domingo, 10 de outubro de 2010

AGUENTEMO-NOS SÓZINHOS


CADA DIA que passa contribui para me convencer ainda mais que este nosso País, para além da amargura de estar a atravessar já há alguns anos uma situação que se tem vindo a tornar mais difícil para os cidadãos suportarem e que só nestes últimos dias, devido a medidas drásticas (mas que não serão ainda as definitivas) tomadas pelo culpado-mor de grande dose da conjuntura a que chegámos, não sendo só isso o que tem também de nos preocupar é também o assistirmos a que os nossos companheiros europeus (e não só esses mas será igualmente grande parte do mundo atento), nos está a relegar para um plano afastado, para o nosso canto, não se incomodando minimamente com aquilo que somos e com o que decidimos realizar.
São os credores, com os olhos bem abertos para os juros e enquanto pudermos prestar alguma garantias de que seremos capazes de cumprir as dívidas assumidas e que, neste momento, ainda que com condições bem pesadas e com limites drásticos aos empréstimos, esses lá nos vão mirando mas com o olho bem aberto e avisando que os dinheiros disponíveis se encontram no fim da linha. Porque os demais países, na verdade também alguns com os seus problemas que lá vão solucionando, esses estão a condenar-nos a permanecer sozinhos, particularmente porque a nossa situação política interna não é de molde a conceder o mínimo de confiança, pois os desentendimentos entre os nossos dois principais partidos (e não só estes), que são observados de fora, só levantam dúvidas no que diz respeito ao futuro para que caminhamos.
A falta de bom senso, a arrogância anti-democrática de não se ser capaz de claudicar de opiniões próprias, as teimosias em prosseguir com objectivos que poderiam ser postos de parte, nem que fosse por um período definido, é precisamente isso que se situa na base na falta de diálogo construtivo que, afastando interesses partidários e convicções ideológicas, tenha apenas como princípio o bem do País a que se pertence. Sobretudo, no que respeita aos dois partidos em causa nesta luta de palavras que tão mau efeito produzem, o que seria necessário era ser demonstrada uma total ausência de complexos, por se fazer conjunto com este ou com aquele, e, sem perder tempo com que já não se conta muito, dando mostras públicas das razões dos seus passos, juntar forças e não se escusarem a uma tentativa para uma saída possível – ou provável – do que resta a Portugal.
Porque a verdade é que, de uma Europa unida, sem países de primeira e outros de segunda e até de terceira, é o que se necessita e aí os portugueses, com as suas características próprias que não residem num espírito produtivo e de não perder oportunidades, faltando-lhes o sentido de uma actuação prática e no estudo profundo das situações, largando o seu hábito do “desenrascanço”, os portugueses, no seio político e mesmo no seu dia-a-dia, não gozam do privilégio da união, antes perdem tempo com questiúnculas, dizendo mal de tudo e de todos, no que respeita ao intestino nacional, e não dando mostras de que são capazes de proceder de melhor forma. O hábito das discussões de pátio, desse tipo característico do povo humilde, não se fica por aí. Os políticos, como portugueses que também são, não conseguem fugir dessa gritaria do estendal de roupa. Não gostarão da comparação, mas é isso mesmo o que mostram possuir no seu íntimo.
Em resumo: sozinhos, pois, estamos, Temos de reconhecer isso mesmo. E não será fácil continuarmos desta forma, pelo que até o FMI aí vai aparecer para nos deitar a mão, essa de ferro, castigando os maus alunos que terão de colocar à antiga as orelhas de burro e permanecer de costas e à janela, o tempo que for suficiente para podermos aprender alguma coisa, já que, de prática democrática, os trinta e seis anos decorridos não chegaram para retirarmos da boca essa arrogância de sermos os melhores e de, afinal, não conseguirmos ouvir os outros e de assumirmos as nossas faltas com absoluta modéstia. E esta carapuça cabe a alguém?
Tristemente sós cá ficamos. Aproveitemos então para pensar… e, se possível, melhorar!

sábado, 9 de outubro de 2010

UM PORTUGUÊS

Esse dever
de ter alguma coisa que fazer
e não dar um passo
sentir cansaço
respirar fundo
ignorar o mundo
procurar frescura
não recear censura
de nada e de ninguém
não importa quem
assim vale a pena existir
e cá prosseguir
na roda da vida
tudo sem corrida
que o fim que se espera
é hoje o mesmo que era
e que sempre foi
que não se condói
com quaisquer pressas
e que pede meças
deixem-me assim ficar
neste meu lugar
sossegadinho
daqui a poucochinho
já sairei
sem saber para onde irei
mas fazer isso não faço
nem para tal me maço
exemplo vem de cima
e sem ter de fazer rima
o que digo é verdade
sem qualquer maldade
pensar que Deus e os anjos
só tocam seus banjos
sem preocupação
nem obrigação
olhando esta Terra
sempre com uma guerra
em que o Homem persiste
de inveja em riste
a estragar ambiente
em destruição crescente
para quê pois cansar-me
se pouco pode animar-me
a remar contra a maré
e sentado ou em pé
aguardo a minha vez
como qualquer português

Qualquer é como quem diz
pois tudo o que fiz
foi a aspirar
a não ser um qualquer
mas de pouco valeu
porque o que aconteceu
foi o que está à vista
o não deixar pista
para seguidores.
Adeus meus senhores!

HORÁRIOS DAS LOJAS


TANTO SE TEM FALADO, nas múltiplas intervenções de gente que surge perante as câmaras de televisão e utiliza outros meios de comunicação para expandir as suas opiniões, que o principal problema de Portugal é o da pouca produção e, portanto, da dificuldade em termos para oferecer aos mercados estrangeiros artigos que saiam das indústrias nacionais, é tamanha a alusão a esta deficiência portuguesa que já se deveriam ter observado, quer por parte do Governo quer também da boca das Oposições, indicações úteis para fazer face a essa indiscutível falha na nossa economia.
É verdade que, desde sempre, nunca tivemos a capacidade para, apesar de sermos um País pequeno ou precisamente por isso, adoptarmos uns tantos produtos que constituíssem uma marca que se implantasse nos pontos de venda espalhados pelo mundo.
Sabemos que, países mínimos, como a Suíça e outros de dimensões idênticas, se fixaram na especialização de determinados artigos que se relacionam de seguida com os seus fabricantes. Os relógios são um deles, como poderia aqui deixar outros casos que bem deveriam ter-nos indicado passos que bem úteis seriam para equilibrar a nossa balança de exportações e importações.
O que me espanta, pois, é que os indivíduos que tomaram, até agora, lugar nos diferentes Executivos que decorreram desde a Revolução, há 36 anos, nenhum tivesse dedicado a maior e quase única atenção a esse factor que está, há muitos anos na base do nosso pouco desenvolvimento e que, nesta altura tão difícil que atravessamos, seria da maior importância para ajudar a darmos passos concretos para sair da crise em que estamos envolvidos.
Vou ser claro: então o chefe do Governo e o seu ministro das Finanças, ao terem tomado a decisão – tardia, tardia, tardia, não me canso de proclamar – de impor sacrifícios aos cidadãos mais desfavorecidos, que, já tão sobrecarregados, não sabem bem como suportar esse passo, não se lembraram de mais nada, como seja impulsionar os portugueses a empregarem-se mais e melhor nas suas actividades, dado que, conforme eu ouvi já tantas queixas por parte de comerciantes do meu bairro, neste fim de semana verificou-se uma fugida tirando partido do feriado que, ocorrendo numa terça-feira, deu todo o jeito para se não trabalhar na segunda-feira que ficou no meio.
Talvez fosse o momento apropriado para regulamentar alguma coisa que retirasse essas fugas, pois aos portugueses, digam o que quiserem, não chegou ainda a verdadeira realidade do que está ainda para vir, pois continua com a sua fé tradicional, a pensar que a Providencia tudo faria para evitar que o nosso Pais seja excessivamente atingido nos tempos que se aproximam. E essa medida seria a de terminar com os feriados que, ao lado de um fim-de-semana, proporcionam fazer essa coisa tão apreciada que são as “pontes” da paralisação.
Escrevo isto só por escrever, pois é sabido que essas sumidades têm mais do que fazer do que prestar atenção ao que ´´e vital para que se produza mais em Portugal.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

DESASSOSSEGO

Não é d’hoje mas é dantes
que existe este alvoroço
pois já velhos navegantes
roíam o duro osso

Foi Pessoa quem lançou
num total desapego
a obra a que chamou
Livro do Desassossego

Mas quando s´séculos atrás
o Filho bateu na Mãe
e afirmou ser capaz
de fazer um País bem

Deixando p’ra trás galego
por este rectângulo abaixo
lançou o desassossego
inventou também o tacho

Assim fomos caminhando
em triste monotonia
por vezes também chorando
noutras sentindo alegria

Sossegados não estivemos
profunda inquietação
pois saber nunca soubemos
viver sem ter um mandão

Os reis eram eles donos
República veio tentar
e nós só como colonos
pusemos dedo no ar

Dezasseis anos chegaram
P’ra República cair
ditadores aproveitaram
o não sabermos gerir

Cinco décadas passaram
sob um jugo bem pesado
portugueses sossegaram
sempre de bico calado

Os que não se conformaram
por perderem alter-ego
escondidos reclamaram
em total desassossego

Até que o dia chegou
com Marcelo sem poder
a Revolução derrubou
quem estava p’ra perder

Agora em Democracia
com três décadas passadas
não é grande a alegria
há gentes desagradadas

Os que mandam, lusitanos
nos partidos estão também
são todos seres humanos
não conseguem dar-se bem

E isso da Liberdade
que todos p’ra si exigem
com outros de má vontade
poucochinho lá transigem

Para podermos viver
em Democracia plena
muito há que aprender
e a altivez ser pequena

Como no dizer do povo
se cada um se vê grego
há que tentar de novo
fugir do desassossego

GRANDE FROTA


UMA DAS RAZÕES por que me insurjo tanto contra a governação que temos de suportar reside também no facto de não vermos aqueles que têm poder para actuar não mostrarem capacidade (ou conveniência) para pôr termo, no capitulo das despesas publicas, aos gastos que seriam facilmente eliminados se existisse um mínimo de sentido de responsabilidade e igualmente alguma competência para deitar não aos casos que entram pelos olhos dentro.
Os dispêndios que pesam no erário publico e que, a muito medo, o Governo pretendeu baixar na preparação do Orçamento do Estado que vai ser discutido no Parlamento, não atingem o sector que tanto castigo provocam nos dinheiros que os cidadãos pagam, o qual não abarcou o sector da frota automóvel que, exageradamente, é constituída por dezenas de milhares de viaturas que se encontram ao serviço de uma exagerada quantidade de servidores do Estado, os quais, nas circunstâncias actuais do nosso País, deveriam há muito tempo, pelo menos há dois anos, ver retirada tal regalia.
Tenho escrito sobre este tema, aqui neste blogue, variadíssimas vezes e não é por isso que tenho de me considerar uma cabeça pensante extraordinária. Já não se trata apenas de colocar à venda os excedentes da referida frota, o que representaria uma entrada de dinheiro nos cofres do Estado, mas sim e principalmente baixar substancialmente o gasto com combustíveis e reparações em avarias, assim como os motoristas – que são umas centenas largas – que se encontram em exclusivo ao dispor de suas Excelências, mas a anotação que tem sido feita hão interessa aos “patrões” que poderiam deitar mão a este assunto.
Neste momento em que todos suportamos a crise que nos atormenta, seria bem aceite por todos os portugueses que sentem na carteira os apertos que lhes são impostos, que os carros que se encontram ao serviço de servidores beneficiados do Estado se limitassem aos ministros e secretários de Estado e seus equivalentes, sendo que, dai para baixo, incluindo os directores-gerais, cada um deveria requisitar um veiculo aos serviços criados para o efeito, responsabilizando-se pela verdade do pedido, surgindo um carro que fosse e com o motorista que estivesse disponível, acabando de vez e até que as circunstancias económicas, financeiras e sociais se alterassem para melhor e permitissem que as Finanças nacionais suportassem essas mordomias. E até isso suceder, infelizmente ainda vai passar muito tempo. Anos, se tivermos a sorte das circunstâncias nos favorecerem!...
O mundo que nos rodeia e a Europa em particular assistiriam a esta determinação do nosso Governo como prova de que se está a cuidar, com a devida atenção, do futuro que temos de enfrentar, pondo um ponto final nas despesas que têm constituído um gozo dos “mandões” da nossa política e a que se deveria ter posto um travão há muito tempo.
Se isso tivesse sucedido, não estaríamos nesta altura libertos das dificuldades que mais nos penalizam, como é o desemprego, mas, pelo menos, teríamos condições financeiras mais folgadas que permitiriam uma margem menos penosa por forma a poder reduzir as sucessivas dívidas que representam o gesto diário da governação que temos. Quando o primeiro-ministro aparece a afirmar que em nada remediávamos com o termos tomado precaução nos gastos em período anterior, o que está a dar mostras é de, das duas respostas uma à escolha: ou a mentir descaradamente ou a mostrar-se de uma ignorância aflitiva para quem, no mínimo, deve pedir informação aos que, em seu redor, ainda terão alguma consciência do terreno que pisamos. Mas qualquer delas não pode deixar-nos descansados.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

BABA E RANHO

Isto não está para rir
nada resolve chorar
aumenta a gente a pedir
cada vez menos a dar

É estranho
A baba e ranho

porque carpir é humano
sentir dor por qualquer cousa
sofrer efeitos do dano
admirar quem repousa

Tudo isso é natural
a tristeza bem assoma
pois que neste Portugal
viver não é uma broma

E não é pelo tamanho
Que se chora baba e ranho

termo que o povo utiliza
p’ra expressar o sofrimento
não sendo forma precisa
sempre é o que sente dentro

Porque o choramingar
é maneira pouco clara
de querer desabafar
sem molhar demais a cara

E se eu dou o que tenho
Pois que seja baba e ranho

a quem não acreditar
tiro as dúvidas que houver
e ao verem-me chorar
baba e ranho aparecer

MONARQUIA OU REPUBLICA


FOI HÁ 25 ANOS, era então Mário Soares primeiro-ministro, que o FMI meteu a sua mão na situação financeira portuguesa, pois as circunstâncias que se atingiram nessa altura não permitiram que nos libertássemos de tal intervenção que, para os economistas, representa sempre um mau sinal. Ficou resolvido na época e a sombra desse Fundo Monetário continua a pairar no momento que se atravessa, pois que as condições que defrontamos são ainda piores do que eram um quarto de século atrás.
Sabendo-se que é do interesse nacional que Portugal não se tenha que sujeitar à referida análise e decisão do Fundo em causa, a pergunta a fazer – e não se pára de pôr questões a quem tem a responsabilidade de decidir, embora as respostas não surjam com facilidade – é se não se deveria recorrer a todos os meios e solicitar o auxílio de reconhecidas competências económicas com o fim de serem encontrados os recursos que ainda possam existir para evitar a ameaça à porta. Mas, para tal, impunha-se que os “sábios” que se encontram sentados nos cadeirões do Poder tivessem a humildade suficiente para dar a mão à palmatória e reconhecer a sua incapacidade para solucionar o problema.
Como se sabe que essa conveniente atitude não existe no nosso meio governativo, aquilo a que se assiste, em demasiadas áreas que têm a ver com as tomadas de decisões, o que ocorre é a decadência progressiva de um País e as trapalhices sucedem-se sem que existam punições adequadas aos que, estando colocados em posições de decisão aos vários níveis e em que dão mostras de uma completa incompetência e de um encolher de ombros perante as consequências desastrosas resultantes, lá vão continuando usufruindo das regalias que as famílias partidárias concedem nos seus seios.
É indiscutível que não pode existir Democracia sem partidos políticos. E sendo até esta forma de actuação, de entre todo o leque de escolhas políticas, o que se pode considerar o menos mau, não é aceitável que ocorram situações declaradamente destruidoras do espírito de servir com absoluta honestidade, em que a acção do Homem, com esses defeitos que abundam por todo o lado, o egoísmo, a ambição desmedida, a vaidade confrangedora, destruam por completo as qualidades extraídas da vontade das maiorias.
Sujeitos, como nos encontramos, ``as circunstancias que a governação descuidada nos obrigam a suportar, tendo de ouvir os discursos repetitivos que, como sucedeu agora na comemoração do 5 de Outubro e em que, uma vez mais, José Sócrates nos castigou os ouvidos com as frases feitas que não significam indicação de um caminho estudado e coerente que nos tire do fundo do poço, neste estado resta-nos aguardar por uma espécie de milagre que, com FMI ou sem ele, com acordo na votação do Orçamento ou com o descalabro politico que nos atirará ainda mais para baixo se PS e PSD não chegarem a um acordo, neste estado nos encontramos.
Infelizmente chego a conclusão de que, com Republica ou com Monarquia, não ´´e por ai que encontraremos o caminho certo, porque, dando vivas ao Rei ou gritando vivas ``a Republica, os fulanos que se agarram ao poder são sempre aqueles que vivem ``a custa do poder e que dele auferem as regalias de que não desistem. Nos governos e nas oposições, nos grupos de empresários ou no topo dos sindicatos, dali ninguém os tira. Pois nos tempos modernos j´´a não ocorrem os regicídios e os montões de guarda-costas que protegem suas excelências preservam contra determinada loucura que esteja nas intenções de alguns tresloucados.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

REMOENDO

Mas então serei só eu
Desconsolado da vida
Que julga que já tudo deu
E se acabou a guarida?
Mais ninguém?
Todos bem?
Se assim é então fracasso
O mal é meu exclusivo
Não devo dar mais um passo
Pois não há paliativo

Só, no mundo, me revejo
Por culpa minha por certo
Movendo-me no papelejo
Que é o que tenho perto
Escrevendo
Remoendo
Com outra coisa não conto
Uma resposta não dá
Acabo ficando tonto
E sem fé no que virá

POR MARES....


FOI ASSIM no século XV, em que o Oceano Atlântico se apresentavam perante a vista dos portugueses e as nossas naus sulcaram o mares na busca de locais onde pudéssemos desenvolver aquilo que não cabia no território limitado que nos tinha calhado com a conquista aos mouros, iniciada por D. Afonso Henriques, de um espaço que se conservou ao longo dos séculos que temos como existência.
Vale a pena recordar o que foi essa aventura de uns tantos antigos compatriotas nossos e em que essa decisão, tomada por vontade própria ou impulsionados pela necessidade de subsistência e sem outra alternativa, em que, mares fora, abriram perspectivas que, logo a seguir, outros países aproveitaram instalando-se nos locais que os portugueses descobriram por esse mundo fora, retirando o proveito que n´´os, ingénuos como somos, nunca fomos capazes de usar a nossa favor.
Portugal, como Pais europeu, nesta altura possui a maior área marítima que se apresenta em frente de si. Já fomos uma Nação com alguma importância no sector da pesca, mas, nesta altura, encontramo-nos reduzidos ``a expressão mais simples, pois tendo aproveitado aquilo que foram consideradas benesses prestadas pela Comunidade Europeia, demos baixa de um enorme numero de embarcações destinada a essa pratica e encontramo-nos perante um enorme défice de actividade que colocou os pescadores em posição de reforma antecipada e, em vista disso, o consumo de pescado que, abundantemente, faz parte da nossa lista gastronómica, constitui recurso do mesmo importado das mais diferentes origens, o que também, nesse sector, constitui uma sobrecarga na nossa tão carregada balança de pagamentos.
Hoje, se o poeta voltasse a cantar os feitos dos navegadores que sulcaram os mares, teria que emendar o verso e substitui-lo “por mares agora abandonados” e que, em virtude da aquisição dos submarinos que temos de pagar com língua de palmo, passaria igualmente a ser referido como “por mares agora submersos”.
Na verdade, o que andamos todos agora ´´e debaixo de agua, respirando por uma palhinha, e rogando a todos os santinhos para que, no mínimo, esse ar que circula ainda que poluído, não acabe por nos faltar.
Os maus momentos estão reservados a Portugal, ainda que seja em diferentes ocasiões todas difíceis. A I Republica, para referir um acontecimento apenas com um século de distância, deu aos portugueses ´´agua pela barba, a Revolução de 25 de Abril também não foi pêra doce, este momento em que nos encontramos, não representando embora uma mudança de sistema, pode querer anunciar que poderá estar para breve uma alteração do sistema de governar. Se assim for, pelo menos vale a pena o sacrifício, se bem que as perspectivas de sermos capazes de entrarmos num período em que as contas publicas serão postas em ordem, com os impostos adaptados ao nosso poder de os suportar e as despesas, sobretudo essas, limitadas ``a nossa capacidade e de não fazermos papel de milionários.
Sonhar não custa. Mas talvez o susto sirva para alguma coisa. E se, de novo, formos ajudados por acções vindas de fora, então talvez voltemos a ir direitos ao mar e o aproveitemos para extrair aquilo que constitui uma riqueza que s´´o cabeças tontas foram capazes de desaproveitar.
E a propósito: que será feito dessa gentinha que mandou destruir a frota pesqueira nacional? Provavelmente estará bem colocada em qualquer instituto publico ligado ao mar, com um salário principesco e uma reforma, quando ela chegar, ainda mais ofensiva.

Nota – Como se pode verificar tenho uma avaria (parece ser um vírus) no meu computador, em que os acentos nao saem limpos. Espero que o técnico resolva este problema, mas os feriados d~~ao nisto: há que esperar.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

NAO SE APURA


Milhentas questões da vida
muitas delas sem respostas
têm difícil saída
por mais que pesem nas costas

Quantas vezes é o quem
que na pergunta mais pesa
porque não se sabe bem
quem é que escondido lesa

E a forma que utiliza
quem na vida nos persegue
o como nos martiriza
mesmo que isso alguém negue

Que motivo p’ra tal ódio
o porquê de tanta zanga
será algum episódio
que julgou ser uma manga?

E em que sítio tal se deu
onde essa coisa passou
será que alguém se meteu
e o veneno largou?

O dia usado em tal acto
quando esse mal foi feito
nada ficou no retrato
o autor usou preceito

Quem, como, porquê, quando,
onde se deu a maldade
foi igual a contrabando
nunca se apura a verdade

SEREMOS CAPAZES?


ISTO ESTÁ BONITO na verdade. O aviso que lançaram os serviços secretos norte-americanos para que os naturais daquele País não viajassem para a Europa, pois anunciaram a possibilidade de acções terroristas, por parte da Al-Qaeda, que podem ocorrer sobretudo em França, mas também na Grã Bretanha, não descartando tal possibilidade noutros lugares no Continente, e acrescentando aos que se encontram já nestas paragens que aconselham a evitar visitas a locais demasiado expostos, esse alarme só serve para proporcionar ainda um aumento da crise que, só por si, traz um número enorme de população de todas as nações que evitam fazer consumos, o que tem repercussão nas produções e que, no sector do turismo, com todas as suas vertentes, tem ainda maior incidência
Claro que, por cá, esta medida tem de nos afectar. E o que se pede às instâncias que temos de propagação da nossa actividade turística, tão importante para ajudar a equilibrar as contas públicas, é que divulguem, sobretudo naquele mercado tão importante do outro lado do Atlântico, que o terrorismo não está instalado nas nossas paragens e que aqui, mesmo com a nossas dificuldades até por isso, os suicidas islamitas não encontram interesse em fazer das suas.
Aí está, pois, um tema que deve ser utilizado pelos nossos mentores turísticos que têm a seu cargo a expansão para além fronteiras das belezas nacionais e, sobretudo, da nossa gastronomia que essa, por ser louvada em toda a parte, tem direito a servir de cartaz, desde que se saibam usar promoções que se adaptem aos motivos de visita dos estrangeiros e especialmente, neste caso, dos norte-americanos.
Seremos capazes?
Numa altura em que se comemora o centenário do 5 de Outubro, momento em que Portugal passou também por uma fricção económica e financeira que terá sido o que hoje se verifica em copia, embora com diferentes características e com mais população, pode-se dizer que a coincidência tem foros de malvadez, pois depois de uma Monarquia e, nos actuais tempos, passada que foi uma Ditadura, não encontramos um caminho que mostre descanso a quem, ao cabo de cerca de 900 anos de independência, já merecia viver com tranquilidade.
Volto a perguntar: sermos capazes de tudo fazer para o conseguir?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

SALVE-SE QUEM PUDER!

Nem toda a gente pode
cada um sabe de si
às vezes há quem acode
dando razão a quem ri
Salvam-se uns
E outros não
a sorte não chega a todos
para os que a têm pouca
outros têm-na a rodos
e levam uma vida louca

Quando o barco vai ao fundo
todos aos mesmo escaler
e sem perder um segundo
é o salve-se quem puder
Socorro!
Se não morro
é grito de aflição
por esse mundo não falta
quem em grande agitação
se ponha a alertar a malta

Só os que podem se livram
as circunstâncias ajudam
serão os que se esquivam
e na sorte se escudam
Se puder
Haja o que houver
não serei eu apanhado
na derrocada fatal
terei o maior cuidado
p’ra evitar pior mal

Até mesmo p’ra viver
que se salve quem puder

O REI SÓCRATES


VEJM LÁ o que fui sonhar na noite passada. Face ao período que se atravessa de comemorar os 100 anos da implantação da República em Portugal, dei comigo num sonho que me deixou, ao acordar de manhã, num estado deplorável de humor. Pois foi, nem mais nem menos, o encontrar-me situado no regime monárquico português e em que o rei que se sentava no trono tinha o nome de D. José II, com o cognome de “O Sabedor”.
Até aí nada de preocupante, pois numa modalidade ou na outra, o que interessa acima de tudo é a capacidade do responsável principal pela governação ser alguém que mostre competência e que tenha a capacidade para ouvir as opiniões dos outros, sobretudo quando podem ser melhores do que as do próprio. E se se tratasse de uma monarquia em que o espírito democrático funcionasse com um cumprimento perfeita das regras de aceitar os votos da maioria, nessas circunstâncias há, pela Europa, sistemas que assim actuam e, pelos vistos, não se verifica grande descontentamento, se bem que isso dos sucessores terem de pertencer a descendentes na família real, esse pormenor, no que a mim diz respeito, não é o que mais me agrada. E, sobretudo porque até na Coreia do Norte – mas não só aí -, são os filhos que ocupam os lugares dos ditadores pais, pelo que então ainda maior é a minha falta de gosto em seguir esse sistema da sucessão garantida.
E no referido sonho, ao ver, depois de acomodar-se no trono, quem era a figura que fazia tal papel, fico espantado ao constatar que se tratava de José Sócrates que, apesar da enorme coroa que mantinha sobre a cabeça, não escondia o seu enorme prazer e, alisando o longo manto todo bordado que mantinha sobre as costas, fez sinal ao seu tesoureiro-mor para que se aproximasse. E aí, com novo espanto da minha parte, depara-se-me Teixeira dos Santos que, de joelhos, carregando um maço de papeis e pondo à disposição de Sua Altesa uma pena de plumas e um tinteiro, esperou que o Monarca pusesse a sua assinatura no que seriam uns despachos que amontoavam as cargas fiscais que iriam sobrecarregar os pobres súbditos. Um outro subalterno, numa bolsa bem pequena, aproximou-se e entregou um rolinho que continham as despesas do palácio real, as quais num golpe rápido, também foram assinadas, mas com nítida má vontade do Soberano.
Entretanto, do fundo da sala, um membro que ali tinha tido autorização para entrar, avançou com ar petulante, e sacando de uma espécie de carta de alvissareiro, leu em voz alta, para espanto dos assistentes. Tratava-se de um aviso feito em nome daqueles que representava – disse que dos trabalhadores – em que estabelecia uma data em que se realizaria uma greve geral, por contestação contra as medidas que tinham sido tomadas que muito prejudicavam os seus representados. Acabou a leitura e recolheu-se junto de outras figuras que, receosamente, tinham assistido à cena. Mas o avisador, que eu pude, no meu sonho, constatar que se tratava de Carvalho da Silva, ao chegar junto do seu grupo, lá desabafou: “Eh pá! Pagam-me para isto e eu não posso perder o emprego…”
E foi então que o meu sonho terminou. Acordei alvoraçado, mas, minutos depois, ao tomar consciência do que estava a acontecer, realizei que não havia Monarquia nenhuma, que vivíamos em República democrática, mesmo não sendo a mais bem praticada, que o chefe do Governo é que era aquele que eu tinha imaginado de coroa na cabeça, e que, não havendo assim uma grande distanciação da realidade com o conteúdo do meu sonho, havia que separar as duas coisas.
Mas ainda, antes de me dirigir para a casa de banho, tive tempo para reflectir. É que, se fosse uma Monarquia o regime em que nos movimentássemos por cá, talvez houvesse a hipótese de se dar outra mudança para a República; mas o contrário é que não parece ter viabilidade. Logo, ficamos como estamos e que alguém nos ajude.

domingo, 3 de outubro de 2010

BRAÇO A TORCER

Se os homens fossem iguais
no pensar e no dizer
sendo até todos mortais
era grande o desprazer
opiniões diferentes
certo interesse provocam
e mesmo entre parentes
modos de ver não se tocam

É preciso é aceitar
aquilo que os outros são
cada um no seu lugar
quem sabe quem tem razão
por vezes nenhum dos dois
ambos estão enganados
e só tempos depois
descobrem que são culpados

Mas nem sempre se acusam
não querem dar a ver
do erro até se escusam
não dão o braço a torcer

É BEM FEITO!...


AO TER sido dado a conhecer ao povo português que o Plano de Austeridade que saiu tardiamente da cabeça de José Sócrates e do seu ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, também o atingiu, pois são retirados ao primeiro-ministro 830 euros do seu salário mensal, só isto bastou por agora para servir de consolo em face das diatribes que este governante tem provocado a um País que merecia melhor sorte.
Hoje, domingo, dia dito de descanso, também eu não estou disposto a ter de castigar a cabeça com o pensamento posto na situação a que Portugal chegou. Vou, pois, incluir apenas uma das minhas poesias e fico-me por aqui. Amanhã falaremos.
E, já agora, como se encontra por cá a banda dos "You 2", que tanto furor provoca naqueles que se deslumbram com este tipo de música e de espectáculos, eu que não pertenço já a tal mancha de populção que forma a camada de apreciadores, vou fugir para escutar na televisão um pouco das "cantigas" que o grupo espalha e só espero que o Governo em peso seja obrigado a assistir, sentado no chão do estádio de Coimbra - parece que é aí que ocorre o acontecimento -, para que as suas cabeças tomem contacto com a realidade do mundo. Para alguns será um castigo, mas para outros não será tanto.

sábado, 2 de outubro de 2010

COMO, QUANDO, PORQUÊ, ONDE?

Nós, que apenas povo somos
que só nos cabe aceitar
do País só nos dão gomos
e bastantes de amargar
há também quem descrê
e bem pergunta porquê

Sempre aguardando resposta
e nunca ninguém lha dando
sabe quem perdeu a aposta
conformado vai ficando
em nada e em ninguém crê
para saber para quê

Neste mundo foi cá posto
e não deu opinião
e agora a contragosto
bem pode gritar que não
mesmo com certo assomo
se interroga: e como?

Se há que seguir em frente
pois parado é morrer
tem de fazer de inocente
dar mostras de não saber
esperar por quem responde
e lhe diga para onde

E não serve qualquer hora
há momentos ideais
quando se quer ir embora
nem todas são mesmo iguais
há que ir até andando
a questão é saber quando
Ir sozinho é um dilema
sempre é bom ter companhia
para defrontar problema
mesmo o do dia-a-dia
mas p’ra pedir a alguém
tem sempre de saber quem



DESORIENTAÇÃO


BEM AGRADARIA a quem se inquieta com a situação económica, financeira e social do nosso País, poder encher as páginas das suas escritas com textos optimistas, seja com a nova ortografia que não está a ser aceite com bonomia, seja com a tradicional e ainda em vigor, como é o que faço… por enquanto. Mas as circunstâncias que se vivem e que, todos os dias, não dão azo a enveredar por essa linha, obrigam a que não optemos pela esperança em ver uma luz ao fundo do túnel, por muito que se anseie por assistir ao terminus desta desorientação que constitui o panorama político nacional.
Face a esta triste realidade e, já agora, sem prolongar em demasia o que há para dizer sobre o assunto, pois bem basta o que enche as páginas do jornais e o que se vê e ouve nas rádios e televisões, não deixo de ocupar este espaço sem voltar a apontar o dedo a quem o merece e, na minha óptica, não pode esconder-se atrás de quaisquer vitimizações e de desculpas de mau pagador.
Vou agora referir um ponto que, na boca de alguns comentadores que dão a conhecer as suas opiniões, não mereceu ainda uma referência aprofundada e que, neste meu blogue, já foi alvo de apontamento, dado que considero ser algo de importante, no mínimo para ser levado em consideração: se, como julgo ser uma observação justa, a solução do problema grave que envolve o nosso País não se soluciona apenas pelo aumento dos impostos e até pelo corte de despesas supérfluas (se bem que parte de estas tenham sido agora atendidas pelo Governo Sócrates, ficando ainda muito por necessitar do risco vermelho incomensurável do Poder público), mas sim em face da necessidade urgente e inabalável de criar uma produção que proporcione, simultaneamente, a luta contra o desemprego e a possibilidade de se fomentarem as exportações, que é a base fundamental para o equilíbrio da nossa balança de pagamentos.
A questão põe-se, porém, na forma como se transforma esta nossa inactividade crónica no campo empresarial em qualquer coisa de dinâmico. Este o ponto portanto que, sabendo-se que não resolve de um dia para o outro o que necessita de tempo para ser concretizado, mesmo assim devia constar das intenções de quem se encontra nas cadeiras de mando, o que, pelos discursos escutados, não dá mostras de passar pela cabeça de tais pessoas.
Já me tenho aqui referido à existência de uma organização estatal, de nome AICEP – tempos atrás denominada apenas ICEP, pelo que mudou somente de nome! -, que, nesta altura sob o comando de Basílio Horta, antigo membro do CDS, agora sem partido, e que foi também ministro da Economia, por sinal com actuação bem criticável (mas isso fica para outros contos), não se conhecem os resultados da sua actuação, sabendo-se que o objectivo de tal departamento é o de desenvolver acções de promoção no estrangeiro dos produtos nacionais com possibilidade de serem lá vendidos, assim como a de procurar encontrar empresas estrangeiras e investidores que possam actuar no nosso território, criando novos focos de produção, associando-se aos que cá já existem e investindo no nosso País para participar no desenvolvim3nto de que tanto necessitamos.
A par disso, dado que os gastos com essa organização são muito elevados, pois ocupam instalações em várias cidades mundiais, algumas delas de elevado custo, com pessoal espalhado no exterior, suportando despesas de sustentação que representam uma fatia larga do nosso Orçamento, perante essa realidade o que se deveria conhecer em pormenor eram os resultados práticos da sua actuação e manter uma vigilância permanente sobre o modo como é exercida tão importante ajuda que deveria ser dada para que Portugal conseguisse sair deste seu casulo tão fechado.
Ao mesmo tempo e como eu já me referi neste meu blogue, mas mesmo antes em outros escritos saídos na Imprensa, os escritórios da AICEP deveria também albergar os outros, que funcionam sempre separados, também com dispêndios de instalações e de pessoal muito elevados, e que se destinam à promoção do turismo português, acontecendo até, como se passa em Nova Iorque, por exemplo, que as instalações das duas organizações se situam a pouca distância umas das outras, sem vantagem de resultados para nenhuma das duas. E isto para não falar também das lojas da promoção da TAP que deveriam, em termos de economia substancial de gastos, ser acopladas, já que se trata de uma empresa suportada pelo Estado.
Mas estas medidas e tantas outras que os governantes não têm capacidade para discernir, as quais ofereceriam resultados concretos quer nas actuações quer nos controlos dos dispêndios que se poderiam evitar, tais decisões não cabem nas cabeças dos Sócrates que temos e que, ao contrário do que julgam alguns, são bastantes mais do que só aquele que utiliza o Palácio que também serviu a Salazar para ir destruindo o que resta desta Nação.
A desorientação geral que apanha tanto os que mandam, ainda que mal, como os que se opõem, também de forma deficiente, não deixa que consigam abarcar todos os problemas que necessitam de mão sabedora para alterar o que, sendo antigo ou mais moderno, está mesmo a pedir mudança.
E chama-lhe desorientação para não aplicar outro nome, que era o que me apetecia. Mas se é com os desorientados que temos de nos aguentar, pois que assistamos ao caminho para o fundo do precipício, na esperança de que já não sejamos nós a estar colocados na carruagem do acidente.
Ao estar a ouvir e a ver neste momento em que escrevo, na RTP, a entrevista que José Sócrates está dar para explicar, anunciou-se, o motivo das medidas tomadas, em lugar de se assistir a um primeiro-ministro penalizado pelos castigos que são impostos aos cidadãos, em lugar disso o que se contempla é a um fulano que dá mostras de um convencimento absoluto de que procede sempre bem e que não se enganou por, em Maio passado, não ter previsto o que iria suceder e que imensos economistas apontavam como sendo inevitável. Como hoje se garante que, em 2011, será necessário exigir maiores sacrifícios ainda porque estes agora decididos não são suficientes para retirar Portugal da queda que seria conveniente evitar a todo o custo.
Não se mostra desorientado o José Sócrates que afirma sempre saber tudo e nunca se enganar. Provavelmente seria preferível que se declarasse confuso e aceitasse ajuda de quem se prontifica a participar na busca de soluções, mesmo e sobretudo as que não condizem com as suas convicções. Mas isso, a um Sócrates como este, é pedir o impossível!


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

FUTURO

O presente o que decorre
o que se está a viver
é algo que se percorre
dando tempo pr’a morrer

No dia-a-dia se sabe
o que se anda a fazer
antes que eles se acabe
é aproveitar o prazer

Amanhã é outro dia
aparece de surpresa
algo que nos angustia
ninguém tem uma certeza

Para o futuro distante
esse para lá dos anos
há que ficar vigilante
e precaver desenganos

Diz o povo sabedor
o futuro a Deus pertence
peçam-lhe então o favor
que nosso caminho incense

Se quem ao nascer soubesse
o mau futuro que o espera
melhor era que morresse
antes de entrar na Esfera

TARDE ACORDASTE!...


INSISTO EM BATER nesta tecla, não porque pretenda mostrar-me como exemplo, pois está bem longe de mim tal atitude, mas para recordar aquilo que os que costumam seguir os meus blogues diários sabem que muitas vezes me antecipo no que respeita às medidas que se têm mostrado absolutamente necessárias para tentar fazer com que o nosso País não sofra drasticamente as consequências da crise que, há bastante tempo, se instalou no Planeta terrestre. E também é verdade que o Governo socratiano tem feito ouvidos moucos às recomendações que surgiram de várias origens, sobretudo tendo em vista o que foi decidido em alguns estados da Europa e a própria Bruxelas aconselhou, como agora não deixou de repetir, mesmo aplaudindo as medidas agora anunciadas mas considerando-as tardias.
Pois é. Estava à vista que a teimosia do Governo nacional em meter mão nas despesas excessivas que, ao longo dos últimos anos, têm contribuído para desperdiçar fortunas dos dinheiros públicos e essa culpa ninguém a pode tirar, seja ao primeiro-ministro seja a Teixeira dos Santos, pois se agora este veio afirmar que dormiria mal se não fossem tomadas estas medidas, o que admira é que tenha andado com sono pesado todo o tempo anterior em que era por demais claro que se impunha actuar na redução drástica do que estava a ser desperdiçado.
Mas, mesmo nesta altura, aceitando que os sacrifícios que os portugueses têm de suportar novamente são inevitáveis, como sempre as disposições anunciadas não vão ao fundo da questão e tem de provocar um grande espanto o facto de se manter na linguagem dos governantes – sobretudo do ministro das Obras Públicas que parece desfasado com as realidades – a afirmação de que aqueles chamados investimentos em obras públicas (o aeroporto, o TGV, a ponte sobre o Tejo, etc.) estão apenas suspensas e não arredadas de vez dos nossos propósitos.
Depois, sabendo-se que o parque automóvel ao serviço do Estado é composto por 28.793 viaturas, bastantes delas compostas por carros de grande porte e adquiridos até há pouco tempo, não se ouviu da boca dos dois declarantes dos cortes nas despesas e no aumento de impostos a menor indicação de que o exemplo seria dado por eles próprios e que, em todas as funções que se relacionassem com o sector oficial se iria actuar por forma a que acabassem essas mordomias dos carros próprios e dos motoristas exclusivos de cada personalidade com tal regalia, passando a existir (como tenho fartamente reclamado) um serviço de automóveis e condutores que, ao serem requisitados, eram utilizados sem garantia de serem sempre os mesmos, pois apenas funcionariam os que estivessem disponíveis, uns e outros. A redução de gastos passaria a ser considerável, assim como os combustíveis também baixariam muitíssimo.
Mas este é apenas um exemplo do muito que se pode fazer e que os dois responsáveis do Governo não foram capazes de discernir no seu anúncio de atitudes referentes ao aumento de receitas – aqui foi-lhes muito mais fácil – e à redução de despesas – neste caso insuficiente.
Para além de tardias, no que eu insisto porque representam uma má actuação do Executivo que ainda se vai manter porque a ocasião para o mudar não é a mais propícia, o que marcará fortemente este período quando for feita mais tarde a sua história será a incapacidade de ver à distância, talvez porque a arrogância e o convencimento próprio de sapiência que foram as atitudes características de José Sócrates não deixaram margem para actuar como as circunstâncias aconselhavam.
E, para além disto, ouvir como se ouviu e viu ontem o primeiro-ministro, na Assembleia da República, com uma dialéctica fabricada e sem capacidade para apresentar justificação para o “fora de tempo” com que tomou a decisão de apresentar o remendo para fazer face à situação a que se chegou, esse comportamento só serviu para aumentar o descontentamento dos portugueses, por bastantes que haja ainda que se sintam vinculados a um apoio a prestar ao grupo socialista, isso por uma questão de ideologia política e não por estarem de acordo com a actuação de um agora secretário-geral do PS que, por sinal, até teve o seu início como correligionário dos sociais-democratas. Mas mudar de carapuça é também uma das atitudes dos homens, especialmente quando não sabem bem aquilo que querem.
Aguentemos, portanto, agora. E tenhamos esperança de que não surgirá dentro de pouco tempo outra medida, a qual permitirá de novo ao ministro das Finanças dormir descansado.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

FAZER DE CONTA

Nem sempre o que é possível se consegue
fará falta algo, mesmo a fé
é preciso que o que se persegue
deixe de estar longe e fique ao pé

Muitas vezes tem que se dar o passo
ainda que não seja nosso agrado
há que manter fortes nervos de aço
e esquecer o que está ao lado

Por muito que se trate de uma afronta
aquilo que é preciso p’ra vencer
nada poderá ser de grande monta

Pois por mais longe que esteja pronta
o que queremos ver alvorecer
o importante é não fazer de conta

APERTAR O CINTO


E EU, QUE CONFIADO estava que tinha chegado a esta altura da minha vida sem ver credores a bater à minha porta, dou subitamente comigo a carregar uma dívida de 14 mil euros. E a quem é que eu tenho de pagar o que me avisam agora que me compete assumir tal compromisso? – é a pergunta que me ocorre fazer, dado que não fiz quaisquer compras utilizando o cartão de crédito. Pois fiquei a saber que é a crise da dívida pública que provocou que o Estado, mal governado como se sabe, ocasionou que termine o ano de 2010 com Portugal a dever aos mercados estrangeiros qualquer coisa como 142,2 mil milhões de euros, o que, feitas as contas, atribui a cada lusitano o tal montante atrás referido.
Quer dizer, no ano passado – soubemo-lo agora – já cada um de nós era devedor de 13 mil euros e neste 2010 o Estado (ou seja o Governo que temos) aumentou a dívida, diz-se, devido aos juros elevadíssimos que nos são exigidos pelos credores, tendo estes já ultrapassado os 6,5%.
É evidente que os riscos que os que emprestam dinheiro a Portugal assumem é cada vez maior e por isso se, por um lado, limitam quanto podem os montantes que são solicitados da nossa parte, quando anuem a ceder-nos alguns montantes sobrecarregam com juros a níveis que têm vindo a subir e que, tudo indica, poderão não ficar por aqui.
Foi a esta situação a que chegámos e que tem de nos fazer sentir grande preocupação pela incapacidade evidenciada até aqui pelo nosso Governo e, relembrando o passado, constatamos, sobretudo os que são dessa época mas também os que não tendo vivido o período da Grande Guerra Mundial não ignoram a História, que a Alemanha, esse País que sofreu uma derrota clamorosa devido à actuação do seu líder da época, o odioso Adolfo Hitler, tendo ficado completamente destruída e tendo sofrido também a divisão em duas parcelas que, há pouco tempo, foram reunidas, nesta altura dá-se ao luxo de ajudar, com fundos de resgate, alguns dos seus pares da União Europeia, tendo agora saído a declaração de que, para além de 2013, essa comparticipação não se prolongará.
É sabido que o meu portuguesismo e o meu amor pela lusofonia não se submetem a não apontar os defeitos que devemos assumir e que não sou dos que escondem essas realidades com o glorioso passado das Descobertas que servem para desculpar todos os erros que têm vindo a ser cometidos, sobretudo nos dois séculos que estão próximos incluindo o que ainda vivemos. Por isso, na situação em que nos encontramos, com os governantes que nos têm cabido no mesmo período e especialmente – porque é esse o caso que temos em observação - quanto ao que vamos estando a suportar nos últimos anos, só nos poderá servir de ajuda se aceitarmos que o comportamento, a forma de ser, até mesmo o “desenrascanço” de que muitos se gabam, só contribuem para não sermos capazes de antecipar a visão dos problemas e de estudar soluções com cabeça, bom senso e profundo estudo. Não se trata de nenhum mistério o não conseguirmos acompanhar os melhores, e até os médios procedimentos dos nossos parceiros europeus. E até é esse o motivo por que nunca acertamos nos montantes das estimativas das obras e menos ainda nos prazos de finalização das mesmas.
Pois, por muito que o estilo austero alemão não nos atraia demasiado, é agora a altura para aprendermos alguma coisa, se formos capazes de pôr de parte o nosso tradicional “logo se vê” e passarmos a tomar consciência dos nossos defeitos, por mais que tenhamos a vaidade de julgar que aqui, neste extremo da Europa, é que se situa o exemplo que os outros deveriam seguir. Já fomos exemplares, é verdade, mas isso foi no século XV. Agora encontramo-nos no XXI e não é possível continuarmos amarrados a uma antiguidade que, nesta época dos computadores, não tem a menor aplicação.
Os nossos sucessores, os que vão herdar as dívidas que lhes deixamos, esses bem nos encherão de acusações de perdulários, de péssimos cumpridores das mínimas regras de só gastar o que temos e de não continuar a mandar “pôr na conta”, como sempre foi feito neste nossos tão pitoresco País.
Posto este texto que já estava redigido antes do esclarecimento dado pelo Governo, na voz do primeiro-ministro e do responsável pelas Finanças, acrescento apenas o que me foi possível apontar no decorrer das declarações televisivas que cada um dos espectadores pôde atinar. E, em primeiro lugar, reconhecendo a mão à palmatória a que Sócrates acabou por se submeter (sabe-se lá com que amargura por ser contrário aos seus princípios), só tenho de lastimar que medidas semelhantes, por ventura menos castigadoras, deveriam ter sido tomadas já há um ano. Se as despesas tivessem sido reduzidas – e há ainda bastante que cortar no capítulo das empresas públicas, dos municípios, das instituições e dos, serviços externos de consultadoria e outras despesas que não foram referidas nesta explicação prestada – poder-se-á talvez afirmar que, nesta extrema decisão que tem a ver com as recusas externas em conceder mais empréstimos a Portugal poderia não ser tão castigadora como a que vai ser adoptada no ano próximo e mesmo algumas que entram em execução antes do final de 2010. Mas paciência. Já de nada vale lastimarmo-nos e o que importa agora é ver se se conseguem os objectivos anunciados como indiscutíveis.
Para isso, no capítulo das despesas, a medida mais chocante será a da redução de uma média de 5% nos salários, da função pública, superiores a 1.500 euros mensais, podendo chegar aos 10% nos casos de maiores valores. Igualmente o Governo tomou o compromisso de cancelar todos os investimentos públicos, situação que o ministro das Obras Públicas tem que encarar, para ver se termina com as suas afirmações completamente fora da realidade.
Já no que diz respeito às receitas, o maior castigo que vai ser aplicado aos portugueses é do novo aumento de 2%, o que fará subir o total para 23%, representando, por isso, uma subida dos preços de uma variedade de produtos, grande parte deles considerados de primeira necessidade.
E nesta breve análise do que constituem as medidas que o Governo tomará e que terão cabimento no Orçamento do Estado que vai ser discutido no Parlamento, regresso ao que comecei por afirmar no início deste texto de que a Alemanha tem dado um exemplo de actuação que, por sinal, está a ser seguido por diversos países europeus. E como vale mais tarde do que nunca, não remediando nada atirarmos agora pedras ao Governo por se ter atrasado excessivamente em actuar como lhe competia, só nos resta estar atentos e confiar, até nova alternativa que politicamente possa ser dada e em que um novo eventual responsável no Executivo tenha a capacidade de saber ouvir, de não ser arrogante e de reunir em sua volta elementos capazes e com o sentido de serviço público e não de fieis seguidores de um partido, seja ele qual for, a aguardar por uma bem remunerada colocação posterior numa empresa ligada ao Estado, como é o que tem sucedido à sombra de uma Democracia que não lhes convém nem apetece cumprir.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

DISPARATES

De todos os seres com vida
o homem ganha os combates
pois sem peso nem medida
faz montões de disparates

Mas se ao princípio volta
s’arrepende do mal feito
não deixa por aí à solta
o que não merece respeito
então desculpa merece
seu valor sobe quilates
em torno desaparece
quem lhe grite: disparates!

Quase metade os faz
os outros emendam erros
há quem seja capataz
que quer comandar aos berros
mas neste mundo afinal
pleno de cheques-mates
por aqui em Portugal
não faltam os disparates

SALÁRIO MÍNIMO


NA VERDADE, nos tempos que correm, ter como salário mínimo imposto por lei a insignificante verba de 475 euros representa um esforço que é imposto aos portugueses que, devido às suas condições profissionais e de preparação educativa, não têm condições para auferir salário superior. E será por isso que os movimentos sindicais tanto reclamam para obter uma subida para 500 euros que, mesmo assim, continuam a constituir insuficiência para sustentar qualquer família portuguesa.
Mas este é o panorama que se contempla no nosso País e, devido às circunstâncias que são proporcionadas pelo estado ruinoso das finanças e da economia em que vivemos, temos de reconhecer que não haverá possibilidade de se verificar uma subida, posto que a esmagadora maioria das empresas, tanto as pequenas e médias como bastantes consideradas grandes, lutam com grandes dificuldades mesmo para suportar os baixos salários.
Pondo de parte os aproveitadores das circunstâncias, que sempre existem, e que podendo distanciar-se da referida limitação não querem dar mostras das suas condições mais favoráveis, o certo é que o nosso País se situa numa plataforma em que a baixa de salários será ainda a única possibilidade de aguentar a concorrência de preços dos produtos que saem das suas indústrias, quando não até a manutenção das empresas a funcionar se baseia nessa triste atribuição de salários baixos. E, no panorama actual, não haverá por agora qualquer volta a dar, por mais que a CGTP de Carvalho da Silva (que salário terá?) e arredores pretendam que se siga outro caminho.
O facto da OCDE ter vindo propor a Portugal que se congelem salários, se reduzam os subsídios e terminem as novas admissões na função pública, pelo que dizem que pode representar um corte substancial de 3 mil milhões de euros até 2013 - no seu estudo que foi entregue ao Governo com o intuito de equilibrar as nossas contas públicas também o aumento de impostos tem de ser levado em consideração, o que deve ser apenas aplicado, digo eu, em derradeira situação, pois não se podem suportar mais encargos deste tipo -, não exclui a recomendação da poupança que se impõe em várias áreas, como sejam o corte de benefícios fiscais e a redução da protecção aos trabalhadores, o que permitirá a possibilidade, segundo eles, de representar uma poupança pública na ordem dos 24 mil milhões de euros, até ao final de 2013.
Quer dizer, portanto, que as notícias que nos chegam vindas do exterior, fruto de observações estranhas ao nosso domínio político, do Governo e das Oposições, vão todas na direcção de apertarmos o mais que seja possível o cinto que temos mantido demasiado frouxo (no caso dos gastos supérfluos) e, por aí, por mais que reclamem algumas forças políticas que se dizem defensoras dos interesses dos que trabalham, não haverá alternativa se quisermos emendar a mão de uma governação que não foi capaz de ter evitado este descalabro a que chegámos e que se poderia ter evitado em boa medida se não tivéssemos andado por aí a construir e a inaugurar pomposamente auto-estradas, como quem implanta um chafariz, e, ainda por cima, com a maior desvergonha, há quem mantenha a ideia teimosa de construir o novo aeroporto, a ponte sobre o Tejo e, imagine-se, o TGV.
Como é que, com políticos deste cariz, se poderá sair do miserável salário mínimo que cria as maiores dificuldades de subsistência aos muitos portugueses que, apesar de tudo, sempre preferirão essa miséria do que não ter sítio para trabalhar?
O pior é que se dá o caso também de o subsídio de desemprego ser, em muitos casos, preferido pelos desempregados do que o trabalho que, apesar de tudo, aqui e ali lá aprece!...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

ENGANADO

A rua que m’ensinaram onde ir
a porta com o número que anotei
o caminho que teria de seguir
a difícil rota por onde andei
Tudo com esperança
Sem medrança
porque ali encontraria a felicidade
deixaria para trás a mesquinhez
onde seria pura a amizade
o gosto de viver vinha de vez
Perfeição
Ilusão
porém, depois de muito procurar
por becos e vielas me meter
de ter pensado em não continuar
face à perspectiva de me perder
Parei p’ra respirar
Precisava de m’animar
tinha sido por certo enganado
o que queria ver não existia
tinha tido todo aquele enfado
felicidade total não havia
Avisado fiquei
Mas já não parei
alguém me preveniu pelo caminho
que não valia a pena eu cansar-me
a vida tinha mais do que um espinho
pelo que era esse o conselho a dar-me

Fé que nos cega lá me empurrou
não queria ficar agarrado ao solo
já ninguém ao ouvido me sussurrou
pois era desmedido o desconsolo


ELEIÇÕES AGORA?


AS LAMÚRIAS que se escutam em todos os sítios onde existem cidadãos portugueses – obviamente com excepção daqueles que conseguem manter uma vida confortável e ate com fartura excessiva que, ainda assim, são bastantes -, as queixas que os cidadãos fazem por verem, cada dia que passa, agravar-se a sua situação e perante um panorama que não oferece esperanças em relação ao futuro, esse queixume constitui o único escape para quem não depende exclusivamente de si a forma de alterar o “status quo”.
É visível que, apesar do fenómeno difícil de entender de as sondagens não demonstrarem ainda uma descida notável do PS na hipótese de umas eleições legislativas se se realizassem nesta altura, não obstante isso os sociais-democratas se situarem apenas alguns degraus acima e os restantes partidos andarem em redor das percentagens habituais no anterior escrutínio.
Quer dizer, apesar do principal culpado público da situação em que se encontra Portugal estar identificado, e isso segundo um elevado número de opiniões que se escutam por aqui e por ali, não seria desta que José Sócrates passaria de chefe do Governo para uma posição inferior muito distante da que mantém agora. Isso, repito, se as referidas eleições tivessem lugar nos próximos tempos.
Na verdade, justifica-se que paire uma dúvida em grande número de cidadãos no que respeita à escolha do substituto governamental do actual detentor desse lugar. Verificando-se a certeza de que a continuação de José Sócrates não beneficia do apoio da maioria, por outro lado não se descortinam garantias de que o que vier a seguir seja capaz, nas circunstâncias actuais, de pôr a casa em ordem e consiga solucionar os diversos problema, financeiros, económicos e sociais, que atormentam Portugal.
Um incomensurável endividamento, interno e externo, uma taxa de juro, à volta dos 6%, que nos retira as possibilidades de suportar, uma carga fiscal que atingiu já uma dimensão insustentável, uma taxa de desemprego com consequências sociais que se podem prever desde já, para além dos outros problemas que se vão mantendo, como o caos da Justiça, o Ensino em níveis muito baixos e uma enorme incapacidade de aumentarmos a nossa produtividade, isto para apontar apenas uns tantos dos males que nos atormentam, toda essa via sacra será o que herdará um novo Executivo que, como é habitual ocorrer entre nós, o primeiro que vai fazer é lastimar-se da herança recebida e acusar os antecessores de tudo que encontra em tão mau estado… como se não esperasse que isso iria suceder.
Neste momento, face ao relatório da OCDE e à vinda a Lisboa do secretário-geral dessa Organização, em que as recomendações deixadas são mais do que suficientes para mostrar que a imagem que mantemos fora de portas não é recomendável, sobretudo para efeitos de prestar o mínimo de garantias aos nossos credores que, para além dos juros altos, estão já a limitar os empréstimos, esta amostra deixa um aviso de que, na próxima discussão do Orçamento do Estado no Parlamento, não vai ser possível que o mesmo não consiga a aprovação da maioria de deputados, pois as consequências desse acto seriam tão desastrosas que aos seus causadores só lhes restaria emigrar para longínquas paragens, fugindo a sete pés de alguns dos cidadãos nacionais que, descontrolados, seriam capazes de fazer justiça pelas suas próprias mãos. Esta é, evidentemente, uma hipótese exagerada.
O Orçamento que aparecerá e de que, nesta altura, ainda é ignorado o seu conteúdo pelos portugueses comuns, por muito mau que ele seja – e não é de esperar que surja grande coisa das mãos dos que têm feito tão mau serviço – tem de ser aprovado, bastando que algumas famílias políticas, aquelas que tradicionalmente fazem o seu papel de opositores, utilizem o facto para propagar os seus princípios ideológicos. E é bom que assim seja.
Até lá, pois, só nos resta, a todos nós que vivemos numa ansiedade permanente, manter um mínimo de esperança de que possamos ir suportando as agruras que se irão sucedendo e que, neste blogue, têm sido largamente sublinhadas, pois que defendemos – e já não somos só nós – a vantagem dos portugueses estarem bem preparados para maus tempos, do que andarem enganados com pinturas cor de rosa, o que os irá deixar completamente sacudidos na altura da verdade inegável.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

DESTINO


Dizer logo que alguém nasce
que está escrito o seu destino
que o seu caminho faz-se
como qualquer peregrino
fazer tal afirmação
como absoluta verdade
sem nunca aceitar um não
chamando-lhe maldade
é deixar coisas correrem
com futuro conformado
vontades nada valerem
tal como gato capado
isso é mal de muita gente
de quem nunca quer lutar
sendo no destino crente
e diz que o que querer mudar
só dá p’ra tempo perder
pois tudo qu’ocupa a vida
está traçado até morrer
não muda por mais dorida

Será que têm razão
que o Homem não tem tal força
que não está na sua mão
fazer com que destino torça?
Talvez valha acreditar
na ânsia de cada um
que o importante é lutar
dando algo ao bem comum

Para isso sem se esperar
ao dar pontapé na pedra
surge ocasião no ar
nova vida que até medra
há quem diga estava escrito
outros que foi circunstância
pouco importa o que é dito
pois mesmo com ignorância
a pedra do pontapé
que provocou a mudança
seja qual for a fé
é que obrigou a mudar
direcção que se mantinha
e tudo p’ra trás ficar
tal como erva daninha

É destino, pois que seja
Mas não chega de bandeja!

EXTREMISMOS


ENQUANTO neste País das discussões inúteis estas se arrepelam, de um lado e de outro das chamadas ideologias políticas, a clamar as Esquerdas e as Direitas pela pureza de cada uma dessas suas preferências, ainda que não seja aí agora que se solucionam os graves problemas que Portugal tem de enfrentar e que cada dia abrem ainda mais o buraco por onde se corre o enorme risco de cair desamparado, ao mesmo tempo que os ingénuos teimosos, que julgam ser o seu grupo que, por ser como é, naturalmente perfeito, é o que tem possibilidades de salvar aquilo que ainda é a sua Pátria, por essa Europa fora ao que se assiste é a uma nuvem negra que assusta pelas recordações que ainda existem naqueles que vieram tempos recuados, e que tem uma designação política de extrema-direita, essa negritude está a crescer em muitos dos países que fazem parte do bloco da Comunidade, sobretudo sustentada por uma juventude que não faz ideia, senão por lhe contarem, dos efeitos provocados por uma actuação política que durou vários anos e que só foi afastada onde esteve implantada devido aos resultados da Grande Guerra que acabou há volta de 65 anos atrás. Já lá vai, portanto, muito tempo.
No caso da Suécia, em que a Direita tradicional renovou o seu mandato governamental, relegando para posição inferior os sociais-democratas, verificou-se já um entusiasmo por parte daqueles que se situam na ponta direitista. Mas, noutros países do velho Continente, é notória a subida de aderentes aos discursos nacionalistas, em que especialmente a atitude clara de se mostrarem contrários à imigração é bem demonstrativa das suas preferências políticas. Se bem que seja notória a necessidade de existir uma certa moderação controlada.
A Finlândia, a própria Itália esquecida da mão de Ferro de Mussolini, certos países de Leste que têm de saber o que representou a actuação dura do estalinismo, inexplicavelmente a Alemanha, que agora reunida sem o muro que a dividiu e deixou rastos no sector a Oriente da Porta de Brademburgo fecham os olhos a tal difícil situação e todas essas Nações já possuem grupos políticos que são normalmente designados no seu nome por “Partido Nacional” e até na Rússia há um denominado “Partido Liberal Democrático”, que defende ideias que se situam no extremismo conservador.
Os politólogos, que se dedicam à pretensa análise da situação que se atravessa, pretendem explicar este fenómeno, que, para uma Esquerda severa, também pouco maleável no que seria prudente abrir uma pouco as convicções de outro extremismo contrário, para ela constitui um perigoso avanço, pelo que esses estudiosos dos fenómenos políticos defendem a ideia de que tal fornada extremista resulta do facto de não se ter verificado ainda uma resposta por parte dos partidos nos governos que se identificam com uma democracia capaz de solucionar os problemas que tanto fazem sofrer as populações actuais. O resultado é, pois, esse: nem uns nem outros, Direitas e Esquerdas moderadas, dão mostras de capacidade para descortinar uma solução aceite pela maioria dos cidadãos e que leve a que o mundo, com a enorme volta que está a dar – com a China, a Índia e o Brasil a atingirem foros de prosperidade, coisa que há tempos atrás era impensável -, entre numa acalmia que tanto necessita e que, sem egoísmos dos seres humanos e atitudes de prepotência e de inveja, poderia chegar finalmente neste século XXI, fartos que se está de, ao longo de toda a História mundial, só as desavenças e as guerras é que formaram o motivo principal da existência do Homem.
E por cá, então? Não constituímos um exemplo. Com a experiência que deveríamos aproveitar de uma História que foi única num determinado período em que as descobertas, por muito que constituíssem uma imposição das condições geográficas do nosso território, representaram, sem dúvida, um acto único para todo o espaço terrestre, nem assim e gozando já dos privilégios de uma Democracia que temos obrigação de querer conservar a todo o custo, damos mostras de tudo fazer para que a situação muito complicada que atravessamos, no aspecto político, económico e social, não se transforme num beco sem saída que nos conduza para uma perda de cabeça, com os efeitos que se podem imaginar e de que, como sempre sucede por cá, ninguém aparece a assumir as responsabilidades e a considerar-se culpado dispondo-se a merecer castigo.
Já aqui assumi neste blogue, antes de outra qualquer afirmação saída nos jornais, a responsabilidade de tentar adivinhar que, no meu ponto de vista, apesar das discordâncias, ataques mútuos, mesmo ofensas entre os responsáveis do PS e do PSD, o Orçamento do Estado, ao ser votado no Parlamento, acabará por passar, especialmente porque, tanto os sociais-democratas como os adversários comandados por José Sócrates, não assumirão a carga das consequências de um O.E. não passar. E as críticas dos restantes partidos, assumindo naturalmente uma posição que lhes cabe, pois não pesam na contagem da votação, podem ter o aspecto e o conteúdo que entenderem as suas figuras principais, mas nada disso pesa no destino que está destinado a Portugal e que, infelizmente, não dá mostras de constituir uma melhoria dos condições de vida dos portugueses.
Existirem partidos políticos que se situam num lado e no outro do panorama de ideologias, mesmo nos dois extremos, faz parte da prática democrática. Só que, na situação de crise que o mundo atravessa e que, na Europa, se sente muito na pela, o que importa mais do que tudo é existir consenso alargado, abaixamento de posições dogmáticas de finca-pé em princípios que podem muito bem aguardar por melhor momento para serem defendidos, numa palavra, o que não pode faltar é um verdadeiro espírito de confraternização, posto que, num salva-vidas depois de um naufrágio, não se discutem lugares no pouco espaço existente, mas sim se procurará que o maior número de náufragos consiga chegar a terra para dar início a uma nova luta pela vida, com extremismos ou sem eles.
Com todo este discurso até parece que o meu passado, no tempo da ditadura que vivemos, foi de completa sintonia com a prática de censura e com a perseguição pidesca que se vivia. Provavelmente alguém ficará com a ideia errada de que não fui severamente molestado por não aderir, política e jornalisticamente, com a prática de tal sistema. Mas foi precisamente o contrário o que me ocorreu e não me é agradável recordar todos os contratempos, incluindo cadeia, que me marcaram.
Só que, na idade que atingi e com o aproveitamento da vida que me foi moldando, ao pensar que o País que eu vou deixar fica num estado tão deplorável que não se vislumbre nada de satisfatório para o futuro, face a esta probabilidade sou forçado a apelar para o uso de todo o bom senso que, ao fim e ao cabo, é o que mais falta à nossa volta. Extremismo político, seja ele qual for, não há um só que seja desejável. Mas se o Homem é assim…

domingo, 26 de setembro de 2010

REMOENDO

Mas então serei só eu
Desconsolado da vida
Que julga que já tudo deu
E se acabou a guarida?
Mais ninguém?
Todos bem?
Se assim é então fracasso
O mal é meu exclusivo
Não devo dar mais um passo
Pois não há paliativo

Só, no mundo, me revejo
Por culpa minha por certo
Movendo-me no papelejo
Que é o que tenho perto
Escrevendo
Remoendo
Com outra coisa não conto
Uma resposta não dá
Acabo ficando tonto
E sem fé no que virá

SUBALTERNOS


CLARO QUE há coisas mais graves, especialmente neste período em que todas as instituições lutam contra as enormes dificuldades financeiras que atormentam as governações das empresas. Mas, no capítulo das prioridades – que é o maior defeito que se encontra por parte dos que dirigem -, só quando for absolutamente impossível dispor dos mínimos para que o serviço que se tem de prestar aos utentes não se torne num obstáculo para cumprir o essencial que cabe no preço que se paga, só aí é que, depois de feita a declaração dessa fraqueza, é que será admissível manter a falta que está a decorrer.
Refiro-me, neste particular, a uma situação que não pode ser consentida, até porque os preços dos bilhetes para usar o metropolitano de Lisboa incluem o uso dos elevadores que, em determinadas estações, servem precisamente para conduzir os menos válidos (a verdade é que todos os usuários) à entrada ou à saída dos veículos em questão.
Pois, de todos os ascensores que existem, parece que são oitenta, 18 deles encontram-se avariados há meses, o que, especialmente para os deficientes, em que se incluem os que se movimentam em cadeiras de rodas, representa uma impossibilidade absoluta de utilização do referido meio de transporte público. E até os que possuem compra antecipada de bilhetes, para lá de não poderem servir-se do Metro, são prejudicados por terem pago uma coisa antes que não lhes é servida depois.
Como na televisão apareceu esta informação prestada por um deficiente motriz, utilizador dos ascensores, talvez nesta altura já se encontrem reparados os meios agora paralisados. Normalmente, por se tratar de uma notícia que chega ao conhecimento de todos, incluindo os chefes dos funcionários que devem proceder rapidamente aos arranjos mas que se descuidam, não é primeira vez que sucede solucionar-se um problema graças à divulgação dos erros, mas se for assim só é caso para nos congratularmos.
Aproveito esta oportunidade para sublinhar um comportamento muito frequente por parte de serviços inferiores de empresas públicas, incluindo as câmaras municipais - e aí aponto o dedo ao município da capital -, em que obras feitas tempos antes, como sejam os levantamentos de calçadas para reparar, por exemplo, canos subterrâneos, ficam depois períodos longos a aguardar que os calceteiros apareçam para repor o empedrado em condições dos cidadãos circularem sem tropeços. E aí, é evidente que não se pode culpar o presidente da entidade que tem a responsabilidade de manter os serviços perfeitos, mas sim uns tantos funcionários que, não cumprindo com o zelo que se lhes tem de exigir, chefes secundários e desse estilo, se desleixam e provocam má imagem na organização a que pertencem. Sejam municípios ou outras instituições, obviamente ligadas ao Estado.
Mas, já no que diz respeito ao empedrado das ruas – e refiro-me às de Lisboa, que são as que conheço melhor -, tenho, há largo tempo, há anos, clamado pela eliminação da chamada caçada à portuguesa (com excepções nas zonas tidas como exemplares como seja o Rossio, os Restauradores e algumas mais, que merecem os desenhos lindos com pedras), pois a utilização de placas pré-fabricadas, até com os mesmos desenhos, sai muito mais barato e elimina o uso dos calceteiros que, de cócoras, levando tempos infinitos, dão uma má imagem aos turistas estrangeiros da nossa própria actuação. Aí, sim, o presidente da C.M.L., já que os anteriores não o fizeram, deveria meter mãos no assunto e seguir o exemplo do que ocorre nas cidades estrangeiras, até aqui ao lado, em Espanha, animando para que se criasse uma indústria desse tipo de construção de painéis do solo.
Mas, no capítulo da actuação a cargo dos subalternos do serviço público é isso que os portugueses, de uma forma geral, têm de suportar. Dever-lhes-iam bastar os males que cabem a todos os cidadãos, como seja o custo de vida e os impostos, mas não, ainda por cima outros habitantes deste País que, lá por prestarem serviço público em lugares de prática de serviços, mas de enorme importância porque têm influência na vida dos seus compatriotas, não cumprem como é devido a obrigação que lhes cabe.
Aquilo que eu me farto de dizer que todos nós temos alguma coisa de socratiano nacional, não nos cansamos de criticar o que se encontra na cadeira principal do Governo mas, quando nos calha a vez, portamo-nos de igual modo, ou seja só olhamos para o umbigo e consideramo-nos os melhores e sempre com a razão do nosso lado!
É uma pena que não consigamos, todos nós, funcionários públicos ou não, sobretudo quem tem possibilidade de não empatar, desenvolver uma actividade que não tenha nada a ver com o complicado e com as demoras desnecessárias.
De uma vez por todas, passemos da tradicional moleza, do não há pressa para quando mais rápido melhor. Para não continuarmos a perder o comboio da Europa e do mundo e deixarmos de ser os subalternos de tudo.

sábado, 25 de setembro de 2010

A PREGUIÇA


Que bom é não fazer nada
sem qualquer obrigação
e enfrentar a jornada
não dizendo sim nem não
tanto faz como até fez
ser tudo igual não importa
como andar de lés-a-lés
a bater a toda a porta
foi coisa de outros tempos
eu nem me quero lembrar
já não me servem d’exemplos
é hora de descansar

É preguiça?
Pois será
mas eu mando um grande “xiça”
ninguém me provocará
fujo das complicações
do que seja casa cheia
já perdi as ilusões
de que alguém me dê boleia
pois quando se conclui
que ao mundo já nada damos
é fugir e gritar: fui!
onde nem cabe o “digamos”

Quem de preguiça acusou
outros de nada fazerem
a certa altura chegou
em que vendo envelhecerem
nesse grupo também entra
e ao sofá se entrega
nessa fofura concentra
o que foi o cega-rega

Preguiça
é esse o nome
o tempo não desperdiça
também não provoca fome
por não gastar energias
deixa tudo por enquanto
não se mete em euforias
mantém-se no entretanto
qu’é o momento sereno´
de quem já não está capaz
e só lhe basta um aceno
p’ra deixar preguiça em paz

Preguiçosos
são uns tais
que mantendo-se viçosos
com ventos e vendavais
não dão um passo p’ra nada
são como alguns governantes
que com conversa fiada
se mostram bem petulantes

ORÇAMINTO...


TUDO QUE, em qualquer parte do mundo, não constitui assim uma dificuldade intransponível, ao passar-se em Portugal, com estes lusitanos que nós somos, fica logo a representar um problema que provoca as maiores discussões, trocas de palavras agressivas e acusações de todas as partes, esse frenesim que é naturalmente aproveitado pela comunicação social que, desempenhando as suas funções, procura captar as atenções da população, aumenta ainda mais a importância dos acontecimentos.
É uma pena que isto se passe, mas nada se ganha em disfarçar realidades com um “talvez não seja tanto assim”, pois permanentemente assistimos a situações que comprovam ser essa a nossa maneira de empatar a vida e de fazer com que nos mantenhamos neste marcar passo que nos impede de seguir em frente.
Na área dos políticos, então aí a lesmice em solucionar problemas que só o são porque não existe a agilidade suficiente para fazer com que não se verifiquem “engonhices” em casos que só prejudicam todos nós portugueses, essa mania de levantar dificuldades onde o bom senso deve chegar para se dar a volta por cima, como agora se diz, tem como resultado um dispêndio que se poderia evitar, e não só de tempo, pelo que depois nos admiramos por não conseguirmos ser competitivos em comparação com o que ocorre lá fora.
Este preâmbulo serve para me referir ao caso do Orçamento do Estado para 2011, em que a sua aprovação ou não, na altura em que se puser essa discussão no Parlamento, anda a levantar uma celeuma que não se pode deixar de considerar absolutamente dispensável. E digo isto porque não é preciso andar de braços no ar a clamar pelas consequências de um eventual chumbo na A.R. de um documento que é vital para que existam condições mínimas de governação, e, igualmente, porque nesse caso a imagem que o nosso País daria aos credores externos, actuais e futuros, só aumentaria as dificuldades com que já nos debatemos em obter consensos de ajuda, os quais vão ser inegavelmente indispensáveis no futuro até o mais imediato.
Se a aprovação do Orçamento depende apenas de dois partidos, do PS e do PSD – pois os restantes, com acento parlamentar, podem perfeitamente lançar as suas críticas, por mais justas que sejam, porque não influem na solução do problema em causa – mandam as regras da serenidade que, sem ser na praça pública, se discutam as questões fundamentais pondo de parte ataques mútuos e chegando-se à conclusão fundamental no mais curto espaço de tempo. Se há que evitar, na medida do possível, o aumento de impostos e tem de ser no corte das despesas o fundamental para que se atinja o desejado, então que se actue com mão firme e não se entende muito bem como é que os dois grupos políticos não encontram forma de acordo sobre as alíneas que podem e devem ser incluídas em tal decisão. E isso quando se sabe que existe realmente um exagerado número de dispêndios que, num ocasião como esta que atravessamos, por muito que custe por exemplo encerrar empresas públicas, fundações misteriosas, num total de 13.740 instituições das mais variadas espécies e mesmo que isso provoque alguns desempregos acrescidos mas inevitáveis, não terá de verificar-se qualquer hesitação em dar esse passo. Será que, de um lado e do outro, nos dois partidos, se verifica alguma protecção a amigos e/ou correligionários que poderão ser atingidos por tal medida e seja isso que provoque um desacordo insuperável?
E se, como afirma agora Teixeira dos Santos, não é apenas com o corte nas despesas que se consegue atingir a anulação de quatro mil milhões de euros que pesam no passivo das contas públicas, sendo forçoso entrar de novo no aumento dos impostos para reduzir para cerca dos tais 4% que constituem o compromisso assumido pelo Estado – não importando agora fazer a crítica no que respeita à posição passiva do actual Governo e do anterior, com o mesmo Sócrates, que deveria ter tomado muito antes as medidas necessárias para não se ter chegado agora à difícil situação que temos de enfrentar -, se não existe outro remédio que não seja castigar de novo os portugueses, então que se chegue a um acordo, ainda que o PSD tenha de explicar publicamente a razão da sua anuência, pois que o indesculpável é contribuir, na parte que lhe cabe, para que uma crise política coloque Portugal numa situação tal que o resultado venha a ser o de um verdadeiro descalabro com consequências de um dramatismo inqualificável.
Tudo isto porque não é preciso ser um bruxo muito qualificado para prever que, na altura da votação no Parlamento, o Orçamento irá passar, claro que apesar dos votos contra dos partidos menores que não influem na decisão e não querem ver-se envolvidos para poderem manter a sua crítica política, e o PS e PSD não terão a coragem de assumir a responsabilidade das consequências dramáticas da eventual queda do Governo actual que, por muito mau que ele seja, tem de se manter onde está dado não existirem condições, internas e externas, para uma crise que, na altura em que Portugal depende da aparência de serenidade política, por mais relativa que ela seja.
A atitude do Presidente da República de ter proposto um encontro com os responsáveis socialistas e sociais-democratas, ainda que demasiado sobre a hora e com algum cheiro a campanha eleitoral que anda a desenvolver há um certo tempo, mesmo sem o afirmar oficialmente, tem a virtude de procurar pôr um pouco de água sobre a fervura e obterá, admite-se, um bom resultado de que tirará algum proveito junto do eleitorado quando chegar o momento da votação para o locatário de Belém.
Mesmo que o Orçamento represente mais “orçaminto” do que outra coisa, o que não se admite é continuar-se a alimentar esse tal vício nacional dos políticos se embrenharem continuadamente em discussões de pátio, em que todos apontam o dedo e acusam como num lavar de roupa suja, e ninguém tem nunca a honestidade de assumir culpas em causa própria, afirmando simplesmente “desculpem, mas enganei-me!...”

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

PODE SEMPRE VALER A PENA

Dar um passo arriscado
para alguém que nos acena
o melhor é ser pensado
pode não valer a pena

No totoloto jogar
escolher qualquer dezena
por vezes pode acalmar
pois se sair vale a pena

A pena com que se escreve
grande obra ou pequena
seja pesada ou leve
guardá-la não vale a pena

No fundo o importante
p’ra manter alma serena
em vez de tomar calmante
é ver o que vale a pena

Já lá dizia Pessoa
se a alma não é pequena
se se fizer coisa boa
então assim vale a pena

Para tal, por esse mundo
há quem faça muita cena
provocando mal rotundo
mas isso não vale a pena

Cheguei à conclusão
digo-o de forma serena
há que colocar um não
na frase valeu a pena

E viver neste País
com dívida nada pequena
lá razão tem o que diz
que assim já não vale a pena


POLÍCIAS, OS MAL TRATADOS


POR MAIS de uma vez dou comigo a imaginar que estou a desempenhar as funções de funcionário da PSP. Desses de farda, na rua, a exercer a actividade de segurança e de protecção dos cidadãos. Isso, mais do que a antipática atitude de repressor e de passador de multas.
Ora, alargando o meu pensamento, chego ao ponto de fazer um filme na minha cabeça em que assisto a um assalto à mão armada, por exemplo a uma joalharia e que, tomando eu posição atrás de uma viatura estacionada, puxo da arma que me está destinada e resolvo enfrentar os bandidos que, sendo vários, impõem respeito, tanto mais que naquela altura me encontro sozinho como representante legal. Os assaltantes dão pela minha presença no local e, dividindo-se, usam as suas armas para tentar anular a minha intervenção.
É aí que, protegido pela viatura que me dá visibilidade suficiente para atingir algum dos meliantes, em lugar de puxar do gatilho suspendo a acção e penso nas consequências provenientes da eventualidade de atingir um dos gatunos e de o matar. E prefiro deixar fugir todos os intervenientes no assalto que, num carro a alta velocidade, desaparecem de cena.
Quando chegam os reforços policiais, perante o ocorrido e até devido à indignação dos civis por não me terem visto utilizar a minha pistola de serviço, sou admoestado pelo chefe e é-me até levantado um auto de incompetência. E acaba aqui o que resultou de todo esse exercício de imaginação.
Agora, desfardado em pensamento e civil como sou, passo outro filme que me mostra o contrário do que antes foi referido e, por isso, enfrento as consequências de ter provocado a morte a um dos protagonistas do assalto referido. E aí, louvado pelo meu chefe, sou forçado a entregar a minha arma de serviço e sou levado a tribunal por não ter utilizado outro meio que não fosse o da gravidade de ter causado o falecimento de um dos assaltantes. E passo o cabo dos trabalhos, sendo-me suspenso o vencimento enquanto decorre o julgamento e como, na precipitação de me ter refugiado junto de um automóvel, até fiz um rasgão no uniforme e é-me imposto adquirir outro, quando, por acaso, aquele ainda não se encontrava totalmente pago. Tudo isso quando o meu salário mal dá para suportar as despesas mensais que tenho de assumir.
Perante este panorama, estando as polícias numa fase em que mostram disposição para reivindicar maior atenção por parte do Estado no que se refere às condições que impõe aos servidores da polícia, volto a imaginar-me na posição de membro dessa corporação e interrogo-me se, mesmo lavando em atenção a deficiente situação da finanças públicas, não contribuiria com a minha presença na manifestação e na greve que estão anunciadas. E sou forçado a reconhecer que, perante o risco que se está a correr de, cada vez menos, apesar do drama do desemprego, haver jovens que se sujeitem às más condições que são proporcionadas aos que entram no corpo poliial, o que aumenta são os malfeitores, nacionais e vindos do estrangeiro, pois o mau funcionamento do aparelho judiciário, em todas as suas vertentes, alicia a que, entre perseguidores e perseguidos, se opte pela segunda posição. É mais rentável e menos perseguida.
É isto e aquilo que vou referindo no meu blogue diário que me leva a gritar como o fiz há dias, precisamente no que se pode ler no dia 14 deste mês: “deixem-me voltar para a ilha!...”

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A VIDA

A vida passa com baixos e altos
rindo p’ra uns, gozando com outros
sorrateira ou correndo aos saltos

Não é a mesma para toda a gente
muda de face em cada momento
torna difícil caminhar em frente

Mas como os mortais, tem seus preferidos
há os que escolhe p’ra bem servir
e os que mantém sempre desvalidos

É cínica e traiçoeira a magana
ataca muitas vezes pelas costas
à bruta ou com ares de filigrana

Mas eis que de repente se arrepende
e no meio de enorme confusão
a uma prece avulsa lá atende

E tudo muda como por feitiço
de um grande azar algo se compõe
e dá também aos males um sumiço

A vida deixa assim seu conteúdo
tem de se atravessar com paciência
já que o tempo é borracha p’ra tudo

OS ESPERTOS DA COMPANHIA


OS QUE SE INQUIETAM por querer sabe o que vai suceder às figuras públicas que, mesmo tendo-se portado de forma deficiente, criticável, dando mostras claras de incompetência, até alvos de acusações proferidas na via pública mesmo que os tribunais não os tenham julgado (e ainda assim), quando saem das funções que desempenhavam, perante essa pergunta a resposta a dar é aquela a que se assiste todos os dias: partem para outra e, na maioria dos casos, para melhor.
Temos aí o exemplo do Armando Vara, o que mantém uma imagem que circulou por tudo que é comunicação social, acarretando a acusação popular de várias actuações nada recomendáveis, como foi a relacionada com o caso Facebook, embora não tenha sido proferida qualquer sentença em Tribunal. Pois esta personagem, que desempenhou funções importantes e bem pagas, ainda que com surpresa de todos os que o viram ascender tão alto sem possuir um curriculum anterior que o justificasse, pois apenas as sua condições de filiado no PS e de relacionamento com Sócrates lhe terá proporcionado uma subida tão repentina, ao ponto de ter chegado a administrador e vice-presidente do BCP, acaba de tomar posse como presidente de uma cimenteira brasileira, estabelecida em África, a qual está detida em 32% pela Cimpor.
Ora adivinhem lá o motivo que terá levado os responsáveis da referida cimenteira a escolher a figura em causa para desempenhar as funções que lhe foram atribuídas. E quem souber que responda.
Este é que é o panorama da cumplicidade que rege este País, em que não é minimamente necessário comprovar competência, ter conhecimento da matéria que vai ocupar a sua actividade, ser um indivíduo que se sabe que goza de uma inteligência acima da média. Nada disso. Apenas é fundamental estar bem integrado no ambiente que rege a governação e dar garantias de que, caso seja necessário, pode contar com o apoio de correligionários que já tenham dado provas anteriores de que lhes convém não abandonar a ligação existente. Isso pelos mais variados motivos, entre eles o receio de que divulgue algum acontecimento de que terá sido testemunha e até participante e que é fundamental manter na obscuridade.
E é por estas e por outras que os portugueses mais atentos e interessados em acompanharem e estar informados sobre os mistérios que produzem certas anomalias nacionais, acabam por se conformar e, face à inutilidade em levantar questões, não levam por diante qualquer tipo de indignação que lhes machuque a cabeça. Os blogues são uma forma de desaguar a irritação, basta que haja quem os leia.