sábado, 4 de dezembro de 2010

A REALIDADE

Ilusão é de facto uma virtude
o sonho também ajuda a vencer
pensar no que é belo dá saúde
é só ver na vida o que é prazer

Imaginar agrada, as coisas boas
deixar para trás tudo que não presta
não atender às popas só às proas
seguir no mundo levantando a testa

Os desejos, mesmo não conseguidos
não serão no todo fatalidade
ainda que acabem nos olvidos

No fundo existe alguma crueldade
ao pôr em uso todos os sentidos
vendo ser outra a realidade

ORDENADO MÍNIMO


ANDAMOS AGORA NESSA FASE de discutir a promessa que tinha sido feita pelo Governo de aumentar o ordenado mínimo nacional, de 475 euros para 500 mensais. E, perante a afirmação de Sócrates de que não era viável tal cumprimento do prometido, por dificuldades financeiras bem visíveis por parte das empresas, levantou-se uma quezília que, obviamente, envolve também e sobretudo os sindicatos.
Pondo de parte a necessidade de se fazerem todos os esforços para diminuir, na medida do possível, as dificuldades com que lutam os mais desprotegidos, o que se torna, julgo eu, essencial é analisar com bom senso a questão toda ela. É que, contrariamente ao que se verifica na maioria dos países de todo o mundo, em Portugal trabalham-se 11 meses e recebem-se 14 remunerações mensais. E essa invulgaridade dá ocasião para que, visto de fora, não se esconda alguma estranheza.
Mas vamos ao fundo da questão e, mesmo tocando fundo no nosso bolso, habituado que está a, em Dezembro de cada ano e na altura das férias, receber mais um mês de ordenado, apesar disso valerá a pena termos a honestidade suficiente para, com absoluta independência de interesses, enfrentar a questão nua e crua.
Vamos a um pequeno exercício de contas: quem ganhe mensalmente 1000 euros, recebe por ano 14.000, atendendo às tais duas mensalidades que são acrescidas nas datas indicadas. Dado que só utiliza 11 meses no esforço que presta à sua actividade, quer dizer que cada mês efectivo de actividade profissional é retribuído por 12.727 euros. Poderão ser apelidadas de tendenciosas estas contas, mas que constituem uma mera operação de matemática, sobre isso não podem existir opiniões contrárias.
Por outro lado, analisando sem quaisquer complexos, qual é o espelho da produção portuguesa, comparando-a com outros países, também europeus – porque não é aceitável fazê-lo em relação a países do Extremo Oriente, a China por exemplo - , teremos de ser honestos e não ocultar que o resultado dessa actividade não pode ser posto em confronto, por ser negativo o saldo para o nosso lado, com o que sai das mãos dos nossos trabalhadores, pois que, para falar claro, diremos apenas que esses lá de fora “não brincam em serviço”.
Fala-se também da falta de preparação da grande maioria dos empresários nacionais, o que corresponde a uma evidência indiscutível. E daí que os nossos emigrantes, ao actuarem para lá das fronteiras nacionais, mostram ser muito produtivos, consequência de duas coisas: a excelente orientação que lhes é dada pelas empresas estrangeiras e também, não escondamos, o receio que paira sempre sobre as suas cabeças de que, se não corresponderem em resultados de trabalho ao que recebem como remuneração, a porta de saída é-lhes logo indicada e não têm recurso à tal “justa causa” que cá tanto tem contribuído para se lutar pelo emprego, mas não pelo trabalho…
Tudo isto para eu expressar o quê? Que, em lugar de existir essa luta pelos 13º e 14º mês, o que deveria constituir um esforço de todos era o aumento dos salários de todos os que trabalham, dividendo os tais subsídios pelos 12 meses e, obviamente, ao ser tomada essa medida, os reformados serem em absoluto abrangidos pela mesma medida. E, dessa forma, o ordenado mínimo nacional subiria mais do que os tais 500 euros…
E, a propósito de reformados, é ao assistir-se aos programas televisivos em que muita gente participa telefonicamente com comentários ao tema que está a ser debatido, em que surgem os nomes, as idades e as situações de actividade, que se verifica que é assustadoramente grande o número de participantes que, com menos de 65 anos (e muitos até na casa dos 50), se encontram já na categoria de “reformados”.
Como é que é possível dispor de dinheiros públicos para fazer frente aos gastos inadiáveis de um Estado, quando uma enorme parte das verbas, mesmo que elas pertençam ao sector social, são destinadas a pagar a uma grande parte da população que já não trabalha – portanto já não desconta – e, com a extensão de vida que é hoje uma realidade, apenas subsiste por via das verbas que, mesmo pequenas, ínfimas, de fome, no conjunto constituem um montante elevado?
A propósito de fome, há que referir que nunca se verificou em Portugal uma necessidade tão grande de recorrer às refeições gratuitas que as ainda existentes organizações de apoio ao pobres, entre elas as Misericórdias, como agora sucede. Esta é a demonstração de que já nos encontramos numa fase verdadeira e assustadoramente de falta de recursos de um enorme número de pessoas e de famílias que não têm maneira de se alimentar. Uns tempos atrás, quando parecia que Portugal vivia uma época de grande fartura, porque nunca os governos expuseram a realidade e tomaram as devidas medidas de precaução, ninguém foi capaz de prever que se atingiria este ponto. E é por isso que eu considero que este meu blogue, não só pelo que escrevo agora mas pelo que eu adverti antes, deveria ser seguido com alguma atenção e bastante credibilidade.
Será, afinal, por estas e por outras que eu prevejo que o próximo responsável do Governo, quando surgir, se vai apresentar fazendo sempre recurso à desculpa de que os seus antecessores não souberam precaver-se e lhe deixaram, um berbicacho de difícil solução. E que as medidas ainda mais pesadas que forem necessárias tomar, tudo o que tiver de ser feito será consequência do triste passado que herdou… Haveremos sempre de atirar as culpas para quem esteve, nunca para quem está.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

DEVER E NÃO PAGAR

Primeira dívida custa
inquieta sua estreia
pois que o credor assusta
a quem não lhe paga odeia

Mas a vida como está
e dinheiro tanto falta
ao princípio assustará
depois s’acostuma a malta

Hoje, uns aos outros dever
é coisa mais que normal
o preciso é não morrer
sem cumprir o que é formal

Se dever pouco em fiado
batem à porta os credores
já causa menos enfado
se for de grandes valores

Hoje até os bancos sentem
os de cá e os de lá
quando os devedores lhes mentem
dizendo que certo está

O amanhã não se sabe
no que tud’isto vai dar
mas antes que tudo acabe
alguém muito vai ganhar

AS DÚVIDAS


TENHO-ME DEDICADO muitas vezes a pensar em quem é que eu, se dependesse da minha vontade pessoal e única, escolheria para chefiar um governo que assumisse a responsabilidade de passar a “tomar conta” do nosso País e deparo com uma enorme dificuldade em encontrar a personagem que me mereceria total confiança para solucionar todos os grandes problemas em que Portugal se encontra. Por muito que vasculhe na vasta lista de proponentes que se situam na “bicha” para um dia arranjarem esse emprego, não dou com ninguém que me satisfaça em absoluto. Sem reticências.
Pode ser que se trate da excessiva exigência que ponho na selecção de uma figura que preencha, de forma quase completa, as características que eu alinho para ser desempenhado o referido cargo com o mínimo de condições. Mas, tenho que dizê-lo, por isto ou por aquilo, não consigo apontar uma preferência que me deixe em completa tranquilidade em relação ao futuro de Portugal.
A verdade, porém, é que é forçoso encontrar alguém que, na devida altura, surja a substituir o actual José Sócrates, pois que não existem grandes dúvidas de que o fim do seu “reinado” se encontra à vista, sem necessidade de binóculos. E, face a esta situação, o indivíduo que tomará o seu lugar já deveria fazer parte do meu imaginário, preenchendo as medidas mais imediatas que irá tomar logo após a sua posse. Mas não escondo que as dúvidas que me assaltam são muitas. E as esperanças, por isso, não abundam igualmente.
Porém, a vida continua e o que vem a seguir àquilo que existe é uma constante a que não se pode fugir, embora muitas vezes o povo recorde a frase que tem muitas razões para ser dita: “foi pior a emenda do que o soneto!”
No caso do chefe do Governo que tomará lugar em S. Bento essa situação, suponho, não ocorrerá. Porque fazer mais mal ao País do que o que tem sido a actuação do actual ocupante daquela casa apalaçada, essa ocorrência não estará prevista nem mesmo no espírito dos mais pessimistas.
Mas, o que nos resta a todos nós, os que apenas assistimos e somos forçados a desempenhar as funções que a vida nos reserva, é manter uma certa esperança. E, perante o que parece inegável, de que o próximo primeiro-ministro será o número um do PSD, Pedro Passos Coelho, terá de existir a expectativa de que, pelo menos, a escolha dos elementos que farão parte do seu conjunto ministerial venha a ser feita com o maior sentido de responsabilidade, sem preferências por companheiros que tenham por base somente cores partidárias, pagamentos de favores antigos e conveniências no que se refere a prevenção do futuro no campo individual. É o mínimo que se pode desejar a esta distância.
Mas, já agora, na altura em que redijo este texto, aguardo que as notícias vindas de Zurique indiquem a quem vai calhar a organização do Campeonato de futebol de 2018 e, por isso, mantenho a televisão ligada num canal em contacto com a Suíça. Está a tardar mais do que se esperava, mas já são quase 15,30 minutos e assinalam o atraso na decisão dos elementos do comité desportivo da FIFA que, pelos vistos, custam a chegar a um consenso. E os presságios, nesta altura, é de que a Rússia estará a provocar alguma confusão, pois que o interesse que se verifica na Europa de ver aquela Nação mais integrada no conjunto do nosso Continente, esse agrado para muitos dos elementos europeus dará meios para que a decisão final acabe por ser essa.
Até que, com grande ansiedade por parte dos assistentes à cerimónia do anúncio – já com Sócrates a caminho da Argentina (e depois do discurso “tonto” que produziu naquela cidade suíça), pois que fez aquela viagem mas não se dispôs a esperar até ao anúncio do resultado da FIFA - , acabou por chegar o porta-voz que retirou o sufoco dos aguardantes. E o sobrescrito com a indicação definitiva foi entregue no palco e o anúncio saiu: A Rússia foi a escolhida como sede do mundial de 2018 e o QATAR será o responsável pela mesma organização em 2022! E, como era natural, uma parte da assistência deu largas ao seu contentamento e a outra parte, resignada, aceitou a decisão.
Há que reflectir se, no caso português, essa não escolha do grupo ibérico representará grande perca, ainda que talvez se pudesse recuperar alguma pequena parte dos muitos milhões de euros que se gastaram loucamente (e que ainda não estão recuperados e se mantêm as dívidas para serem pagas mais tarde) com as construções de inúteis estádios que se encontram sem actividade. Por outro lado, dado que faltam oito anos para se chegar ao referido período do campeonato, resta saber se a eventual restauração da normalidade económica, política, financeira e social do nosso País, nessa altura, já estará encontrada. Se não, até poderá ter sido melhor que o encargo com tal realização futebolística não nos tenha calhado, até porque a Espanha também tem de pôr a sua casa em ordem e, nesse particular, seria aconselhável que esta Ibéria desse os passos necessários de braço dado, um Pais com o outro seu parceiro, em lugar de se entregarem os dois a fantasias, por mais gostosos que fossem, nesta altura, justificar até o que se gastou agora com as várias viagens de variadas figuras, para assistirem em Zurique à abertura de um sobrescrito.
Afinal, a dúvida que mantenho em relação à escolha do próximo primeiro-ministro não se fica por aí. Falta de certezas abunda em todos os que, aspirando pela perfeição, neste ou naquele ponto, sempre descortinam alguma coisa que não coincide com o ideal.
Daí o perguntar também: teria sido preferível que Portugal e Espanha tivessem sido escolhidos para o evento de 2018? Provavelmente sim, mas sempre é melhor encarar as realidades e lidar com elas do que andarmos permanentemente a admitir o pouco provável e a lastimarmo-nos por não o conseguir. A experiência que temos encarado nos tempos que correm é bem a prova disso mesmo. E já é altura de termos aprendido alguma coisa com as aspirações, os desejos, os sonhos e de enfrentarmos as realidades, por mais duras que elas sejam.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

BOCEJO

A vida já me deu tudo o que tinha a dar
momentos de alegria e de prazer
já me satisfiz com o bem fazer
vi o que mundo pode mostrar

Levo pois que contar a quem me ouvir
se é que lá no fim outros estarão
prontos a receber-me a dar a mão
a quem não teve pena de partir

Porém tempo de mais onde me vejo
já cansa e não traz nada de novo
razão maior p’ra mais um bocejo

E sem ter muito mais o que fazer
nem nada p’ra deixar a este povo
não vejo razão p’ra não morrer


ISTO É UNIÃO?


“NÃO PRECISAMOS DE AJUDA!...” e também “Não precisamos de sugestões de ninguém!...”– estas as frases que José Sócrates entendeu lançar e que ontem, nas televisões, foram tornadas públicas. Pareceu-me que tinha ouvido mal, mas noutras estação, algum tempo depois a mesma afirmação foi bem marcada. Fiquei esclarecido, embora já o estivesse antes perante as atitudes consecutivas do chefe do Governo português, o qual, inconsequente como tem mostrado ser ao longo das suas duas condições governamentais, não provoca já quaisquer surpresas. Mas, neste fase em que nos encontramos, temos de reconhecer que este primeiro-ministro não é capaz de rectificar nada de toda a sua conduta governativa.
Mas, ao fim e ao cabo, acabo por não saber que atitude deva assumir. Se a de admitir que estamos todos enganados e que a posição privilegiada do primeiro-ministro, concedendo-lhe elementos que não estão ao alcance da população em geral e também dos tidos como gente sabedora que tem vindo a avisar os portugueses de que nos encontramos numa situação de autêntico perigo em relação aos dias que se aproximam e ao ano de 2011 que tem de ser suportado com as mais rigorosas dificuldades, se é isso que se situa na área da realidade ou se, em vez do susto que nos acompanha, o que José Sócrates afirma é que tem de ser encarado como tratando-se de uma tranquilidade e que todos, portanto, temos de continuar a vida como até agora e em que os números do desemprego progressivo que se vem registando são cada vez mais temerosos.
Hoje, que em Zurique se decide onde terão lugar os campeonatos de futebol de 2018 e o seguinte, se será o grupo Portugal/Espanha que ficará com o encargo de receber os participantes em tais reuniões de países – para o que os dois principais elementos governamentais da Península Ibérica vão estar presentes para animar as hostes, como se essa decisão viesse resolver de imediato os enormes problemas que nos assustam a nós, cidadãos, mas, pelos vistos, não a eles chefes de Governos -, ficam os cidadãos, de um de outro lado da fronteira, dependentes de “tão importante” matéria.
Eu, por mim, confesso, falta-me a paciência para assistir a esta disputa em que toda a Europa, em lugar de se juntar e fazer os impossíveis para encontrar formas de enfrentar a tal crise, ajudando-se mutuamente, anda nesta competição de ofertas de posições para ganharem uma “guerra” de campeonatos de futebóis, como se isso representasse um passo certo naquilo que falta neste Continente: a união, a amizade, a colaboração, as mãos dadas para fortalecermos todos em uníssono.
Mas este ser humano que circula por todo o Hemisfério não é material em que se possa confiar!...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

IBÉRIA

Oh! Meu País como gostaria de te ver
diferente
não impotente
mas a querer
dar a volta por cima
e com o desejo de quem afirma
que os séculos passados
não foram deixados
em vão
com a sensação
de que não vale a pena lutar
porque é preciso ir à guerra
e não capitular
pois afinal o que temos é só a nossa terra
e aqueles que a foram definhando
antes da Revolução e depois andando
sempre a julgar que somos
o que não somos
fingindo primeiro de ricos
e depois feitos em fanicos
esses que terão a culpa
não têm desculpa
mas também não pagarão
neste País de perdão.
Olhar para trás nesta fase
apontar culpados já nem vale a pena
é como largar uma frase
de outra peça, de outra cena
já não entra no enredo
já não resolve o problema
o que é preciso é não ter medo
de encarar de frente
bem de frente a situação
e ver que um País doente
só tem uma salvação:
que todos os portugueses se juntem
e puxem para o mesmo lado
e, neste caso, não perguntem
se há tempo para arrazoado
arregaçando bem as mangas
deixando de lado queixas
esquecendo todas as deixas
para produzir, produzir
sem olhar a sacrifícios
para pensar no porvir
usando todos os artifícios
que o engenho e a arte proporcionarem
e que o bom senso e o suor puserem à disposição
ou mais vale abandonarem
o que ainda estará na mão
embarcando não para descobrir novos mundos
mas para fugir do triste destino
que nos ameaça lá nos fundos
e procurando outro figurino
bem diferente, bem melhor
com políticos corajosos e competentes
realistas, actuando com primor
e que estejam cientes
de que os países só se podem governar
com coragem e determinação
e que não é possível amodernar
a nossa nação
sem honradez e sem patriotismo
sem valentia e sem desprendimento
não querendo cair no populismo
nem tão pouco deixar-se abater pelo desalento.

Oh! Meu País, como gostaria de te ver
entregue a outra gente
para poder crer
que havia ainda semente
capaz de fazer florir
a flor murcha que por aí ainda exista
e poder sorrir
com espírito altruísta,
sonhador é certo
e com esperança, que é a última a perder
mas mesmo não estando perto
a volta a dar a isto e entender
que mais vale tarde do que jamais
e ou nos salvamos todos
homens e animais
ou voltamos ao tempo dos visigodos
e encaramos a geografia
sem pensar em miséria
e por muito que provoque azia
encorparmo-nos numa Ibéria.

SÓCRATES E ZAPATERO


Não tive internet todo o dia, pelo que só agora inscrevo este texto no blogue que deveria ter saído logo de manhã. As minhas desculpas.



JÁ NÃO TENHO GRANDES DÚVIDAS de que este ponto de vista que vou aqui expor, não representando novidade para aqueles que conhecem a ideia que defendo desde há muitos anos, de que os dois Países ibéricos deveriam unir-se num interesse comum que lhe dê mais força e importância para defender os seus propósitos, mesmo assim ainda conta, sobretudo deste lado da fronteira, com muitos adversários que continuam ligados àquilo que eu chamo de aljubarrotismo, que o mesmo é dizer de um pavor em contemplar Portugal sujeito ao poder espanhol. O que é, em meu entender, um perfeito disparate.
Mas, desta vez e ao acompanhar a junção que se prepara para conseguir que o Campeonato de Futebol de 2018 seja realizado pelos nossos dois países (o que tem o seu valor em termos de turismo, mas que não é fundamental face a outros problemas muito mais importantes que temos para resolver), só pergunto se isso é mais oportuno do que fazermos frente às más vontades que existem no ambiente do grupo europeu unido, como, por exemplo, da Alemanha da Senhora Merkel, em que tem existido e aumentará certamente uma determinada má aceitação e em que se verifica distracção em ajudar-nos a nós e ao nossos vizinhos no sentido de conseguirmos sair da posição difícil em que nos colocou a crise… para definir um culpado de fora de portas.
Avaliemos, portanto, a realidade possível: se Portugal e a Espanha resolvessem dar as mãos e apresentar-se claramente perante o Conselho da Europa como um agregado de dois países que se dispõem a cumprir as regras estabelecidas pela Comunidade e até a forçar, através do tamanho do conjunto, da população unida e da situação geográfica de que gozam, seria natural que os restantes que formam os 27 seguissem o exemplo e encontrassem maneiras de convergir em soluções que interessam a todos e que têm custado a ser aceites pela totalidade. Por exemplo, a questão do euro, em que ainda existem parceiros, como a Grã Bretanha, que não aderiram até hoje à moeda única, não constituiria o nosso caso um passo concreto para que a União Europeia ultrapassasse as indecisões que se mantêm e fortaleceria o braço dado que nem todos os europeus dão mostras de querer dar?
Não tenho grandes esperanças de que os governantes portugueses que temos e, provavelmente, aqueles que venham a seguir, tenham capacidade para tomar a iniciativa deste calibre. Os complexos de toda a ordem e a ausência de realismo quanto ao que é importante fazer para, com a maior urgência, fazer o que for necessário para resolver os nossos graves problemas, tudo isso impede que atinjamos tal desiderato. É, de facto, precisa muita coragem e grande poder de persuasão para ter semelhante atitude. E, claro, impunha-se, antes, fazer um estudo profundo dos passos que devem ser dados, das consequências da medida e juntar os argumentos suficientes para transmitir aos restantes parceiros por forma a que sejam entendidos os resultados positivos para todos de constituirmos um exemplo de união e de caminhar de mãos dadas e de olhos nos olhos. Esse passo poderia e deveria ser levado em frente se existissem entre os nossos maiores do Governo gente com visão para além do que está diante do nariz.
Para além da nossa actuação, portugueses e espanhóis, convictos dos efeitos positivos que a União Ibérica transmitiria ao grupo grande, haveria igualmente que contar com o apoio do nosso compatriota Durão Barroso que, penso eu, não obstaria a que tal feito se concretizasse.
Estas coisas penso-as eu que, sendo acusado de ter razão muitas vezes antes de tempo, aquele em que fui realizando ao longo dos anos e em que pude pôr em prática ideias que, julgadas inconversíveis, acabaram por surgir à vista, também esta me leva a crer que, mesmo que enquanto por cá andar possa assistir ao surgimento do que aparece agora como uma fantasia, mais tarde, não sei quando mas as dificuldades acabam por juntar forças agora separadas, essa União Ibérica será uma realidade.
Com a Europa mais forte ou, ao contrário, com o nosso Continente disperso, as duas previsões apontam para que esta nossa ponta europeia voltada para o Atlântico dê as mãos e resista ao mau à sua volta ou sirva de exemplo para os restantes países que, agora com uma unidade imperfeita, se convençam que a união não é bem aquilo que praticam.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

UM PORTUGUÊS

Esse dever
de ter alguma coisa que fazer
e não dar um passo
sentir cansaço
respirar fundo
ignorar o mundo
procurar frescura
não recear censura
de nada e de ninguém
não importa quem
assim vale a pena existir
e cá prosseguir
na roda da vida
tudo sem corrida
que o fim que se espera
é hoje o mesmo que era
e que sempre foi
que não se condói
com quaisquer pressas
e que pede meças
deixem-me assim ficar
neste meu lugar
sossegadinho
daqui a poucochinho
já sairei
sem saber para onde irei
mas fazer isso não faço
nem para tal me maço
exemplo vem de cima
e sem ter de fazer rima
o que digo é verdade
sem qualquer maldade
pensar que Deus e os anjos
só tocam seus banjos
sem preocupação
nem obrigação
olhando esta Terra
sempre com uma guerra
em que o Homem persiste
de inveja em riste
a estragar ambiente
em destruição crescente
para quê pois cansar-me
se pouco pode animar-me
a remar contra a maré
e sentado ou em pé
aguardo a minha vez
como qualquer português

Qualquer é como quem diz
pois tudo o que fiz
foi a aspirar
a não ser um qualquer
mas de pouco valeu
porque o que aconteceu
foi o que está à vista
o não deixar pista
para seguidores.
Adeus meus senhores!

2011- SÓ DESGRAÇAS!



GOZEMOS os dias que nos faltam para terminar o ano de 2010. É o fim de uma época que, não tendo constituído um exemplo de boa vida, muito pelo contrário, apesar disso vai ser recordada assim que passarmos a encarar o calendário com a indicação do ano de 2011. É que, segundo se prevê pelo Orçamento de Estado que mereceu a aprovação na Assembleia da República, em muitos de nós regista-se o sentimento que, presumo, os condenados à cadeia sofrem nos dias que faltam para começar a ser cumprida uma pena: a angústia do fim do que, sendo mau, sempre se suportava melhor do que aquilo que vem a seguir.
Como, para amenizar o que se perfila, sempre gozamos de uns feriaditos que, neste País, apesar de todos os contratempos, não faltam de vez em quando e na próxima quarta-feira lá vamos ficar no ripanço, se bem que, se perguntarmos a mais de metade da população, essa nem faz a menor ideia do motivo por que lhe é dito que não se trabalha. Nesse dia como em tantos outros. Seria bom que as televisões, que tantos programas têm com perguntas em concursos que são tidos como de conhecimento geral, em lugar de surgirem questionários sobre com quem está casado este ou aquele artista e interrogatórios quejandos que não acrescentam nada ao serviço público, bem poderiam incluir temas que fornecessem algum ensinamento ao vasto público deste País que, sobretudo no que se refere aos mais novos, os que não apanharam as escolas primárias de outros tempos e em que os professores ensinavam mesmo, não fazem a menor ideia de assuntos que, sendo da chamada cultura geral, não deveriam faltar nos que sabem muito de computadores… sobretudo para os jogos!
Pois o primeiro de Dezembro, chamado Dia da Independência, fará um interregno para se ir aproximando o primeiro de Janeiro, também feriado, tendo antes o 25 de Dezembro, Dia de Natal, em que, naturalmente, também não se trabalha.
Mas era sobre o ano que aí está a chegar que assentava o tema do blogue de hoje. E, mais do que tudo, trata-se de gozar bem estes poucos dias que ainda restam para, logo a seguir, colocarmos o colete à prova de balas e nos prepararmos para a fuzilaria que o fisco tem preparada, com o propósito, oxalá seja bem sucedido, de salvar Portugal da banca-rota… coisa que eu duvido muito que seja possível, posto que, como diz o povo, “tarde piaste”, visto que os sábios da política que nos governa não foram capazes de antever o que era mais do que certo.
A notícia surgida agora de que até as Igrejas católicas estão a sentir os efeitos da crise, pois as esmolas estão diminuir de volume de forma preocupante para sustentar as respectivas paróquias, até isso nos faz pensar seriamente que a coisa está, de facto, feia. E se também atentarmos na outra informação jornalística de que cerca de dez mil restaurantes já fecharam as portas e que se teme que, no próximo ano, ainda venha a ser pior, então parece ter toda a razão de ser o início deste meu blogue de hoje.
Insisto sempre no mesmo: Não se trata de pessimismo, mas apenas de prevenção. Eu, por mim, já há um certo tempo que reduzi no possível aquilo que considero como matérias dispensáveis. E isto como preparação do modo de vida que, provavelmente nunca mais será igual ao que foi noutros tempos.
Bem sei que esta atitude tem efeitos perversos no movimento comercial, logo no escoamento da produção. Mas há que ter presente que não é possível regressar aos costumes de antes, de gastar agora e pagar depois… se é que depois se pagou!
No mínimo, o que constitui obrigação de todos nós é o consumirmos, de preferência, produtos nacionais. Frutas e vegetais, sobretudo, para que não se continue a importar, por vezes de países bem longínquos, aquilo que temos cá e que é de boa qualidade.
E por hoje chega.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

COSTUME

Ao que nos acostumamos
o difícil é mudar
parece bem como estamos
para quê pois variar?
O costume é um vício
nem é preciso pensar
representa benefício
porquê portanto mudar?

O costume da leitura
de comprar no mesmo lado
de não alterar figura
de preferir estar calado
cada um tem seu costume
e às vezes bem estranho
como usar um perfume
que só sai depois do banho

No comer se impõe também
ao que nos habituamos
há quem olhe com desdém
pr’aquilo que nós gostamos
cada um e cada qual
tem seu costume de anos
até mesmo num casal
não há comunhão de manos

Quando se perde um costume
sendo hábito antigo
é com algum azedume
como quem perde um amigo
são os outros normalmente
que nos forçam a mudar
pois nunca nasce da gente
um costume afastar

ESTA LIBOA E ESTE PAÍS


Tive, ontem, domingo, que sair de casa apelas 11 hora da manhã. Por obrigação, pois vinham-me buscar para um empreendimento em Torres Novas onde não podia faltar, sem conduzir e apenas como companheiro na viatura, tive ocasião de analisar o movimento que ocorria naquela altura. Pois até me parecia que não conhecia a capital do nosso País. As ruas por onde passámos até chegar à saída de Lisboa davam um aspecto de abandono da cidade que afligia. Um deserto de gente que não se entendia. Bem sei que fazia frio, mas há sempre quem precise de sair e, por pouco movimento que se verificasse, aquele abandono que estava à vista é que impressionava. Na verdade, os cidadãos, talvez pela retracção em que se encontram e ainda que nos encontremos numa época em que o Natal se aproxima, não davam mostras de existir. Durante o trajecto, utilizando vias rápidas e auto-estradas, o movimento de automóveis também era deplorável. Chegados por volta das 13 horas, num percurso que algum trânsito teria que ocorrer, também o vazio consecutivo de automóveis fazia crer que se tratava de um País em que toda a população entendeu que deveria fazer greve de movimentos. Quilómetros seguidos sem que um carro tivesse de ser ultrapassado e em que, na direcção contrária, também se verificava uma pobreza de circulação.
O regresso, por ter demorado mais do que era esperado, ocorreu pelas 21 horas. E, admitindo que se tratava de um período em que muita gente que tivesse saído regressasse a suas casas na capital, o espanto repetiu-se: continuava a verificar-se uma escassez de trânsito que deu então para se começar a raciocinar quanto ao motivo de tamanha ausência de cidadãos que se movimentassem.
Faço-o, pois, agora. E, não encontrando outra explicação, sou levado a admitir que os portugueses, finalmente, já exaustos de ter abusado das ofertas de crédito que fizeram com que se gastasse o que não se tinha, endividando-se largamente, e agora defrontando os apertos que os bancos, por exemplo, fazem para reaver os pagamentos das suas dívidas, das casas, do carros, da mobílias, das viagens que tanto prazer deram a quem se serviu do que pareciam ser grandes facilidades, muitos deles agora também a fazer parte do grande número de desempregados, compreenderam que a solução agora é enfrentar a realidade da vida que lhes é proporcionada e começar a poupar, isto para usar uma linguagem pouco agressiva, porque o que será mais certo é que se verifique uma carência clara de meios para levar uma vida que tenha alguma coisa a ver com a que ocorreu durante um tempo de fantasias.
E isto enquanto se toma conhecimento que um responsável maior pelo Banco Provado, aquele que se mostra incapaz de repor os depósitos de imensos clientes que clamam pelo que lhes pertence, esse mesmo indivíduo que mora numa casa rica, tinha em casa milhões de euros em obras artísticas, as quais foram apreendidas pela Polícia Judiciária.
É, pois, assim. Uns com tantos e outros sem nada. Mas o nosso Pais cá vai caminhando, ainda que com as ruas e as estradas vazias por falta de meios para os cidadãos circularem, e o que o espera nos dias que aí estão à vista é assunto para encher páginas de textos daqueles que ainda se incomodam em relatar a paisagem que nos envolve.
Eu não sei se continuarei nesta senda de desgraças. Ando a pensar seriamente no assunto.

domingo, 28 de novembro de 2010

A PERFEIÇÃO

Não sei se a felicidade
reside no se julgar
que não constitui vaidade
o nunca se enganar
perfeição
que ilusão
atingi-la se presume
ser algo quase impossível
chegar mesmo lá ao cume
pode ser mas é falível

A obra-prima afinal
por muito bela que seja
não será nunca ideal
melhor sempre se deseja
alcançar
abraçar
o autor desconsolado
sofre por não conseguir
ver o trabalho acabado
sem o super atingir

Isso será consciência
de longe o máximo ver
e tal como em penitência
prosseguir sempre a sofrer
insistir
sem conseguir
o fazer coisa perfeita
não pertence ao ser humano
não se inventou a receita
pois a vida é um engano

Trabalho e aplicação
ajudam a lá chegar
mas nem o que é sabichão
deixa de se enganar
estar perto
não é o certo
é bem bom à roda andar
os génios o conseguiram
já chega p’ra s’admirar
sem perfeição s’atingir

Imperfeito mesmo sendo
é bom não ficar parado
original ou remendo
o preciso é que dê brado
com amor
o melhor
tem de sair bem do fundo
da alma, do coração
o ser primeiro ou segundo
só importa a devoção

Se um dia surgir o tal
o homem da perfeição
e se for em Portugal
que não haja presunção
em boa hora
mesmo agora
que tanto necessitamos
que surja alguém capaz
para qu’em ordem ponhamos
quem precisa tanta paz


PASSOS COELHO


JÁ PODEMOS ANDAR descansados. Pedro Passos Coelho, em entrevista divulgada, afirmou “estar preparado para tudo”. Disse a entrevistadora que o líder do PSD mostrou serenidade e um estilo fleumático. E deixou escapar a afirmação de que não quer apenas governar, quer mudar Portugal”.
Perante a possibilidade quase certa de poder vir a exercer as funções de primeiro-ministro do nosso País, o que os portugueses não desejam, nem por sombras, é que surja como seu substituto um político que se apresente com as certezas que nos foram impingidas nos últimos anos e que, não sendo capaz de ouvir as opiniões dos outros, se convença que o caminho que pretende seguir não oferece dúvidas.
Deixo este aviso porque, depois de tanta “ciência” propagada pelo próprio Sócrates e por bastantes dos seus sequazes, o que temos de andar é de pé atrás e desconfiar de todas as intenções, por mais sinceras que elas pretenda ser, o que não pode ser levado a mal por nenhum dos proponentes que surjam para os lugares que impõem, no mínimo, competência e honorabilidade nos actos que forem da sua autoria.
Por agora, e à distância ainda de uma mudança que ocorra no panorama político nacional, todas as dúvidas dos portugueses são justificadas. Gato escaldado de água fria tem medo, diz o povo na sua sabedoria. Que o homem que venha a ocupar – e ainda falta um certo tempo e até lá muita coisa vai ainda ocorrer – o posto de chefe do Governo faça um trabalho de casa profundo, não só no capítulo de não cometer mais erros do que os que foram largamente praticados mas também vindo munido de uma certa humildade, dado que as opiniões que se podem sempre colher não diminuem os que têm de tomar atitudes importantes e o aparecer depois publicamente a dar conta do erro praticado não representa nada que diminua a personalidade do homem. Antes pelo contrário.
Sabermos que Passos Coelho não teme que o FMI venha interferir na governação portuguesa representa que, na sua ideia, não ficará admirado se formos forçados a ter de aceitar a sua participação. E essa preparação para o que poderá ser o inevitável já ajudará o seu trabalho.
Não sei se a escolha que eventualmente os portugueses farão na altura das eleições legislativas, no caso de Passos Coelho, será a ideal. Mas numa coisa poderemos nós, habitantes deste País, ficar convencidos: é que, por muito errada que seja a votação, pior do que aquilo que temos vindo a suportar não será seguramente.
Isto digo eu que, durante bastante tempo, sobretudo durante o período inicial da sua governação, mantive uma certa esperança na acção socratiana. Parecia-me ser um político possuidor de convicções, mas não de teimosias, o que não é a mesma coisa. Mas enganei-me. E não terei sido só eu.
E já agora, antes de pôr o ponto final neste texto de esperança e de dúvida, tendo tomado conhecimento de uma notícia que se refere a que o Governo se está a preparar para mudar as leis do trabalho, não sabendo em pormenor de que constará essa decisão, só me detenho para lembrar os que seguem o meu blogue diário, de que, há algumas semanas atrás, não vou agora verificar a data exacta, me referi-me a este passo que, sendo doloroso e que comporta alguns perigos, representa uma medida que, tendo as limitações que a decisão comporta, poderá dar alguma ajuda para diminuir o estrondos número de desempregados que existem em Portugal.
Retirar aos empresários o medo de admitir novos funcionários nas suas empresas, sem correrem o perigo de não os poderem dispensar se as circunstâncias levarem a uma redução posterior, e não só isso como também conceder aos empregadores um subsídio, durante um certo tempo, equivalente ao que o Estado suportava na fase de desemprego, estas medidas, se forem bem pensadas, terão condições para obter resultados positivos no panorama da falta de trabalho que se verifica entre nós.
E é isto aquilo que eu chamo uma governação oportuna. Aquela que tem faltado.

sábado, 27 de novembro de 2010

ENTE

Se se pratica um crime impunemente
e a Justiça aí até faz de cega
a tranquilidade completamente
é algo difícll e que não pega

Dizer muitas vezes sinceramente
e querendo aos outros convencer
é coisa habitual de quem mente
e que só faz para dar prazer

É como o viver eternamente
no que muita gente tem esperança
mas a verdade racionalmente
muda com a música como a dança

Começa como acaba francamente
sem que cada um comande lá isso
o melhor portanto é ir docemente
preenchendo o tempo sem compromisso

E por mais que cada um seja crente
que à fé se agarre com fervor
tanto se está como se fica ausente
fugindo por isso do amargor

Se se atinge alto expoente
e algum valor os outros lhe dão
reflicta bem que o estar doente
acontece a qualquer cidadão

Qu’importa então ser fraco ou valente
ser rico ou mesmo até indigente
com muita saúde ou paciente
criticar tudo ou ser bem-dizente?

Se a todos cabe um finalmente
pois que cada qual será impotente
tanto p’ra escolher a sua semente
como ser o eterno residente

Quem algo tem de inteligente
não se julga dos outros diferente



SÓ DISPARATES!...


QUE GRANDE SURPRESA! A Assembleia da República deixou passar, na votação realizada ontem, o Orçamento de Estado para 2011 que o Governo, depois de prolongadas buscas de entendimentos com o PSD, apresentou para votação. Os sociais democratas, para que não fique registado na História que o seu sim foi expresso, limitaram-se à abstenção, pois que o total dos nãos dos restantes partidos não era suficiente para obstar a que o documento em causa enfrentasse a derrota. Tudo estava já estabelecido e o tempo que passou em aparentes negociações só serviu para arrastar, como é tanto do nosso gosto, as conclusões de uma decisão. E este caso não constituiu excepção.
Anda por aí a divulgar-se a ideia de que este Orçamento não é o que conviria a Portugal, na situação melindrosa em que nos encontramos. Mas, afinal, a questão não será bem essa. O problema põe-se em saber se, com este ou com outro enunciado de receitas e despesas para o próximo ano, mas com o mesmo grupo governamental, qualquer outro programa serviria para solucionar a posição em que nos deixaram chegar os homens de José Sócrates. Eu, por mim que não sou de grandes saberes, entendo que não. Que não existe Orçamento de Estado que nos valha e que, nesta altura, já não haverá possibilidade de mudar o elenco governativo, como não é também o momento politicamente adequado para se realizarem eleições legislativas. Esta a realidade.
Pergunta-se: então o que podemos fazer? Pois esse é o berbicacho maior! E, face a tamanho dilema, o que nos resta a nós, cidadãos, em que não está ao nosso alcance uma forma de intervir, é apenas mantermo-nos a aguardar o que vier a seguir, com FMI ou sem ele, pois qualquer intervenção que se verifique, de dentro ou de fora, ela só nos apresentará sempre um panorama pior do que o que existia antes. Os sacrifícios a que 2011 nos obrigará, provavelmente ainda serão aumentados face às circunstâncias seguintes.
Não, não me acusem de pessimista. Façam o favor de ler os meus blogues desde há muitos meses, e se não lhes provocaram, os avisos que lancei, nenhum interesse e até lhes deram pouca credibilidade, pois não venham agora chorar sobre o leite derramado. Tudo isto que está a ocorrer esteve sempre no meu óculo de observação e como não me intitulo um “politólogo” – como agora surgem tantos com esta designação – e muito menos sou um convencido que sei tudo, dado que, como diz o outro, só sei que não sei nada, ter-se-á que apelidar esta minha previsão como uma leitura independente, não facciosa, dos homens que ocuparam os lugares de destaque, tendo como exclusivo intuito procurar analisar bem as situações que nos iam aparecendo. E se também, apesar das revolta que sinto, não carrego comigo o espírito de vingança, até porque ela a existir será colectiva e não individual, não vislumbro com prazer um futuro negro a Sócrates e ao seu grupo governativo (até porque o que imagino que lhes sucederá vai ser precisamente o contrário, ou seja o gozo de enormes modormias, resultantes dos efeitos dos cargos que têm vindo a exercer na plataforma política).
O Natal que se aproxima, por sinal período do ano que eu, como já tive ocasião de esclarecer nos meus escritos, não atravesso com prazer, antes me provoca uma enorme nostalgia, na generalidade dos portugueses constitui uma época em que se instala um sentimento de “bondade”, ainda que seja colada pela tradição das prendas. Pois este ano, em face das coisas como se encontram, os comerciantes já se queixam de que se nota uma grande retracção nos gastos. Passou-se, no nosso País, de uma loucura de despender o que não se tinha para agora, tarde demais, se fazerem contas às moedas que ainda existam. Os que as conservam.
Mas, entretanto, e sem se conseguir entender o que passa nas cabeças tontas dos homens que permanecem nos postos de comando, as loucuras não param. Foram os blindados dos 5 milhões que não faziam falta, como se viu, é o caso do aeroporto de Beja que excede tudo que seria permitido. Mas são também as decisões sobre a não redução clara dos salários para a função pública no que se refere às empresas do Estado, precisamente aquelas onde os escândalos são mais notórios e… e aí por diante.
Há tanta coisa para referir, na área das contrariedades e das acções dessa gente, que nem existe espaço que chegue, assim como paciência dos leitores para acompanharem o rol infindável de erros e asneiras. Fico-me, pois, por aqui. Até à próxima.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A COERÊNCIA

Já era tempo de se respirar
d’enfrentar a vida mesmo o resto
de não p’ra trás andar
não ser preciso fazer mais protesto
quem até hoje aguentou tanto
quem com esperanças lá foi vivendo
não é agora até com espanto
que vale a pena gritar “não entendo!”

Se metermos a mão na consciência
se à humildade nós apelarmos
e não oferecermos resistência
abandonando o desenrascarmos
talvez se encontre a solução
p’ró estado a que Portugal chegou
pois isso estará na nossa mão
cada um crendo “o melhor não sou”

Se agora somos mal governados
por quem deve fazer o seu labor
e eles não se sentindo culpados
dizendo até que fazem favor
há muita razão em quem os quer for
em despedi-los com um chuto no rabo
e pô-los à distância sem demora
não deixando nenhum ser mais nababo

Então depois quem vier a seguir
será capaz de pôr tudo nos eixos?
Parece igual a Alcácer Quibir
somos peritos nisso dos desleixos
após catástrofe nunca sabemos
como voltar a pôr a casa em ordem
nas discussões muito tempo perdemos
restamos todos na mesma desordem

Mas é só hoje que isso sucede
que por nossa culpa nos afundamos
que nos envolvemos na própria rede
e com isso mesmo nos glorificamos?
Tenhamos então alguma memória
olhemos para trás e reflictamos
é o que nos diz parte da História
por mais que muitos de nós aplaudamos

Mas é pena pois que heróicos feitos
também tivemos com certa fartura
mas dessas acções tirarmos proveitos
se existiram foi de pouca dura
nunca soubemos recolher partido
que resultasse num bem pr’o País
foi escasso sempre esse sentido
tudo nos passou longe do nariz

Mas afinal este tão nosso ser
não vem desde tempo d’Afonso Henriques
até antes quando um povo qualquer
trazendo consigo todos os tiques
recebeu convite “para que fiques”

COPO MEIO CHEIO


HÁ COISAS QUE PARECEM só ser possível que aconteçam em Portugal. Porque nós temos o costume de provocar discussão sobre todas as matérias que põem em contraponto modos de ver opostos, impondo as nossas razões àquelas que são defendidas pelos adversários. Mesmo que a verdade não se encontre em nenhum dos lados. Foi o que se passou logo a seguir à tal greve que paralisou grande parte do País e em que os sindicalistas dizem ter sido participada por 3 milhões de portugueses e o Governo afirma estar muito longe desse número. É a história conhecida do copo meio cheio e meio vazio.
Seja qual for o número que se possa considerar verdadeira, o que se verificou e que principalmente Lisboa sentiu profundamente na pele, foi uma enorme dificuldade em concretizar actividades que estavam programadas por aqueles que não tinham motivo para participar na paragem do trabalho, ou porque não aderiram ao apelo sindicalista ou porque a sua vida na área profissional não se enquadra no campo do trabalho - desempregados ou reformados. Isso, para não se referir os que aproveitaram a oportunidade que lhes foi proporcionada para permanecerem comodamente refastelados nas suas casas, sobretudo se se trataram de funcionários públicos que sabiam de antemão que as suas repartições não abririam as portas. E também daqueles que, antevendo a dificuldade em utilizar transportes públicos para se deslocarem ao serviço, nem deram um passo para o sítio habitual do embarque, servindo essa desculpa para aumentarem o número propagado dos grevistas.
Quantos foram, realmente, esses é que ninguém está em condições de apresentar um número ou uma percentagem. Mas que fizeram parte do grupo que se classifica do lado dos faltadores ao trabalho e, portanto, se incluem na parte do copo parcialmente cheio, sobre isso não pode haver dúvidas. E também, pouco importa classificar com rigor onde devem ser colocados os que não estiveram a cumprir a sua obrigação profissional, dado que, em maior ou menor percentagem, o que faz reflectir é a situação de perigo que o nosso País atravessa e de um futuro que será de consequências imprevisíveis, mas que, apesar disso, não impede que os homens que sempre desejam colocar-se nas montras dos acontecimentos tirem partido pessoal ou de grupo das suas acções.
Não hesito sequer em dar visibilidade à minha posição de adversário de qualquer tipo de paralisações laborais numa altura em que o que é absolutamente necessário é aumentar a produtividade a todos os níveis e em todas as áreas do nosso País. Nas fábricas, na agricultura, nos serviços, no sector público e privado. Não podemos dar-nos ao luxo de fingir que contribuímos para o aumento de resultados visíveis naquilo que cada um de nós faz. Se sempre estivemos longe de acompanhar os níveis mais produtivos de outras partes do mundo, se, na verdade, nunca primámos por ser exemplares não só na produtividade como também na sapiência em colocar nos mercados aquilo que fomos capazes de extrair das nossas mãos, neste momento concreto em que nos encontramos fomentar qualquer tipo de greve, tanto mais que o resultado que poderá ser obtido, como reivindicação por um desagrado face ao às forças públicas, será absolutamente nulo, não tem efeitos positivos de nenhuma espécie.
Se se impõe como necessidade fulcral que o Governo de Sócrates saia de cena ou se, como remendo mais exequível, se proceda a uma remodelação da equipa actual, pelo menos enquanto não existirem condições para, sem pânico exterior, se verificar que o caminho certo para solucionar os nossos problemas está a ser encontrado, então que para isso se façam as pressões que forem julgadas mais convenientes, mas nunca através de paralisações de trabalho dos portugueses, essa atitude compreende-se e é até desejável. Mas, ao mesmo tempo, o que se torna indispensável incutir no espírito de toda a população portuguesa é a atitude de produzir cada vez mais, melhor e depressa, porque o atraso que levamos e a situação periclitante que atravessamos não nos dá outra alternativa.
E esta recomendação serve igualmente aos dirigentes sindicais, a esses que tendo a sua actividade profissional garantida devem reflectir um momento no que é melhor para o Portugal que é de nós todos.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A CONSCIÊNCIA

Será que isso é vulgar
que obriga a grande ciência
para neste mundo andar
pôr de parte a consciência?
Não tê-la sempre presente
até sem mostrar p’ra fora
é não querer ser prudente
falhando na própria hora

Ser consciente dos actos
antes de os praticar
evitando espalhafatos
que possam embaraçar
esse é princípio ideal
que muito ajuda a viver
e evita muito mal
impedindo de sofrer

Mas então a consciência
é coisa que se explique?
É mais do que uma tendência
mas de que não se abdique
é a forma de pensar
ver a fundo consequência
e não tem de hesitar
se é boa a consciência

De consciência limpa andar
não ter de se arrepender
é bom caminho traçar
sem ter nada que temer
dizendo sempre as verdades
próximo não enganar
só provoca amizades
andar perto do amar

Dizer mal sem ter razão
acusar sem prova ter
é desdenhar o perdão
que se merece ao morrer
tudo está nas nossas mãos
na nossa própria inocência
querermo-nos como irmãos
só com boa consciência

OU GREVE OU TRABALHO...


COM TANTA COISA POR FAZER neste País, com o trabalho que depende da vontade dos homens e que necessita do mesmo tempo para ser completamente executado como aquele que tem de se aguardar para colocar Portugal em ordem com as suas contas públicas em dia, o que a nós portugueses nos resta é, pois, deixa passar as folhas do calendário para podermos vir a ter uma vaga esperança de que, finalmente, o juízo nos chegue e alcancemos, pelo menos, a média da produção dos melhores estados europeus.
Tenho sempre este costume de iniciar os textos com um preâmbulo que, em meu entender, prepara os leitores para o assunto que vai ser tratado. E, desta vez, como o tema é o da greve que ocorreu ontem e prejudicou tanta gente, não me ocorreu outro assunto que o de recordar o que está por fazer neste Portugal.
Pelo que se ouviu nas reportagens transmitidas pelas televisões, muitos pequenos comerciantes queixaram-se da falta de clientes que acorreram aos seus estabelecimentos, pois que até nos quiosques de jornais se verificou uma baixa considerável de vendas, para além de terem sido ouvidas várias opiniões de rua de gente que se mostrou contrária à paralisação organizada pelas duas centrais sindicais.
A par disso, pode ler-se claramente numa reportagem saída num matutino que afirma que, só em Lisboa, existem mais de mil prédios que se encontram em condições de, mais dia amenos dia, se despedaçarem nas ruas onde se encontram. Isso, quando já na véspera, em plena avenida 5 de Outubro, um edifício inteiro descambou e todos os residentes tiveram de sair apressadamente, apenas com tempo para salvar os seus pertences mais urgentes.
São estas, de igual modo que em muitas outras situações, que nos fazem interrogar o que estão a fazer os responsáveis dos diferentes sectores de decisão deste País, que não dão mostras de ter qualificação suficiente para se anteciparem aos acontecimentos que se arrastam e que poderiam e deveriam ter tido uma acção eficaz por parte de que tem como profissão cuidar do interesses públicos.
Então, primeiro deixam-se cair os prédios e só depois, pela acção dos bombeiros, é que se vão retirar os entulhos? Quem deve exercer as funções para que se lhes paga um vencimento e que deveriam evitar chegar-se a uma situação já radical?
O que se assiste por esta capital, em que prédios que foram deitados abaixo depois mantêm-se com o espaço vazio, em que os tapumes impedem mesmo os transeuntes de circular e o mau aspecto visual tem de incomodar toda a vizinhança, a esse espectáculo ninguém põe cobro. Se os senhorios dos tais prédios não têm dinheiro para prosseguir as obras, então que se tomem as medidas necessárias – que podem ser muitas – para que a situação mude, tanto mais que é forçoso dar trabalho aos que se encontram parados e as câmaras municipais têm meios para actuar em conformidade.
Em plena Praça da Alegria, um local bem visitado por turistas, mostra umas casas com mais de cem anos, só de um andar, a desfazerem-se e com um aspecto desolador. Pois não existe no Município lisboeta quem encontre uma solução para o problema?
Estamos, na verdade, entregues ao descalabro. Não temos por cá gente que consiga colocar Portugal no bom caminho, seja no Governo, nos lugares públicos, nos sindicatos, nas empresas e, de uma maneira geral, também nos que se dizem “trabalhadores”. Chegámos a este ponto. E ainda existe quem mantenha esperanças em alguma coisa?
O meu desconsolo é completo. E a razão por que tenho um livro para publicar, com o título “DESENCANTO…POR ENQUANTO!”, aguardando apenas que um editor seja capaz de deitar a mão a uma obra que terá, sem dúvida, o maior êxito junto do público, a razão, repito é de mostrar como conseguimos atingir um lugar tão fundo na Esfera terrestre em que estamos inseridos.
Vou esperando, pois que andar a bater às portas de quem quer que seja, isso não faço. Têm de ser os editores a fazer o seu trabalho e a dar indícios de interesse por obras que merecem ser divulgadas.
Não é de admirar, com esta forma de nós sermos, que esteja tanta coisa por fazer em Portugal. Mas, lá greves é um ver se te avias…