sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A ÁRVORE E O HOMEM

Árvore, homem são iguais
os dois com suas raízes
mas às vezes são demais
e tornam-se uns infelizes

O homem não é excepção
como árvore na floresta
quando chegar dia não
lá parte e se vai desta

A árvore nossa amiga
ali está p’ra nos servir
e quanto mais antiga
melhor é o seu cumprir

O seu fim nunca se sabe
pode até ser na fogueira
logo que o seu tempo acabe
seu destino é ser madeira

A floresta mete medo
quando por lá nos perdemos
é tal e qual o enredo
em que às vezes nos metemos

Subir à árvore em pequeno
é prazer da miudagem
mas pisar um bom terreno
exige menos coragem

Por muito que não se queira
cada dia é menos um
quem chega à nossa beira
acaba por ser nenhum

Os outros dizem o mesmo
a minha vez chegará
toda a gente vai a esmo
ninguém vai ficar por cá

A dúvida que aqui se deixa
é se esta nossa passagem
dá motivo para queixa
de quem fez igual viagem

Se poucos deram por isso
nem mal nem bem praticou
não foi o tal enguiço
enquanto por aqui andou

E a maioria é esta
dos milhões que aí param
é árvore em floresta
se a cortam nem reparam

Alguns que são mais falados
depois da sua partida
até foram maltratados
no percurso desta vida

Não é por muito lutar
durante a sua existência
que alguém pode julgar
que serve de referência

Homem velho, muitos anos
e tanto que ele sofreu
nunca fez grandes planos
só os que Deus lhe deu

A sombra que a árvore dá
para o homem é um prazer
mas quem ao lado está
por vezes nos faz tremer

Contas feitas afinal
entre os dois há diferenças
na busca do ideal
encontramos parecenças

Um e outra são precisos
um queima outra é queimada
mas os homens sem juízos
fazem sempre mais borrada

E tanto corta n’amiga
que um dia fica sozinho
perde onde hoje se abriga
e onde aves fazem ninho

Mas é esse o destino
traçado pela maldade
o homem esse traquino
não melhora com idade

A FESTA


ESTE TEMA DO NATAL, que é a época que eu não escondo que me causa tristeza, porque me obriga a reflectir sobre o mundo em que vivemos, o qual é consequência do comportamento, de uma forma geral, do ser humano a que pertencemos, não me dá razão para me sentir feliz, avaliando os resultados que, pelo menos nestes vinte e um séculos que decorreram, o Homem foi capaz de apresentar, pois que, para além da evolução técnica em muitas áreas que permitiram chegar a este ponto de chamado avanço, e também salientando as excepções das grandes cabeças pensantes e das saliências artísticas que merecem ser recordadas, a regra foi a das incompatibilidades, das invejas, das vaidades, tudo isso resultando em guerras tremendas e, ao fim e ao cabo, nessa divisão angustiante que não diminui, antes aumento, dos muito ricos e dos excessivamente miseráveis que pululam por todos os continentes.
A crise a que se chegou nesta altura, essa então não pode contribuir para que nos sintamos satisfeitos com o que foi feito e, acima de tudo, com a herança que cabe aos agora bebés e jovens que, logo a seguir, terão de suportar as dívidas que, no caso português, é o que tem sido a forma de viver seguida na época que chegou até hoje: compra-se agora e paga-se depois. Alguém suportará a dívida!
E, sabendo-se que, neste ano que está a terminar, os nascimentos de novas gerações ficou abaixo dos cem mil seres, quando as estatísticas indicam que necessitamos de algo como cento e sessenta mil para equilibrar a velhice que ainda se movimenta, por aí temos de concluir que o défice de gente jovem fará com que, quantos menos forem, mais caberá a cada um a quota parte que lhe cabe ter de pagar.
Mas, seja como for, hoje, sendo o dia que antecede a Festa que, dentro da normalidade, reúne a família – para não nos determos, como seria o mais lógico, naqueles que, não tendo casa, vivendo nas ruas, será apenas com a sopa dos pobres com que poderão “comemorar” a data -, cá tenho eu, neste meu blogue, que deixar os votos que estão na boca de toda a gente: Boas Festas para os que, por muitas dificuldades que estejam a enfrentar, esqueçam, por um dia, o que lhes está a custar tanto viver, mantendo a esperança de que o dia de amanhã se apresentará mais favorável.
É o que posso fazer, já que não tenho o direito de transmitir o meu desconsolo e a minha tristeza a quem não tem o mesmo sentimento. Que sejam, pois, felizes e deixem a vida correr…
Amanhã é outro dia!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A IDADE

Com a idade tudo é diferente
p’ros que têm consciência de tal
deixa de ter importância p’ra gente
tudo que antes era capital

Olhamos p’ras flores com outros olhos
são todas lindas em qualquer estação
singelas, soltas ou mesmo em molhos
regala a vista, adoça o coração

Os anos passam, pouco tempo resta
só vale a pena ater-se ao importante
entusiasmo não se manifesta
tudo o mais fica lá para montante

Eu digo isto, mas me envergonho
não me despego do que é menor
pois me toca no mundo enfadonho
muita coisa com bem pouco valor

Sou humano e por isso imperfeito
Faz o que digo, mas não o que faço
Mas o que é verdade e dá mais jeito
é não olhar ao que causa embaraço

A juventude é sim o futuro
pois é ela quem amanhã comanda
mas p’ra poder ultrapassar o muro
tem de aprender a dirigir a banda

E são os velhos quem passa a palavra
com a experiência de ter feito erros
e o saber que na terra se lavra
desde a nascença e até aos enterros

Quer para o bem ou p’ra todo o mal
a terceira idade é por vezes mestra
mas como o homem é um ser mortal
nem sempre dirige bem a orquestra

A grande dor é que nos tempos d’hoje
o testemunho não é bem passado
pois a juventude do saber foge
e os idosos olham para o lado

Mas mesmo assim a idade é um posto
ou pelo menos deveria ser
não vale a pena ter grande desgosto
só por se estar mais perto de morrer

VÃO-SE UNS, FICAM OUTROS...


JÁ ONTEM ME REFERI ao período que atinge o seu ponto mais alto na noite que decorre entre o dia 24 e 25 de Dezembro, data que os homens, em certa altura, decretaram, ser a do nascimento de Jesus Cristo, mas que é indiferente que corresponda à verdade ou não, porque o que importa é assinalar o aparecimento de um Homem que, como refere a História, se tratou de um Ser que tem vindo a servir de exemplo ao longo dos séculos, até agora vinte e um, e que, ao ter existido na realidade, o que se estranha é que, não se contando na época e nos muitos tempos que decorreram depois, os meios técnicos de comunicação de que se dispõem hoje, se tenha conseguido conservar a sua imagem que o cristianismo, essa religião também criada e divulgada pelos seres viventes com inteligência, se tenha expandido por muitos sectores do mundo.
Pois é do Natal que se trata. E sobre ele tive oportunidade de prestar o contributo que eu posso dar, tendo repetido o que já em anos anteriores foi motivo para escrever alguma coisa. E sendo esta noite que se realiza, para os praticantes, o festejo religioso da Missa do Galo, a qual, segundo algumas queixas que escutei e prestadas nas televisões por uns tantos sacerdotes, este ano não terá lugar em tão vasta área como antes, devido ao facto de se verificar alguma retracção por falta de público assistente, de padres que celebrem e também em virtude de uma clara preocupação em sair à noite, circunstância resultante da falta de confiança que se verifica actualmente de deixar as residências quando o escuro invade as ruas.
Seja como for, a realidade da vida actual é que coordena os comportamentos das pessoas e, em vésperas de apanharmos com o ano de 2011 pela frente, com o espectro das dificuldades que estão anunciadas pelo Orçamento do Estado, muitos dos portugueses – não a maioria, evidentemente, que nem tem ideia do que seja isso – temerá a chegada desse FMI que, de um lado se anuncia como sendo uma necessidade a que não se pode fugir e que até será bom para podermos ver o Governo de Sócrates ter de sujeitar às decisões que não saem da sua cabeça, mas que, por outro, é indicado como tratando-se do comando do nosso País por mães estrangeiras, o que molesta muito os que se clamam como patriotas inveterados que preferem o mal executado por compatriotas do que o eventual melhor – quem sabe? – mas saído de ideias que não têm a ver com o nosso País, repito perante a dita realidade, ainda que as famílias cumpram uma tradição que constitui, para cada povo, o que se transmite através de sucessivas gerações, a ideia negra que o que se tem que enfrentar logo a seguir, o desemprego que até atacará bastantes grupos familiares que poderão mesmo estar em festa, e o aumento do custo de vida que fará com que o dinheiro seja cada vez mais escasso, tudo isso poderá intervir no prazer de distribuir prendas, por muito poucas que elas sejam desta vez.
Mesmo nos casos, que abundam por aí, de falsas baixas por “doença”, que os médicos amigos mas pouco realistas em relação ao problema que causam ao País, e em que os festejantes se regalem com o prazer de ter em volta da mesa toda a família, sobretudo mais próxima, até aí o sorriso que romper para marcar uma ocasião, logo que se verifique a retirada dos participantes e, no dia seguinte, sendo já o Dia de Natal, chegarem à janela e verificarem a pouca gente que circula nesta cidade de Lisboa, esse sorriso se transformará numa face carregada de preocupação. Tem de ser inevitável.
Mas, mesmo tratando-se de uma breve momento de alegria, é bom que ele ocorra. A tristeza permanente faz envelhecer mais depressa. E de velhos está este País cheio… se bem que os novos, a juventude tenha de encarar o que a espera.
Mas também nós, que já fizemos parte desse grupo, passámos o nosso mau bocado. O que não se pode é comparar o que foi com o que vem. Os que se encontram nessa situação jovem, não viveram o então e os de hoje já não estará cá quando vier o depois…

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

NATAL

A data chega, infalível
cada ano, sem faltar
com festejos, consumível
dizem ser tempo de amar
sem ser com amor carnal
distribuir amizade
pelo menos no Natal
porque s’afasta a maldade
como manda o calendário
25 de Dezembro
como se fosse um notário
se tu t’esqueces eu lembro
boas-festas p’ro vizinho
seja amigo ou nem isso
há que parecer bonzinho
para depois dar sumiço.
Antes da data festiva
às compras se tem de ir
gastar pouco é missiva
faz falta é iludir.

Mas se no dia seguinte
for preciso fazer mal
com o máximo requinte
já se esquece o ideal
isto de ser comandado
pela folha da agenda
cumprindo sempre o feriado
como sendo uma encomenda
é caso p’ra perguntar
s’aquilo que está marcado
é que tem de se levar
até estar realizado

Cumpramos o estabelecido
façamo-lo tal e qual
será ele parecido
com todo e qualquer Natal

NATAL DIFÍCIL


AÍ ESTÁ ELE DE NOVO, repetindo o que sucede todos os anos. As mesmas frases, os mesmos votos, idênticas demonstrações exteriores de simpatia fabricada perante os outros. Há que cumprir um ritual, ainda que seja apenas uma indicação dada pelo calendário e que, como tantas outras manifestações de convívio, não corresponda em pleno ao significado do que se recorda, pois que se não for seguida a norma fica-se apontado como alguém que não se enquadra nos hábitos e costumes.
Pois é isso que me sucederá, embora eu não manifeste a tristeza que me envolve, especialmente no período natalício. Mas isso vem desde sempre. Na idade em que era costume as crianças correrem para a chaminé na ânsia de saber que prendas é que lhes tinham chegado, trazidas, nessa altura, pelo que se acreditava ser o Pai Natal, então eu não sentia o mesmo desejo. Bem sei que se tratava de uma época em que existia uma guerra mundial e que, em Portugal, se vivia com o problema dos racionamentos e que em mim me cabia, como rapaz da casa, ir para as “bichas” do pão, do azeite, do açúcar e de outros produtos com as senhas para adquirir o que faltava no mercado.
Ponho-me agora, a dias de entrar o tão temido 2011, a pensar que nos encontramos, já no século seguinte, numa situação parecida, não pela escassez de produtos mas sim, e ainda pior, pela miséria que vaga por aí e em que um grande número de portugueses anda cada vez mais a caminho das refeições que são distribuídas por organizações que se dedicam a acudir aos mais necessitados. E que a pobreza envergonhada, os desempregados, as famílias que viveram razoavelmente e que, de um dia para o outro, se viram despidas das mínimas condições de subsistência, até essas camadas são forçadas a recorrer a tais ajudas.
E se eu nunca fui um animado participante nesses festejos de Natal, então agora, nas condições actuais, ainda uma maior tristeza entra no meu espírito e uma espécie de revolta também me ataca, ao ver que as pessoas continuam, só por hábito mas sem poderem sentir no coração esse cumprimento, a desejar, a torto e a direito, as “boas festas”, como se nada de grave ocorresse por aí, neste caso em Portugal, que desse motivo a algum comedimento e certa demonstração de verdade nos votos que se fazem aos outros, até os que mal conhecemos.
Pois neste meu blogue, que diariamente preenche o espaço que tenho reservado para o efeito, apenas registo a passagem da data e demonstro a esperança, por pouca que seja, de ver o nosso País recompor-se a tempo da aflição em que se encontra e que, quem vier a caminho, na área da política, que tenha capacidade de actuar de forma bem diferente daquela que, há demasiados anos, o Sócrates utilizou à nossa custa.
Não sei quem possa ser, não escondo esta dúvida, mas como a esperança é a única a morrer, como diz o nosso povo, que a mantenhamos pelo menos nestes dias que se aproximam e em que o bacalhau serve de companhia, já que para o bolo-rei talvez não chegue o montante que se tem reservado e que o subsídio de Natal, para quem o tem, sempre ajuda alguma coisa.
Não sou capaz de fingir. É mais um Natal que ocorre e em que os portugueses, sentimentais como são, esquecem, num momento que passa depressa, asa agruras que se perfilam para chegar. Só que não podemos ignorar que, por esse País fora e com Lisboa a dar maior visibilidade, muitos excluídos dormem ao frio.
A tristeza, por mais que eu queira ver-me livre dela, não me deixa. Bem gostaria de andar esfusiante de alegria, mas pelo que assisto acontecer neste Globo e em particular no Portugal em que coube nascer, é coisa que não passa perto de mim. Vale-me a língua portuguesa, esta espantosa beleza a que me agarro tentando explorá-la o mais que posso e enquanto por cá andar. E por isso não paro de redigir em todos os momentos em que disponho de mim: é a poesia que me agarra e me dá um certo conforto, mas também a prosa, tanto mais que estou agora a ver se termino mais uma obra, esta com o título “HISTÓRIA DE UM LIVRO PERDIDO”, em que descrevo a passagem de mão de um volume que conta o que lhe ocorre com os seus diferentes donos. Pode ser que um editor se disponha a publicá-lo, mas se não, que fique por cá até um dia…
Entretanto, desejo a todos os que me seguem neste blogue, que o que está para ser proporcionado aos habitantes de Portugal não seja assim tão pesaroso como se imagina que pode acontecer… (è uma espécie de, o antes de ser já o era!).

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

DA MINHA JANELA

Olho da minha janela
E não vejo
Tudo é igual ao que via antes
Nada se me apresenta diferente
Tudo monótono
Tudo igual
Nada me estimula a tentar descobrir
Se o mundo mudou alguma coisa
Se os homens estão melhores
Do que eram antes
Se a verdade impera
Nas cabeças que circulam
Se o egoísmo
A vaidade
A inveja
O orgulho
A prosápia
Se alguma coisa desapareceu
Da cabeça dos homens
Se o dar importância aos outros
O ouvir as suas razões
Sem contrariar
Mesmo sem concordar com elas
Se tornou um hábito salutar
Evitando discutir
Só dando opinião
Quando os outros a pedirem
Isso não descortino da minha janela
Pelo que não me dá vontade de sair
De conviver
De fazer parte do grupo
Que só diz eu
E raramente nós

CONSCIÊNCIA


QUANDO, MESMO TARDE, reconhecemos que praticámos um erro, quem tem consciência e a sente a funcionar, deparará com uma enorme satisfação se apresentar as suas desculpas publicamente ou, no mínimo, declarar-se faltoso perante a outra parte que terá, eventualmente, ofendido. Não se trata esta declaração de uma retórica saída de alguém que se tem como exemplo, mas apenas de um ser humano, igual a todos os outros que, chegada a uma altura da sua vida, se declara incapaz de prosseguir mantendo uma forma de ser que, até aí, não constituiu razão para ser querido pelos próximos e igualmente para si próprio.
E se esse erro foi o de não ter conseguido reconhecer que os comportamentos dos outros merecem ser atendidos com complacência, por muito inquietantes e penosos que eles sejam, metendo a mão na consciência e verificando que nós mesmos, muitas vezes sem nos darmos conta disso, procedemos da maneira menos recomendável e sem termos a humildade suficiente para nos compenetrarmos que errar todos erram, ficamos com uma determinada amargura que talvez possa servir para uma tentativa de emenda e um procedimento seguinte bem mais aceitável.
Este desabafo saiu-me depois de ter tomado conhecimento da notícia de que a Câmara Municipal de Lisboa cometeu uma falta que merece bem um castigo. É que, ao lhe ter sido oferecido por escritura notarial uma quinta de grande valor dada a sua posição nesta cidade, por um proprietário que fez essa operação em contrapartida de uma autorização para ele também poder construir, tal gesto foi tido com a condição explícita de aquele terreno seria destinado exclusivamente à construção de equipamento social.
O que sucedeu, porém, foi uma coisa muito diferente. O Município lisboeta destinou aquele espaço valioso à venda livre, acabando por ser integrado num projecto pertencente a uma empresa que até é pertença do milionário do jogo nos casinos, Stanley Ho, o que lhe rendeu uma fortuna que ingressaram nos cofres camarários e espera-se bem que não tenha dado lucros a nenhum interveniente, como acontece tantas vees.
Como seria de esperar, o antigo dono do terreno moveu um processo contra o abuso camarário e durante anos o caso arrastou-se nos tribunais. O costume! Até que chegou a altura de a decisão judiciária sair e em que a C.M.L. ficou condenada a pagar ao antigo doador um montante que atinge os 119 milhões de euros. Como sempre sucede, uns cometem as faltas e mais tarde são outros que têm de suportar as consequências, se bem que não lhes saia do bolso os prejuízos que terão sido provocados.
Ora aqui está uma actuação de homens que, neste caso, pertencem ao município lisboeta, que tendo procedido mal, não foi por sua própria iniciativa que o erro foi reconhecido. Trata-se de um mau exemplo, pois que não foi emendada a mão pelo próprio organismo que, sobretudo por ser uma organização oficial, uma Câmara Municipal, maior motivo deveria ter para reconhecer o erro que cometeu.
Tanta coisa por esse mundo fora em que o ser humano, escondendo a consciência para não ter que dar o braço a torcer e, especialmente quando os prejuízos que poderão resultar dos maus gestos não tocam directamente nos seus bolsos – como sucede sempre que não é chamada à responsabilidade a personagem pública que deveria responder pela sua má actuação -, deixa que as situações se prolonguem pelos tempos fora e, de uma maneira geral, até quando saem as decisões nos tribunais já os intervenientes terão partido para outras funções ou até para o outro mundo.
Ainda a tempo, porque o assunto continua sem solução, dado que a socialista Ana Gomes, política polémica que tem dado provas de que não foge a tocar em temas que, alguns deles tocam em figuras que se encontram mais ou menos protegidas, a questão dos submarinos, cujo pagamento muito pesa no orçamento nacional, tema este a que eu me tenho dedicado neste meu blogue e em que não se vê o Governo actuar por forma a retirar todas as dúvidas sobre eventuais e mais que certas corrupções que tiveram ocasião devido à referida compra de submersíveis que, só quando existe desafogo financeiro é que se poderia encarar, essa escandalosa aceitação de um contrato que, apesar de obrigar a que o pagamento do elevado custo dos navios dever ser feita através de compras de produtos nacionais, tal não se cumpriu, pois essa situação e a quem cabem as responsabilidades, isso é que não se descortina, o que tem de levar os portugueses, tão aflitos com as enormes dificuldades que lhes são impostas, a insurgirem-se fortemente – era o que devia acontecer, mas as greves só servem para outras coisas -, mas tal não se verifica e assim ficamos a aguentar o que nos é imposto por uma administração que finge que está acordada.
E é neste ambiente que todos nós temos de viver!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

CIGANOS

Gente que é diferente
porque assim ela quer ser
não é questão de ser crente
todas as fés podem ter

É uma raça, será
mas mais de vida um estilo
pois os que temos por cá
não querem mudar daquilo

Por todo o mundo existem
as famílias se entrelaçam
e aos de fora resistem

Os ciganos ameaçam
os que de fora insistem
e a sua vida devassam

E CUBA HEIM?!...


QUEM HAVIA DE DIZER que, 50 anos passados sobre a revolução socialista cubana, em que Fidel de Castro, agora retirado pela sua enfermidade e é o seu irmão Raul que se encontra à frente do Poder, a população iria ouvir, de voz daquele responsável, a declaração de que a situação económica e financeira daquele País tinha chegado a um ponto de enorme dificuldade, acusando o Governo de ter escondido a verdade, alterando a verdade dos números e não tendo sido capaz de evitar a catástrofe em que se encontra.
Quer dizer, de uma parte do mundo as acusações são dirigidas ao capitalismo e à actuação de forças financeiras, em que muitos bancos mundiais estão envolvidos, provocando a crise que já ninguém é capaz de esconder, enquanto do outro lado do Globo, como é o caso agora de Cuba, surge a confissão de que aquele sistema comunista não tinha conseguido libertar-se da situação que se espalhou sem escolher opções políticas.
Sem escolher, não é bem assim, pois que a China, essa e dizem que graças à política que foi iniciada por Mao-Tse Tung, atingiu os nossos dias com uma vitalidade económica e financeira que até leva Teixeira dos Santos a pôr-se na posição de pedinte, dado que existem possibilidades dessa Nação no extremo Oriente poder comprar parte da nossa dívida externa.
Bem, aquilo que eu aprendi há muitos anos na Economia, ainda que nunca constituísse uma preferência da minha parte, pois que o jornalismo absorveu completamente o meu interesse, mesmo assim ensinou-me que é fundamental que a produção, em quantidade mas sobretudo em qualidade e em preço, são o mais importante para incutir numa nação o mínimo de capacidade para não depender do exterior, quer no que consome como na área da sua fortaleza financeira, dado que as exportações representam a entrada de dinheiro e o desafogo que provoca a independência essencial para não se ficar à espera de que qualquer ajuda venha de fora.
Claro que existem várias formas de produzir bem e barato. E nem todas serão as que, especialmente nos países do ocidente, serão as mais aceitáveis. A seguida pela China, na altura em que toda população vestia uniforme e se encontrava limitada a seguir os princípios do Livro Vermelho, com salários miseráveis e com ausência total de regalias mínimas que poderiam interferir na vida pessoal de cada cidadão, essa imposição, se permitiu ir acumulando a prática de trabalho que, até nas lojas que se espalham pelo mundo com artigos de origem desse País se verifica, representou uma violência que não será justo que se obrigue o ser humano a suportar.
Mas também exactamente o contrário, ou seja o não incutir nos cidadãos o espírito de participar positivamente na criação de riqueza, esta proveniente do trabalho justo e cumpridor, tanto da parte dos empresários como dos que fornecem a força e a capacidade de produzir, isso é que leva ao ponto em que, por exemplo e mau, se encontra Portugal.
Tanto se defenderam os chamados “direitos do trabalhador”, frase feita que ainda hoje sai da bocas de alguns políticos ligados a extremismos que não se adequam à realidade nacional, que o que resultou foi que um grande número de portugueses se mantêm na busca de emprego, mas menos no trabalho.
Cuba, deu agora sinal de que vai mudar de atitude política, para tentar sair da posição difícil em que se declara estar. É pena que uma filosofia política resultante de uma revolução que entusiasmou grande parte do mundo e colocou até o célebre Che Guevara num pedestal que se tem mantido, se encontre agora a dar conta da sua falência. E só se espera que os detractores daquela dissolução de um governo que, também ele, representava, na altura, o que não deve existir, com um ditador capitalista que era forçoso pôr a andar, o que se deseja é que não se verifique um regresso ao passado, porque de governantes incompetentes e mal intencionados está este Globo cheio.
A nós, todas as manifestações de falência do sistemas de governação nos têm de fazer pensar. E, pelo menos que nos sirva de alguma coisa para, se tivermos ainda tempo, agarrarmos com todas as mãos as hipóteses de salvação que nos restem.
Não é que com o mal dos outros podemos nós! O mal que ocorre fora das nossas fronteiras tem de servir para nos avisar de algo.

domingo, 19 de dezembro de 2010

AINDA HÁ TEMPO

Já era tempo de se respirar
d’enfrentar a vida mesmo que resto
não nos imporem para trás andar
não precisar mais de fazer protesto
quem até hoje aguentou tanto
que com esperança lá foi vivendo
não é agora mesmo com espanto
que vale a pena gritar não entendo

Se metermos a mão na consciência
se humildade nós apelarmos
não pusermos a menor reticência
abandonando o desenrascarmos
talvez se encontre a solução
p’ro estado a que Portugal chegou
pois que isso está na nossa mão
cada um crendo “o melhor não sou”

Mas é pena pois que heróicos feitos
também tivemos com certa fartura
mas dessas acções tirarmos proveitos
se existiram foi de pouca dura
nunca soubemos recolher partido
que resultasse num bem pr’o País
foi escasso sempre esse sentido
tudo nos passou longe do nariz

Seja qual for a nossa conclusão
o que importa agora é mudar
estamos metidos na confusão
nem se sabe quem pode ajudar
e como um País não corre taipais
colocando letreiro de falência
nem remedeia andar a gritar ais
só nos pode salvar a coerência

Se agora somos mal governados
por quem bem devia fazer labor
e sem se sentirem sequer culpados
dizendo ao povo que “fazem favor”
há muita razão em os querer fora
em despedi-los com chuto no rabo
e pô-los à distância sem demora
não querendo ter mais nenhum nababo

Então depois quem vier a seguir
será capaz de por tudo nos eixos?
Se for igual a Alcácer Quibir
como foram outros tantos desleixos
após catástrofe nós não sabemos
se podemos pôr a casa em ordem
pois em discussões o tempo perdemos
ficando tudo na mesma desordem

Tenhamos então alguma memória
olhemos para trás e reflictamos
é o que nos diz toda a nossa História
sobretudo aquela que aplaudamos
e é pena, porque heróicos feitos
cá existiam com certa fartura
mas sempre os vimos de parapeitos
mesmo os que causaram certa agrura

Nesta altura já se perdeu bastante
o respeito pelo que fomos antes
a luta por esta vida andante
não nos dá tempo que seja sobrante
para reconhecer o bom que fomos
e o mais que podíamos ter feito
enquanto também ver o mal que somos
o que nos traria algum proveito

Ainda que mudar ao que chegámos
não seja obra fácil de assumir
após os males com que carregámos
e pouco ânimo para reflectir
faltando forças p’ra recomeçar
no sítio que tão bem conhecemos
aquilo que se impõe é não parar
esquecendo tudo o que sofremos

Antes do 25 e depois dele
lá p’ra muito longe tentando ver
para um futuro a que se apele
mais alegre e que se possa ver
o que mantemos é a esperança
de os vindouros serem mais felizes
que lhes chegue a bem-aventurança
de igualarem outros bons países

Se já nem isso conseguirmos ter
então é porque o fim está à vista
como depois da vida há um morrer
até aquele espírito fadista
não ficará para ser recordado
e cantares estranhos cá chegarão
pois que o chorar a ouvir o fado
é coisa que todos esquecerão

Os que ficarem neste canto luso
com outras cores e com outros falares
aos poucos deixarão tudo difuso
pois serão diferentes patamares
tendo já sido apagada a brasa
que era a causa de tanto afligir
pois quem não sabe manter sua casa
deve entregar a chave e partir

FRENTE-A-FRENTE


COMEÇOU JÁ O PERÍODO do confronto televisivo entre os candidatos à Presidência da República, para permitir aos portugueses avaliar o que cada um se propõe fazer se conseguir ser o mais escolhido para ocupar o referido lugar.
Como é natural, cada um defende a sua posição e desvaloriza a dos restantes concorrentes, o que, em Democracia, constitui uma forma legítima de actuar e em que conta bastante, não só o passado de cada candidato como também a maneira convincente que for utilizada para conseguir chegar ao âmago de cada votante.
Seja como for, esta eleição para Chefe de Estado de Portugal é a única, no quadro democrático que nos rege, que põe em causa a figura pessoal de cada um dos que se propõem vir a tomar lugar em Belém. Por mais que os partidos políticos tomem posições de apoio a este ou àquele concorrente, a verdade é que a presença física de cada um consegue mais peso do que todas as campanhas partidárias que forem montadas e, não obstante os apelos que sejam feitos para que os militantes de cada grupo partidário, em certos meios mais seguidores de ideologias, também tenham o seu peso e influenciem o alcance do número final a atingir. Mas, repito, tem muito mais peso a imagem pessoal de cada interessado na vitória do que toda a colaboração que seja prestada oriunda de fora do próprio.
Seja como for, o problema que se coloca a cada Presidente da República que tenha exercido ou venha a exercer a respectiva função, é a de não tomar partido por nenhuma das forças política que se confrontam no terreno, a que se encontra a desempenhar o papel de Governo ou as que se situam no lado contrário, isto é, são opositores ao que venceu as últimas eleições legislativas. E, por mais contrariado que esteja com a acção que está a ser desempenhada pelo Executivo, a realidade é que não lhe compete, pelo menos em público, dar mostras do seu desagrado, sob pena de sair do papel que lhe cabe e que está bem clara na Constituição da República Portuguesa.
Isso é certo, mas a questão que se põe então é se estará sempre interdito a essa figura número um do Estado, mesmo assistindo a um descalabro que esteja a decorrer pela má acção governativa, o demonstrar publicamente que existe preocupação e que alguma coisa tem de ser feita para que e prossiga no caminho que está a ser percorrido. Se assim é, então esse lugar não pode ser desejado por ninguém. Mas sabe-se que existem meios que podem, sem fugir aos estabelecido pelas leis da Democracia, alguma coisa fazer no sentido de procurar que as situações sofram os desvios mais aconselháveis, antes de ter de ser usado o gesto mais drástico e que é o da dissolução do Parlamento.
O falar claro e abertamente, com linguagem simples que seja entendível pelo menos esclarecido dos portugueses, fazendo-os compreender a todos a situação que se atravessa e o que se espera do seu comportamento, não tendo que ser em nada semelhante ao que os políticos dos partidos têm como hábito utilizar, pois que, infelizmente, não entenderam ainda que os habitantes do nosso País são fáceis de chamar para o interesse geral, desde que a fala se situe dentro do normal entendimento de todos os dias, essa maneira de actuar não põe ser recusada ao Presidente da República enquanto se encontra no exercício das suas funções. E, ao mesmo tempo, nada obsta a que, no recato dos gabinetes, a mesma personalidade dê claras mostras da sua preocupação quanto a esta ou aquela medida que seja tomada ou, melhor ainda, se prepare para ir ser exercida.
O P.R. não é Governo, todos sabemos. Mas que pode e deve exercer, sem receios, a sua influência, dando-a a conhecer de forma a que não provoque alarmes aos portugueses, através de comunicações directas a que não se tem de furtar, isso é que se exige da sua actuação. Manter-se cautelosamente mudo, nas alturas em que se verifica uma nítida preocupação dos habitantes, isso é que não se pode chamar de bom serviço a Portugal.
Os participante na corrida para poderem ser optados pelos portugueses já mostraram a sua cara nas televisões e encontram-se agora sujeitos às preferências dos portugueses. Infelizmente não é por aqui que a situação nacional poderá libertar-se completamente da gravíssima posição em que se encontra e é até bastante na Europa, o que lá se vier a passar, que poderá constituir certa ajuda, se nós, por cá, conseguirmos encontrar uma maneira mais apropriada para nos salvarmos do desemprego e da enorme dívida que está contraída.
Mas, enquanto isso, temos de escolher o melhor possível o próximo residente em Belém. Isso, no mínimo, sempre nos entretém.

sábado, 18 de dezembro de 2010

PERFEITO

Ser perfeito, acertar
os erros não cometer
e nunca se enganar
dará um grande prazer

O primor e a mestria
são coisas de ser perfeito
até a fazer magia
é preciso arte e jeito

Porém é uma verdade
isso vem desde gaiato
pois que tal qualidade

não se apanha por contrato
apurando-se com idade
faz o homem ser um chato

ESCOLHAS


CADA VEZ ME PREOCUPO MAIS com o problema da escolha dos políticos que se aspira que tenhamos à frente das instituições oficiais que têm o encargo de gerir o nosso País. É que, quanto mais oiço declarações dessas personalidades, e agora até assisto aos confrontos entre os candidatos às eleições para a Presidência da República, maior é a dúvida que reside em mim, posto que se escutam afirmações teóricas do que deve ser, mas faltam sempre as indicações da forma como se podem solucionar os problemas com que nos debatemos.
Precisamos diminuir o elevadíssimo número de desempregados no nosso País, é forçoso que a produção nacional aumente rapidamente e que as nossas exportações procurem equivaler-se ao volume do que importamos, torna-se imprescindível fazer frente à dívida externa elevadíssima que não há forma de parar e que ficarão às costas das gerações futuras, esses os principais males a que os tais políticos se referem, como se trouxessem ao conhecimento popular o que ninguém tem ideia de que é o que acontece.
No entanto, o que, até agora não foi comunicado aos portugueses, nem pelos elementos no poder nem mesmo pelas oposições que não se cansam de atacar os governantes, é uma descrição clara sobre a forma prática de actuar contra aqueles males. Terem a coragem de descrever o que tem de ser feito, claro que, na situação dos governantes, essa exposição seria descabida, mas quanto aos que se propõem ocupar aquele lugar, representa inegavelmente uma ausência de posição concreta que deixa os portugueses e os mais interessados para poderem escolher a direcção dos seus votos quando surgir a ocasião propícia, desamparados e confusos.
No caso da campanha para a chefia do Estado, pelos frente-a-frente que já tiveram lugar, especialmente o que colocou Cavaco Silva perante o concorrente Fernando Nobre, do lado do ainda PR o que se constatou foi que, possivelmente dada a circunstância conhecida de que quem ocupa o lugar de uma forma geral é o que está mais perto de repetir o posto, não se verificou uma convincente exposição, bastando-lhe ter-se resguardado no argumento de que jurou a Constituição e que, por isso, ele só podia ser o garante do seu cumprimento.
Podia ter ido mais longe e, se bem que as limitações que são impostas ao residente em Belém não lhe deixem grande margem para, sem medidas extremas – como a dissolução do Parlamento, por exemplo -, interferir, não sendo, de facto, muito grandes os meios de que dispõe para interferir nas actuações menos aceitáveis. Nas situações em que disse não ter vetado, mas que não concordava, o que seria certamente mais razoável é que não promulgasse e aguardasse pela segunda ida à Assembleia, sendo que, neste caso, a responsabilidade da acção não lhe caberia. Essa era uma posição clara e não estou aqui a declarar que a lei que se encontrava nestas condições era ou não do meu agrado.
Já no que diz respeito ao Fernando Nobre, a demonstração que fez, foi de que se encontra longe dos poderes do Presidente e que, embora não haja quem impeça que se dirija aos portugueses e expressa os seus pontos de vista, o que, em casos concretos de maior gravidade até se justificará, não é o mais conveniente ser causador de discórdias partidárias, podendo actuar de maneira mais discreta sempre que a situação se mostre mais complicada no sector dos desacordos mais evidentes.
Mas Fernando Nobre não foi convincente e bem se escusava de propagar o seu patriotismo, porque não está em causa o fervor patriótico de cada um dos concorrentes ao lugar, até porque se perguntar por aí quem ama ou não ama o nosso País, a resposta colectiva é de que todos “morreriam pela Pátria…
De igual modo, também não apetece ouvir da boca de Cavaco Silva que se deve a ele a solução de várias situações e que ele é possuidor da sabedoria plena sobre os problemas nacionais. Que não tem dúvidas e nunca se engana já foi lema que propagou no tempo em exerceu a funções primeiro-ministro e bem bastou tal arrogância, só comparável ao que afirma também, deste ou de outra maneira, José Sócrates. Basta, pois, de vaidosos!
Por estes motivos e também tendo assistido ao outro confronto verbal entre Manuel Alegre e o concorrente que tem o apoio do PCP, Francisco Lopes, não indo faltar no dia do depósito do voto, para não fazer parte das abstenções que são sempre prejudiciais numa eleição, porque permitem depois serem tiradas conclusões a favor deste ou daquele e não correspondem nunca à realidade, tenho de confessar que optarei pelo menos mau, mas com enorme preocupação por não ficar absolutamente convencido de que a escolha nos vai tirar do poço onde nos encontramos, quer na parte governamental quer também no que se refere ao locatário de Belém.
Mas, com isto não estou a propagar a ideia de que não devem os portugueses fazer todos os esforços para escolher o que lhe parecer melhor. Há que tomar uma responsabilidade e, neste caso, é a de participar no encontro da percentagem maior para alguém.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

HUMILDADE

Reconhecer o que somos
não tanto como julgamos
hoje tal qual como fomos
é sinal de que estamos
conscientes da verdade
sem pensar em exageros
aceitar realidade
não entrando em desesperos
isso é a humildade
que só permite o pensar
que é sempre a igualdade
a abrir portas p’r amar

Dos outros não sermos mais
é dos cidadãos dever
se somos todos iguais
em vida e até morrer
só a sorte e circunstâncias
permitem nossos caminhos
não há lugar p’rarrogâncias
onde só cabem carinhos
ignorância aceitar
de que os outros saber menos
é humildade abraçar
à vaidade só acenos

Se eu ser humilde propago
gritando aos quatro ventos
a própria humildade estrago
entrando nos fingimentos
para se ser bem sincero
tenho qu’acreditar bem fundo
sem cair no exagero
de não haver neste mundo
quem seja senhor total
da ciência e do poder
e que atinja o ideal
em tudo que é o saber

DESPEDIMENTOS


TINHA DE SER. Não podia acontecer o contrário. E eu – cá estou nesta repetição que parece doentia – que já aludi a tal tema em blogues anteriores, não posso deixar de frisar esta situação, até porque, na altura, recebi alguns comentários bem amargos, acusando-me de ser inimigo da que é chamada “classe operária”, posto que defendia a necessidade de se flexibilizarem as admissões e as dispensas de actividade na área do trabalho, como possibilidade de permitir que as empresas, especialmente as médias e pequenas, deixassem de ter receio em aumentar o número de funcionários, sobretudo quando lhes fazem falta, pois terminaria o problema de os dispensar logo que a baixa de rendimento se verificasse. Digo isto, muito embora não encontre uma certa fragilidade naquilo que veio a lume e que não corresponde ao essencial, que é o de fazer algo de importante que lute contra o monstro do desemprego que tanto nos aflige. Se isso não for conseguido, então esta medida não tem valor nenhum. Mas há que experimentar e estar atento aos resultados.
No fundo, a ideia que eu lancei não era diferente daquilo que se verifica em muitos países, até nos Estados Unidos da América, desde sempre, posto que, como é bem sabido, os nossos emigrantes, aqueles que são tão bem vistos quando passam as nossas fronteiras e procuram trabalho lá fora, esses não têm a menor garantia de que as empresas onde passam a trabalhar não os dispensarão um dia em que a circunstâncias não corram de feição económica não os favorecer. E, apesar dessa característica, a aplicação nas actividades que desempenham é bem exercida e, em todas as partes onde se encontram emigrantes portugueses, só se verifica o elogio em relação ao nosso comportamento.
Isso quer dizer muita coisa. E entre todas as características situa-se a confiança no trabalho que executam e a alta produção que lhes sai das mãos. Obviamente, também porque as entidades patronais dispõem de meios e de princípios de actuação que se adaptam perfeitamente às necessidades e tiram partido da afeição que os nossos compatriota dedicam ao trabalho e, acima de tudo, a aposição que assomem desde que deixam a Pátria e que é a de conseguir juntar bom dinheiro para poderem construir na origem a casa que sempre aspiraram ter e enviar para os progenitores a ajuda essencial para que a vida lhes corra melhor. Depois, com os filhos já ambientados no local onde passam a viver e criando raízes para o futuro, visitando as origens uma vez por ano, nas férias mas, a pouco e pouco, desvinculando-se da terra-mãe, excepto quando resolvem, regressar de vez, mas isso não são serão todos, esse exemplo prova que as condições de trabalho que foram oferecidas para lá das nossas fronteiras não podem ser consideradas como indignas ou mesmo criticáveis, antes serviram para angariar meios de melhor subsistência.
Mas este princípio não é aceite pelo sindicalismo tradicional português e tudo que não seja existirem condições de amarra entre empresas e trabalhadores, é considerado como inimigo da classe que tem se trabalhar por conta de outrem.
Pois foi o passo no sentido de diminuir essa obrigação tão feroz que foi agora dado, evidentemente por indicação vinda de fora, pois que, por moto próprio do Governo actual, essa medida não seria adoptada.
O frente-a-frente que teve lugar ontem, na RTP, entre os candidatos à Presidência da República, Manuel Alegre e Defensor Moura, não me deu mostras de que, em qualquer dos dois, se possa descansar quanto à solução que o nosso País necessita, pois as dúvidas ficaram patentes no que se refere às medidas concretas – isto se as houver -, que possam ajudar-nos a escolher o candidato, este ou os outros dois, mais aceitável.
Mas, ao mesmo tempo que a atitude governamental surgiu agora anunciada, outra situação compensa também no que respeita a decisões que os governantes tomam e que, mais tarde, se apresentam como complicações que bem nos atrapalham. O caso dos submarinos, cuja responsabilidade não foi nunca bem esclarecida, é um dessas e o futuro se apresenta com a obrigação de pagarmos o que não é essencial – digam lá o que quiserem – especialmente na situação em que nos encontramos de fragilidade financeira. Mas a outra vergonha da encomenda dos blindados para estarem presentes durante a que foi a Cimeira da Lisboa, dos quais chegou, apenas um, mas fora da data da sua eventual utilização, pelo menos os que não chegaram ainda e faziam parte da encomenda, segundo uma decisão do ministro que tem a pasta da Polícia, não serão aceites.
Vá lá, pelo menos abriram-se os olhos e não sucedeu como com os submersíveis que, ainda que tivesse corrido a notícia de que o seu pagamento aos alemães seria feito em contrapartida de compras de produtos portugueses, isso não sucedeu e não se sabe se o contrato teria sido redigido de forma suficientemente clara para que não surgisse depois desculpas de falta ao estabelecido.
E é isto, nesta altura em que, com o cheiro do Natal, os corações nacionais se derretem e desculpam tudo. Mesmo com o 2011 à porta e a sua sombra de terror a espreitar…

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

ESSA EUROPA!...


O QUE SE PASSA por essa Europa fora, com as revoltas de tipo popular que se verificam em várias cidades, com relevo especial para a Grécia, a Itália e também em Paris, mas com menor dimensão noutros locais, em que as manifestações atingem foros de grande violência, com prejuízos e ferimentos que as televisões assinalam, esses acontecimentos estão a provar que as populações se encontram verdadeiramente descontentes com as medidas que são tomadas pelos respectivos poderes que, segundo eles, são forçados a diminuir condições de vida dos povos que têm sob os seus cuidados.
É mais do que altura para todos nós, europeus, analisarmos a situação e dedicarmo-nos a estudar as razões dos factos e as formas de os ultrapassar. Porque o perigo do que poderá suceder daqui para a frente, em que o aumento de revoltas e das suas consequências pode levar a que, em dado momento, nos encontremos perante um completa guerra que ultrapasse em muito o que são ainda pequenas revoluções isoladas, face a tamanha possibilidade que já esteve mais longe de representar um rastilho que se propaga e que, em dada altura, será impossível de deter, essa pavorosa situação merece que os governos europeus ponham de parte questões menos graves e encarem de frente o que ocorre.
Mário Soares que, como eu tenho defendido neste espaço, também é partidário da criação dos Estados Unidos da Europa, conjunto que já esteve mais perto de poder ser seguido pela maioria dos membros europeus, os que adoptaram o euro – 16 – e os que mantêm as suas próprias moedas – 11 -, foi bem claro numa entrevista que concedeu esta semana a uma estação televisiva sobre a sua preocupação quanto à falta de entendimento profundo de todos os parceiros, especialmente no que diz respeito à atitude da Senhora Merkel que, na verdade, é a provocadora das divergências que existem entre uma parte da comunidade, pois que, com o apoio também de Sarkuzi, formam um bloco franco-alemão que, pela sua dimensão e até de um certo distanciamento das dificuldades económicas e financeiras que envolvem bastantes dos países da Europa, como é o nosso caso, não ajuda a que se conserte um continente que, de braços dados e em absoluta comunhão, enfrente a crise e forme um bloco de ajuda mútua, sem exclusões e sem reticências.
Pois é aí que eu, dentro do princípio que defendo há anos e que, cada vez mais, consiste numa necessidade urgente, volto a referir a importância que terá o ser formado o bloco que se poderá denominar como Ibéria e em que os dois países situados no extremo deste continente, pela sua dimensão terrestre e pelo número da sua população, representam um peso, logo uma importância que, nas reuniões dos países comunitários, tem de ter força para contribuir no que diz respeito às medidas que devam ser tomadas e, caso seja necessário, também se poderá opor a atitudes dominadoras de outros países que, como a Alemanha – especialmente se se junta à França – pretendem repetir posições que a História nos ensina como se passaram 70 anos atrás e cujos resultados não podem ser varridos para debaixo do tapete.
Alguém tem de se pôr de pé e falar alto e claro. Dizer as verdades, por mais duras que elas possam parecer e, por muito respeito que nos mereça o exemplo de um país, como a Alemanha, que perdeu uma guerra, que esteve dividida ao meio e que teve de pagar muitos prejuízos provocados pela actuação do seu “fuherer” da altura, mesmo assim se situa agora numa posição económica e financeira superior à maioria dos seus parceiros, apesar do reconhecimento que merece esse povo que, como é sabido, é dos mais organizados de todo o nosso continente, não é bastante para que, nesta altura, se esquive a participar no apoio que lhe compete como membro de uma comunidade que tem de estar unida e não separada por interesses de região.
Bem sabemos que os países que estão pior, como é o caso português, devem essa situação a má administração própria. A falta de visão a tempo do que as circunstâncias mostravam. Mas o que se trata é de não deixar cair os mais fracos, pois que o euro tem de ser mantido para que haja a Europa que todos nós desejamos.
Se voltarmos ao antes, com cada país a fazer renascer a sua moeda – e os casos em que os tais onze não aderiram ainda ao que corresponde uma obrigação, como é o que se passa como Reino Unido, entre outros, é merecedor de censura -, então isso representará o fim da Europa comunitária. E as consequências de tal acontecimento nem é bom pensar-se nelas.

EUROPA

Essa Europa de que tanto se fala
e de que muitos querem fazer parte
não encontrou ainda o caminho
anda confusa
anda perdida
está a consumir tempo
corre o risco de ficar pelo caminho.
A Europa das Nações é um sonho
ter esse objectivo comum
uma Constituição para todos
um governo geral
uma moeda igual (que já tem quase)
com línguas diferentes
costumes desiguais
bandeiras distintas
regiões autónomas
conseguir tal objectivo, não é fácil.
E porquê
se todos desejam fazer parte do grupo?
A resposta é simples:
é que a Europa é constituída por seres humanos
também ela
como o resto do mundo
e é por isso que o entendimento
a comunhão de ideias
e de interesses
a capacidade de não exigir o comando
o desprezar interesses pessoais
o atender ao bem geral
o não ser invejoso
tudo isso falta ao Homem.
Querer ser o chefe
o que manda
desejar a melhor parte
é isso que destrói as comunidades
é por aí que s partem as uniões.
A Europa chegou até onde está
Conseguirá avançar mais um pouco?
Mas quando?
E a que preço?
Até que ponto assistirá pacificamente às discordâncias?
Restará um mito?
Abdicarão os Homens do mau pelo pouco bom?
E as regiões que, por essa Europa,
lutam por independência
estão a passar de moda?Já eram?
Que isso de querer ser dono da sua ruas
deixou de ter razão de ser?
Pois não parece…

E a emigração de que este Continente
está a atrair tantas populações
os milhões de pessoas não europeias
que já se instalaram
e os que virão a caminho
instalando-se
tendo filhos
muitos
o dobro
o triplo
o quádruplo
dos naturais europeus
que mudanças irão provocar
nos hábitos
costumes
língua
cor de pele
da tradição europeia?
Daqui a cinquenta anos
quem cá estiver ainda
e os que nasçam
descendentes dos actuais europeus de origem
Paris
Londres
Madrid
Berlim
Lisboa
todas as grandes cidades
deste Continente
não encontrará nada igual ao que existe hoje.
Os que tenham a capacidade
de ler no futuro
que sejam capazes de desvendar
o futuro.
Embora talvez seja preferível
não se ficar a saber já…

Contemplando todos os Homens de hoje
não será difícil
fazer um exercício de reflexão.
A pergunta impõe-se:
Como é possível continuar a existir
Uma Europa
Com este material humano?
Essa Europa de todos por um
e de um por todos
é um desejo
um mito
toda a realidade dos dias de hoje
é outra.
Podemos ainda ter esperança?
Será preferível persistir numa Europa
Ideal
Unida
Amiga
Sonhada para ser diferente
do que se conseguiu até hoje
capaz de juntar vontades
interesses
forças?

Deixo aqui a pergunta
esta e outras.
e sei que há duas respostas possíveis
antagónicas
divergentes.

Têm fé de que os Homens
acreditam no êxito
têm fé que os Homens
apesar das suas características
encontrem o bom senso
mas outros
talvez a maioria
perderam a esperança

Europa unida?
Um bloco?
Vivendo todos os europeus
em comunhão?

Que sonho mais lindo!...





quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

SOU DIFERENTE EM QUÊ?

Gostaria bem de ser
um dos muitos deste mundo
a todos me perecer
não diferente profundo

A vestir não me distingo
os actos também iguais
lá no fim também extingo
como outros dou meus ais

Então sou diferente em quê?
Apenas no cerebelo
por isso é que ninguém vê

Mas no pensar, um duelo
mantenho nem sei para quê
um tão pesado flagelo

VALHA-NOS A BOA JUSTIÇA!


OS SERES HUMANOS que exercem as funções de juízes, de magistrados, quer de tribunais de maior envergadura quer de julgamentos de menor exposição – isto dito assim, de forma simples, para que toda a gente entenda, coisa que os sabichões que usam a fala para expor situações públicas não descem a tanto -, mas, repito, esses homens ou mulheres que vestem a toga e julgam os casos que lhes são colocados para determinarem se existem culpados ou não se encontram sujeitos também a que sejam apreciados pelo seu trabalho, isso particularmente no que se refere ao tempo de demora na finalização de cada processo, posto que a resolução a que chegam se situa na área dos processamentos que, a seguir, os defensores e acusadores de cada caso entendam levar por diante. E, também aí, sabe-se que as leis permitem que se utilizem as mais variadas formas de atrasar a solução final, de acordo com as conveniência de cada parte e em que os ganhadores são aqueles que, dispondo de maior desafogo financeiro, fazem arrastar o mais que podem até que, por vezes, claudicam os tempos e é arquivado o caso.
Mas, concretamente, quando as demoras são resultantes do mau funcionamento dos tribunais, especialmente quando as sessões para ouvir os elementos que interferem nas causas, até mesmo como testemunhas, têm de repetir várias idas às chamadas (sem poderem faltar), adiando-se datas sem atender a que os intervenientes se têm de deslocar propositadamente, nessas situações alguém pode chamar à responsabilidade o juiz ou juíza que proporciona tais mudanças de datas? A resposta é por demais conhecida. Tratam-se de profissões que se encontram absolutamente protegidas de qualquer exigência de responsabilidade, ficando sempre imunes ao mau cumprimento de uma actividade pública.
A pergunta que ocorre fazer, ainda que sabendo-se de antemão que as estruturas que existem não levam em conta o interesse em serem resolvidos os defeitos que se verificam de forma eficaz e que persistem em manter-se e que todos nós sabemos que necessitam de mão de ferro para serem resolvidas, a questão a pôr-se é se não deveriam existir também nos tribunais os conhecidos livros de reclamações que, por exemplo, para os restaurantes são tão eficazes.
Bem se sabe que desacordos em relação às decisões dos juízes no julgamentos que tenham lugar não podem ser objecto de reclamações por essa via, mas tudo que corra mal naquelas instituições e que seja consequência de mau serviço dos funcionários que ali actuam, sejam eles altos juízes ou simples actuantes de baixo nível, como por exemplo os constantes adiamentos de julgamentos, depois de estarem marcadas audiências, esse desinteresse total pelos transtornos provocados aos cidadãos não pode, não deve, não se admite que seja utilizado por quem, na realidade, se encontra em Portugal acima de todas as críticas e reclamações – os “poderosos” juízes.
Ao menos que o bastonário da Ordem dos Advogados que foi agora reeleito nas suas funções e que tem sido apontado como excessivo interventor de situações que ocorrem mal na sua área, Marinho e Pinto, que apareça a apontar também este problema que, feitas bem as contas, causa enormes prejuízos ao País e provoca paralisações no trabalho de muita gente que, não podendo faltar aos julgamentos, acaba por não se encontrar a produzir…