quarta-feira, 24 de novembro de 2010

ADIAR

Tem razão quem não tem pressa
e para depois se deixa
sem medo de que se esqueça
nem de ouvir qualquer queixa
confiando na cabeça

P’ra quê andar a correr
afogueado labor
esteja onde estiver
algo se faz com rigor
tudo pode dar prazer

O cansaço não é prova
de que o labor sai perfeito
e se é matéria nova
pode sair sem defeito
seja prosa ou seja trova

Esperar com paciência
dar tempo ao tempo, então
é apostar na cadência
à corrida dizer não
e mostrar a sã prudência

O adiar é bem cómodo
o depois logo se vê
é um dito popular
em que muita gente crê
sem sair do patamar

Assim sem fazer alarde
Sem gritos de ter razão
Muito menos ser cobarde
Pensar com os pés no chão
Que amanhã pode ser tarde

GREVES PRECISAM-SE...


NÃO SE PODE DEIXAR DE PÔR OS NOMES ÀS COISAS. Isso de fugir às responsabilidade, de sair sempre pela porta dos fundos, de não querer alimentar inimizades, sobretudo quando elas podem vir de alguém com um certo poder, tal atitude deve ser afastada do comportamento dos portugueses que, como é sabido, apenas dão mostras de uma posição que entendem ser justa quando se formam grupos, e quando existe alguém que, nas traseiras, prepara cartazes e frases feitas que se propagam nos altifalantes.
E é por isso que as organizações que movimentam multidões que ocupam as ruas e que se auto denominam como defensoras de ideais que têm em vista a protecção das populações, são quase sempre oriundas de movimentos políticos que, com tais atitudes, também pretendem angariar mais adeptos para as causas ideológicas que mantêm. Mas, quanto a isso, não existem novidades que os cidadãos não conheçam, e se aderem a tais aglomerados de participantes será por uma das razões à escolha: por terem prazer em fazer parte de movimentos que percorram as ruas e isso os diverte, porque, a junção a essas marchas lhes proporciona uma desculpa de falta aos deveres de trabalho, porque, obviamente, estão de acordo com os motivos da reclamação popular, e também porque sempre têm oportunidade de ser apanhados pelas câmaras de filmar das televisões e com isso gozarem do prazer de uma exposição, ainda que seja completamente efémera.
A greve geral, anunciada há já bastante tempo e que tem como cabeça de cartaz o homem forte da CGTP, Carvalho da Silva, que surge frequentemente a clamar contra as medidas que, na sua óptica, prejudicam os “trabalhadores” – como se fossem só os que trabalham por conta de outrem que sofrem as consequências da má governação socratiana -, porém, naquilo que ninguém é capaz de expor é se tamanha convergência de habitantes e residentes nacionais irá resultar na rectificação das acções governativas e se o tempo que foi perdido para traz sem serem dados os passos que as circunstâncias impunham para ter evitado o mal maior que nos encontramos agora a sofrer, é agora recuperado com esta paralisação e, a partir de tal tomada de posição tudo fica resolvido e já não temos de nos preocupar sobre se o FMI tem de vir até cá para impor as medidas que ainda mais agravarão o dia-a-dia dos portugueses ou se, através da paragem da actividade de uma centenas de milhar de portugueses, com isso resolvemos o problema.
Carvalho da Silva, que foi um antigo trabalhador dos estaleiros na outra margem do Tejo, participante no movimento comunista como era e é do seu inteiro direito, aderiu, em determinada altura da sua vida operária, ao apelo que a Esquerda específica lhe fez. E, sem que se possa acusá-lo de oportunidade aproveitada, é certo que tirou partido de tal passo e, utilizando as características que o marcam, subiu rapidamente dentro do movimento a que se atribui a luta pela melhoria das condições de vida dos que trabalham por conta alheia. Atingiu o primeiro posto. E, como funcionário dessa organização, chamada CGTP, fez desse caminho uma espécie de via que lhe foi proporcionando, para além da saída de funções operárias, os estudos superiores, o que, há que dizê-lo, só constituem um mérito e não motivo de crítica, se bem que os horários de que passou a usufruir lhe tenham proporcionado uma liberdade para o estudo que a anterior ocupação não permitia… nem o que ganhava chegava para se manter.
Lula da Silva, também ele um antigo operário, atingiu a posição de Chefe de Estado do Brasil e deu mostras de ser capaz de pôr ao serviço dessas funções um bom senso e uma actuação que lhe mereceram o respeito dos cidadãos brasileiros. Ocorre-me fazer agora esta pergunta: se Carvalho da Silva tivesse a oportunidade de chegar a um posto semelhante aqui em Portugal, que atitude seria a sua de forma a colocar o nosso País na senda certa, dentro, obviamente, do sistema político democrático que vigora entre nós e não recorrendo a qualquer modelo ditatorial e, como ele tem proclamado, saindo do espaço da Europa Comunitária e do euro, e fixando-se numa espécie de Albânia de outro tempo, aqui isolados do resto da Europa e do mundo?
Gostava de conhecer a opinião de muitos dos actuais seguidores das posições de Carvalho da Silva, já que eu, que também sou, como está largamente provado, um descontente com a actuação do Governo que temos, não alinho nas paralisações dos que trabalham, antes defendo a tese de que é imperioso que todos sejam mais eficientes nas funções que exercem, percam menos tempo agarrados aos telefones, não faltem tanto ao trabalho com a escusa de imensos motivos, sejam pontuais e actuem cá dentro como os nossos emigrantes no exterior procedem. Porque lá, se não cumprirem… são despedidos sem recurso à justa causa!
Assim, a grande greve que hoje vai ter lugar, não tem outro resultado que não seja o de “descansarem” mais este dia todos os que andam sempre a arranjar escusas para não porem os pés no lugar da sua actividade. Não é fácil largar esta opinião, pois muitos dos que são sempre vistos pelas câmaras de televisão a clamar pelos ditos “direitos dos trabalhadores”, nunca apelando pelo aumento de produtividade e menos ainda recomendando que todos se entreguem à sua actividade e não se distraiam com conversas, pelo contrário sempre acusando os empresários de prestarem um mau serviço ao País, o que também é verdade em muitos casos, repito, toda essa mole de gente que não tem a mínima comparação com, por exemplo, os trabalhadores alemães (já nem falo nos chineses) que lutam pela maior eficiência naquilo que é a sua labuta, repito, essa gente ao tomar conhecimento deste blogue é evidente que se insurgirá e não perdoará que, mesmo tendo o seu autor sofrido perseguições ao longo do antigo regime, nesta altura, será acusado de defensor do capitalismo, essa posição que nunca soube o que era.
Dói, pois dói. Mas então ninguém tem conhecimento desta situação e sou apenas eu que apelo ao bom senso?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

À GRANDE!


Frase sem sentido é
e quando nos falta tudo
é ver por aí o Zé
a gabar-se de pançudo

O gastar sem se ter conta
não dando ares de fraqueza
é aí que a gente tonta
diz à grande e à francesa

Porque antes só ia a França
quem era então gente rica
como sinal de abastança
pois pobre só Caparica

Os tempos porém mudaram
já não são os emigrantes
como então p’ra lá saltaram
procurando bens distantes

Por isso em tempos tais
se dizia com certeza
que quem gastava demais
vivia à grande, à francesa

Mas hoje, com esta crise
há quem mostre tal fartura
e mesmo que não precise
quer fazer essa figura?

Até mesmo os protegidos
da política que nos rege
se fazem de desvalidos
escondem quem os protege

Deixou de ter um sentido
dizer que é bom à francesa
pois grande só em gemido
quando ocorre uma despesa

NÃO APRENDEMOS NADA


É EVIDENTE que nem vale a pena perdermos tempo a admirarmo-nos pelo facto de os governantes que temos, neste caso a equipa do ministro Teixeira dos Santos, ter mostrado tanta relutância e dificuldade em efectuar o corte radical nas despesas, quando, afinal, o mais fácil e aquilo em que temos obrigação nós, portugueses, de ser mais experientes, pois nas nossas casas e sobretudo os que vieram de outros tempos, da época em que se tinha de viver de envelopes com o dinheiro que se podia dispor por mês em cada departamento dos gastos das famílias, o que parte de nós, lusitanos, tivemos alguma experiência é o de sermos obrigados a limitarmo-nos às possibilidades estritas que existiram, mas, repito, esse exercício que deveria ter sido aprendido por essa camada de inconscientes que tem andado a julgar que somos ricos é o que fez com que chegássemos a este ponto em que estamos, que é o de não conseguirmos eliminar gastos em coisas inúteis. Mas a verdade também é que, no período de vida actual, as juventudes gozam de privilégios que, trinta ou quarenta anos atrás, eram impensáveis. Passaram a dispor de carro próprio muito cedo, de não serem obrigados a ir a pé ou de transporte público para as escolas, de saírem à noite e de gastarem dinheiros que não foram obrigados a ganhar com trabalho, de tudo ser fácil o que os faz emitir opiniões convictas e de fazerem a vida baseada apenas na actualidade, nas “internets”, não querendo saber como foi a história dos antigos, pois o para trás já morreu… E é uma pena que assim seja.
Eu bem me lembro que, quando rapaz, acabada que era a Grande Guerra e ainda com o hábito das senhas de racionamento que limitavam as compras, a minha Mãe dividia, no início de cada mês, o dinheiro disponível para o período que se seguia e colocava-o em sobrescritos, com a respectiva indicação por fora as verbas destinadas a esse fim. E era escrupulosamente a cada montante que tinha de chegar para fazer face às necessidades estabelecidas, nunca podendo ser ultrapassadas.
Ora, na situação em que nos encontramos – e esse esquema até deveria ter sido seguido desde há já alguns dois ou três anos, senão mais -, onde reside a dificuldade em as tais cabeças pensantes, grandes sumidades e todos “doutores” e “engenheiros” com formações académicas de primeira linha, gente que, conforme é costume afirmar-se, são todos de “provas dadas”, qual o motivo por que não são capazes de efectuar um exercício tão fácil?
Neste blogue tenho dado já várias sugestões para que as economias públicas sejam efectuadas, pelo que não vou aqui repetir a lista que, no mínimo, poderia ter sido juntada a outras ideias que surgem constantemente na opinião pública. Mas o ministro das Finanças, bem sustentado pelo primeiro, entende que não deve prestar grande importância ao que se “diz por aí”, pois são eles os que sabem e não recebem lições de ninguém…
O que foi divulgado e não há assim tanto tempo de serem reduzidas as freguesias de Lisboa (e talvez também noutras cidades), pois que existem áreas onde o lado direito de uma rua pertence a uma direcção e o outro lado faz parte de outra freguesia (vide, por exemplo, a rua Ferreira Borges, em Campo de Ourique), essa medida faria baixar os custos, ainda que, em períodos normais, seja aconselhável a maior divisão possível para permitir um contacto mais directo com os munícipes, tal disposição será um dos recursos que se poderia deitar a mão.
Mas eu registo este apontamento apenas e só como exemplo, pois que existem muitíssimas outras rubricas onde a mão dos governantes, os que forem competentes, pode e deve mexer, com o objectivo que tem de ser o mais importante para tentar, em última e derradeira causa, não ir por outra acção e que é a de aumentar os encargos aos cidadãos.
Continuo nesta senda de não estar apenas a criticar, mas no propósito de participar, com alguma coisa, por pequena e insignificante que seja, no sentido de se criarem reservas para fazer face aos elevados juros que carregam as nossas costas e que os nossos vindouros terão de suportar com língua de palmo.
Vem este texto a propósito do comunicado feito agora pelo ministro das Finanças no Parlamento, em que deu conhecimento de que aquele montante de 550 milhões de euros que era forçoso reduzir nas despesas, para dar seguimento ao quer ficou acordado entre o Governo e o PSD, para efeitos da passagem do O.E., situação esta que parece ter dado tanta dor de cabeça a Teixeira dos Santos, o referido passo sempre foi dado, dando a impressão que se tratou de um esforço sobre-humano. Curioso, no entanto, foi verificar que um dos cortes se situa na área dos combustíveis, mas não se descortina a redução, que parece ser a mais natural, do número de viaturas, especialmente as de luxo, que abundam na área dos beneficiados do sector público. Coisas que só acontecem nesta nossa Terra!
A repetitiva afirmação, por parte dos elementos do Governo, de que a nossa situação não pode ser comparada à da Irlanda, por muito consolo que provoque a alguns que se contentam com pouco, tem de ser confirmada, lá para o primeiro trimestre do próximo ano, não só por nós próprios como da parte dos credores que não deixam de estar atentos ao comportamento que formos capazes de evidenciar, pois que as dívidas do Estado ao estrangeiro e os juros sempre a aumentar não vou tornar a nossa vida fácil.
Se as greves, como a que está anunciada para amanhã, voltarem a repetir-se, por muito justificável que seja e não deixe dúvidas quanto à opinião dos portugueses em relação à culpa do Governo Sócrates em ter permitido que a situação nacional chegasse a este ponto, não é com paralisações do trabalho que conseguiremos dar a ideia de que nos estamos a recuperar. E, nesse caso, teremos de sofrer as consequências das faltas de comedimento.
Mas continuemos a observar o que fazem os “inteligentes”. E cá estaremos para dar a opinião, como é o nosso direito.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

NÃO DEVO TER RAZÃO

Aquilo que nós pensamos
quando em tese insistimos
e depois nos admiramos
quando por fim consentimos
que afinal não é assim
que a razão não nos assiste
não vale fazer chinfrim
que a certeza não existe
ao chegar a esse ponto
dar a mão à palmatória
não fazer papel de tonto
e pôr fim na oratória
é o que se deve fazer
sair bem visto de cena
e com isso aprender
que teimar não vale a pena

E mesmo tendo razão
se o outro não a aceita
melhor oferecer a mão
porque amizade desfeita
só por uma teimosia
coisa que não vale a pena
pode ser que algum dia
noutra conversa amena
o assunto volte à calha
e quem antes discordava
já não faça de muralha
e com desculpa alinhava
e aí o que nos compete
é disfarçar utilizar
em vez de deitar foguete
assobiar para o ar

As muitas vezes na vida
em que a razão é nossa
não tem de causar ferida
nem provocar qualquer mossa
Com cuidado e gentileza
mais vale fazer de tolo
porque mesmo com certeza
deve ao outro dar consolo

Não custa nada fingir
é como esmola ao pobre
no fundo é só repartir
e ter um gesto mui nobre

Já com dúvidas é pior
mais vale ficar calados
teimar é risco maior
dá azo a sermos julgados

Assim, prudência aconselha
em qualquer ocasião
ter sempre atrás da orelha
dúvidas sobre a razão

PRESERVATIVO - VENHA ELE!


QUANDO ONTEM escrevi, neste meu blogue, que o homem, mesmo contrariado, lá consegue alterar o seu ponto de vista sobre determinadas matérias e, ainda que o faça muitas vezes demasiado tarde – o Sócrates, sempre ele, é disso um exemplo que nos tem custado os olhos da cara -, sempre é preferível que isso acabe por suceder do que nunca se verificar que tal passo seja dado, repito, quando redigi o texto em causa estava muito longe de imaginar que o Papa aparecesse a público para, dando o dito antes por não dito, defendesse o uso do preservativo para, como afirmou, precaver quanto à expansão da Sida, um terrível mal que não é conhecida só agora mas que há bastante tempo tem vindo a ser propagada, especialmente em África.
Ora aí está como, seja quem for a personagem que dê mostras de alterar os seus pontos de vista defendidos anteriormente com enorme convicção, não receia dar a mão à palmatória e se preste a acusações e críticas de quem ainda não entendeu que, ao contrário dos maus humores, é digo de louvor quem desça do pedestal e se exponha com a mais sincera modéstia.
O aconselhamento do uso desse apetrecho que defende o ser humano de contágios por via sexual, se passar a ser feito nos recintos religiosos, onde muita gente escuta as indicações que lhe são prestadas por personagens que lhe merecem a maior confiança, tal clareza de linguagem com ligação ao relacionamento do ser humano (já nem se faz referência agora à diferença de sexos), poderá ser muito mais eficiente do que qualquer tipo de propaganda comercial que, mesmo assim, lá é efectuada em certos meios de comunicação.
Será que as Igrejas, as diferentes que têm aceitação nos povos que ocupam os diferentes países europeus, poderiam prestar uma ajuda no sentido de instigar os habitantes deste Continente a criar movimentos que convençam os detentores do poder na sua área - isso para que uma união perfeita, harmoniosa, sem invejas e sem pretensões de alcançar vantagens pessoais e de nações umas sobre as outras – a edificar uma autêntica união de interesses, algo mesmo semelhante ao que muito se tem falado mas que não se concretiza, de uns Estados Unidos da Europa?
Se se perderam os complexos em relação ao antes tão temido em referir, o preservativo, não existem razões para que o Papa de um lado e os restantes membros superiores de outras ideologias religiosas não se unam e propaguem nos seus respectivos púlpitos este passo de tão grande importância que é o de passarmos, todos nós europeus, a concentrarmo-nos numa irmandade que, já com uma moeda única em vários diferentes nações - as que faltam têm de merecer a censura dos restantes -, ainda que com regimes políticos diferentes passem a constituir uma família que se ajuda em todas as circunstâncias.
Acabámos agora de facilitar a nossa área a uma Cimeira da NATO. Pois então que se dê um passo no sentido de se efectuar também uma Cimeira da Europa. E, em vez de andarem os nossos homens políticos a proclamar que não há semelhança entre as dificuldades que ocorrem em Portugal e o que se passa com a Irlanda e a Grécia, como quem sacode o contágio da lepra de que alguém sofre, o que se deveria era clamar por uma ajuda de todos os que se situam neste Continente e criar as condições para que não existam países pobres e países mais ricos neste nosso pedaço do mundo.
Se isso não suceder, então não será apenas Portugal e os outros países em dificuldade que correm o risco de desaparecer. Será a Europa, ela toda, que deixará de contar com o privilégio de continuar a constituir um espaço que sempre foi exemplo nesta nossa Crosta Terrestre.
A China aí está somente à espera. E podem esbracejar muito os que sempre foram contra a política de Mao-Tse tung, esse ditador que não criou grandes admiradores em todo o mundo não comunista, mas a verdade é que aquele País chegou ao ponto em que se encontra hoje e se dispõe até a comprar dívida pública a Portugal.

domingo, 21 de novembro de 2010

ESPERA

Quem na vida que se leva
parte dela não passou
à espera de quem lhe deva
veja o dia em que pagou?

O esperar é bem a sina
dos que andam pelo mundo
e sentar-se numa esquina
não é só p’ra vagabundo

Eu já vou, não me demoro
diz quem pede paciência
se se trata de um namoro
é sempre grande a urgência

Espera aí um bocadinho
às vezes é coisa d’anos
pode bem ser um espinho
que causa enormes danos

À espera andamos todos
desde o primeiro dia
e cansamo-nos a rodos
na esperança de magia

O HOMEM MUDA

NÃO CAUSA NENHUMA SURPRESA verificar-se permanentemente que o Homem tem uma enorme dificuldade em mudar de comportamento e em reconhecer os erros praticados, ao ponto de, em determinada altura da sua vida, ter de dar um passo atrás e de se penitenciar publicamente no que respeita a alguma culpa pelos fracassos, quer os pessoais quer os que envolvem grupos e coligações. De uma forma geral, só quando se atingem situações deveras penosas e decorrido um certo e até excessivo tempo sobre os factos que constituíram prova suficiente de que era forçoso tomar decisões contrárias às que tinham estado na base da formação antes tomada, apenas em tais circunstâncias e ouvidas que terão sido muitas críticas em relação ao que não havia maneira de ser alterado, só após se ultrapassarem imensas queixas é que o autor ou autores do mal que se atingiu é que, ainda que contrariados, os seres humanos se dispõem a encarar o assunto e a procurar outro rumo.
E se isso se verifica com o homem comum, aquele que apenas pode desgostar num núcleo restrito em seu redor, quando tal acontece com personalidades ditas públicas e, em particular, quando as suas acções envolvem países ou grupos de potências que se tenham juntado com um determinado objectivo, então as consequências são muitíssimo mais relevantes e a mutação de atitudes, de objectivos, de resultados provoca uma enorme mexida em fundamentos que estariam estabelecidos com uma certa firmeza nos seus alicerces.
O mundo caminha com uma velocidade tão elevada que, em muitas ocasiões, não dá tempo a que os altos responsáveis por determinadas áreas políticas e financeiras, com influência directa nas sociais, passem a utilizar vias diferentes, até mesmo de recuos, de modo a ajustarem-se às modernizações que as novas tecnologias impõem. E não só essas.
E aí, também o ser humano se tem de enquadrar, recusando seguir o seu apetite e escondendo a vaidade que lhe está intrínseca por ter sido autor ou participante de um modelo de que se gaba. E é precisamente tal atitude que custa a tais personalidades admitirem que se esgotou o tempo que lhes deu posição de nomeada e atrasam, tanto quanto conseguem, as alterações que se sobrepõem.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN ou NATO, viu chegada a sua hora de encarar a importância da sua actividade e, numa fase em que já não se justifica o frente-a-frente que motivou o nascimento dessa Organização, entre os países do Ocidente e a União Soviética, num período de guerra fria que terminou com a queda do muro de Berlim, havia que dar o braço a torcer e encarar a verdadeira importância da sua existência que, no momento que se atravessa e já desde há algum tempo, apenas se justifica para enfrentar as acções terroristas dos grupos que, sobretudo saídos de algumas áreas islâmicas, têm como único objectivo provocar um mal estar que tem como base a divergência de religião. Ainda que já algo tarde, havia que mudar. E mudou-se. E Lisboa foi palco dessa alteração.
As conclusões a que se chegaram e que serão revistas em 2012, provocaram uma alteração substancial no “modus operandi” da actuação da NATO – menos militar e com um toque civil de enorme importância -, o que mostra que este acto se enquadra na tal mudança de comportamento que o Homem, mesmo relutante, de vez em quando, não pode recusar-se a fazer.
O que será motivo para lastimar é que o exemplo colhido com o resultado positivo alcançado nesta reunião não sirva para criar um impulso de concórdia e de junção de vontades no que se refere à Europa, em que muitos dos participantes agora em Lisboa também fazem parte, com idênticas funções, no grupo os 27 do nosso Continente. Encontrando-se numa situação difícil quase todos os países que compõem o núcleo a que também Portugal pertence, o que seria desejável era que se efectuasse também uma Cimeira que procurasse formas de actuação e de inter-ajuda entre os mais bem situados e os que se situam num plano de grande carência. Afinal, são nações estranhas ao grupo, como a China, por exemplo, que se prestam a dar a mão, evidentemente com o objectivo de vir a receber benefícios por essa sua atitude.
Justifica-se, pois, o que começo por afirmar neste meu escrito. E vem, por maioria de razão, a propósito, porque foi o nosso País o escolhido para o encontro de tantos responsáveis mundiais durante dois dias. E não é possível deixar de fazer o sublinhado de que este acontecimento veio mesmo a calhar para encher o ego de José Sócrates.
Tem mesmo sorte este danado Homem, pois que por muito que, desde há tempos, tenham vindo a aumentar sucessivamente os sinais de desconsolo, por parte dos portugueses, em vê-lo à frente do Governo que ainda se mantém, têm surgido sempre alguns acontecimentos que lhe provocam um acréscimo de prazer em se ver ao espelho e, no caso presente, os inúmeros apertos de mãos que teve ocasião de dar, como anfitrião governamental, a tantas grandes figuras mundiais de enorme prestígio político, essa oportunidade ainda lhe vai provocar maior reticência em se afastar da cena política e a dar lugar a outra personagem que o substitua. Obviamente que tudo isso dentro de uma normalidade que não provoque ainda maior abanão no péssimo estado em que se encontra Portugal no capítulo da economia, das finanças e sobretudo da situação política que está instalada, atendendo às circunstâncias especiais que nos limitam em virtude do calendário que não permite atitudes imediatas deste tipo.
Mas, posta de parte, por hoje, esta circunstância, temos de nos congratular por ter ocorrido no nosso terreno uma reunião de todos os homens fortes da política mundial e só temos de desejar que esta mostra pública e internacional do nosso nome, como País, seja bem utilizada para podermos tirar algum proveito, no capítulo dos mercados que se podem conquistar para os produtos que já de nossa origem, mas, muito mais do que isso, que chame a atenção dos investidores de fora no sentido de trazerem o seu saber e o seu dinheiro para montar na nossa Terra novas empresas que contribuam para aumentar o nosso poder produtivo.
Se isso não suceder, o que é verdadeiramente lastimável, é porque nos mantemos, os cidadãos e os poderes públicos, sem aprender nada com o que se passa à nossa volta e mantemo-nos com as mãos metidas nos bolsos, apenas aptos e organizar greves – que não oferecem o menor resultado prático naquilo que é essencial – assim como também é da nossa preferência o assistirmos a serem estabelecidos feriados por dá cá aquela palha e, também por decisão do Governo, a dispensas de ponto dos funcionários públicos.

sábado, 20 de novembro de 2010

A PREGUIÇA

Que bom é não fazer nada
sem qualquer obrigação
e enfrentar a jornada
não dizendo sim nem não
tanto faz como até fez
ser tudo igual não importa
como andar de lés-a-lés
a bater a toda a porta
foi coisa de outros tempos
eu nem me quero lembrar
já não me servem d’exemplos
é hora de descansar

É preguiça?
Pois será
mas eu mando um grande “xiça”
ninguém me provocará
fujo das complicações
do que seja casa cheia
já perdi as ilusões
de que alguém me dê boleia
pois quando se conclui
que ao mundo já nada damos
é fugir e gritar: fui!
onde nem cabe o “digamos”

Quem de preguiça acusou
outros de nada fazerem
a certa altura chegou
em que vendo envelhecerem
nesse grupo também entra
e ao sofá se entrega
nessa fofura concentra
o que foi o cega-rega



NATO


NÃO ESCONDO que, em minha opinião, a Cimeira da NATO que está a ter lugar em Lisboa e que reúne um tão grande número de responsáveis maiores de diferentes países, incluindo Barak Obama (na sua primeira vinda ao nosso País), por ter uma tão larga repercussão em todo o mundo e, por isso, levar o nosso nome e a nossa existência junto de tantos povos que, como eu verifiquei várias vezes nas minhas viagens que fiz a inúmeros países, com frequência ao falar-se de Portugal levanta-se a interrogação “onde é que isso fica?”, devido a essa circunstância - e não só por isso - tem de merecer o aplauso de todos nós que, conscientes que temos de estar quanto à necessidade de colocarmos os nossos produtos fora das fronteiras nacionais, para tal, muito ajuda toda a propaganda que for feita sobre a realidade deste nosso País.
É evidente que a larga produção que nos falta não contribui para que tiremos todo o proveito que seria tão útil no sentido d se abrirem mercados de consumo no estrangeiro, mas, no mínimo e por agora, o turismo português pode ganhar alguma coisa com a difusão do nosso nome e, por outro lado, visto que necessitamos de grandes investimentos vindos do exterior, se a máquina de procura dessas aplicações externas fizer razoavelmente o seu trabalho – e de novo chamo a este tema a acção que se necessita da instituição que nos custa tanto dinheiro e que se chama AICEP -, sem dúvida que esta propaganda lusitana bastante ajudará.
É verdade que o incómodo que é provocado pelas limitações de movimentação que as seguranças são obrigadas a impor (e que vergonha essa dos blindados, que custaram tão caro, afinal nem tenham chegado a tempo!) e que o dispêndio que toda a Cimeira provoca caia numa altura em que as restrições de gastos seja a primeira prioridade, não se nega que tudo isso não constitua uma mais valia para o momento de dificuldades que atravessamos. Mas, se podemos cortar noutras áreas – como, por exemplo, os dos embelezamentos das ruas para lembrar a passagem do Natal -, neste caso o retrocesso de benefícios de que podemos vir q usufruir compensa o esforço monetário agora feito. É o meu ponto de vista.
Mas se, ao mesmo tempo, se toma conhecimento de que os CTT, instituição portuguesa com ligações ao Estado, cuja administração está disposta a perder 34 milhões de euros com rendas em prédios que, tendo sido utilizados pelos seus serviços, vão ficar vazios por deficiência de contrato com o senhorios, sendo inúmeros os casos em que as péssimas actuações dos seus responsáveis fazem deitar pela porta fora enormes montantes que deveriam causar os seus “despedimentos”… por justa causa, perante este panorama tristíssimo a que nos habituámos já desde há vários anos, teremos de aceitar o investimento que é feito com grande sacrifício do erário público, mas que, face ao TGV, ao novo aeroporto, às inúmeras auto-estradas em que desperdiçámos milhões de euros, mostra ser exactamente o contrário do que se gastou sem contrapartidas à vista.
A remodelação do Governo Sócrates, de que tanto se fala nesta altura, e que não será uma medida fácil e com os resultados positivos que se têm de requerer – pois não será natural que se prontifiquem, para fazer parte do Executivo do mesmo “chefe”, figuras de valor que sabem que o virar da esquina será de contribuição num mau esquema, arriscando-se a herdar as culpas que ficam a marcar as participações numa governação em que a História colocará uma mancha negra no seu período – está também a ocupar as preocupações dos portugueses que, apesar de tudo, sempre irão acompanhando os passos da nossa complicada vida nacional.
Esperemos pela partida dos vários presidentes de países que fazem parte da NATO para nos entregarmos então aos problemas nacionais, se é que os Sócrates que fazem parte do Governo português nos dêem alguma ideia daquilo que se vai passar no seu “recreio” de condução do nosso cansado País.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

AS QUINAS

I
Em certa manhã de nevoeiro
Vai despertar aqui no País
A esperança de ser feliz
Trazida por um alvissareiro?
II
Em Terra de tantos pacientes
Ainda há fé em epopeias
Pois o sangue que corre nas veias
Vem de outrora, de antigas gentes
III
Por mais que se julgue adormecida
A ânsia do Mostrengo matar
Grande coragem não vai faltar
Sempre se vai dar a acometida
IV
Tanta apagada e vil tristeza
Que é apanágio do Português
Não quererá que um dias, talvez
Ponha à mostra a sua sageza
V
Para os últimos deixarem de ser
P’ra entrarem no comboio perdido
Há que soltar o ar abatido
E sem demora correr, correr
VI
Olhemos aqui para os vizinhos
Esses, doutros tempos, Castelhanos
E honremos os velhos Lusitanos
Seguindo então novos caminhos
VII
Por mais que estejam adormecidos
Mesmo que pouco e mal se lute
Não se há-de perder o azimute
No fim não sairemos vencidos
VIII
Discutir-se-ão muitas opções
Os políticos debitarão
Mas negar, nunca o negarão
Esse mar que nos cantou Camões
IX
Seguro que vai ser necessário
Que a fome nos ataque primeiro
E que se faça um grande berreiro
A lastimar o nosso calvário
X
Mas p’ra atingir tão grato projecto
D’a os da Europa sermos iguais
Só teremos, oh simples mortais
Que rogar ao Supremo Arquitecto

DESCANSAR É BOM!!


ESTA DECISÃO tomada pelo governo de Sócrates de estabelecer o dia de hoje com o “benefício” de dispensa de ponto para os funcionários públicos só pode ter como justificação a baixa de salário de que tanto se fala naquele sector. Porque não há Cimeira da NATO que valha num País de tão baixa produção dos seus cidadãos como este nosso Portugal.
Quer dizer, todos os motivos servem para não trabalhar e esse incentivo parte de cima, daqueles que deveriam dar o exemplo, mas que utilizam todos os argumentos para meter as mãos nos bolsos, não só dos outros, com os aumentos do custo de vida, como igualmente dos seus, pela paralisação de actividades que promovem e seguem para si mesmos.
Os caricaturistas têm tido muitos casos para transmitir ao papel as “gracinhas” que os nossos governantes ocasionam e dariam para uma grande risota se a tristeza que atinge todos não transformasse as lágrimas do riso em lágrimas de sofrimento.
Mas que teria na cabeça este José Sócrates e todos os seus membros governamentais – porque não parece que algum deles tenha dado mostras de descontentamento pelas asneiras que se cometem – para acharem que esta medida desencantada do fundo dos seus cérebros viria mesmo a calhar numa altura em que o que deveria suceder era exactamente o contrário, ou seja tudo aberto, a funcionar, as lojas com as portas escancaradas a todas as horas e todos os dias (respeitando, evidentemente, os horários dos funcionários), isso para provocar o alargamento da necessidade de empregados e, com tal medida, tentar diminuir o elevadíssimo número de desocupados? Seria bom que os portugueses tomassem conhecimento da razão desta destemperada atitude, se existisse, da parte dos tais que mandam, o hábito de tudo explicar aos que pagam as contribuições e sofrem as consequências dos péssimos homens que temos nos lugares de chefia.
E como essa dispensa de trabalhar ocorre numa sexta-feira, é óbvio que se trata de uma “ponte”, das tais que caem sempre bem no prazer dos portugueses ainda mal estimulados para aumentar a produção nacional, e, por isso, vamos aproveitar este presente socratiano, porque enquanto ele se mantiver no lugar e não aparecer ninguém com um mínimo de vergonha e de bom-senso, que dê a volta a toda esta rebaldaria que nos comanda, sempre poderemos contar com uns descansos deste tipo, se bem que os sacrifícios de carteira e ao triste drama de assistirmos progressivamente ao caminhar para o fim do País que temos, sempre nos poderemos continuar a roçar pelas paredes.
E, enquanto a maioria dos políticos – e até dos agora apelidados de “politólogos” – anda a proclamar que é imperioso que Portugal produza mais, não indicando, porém, a forma de ser dado esse passo fundamental, na verdade, mas difícil de atingir nas actuais circunstâncias, e até Jerónimo de Sousa, na entrevista que deu ontem na RTP, não foi capaz de apresentar argumentos convincentes que, sem insistir nessa história doentia da Esquerda e da Direita, mostrasse quais os passos essenciais para que saiamos desta paralisação produtiva para uma dinâmica forma de passarmos a consumir internamente o que cá se faz e façamos todos os esforços para que as nossas exportações se tornem um apoio ultra-importante para equilibrar as contas públicas portuguesas.
Por meu lado, dando razão à necessidade fundamental do nosso País sair deste estado, que vem já de bastante longe, de nunca termos conseguido, apesar de sermos uma pequena Nação, uma posição de possuidores de um determinado número de produtos com características lusitanas que obtivessem um mercado externo importante e duradouro, como sucede com outros parceiros europeus de que se conhecem bem as suas actuações, dado que nos deixámos arrastar até esta altura e só agora é que gritamos face a tal carência, como as produções, primeiro, e as conquistas de compradores estrangeiros depois não são coisas que se consigam alcançar com relativa rapidez, não é coerente manter esperanças de que é agora que, através dessa propagação, vamos poder alterar o mau estado financeiro, económico e social em que nos encontramos. Não se trata de pessimismo, mas apenas de uma chamada à realidade, posto que é disso que todos nós necessitamos, aprendendo alguma coisa com os vastos erros praticados e tentando não os repetir para o futuro. A nossa juventude, sobretudo essa, deve ser chamada a enfrentar os factos concretos e, conhecendo o mau que foi produzido, a História mais antiga e a moderna, começar já a imaginar o que lhes caberá fazer quando for a sua vez de tomar conta dos destinos que se lhes depararem.
Mas, voltando ao tal dia sem trabalho que o Governo resolveu estabelecer para hoje, com a “ponte” consequente, fico mudo e perplexo. Nem sei o que devo dizer no meio de todo o espectáculo de pouca-vergonha que nos é oferecido pelos homens que se mantêm com os lugares de que desfrutam e com as benesses que para eles ainda dá para não se afligirem muito.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

HOMEM PERFEITO

Quisera eu ser outro ser
nem comigo me parecer
aceitar tudo, bom-mau
ter atenção ao degrau
e se é feio não ouvir
o melhor sempre é fingir
viver só um dia à vez
não ver mal que outro fez
deixar passar quem tem pressa
ajudar a quem tropeça
mostrar sempre paciência
e ter à mão a clemência
para quem tem pouco tino
e tem gosto em ser cretino
não mentir se não faz falta
nem nunca enfrentar a malta
se ela está enfurecida
e vem de arremetida
deixar quem quer dissertar
se é feliz só por falar
também contrariar
quem pensa nunca errar
e gosta de se ouvir
querendo sobressair
contrapor não vale a pena
não torna a conversa amena
nem sempre o contraditório
tem algo de meritório
estar de acordo p’ra fora
para dentro não senhora
mas ninguém dará por isso
p’ra não causar reboliço
queria ser bem perfeito
ser limpinho sem defeito
estar bem com todo o mundo
que digam eu ter bom fundo

Mas se eu fosse assim
poria a rir-se de mim
e a chamar-me nomes feios
e a gritá-los sem receios
quem fosse bem diferente
que é afinal toda a gente
e eu ficaria calado
sem reagir, sem enfado
pois um santo não reage
e aceita qualquer traje

Mas sendo assim afinal
não tendo nada de mal
p’ra que serve um ser quejando
que não faz qualquer desmando
que tudo deixa na mesma
e se move como lesma ?

Queria então ser assim
suave como cetim.
Mas sem fazer mal nem bem
ser assim um Zé ninguém
que não tira nem aumenta
e só coloca água benta
em tudo que o rodeia
é mole como geleia ?

Pensando bem, não senhor
prefiro sim pôr fervor
naquilo em que me empenho
dando todo o meu engenho
mesmo que contrariando
e provocando desmando
nos interesses já criados
ainda que mal pensados;
pior que fazer mal feito
mesmo obra sem preceito
é falta de iniciativa
é ficar na defensiva
é deixar cair os braços
é ser igual aos madraços
é não cuidar do futuro
nem mostrar ser-se seguro

Homem perfeito, vá lá
toda a gente gostará
até por comodidade
e para deixar saudade
quando partir e for desta
para a prolongada sesta

ESSE SER HUMANO!...


QUEM ACOMPANHA com alguma regularidade o meu blogue diário tem consciência de que a opinião que expresso quanto ao ser humano não é de completo apreço pelos seus actos, reconhecendo, no entanto, que, ao longo da existência desde milhares de séculos para trás e até aos dias de hoje, as raras excepções não são suficientes para que passe a ter outro conceito em relação ao seu comportamento. Afirmo isto com grande revolta contra mim mesmo, não só porque sou também um desses seres, mas igualmente devido ao facto de, com frequência, ter o desejo de mudar de ponto de vista e de encontrar razões para que me considere equivocado no conceito que faço sobre os mais de 6 mil milhões de criaturas que pisam nesta altura a crosta terrestre.
No entanto, se sem qualquer tipo de complexos metermos a mão na consciência, até porque com esse acto talvez possa, cada um de nós, procurar contribuir para que ainda mais alguma coisa de menos bom continue a sair das cabeças dos nossos governantes, talvez cheguemos à conclusão de que a maior parte de conflitos, desentendimentos e até guerras monstruosas que a História de todas as parte do mundo nos tem relatado, têm origem na falta de acordos e de diálogo amistoso entre as partes que se encontrem em confronto, por os lados opostos não desejarem que sejam consideradas cada uma mais fraca do que o opositor. A vaidade humana situa-se sempre em primeiro lugar e os resultados que se têm verificado nas milhentas ocasiões em que se impõe chegarem a acordo, esses situam-se na área das costas voltadas, quase sempre com prejuízo para todos os dissidentes.
Porquê venho eu agora com esta lamúria? Pois é perante a situação que se contempla na Europa dos nossos dias, em que, após se terem formado sucessivamente agrupamentos que têm a aparência e o propósito de juntar interesses dispersos, tendo-se já chegado à junção de 27 países que se comprometeram a seguir normas comuns, essa intenção não atingiu ainda – e existem muitas dúvidas sobre se alguma vez lá se chegará – o ponto em que se verifique a mais perfeita irmandade, a fim de os mais favorecidos estenderem as mãos aos que dão mostras de necessitar de auxílio, ainda que seja por falta de qualidade de actuação dos que são tidos como responsáveis.
Como já sucedeu noutras ocasiões no passado, tendo mesmo como exemplo o que constituiu o início da última guerra mundial e que foi precisamente neste nosso Continente que a ambição de estender o poder para além das fronteiras que cabiam aos que deram azo a tal carnificina, nesta altura, esse passo acabou por envolveu muitos países e povos, tanto na Europa como no resto do Planeta.
Mas, nesta altura, seria de esperar que os políticos de agora tivessem aprendido alguma coisa com os conhecimentos da História. E que, face ao que se atribui à crise – também ela consequência da má actuação dos homens -, enchendo-se tanto a boca de CEE, de Mercado Comum, de Comunidade Europeia e mesmo da vontade de nascer uma espécie de Estados Unidos da Europa, se verificasse uma completa unidade que não pudesse vir a ser a causa da destruição de um sonho que, tendo a maior razão de se tornar realidade, o que se contempla em cada dia que passa é que não se mantém o egoísmo de uns tantos parceiros desta zona do mundo que não desejam abdicar de alguma parte do seu poder e que, pelo contrário, se aproveitam de ser mais favorável a sua posição económica, territorial e financeira para aumentar o poderio de que gozam, ainda que, diga-se a verdade, essa situação favorável seja devida a uma melhor governação que protegeu os seus habitantes do pior da crise.
Portugal, como é mais do que conhecido, devido à péssima actuação dos seus governantes dos últimos anos, encontra-se na posição de ter de aguardar pela ajuda que lhe seja dada, por muito que os que cá se encontram no pelouro do comando façam por esconder essa realidade. E é agora que o encosto que venha do exterior, ainda que as orientações também tenham de nos ser dadas por outros que não portugueses, é urgente. Mas a Europa está a faltar, quer no quer a nós diz respeito como a outros países que, em idênticas circunstâncias, pelo que a nossa posição agora é de expectativa.
E, no que se refere ao (des)entendimento dentro das nossas próprias portas, entre os vários grupos políticos que são a base da Democracia, como nos podemos admirar por se assistir à falta de criação de agrupamento de países comunitários se, no que nos toca cá em casa, cada um puxa para o seu lado e o encontrarem-se soluções comuns é o mais difícil de se conseguir? Preocuparmo-nos com o bem geral, com o futuro de Portugal, ainda que isso obrigue a capitular de interesses pessoais ou de pequeno grupo, isso é que o Homem só muito raramente leva em atenção tal bem-fazer.
A situação portuguesa neste preciso momento que se atravessa deveria fazer com que todos nós, os que somos naturais e habitantes deste Rectângulo, puséssemos de lado convicções ideológicas, preferências casuais, interesses pessoais, apelando única e exclusivamente ao que é necessário empreender para que possamos sair, mesmo que só com grande dificuldade, do profundo “buraco” em que nos encontramos. E, se não existisse outra razão, pensássemos no panorama que espera os nossos vindouros, ao inferno em que vão viver ao longo de toda uma geração e ao desprezo que nascerá nas suas cabeças em relação a todos nós, os que, nesta altura, não fomos capazes de evitar tamanha situação dramática.
A dúvida está em saber se os causadores principais do descalabro a que chegámos, o Sócrates, o Teixeira dos Santos e, no fundo, todos os que, desde o momento em que se deveria ter enfrentado com competência a situação, não foram capazes de ter dado mostras de que não seguiam as pesadas de um chefe que, eu bem aviso, quando sair do pelouro irá encontrar uma situação de resguardo que o libertará de problemas e de pedido de responsabilidade por toda uma população, grande parte dela a que até votou na sua eleição… no segundo mandato!
Eu, por mim me declaro, também sou culpado!… Haja quem não tema meter também a mão na consciência.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

MAR


Óh mar que te perdes no infinito
onde a vista não alcança o termo
andas em busca de todo o estafermo
que nas tuas águas lança detrito

Já foste mais limpo óh mar sereno
mirávamo-nos todos no espelho
irmãos no mundo, do novo e velho
e não havia em ti qualquer veneno

Hoje, neste globo emporcalhado
onde o amanhã já pouco importa
não és para nós o mesmo singular

Perdeste o que era o nosso agrado
estás a tornar a nossa vida morta
acabas sendo uma estrumeira, oh mar!

OH MAR SALGADO!...


SENDO PORTUGAL um País que possui uma área marítima, incluída na Zona Económica Exclusiva, dezoito vezes maior do que o espaço terrestre que constitui o território que nos cabe nesta ponta da Península Ibérica, para além de ter sido, no passado, líder na História do mar, e, na actualidade, constituir, por todas essas razões, uma espécie de modelo desejado por tantos países do nosso Continente que, não tendo o mar a banhar-lhe as costas, bem desejariam dispor dessa oferta da Natureza para a aproveitarem em toda a sua plenitude, cabendo-nos tal privilégio o que nos leva a lastimar são as nozes que nos foram postas à disposição e a falta de dentes que nos têm faltado para as mastigar convenientemente.
Em termos populares é o que me salta na escrita que estou a produzir. E, desenvolvendo o tema com maior afinco, sem ser necessário recorrer a uma grande imaginação, é causa para nos pormos a meditar sobre a situação que o nosso País teria alcançado se, com espírito empreendedor e depositando grande confiança nas técnicas que têm vindo, há anos, a ser desenvolvidas nas explorações marítimas, o que proporcionou já a outras nações o terem ultrapassado enormes dificuldades económicas graças ao aproveitamento da área marítima de que dispõem para, entregando as buscas e explorações de petróleo procuradas nas suas águas a empresas internacionais que dominam tal negócio, se nos tivéssemos preocupado em seguir essa via não teríamos conseguido vermo-nos libertos da crise mundial que também nos atingiu de maneira feroz.
Mas vou mais longe. Se, em vez de termos expendido tantos milhões em auto-estradas que sobram no espaço terrestre que nos pertence e que, na fase actual, até nem se consideram tão essenciais, efectuando acordos com os especialistas na área petrolífera de molde a que as pesquisas retirassem todas as dúvidas sobre se, na área que nos corresponde no Oceano Atlântico, se verifica ou não a possibilidade de extrair o precioso líquido, nem é necessário grande esforço para se imaginar o ponto em que Portugal se encontraria hoje em tais circunstâncias. Afinal, o nosso querido Timor, aquela metade de País que tantas dificuldades atravessou e que, durante o período em que foi uma colónia portuguesa, nunca passou daquela cepa torta que constituiu uma norma de todos os pedaços que fizeram parte da nossa presença comunitária – Angola, teve a sorte de lhe ter sido descoberto petróleo, ainda na época de Salazar, o que causou ao ditador português um enorme aborrecimento e, nesta altura, tem o seu desenvolvimento pendente de tal realidade -, mas ainda quanto a Timor, nesta altura até se propõe ajudar o nosso País com a compra de alguma porção de dívida pública, esse exemplo não dá a menor ideia de ambicionarmos vir a gozar de idêntica felicidade, pois que os nossos Sócrates andam embevecidos com os seus próprios feitos e não dispõem de o mínimo de iniciativa para enveredar por aquilo que, sendo de princípio um sonho, valeria sempre a pena investir-se em tal hipótese, dados os resultados que se obteriam se, numa área marítima como aquela que se encontra ao longo da nossa costa, surgisse o que foi encontrado em tantas zonas do mundo.
Mas, se nem à pesca somos capazes de tirar o partido que, por exemplo os nossos vizinhos espanhóis, não deixam por mãos alheias, como é que podemos ter veleidades em que, das cabeças de governantes portugueses, tivesse saído algum espírito de iniciativa que atingisse a dimensão da probabilidade que refiro neste texto?
Eu não espero que sejam os de fora que venham criticar a nossa moleza em deitar as mãos a tudo que possa sugerir uma forma de nos desenvolvermos, aproveitando as circunstâncias que foram colocadas ao nosso alcance, neste caso pela característica da nossa posição geográfica. Se fossem esses, eu não gostaria nada. Mas sermos nós, portugueses, a apontar os erros que nos cabem, isso não apelido de falta de patriotismo pois, pelo contrário, o não dar um passo no sentido de apelar para as nossas faculdades criadoras é que tem de representar a ausência de amor ao que é nosso.
Sempre fui assim e continuarei a sê-lo… até!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

SOBERBA

Ser-se com outros pedante
querendo sobressair
nada faz com que adiante
ao contrário só faz rir
presunçosos
a soberba é grotesca
é prova de ruindade
é defeito que se pesca
onde não há humildade
orgulhosos

Normalmente os que sabem
não mostram qualquer vaidade
conscientes que não cabem
seja qual for a idade
o saber
São os muito ignorantes
que presumem de saber
dão mostra de arrogantes
para toda a gente ver
para esquecer

O mal é que o mundo aceita
os que arrotam pescadas
os que formam uma seita
e dizem coisas erradas
sem sentido
mas a soberba assusta
impõe-se aos temerosos
e até sendo injusta
adapta-se aos mais pirosos
humildade


BRINQUEMOS TODOS!



AFINAL ANDAMOS POR CÁ A BRINCAR A QUÊ? Esta a pergunta que fariam ainda os ingénuos portugueses, que são muitos, sobretudo os que não acompanham em pormenor o que o Governo que temos (não) vai fazendo. A afirmação saída da boca do ministro da Economia, António Mendonça, de que as obras do TGV, a partir do Poceirão e até ao Caia, vão começar no início de 2011, isto contrariando o que ficou combinado entre José Sócrates e o PSD, tal tomada de posição precisamente na altura em que os contribuintes vão sofrer ainda maior agravamento pelas exigências de dinheiros públicos que são cada vez mais escassos e em que as dívidas ao estrangeiro não param, não pode deixar senão de boca aberta todos nós que nascemos e vivemos nesta Terra.
É forçoso remodelar o Executivo, clamam alguns. Este grupo chefiado por Sócrates encontra-se completamente esgotado há já muito tempo, é o que se ouve em muitas bocas. Pois é, mas a verdade é que, enquanto isso não se verifica – e nem se sabe muito bem como tal pode suceder -, a brincadeira da governação é coisa que vai atirando para o fundo do mar esta ponta oeste da Europa que não dá mostras de encontrar um caminho de mínima seriedade, já que de competência isso nem vale a pena falar.
E a propósito disso mesmo, da seriedade, tal postura é coisa que não se verifica em nenhuma área de gente que se encontra bem situada no meio da putrefacção política, económica e financeira em que vivemos. Não é então isso que os jornais já não escondem, com os benefícios ofensivos que recebem alguns que não têm o menor pudor em sacar o que o possível, por mais vergonhoso que isso seja. O título que enchia as primeiras páginas dos diários, de que “ricos ganham milhões livres de impostos”, sendo expostos todos os nomes de alguns deles, posto que, seguramente haverá muitos mais de que nem se tem conhecimento, tamanho escândalo em que as caras dessas figuras são expostas e que surgem também com frequência nas televisões a debitar opiniões sobre o estado em que se encontra o País, essa pouca vergonha só é possível porque as forças que têm poder para pôr um ponto final fazem ouvidos de mercador e olham para o lado, dando também nesse sector a prova provada de que não existem.
Tudo que está mal por cá e que, mesmo perante as dificuldades financeiras com que nos debatemos – ou até por isso – maior razão oferece para que se actue com eficiência e que um Governo, se ele funcionasse correctamente, teria ocasião para interferir, ao depararmos com a indiferença em que se movimenta, deixa-nos de pés e mãos atados e não se compreende, por isso, que venha até o Presidente da República efectuar recomendações teóricas de que devem os portugueses ter confiança e fazer o que estiver ao alcance de cada um para que saiamos deste panorama.
É o que eu não me farto de repetir, pregando no deserto: é fundamental que todos os responsáveis em alguma coisa, especialmente os da política, falem a verdade e digam claramente o que está mal, apontando os caminhos que devem ser seguidos. Não escondam os erros, próprios e alheios. Tenham a coragem de reconhecer que, até da parte de cada um, não foi a melhor atitude, esta ou aquela, a que foi tomada.
Claro que eu sei que nós, portugueses, não somos muito adeptos de, por nossa iniciativa, confessarmos os erros que praticamos. A culpa é sempre dos outros. E quando presenciamos os benefícios exagerados que uns tantos ainda recebem, por motivo de se encontrarem em posições que lhes permite meter ao bolso valores fabulosos, a única atitude que nos resta é a da revolta. Muda e surda.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A FELICIDADE TEM FIM


Esses
os que atravessam a vida
embalados pelas musas da felicidade
conhecendo o desafogo
da saúde
dos bens materiais
dos amigos

Esses
com uma família amiga
um trabalho compensador
produtivo
rentável

Esses
que não têm de que se queixar
que tiveram sempre uma vida para trás
reconfortante
e o que está à vista
é animador

Tais humanos
só podem ter uma angústia
a de um dia isso acabar
a do fim de uma cena deslumbrante
sendo uma maldição o terem de deixar em meio
o que lhes dá tanta felicidade,
o não ser infinito o que corre bem
e essa inquietação dói mais
do que aos que não levam a vida
mergulhada em satisfação,
em alegrias,
em coisas boas

Esses
pelo contrário
são perseguidos pelo tormento,
pelo desgosto
pela reocupação
de tudo acabar um dia

Esses
não anseiam pelo ponto final
pelo dia em que há que virar a página

Uns e outros
Afinal
não sabem se a infelicidade acaba, num caso
e se a felicidade dura sempre

Mas todos
desconhecem o que virá depois

ESCREVER SEMPRE O MESMO


JÁ TENHO ESCRITO isto tantas vezes e de tantas maneiras que considero ser cansativo para quem me lê com regularidade que volte ao mesmo tema de novo. Mas por cá, neste País de gente que, sobretudo a que se encontra colocada em posições de relevância, não quer saber as opiniões dos outros, porque as deles é que são as únicas que merecem atenção, eu, que sou teimoso, acho que vale a pena insistir. E é isso que faço.
Já me referi em tempos às conversas em família, que era este o título, que Marcello Caetano, na sua época pós Salazar, manteve aos écrans da televisão do Estado em que, expondo os seus pontos de vista e sem conhecer o que pensavam os portugueses, pois a censura da época e o sistema ditatorial não dava essa abertura, numa linguagem de pai de família lá foi expondo alguma coisa do que ocorria, diferençando-se, nesse aspecto, do seu antecessor. Mas não era isso que eu propus, após o 25 de Abril, que fosse efectuado pelos diferentes chefes de Governo que foram assumindo essas funções. O que eu considero que sempre faltou na nossa Casa foi a explicação, em termos completamente entendíveis, do que tem sido feito e as razões por que se seguiu por um caminho e não por outro.
Sobretudo, a partir do período em que começámos a sentir nas costas os efeitos de uma crise que avançava bem claramente e só não a viu quem andava noutro planeta – o caso do Sócrates, que por isso nos deixou chegar ao ponto em que estamos -, todas as explicações verdadeiras e claras que se impunham ser transmitidas aos habitantes do nosso País eram poucas, porque em vez de andarem a pôr paninhos quentes naquilo que acabou por ser uma realidade bem sofrida, em lugar de avisarem que era necessário levar uma vida de harmonia com as nossas posses e não fazer aquisições de toda a ordem, só porque os bancos anunciavam ajudas de toda a forma e o gastar agora para depois logo se ver é coisa que tinha que acabar como é o panorama que enfrentamos neste momento.
Afinal, ainda hoje o José Sócrates não é capaz de transmitir aquilo que todos os portugueses tiveram e têm necessidade de conhecer e as afirmações de que “há outros ainda piores” serve para disfarçar o que é o principal do folhetim que tem vindo a ser construído entre nós. E todas as malvadezes políticas, com repercussão económica e financeira nas nossas contas, essas mantêm-se escondidas e as benesses escandalosas que são ainda concedidas a uns tantos ”amigalhaços”, como é o caso do presidente da EDP, António Mexia, que ganha 8.500 euros “por dia”…, para não falar também dos gastos com os festejos do próximo Natal, quando o que se impunha com gente que pensa e tem bom senso era o não despender um euro com iluminações e com apetrechos de qualquer espécie. E quando, como vem anunciado na Imprensa, o Executivo socratiano admitiu 45 novos funcionários por semana para assumirem cargos no Governo e na administração directa e indirecta do Estado, perde importância a afirmação de Eduardo Catroga de que “venha lá quem vier para comandar o Executivo “não há milagres”, pois que nos últimos 10/15 anos tivemos um modelo de desenvolvimento errado.
Eu vou, portanto, enquanto tiver forças para isso, teimando naquilo que considero indispensável fazer e que é o falar verdade aos portugueses, o não esconder os problemas que já temos e aqueles que aí vêm, o explicar minuciosamente os motivos que levam a serem tomadas medidas dolorosas e qual é o panorama que nos espera já a seguir e mais tarde.
Claro que a saída de José Sócrates do lugar de primeiro-ministro, o afastar-se, ainda que seja por sua vontade, só ajudaria alguma coisa, mas não é a solução completa do berbicacho em que nos encontramos, pois nem sabemos se existe por aí um conjunto de políticos que tenham capacidade, competência, valentia, pois então, para agarrar o que se arrasta por aí e que necessita de mão firme para mostrar, cá dentro e no ambiente externo, que finalmente somos capazes…
Quero acreditar. Quero. Insisto. Morrer na praia, como agora se diz, é que não!