sábado, 25 de setembro de 2010

ORÇAMINTO...


TUDO QUE, em qualquer parte do mundo, não constitui assim uma dificuldade intransponível, ao passar-se em Portugal, com estes lusitanos que nós somos, fica logo a representar um problema que provoca as maiores discussões, trocas de palavras agressivas e acusações de todas as partes, esse frenesim que é naturalmente aproveitado pela comunicação social que, desempenhando as suas funções, procura captar as atenções da população, aumenta ainda mais a importância dos acontecimentos.
É uma pena que isto se passe, mas nada se ganha em disfarçar realidades com um “talvez não seja tanto assim”, pois permanentemente assistimos a situações que comprovam ser essa a nossa maneira de empatar a vida e de fazer com que nos mantenhamos neste marcar passo que nos impede de seguir em frente.
Na área dos políticos, então aí a lesmice em solucionar problemas que só o são porque não existe a agilidade suficiente para fazer com que não se verifiquem “engonhices” em casos que só prejudicam todos nós portugueses, essa mania de levantar dificuldades onde o bom senso deve chegar para se dar a volta por cima, como agora se diz, tem como resultado um dispêndio que se poderia evitar, e não só de tempo, pelo que depois nos admiramos por não conseguirmos ser competitivos em comparação com o que ocorre lá fora.
Este preâmbulo serve para me referir ao caso do Orçamento do Estado para 2011, em que a sua aprovação ou não, na altura em que se puser essa discussão no Parlamento, anda a levantar uma celeuma que não se pode deixar de considerar absolutamente dispensável. E digo isto porque não é preciso andar de braços no ar a clamar pelas consequências de um eventual chumbo na A.R. de um documento que é vital para que existam condições mínimas de governação, e, igualmente, porque nesse caso a imagem que o nosso País daria aos credores externos, actuais e futuros, só aumentaria as dificuldades com que já nos debatemos em obter consensos de ajuda, os quais vão ser inegavelmente indispensáveis no futuro até o mais imediato.
Se a aprovação do Orçamento depende apenas de dois partidos, do PS e do PSD – pois os restantes, com acento parlamentar, podem perfeitamente lançar as suas críticas, por mais justas que sejam, porque não influem na solução do problema em causa – mandam as regras da serenidade que, sem ser na praça pública, se discutam as questões fundamentais pondo de parte ataques mútuos e chegando-se à conclusão fundamental no mais curto espaço de tempo. Se há que evitar, na medida do possível, o aumento de impostos e tem de ser no corte das despesas o fundamental para que se atinja o desejado, então que se actue com mão firme e não se entende muito bem como é que os dois grupos políticos não encontram forma de acordo sobre as alíneas que podem e devem ser incluídas em tal decisão. E isso quando se sabe que existe realmente um exagerado número de dispêndios que, num ocasião como esta que atravessamos, por muito que custe por exemplo encerrar empresas públicas, fundações misteriosas, num total de 13.740 instituições das mais variadas espécies e mesmo que isso provoque alguns desempregos acrescidos mas inevitáveis, não terá de verificar-se qualquer hesitação em dar esse passo. Será que, de um lado e do outro, nos dois partidos, se verifica alguma protecção a amigos e/ou correligionários que poderão ser atingidos por tal medida e seja isso que provoque um desacordo insuperável?
E se, como afirma agora Teixeira dos Santos, não é apenas com o corte nas despesas que se consegue atingir a anulação de quatro mil milhões de euros que pesam no passivo das contas públicas, sendo forçoso entrar de novo no aumento dos impostos para reduzir para cerca dos tais 4% que constituem o compromisso assumido pelo Estado – não importando agora fazer a crítica no que respeita à posição passiva do actual Governo e do anterior, com o mesmo Sócrates, que deveria ter tomado muito antes as medidas necessárias para não se ter chegado agora à difícil situação que temos de enfrentar -, se não existe outro remédio que não seja castigar de novo os portugueses, então que se chegue a um acordo, ainda que o PSD tenha de explicar publicamente a razão da sua anuência, pois que o indesculpável é contribuir, na parte que lhe cabe, para que uma crise política coloque Portugal numa situação tal que o resultado venha a ser o de um verdadeiro descalabro com consequências de um dramatismo inqualificável.
Tudo isto porque não é preciso ser um bruxo muito qualificado para prever que, na altura da votação no Parlamento, o Orçamento irá passar, claro que apesar dos votos contra dos partidos menores que não influem na decisão e não querem ver-se envolvidos para poderem manter a sua crítica política, e o PS e PSD não terão a coragem de assumir a responsabilidade das consequências dramáticas da eventual queda do Governo actual que, por muito mau que ele seja, tem de se manter onde está dado não existirem condições, internas e externas, para uma crise que, na altura em que Portugal depende da aparência de serenidade política, por mais relativa que ela seja.
A atitude do Presidente da República de ter proposto um encontro com os responsáveis socialistas e sociais-democratas, ainda que demasiado sobre a hora e com algum cheiro a campanha eleitoral que anda a desenvolver há um certo tempo, mesmo sem o afirmar oficialmente, tem a virtude de procurar pôr um pouco de água sobre a fervura e obterá, admite-se, um bom resultado de que tirará algum proveito junto do eleitorado quando chegar o momento da votação para o locatário de Belém.
Mesmo que o Orçamento represente mais “orçaminto” do que outra coisa, o que não se admite é continuar-se a alimentar esse tal vício nacional dos políticos se embrenharem continuadamente em discussões de pátio, em que todos apontam o dedo e acusam como num lavar de roupa suja, e ninguém tem nunca a honestidade de assumir culpas em causa própria, afirmando simplesmente “desculpem, mas enganei-me!...”

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

PODE SEMPRE VALER A PENA

Dar um passo arriscado
para alguém que nos acena
o melhor é ser pensado
pode não valer a pena

No totoloto jogar
escolher qualquer dezena
por vezes pode acalmar
pois se sair vale a pena

A pena com que se escreve
grande obra ou pequena
seja pesada ou leve
guardá-la não vale a pena

No fundo o importante
p’ra manter alma serena
em vez de tomar calmante
é ver o que vale a pena

Já lá dizia Pessoa
se a alma não é pequena
se se fizer coisa boa
então assim vale a pena

Para tal, por esse mundo
há quem faça muita cena
provocando mal rotundo
mas isso não vale a pena

Cheguei à conclusão
digo-o de forma serena
há que colocar um não
na frase valeu a pena

E viver neste País
com dívida nada pequena
lá razão tem o que diz
que assim já não vale a pena


POLÍCIAS, OS MAL TRATADOS


POR MAIS de uma vez dou comigo a imaginar que estou a desempenhar as funções de funcionário da PSP. Desses de farda, na rua, a exercer a actividade de segurança e de protecção dos cidadãos. Isso, mais do que a antipática atitude de repressor e de passador de multas.
Ora, alargando o meu pensamento, chego ao ponto de fazer um filme na minha cabeça em que assisto a um assalto à mão armada, por exemplo a uma joalharia e que, tomando eu posição atrás de uma viatura estacionada, puxo da arma que me está destinada e resolvo enfrentar os bandidos que, sendo vários, impõem respeito, tanto mais que naquela altura me encontro sozinho como representante legal. Os assaltantes dão pela minha presença no local e, dividindo-se, usam as suas armas para tentar anular a minha intervenção.
É aí que, protegido pela viatura que me dá visibilidade suficiente para atingir algum dos meliantes, em lugar de puxar do gatilho suspendo a acção e penso nas consequências provenientes da eventualidade de atingir um dos gatunos e de o matar. E prefiro deixar fugir todos os intervenientes no assalto que, num carro a alta velocidade, desaparecem de cena.
Quando chegam os reforços policiais, perante o ocorrido e até devido à indignação dos civis por não me terem visto utilizar a minha pistola de serviço, sou admoestado pelo chefe e é-me até levantado um auto de incompetência. E acaba aqui o que resultou de todo esse exercício de imaginação.
Agora, desfardado em pensamento e civil como sou, passo outro filme que me mostra o contrário do que antes foi referido e, por isso, enfrento as consequências de ter provocado a morte a um dos protagonistas do assalto referido. E aí, louvado pelo meu chefe, sou forçado a entregar a minha arma de serviço e sou levado a tribunal por não ter utilizado outro meio que não fosse o da gravidade de ter causado o falecimento de um dos assaltantes. E passo o cabo dos trabalhos, sendo-me suspenso o vencimento enquanto decorre o julgamento e como, na precipitação de me ter refugiado junto de um automóvel, até fiz um rasgão no uniforme e é-me imposto adquirir outro, quando, por acaso, aquele ainda não se encontrava totalmente pago. Tudo isso quando o meu salário mal dá para suportar as despesas mensais que tenho de assumir.
Perante este panorama, estando as polícias numa fase em que mostram disposição para reivindicar maior atenção por parte do Estado no que se refere às condições que impõe aos servidores da polícia, volto a imaginar-me na posição de membro dessa corporação e interrogo-me se, mesmo lavando em atenção a deficiente situação da finanças públicas, não contribuiria com a minha presença na manifestação e na greve que estão anunciadas. E sou forçado a reconhecer que, perante o risco que se está a correr de, cada vez menos, apesar do drama do desemprego, haver jovens que se sujeitem às más condições que são proporcionadas aos que entram no corpo poliial, o que aumenta são os malfeitores, nacionais e vindos do estrangeiro, pois o mau funcionamento do aparelho judiciário, em todas as suas vertentes, alicia a que, entre perseguidores e perseguidos, se opte pela segunda posição. É mais rentável e menos perseguida.
É isto e aquilo que vou referindo no meu blogue diário que me leva a gritar como o fiz há dias, precisamente no que se pode ler no dia 14 deste mês: “deixem-me voltar para a ilha!...”

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A VIDA

A vida passa com baixos e altos
rindo p’ra uns, gozando com outros
sorrateira ou correndo aos saltos

Não é a mesma para toda a gente
muda de face em cada momento
torna difícil caminhar em frente

Mas como os mortais, tem seus preferidos
há os que escolhe p’ra bem servir
e os que mantém sempre desvalidos

É cínica e traiçoeira a magana
ataca muitas vezes pelas costas
à bruta ou com ares de filigrana

Mas eis que de repente se arrepende
e no meio de enorme confusão
a uma prece avulsa lá atende

E tudo muda como por feitiço
de um grande azar algo se compõe
e dá também aos males um sumiço

A vida deixa assim seu conteúdo
tem de se atravessar com paciência
já que o tempo é borracha p’ra tudo

OS ESPERTOS DA COMPANHIA


OS QUE SE INQUIETAM por querer sabe o que vai suceder às figuras públicas que, mesmo tendo-se portado de forma deficiente, criticável, dando mostras claras de incompetência, até alvos de acusações proferidas na via pública mesmo que os tribunais não os tenham julgado (e ainda assim), quando saem das funções que desempenhavam, perante essa pergunta a resposta a dar é aquela a que se assiste todos os dias: partem para outra e, na maioria dos casos, para melhor.
Temos aí o exemplo do Armando Vara, o que mantém uma imagem que circulou por tudo que é comunicação social, acarretando a acusação popular de várias actuações nada recomendáveis, como foi a relacionada com o caso Facebook, embora não tenha sido proferida qualquer sentença em Tribunal. Pois esta personagem, que desempenhou funções importantes e bem pagas, ainda que com surpresa de todos os que o viram ascender tão alto sem possuir um curriculum anterior que o justificasse, pois apenas as sua condições de filiado no PS e de relacionamento com Sócrates lhe terá proporcionado uma subida tão repentina, ao ponto de ter chegado a administrador e vice-presidente do BCP, acaba de tomar posse como presidente de uma cimenteira brasileira, estabelecida em África, a qual está detida em 32% pela Cimpor.
Ora adivinhem lá o motivo que terá levado os responsáveis da referida cimenteira a escolher a figura em causa para desempenhar as funções que lhe foram atribuídas. E quem souber que responda.
Este é que é o panorama da cumplicidade que rege este País, em que não é minimamente necessário comprovar competência, ter conhecimento da matéria que vai ocupar a sua actividade, ser um indivíduo que se sabe que goza de uma inteligência acima da média. Nada disso. Apenas é fundamental estar bem integrado no ambiente que rege a governação e dar garantias de que, caso seja necessário, pode contar com o apoio de correligionários que já tenham dado provas anteriores de que lhes convém não abandonar a ligação existente. Isso pelos mais variados motivos, entre eles o receio de que divulgue algum acontecimento de que terá sido testemunha e até participante e que é fundamental manter na obscuridade.
E é por estas e por outras que os portugueses mais atentos e interessados em acompanharem e estar informados sobre os mistérios que produzem certas anomalias nacionais, acabam por se conformar e, face à inutilidade em levantar questões, não levam por diante qualquer tipo de indignação que lhes machuque a cabeça. Os blogues são uma forma de desaguar a irritação, basta que haja quem os leia.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

DISTRAIDO

Aquele que não dá conta de si
que não se lembra das obrigações
que nunca sabe se vai por ali
que não se dá com organizações
que parece andar um pouco bebido
que não escuta o que lhe é dito
esse mesmo é então o distraído
o que dá ideia de se ter perdido

Mas não, ele até é um artista
bem no meio da sua confusão
pode, sim, por vezes perder a pista
e tocar nos assuntos de raspão
esquecer-se sim de um compromisso
confundir alguns dias da semana
não chegar a horas ao seu serviço
de manhã ficar mais tempo na cama

Não mostrando estar comprometido
com o cumprimento de quaisquer regras
afinal é bem ele o distraído
confundindo mulheres brancas com negras
julga que de manhã já é de tarde
e o relógio fica sempre em casa
não é coisa sua fazer alarde
do muito frio ou do calor que abrasa

Não sendo de felicitar pelos anos
nunca dando presentes de Natal
pois esquece datas até de manos
nem da sua presença dá sinal
não se consegue entender na cozinha
porque não segue à regra as receitas
pede sempre auxílio à vizinha
e na saúde não cuida das maleitas

Aí, confunde todos os remédios
os do almoço toma-os no jantares
o mesmo acontece a entrar nos prédios
confunde as portas, mistura os andares

O distraído é assim por doença
tem algo que não o deixe assentar?
Não é, por certo, por alguma crença
não é mal para se remediar
de uma forma geral bem formado
na vida dos outros não interfere
por isso está sempre do outro lado
e não dá mostras daquilo que quer

Podemos confiar-lhe um segredo
distraído como é logo esquece
assim não há que ter o menor medo
ter amigo assim até apetece
por mim perdoo tudo ao distraído
porque tudo que faz não é por mal
quando não o vejo fico perdido
quero tê-lo ao pé até final








CIGANOS ROMENOS


NÃO TEM DE SER somente o nosso País a ser focado pelos acontecimentos que despertam a atenção, no bom ou no mau sentido da sua apreciação. Considero que este assunto a que me vou referir merece ser comentado, face à situação pouco vulgar que representa, sobretudo na Europa dos nossos tempos.
Trata-se da atitude tomada pela governação francesa de expulsar do seu território umas centenas de ciganos romenos que, segundo dizem, por estarem indocumentados e, portanto, não cumprindo as regras de acolhimento que estão estabelecidas, se constituem habitantes não desejados naquele País.
Esta medida não pode ser analisada de ânimo leve e obriga a reflectir profundamente quanto ao seu significado: a primeira reacção que salta é a de que se está a discriminar uma parte de população, isso no espaço europeu onde as fronteiras se encontram abertas entre os participantes da União e não existindo lugar a exclusões, por raça, nacionalidade, prática religiosa, cor da pele. Numa palavra: xenofobia nunca.
Mas, analisando mais profundamente a questão, talvez outras razões nos deixem na dúvida no que respeita ao que deve ou não ser feito. E uma delas, sendo a principal ou talvez não, é que o drama do desemprego que alastra por toda a parte luta, em muitos casos pelo excesso de população, cria enorme dificuldade de colocar todos os naturais de cada País nas suas funções profissionais. Logo, a afluência de gente estrangeira, que se desloca para outros territórios também na ânsia de encontrar melhoria na maneira de viver, tem de representar uma concorrência que não pode agradar aos que nasceram e vivem no espaço “invadido”.
É certo que, no caso dos interesses portugueses, também nós, ao longo de muitos anos e ainda hoje, embora menos, percorremos o caminho que nos separa dessa França e lá nos instalámos com actividades que, como se sabe, não eram muito do agrado dos próprios franceses. Só que, nessa altura, não se verificava uma carência tão dramática de trabalho, ao ponto de o desemprego afligir, por toda a parte, os cidadãos naturais de cada país.
É importante, por isso, observar correctamente o caso dos ciganos romenos. Também por cá deparamos, a cada passo, nas nossas ruas, sobretudo mulheres, novas e mais velhas, geralmente com bebés ao colo, com ciganas romenas que se dedicam à actividade de pedir, muito embora oferecendo, como desculpa, produtos insignificantes para vender. É pouco compreensível que este tipo de população tenha atravessado a Europa para, num País pobre como o nosso, vir estabelecer a sua residência, nitidamente depois de terem percorrido outras nações que, por hipótese, não lhes deu abrigo para lá ficarem.
Mas o outro caso que ocorre também em França é a consequência da proibição, saída do Senado, do uso do véu integral por parte das mulheres islamitas em locais públicos. E as consequências dessa medida já se começam a notar, pelos avisos que soam em vários departamentos de segurança de que se estão a preparar acções terroristas, como resposta a um direito que cada País tem de estabelecer as suas regras e que escolhe mudar-se para esses destinos. A ameaça que obrigou em certa altura a encerrar a Torre Eiffel, por telefonema anónimo da existência de uma bomba, prova claramente que os atingidos não se conformam com as disposições tomadas pelo Poder de uma Nação que tem legitimidade para estabelecer regras de conduta no seu espaço.
A minha opinião, por certo discutível, é a de que, por muito infeliz que sejam as medidas que cada Terra estabelecer dentro das suas fronteiras, quem lá se dirige, por pouco ou por muito tempo, a obrigação que lhe cabe é a de aceitar, e fazer como diz o povo “em Roma ser romano…”. Se nos países muçulmanos se implantar uma disposição de que, quem atravessa as suas portas, tem de se vestir tal qual é uso nesses locais, a opção é não pôr lá os pés ou, indo, mulheres e homens usarem os trajes locais.
Com os romenos, sejam ciganos ou não – e não poderá ser por essa razão -, o que há que aceitar é a defesa proporcionada aos naturais franceses, no capítulo de não lhes serem criadas ainda maiores dificuldades na luta contra o desemprego. Não aceitaríamos que, em Portugal, as forças públicas tudo fizessem para que os 700 mil desocupados nacionais que existem obtivessem alguma protecção do mesmo tipo, por mais injusta que ela seja? Provavelmente não.
Agora, perseguir comunidades, minorias étnicas, se forem constituídas por cidadãos de origem do país onde residem, isso é que não é admissível.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

DITO POR NÃO DITO

Afirmar sem reflectir
prometer sem ter certeza
até mesmo garantir
e mostrar grande firmeza
De pé
Assim é
quando depois afinal
conclusão for diferente
mesmo não sendo por mal
com isso se engana a gente

Tudo tem algum remédio
sem causar grande moléstia
e não dando ares de tédio
basta puxar da modéstia
O perdão
Está à mão
com clareza perfeita
sem causar um conflito
basta usar a receita
dando o dito por não dito

Teimar no erro é que não
nisso só o convencido
à palmatória dar mão
é sinal de arrependido
Se errar
Deve calar
mundo seria melhor
se chefes qu’usam apito
aceitassem o valor
de dar dito por não dito

Mas tal com convicção
mostrando arrependimento
todos dariam perdão
a quem errou num momento
Mas tal
Raro afinal
o homem não baixa a tanto
e o que faz é manguito
pois é preciso ser santo
p’ra dar dito por não dito

NOVO AEROPORTO?


QUE OS BLOGUES NÃO SERVEM PARA GRANDE COISA já muita gente sabe. Mas nem por isso se deixa de os preencher, sobretudo os que, como eu, todos os dias expressam a sua opinião, a angústia que existe perante os factos que ocorrem à volta neste pobre País e que constituem autênticas desgraças humanas, pois que os seus autores são gente igual a nós, mas que gozam de uma diferença: é que obtêm rendimentos escandalosos com as suas incompetências e ainda com enorme pesporrência se riem na nossa cara.
Vou-me referir hoje ao aeroporto que tem dado tanto que falar, desde o do “jamais” e até à nova versão que pretende que a obra de valor desmedido seja construída a vários quilómetros da capital, deixando, como se tornou um hábito das governações que temos tido, o seu pagamento para tempos futuros.
Portugal goza do privilégio, na sua cidade principal, de possuir um ponto de chegada e saída de aviões colocada praticamente dentro de Lisboa, o que provoca, por um lado, um ruído incómodo dos motores das naves aéreas sobre as nossas cabeças mas, por outro, permite as chegadas e as partidas não se situarem a grane distância dos hotéis e das casas dos lisboetas. E como não se pode ter tudo, pelo menos aquela facilidade é característica do aeroporto da Portela.
Como agora surgiu a ideia e que o volume de tráfego, dentro de alguns anos, ocupará todo o espaço e tempo do referido local, começaram a aparecer os interessados, sabe-se lá porquê – ou talvez até se saiba – que se ocupam a clamar pela necessidade de se construir um novo aeródromo e, naturalmente, andou-se na busca do local que conviesse a uns tantos interessados e a que o Governo deu acolhimento, pois que estas coisas das majestosas obras atrai sempre uma infinidade de gente que se cola como lapas na esperança de que lhe calhe algum benefício. E nisso, o que foi o antes do actual ministro das Obras Públicas, com todo aquele ar sapiente que põem os políticos quando ocupam um lugar de relevo, logo tomou posição e deixou marca registada com aquele estúpido dito do “jamais”!
Ora, o que não foi nunca esclarecido perante os portugueses que são os contribuintes para as despesas que o Estado faz, foi se havia possibilidade de esgotar o espaço de que ainda se dispõe na zona onde se situa, na chamada Portela, por forma a atrasar o mais que fosse conseguido a construção de um novo equipamento que tenha condições para atender o movimento aéreo comercial que é fundamental numa cidade importante. E, como é sabido, esse tipo de obras é de um custo tão elevado que, quer nos períodos atrasados, quer hoje e sobretudo no amanhã que será constituído por anos em que não se sabe quando Portugal se encontrará em condições de suportar as mínimas despesas que excedam o essencial do dia-a-dia.
Não há forma de os homens que se têm sentado nas cadeiras do poder e não se sabe se nos tempos para a frente eles aparecerão, sejam capazes de se limitar aos gastos e até mesmo aos investimentos que não obriguem a aumentar ainda mais as dívidas que temos sobre as costas. E o futuro, até o mais próximo, vai mostrar com clareza que sempre nos comportámos como os jogadores viciados que, sem olhar às consequências, continuam a sentar-se à mesa de pano verde, na esperança de que lhe saiam as cartas que os tirem do descalabro em que se meteram.
Se não tiverem emenda, há que enfiá-los num retiro e não os deixar meter a mão em nada de responsabilidade, pois que quem paga os seus erros são sempre os outros, neste caso os cidadãos portugueses.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

ERRAR

Quem não fez ainda isso ?
Que erro não praticou ?
Só não fez esse serviço
Quem a vida não gozou

Há uns que mais, outros menos
Mas um homem sem pecado
Só p’ra fugir aos Infernos
É que escapou desse fado

Há que perder petulância
Evitar que se atropele
D’ errar é tal abundância

Que há que escrever na pele
O erro ganha importância
Quando se aprende com ele

DISPARATES



TODOS OS DIAS se têm conhecimento de notícias em que intervêm personalidades portuguesas que nos deixam completamente embasbacados perante a falta de habilidade que demonstram em não atingir um objectivo e a perder tempo com “passos de tango” em redor dos assuntos que interessa debater para se chegar a uma conclusão. Eu explico melhor:
O passeio que deu a Madrid o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, na companhia de um ajudante, para tentar conseguir que o treinador português ao serviço do Real Madrid obtivesse autorização desse clube para vir utilizar a sua eficiência no treino da selecção portuguesa no que respeita aos dois jogos que se vão realizar dentro de dias com dois países da Europa, essa viagem de Gilberto Madail resultou em pura perda, pois sendo absolutamente necessário estabelecer negociações com o presidente do Real Madrid, as conversas, num almoço, só ocorreram com quem não dispõe de poder para decidir, o treinado português – que, por sinal, já tinha mostrado, através de uma entrevista televisiva, o seu prazer em desempenhar essa tarefa – e o importante, que era estabelecer uma conversa amigável com o presidente do clube de futebol madrilense, tentando convencê-lo a anuir na dispensa parcial de José Mourinho para o efeito indicado, isso não foi feito, tendo regressado a Lisboa o responsável português com as mãos completamente a abanar… É que as notícias que foram transmitidas pelos responsáveis espanhóis é a de que NINGUÉM de Portugal tinha contactado com o Real Madrid para obter o acordo desse lado!
Será possível explicar a alguém, que se interesse por este caso, qual o motivo por que a ida a Madrid foi feita sem ficar concluído o propósito único que motivou a deslocação, se bem que, só por si, aquilo que foi decidido no seio da F.P.F., de enviar o seu Presidente à capital espanhola para conseguir um empréstimo do técnico para dar uma mãozinha na nossa selecção, para o caso dos tais dois jogos, se tratasse de uma espécie de desenrascanço lusitano, que nos faria a todos rir se não andássemos todos de lágrima no olho pelas desgraças que aqui acontecem? Existe alguém que nos explique?
Andamos todos, nós por cá – para não metermos sempre o Sócrates nos disparates que se praticam – a fazer o quê?
Haverá algum concurso, de que não tenhamos conhecimento, para encontrar o campeão dos disparates para lhe ser atribuído um prémio que, provavelmente, será até valioso?
Com a cabeça no seu lugar e o mínimo sentido de responsabilidade não é possível levar-se a sério o que ocorre em Portugal e as soluções que são encontradas para cada berbicacho. E, no que diz respeito aos futebóis, bem chegou o conflito criado com o caso Carlos Queiroz, que constituiu uma amostra da incapacidade que existe nesta nossa Terra em solucionar os problemas que surgem e que até somos nós os que criamos grande número deles.
Não é apenas na governação. È bem o que já afirmei neste blogue: Sócrates há muitos, embora seja aquele o que paga por todos! E já nos baste, até demais!

domingo, 19 de setembro de 2010

COMPREENDER

Entender o que se ouve
perceber o que se vê
tirar a prova dos nove
decifrar o que se lê

Parar para reflectir
a dúvida não agradar
é forma de conseguir
sentir sempre um bem-estar

Mas fingir que compreende
só p’ra mostrar simpatia
depois d’algo se arrepende

pois quando num outro dia
a’lguém repetir pretende
aí enfrenta arrelia


FARTAR VILANAGEM!...


POR MUITO MAL que nos encontremos neste nosso País e em que, em termos financeiros, sociais, judiciais e tantos outros a situação seja de completa desgovernação, o que continua a ocorrer à nossa volta é verdadeiramente desencorajante por não se ver quem seja capaz de tomar as medidas que, por muito tardias que elas já sejam, lá daria uma indicação de que alguma coisa se pretendia fazer para tentar travar a queda para o fundo do abismo que se depara à nossa frente.
O panorama é o de que nos encontramos entregues ao que vier e logo se verá, sem que, das forças que ainda existem, por mais deficientes que elas sejam, surja alguma voz que dê indícios de que as consciências estão a despertar e que se põe um ponto final nas “roubalhices” que se instalaram no ambiente em que temos de nos movimentar.
Refiro-me agora, podendo apontar outros caos que não faltam nesta Terra lusitana, aos chamados gestores e também aos funcionários que, de uma maneira ou de outra, cobram os seus salários dos fundos do Estado. A notícia tornada pública de que a PT pagou 1,8 milhões de euros a dois administradores que abandonaram os cargos, após terem sido implicados no caso PT/TVI, sendo que um deles, Rui Pedro Soares, que foi nomeado administrador executivo daquela empresa em 2005, onde auferiu cerca de 5 milhões de euros em salários e prémios, continuando actualmente com vínculo labora à PT, embora sem pelouros atribuídos. Do outro, Soares Carneiro, não apurei quais foram os seus rendimentos enquanto desempenhou funções de administrador na referida empresa telefónica.
Mas, nas poucas notícias que saem a lume sobre escândalos deste tipo, também as autarquias são, volta não volta referidas, se bem que o distanciamento do poder central faça com que se escondam muitas situações que os portugueses deveriam conhecer. O que já foi publicado nas páginas dos jornais é que um ex-vereador da Câmara Municipal de Lisboa e mais quatro administradores da PT foram condenados em Tribunal pelo crime de peculato, tendo sido as penas suspensas em virtude da “idade, integração familiar e social” dos arguidos. As penas andaram entre os dois e os três anos de prisão e os motivos das condenações justificaram-se por os acusados terem atribuído a si próprios prémios pela sua eficiência em terem desempenhado os cargos que exerciam.
A pergunta que haverá que fazer é a de quantos casos semelhantes não terão ocorrido em Portugal ao longo de todo o exercício de Governos que não deram mostras nunca de cuidar da defesa dos dinheiros públicos, sejam directamente dos cofres do Estado ou por vias indirectas que, ao fim e ao cabo, representam sempre o mesmo: o meter a mão na massa que os contribuintes, com tanta dificuldade a maioria, têm de entregar aos Poderes da governabilidade.
E volto a insurgir-me por nunca se ter verificado uma acção fiscalizadora que, ao longo dos 36 anos de Democracia, desse mostras de que o rigor e a honorabilidade dos cidadãos, sobretudo aqueles que ocupam lugares privilegiados, consistia e consiste num princípio respeitado a todo o momento.
A semana que decorreu foi considerada como de “pânico” no Governo, pois os avisos que nos foram feitos pela Alemanha, pela voz da sua Presidente Ângela Merkel, de que as dificuldades que se põem agora à nossa necessidade de empréstimos serão ainda maiores nos tempos que temos pela frente, fizeram soar um alarme que, ao contrário do que seria de esperar de gente com bom senso, ainda se encontrava guardado para outra altura mais tarde…
Sócrates, perante esta chamada de atenção, entendeu dever chamar os ministros um a um, até para preparar o documento final do Orçamento do Estado para o período que aí vem e, que se saiba, a ministra da Saúde foi a mais ouvida, até porque a dívida do Estado à indústria farmacêutica atingiu os mil milhões de euros, saindo da boca de Ana Jorge o desabafo de que “não há dinheiro para nada, nem vai haver”.
Ora aí está o que o primeiro-ministro deveria ter declarado aos portugueses há muito tempo, em vez de usar de “paninhos quentes” cada vez que resolve, numa das muitas inaugurações em que geralmente o seu significado é ridículo, botar em boca própria os elogios à sua actuação.
Enquanto isso e enquanto grande parte se mantiver nesta doentia carreira, há aqueles que se aproveitam das circunstâncias favoráveis que lhes são proporcionadas e metem ao bolso dinheiros que tanta falta fazem para nos podermos ir aguentando, mal e porcamente, neste barco cheio de rombos.

sábado, 18 de setembro de 2010

TROCA TINTAS

O que andamos nesta vida
se não a trocar lugares
numa constante mexida
com ar de não ter vagares?
Há que trocar de roupa
já velho trocar de carro
observar o que poupa
mudar na boca o cigarro

pois miúdos muito enganam
não há que perder a mão
já que disso alguns se ufanam
havendo pessoas distintas
se há muita gente séria
atenções aos troca-tintas
que até nos levam a féria

De onde vem essa expressão
de haver quem as tintas troque
será que algum aldrabão
se enganou no retoque?
Se assim foi então de início
era aquela a pintura
a fazer no edifício
mas no fim fez má figura

Assim ou de outra maneira
trocas e baldrocas são
quem provoca a canseira
espalhando a confusão
no de vida direitinha
obrigando a fazer fintas

aquele que não alinha
nos truques dos troca-tintas

DEPOIS ALGUÉM PAGA!


CADA HORA QUE passa, Portugal aumenta a sua dívida em 2 milhões e meio de euros. Esta a notícia confrangedora que já nem pode ser rebatida.
A despesa pública não pára também de crescer e os juros que nos cabe suportar estão em subida vertiginosa, ao ponto de atingirmos já os 4% que nos são exigidos pelos credores estrangeiros, aqueles que ainda nos concedem alguma margem para irmos contraindo empréstimos. Só que se está a acabar!
E as gerações que estão aí a chegar – para não referir as que já se encontram entre nós, constituída por uma juventude que também não encontra emprego e que não vê forma de considerar Portugal como sendo o País onde devem ficar para construir o seu futuro -, essa camada de portugueses de um futuro próximo bem se pode preparar para ir buscar onde não há dinheiro para satisfazer as dívidas contraídas pelos governantes portugueses de hoje. Não é difícil imaginar o que a História contará dos Sócrates desta era – porque eles são vários – e o que se ensinará nas escolas quando for referido este período actual, como exemplo de uma actuação que condenou Portugal a uma vivência de completa penúria.
Foi dito claramente, na reabertura dos trabalhos pós-férias da Assembleia da República, que o nosso endividamento público neste momento já é de 147 mil milhões de euros e que não existem indícios de fique por aqui, não surgindo de nenhuma bancada qualquer solução para esta enfermidade económica que se tem vindo a acumular sucessivamente. E a questão que ninguém entende é como um Governo, que mantém um ar de confiança e se vangloria constantemente com os seus feitos, não é capaz de meter mão nas despesas, eliminando tudo que possa ser considerado como supérfluo e preste contas aos portugueses de cada um desses passos que, embora tardios, ainda algum efeito produziriam.
Eu não posso acreditar que o desleixo em que se tem vivido no que diz respeito a uma medida que qualquer dona de casa tomaria se o País fosse a sua casa, tal actuação seja propositada. Enterrar cada vez mais Portugal para que os sucessores não encontrem maneira de solucionar o problema que vão encontrar é atitude que não cabe na cabeça de ninguém. Não é crível que a maldade chegue a tanto!
Agora, a verdade é que andamos há um largo período a clamar pelo bom senso dos governantes que ainda temos (e também das oposições, essa é a verdade) no sentido de serem tomadas as medidas drásticas que reduzam substancialmente o que se gasta a mais neste País. E essas medidas teriam e terão de ser de grande dureza, começando pelo próprio organismo estatal e aos mais altos cargos, pelo menos para representar um exemplo que a população aceitaria como estímulo para os apertos que lhe vão ser ainda exigidos, posto que não é possível manter este ar de fartura que não se perde, pelo menos desde que a situação política nacional se abraçou a uma Europa comunitária, que essa também não contribuiu para criar um ambiente de racionalidade contra a crise que avançava a passos largos.
No que me diz respeito não é uma questão de ser pessimista ou o contrário. É que, depois de ter passado por uma vida de luta, em que o regime anterior não constituiu uma travessia fácil no campo profissional de jornalista, ao deparar com o que se seguiu e em que as esperanças eram as mais naturais, com a oferta da Democracia, e ao não conseguir repousar com os efeitos que poderiam ter sido transmitidos vindos de fora, não pode ser maior a desilusão e a falta de confiança nos homens, quer os de cá quer os de fora, foi crescendo, ao ponto de não ser encontrada forma de ver já Portugal a atingir um ponto alto na História que se perfila no horizonte.
E é isto que não escondo neste meu blogue. E o refugiar-me na poesia é uma maneira de fugir da realidade que tanto me magoa. Haverá quem me acompanhe neste sofrimento. Sempre são alguns que me dão nota de que sempre existem leitores.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

OS DIAS VÃO PASSANDO

Andar por cá a arrastar-se
e a idade não ajuda
vá lá a gente fiar-se
que nada nos desiluda
e os dias vão passando
e mais um aniversário
sem saber como e quando
acaba este calvário

O sofrer com a doença
ninguém quer mas tal sucede
lá se vai mantendo a crença
não vir o que não se pede
mas ninguém foge à sina
de dar com o inesperado
é situação que amofina
mesmo que ocorra ao lado

Vai passando cada dia
na ânsia de ser melhor
que o a seguir tenha magia
que não cause tanto ardor
pois bem basta o tormento
da vida que cá se leva
é de facto um lamento
esta tão continua treva

Os dias que vão passando
dão azo ao dia seguinte
não é por irmos chorando
por dar ares de pedinte
que melhore situação
pois há que lutar com força
que dê p’lo menos p’ro pão
evitar que algo torça

O que custa é ver os ricos
levar vida flauteada
nada falta aos mafarricos
bem lhes chega a mesada
mas cada um tem o seu
não há porque invejar
e quem quer ganhar o Céu
o que lhe resta é rezar

Os dias que vão passando
leva-os a pagar cá
pecados de quando em quando
toda a atitude má
porque depois de passarem
o final é sempre igual
não é por muito agarrarem
que não dão passo mortal





QUEM MUITO FALA....


MUITO GOSTA certa gente do nosso País de largar “bocas” publicamente, criando situações de conflito quando, devido até às posições que ocupam esses faladores, o recomendado seria que se mantivessem em silêncio, por muita razão que lhes assista o que provoca o levantarem a voz.
São muitas as situações que se passam no nosso País, sabido como é que não é das nossas características o fingirmos que não fomos atingidos por alguma ocorrência menos agradável. E, seja qual for a posição que ocupe o protagonista desses acontecimentos, a política sobretudo é a que está mais em causa e os ataques mútuos não dão descanso aos cidadãos que lá vão acompanhando os conflitos que têm lugar.
Sabendo-se que os que governam gozam de uma posição privilegiada e as oposições anseiam por derrubar os mais votados e ocupar os lugares dos outros, esses amuos, ainda que atingindo por vezes acusações graves de um lado e do outro, até se compreendem e não terão que ser levados muito a sério. Na altura das eleições é que é chegada a altura de escolher e não antes.
Mas que, na área desportiva, especialmente no caso dos futebóis, os responsáveis por clubes de nomeada se ponham na praça pública a lançar reptos, a ofender até os adversários, a provocar que os seus sócios organizem grupos de força para atacar os membros com que se irão defrontar, provocado verdadeiras manifestações de mau comportamento cívico, essa atitude não pode ser admitida e deveriam ser os próprios responsáveis principais pelas direcções respectivas a criar um ambiente que eliminasse as fúrias que é relativamente fácil criar nos adeptos de cada formação.
Sabendo, no entanto, o nível da maioria dos presidentes desses tais clubes de futebol, logo se conclui que a boa educação e as regras de comportamento que deveriam existir nessa área se encontram distantes de serem praticadas. Não vou indicar nomes, mas nem é necessário. É público e notório que, mesmo entre agrupamentos que se situam em cidades distintas, se alimentam rivalidades que ultrapassam o calor normal pelo clube que cada um segue. Só que não existe motivo nenhum para que, de um lado e de outro, não se verifiquem palavras de simpatia, mesmo que fingida, capazes de criar um clima em que apenas a rivalidade desportiva esteja em causa, sabendo-se que, cada vez que se realiza um jogo, o resultado que vier a ser apurado, com justiça ou sem ela, com sorte por um lado e menos fortuna do outro, é aquele que conta e não as acusações posteriores que são tanto do gosto especialmente dos que saem perdedores.
O que acabou de ocorrer com o caso Carlos Queiroz, dando mostras de excesso de mau comportamento de todos, desde o seleccionador que não se soube conter perante a inspecção média da droga, e antes com o seu atirar do casaco para o chão do campo, o que foi um gesto a todos os títulos criticável, e até à despropositada intervenção do secretário de Estado do Desporto, tudo isso constituiu a demonstração de que o sector do futebol sofre de excesso de palavreado e que seria bem melhor que se dedicassem mais a criar um conjunto representativo de Portugal mais preparado do que a gastarem energias a atacarem-se uns aos outros.
Afinal, como especialistas no desenrascanço que é a característica portuguesa, o passo que está a dar-se nesta altura é a de incluir José Mourinho para, desde Espanha e sem perder a sua actividade no Real Madrid, se desdobrar com a responsabilidade sobre a selecção portuguesa. E, para grandes males grandes remédios, ainda que, à hora a que escrevo, o clube espanhol esteja a declarar que não tem qualquer conhecimento formal no que respeita à possibilidade do treinador do seu clube vir a desempenhar funções cumulativas com o grupo português de futebol.
É assim. Quem, como acontece connosco, passa a vida a nadar atabalhoadamente para a praia à procura de salvamento, sempre mantém a esperança de que os problemas se hão-de resolver. Muito se fala, pouco se acerta!...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O MEDO

É coisa muito vulgar
mesmo estando escondido
por vezes o só gritar
logo surge num gemido
Medo temos
Escondemos
p’ra não dar parte de fraco
não é preciso tremer
basta suor no sovaco
para ninguém perceber

O medo é coisa séria
limita ao homem a acção
pode provocar miséria
dá que fazer ao chorão
Em segredo
Vive o medo
coragem é coisa rara
a tem o inconsciente
e muitas vezes sai cara
rouba a vida a muita gente

Por isso o medo defende
de passos mal pensados
até permite qu’emende
certos erros praticados
Medo é vergonha
Ajuda alguma ronha
p’rós outros bem enganar
dando mostras de valente
só serve para se gabar
qu’é melhor que toda a gente

POBRE CONSTITUIÇÃO


SE FOR BEM ANALISADA, a Constituição da República Portuguesa necessitará com frequência alargada de uns toques de melhoria que será consequência da evolução da vida e da experiência que se vai tendo com os acontecimentos que nos apanham nesta caminhada que também é fruto das modernizações do mundo e do surgimento de problemas que antes não se notavam. A questão, porém, é ter a consciência de que tais mexidas devem ser efectuadas em prazos curtos ou se a prudência aconselha a que se escolham as ocasiões apropriadas e menos perigosas de brigar com circunstâncias adversas que não apresentam disponibilidade temporal para o efeito.
Neste momento, em que o PSD faz finca-pé em mexer no texto constitucional, alegando que esse acto será a “saída para a crise”, a dúvida que se pode pôr é se, atravessando-se um período menos propício politicamente falando, tal proposta se pode considerar inadiável.
É certo que o desemprego que grassa no nosso País e que não pára de aumentar, ao ponto de os nossos 10% de desocupados já constituir um quarto lugar na lista europeia, nos impõe tomar medidas sérias e céleres para parar tão grave situação. Mas, existem meios que, bem aplicados, podem influir na travagem da avalancha de desempregados e, por muito que constituam descontentamentos por parte do empresariado e/ou junto do sector sindicalista, bem como provoquem reacções partidárias que não se situem na linha dos promotores das tais medidas, a mudança constitucional que, no seu artigo 53º, se refere aos despedimentos, obriga a que se recorra a absoluta clareza, não dando ocasião a interpretações enviesadas, como essa da substituição da “justa causa” por uma expressão com total vazio de conteúdo.
Alteração do artigo 53º do documento fulcral pode ser essencial para impor regras claras nas suspensões dos trabalhadores, o que é forçoso, no entanto, é que essa acção ocorra em momento próprio e adequado às circunstâncias políticas que se vivem. E, neste momento, com as eleições presidenciais já à vista, manda o bom senso que se aguarde pela tomada de posse do novo Supremo Magistrado da Nação para, depois disso, se darem os passos necessários que incluem a votação na Assembleia da República com os dois terços de sins.
Seja como for, a iniciativa não enfrenta um consenso fácil. No caso do sector do Trabalho, pode permitir que os empresários sem escrúpulos se refugiem na facilidade de despedimento para se libertarem de funcionários que, independentemente da sua capacidade profissional, não sejam do seu agrado; ao mesmo tempo que as forças sindicalistas e os partidos político adversários também contrapõem posições distintas.
Perante as dificuldades que se conhecem em fazer convergir pontos de vista que conduzam a uma aprovação parlamentar, o que não pode deixar de existir é um texto claro e, no caso presente, sem complexos políticos na escrita. Neste caso do desemprego, o que se espera é que, logo a seguir à entrada em funções do PR seguinte, seja apresentada mudança do artigo, mas com uma linguagem que não mantenha a dispersão de opiniões.
Nos que diz respeito às outras alterações também sugeridas pelo PSD, no capítulo da Saúde, da Educação, da Justiça e do período do mandato do Presidente, bem como aos Média, estes temas merecem também uma reflexão. A seu tempo falarei deles, caso valha a pena parar para reflectir sobre situações que, sendo tão correntes nesta nossa Terra atormentada, o que merecem toda essa gente que anda por aí a pavonear-se é o desprezo completo e a ignorância sobre a sua existência.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

SALVE-SE QUEM PUDER!

Nem toda a gente pode
cada um sabe de si
às vezes há quem acode
dando razão a quem ri
Salvam-se uns
E outros não
a sorte não chega a todos
para os que a têm pouca
outros têm-na a rodos
e levam uma vida louca

Quando o barco vai ao mundo
todos aos mesmo escaler
e sem perder um segundo
é o salve-se quem puder
Socorro!
Se não morro
é grito de aflição
por esse mundo não falta
quem em grande agitação
se ponha a alertar a malta

Só os que podem se livram
as circunstâncias ajudam
serão os que se esquivam
e na sorte se escudam
Se puder
Haja o que houver
não serei eu apanhado
na derrocada fatal
terei o maior cuidado
p’ra evitar pior mal

Até mesmo p’ra viver
que se salve quem puder

PORTUGUESES INSTRUIDOS?


A INSTRUÇÃO ESCOLAR neste nosso País nunca foi a que competia a uma Nação que aspirava naturalmente em ombrear com as que lhe são parceiras no Continente a que pertence. Hoje, o que se depara é com uma geração de jovens com tão baixo nível intelectual que o resultado é aquele que se observa, com tristeza, em certos concursos televisivos e em que a cultural geral dos mesmos aparece com um nível tão baixo que as respostas que saem a perguntas correntes é, deveras, confrangedor. Mesmo os cidadãos, na casa dos trinta e quarenta anos, esses também não prezam pelo conhecimento do que pode ser considerado como matéria de “lana caprina”.
Tudo isso porque a chamada velha instrução primária (agora com outro nome), em que a obrigação de estudar funcionava e os ditados, as redacções e as contas eram matéria obrigatória que levavam ao “chumbo” dos que mandriavam, toda essa aprendizagem era levada a sério e os exames obrigatórios na chamada quarta classe e na admissão aos liceus eram levados a sério, sendo necessário estar preparados os alunos, pois que, de outra maneira, a repetição era o que estava reservada aos cábulas.
Esse espírito mantinha-se no caminho seguinte e até nos cursos superiores havia que provar que as aulas não serviam apenas para ocupar tempo. Ora, sendo este o panorama que existia num regime onde o salazarismo não apreciava muito que o povo fosse demasiado culto, porque o princípio era o de que a ignorância facilita mais a política da repressão, era de esperar que a Revolução, tida como de propósito democrático, trouxesse aos Governos que se têm sucedido as condições para a instrução escolar dos vários níveis subisse de qualidade e abrangesse o maior número possível de cidadãos de todas as idades e classe sociais.
É verdade que o número de escolas aumentou e que abriram várias faculdades privadas, assim como as dificuldades que existiam antes para os trabalhadores-estudantes diminuíram alguma coisa (e eu bem sofri na minha altura pelas manobras que eram necessárias para sustentar as duas posições), mas a realidade a que se assiste hoje é que toda essa mudança não passou de um “fogo fátuo”. É que actualmente até se está a verificar, por esse País fora, um devastador encerramento de escolas primárias (porque o Estado não tem dinheiro para suportar essas despesas), sobretudo em vilas e aldeias no interior, assim como também estão a abrir falência as faculdades privadas que, até agora e numa habilidade de nenhuma utilidade para quem procura saber, têm dado licenciaturas e doutoramentos em cursos que estão ainda por definir para que servem.
Não bastando a inquietação que grassa pelo nosso Portugal no que diz respeito aos variados problemas que atormentam os cidadãos, é o nível de saber dos portugueses que não melhorou o que tem de ser considerado como nível mínimo para ombrearmos com os parceiros europeus. Também se sabe que, este ano lectivo, foram menos 50 mil alunos que se matricularam no 1.º ciclo do Ensino Básico, o que também é consequência da descida de natalidade que tem ocorrido no nosso País.
Podem os optimistas de serviço cantarem as loas que quiserem aos benefícios que auferimos com as governações que nos têm cabido. Mas a verdade é bem diferente. Não é só o nível de vida que se distancia cada dia que passa da média europeia. É igualmente a barreira do saber que se mostra sucessivamente mais alta para uma população a que não lhe basta consumir em profusão os telemóveis e os computadores Magalhães. É preciso mais e, como tenho largamente difundido a minha opinião no capítulo da preparação da classe infantil, é aí que deveria ter sido introduzida há bastante tempo a aula prática de Democracia, pois são necessárias várias gerações para que esse espírito passe a fazer parte dos hábitos dos cidadãos e é sabido que, em particular no caso dos portugueses, existe uma grande dificuldade em saber ouvir os outros e aceitar o que cada um pensa. Isso não passa sem se começar de pequenino.
Mas os nossos governantes entendem que não e consideram mais importante encher-lhes os olhos com o Magalhães e com a língua inglesa. Eles lá sabem… mas pouco.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

QUERO VOLTAR PARA A ILHA!...


AQUELA ILHA deserta que faz parte de uma cena num programa televisivo, em que o náufrago que lá permaneceu longo tempo, longe de Portugal, é salvo por um barco português de passageiros que passou na altura e teve a alegria de se encontrar de novo entre compatriotas, beijando até a bandeira nacional, pois é precisamente essa ocorrência que me sugere escrever agora este texto. Quem já teve oportunidade de assistir a este cómico episódio sabe que, em face das más notícias que os passageiros que o acolheram lhe vão dando em relação ao que ocorre no Portugal tão desejado pelo náufrago, ocasiona a que, por diversas ocasiões, o desconsolado compatriota se agarre à amurada do barco, tentando atirar-se e grite: “quero voltar para a ilha!”
Estando dispostos a percorrer todos os episódios que, sucessivamente, têm lugar no nosso País – e, para isso, basta estar atento, todos os dias, ao que se passa dentro das nossas fronteiras -, a quantidade e as características dos acontecimentos levam-nos a que, conscientemente, também tenhamos a tentação de saltar do navio e desejar instalarmo-nos numa ilha que, embora isolada, não nos provoque tanta aflição e descontentamento como os que somos forçados a suportar com os pés assentes na dita terra civilizada.
Eu bem desejaria não ter de enfileirar neste texto uma série de tristes espectáculos que vão passando, mantendo-se algumas imagens na nossa cabeça e sendo substituídas por outras que se sobrepõem por mais recentes. Mas basta dar uma vista de olhos nas últimas notícias divulgadas para logo ficarmos com grande desejo de sairmos desta baralhada que se agrava de dia para dia.
Bem, já nem vale a pena referir a situação do julgamento do caso Casa Pia, em que a Justiça se comportou de tal maneira que só serviu para aumentar a desconfiança pública em relação a um sector que tem obrigação de funcionar impecavelmente e que, sendo só ontem entregue o acórdão que é essencial para os acusados que sofreram as penas e os seus advogados possam usar os meios para defesa, veio permitir que outra cena, não menos desprestigiante, a utilizada pelo acusado Carlos Cruz, tivesse podido ser utilizada com um exagero criticável. E devo esclarecer, no entanto, que não foi a aplicação de penas aos considerados pedófilos que tira valor à nossa Justiça, mas sim pelo tempo que levou a encontrar-se um desfecho, o que não é admissível nos tempos modernos e coisa que não sucedia antes, quando os computadores nem sequer existiam.
Mas muito mais há a acrescentar ao rol de disparates que não fazem criar o apetite de ficar por cá. Como, por exemplo, a incapacidade mostrada pelos governantes no que diz respeito à diminuição drástica do vergonhoso número de desempregados, os quais atingiram, nesta altura, um número assustador, ocupando-se os políticos que temos por cá em envolverem-se em confrontos em vez de deitarem mãos ao que pode contribuir na criação de mais produtividade, através de incentivos que devem substituir as burocracias que constituem outra doença nacional. Essa mancha horrenda de gente sem trabalho não constitui um apetite de viver em Portugal, muito embora o total de desocupados por esse mundo fora atingiu já o número astronómico de 210 milhões de indivíduos. Mas não é essa praga que ocorre também noutros países, que nos pode gozar de um certo optimismo, pois temos de perder o hábito de nos congratularmos por estar melhor do que alguns deles, em vez de procurarmos seguir os bons exemplos e tentarmos aprender alguma coisa com os bons resultados que ocorrem também lá fora.
O custo da dívida pública dispara todos os dias e o que nos espera ainda, muito em breve, com o pagamento das dívidas e até os seus elevados juros que nos exigem os credores, tudo isso leva-nos ao impulso de querer fugir ou de, no mínimo, enviar os nossos descendentes para outras paragens.
Temos de encontrar uma ilha que possa acolher aqueles que estão condenados a tentar sobreviver nesta Rectângulo, dado que nós próprios não temos possibilidade de saltar do barco a afundar-se em que navegamos.
Se assim fosse, com excepção daqueles que, entre nós, gozam de boa vida e de desafogo graças às remunerações que conseguem através de ordenados imorais e de reformas duplicadas e triplicadas, haveria bicha de cidadãos portugueses, nalgum local, para se atirarem ao mar, na busca da tal ilha do náufrago. Só um pequeno aparte: o que seria necessário era encontrar uma forma de saber o que se faria ao milhão e 700 mil telemóveis que foram adquiridos no semestre que atravessamos e isso só no nosso País.
Há mistérios que o ser humano proporciona e que não existe maneira de encontrar resposta. Iríamos todos para a ilha e lá usaríamos o aparelho das conversas, as que os portugueses não dispensam no seu dia-a-dia, seja no meio do trabalho ou nas compras do supermercado.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

INSPIRAÇÃO

Inspiração, o que é isso?
Algo que me põe mortiço
não pode ser um feitiço
mas é coisa que cobiço
às vezes tenho-a ao pé
tento agarrá-la até
mas faz tratos de polé
e não quer nada com o Zé

É o que sucede agora
eu que escrevo portas fora
p’ra ver se dou com ela
estou prestes a ir-me embora
e vou escrever p’ra janela

Sim, escrever eu bem faço
já foi em papel almaço
agora é onde calha
pr’alimentar as ideias
e p’ra ganhar a batalha
não posso ficar a meias
e vou enchendo as folhas
usando até saca-rolhas
p’ra destapar a garrafa
essa que terá lá dentro
produto de muitos anos
e tem pretensões a centro
dos poetas lusitanos
mas o que mostra à gente
é que não anda lá rente

Aceito a realidade
mesmo sendo uma maldade
afinal eu nunca vi
e também nunca li
poemas vindos do Além
nem outras artes também
saídas das mãos de Deus
o que convertia os ateus
não posso então comparar
o que me deixa imaginar
que não serei tão mau assim
e que será até ao fim
que andarei nesta luta
sem certeza absoluta
da imaginação conseguir
e de fazê-la sentir
que era bem aproveitada
por quem estando de abalada
o que quer é deixar obra
que não seja apenas sobra
mas mereça elogio
em vez de grande fastio

Inspiração eu procuro
para atravessar o muro



DESENCANTO POR ENQUANTO!...


O que é isso de não fazer sentido? E de ter sentido?
De ter que ver com o que fazemos e com o que dizemos?
Em princípio, a própria expressão tem falta de sentido gramatical. O sentido não se faz, tem-se. Ter sentido é ter orientação. Depois, se se pretende com a referida frase significar que algo não vem a propósito, que está fora do tempo e do lugar, então não se trata de sentido, mas sim de colocação do que se faz e do que se diz, no tempo e no espaço.
Admitindo, porém, que fazer sentido quererá dizer que se é coerente, que se actua na altura própria com os meios mais adequados e com a fraseologia que se adapta melhor às circunstâncias, nesse caso é admissível afirmar-se que tudo faz sentido neste mundo, tal como ele foi concebido, e do qual o Homem, se apropriou e passou a explorar.
Se a própria vida, a morte, a felicidade, a desgraça, o trabalho, o desemprego, a saúde, a doença, o ódio, o amor, a alma caridosa, o mal feitor e por aí fora, se tudo isso tem sentido, porque existe, porque foi assim que a esfera terrestre foi criada, com benefícios e malefícios, logo, tudo tem sentido, dentro da expressão discutível mas aceitável pela vulgarização do emprego.
Ao fim e ao cabo, o que não fará qualquer sentido é este texto, escrito um pouco a contra-gosto. Se, o que se tornou uso e costume já não oferece discussão, se o tal fazer sentido se aplica sem discussão do seu significado etimológico, logo, que se continue a usar essa expressão quando se pretende discordar daquilo que alguém faz e ou diz.
Eu, por mim, fico-me pela expressão disparate. Pelo menos não oferece dúvidas!

domingo, 12 de setembro de 2010

BABA E RANHO

Isto não está para rir
mas não resolve chorar
aumenta a gente a pedir
cada vez menos a dar

É estranho
A baba e ranho

porque carpir é humano
sentir dor por qualquer cousa
sofrer efeitos do dano
admirar quem repousa

Tudo isso é natural
a tristeza bem assoma
pois que neste Portugal
viver não é uma broma

E não é pelo tamanho
Que se chora baba e ranho

termo que o povo utiliza
p’ra expressar o sofrimento
não sendo forma precisa
sempre é o que sente dentro

Porque o choramingar
é maneira pouco clara
de querer desabafar
sem molhar demais a cara

E se eu dou o que tenho
Pois que seja baba e ranho

a quem não acreditar
tiro as dúvidas que houver

e ao verem-me chorar
baba e ranho aparecer

TRAPALHICES


HAVERÁ POR ESSE MUNDO, a desempenhar funções de responsabilidade pública, indivíduos que se assemelhem aos trapalhões e desajeitados que temos por cá em lugares que deveriam constituir o exemplo da competência e do bom senso? Bem gostaria de, neste particular, repetir as frases habituais de José Sócrates, que sempre se empenha em apontar como exemplares as ocorrências no nosso País, mas não sou capaz de ser o contentinho da silva e prefiro apontar os erros, na esperança de que algo ocorra de rectificativo nesta nossa Terra. Face às faltas que nós próprios encontramos naquilo em que temos o direito de não os esconder, sobretudo por andarmos convencidos de que somos exemplares, devido a essa circunstância não nos surge a possibilidade de emendar, mesmo que defeitos todos os tenham e nós não teremos de ser uma excepção. Mas, o ireito à indignação, em Democracia ninguém nos pode retirar.
Vem isto a propósito de quê? Então, aquela situação criada pelo tribunal que julgou o chamado processo Casa Pia, e em que não foi lida, como era devido, na altura da declaração da sentença dos réus implicados, a tão proclamada “súmula”, acórdão que anularia qualquer tentativa de exploração de hipóteses e de declarações tão expandidas a seguir por parte dos julgados que não se conformaram com o resultado de serem considerados culpados, e, ainda por cima, os anúncios que surgiram depois, repetidamente, de que é hoje, é finalmente agora, vem já aí, na próxima segunda-feira, anunciou-se, o tal documento que teria evitado todas as declarações públicas e publicitárias que foram utilizadas, como as que foram largamente exploradas com a alusão de que a Justiça se enganou nas penas aplicadas, isso se esse tal acórdão apresentar, de facto, provas de que existiram, sem dúvida, actos de pedofilia que justificam em absoluto as penas aplicadas. E bem basta que, inexplicavelmente, tivessem os órgãos de comunicação, especialmente a RTP, dado preferência exagerada em espaço ao aparecimento de um dos acusados, Carlos Cruz, como se tivesse sido apenas ele a receber as culpas dos actos de pedofilia. A menos que os restantes seis não tenham nada a contradizer em relação à decisão do Tribunal. O que não é o caso.
Quem pode deitar a mão a esta situação tão ridícula e, sobretudo, tão desprestigiante para a já tão pouco acreditada Justiça portuguesa? Fica-se à espera de saber, se é que alguma vez surgirá uma justificação plausível e convincente, que tudo tem motivo plausível para ter acontecido.
Mas não é só isto. Então o caso Carlos Queiroz não representa outra prova de que os portugueses, bastantes deles e sempre os que se situam nas montras da opinião nacional, constituem uma demonstração de que ganhamos todos os concursos da trapalhice, pois temos a capacidade de embrulhar em asneiras aquilo que, com bom senso e competência mínima, se resolveria sem as costumadas contestações de que tanto gostamos? Ter arrastado um processo e permitido que surgissem na opinião de rua as mais variadas posições, prós e contras, quando a solução estava mais do que vista que seria o proteger, à custa do que fosse, uma selecção nacional de futebol – já que a temos, então defendamo-la -, essa molenguice ocasionou a confusão de todos conhecida.
Basta de tanta incompetência. Os problemas que temos de enfrentar na actual situação já chegam e sobejam para ocupar as nossas preocupações. Criar ainda outros deste tipo, isso é que tem de nos revoltar a todos nós, os que não andamos agarrados às questiúnculas que não resolvem nenhum dos problemas que, de dia para dia, ainda aumentam face à dívida pública de muitos milhares de milhões de euros que já nos está a calhar e que, aos nossos descendentes, vai ser deixada para que eles resolvam. Uma maldade!
Mas não. O importante é todo o tipo de pequenas situações que não aquecem nem arrefecem no que é verdadeiramente grave: a nossa subsistência!

sábado, 11 de setembro de 2010

VIAJAR

As viagens muito ajudam
do casulo se sair
de certa maneira mudam
o que se chama o sentir

Mas olhar sem se ver
ao ir a outros países
não chega para entender
o que são suas raízes

Cada terra, cada povo
tem aquilo que é só seu
pois só ao abrir um ovo
se sabe o que ali se deu

Convém antes de partir
sua História conhecer
pois isso dá p’ra sentir
o que está além do ver

Pois ir só de mala às costas
sem ter bem limpa a vista
é não desejar respostas
p’ra tudo que seja pista

É como quem mete a mão
em saco sem ver o fundo
joga à sorte uma ilusão
sem s’interessar p’lo mundo

Mas ir lá longe p’ra ver
não chega o só sentir
porque no fim há que crer
qu’importa saber ouvir

Três sentidos bem abertos
todo o tempo aproveitado
se se derem passos certos
se disfarça o cansado

Sair p’ra lá do convívio
nada de novo trazer
em vez de sentir alívio
é um pouco fenecer

E de novo algo trazer
é por certo novidade
mas o contrário fazer
tem a sua utilidade

Quem viaja faz turismo
intercâmbio de maneiras
e isso o nosso lusismo
não pode encontrar barreiras

Percorramos sim o mundo
mostremos o que nós somos
não percamos um segundo
a lembrar o que nós fomos

Sobretudo o que fizemos
em séculos já bem distantes
dizendo alto o que demos
ao mundo com navegantes

Mas receber bem em casa
abrindo portas em par
é qualidade que apraza
a quem vier visitar

Aqui fica este recado
deixado como eficaz
e se for sempre lembrado
fica ao serviço da paz

ATÉ EM MARROCOS


O ACIDENTE que ocorreu na zona marroquina, com um autocarro que transportava turistas portugueses e que se despistou, causando a morte a nove passageiros e deixando feridos 36 também com a nossa nacionalidade, este acontecimento fez-me recuar cerca de 55 anos, pois foi exactamente nessa altura que eu, acabado de me estrear na profissão de jornalista, fiz uma viagem idêntica como repórter e, tendo usado o navio “Vera Cruz”para efectuar o trajecto de Lisboa até Tânger, percorri uma área que incluía também Tetuã, dormindo todas as noites no barco, tendo sido publicado esse meu trabalho numa revista que então me estreou e eu estreei como trabalhador na comunicação social, que se chamou “Mundo Ilustrado”. E até tive como companheiro de cabina o que foi também meu mestre, o grande homem dos jornais Norberto Lopes, que, por sinal, ressonava de noite de forma estrondosa. Disso nunca mais me esqueci.
Pois, na verdade, há muitos acontecimentos que se repetem na vida, e este terá sido uma cópia daquele que deu ocasião a que tivesse exercido a minha primeira actividade jornalística no exterior. Só que, felizmente, não ocorreu nenhum acidente e muito menos desta monta, se bem que também se tivessem percorrido diversas localidades para colher elementos de interesse para publicar no órgão de Informação a que cada um pertencia.
Muito embora as minhas viagens pelo mundo se tivessem multiplicado por inúmeros países, não voltei a pisar Marrocos, excepto no que diz respeito à área de língua francesa, Casablanca e Rabat, aqui, por sinal, onde entrevistei o já desaparecido líder da Unita, Jonas Savimbi, que me deixou até uma excelente impressão. Mas ficou-me bem gravada na memória toda aquela civilização muçulmana que, na altura, era ainda mais estranha para nós, portugueses, porque os contactos europeus com os hábitos ligados ao Islão eram pouco frequentes e apenas os espanhóis, sobretudo os do Sul, tinham algum relacionamento com o povo que, muito mais tarde historicamente do que sucedeu em Portugal, abandonou o território dos nossos vizinhos.
Mas, há que reconhecer que, muito embora as relações com o resto do mundo, por parte dos governantes marroquinos, se verifique serem indiscutivelmente amistosas e civilizadas, não é o mesmo que ocorre com a maioria dos restantes espaços onde se pratica a religião muçulmana, ou melhor dito islamita, onde ocorre, para além das nítidas diferenças de comportamento, sobretudo no que diz respeito ao elemento feminino, é notória um determinado distanciamento, que é consequência de não serem aceites com naturalidade as diferenças e em que a prática fundamentalista de uma religião própria não deixa margem para que sejam aceites outras formas de ter fé. É o Alcorão e ponto final!
Só que, do lado de cá também não temos muito moral para apontar esse defeito, dado que a atitude divulgado de um americano que pretendia queimar na praça pública um montão de livros do Alcorão, esse gesto, parece que já renunciado, não dá mostras de sermos todos capazes de aceitar as preferências dos outros, sem que se manifeste uma repulsa que não é justificada por nenhum razão.
Ao fim e ao cabo, nem Allah nem o Deus que rege dos Céus os passos dos que se situam nesta área chegaram para ter evitado um acidente que vitimou bastante gente e que pôs ponto final no prazer de uma viagem que todos gozavam. Dá para pensar. Ou nem isso, posto que os homens pretendem ser donos dos seus actos e só se prevêem alguma fatalidade é que solicitam a ajuda do Além.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

ISOLAMENTO

Há quem não seja capaz de estar só
De se entranhar, de consigo viver
De se enfiar no seu próprio guarda-pó
E de discutir sozinho o seu querer

Há gente assim, que gosta de multidões
Que só consegue andar na confusão
Quer o seu mundo cheio de atenções
Mesmo que daí não saia conclusão

Que bom, por isso, é o silêncio da noite
Ainda que não exista quem se afoite
A ter à sua volta só penumbra

Ainda assim e estando a pensar alto
Sem nada que lhe provoque sobressalto
É algo que ao solitário deslumbr
a

GASTAR VILANAGEM!...


ESTE TEMA tem sido ultimamente debatido insistentemente na comunicação social, mas não tanto como se se tratasse de um assunto que envolvesse situações relacionadas com futebol ou com aqueles casos em que estão envolvidas figuras públicas que chamam a atenção pelos motivos mais pueris mas que provocam sempre interesse de leitura à massa de gente que não perde pitada desses tipos de notícias. Refiro-me à inauguração, com a presença desse ministro da Defesa que já teve outras funções nos governos de Sócrates, e em que foi largamente demonstrado o interior da nave que aumentou ainda mais a nossa dívida pública, a qual subirá outro tanto quando chegar a Portugal o segundo submarino de que Paulo Portas, quando desempenhou as funções de responsável governamental pela pasta militar, negociou a compra.
Ora bem, este “tridente”, que assim se chama esta aquisição aos alemães que constitui mais um pesadelo de pagamento mais tarde pelos portugueses que cá estiverem nessa altura, e não é assim tão longínquo o prazo, mereceu as honras de uma tão costumada e apreciada manifestação solene, muito embora, desta vez – e compreende-se o cuidado tido por José Sócrates de não ser ele a proceder à inauguração, como costuma fazer por tudo e por nada que entra em funções e até só pelo facto de se anunciar o início de um projecto -, tivesse sido passado encargo a um ministro que não tem merecido grande credibilidade pelo seu comportamento nas funções que lhe têm sido atribuídas.
Mas, mesmo que neste blogue me tenha indignado bastante pelo acto que merecia claramente a responsabilização do principal causador de toda uma aquisição que, apurou-se já, não teve o tratamento contratual que obrigaria, sem haver motivo para escusa, à aquisição de produtos de origem portuguesa no valor total dos dois submarinos, milhões de euros, não posso deixar de voltar a clamar pela chamada à liça quem deu origem a este compromisso e que não pode passar impune, quanto mais não seja através da demonstração pública de que se trata de alguém que não pode voltar a exercer funções governativas de qualquer espécie.
Isto de haver quem ocasione situações verdadeiramente gravosas ao nosso País e que fique impune e nem sequer surja a esclarecer, de forma inequívoca, o que levou a tomar a iniciativa que, como esta dos submarinos, representa um esforço que todos os portugueses têm de suportar, tal benevolência não é admissível, pois que se um funcionário público qualquer, por mais modestas que sejam as suas funções, praticar um acto que ocasione prejuízo nítido ao Estado, logo terá que se defrontar com uma acção punitiva que pode ir para além da cessação das suas funções.
Mas que digo eu aqui neste simples blogue? Até parece que não vivo neste País e que acredito que a mudança de regime no Abril de 74 alterou completamente as mentalidades de fundo desta gente que por cá continua a andar !...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

DEFINHANDO


Nem sol nem chuva
umas nuvens que causam incerteza
nada assenta como uma luva
tudo provocou já surpresa
será a vida uma chateza
não vale nem um bago de uva

Andar assim à toa
sem saber o que fazer
olhar para Lisboa
dando para entristecer
pensar no que poderia causar tanto prazer
a mim, como no seu tempo a Pessoa

Vai definhando
Falta imaginação
com todo o tempo que foi passando
não houve quem tivesse mão
para ir resguardando
o que nos foi deixado por missão

Capital tão bela
que tantos invejaram
podia ser hoje aquela
que lisboetas desejaram
mas por fim não alcançaram
nem olhando da janela

FIGURAS NA MODA




COMO GOSTAMOS nós, portugueses, de individualizar as questões que surgem consecutivamente no nosso espaço. Claro que o Sócrates, por maioria da razão, é o que está sempre em foco e aquele já tão fastidioso assunto da Freeport não salta sem que esteja envolvido de imediato o nome de quem, na opinião pública e por mais que o próprio se insurja com ar de vítima, é e continua a ser o principal intérprete de um folhetim que a Justiça não dá mostras de agilidade suficiente para solucionar de vez tal questão.
E como os temas se sucedem dão ocasião aos cidadãos que somos de atentar continuadamente em assuntos que sobretudo distraem muito a atenção do público principal do que deveria constituir a preocupação primeira daquilo que é, de facto, o que atormenta as vidas da maioria esmagadora de nós que nascemos e vivemos em Portugal, esses temas são revestidos de uma certa dose de teatralidade que consegue absorver as imaginações de todos. Assim se tem passado com o chamado caso Casa Pia e agora, cumulativamente, o do seleccionador que caiu em desgraça, sendo que os respectivos nomes que pululam em tudo que é informação são aqueles que andam nas bocas de toda a gente: os de Carlos Cruz e de Carlos Queiroz.
Ao longo do tempo que ocupa a nossa existência dos tempos mais recente sucedem-se as personagens que tomam o lugar de vedetas – mesmo que mal vistas – dos acontecimentos que despertam a atenção do povo lusitano e que é facilmente conquistado pelos folhetinescos casos que vão preenchendo espaços nos jornais e nas televisões. E o exagero das notícias, a repetição doentia da publicitação do que se procura prolongar até ao esgotamento da matéria faz com que gente que não mereceria tamanha publicitação passe a figurar como verdadeiras figuras vitoriosas. Uma lástima!
Não vou entrar neste texto na avaliação das figuras em causa, destas duas como poderiam ser outras mais, porque considero que os julgamentos têm de pertencer a quem para essas funções é escolhido. Tenho, evidentemente a minha opinião e, apenas como cidadão, não posso deixar de me insurgir que, num caso, terem sido usadas e abusadas sexualmente crianças de uma instituição que, sendo pública, deveria ser responsabilizada (e, obviamente, os seus dirigentes) pelo facto de ter sido consentidos os actos que se apontam. E aí, sem apelo nem agravo, a Justiça entrar e deixar marca exemplar. Logo, absolvidos não deveriam ficar nenhuns e se foram os acusados agora ou outros (ou “e outros”), o certo é que a Justiça deve ser eficaz e rápida, o que não sucede no nosso País.
Na área do futebol, para além de que, face às circunstâncias difíceis que se vivem no sector publico português, todos os dispêndios que sejam aplicados em zonas que não se incluem na classificação de primeira necessidade, deveriam ser postos de lado, já que há quem considere que os campeonatos futebolísticos – e aí estão os vários estádios que foram construídos e que se encontram sem grande utilização -, pelos menos que não se perca agora tempo e dinheiro a assistir a zangas de gente malcriada e não se proceda, no espaço de horas, à arrumação de um assunto que se sabe bem como seria posto no seu lugar. Tanto mais que, conforme se tem visto, isso de Portugal se encontrar em condições de discutir com outros países as vitórias em competições internacionais, é coisa que já pertenceu ao passado e, por agora, o que constituiria uma atitude de bom senso era limitarmo-nos aos desafios dentro de portas e com os custos limitados aos clubes que não custem dinheiro ao Estado.
Eu sei que esta atitude tem uma porção enorme de gente que discorda. O futebol, como em tempos o fado e Fátima, fazem parte do conjunto de “Fs” que muitos compatriotas não querem perder do seu horizonte, mas que haja paciência e que nos compenetremos todos, mas todos, que a dívida pública resultante dos empréstimos que contraiu Portugal ascendem, no ano próximo, a quase 8 mil milhões de euros, o que quer dizer que, em 1911, já amanhã, vão ser cerca de 20 milhões de euros DIÁRIOS que terão de sair dos cofres estatais, ou seja, dos nossos bolsos.
Não querem pensar nisto? Pois é, então que continuemos a prestar grande atenção aos futebóis…

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

AS CONTRADIÇÕES

A vida tem dessas coisas
de contra a lógica avançar
nem tudo é um mar de rosas
há caminhos a arrepiar

São as tais contradições
por vezes inesperadas
que provocam as tensões
nas gentes mais sossegadas

O homem nisso é perito
contradiz-se a cada passo
e dá sinais de aflito

o que provoca embaraço
e quando surge o atrito
é que mostra o seu fracasso


LISBOA APRECIADA


CAMPO DE OURIQUE, é um bairro lisboeta que me consegue convencer. Pelas suas ruas que a cruzam, pela ausência de subidas e descidas pois toda ela está instalada num planalto, já que a chamada Baixa, que se situa a alguma distância e é servida pelos eléctricos da linha 28, encontra-se no fundo de algumas ravinas, pois esta zona é também por mim apreciada porque as pessoas que a habitam se conhecem umas às outras,dado mesmo que não convivam sabem quem são.
Ainda que tenha alguma dificuldade em decorar os nomes das suas ruas, eu sei encontrá-las, paralelas ou perpendiculares à principal, que é a rua Ferreira Borges, assim como conheço, de uma forma geral, os estabelecimentos que lá estão instalados, se bem que, verdade seja dita, na fase actual é enorme a quantidade que vai encerrando as suas portas, por motivo da crise que não perdoa, mas, mesmo assim, ainda se vão aguentando umas tantas que, sendo antigas, terão poucos gastos fixos e serão os seus proprietários que abrem e fecham as portas. Mas, por exemplo, o meu café matutino, onde escrevo as minhas prosas e arranco as poesias que se vão depois acumulando no disco do meu computador, não sendo já o mesmo de antes, pois esse mudou de ramo, depois é outro que me adoptou e que eu vou conservando até não ocorrer outra mudança. Até, como excepção do que ocorre agora, abriu um simpático local que pretende agarrar os moradores da zona através da simpatia e possibilidade que dá de voltarem a existir as antigas tertúlias que desapareceram da nossa cidade. Chama-se, salvo erro, “Maximum” (ou será “Minimum”?), que o nome é o que menos interessa, até porque afinal chama-se MOMENTVM...
Este café e também onde se podem apreciar algumas delícias, pelo sítio onde se localiza e pela freguesia que o frequenta é para mim o mais importante para poder servir de acolhimento às minhas necessidades de reflexão e de busca de imaginação. E depois, porque o hábito também ajuda muito a puxar pela veia, dado que o escrever sempre no mesmo sítio, com a mesma mesa e a mesma cadeira é meio caminho andado para forçar a produção literária.
Nesta altura em que escrevo este texto estou a ver passar os transeuntes, a maioria caras que me não são estranhas e formada, na maioria parte dos casos por gente de idade, pois este bairro está a acumular uma população que se encontra preparada para utilizar o local da sua recolha final, por curiosidade um cemitério que tem um nome irónico, o dos Prazeres!...
Não me venha dizer que não vale a pena ter escolhido o bairro de Campo de Ourique para viver e, como é o caso de muita gente, ser agora o local onde se goza a reforma, ainda que, perante as perspectivas que se avizinham, as preocupações no que diz respeito ao futuro sejam bem difíceis de enfrentar. Mas esse também é um assunto que os moradores comentam e que o próprio mercado que aqui existe e o jardim da Parada, que onde os homens se juntam à volta de mesas a utilizar as cartas para passar o tempo, são locais apropriados para as trocas de impressões.
Campo de Ourique é um resto de uma Lisboa antiga que, para além de Alfama, Bairro Alto, Bica, Madragoa e pouco mais se conserva por algum tempo com raízes. Porque isto de Lisboa ser coisa boa, como a canção diz, é tema que todas as modernidades têm vindo a eliminar. Mas os novos, os que já cá estão e aqueles que virão ocupar o espaço e o tempo do que vai mudando, esses talvez encontrem forma de substituir o tradicional e oxalá essa mudança represente uma melhoria daquilo que vai desaparecendo.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

DAR NAS VISTAS

Sair-se do formato sempre igual
ao que por toda a parte se encontra
pode parecer uma mera afronta
mas também ser coisa natural

Há quem se diferencie e só isso
por pertencer ao grupo dos solistas
não é que pretenda só dar nas vistas
e com isso assumir um compromisso

Mas dos outros chamar a atenção
pelo seu porte e modos d’aparecer
há quem o faça por outra razão

Apenas p’ra mostrar que é um ser
que dá nas vistas com uma intenção
a de fazer inveja só de o ver


CUSTOS ESCOLARES


CÁ VENHO EU preencher o espaço do meu blogue diário com uma opinião que tem a ver com a luta que é, nos tempos que correm, absolutamente necessária, no capítulo da diminuição de gastos, não só por parte do Estado mas também no que diz respeito aos que são suportados pelos cidadãos portugueses, sobretudo aqueles que enfrentam dificuldades enormes face aos baixos ordenados e até às situações difíceis que surgem inesperadamente, como é a medonha do desemprego que grassa por aí e que as famílias são forçadas a aguentar.
Atravessamos agora a época em que os filhos na idade própria ingressam, pela primeira vez ou no acto lectivo que se iniciou e que têm de frequentar, e em que os custos respectivos com a aquisição dos livros e dos acessórios que o estudo impõe, atingem, por cabeça infantil ou juvenil, montantes que, na maioria dos casos, são insuportáveis pelas famílias. E, de ano para ano, os compêndios de estudos que os professores exigem mudam, sendo que os que foram utilizados no período anterior já não servem para o prosseguimento dos cursos. E isto sucede quer nas classes infantis como depois no secundário e nos cursos superiores.
Ora bem, Será possível que os governantes que ocuparam os lugares da Educação depois do 25 de Abril, altura propícia para emendar o que funcionasse erradamente antes e até hoje, 36 anos depois, não surgisse um responsável que fizesse o que sucedeu, por exemplo, na minha juventude, em que, com uma irmã mais velha, frequentando as escolas com um ano de avanço, me passava os livros de estudo que já não lhe serviam mas que se aplicavam à classe em que eu andava. Lembro-me, por exemplo, dos livros de História, de António C. Matoso, que serviam de base durante mais de um ano e outros, como os de inglês, matemática, etc.
Quer dizer, nessa altura não havia a negociata das editoras de livros escolares que, todos os anos, e de acordo com autores-professores que se dedicam a lançar produções sempre diferentes, obrigam as famílias a despender verbas avultadas para ter os filhos a seguir as classes e de acordo com as exigências de cada escola.
Será então assim tão difícil criar a continuidade do uso dos compêndios escolares, por forma a que os responsáveis pela sustentação dos alunos não tenham que, todos os anos, fazer o enorme sacrifício de deixar nas livrarias e papelarias grandes quantidades de dinheiro o que, nos dias que correm, constitui uma vilania que não se desculpa aos responsáveis governamentais da Educação.
Ao menos que se instituísse a venda de livros das escolas em segunda mão, coisa que, podendo desgostar a alguma gente, seria sem dúvida aproveitada pelos pais responsáveis mas sem meios. A necessidade aguça o engenho e é isto mesmo que os governantes que temos, estes e outros, não são capazes de reconhecer que o que lhes falta também é capacidade de enfrentar os problemas e resolvê-los a bem dos cidadãos.
Falar, falar mas não actuar com medidas que, na prática, tenham a sua utilidade e representem soluções para problemas que necessitam da actuação dos que se encontram nas áreas da governação?
E é isto que Portugal vai sofrendo, passo a passo e a caminho do cada vez pior que somos forçados a suportar.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A SOMBRA

A sombra que vejo e não fala
que não a apalpo mas sei que existe
que me persegue e é bem vassala
daquilo que tudo em mim é triste
essa figura que me imita só no gesto
que repete tudo aquilo que faço
não é acordo nem protesto
mais me parece um bom palhaço

Precisa de luz para me reflectir
pois na escuridão desaparece
avisa-me também para fugir
e volta a surgir quando amanhece
agradece ao Sol o seu esplendor
e é nas ruas que mais se nota
eu sei que sou eu o seu benfeitor
aquele que marca a sua rota

Sombra querida enquanto eu viver
tu andarás bem perto de mim
e ninguém pode jamais antever
o dia em que chegaremos ao fim
da nossa caminhada lado a lado
sendo eu como tu e tu como eu
não existirá mais o nosso enfado
de nos perguntarmos se haverá céu

SE EU MANDASSE!...


JÁ NÃO É A PRIMEIRA vez que, nas televisões portuguesas, é feita a pergunta a telespectadores de rua, em que o tema é: “se mandasse o que é que fazia?”. E as respostas que surgem, por se tratarem de entrevistados sem preparação e em que o problema pessoal de cada um é o que lhe salta logo à boca, não representando quase nunca uma forma de ser encarada como tratando-se de uma solução que satisfaça as necessidades concretas do nosso País. Nem, naturalmente, os inquiridores estarão à espera de deparar, ao virar da esquina, com o “milagre” de surgir o remédio milagroso que porá tudo na ordem.
Se a pergunta me fosse feita, não hesitaria em dizer: Não sei! E explico esta minha franqueza.
Na situação actual portuguesa, vivendo nós num regime democrático que tem de obedecer às suas regras e que não permite que a vontade prepotente de uma figura se sobreponha ao que é possível executar, perante a fraqueza que nos atingiu e de que não vale já a pena apontar os seus causadores que, sendo vários, uns mais distantes e outros que se situam ainda nos cadeirões do poder, não é por lhes dirigirmos acusações que conseguimos efectuar o importante e que é o conseguirmos sair da rotura financeira e económica em que estamos colocados. Sendo assim, se fosse obrigado a aceitar aquilo que, por cá, já não se vislumbra quem se encontre ansioso por desempenhar as funções de primeiro-ministro de um Governo não maioritário, depois de reflectir seriamente no embroglio em que tinha sido metido, tendo escolhido o complemento ministerial que julgasse mais adequado às circunstâncias, a primeira acção que desempenharia era a de me dirigir aos portugueses e, numa fala franca, simples e credível, fazer-lhes o relato aberto do panorama do nosso País, da mesma forma que um médico sério deve declarar à família de um doente em estado adiantado de enfermidade quais seriam as perspectivas de salvação do ser que, de olhos arregalados, aguarda que surta a salvação ainda que milagrosa.
Ao contrário dos partidários de que é preferível pintar de cores vistosas as paredes em estado de queda, eu sempre defendi neste meu blogue e noutros escritos de que assumo a responsabilidade que não é coerente esconder a realidade, pois que só alertando os interessados é que será possível obter a sua colaboração nos esforços de salvamento.
Por isso, a primeira coisa que faria era mostrar com provas indiscutíveis que Portugal se encontra numa situação de perto da “banca-rota”, em que as Finanças não podem garantir o cumprimento de todas as obrigações que lhe cabem, encontrando-se perto de as próprias reformas terem de ser lapidadas, primeiro em parte e depois, sabe-se lá em quanto.
A seguir, avisaria que as medidas que iriam entrar em vigor de imediato, sem perda de tempo, seriam as de um corte radical nas despesas que não se admitem ainda existirem, como as regalias de todos os tipos que alguns servidores do Estado e de empresas públicas e semi-públicas continuam a auferir, como sejam viaturas, motoristas, (a partir de secretário de Estado acabavam tais benesses), instalações e até a existência dessas dependências que teriam de ser drasticamente extintas. Os funcionários que ficassem sem actividade, a esses haveria que procurar colocá-los onde exista exiguidade dos mesmos ou, em último recurso, estudar a forma de os dispensar em condições humanas. Seria duro, mas não havia outra forma de actuar.
Tudo isto daria ocasião a que os cidadãos acompanhassem a par e passo o que se estava a fazer, por forma a que aceitassem, eles próprios, os sacrifícios que lhes coubessem.
No capítulo da produtividade, o Estado, através dessa dependência que não há forma de dar provas de ser eficiente, o AICEP, com Basílio Horta à frente, teria de, reduzindo também o número de instalações que, sendo infrutíferas, se espalham por várias cidades estrangeiras, com custos altíssimos, dar todo o seu trabalho em favor da busca de investidores estrangeiros que quisessem abrir no nosso País as suas iniciativas, para o que se lhes concederiam condições especiais, quer no capítulo de impostos como na anulação das burocracias que são tão usadas no nosso espaço. Essa seria uma prioridade que, mesmo tendo de fazer investimentos, ocuparia as cabeças mais competentes de Portugal, pois que o desemprego só se combate quando se criam postos de trabalho, os quais, tratando-se de empresas industriais, também ocasionam o aumento de exportações, razão pela qual seriam escolhidas actividades que se dedicassem à produção de artigos que tivessem mercado possível noutros países.
Depois, coniforme escrevi há dias neste blogue, o subsídio de desemprego teria de terminar de vez, tanto mais que se sabe que muitos dos beneficiados com esse apoio não aceitam novos trabalhos para não perderem os euros que recebem enquanto estão em casa. E a forma de executar esta tarefa com eficiência e benefício para todos também já aqui expus e, por sinal, Paulo Portas, que talvez seja leitor deste meu blogue, está agora a usar a ideia, o que me parece até muito bem. Se eu lhe dei o primeiro emprego como jornalista, também posso agora servir de apoio para as suas funções políticas, independentemente das tendências políticas de cada um.
E não tenho mais espaço, pois o que eu faria se mandasse é de tal maneira vasto que estaria aqui a preencher este blogue até amanhã a esta hora.
Mas repito o que digo logo de início: De facto, saber de ciência certa o que faria se mandasse, por minha livre vontade, não sei. Mas ão ficaria era parado. Nas condições em que nos situamos suponho que, se me metesse a executar parte daquilo que expus aqui suponho que não chegaria ao fim, pois que as invejas desta gente toda que se situa em redor do poder, seja ele qual for, só não ataca os capazes, sempre pelas costas, se puderem passar despercebidos. E, claro que um Ditadura dava muito jeito a variada gente. E nessa eu não quero, nem de longe, participar. Já me bastou o tempo em que, ao longo de muitos anos, a suportei e com ela sofri o meu largo quinhão. Coisa que a maioria dos actuais políticos não tem ideia vivida do que foi.
E bem falta lhes faz!...