quarta-feira, 13 de outubro de 2010

ALFINETES


Como mudam os desejos
tal e qual as ambições
mas hoje não há sobejos
nem no fundo dos colchões

Dantes todos os pobretes
que tinham dinheiro à justa
não chegava p’ralfinetes
a vida era bem injusta

E agora, nesta luta
rodeados de falsetes
há quem mesmo com labuta

esconda sob os tapetes
a verba até diminuta
que tinha pr’ós alfinetes?



"PERIGO" AMARELO


QUANDO Eça de Queiroz, na altura do seu auge literário, lançou o aviso contra o que chamou de “perigo amarelo”, atribuindo esse alarme à expansão do que era então previsto, com tamanha antecedência, o comércio dos chineses que invadiria o mundo, foi esse clamor considerado como um medo que não tinha razão de ser e que, bastantes anos depois, ainda menor seria a sua probabilidade, quando o ditador Mao-Tse Tung encerrou as portas do seu País e não permitiu nem entradas de estrangeiros nem saídas dos naturais chineses. Tratou-se, pois, de um receio que não passou de um dos muitos prognósticos que por vezes são feitos por temerosos do futuro e que, sem razão provada, lançam a confusão junto das populações menos informadas.
Porém, neste caso do “perigo amarelo” – nome que também foi dado -, mesmo tendo-se de esperar por um largo período que, entretanto, colocou os habitantes terrestres preocupados com matérias bem distantes e até descansados no que dizia respeito a assistir ao baixo custo da mão-de-obra vinda daquelas paragens a competir com salários bem mais altos dos países que se afirmavam mais desenvolvidos. Não havia que pensar em tal hipótese, pois a diferença abissal que se verificava entre a produção originária da China e o grau de avanço técnico que ocorria no Ocidente não dava azo a que se tomassem as precauções que talvez constituíssem uma defesa do que poderia ocorrer passados tempos.
Primeiro foi o Japão, País que perdeu uma guerra e foi ocupado pelo poderio americano depois da assinatura da derrota que foi bem mostrada em todo o Globo. O seu desenvolvimento, a ponto de ocupar nos dias de hoje, um lugar de preponderância em diversos sectores da alta tecnologia, dá mostras de que, quando a força do ressurgimento toma lugar nas populações derrotadas num conflito, até parece que esse factor se torna benéfico no panorama seguinte da vida dessas gentes.
E a prova de tal evolução foi dada, de igual modo, na Coreia do Sul, onde também uma metade de uma Nação – com a Coreia do Norte entregue a uma completa paralisação económica, por motivo da sua opção de regime político – já dá cartas no ambiente da expansão comercial dos seus produtos, especialmente o automobilístico, pois não necessitou de uma grande dimensão territorial para se fazer notar e merecer o respeito de todos os parceiros espalhados pelo mundo que mantêm relações comerciais com os norte-coreanos.
E a República Popular da China? Apesar dos inconvenientes de ordem política que fizeram tardar o seu ressurgimento, mesmo ainda existindo no seu seio um regime que não se pode incluir na generalidade democrática da maioria dos que têm sido chamados países ricos, não obstante isso – e, quem sabe, talvez devido a isso – como consequência de uma força de trabalho com base numa mão de obra muito aplicada e com baixa remuneração, dentro de um sistema que, no seu exterior, os movimentos sindicais, fechando os olhos à cruz e ao martelo que figura nas suas ideologias, poderiam classificar como de exploração dos trabalhadores, devido a todas essas circunstâncias o certo é que a sua implantação e a forte concorrência que representa, não só nos preços mas também na sábia escolha dos produtos que os mercados aceitam, para além da rede comercial que implantaram pelo mundo fora, agora já com liberdade de saída dos seus habitantes que, mesmo sem se preocuparem em conhecer e falar as diferentes línguas dos múltiplos países que os acolhem, se têm implantado, não só nas cidades mas igualmente nas povoações mais recônditas, como é o se passa em Portugal.
Mas não é só isto que se poderá verificar na então realista “invasão amarela”. Já na Grécia, os responsáveis políticos, que ali estiveram recentemente, deixaram a sua proposta de oferta de auxílio neste momento crítico que passa o País inventor da Democracia. Aguarda-se pelo passo seguinte.
Ma, no que diz respeito a Portugal, a possibilidade de serem adquiridas pelos mesmos parceiros do Extremo Oriente algumas dívidas que nos estão a castigar, tal forma de nos aliviarmos por uns tempos dessa carga, evidentemente tendo de existir contrapartidas que falta averiguar quais serão, essa possibilidade só confirma que a tão castigadora crise que muitos países tidos antes como ricos e que se encontram a sofrer as suas pesadas consequências, assistem nesta altura a um enorme desafogo oriundos de Nações que, pouco tempo atrás, seria inconcebível admitir que se distinguiam com tamanha capacidade de ultrapassar os males de que todo o Globo se queixa.
O Brasil, a Índia, o Japão, a Coreia do Sul e, espectacularmente, a China, todos estes pedaços do Mundo aí estão para dar mostras de como conseguiram fugir do caos. Valerá a pena analisar tais fenómenos. E, os que tiverem a humildade suficiente para aproveitar alguma lição que daí advenha, poderá ser que faça criar uma senda de imitadores, porque os exemplos proveitosos são sempre de repetir, claro se as populações tiverem a capacidade para, sem preconceitos, se adaptarem aos hábitos dos vencedores.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

OUVIDOS DE MERCADOR

Quem vende não tem ouvidos
ou faz de conta que é surdo
será então que os zumbidos
que o levam ao absurdo?

Na fala a frase quedou
diz-se a quem não está atento
vai andando que eu já vou
palavras leva-as o vento

Verdade é que em língua nossa
a sério ou com humor
até com alguma troça

Seja por que razão for
se faz mesmo que se oiça
ouvidos de mercador

ORÇAMENTO DO ESTADO


O MOMENTO CRUCIAL aproxima-se. Já esteve mais longe. Muito se tem antecipado quanto à resolução que sairá da bancada social-democrata na altura em que se colocar à votação o Orçamento do Governo para 2011, uns acreditando que o grupo de Passos Coelho se absterá, permitindo que o documento essencial para a governação passe e outros, por seu lado, sustentando que a quezília que se tem criado em redor do assunto levará o PSD a “chumbar” a proposta. O certo é que a dúvida tem-se mantido, embora a esperança seja maior no caso da passagem do O.E., dadas as dificuldades que surgiriam logo a seguir se, por ventura, o PS se visse com a “criança” nas mãos, sendo forçado a tomar uma decisão que já ameaçou ser de entregar o Executivo a quem se apresentasse capaz de o ganhar em eleições, após a escolha do próximo Presidente da República.
Seja qual for o desfecho do pouco mais ou menos mistério, a imagem que Portugal transmite para o exterior não é das mais adequadas no capítulo de um entendimento entre agrupamentos políticos e o Governo, o que, numa ocasião de altas dificuldades financeiras, económicas e sociais – e eu junto sempre as três, porque não se trata se uma apenas -, o que, como também faz parte das minha afirmações constantes, aumenta as situações negativas é no capítulo dos empréstimos que continuamos a solicitar para que o Estado possa cumprir as suas obrigações internas. Porque, no que respeita à solvência para fazer face às dívidas externas, aí também nos encontramos de mãos e pés atados, a aguardar por soluções que, também no Orçamento do Estado, possam vir a ser descobertas.
E é aí o problema. Se o PSD não está de acordo com as rubricas que constarão do O.E. que vai ser discutido, o que deveria ter feito era apresentar um documento equivalente da sua autoria, em que os portugueses pudessem constatar que, no capítulo dos impostos teria outras opções, e que, quando a despesas, também tomaria diferente atitude com os cortes claramente expressos. Mas isso não fez e foi pena.
Igualmente, no que respeita ao documento que o Executivo levará à votação, não se sabendo concretamente quais as preferências, no Deve e no Haver, que serão propostas, é difícil ser tomada uma posição antecipada com base em dados conhecidos. E, no mínimo, seria útil que se tivesse uma ideia sobre a proposta que vai aparecer.
Desta maneira, o que tem ocorrido é que se fixa apenas nas ameaças e nos “ses” a troca de acusações que têm, como é tanto do nosso gosto, criado o mau ambiente político que poderia perfeitamente ter sido evitado.
No “dia da verdade”, já se ficará a saber qual vai ser concretamente o nosso próximo futuro. Porque esse, para mais tarde, já sabemos que, com este Governo ou com outro que o substitua, se terá de ainda defrontar maiores dificuldades, posto que as dívidas que têm de ser pagas e as que vão ser deixadas aos nossos descendentes, tal herança não fará com que a nossa geração deixe matéria para vir a ser saudada na História de amanhã.
Este período negro que atravessamos e que mostra claramente que não podemos contar no meio político, quer no Executivo quer nas Oposições, com gente que demonstre ser capaz de enfrentar a situação e, honesta e competentemente, sem preocupações de ordem partidária e não claudicando com favores aos parentes e amigos, assumir as suas responsabilidades, face a esta triste realidade eu confesso que não sou capaz de me inclinar para uma posição, mesmo que ela se mostre a menos má de todas.
Existe alguma parecença nesta minha indecisão com a que saiu da boca e Winston Churchil, quando lhe foi pedida opinião sobre a Democracia e em que a resposta foi de que era “a menos má das políticas”…

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

MÉRITO

Aquele que nasce pobre
e rico acaba a vida
que deixe o que lhe sobre
a quem nem possui guarida

Por esse mundo de Cristo
há quem na vida amarinha
por vezes fica mal visto
em redor só deixa espinha

Se ao mérito se deve
a sua boa ascensão
isso é de quem se atreve

a prestar boa atenção
ao que não sendo até leve
precisa de forte mão



RAZÕES DE QUEIXA


TODA A GENTE, mesmo a que não anda muito ao corrente do que se passa na área da politica, devido às limitações que são impostas aos portugueses, especialmente os que sentem mais na pele as dificuldades em manter uma subsistência minimamente aceitável, em virtude dessas circunstâncias toma mais conta do que ocorre no nosso País e, na falta de outro objectivo para ser alvo de acusações, aponta o dedo ao Governo que temos já há uns anos e que, face às críticas que surgem de diferentes lados, tem de merecer o papel de culpado.
Mas, vistas bem as coisas, apontando os problemas que se amontoam agora e que se podem classificar na categoria de castigos impostos aos cidadãos portugueses, teremos de chegar à conclusão que, de facto, foi conseguido “coleccionar” uma série de punições que os naturais deste Rectângulo à beira-mar plantado têm de cumprir, não lhe valendo de nada o facto de fazerem parte de um dos países iniciais instalados como tal na Europa, como também o feito de terem saído daqui os primeiros descobridores de terras dantes ignoradas e também de, isto na actualidade, nós termos uma simpatia especial ao recebermos os visitantes que cá chegam, característica esta que consegue bater de longe a maioria de outras populações e estas também situadas na nossa área europeia. Embora haja quem classifique isso de espírito de subserviência, a diferença para melhor que, neste aspecto, fazemos da maioria dos outros, sempre nos dá algum grau de superioridade que bastante falta nos dá noutras comparações.
Mas a realidade é esta. E vale a pena enumerar, mesmo de memória, todas as tomadas de posição que têm vindo a ser suportadas neste período e que nos cabe ter de suportar, sendo eles provocados pelos compatriotas nossos que se situam nos lugares de decisão e que, tratando-se de medidas inevitáveis, essas resultam do demasiado tempo passado sem que outros sacrifícios, por ventura mais moderados, tivessem sido pedidos aos portugueses.
A lista abaixo enunciada só tem a intenção de recordar o que é já bem sabido, mas também pretende fazer pensar se, ao mesmo tempo que as duras imposições que irão até provocar uma greve e uma manifestação no próximo dia 24 de Novembro (a qual não resolverá nada e provocará um gasto extraordinário ao País), se essas tomadas de posição organizadas pelos profissionais dos sindicatos não deveriam ser substituídas pela demonstração daquilo que a CGTP e a UGT consideram como fundamental para reduzir os dispendidos que o Estado suporta e qual a forma mais justa que defendem para evitar o aumento de impostos.
Quanto a mim existem diversas opções que, tanto o PS como as Oposições, deveriam encontrar-se na primeira linha das medidas a incluir no próximo Orçamento do Estado. No capítulo da retenção da despesas, já não vou ao ponto de obrigar os ministros a irem de bicicleta para o seus lugares de trabalho, mas se fosse isso também não escandalizaria.
Seja como for, o que deverá figurar nas primeiras linhas das medidas a tomar situam-se nestes pontos que passo a referir:
1 - O desemprego está a conseguir atingir uma tal percentagem da população que parece querer bater todos os recordes mundiais. Há que ter essa preocupação no cimo das medidas a tromar.
2 - A administração pública mantém-se por reorganizar, não obstante, em diversas ocasiões, se terem proposto alguns figuras a pôr em ordem o que dá mostras de uma total rebaldaria, mudando-se de nomes de várias instituições e ministérios só por uma questão de gosto dos titulares das referidas pastas, mas sem que nada de ordem seja levado em consideração. Podemos continuar assim?
3 – A corrupção, que se instalou com armas e bagagens em tudo que permite obter ganhos por meios ilícitos e através do uso de influências, não foi até agora combatida com a força e a honestidade que teria de fazer parte de todas as instâncias superiores, com partida sobretudo dos pelouros dos ministros. Suporta-se esta situação?
4 – O défice nas contas públicas mantém-se e até aumenta diariamente, não se conseguindo colocar um travão em tudo que são gastos supérfluos e, obviamente, fazendo subir as receitas do Estado, sempre com a maior atenção para que os cidadãos não tenham de atravessar necessidades de toda a ordem. E aí, por muito que custasse fazê-lo, havia que meter a mão, em primeiro lugar, nos rendimentos dos que vivem com farturas excessivas. Alguns passos foram dados por estes dias. Só agora! Mas ficou muito por fazer. Há ainda quem receba salários, ajudas de custo, transportes e gasolinas, pagamentos d telefones e tantas coisas do genros e que foram atingidos agora por algumas deduções, mas isso não basta. Passar de 5.000 euros por mês para 3.500 é deixar os beneficiados muitos mau? E os que ganham, a maioria, 200 a 300?
5 – Dado que o problema principal português reside na falta de produção e na pequenez do sector empresarial que se dedica à exportação, o fulcral é promover junto dos nacionais que já possuem indústrias mas necessitam apoios – sobretudo abrir portas e ajudas para serem fabricados produtos que tenham mercado no estrangeiro -, ajudas essas que o Instituto que existe há anos e se encontra espalhado pelo mundo com esse objectivo terá de concretizar, prestando contas pelos gastos que lhe cabem e pelos maus resultados que se obtêm. Há que exigir de Basílio Horta, sem ocultação do inquérito, que coisa está a fazer o Instituto a que ele preside e cuja actuação é precisamente a de trazer para Portugal empresas, investimentos e de promover lá fora o que cá se fabrica.
6 – Uma chamada de atenção, em Conselho de Ministros, das obrigações que cabem a cada um dos membros, exigindo-se-lhes que apresentem soluções para, na sua área de trabalho, modifiquem o que se encontre a necessitar de mudanças, sempre com a maior atenção aos gastos que têm de ser evitados. E se o Chefe do Governo marcar um prazo para que se verifique uma boa actuação dos seus parceiros no Executivo, acompanhando os casos e discutindo, no seio da família ministerial, os meios que são indicados por cada um ou que surjam mesmo do exterior, pelo que se impõe que seja pedido aos portugueses que se dirijam a um organismo que ficará aberto a colher propostas e que lhes dê andamento para os diferentes pelouros com controlo dos chefes para que não fiquem armazenados nas gavetas, dando resposta à situações que se situarem no campo da fantasias – porque muitas aparecerão nessas circunstâncias -, se se verificar que os governantes prestam atenção aos cidadãos, por certo que renascerá um espírito de colaboração por parte dos portugueses que, por sua vez, também assim suportarão melhor os sacrifícios que lhes foram pedidos.
Poderá parecer uma fantasia o que aqui deixo escrito, mas que se trata de uma proposta que, no mínimo, faria renascer alguma esperança neste povo tão desmotivado, sobre isso mantenho alguma confiança sobre o resultado positivo que seria conseguido.
Será assim tão difícil sentarem-se os responsáveis, mesmo adversários políticos, à mesa da concórdia e. engolindo sapos vivos uns, e agradados outros com as soluções possíveis, apertarem as mãos e deixarem para outra situação mais apropriada as discussões que estão a sustentar numa altura tão perigosa para a subsistência de Portugal.

domingo, 10 de outubro de 2010

SOZINHO

Passar um tempo sozinho todos os dias
Faz bem, ajuda a pensar
Reconforta, tira-nos as manias
Mostra tudo mais alvar

Connosco falamos, procuramos respostas
Para os problemas da vida
Incute-nos forças para subir as encostas
E sara alguma ferida

Falta isolarmo-nos de vez em quando
Ter o silêncio do mundo
Pôr na correria um certo abrando
Travar p’ra respirar fundo

Se toda a gente no nosso Hemisfério
E os que mandam na guerra
Parassem e pudessem pensar a sério
Haveria paz na Terra

AGUENTEMO-NOS SÓZINHOS


CADA DIA que passa contribui para me convencer ainda mais que este nosso País, para além da amargura de estar a atravessar já há alguns anos uma situação que se tem vindo a tornar mais difícil para os cidadãos suportarem e que só nestes últimos dias, devido a medidas drásticas (mas que não serão ainda as definitivas) tomadas pelo culpado-mor de grande dose da conjuntura a que chegámos, não sendo só isso o que tem também de nos preocupar é também o assistirmos a que os nossos companheiros europeus (e não só esses mas será igualmente grande parte do mundo atento), nos está a relegar para um plano afastado, para o nosso canto, não se incomodando minimamente com aquilo que somos e com o que decidimos realizar.
São os credores, com os olhos bem abertos para os juros e enquanto pudermos prestar alguma garantias de que seremos capazes de cumprir as dívidas assumidas e que, neste momento, ainda que com condições bem pesadas e com limites drásticos aos empréstimos, esses lá nos vão mirando mas com o olho bem aberto e avisando que os dinheiros disponíveis se encontram no fim da linha. Porque os demais países, na verdade também alguns com os seus problemas que lá vão solucionando, esses estão a condenar-nos a permanecer sozinhos, particularmente porque a nossa situação política interna não é de molde a conceder o mínimo de confiança, pois os desentendimentos entre os nossos dois principais partidos (e não só estes), que são observados de fora, só levantam dúvidas no que diz respeito ao futuro para que caminhamos.
A falta de bom senso, a arrogância anti-democrática de não se ser capaz de claudicar de opiniões próprias, as teimosias em prosseguir com objectivos que poderiam ser postos de parte, nem que fosse por um período definido, é precisamente isso que se situa na base na falta de diálogo construtivo que, afastando interesses partidários e convicções ideológicas, tenha apenas como princípio o bem do País a que se pertence. Sobretudo, no que respeita aos dois partidos em causa nesta luta de palavras que tão mau efeito produzem, o que seria necessário era ser demonstrada uma total ausência de complexos, por se fazer conjunto com este ou com aquele, e, sem perder tempo com que já não se conta muito, dando mostras públicas das razões dos seus passos, juntar forças e não se escusarem a uma tentativa para uma saída possível – ou provável – do que resta a Portugal.
Porque a verdade é que, de uma Europa unida, sem países de primeira e outros de segunda e até de terceira, é o que se necessita e aí os portugueses, com as suas características próprias que não residem num espírito produtivo e de não perder oportunidades, faltando-lhes o sentido de uma actuação prática e no estudo profundo das situações, largando o seu hábito do “desenrascanço”, os portugueses, no seio político e mesmo no seu dia-a-dia, não gozam do privilégio da união, antes perdem tempo com questiúnculas, dizendo mal de tudo e de todos, no que respeita ao intestino nacional, e não dando mostras de que são capazes de proceder de melhor forma. O hábito das discussões de pátio, desse tipo característico do povo humilde, não se fica por aí. Os políticos, como portugueses que também são, não conseguem fugir dessa gritaria do estendal de roupa. Não gostarão da comparação, mas é isso mesmo o que mostram possuir no seu íntimo.
Em resumo: sozinhos, pois, estamos, Temos de reconhecer isso mesmo. E não será fácil continuarmos desta forma, pelo que até o FMI aí vai aparecer para nos deitar a mão, essa de ferro, castigando os maus alunos que terão de colocar à antiga as orelhas de burro e permanecer de costas e à janela, o tempo que for suficiente para podermos aprender alguma coisa, já que, de prática democrática, os trinta e seis anos decorridos não chegaram para retirarmos da boca essa arrogância de sermos os melhores e de, afinal, não conseguirmos ouvir os outros e de assumirmos as nossas faltas com absoluta modéstia. E esta carapuça cabe a alguém?
Tristemente sós cá ficamos. Aproveitemos então para pensar… e, se possível, melhorar!

sábado, 9 de outubro de 2010

UM PORTUGUÊS

Esse dever
de ter alguma coisa que fazer
e não dar um passo
sentir cansaço
respirar fundo
ignorar o mundo
procurar frescura
não recear censura
de nada e de ninguém
não importa quem
assim vale a pena existir
e cá prosseguir
na roda da vida
tudo sem corrida
que o fim que se espera
é hoje o mesmo que era
e que sempre foi
que não se condói
com quaisquer pressas
e que pede meças
deixem-me assim ficar
neste meu lugar
sossegadinho
daqui a poucochinho
já sairei
sem saber para onde irei
mas fazer isso não faço
nem para tal me maço
exemplo vem de cima
e sem ter de fazer rima
o que digo é verdade
sem qualquer maldade
pensar que Deus e os anjos
só tocam seus banjos
sem preocupação
nem obrigação
olhando esta Terra
sempre com uma guerra
em que o Homem persiste
de inveja em riste
a estragar ambiente
em destruição crescente
para quê pois cansar-me
se pouco pode animar-me
a remar contra a maré
e sentado ou em pé
aguardo a minha vez
como qualquer português

Qualquer é como quem diz
pois tudo o que fiz
foi a aspirar
a não ser um qualquer
mas de pouco valeu
porque o que aconteceu
foi o que está à vista
o não deixar pista
para seguidores.
Adeus meus senhores!

HORÁRIOS DAS LOJAS


TANTO SE TEM FALADO, nas múltiplas intervenções de gente que surge perante as câmaras de televisão e utiliza outros meios de comunicação para expandir as suas opiniões, que o principal problema de Portugal é o da pouca produção e, portanto, da dificuldade em termos para oferecer aos mercados estrangeiros artigos que saiam das indústrias nacionais, é tamanha a alusão a esta deficiência portuguesa que já se deveriam ter observado, quer por parte do Governo quer também da boca das Oposições, indicações úteis para fazer face a essa indiscutível falha na nossa economia.
É verdade que, desde sempre, nunca tivemos a capacidade para, apesar de sermos um País pequeno ou precisamente por isso, adoptarmos uns tantos produtos que constituíssem uma marca que se implantasse nos pontos de venda espalhados pelo mundo.
Sabemos que, países mínimos, como a Suíça e outros de dimensões idênticas, se fixaram na especialização de determinados artigos que se relacionam de seguida com os seus fabricantes. Os relógios são um deles, como poderia aqui deixar outros casos que bem deveriam ter-nos indicado passos que bem úteis seriam para equilibrar a nossa balança de exportações e importações.
O que me espanta, pois, é que os indivíduos que tomaram, até agora, lugar nos diferentes Executivos que decorreram desde a Revolução, há 36 anos, nenhum tivesse dedicado a maior e quase única atenção a esse factor que está, há muitos anos na base do nosso pouco desenvolvimento e que, nesta altura tão difícil que atravessamos, seria da maior importância para ajudar a darmos passos concretos para sair da crise em que estamos envolvidos.
Vou ser claro: então o chefe do Governo e o seu ministro das Finanças, ao terem tomado a decisão – tardia, tardia, tardia, não me canso de proclamar – de impor sacrifícios aos cidadãos mais desfavorecidos, que, já tão sobrecarregados, não sabem bem como suportar esse passo, não se lembraram de mais nada, como seja impulsionar os portugueses a empregarem-se mais e melhor nas suas actividades, dado que, conforme eu ouvi já tantas queixas por parte de comerciantes do meu bairro, neste fim de semana verificou-se uma fugida tirando partido do feriado que, ocorrendo numa terça-feira, deu todo o jeito para se não trabalhar na segunda-feira que ficou no meio.
Talvez fosse o momento apropriado para regulamentar alguma coisa que retirasse essas fugas, pois aos portugueses, digam o que quiserem, não chegou ainda a verdadeira realidade do que está ainda para vir, pois continua com a sua fé tradicional, a pensar que a Providencia tudo faria para evitar que o nosso Pais seja excessivamente atingido nos tempos que se aproximam. E essa medida seria a de terminar com os feriados que, ao lado de um fim-de-semana, proporcionam fazer essa coisa tão apreciada que são as “pontes” da paralisação.
Escrevo isto só por escrever, pois é sabido que essas sumidades têm mais do que fazer do que prestar atenção ao que ´´e vital para que se produza mais em Portugal.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

DESASSOSSEGO

Não é d’hoje mas é dantes
que existe este alvoroço
pois já velhos navegantes
roíam o duro osso

Foi Pessoa quem lançou
num total desapego
a obra a que chamou
Livro do Desassossego

Mas quando s´séculos atrás
o Filho bateu na Mãe
e afirmou ser capaz
de fazer um País bem

Deixando p’ra trás galego
por este rectângulo abaixo
lançou o desassossego
inventou também o tacho

Assim fomos caminhando
em triste monotonia
por vezes também chorando
noutras sentindo alegria

Sossegados não estivemos
profunda inquietação
pois saber nunca soubemos
viver sem ter um mandão

Os reis eram eles donos
República veio tentar
e nós só como colonos
pusemos dedo no ar

Dezasseis anos chegaram
P’ra República cair
ditadores aproveitaram
o não sabermos gerir

Cinco décadas passaram
sob um jugo bem pesado
portugueses sossegaram
sempre de bico calado

Os que não se conformaram
por perderem alter-ego
escondidos reclamaram
em total desassossego

Até que o dia chegou
com Marcelo sem poder
a Revolução derrubou
quem estava p’ra perder

Agora em Democracia
com três décadas passadas
não é grande a alegria
há gentes desagradadas

Os que mandam, lusitanos
nos partidos estão também
são todos seres humanos
não conseguem dar-se bem

E isso da Liberdade
que todos p’ra si exigem
com outros de má vontade
poucochinho lá transigem

Para podermos viver
em Democracia plena
muito há que aprender
e a altivez ser pequena

Como no dizer do povo
se cada um se vê grego
há que tentar de novo
fugir do desassossego

GRANDE FROTA


UMA DAS RAZÕES por que me insurjo tanto contra a governação que temos de suportar reside também no facto de não vermos aqueles que têm poder para actuar não mostrarem capacidade (ou conveniência) para pôr termo, no capitulo das despesas publicas, aos gastos que seriam facilmente eliminados se existisse um mínimo de sentido de responsabilidade e igualmente alguma competência para deitar não aos casos que entram pelos olhos dentro.
Os dispêndios que pesam no erário publico e que, a muito medo, o Governo pretendeu baixar na preparação do Orçamento do Estado que vai ser discutido no Parlamento, não atingem o sector que tanto castigo provocam nos dinheiros que os cidadãos pagam, o qual não abarcou o sector da frota automóvel que, exageradamente, é constituída por dezenas de milhares de viaturas que se encontram ao serviço de uma exagerada quantidade de servidores do Estado, os quais, nas circunstâncias actuais do nosso País, deveriam há muito tempo, pelo menos há dois anos, ver retirada tal regalia.
Tenho escrito sobre este tema, aqui neste blogue, variadíssimas vezes e não é por isso que tenho de me considerar uma cabeça pensante extraordinária. Já não se trata apenas de colocar à venda os excedentes da referida frota, o que representaria uma entrada de dinheiro nos cofres do Estado, mas sim e principalmente baixar substancialmente o gasto com combustíveis e reparações em avarias, assim como os motoristas – que são umas centenas largas – que se encontram em exclusivo ao dispor de suas Excelências, mas a anotação que tem sido feita hão interessa aos “patrões” que poderiam deitar mão a este assunto.
Neste momento em que todos suportamos a crise que nos atormenta, seria bem aceite por todos os portugueses que sentem na carteira os apertos que lhes são impostos, que os carros que se encontram ao serviço de servidores beneficiados do Estado se limitassem aos ministros e secretários de Estado e seus equivalentes, sendo que, dai para baixo, incluindo os directores-gerais, cada um deveria requisitar um veiculo aos serviços criados para o efeito, responsabilizando-se pela verdade do pedido, surgindo um carro que fosse e com o motorista que estivesse disponível, acabando de vez e até que as circunstancias económicas, financeiras e sociais se alterassem para melhor e permitissem que as Finanças nacionais suportassem essas mordomias. E até isso suceder, infelizmente ainda vai passar muito tempo. Anos, se tivermos a sorte das circunstâncias nos favorecerem!...
O mundo que nos rodeia e a Europa em particular assistiriam a esta determinação do nosso Governo como prova de que se está a cuidar, com a devida atenção, do futuro que temos de enfrentar, pondo um ponto final nas despesas que têm constituído um gozo dos “mandões” da nossa política e a que se deveria ter posto um travão há muito tempo.
Se isso tivesse sucedido, não estaríamos nesta altura libertos das dificuldades que mais nos penalizam, como é o desemprego, mas, pelo menos, teríamos condições financeiras mais folgadas que permitiriam uma margem menos penosa por forma a poder reduzir as sucessivas dívidas que representam o gesto diário da governação que temos. Quando o primeiro-ministro aparece a afirmar que em nada remediávamos com o termos tomado precaução nos gastos em período anterior, o que está a dar mostras é de, das duas respostas uma à escolha: ou a mentir descaradamente ou a mostrar-se de uma ignorância aflitiva para quem, no mínimo, deve pedir informação aos que, em seu redor, ainda terão alguma consciência do terreno que pisamos. Mas qualquer delas não pode deixar-nos descansados.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

BABA E RANHO

Isto não está para rir
nada resolve chorar
aumenta a gente a pedir
cada vez menos a dar

É estranho
A baba e ranho

porque carpir é humano
sentir dor por qualquer cousa
sofrer efeitos do dano
admirar quem repousa

Tudo isso é natural
a tristeza bem assoma
pois que neste Portugal
viver não é uma broma

E não é pelo tamanho
Que se chora baba e ranho

termo que o povo utiliza
p’ra expressar o sofrimento
não sendo forma precisa
sempre é o que sente dentro

Porque o choramingar
é maneira pouco clara
de querer desabafar
sem molhar demais a cara

E se eu dou o que tenho
Pois que seja baba e ranho

a quem não acreditar
tiro as dúvidas que houver
e ao verem-me chorar
baba e ranho aparecer

MONARQUIA OU REPUBLICA


FOI HÁ 25 ANOS, era então Mário Soares primeiro-ministro, que o FMI meteu a sua mão na situação financeira portuguesa, pois as circunstâncias que se atingiram nessa altura não permitiram que nos libertássemos de tal intervenção que, para os economistas, representa sempre um mau sinal. Ficou resolvido na época e a sombra desse Fundo Monetário continua a pairar no momento que se atravessa, pois que as condições que defrontamos são ainda piores do que eram um quarto de século atrás.
Sabendo-se que é do interesse nacional que Portugal não se tenha que sujeitar à referida análise e decisão do Fundo em causa, a pergunta a fazer – e não se pára de pôr questões a quem tem a responsabilidade de decidir, embora as respostas não surjam com facilidade – é se não se deveria recorrer a todos os meios e solicitar o auxílio de reconhecidas competências económicas com o fim de serem encontrados os recursos que ainda possam existir para evitar a ameaça à porta. Mas, para tal, impunha-se que os “sábios” que se encontram sentados nos cadeirões do Poder tivessem a humildade suficiente para dar a mão à palmatória e reconhecer a sua incapacidade para solucionar o problema.
Como se sabe que essa conveniente atitude não existe no nosso meio governativo, aquilo a que se assiste, em demasiadas áreas que têm a ver com as tomadas de decisões, o que ocorre é a decadência progressiva de um País e as trapalhices sucedem-se sem que existam punições adequadas aos que, estando colocados em posições de decisão aos vários níveis e em que dão mostras de uma completa incompetência e de um encolher de ombros perante as consequências desastrosas resultantes, lá vão continuando usufruindo das regalias que as famílias partidárias concedem nos seus seios.
É indiscutível que não pode existir Democracia sem partidos políticos. E sendo até esta forma de actuação, de entre todo o leque de escolhas políticas, o que se pode considerar o menos mau, não é aceitável que ocorram situações declaradamente destruidoras do espírito de servir com absoluta honestidade, em que a acção do Homem, com esses defeitos que abundam por todo o lado, o egoísmo, a ambição desmedida, a vaidade confrangedora, destruam por completo as qualidades extraídas da vontade das maiorias.
Sujeitos, como nos encontramos, ``as circunstancias que a governação descuidada nos obrigam a suportar, tendo de ouvir os discursos repetitivos que, como sucedeu agora na comemoração do 5 de Outubro e em que, uma vez mais, José Sócrates nos castigou os ouvidos com as frases feitas que não significam indicação de um caminho estudado e coerente que nos tire do fundo do poço, neste estado resta-nos aguardar por uma espécie de milagre que, com FMI ou sem ele, com acordo na votação do Orçamento ou com o descalabro politico que nos atirará ainda mais para baixo se PS e PSD não chegarem a um acordo, neste estado nos encontramos.
Infelizmente chego a conclusão de que, com Republica ou com Monarquia, não ´´e por ai que encontraremos o caminho certo, porque, dando vivas ao Rei ou gritando vivas ``a Republica, os fulanos que se agarram ao poder são sempre aqueles que vivem ``a custa do poder e que dele auferem as regalias de que não desistem. Nos governos e nas oposições, nos grupos de empresários ou no topo dos sindicatos, dali ninguém os tira. Pois nos tempos modernos j´´a não ocorrem os regicídios e os montões de guarda-costas que protegem suas excelências preservam contra determinada loucura que esteja nas intenções de alguns tresloucados.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

REMOENDO

Mas então serei só eu
Desconsolado da vida
Que julga que já tudo deu
E se acabou a guarida?
Mais ninguém?
Todos bem?
Se assim é então fracasso
O mal é meu exclusivo
Não devo dar mais um passo
Pois não há paliativo

Só, no mundo, me revejo
Por culpa minha por certo
Movendo-me no papelejo
Que é o que tenho perto
Escrevendo
Remoendo
Com outra coisa não conto
Uma resposta não dá
Acabo ficando tonto
E sem fé no que virá

POR MARES....


FOI ASSIM no século XV, em que o Oceano Atlântico se apresentavam perante a vista dos portugueses e as nossas naus sulcaram o mares na busca de locais onde pudéssemos desenvolver aquilo que não cabia no território limitado que nos tinha calhado com a conquista aos mouros, iniciada por D. Afonso Henriques, de um espaço que se conservou ao longo dos séculos que temos como existência.
Vale a pena recordar o que foi essa aventura de uns tantos antigos compatriotas nossos e em que essa decisão, tomada por vontade própria ou impulsionados pela necessidade de subsistência e sem outra alternativa, em que, mares fora, abriram perspectivas que, logo a seguir, outros países aproveitaram instalando-se nos locais que os portugueses descobriram por esse mundo fora, retirando o proveito que n´´os, ingénuos como somos, nunca fomos capazes de usar a nossa favor.
Portugal, como Pais europeu, nesta altura possui a maior área marítima que se apresenta em frente de si. Já fomos uma Nação com alguma importância no sector da pesca, mas, nesta altura, encontramo-nos reduzidos ``a expressão mais simples, pois tendo aproveitado aquilo que foram consideradas benesses prestadas pela Comunidade Europeia, demos baixa de um enorme numero de embarcações destinada a essa pratica e encontramo-nos perante um enorme défice de actividade que colocou os pescadores em posição de reforma antecipada e, em vista disso, o consumo de pescado que, abundantemente, faz parte da nossa lista gastronómica, constitui recurso do mesmo importado das mais diferentes origens, o que também, nesse sector, constitui uma sobrecarga na nossa tão carregada balança de pagamentos.
Hoje, se o poeta voltasse a cantar os feitos dos navegadores que sulcaram os mares, teria que emendar o verso e substitui-lo “por mares agora abandonados” e que, em virtude da aquisição dos submarinos que temos de pagar com língua de palmo, passaria igualmente a ser referido como “por mares agora submersos”.
Na verdade, o que andamos todos agora ´´e debaixo de agua, respirando por uma palhinha, e rogando a todos os santinhos para que, no mínimo, esse ar que circula ainda que poluído, não acabe por nos faltar.
Os maus momentos estão reservados a Portugal, ainda que seja em diferentes ocasiões todas difíceis. A I Republica, para referir um acontecimento apenas com um século de distância, deu aos portugueses ´´agua pela barba, a Revolução de 25 de Abril também não foi pêra doce, este momento em que nos encontramos, não representando embora uma mudança de sistema, pode querer anunciar que poderá estar para breve uma alteração do sistema de governar. Se assim for, pelo menos vale a pena o sacrifício, se bem que as perspectivas de sermos capazes de entrarmos num período em que as contas publicas serão postas em ordem, com os impostos adaptados ao nosso poder de os suportar e as despesas, sobretudo essas, limitadas ``a nossa capacidade e de não fazermos papel de milionários.
Sonhar não custa. Mas talvez o susto sirva para alguma coisa. E se, de novo, formos ajudados por acções vindas de fora, então talvez voltemos a ir direitos ao mar e o aproveitemos para extrair aquilo que constitui uma riqueza que s´´o cabeças tontas foram capazes de desaproveitar.
E a propósito: que será feito dessa gentinha que mandou destruir a frota pesqueira nacional? Provavelmente estará bem colocada em qualquer instituto publico ligado ao mar, com um salário principesco e uma reforma, quando ela chegar, ainda mais ofensiva.

Nota – Como se pode verificar tenho uma avaria (parece ser um vírus) no meu computador, em que os acentos nao saem limpos. Espero que o técnico resolva este problema, mas os feriados d~~ao nisto: há que esperar.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

NAO SE APURA


Milhentas questões da vida
muitas delas sem respostas
têm difícil saída
por mais que pesem nas costas

Quantas vezes é o quem
que na pergunta mais pesa
porque não se sabe bem
quem é que escondido lesa

E a forma que utiliza
quem na vida nos persegue
o como nos martiriza
mesmo que isso alguém negue

Que motivo p’ra tal ódio
o porquê de tanta zanga
será algum episódio
que julgou ser uma manga?

E em que sítio tal se deu
onde essa coisa passou
será que alguém se meteu
e o veneno largou?

O dia usado em tal acto
quando esse mal foi feito
nada ficou no retrato
o autor usou preceito

Quem, como, porquê, quando,
onde se deu a maldade
foi igual a contrabando
nunca se apura a verdade

SEREMOS CAPAZES?


ISTO ESTÁ BONITO na verdade. O aviso que lançaram os serviços secretos norte-americanos para que os naturais daquele País não viajassem para a Europa, pois anunciaram a possibilidade de acções terroristas, por parte da Al-Qaeda, que podem ocorrer sobretudo em França, mas também na Grã Bretanha, não descartando tal possibilidade noutros lugares no Continente, e acrescentando aos que se encontram já nestas paragens que aconselham a evitar visitas a locais demasiado expostos, esse alarme só serve para proporcionar ainda um aumento da crise que, só por si, traz um número enorme de população de todas as nações que evitam fazer consumos, o que tem repercussão nas produções e que, no sector do turismo, com todas as suas vertentes, tem ainda maior incidência
Claro que, por cá, esta medida tem de nos afectar. E o que se pede às instâncias que temos de propagação da nossa actividade turística, tão importante para ajudar a equilibrar as contas públicas, é que divulguem, sobretudo naquele mercado tão importante do outro lado do Atlântico, que o terrorismo não está instalado nas nossas paragens e que aqui, mesmo com a nossas dificuldades até por isso, os suicidas islamitas não encontram interesse em fazer das suas.
Aí está, pois, um tema que deve ser utilizado pelos nossos mentores turísticos que têm a seu cargo a expansão para além fronteiras das belezas nacionais e, sobretudo, da nossa gastronomia que essa, por ser louvada em toda a parte, tem direito a servir de cartaz, desde que se saibam usar promoções que se adaptem aos motivos de visita dos estrangeiros e especialmente, neste caso, dos norte-americanos.
Seremos capazes?
Numa altura em que se comemora o centenário do 5 de Outubro, momento em que Portugal passou também por uma fricção económica e financeira que terá sido o que hoje se verifica em copia, embora com diferentes características e com mais população, pode-se dizer que a coincidência tem foros de malvadez, pois depois de uma Monarquia e, nos actuais tempos, passada que foi uma Ditadura, não encontramos um caminho que mostre descanso a quem, ao cabo de cerca de 900 anos de independência, já merecia viver com tranquilidade.
Volto a perguntar: sermos capazes de tudo fazer para o conseguir?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

SALVE-SE QUEM PUDER!

Nem toda a gente pode
cada um sabe de si
às vezes há quem acode
dando razão a quem ri
Salvam-se uns
E outros não
a sorte não chega a todos
para os que a têm pouca
outros têm-na a rodos
e levam uma vida louca

Quando o barco vai ao fundo
todos aos mesmo escaler
e sem perder um segundo
é o salve-se quem puder
Socorro!
Se não morro
é grito de aflição
por esse mundo não falta
quem em grande agitação
se ponha a alertar a malta

Só os que podem se livram
as circunstâncias ajudam
serão os que se esquivam
e na sorte se escudam
Se puder
Haja o que houver
não serei eu apanhado
na derrocada fatal
terei o maior cuidado
p’ra evitar pior mal

Até mesmo p’ra viver
que se salve quem puder

O REI SÓCRATES


VEJM LÁ o que fui sonhar na noite passada. Face ao período que se atravessa de comemorar os 100 anos da implantação da República em Portugal, dei comigo num sonho que me deixou, ao acordar de manhã, num estado deplorável de humor. Pois foi, nem mais nem menos, o encontrar-me situado no regime monárquico português e em que o rei que se sentava no trono tinha o nome de D. José II, com o cognome de “O Sabedor”.
Até aí nada de preocupante, pois numa modalidade ou na outra, o que interessa acima de tudo é a capacidade do responsável principal pela governação ser alguém que mostre competência e que tenha a capacidade para ouvir as opiniões dos outros, sobretudo quando podem ser melhores do que as do próprio. E se se tratasse de uma monarquia em que o espírito democrático funcionasse com um cumprimento perfeita das regras de aceitar os votos da maioria, nessas circunstâncias há, pela Europa, sistemas que assim actuam e, pelos vistos, não se verifica grande descontentamento, se bem que isso dos sucessores terem de pertencer a descendentes na família real, esse pormenor, no que a mim diz respeito, não é o que mais me agrada. E, sobretudo porque até na Coreia do Norte – mas não só aí -, são os filhos que ocupam os lugares dos ditadores pais, pelo que então ainda maior é a minha falta de gosto em seguir esse sistema da sucessão garantida.
E no referido sonho, ao ver, depois de acomodar-se no trono, quem era a figura que fazia tal papel, fico espantado ao constatar que se tratava de José Sócrates que, apesar da enorme coroa que mantinha sobre a cabeça, não escondia o seu enorme prazer e, alisando o longo manto todo bordado que mantinha sobre as costas, fez sinal ao seu tesoureiro-mor para que se aproximasse. E aí, com novo espanto da minha parte, depara-se-me Teixeira dos Santos que, de joelhos, carregando um maço de papeis e pondo à disposição de Sua Altesa uma pena de plumas e um tinteiro, esperou que o Monarca pusesse a sua assinatura no que seriam uns despachos que amontoavam as cargas fiscais que iriam sobrecarregar os pobres súbditos. Um outro subalterno, numa bolsa bem pequena, aproximou-se e entregou um rolinho que continham as despesas do palácio real, as quais num golpe rápido, também foram assinadas, mas com nítida má vontade do Soberano.
Entretanto, do fundo da sala, um membro que ali tinha tido autorização para entrar, avançou com ar petulante, e sacando de uma espécie de carta de alvissareiro, leu em voz alta, para espanto dos assistentes. Tratava-se de um aviso feito em nome daqueles que representava – disse que dos trabalhadores – em que estabelecia uma data em que se realizaria uma greve geral, por contestação contra as medidas que tinham sido tomadas que muito prejudicavam os seus representados. Acabou a leitura e recolheu-se junto de outras figuras que, receosamente, tinham assistido à cena. Mas o avisador, que eu pude, no meu sonho, constatar que se tratava de Carvalho da Silva, ao chegar junto do seu grupo, lá desabafou: “Eh pá! Pagam-me para isto e eu não posso perder o emprego…”
E foi então que o meu sonho terminou. Acordei alvoraçado, mas, minutos depois, ao tomar consciência do que estava a acontecer, realizei que não havia Monarquia nenhuma, que vivíamos em República democrática, mesmo não sendo a mais bem praticada, que o chefe do Governo é que era aquele que eu tinha imaginado de coroa na cabeça, e que, não havendo assim uma grande distanciação da realidade com o conteúdo do meu sonho, havia que separar as duas coisas.
Mas ainda, antes de me dirigir para a casa de banho, tive tempo para reflectir. É que, se fosse uma Monarquia o regime em que nos movimentássemos por cá, talvez houvesse a hipótese de se dar outra mudança para a República; mas o contrário é que não parece ter viabilidade. Logo, ficamos como estamos e que alguém nos ajude.