segunda-feira, 25 de outubro de 2010

TRISTE FUTURO

Neste País onde estamos
onde nascemos, vivemos
ainda nos conservamos
temos aquilo que temos

E é pouco, coisa pouca
e cada dia é menos
a caixa vai estando oca
à fartura só acenos

Mas que podemos fazer
que nos resta nesta hora
em que é enorme o muro?

Já nem se pode crer
não serve ir para fora
não me apetece o futuro

QUE TRISTE FUTURO!...


QUEM, COM A MAIOR PACIÊNCIA, consegue ir seguindo este meu blogue diário, sabe que o não constitui novidade o aviso que tenho largado de que, com o andar dos tempos e dentro da situação que os governantes portugueses não dão mostras de conseguir solucionar, nem ao menos diminuir de perigosidade, um dos dramas que ronda à nossa voltas é de que, mais cedo ou mais tarde mas encontrando-se na zona da possibilidade de nos atingir, a nós reformados, é de que, começando por reduções, chegará a altura em que os dinheiros públicos destinados a esse efeito não atingirão a possibilidade de concretizar o seu dever contratual e, quem se encontre na posição de só poder ir mesmo vegetando neste mundo através ainda que de míseras reformas, sendo natural deste País, ficará entregue à completa mendicidade.
É uma previsão deveras dramática, reconheço. Mas não encontro qualquer forma de a disfarçar, assistindo, como todos nós assistimos, ao desenrolar de uma panorama que, de dia para dia, se nos é apresentado com cores cada vez mais negras. Só Sócrates, essa figura que ou engana muito bem ou anda a viver um mundo surrealista, lança nos seus discursos doentios a imagem de um Portugal que só tem de se “orgulhar” daquilo que somos e do que temos feito ultimamente. Eu, por mim, já não o escuto e quando surge nos écrans a sua imagem e aquele ar de que corre tudo às mil maravilhas, o que faço é, de imediato, mudar de canal. Não há forma de aguentar!...
A notícia que saiu hoje nas páginas dos jornais com o título “Ruptura financeira ameaça reformas”, em que num esquema é mostrada a evolução do custo das reformas no nosso País e que o primeiro saldo negativo ocorrerá entre 2035 e 2040, sendo que, em 2050, terminam definitivamente os recursos para sustentar os encargos com as mesmas, essa previsão, quanto a mim é excessivamente optimista, pois que a antevisão falha no que diz respeito ao aumento assustador de número de gente que atinge a idade de deixar de trabalhar, ou seja param de fazer descontos para os tempos de inacção, e os jovens, mesmo que aumente a idade estabelecida para saírem da actividade, não são suficientes para suportar os descontos essenciais para o efeito. Por outro lado, o desemprego também continua a constituir um pesado fardo, até porque o avanço da tecnologia cada vez retira mais mão-de-o9bra das fábricas e o número de licenciados, mesmo mal formados, retira aceitação de emprego em actividades consideradas menores.
Se levarmos em conta que as pensões, da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações ascenderam, entre Janeiro e Setembro deste ano a 15,2 mil milhões de euros, num aumento de 616 milhões em relação ao mesmo período do ano passado, poderemos então fazer uma ideia do que representa liquidar, todos os meses, as reformas que cabem a cada um dos portugueses que se encontram nas condições de já não exercerem uma profissão.
Este é o futuro que os portugueses têm de se preparar para ver pela frente e os chegarem ao momento crucial, então esses o melhor é não deitar as mãos à cabeça apenas nessa altura. Eu sempre tenho defendido o princípio de que é preferível avisar com antecipação do que apanhar depois de surpresa os que andam distraídos e que, por isso, nesta altura ainda não estão completamente convencidos de que a situação dramática que se vive é a real e têm dificuldades em modificar os seus gastos, pois que essa da riqueza em que vivemos alguns anos não passou de uma fantasia que os bancos, é verdade, alimentaram com o gaste agora e pague depois…

domingo, 24 de outubro de 2010

PACIÊNCIA

Sem ela não se consegue
atravessar existência
p’a ter uma vida alegre
é preciso paciência
mesmo muita
Tê-la sempre bem presente
e não perder o controlo
porque muito que se sente
provocará grande dolo
dor fortuita
O contrário de tal dom
é, bem sabemos, a ira
isso não é de bom tom
não há ninguém que a prefira
inconstante
Conseguir aguentar
é algo que tem ciência
obriga muito a pensar
recorrer à paciência
que brilhante
Alcançar ser paciente
com aquilo que irrita
transforma ateu num crente
destrói a vida aflita
milagre é
Mal sofre quem não atinge
defesa do irritante
se não é verdade fing
tê-la em dose bastante
mesmo ao pé
A ira só causa dano
sem dar razão a quem tem
é como sujar um pano
sem proveito p’ra ninguém
paciência
O melhor é não ligar
aos que só fúria provocam
é passar e não parar
sem choros que só chocam






JUSTIÇA Á PORTUGUESA


QUANDO ASSISTO àqueles desabafos que são proferidos por alguns cidadãos quando na televisão, no meio da rua, lhes perguntam o que fariam se mandassem e escuto as respostas que cada um profere, quase sempre apontando situações que dizem directamente respeito a problemas com que cada interrogado se debate, não faço mais do que confirmar a sensação que continuo a manter de que cada português tem pouca ideia do que, de uma forma alargada e não apenas no sector caseiro em que se movimenta, deve constituir prioridade no capítulo das medidas que cabem ao Estado. E, sendo assim, não posso estranhar que os políticos que mais estão envolvidos na situação difícil em que Portugal se encontra, também eles, como têm dado largas provas, em bastantes casos bem longe se situam dos problemas reais do País e mais relacionados com os interesses dos seus partidos, pelo que igualmente esses não sejam capazes de se interessar pelas situações que tanta evidência têm e que, por isso mesmo, não deveriam ser relegadas para soluções mais tardias – se as houver alguma vez -, em lugar de, até porque se está a assistir a tentativas de acordo entre os dois grupos partidários com mais relevo eleitoral com o objectivo de poder vir a ser aprovado o Orçamento na Assembleia, de se criar uma crise ainda maior que, perante os nossos credores actuais e futuros, se fechem completamente as portas e as carteiras e fiquemos de mãos e pés atados no que respeita a podermos sustentar as necessidades básicas na nossa Terra.
Atrevo-me agora a dar também a minha opinião quanto ao que eu deitaria a mão, logo que as condições mais prioritárias o permitissem, pois que a altura que já existiu não foi aproveitada na devida altura e, neste momento, é evidente que o que se encontra na ordem do dia é precisamente chegar-se a uma posição, tanto quanto possível de concordância, para que o O.E., ainda que com pouco crédito, passe no Parlamento, porque depois disso e com o Presidente da República já a assumir funções, então haverá que arregaçar as mangas e entrar a fundo nas situações revoltantes e, ainda por cima, a custarem fortunas ao Estado, acabando com o que daria vontade de rir se não se tratasse de um problema que só dá mostras da nossa incapacidade de enfrentar o que qualquer político com bom senso já teria solucionado há muito tempo.
A que me refiro, então, com este acréscimo? Pois à situação da Justiça nacional, essa que tem colaborado para que a prática democrática em Portugal custe a ser aplicada no dia-a-dia dos portugueses, posto que, sendo já difícil que os nossos compatriotas, de uma forma geral, se entreguem ao uso da Democracia de maneira natural, dado que o uso do “eu”, em todas as afirmações que se fazem, é o que vigora na generalidade das nossas falas – vide os discursos de Sócrates, em que é a sua pessoa que se encontra sempre presente -, pois não sendo corrente usarmos o “nós”, com uma Justiça, tal como a temos há imensos anos, esse uso democrático custa a ingressar no comportamento de todos nós… incluindo os políticos e os “patrões” dos partidos – não é assim que Paulo Portas se refere sempre aos temas que o CDS defende?
Pois, agora cabe-me dizer que, se fosse “eu” que mandasse, uma das coisas que faria com prioridade era encarregar o ministro da pasta respectiva e, com a ajuda de intervenientes que se situam na área a modificar de comportamento, e então “nós”, estabelecendo um prazo para dar a volta ao que está mal, faríamos o que fosse necessário para que aquele sector deixasse de ser um sorvedouro de dinheiros públicos e, dando claramente mostra de que a vontade de todos era acabar com os tempos mortos que fazem tardar os julgamentos, meses, anos, excessivo tempo, e, até aproveitando os sacrifícios que estão agora anunciados aos portugueses, dizer-lhes que, por outro lado, alguma coisa de útil estava a sair da cabeça dos que governam o País.
São imensos os maus exemplos que saem do sector jurídico, mas aquele do julgamento da Casa Pia, que custou para cima de 3 milhões de euros e que ainda não está resolvido, pois o mais provável é que até prescrevam os vários crimes que mereceram penas de prisão e tudo acabe na mesma como começou, pelo que essa situação marca, também ela, a demonstração clara de que Portugal já não pode ser classificado como um País, mas apenas como um sítio recheado de brincalhões que se entretêm com a experiência de tentar governar.
Haverá outra forma de apelidar todos os participantes na governação do nosso País, a partir de certa altura há uns 15 anos para cá, que, sobretudo no período de Sócrates não foram capazes de evitar que descambássemos para este funeral político que se apresenta aos que ainda cá estão, mas que, em particular, os vindouros terão de suportar sem outra culpa que não seja o nascerem dentro das nossas fronteiras?

sábado, 23 de outubro de 2010

DESPERDIÇAR O TMPO

Só quando se chega a uma certa etapa da vida
é que descobrimos o tempo que desperdiçámos
o que não aproveitámos na corrida
e tudo aquilo que não alcançámos
o mal que com que utilizámos aquilo que tivemos
a pouca atenção que dedicámos ao que valia a pena
porque saber não soubemos
tirar partido de cada cena
e as preocupações que nos absorveram
distraindo toda a ilusão
não nos favoreceram
retirando grande parte da nossa atenção.

Só muito tarde é que entendemos
que a vida é tão passageira
que tudo o que perdemos
que deixamos sem eira nem beira
ficando pelo caminho da nossa andança
não aproveitando o melhor possível
e que, num prato da balança,
de forma bem visível
devem ser colocadas as boas situações
enquanto, no outro lado,
envergonhados como ladrões
sem querer dar grande brado
se podem olvidar os maus momentos,
olvidar não, talvez esconder
porque mesmo sem os largar aos quatro ventos
e isso não dê grande prazer
sempre será bom trazer à nossa memória,
de vez em quando, pelo menos,
aquilo que não tendo grande história
por serem males pequenos
o que poderia não ter sido feito
mas que, de certa maneira,
na altura deu algum jeito
e que mesmo sendo asneira
constituiu uma aprendizagem,
se é que serviu para não se repetir
e até para dar certa coragem
para conseguir fugir
de um possível desterro
e não voltar
ao mesmo erro
praticar.

Agora, com um passado que existiu,
com alguma coisa para contar,
pois houve gente que não viu
e por isso não pode divulgar
aquilo que merecer a pena
ser ouvido
e colocar em cena
para não cair no olvido.
Mesmo que não se diga nada
serve de lastro
para a longa caminhada
e faz parte de um cadastro
que, volta não volta,
saltará à memória
provocando ou não revolta
conforme seja a sua história
e a consciência de cada qual
filtrará o que ainda animará a existência
procurando talvez não voltar a fazer igual
pois para tanto não haverá paciência
e por muito que não haja já
grande vontade de mais longe ir
quem sabe o que se passará por cá
e daquilo de que teremos de fugir

Aqueles que estiverem agora
com a idade que já tivemos,
os que falta ainda muito para se irem embora
e sabem mais do que aquilo que soubemos
esses podem fazer melhor ideia
de que o tempo que têm para percorrer
nesta vida que é uma cadeia
em que se é feliz e há sofrer

deve ser o melhor aproveitado quanto puderem,
emendando sempre o mais rapidamente possível
o que sair mal e não souberem
como fazer melhor e ter nível
esses, por muito que não estejam interessados
em aprender mais alguma coisa
precisam de ser motivados
para deixar obra jeitosa
será pelos seus próprios meios
que evitarão fazer asneiras
e defrontar bloqueios
tendo de ultrapassar barreiras
tendo então ocasião de verificar,
e oxalá não seja demasiado tarde
que às vezes há que parar
sem medo de que lhes chamem cobarde
e então aí fazer a prova dos nove
fazendo aparecer a tal balança e nessa altura,
imitando aquele que sempre se comove
sujeitar-se à tortura
de nos dois pratos equilibrados
poder confirmar qual de ambas posições
pode dar maiores cuidados
se entre as duas acções
umas que boa disposição deixaram
e outras que apetece esquecer
sendo que todas ensinaram
a melhor conseguir viver

Se for preferível
partir na ignorância,
como tudo é discutível
é relativa a importância
e se julgar melhor para os outros deixar
o apuramento das suas acções,
assim deve ficar
e atender as suas opiniões
se é que alguém se interessará por isso,
então, não deixe cair os braços,
e faça o seu serviço
que é como quem diz
ponha o cérebro a funcionar
e ainda que não seja muito feliz
aceite o que lhe vier a calhar
aguarde apenas pelo dia da partida
sem reclamar contra nada
que todos têm a sua ida
seja qual for a via usada

Embora eu não me sinta capaz
de me deixar facilmente entregue
só ao que a vida nos traz
seja o que for que se segue
com o passar dos dias
enquanto funcionar a minha cabeça
não me deixo dominar por apatias
e não me peçam que esqueça
só me entregando ao que vem a seguir
mesmo já sabendo do que se trata
nunca pude sacudir
muita coisa mesmo chata
tanto o que deixei de fazer
como o que saiu menos bem

E agora,
com os meios técnicos que já estão
a ser usados sem demora
e à nossa disposição
que esse computador tão eficaz
a que eu não aderi com entusiasmo
mostra daquilo que é capaz
provocando tanto pasmo
e deixando o muito que fará adivinhar
não sendo já necessário guardar papéis
já valerá a pena deixar
tanto os feles como os méis
pois o tal “disco” pode tudo arquivar
e depois alguém poderá haver
que se incomode com a divulgação
que dê a conhecer
aquilo que constituiu a preocupação
do que ficou feito
não deixar escondido
e que de qualquer jeito
seja bastante difundido
que ponha nos pratos da tal balança
o que aqui deixo bem gravado
e que no final de tal dança
diga se de facto causa agrado
porque se não, bem simples é
deitar fora o disco e pronto…
mesmo dar-lhe um pontapé
e podem chamar-me tonto!

HORÁRIOS DAS LOJAS


RAPIDAMENTE e sem ocupar hoje muito espaço, deixando de lado o caso que se arrasta e que já cheira mal, pois não se vislumbra remédio para o que o ministro Teixeira dos Santos, com o Sócrates pelas costas, arrancou do fundo dos fundilhos, esse Orçamento do Estado que nos é imposto para o ano de 2011, vou apenas dedicar-me ao que já foi objecto de um escrito neste blogue mas que vale a pena atacar de novo, pois, para além da facilidade que é proporcionada aos clientes, pode aumentar alguma coisa a oferta de trabalho. Refiro-me ao que começa hoje de permitir que as grandes superfícies se encontrem abertas aos domingos de tarde.
Ora bem, aquilo que eu alvitrava tempos atrás era que os horários impostos aos estabelecimentos de comércio deixassem de ter a rigidez que, até agora, é a que é seguida pelas lojas no nosso País – embora se verifiquem muitas excepções, por exemplo com as classificadas como “lojas dos chineses”. Com o tão elevado número de desempregados que se verificam em Portugal, o mais natural era que deixasse de vigorar a obrigatoriedade de abrir e fechar os estabelecimentos de venda ao público com a imposição estabelecida em épocas que não se lutava com tantos cidadãos a necessitar de ocupação. Por isso, a proposta que eu fazia e que seria normal (em meu entender) que os governantes que temos tivessem dedicado alguma atenção, para acompanhar o referido Orçamento do Estado com a facilidade de cada comerciante decidir sobre o tempo que desejará ter aberto cada uma das suas lojas, desde que, evidentemente, o período de trabalho dos funcionários fosse respeitado. Essa sugestão teria a vantagem de alargar bastante a possibilidade de dar trabalho a uma maior número de desempregados, pois que até poderiam preencher as vagas que se verificassem nos casos em que, em vez de encerrarem às 19 horas, pudessem os que quisessem ficar abertos mais tempo e até abrir as portas aos domingos e feriados. E isso não só nos grandes centros comerciais, mas em todo o País e fossem quais fossem os tamanhos dos estabelecimentos, alargando mesmo às pequenas e médias empresas comerciais, pois são essas muitas vezes que proporcionam trabalho de diversas espécies.
Conceder apenas esse alargamento aos grandes espaços é criar ainda mais distância e possibilidade de defesa às pequenas lojas e isso não parece constituir uma ajuda aos que lutam com as concorrências dos maiores.
Uma vez mais, porém, os que governam no País não são capazes de ter uma visão correcta do que se passa no nosso País. Andam distantes das realidades. E deixaram mais uma marca da sua incompetência.
É isso que eu aqui repito neste blogue. Mas sem esperanças de que os múltiplos Sócrates deste País sejam capazes de ter consciência real do que faz falta aos que têm de suportar as agruras no nosso País.
Se for cada um que faz face às dificuldades com que luta e se entender que, sendo proprietário de um estabelecimento comercial, pretenda mantê-lo aberto à noite, aos domingos e feriados, e que, para o fazer, é obrigado a dar trabalho a mais pessoal, qual o motivo por que, nesta situação que atravessamos, é impedido de tomar essa medida?
A estupidez – pois não se pode dar outro nome – grassa no núcleo governativo, pois não se assiste a nenhum dos seus membros levantar a mais pequena objecção no que respeita a decisões que são anunciadas e que deixam marca, no futuro, aos que, tendo feito parte do Executivo actual e no anterior, todos com a marca Sócrates, ficam com a tatuagem fixada para toda a vida e só se espera que nesta Terra, de gente de pouca memória, não se venha a assistir mais tarde a posições bem remuneradas entregues a gente que pertenceu ao núcleo actual do Poder.
O lugar que foi agora entregue na administração de uma empresa que esteve sob observação numa comissão de inquérito e em que um dos inquiridores – um deputado da A.R. - recebeu agora o benefício de lhe ter sido proporcionado tal tarefa, muito bem remunerada ao ponto de desistir do seu lugar no Parlamento, essa amostra, semelhante a muitas outras parecidas, é bem a prova de que tudo pode acontecer neste Portugal que, nunca tendo sido um exemplo de bom comportamento, atingiu, nos últimos tempos, uma craveira vergonhosa em que já ninguém é capaz de lutar pela honestidade e pela ética.
Também, se o caminho que levamos é o do completo afundamento, pois que cada um procure salvar-se pelas portas que sejam… E quem não tem consciência!...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

RIR DE MIM PROPRIO

Todos nós temos histórias para contar
só que nem todos o sabemos fazer
e se temos pretensões
de ser poetas
então ainda mais difícil
se torna levar a cabo essa tarefa
Pois aqui vai:

Era uma vez um rei
que vivia infeliz
e que queria encontrar na sua grei
alguém com cariz
que lhe pudesse transmitir
alguma felicidade
que quisesse dividir
nem que fosse só metade
do prazer de estar vivo
e de transmitir aos demais
algo de positivo
como jogos florais

Mas havia um problema
é que um sábio do seu reino
transmitiu-lhe um esquema
que não se tratava de um treino:
pois o rei tinha de usar
do súbdito sua camisa
e com ela até suar
para resultar a pesquisa

Correram o território
na busca de um felizardo
deu até um falatório
podia ser um bastardo
mas tinha por força de ser
quem mais feliz fosse
que mesmo sem compreender
desse aos outros um ar doce

Tanto correram na busca
que por fim lá encontraram
a coisa mais patusca
que nem mesmo imaginaram:
foi lá no alto um pastor
que, com as suas ovelhas,
dava e recebia amor
quer das novas quer das velhas
passava o dia a rir
feliz com a sua vida
dali não queria sair
pois tinha cama e comida

Houve que lhe contar
a razão dessa visita
que era do rei precisar
de pôr fim a uma desdita
de feliz não conseguir
obter esse condão
por isso ter de pedir
com toda a compaixão
que do reino o mais feliz
lhe desse a sua camisa
para servir de chamariz
para quem a utiliza
pois só dessa maneira
o rei podia atingir
o alto da barreira
e a felicidade conseguir

Um problema então surgiu
e tal não era esperado
pois a todos confundiu
fez passar um mau bocado
é que o generoso pastor
o do reino, o mais feliz
o tal do grande amor
ficou então infeliz
pois a camisa para o rei
a que lhe tinha sido pedida
ele respondeu: eu não sei
como sarar essa ferida
pois desde o dia em que nasci
sabe quem comigo convive
eu camisas só as vi
eu camisa nunca tive!

PATACOADAS


AQUI, NESTA BLOGUE, já foi claramente expresso que não se pode excluir Teixeira dos Santos da responsabilidade dos erros sucessivos que o Governo tem cometido na zona das Finanças, que é precisamente aquela que mais preocupação imediata tem de causar aos portugueses, pois as medidas tomadas no Orçamento do Estado que ainda está para ser decidido bem demonstram a ausência de capacidade de solução e sobretudo dentro do tempo antes previsto que o ministro em causa tem dado provas.
Mas não ficam por aí as asneiras continuadas que têm sido mostradas, não só aos nacionais como também aos estranhos, aos que se situam lá fora e que estão atentos à nossa forma de actuar em moldes de nos libertarmos da grave crise que nos envolve. Esta agora do Governo português ter anunciado a extinção de entidades que, por sinal, até já nem existem, pois essa medida refere-se ao ano de 2011 e já este ano estão extintas por decisão governamental, para além do número de empresas, institutos, o que seja, que vão ser anulados constituírem apenas 18% do total de entidades que existem e que mereceriam um estudo profundo para analisar se, face à situação, não deveriam estar incluídas no número da redução de gastos que tanto pesam nas contas públicas.
No caso da AICEP, que eu tanto tenho referido neste meu blogue e que, já muito antes, fez parte dos conteúdos das colunas de jornais que mantive ao longo de muito tempo, neste caso não é de admirar que os governantes não tenham capacidade para estudar os custos de tal organização que, sendo tão necessária, pois que a sua justificação é a de encontrarem nos países estrangeiros mercados para as nossas produções, o que mereceria era que se conhecessem as suas formas de actuar e se reduzissem os gastos que ocasionam as separações de instalações quanto ao turismo e are à TAP, pois que a sua união representaria uma forma de actuar com mais eficiência e com uma diminuição substancial de custos.
Mas se nós, cá dentro, se o total das despesas com todos os ministérios ascende a mais de 5 mil e quinhentos milhões de euros, sendo a redução prevista para o ano próximo, apenas de 20%, como poderemos ser capazes de deitar vistas para o que se expende fora de portas? Seria pedir demais aos homens que se sentam nos cadeirões do Conselho de Ministros! Se, só com telemóveis, os ministérios podem gastar em 2011 mais de 5,5 milhões, como podem esperar-se outras formas de equilibrar as contas do Estado que não seja através do agravamento de impostos?
Queiramos ou não, gostemos ou nem por isso, a vinda do FMI com todas as suas medidas drásticas está mais do que garantida, até porque será uma forma de José Sócrates se desculpar, pois que nenhuma das decisões tomadas, agora em sociedade com Teixeira dos Santos, tem a garantia de apresentar resultados e não haverá necessidade de, dentro de algum tempo, surgir aí outro PEC, porque as decisões tomadas e que até podem passar no Parlamento, não serão suficientes para tapar o buraco que foi criado, sobretudo por falta de oportunidade em se actuar muito antes, quando o primeiro-ministro cantava hossanas, alegando estarmos melhor do que todos os outros países da Europa.
Amanhã, se tiver essa disposição, vou ver se me dedico a falar do imenso mar que se encontra em redor da nossa costa e daquilo que é resultante de, tempos passados e não muito longínquos, termos preferido abandonar a riqueza que nos era oferecida pela Natureza, em troca de uns tostões que nos foram dados para abate da frota pesqueira que possuíamos e que foram rapidamente gastos em nem se sabe o quê. Mas que importância terá isso, face aos 6 mil e 300 milhões de euros que pagamos anualmente… SÓ DE JUROS da nossa dívida?
Como eu declaro de vez em quando, não sei se valerá a pena andar a pregar a esta gente que temos no Governo, pois que, com o seu ar de superioridade, só nos faz andar indispostos, sem saber qual seria o melhor nesta altura. É chumbar, de facto, o O.E. e obrigar essa gente a fazer as malas? Mas se depois se encaixam em lugares bem remunerados e não sofrem as consequências do péssimo serviço que prestaram ao País?
Lembrem-se bem do que deixo aqui escrito: é isso que vai suceder!...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

SINCERIDADE


Coisa fácil prometer
sem medir consequências
é fazer aos outros crer
nas nossas influências

O pior é quando falha
tudo o que se garantiu
o preciso lá encalha
porque também se iludiu

Se não podes não prometas
é melhor dizer que não
do que servir-se de petas
p’ra mostrar bom coração

Infeliz desiludido
é tão mau como doença
pois faltar ao prometido
é destruir uma crença

Só usar a simpatia
p’ra criar bom ambiente
é profunda tirania
sobre a quem é crente

É verdade que a verdade
dita a tempo e com firmeza
não constitui crueldade
antes mostrar a certeza

Promessas feitas à toa
é que são o mal do mundo
só as faz quem atraiçoa
e mete os outros no fundo

Eu por mim, que sou sincero
Se não posso digo não
Podem-me chamar severo
Mas não serei aldrabão

ESPECTÁCULO!...


JÁ ME TENHO referido ao uso e abuso de palavras e expressões que são introduzidas no falar dos portugueses e que, de uma forma geral, têm base na repetição feita por alguns intervenientes, especialmente nas nossas televisões e que, fazendo gala na tal insistência no uso que, por sinal, até lhes deixa alguma marca que se mantém durante um certo tempo, o que na verdade conseguem é espalhar vícios linguísticos que não acrescentam enriquecimento à nossa bela língua pátria. E essa do “espectáculo”, pronunciada por tudo e por nada, sobretudo não se enquadrando no tema ou no objectivo do que está a classificar, para além de enfastiante altera o verdadeiro significado do que representa o gozo de ver, ouvir e sentir alguma coisa que merece ser colocada num plano superior. O apresentador da RTP, Fernando Mendes, independentemente da graça que lhe acham alguns espectadores, atira para o ar, de dez em dez palavras, a expressão que enche os ouvidos.
E não é somente esta palavra em alguns pretendem insistir e que, infelizmente até pega, pois esse também horroroso “digamos”, largado por tudo e por nada e que para o que serve é para estabelecer uma paragem no discurso que está a ser feito, dando a impressão que constitui uma ajuda para preparar o que é pretendido dizer a seguir.
Não é a primeira vez que aponto estes enjoativos “empecilhos” na língua portuguesa e se observo idêntico vício a ser perseguido por gente ligada à política, no Governo ou fora dele, então o meu desconforto ainda mais se acentua.
Gente que, embora devendo usar uma linguagem simples e que chegue facilmente a todas as camadas da população nacional – coisa que até geralmente não fazem, para se darem o ar de grandes sapientes - , mais razão têm para não seguir as calinadas linguísticas, dado que os exemplos devem vir sempre de cima. Como sucedeu antes e, menos-mal, se está a perder agora, que foram os casos dos “portanto” e dos “pois” que inundaram o palavreado dos faladores sem sentido.
Mas, voltando a essa do “espectáculo” e do “espectacular”, como também se costuma acrescentar, sou levado a admitir que se trata da situação que se atravessa no País que temos e que, devido aos comportamentos de certos homens públicos que nos deixam de boca aberta, conduzem a que o que é mau seja considerado como um verdadeiro número de representação, o qual espanta a quem ele assiste.
E, pelo mesmo motivo, devido à incapacidade que se demonstra por cá de chegar ao fim das questões que se situam na área da Justiça – e não só -, pois que não alcançam nunca um termo convincente, principalmente se se tratam de situações que envolve figuras mediáticas, acredito que será daí que ressalta a expressão repetida do “espectáculo”.
Então agora, com a amostragem do Orçamento do Estado que, com sucessivos adiamentos, lá foi entregue à A.R., toda essa demonstração de falta de competência, de ausência d cumprimento de compromissos – como até a mudança agora da data em que vai ser discutido no Parlamento, tendo passado de 29 de Outubro para 2 de Novembro (coitado, não sabia o Sócrates que tinha um compromisso em Bruxelas!), a tudo isso sim, é que se deve aplicar a tal palavra do “espectáculo”, ainda que seja tudo um drama, daqueles em que todos os que assistem, porque também são intérpretes, saem a num choro convulsivo.
E, já agora, um acrescento a este texto. Tem a ver com o anúncio de que Cavaco Silva anunciará a sua recandidatura no dia próximo 26, pelas 20 horas, altura em que já se saberia o resultado da passagem do O.E. no Parlamento. Mas, como agora, essa decisão vai ser tomada apenas no dia 2 de Novembro, a pergunta que fica no ar é se sempre saberemos se o actual Presidente da República se assumirá como candidato ou se também altera tal decisão.
Então, tudo isto que se passa no nosso País não é um verdadeiro espectáculo? Triste, por certo, mas que nos encontramos todos sentados a assistir a um drama, disso ninguém duvida…

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A FAMÍLIA

A sua
a exemplar
satélite como a lua
conhecendo o verbo amar
e girando em redor
então se for bem amiga
sendo grande é melhor
estando pronta a ajudar
não recorrendo à briga
até se não concordar
essa é a desejável
a que todos bem precisam
é a única aceitável
os seus membros fraternizam

Mas se não é isto que passa
se é grande a indiferença
se a amizade é escassa
e a relação é mesmo tensa
nesse caso é preferível
fora de portas tentar
gente que seja sensível
p’ra receber e p’ra dar
amizade simples e pura
sem ser preciso pedir
tê-la é uma ventura
apetece bem sorrir

Se o mundo é uma família
aí está um mau exemplo
andar sempre em vigília
a defender cada templo
porque se a fraternidade
em cada um existisse
não haveria maldade
nem tão pouco malandrice

Mas se enfim o tal mundo
feito de brigas e zangas
só mostra ter um mau fundo
ser composto de capangas
e em vez da união
e de todos se ajudarem
cada a querer seu quinhão
entre todos se matarem
são raras famílias boas
quem as tem que as conserve
ter ao lado tais pessoas
não é nada que enerve

Com família ou sem ela
o Homem é egoísta
e por qualquer bagatela
vende a alma, muda de pista

SOMOS DEMASIADOS


É CONHECIDO o número avassalador de habitantes de todo o mundo, o qual ultrapassa bastante os seis mil milhões, e que, comparado com a tabela existente há cerca de 50 anos, no final da Grande Guerra Mundial, excede de forma inquietante, várias vezes, a população que, naquela altura, resistiu ao cataclismo da violência que ocorreu em todos os continentes. Quer dizer, portanto, que o Homem não tem parado de encher a nossa Esfera de novos cidadãos, o que, se por um lado pode representar uma esperança de que a vida terrestre se mostra favorável à vinda de muitos novos lutadores, por outro carrega este espaço de cada vez maior concorrência entre os que se debatem na busca de um lugar estável e que represente um mínimo de felicidade.
Deixando de lado perspectivas e analisando friamente a ocorrência, haverá que acrescentar a esta realidade do aumento sucessivo de gente a movimentar-se neste mundo também o inegável que é o avanço da ciência médica que tem vindo a tornar mais duradouro o tempo que o ser humano resiste até ao momento final. Se, ainda não há relativamente muitos anos, se considerava velho um indivíduo que atingia os pouco mais de cinquenta anos, hoje, atingidos que sejam os setenta, chamar idoso a tais viventes constitui quase uma ofensa, sabendo-se que, em qualquer parte do Globo, se realizam casamentos de homens e de mulheres que, já viúvos ou ainda solteiros, resolvem juntar trapinhos com o parceiro que lhe calhar.
Mas, cá em Portugal, o que sucede no que diz respeito ao tempo das reformas? A lei regista os 65 anos como termo da actividade profissional e o direito que concede o ser usufruído o recebimento da respectiva pensão, Mas o que se verifica em grande número, igualmente no nosso País, é a possibilidade de ser alcançado o benefício de deixar de trabalhar e se começar a receber o montante que lhe cabe como reformado, com idade inferior ao que está estabelecido legalmente, assistindo-se, com excessiva frequência, a gente já situada nessa posição com pouco mais de cinquenta anos! E o resultado é o de que, como as condições de saúde o permitem, grande número desses retirados da vida activa se predisporem a prestar serviço em funções que caberiam a outros cidadãos com idade apropriada para cumprirem a sua missão terrestre.
Ora, é exactamente este também um mal que contribui para que o excesso de população mundial se ressinta ainda mais do acotovelamento que se verifica, especialmente na Europa, de residentes que lhes calhou terem este Continente como local de arrastamento de vida. E, se é certo que, em zonas mais distantes, ainda existe espaço para acolher os excedentes das regiões superlotadas, por não se verificarem aí as condições mínimas de subsistência não constituem opções para mudança.
Fala-se muito de crise. Apontam-se razões que explicam o facto dela ter chegado, ainda que pouco se adiante na prática no que respeita à forma de se sair desse flagelo. O desemprego constitui um monstro que tem diversas causas, entre as quais o número elevado de habitantes disponíveis e o avanço inegável da tecnologia, a qual dispensa muita mão-de-obra no sector industrial. Só que ninguém tem a coragem de referir que talvez a forma – que não será possivelmente a única – de fazer frente a tamanho martírio será um outro, o de rebentar um novo conflito que envolva muitos países espalhados por todos os cantos do Planeta e que, com as destruições causadas pelo Homem, com o desaparecimento de grande parte da população, quando terminasse o confronto, logo surgiria muito trabalho a realizar e toda a mão-de-obra disponível seria aproveitada para voltar a pôr de pé grande parte do habitat terrestre, de modo a ficar em ordem para, anos mais tarde, quando se repetirem os excessos que hoje se verificam, surgir outra necessidade de fazer o mesmo.
Isso, claro, enquanto não se descobrir a forma de colocar metade da população que enche o espaço onde agora vivemos num outro planeta, Vénus ou Marte, que são os que se encontram mais “perto”. Se isso não suceder e por muito que os poucos leitores deste meu blogue me considerem completamente doido, por mim não vejo outra maneira de solucionar o problema. E isso, muito embora se verifique que a grande maioria dos cidadãos de vários países se revoltem quando os respectivos governos se dispõem a reduzir a idade da reforma, como sucede agora em França que pretendem baixar do 62 para os 60! Fazem-me pena!
Pode não ser para os tempos imediatos que a medida drástica que aponto acima não tenha lugar. Que os islamitas fanáticos e os terroristas cada vez em maior número não deitem mão da terrível bomba atómica ou de outro meio que, entretanto, seja descoberto. Ainda suportaremos algumas gerações antes de lá chegar. Mas que não é necessário ser bruxo, quanto a isso é essa a minha convicção, apesar de eu ter sempre sustentado e de manter tal dúvida de que “certezas absolutas nunca tive nem tenho”.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

DA MINHA JANELA

Olho da minha janela
E não vejo
Tudo é igual ao que via antes
Nada se me apresenta diferente
Tudo monótono
Tudo igual
Nada me estimula a tentar descobrir
Se o mundo mudou alguma coisa
Se os homens estão melhores
Do que eram antes
Se a verdade impera
Nas cabeças que circulam
Se o egoísmo
A vaidade
A inveja
O orgulho
A prosápia
Se alguma coisa desapareceu
Da cabeça dos homens
Se o dar importância aos outros
O ouvir as suas razões
Sem contrariar
Mesmo sem concordar com elas
Se tornou um hábito salutar
Evitando discutir
Só dando opinião
Quando os outros a pedirem
Isso não descortino da minha janela
Pelo que não me dá vontade de sair
De conviver
De fazer parte do grupo
Que só diz eu
E raramente nós

PERGUNTA SEM RESPOSTA


POR MAIS que eu queira por de parte o tema dos submarinos que foram encomendados (e um já chegou) no período em que Paulo Portas desempenhou o cargo de ministro da Defesa – quem diria que esta personagem era a mais indicada para exercer tais funções -, não consigo deixar de me interrogar e de estranhar que ninguém situado, quer no Governo quer no lugar das oposições, levantem tal questão: trata-se de inquirir se o contrato que foi efectuado e que permitiu encomendar aqueles meios marítimos militares não abarcava, como foi largamente divulgado na época, a possibilidade do seu pagamento ser executado contra a contrapartida da compra, em valor igual, de produtos de origem portuguesa, o que, sendo assim, poderia justificar tamanho dispêndio de um elemento militar que deveria perfeitamente ser dispensado (por muito que os homens da Marinha afirmem o contrario, mas o seu ponto de vista não se coaduna com os interesses económicos e financeiros do nosso Pais) e até em sua substituição seria talvez mais apropriada e sobretudo muito mais barata se se adquirissem barcos de grande rapidez para controlar e impedir que a nossa costa fique tanto a mercê da entrada de estupefacientes, como acontece e só parte é apanhada, ponho, pois, essa questão: o tal contrato de compra foi ou não feito? E se sim, as suas cláusulas não deixam dúvidas quanto a não ser exigido que Portugal se endivide ainda mais? Se não foi isso que ocorreu, a quem pertence a responsabilidade por ter deixado o nosso Pais numa situação de dívida de grande dimensão (mil milhões de euros) que, já este ano, tem de ser enfrentada?
Então, apresentando o Orçamento do Estado uma tão feroz obrigação de exigir dos portugueses um sacrifício que os obrigam a exceder a sua capacidade de apertar o cinto, não seria de aguardar que o Governo não fizesse silêncio sobre uma situação que levanta tantas dúvidas aos cidadãos?
É esta a questão, como existem muitas outras que passam as malhas do apuramento das verdades, que impõe que o seu causador seja sujeito ao castigo adequado. Pois tratou-se, no mínimo, de um acto de absoluta incompetência e não faz o menor sentido que ainda se pavoneie por ai, com o ar de quem é um indiscutível ser que merece todas as honras, quem, uma ou mais personalidades – há que apurar com absoluta independência – tem se ser apontado como autor ou autores de tamanho disparate.
O que, porém, talvez explique o motivo por que ninguém levanta o problema no que se refere a encontrar o ou os culpados é que, na altura da decisão de compra, vários intervenientes terão contribuído para ela tomar corpo. E os intervenientes pertencerão provavelmente a vários grupos partidários. Só pode ser por isso!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

CALVÁRIO

Há ou não razão p’ra desanimar
neste calvário imenso em que vivemos?
Mas então isto nunca irá acabar
e d’algo pior ainda tememos
e não se passa só em Portugal
o mundo inteiro não está melhor
para se conseguir fugir do mal
tanto faz que se vá p’ra onde for

A Terra anda toda ela às voltas
acalmia é pouco que se encontra
pois muitos malvados andam às soltas
já não escapa nada em qualquer montra
e nas finanças grandes roubalheiras
na política grassa a corrupção
pouca vergonha já não tem fronteiras
ao nosso lado pode estar ladrão

Não é bem assim, dizem confiados
os que ainda não sofreram danos
mas um dia destes ficam calados
se os atingirem alguns fulanos
é que isto de trabalhar não dá
não é bastante p’ra levar a vida
se é isso que se passa por cá
é igual aos que vêm de fugida

Calvário da vida não chega a todos
há os que conseguem bem escapar
para uns tantos os terem a rodos
outros nunca precisam de suar
ainda bem, pois não é regra geral
o ser feliz é coisa que existe
para os que só enfrentam o mal
há sempre aquele que a tudo resiste

CAVACO VEM AÍ!...


DARIA VONTADE de rir se não se tratasse de um caso que, em quaisquer circunstâncias, causa preocupação, ainda que a situação não tenha lugar no nosso País. Trata-se da revolta que ocasionou em França a medida anunciada de aumentar a idade da reforma dos profissionais de todas as áreas, de 60 para 62 anos. Imagine-se!, numa altura em que a média de vida do ser humano tem vindo a subir, ao ponto de hoje, especialmente nos países dados como desenvolvidos, os 80 anos não constituírem uma idade excessivamente avançada, terem os franceses a aspiração de pretender manter-se em funções laborais somente até uma altura em que os homens e mulheres, de uma forma geral, se encontram ainda em perfeita forma para não recolherem ao conforto do sofá, tal exigência não pode deixar de nos provocar alguma vontade de rir. E nós, portugueses, que já nos situamos na casa dos 65 anos para ser possível legalmente termos direito à passagem à situação de reformados, ainda reclamamos por estarmos a ser prejudicados por uma exigência que consideramos penosa. O Homem, de facto, nunca se encontra satisfeito com o que tem, se bem que, nas condições actuais em que vivemos em Portugal, mesmo sem levar em conta o conteúdo do Orçamento do Estado que foi dado a conhecer neste fim de semana passado, quem nos dera que fosse a situação económica e financeira em França aquela que estivesse a ser gozada pelos portugueses.
Mas, como já foi dito bastante sobre esse documento saído das cabeças dos governantes que temos nesta altura, com super responsabilidade para o primeiro-ministro e para o detentor da pasta das Finanças, não vou repetir agora o que deixei expresso no meu blogue diário e em que ficou bem claro que só a necessidade imperiosa, perante os observadores estrangeiros, de não passar uma imagem pérfida que complique ainda mais os empréstimos que necessitamos como pão para a boca, é só isso que me leva a ultrapassar a vontade de não parar de criticar o mau serviço prestado pelos referidos governantes.
E, já agora, vou-me debruçar sobre a circunstância que, devido à data da eleição do próximo Presidente da República e da limitação de prazos para que uma queda do Executivo possa ocorrer em período inadequado (sendo escusado repetir todo o esquema que impede dar esse passo), aproveito para agarrar a notícia que Marcello Rebelo de Sousa, na sua intervenção habitual de ontem na TVI, avançou, com base, segundo ele, numa informação por ele colhida, esperemos que de fonte segura – e digo isto porque, anos atrás, foi uma brincadeira sua com uma “notícia” por ele inventada, que deixou muito mal colocado o então director do “Independente”, Paulo Portas -, e em que Cavaco Silva anunciará a sua recandidatura à P.R., no próximo dia 26, às 20 horas, com indicação também do local, no Centro Cultural de Belém.
Sendo assim, indo ocorrer esse acontecimento logo após se ter tornado pública a posição dos partidos políticos em relação ao O.E., mais um motivo para que, nesta altura, pouco haja já a referir no que diz respeito ao que se encontra a apoquentar as cabeças deste povo lusitano que, tendo chegado a admitir, com excessivo optimismo, também é verdade, que a Revolução, por si só, tinha criado as condições para que o nosso País passasse a emparceirar com os melhores da Europa (isso também só na imaginação de José Sócrates), tais compatriotas nossos põem os olhos no chão e fazem contas à vida.
No ano de 2011, seja qual for o Governo, sente-se quem se sentar em Belém, o espectro que nos aguarda não é de molde a fazer-nos rir, mesmo que achemos graça à decisão francesa de aumentar a idade dos concorrentes à reforma.

domingo, 17 de outubro de 2010

DESTINO

Dizer logo que alguém nasce
que está escrito o seu destino
que o seu caminho faz-se
como qualquer peregrino
prestar tal afirmação
como absoluta verdade
sem nunca aceitar um não
chamando-lhe maldade
é deixar coisas correrem
com futuro conformado
vontades nada valerem
tal como gato capado
isso é mal de muita gente
de quem nunca quer lutar
sendo no destino crente
dizer que o querer mudar
só dá p’ra tempo perder
pois tudo qu’ocupa a vida
está traçado até morrer
não muda por mais dorida

Será que têm razão
que o Homem não tem tal força
que não está na sua mão
fazer com que destino torça?
Talvez sirva acreditar
na ânsia de cada um
que o importante é lutar
dando algo ao bem comum

Para isso sem se esperar
ao dar pontapé na pedra
surge ocasião no ar
nova vida que até medra
há quem diga estava escrito
outros que foi circunstância
pouco importa o que é dito
pois mesmo com ignorância
a pedra do pontapé
que provocou a mudança
seja qual for a fé
é que obrigou a mudar
direcção que se mantinha
e tudo p’ra trás ficar
tal como erva daninha

É destino, pois que seja
Mas não chega de bandeja!

OLHA QUE DOIS!...


SE NÃO SE DESSE a circunstância de Portugal se encontrar num estado cada vez mais perto da banca rota, pois quem tem que pagar dívidas e não dispõe de fundos para cumprir a obrigação de as liquidar não se pode considerar em posição diferente, se não fosse isso, ao tomar conhecimento deste Orçamento que Teixeira dos Santos lá conseguiu apresentar, ao cabo de sucessivos adiamentos, tal como sucedeu no anterior acto do Governo a que pertenceu e que também teve Sócrates como número um, e em que não conseguiu apresentar o O.E. em data e hora marcadas, eu, por mim, considerava-o como merecedor de ser reprovado, perante o exagerado apertar dos gasganetes ao povo português, que se encontra já a suportar há bastante tempo as maiores dificuldades de subsistência.
Este Ministro das Finanças já deu provas, mais do que suficientes, de que não tem condições mínimas para se encontrar à frente de um departamento de tão grande importância e só com um Sócrates a chefiar um Executivo, também ele (ou sobretudo ele) de tão grande incapacidade em escolher bons conselheiros e saber ouvir as opiniões dos outros, é que se formou um duo com tão pouca competência e que nos calhou ter de suportar.
Porque, face ao panorama que foi instalado em Portugal, as pesadas exigências de aumento dos impostos e, embora não total e sapientemente, a diminuição de gastos do Estado, nesta altura não se pode fazer outra coisa que não seja apertar fortemente o cinto, se bem que as escolhas feitas nas tais “noites sem dormir” que o ministro disse ter passado não sejam as que deveriam ter sido as preferidas, razão pela qual afirmo, no início deste escrito que, por mim, chumbaria o documento, repito, se as circunstâncias políticas fossem outras.
Porque o que a História contará um dia mais tarde, ao analisar o período que constitui agora a tortura dos portugueses, será a culpa que fica a caber a este Governo de Sócrates de não ter sido capaz de antever, com o tempo suficiente para prever o que estava aí a apanhar-nos, face à crise que se foi alargando pelo mundo e que, muito antes de cá chegar, já fazia parte dos comentários dos economistas de todo o mundo que bem avisaram de que era inevitável por acabar por ter também Portugal no seu caminho, se impunha que tivessem sido tomadas medidas de rigorosa interrupção imediata dos investimentos loucos que foram planeados e executado.
Para além de tudo isso, os governantes e sobretudo o seu Chefe Sócrates não tiveram a capacidade – porque não se deram conta dessa necessidade imperiosa – de, em vez de lançar discursos de regozijo pela imaginária boa posição da economia nacional, terem prevenido a população para a conveniência em não exceder os gastos para além das suas posses, estimulando uma boa produção de toda as camadas sociais, uma entrega ao trabalho dentro das nossas fronteiras idêntica à que os portugueses praticam quando se encontram na situação de emigrantes (em que são muito elogiados), tudo isso, que deveria ter sido aclarado e explicado – coisa que os políticos nacionais têm grande dificuldade em fazer -, não foi levado a cabo e por cá criou-se o mito de que vivíamos na maior das facilidades e que o gastar não importava, porque mais tarde lá se pagaria… E os bancos nisso foram grandes culpados.
Por sua vez, o Estado, ao ter recorrido sucessivamente, sem conta, peso e medida, a empréstimos externos que foram carregando as suas dívidas que, chegada a esta altura, os próprios pesados juros que nos são impostos absorvem todas as verbas de que o Tesouro público pode dispor, não deixando margem para outros encargos que deveriam ser disponibilizados para o sector produtivo, tinha de se esperar que acabássemos por nos encontrar engasgados até ao pescoço e que um Orçamento que tirou o sono a Teixeira dos Santos fosse o que se encontra agora sobre a mesa e que o pobre dos líder do PSD, Paulo Coelho, carregue também com parte da culpa do seu Partido não ter apresentado a tempo e horas um projecto de O.E. que pudesse ser comparado com o que o Ministro trouxe agora a lume. Por outro lado, não pode passar em claro a vergonha que deve sentir o referido “dono” das Finanças, por ter apresentado poucos meses atrás o PEC1 e o PEC2 e ambos não terem acertado com as medidas que se impunham, ainda que já também tardias, o que levou agora a surgir um tratamento que se pode classificar como paliativo de pré-morte.
Seja como for, o remédio nesta derradeira altura não dá nenhuma certeza de ser suficiente para salvar o moribundo. E as críticas que sejam feitas aos culpados do que está a suceder também já nada resolvem. Até tenho medo de prever que a situação a que chegámos possa conduzir o nosso País a uma saída que não se poderá considerar como sendo o fim menos trágico.
Isto pode acabar mal! É o que pensa bastante gente desconsolada com a situação a que chegámos. Os optimistas dizem que não somos povo para golpes de Estado e que também a Europa a que pertencemos não aceita que se volte a albergar outra ditadura. Já chegou a que por cá andou!...
Mas então o que se passará, se não conseguirmos sair do aperto em que nos encontramos? Isso pergunto eu que, se cairmos em tal desgraça, o que espero é não poder já assistir a outro horror, como aquele em que fui obrigado a viver e a ter de combater subterraneamente.

sábado, 16 de outubro de 2010

RAPAZIADA

Oh rapaziada à volta
oiço-vos falar bem alto
entra em mim certa revolta
entro até em sobressalto

Parece gente feliz
só porque é juventude
será que alguém lhes diz
que em breve talvez mude?

Criar a desilusão
vinda d’alguém qu’é mais velho
não é ter bom coração
o melhor é ver-se ao espelho

Rapaziada que ri
sem ter grandes problemas
eu também já estive aí
e nem fazia poemas

Mas tudo muda afinal
o que está à vossa espera
não será o ideal
nem algo que alguém quisera

Os grandes que hoje mandam
aqui neste Portugal
um dia também desandam
e o que deixam é fatal

A vocês cabe pegar
nos restos que cá sobrarem
só lhes resta carregar
com as contas e pagarem

Hoje por isso aproveitem
a juventude luzida
pois que depois se sujeitem
às agruras desta vida

Por isso não me incomoda
o barulho no café
seguindo as voltas da roda
então não estarei ao pé

AS CONVENIÊNCIAS


O “FOLHETIM” do Orçamento do Estado, o tema que, com gente normal, teria encontrado solução com a maior rapidez e sem o menor conflito, ao cair em mãos de políticos portugueses, esses que, quer pertençam a um grupo partidário quer a outro qualquer seu adversário, sempre preferem entrar em brigas de pátio – nunca me ocorre outra expressão quando me tenho de referir às discussões que são tornadas públicas pelos detentores de ideologias (?) que se declaram antagónicas -, atirando com afrontas completamente fora de propósito e que normalmente caem até nas ofensas, esse tal “folhetim”, repito, tem ocupado o tempo e a cabeça daqueles que têm obrigação de levar a sério as funções que lhes cabem e não dar a impressão que se divertem muito com os confrontos que têm vindo a alimentar.
Neste caso concreto, como foi sempre unânime o aviso quase geral de que, a não passagem do documento das receitas e despesas referentes ao ano de 2011 no Parlamento, acarretaria uma situação da maior gravidade, não só no que se refere à necessidade, sempre normal nestas situações, da recorrência aos duodécimos, como à imagem externa de Portugal junto dos mercados que nos observam, principalmente em relação aos credores, devido a essa circunstância criou-se um alarmismo de que a responsabilidade cairia sobre cada um dos que interviessem, com poder maioritário de voto, que não permitissem ao Governo de José Sócrates a utilização do referido Orçamento.
E foi precisamente este alerta que deu ao grupo socratiano a tranquilidade para se manter na sua posição de não divulgar com a antecedência conveniente os pormenores das medidas a tomar e que faziam parte do trabalho preparado, alimentando, por isso, as controvérsias que circularam em todos os agrupamentos, políticos e não só, sendo que algumas alusões teriam justificação, mas outras nem por isso.
Na véspera do dia em que se julgava poder-se ficar a saber o conteúdo da proposta do PS, a qual, pelo que acabo de saber pelo noticiário televisivo, o ministro Teixeira dos Santos, repetindo o que sucedeu há cerca de um ano, depois de ter adiado sucessivamente no decorrer da tarde a entrega do documento à Assembleia da República, mandou informar que até à meia-noite isso decorreria, redijo este texto às 21 horas (de ontem, sexta-feira) e possivelmente ficarei mais informado mantendo-me vigilante às noticias que acaso correspondam ao prometido pelo Ministro das Finanças. Mas é já sabido que as conferências de Imprensa, da parte oficial e das Oposições, só terão lugar sábado (hoje, para quem lê), da parte da manhã.
Em todo o caso, se no capítulo do agravamento dos impostos - como já se conhecem alguns e bem pesados eles são -, não se vive já na total ignorância, no que se refere ao abaixamento das despesas, área que, por sinal, requer mão forte e mesmo um ajuste que, em várias situações, atinge amigos de grupo partidários, especialmente aos do PS, pois por se verificar essa circunstância é que se tem assistido a tanta relutância em serem dados os passos que grande parte da população reconhece que se tratam de escândalos de protecção e de benesses inadequadas, a expectativa é de que o Governo perca as cautelas que tem demonstrado, o que eu, em minha opinião, não mantenho total garantia de que não fiquem de fora situações que se situam na zona do proteccionismo partidário.
Há que ser claro. O pôr fim a instituições, parcerias e empresas públicas notoriamente dispensáveis, a agrupamentos de consulta e de intervenção que têm servido para dar emprego bem remunerado a “compinchas” que, amanhã, poderão fazer o mesmo em sentido contrário, o manter, enquanto for possível essas situações que, gastando dinheiro ao Estado, e enquanto a situação política actual se mantiver – porque quando mudar, os novos detentores do poder logo farão as suas escolhas -, são consideradas intocáveis, tudo isso, por mais indignação que provoque aos portugueses comuns ninguém garante que fará parte do pacote de medidas que não devem ser ignoradas.
E como, ao mesmo tempo, existem sectores considerados intocáveis, correm as notícias de que, inexplicavelmente, por exemplo, o Parlamento acabou de contratar mais 20 funcionários, mas, por outro lado, a Direcção de Impostos, ao celebrar os 160 anos de existência, entendeu dever gastar 220 mil euros numa festa completamente fora de propósito, e foi o próprio Marques Mendes que, na sua crónica televisiva semanal, denunciou o facto de três presidentes de administração de empresas ligadas ao Estado, a Administração-Geral do Porto de Lisboa, a Carris e a CP, terem aumentado as suas remunerações, passando todos a auferir em redor de 7.000 euros mensais.
Mas estes casos são os que se tornaram públicos. Quantos haverá, por esse País fora, que escapam ao conhecimento geral e que os detentores do Poder têm obrigação de incluir na lista de redução e mesmo anulação de gastos dos dinheiros de todos nós?
É esse factor que tem de preocupar os que acompanham as actuações que os homens da governação devem executar com absoluta competência e honestidade. Eu, por mim, repito, tenho as maiores dúvidas no que diz respeito a um trabalho exemplar que compete aos diferentes chefes de sectores públicos. Na minha rua, por exemplo, há já seis ou sete anos que uma repartição pertencente à Presidência do Conselho, tendo saído do andar onde estava instalada e que se encontra agora devoluto, continua a ser paga a renda mensal e até os postes que garantiam o lugar reservado à permanência diária do Mercedes ao serviço da directora, com motorista que dormia todo o dia ao volante a aguardar sua excelência, tais “P” ali se encontram ainda sem que ninguém tome as medidas necessárias. Quantas situações semelhantes não ocorrerão, obviamente não só em Lisboa, por culpa de uns tantos ditos “responsáveis” que não cumprem as suas funções e que, provavelmente, até já estarão reformados?
É este o Portugal que temos. Se fosse na Suíça, na Alemanha ou em qualquer Nação desenvolvida, isto ocorreria? Pois é, eles são uns “chatos” e nós, por cá, improvisamos choramingando alegremente!
E já agora, no final deste desabafo sobre a triste situação que atravessamos, eu dou a conhecer uma interrogação que mantenho há tempos dentro de mim e que, provavelmente, já terá sido encarada por bastantes indivíduos que fazem parte do elenco governamental: na hipótese deste Governo de Sócrates sair porta fora, para onde irão todos aqueles que, há vários anos, têm sido sustentados pelos bons honorários. Será que já se perfilam por aí empresas públicas de primeira categoria, com os cadeirões já preparados para receber os rabiosques de quem está habituado a acomodar-se com comodidades? Ou será no espaço europeu que esses fulanos já têm guardados lugares, como sucedeu a outros que saíram a tempo para não sofrer agora os cortes nos salários? É apenas simples curiosidade!...