quinta-feira, 18 de novembro de 2010

HOMEM PERFEITO

Quisera eu ser outro ser
nem comigo me parecer
aceitar tudo, bom-mau
ter atenção ao degrau
e se é feio não ouvir
o melhor sempre é fingir
viver só um dia à vez
não ver mal que outro fez
deixar passar quem tem pressa
ajudar a quem tropeça
mostrar sempre paciência
e ter à mão a clemência
para quem tem pouco tino
e tem gosto em ser cretino
não mentir se não faz falta
nem nunca enfrentar a malta
se ela está enfurecida
e vem de arremetida
deixar quem quer dissertar
se é feliz só por falar
também contrariar
quem pensa nunca errar
e gosta de se ouvir
querendo sobressair
contrapor não vale a pena
não torna a conversa amena
nem sempre o contraditório
tem algo de meritório
estar de acordo p’ra fora
para dentro não senhora
mas ninguém dará por isso
p’ra não causar reboliço
queria ser bem perfeito
ser limpinho sem defeito
estar bem com todo o mundo
que digam eu ter bom fundo

Mas se eu fosse assim
poria a rir-se de mim
e a chamar-me nomes feios
e a gritá-los sem receios
quem fosse bem diferente
que é afinal toda a gente
e eu ficaria calado
sem reagir, sem enfado
pois um santo não reage
e aceita qualquer traje

Mas sendo assim afinal
não tendo nada de mal
p’ra que serve um ser quejando
que não faz qualquer desmando
que tudo deixa na mesma
e se move como lesma ?

Queria então ser assim
suave como cetim.
Mas sem fazer mal nem bem
ser assim um Zé ninguém
que não tira nem aumenta
e só coloca água benta
em tudo que o rodeia
é mole como geleia ?

Pensando bem, não senhor
prefiro sim pôr fervor
naquilo em que me empenho
dando todo o meu engenho
mesmo que contrariando
e provocando desmando
nos interesses já criados
ainda que mal pensados;
pior que fazer mal feito
mesmo obra sem preceito
é falta de iniciativa
é ficar na defensiva
é deixar cair os braços
é ser igual aos madraços
é não cuidar do futuro
nem mostrar ser-se seguro

Homem perfeito, vá lá
toda a gente gostará
até por comodidade
e para deixar saudade
quando partir e for desta
para a prolongada sesta

ESSE SER HUMANO!...


QUEM ACOMPANHA com alguma regularidade o meu blogue diário tem consciência de que a opinião que expresso quanto ao ser humano não é de completo apreço pelos seus actos, reconhecendo, no entanto, que, ao longo da existência desde milhares de séculos para trás e até aos dias de hoje, as raras excepções não são suficientes para que passe a ter outro conceito em relação ao seu comportamento. Afirmo isto com grande revolta contra mim mesmo, não só porque sou também um desses seres, mas igualmente devido ao facto de, com frequência, ter o desejo de mudar de ponto de vista e de encontrar razões para que me considere equivocado no conceito que faço sobre os mais de 6 mil milhões de criaturas que pisam nesta altura a crosta terrestre.
No entanto, se sem qualquer tipo de complexos metermos a mão na consciência, até porque com esse acto talvez possa, cada um de nós, procurar contribuir para que ainda mais alguma coisa de menos bom continue a sair das cabeças dos nossos governantes, talvez cheguemos à conclusão de que a maior parte de conflitos, desentendimentos e até guerras monstruosas que a História de todas as parte do mundo nos tem relatado, têm origem na falta de acordos e de diálogo amistoso entre as partes que se encontrem em confronto, por os lados opostos não desejarem que sejam consideradas cada uma mais fraca do que o opositor. A vaidade humana situa-se sempre em primeiro lugar e os resultados que se têm verificado nas milhentas ocasiões em que se impõe chegarem a acordo, esses situam-se na área das costas voltadas, quase sempre com prejuízo para todos os dissidentes.
Porquê venho eu agora com esta lamúria? Pois é perante a situação que se contempla na Europa dos nossos dias, em que, após se terem formado sucessivamente agrupamentos que têm a aparência e o propósito de juntar interesses dispersos, tendo-se já chegado à junção de 27 países que se comprometeram a seguir normas comuns, essa intenção não atingiu ainda – e existem muitas dúvidas sobre se alguma vez lá se chegará – o ponto em que se verifique a mais perfeita irmandade, a fim de os mais favorecidos estenderem as mãos aos que dão mostras de necessitar de auxílio, ainda que seja por falta de qualidade de actuação dos que são tidos como responsáveis.
Como já sucedeu noutras ocasiões no passado, tendo mesmo como exemplo o que constituiu o início da última guerra mundial e que foi precisamente neste nosso Continente que a ambição de estender o poder para além das fronteiras que cabiam aos que deram azo a tal carnificina, nesta altura, esse passo acabou por envolveu muitos países e povos, tanto na Europa como no resto do Planeta.
Mas, nesta altura, seria de esperar que os políticos de agora tivessem aprendido alguma coisa com os conhecimentos da História. E que, face ao que se atribui à crise – também ela consequência da má actuação dos homens -, enchendo-se tanto a boca de CEE, de Mercado Comum, de Comunidade Europeia e mesmo da vontade de nascer uma espécie de Estados Unidos da Europa, se verificasse uma completa unidade que não pudesse vir a ser a causa da destruição de um sonho que, tendo a maior razão de se tornar realidade, o que se contempla em cada dia que passa é que não se mantém o egoísmo de uns tantos parceiros desta zona do mundo que não desejam abdicar de alguma parte do seu poder e que, pelo contrário, se aproveitam de ser mais favorável a sua posição económica, territorial e financeira para aumentar o poderio de que gozam, ainda que, diga-se a verdade, essa situação favorável seja devida a uma melhor governação que protegeu os seus habitantes do pior da crise.
Portugal, como é mais do que conhecido, devido à péssima actuação dos seus governantes dos últimos anos, encontra-se na posição de ter de aguardar pela ajuda que lhe seja dada, por muito que os que cá se encontram no pelouro do comando façam por esconder essa realidade. E é agora que o encosto que venha do exterior, ainda que as orientações também tenham de nos ser dadas por outros que não portugueses, é urgente. Mas a Europa está a faltar, quer no quer a nós diz respeito como a outros países que, em idênticas circunstâncias, pelo que a nossa posição agora é de expectativa.
E, no que se refere ao (des)entendimento dentro das nossas próprias portas, entre os vários grupos políticos que são a base da Democracia, como nos podemos admirar por se assistir à falta de criação de agrupamento de países comunitários se, no que nos toca cá em casa, cada um puxa para o seu lado e o encontrarem-se soluções comuns é o mais difícil de se conseguir? Preocuparmo-nos com o bem geral, com o futuro de Portugal, ainda que isso obrigue a capitular de interesses pessoais ou de pequeno grupo, isso é que o Homem só muito raramente leva em atenção tal bem-fazer.
A situação portuguesa neste preciso momento que se atravessa deveria fazer com que todos nós, os que somos naturais e habitantes deste Rectângulo, puséssemos de lado convicções ideológicas, preferências casuais, interesses pessoais, apelando única e exclusivamente ao que é necessário empreender para que possamos sair, mesmo que só com grande dificuldade, do profundo “buraco” em que nos encontramos. E, se não existisse outra razão, pensássemos no panorama que espera os nossos vindouros, ao inferno em que vão viver ao longo de toda uma geração e ao desprezo que nascerá nas suas cabeças em relação a todos nós, os que, nesta altura, não fomos capazes de evitar tamanha situação dramática.
A dúvida está em saber se os causadores principais do descalabro a que chegámos, o Sócrates, o Teixeira dos Santos e, no fundo, todos os que, desde o momento em que se deveria ter enfrentado com competência a situação, não foram capazes de ter dado mostras de que não seguiam as pesadas de um chefe que, eu bem aviso, quando sair do pelouro irá encontrar uma situação de resguardo que o libertará de problemas e de pedido de responsabilidade por toda uma população, grande parte dela a que até votou na sua eleição… no segundo mandato!
Eu, por mim me declaro, também sou culpado!… Haja quem não tema meter também a mão na consciência.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

MAR


Óh mar que te perdes no infinito
onde a vista não alcança o termo
andas em busca de todo o estafermo
que nas tuas águas lança detrito

Já foste mais limpo óh mar sereno
mirávamo-nos todos no espelho
irmãos no mundo, do novo e velho
e não havia em ti qualquer veneno

Hoje, neste globo emporcalhado
onde o amanhã já pouco importa
não és para nós o mesmo singular

Perdeste o que era o nosso agrado
estás a tornar a nossa vida morta
acabas sendo uma estrumeira, oh mar!

OH MAR SALGADO!...


SENDO PORTUGAL um País que possui uma área marítima, incluída na Zona Económica Exclusiva, dezoito vezes maior do que o espaço terrestre que constitui o território que nos cabe nesta ponta da Península Ibérica, para além de ter sido, no passado, líder na História do mar, e, na actualidade, constituir, por todas essas razões, uma espécie de modelo desejado por tantos países do nosso Continente que, não tendo o mar a banhar-lhe as costas, bem desejariam dispor dessa oferta da Natureza para a aproveitarem em toda a sua plenitude, cabendo-nos tal privilégio o que nos leva a lastimar são as nozes que nos foram postas à disposição e a falta de dentes que nos têm faltado para as mastigar convenientemente.
Em termos populares é o que me salta na escrita que estou a produzir. E, desenvolvendo o tema com maior afinco, sem ser necessário recorrer a uma grande imaginação, é causa para nos pormos a meditar sobre a situação que o nosso País teria alcançado se, com espírito empreendedor e depositando grande confiança nas técnicas que têm vindo, há anos, a ser desenvolvidas nas explorações marítimas, o que proporcionou já a outras nações o terem ultrapassado enormes dificuldades económicas graças ao aproveitamento da área marítima de que dispõem para, entregando as buscas e explorações de petróleo procuradas nas suas águas a empresas internacionais que dominam tal negócio, se nos tivéssemos preocupado em seguir essa via não teríamos conseguido vermo-nos libertos da crise mundial que também nos atingiu de maneira feroz.
Mas vou mais longe. Se, em vez de termos expendido tantos milhões em auto-estradas que sobram no espaço terrestre que nos pertence e que, na fase actual, até nem se consideram tão essenciais, efectuando acordos com os especialistas na área petrolífera de molde a que as pesquisas retirassem todas as dúvidas sobre se, na área que nos corresponde no Oceano Atlântico, se verifica ou não a possibilidade de extrair o precioso líquido, nem é necessário grande esforço para se imaginar o ponto em que Portugal se encontraria hoje em tais circunstâncias. Afinal, o nosso querido Timor, aquela metade de País que tantas dificuldades atravessou e que, durante o período em que foi uma colónia portuguesa, nunca passou daquela cepa torta que constituiu uma norma de todos os pedaços que fizeram parte da nossa presença comunitária – Angola, teve a sorte de lhe ter sido descoberto petróleo, ainda na época de Salazar, o que causou ao ditador português um enorme aborrecimento e, nesta altura, tem o seu desenvolvimento pendente de tal realidade -, mas ainda quanto a Timor, nesta altura até se propõe ajudar o nosso País com a compra de alguma porção de dívida pública, esse exemplo não dá a menor ideia de ambicionarmos vir a gozar de idêntica felicidade, pois que os nossos Sócrates andam embevecidos com os seus próprios feitos e não dispõem de o mínimo de iniciativa para enveredar por aquilo que, sendo de princípio um sonho, valeria sempre a pena investir-se em tal hipótese, dados os resultados que se obteriam se, numa área marítima como aquela que se encontra ao longo da nossa costa, surgisse o que foi encontrado em tantas zonas do mundo.
Mas, se nem à pesca somos capazes de tirar o partido que, por exemplo os nossos vizinhos espanhóis, não deixam por mãos alheias, como é que podemos ter veleidades em que, das cabeças de governantes portugueses, tivesse saído algum espírito de iniciativa que atingisse a dimensão da probabilidade que refiro neste texto?
Eu não espero que sejam os de fora que venham criticar a nossa moleza em deitar as mãos a tudo que possa sugerir uma forma de nos desenvolvermos, aproveitando as circunstâncias que foram colocadas ao nosso alcance, neste caso pela característica da nossa posição geográfica. Se fossem esses, eu não gostaria nada. Mas sermos nós, portugueses, a apontar os erros que nos cabem, isso não apelido de falta de patriotismo pois, pelo contrário, o não dar um passo no sentido de apelar para as nossas faculdades criadoras é que tem de representar a ausência de amor ao que é nosso.
Sempre fui assim e continuarei a sê-lo… até!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

SOBERBA

Ser-se com outros pedante
querendo sobressair
nada faz com que adiante
ao contrário só faz rir
presunçosos
a soberba é grotesca
é prova de ruindade
é defeito que se pesca
onde não há humildade
orgulhosos

Normalmente os que sabem
não mostram qualquer vaidade
conscientes que não cabem
seja qual for a idade
o saber
São os muito ignorantes
que presumem de saber
dão mostra de arrogantes
para toda a gente ver
para esquecer

O mal é que o mundo aceita
os que arrotam pescadas
os que formam uma seita
e dizem coisas erradas
sem sentido
mas a soberba assusta
impõe-se aos temerosos
e até sendo injusta
adapta-se aos mais pirosos
humildade


BRINQUEMOS TODOS!



AFINAL ANDAMOS POR CÁ A BRINCAR A QUÊ? Esta a pergunta que fariam ainda os ingénuos portugueses, que são muitos, sobretudo os que não acompanham em pormenor o que o Governo que temos (não) vai fazendo. A afirmação saída da boca do ministro da Economia, António Mendonça, de que as obras do TGV, a partir do Poceirão e até ao Caia, vão começar no início de 2011, isto contrariando o que ficou combinado entre José Sócrates e o PSD, tal tomada de posição precisamente na altura em que os contribuintes vão sofrer ainda maior agravamento pelas exigências de dinheiros públicos que são cada vez mais escassos e em que as dívidas ao estrangeiro não param, não pode deixar senão de boca aberta todos nós que nascemos e vivemos nesta Terra.
É forçoso remodelar o Executivo, clamam alguns. Este grupo chefiado por Sócrates encontra-se completamente esgotado há já muito tempo, é o que se ouve em muitas bocas. Pois é, mas a verdade é que, enquanto isso não se verifica – e nem se sabe muito bem como tal pode suceder -, a brincadeira da governação é coisa que vai atirando para o fundo do mar esta ponta oeste da Europa que não dá mostras de encontrar um caminho de mínima seriedade, já que de competência isso nem vale a pena falar.
E a propósito disso mesmo, da seriedade, tal postura é coisa que não se verifica em nenhuma área de gente que se encontra bem situada no meio da putrefacção política, económica e financeira em que vivemos. Não é então isso que os jornais já não escondem, com os benefícios ofensivos que recebem alguns que não têm o menor pudor em sacar o que o possível, por mais vergonhoso que isso seja. O título que enchia as primeiras páginas dos diários, de que “ricos ganham milhões livres de impostos”, sendo expostos todos os nomes de alguns deles, posto que, seguramente haverá muitos mais de que nem se tem conhecimento, tamanho escândalo em que as caras dessas figuras são expostas e que surgem também com frequência nas televisões a debitar opiniões sobre o estado em que se encontra o País, essa pouca vergonha só é possível porque as forças que têm poder para pôr um ponto final fazem ouvidos de mercador e olham para o lado, dando também nesse sector a prova provada de que não existem.
Tudo que está mal por cá e que, mesmo perante as dificuldades financeiras com que nos debatemos – ou até por isso – maior razão oferece para que se actue com eficiência e que um Governo, se ele funcionasse correctamente, teria ocasião para interferir, ao depararmos com a indiferença em que se movimenta, deixa-nos de pés e mãos atados e não se compreende, por isso, que venha até o Presidente da República efectuar recomendações teóricas de que devem os portugueses ter confiança e fazer o que estiver ao alcance de cada um para que saiamos deste panorama.
É o que eu não me farto de repetir, pregando no deserto: é fundamental que todos os responsáveis em alguma coisa, especialmente os da política, falem a verdade e digam claramente o que está mal, apontando os caminhos que devem ser seguidos. Não escondam os erros, próprios e alheios. Tenham a coragem de reconhecer que, até da parte de cada um, não foi a melhor atitude, esta ou aquela, a que foi tomada.
Claro que eu sei que nós, portugueses, não somos muito adeptos de, por nossa iniciativa, confessarmos os erros que praticamos. A culpa é sempre dos outros. E quando presenciamos os benefícios exagerados que uns tantos ainda recebem, por motivo de se encontrarem em posições que lhes permite meter ao bolso valores fabulosos, a única atitude que nos resta é a da revolta. Muda e surda.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A FELICIDADE TEM FIM


Esses
os que atravessam a vida
embalados pelas musas da felicidade
conhecendo o desafogo
da saúde
dos bens materiais
dos amigos

Esses
com uma família amiga
um trabalho compensador
produtivo
rentável

Esses
que não têm de que se queixar
que tiveram sempre uma vida para trás
reconfortante
e o que está à vista
é animador

Tais humanos
só podem ter uma angústia
a de um dia isso acabar
a do fim de uma cena deslumbrante
sendo uma maldição o terem de deixar em meio
o que lhes dá tanta felicidade,
o não ser infinito o que corre bem
e essa inquietação dói mais
do que aos que não levam a vida
mergulhada em satisfação,
em alegrias,
em coisas boas

Esses
pelo contrário
são perseguidos pelo tormento,
pelo desgosto
pela reocupação
de tudo acabar um dia

Esses
não anseiam pelo ponto final
pelo dia em que há que virar a página

Uns e outros
Afinal
não sabem se a infelicidade acaba, num caso
e se a felicidade dura sempre

Mas todos
desconhecem o que virá depois

ESCREVER SEMPRE O MESMO


JÁ TENHO ESCRITO isto tantas vezes e de tantas maneiras que considero ser cansativo para quem me lê com regularidade que volte ao mesmo tema de novo. Mas por cá, neste País de gente que, sobretudo a que se encontra colocada em posições de relevância, não quer saber as opiniões dos outros, porque as deles é que são as únicas que merecem atenção, eu, que sou teimoso, acho que vale a pena insistir. E é isso que faço.
Já me referi em tempos às conversas em família, que era este o título, que Marcello Caetano, na sua época pós Salazar, manteve aos écrans da televisão do Estado em que, expondo os seus pontos de vista e sem conhecer o que pensavam os portugueses, pois a censura da época e o sistema ditatorial não dava essa abertura, numa linguagem de pai de família lá foi expondo alguma coisa do que ocorria, diferençando-se, nesse aspecto, do seu antecessor. Mas não era isso que eu propus, após o 25 de Abril, que fosse efectuado pelos diferentes chefes de Governo que foram assumindo essas funções. O que eu considero que sempre faltou na nossa Casa foi a explicação, em termos completamente entendíveis, do que tem sido feito e as razões por que se seguiu por um caminho e não por outro.
Sobretudo, a partir do período em que começámos a sentir nas costas os efeitos de uma crise que avançava bem claramente e só não a viu quem andava noutro planeta – o caso do Sócrates, que por isso nos deixou chegar ao ponto em que estamos -, todas as explicações verdadeiras e claras que se impunham ser transmitidas aos habitantes do nosso País eram poucas, porque em vez de andarem a pôr paninhos quentes naquilo que acabou por ser uma realidade bem sofrida, em lugar de avisarem que era necessário levar uma vida de harmonia com as nossas posses e não fazer aquisições de toda a ordem, só porque os bancos anunciavam ajudas de toda a forma e o gastar agora para depois logo se ver é coisa que tinha que acabar como é o panorama que enfrentamos neste momento.
Afinal, ainda hoje o José Sócrates não é capaz de transmitir aquilo que todos os portugueses tiveram e têm necessidade de conhecer e as afirmações de que “há outros ainda piores” serve para disfarçar o que é o principal do folhetim que tem vindo a ser construído entre nós. E todas as malvadezes políticas, com repercussão económica e financeira nas nossas contas, essas mantêm-se escondidas e as benesses escandalosas que são ainda concedidas a uns tantos ”amigalhaços”, como é o caso do presidente da EDP, António Mexia, que ganha 8.500 euros “por dia”…, para não falar também dos gastos com os festejos do próximo Natal, quando o que se impunha com gente que pensa e tem bom senso era o não despender um euro com iluminações e com apetrechos de qualquer espécie. E quando, como vem anunciado na Imprensa, o Executivo socratiano admitiu 45 novos funcionários por semana para assumirem cargos no Governo e na administração directa e indirecta do Estado, perde importância a afirmação de Eduardo Catroga de que “venha lá quem vier para comandar o Executivo “não há milagres”, pois que nos últimos 10/15 anos tivemos um modelo de desenvolvimento errado.
Eu vou, portanto, enquanto tiver forças para isso, teimando naquilo que considero indispensável fazer e que é o falar verdade aos portugueses, o não esconder os problemas que já temos e aqueles que aí vêm, o explicar minuciosamente os motivos que levam a serem tomadas medidas dolorosas e qual é o panorama que nos espera já a seguir e mais tarde.
Claro que a saída de José Sócrates do lugar de primeiro-ministro, o afastar-se, ainda que seja por sua vontade, só ajudaria alguma coisa, mas não é a solução completa do berbicacho em que nos encontramos, pois nem sabemos se existe por aí um conjunto de políticos que tenham capacidade, competência, valentia, pois então, para agarrar o que se arrasta por aí e que necessita de mão firme para mostrar, cá dentro e no ambiente externo, que finalmente somos capazes…
Quero acreditar. Quero. Insisto. Morrer na praia, como agora se diz, é que não!

domingo, 14 de novembro de 2010

CANSADO

Estou cansado do que fiz
do muito que já foi feito
ter querido o que não quis
levado coisas a peito
no fundo
confundo
o que neste mundo
é sempre segundo

Queria coisa melhor
ter vaidade numa obra
com a escrita ou pintor
mostrando arte de sobra
ser primeiro
de pé, pinheiro,
sem berreiro
bom viveiro

E se eu não me acredito
se ao alto eu não cheguei
o muito que deixo escrito
eu nunca renegarei
seja o que for
é suor
algum amor
muita dor

Mas a busca do talento
aquele que nunca fica
causa grande sofrimento
nem sempre se justifica
quem procura
com agrura
vive numa tortura
pode cair na loucura

Fatigado eu estou
mas se paro por momentos
já não sei p’ra onde vou
encontro outros tormentos
prossigo
castigo
afadigo
me obrigo

O que não quero é queixar-me
não vale já a lamúria
o que posso é castigar-me
rogar por génio com fúria
combater
querer vencer
e se perder
refazer

Chegado a esta altura
com tantos anos p’ra trás
este vício não tem cura
e mudar não sou capaz
aguentar
sem queixar
esperar
por outro ar

Cansado lá isso estou
p’ra isto não há remédio
eu sei bem p’ra onde vou
libertar-me deste tédio
então adeus
sonhos meus
enfiados nos seus breus
tapados por negros véus



PORTUGAL DOS PQUENINOS


JÁ NÃO NOS CHEGA preocuparmo-nos com a luta que temos de enfrentar com a situação actual do nosso País e o pensarmos o que vai ser o próximo ano de 2011, que vai oferecer perspectivas ainda mais terríveis, bastantes delas ainda só imagináveis, como ainda por cima tem de pairar no nosso consciente o futuro que espera as gerações vindouras, pois é a elas que vai caber ter de pagar as dívidas monstruosas que têm sido feitas pelos actuais governantes. Tudo isso é e será o quadro de pinturas agrestes que se tem vindo a criar neste nosso País e que, por muito que ainda existam portugueses – cada vez menos, é verdade – que sustentem uma esperança vã de que não será tanto assim, que alguns “milagres” protegerão os lusitanos, os que ainda viverem e os que surgirem já em plena catástrofe do depois, têm de aceitar que é nossa obrigação hoje precaver, na medida do possível, o que parece ser inevitável. E que não escondamos as realidades com continhos de fadas que nem mesmo as crianças aceitam.
Mas, se nos referimos agora às gerações do amanhã, vale a pena também pararmos um pouco e observar como se encontra a juventude de hoje. E, para tanto, chega que assistamos a certos concursos que ocorrem nas televisões e em que são feitas perguntas, consideradas de cultura geral – se bem que, muitas delas não tenham nada a ver com os conhecimentos úteis dos cidadãos comuns – e em que a ignorância aflitiva dos participantes de jovem idade mostra claramente o baixo grau de conhecimentos que, os ainda frequentadores da classe primária (insisto em chamar assim e não classificar de primeiro ao quarto ano) e mesmo os que já se encontram na frequência dos liceus (também chamo assim, porque não vejo motivo útil para alterar a nomenclatura), nem se preocupam em esconder e essa falta de aprendizagem representa a nula confiança que se pode depositar em tais homens de amanhã, pois não é só a nossa História, nas mais elementares passagens da sua riqueza, mais antiga e mais recente, que escapa à sabedoria dos de idade própria para terem ainda fresca tal matéria, mas é na língua portuguesa, que se verifica estar a perder, a olhos vistos, a prática que os maiores foram obrigados, e ainda bem, a acumular na sua bagagem intelectual. Segundo um semanário divulgou esta semana, alunos do 2.º ano secundário não conseguiram colocar por ordem alfabética uma lista de nove palavras começadas por “m”!... E essa experiência ocorreu no meio de umas tantas outras que pretendiam avaliar o grau de conhecimento de uma classe formada por alunos de idades entre os 12 e os 14 anos. É assustador!
Sendo assim, para quê andarmo-nos a preocupar com a situação de Portugal na área da política, da economia, das finanças e das incompatibilidades que se verificam entre os chamados “grandes” de idade que, nesta altura têm nas mãos o dever de levar o nosso País pelo menos mau caminho possível, por forma a deixarmos um rectângulo à beira-mar plantado que venha a ser melhor tratado no futuro do que ele tem sido ao longo dos nossos dias?
Os que vierem que tratem deles. Que sejam capazes de dar a volta e de solucionar os problemas que lhes são deixados e os que provavelmente eles também criarem. O tradicional encolher de ombros poderá ser a forma cómoda de se encarar o problema.
O pior para todos nós, os que fizemos todos os esforços para que a nossa lusofonia fosse mantida e até enriquecida, pois que essa fortuna era a única que nos restava e que, tendo-a recebido de Camões e de Pessoa, entre bastantes outros também merecedores do nosso maior respeito, todos nós, que sempre temos querido conservar tamanha ventura, presumimos que já não é apenas uma Nação que se vai debater no fogo da devastação que este século XXI nos trouxe e que não conseguimos ultrapassar. É bem triste chegarmos a esta conclusão.
Que importa, pois, que um ministro dos Negócios Estrangeiros tenha vindo agora dar mostras daquilo que seguramente outros seus colegas gostariam de acompanhar: o de que a fidelidade ao seu primeiro Sócrates se está a diluir. Tudo, a pouco e pouco, se encontra a ruir, e, no meio de tudo isto, sem que ninguém com alguma audiência tenha dado mostras da inutilidade em se realizarem quaisquer tipos de manifestações e menos ainda a anunciada, claro que por Carvalho da Silva, greve geral que, no dia 24, fará paralisar mais do que já está, há muito tempo, toda a produção nacional.
Eu, por mim, sento-me a observar. E choro para dentro. Porque, com todas as discursatas que vão desde o Presidente da República até às figuras que se crêem ser as mais bem pensantes de Portugal, recomendando – e só isso, sem dizer como – que a nossa produção tem de aumentar substancialmente, perante tudo isso e com as greves e manifestações estéreis que se produzam eu entendo que, na ausência do bom senso, só me resta ficar quieto e mudo. Porque ninguém se mostra disponível e assume a coragem para dizer que não é parando que se resolve qualquer problema
Esperem pelo tal Fundo Internacional e logo verão a primeira coisa que eles vão impor: a anulação das tais justas causas para despedir, na perspectiva de que a liberdade de admitir e de dispensar talvez diminua o malvado desemprego, que isso é uma praga que não se cura com paninhos quentes. E, por muito que arvorem bandeiras com frases cabalísticas, essa acumulação de gritos deixa tudo que está mal a continuar assim… ou ainda pior.
Contra mim falo. Eu que sempre lutei, ao longo da minha vida, pela legislação que criasse condições cómodas para que os chamados trabalhadores tivessem as garantias de “um emprego para toda a vida”, acabo agora, nesta altura, de ver como andei enganado… E repito o que tenho escrito neste meu blogue: acabem com as horas obrigatória de abrir e fechar estabelecimentos. Mantendo os horários de trabalho, sim, mas dando liberdade total a que cada responsável pela sua loja a tenha aberta sempre que queira, seja pequena ou trate-se de um grande complexo. E as obrigações de regras que as fiscalizações municipais impõem aos estabelecimentos, essas sejam suspensas durante este período difícil, de molde a dar incentivos à criação de iniciativas e porem de parte as burocracias que tanto deleitam os que se encontram por detrás dos guichets públicos e a todos os níveis.
Se não se der uma mudança substancial nos nossos procedimentos, de um lado e do outro dos balcões e das secretárias, uma verdadeira revolução de costumes, daqui a uns tantos anos, outros nacionais de então e, provavelmente até com outra língua, será outra coisa que aqui estará implantada. Mas Portugal de portugueses… isso será muito difícil!...

sábado, 13 de novembro de 2010

AS PROMESSAS

Coisa fácil prometer
sem medir consequências
é fazer aos outros crer
nas nossas influências

O pior é quando falha
tudo o que se garantiu
o preciso lá encalha
porque também se iludiu

Se não podes não prometas
é melhor dizer que não
do que servir-se de petas
p’ra mostrar bom coração

Infeliz desiludido
é tão mau como doença
pois faltar ao prometido
é destruir uma crença

Só usar a simpatia
p’ra criar bom ambiente
é profunda tirania
sobre a quem é crente

É verdade que a verdade
dita a tempo e com firmeza
não constitui crueldade
antes mostrar a certeza

Promessas feitas à toa
é que são o mal do mundo
só as faz quem atraiçoa
e mete os outros no fundo
Eu por mim, que sou sincero
se não posso digo não
podem-me chamar severo
mas não serei aldrabão




CONTENTINHOS DA SILVA


SEJA PARA ONDE FOR que nos voltemos, escolhamos o tema que escolhermos e que diga respeito à actuação dos nossos ditos responsáveis governamentais, com o que deparamos é só com erros, disparates, equívocos, desculpa de mau pagador, actuações sem conteúdo, enfim um rol enorme de passos dados em direcções contrárias ao que deveria ter sido feito, e isso seja qual for o departamento ministerial que tenhamos em vista. No Trabalho, na Educação, na Justiça, da Economia, nas Finanças, na Agricultura, na maioria esmagadora desses sectores que têm um elemento escolhido pelo Sócrates para desempenhar as funções de dirigente são chorrilhos de asneiras e de desempenhos aquilo que nos é mostrado. E essa é explicação que se pode encontrar para o estado deplorável em que se encontra o nosso País.
E, para cúmulo da desgraça, devido à circunstância do esquema político que se nos depara não aconselhar a que sejam tomadas medidas que conduzam à demissão do Governo que nos atasca de más actuações, são os portugueses obrigados a assistir à manutenção do “status quo” até à altura em que existam condições para que se recorra a eleições legislativas que provoquem a saídas das figuras que se assentam nos lugares cimeiros e apareçam outras que tenham aprendido alguma coisa com os eros que têm sido cometidos de há uns anos para cá. E isso, muito embora não exista no povo português uma grande confiança de que a mexida total no panorama existente consiga remediar todos os males feitos a Portugal pelas mãos do primeiro-ministro que temos suportado.
É esta a minha dúvida e, como sempre faço, não escondo o descontentamento que me assalta há já bastante tempo e que tenho vindo a demonstrar neste meu blogue. É que o ponto até onde nos arrastaram é de tal modo grave que não há milagres que, pelas mãos do homem, cheguem para retirar o País do fosso e será por bastante tempo que todos nós, naturais desta terra lusa, sofreremos as consequências dos irresponsáveis que teimaram em não querer ver as realidades e em ter tomado as medidas que se impunham e que passavam sempre pela redução substancial das despesas excessivas que foram feitas, ainda que não fosse só aí que se tenham verificado erros governamentais.
O ano de 2011 já está à vista e as perspectivas que se aguardam são as mais negras que alguma vez ocorreram no nosso País. O encerramento de empresas, todos os dias e os despedimentos de centenas de empregados vão aumentando o número já astronómico de gente que vai para casa sem ordenado ao fim do mês. Por outro lado, como o sector da produção, do auxílio técnico às exportações e da criação, especialmente com capitais vindos de fora, de novas empresas que empregassem gente e se virassem para o exterior para dinamizar a saída de produtos fabricados por cá, o que obrigava o Governo a criar condições favoráveis para atrair tais investidores, dado que essa actuação não esteve nunca no firmamento preferencial dos homens do Estado (vide a agricultura portuguesa que foi abandonada progressivamente sem que nada fosse feito para o evitar – até pelo contrário), a posição a que chegámos é esta, de braços caídos, e de espanto por assistir ao interior do País praticamente abandonado apenas aos velhos por essas aldeias fora.
Não quero pintar mais neste quadro triste a que o nosso País chegou. Será que a juventude de hoje e a que vier a aparecer ainda se conformará em viver numa Nação derrotada e sem perspectivas, especialmente com um passivo gigantesco que terá de ser pago, nem se sabe como?
Haja quem me convença que a situação não é nem era esta. Se o optimismo resolver o problema, então que sejam esses contentinhos da silva que apareçam para mudar o panorama!...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

AINDA A TEMPO?


Já era tempo de se respirar
d’enfrentar a vida mesmo que resto
não nos imporem para trás andar
não precisar mais de fazer protesto
quem até hoje aguentou tanto
que com esperança lá foi vivendo
não é agora mesmo com espanto
que vale a pena gritar não entendo

Se metermos a mão na consciência
se humildade nós apelarmos
não pusermos a menor reticência
abandonando o desenrascarmos
talvez se encontre a solução
p’ro estado a que Portugal chegou
pois que isso está na nossa mão
cada um crendo “o melhor não sou”

Mas é pena pois que heróicos feitos
também tivemos com certa fartura
mas dessas acções tirarmos proveitos
se existiram foi de pouca dura
nunca soubemos recolher partido
que resultasse num bem pr’o País
foi escasso sempre esse sentido
tudo nos passou longe do nariz

Seja qual for a nossa conclusão
o que importa agora é mudar
estamos metidos na confusão
nem se sabe quem pode ajudar
e como um País não corre taipais
colocando letreiro de falência
nem remedeia andar a gritar ais
só nos pode salvar a coerência

Se agora somos mal governados
por quem bem devia fazer labor
e sem se sentirem sequer culpados
dizendo ao povo que “fazem favor”
há muita razão em os querer fora
em despedi-los com chuto no rabo
e pô-los à distância sem demora
não querendo ter mais nenhum nababo

Então depois quem vier a seguir
será capaz de por tudo nos eixos?
Se for igual a Alcácer Quibir
como foram outros tantos desleixos
após catástrofe nós não sabemos
se podemos pôr a casa em ordem
pois em discussões o tempo perdemos
ficando tudo na mesma desordem

Tenhamos então alguma memória
olhemos para trás e reflictamos
é o que nos diz toda a nossa História
sobretudo aquela que aplaudamos
e é pena, porque heróicos feitos
cá existiam com certa fartura
mas sempre os vimos de parapeitos
mesmo os que causaram certa agrura

Nesta altura já se perdeu bastante
o respeito pelo que fomos antes
a luta por esta vida andante
não nos dá tempo que seja sobrante
para reconhecer o bom que fomos
e o mais que podíamos ter feito
enquanto também ver o mal que somos
o que nos traria algum proveito

Ainda que mudar ao que chegámos
não seja obra fácil de assumir
após os males com que carregámos
e pouco ânimo para reflectir
faltando forças p’ra recomeçar
no sítio que tão bem conhecemos
aquilo que se impõe é não parar
esquecendo tudo o que sofremos

Antes do 25 e depois dele
lá p’ra muito longe tentando ver
para um futuro a que se apele
mais alegre e que se possa ver
o que mantemos é a esperança
de os vindouros serem mais felizes
que lhes chegue a bem-aventurança
de igualarem outros bons países

Se já nem isso conseguirmos ter
então é porque o fim está à vista
como depois da vida há um morrer
até aquele espírito fadista
não ficará para ser recordado
e cantares estranhos cá chegarão
pois que o chorar a ouvir o fado
é coisa que todos esquecerão

Os que ficarem neste canto luso
com outras cores e com outros falares
aos poucos deixarão tudo difuso
pois serão diferentes patamares
tendo já sido apagada a brasa
que era a causa de tanto afligir
pois quem não sabe manter sua casa
deve entregar a chave e partir

TEMPO É O QUE NÃO FALTA!...


“ESTAMOS A GASTAR os últimos cartuchos”, é a frase que foi ouvida ontem nos écrans das televisões, com estas palavras ou com outras com o mesmo significado, pois que o anúncio que a Europa já não se encontra em condições de participar nos termos habituais aos empréstimos a Portugal que têm decorrido nos tempos mais próximos, e a esperança da vinda do Presidente da China ao nosso País, em que existiu até uma espécie de fé quanto ao que daquele extremo Oriente poderia chegar para prestar auxílio aos nosso desalinho financeiro, mesmo isso já se diluiu no horizonte a ideia de que Portugal poderia em breve sair da situação gravíssima em que se encontra.
A minha paragem durante alguns dias com o meu blogue, devido a uma avaria estranha no sistema do meu computador, criou um interregno em que, pelo menos, não dei mostras do meu desassossego no respeitante ao pobre País que nos pertence e em que a governação nacional não dá sinais de ser capaz de executar sequer o plano que está aprovado no Orçamento e em que o ano de 2011 ainda vai ser mais austero do que tem sido o período que está a decorrer. É que, para além do atraso que o grupo socratiano deu mostras para ter diminuído drasticamente o exagerado plano de despesas do Estado, as que estão anunciadas no documento que teve a participação do PSD não vão ser suficientes e a cada passo deparamos com gastos que não têm nenhuma razão de ser na fase em que nos debatemos e não há a coragem de fechar drasticamente a gaveta dos dispêndios, como seja, por exemplo, o que está a acontecer pelo País e em que Lisboa serve de pioneira, e que são os festejos do Natal, pois que os portugueses compreenderiam seguramente que não se verificassem despesas supérflua com essa manifestação, tanto mais que se continuam a verificar despedimentos em massa de gente que estava a trabalhar, como é o caso do aeroporto de Faro, entre muitos outros, que dispensou num ápice centenas de funcionários que aumentarão o elevado número de desempregados que já existem.
Então compreende-se que uns tantos “chefões”, entre eles presidentes de Câmaras Municipais, façam figura de dispor de verbas para despender em superficialidades, quando o estado em que nos encontramos é de inteira pobreza e o FMI está aí à porta para pôr tudo na ordem, sabe-se lá com que violência, perante a nossa incapacidade de exercermos esse papel?
A dívida astronómica nacional ao estrangeiro e os juros que passaram já para uma plataforma superior aos 7 por cento, tudo isso não constitui notícias que possam alimentar quaisquer esperanças de que conseguiremos sair, pelos nossos próprios meios, da situação de queda em que nos encontramos. O que poderá vir a ser o futuro, ainda que o mais próximo, é coisa que ninguém pode expor com absoluta certeza. Que não será uma situação agradável, isso já eu venho a avisar há bastante tempo. Que deveriam, os que estão nos escalões superiores, ter transmitido aos portugueses, para os preparar com realismo e não para os andar a enganar como tem sucedido desde há, pelo menos, dois anos atrás, essa é a minha preocupação. Mas não foi isso que sucedeu. Então esse José Sócrates abusou da paciência do País, apontando-se sempre como um exemplo e criando a fantasia de que Portugal, com o seu excelente Governo, não se situava numa má posição… antes pelo contrário! E o resultado está à vista!
Eu, até ter forças para tanto e a cabeça ainda estiver no lugar, não deixarei de expor o que considero, mas sempre com a consciência de que não sei nada, constituir o que me parece ser o mais adequado para conhecimento dos que me lêem. Se, no passado, perante todas as forças que a Ditadura dispunha, a Censura e a Polícia política, nas minhas funções de jornalista sempre lutei para tentar fugir às imposições dos que mandavam no País, não é agora que me vou sujeitar às conveniências que também existem e que procuram esconder as realidades.
Muita coisa mudou, de facto. Mas não foi assim tanto ao ponto de nos podermos considerar viver em plena Democracia, essa política que impõe que saibamos ouvir os outros e respeitar as opiniões contrárias às nossas. Na política que por cá se pratica, para se atingir essa realidade ainda vão passar muitos e longos anos. Se lá chegamos!...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

TIVE ESTE BLOGUE ENFERRUJADO DURANTE VÁRIOS DIAS, PELO QUE NÃO CONSEGUI METER TEXTOS. FELIZMENTE JÁ PARECE ESTAR EM ORDEM E RECOMEÇO, POR ISSO, ESTA TAREFA DIÁRIA

ALFINETES

Como mudam os desejos
tal e qual as ambições
mas hoje não há sobejos
nem no fundo dos colchões

Dantes todos os pobretes
que tinham dinheiro à justa
não chegava p’ralfinetes
a vida era bem injusta

E agora, nesta luta
rodeados de falsetes
há quem mesmo com labuta

esconda sob os tapetes
a verba até diminuta
que tinha pr’ós alfinetes?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

VANDALISMOS


HAVERIA QUEM ADMITISSE que, devido às condições económicas, financeiras e com um desemprego que não para de crescer, os vandalismos que, aparentemente levados a cabo por gente jovem, deixa as paredes dos edifícios e mesmo os monumentos públicos todos manchados de tinta que desvaloriza tudo onde deixam marca da sua passagem, talvez se tenha chegado a pensar que essa fúria de cabeças doentes baixaria substancialmente, devido também à falta de meios para adquirir os “sprays” e porque algum bom senso acabaria por chegar.
Mas a verdade é bem outra. Sem ser suficientemente compreensível ou talvez nem por isso, a fúria do vandalismo permanece e, tal como a crise não pára de se instalar, mas se pensarmos bem poderemos concluir que a enorme quantidade de juventude (ou não será só essa?) que se encontra desempregada leva a que ocupem os seus tempos a encher de letras sem nexo, de pinturas horrorosas todos os locais que, se se encontram limpos, ainda maior furor de sujar se verifica.
O estado a que chegou também a Justiça no nosso País, em que a imposição da ordem publica atingiu foros de enorme desmazelo, faz com que estejamos entregues a um espírito de baixa punição não só de crimes considerados menores mas igualmente nos que tem de causar maior preocupação.
Pelo caminho que as coisas levam temos de concluir que haveremos de enfrentar uma vida no nosso Pais que nos conduzirá a desejar fugir fronteiras fora para qualquer sítio onde se verifique um mínimo de cumprimento de regras onde não se esteja entregue a uma completa anarquia. E não será apenas devido a tais pinturices.
Eu bem sei que este vandalismo de espalhar pelas paredes o mau humor ou o imaginado jeito para pintar não se passa apenas no nosso País. Em muitas cidades estrangeiras se assiste a idêntico espalhafato de sujidade, o que significa que tal atitude de tamanho mau gosto representa uma “moda” que se pegou, volto a referir, certamente nos indivíduos de idade ainda situada na juventude. Mas será que com o seu crescimento, com o entrar na vida a sério esses mesmos autores de tal malvadez não se arrependem do que fizeram antes e passem a prestar atenção às tendências dos seus descendentes de forma a evitar que lhes aconteça terem igual apetite?
Se ainda podemos ter a veleidade de ser exemplo de alguma coisa, neste particular os homens que se encontram em locais de decisão, caso se lhes vislumbrasse alguma aptidão para rectificar o que se encontra mal e que nem por isso apresenta grande dificuldade em dar a volta, se tais figuras se revoltassem por assistir ao emporcamento dos locais públicos encontrariam com facilidade remédio para esse actos. Bastava que as leis existem e que não são seguidas à risca, ao serem detectados os autores dos referidos actos, se lhes aplicasse a obrigação de limparem não só o que fizeram mas todo o borrado nos arredores, ficando com ficha nas autoridades para que, se voltassem a repetir tal gesto de agressão visual dos outros, o castigo que lhes seria aplicado teria de residir em algo que lhes ficasse na memoria.
Como existe tanta porcaria a ser limpa, se se começasse já a actuar de acordo com essa decisão, por um lado diminuiria, por certo, o número de novos pictóricos nojentos e, por outro, o que está desfeiteado começaria a desaparecer.
Se isso não acontecesse, se a solução não fosse essa, então haveria que deixar o mundo seguir o seu próprio futuro e até talvez disso se tirasse algum proveito: o de se pôr termo à pintura dos prédios, pois que, logo a seguir a serem construídos, rapidamente aparecem os bandiditos, munidos dos seus “sprays”, a deixar a marca dos seus maus feitios.
Numa altura como esta em que se vai discutir no Parlamento um Orçamento do Estado que se considera de mínima validade e que vai ser aceite por não acontecer coisa ainda pior, bem se lhe poderiam juntar medidas que mostrassem à população que o governantes lá conseguem encontrar formas de satisfazer necessidades que nem carregam nas despesas e que algum gesto de ponderação representariam.
Eu refiro-me a brincar a esta invasão de malfeitorias. Mas que o panorama não será dos mais encantadores, para os que cá ficarem e que vão carregar nas costas as consequências dos desvarios que cá se vêem praticando, os que não só terão de pagar as pesadas dívidas que lhes deixamos, como ainda por cima lhes vai caber assear o que encontrem pelas paredes e nos monumentos deste Portugal, essa tarefa irá enraivecê-los. Vai ser, de facto, uma boa herança que lhes deixamos!
P.S. – Se bem que o tema em cima esteja já tão gasto que pouco haverá a acrescentar, pelo menos por agora, ao que é cansativamente exposto por tudo que é órgão de comunicação, não quero que os meus leitores estranhem pelo facto de não me referir hoje ao Orçamento do Estado. Cá vai, pois:
Entre terça e quarta feiras, no Parlamento, o documento será referido, sabendo-se já que, na generalidade, o mesmo não encontrará oposição maioritária que o retenha pelo caminho. Nas especialidades, depois, é possível que algumas alíneas sejam sujeitas a críticas e, eventualmente, alteradas algumas passagens. Mas a verdade é que nada disso modificará o negro futuro próximo que vai ser oferecido aos portugueses, pois o que constituiu uma governação merecedora de todas as repulsas só deixou para nós e para os nossos descendentes um panorama que o que apetece é fugir, se calhar só para a China…

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A CORJA

A Terra está cheia dessa gente
que se julga melhor e dominante
que atropela todos pela frente
e olha o mundo, altivo, o mirante

Não ouve, não pára, não se importa
com caminhos que outros lhes indicam
dos princípios faz sempre letra morta
e galhofa quando alguns criticam

Será a maioria? Pois que seja
nem por isso lhes devem dar razão
o preciso é apagar essa forja

Por mim não lhes tenho qualquer inveja
nem me apetece apertar a mão
dessa gentinha que é uma corja

ESTES ESPECTÁCULOS!


ISTO, TANTO FAZ que chova como faça um lindo dia de sol neste País que bastante precisava ter outra gente digna de merecer, pelo menos, a gentileza que lhe concede a Natureza, não só pela posição geográfica que ocupa como também pelo passado histórico que lá foram edificando os que, nos nove séculos de existência, se sobressaíram da mole de habitantes que, sempre com as maiores dificuldades, conseguiram chegar até hoje. Porque isso do sol na eira e da chuva no nabal já foi chão que deu uvas, para usar termos bem populares que, em muitas ocasiões, dão um certo jeito.
Nesta altura do drama que se presencia no nosso País, em que os protagonistas fazem papéis de figuras ridículas, uns de maus da fita e outros de tontos que não sabem o que andam a representar, os temporais, as chuvas que já não são de molha-tolos até servem para desviar as conversas dos espectadores que choram, alguns na plateia mas a maioria na geral. O pouco dinheiro que lhes restava serviu para pagar obrigatoriamente o bilhete, pois que à saída da cada de representações só lhes resta ir pedir à porta, para poderem pagar o transporte para casa que, entretanto, também subiu de preço.
Bem, este argumento de uma peça nem precisou de ser muito ajudado pela imaginação. Bastou olhar em redor e passar ao papel o que se passa por todos os lados nesta nossa Terra.
Vamos ter Cavaco Silva de novo na Presidência da nossa República. Está mais que sabido. Mas também, quem podemos imaginar que venha a ocupar essas funções? Há assim tanto para escolher? E é o mesmo que quando chegamos à bilheteira de uma casa de espectáculos e quando temos de escolher o lugar nos dizem que só há um. Então tem de ser aquele!
Depois, na mesma sala de representações, já não são só os actos que se encontram por representar, pois também ainda restam sobras dos anteriores espectáculos que servem para nos entreter nos anfiteatros e enquanto aguardamos pelo toque da campainha a avisar que está quase a começar o programa que se segue. Esta agora anunciada, que o ex-ministro das Obras Públicas, Mário Lino, o tal do “jamais”, estava a ser investigado por “suspeita de corrupção”, no âmbito do processo Face Oculta, é bem uma amostra de que não nos chega assistir às cenas que se preparam para ser desenroladas nos diversos palcos da governação, o que ficou para trás também aparece para entreter os que pagam as entradas e que não têm outro remédio que não seja fazer alguma pateada que, na maior parte das vezes, nem chega aos ouvidos dos actores… ou ele fazem-se de surdos!
E quando, ao mesmo tempo, são revelados – como se ninguém conhecesse essa peça de opereta – os escândalos dos ordenados e pensões que calham nos bolsos de outros “artistas” que passaram por diversos teatros de comédia, sempre a receber enormes compensações e que ainda, depois de aparentemente retirados, ainda metem a mão na “bilheteira”, pois quem recebe o produto das vendas dos bilhetes lá está, com ordens superiores, para continuar a sustentar os gulosos que não param de vangloriar-se pelo seu “valor artístico” que os colocou em posições especiais, essa vergonhosa actuações á concedida a quem nem precisa de pedir ajuda da Casa do Artista.
É ter conhecimento de que uns antes presidentes de empresas relacionadas com o Estado, a REFER, a REN, a EDP Imobiliária e tantas outras de que nem há ainda conhecimento, essas instituições que vivem à custa do que usurpam ao povo pagador são as que atribuem altíssimos pagamentos, tanto enquanto exercem lá alguma (pouca) actividade, como depois quando saem reformados.
E a tudo isto o tal José Sócrates se mostra indiferente. Não se lhe vê um único gesto, nem a mais pequena palavra que mostre que não está disposto a aceitar estas poucas-vergonhas. Quem sabe lá porquê!...

domingo, 31 de outubro de 2010

EU

A 19 DE Março
nesse mês de Primavera
sou Peixes e não disfarço
nasci eu, nasceu a fera

Foi na década de trinta
já lá vão bastante anos
muita coisa já extinta
belezas e desenganos

Là nas Caldas da Rainha
minha mãe me deu à luz
só não fui um alfacinha
era essa a minha cruz

Desigual de muita gente
não subi no pedestal
talvez roçasse a tangente
mas nada de genial

Escrita e poesia
pintura também saiu
música em bem queria
mas tal não me acudiu

Sei o que é ser conformado
com o patamar que tive
menos mal por ter chegado
ao alto d 'um declive

Afinal e em resumo
perto de chegar ao fim
há que dizer com aprumo
eu nunca gostei de mim

EU, SEMPRE O MELHOR...


JÁ AQUI ME REFERI neste blogue ao uso do “eu” que é tão corrente descobrir nos palavreados da maioria dos portugueses, pois é hábito enraizado que virá de tempos bem recuados colocar sempre a actuação de cada um na primeira pessoa do singular, servindo de exemplo a levar em consideração no que se refere a ser-se merecedor de elogios e aplausos dos ouvintes. Talvez não prestemos muita atenção a esta característica, mas que se trata de uma forma de dar brilho à conversa lusitana e que todas as condições sociais seguem esse princípio, disso não haverá muitas dúvidas, sou levado a crer.
“Eu acho!”, “EU penso”, “EU nunca faço isso”, “EU sei o que digo!”, “EU” não tenho dúvidas, “EU nunca me engano”, “EU quero”, “EU”, “EU”, “EU”… esse prenome para nos colocar na posição exemplar é o que não falta em todas as expressões que sai das bocas dos portugueses.
Sendo assim, que admiração poderemos mostrar perante o discurso de Cavaco Silva quando veio comunicar aos cidadãos que se ia recandidatar às funções de Presidente da República e em que os elogios em boca própria constituíram o mote principal que justificou essa sua atitude. “EU tenho grande experiência”, “ EU sei o que faço”, “EU tenho bom senso”, “tudo o que EU fiz foi em proveito do povo”, “o que”EU” farei será para bem de Portugal”, “nem calculam o que teria sido se “EU” não tivesse interferido” e assim por diante, foram as afirmações ouvidas da boca do recandidato a Belém, muito embora nem fosse necessário que se tivesse posto nos bicos dos pés pois Cavaco Silva, na ausência de concorrentes que consigam afastá-lo da corrida, tem a reeleição garantida e, devido a isso, o que seria aconselhável era que se tivesse verificado na sua postura uma modéstia que não faria recordar alguns erros cometidos, especialmente quando exerceu as funções de primeiro-ministro ao longo de dez anos e, nessa altura, marcou o início de uma governação que pecou também pelo excesso de gastos num País pobre e sem produção.
Mas não há mais exemplos? Ora não! O Paulinho das feiras, o Paulo Portas, esse então nunca usa o “NÓS”, quando se refere ao seu Partido. É apenas ele que decide tudo, que tem as ideias, que, usando o seu “EU”, parece demonstrar que o CDS não é composto por diversos elementos, mas apenas é ele que, no largo do Caldas, faz tudo, decide tudo, organiza tudo. E, portanto, o resultado das sondagens que foram agora divulgados só a ele se devem… o que é pena é que sejam tão baixas!
E agora, após os dois representantes, o do Governo e o do PSD terem chegado ao fim da disputa que alimentou o Orçamento do Estado, ao fazerem as suas declarações aos jornalistas, cada um deles puxou o sucesso do resultado, que foi o acordo, à sua participação. Eduardo Catroga, baralhando-se bastante nas palavras, não quis deixar no outro lado o mérito de terem sido reduzidas as condições que, dias antes, tinham sido consideradas como inalteráveis, enquanto logo a seguir, Teixeira dos Santos se colocou no poleiro, elogiando o seu “EU” como tendo sido a porta de saída para se ter ultrapassado o muro que impedia o sucesso do documento passar a ser discutido no Parlamento. “EU” abdiquei da teimosia do outro lado e isso vai custar ao País uma imensidade de euros que lhe ficarão na consciência, disse por estas ou por outras palavras.
Concluindo: os dois “EUS” não estiveram ausentes no confronto. Nenhum foi capaz de pronunciar o plural do pronome, de molde a ter-se ouvido “NÓS” chegámos a um acordo, ainda que não tivéssemos a mesma opinião. Tal declaração era esperar demais de dois portugueses, um ministro e outro ex do mesmo, mas ambos lusitanos da silva, em que fazemos finca-pé em demonstrar que a razão está sempre do nosso lado e quando concedemos em deixar o outro passar à frente fazemos uma grande favor e ainda talvez afirmemos: “digam lá que EU não sou um democrata
!”

sábado, 30 de outubro de 2010

EXASPERAR

A esperança que andou sempre comigo
desde os inícios da longa caminhada
foi perdendo força, estava cansada
e agora longe está não a persigo

Também eu fui desistindo de a manter
não aguentava já não me dar frutos
a contar os meses, horas, minutos
e a esperança acabei por perder

Portanto o que me aguarda é a surpresa
chegar alguma coisa sem esperar
embora tenha já perdido a certeza

O que me resta agora é aguardar
não me deixando envolver pela tristeza
nem me valendo a pena exasperar

ENXURRADA


A FORTÍSSIMA chuvada que caiu ontem sobre a zona de Lisboa poderia ter constituído também um benefício de que, no mínimo, os alfacinhas pudessem tirar algum proveito. Isso, se as entidades ligadas ao assunto funcionassem de forma diferente de todas as outras que temos nesta Terra. Com eficiência. Mas, como sucede sempre e ninguém é capaz (nos períodos do nosso bom tempo, que são os de maior duração) de mandar que se proceda às limpezas das sarjetas, o entulho que ali se acumula faz com que as lamas sujas que poderiam seguir o caminho natural das coisas que não prestam atolem os cidadãos, causando-lhes os prejuízos e os incómodos que bem poderiam e deveriam ser evitados.
E este fenómeno, por muito que não se queira, suscita comparação com o que ocorre neste tão belo Portugal. Somos sempre apanhados de surpresa. Que é como quem diz. Pois devíamos já estar habituados a que não ocorram situações que nos deixam uma espécie de perplexos. Mas, afinal, da mesma maneira que as cheias, cada vez que aparecem, deixam as vítimas com o ar de que nunca tinham presenciado tamanho descalabro, muito embora se tratem de repetições de casos idênticos passados, o que nunca foi motivo para se prevenirem contra o conhecido, também as movimentações políticas de que somos pródigos, especialmente nesse período do Governo Sócrates, parecem constituir excepções, ainda que outra coisa não devesse ser de esperar dos protagonistas de baixa qualidade de que somos pródigos nesta nossa Terra.
Já nem vale a pena chamar à colação o caso do Orçamento do Estado que tem vindo a ser o conteúdo de um folhetim de baixa qualidade, que as gentes que são os protagonistas de tais cenas de pátio se podem “orgulhar” de ser os causadores. Sem querer encontrar os bons e os maus da fita, porque todos são merecedores uns dos outros, apenas há que lastimar o acontecimento. Nada mais.
Quando o preço mais elevado fica a ser suportado pelo nosso País, ou seja pela maioria esmagadora dos nossos habitantes que já levam uma vida tão sofredora, não estará já em causa apontar a que grupos pertencem uns e outros. E, muito embora a solução tenha de aparecer, o que custa é verificar que existe gente que põe acima de tudo os seus interesses pessoais ou de grupo partidário e não dedica a menor atenção ao que será melhor para a maioria da população.
O FMI vem aí, está mais do que visto. Mas o que não se pode é meter a cabeça na areia, chorar lágrimas por, segundo alguns, deixarmos de mandar na nossa própria casa. Quando, está provado, não temos capacidade para organizar, dirigir, sermos cuidadosos, honestos e competentes para o fazer. Por isso, que venha alguém que, ainda que esteja distante do nosso ser, ponha o mínimo de bom senso nas actuações a que nos obrigarem… tal para não ficarmos nas mãos dos credores que criámos, precisamente porque gastámos o que não tínhamos e não conseguimos eliminar luxos que os nossos descendentes pagarão com língua de palmo.
Agora, tal como eu já anunciei neste blogue dias atrás, são os chineses que se mostram dispostos a comprar títulos de dívida pública portuguesa e isso poderá ser concretizado durante a visita que, na próxima semana, do Presidente chinês, como resultado da subida da economia da China em 10,5& este ano e dado que possui as maiores reservas de dividas do mundo. A mesma ajuda que já foi prestada à Grécia não é olhada pelo FMI como inoportuna, pelo que não irá interferir na eventual intervenção que vier a ser concedida ao nosso País, no caso de termos de seguir essa via.
Esta é, portanto, a situação em que nos encontramos. José Sócrates ainda vai utilizar estas duas vias, dos chineses e do FMI, para encobrir a sua indesculpável intervenção como chefe de um Governo desastroso. Até tem graça!
Entretanto, como ficou a saber-se ontem à noite, pela comunicação do Presidente da República – que, com esta intervenção, até colhe proveito público, colocando-se na posição de candidato à próxima eleição para Belém -, o facto de ter convocado o Conselho de Estado para conhecer a sua opinião no que respeitava ao empecilho criado pela interrupção da análise do O.E. (o que, diga-se de passagem, só teria efeito psicológico e nada mais do que isso), tudo indica que o problema vai ficar resolvido antes da próxima quarta-feira, primeiro dia em que o documento será discutido no Parlamento e onde, naturalmente, acabará por poder ser utilizado pelo Governo – isto, digo eu, contrariando o que José Sócrates preferiria, pois andará ansioso por ter um motivo que o leve a afastar-se da “forca” que o aguarda para cumprir a pena que lhe caberia se estivéssemos num daqueles séculos passados.
Vamos a ver se não voltará a cair, por estes próximos dias, outra enxurrada que dê, de novo, com as sarjetas entupidas. Isto, continuando a colocar as duas situações no mesmo plano. Mas eu não consigo separá-las.
P.S. – Como redijo sempre este meu blogue, de uma forma geral, na véspera de aparecer, só agora à noite tive conhecimento de que PS e PSD chegaram a acordo sobre o tal Orçamento. Vamos a ver qual o seu conteúdo, mas é de supor que o Governo tenha claudicado bastante das suas exigências. Aguardemos.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

CONTRADIÇÕES

As contradições existem
estão do outro e deste lado
e as duas lá resistem
enfrentando-se com enfado
a verdade e a mentira
são exemplos bem patentes
por vezes causam a ira
de muitas das nossas gentes

O valente e o cobarde
fazem parte da História
o primeiro causa alarde
o outro perde a memória
mas os dois são grande parte
deste mundo em que vivemos
um é porta-estandarte
o segundo nós tememos

Ser nesta vida sincero
traz por vezes dissabor
causa certo desespero
a quem tem esse valor
porque usar a falsidade
uma forma de fingir
com tamanha habilidade
leva-se a vida a sorrir

E isso de ser honrado
dos outros não querer nada
será sempre um coitado
sem conseguir vida airada
porque o roubo se é bem feito
tenha o nome que tiver
não é chamado defeito
pode levar ao poder

Daqui há que concluir
que o defeito é ciência?
Não há que por aí ir
que ceder a tal tendência
cada um tem seu perfil
não muda só porque sim
mantém-se no seu carril
e assim vai até ao fim

GENTE QUE SE PORTA MAL


AS APARÈNCIAS ILUDEM, estas as palavras daquele ministro, de nome Silva Pereira, que entendeu dar a sua opinião no que diz respeito à salganhada final da tentativa de acordo para o Orçamento Público que acabou por afastar os dois participantes, por não conseguirem ambos ultrapassar aquela diferença de menos de 200 milhões de euros que, há que dizê-lo, só podem constituir uma birra quer dos que governam e como dos que se opõem em lugar seguinte. E isso porque, tratando-se como todos afirmam de um documento que não apresenta o mínimo de qualidade, seria absolutamente indiferente que o O.E. saísse da referida reunião de alguns dias tanto com um sim ou com um não. Por isso, o grupo chefiado por Catroga, ainda que declarasse no final, que era com descontentamento que tinha acordado com os dossiers que foram discutidos, teria feito um bom serviço ao País se não pusesse um travão no resultado do encontro. De igual forma, então não seria normal que o primeiro-ministro tivesse dado ordem para que o seu chefe das Finanças acedesse nas preferências do outro interveniente?
Eu, por mim, como perdi toda a confiança no bom senso dos nossos homens relacionados com a política, seja ela qual for, dos extremos ou dos meios, não me iludo já com as atitudes que cada um deles toma. Com esta gente Portugal está condenado. Não tem qualquer remédio. E é indiferente se, agora, depois da ida a Bruxelas do tal Sócrates, em novo encontro PS/PSD já concordarão seja com o que for. Até porque o recado já foi dado ao rapazola que temos na chefia do Executivo e, por muito que ele afirme que não foi “apertado”, é de crer que ali terá enco0ntrado um ambiente que não lhe era favorável.
Mas, o ministro Silva Pereira, que também ele sempre deixa uma ideia da sua baixa qualidade como político, entendeu que lhe ficava bem lançar aquela frase completamente oca de conteúdo, com uma opinião que não vem acrescentar nada à desilusão que paira em todo o País. E isso, também pelo espanto que grassa de Norte a Sul quanto aos passos, piores uns do que os outros, que são dados em Portugal pelo que ninguém tem dúvidas quanto ao panorama que se deparará a seguir, pois não se trata já de pôr em questão o referido Orçamento, mas sim porque, seja ele qual for, o nosso País já não tem salvação possível e o que o espera – e, neste caso, já nem assusta - é a entrada do Fundo Monetário Internacional para gerir a nossa governação, através do domínio das Finanças, dado que, com esta equipa socratiana ou com qualquer outra nacional, não temos possibilidade de nos livrarmos do pior. Ando há meses a avisar disto mesmo e os comentários que me têm sido enviados apelidando-me de “doente pessimista”, agora escasseiam e, infelizmente para todos nós, a razão esteve sempre do meu lado.
Aqui ao lado, na Espanha que, de muitas formas, sempre pode dar-nos algumas ideias quanto a caminhos a percorrer – também é uma das minhas lutas, a de constituirmos uma Ibéria (e não um País mandar no outro, como os aljubarrotistas temem) -, acabou de refazer o seu elenco ministerial, afastando aqueles que tinham servido melhor a sua causa. Aqui, que não temos à porta eleições legislativas, não seria natural que o teimoso José Sócrates fizesse uma revisão no seu grupo de elementos do Executivo, pois que os erros seguidos que muitos deles têm praticado, para além até da má imagem que uns tantos não conseguem deixar de transferir para fora, essa atitude poderia, de certa maneira, diminuir a péssima opinião que os portugueses mantêm sobre a sua actuação como primeiro-ministro. E o resultado da sondagem agora anunciada é bem demonstrativa da posição do PS se existisse neste momento uma ida às urnas.
O certo também é que, tomando como base a mesma sondagem, pode-se extrair uma indicação de que, apesar do actual Governo não contar com grande anuência, a população dá mostras de não estar convicta de que a mudança para o partido seguinte seja algo que entusiasme. É que o estado a que chegou o nosso País não dá confiança a que, seja quem for que pegue neste barco, tenha capacidade para o livrar do dilúvio que até já os optimistas admitem que é a sina que nos espera.
O que sucede, como é de esperar, é que lá voltarão os dois grupos a reunir-se e a chegar a um acordo. São as garotices habituais a que todos assistimos neste “quintal” de gente mal comportada!”
Só que nós, os de idade adulta e mesmo bastante, os que sofremos o antes e aguentamos mal o depois, somos castigados com uma vida que talvez não a mereçamos. Mas já não será por muito tempo. Agora os novos, os já se encontram neste mundo e os que nascerão por esta altura, esses, o que os espera é algo de terrificante. E se não optam por um comportamento diferente daquele que lhes é mostrado, estarão bem arranjados…
Mas são novos! Podem escolher a via por onde transitarão! Ao menos isso…

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

UM PORTUGUÊS

Esse dever
de ter alguma coisa que fazer
e não dar um passo
sentir cansaço
respirar fundo
ignorar o mundo
procurar frescura
não recear censura
de nada e de ninguém
não importa quem
assim vale a pena existir
e cá prosseguir
na roda da vida
tudo sem corrida
que o fim que se espera
é hoje o mesmo que era
e que sempre foi
que não se condói
com quaisquer pressas
e que pede meças
deixem-me assim ficar
neste meu lugar
sossegadinho
daqui a poucochinho
já sairei
sem saber para onde irei
mas fazer isso não faço
nem para tal me maço
exemplo vem de cima
e sem ter de fazer rima
o que digo é verdade
sem qualquer maldade
pensar que Deus e os anjos
só tocam seus banjos
sem preocupação
nem obrigação
olhando esta Terra
sempre com uma guerra
em que o Homem persiste
de inveja em riste
a estragar ambiente
em destruição crescente
para quê pois cansar-me
se pouco pode animar-me
a remar contra a maré
e sentado ou em pé
aguardo a minha vez
como qualquer português

Qualquer é como quem diz
pois tudo o que fiz
foi a aspirar
a não ser um qualquer
mas de pouco valeu
porque o que aconteceu
foi o que está à vista
o não deixar pista
para seguidores.
Adeus meus senhores!

DÁ DEUS NOZES...


NÓS SOMOS ASSIM e sempre o fomos desde que foi criado este País e mesmo na altura em que fizemos tantas descobertas por esse mundo fora e em que não soubemos tirar partido dos enormes tesouros que por lá havia, excepto no caso do Brasil em que o rei D. João V se esmerou em mandar vir o ouro que chegou até para construir o Mosteiro de Mafra. De resto e chegados aos nossos dias, com as centenas de milhar de compatriotas que tinham a sua vida estabelecida nas então colónias, não tirámos o menor proveito de tal realidade, tendo mesmo, quando se deram as independências desses territórios, que suportar e ajudar os também milhares de nacionais que, forçados a abandonar tais paragens, desembarcaram no rectângulo nacional, que muitos até nem conheciam por serem já naturais dos sítios para onde os seus ascendentes se tinham transferido, com uma mão à frente e outra atrás.
Não se trata de sermos muito benévolos no que respeita ao não aspirarmos em aumentar os nossos benefícios com o que podemos trazer de outros locais. Nisso, colonizadores – que não descobridores – como foram os ingleses, os holandeses, os belgas e os franceses, entre outros, não nos podemos comparar nem de longe. A nossa língua deixámos, não por imposição mas porque o relacionamento dos portugueses com os indígenas de cada localidade, foi conseguido através de grande aproximação e até intimidade – e, em relação aos pretos, assim apareceram os mulatos – o que ocasionou uma expansão da lusofonia que, sobretudo no Brasil, atingiu a posição de língua oficial. Mas mais do que isso não soubemos aproveitar. E se, nesse particular, constitui uma crítica, também é certo que representa uma inegável atitude de não aproveitar os menos desenvolvidos para lhes sacar o que seria proveitoso neste nosso cantinho lusitano. Os colonizadores acima referidos não tiveram idêntico comportamento e, no caso dos ingleses, a sua a língua foi imposta e, como sucede, por exemplo, na Índia, em que, para benefício próprio, ou os nativos falavam inglês ou não comiam…
Bem, mas adiante. O que valerá a pena referir é o que nos caracteriza de não termos o mínimo de habilidade para aproveitar o que as circunstâncias põem à nossa disposição. Isso sucedeu em vários período da nossa vida como País, o perdermos sucessivamente oportunidades que muito auxiliariam a prestar bom serviço a uma Nação sempre a lutar com dificuldades ao longo da sua História. E, sem ir mais longe, basta referir-se agora o que sucedeu e continua a suceder na ajuda que o chamado Mercado Comum tem tido possibilidade de nos proporcionar e em que desperdiçamos de forma infantil tais apoios. Para a agricultura, por exemplo, assim como no que se refere à pesca, os dinheiros que nos foram enviados, em lugar de terem servido para melhorar e aumentar as produções, pelo contrário foram destinados para favorecer uns tantos “espertos” que, como sempre existem por aí, logo se aproveitam para tirar partido das situações que os podem beneficiar.
E agora, precisamente numa altura em que tanto necessitamos de encontrar forma de aumentarmos sensivelmente o nosso fraco poder produtivo, ao ser divulgado que existem, no “offshore” algarvio reservas de gás natural que, por sinal, até são 20 vezes maiores do que as idênticas na costa espanhola e a sua exploração reduziria a factura energética de Portugal em mais de 1.000 milhões de euros por ano, tendo uma empresa americana perfurado um poço em que foi confirmada a existência de gás natural, tendo o Governo lançado há dois anos um concurso para a exploração de dois blocos na costa algarvia, em que os espanhóis da Repsol venceram, aguarda-se que seja assinado o contrato para se poder iniciar a exploração.
Alguém entende isto? Por muito que exista o receio de o turismo poder ficar prejudicado com a referida exploração, pelo eventual risco de se produzir uma Mara negra (situação que é negada pelos técnicos, tanto mais que o gás nunca conduz a tal situação), só a possibilidade assegurada pelos que sabem destas coisas de que as perspectivas de extracção do referido gás asseguraria o consumo do nosso País ao longo de 15 anos bastaria para que, face à situação económica e financeira nacional, não se devesse hesitar em deitar mão desta oportunidade.
A quem se pode pedir uma explicação deste estado contemplativo em que permanentemente nos colocamos?
Vamos ficar sem tomar as medidas que se impõem para que não fique debaixo de água o gás natural que se descobriu na nossa zona marítima?
Se fosse apenas isto que representa a nossa moleza em sairmos do marca-passo já nos poderíamos conformar. Mas não. Há muito mais. Muito mais!...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

AS PROMESSAS

Coisa fácil prometer
sem medir consequências
é fazer aos outros crer
nas nossas influências

O pior é quando falha
tudo o que se garantiu
o preciso lá encalha
porque também se iludiu

Se não podes não prometas
é melhor dizer que não
do que servir-se de petas
p’ra mostrar bom coração

Infeliz desiludido
é tão mau como doença
pois faltar ao prometido
é destruir uma crença

Só usar a simpatia
p’ra criar bom ambiente
é profunda tirania
sobre a quem é crente

É verdade que a verdade
dita a tempo e com firmeza
não constitui crueldade
antes mostrar a certeza

Promessas feitas à toa
é que são o mal do mundo
só as faz quem atraiçoa
e mete os outros no fundo

Eu por mim, que sou sincero
se não posso digo não
podem-me chamar severo
mas não serei aldrabão





SOLUÇÃO ENCONTRADA?


É EVIDENTE que um discurso de um candidato a um lugar público que esteja sujeito à votação popular tem de incluir muitos elogios em boca própria, de dizer repetidamente o “eu”, de referir que a sua experiência, a sua honestidade, a prova que dizem ter dado e até a expressão tão do agrado de que, no nosso caso, é corrente de que “os portugueses sabem quem eu sou e o que tenho feito”, tudo isso faz parte das alocuções daqueles que se apresentam às populações para anunciar a sua disponibilidade em “servir o País”. Foi isso que sucedeu ontem, quando Aníbal Cavaco Silva subiu ao palco do C.C.B. – como foi estranhamento anunciado por Marcello dias atrás -, à hora também estabelecida, para fazer aquilo que se sabia que ia suceder. E lá fez, como é devido, o seu discurso.
Por isso, não faço aqui qualquer comentário ao que ocorreu ontem e aos elogios que o próprio lançou em relação à sua actuação como candidato e à maneira como actuou sempre no passado nas funções que agora está disposto a repetir. Não se passou nada de anormal ou diferente ao que se esperava. Cada um tem a forma própria de actuar e eu, pessoalmente, sou mais partidário dos homens que têm dúvidas e que sempre admitem haver cometido alguns erros durante a sua vida, pois que o homem, por melhor que seja a sua capacidade, tem sempre momentos melhores e outros piores pelo que, para não repetir equívocos, o mais útil será que não os reconheça.
O que foi lastimável foi que, nessa mesma altura ainda não fossem conhecidos os resultados da análise entre socialistas e sociais-democratas no que respeita ao Orçamento do Estado. Teria constituído uma cerimónia com mais conteúdo e que, seguramente, seria objecto de alguma passagem do discurso de Cavaco. Mas já estamos habituados por cá a deparar sempre com atrasos nas situações que se aguardam. Não é só nas obras portuguesas que isso acontece, é em tudo e na política não poderia ser de outra maneira.
Cá estamos, pois, nós portugueses a contemplar o que vem depois. Entretanto que continuem a subir os preços e a ser mais difícil a vida que nos proporcionam os que, também com atraso, não foram capazes de tomar as medidas que se impunham quando andaram a proclamar que Portugal estava no bom caminho.
Cansados até de discursos vazios de conteúdo. Mas, neste caso, o que poderia vir dizer o candidato a Belém? Nada!...
Mas deixo aqui um acréscimo ao que fica exposto e que se refere a Eduardo Catroga, escolhido pelo PSD para ser encontrada uma solução que seja aceite pelos dois partidos em confronto neste aspecto. E, tanto ao que se poderá ter uma ideia, a impressão que me invade é a de que, em muitas situações do O.E., existe uma enorme diferença de opiniões, posto que o o documento em causa é considerado desde o início como “muito mau” e com grandes dificuldades em ser encontrada uma melhoria que leve a que Portugal, com o actual Governo em funções, saia do “buraco” em que se encontra e que, podendo ter sido evitado se, tempos atrás – como eu tenho aqui afirmado repetidamente e desde vários meses passados -, nada foi feito e as despesas públicas loucas que foram feitas não mereceram os cortes drásticos que se impunham.
No momento em que escrevo este texto não sei ainda o que virá a sair de uma eventual comunicação ao País que os dois elementos que se salientam no encontro que tem vindo a ser efectuados pelos dois grupos, mas quero ser sincero: receio bastante que, da parte do conjunto do PSD, alguma atitude de desconforto poderá surgir. Se assim for, só teremos que deitar as mãos à cabeça. Vamos a ver o que tudo vai dar, mas não estou optimista!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

BOM SENSO

O que tanta falta faz
p’ra que o mund’ande melhor
e que não acabe a paz
e se propague o amor
é só preciso bom senso
em todos gestos humanos
e na busca do consenso
procurar não fazer danos

Pensar sempre antes de agir
estudar consequências
evitar o agredir
aceitar certas cedências
isso é da vida um modo
de quem tem compreensão
se tem a dar dar-se todo
e fazê-lo com paixão

Se há na vida ideal
para manter o convívio
procurando o menos mal
e sentindo certo alívio
o bom senso lá faz falta
para fazer amizades
com toda e qualquer malta
de poucas e mais idades

Numa palavra por isso
o Homem bem necessita
assumir o compromisso
de uma atitude bonita
só o bom senso indica
comportamento perfeito
e por isso bem lhe fica
utilizá-lo a seu jeito

BRINQUEMOS TODOS!


JÁ É CONHECIDO o prejuízo que a França tem com a greve que se implantou nesse País, calculando-se entre 200 e 400 milhões de euros por dia a paralisação de grande número de trabalhadores que se mostram contrários à política de Sarkosy e, sobretudo, revoltando-se contra a determinação do seu Governo de passar dos 60 para os 62 anos a idade estabelecida para a reforma. Já me referi a este assunto, apenas por comparação com o que se passa em Portugal, em que os 65 anos que cá estão em vigor parecem carregar excessivamente o erário público e que, provavelmente, correm o risco de, com as medidas de austeridade que estão a ser implantadas e aquelas que poderão chegar em breve, também poderão sofrer uma subida de tal prazo.
Mas, no que diz respeito ao que a França entende quanto às medidas que vai adoptar, esse assunto não tem que caber neste blogue, pois, para além de se tratar de um problema interno dos gauleses, não temos conhecimento concreto da situação financeira desse País que, por sinal, já foi uma referência para nós, portugueses, e até a sua língua constituiu uma disciplina obrigatória dos cursos secundários, mas hoje só os mais antigos continuam a estar familiarizados com a fala e a gramática francesas, pois que o socratismo entendeu colocar a língua inglesa como prioridade. Não será errado, mas é lastimável que o francês, idioma de origem latina, tenha deixado de ser da intimidade dos estudantes lusitanos.
Mas o que me leva a tratar deste tema é, sobretudo, o custo avassalador das greves que têm ocorrido para lá dos Pirinéus, e esses milhões de euros que a economia francesa suporta com essas paralisações deveriam fazer pensar os sindicatos que, por cá, andam a preparar uma paragem geral no próximo dia 24 de Novembro.
É evidente que a Democracia dá o direito de serem utilizados estes meios para reivindicar situações que a governação decide tomar e contra isso não existem meios legais que possam impedir as massas populares de se manifestar publicamente, dando mostras do seu desagrado em relação ao que os que são considerados como sendo os que “mandam” entendem fazer cumprir.
No entanto, dado que andamos há um certo tempo com a preocupação de ver o próximo Orçamento do Estado “passar” no Parlamento, apesar de ser bastante generalizada a opinião de que se trata de um documento, com a marca Sócrates e a submissão de Teixeira dos Santos, que mereceria ser “chumbado” mas que, devido às condições tão periclitantes do nosso País se aguentar mais algum tempo, há que ter o maior bom senso por forma a que os credores estrangeiros não encerrem hermeticamente as portas dos empréstimos e subam radicalmente ainda mais os juros que nos são cobrados.
E é apenas por esse motivo e também, evidentemente, pelo custo que os dinheiros públicos têm de suportar, para além da paragem interrupção de vários sectores produtivos, isto numa Terra onde a produção é dramaticamente baixa, que se tem de esperar que a CGTP e os seus acompanhantes reflictam no que pode sair dessa demonstração de poder dos trabalhadores. E, de igual forma, a pergunta que se pode fazer é se, depois das bandeiras e das frases revolucionárias que sempre dão mostradas, alguma coisa mudará no panorama governativo nacional.
Mas, tal como o primeiro-ministro nunca dá o braço a torcer, também os cabecilhas dos movimentos sindicais querem mostrar que a sua força tem de ser respeitada, ainda que nada saia de positivo nem de um lado nem do outro.
E hoje que, segundo foi anunciado estranhamente por Marcello Rebelo de Sousa, no seu programa de comentários, que Cavaco Silva iria anunciar a sua recandidatura à Presidência, se tal de concretizar logo, pelas 20 horas – tudo bem esclarecido -, então estarão criadas as condições para que o Orçamento acabe por ser aceite, por uma abstenção do PSD, na altura em que tal se realizar. Andamos, pois, a navegar neste barco de papel, em que não se vislumbra quem tenha um comportamento que dê o mínimo de segurança aos pobres cidadãos que são os passageiros nesta viagem de incertezas.
Brinquemos, portanto, todos ao “poder”! Dêem um certo consolo ao ego esses que, apesar da crise, sempre lá vão vivendo menos-mal. O pior é que Portugal perde com tudo isso e não parece que todos nós, portugueses, consigamos mudar de agulha e passarmos a produzir muito e a conseguir, com trabalho e não com greves de uns e cantilenas de outros, que as exportações compensem alguma coisa o que gastamos com o que importamos. E os juros, meus senhores, é disso que é forçoso libertarmo-nos!...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

TRISTE FUTURO

Neste País onde estamos
onde nascemos, vivemos
ainda nos conservamos
temos aquilo que temos

E é pouco, coisa pouca
e cada dia é menos
a caixa vai estando oca
à fartura só acenos

Mas que podemos fazer
que nos resta nesta hora
em que é enorme o muro?

Já nem se pode crer
não serve ir para fora
não me apetece o futuro

QUE TRISTE FUTURO!...


QUEM, COM A MAIOR PACIÊNCIA, consegue ir seguindo este meu blogue diário, sabe que o não constitui novidade o aviso que tenho largado de que, com o andar dos tempos e dentro da situação que os governantes portugueses não dão mostras de conseguir solucionar, nem ao menos diminuir de perigosidade, um dos dramas que ronda à nossa voltas é de que, mais cedo ou mais tarde mas encontrando-se na zona da possibilidade de nos atingir, a nós reformados, é de que, começando por reduções, chegará a altura em que os dinheiros públicos destinados a esse efeito não atingirão a possibilidade de concretizar o seu dever contratual e, quem se encontre na posição de só poder ir mesmo vegetando neste mundo através ainda que de míseras reformas, sendo natural deste País, ficará entregue à completa mendicidade.
É uma previsão deveras dramática, reconheço. Mas não encontro qualquer forma de a disfarçar, assistindo, como todos nós assistimos, ao desenrolar de uma panorama que, de dia para dia, se nos é apresentado com cores cada vez mais negras. Só Sócrates, essa figura que ou engana muito bem ou anda a viver um mundo surrealista, lança nos seus discursos doentios a imagem de um Portugal que só tem de se “orgulhar” daquilo que somos e do que temos feito ultimamente. Eu, por mim, já não o escuto e quando surge nos écrans a sua imagem e aquele ar de que corre tudo às mil maravilhas, o que faço é, de imediato, mudar de canal. Não há forma de aguentar!...
A notícia que saiu hoje nas páginas dos jornais com o título “Ruptura financeira ameaça reformas”, em que num esquema é mostrada a evolução do custo das reformas no nosso País e que o primeiro saldo negativo ocorrerá entre 2035 e 2040, sendo que, em 2050, terminam definitivamente os recursos para sustentar os encargos com as mesmas, essa previsão, quanto a mim é excessivamente optimista, pois que a antevisão falha no que diz respeito ao aumento assustador de número de gente que atinge a idade de deixar de trabalhar, ou seja param de fazer descontos para os tempos de inacção, e os jovens, mesmo que aumente a idade estabelecida para saírem da actividade, não são suficientes para suportar os descontos essenciais para o efeito. Por outro lado, o desemprego também continua a constituir um pesado fardo, até porque o avanço da tecnologia cada vez retira mais mão-de-o9bra das fábricas e o número de licenciados, mesmo mal formados, retira aceitação de emprego em actividades consideradas menores.
Se levarmos em conta que as pensões, da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações ascenderam, entre Janeiro e Setembro deste ano a 15,2 mil milhões de euros, num aumento de 616 milhões em relação ao mesmo período do ano passado, poderemos então fazer uma ideia do que representa liquidar, todos os meses, as reformas que cabem a cada um dos portugueses que se encontram nas condições de já não exercerem uma profissão.
Este é o futuro que os portugueses têm de se preparar para ver pela frente e os chegarem ao momento crucial, então esses o melhor é não deitar as mãos à cabeça apenas nessa altura. Eu sempre tenho defendido o princípio de que é preferível avisar com antecipação do que apanhar depois de surpresa os que andam distraídos e que, por isso, nesta altura ainda não estão completamente convencidos de que a situação dramática que se vive é a real e têm dificuldades em modificar os seus gastos, pois que essa da riqueza em que vivemos alguns anos não passou de uma fantasia que os bancos, é verdade, alimentaram com o gaste agora e pague depois…

domingo, 24 de outubro de 2010

PACIÊNCIA

Sem ela não se consegue
atravessar existência
p’a ter uma vida alegre
é preciso paciência
mesmo muita
Tê-la sempre bem presente
e não perder o controlo
porque muito que se sente
provocará grande dolo
dor fortuita
O contrário de tal dom
é, bem sabemos, a ira
isso não é de bom tom
não há ninguém que a prefira
inconstante
Conseguir aguentar
é algo que tem ciência
obriga muito a pensar
recorrer à paciência
que brilhante
Alcançar ser paciente
com aquilo que irrita
transforma ateu num crente
destrói a vida aflita
milagre é
Mal sofre quem não atinge
defesa do irritante
se não é verdade fing
tê-la em dose bastante
mesmo ao pé
A ira só causa dano
sem dar razão a quem tem
é como sujar um pano
sem proveito p’ra ninguém
paciência
O melhor é não ligar
aos que só fúria provocam
é passar e não parar
sem choros que só chocam