e certa demonstração de verdade nos votos que se fazem aos outros, até os que mal conhecemos.
Pois neste meu blogue, que diariamente preenche o espaço que tenho reservado para o efeito, apenas registo a passagem da data e demonstro a esperança, por pouca que seja, de ver o nosso País recompor-se a tempo da aflição em que se encontra e que, quem vier a caminho, na área da política, que tenha capacidade de actuar de forma bem diferente daquela que, há demasiados anos, o Sócrates utilizou à nossa custa.
Não sei quem possa ser, não escondo esta dúvida, mas como a esperança é a única a morrer, como diz o nosso povo, que a mantenhamos pelo menos nestes dias que se aproximam e em que o bacalhau serve de companhia, já que para o bolo-rei talvez não chegue o montante que se tem reservado e que o subsídio de Natal, para quem o tem, sempre ajuda alguma coisa.
Não sou capaz de fingir. É mais um Natal que ocorre e em que os portugueses, sentimentais como são, esquecem, num momento que passa depressa, asa agruras que se perfilam para chegar. Só que não podemos ignorar que, por esse País fora e com Lisboa a dar maior visibilidade, muitos excluídos dormem ao frio.
A tristeza, por mais que eu queira ver-me livre dela, não me deixa. Bem gostaria de andar esfusiante de alegria, mas pelo que assisto acontecer neste Globo e em particular no Portugal em que coube nascer, é coisa que não passa perto de mim. Vale-me a língua portuguesa, esta espantosa beleza a que me agarro tentando explorá-la o mais que posso e enquanto por cá andar. E por isso não paro de redigir em todos os momentos em que disponho de mim: é a poesia que me agarra e me dá um certo conforto, mas também a prosa, tanto mais que estou agora a ver se termino mais uma obra, esta com o título “HISTÓRIA DE UM LIVRO PERDIDO”, em que descrevo a passagem de mão de um volume que conta o que lhe ocorre com os seus diferentes donos. Pode ser que um editor se disponha a publicá-lo, mas se não, que fique por cá até um dia…
Entretanto, desejo a todos os que me seguem neste blogue, que o que está para ser proporcionado aos habitantes de Portugal não seja assim tão pesaroso como se imagina que pode acontecer… (è uma espécie de, o antes de ser já o era!).