domingo, 14 de novembro de 2010

CANSADO

Estou cansado do que fiz
do muito que já foi feito
ter querido o que não quis
levado coisas a peito
no fundo
confundo
o que neste mundo
é sempre segundo

Queria coisa melhor
ter vaidade numa obra
com a escrita ou pintor
mostrando arte de sobra
ser primeiro
de pé, pinheiro,
sem berreiro
bom viveiro

E se eu não me acredito
se ao alto eu não cheguei
o muito que deixo escrito
eu nunca renegarei
seja o que for
é suor
algum amor
muita dor

Mas a busca do talento
aquele que nunca fica
causa grande sofrimento
nem sempre se justifica
quem procura
com agrura
vive numa tortura
pode cair na loucura

Fatigado eu estou
mas se paro por momentos
já não sei p’ra onde vou
encontro outros tormentos
prossigo
castigo
afadigo
me obrigo

O que não quero é queixar-me
não vale já a lamúria
o que posso é castigar-me
rogar por génio com fúria
combater
querer vencer
e se perder
refazer

Chegado a esta altura
com tantos anos p’ra trás
este vício não tem cura
e mudar não sou capaz
aguentar
sem queixar
esperar
por outro ar

Cansado lá isso estou
p’ra isto não há remédio
eu sei bem p’ra onde vou
libertar-me deste tédio
então adeus
sonhos meus
enfiados nos seus breus
tapados por negros véus



PORTUGAL DOS PQUENINOS


JÁ NÃO NOS CHEGA preocuparmo-nos com a luta que temos de enfrentar com a situação actual do nosso País e o pensarmos o que vai ser o próximo ano de 2011, que vai oferecer perspectivas ainda mais terríveis, bastantes delas ainda só imagináveis, como ainda por cima tem de pairar no nosso consciente o futuro que espera as gerações vindouras, pois é a elas que vai caber ter de pagar as dívidas monstruosas que têm sido feitas pelos actuais governantes. Tudo isso é e será o quadro de pinturas agrestes que se tem vindo a criar neste nosso País e que, por muito que ainda existam portugueses – cada vez menos, é verdade – que sustentem uma esperança vã de que não será tanto assim, que alguns “milagres” protegerão os lusitanos, os que ainda viverem e os que surgirem já em plena catástrofe do depois, têm de aceitar que é nossa obrigação hoje precaver, na medida do possível, o que parece ser inevitável. E que não escondamos as realidades com continhos de fadas que nem mesmo as crianças aceitam.
Mas, se nos referimos agora às gerações do amanhã, vale a pena também pararmos um pouco e observar como se encontra a juventude de hoje. E, para tanto, chega que assistamos a certos concursos que ocorrem nas televisões e em que são feitas perguntas, consideradas de cultura geral – se bem que, muitas delas não tenham nada a ver com os conhecimentos úteis dos cidadãos comuns – e em que a ignorância aflitiva dos participantes de jovem idade mostra claramente o baixo grau de conhecimentos que, os ainda frequentadores da classe primária (insisto em chamar assim e não classificar de primeiro ao quarto ano) e mesmo os que já se encontram na frequência dos liceus (também chamo assim, porque não vejo motivo útil para alterar a nomenclatura), nem se preocupam em esconder e essa falta de aprendizagem representa a nula confiança que se pode depositar em tais homens de amanhã, pois não é só a nossa História, nas mais elementares passagens da sua riqueza, mais antiga e mais recente, que escapa à sabedoria dos de idade própria para terem ainda fresca tal matéria, mas é na língua portuguesa, que se verifica estar a perder, a olhos vistos, a prática que os maiores foram obrigados, e ainda bem, a acumular na sua bagagem intelectual. Segundo um semanário divulgou esta semana, alunos do 2.º ano secundário não conseguiram colocar por ordem alfabética uma lista de nove palavras começadas por “m”!... E essa experiência ocorreu no meio de umas tantas outras que pretendiam avaliar o grau de conhecimento de uma classe formada por alunos de idades entre os 12 e os 14 anos. É assustador!
Sendo assim, para quê andarmo-nos a preocupar com a situação de Portugal na área da política, da economia, das finanças e das incompatibilidades que se verificam entre os chamados “grandes” de idade que, nesta altura têm nas mãos o dever de levar o nosso País pelo menos mau caminho possível, por forma a deixarmos um rectângulo à beira-mar plantado que venha a ser melhor tratado no futuro do que ele tem sido ao longo dos nossos dias?
Os que vierem que tratem deles. Que sejam capazes de dar a volta e de solucionar os problemas que lhes são deixados e os que provavelmente eles também criarem. O tradicional encolher de ombros poderá ser a forma cómoda de se encarar o problema.
O pior para todos nós, os que fizemos todos os esforços para que a nossa lusofonia fosse mantida e até enriquecida, pois que essa fortuna era a única que nos restava e que, tendo-a recebido de Camões e de Pessoa, entre bastantes outros também merecedores do nosso maior respeito, todos nós, que sempre temos querido conservar tamanha ventura, presumimos que já não é apenas uma Nação que se vai debater no fogo da devastação que este século XXI nos trouxe e que não conseguimos ultrapassar. É bem triste chegarmos a esta conclusão.
Que importa, pois, que um ministro dos Negócios Estrangeiros tenha vindo agora dar mostras daquilo que seguramente outros seus colegas gostariam de acompanhar: o de que a fidelidade ao seu primeiro Sócrates se está a diluir. Tudo, a pouco e pouco, se encontra a ruir, e, no meio de tudo isto, sem que ninguém com alguma audiência tenha dado mostras da inutilidade em se realizarem quaisquer tipos de manifestações e menos ainda a anunciada, claro que por Carvalho da Silva, greve geral que, no dia 24, fará paralisar mais do que já está, há muito tempo, toda a produção nacional.
Eu, por mim, sento-me a observar. E choro para dentro. Porque, com todas as discursatas que vão desde o Presidente da República até às figuras que se crêem ser as mais bem pensantes de Portugal, recomendando – e só isso, sem dizer como – que a nossa produção tem de aumentar substancialmente, perante tudo isso e com as greves e manifestações estéreis que se produzam eu entendo que, na ausência do bom senso, só me resta ficar quieto e mudo. Porque ninguém se mostra disponível e assume a coragem para dizer que não é parando que se resolve qualquer problema
Esperem pelo tal Fundo Internacional e logo verão a primeira coisa que eles vão impor: a anulação das tais justas causas para despedir, na perspectiva de que a liberdade de admitir e de dispensar talvez diminua o malvado desemprego, que isso é uma praga que não se cura com paninhos quentes. E, por muito que arvorem bandeiras com frases cabalísticas, essa acumulação de gritos deixa tudo que está mal a continuar assim… ou ainda pior.
Contra mim falo. Eu que sempre lutei, ao longo da minha vida, pela legislação que criasse condições cómodas para que os chamados trabalhadores tivessem as garantias de “um emprego para toda a vida”, acabo agora, nesta altura, de ver como andei enganado… E repito o que tenho escrito neste meu blogue: acabem com as horas obrigatória de abrir e fechar estabelecimentos. Mantendo os horários de trabalho, sim, mas dando liberdade total a que cada responsável pela sua loja a tenha aberta sempre que queira, seja pequena ou trate-se de um grande complexo. E as obrigações de regras que as fiscalizações municipais impõem aos estabelecimentos, essas sejam suspensas durante este período difícil, de molde a dar incentivos à criação de iniciativas e porem de parte as burocracias que tanto deleitam os que se encontram por detrás dos guichets públicos e a todos os níveis.
Se não se der uma mudança substancial nos nossos procedimentos, de um lado e do outro dos balcões e das secretárias, uma verdadeira revolução de costumes, daqui a uns tantos anos, outros nacionais de então e, provavelmente até com outra língua, será outra coisa que aqui estará implantada. Mas Portugal de portugueses… isso será muito difícil!...

sábado, 13 de novembro de 2010

AS PROMESSAS

Coisa fácil prometer
sem medir consequências
é fazer aos outros crer
nas nossas influências

O pior é quando falha
tudo o que se garantiu
o preciso lá encalha
porque também se iludiu

Se não podes não prometas
é melhor dizer que não
do que servir-se de petas
p’ra mostrar bom coração

Infeliz desiludido
é tão mau como doença
pois faltar ao prometido
é destruir uma crença

Só usar a simpatia
p’ra criar bom ambiente
é profunda tirania
sobre a quem é crente

É verdade que a verdade
dita a tempo e com firmeza
não constitui crueldade
antes mostrar a certeza

Promessas feitas à toa
é que são o mal do mundo
só as faz quem atraiçoa
e mete os outros no fundo
Eu por mim, que sou sincero
se não posso digo não
podem-me chamar severo
mas não serei aldrabão




CONTENTINHOS DA SILVA


SEJA PARA ONDE FOR que nos voltemos, escolhamos o tema que escolhermos e que diga respeito à actuação dos nossos ditos responsáveis governamentais, com o que deparamos é só com erros, disparates, equívocos, desculpa de mau pagador, actuações sem conteúdo, enfim um rol enorme de passos dados em direcções contrárias ao que deveria ter sido feito, e isso seja qual for o departamento ministerial que tenhamos em vista. No Trabalho, na Educação, na Justiça, da Economia, nas Finanças, na Agricultura, na maioria esmagadora desses sectores que têm um elemento escolhido pelo Sócrates para desempenhar as funções de dirigente são chorrilhos de asneiras e de desempenhos aquilo que nos é mostrado. E essa é explicação que se pode encontrar para o estado deplorável em que se encontra o nosso País.
E, para cúmulo da desgraça, devido à circunstância do esquema político que se nos depara não aconselhar a que sejam tomadas medidas que conduzam à demissão do Governo que nos atasca de más actuações, são os portugueses obrigados a assistir à manutenção do “status quo” até à altura em que existam condições para que se recorra a eleições legislativas que provoquem a saídas das figuras que se assentam nos lugares cimeiros e apareçam outras que tenham aprendido alguma coisa com os eros que têm sido cometidos de há uns anos para cá. E isso, muito embora não exista no povo português uma grande confiança de que a mexida total no panorama existente consiga remediar todos os males feitos a Portugal pelas mãos do primeiro-ministro que temos suportado.
É esta a minha dúvida e, como sempre faço, não escondo o descontentamento que me assalta há já bastante tempo e que tenho vindo a demonstrar neste meu blogue. É que o ponto até onde nos arrastaram é de tal modo grave que não há milagres que, pelas mãos do homem, cheguem para retirar o País do fosso e será por bastante tempo que todos nós, naturais desta terra lusa, sofreremos as consequências dos irresponsáveis que teimaram em não querer ver as realidades e em ter tomado as medidas que se impunham e que passavam sempre pela redução substancial das despesas excessivas que foram feitas, ainda que não fosse só aí que se tenham verificado erros governamentais.
O ano de 2011 já está à vista e as perspectivas que se aguardam são as mais negras que alguma vez ocorreram no nosso País. O encerramento de empresas, todos os dias e os despedimentos de centenas de empregados vão aumentando o número já astronómico de gente que vai para casa sem ordenado ao fim do mês. Por outro lado, como o sector da produção, do auxílio técnico às exportações e da criação, especialmente com capitais vindos de fora, de novas empresas que empregassem gente e se virassem para o exterior para dinamizar a saída de produtos fabricados por cá, o que obrigava o Governo a criar condições favoráveis para atrair tais investidores, dado que essa actuação não esteve nunca no firmamento preferencial dos homens do Estado (vide a agricultura portuguesa que foi abandonada progressivamente sem que nada fosse feito para o evitar – até pelo contrário), a posição a que chegámos é esta, de braços caídos, e de espanto por assistir ao interior do País praticamente abandonado apenas aos velhos por essas aldeias fora.
Não quero pintar mais neste quadro triste a que o nosso País chegou. Será que a juventude de hoje e a que vier a aparecer ainda se conformará em viver numa Nação derrotada e sem perspectivas, especialmente com um passivo gigantesco que terá de ser pago, nem se sabe como?
Haja quem me convença que a situação não é nem era esta. Se o optimismo resolver o problema, então que sejam esses contentinhos da silva que apareçam para mudar o panorama!...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

AINDA A TEMPO?


Já era tempo de se respirar
d’enfrentar a vida mesmo que resto
não nos imporem para trás andar
não precisar mais de fazer protesto
quem até hoje aguentou tanto
que com esperança lá foi vivendo
não é agora mesmo com espanto
que vale a pena gritar não entendo

Se metermos a mão na consciência
se humildade nós apelarmos
não pusermos a menor reticência
abandonando o desenrascarmos
talvez se encontre a solução
p’ro estado a que Portugal chegou
pois que isso está na nossa mão
cada um crendo “o melhor não sou”

Mas é pena pois que heróicos feitos
também tivemos com certa fartura
mas dessas acções tirarmos proveitos
se existiram foi de pouca dura
nunca soubemos recolher partido
que resultasse num bem pr’o País
foi escasso sempre esse sentido
tudo nos passou longe do nariz

Seja qual for a nossa conclusão
o que importa agora é mudar
estamos metidos na confusão
nem se sabe quem pode ajudar
e como um País não corre taipais
colocando letreiro de falência
nem remedeia andar a gritar ais
só nos pode salvar a coerência

Se agora somos mal governados
por quem bem devia fazer labor
e sem se sentirem sequer culpados
dizendo ao povo que “fazem favor”
há muita razão em os querer fora
em despedi-los com chuto no rabo
e pô-los à distância sem demora
não querendo ter mais nenhum nababo

Então depois quem vier a seguir
será capaz de por tudo nos eixos?
Se for igual a Alcácer Quibir
como foram outros tantos desleixos
após catástrofe nós não sabemos
se podemos pôr a casa em ordem
pois em discussões o tempo perdemos
ficando tudo na mesma desordem

Tenhamos então alguma memória
olhemos para trás e reflictamos
é o que nos diz toda a nossa História
sobretudo aquela que aplaudamos
e é pena, porque heróicos feitos
cá existiam com certa fartura
mas sempre os vimos de parapeitos
mesmo os que causaram certa agrura

Nesta altura já se perdeu bastante
o respeito pelo que fomos antes
a luta por esta vida andante
não nos dá tempo que seja sobrante
para reconhecer o bom que fomos
e o mais que podíamos ter feito
enquanto também ver o mal que somos
o que nos traria algum proveito

Ainda que mudar ao que chegámos
não seja obra fácil de assumir
após os males com que carregámos
e pouco ânimo para reflectir
faltando forças p’ra recomeçar
no sítio que tão bem conhecemos
aquilo que se impõe é não parar
esquecendo tudo o que sofremos

Antes do 25 e depois dele
lá p’ra muito longe tentando ver
para um futuro a que se apele
mais alegre e que se possa ver
o que mantemos é a esperança
de os vindouros serem mais felizes
que lhes chegue a bem-aventurança
de igualarem outros bons países

Se já nem isso conseguirmos ter
então é porque o fim está à vista
como depois da vida há um morrer
até aquele espírito fadista
não ficará para ser recordado
e cantares estranhos cá chegarão
pois que o chorar a ouvir o fado
é coisa que todos esquecerão

Os que ficarem neste canto luso
com outras cores e com outros falares
aos poucos deixarão tudo difuso
pois serão diferentes patamares
tendo já sido apagada a brasa
que era a causa de tanto afligir
pois quem não sabe manter sua casa
deve entregar a chave e partir

TEMPO É O QUE NÃO FALTA!...


“ESTAMOS A GASTAR os últimos cartuchos”, é a frase que foi ouvida ontem nos écrans das televisões, com estas palavras ou com outras com o mesmo significado, pois que o anúncio que a Europa já não se encontra em condições de participar nos termos habituais aos empréstimos a Portugal que têm decorrido nos tempos mais próximos, e a esperança da vinda do Presidente da China ao nosso País, em que existiu até uma espécie de fé quanto ao que daquele extremo Oriente poderia chegar para prestar auxílio aos nosso desalinho financeiro, mesmo isso já se diluiu no horizonte a ideia de que Portugal poderia em breve sair da situação gravíssima em que se encontra.
A minha paragem durante alguns dias com o meu blogue, devido a uma avaria estranha no sistema do meu computador, criou um interregno em que, pelo menos, não dei mostras do meu desassossego no respeitante ao pobre País que nos pertence e em que a governação nacional não dá sinais de ser capaz de executar sequer o plano que está aprovado no Orçamento e em que o ano de 2011 ainda vai ser mais austero do que tem sido o período que está a decorrer. É que, para além do atraso que o grupo socratiano deu mostras para ter diminuído drasticamente o exagerado plano de despesas do Estado, as que estão anunciadas no documento que teve a participação do PSD não vão ser suficientes e a cada passo deparamos com gastos que não têm nenhuma razão de ser na fase em que nos debatemos e não há a coragem de fechar drasticamente a gaveta dos dispêndios, como seja, por exemplo, o que está a acontecer pelo País e em que Lisboa serve de pioneira, e que são os festejos do Natal, pois que os portugueses compreenderiam seguramente que não se verificassem despesas supérflua com essa manifestação, tanto mais que se continuam a verificar despedimentos em massa de gente que estava a trabalhar, como é o caso do aeroporto de Faro, entre muitos outros, que dispensou num ápice centenas de funcionários que aumentarão o elevado número de desempregados que já existem.
Então compreende-se que uns tantos “chefões”, entre eles presidentes de Câmaras Municipais, façam figura de dispor de verbas para despender em superficialidades, quando o estado em que nos encontramos é de inteira pobreza e o FMI está aí à porta para pôr tudo na ordem, sabe-se lá com que violência, perante a nossa incapacidade de exercermos esse papel?
A dívida astronómica nacional ao estrangeiro e os juros que passaram já para uma plataforma superior aos 7 por cento, tudo isso não constitui notícias que possam alimentar quaisquer esperanças de que conseguiremos sair, pelos nossos próprios meios, da situação de queda em que nos encontramos. O que poderá vir a ser o futuro, ainda que o mais próximo, é coisa que ninguém pode expor com absoluta certeza. Que não será uma situação agradável, isso já eu venho a avisar há bastante tempo. Que deveriam, os que estão nos escalões superiores, ter transmitido aos portugueses, para os preparar com realismo e não para os andar a enganar como tem sucedido desde há, pelo menos, dois anos atrás, essa é a minha preocupação. Mas não foi isso que sucedeu. Então esse José Sócrates abusou da paciência do País, apontando-se sempre como um exemplo e criando a fantasia de que Portugal, com o seu excelente Governo, não se situava numa má posição… antes pelo contrário! E o resultado está à vista!
Eu, até ter forças para tanto e a cabeça ainda estiver no lugar, não deixarei de expor o que considero, mas sempre com a consciência de que não sei nada, constituir o que me parece ser o mais adequado para conhecimento dos que me lêem. Se, no passado, perante todas as forças que a Ditadura dispunha, a Censura e a Polícia política, nas minhas funções de jornalista sempre lutei para tentar fugir às imposições dos que mandavam no País, não é agora que me vou sujeitar às conveniências que também existem e que procuram esconder as realidades.
Muita coisa mudou, de facto. Mas não foi assim tanto ao ponto de nos podermos considerar viver em plena Democracia, essa política que impõe que saibamos ouvir os outros e respeitar as opiniões contrárias às nossas. Na política que por cá se pratica, para se atingir essa realidade ainda vão passar muitos e longos anos. Se lá chegamos!...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

TIVE ESTE BLOGUE ENFERRUJADO DURANTE VÁRIOS DIAS, PELO QUE NÃO CONSEGUI METER TEXTOS. FELIZMENTE JÁ PARECE ESTAR EM ORDEM E RECOMEÇO, POR ISSO, ESTA TAREFA DIÁRIA

ALFINETES

Como mudam os desejos
tal e qual as ambições
mas hoje não há sobejos
nem no fundo dos colchões

Dantes todos os pobretes
que tinham dinheiro à justa
não chegava p’ralfinetes
a vida era bem injusta

E agora, nesta luta
rodeados de falsetes
há quem mesmo com labuta

esconda sob os tapetes
a verba até diminuta
que tinha pr’ós alfinetes?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

VANDALISMOS


HAVERIA QUEM ADMITISSE que, devido às condições económicas, financeiras e com um desemprego que não para de crescer, os vandalismos que, aparentemente levados a cabo por gente jovem, deixa as paredes dos edifícios e mesmo os monumentos públicos todos manchados de tinta que desvaloriza tudo onde deixam marca da sua passagem, talvez se tenha chegado a pensar que essa fúria de cabeças doentes baixaria substancialmente, devido também à falta de meios para adquirir os “sprays” e porque algum bom senso acabaria por chegar.
Mas a verdade é bem outra. Sem ser suficientemente compreensível ou talvez nem por isso, a fúria do vandalismo permanece e, tal como a crise não pára de se instalar, mas se pensarmos bem poderemos concluir que a enorme quantidade de juventude (ou não será só essa?) que se encontra desempregada leva a que ocupem os seus tempos a encher de letras sem nexo, de pinturas horrorosas todos os locais que, se se encontram limpos, ainda maior furor de sujar se verifica.
O estado a que chegou também a Justiça no nosso País, em que a imposição da ordem publica atingiu foros de enorme desmazelo, faz com que estejamos entregues a um espírito de baixa punição não só de crimes considerados menores mas igualmente nos que tem de causar maior preocupação.
Pelo caminho que as coisas levam temos de concluir que haveremos de enfrentar uma vida no nosso Pais que nos conduzirá a desejar fugir fronteiras fora para qualquer sítio onde se verifique um mínimo de cumprimento de regras onde não se esteja entregue a uma completa anarquia. E não será apenas devido a tais pinturices.
Eu bem sei que este vandalismo de espalhar pelas paredes o mau humor ou o imaginado jeito para pintar não se passa apenas no nosso País. Em muitas cidades estrangeiras se assiste a idêntico espalhafato de sujidade, o que significa que tal atitude de tamanho mau gosto representa uma “moda” que se pegou, volto a referir, certamente nos indivíduos de idade ainda situada na juventude. Mas será que com o seu crescimento, com o entrar na vida a sério esses mesmos autores de tal malvadez não se arrependem do que fizeram antes e passem a prestar atenção às tendências dos seus descendentes de forma a evitar que lhes aconteça terem igual apetite?
Se ainda podemos ter a veleidade de ser exemplo de alguma coisa, neste particular os homens que se encontram em locais de decisão, caso se lhes vislumbrasse alguma aptidão para rectificar o que se encontra mal e que nem por isso apresenta grande dificuldade em dar a volta, se tais figuras se revoltassem por assistir ao emporcamento dos locais públicos encontrariam com facilidade remédio para esse actos. Bastava que as leis existem e que não são seguidas à risca, ao serem detectados os autores dos referidos actos, se lhes aplicasse a obrigação de limparem não só o que fizeram mas todo o borrado nos arredores, ficando com ficha nas autoridades para que, se voltassem a repetir tal gesto de agressão visual dos outros, o castigo que lhes seria aplicado teria de residir em algo que lhes ficasse na memoria.
Como existe tanta porcaria a ser limpa, se se começasse já a actuar de acordo com essa decisão, por um lado diminuiria, por certo, o número de novos pictóricos nojentos e, por outro, o que está desfeiteado começaria a desaparecer.
Se isso não acontecesse, se a solução não fosse essa, então haveria que deixar o mundo seguir o seu próprio futuro e até talvez disso se tirasse algum proveito: o de se pôr termo à pintura dos prédios, pois que, logo a seguir a serem construídos, rapidamente aparecem os bandiditos, munidos dos seus “sprays”, a deixar a marca dos seus maus feitios.
Numa altura como esta em que se vai discutir no Parlamento um Orçamento do Estado que se considera de mínima validade e que vai ser aceite por não acontecer coisa ainda pior, bem se lhe poderiam juntar medidas que mostrassem à população que o governantes lá conseguem encontrar formas de satisfazer necessidades que nem carregam nas despesas e que algum gesto de ponderação representariam.
Eu refiro-me a brincar a esta invasão de malfeitorias. Mas que o panorama não será dos mais encantadores, para os que cá ficarem e que vão carregar nas costas as consequências dos desvarios que cá se vêem praticando, os que não só terão de pagar as pesadas dívidas que lhes deixamos, como ainda por cima lhes vai caber assear o que encontrem pelas paredes e nos monumentos deste Portugal, essa tarefa irá enraivecê-los. Vai ser, de facto, uma boa herança que lhes deixamos!
P.S. – Se bem que o tema em cima esteja já tão gasto que pouco haverá a acrescentar, pelo menos por agora, ao que é cansativamente exposto por tudo que é órgão de comunicação, não quero que os meus leitores estranhem pelo facto de não me referir hoje ao Orçamento do Estado. Cá vai, pois:
Entre terça e quarta feiras, no Parlamento, o documento será referido, sabendo-se já que, na generalidade, o mesmo não encontrará oposição maioritária que o retenha pelo caminho. Nas especialidades, depois, é possível que algumas alíneas sejam sujeitas a críticas e, eventualmente, alteradas algumas passagens. Mas a verdade é que nada disso modificará o negro futuro próximo que vai ser oferecido aos portugueses, pois o que constituiu uma governação merecedora de todas as repulsas só deixou para nós e para os nossos descendentes um panorama que o que apetece é fugir, se calhar só para a China…

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A CORJA

A Terra está cheia dessa gente
que se julga melhor e dominante
que atropela todos pela frente
e olha o mundo, altivo, o mirante

Não ouve, não pára, não se importa
com caminhos que outros lhes indicam
dos princípios faz sempre letra morta
e galhofa quando alguns criticam

Será a maioria? Pois que seja
nem por isso lhes devem dar razão
o preciso é apagar essa forja

Por mim não lhes tenho qualquer inveja
nem me apetece apertar a mão
dessa gentinha que é uma corja

ESTES ESPECTÁCULOS!


ISTO, TANTO FAZ que chova como faça um lindo dia de sol neste País que bastante precisava ter outra gente digna de merecer, pelo menos, a gentileza que lhe concede a Natureza, não só pela posição geográfica que ocupa como também pelo passado histórico que lá foram edificando os que, nos nove séculos de existência, se sobressaíram da mole de habitantes que, sempre com as maiores dificuldades, conseguiram chegar até hoje. Porque isso do sol na eira e da chuva no nabal já foi chão que deu uvas, para usar termos bem populares que, em muitas ocasiões, dão um certo jeito.
Nesta altura do drama que se presencia no nosso País, em que os protagonistas fazem papéis de figuras ridículas, uns de maus da fita e outros de tontos que não sabem o que andam a representar, os temporais, as chuvas que já não são de molha-tolos até servem para desviar as conversas dos espectadores que choram, alguns na plateia mas a maioria na geral. O pouco dinheiro que lhes restava serviu para pagar obrigatoriamente o bilhete, pois que à saída da cada de representações só lhes resta ir pedir à porta, para poderem pagar o transporte para casa que, entretanto, também subiu de preço.
Bem, este argumento de uma peça nem precisou de ser muito ajudado pela imaginação. Bastou olhar em redor e passar ao papel o que se passa por todos os lados nesta nossa Terra.
Vamos ter Cavaco Silva de novo na Presidência da nossa República. Está mais que sabido. Mas também, quem podemos imaginar que venha a ocupar essas funções? Há assim tanto para escolher? E é o mesmo que quando chegamos à bilheteira de uma casa de espectáculos e quando temos de escolher o lugar nos dizem que só há um. Então tem de ser aquele!
Depois, na mesma sala de representações, já não são só os actos que se encontram por representar, pois também ainda restam sobras dos anteriores espectáculos que servem para nos entreter nos anfiteatros e enquanto aguardamos pelo toque da campainha a avisar que está quase a começar o programa que se segue. Esta agora anunciada, que o ex-ministro das Obras Públicas, Mário Lino, o tal do “jamais”, estava a ser investigado por “suspeita de corrupção”, no âmbito do processo Face Oculta, é bem uma amostra de que não nos chega assistir às cenas que se preparam para ser desenroladas nos diversos palcos da governação, o que ficou para trás também aparece para entreter os que pagam as entradas e que não têm outro remédio que não seja fazer alguma pateada que, na maior parte das vezes, nem chega aos ouvidos dos actores… ou ele fazem-se de surdos!
E quando, ao mesmo tempo, são revelados – como se ninguém conhecesse essa peça de opereta – os escândalos dos ordenados e pensões que calham nos bolsos de outros “artistas” que passaram por diversos teatros de comédia, sempre a receber enormes compensações e que ainda, depois de aparentemente retirados, ainda metem a mão na “bilheteira”, pois quem recebe o produto das vendas dos bilhetes lá está, com ordens superiores, para continuar a sustentar os gulosos que não param de vangloriar-se pelo seu “valor artístico” que os colocou em posições especiais, essa vergonhosa actuações á concedida a quem nem precisa de pedir ajuda da Casa do Artista.
É ter conhecimento de que uns antes presidentes de empresas relacionadas com o Estado, a REFER, a REN, a EDP Imobiliária e tantas outras de que nem há ainda conhecimento, essas instituições que vivem à custa do que usurpam ao povo pagador são as que atribuem altíssimos pagamentos, tanto enquanto exercem lá alguma (pouca) actividade, como depois quando saem reformados.
E a tudo isto o tal José Sócrates se mostra indiferente. Não se lhe vê um único gesto, nem a mais pequena palavra que mostre que não está disposto a aceitar estas poucas-vergonhas. Quem sabe lá porquê!...

domingo, 31 de outubro de 2010

EU

A 19 DE Março
nesse mês de Primavera
sou Peixes e não disfarço
nasci eu, nasceu a fera

Foi na década de trinta
já lá vão bastante anos
muita coisa já extinta
belezas e desenganos

Là nas Caldas da Rainha
minha mãe me deu à luz
só não fui um alfacinha
era essa a minha cruz

Desigual de muita gente
não subi no pedestal
talvez roçasse a tangente
mas nada de genial

Escrita e poesia
pintura também saiu
música em bem queria
mas tal não me acudiu

Sei o que é ser conformado
com o patamar que tive
menos mal por ter chegado
ao alto d 'um declive

Afinal e em resumo
perto de chegar ao fim
há que dizer com aprumo
eu nunca gostei de mim

EU, SEMPRE O MELHOR...


JÁ AQUI ME REFERI neste blogue ao uso do “eu” que é tão corrente descobrir nos palavreados da maioria dos portugueses, pois é hábito enraizado que virá de tempos bem recuados colocar sempre a actuação de cada um na primeira pessoa do singular, servindo de exemplo a levar em consideração no que se refere a ser-se merecedor de elogios e aplausos dos ouvintes. Talvez não prestemos muita atenção a esta característica, mas que se trata de uma forma de dar brilho à conversa lusitana e que todas as condições sociais seguem esse princípio, disso não haverá muitas dúvidas, sou levado a crer.
“Eu acho!”, “EU penso”, “EU nunca faço isso”, “EU sei o que digo!”, “EU” não tenho dúvidas, “EU nunca me engano”, “EU quero”, “EU”, “EU”, “EU”… esse prenome para nos colocar na posição exemplar é o que não falta em todas as expressões que sai das bocas dos portugueses.
Sendo assim, que admiração poderemos mostrar perante o discurso de Cavaco Silva quando veio comunicar aos cidadãos que se ia recandidatar às funções de Presidente da República e em que os elogios em boca própria constituíram o mote principal que justificou essa sua atitude. “EU tenho grande experiência”, “ EU sei o que faço”, “EU tenho bom senso”, “tudo o que EU fiz foi em proveito do povo”, “o que”EU” farei será para bem de Portugal”, “nem calculam o que teria sido se “EU” não tivesse interferido” e assim por diante, foram as afirmações ouvidas da boca do recandidato a Belém, muito embora nem fosse necessário que se tivesse posto nos bicos dos pés pois Cavaco Silva, na ausência de concorrentes que consigam afastá-lo da corrida, tem a reeleição garantida e, devido a isso, o que seria aconselhável era que se tivesse verificado na sua postura uma modéstia que não faria recordar alguns erros cometidos, especialmente quando exerceu as funções de primeiro-ministro ao longo de dez anos e, nessa altura, marcou o início de uma governação que pecou também pelo excesso de gastos num País pobre e sem produção.
Mas não há mais exemplos? Ora não! O Paulinho das feiras, o Paulo Portas, esse então nunca usa o “NÓS”, quando se refere ao seu Partido. É apenas ele que decide tudo, que tem as ideias, que, usando o seu “EU”, parece demonstrar que o CDS não é composto por diversos elementos, mas apenas é ele que, no largo do Caldas, faz tudo, decide tudo, organiza tudo. E, portanto, o resultado das sondagens que foram agora divulgados só a ele se devem… o que é pena é que sejam tão baixas!
E agora, após os dois representantes, o do Governo e o do PSD terem chegado ao fim da disputa que alimentou o Orçamento do Estado, ao fazerem as suas declarações aos jornalistas, cada um deles puxou o sucesso do resultado, que foi o acordo, à sua participação. Eduardo Catroga, baralhando-se bastante nas palavras, não quis deixar no outro lado o mérito de terem sido reduzidas as condições que, dias antes, tinham sido consideradas como inalteráveis, enquanto logo a seguir, Teixeira dos Santos se colocou no poleiro, elogiando o seu “EU” como tendo sido a porta de saída para se ter ultrapassado o muro que impedia o sucesso do documento passar a ser discutido no Parlamento. “EU” abdiquei da teimosia do outro lado e isso vai custar ao País uma imensidade de euros que lhe ficarão na consciência, disse por estas ou por outras palavras.
Concluindo: os dois “EUS” não estiveram ausentes no confronto. Nenhum foi capaz de pronunciar o plural do pronome, de molde a ter-se ouvido “NÓS” chegámos a um acordo, ainda que não tivéssemos a mesma opinião. Tal declaração era esperar demais de dois portugueses, um ministro e outro ex do mesmo, mas ambos lusitanos da silva, em que fazemos finca-pé em demonstrar que a razão está sempre do nosso lado e quando concedemos em deixar o outro passar à frente fazemos uma grande favor e ainda talvez afirmemos: “digam lá que EU não sou um democrata
!”

sábado, 30 de outubro de 2010

EXASPERAR

A esperança que andou sempre comigo
desde os inícios da longa caminhada
foi perdendo força, estava cansada
e agora longe está não a persigo

Também eu fui desistindo de a manter
não aguentava já não me dar frutos
a contar os meses, horas, minutos
e a esperança acabei por perder

Portanto o que me aguarda é a surpresa
chegar alguma coisa sem esperar
embora tenha já perdido a certeza

O que me resta agora é aguardar
não me deixando envolver pela tristeza
nem me valendo a pena exasperar

ENXURRADA


A FORTÍSSIMA chuvada que caiu ontem sobre a zona de Lisboa poderia ter constituído também um benefício de que, no mínimo, os alfacinhas pudessem tirar algum proveito. Isso, se as entidades ligadas ao assunto funcionassem de forma diferente de todas as outras que temos nesta Terra. Com eficiência. Mas, como sucede sempre e ninguém é capaz (nos períodos do nosso bom tempo, que são os de maior duração) de mandar que se proceda às limpezas das sarjetas, o entulho que ali se acumula faz com que as lamas sujas que poderiam seguir o caminho natural das coisas que não prestam atolem os cidadãos, causando-lhes os prejuízos e os incómodos que bem poderiam e deveriam ser evitados.
E este fenómeno, por muito que não se queira, suscita comparação com o que ocorre neste tão belo Portugal. Somos sempre apanhados de surpresa. Que é como quem diz. Pois devíamos já estar habituados a que não ocorram situações que nos deixam uma espécie de perplexos. Mas, afinal, da mesma maneira que as cheias, cada vez que aparecem, deixam as vítimas com o ar de que nunca tinham presenciado tamanho descalabro, muito embora se tratem de repetições de casos idênticos passados, o que nunca foi motivo para se prevenirem contra o conhecido, também as movimentações políticas de que somos pródigos, especialmente nesse período do Governo Sócrates, parecem constituir excepções, ainda que outra coisa não devesse ser de esperar dos protagonistas de baixa qualidade de que somos pródigos nesta nossa Terra.
Já nem vale a pena chamar à colação o caso do Orçamento do Estado que tem vindo a ser o conteúdo de um folhetim de baixa qualidade, que as gentes que são os protagonistas de tais cenas de pátio se podem “orgulhar” de ser os causadores. Sem querer encontrar os bons e os maus da fita, porque todos são merecedores uns dos outros, apenas há que lastimar o acontecimento. Nada mais.
Quando o preço mais elevado fica a ser suportado pelo nosso País, ou seja pela maioria esmagadora dos nossos habitantes que já levam uma vida tão sofredora, não estará já em causa apontar a que grupos pertencem uns e outros. E, muito embora a solução tenha de aparecer, o que custa é verificar que existe gente que põe acima de tudo os seus interesses pessoais ou de grupo partidário e não dedica a menor atenção ao que será melhor para a maioria da população.
O FMI vem aí, está mais do que visto. Mas o que não se pode é meter a cabeça na areia, chorar lágrimas por, segundo alguns, deixarmos de mandar na nossa própria casa. Quando, está provado, não temos capacidade para organizar, dirigir, sermos cuidadosos, honestos e competentes para o fazer. Por isso, que venha alguém que, ainda que esteja distante do nosso ser, ponha o mínimo de bom senso nas actuações a que nos obrigarem… tal para não ficarmos nas mãos dos credores que criámos, precisamente porque gastámos o que não tínhamos e não conseguimos eliminar luxos que os nossos descendentes pagarão com língua de palmo.
Agora, tal como eu já anunciei neste blogue dias atrás, são os chineses que se mostram dispostos a comprar títulos de dívida pública portuguesa e isso poderá ser concretizado durante a visita que, na próxima semana, do Presidente chinês, como resultado da subida da economia da China em 10,5& este ano e dado que possui as maiores reservas de dividas do mundo. A mesma ajuda que já foi prestada à Grécia não é olhada pelo FMI como inoportuna, pelo que não irá interferir na eventual intervenção que vier a ser concedida ao nosso País, no caso de termos de seguir essa via.
Esta é, portanto, a situação em que nos encontramos. José Sócrates ainda vai utilizar estas duas vias, dos chineses e do FMI, para encobrir a sua indesculpável intervenção como chefe de um Governo desastroso. Até tem graça!
Entretanto, como ficou a saber-se ontem à noite, pela comunicação do Presidente da República – que, com esta intervenção, até colhe proveito público, colocando-se na posição de candidato à próxima eleição para Belém -, o facto de ter convocado o Conselho de Estado para conhecer a sua opinião no que respeitava ao empecilho criado pela interrupção da análise do O.E. (o que, diga-se de passagem, só teria efeito psicológico e nada mais do que isso), tudo indica que o problema vai ficar resolvido antes da próxima quarta-feira, primeiro dia em que o documento será discutido no Parlamento e onde, naturalmente, acabará por poder ser utilizado pelo Governo – isto, digo eu, contrariando o que José Sócrates preferiria, pois andará ansioso por ter um motivo que o leve a afastar-se da “forca” que o aguarda para cumprir a pena que lhe caberia se estivéssemos num daqueles séculos passados.
Vamos a ver se não voltará a cair, por estes próximos dias, outra enxurrada que dê, de novo, com as sarjetas entupidas. Isto, continuando a colocar as duas situações no mesmo plano. Mas eu não consigo separá-las.
P.S. – Como redijo sempre este meu blogue, de uma forma geral, na véspera de aparecer, só agora à noite tive conhecimento de que PS e PSD chegaram a acordo sobre o tal Orçamento. Vamos a ver qual o seu conteúdo, mas é de supor que o Governo tenha claudicado bastante das suas exigências. Aguardemos.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

CONTRADIÇÕES

As contradições existem
estão do outro e deste lado
e as duas lá resistem
enfrentando-se com enfado
a verdade e a mentira
são exemplos bem patentes
por vezes causam a ira
de muitas das nossas gentes

O valente e o cobarde
fazem parte da História
o primeiro causa alarde
o outro perde a memória
mas os dois são grande parte
deste mundo em que vivemos
um é porta-estandarte
o segundo nós tememos

Ser nesta vida sincero
traz por vezes dissabor
causa certo desespero
a quem tem esse valor
porque usar a falsidade
uma forma de fingir
com tamanha habilidade
leva-se a vida a sorrir

E isso de ser honrado
dos outros não querer nada
será sempre um coitado
sem conseguir vida airada
porque o roubo se é bem feito
tenha o nome que tiver
não é chamado defeito
pode levar ao poder

Daqui há que concluir
que o defeito é ciência?
Não há que por aí ir
que ceder a tal tendência
cada um tem seu perfil
não muda só porque sim
mantém-se no seu carril
e assim vai até ao fim

GENTE QUE SE PORTA MAL


AS APARÈNCIAS ILUDEM, estas as palavras daquele ministro, de nome Silva Pereira, que entendeu dar a sua opinião no que diz respeito à salganhada final da tentativa de acordo para o Orçamento Público que acabou por afastar os dois participantes, por não conseguirem ambos ultrapassar aquela diferença de menos de 200 milhões de euros que, há que dizê-lo, só podem constituir uma birra quer dos que governam e como dos que se opõem em lugar seguinte. E isso porque, tratando-se como todos afirmam de um documento que não apresenta o mínimo de qualidade, seria absolutamente indiferente que o O.E. saísse da referida reunião de alguns dias tanto com um sim ou com um não. Por isso, o grupo chefiado por Catroga, ainda que declarasse no final, que era com descontentamento que tinha acordado com os dossiers que foram discutidos, teria feito um bom serviço ao País se não pusesse um travão no resultado do encontro. De igual forma, então não seria normal que o primeiro-ministro tivesse dado ordem para que o seu chefe das Finanças acedesse nas preferências do outro interveniente?
Eu, por mim, como perdi toda a confiança no bom senso dos nossos homens relacionados com a política, seja ela qual for, dos extremos ou dos meios, não me iludo já com as atitudes que cada um deles toma. Com esta gente Portugal está condenado. Não tem qualquer remédio. E é indiferente se, agora, depois da ida a Bruxelas do tal Sócrates, em novo encontro PS/PSD já concordarão seja com o que for. Até porque o recado já foi dado ao rapazola que temos na chefia do Executivo e, por muito que ele afirme que não foi “apertado”, é de crer que ali terá enco0ntrado um ambiente que não lhe era favorável.
Mas, o ministro Silva Pereira, que também ele sempre deixa uma ideia da sua baixa qualidade como político, entendeu que lhe ficava bem lançar aquela frase completamente oca de conteúdo, com uma opinião que não vem acrescentar nada à desilusão que paira em todo o País. E isso, também pelo espanto que grassa de Norte a Sul quanto aos passos, piores uns do que os outros, que são dados em Portugal pelo que ninguém tem dúvidas quanto ao panorama que se deparará a seguir, pois não se trata já de pôr em questão o referido Orçamento, mas sim porque, seja ele qual for, o nosso País já não tem salvação possível e o que o espera – e, neste caso, já nem assusta - é a entrada do Fundo Monetário Internacional para gerir a nossa governação, através do domínio das Finanças, dado que, com esta equipa socratiana ou com qualquer outra nacional, não temos possibilidade de nos livrarmos do pior. Ando há meses a avisar disto mesmo e os comentários que me têm sido enviados apelidando-me de “doente pessimista”, agora escasseiam e, infelizmente para todos nós, a razão esteve sempre do meu lado.
Aqui ao lado, na Espanha que, de muitas formas, sempre pode dar-nos algumas ideias quanto a caminhos a percorrer – também é uma das minhas lutas, a de constituirmos uma Ibéria (e não um País mandar no outro, como os aljubarrotistas temem) -, acabou de refazer o seu elenco ministerial, afastando aqueles que tinham servido melhor a sua causa. Aqui, que não temos à porta eleições legislativas, não seria natural que o teimoso José Sócrates fizesse uma revisão no seu grupo de elementos do Executivo, pois que os erros seguidos que muitos deles têm praticado, para além até da má imagem que uns tantos não conseguem deixar de transferir para fora, essa atitude poderia, de certa maneira, diminuir a péssima opinião que os portugueses mantêm sobre a sua actuação como primeiro-ministro. E o resultado da sondagem agora anunciada é bem demonstrativa da posição do PS se existisse neste momento uma ida às urnas.
O certo também é que, tomando como base a mesma sondagem, pode-se extrair uma indicação de que, apesar do actual Governo não contar com grande anuência, a população dá mostras de não estar convicta de que a mudança para o partido seguinte seja algo que entusiasme. É que o estado a que chegou o nosso País não dá confiança a que, seja quem for que pegue neste barco, tenha capacidade para o livrar do dilúvio que até já os optimistas admitem que é a sina que nos espera.
O que sucede, como é de esperar, é que lá voltarão os dois grupos a reunir-se e a chegar a um acordo. São as garotices habituais a que todos assistimos neste “quintal” de gente mal comportada!”
Só que nós, os de idade adulta e mesmo bastante, os que sofremos o antes e aguentamos mal o depois, somos castigados com uma vida que talvez não a mereçamos. Mas já não será por muito tempo. Agora os novos, os já se encontram neste mundo e os que nascerão por esta altura, esses, o que os espera é algo de terrificante. E se não optam por um comportamento diferente daquele que lhes é mostrado, estarão bem arranjados…
Mas são novos! Podem escolher a via por onde transitarão! Ao menos isso…

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

UM PORTUGUÊS

Esse dever
de ter alguma coisa que fazer
e não dar um passo
sentir cansaço
respirar fundo
ignorar o mundo
procurar frescura
não recear censura
de nada e de ninguém
não importa quem
assim vale a pena existir
e cá prosseguir
na roda da vida
tudo sem corrida
que o fim que se espera
é hoje o mesmo que era
e que sempre foi
que não se condói
com quaisquer pressas
e que pede meças
deixem-me assim ficar
neste meu lugar
sossegadinho
daqui a poucochinho
já sairei
sem saber para onde irei
mas fazer isso não faço
nem para tal me maço
exemplo vem de cima
e sem ter de fazer rima
o que digo é verdade
sem qualquer maldade
pensar que Deus e os anjos
só tocam seus banjos
sem preocupação
nem obrigação
olhando esta Terra
sempre com uma guerra
em que o Homem persiste
de inveja em riste
a estragar ambiente
em destruição crescente
para quê pois cansar-me
se pouco pode animar-me
a remar contra a maré
e sentado ou em pé
aguardo a minha vez
como qualquer português

Qualquer é como quem diz
pois tudo o que fiz
foi a aspirar
a não ser um qualquer
mas de pouco valeu
porque o que aconteceu
foi o que está à vista
o não deixar pista
para seguidores.
Adeus meus senhores!

DÁ DEUS NOZES...


NÓS SOMOS ASSIM e sempre o fomos desde que foi criado este País e mesmo na altura em que fizemos tantas descobertas por esse mundo fora e em que não soubemos tirar partido dos enormes tesouros que por lá havia, excepto no caso do Brasil em que o rei D. João V se esmerou em mandar vir o ouro que chegou até para construir o Mosteiro de Mafra. De resto e chegados aos nossos dias, com as centenas de milhar de compatriotas que tinham a sua vida estabelecida nas então colónias, não tirámos o menor proveito de tal realidade, tendo mesmo, quando se deram as independências desses territórios, que suportar e ajudar os também milhares de nacionais que, forçados a abandonar tais paragens, desembarcaram no rectângulo nacional, que muitos até nem conheciam por serem já naturais dos sítios para onde os seus ascendentes se tinham transferido, com uma mão à frente e outra atrás.
Não se trata de sermos muito benévolos no que respeita ao não aspirarmos em aumentar os nossos benefícios com o que podemos trazer de outros locais. Nisso, colonizadores – que não descobridores – como foram os ingleses, os holandeses, os belgas e os franceses, entre outros, não nos podemos comparar nem de longe. A nossa língua deixámos, não por imposição mas porque o relacionamento dos portugueses com os indígenas de cada localidade, foi conseguido através de grande aproximação e até intimidade – e, em relação aos pretos, assim apareceram os mulatos – o que ocasionou uma expansão da lusofonia que, sobretudo no Brasil, atingiu a posição de língua oficial. Mas mais do que isso não soubemos aproveitar. E se, nesse particular, constitui uma crítica, também é certo que representa uma inegável atitude de não aproveitar os menos desenvolvidos para lhes sacar o que seria proveitoso neste nosso cantinho lusitano. Os colonizadores acima referidos não tiveram idêntico comportamento e, no caso dos ingleses, a sua a língua foi imposta e, como sucede, por exemplo, na Índia, em que, para benefício próprio, ou os nativos falavam inglês ou não comiam…
Bem, mas adiante. O que valerá a pena referir é o que nos caracteriza de não termos o mínimo de habilidade para aproveitar o que as circunstâncias põem à nossa disposição. Isso sucedeu em vários período da nossa vida como País, o perdermos sucessivamente oportunidades que muito auxiliariam a prestar bom serviço a uma Nação sempre a lutar com dificuldades ao longo da sua História. E, sem ir mais longe, basta referir-se agora o que sucedeu e continua a suceder na ajuda que o chamado Mercado Comum tem tido possibilidade de nos proporcionar e em que desperdiçamos de forma infantil tais apoios. Para a agricultura, por exemplo, assim como no que se refere à pesca, os dinheiros que nos foram enviados, em lugar de terem servido para melhorar e aumentar as produções, pelo contrário foram destinados para favorecer uns tantos “espertos” que, como sempre existem por aí, logo se aproveitam para tirar partido das situações que os podem beneficiar.
E agora, precisamente numa altura em que tanto necessitamos de encontrar forma de aumentarmos sensivelmente o nosso fraco poder produtivo, ao ser divulgado que existem, no “offshore” algarvio reservas de gás natural que, por sinal, até são 20 vezes maiores do que as idênticas na costa espanhola e a sua exploração reduziria a factura energética de Portugal em mais de 1.000 milhões de euros por ano, tendo uma empresa americana perfurado um poço em que foi confirmada a existência de gás natural, tendo o Governo lançado há dois anos um concurso para a exploração de dois blocos na costa algarvia, em que os espanhóis da Repsol venceram, aguarda-se que seja assinado o contrato para se poder iniciar a exploração.
Alguém entende isto? Por muito que exista o receio de o turismo poder ficar prejudicado com a referida exploração, pelo eventual risco de se produzir uma Mara negra (situação que é negada pelos técnicos, tanto mais que o gás nunca conduz a tal situação), só a possibilidade assegurada pelos que sabem destas coisas de que as perspectivas de extracção do referido gás asseguraria o consumo do nosso País ao longo de 15 anos bastaria para que, face à situação económica e financeira nacional, não se devesse hesitar em deitar mão desta oportunidade.
A quem se pode pedir uma explicação deste estado contemplativo em que permanentemente nos colocamos?
Vamos ficar sem tomar as medidas que se impõem para que não fique debaixo de água o gás natural que se descobriu na nossa zona marítima?
Se fosse apenas isto que representa a nossa moleza em sairmos do marca-passo já nos poderíamos conformar. Mas não. Há muito mais. Muito mais!...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

AS PROMESSAS

Coisa fácil prometer
sem medir consequências
é fazer aos outros crer
nas nossas influências

O pior é quando falha
tudo o que se garantiu
o preciso lá encalha
porque também se iludiu

Se não podes não prometas
é melhor dizer que não
do que servir-se de petas
p’ra mostrar bom coração

Infeliz desiludido
é tão mau como doença
pois faltar ao prometido
é destruir uma crença

Só usar a simpatia
p’ra criar bom ambiente
é profunda tirania
sobre a quem é crente

É verdade que a verdade
dita a tempo e com firmeza
não constitui crueldade
antes mostrar a certeza

Promessas feitas à toa
é que são o mal do mundo
só as faz quem atraiçoa
e mete os outros no fundo

Eu por mim, que sou sincero
se não posso digo não
podem-me chamar severo
mas não serei aldrabão