quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ESPECTÁCULO!...


JÁ ME TENHO referido ao uso e abuso de palavras e expressões que são introduzidas no falar dos portugueses e que, de uma forma geral, têm base na repetição feita por alguns intervenientes, especialmente nas nossas televisões e que, fazendo gala na tal insistência no uso que, por sinal, até lhes deixa alguma marca que se mantém durante um certo tempo, o que na verdade conseguem é espalhar vícios linguísticos que não acrescentam enriquecimento à nossa bela língua pátria. E essa do “espectáculo”, pronunciada por tudo e por nada, sobretudo não se enquadrando no tema ou no objectivo do que está a classificar, para além de enfastiante altera o verdadeiro significado do que representa o gozo de ver, ouvir e sentir alguma coisa que merece ser colocada num plano superior. O apresentador da RTP, Fernando Mendes, independentemente da graça que lhe acham alguns espectadores, atira para o ar, de dez em dez palavras, a expressão que enche os ouvidos.
E não é somente esta palavra em alguns pretendem insistir e que, infelizmente até pega, pois esse também horroroso “digamos”, largado por tudo e por nada e que para o que serve é para estabelecer uma paragem no discurso que está a ser feito, dando a impressão que constitui uma ajuda para preparar o que é pretendido dizer a seguir.
Não é a primeira vez que aponto estes enjoativos “empecilhos” na língua portuguesa e se observo idêntico vício a ser perseguido por gente ligada à política, no Governo ou fora dele, então o meu desconforto ainda mais se acentua.
Gente que, embora devendo usar uma linguagem simples e que chegue facilmente a todas as camadas da população nacional – coisa que até geralmente não fazem, para se darem o ar de grandes sapientes - , mais razão têm para não seguir as calinadas linguísticas, dado que os exemplos devem vir sempre de cima. Como sucedeu antes e, menos-mal, se está a perder agora, que foram os casos dos “portanto” e dos “pois” que inundaram o palavreado dos faladores sem sentido.
Mas, voltando a essa do “espectáculo” e do “espectacular”, como também se costuma acrescentar, sou levado a admitir que se trata da situação que se atravessa no País que temos e que, devido aos comportamentos de certos homens públicos que nos deixam de boca aberta, conduzem a que o que é mau seja considerado como um verdadeiro número de representação, o qual espanta a quem ele assiste.
E, pelo mesmo motivo, devido à incapacidade que se demonstra por cá de chegar ao fim das questões que se situam na área da Justiça – e não só -, pois que não alcançam nunca um termo convincente, principalmente se se tratam de situações que envolve figuras mediáticas, acredito que será daí que ressalta a expressão repetida do “espectáculo”.
Então agora, com a amostragem do Orçamento do Estado que, com sucessivos adiamentos, lá foi entregue à A.R., toda essa demonstração de falta de competência, de ausência d cumprimento de compromissos – como até a mudança agora da data em que vai ser discutido no Parlamento, tendo passado de 29 de Outubro para 2 de Novembro (coitado, não sabia o Sócrates que tinha um compromisso em Bruxelas!), a tudo isso sim, é que se deve aplicar a tal palavra do “espectáculo”, ainda que seja tudo um drama, daqueles em que todos os que assistem, porque também são intérpretes, saem a num choro convulsivo.
E, já agora, um acrescento a este texto. Tem a ver com o anúncio de que Cavaco Silva anunciará a sua recandidatura no dia próximo 26, pelas 20 horas, altura em que já se saberia o resultado da passagem do O.E. no Parlamento. Mas, como agora, essa decisão vai ser tomada apenas no dia 2 de Novembro, a pergunta que fica no ar é se sempre saberemos se o actual Presidente da República se assumirá como candidato ou se também altera tal decisão.
Então, tudo isto que se passa no nosso País não é um verdadeiro espectáculo? Triste, por certo, mas que nos encontramos todos sentados a assistir a um drama, disso ninguém duvida…

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A FAMÍLIA

A sua
a exemplar
satélite como a lua
conhecendo o verbo amar
e girando em redor
então se for bem amiga
sendo grande é melhor
estando pronta a ajudar
não recorrendo à briga
até se não concordar
essa é a desejável
a que todos bem precisam
é a única aceitável
os seus membros fraternizam

Mas se não é isto que passa
se é grande a indiferença
se a amizade é escassa
e a relação é mesmo tensa
nesse caso é preferível
fora de portas tentar
gente que seja sensível
p’ra receber e p’ra dar
amizade simples e pura
sem ser preciso pedir
tê-la é uma ventura
apetece bem sorrir

Se o mundo é uma família
aí está um mau exemplo
andar sempre em vigília
a defender cada templo
porque se a fraternidade
em cada um existisse
não haveria maldade
nem tão pouco malandrice

Mas se enfim o tal mundo
feito de brigas e zangas
só mostra ter um mau fundo
ser composto de capangas
e em vez da união
e de todos se ajudarem
cada a querer seu quinhão
entre todos se matarem
são raras famílias boas
quem as tem que as conserve
ter ao lado tais pessoas
não é nada que enerve

Com família ou sem ela
o Homem é egoísta
e por qualquer bagatela
vende a alma, muda de pista

SOMOS DEMASIADOS


É CONHECIDO o número avassalador de habitantes de todo o mundo, o qual ultrapassa bastante os seis mil milhões, e que, comparado com a tabela existente há cerca de 50 anos, no final da Grande Guerra Mundial, excede de forma inquietante, várias vezes, a população que, naquela altura, resistiu ao cataclismo da violência que ocorreu em todos os continentes. Quer dizer, portanto, que o Homem não tem parado de encher a nossa Esfera de novos cidadãos, o que, se por um lado pode representar uma esperança de que a vida terrestre se mostra favorável à vinda de muitos novos lutadores, por outro carrega este espaço de cada vez maior concorrência entre os que se debatem na busca de um lugar estável e que represente um mínimo de felicidade.
Deixando de lado perspectivas e analisando friamente a ocorrência, haverá que acrescentar a esta realidade do aumento sucessivo de gente a movimentar-se neste mundo também o inegável que é o avanço da ciência médica que tem vindo a tornar mais duradouro o tempo que o ser humano resiste até ao momento final. Se, ainda não há relativamente muitos anos, se considerava velho um indivíduo que atingia os pouco mais de cinquenta anos, hoje, atingidos que sejam os setenta, chamar idoso a tais viventes constitui quase uma ofensa, sabendo-se que, em qualquer parte do Globo, se realizam casamentos de homens e de mulheres que, já viúvos ou ainda solteiros, resolvem juntar trapinhos com o parceiro que lhe calhar.
Mas, cá em Portugal, o que sucede no que diz respeito ao tempo das reformas? A lei regista os 65 anos como termo da actividade profissional e o direito que concede o ser usufruído o recebimento da respectiva pensão, Mas o que se verifica em grande número, igualmente no nosso País, é a possibilidade de ser alcançado o benefício de deixar de trabalhar e se começar a receber o montante que lhe cabe como reformado, com idade inferior ao que está estabelecido legalmente, assistindo-se, com excessiva frequência, a gente já situada nessa posição com pouco mais de cinquenta anos! E o resultado é o de que, como as condições de saúde o permitem, grande número desses retirados da vida activa se predisporem a prestar serviço em funções que caberiam a outros cidadãos com idade apropriada para cumprirem a sua missão terrestre.
Ora, é exactamente este também um mal que contribui para que o excesso de população mundial se ressinta ainda mais do acotovelamento que se verifica, especialmente na Europa, de residentes que lhes calhou terem este Continente como local de arrastamento de vida. E, se é certo que, em zonas mais distantes, ainda existe espaço para acolher os excedentes das regiões superlotadas, por não se verificarem aí as condições mínimas de subsistência não constituem opções para mudança.
Fala-se muito de crise. Apontam-se razões que explicam o facto dela ter chegado, ainda que pouco se adiante na prática no que respeita à forma de se sair desse flagelo. O desemprego constitui um monstro que tem diversas causas, entre as quais o número elevado de habitantes disponíveis e o avanço inegável da tecnologia, a qual dispensa muita mão-de-obra no sector industrial. Só que ninguém tem a coragem de referir que talvez a forma – que não será possivelmente a única – de fazer frente a tamanho martírio será um outro, o de rebentar um novo conflito que envolva muitos países espalhados por todos os cantos do Planeta e que, com as destruições causadas pelo Homem, com o desaparecimento de grande parte da população, quando terminasse o confronto, logo surgiria muito trabalho a realizar e toda a mão-de-obra disponível seria aproveitada para voltar a pôr de pé grande parte do habitat terrestre, de modo a ficar em ordem para, anos mais tarde, quando se repetirem os excessos que hoje se verificam, surgir outra necessidade de fazer o mesmo.
Isso, claro, enquanto não se descobrir a forma de colocar metade da população que enche o espaço onde agora vivemos num outro planeta, Vénus ou Marte, que são os que se encontram mais “perto”. Se isso não suceder e por muito que os poucos leitores deste meu blogue me considerem completamente doido, por mim não vejo outra maneira de solucionar o problema. E isso, muito embora se verifique que a grande maioria dos cidadãos de vários países se revoltem quando os respectivos governos se dispõem a reduzir a idade da reforma, como sucede agora em França que pretendem baixar do 62 para os 60! Fazem-me pena!
Pode não ser para os tempos imediatos que a medida drástica que aponto acima não tenha lugar. Que os islamitas fanáticos e os terroristas cada vez em maior número não deitem mão da terrível bomba atómica ou de outro meio que, entretanto, seja descoberto. Ainda suportaremos algumas gerações antes de lá chegar. Mas que não é necessário ser bruxo, quanto a isso é essa a minha convicção, apesar de eu ter sempre sustentado e de manter tal dúvida de que “certezas absolutas nunca tive nem tenho”.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

DA MINHA JANELA

Olho da minha janela
E não vejo
Tudo é igual ao que via antes
Nada se me apresenta diferente
Tudo monótono
Tudo igual
Nada me estimula a tentar descobrir
Se o mundo mudou alguma coisa
Se os homens estão melhores
Do que eram antes
Se a verdade impera
Nas cabeças que circulam
Se o egoísmo
A vaidade
A inveja
O orgulho
A prosápia
Se alguma coisa desapareceu
Da cabeça dos homens
Se o dar importância aos outros
O ouvir as suas razões
Sem contrariar
Mesmo sem concordar com elas
Se tornou um hábito salutar
Evitando discutir
Só dando opinião
Quando os outros a pedirem
Isso não descortino da minha janela
Pelo que não me dá vontade de sair
De conviver
De fazer parte do grupo
Que só diz eu
E raramente nós

PERGUNTA SEM RESPOSTA


POR MAIS que eu queira por de parte o tema dos submarinos que foram encomendados (e um já chegou) no período em que Paulo Portas desempenhou o cargo de ministro da Defesa – quem diria que esta personagem era a mais indicada para exercer tais funções -, não consigo deixar de me interrogar e de estranhar que ninguém situado, quer no Governo quer no lugar das oposições, levantem tal questão: trata-se de inquirir se o contrato que foi efectuado e que permitiu encomendar aqueles meios marítimos militares não abarcava, como foi largamente divulgado na época, a possibilidade do seu pagamento ser executado contra a contrapartida da compra, em valor igual, de produtos de origem portuguesa, o que, sendo assim, poderia justificar tamanho dispêndio de um elemento militar que deveria perfeitamente ser dispensado (por muito que os homens da Marinha afirmem o contrario, mas o seu ponto de vista não se coaduna com os interesses económicos e financeiros do nosso Pais) e até em sua substituição seria talvez mais apropriada e sobretudo muito mais barata se se adquirissem barcos de grande rapidez para controlar e impedir que a nossa costa fique tanto a mercê da entrada de estupefacientes, como acontece e só parte é apanhada, ponho, pois, essa questão: o tal contrato de compra foi ou não feito? E se sim, as suas cláusulas não deixam dúvidas quanto a não ser exigido que Portugal se endivide ainda mais? Se não foi isso que ocorreu, a quem pertence a responsabilidade por ter deixado o nosso Pais numa situação de dívida de grande dimensão (mil milhões de euros) que, já este ano, tem de ser enfrentada?
Então, apresentando o Orçamento do Estado uma tão feroz obrigação de exigir dos portugueses um sacrifício que os obrigam a exceder a sua capacidade de apertar o cinto, não seria de aguardar que o Governo não fizesse silêncio sobre uma situação que levanta tantas dúvidas aos cidadãos?
É esta a questão, como existem muitas outras que passam as malhas do apuramento das verdades, que impõe que o seu causador seja sujeito ao castigo adequado. Pois tratou-se, no mínimo, de um acto de absoluta incompetência e não faz o menor sentido que ainda se pavoneie por ai, com o ar de quem é um indiscutível ser que merece todas as honras, quem, uma ou mais personalidades – há que apurar com absoluta independência – tem se ser apontado como autor ou autores de tamanho disparate.
O que, porém, talvez explique o motivo por que ninguém levanta o problema no que se refere a encontrar o ou os culpados é que, na altura da decisão de compra, vários intervenientes terão contribuído para ela tomar corpo. E os intervenientes pertencerão provavelmente a vários grupos partidários. Só pode ser por isso!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

CALVÁRIO

Há ou não razão p’ra desanimar
neste calvário imenso em que vivemos?
Mas então isto nunca irá acabar
e d’algo pior ainda tememos
e não se passa só em Portugal
o mundo inteiro não está melhor
para se conseguir fugir do mal
tanto faz que se vá p’ra onde for

A Terra anda toda ela às voltas
acalmia é pouco que se encontra
pois muitos malvados andam às soltas
já não escapa nada em qualquer montra
e nas finanças grandes roubalheiras
na política grassa a corrupção
pouca vergonha já não tem fronteiras
ao nosso lado pode estar ladrão

Não é bem assim, dizem confiados
os que ainda não sofreram danos
mas um dia destes ficam calados
se os atingirem alguns fulanos
é que isto de trabalhar não dá
não é bastante p’ra levar a vida
se é isso que se passa por cá
é igual aos que vêm de fugida

Calvário da vida não chega a todos
há os que conseguem bem escapar
para uns tantos os terem a rodos
outros nunca precisam de suar
ainda bem, pois não é regra geral
o ser feliz é coisa que existe
para os que só enfrentam o mal
há sempre aquele que a tudo resiste

CAVACO VEM AÍ!...


DARIA VONTADE de rir se não se tratasse de um caso que, em quaisquer circunstâncias, causa preocupação, ainda que a situação não tenha lugar no nosso País. Trata-se da revolta que ocasionou em França a medida anunciada de aumentar a idade da reforma dos profissionais de todas as áreas, de 60 para 62 anos. Imagine-se!, numa altura em que a média de vida do ser humano tem vindo a subir, ao ponto de hoje, especialmente nos países dados como desenvolvidos, os 80 anos não constituírem uma idade excessivamente avançada, terem os franceses a aspiração de pretender manter-se em funções laborais somente até uma altura em que os homens e mulheres, de uma forma geral, se encontram ainda em perfeita forma para não recolherem ao conforto do sofá, tal exigência não pode deixar de nos provocar alguma vontade de rir. E nós, portugueses, que já nos situamos na casa dos 65 anos para ser possível legalmente termos direito à passagem à situação de reformados, ainda reclamamos por estarmos a ser prejudicados por uma exigência que consideramos penosa. O Homem, de facto, nunca se encontra satisfeito com o que tem, se bem que, nas condições actuais em que vivemos em Portugal, mesmo sem levar em conta o conteúdo do Orçamento do Estado que foi dado a conhecer neste fim de semana passado, quem nos dera que fosse a situação económica e financeira em França aquela que estivesse a ser gozada pelos portugueses.
Mas, como já foi dito bastante sobre esse documento saído das cabeças dos governantes que temos nesta altura, com super responsabilidade para o primeiro-ministro e para o detentor da pasta das Finanças, não vou repetir agora o que deixei expresso no meu blogue diário e em que ficou bem claro que só a necessidade imperiosa, perante os observadores estrangeiros, de não passar uma imagem pérfida que complique ainda mais os empréstimos que necessitamos como pão para a boca, é só isso que me leva a ultrapassar a vontade de não parar de criticar o mau serviço prestado pelos referidos governantes.
E, já agora, vou-me debruçar sobre a circunstância que, devido à data da eleição do próximo Presidente da República e da limitação de prazos para que uma queda do Executivo possa ocorrer em período inadequado (sendo escusado repetir todo o esquema que impede dar esse passo), aproveito para agarrar a notícia que Marcello Rebelo de Sousa, na sua intervenção habitual de ontem na TVI, avançou, com base, segundo ele, numa informação por ele colhida, esperemos que de fonte segura – e digo isto porque, anos atrás, foi uma brincadeira sua com uma “notícia” por ele inventada, que deixou muito mal colocado o então director do “Independente”, Paulo Portas -, e em que Cavaco Silva anunciará a sua recandidatura à P.R., no próximo dia 26, às 20 horas, com indicação também do local, no Centro Cultural de Belém.
Sendo assim, indo ocorrer esse acontecimento logo após se ter tornado pública a posição dos partidos políticos em relação ao O.E., mais um motivo para que, nesta altura, pouco haja já a referir no que diz respeito ao que se encontra a apoquentar as cabeças deste povo lusitano que, tendo chegado a admitir, com excessivo optimismo, também é verdade, que a Revolução, por si só, tinha criado as condições para que o nosso País passasse a emparceirar com os melhores da Europa (isso também só na imaginação de José Sócrates), tais compatriotas nossos põem os olhos no chão e fazem contas à vida.
No ano de 2011, seja qual for o Governo, sente-se quem se sentar em Belém, o espectro que nos aguarda não é de molde a fazer-nos rir, mesmo que achemos graça à decisão francesa de aumentar a idade dos concorrentes à reforma.

domingo, 17 de outubro de 2010

DESTINO

Dizer logo que alguém nasce
que está escrito o seu destino
que o seu caminho faz-se
como qualquer peregrino
prestar tal afirmação
como absoluta verdade
sem nunca aceitar um não
chamando-lhe maldade
é deixar coisas correrem
com futuro conformado
vontades nada valerem
tal como gato capado
isso é mal de muita gente
de quem nunca quer lutar
sendo no destino crente
dizer que o querer mudar
só dá p’ra tempo perder
pois tudo qu’ocupa a vida
está traçado até morrer
não muda por mais dorida

Será que têm razão
que o Homem não tem tal força
que não está na sua mão
fazer com que destino torça?
Talvez sirva acreditar
na ânsia de cada um
que o importante é lutar
dando algo ao bem comum

Para isso sem se esperar
ao dar pontapé na pedra
surge ocasião no ar
nova vida que até medra
há quem diga estava escrito
outros que foi circunstância
pouco importa o que é dito
pois mesmo com ignorância
a pedra do pontapé
que provocou a mudança
seja qual for a fé
é que obrigou a mudar
direcção que se mantinha
e tudo p’ra trás ficar
tal como erva daninha

É destino, pois que seja
Mas não chega de bandeja!

OLHA QUE DOIS!...


SE NÃO SE DESSE a circunstância de Portugal se encontrar num estado cada vez mais perto da banca rota, pois quem tem que pagar dívidas e não dispõe de fundos para cumprir a obrigação de as liquidar não se pode considerar em posição diferente, se não fosse isso, ao tomar conhecimento deste Orçamento que Teixeira dos Santos lá conseguiu apresentar, ao cabo de sucessivos adiamentos, tal como sucedeu no anterior acto do Governo a que pertenceu e que também teve Sócrates como número um, e em que não conseguiu apresentar o O.E. em data e hora marcadas, eu, por mim, considerava-o como merecedor de ser reprovado, perante o exagerado apertar dos gasganetes ao povo português, que se encontra já a suportar há bastante tempo as maiores dificuldades de subsistência.
Este Ministro das Finanças já deu provas, mais do que suficientes, de que não tem condições mínimas para se encontrar à frente de um departamento de tão grande importância e só com um Sócrates a chefiar um Executivo, também ele (ou sobretudo ele) de tão grande incapacidade em escolher bons conselheiros e saber ouvir as opiniões dos outros, é que se formou um duo com tão pouca competência e que nos calhou ter de suportar.
Porque, face ao panorama que foi instalado em Portugal, as pesadas exigências de aumento dos impostos e, embora não total e sapientemente, a diminuição de gastos do Estado, nesta altura não se pode fazer outra coisa que não seja apertar fortemente o cinto, se bem que as escolhas feitas nas tais “noites sem dormir” que o ministro disse ter passado não sejam as que deveriam ter sido as preferidas, razão pela qual afirmo, no início deste escrito que, por mim, chumbaria o documento, repito, se as circunstâncias políticas fossem outras.
Porque o que a História contará um dia mais tarde, ao analisar o período que constitui agora a tortura dos portugueses, será a culpa que fica a caber a este Governo de Sócrates de não ter sido capaz de antever, com o tempo suficiente para prever o que estava aí a apanhar-nos, face à crise que se foi alargando pelo mundo e que, muito antes de cá chegar, já fazia parte dos comentários dos economistas de todo o mundo que bem avisaram de que era inevitável por acabar por ter também Portugal no seu caminho, se impunha que tivessem sido tomadas medidas de rigorosa interrupção imediata dos investimentos loucos que foram planeados e executado.
Para além de tudo isso, os governantes e sobretudo o seu Chefe Sócrates não tiveram a capacidade – porque não se deram conta dessa necessidade imperiosa – de, em vez de lançar discursos de regozijo pela imaginária boa posição da economia nacional, terem prevenido a população para a conveniência em não exceder os gastos para além das suas posses, estimulando uma boa produção de toda as camadas sociais, uma entrega ao trabalho dentro das nossas fronteiras idêntica à que os portugueses praticam quando se encontram na situação de emigrantes (em que são muito elogiados), tudo isso, que deveria ter sido aclarado e explicado – coisa que os políticos nacionais têm grande dificuldade em fazer -, não foi levado a cabo e por cá criou-se o mito de que vivíamos na maior das facilidades e que o gastar não importava, porque mais tarde lá se pagaria… E os bancos nisso foram grandes culpados.
Por sua vez, o Estado, ao ter recorrido sucessivamente, sem conta, peso e medida, a empréstimos externos que foram carregando as suas dívidas que, chegada a esta altura, os próprios pesados juros que nos são impostos absorvem todas as verbas de que o Tesouro público pode dispor, não deixando margem para outros encargos que deveriam ser disponibilizados para o sector produtivo, tinha de se esperar que acabássemos por nos encontrar engasgados até ao pescoço e que um Orçamento que tirou o sono a Teixeira dos Santos fosse o que se encontra agora sobre a mesa e que o pobre dos líder do PSD, Paulo Coelho, carregue também com parte da culpa do seu Partido não ter apresentado a tempo e horas um projecto de O.E. que pudesse ser comparado com o que o Ministro trouxe agora a lume. Por outro lado, não pode passar em claro a vergonha que deve sentir o referido “dono” das Finanças, por ter apresentado poucos meses atrás o PEC1 e o PEC2 e ambos não terem acertado com as medidas que se impunham, ainda que já também tardias, o que levou agora a surgir um tratamento que se pode classificar como paliativo de pré-morte.
Seja como for, o remédio nesta derradeira altura não dá nenhuma certeza de ser suficiente para salvar o moribundo. E as críticas que sejam feitas aos culpados do que está a suceder também já nada resolvem. Até tenho medo de prever que a situação a que chegámos possa conduzir o nosso País a uma saída que não se poderá considerar como sendo o fim menos trágico.
Isto pode acabar mal! É o que pensa bastante gente desconsolada com a situação a que chegámos. Os optimistas dizem que não somos povo para golpes de Estado e que também a Europa a que pertencemos não aceita que se volte a albergar outra ditadura. Já chegou a que por cá andou!...
Mas então o que se passará, se não conseguirmos sair do aperto em que nos encontramos? Isso pergunto eu que, se cairmos em tal desgraça, o que espero é não poder já assistir a outro horror, como aquele em que fui obrigado a viver e a ter de combater subterraneamente.

sábado, 16 de outubro de 2010

RAPAZIADA

Oh rapaziada à volta
oiço-vos falar bem alto
entra em mim certa revolta
entro até em sobressalto

Parece gente feliz
só porque é juventude
será que alguém lhes diz
que em breve talvez mude?

Criar a desilusão
vinda d’alguém qu’é mais velho
não é ter bom coração
o melhor é ver-se ao espelho

Rapaziada que ri
sem ter grandes problemas
eu também já estive aí
e nem fazia poemas

Mas tudo muda afinal
o que está à vossa espera
não será o ideal
nem algo que alguém quisera

Os grandes que hoje mandam
aqui neste Portugal
um dia também desandam
e o que deixam é fatal

A vocês cabe pegar
nos restos que cá sobrarem
só lhes resta carregar
com as contas e pagarem

Hoje por isso aproveitem
a juventude luzida
pois que depois se sujeitem
às agruras desta vida

Por isso não me incomoda
o barulho no café
seguindo as voltas da roda
então não estarei ao pé

AS CONVENIÊNCIAS


O “FOLHETIM” do Orçamento do Estado, o tema que, com gente normal, teria encontrado solução com a maior rapidez e sem o menor conflito, ao cair em mãos de políticos portugueses, esses que, quer pertençam a um grupo partidário quer a outro qualquer seu adversário, sempre preferem entrar em brigas de pátio – nunca me ocorre outra expressão quando me tenho de referir às discussões que são tornadas públicas pelos detentores de ideologias (?) que se declaram antagónicas -, atirando com afrontas completamente fora de propósito e que normalmente caem até nas ofensas, esse tal “folhetim”, repito, tem ocupado o tempo e a cabeça daqueles que têm obrigação de levar a sério as funções que lhes cabem e não dar a impressão que se divertem muito com os confrontos que têm vindo a alimentar.
Neste caso concreto, como foi sempre unânime o aviso quase geral de que, a não passagem do documento das receitas e despesas referentes ao ano de 2011 no Parlamento, acarretaria uma situação da maior gravidade, não só no que se refere à necessidade, sempre normal nestas situações, da recorrência aos duodécimos, como à imagem externa de Portugal junto dos mercados que nos observam, principalmente em relação aos credores, devido a essa circunstância criou-se um alarmismo de que a responsabilidade cairia sobre cada um dos que interviessem, com poder maioritário de voto, que não permitissem ao Governo de José Sócrates a utilização do referido Orçamento.
E foi precisamente este alerta que deu ao grupo socratiano a tranquilidade para se manter na sua posição de não divulgar com a antecedência conveniente os pormenores das medidas a tomar e que faziam parte do trabalho preparado, alimentando, por isso, as controvérsias que circularam em todos os agrupamentos, políticos e não só, sendo que algumas alusões teriam justificação, mas outras nem por isso.
Na véspera do dia em que se julgava poder-se ficar a saber o conteúdo da proposta do PS, a qual, pelo que acabo de saber pelo noticiário televisivo, o ministro Teixeira dos Santos, repetindo o que sucedeu há cerca de um ano, depois de ter adiado sucessivamente no decorrer da tarde a entrega do documento à Assembleia da República, mandou informar que até à meia-noite isso decorreria, redijo este texto às 21 horas (de ontem, sexta-feira) e possivelmente ficarei mais informado mantendo-me vigilante às noticias que acaso correspondam ao prometido pelo Ministro das Finanças. Mas é já sabido que as conferências de Imprensa, da parte oficial e das Oposições, só terão lugar sábado (hoje, para quem lê), da parte da manhã.
Em todo o caso, se no capítulo do agravamento dos impostos - como já se conhecem alguns e bem pesados eles são -, não se vive já na total ignorância, no que se refere ao abaixamento das despesas, área que, por sinal, requer mão forte e mesmo um ajuste que, em várias situações, atinge amigos de grupo partidários, especialmente aos do PS, pois por se verificar essa circunstância é que se tem assistido a tanta relutância em serem dados os passos que grande parte da população reconhece que se tratam de escândalos de protecção e de benesses inadequadas, a expectativa é de que o Governo perca as cautelas que tem demonstrado, o que eu, em minha opinião, não mantenho total garantia de que não fiquem de fora situações que se situam na zona do proteccionismo partidário.
Há que ser claro. O pôr fim a instituições, parcerias e empresas públicas notoriamente dispensáveis, a agrupamentos de consulta e de intervenção que têm servido para dar emprego bem remunerado a “compinchas” que, amanhã, poderão fazer o mesmo em sentido contrário, o manter, enquanto for possível essas situações que, gastando dinheiro ao Estado, e enquanto a situação política actual se mantiver – porque quando mudar, os novos detentores do poder logo farão as suas escolhas -, são consideradas intocáveis, tudo isso, por mais indignação que provoque aos portugueses comuns ninguém garante que fará parte do pacote de medidas que não devem ser ignoradas.
E como, ao mesmo tempo, existem sectores considerados intocáveis, correm as notícias de que, inexplicavelmente, por exemplo, o Parlamento acabou de contratar mais 20 funcionários, mas, por outro lado, a Direcção de Impostos, ao celebrar os 160 anos de existência, entendeu dever gastar 220 mil euros numa festa completamente fora de propósito, e foi o próprio Marques Mendes que, na sua crónica televisiva semanal, denunciou o facto de três presidentes de administração de empresas ligadas ao Estado, a Administração-Geral do Porto de Lisboa, a Carris e a CP, terem aumentado as suas remunerações, passando todos a auferir em redor de 7.000 euros mensais.
Mas estes casos são os que se tornaram públicos. Quantos haverá, por esse País fora, que escapam ao conhecimento geral e que os detentores do Poder têm obrigação de incluir na lista de redução e mesmo anulação de gastos dos dinheiros de todos nós?
É esse factor que tem de preocupar os que acompanham as actuações que os homens da governação devem executar com absoluta competência e honestidade. Eu, por mim, repito, tenho as maiores dúvidas no que diz respeito a um trabalho exemplar que compete aos diferentes chefes de sectores públicos. Na minha rua, por exemplo, há já seis ou sete anos que uma repartição pertencente à Presidência do Conselho, tendo saído do andar onde estava instalada e que se encontra agora devoluto, continua a ser paga a renda mensal e até os postes que garantiam o lugar reservado à permanência diária do Mercedes ao serviço da directora, com motorista que dormia todo o dia ao volante a aguardar sua excelência, tais “P” ali se encontram ainda sem que ninguém tome as medidas necessárias. Quantas situações semelhantes não ocorrerão, obviamente não só em Lisboa, por culpa de uns tantos ditos “responsáveis” que não cumprem as suas funções e que, provavelmente, até já estarão reformados?
É este o Portugal que temos. Se fosse na Suíça, na Alemanha ou em qualquer Nação desenvolvida, isto ocorreria? Pois é, eles são uns “chatos” e nós, por cá, improvisamos choramingando alegremente!
E já agora, no final deste desabafo sobre a triste situação que atravessamos, eu dou a conhecer uma interrogação que mantenho há tempos dentro de mim e que, provavelmente, já terá sido encarada por bastantes indivíduos que fazem parte do elenco governamental: na hipótese deste Governo de Sócrates sair porta fora, para onde irão todos aqueles que, há vários anos, têm sido sustentados pelos bons honorários. Será que já se perfilam por aí empresas públicas de primeira categoria, com os cadeirões já preparados para receber os rabiosques de quem está habituado a acomodar-se com comodidades? Ou será no espaço europeu que esses fulanos já têm guardados lugares, como sucedeu a outros que saíram a tempo para não sofrer agora os cortes nos salários? É apenas simples curiosidade!...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

JÁ NÃO DÁ PARA ACREDITAR

Sim, sim tenho pena
Que a fé seja tão pequena
No que a mim me espera
Teria de ser uma fera
P’racreditar no futuro
Não o vendo tão escuro
Como vai ser este País
Porque já nada condiz
Ninguém acerta no alvo
Poucos se sentem a salvo
Do que vem aí à frente
Somos estrela cadente
E mesmo o belo passado
Não deixa grande legado
Aos que vêm a seguir
Que sem tempo p’ra fugir
Recebem herança falida
Criança malparida
Que chega em tempo errado
Pois se pai fosse avisado
Outro lugar escolheria
P’ra nascer a sua cria
Dado que a Pátria melhor
Seja ela a que for
É a que protege os seus filhos
Que quando estão em sarilhos
Lhes deita a mão salvadora
Estando atenta a toda a hora
Para que cresçam, aprendam
Assim tornando-se úteis
E não simples coisas fúteis
Em número e não qualidade
P’ra quando chegar a idade
À reforma ter direito
Que a mesma seja com jeito
Que chegue p’ra ser gozada
E nunca sendo acabada
Ou mesmo até reduzida
Pois não é no fim da vida
Que o castigo ao cidadão
Surge também pela mão
De um governo qualquer
Que entende ter o dever
De emendar erros antigos
De parceiros mesmo amigos
Que fizeram mau serviço
E o povo é quem paga
Pois pertence-lhe a chaga
De ter tido a pouca sorte
De desde a nascença à morte
Ter tido essa Pátria sua
E já não ter arrecua
De fazer escolha diferente
Ser tarde p’ra dissidente

Tal como na lotaria
A sorte só alumia
Os que se dão ao trabalho
De enxotar o enxovalho

APERTAR O CINTO


FOI ONTEM (hoje, na altura em que escrevo) que as oposições ficaram a saber, ainda que incompletamente (como o PSD afirmou), do que constará o Orçamento de Estado que vai ser apresentado no Parlamento e que será votado pelos partidos representados naquela Casa. Por muito que se tenha explorado o resultado que irá sair de tal escrutínio, por minha parte e já há bastante tempo não sustentei grandes dúvidas de que não se verificaria a tontice de ser “chumbado”, por falta de “sins” ou de abstenções, um documento que, por muito mau que seja no que se refere a acertar em pleno nas medidas que têm de ser tomadas e que surgem com excessivo atraso, por isso agora tão pesadas que serão, pois que não há milagres e a falta de dinheiro para pagar aos credores impõe carregar as exigência, uma decisão extrema dos Opositores políticos não devem impedir que o Executivo chefiado por Sócrates apresente desculpas para se retirar de cena pelas portas do fundo. Na situação em que se encontra o País, a não aceitação do documento que vai ser apresentado pelos governantes que temos constituiria – e digo-o no condicional por que é hipótese que nunca aceitei que se verificasse - e se isso acontecer bem nos podemos preparar para suportar ainda muitos piores revezes na vida que nos é imposta.
As deduções no IRS que já se conhecem que vão ser congeladas no próximo ano, com as despesas de saúde e na educação, com sujeição a um tecto global – e muito gostam os autores das leis de utilizar termos confusos - se as mesmas forem aprovadas na A.R. constituem um pesado fardo que passa a ser suportado pelos portugueses que, pelo menos aí, sempre gozavam de uma regalia que, no final de cada ano, constituíam uma “almofada” para descontar nos impostos a pagar. E o que se vai acrescentar a isto ainda está por conhecer.
Que difícil que é convencer este Governo que, nas despesas, se bem que não cheguem para suportar a nossa Tesouraria, aí haveria que fazer uma limpeza bem profunda, pois que já há muito que chegou o momento de cortar as unhas rentes e impedir que, por tudo e por nada, se realizem almoços, jantares, festas, inaugurações que, para além dos custos com mordomias, fazem perder tempo às centenas de apaniguados que se dispõem sempre a querer dar nas vistas e a fazer afagos aos chefes, na esperança das contrapartidas que podem suscitar as suas presenças.
Preparemo-nos, pois, para não deixar folga nos furos dos cintos. E, já agora, esperemos que os que mandam abram os olhos e terminem de vez com os subsídios ditos de desemprego, os quais só provocam que sejam tão recusados trabalhos que são oferecidos e que, na altura das eventuais ofertas, os convocados não aceitam por preferir continuar a receber o que o Estado, o tal tão “teso”, lhes proporciona.
Abram os olhos oh governantes. Façam alguma coisa de útil. Se continuarem assim tão incompetentemente a manter as rédeas do poder, tudo pode vir a acontecer. E não será por ventura, apenas uma greve geral, como a que está anunciada para o dia 24 de Novembro. Quem os avisa!...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

À GRANDE...

Frase sem sentido é
e quando nos falta tudo
é ver por aí o Zé
a gabar-se de pançudo

O gastar sem se ter conta
não dando ares de fraqueza
é aí que a gente tonta
diz à grande e à francesa

Porque antes só ia a França
quem era então gente rica
como sinal de abastança
pois pobre só Caparica

Os tempos porém mudaram
já não são os emigrantes
como então p’ra lá saltaram
procurando bens distantes

Por isso em tempos tais
se dizia com certeza
que quem gastava demais
vivia à grande, à francesa

Mas hoje, com esta crise
há quem mostre tal fartura
e mesmo que não precise
quer fazer essa figura?

Até mesmo os protegidos
da política que nos rege
se fazem de desvalidos
escondem quem os protege

Deixou de ter um sentido
dizer que é bom à francesa
pois grande só em gemido
quando ocorre uma despesa

AGRICULTURA À PORTUGUESA


TANTO PROCLAMAM por aí figuras gradas do panorama político nacional, para que os cidadãos contribuam com o que lhes for possível para ajudar o nosso País a sair da situação grave em que se encontra, mas isso não passa de retórica pois os governantes que temos, seguindo o exemplo do seu chefe, não se encontram nada interessados em que os portugueses comuns, aqueles que não pertencem aos seus núcleos de relações e de interesses, debitem as suas opiniões, posto que “suas excelências” consideram-se possuidores completos das receitas que são necessárias para tratar deste “doente” que agoniza e que se chama Portugal.
Quando se ouve constantemente na Assembleia da República, de uma bancada e de outra, afirmações de que os seus representantes não necessitam de tomar lições, seja de quem for, sobretudo quando se discutem os comportamentos democráticos, pouco resta aos de fora para transmitir as suas opiniões e procurar fazer chegar alguma ajuda, neste ou naquele pormenor, quando se verifiquem insuficiências de medidas por parte dos que têm a seu cargo a governação.
A baixa produtividade do nosso País, causa muito importante para quer se verifique um tão grande saldo negativo na nossa Balança de Pagamentos, pois o que exportamos fica muito longe do que temos de adquirir no estrangeiro, a pequenez do nosso sector industrial que não consegue fazer face à produção mínima para abastecer o que se consome dentro de portas, essa situação não nos deixa margem para fazer diminuir as enormes saídas de dinheiros e, como consequência, a necessidade de recorrermos permanentemente a empréstimos para fazer face aos pagamentos que se impõem aos fornecedores. E nunca mais conseguimos sair desta situação. Isto para já não falar na diminuição no desemprego que provocaria o aumento do sector fabril nacional, especialmente em áreas espalhadas pelo território nacional.
Como não se consegue solucionar este problema e a nossa capacidade para atrair investimentos estrangeiros não tem dado grandes provas de eficiência, pelo menos no sector agrícola não era excessivo aspirarmos pela capacidade do sector oficial, o que tem a produção campestre na sua área, para fomentar a extracção das nossas terras de produtos que tenham boa aceitação nos mercados externos e aproveitando até os benefícios do nosso clima que proporcionam certas colheitas que se antecipam às datas da concorrência exterior.
Mas, para isso, era fundamental que os serviços oficiais do Ministério da Agricultura dispusessem de técnicos da maior competência para aconselharem os agricultores portugueses a produzir dentro dos meios mais aconselháveis e, por outro lado, tivessem meios para encontrar mercados de consumo que fossem indicados a grupos de produtores, pois que as exportações individuais, na maior parte dos casos, não têm forma de ser realizadas.
Nas diversas visitas que fiz a Israel, quando dirigia “o País Agrícola” e esta revista organizou mais de uma dúzia de viagens àquele País e em que algumas centenas de agricultores beneficiaram da amostragem que lhes foi prestada no que respeita aos apoios que o sector oficial dos israelitas proporciona aos homens da terra, especialmente nos agrupamentos que estão instalados em kibbutz, ali houve oportunidade para constatar como uma Nação muito limitada de espaço, com pouca água, sempre assolada por uma instabilidade militar, com a maior parte das terras constituídas por grande percentagem de areia, com todos esses inconvenientes, apesar disso, consegue não só dar resposta ao consumo interno de produtos agrícolas como ainda se dispõe a enviar para os mercados europeus bastantes géneros que a habilidade nata de conquistar consumidores no exterior lhes dá a oportunidade de proteger a sua Balança.
Para isso, como tive ocasião de verificar em pormenor, os técnicos oficias que têm a seu cargo quer os conselhos na produção quer a ajuda na colocação dos produtos, são competentes funcionários que são ouvidos com respeito, pois as prova que têm dado de cumprir exemplarmente as suas funções emprestam uma confiança tal aos cidadãos agrícolas que não se verificam contestações em Israel ao que sai do respectivo sector do Ministério.
Na altura, à volta do ano de 1980, procurei dar mostras desta eficiência aos responsáveis portugueses pelo sector oficial da agricultura. Mas o resultado foi a indiferença absoluta e até o facto de ter sido um dos viajantes dessas excursões organizadas o, então ainda vivo, Pai do prof. Cavaco Silva., não chegou para convencer. Mas, como é sabido, os nossos homens do Poder, tal como digo no início deste texto, não aceitam opiniões vindas do exterior dos sues próprios “palácios”. E não se beneficiou nada com o esforço e a iniciativa tida por uma publicação privada, dedicada à agricultura, em que o que centenas de homens da terra portugueses assistiram e muito elogiaram se perdeu completamente por falta de seguimento.
Nós por cá, mantemo-nos muito tradicionalistas. O tio Manel da enxada lá vai cultivando no seu palmo de terra e quando aparecem os produtos ao cima do terreno, fica sem saber a quem vender e entrega-os aos intermediários que passam à porta. E os preços de custo são também elevados, porque as quantidades extraídas não são compensadoras do trabalho desenvolvido. E, no que diz respeito a formar grupos produtores, essa tendência não existe, porque também o sector oficial não colabora para que esse passo seja dado. E as Cooperativas, como é sabido, são instituições que, também muito divididas, não estão providas de técnicos que prestem o auxílio que é fundamental. e a vaidade de serem nomeados presidentes das múltiplas organizações, faz com que se fundem excessivas cooperativas, quando deveria ser menos e com maior área de actuação. É este o panorama.
E ainda há quem tenha esperanças de ver Portugal ultrapassar a situação de falta de dinamismo que, afinal, não é só de hoje… pois se trata de coisa que vem das origens lusitanas!.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ALFINETES


Como mudam os desejos
tal e qual as ambições
mas hoje não há sobejos
nem no fundo dos colchões

Dantes todos os pobretes
que tinham dinheiro à justa
não chegava p’ralfinetes
a vida era bem injusta

E agora, nesta luta
rodeados de falsetes
há quem mesmo com labuta

esconda sob os tapetes
a verba até diminuta
que tinha pr’ós alfinetes?



"PERIGO" AMARELO


QUANDO Eça de Queiroz, na altura do seu auge literário, lançou o aviso contra o que chamou de “perigo amarelo”, atribuindo esse alarme à expansão do que era então previsto, com tamanha antecedência, o comércio dos chineses que invadiria o mundo, foi esse clamor considerado como um medo que não tinha razão de ser e que, bastantes anos depois, ainda menor seria a sua probabilidade, quando o ditador Mao-Tse Tung encerrou as portas do seu País e não permitiu nem entradas de estrangeiros nem saídas dos naturais chineses. Tratou-se, pois, de um receio que não passou de um dos muitos prognósticos que por vezes são feitos por temerosos do futuro e que, sem razão provada, lançam a confusão junto das populações menos informadas.
Porém, neste caso do “perigo amarelo” – nome que também foi dado -, mesmo tendo-se de esperar por um largo período que, entretanto, colocou os habitantes terrestres preocupados com matérias bem distantes e até descansados no que dizia respeito a assistir ao baixo custo da mão-de-obra vinda daquelas paragens a competir com salários bem mais altos dos países que se afirmavam mais desenvolvidos. Não havia que pensar em tal hipótese, pois a diferença abissal que se verificava entre a produção originária da China e o grau de avanço técnico que ocorria no Ocidente não dava azo a que se tomassem as precauções que talvez constituíssem uma defesa do que poderia ocorrer passados tempos.
Primeiro foi o Japão, País que perdeu uma guerra e foi ocupado pelo poderio americano depois da assinatura da derrota que foi bem mostrada em todo o Globo. O seu desenvolvimento, a ponto de ocupar nos dias de hoje, um lugar de preponderância em diversos sectores da alta tecnologia, dá mostras de que, quando a força do ressurgimento toma lugar nas populações derrotadas num conflito, até parece que esse factor se torna benéfico no panorama seguinte da vida dessas gentes.
E a prova de tal evolução foi dada, de igual modo, na Coreia do Sul, onde também uma metade de uma Nação – com a Coreia do Norte entregue a uma completa paralisação económica, por motivo da sua opção de regime político – já dá cartas no ambiente da expansão comercial dos seus produtos, especialmente o automobilístico, pois não necessitou de uma grande dimensão territorial para se fazer notar e merecer o respeito de todos os parceiros espalhados pelo mundo que mantêm relações comerciais com os norte-coreanos.
E a República Popular da China? Apesar dos inconvenientes de ordem política que fizeram tardar o seu ressurgimento, mesmo ainda existindo no seu seio um regime que não se pode incluir na generalidade democrática da maioria dos que têm sido chamados países ricos, não obstante isso – e, quem sabe, talvez devido a isso – como consequência de uma força de trabalho com base numa mão de obra muito aplicada e com baixa remuneração, dentro de um sistema que, no seu exterior, os movimentos sindicais, fechando os olhos à cruz e ao martelo que figura nas suas ideologias, poderiam classificar como de exploração dos trabalhadores, devido a todas essas circunstâncias o certo é que a sua implantação e a forte concorrência que representa, não só nos preços mas também na sábia escolha dos produtos que os mercados aceitam, para além da rede comercial que implantaram pelo mundo fora, agora já com liberdade de saída dos seus habitantes que, mesmo sem se preocuparem em conhecer e falar as diferentes línguas dos múltiplos países que os acolhem, se têm implantado, não só nas cidades mas igualmente nas povoações mais recônditas, como é o se passa em Portugal.
Mas não é só isto que se poderá verificar na então realista “invasão amarela”. Já na Grécia, os responsáveis políticos, que ali estiveram recentemente, deixaram a sua proposta de oferta de auxílio neste momento crítico que passa o País inventor da Democracia. Aguarda-se pelo passo seguinte.
Ma, no que diz respeito a Portugal, a possibilidade de serem adquiridas pelos mesmos parceiros do Extremo Oriente algumas dívidas que nos estão a castigar, tal forma de nos aliviarmos por uns tempos dessa carga, evidentemente tendo de existir contrapartidas que falta averiguar quais serão, essa possibilidade só confirma que a tão castigadora crise que muitos países tidos antes como ricos e que se encontram a sofrer as suas pesadas consequências, assistem nesta altura a um enorme desafogo oriundos de Nações que, pouco tempo atrás, seria inconcebível admitir que se distinguiam com tamanha capacidade de ultrapassar os males de que todo o Globo se queixa.
O Brasil, a Índia, o Japão, a Coreia do Sul e, espectacularmente, a China, todos estes pedaços do Mundo aí estão para dar mostras de como conseguiram fugir do caos. Valerá a pena analisar tais fenómenos. E, os que tiverem a humildade suficiente para aproveitar alguma lição que daí advenha, poderá ser que faça criar uma senda de imitadores, porque os exemplos proveitosos são sempre de repetir, claro se as populações tiverem a capacidade para, sem preconceitos, se adaptarem aos hábitos dos vencedores.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

OUVIDOS DE MERCADOR

Quem vende não tem ouvidos
ou faz de conta que é surdo
será então que os zumbidos
que o levam ao absurdo?

Na fala a frase quedou
diz-se a quem não está atento
vai andando que eu já vou
palavras leva-as o vento

Verdade é que em língua nossa
a sério ou com humor
até com alguma troça

Seja por que razão for
se faz mesmo que se oiça
ouvidos de mercador

ORÇAMENTO DO ESTADO


O MOMENTO CRUCIAL aproxima-se. Já esteve mais longe. Muito se tem antecipado quanto à resolução que sairá da bancada social-democrata na altura em que se colocar à votação o Orçamento do Governo para 2011, uns acreditando que o grupo de Passos Coelho se absterá, permitindo que o documento essencial para a governação passe e outros, por seu lado, sustentando que a quezília que se tem criado em redor do assunto levará o PSD a “chumbar” a proposta. O certo é que a dúvida tem-se mantido, embora a esperança seja maior no caso da passagem do O.E., dadas as dificuldades que surgiriam logo a seguir se, por ventura, o PS se visse com a “criança” nas mãos, sendo forçado a tomar uma decisão que já ameaçou ser de entregar o Executivo a quem se apresentasse capaz de o ganhar em eleições, após a escolha do próximo Presidente da República.
Seja qual for o desfecho do pouco mais ou menos mistério, a imagem que Portugal transmite para o exterior não é das mais adequadas no capítulo de um entendimento entre agrupamentos políticos e o Governo, o que, numa ocasião de altas dificuldades financeiras, económicas e sociais – e eu junto sempre as três, porque não se trata se uma apenas -, o que, como também faz parte das minha afirmações constantes, aumenta as situações negativas é no capítulo dos empréstimos que continuamos a solicitar para que o Estado possa cumprir as suas obrigações internas. Porque, no que respeita à solvência para fazer face às dívidas externas, aí também nos encontramos de mãos e pés atados, a aguardar por soluções que, também no Orçamento do Estado, possam vir a ser descobertas.
E é aí o problema. Se o PSD não está de acordo com as rubricas que constarão do O.E. que vai ser discutido, o que deveria ter feito era apresentar um documento equivalente da sua autoria, em que os portugueses pudessem constatar que, no capítulo dos impostos teria outras opções, e que, quando a despesas, também tomaria diferente atitude com os cortes claramente expressos. Mas isso não fez e foi pena.
Igualmente, no que respeita ao documento que o Executivo levará à votação, não se sabendo concretamente quais as preferências, no Deve e no Haver, que serão propostas, é difícil ser tomada uma posição antecipada com base em dados conhecidos. E, no mínimo, seria útil que se tivesse uma ideia sobre a proposta que vai aparecer.
Desta maneira, o que tem ocorrido é que se fixa apenas nas ameaças e nos “ses” a troca de acusações que têm, como é tanto do nosso gosto, criado o mau ambiente político que poderia perfeitamente ter sido evitado.
No “dia da verdade”, já se ficará a saber qual vai ser concretamente o nosso próximo futuro. Porque esse, para mais tarde, já sabemos que, com este Governo ou com outro que o substitua, se terá de ainda defrontar maiores dificuldades, posto que as dívidas que têm de ser pagas e as que vão ser deixadas aos nossos descendentes, tal herança não fará com que a nossa geração deixe matéria para vir a ser saudada na História de amanhã.
Este período negro que atravessamos e que mostra claramente que não podemos contar no meio político, quer no Executivo quer nas Oposições, com gente que demonstre ser capaz de enfrentar a situação e, honesta e competentemente, sem preocupações de ordem partidária e não claudicando com favores aos parentes e amigos, assumir as suas responsabilidades, face a esta triste realidade eu confesso que não sou capaz de me inclinar para uma posição, mesmo que ela se mostre a menos má de todas.
Existe alguma parecença nesta minha indecisão com a que saiu da boca e Winston Churchil, quando lhe foi pedida opinião sobre a Democracia e em que a resposta foi de que era “a menos má das políticas”…

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

MÉRITO

Aquele que nasce pobre
e rico acaba a vida
que deixe o que lhe sobre
a quem nem possui guarida

Por esse mundo de Cristo
há quem na vida amarinha
por vezes fica mal visto
em redor só deixa espinha

Se ao mérito se deve
a sua boa ascensão
isso é de quem se atreve

a prestar boa atenção
ao que não sendo até leve
precisa de forte mão



RAZÕES DE QUEIXA


TODA A GENTE, mesmo a que não anda muito ao corrente do que se passa na área da politica, devido às limitações que são impostas aos portugueses, especialmente os que sentem mais na pele as dificuldades em manter uma subsistência minimamente aceitável, em virtude dessas circunstâncias toma mais conta do que ocorre no nosso País e, na falta de outro objectivo para ser alvo de acusações, aponta o dedo ao Governo que temos já há uns anos e que, face às críticas que surgem de diferentes lados, tem de merecer o papel de culpado.
Mas, vistas bem as coisas, apontando os problemas que se amontoam agora e que se podem classificar na categoria de castigos impostos aos cidadãos portugueses, teremos de chegar à conclusão que, de facto, foi conseguido “coleccionar” uma série de punições que os naturais deste Rectângulo à beira-mar plantado têm de cumprir, não lhe valendo de nada o facto de fazerem parte de um dos países iniciais instalados como tal na Europa, como também o feito de terem saído daqui os primeiros descobridores de terras dantes ignoradas e também de, isto na actualidade, nós termos uma simpatia especial ao recebermos os visitantes que cá chegam, característica esta que consegue bater de longe a maioria de outras populações e estas também situadas na nossa área europeia. Embora haja quem classifique isso de espírito de subserviência, a diferença para melhor que, neste aspecto, fazemos da maioria dos outros, sempre nos dá algum grau de superioridade que bastante falta nos dá noutras comparações.
Mas a realidade é esta. E vale a pena enumerar, mesmo de memória, todas as tomadas de posição que têm vindo a ser suportadas neste período e que nos cabe ter de suportar, sendo eles provocados pelos compatriotas nossos que se situam nos lugares de decisão e que, tratando-se de medidas inevitáveis, essas resultam do demasiado tempo passado sem que outros sacrifícios, por ventura mais moderados, tivessem sido pedidos aos portugueses.
A lista abaixo enunciada só tem a intenção de recordar o que é já bem sabido, mas também pretende fazer pensar se, ao mesmo tempo que as duras imposições que irão até provocar uma greve e uma manifestação no próximo dia 24 de Novembro (a qual não resolverá nada e provocará um gasto extraordinário ao País), se essas tomadas de posição organizadas pelos profissionais dos sindicatos não deveriam ser substituídas pela demonstração daquilo que a CGTP e a UGT consideram como fundamental para reduzir os dispendidos que o Estado suporta e qual a forma mais justa que defendem para evitar o aumento de impostos.
Quanto a mim existem diversas opções que, tanto o PS como as Oposições, deveriam encontrar-se na primeira linha das medidas a incluir no próximo Orçamento do Estado. No capítulo da retenção da despesas, já não vou ao ponto de obrigar os ministros a irem de bicicleta para o seus lugares de trabalho, mas se fosse isso também não escandalizaria.
Seja como for, o que deverá figurar nas primeiras linhas das medidas a tomar situam-se nestes pontos que passo a referir:
1 - O desemprego está a conseguir atingir uma tal percentagem da população que parece querer bater todos os recordes mundiais. Há que ter essa preocupação no cimo das medidas a tromar.
2 - A administração pública mantém-se por reorganizar, não obstante, em diversas ocasiões, se terem proposto alguns figuras a pôr em ordem o que dá mostras de uma total rebaldaria, mudando-se de nomes de várias instituições e ministérios só por uma questão de gosto dos titulares das referidas pastas, mas sem que nada de ordem seja levado em consideração. Podemos continuar assim?
3 – A corrupção, que se instalou com armas e bagagens em tudo que permite obter ganhos por meios ilícitos e através do uso de influências, não foi até agora combatida com a força e a honestidade que teria de fazer parte de todas as instâncias superiores, com partida sobretudo dos pelouros dos ministros. Suporta-se esta situação?
4 – O défice nas contas públicas mantém-se e até aumenta diariamente, não se conseguindo colocar um travão em tudo que são gastos supérfluos e, obviamente, fazendo subir as receitas do Estado, sempre com a maior atenção para que os cidadãos não tenham de atravessar necessidades de toda a ordem. E aí, por muito que custasse fazê-lo, havia que meter a mão, em primeiro lugar, nos rendimentos dos que vivem com farturas excessivas. Alguns passos foram dados por estes dias. Só agora! Mas ficou muito por fazer. Há ainda quem receba salários, ajudas de custo, transportes e gasolinas, pagamentos d telefones e tantas coisas do genros e que foram atingidos agora por algumas deduções, mas isso não basta. Passar de 5.000 euros por mês para 3.500 é deixar os beneficiados muitos mau? E os que ganham, a maioria, 200 a 300?
5 – Dado que o problema principal português reside na falta de produção e na pequenez do sector empresarial que se dedica à exportação, o fulcral é promover junto dos nacionais que já possuem indústrias mas necessitam apoios – sobretudo abrir portas e ajudas para serem fabricados produtos que tenham mercado no estrangeiro -, ajudas essas que o Instituto que existe há anos e se encontra espalhado pelo mundo com esse objectivo terá de concretizar, prestando contas pelos gastos que lhe cabem e pelos maus resultados que se obtêm. Há que exigir de Basílio Horta, sem ocultação do inquérito, que coisa está a fazer o Instituto a que ele preside e cuja actuação é precisamente a de trazer para Portugal empresas, investimentos e de promover lá fora o que cá se fabrica.
6 – Uma chamada de atenção, em Conselho de Ministros, das obrigações que cabem a cada um dos membros, exigindo-se-lhes que apresentem soluções para, na sua área de trabalho, modifiquem o que se encontre a necessitar de mudanças, sempre com a maior atenção aos gastos que têm de ser evitados. E se o Chefe do Governo marcar um prazo para que se verifique uma boa actuação dos seus parceiros no Executivo, acompanhando os casos e discutindo, no seio da família ministerial, os meios que são indicados por cada um ou que surjam mesmo do exterior, pelo que se impõe que seja pedido aos portugueses que se dirijam a um organismo que ficará aberto a colher propostas e que lhes dê andamento para os diferentes pelouros com controlo dos chefes para que não fiquem armazenados nas gavetas, dando resposta à situações que se situarem no campo da fantasias – porque muitas aparecerão nessas circunstâncias -, se se verificar que os governantes prestam atenção aos cidadãos, por certo que renascerá um espírito de colaboração por parte dos portugueses que, por sua vez, também assim suportarão melhor os sacrifícios que lhes foram pedidos.
Poderá parecer uma fantasia o que aqui deixo escrito, mas que se trata de uma proposta que, no mínimo, faria renascer alguma esperança neste povo tão desmotivado, sobre isso mantenho alguma confiança sobre o resultado positivo que seria conseguido.
Será assim tão difícil sentarem-se os responsáveis, mesmo adversários políticos, à mesa da concórdia e. engolindo sapos vivos uns, e agradados outros com as soluções possíveis, apertarem as mãos e deixarem para outra situação mais apropriada as discussões que estão a sustentar numa altura tão perigosa para a subsistência de Portugal.

domingo, 10 de outubro de 2010

SOZINHO

Passar um tempo sozinho todos os dias
Faz bem, ajuda a pensar
Reconforta, tira-nos as manias
Mostra tudo mais alvar

Connosco falamos, procuramos respostas
Para os problemas da vida
Incute-nos forças para subir as encostas
E sara alguma ferida

Falta isolarmo-nos de vez em quando
Ter o silêncio do mundo
Pôr na correria um certo abrando
Travar p’ra respirar fundo

Se toda a gente no nosso Hemisfério
E os que mandam na guerra
Parassem e pudessem pensar a sério
Haveria paz na Terra

AGUENTEMO-NOS SÓZINHOS


CADA DIA que passa contribui para me convencer ainda mais que este nosso País, para além da amargura de estar a atravessar já há alguns anos uma situação que se tem vindo a tornar mais difícil para os cidadãos suportarem e que só nestes últimos dias, devido a medidas drásticas (mas que não serão ainda as definitivas) tomadas pelo culpado-mor de grande dose da conjuntura a que chegámos, não sendo só isso o que tem também de nos preocupar é também o assistirmos a que os nossos companheiros europeus (e não só esses mas será igualmente grande parte do mundo atento), nos está a relegar para um plano afastado, para o nosso canto, não se incomodando minimamente com aquilo que somos e com o que decidimos realizar.
São os credores, com os olhos bem abertos para os juros e enquanto pudermos prestar alguma garantias de que seremos capazes de cumprir as dívidas assumidas e que, neste momento, ainda que com condições bem pesadas e com limites drásticos aos empréstimos, esses lá nos vão mirando mas com o olho bem aberto e avisando que os dinheiros disponíveis se encontram no fim da linha. Porque os demais países, na verdade também alguns com os seus problemas que lá vão solucionando, esses estão a condenar-nos a permanecer sozinhos, particularmente porque a nossa situação política interna não é de molde a conceder o mínimo de confiança, pois os desentendimentos entre os nossos dois principais partidos (e não só estes), que são observados de fora, só levantam dúvidas no que diz respeito ao futuro para que caminhamos.
A falta de bom senso, a arrogância anti-democrática de não se ser capaz de claudicar de opiniões próprias, as teimosias em prosseguir com objectivos que poderiam ser postos de parte, nem que fosse por um período definido, é precisamente isso que se situa na base na falta de diálogo construtivo que, afastando interesses partidários e convicções ideológicas, tenha apenas como princípio o bem do País a que se pertence. Sobretudo, no que respeita aos dois partidos em causa nesta luta de palavras que tão mau efeito produzem, o que seria necessário era ser demonstrada uma total ausência de complexos, por se fazer conjunto com este ou com aquele, e, sem perder tempo com que já não se conta muito, dando mostras públicas das razões dos seus passos, juntar forças e não se escusarem a uma tentativa para uma saída possível – ou provável – do que resta a Portugal.
Porque a verdade é que, de uma Europa unida, sem países de primeira e outros de segunda e até de terceira, é o que se necessita e aí os portugueses, com as suas características próprias que não residem num espírito produtivo e de não perder oportunidades, faltando-lhes o sentido de uma actuação prática e no estudo profundo das situações, largando o seu hábito do “desenrascanço”, os portugueses, no seio político e mesmo no seu dia-a-dia, não gozam do privilégio da união, antes perdem tempo com questiúnculas, dizendo mal de tudo e de todos, no que respeita ao intestino nacional, e não dando mostras de que são capazes de proceder de melhor forma. O hábito das discussões de pátio, desse tipo característico do povo humilde, não se fica por aí. Os políticos, como portugueses que também são, não conseguem fugir dessa gritaria do estendal de roupa. Não gostarão da comparação, mas é isso mesmo o que mostram possuir no seu íntimo.
Em resumo: sozinhos, pois, estamos, Temos de reconhecer isso mesmo. E não será fácil continuarmos desta forma, pelo que até o FMI aí vai aparecer para nos deitar a mão, essa de ferro, castigando os maus alunos que terão de colocar à antiga as orelhas de burro e permanecer de costas e à janela, o tempo que for suficiente para podermos aprender alguma coisa, já que, de prática democrática, os trinta e seis anos decorridos não chegaram para retirarmos da boca essa arrogância de sermos os melhores e de, afinal, não conseguirmos ouvir os outros e de assumirmos as nossas faltas com absoluta modéstia. E esta carapuça cabe a alguém?
Tristemente sós cá ficamos. Aproveitemos então para pensar… e, se possível, melhorar!

sábado, 9 de outubro de 2010

UM PORTUGUÊS

Esse dever
de ter alguma coisa que fazer
e não dar um passo
sentir cansaço
respirar fundo
ignorar o mundo
procurar frescura
não recear censura
de nada e de ninguém
não importa quem
assim vale a pena existir
e cá prosseguir
na roda da vida
tudo sem corrida
que o fim que se espera
é hoje o mesmo que era
e que sempre foi
que não se condói
com quaisquer pressas
e que pede meças
deixem-me assim ficar
neste meu lugar
sossegadinho
daqui a poucochinho
já sairei
sem saber para onde irei
mas fazer isso não faço
nem para tal me maço
exemplo vem de cima
e sem ter de fazer rima
o que digo é verdade
sem qualquer maldade
pensar que Deus e os anjos
só tocam seus banjos
sem preocupação
nem obrigação
olhando esta Terra
sempre com uma guerra
em que o Homem persiste
de inveja em riste
a estragar ambiente
em destruição crescente
para quê pois cansar-me
se pouco pode animar-me
a remar contra a maré
e sentado ou em pé
aguardo a minha vez
como qualquer português

Qualquer é como quem diz
pois tudo o que fiz
foi a aspirar
a não ser um qualquer
mas de pouco valeu
porque o que aconteceu
foi o que está à vista
o não deixar pista
para seguidores.
Adeus meus senhores!

HORÁRIOS DAS LOJAS


TANTO SE TEM FALADO, nas múltiplas intervenções de gente que surge perante as câmaras de televisão e utiliza outros meios de comunicação para expandir as suas opiniões, que o principal problema de Portugal é o da pouca produção e, portanto, da dificuldade em termos para oferecer aos mercados estrangeiros artigos que saiam das indústrias nacionais, é tamanha a alusão a esta deficiência portuguesa que já se deveriam ter observado, quer por parte do Governo quer também da boca das Oposições, indicações úteis para fazer face a essa indiscutível falha na nossa economia.
É verdade que, desde sempre, nunca tivemos a capacidade para, apesar de sermos um País pequeno ou precisamente por isso, adoptarmos uns tantos produtos que constituíssem uma marca que se implantasse nos pontos de venda espalhados pelo mundo.
Sabemos que, países mínimos, como a Suíça e outros de dimensões idênticas, se fixaram na especialização de determinados artigos que se relacionam de seguida com os seus fabricantes. Os relógios são um deles, como poderia aqui deixar outros casos que bem deveriam ter-nos indicado passos que bem úteis seriam para equilibrar a nossa balança de exportações e importações.
O que me espanta, pois, é que os indivíduos que tomaram, até agora, lugar nos diferentes Executivos que decorreram desde a Revolução, há 36 anos, nenhum tivesse dedicado a maior e quase única atenção a esse factor que está, há muitos anos na base do nosso pouco desenvolvimento e que, nesta altura tão difícil que atravessamos, seria da maior importância para ajudar a darmos passos concretos para sair da crise em que estamos envolvidos.
Vou ser claro: então o chefe do Governo e o seu ministro das Finanças, ao terem tomado a decisão – tardia, tardia, tardia, não me canso de proclamar – de impor sacrifícios aos cidadãos mais desfavorecidos, que, já tão sobrecarregados, não sabem bem como suportar esse passo, não se lembraram de mais nada, como seja impulsionar os portugueses a empregarem-se mais e melhor nas suas actividades, dado que, conforme eu ouvi já tantas queixas por parte de comerciantes do meu bairro, neste fim de semana verificou-se uma fugida tirando partido do feriado que, ocorrendo numa terça-feira, deu todo o jeito para se não trabalhar na segunda-feira que ficou no meio.
Talvez fosse o momento apropriado para regulamentar alguma coisa que retirasse essas fugas, pois aos portugueses, digam o que quiserem, não chegou ainda a verdadeira realidade do que está ainda para vir, pois continua com a sua fé tradicional, a pensar que a Providencia tudo faria para evitar que o nosso Pais seja excessivamente atingido nos tempos que se aproximam. E essa medida seria a de terminar com os feriados que, ao lado de um fim-de-semana, proporcionam fazer essa coisa tão apreciada que são as “pontes” da paralisação.
Escrevo isto só por escrever, pois é sabido que essas sumidades têm mais do que fazer do que prestar atenção ao que ´´e vital para que se produza mais em Portugal.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

DESASSOSSEGO

Não é d’hoje mas é dantes
que existe este alvoroço
pois já velhos navegantes
roíam o duro osso

Foi Pessoa quem lançou
num total desapego
a obra a que chamou
Livro do Desassossego

Mas quando s´séculos atrás
o Filho bateu na Mãe
e afirmou ser capaz
de fazer um País bem

Deixando p’ra trás galego
por este rectângulo abaixo
lançou o desassossego
inventou também o tacho

Assim fomos caminhando
em triste monotonia
por vezes também chorando
noutras sentindo alegria

Sossegados não estivemos
profunda inquietação
pois saber nunca soubemos
viver sem ter um mandão

Os reis eram eles donos
República veio tentar
e nós só como colonos
pusemos dedo no ar

Dezasseis anos chegaram
P’ra República cair
ditadores aproveitaram
o não sabermos gerir

Cinco décadas passaram
sob um jugo bem pesado
portugueses sossegaram
sempre de bico calado

Os que não se conformaram
por perderem alter-ego
escondidos reclamaram
em total desassossego

Até que o dia chegou
com Marcelo sem poder
a Revolução derrubou
quem estava p’ra perder

Agora em Democracia
com três décadas passadas
não é grande a alegria
há gentes desagradadas

Os que mandam, lusitanos
nos partidos estão também
são todos seres humanos
não conseguem dar-se bem

E isso da Liberdade
que todos p’ra si exigem
com outros de má vontade
poucochinho lá transigem

Para podermos viver
em Democracia plena
muito há que aprender
e a altivez ser pequena

Como no dizer do povo
se cada um se vê grego
há que tentar de novo
fugir do desassossego

GRANDE FROTA


UMA DAS RAZÕES por que me insurjo tanto contra a governação que temos de suportar reside também no facto de não vermos aqueles que têm poder para actuar não mostrarem capacidade (ou conveniência) para pôr termo, no capitulo das despesas publicas, aos gastos que seriam facilmente eliminados se existisse um mínimo de sentido de responsabilidade e igualmente alguma competência para deitar não aos casos que entram pelos olhos dentro.
Os dispêndios que pesam no erário publico e que, a muito medo, o Governo pretendeu baixar na preparação do Orçamento do Estado que vai ser discutido no Parlamento, não atingem o sector que tanto castigo provocam nos dinheiros que os cidadãos pagam, o qual não abarcou o sector da frota automóvel que, exageradamente, é constituída por dezenas de milhares de viaturas que se encontram ao serviço de uma exagerada quantidade de servidores do Estado, os quais, nas circunstâncias actuais do nosso País, deveriam há muito tempo, pelo menos há dois anos, ver retirada tal regalia.
Tenho escrito sobre este tema, aqui neste blogue, variadíssimas vezes e não é por isso que tenho de me considerar uma cabeça pensante extraordinária. Já não se trata apenas de colocar à venda os excedentes da referida frota, o que representaria uma entrada de dinheiro nos cofres do Estado, mas sim e principalmente baixar substancialmente o gasto com combustíveis e reparações em avarias, assim como os motoristas – que são umas centenas largas – que se encontram em exclusivo ao dispor de suas Excelências, mas a anotação que tem sido feita hão interessa aos “patrões” que poderiam deitar mão a este assunto.
Neste momento em que todos suportamos a crise que nos atormenta, seria bem aceite por todos os portugueses que sentem na carteira os apertos que lhes são impostos, que os carros que se encontram ao serviço de servidores beneficiados do Estado se limitassem aos ministros e secretários de Estado e seus equivalentes, sendo que, dai para baixo, incluindo os directores-gerais, cada um deveria requisitar um veiculo aos serviços criados para o efeito, responsabilizando-se pela verdade do pedido, surgindo um carro que fosse e com o motorista que estivesse disponível, acabando de vez e até que as circunstancias económicas, financeiras e sociais se alterassem para melhor e permitissem que as Finanças nacionais suportassem essas mordomias. E até isso suceder, infelizmente ainda vai passar muito tempo. Anos, se tivermos a sorte das circunstâncias nos favorecerem!...
O mundo que nos rodeia e a Europa em particular assistiriam a esta determinação do nosso Governo como prova de que se está a cuidar, com a devida atenção, do futuro que temos de enfrentar, pondo um ponto final nas despesas que têm constituído um gozo dos “mandões” da nossa política e a que se deveria ter posto um travão há muito tempo.
Se isso tivesse sucedido, não estaríamos nesta altura libertos das dificuldades que mais nos penalizam, como é o desemprego, mas, pelo menos, teríamos condições financeiras mais folgadas que permitiriam uma margem menos penosa por forma a poder reduzir as sucessivas dívidas que representam o gesto diário da governação que temos. Quando o primeiro-ministro aparece a afirmar que em nada remediávamos com o termos tomado precaução nos gastos em período anterior, o que está a dar mostras é de, das duas respostas uma à escolha: ou a mentir descaradamente ou a mostrar-se de uma ignorância aflitiva para quem, no mínimo, deve pedir informação aos que, em seu redor, ainda terão alguma consciência do terreno que pisamos. Mas qualquer delas não pode deixar-nos descansados.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

BABA E RANHO

Isto não está para rir
nada resolve chorar
aumenta a gente a pedir
cada vez menos a dar

É estranho
A baba e ranho

porque carpir é humano
sentir dor por qualquer cousa
sofrer efeitos do dano
admirar quem repousa

Tudo isso é natural
a tristeza bem assoma
pois que neste Portugal
viver não é uma broma

E não é pelo tamanho
Que se chora baba e ranho

termo que o povo utiliza
p’ra expressar o sofrimento
não sendo forma precisa
sempre é o que sente dentro

Porque o choramingar
é maneira pouco clara
de querer desabafar
sem molhar demais a cara

E se eu dou o que tenho
Pois que seja baba e ranho

a quem não acreditar
tiro as dúvidas que houver
e ao verem-me chorar
baba e ranho aparecer

MONARQUIA OU REPUBLICA


FOI HÁ 25 ANOS, era então Mário Soares primeiro-ministro, que o FMI meteu a sua mão na situação financeira portuguesa, pois as circunstâncias que se atingiram nessa altura não permitiram que nos libertássemos de tal intervenção que, para os economistas, representa sempre um mau sinal. Ficou resolvido na época e a sombra desse Fundo Monetário continua a pairar no momento que se atravessa, pois que as condições que defrontamos são ainda piores do que eram um quarto de século atrás.
Sabendo-se que é do interesse nacional que Portugal não se tenha que sujeitar à referida análise e decisão do Fundo em causa, a pergunta a fazer – e não se pára de pôr questões a quem tem a responsabilidade de decidir, embora as respostas não surjam com facilidade – é se não se deveria recorrer a todos os meios e solicitar o auxílio de reconhecidas competências económicas com o fim de serem encontrados os recursos que ainda possam existir para evitar a ameaça à porta. Mas, para tal, impunha-se que os “sábios” que se encontram sentados nos cadeirões do Poder tivessem a humildade suficiente para dar a mão à palmatória e reconhecer a sua incapacidade para solucionar o problema.
Como se sabe que essa conveniente atitude não existe no nosso meio governativo, aquilo a que se assiste, em demasiadas áreas que têm a ver com as tomadas de decisões, o que ocorre é a decadência progressiva de um País e as trapalhices sucedem-se sem que existam punições adequadas aos que, estando colocados em posições de decisão aos vários níveis e em que dão mostras de uma completa incompetência e de um encolher de ombros perante as consequências desastrosas resultantes, lá vão continuando usufruindo das regalias que as famílias partidárias concedem nos seus seios.
É indiscutível que não pode existir Democracia sem partidos políticos. E sendo até esta forma de actuação, de entre todo o leque de escolhas políticas, o que se pode considerar o menos mau, não é aceitável que ocorram situações declaradamente destruidoras do espírito de servir com absoluta honestidade, em que a acção do Homem, com esses defeitos que abundam por todo o lado, o egoísmo, a ambição desmedida, a vaidade confrangedora, destruam por completo as qualidades extraídas da vontade das maiorias.
Sujeitos, como nos encontramos, ``as circunstancias que a governação descuidada nos obrigam a suportar, tendo de ouvir os discursos repetitivos que, como sucedeu agora na comemoração do 5 de Outubro e em que, uma vez mais, José Sócrates nos castigou os ouvidos com as frases feitas que não significam indicação de um caminho estudado e coerente que nos tire do fundo do poço, neste estado resta-nos aguardar por uma espécie de milagre que, com FMI ou sem ele, com acordo na votação do Orçamento ou com o descalabro politico que nos atirará ainda mais para baixo se PS e PSD não chegarem a um acordo, neste estado nos encontramos.
Infelizmente chego a conclusão de que, com Republica ou com Monarquia, não ´´e por ai que encontraremos o caminho certo, porque, dando vivas ao Rei ou gritando vivas ``a Republica, os fulanos que se agarram ao poder são sempre aqueles que vivem ``a custa do poder e que dele auferem as regalias de que não desistem. Nos governos e nas oposições, nos grupos de empresários ou no topo dos sindicatos, dali ninguém os tira. Pois nos tempos modernos j´´a não ocorrem os regicídios e os montões de guarda-costas que protegem suas excelências preservam contra determinada loucura que esteja nas intenções de alguns tresloucados.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

REMOENDO

Mas então serei só eu
Desconsolado da vida
Que julga que já tudo deu
E se acabou a guarida?
Mais ninguém?
Todos bem?
Se assim é então fracasso
O mal é meu exclusivo
Não devo dar mais um passo
Pois não há paliativo

Só, no mundo, me revejo
Por culpa minha por certo
Movendo-me no papelejo
Que é o que tenho perto
Escrevendo
Remoendo
Com outra coisa não conto
Uma resposta não dá
Acabo ficando tonto
E sem fé no que virá

POR MARES....


FOI ASSIM no século XV, em que o Oceano Atlântico se apresentavam perante a vista dos portugueses e as nossas naus sulcaram o mares na busca de locais onde pudéssemos desenvolver aquilo que não cabia no território limitado que nos tinha calhado com a conquista aos mouros, iniciada por D. Afonso Henriques, de um espaço que se conservou ao longo dos séculos que temos como existência.
Vale a pena recordar o que foi essa aventura de uns tantos antigos compatriotas nossos e em que essa decisão, tomada por vontade própria ou impulsionados pela necessidade de subsistência e sem outra alternativa, em que, mares fora, abriram perspectivas que, logo a seguir, outros países aproveitaram instalando-se nos locais que os portugueses descobriram por esse mundo fora, retirando o proveito que n´´os, ingénuos como somos, nunca fomos capazes de usar a nossa favor.
Portugal, como Pais europeu, nesta altura possui a maior área marítima que se apresenta em frente de si. Já fomos uma Nação com alguma importância no sector da pesca, mas, nesta altura, encontramo-nos reduzidos ``a expressão mais simples, pois tendo aproveitado aquilo que foram consideradas benesses prestadas pela Comunidade Europeia, demos baixa de um enorme numero de embarcações destinada a essa pratica e encontramo-nos perante um enorme défice de actividade que colocou os pescadores em posição de reforma antecipada e, em vista disso, o consumo de pescado que, abundantemente, faz parte da nossa lista gastronómica, constitui recurso do mesmo importado das mais diferentes origens, o que também, nesse sector, constitui uma sobrecarga na nossa tão carregada balança de pagamentos.
Hoje, se o poeta voltasse a cantar os feitos dos navegadores que sulcaram os mares, teria que emendar o verso e substitui-lo “por mares agora abandonados” e que, em virtude da aquisição dos submarinos que temos de pagar com língua de palmo, passaria igualmente a ser referido como “por mares agora submersos”.
Na verdade, o que andamos todos agora ´´e debaixo de agua, respirando por uma palhinha, e rogando a todos os santinhos para que, no mínimo, esse ar que circula ainda que poluído, não acabe por nos faltar.
Os maus momentos estão reservados a Portugal, ainda que seja em diferentes ocasiões todas difíceis. A I Republica, para referir um acontecimento apenas com um século de distância, deu aos portugueses ´´agua pela barba, a Revolução de 25 de Abril também não foi pêra doce, este momento em que nos encontramos, não representando embora uma mudança de sistema, pode querer anunciar que poderá estar para breve uma alteração do sistema de governar. Se assim for, pelo menos vale a pena o sacrifício, se bem que as perspectivas de sermos capazes de entrarmos num período em que as contas publicas serão postas em ordem, com os impostos adaptados ao nosso poder de os suportar e as despesas, sobretudo essas, limitadas ``a nossa capacidade e de não fazermos papel de milionários.
Sonhar não custa. Mas talvez o susto sirva para alguma coisa. E se, de novo, formos ajudados por acções vindas de fora, então talvez voltemos a ir direitos ao mar e o aproveitemos para extrair aquilo que constitui uma riqueza que s´´o cabeças tontas foram capazes de desaproveitar.
E a propósito: que será feito dessa gentinha que mandou destruir a frota pesqueira nacional? Provavelmente estará bem colocada em qualquer instituto publico ligado ao mar, com um salário principesco e uma reforma, quando ela chegar, ainda mais ofensiva.

Nota – Como se pode verificar tenho uma avaria (parece ser um vírus) no meu computador, em que os acentos nao saem limpos. Espero que o técnico resolva este problema, mas os feriados d~~ao nisto: há que esperar.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

NAO SE APURA


Milhentas questões da vida
muitas delas sem respostas
têm difícil saída
por mais que pesem nas costas

Quantas vezes é o quem
que na pergunta mais pesa
porque não se sabe bem
quem é que escondido lesa

E a forma que utiliza
quem na vida nos persegue
o como nos martiriza
mesmo que isso alguém negue

Que motivo p’ra tal ódio
o porquê de tanta zanga
será algum episódio
que julgou ser uma manga?

E em que sítio tal se deu
onde essa coisa passou
será que alguém se meteu
e o veneno largou?

O dia usado em tal acto
quando esse mal foi feito
nada ficou no retrato
o autor usou preceito

Quem, como, porquê, quando,
onde se deu a maldade
foi igual a contrabando
nunca se apura a verdade

SEREMOS CAPAZES?


ISTO ESTÁ BONITO na verdade. O aviso que lançaram os serviços secretos norte-americanos para que os naturais daquele País não viajassem para a Europa, pois anunciaram a possibilidade de acções terroristas, por parte da Al-Qaeda, que podem ocorrer sobretudo em França, mas também na Grã Bretanha, não descartando tal possibilidade noutros lugares no Continente, e acrescentando aos que se encontram já nestas paragens que aconselham a evitar visitas a locais demasiado expostos, esse alarme só serve para proporcionar ainda um aumento da crise que, só por si, traz um número enorme de população de todas as nações que evitam fazer consumos, o que tem repercussão nas produções e que, no sector do turismo, com todas as suas vertentes, tem ainda maior incidência
Claro que, por cá, esta medida tem de nos afectar. E o que se pede às instâncias que temos de propagação da nossa actividade turística, tão importante para ajudar a equilibrar as contas públicas, é que divulguem, sobretudo naquele mercado tão importante do outro lado do Atlântico, que o terrorismo não está instalado nas nossas paragens e que aqui, mesmo com a nossas dificuldades até por isso, os suicidas islamitas não encontram interesse em fazer das suas.
Aí está, pois, um tema que deve ser utilizado pelos nossos mentores turísticos que têm a seu cargo a expansão para além fronteiras das belezas nacionais e, sobretudo, da nossa gastronomia que essa, por ser louvada em toda a parte, tem direito a servir de cartaz, desde que se saibam usar promoções que se adaptem aos motivos de visita dos estrangeiros e especialmente, neste caso, dos norte-americanos.
Seremos capazes?
Numa altura em que se comemora o centenário do 5 de Outubro, momento em que Portugal passou também por uma fricção económica e financeira que terá sido o que hoje se verifica em copia, embora com diferentes características e com mais população, pode-se dizer que a coincidência tem foros de malvadez, pois depois de uma Monarquia e, nos actuais tempos, passada que foi uma Ditadura, não encontramos um caminho que mostre descanso a quem, ao cabo de cerca de 900 anos de independência, já merecia viver com tranquilidade.
Volto a perguntar: sermos capazes de tudo fazer para o conseguir?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

SALVE-SE QUEM PUDER!

Nem toda a gente pode
cada um sabe de si
às vezes há quem acode
dando razão a quem ri
Salvam-se uns
E outros não
a sorte não chega a todos
para os que a têm pouca
outros têm-na a rodos
e levam uma vida louca

Quando o barco vai ao fundo
todos aos mesmo escaler
e sem perder um segundo
é o salve-se quem puder
Socorro!
Se não morro
é grito de aflição
por esse mundo não falta
quem em grande agitação
se ponha a alertar a malta

Só os que podem se livram
as circunstâncias ajudam
serão os que se esquivam
e na sorte se escudam
Se puder
Haja o que houver
não serei eu apanhado
na derrocada fatal
terei o maior cuidado
p’ra evitar pior mal

Até mesmo p’ra viver
que se salve quem puder

O REI SÓCRATES


VEJM LÁ o que fui sonhar na noite passada. Face ao período que se atravessa de comemorar os 100 anos da implantação da República em Portugal, dei comigo num sonho que me deixou, ao acordar de manhã, num estado deplorável de humor. Pois foi, nem mais nem menos, o encontrar-me situado no regime monárquico português e em que o rei que se sentava no trono tinha o nome de D. José II, com o cognome de “O Sabedor”.
Até aí nada de preocupante, pois numa modalidade ou na outra, o que interessa acima de tudo é a capacidade do responsável principal pela governação ser alguém que mostre competência e que tenha a capacidade para ouvir as opiniões dos outros, sobretudo quando podem ser melhores do que as do próprio. E se se tratasse de uma monarquia em que o espírito democrático funcionasse com um cumprimento perfeita das regras de aceitar os votos da maioria, nessas circunstâncias há, pela Europa, sistemas que assim actuam e, pelos vistos, não se verifica grande descontentamento, se bem que isso dos sucessores terem de pertencer a descendentes na família real, esse pormenor, no que a mim diz respeito, não é o que mais me agrada. E, sobretudo porque até na Coreia do Norte – mas não só aí -, são os filhos que ocupam os lugares dos ditadores pais, pelo que então ainda maior é a minha falta de gosto em seguir esse sistema da sucessão garantida.
E no referido sonho, ao ver, depois de acomodar-se no trono, quem era a figura que fazia tal papel, fico espantado ao constatar que se tratava de José Sócrates que, apesar da enorme coroa que mantinha sobre a cabeça, não escondia o seu enorme prazer e, alisando o longo manto todo bordado que mantinha sobre as costas, fez sinal ao seu tesoureiro-mor para que se aproximasse. E aí, com novo espanto da minha parte, depara-se-me Teixeira dos Santos que, de joelhos, carregando um maço de papeis e pondo à disposição de Sua Altesa uma pena de plumas e um tinteiro, esperou que o Monarca pusesse a sua assinatura no que seriam uns despachos que amontoavam as cargas fiscais que iriam sobrecarregar os pobres súbditos. Um outro subalterno, numa bolsa bem pequena, aproximou-se e entregou um rolinho que continham as despesas do palácio real, as quais num golpe rápido, também foram assinadas, mas com nítida má vontade do Soberano.
Entretanto, do fundo da sala, um membro que ali tinha tido autorização para entrar, avançou com ar petulante, e sacando de uma espécie de carta de alvissareiro, leu em voz alta, para espanto dos assistentes. Tratava-se de um aviso feito em nome daqueles que representava – disse que dos trabalhadores – em que estabelecia uma data em que se realizaria uma greve geral, por contestação contra as medidas que tinham sido tomadas que muito prejudicavam os seus representados. Acabou a leitura e recolheu-se junto de outras figuras que, receosamente, tinham assistido à cena. Mas o avisador, que eu pude, no meu sonho, constatar que se tratava de Carvalho da Silva, ao chegar junto do seu grupo, lá desabafou: “Eh pá! Pagam-me para isto e eu não posso perder o emprego…”
E foi então que o meu sonho terminou. Acordei alvoraçado, mas, minutos depois, ao tomar consciência do que estava a acontecer, realizei que não havia Monarquia nenhuma, que vivíamos em República democrática, mesmo não sendo a mais bem praticada, que o chefe do Governo é que era aquele que eu tinha imaginado de coroa na cabeça, e que, não havendo assim uma grande distanciação da realidade com o conteúdo do meu sonho, havia que separar as duas coisas.
Mas ainda, antes de me dirigir para a casa de banho, tive tempo para reflectir. É que, se fosse uma Monarquia o regime em que nos movimentássemos por cá, talvez houvesse a hipótese de se dar outra mudança para a República; mas o contrário é que não parece ter viabilidade. Logo, ficamos como estamos e que alguém nos ajude.