terça-feira, 5 de outubro de 2010

NAO SE APURA


Milhentas questões da vida
muitas delas sem respostas
têm difícil saída
por mais que pesem nas costas

Quantas vezes é o quem
que na pergunta mais pesa
porque não se sabe bem
quem é que escondido lesa

E a forma que utiliza
quem na vida nos persegue
o como nos martiriza
mesmo que isso alguém negue

Que motivo p’ra tal ódio
o porquê de tanta zanga
será algum episódio
que julgou ser uma manga?

E em que sítio tal se deu
onde essa coisa passou
será que alguém se meteu
e o veneno largou?

O dia usado em tal acto
quando esse mal foi feito
nada ficou no retrato
o autor usou preceito

Quem, como, porquê, quando,
onde se deu a maldade
foi igual a contrabando
nunca se apura a verdade

SEREMOS CAPAZES?


ISTO ESTÁ BONITO na verdade. O aviso que lançaram os serviços secretos norte-americanos para que os naturais daquele País não viajassem para a Europa, pois anunciaram a possibilidade de acções terroristas, por parte da Al-Qaeda, que podem ocorrer sobretudo em França, mas também na Grã Bretanha, não descartando tal possibilidade noutros lugares no Continente, e acrescentando aos que se encontram já nestas paragens que aconselham a evitar visitas a locais demasiado expostos, esse alarme só serve para proporcionar ainda um aumento da crise que, só por si, traz um número enorme de população de todas as nações que evitam fazer consumos, o que tem repercussão nas produções e que, no sector do turismo, com todas as suas vertentes, tem ainda maior incidência
Claro que, por cá, esta medida tem de nos afectar. E o que se pede às instâncias que temos de propagação da nossa actividade turística, tão importante para ajudar a equilibrar as contas públicas, é que divulguem, sobretudo naquele mercado tão importante do outro lado do Atlântico, que o terrorismo não está instalado nas nossas paragens e que aqui, mesmo com a nossas dificuldades até por isso, os suicidas islamitas não encontram interesse em fazer das suas.
Aí está, pois, um tema que deve ser utilizado pelos nossos mentores turísticos que têm a seu cargo a expansão para além fronteiras das belezas nacionais e, sobretudo, da nossa gastronomia que essa, por ser louvada em toda a parte, tem direito a servir de cartaz, desde que se saibam usar promoções que se adaptem aos motivos de visita dos estrangeiros e especialmente, neste caso, dos norte-americanos.
Seremos capazes?
Numa altura em que se comemora o centenário do 5 de Outubro, momento em que Portugal passou também por uma fricção económica e financeira que terá sido o que hoje se verifica em copia, embora com diferentes características e com mais população, pode-se dizer que a coincidência tem foros de malvadez, pois depois de uma Monarquia e, nos actuais tempos, passada que foi uma Ditadura, não encontramos um caminho que mostre descanso a quem, ao cabo de cerca de 900 anos de independência, já merecia viver com tranquilidade.
Volto a perguntar: sermos capazes de tudo fazer para o conseguir?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

SALVE-SE QUEM PUDER!

Nem toda a gente pode
cada um sabe de si
às vezes há quem acode
dando razão a quem ri
Salvam-se uns
E outros não
a sorte não chega a todos
para os que a têm pouca
outros têm-na a rodos
e levam uma vida louca

Quando o barco vai ao fundo
todos aos mesmo escaler
e sem perder um segundo
é o salve-se quem puder
Socorro!
Se não morro
é grito de aflição
por esse mundo não falta
quem em grande agitação
se ponha a alertar a malta

Só os que podem se livram
as circunstâncias ajudam
serão os que se esquivam
e na sorte se escudam
Se puder
Haja o que houver
não serei eu apanhado
na derrocada fatal
terei o maior cuidado
p’ra evitar pior mal

Até mesmo p’ra viver
que se salve quem puder

O REI SÓCRATES


VEJM LÁ o que fui sonhar na noite passada. Face ao período que se atravessa de comemorar os 100 anos da implantação da República em Portugal, dei comigo num sonho que me deixou, ao acordar de manhã, num estado deplorável de humor. Pois foi, nem mais nem menos, o encontrar-me situado no regime monárquico português e em que o rei que se sentava no trono tinha o nome de D. José II, com o cognome de “O Sabedor”.
Até aí nada de preocupante, pois numa modalidade ou na outra, o que interessa acima de tudo é a capacidade do responsável principal pela governação ser alguém que mostre competência e que tenha a capacidade para ouvir as opiniões dos outros, sobretudo quando podem ser melhores do que as do próprio. E se se tratasse de uma monarquia em que o espírito democrático funcionasse com um cumprimento perfeita das regras de aceitar os votos da maioria, nessas circunstâncias há, pela Europa, sistemas que assim actuam e, pelos vistos, não se verifica grande descontentamento, se bem que isso dos sucessores terem de pertencer a descendentes na família real, esse pormenor, no que a mim diz respeito, não é o que mais me agrada. E, sobretudo porque até na Coreia do Norte – mas não só aí -, são os filhos que ocupam os lugares dos ditadores pais, pelo que então ainda maior é a minha falta de gosto em seguir esse sistema da sucessão garantida.
E no referido sonho, ao ver, depois de acomodar-se no trono, quem era a figura que fazia tal papel, fico espantado ao constatar que se tratava de José Sócrates que, apesar da enorme coroa que mantinha sobre a cabeça, não escondia o seu enorme prazer e, alisando o longo manto todo bordado que mantinha sobre as costas, fez sinal ao seu tesoureiro-mor para que se aproximasse. E aí, com novo espanto da minha parte, depara-se-me Teixeira dos Santos que, de joelhos, carregando um maço de papeis e pondo à disposição de Sua Altesa uma pena de plumas e um tinteiro, esperou que o Monarca pusesse a sua assinatura no que seriam uns despachos que amontoavam as cargas fiscais que iriam sobrecarregar os pobres súbditos. Um outro subalterno, numa bolsa bem pequena, aproximou-se e entregou um rolinho que continham as despesas do palácio real, as quais num golpe rápido, também foram assinadas, mas com nítida má vontade do Soberano.
Entretanto, do fundo da sala, um membro que ali tinha tido autorização para entrar, avançou com ar petulante, e sacando de uma espécie de carta de alvissareiro, leu em voz alta, para espanto dos assistentes. Tratava-se de um aviso feito em nome daqueles que representava – disse que dos trabalhadores – em que estabelecia uma data em que se realizaria uma greve geral, por contestação contra as medidas que tinham sido tomadas que muito prejudicavam os seus representados. Acabou a leitura e recolheu-se junto de outras figuras que, receosamente, tinham assistido à cena. Mas o avisador, que eu pude, no meu sonho, constatar que se tratava de Carvalho da Silva, ao chegar junto do seu grupo, lá desabafou: “Eh pá! Pagam-me para isto e eu não posso perder o emprego…”
E foi então que o meu sonho terminou. Acordei alvoraçado, mas, minutos depois, ao tomar consciência do que estava a acontecer, realizei que não havia Monarquia nenhuma, que vivíamos em República democrática, mesmo não sendo a mais bem praticada, que o chefe do Governo é que era aquele que eu tinha imaginado de coroa na cabeça, e que, não havendo assim uma grande distanciação da realidade com o conteúdo do meu sonho, havia que separar as duas coisas.
Mas ainda, antes de me dirigir para a casa de banho, tive tempo para reflectir. É que, se fosse uma Monarquia o regime em que nos movimentássemos por cá, talvez houvesse a hipótese de se dar outra mudança para a República; mas o contrário é que não parece ter viabilidade. Logo, ficamos como estamos e que alguém nos ajude.

domingo, 3 de outubro de 2010

BRAÇO A TORCER

Se os homens fossem iguais
no pensar e no dizer
sendo até todos mortais
era grande o desprazer
opiniões diferentes
certo interesse provocam
e mesmo entre parentes
modos de ver não se tocam

É preciso é aceitar
aquilo que os outros são
cada um no seu lugar
quem sabe quem tem razão
por vezes nenhum dos dois
ambos estão enganados
e só tempos depois
descobrem que são culpados

Mas nem sempre se acusam
não querem dar a ver
do erro até se escusam
não dão o braço a torcer

É BEM FEITO!...


AO TER sido dado a conhecer ao povo português que o Plano de Austeridade que saiu tardiamente da cabeça de José Sócrates e do seu ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, também o atingiu, pois são retirados ao primeiro-ministro 830 euros do seu salário mensal, só isto bastou por agora para servir de consolo em face das diatribes que este governante tem provocado a um País que merecia melhor sorte.
Hoje, domingo, dia dito de descanso, também eu não estou disposto a ter de castigar a cabeça com o pensamento posto na situação a que Portugal chegou. Vou, pois, incluir apenas uma das minhas poesias e fico-me por aqui. Amanhã falaremos.
E, já agora, como se encontra por cá a banda dos "You 2", que tanto furor provoca naqueles que se deslumbram com este tipo de música e de espectáculos, eu que não pertenço já a tal mancha de populção que forma a camada de apreciadores, vou fugir para escutar na televisão um pouco das "cantigas" que o grupo espalha e só espero que o Governo em peso seja obrigado a assistir, sentado no chão do estádio de Coimbra - parece que é aí que ocorre o acontecimento -, para que as suas cabeças tomem contacto com a realidade do mundo. Para alguns será um castigo, mas para outros não será tanto.

sábado, 2 de outubro de 2010

COMO, QUANDO, PORQUÊ, ONDE?

Nós, que apenas povo somos
que só nos cabe aceitar
do País só nos dão gomos
e bastantes de amargar
há também quem descrê
e bem pergunta porquê

Sempre aguardando resposta
e nunca ninguém lha dando
sabe quem perdeu a aposta
conformado vai ficando
em nada e em ninguém crê
para saber para quê

Neste mundo foi cá posto
e não deu opinião
e agora a contragosto
bem pode gritar que não
mesmo com certo assomo
se interroga: e como?

Se há que seguir em frente
pois parado é morrer
tem de fazer de inocente
dar mostras de não saber
esperar por quem responde
e lhe diga para onde

E não serve qualquer hora
há momentos ideais
quando se quer ir embora
nem todas são mesmo iguais
há que ir até andando
a questão é saber quando
Ir sozinho é um dilema
sempre é bom ter companhia
para defrontar problema
mesmo o do dia-a-dia
mas p’ra pedir a alguém
tem sempre de saber quem



DESORIENTAÇÃO


BEM AGRADARIA a quem se inquieta com a situação económica, financeira e social do nosso País, poder encher as páginas das suas escritas com textos optimistas, seja com a nova ortografia que não está a ser aceite com bonomia, seja com a tradicional e ainda em vigor, como é o que faço… por enquanto. Mas as circunstâncias que se vivem e que, todos os dias, não dão azo a enveredar por essa linha, obrigam a que não optemos pela esperança em ver uma luz ao fundo do túnel, por muito que se anseie por assistir ao terminus desta desorientação que constitui o panorama político nacional.
Face a esta triste realidade e, já agora, sem prolongar em demasia o que há para dizer sobre o assunto, pois bem basta o que enche as páginas do jornais e o que se vê e ouve nas rádios e televisões, não deixo de ocupar este espaço sem voltar a apontar o dedo a quem o merece e, na minha óptica, não pode esconder-se atrás de quaisquer vitimizações e de desculpas de mau pagador.
Vou agora referir um ponto que, na boca de alguns comentadores que dão a conhecer as suas opiniões, não mereceu ainda uma referência aprofundada e que, neste meu blogue, já foi alvo de apontamento, dado que considero ser algo de importante, no mínimo para ser levado em consideração: se, como julgo ser uma observação justa, a solução do problema grave que envolve o nosso País não se soluciona apenas pelo aumento dos impostos e até pelo corte de despesas supérfluas (se bem que parte de estas tenham sido agora atendidas pelo Governo Sócrates, ficando ainda muito por necessitar do risco vermelho incomensurável do Poder público), mas sim em face da necessidade urgente e inabalável de criar uma produção que proporcione, simultaneamente, a luta contra o desemprego e a possibilidade de se fomentarem as exportações, que é a base fundamental para o equilíbrio da nossa balança de pagamentos.
A questão põe-se, porém, na forma como se transforma esta nossa inactividade crónica no campo empresarial em qualquer coisa de dinâmico. Este o ponto portanto que, sabendo-se que não resolve de um dia para o outro o que necessita de tempo para ser concretizado, mesmo assim devia constar das intenções de quem se encontra nas cadeiras de mando, o que, pelos discursos escutados, não dá mostras de passar pela cabeça de tais pessoas.
Já me tenho aqui referido à existência de uma organização estatal, de nome AICEP – tempos atrás denominada apenas ICEP, pelo que mudou somente de nome! -, que, nesta altura sob o comando de Basílio Horta, antigo membro do CDS, agora sem partido, e que foi também ministro da Economia, por sinal com actuação bem criticável (mas isso fica para outros contos), não se conhecem os resultados da sua actuação, sabendo-se que o objectivo de tal departamento é o de desenvolver acções de promoção no estrangeiro dos produtos nacionais com possibilidade de serem lá vendidos, assim como a de procurar encontrar empresas estrangeiras e investidores que possam actuar no nosso território, criando novos focos de produção, associando-se aos que cá já existem e investindo no nosso País para participar no desenvolvim3nto de que tanto necessitamos.
A par disso, dado que os gastos com essa organização são muito elevados, pois ocupam instalações em várias cidades mundiais, algumas delas de elevado custo, com pessoal espalhado no exterior, suportando despesas de sustentação que representam uma fatia larga do nosso Orçamento, perante essa realidade o que se deveria conhecer em pormenor eram os resultados práticos da sua actuação e manter uma vigilância permanente sobre o modo como é exercida tão importante ajuda que deveria ser dada para que Portugal conseguisse sair deste seu casulo tão fechado.
Ao mesmo tempo e como eu já me referi neste meu blogue, mas mesmo antes em outros escritos saídos na Imprensa, os escritórios da AICEP deveria também albergar os outros, que funcionam sempre separados, também com dispêndios de instalações e de pessoal muito elevados, e que se destinam à promoção do turismo português, acontecendo até, como se passa em Nova Iorque, por exemplo, que as instalações das duas organizações se situam a pouca distância umas das outras, sem vantagem de resultados para nenhuma das duas. E isto para não falar também das lojas da promoção da TAP que deveriam, em termos de economia substancial de gastos, ser acopladas, já que se trata de uma empresa suportada pelo Estado.
Mas estas medidas e tantas outras que os governantes não têm capacidade para discernir, as quais ofereceriam resultados concretos quer nas actuações quer nos controlos dos dispêndios que se poderiam evitar, tais decisões não cabem nas cabeças dos Sócrates que temos e que, ao contrário do que julgam alguns, são bastantes mais do que só aquele que utiliza o Palácio que também serviu a Salazar para ir destruindo o que resta desta Nação.
A desorientação geral que apanha tanto os que mandam, ainda que mal, como os que se opõem, também de forma deficiente, não deixa que consigam abarcar todos os problemas que necessitam de mão sabedora para alterar o que, sendo antigo ou mais moderno, está mesmo a pedir mudança.
E chama-lhe desorientação para não aplicar outro nome, que era o que me apetecia. Mas se é com os desorientados que temos de nos aguentar, pois que assistamos ao caminho para o fundo do precipício, na esperança de que já não sejamos nós a estar colocados na carruagem do acidente.
Ao estar a ouvir e a ver neste momento em que escrevo, na RTP, a entrevista que José Sócrates está dar para explicar, anunciou-se, o motivo das medidas tomadas, em lugar de se assistir a um primeiro-ministro penalizado pelos castigos que são impostos aos cidadãos, em lugar disso o que se contempla é a um fulano que dá mostras de um convencimento absoluto de que procede sempre bem e que não se enganou por, em Maio passado, não ter previsto o que iria suceder e que imensos economistas apontavam como sendo inevitável. Como hoje se garante que, em 2011, será necessário exigir maiores sacrifícios ainda porque estes agora decididos não são suficientes para retirar Portugal da queda que seria conveniente evitar a todo o custo.
Não se mostra desorientado o José Sócrates que afirma sempre saber tudo e nunca se enganar. Provavelmente seria preferível que se declarasse confuso e aceitasse ajuda de quem se prontifica a participar na busca de soluções, mesmo e sobretudo as que não condizem com as suas convicções. Mas isso, a um Sócrates como este, é pedir o impossível!


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

FUTURO

O presente o que decorre
o que se está a viver
é algo que se percorre
dando tempo pr’a morrer

No dia-a-dia se sabe
o que se anda a fazer
antes que eles se acabe
é aproveitar o prazer

Amanhã é outro dia
aparece de surpresa
algo que nos angustia
ninguém tem uma certeza

Para o futuro distante
esse para lá dos anos
há que ficar vigilante
e precaver desenganos

Diz o povo sabedor
o futuro a Deus pertence
peçam-lhe então o favor
que nosso caminho incense

Se quem ao nascer soubesse
o mau futuro que o espera
melhor era que morresse
antes de entrar na Esfera

TARDE ACORDASTE!...


INSISTO EM BATER nesta tecla, não porque pretenda mostrar-me como exemplo, pois está bem longe de mim tal atitude, mas para recordar aquilo que os que costumam seguir os meus blogues diários sabem que muitas vezes me antecipo no que respeita às medidas que se têm mostrado absolutamente necessárias para tentar fazer com que o nosso País não sofra drasticamente as consequências da crise que, há bastante tempo, se instalou no Planeta terrestre. E também é verdade que o Governo socratiano tem feito ouvidos moucos às recomendações que surgiram de várias origens, sobretudo tendo em vista o que foi decidido em alguns estados da Europa e a própria Bruxelas aconselhou, como agora não deixou de repetir, mesmo aplaudindo as medidas agora anunciadas mas considerando-as tardias.
Pois é. Estava à vista que a teimosia do Governo nacional em meter mão nas despesas excessivas que, ao longo dos últimos anos, têm contribuído para desperdiçar fortunas dos dinheiros públicos e essa culpa ninguém a pode tirar, seja ao primeiro-ministro seja a Teixeira dos Santos, pois se agora este veio afirmar que dormiria mal se não fossem tomadas estas medidas, o que admira é que tenha andado com sono pesado todo o tempo anterior em que era por demais claro que se impunha actuar na redução drástica do que estava a ser desperdiçado.
Mas, mesmo nesta altura, aceitando que os sacrifícios que os portugueses têm de suportar novamente são inevitáveis, como sempre as disposições anunciadas não vão ao fundo da questão e tem de provocar um grande espanto o facto de se manter na linguagem dos governantes – sobretudo do ministro das Obras Públicas que parece desfasado com as realidades – a afirmação de que aqueles chamados investimentos em obras públicas (o aeroporto, o TGV, a ponte sobre o Tejo, etc.) estão apenas suspensas e não arredadas de vez dos nossos propósitos.
Depois, sabendo-se que o parque automóvel ao serviço do Estado é composto por 28.793 viaturas, bastantes delas compostas por carros de grande porte e adquiridos até há pouco tempo, não se ouviu da boca dos dois declarantes dos cortes nas despesas e no aumento de impostos a menor indicação de que o exemplo seria dado por eles próprios e que, em todas as funções que se relacionassem com o sector oficial se iria actuar por forma a que acabassem essas mordomias dos carros próprios e dos motoristas exclusivos de cada personalidade com tal regalia, passando a existir (como tenho fartamente reclamado) um serviço de automóveis e condutores que, ao serem requisitados, eram utilizados sem garantia de serem sempre os mesmos, pois apenas funcionariam os que estivessem disponíveis, uns e outros. A redução de gastos passaria a ser considerável, assim como os combustíveis também baixariam muitíssimo.
Mas este é apenas um exemplo do muito que se pode fazer e que os dois responsáveis do Governo não foram capazes de discernir no seu anúncio de atitudes referentes ao aumento de receitas – aqui foi-lhes muito mais fácil – e à redução de despesas – neste caso insuficiente.
Para além de tardias, no que eu insisto porque representam uma má actuação do Executivo que ainda se vai manter porque a ocasião para o mudar não é a mais propícia, o que marcará fortemente este período quando for feita mais tarde a sua história será a incapacidade de ver à distância, talvez porque a arrogância e o convencimento próprio de sapiência que foram as atitudes características de José Sócrates não deixaram margem para actuar como as circunstâncias aconselhavam.
E, para além disto, ouvir como se ouviu e viu ontem o primeiro-ministro, na Assembleia da República, com uma dialéctica fabricada e sem capacidade para apresentar justificação para o “fora de tempo” com que tomou a decisão de apresentar o remendo para fazer face à situação a que se chegou, esse comportamento só serviu para aumentar o descontentamento dos portugueses, por bastantes que haja ainda que se sintam vinculados a um apoio a prestar ao grupo socialista, isso por uma questão de ideologia política e não por estarem de acordo com a actuação de um agora secretário-geral do PS que, por sinal, até teve o seu início como correligionário dos sociais-democratas. Mas mudar de carapuça é também uma das atitudes dos homens, especialmente quando não sabem bem aquilo que querem.
Aguentemos, portanto, agora. E tenhamos esperança de que não surgirá dentro de pouco tempo outra medida, a qual permitirá de novo ao ministro das Finanças dormir descansado.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

FAZER DE CONTA

Nem sempre o que é possível se consegue
fará falta algo, mesmo a fé
é preciso que o que se persegue
deixe de estar longe e fique ao pé

Muitas vezes tem que se dar o passo
ainda que não seja nosso agrado
há que manter fortes nervos de aço
e esquecer o que está ao lado

Por muito que se trate de uma afronta
aquilo que é preciso p’ra vencer
nada poderá ser de grande monta

Pois por mais longe que esteja pronta
o que queremos ver alvorecer
o importante é não fazer de conta

APERTAR O CINTO


E EU, QUE CONFIADO estava que tinha chegado a esta altura da minha vida sem ver credores a bater à minha porta, dou subitamente comigo a carregar uma dívida de 14 mil euros. E a quem é que eu tenho de pagar o que me avisam agora que me compete assumir tal compromisso? – é a pergunta que me ocorre fazer, dado que não fiz quaisquer compras utilizando o cartão de crédito. Pois fiquei a saber que é a crise da dívida pública que provocou que o Estado, mal governado como se sabe, ocasionou que termine o ano de 2010 com Portugal a dever aos mercados estrangeiros qualquer coisa como 142,2 mil milhões de euros, o que, feitas as contas, atribui a cada lusitano o tal montante atrás referido.
Quer dizer, no ano passado – soubemo-lo agora – já cada um de nós era devedor de 13 mil euros e neste 2010 o Estado (ou seja o Governo que temos) aumentou a dívida, diz-se, devido aos juros elevadíssimos que nos são exigidos pelos credores, tendo estes já ultrapassado os 6,5%.
É evidente que os riscos que os que emprestam dinheiro a Portugal assumem é cada vez maior e por isso se, por um lado, limitam quanto podem os montantes que são solicitados da nossa parte, quando anuem a ceder-nos alguns montantes sobrecarregam com juros a níveis que têm vindo a subir e que, tudo indica, poderão não ficar por aqui.
Foi a esta situação a que chegámos e que tem de nos fazer sentir grande preocupação pela incapacidade evidenciada até aqui pelo nosso Governo e, relembrando o passado, constatamos, sobretudo os que são dessa época mas também os que não tendo vivido o período da Grande Guerra Mundial não ignoram a História, que a Alemanha, esse País que sofreu uma derrota clamorosa devido à actuação do seu líder da época, o odioso Adolfo Hitler, tendo ficado completamente destruída e tendo sofrido também a divisão em duas parcelas que, há pouco tempo, foram reunidas, nesta altura dá-se ao luxo de ajudar, com fundos de resgate, alguns dos seus pares da União Europeia, tendo agora saído a declaração de que, para além de 2013, essa comparticipação não se prolongará.
É sabido que o meu portuguesismo e o meu amor pela lusofonia não se submetem a não apontar os defeitos que devemos assumir e que não sou dos que escondem essas realidades com o glorioso passado das Descobertas que servem para desculpar todos os erros que têm vindo a ser cometidos, sobretudo nos dois séculos que estão próximos incluindo o que ainda vivemos. Por isso, na situação em que nos encontramos, com os governantes que nos têm cabido no mesmo período e especialmente – porque é esse o caso que temos em observação - quanto ao que vamos estando a suportar nos últimos anos, só nos poderá servir de ajuda se aceitarmos que o comportamento, a forma de ser, até mesmo o “desenrascanço” de que muitos se gabam, só contribuem para não sermos capazes de antecipar a visão dos problemas e de estudar soluções com cabeça, bom senso e profundo estudo. Não se trata de nenhum mistério o não conseguirmos acompanhar os melhores, e até os médios procedimentos dos nossos parceiros europeus. E até é esse o motivo por que nunca acertamos nos montantes das estimativas das obras e menos ainda nos prazos de finalização das mesmas.
Pois, por muito que o estilo austero alemão não nos atraia demasiado, é agora a altura para aprendermos alguma coisa, se formos capazes de pôr de parte o nosso tradicional “logo se vê” e passarmos a tomar consciência dos nossos defeitos, por mais que tenhamos a vaidade de julgar que aqui, neste extremo da Europa, é que se situa o exemplo que os outros deveriam seguir. Já fomos exemplares, é verdade, mas isso foi no século XV. Agora encontramo-nos no XXI e não é possível continuarmos amarrados a uma antiguidade que, nesta época dos computadores, não tem a menor aplicação.
Os nossos sucessores, os que vão herdar as dívidas que lhes deixamos, esses bem nos encherão de acusações de perdulários, de péssimos cumpridores das mínimas regras de só gastar o que temos e de não continuar a mandar “pôr na conta”, como sempre foi feito neste nossos tão pitoresco País.
Posto este texto que já estava redigido antes do esclarecimento dado pelo Governo, na voz do primeiro-ministro e do responsável pelas Finanças, acrescento apenas o que me foi possível apontar no decorrer das declarações televisivas que cada um dos espectadores pôde atinar. E, em primeiro lugar, reconhecendo a mão à palmatória a que Sócrates acabou por se submeter (sabe-se lá com que amargura por ser contrário aos seus princípios), só tenho de lastimar que medidas semelhantes, por ventura menos castigadoras, deveriam ter sido tomadas já há um ano. Se as despesas tivessem sido reduzidas – e há ainda bastante que cortar no capítulo das empresas públicas, dos municípios, das instituições e dos, serviços externos de consultadoria e outras despesas que não foram referidas nesta explicação prestada – poder-se-á talvez afirmar que, nesta extrema decisão que tem a ver com as recusas externas em conceder mais empréstimos a Portugal poderia não ser tão castigadora como a que vai ser adoptada no ano próximo e mesmo algumas que entram em execução antes do final de 2010. Mas paciência. Já de nada vale lastimarmo-nos e o que importa agora é ver se se conseguem os objectivos anunciados como indiscutíveis.
Para isso, no capítulo das despesas, a medida mais chocante será a da redução de uma média de 5% nos salários, da função pública, superiores a 1.500 euros mensais, podendo chegar aos 10% nos casos de maiores valores. Igualmente o Governo tomou o compromisso de cancelar todos os investimentos públicos, situação que o ministro das Obras Públicas tem que encarar, para ver se termina com as suas afirmações completamente fora da realidade.
Já no que diz respeito às receitas, o maior castigo que vai ser aplicado aos portugueses é do novo aumento de 2%, o que fará subir o total para 23%, representando, por isso, uma subida dos preços de uma variedade de produtos, grande parte deles considerados de primeira necessidade.
E nesta breve análise do que constituem as medidas que o Governo tomará e que terão cabimento no Orçamento do Estado que vai ser discutido no Parlamento, regresso ao que comecei por afirmar no início deste texto de que a Alemanha tem dado um exemplo de actuação que, por sinal, está a ser seguido por diversos países europeus. E como vale mais tarde do que nunca, não remediando nada atirarmos agora pedras ao Governo por se ter atrasado excessivamente em actuar como lhe competia, só nos resta estar atentos e confiar, até nova alternativa que politicamente possa ser dada e em que um novo eventual responsável no Executivo tenha a capacidade de saber ouvir, de não ser arrogante e de reunir em sua volta elementos capazes e com o sentido de serviço público e não de fieis seguidores de um partido, seja ele qual for, a aguardar por uma bem remunerada colocação posterior numa empresa ligada ao Estado, como é o que tem sucedido à sombra de uma Democracia que não lhes convém nem apetece cumprir.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

DISPARATES

De todos os seres com vida
o homem ganha os combates
pois sem peso nem medida
faz montões de disparates

Mas se ao princípio volta
s’arrepende do mal feito
não deixa por aí à solta
o que não merece respeito
então desculpa merece
seu valor sobe quilates
em torno desaparece
quem lhe grite: disparates!

Quase metade os faz
os outros emendam erros
há quem seja capataz
que quer comandar aos berros
mas neste mundo afinal
pleno de cheques-mates
por aqui em Portugal
não faltam os disparates

SALÁRIO MÍNIMO


NA VERDADE, nos tempos que correm, ter como salário mínimo imposto por lei a insignificante verba de 475 euros representa um esforço que é imposto aos portugueses que, devido às suas condições profissionais e de preparação educativa, não têm condições para auferir salário superior. E será por isso que os movimentos sindicais tanto reclamam para obter uma subida para 500 euros que, mesmo assim, continuam a constituir insuficiência para sustentar qualquer família portuguesa.
Mas este é o panorama que se contempla no nosso País e, devido às circunstâncias que são proporcionadas pelo estado ruinoso das finanças e da economia em que vivemos, temos de reconhecer que não haverá possibilidade de se verificar uma subida, posto que a esmagadora maioria das empresas, tanto as pequenas e médias como bastantes consideradas grandes, lutam com grandes dificuldades mesmo para suportar os baixos salários.
Pondo de parte os aproveitadores das circunstâncias, que sempre existem, e que podendo distanciar-se da referida limitação não querem dar mostras das suas condições mais favoráveis, o certo é que o nosso País se situa numa plataforma em que a baixa de salários será ainda a única possibilidade de aguentar a concorrência de preços dos produtos que saem das suas indústrias, quando não até a manutenção das empresas a funcionar se baseia nessa triste atribuição de salários baixos. E, no panorama actual, não haverá por agora qualquer volta a dar, por mais que a CGTP de Carvalho da Silva (que salário terá?) e arredores pretendam que se siga outro caminho.
O facto da OCDE ter vindo propor a Portugal que se congelem salários, se reduzam os subsídios e terminem as novas admissões na função pública, pelo que dizem que pode representar um corte substancial de 3 mil milhões de euros até 2013 - no seu estudo que foi entregue ao Governo com o intuito de equilibrar as nossas contas públicas também o aumento de impostos tem de ser levado em consideração, o que deve ser apenas aplicado, digo eu, em derradeira situação, pois não se podem suportar mais encargos deste tipo -, não exclui a recomendação da poupança que se impõe em várias áreas, como sejam o corte de benefícios fiscais e a redução da protecção aos trabalhadores, o que permitirá a possibilidade, segundo eles, de representar uma poupança pública na ordem dos 24 mil milhões de euros, até ao final de 2013.
Quer dizer, portanto, que as notícias que nos chegam vindas do exterior, fruto de observações estranhas ao nosso domínio político, do Governo e das Oposições, vão todas na direcção de apertarmos o mais que seja possível o cinto que temos mantido demasiado frouxo (no caso dos gastos supérfluos) e, por aí, por mais que reclamem algumas forças políticas que se dizem defensoras dos interesses dos que trabalham, não haverá alternativa se quisermos emendar a mão de uma governação que não foi capaz de ter evitado este descalabro a que chegámos e que se poderia ter evitado em boa medida se não tivéssemos andado por aí a construir e a inaugurar pomposamente auto-estradas, como quem implanta um chafariz, e, ainda por cima, com a maior desvergonha, há quem mantenha a ideia teimosa de construir o novo aeroporto, a ponte sobre o Tejo e, imagine-se, o TGV.
Como é que, com políticos deste cariz, se poderá sair do miserável salário mínimo que cria as maiores dificuldades de subsistência aos muitos portugueses que, apesar de tudo, sempre preferirão essa miséria do que não ter sítio para trabalhar?
O pior é que se dá o caso também de o subsídio de desemprego ser, em muitos casos, preferido pelos desempregados do que o trabalho que, apesar de tudo, aqui e ali lá aprece!...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

ENGANADO

A rua que m’ensinaram onde ir
a porta com o número que anotei
o caminho que teria de seguir
a difícil rota por onde andei
Tudo com esperança
Sem medrança
porque ali encontraria a felicidade
deixaria para trás a mesquinhez
onde seria pura a amizade
o gosto de viver vinha de vez
Perfeição
Ilusão
porém, depois de muito procurar
por becos e vielas me meter
de ter pensado em não continuar
face à perspectiva de me perder
Parei p’ra respirar
Precisava de m’animar
tinha sido por certo enganado
o que queria ver não existia
tinha tido todo aquele enfado
felicidade total não havia
Avisado fiquei
Mas já não parei
alguém me preveniu pelo caminho
que não valia a pena eu cansar-me
a vida tinha mais do que um espinho
pelo que era esse o conselho a dar-me

Fé que nos cega lá me empurrou
não queria ficar agarrado ao solo
já ninguém ao ouvido me sussurrou
pois era desmedido o desconsolo


ELEIÇÕES AGORA?


AS LAMÚRIAS que se escutam em todos os sítios onde existem cidadãos portugueses – obviamente com excepção daqueles que conseguem manter uma vida confortável e ate com fartura excessiva que, ainda assim, são bastantes -, as queixas que os cidadãos fazem por verem, cada dia que passa, agravar-se a sua situação e perante um panorama que não oferece esperanças em relação ao futuro, esse queixume constitui o único escape para quem não depende exclusivamente de si a forma de alterar o “status quo”.
É visível que, apesar do fenómeno difícil de entender de as sondagens não demonstrarem ainda uma descida notável do PS na hipótese de umas eleições legislativas se se realizassem nesta altura, não obstante isso os sociais-democratas se situarem apenas alguns degraus acima e os restantes partidos andarem em redor das percentagens habituais no anterior escrutínio.
Quer dizer, apesar do principal culpado público da situação em que se encontra Portugal estar identificado, e isso segundo um elevado número de opiniões que se escutam por aqui e por ali, não seria desta que José Sócrates passaria de chefe do Governo para uma posição inferior muito distante da que mantém agora. Isso, repito, se as referidas eleições tivessem lugar nos próximos tempos.
Na verdade, justifica-se que paire uma dúvida em grande número de cidadãos no que respeita à escolha do substituto governamental do actual detentor desse lugar. Verificando-se a certeza de que a continuação de José Sócrates não beneficia do apoio da maioria, por outro lado não se descortinam garantias de que o que vier a seguir seja capaz, nas circunstâncias actuais, de pôr a casa em ordem e consiga solucionar os diversos problema, financeiros, económicos e sociais, que atormentam Portugal.
Um incomensurável endividamento, interno e externo, uma taxa de juro, à volta dos 6%, que nos retira as possibilidades de suportar, uma carga fiscal que atingiu já uma dimensão insustentável, uma taxa de desemprego com consequências sociais que se podem prever desde já, para além dos outros problemas que se vão mantendo, como o caos da Justiça, o Ensino em níveis muito baixos e uma enorme incapacidade de aumentarmos a nossa produtividade, isto para apontar apenas uns tantos dos males que nos atormentam, toda essa via sacra será o que herdará um novo Executivo que, como é habitual ocorrer entre nós, o primeiro que vai fazer é lastimar-se da herança recebida e acusar os antecessores de tudo que encontra em tão mau estado… como se não esperasse que isso iria suceder.
Neste momento, face ao relatório da OCDE e à vinda a Lisboa do secretário-geral dessa Organização, em que as recomendações deixadas são mais do que suficientes para mostrar que a imagem que mantemos fora de portas não é recomendável, sobretudo para efeitos de prestar o mínimo de garantias aos nossos credores que, para além dos juros altos, estão já a limitar os empréstimos, esta amostra deixa um aviso de que, na próxima discussão do Orçamento do Estado no Parlamento, não vai ser possível que o mesmo não consiga a aprovação da maioria de deputados, pois as consequências desse acto seriam tão desastrosas que aos seus causadores só lhes restaria emigrar para longínquas paragens, fugindo a sete pés de alguns dos cidadãos nacionais que, descontrolados, seriam capazes de fazer justiça pelas suas próprias mãos. Esta é, evidentemente, uma hipótese exagerada.
O Orçamento que aparecerá e de que, nesta altura, ainda é ignorado o seu conteúdo pelos portugueses comuns, por muito mau que ele seja – e não é de esperar que surja grande coisa das mãos dos que têm feito tão mau serviço – tem de ser aprovado, bastando que algumas famílias políticas, aquelas que tradicionalmente fazem o seu papel de opositores, utilizem o facto para propagar os seus princípios ideológicos. E é bom que assim seja.
Até lá, pois, só nos resta, a todos nós que vivemos numa ansiedade permanente, manter um mínimo de esperança de que possamos ir suportando as agruras que se irão sucedendo e que, neste blogue, têm sido largamente sublinhadas, pois que defendemos – e já não somos só nós – a vantagem dos portugueses estarem bem preparados para maus tempos, do que andarem enganados com pinturas cor de rosa, o que os irá deixar completamente sacudidos na altura da verdade inegável.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

DESTINO


Dizer logo que alguém nasce
que está escrito o seu destino
que o seu caminho faz-se
como qualquer peregrino
fazer tal afirmação
como absoluta verdade
sem nunca aceitar um não
chamando-lhe maldade
é deixar coisas correrem
com futuro conformado
vontades nada valerem
tal como gato capado
isso é mal de muita gente
de quem nunca quer lutar
sendo no destino crente
e diz que o que querer mudar
só dá p’ra tempo perder
pois tudo qu’ocupa a vida
está traçado até morrer
não muda por mais dorida

Será que têm razão
que o Homem não tem tal força
que não está na sua mão
fazer com que destino torça?
Talvez valha acreditar
na ânsia de cada um
que o importante é lutar
dando algo ao bem comum

Para isso sem se esperar
ao dar pontapé na pedra
surge ocasião no ar
nova vida que até medra
há quem diga estava escrito
outros que foi circunstância
pouco importa o que é dito
pois mesmo com ignorância
a pedra do pontapé
que provocou a mudança
seja qual for a fé
é que obrigou a mudar
direcção que se mantinha
e tudo p’ra trás ficar
tal como erva daninha

É destino, pois que seja
Mas não chega de bandeja!

EXTREMISMOS


ENQUANTO neste País das discussões inúteis estas se arrepelam, de um lado e de outro das chamadas ideologias políticas, a clamar as Esquerdas e as Direitas pela pureza de cada uma dessas suas preferências, ainda que não seja aí agora que se solucionam os graves problemas que Portugal tem de enfrentar e que cada dia abrem ainda mais o buraco por onde se corre o enorme risco de cair desamparado, ao mesmo tempo que os ingénuos teimosos, que julgam ser o seu grupo que, por ser como é, naturalmente perfeito, é o que tem possibilidades de salvar aquilo que ainda é a sua Pátria, por essa Europa fora ao que se assiste é a uma nuvem negra que assusta pelas recordações que ainda existem naqueles que vieram tempos recuados, e que tem uma designação política de extrema-direita, essa negritude está a crescer em muitos dos países que fazem parte do bloco da Comunidade, sobretudo sustentada por uma juventude que não faz ideia, senão por lhe contarem, dos efeitos provocados por uma actuação política que durou vários anos e que só foi afastada onde esteve implantada devido aos resultados da Grande Guerra que acabou há volta de 65 anos atrás. Já lá vai, portanto, muito tempo.
No caso da Suécia, em que a Direita tradicional renovou o seu mandato governamental, relegando para posição inferior os sociais-democratas, verificou-se já um entusiasmo por parte daqueles que se situam na ponta direitista. Mas, noutros países do velho Continente, é notória a subida de aderentes aos discursos nacionalistas, em que especialmente a atitude clara de se mostrarem contrários à imigração é bem demonstrativa das suas preferências políticas. Se bem que seja notória a necessidade de existir uma certa moderação controlada.
A Finlândia, a própria Itália esquecida da mão de Ferro de Mussolini, certos países de Leste que têm de saber o que representou a actuação dura do estalinismo, inexplicavelmente a Alemanha, que agora reunida sem o muro que a dividiu e deixou rastos no sector a Oriente da Porta de Brademburgo fecham os olhos a tal difícil situação e todas essas Nações já possuem grupos políticos que são normalmente designados no seu nome por “Partido Nacional” e até na Rússia há um denominado “Partido Liberal Democrático”, que defende ideias que se situam no extremismo conservador.
Os politólogos, que se dedicam à pretensa análise da situação que se atravessa, pretendem explicar este fenómeno, que, para uma Esquerda severa, também pouco maleável no que seria prudente abrir uma pouco as convicções de outro extremismo contrário, para ela constitui um perigoso avanço, pelo que esses estudiosos dos fenómenos políticos defendem a ideia de que tal fornada extremista resulta do facto de não se ter verificado ainda uma resposta por parte dos partidos nos governos que se identificam com uma democracia capaz de solucionar os problemas que tanto fazem sofrer as populações actuais. O resultado é, pois, esse: nem uns nem outros, Direitas e Esquerdas moderadas, dão mostras de capacidade para descortinar uma solução aceite pela maioria dos cidadãos e que leve a que o mundo, com a enorme volta que está a dar – com a China, a Índia e o Brasil a atingirem foros de prosperidade, coisa que há tempos atrás era impensável -, entre numa acalmia que tanto necessita e que, sem egoísmos dos seres humanos e atitudes de prepotência e de inveja, poderia chegar finalmente neste século XXI, fartos que se está de, ao longo de toda a História mundial, só as desavenças e as guerras é que formaram o motivo principal da existência do Homem.
E por cá, então? Não constituímos um exemplo. Com a experiência que deveríamos aproveitar de uma História que foi única num determinado período em que as descobertas, por muito que constituíssem uma imposição das condições geográficas do nosso território, representaram, sem dúvida, um acto único para todo o espaço terrestre, nem assim e gozando já dos privilégios de uma Democracia que temos obrigação de querer conservar a todo o custo, damos mostras de tudo fazer para que a situação muito complicada que atravessamos, no aspecto político, económico e social, não se transforme num beco sem saída que nos conduza para uma perda de cabeça, com os efeitos que se podem imaginar e de que, como sempre sucede por cá, ninguém aparece a assumir as responsabilidades e a considerar-se culpado dispondo-se a merecer castigo.
Já aqui assumi neste blogue, antes de outra qualquer afirmação saída nos jornais, a responsabilidade de tentar adivinhar que, no meu ponto de vista, apesar das discordâncias, ataques mútuos, mesmo ofensas entre os responsáveis do PS e do PSD, o Orçamento do Estado, ao ser votado no Parlamento, acabará por passar, especialmente porque, tanto os sociais-democratas como os adversários comandados por José Sócrates, não assumirão a carga das consequências de um O.E. não passar. E as críticas dos restantes partidos, assumindo naturalmente uma posição que lhes cabe, pois não pesam na contagem da votação, podem ter o aspecto e o conteúdo que entenderem as suas figuras principais, mas nada disso pesa no destino que está destinado a Portugal e que, infelizmente, não dá mostras de constituir uma melhoria dos condições de vida dos portugueses.
Existirem partidos políticos que se situam num lado e no outro do panorama de ideologias, mesmo nos dois extremos, faz parte da prática democrática. Só que, na situação de crise que o mundo atravessa e que, na Europa, se sente muito na pela, o que importa mais do que tudo é existir consenso alargado, abaixamento de posições dogmáticas de finca-pé em princípios que podem muito bem aguardar por melhor momento para serem defendidos, numa palavra, o que não pode faltar é um verdadeiro espírito de confraternização, posto que, num salva-vidas depois de um naufrágio, não se discutem lugares no pouco espaço existente, mas sim se procurará que o maior número de náufragos consiga chegar a terra para dar início a uma nova luta pela vida, com extremismos ou sem eles.
Com todo este discurso até parece que o meu passado, no tempo da ditadura que vivemos, foi de completa sintonia com a prática de censura e com a perseguição pidesca que se vivia. Provavelmente alguém ficará com a ideia errada de que não fui severamente molestado por não aderir, política e jornalisticamente, com a prática de tal sistema. Mas foi precisamente o contrário o que me ocorreu e não me é agradável recordar todos os contratempos, incluindo cadeia, que me marcaram.
Só que, na idade que atingi e com o aproveitamento da vida que me foi moldando, ao pensar que o País que eu vou deixar fica num estado tão deplorável que não se vislumbre nada de satisfatório para o futuro, face a esta probabilidade sou forçado a apelar para o uso de todo o bom senso que, ao fim e ao cabo, é o que mais falta à nossa volta. Extremismo político, seja ele qual for, não há um só que seja desejável. Mas se o Homem é assim…

domingo, 26 de setembro de 2010

REMOENDO

Mas então serei só eu
Desconsolado da vida
Que julga que já tudo deu
E se acabou a guarida?
Mais ninguém?
Todos bem?
Se assim é então fracasso
O mal é meu exclusivo
Não devo dar mais um passo
Pois não há paliativo

Só, no mundo, me revejo
Por culpa minha por certo
Movendo-me no papelejo
Que é o que tenho perto
Escrevendo
Remoendo
Com outra coisa não conto
Uma resposta não dá
Acabo ficando tonto
E sem fé no que virá

SUBALTERNOS


CLARO QUE há coisas mais graves, especialmente neste período em que todas as instituições lutam contra as enormes dificuldades financeiras que atormentam as governações das empresas. Mas, no capítulo das prioridades – que é o maior defeito que se encontra por parte dos que dirigem -, só quando for absolutamente impossível dispor dos mínimos para que o serviço que se tem de prestar aos utentes não se torne num obstáculo para cumprir o essencial que cabe no preço que se paga, só aí é que, depois de feita a declaração dessa fraqueza, é que será admissível manter a falta que está a decorrer.
Refiro-me, neste particular, a uma situação que não pode ser consentida, até porque os preços dos bilhetes para usar o metropolitano de Lisboa incluem o uso dos elevadores que, em determinadas estações, servem precisamente para conduzir os menos válidos (a verdade é que todos os usuários) à entrada ou à saída dos veículos em questão.
Pois, de todos os ascensores que existem, parece que são oitenta, 18 deles encontram-se avariados há meses, o que, especialmente para os deficientes, em que se incluem os que se movimentam em cadeiras de rodas, representa uma impossibilidade absoluta de utilização do referido meio de transporte público. E até os que possuem compra antecipada de bilhetes, para lá de não poderem servir-se do Metro, são prejudicados por terem pago uma coisa antes que não lhes é servida depois.
Como na televisão apareceu esta informação prestada por um deficiente motriz, utilizador dos ascensores, talvez nesta altura já se encontrem reparados os meios agora paralisados. Normalmente, por se tratar de uma notícia que chega ao conhecimento de todos, incluindo os chefes dos funcionários que devem proceder rapidamente aos arranjos mas que se descuidam, não é primeira vez que sucede solucionar-se um problema graças à divulgação dos erros, mas se for assim só é caso para nos congratularmos.
Aproveito esta oportunidade para sublinhar um comportamento muito frequente por parte de serviços inferiores de empresas públicas, incluindo as câmaras municipais - e aí aponto o dedo ao município da capital -, em que obras feitas tempos antes, como sejam os levantamentos de calçadas para reparar, por exemplo, canos subterrâneos, ficam depois períodos longos a aguardar que os calceteiros apareçam para repor o empedrado em condições dos cidadãos circularem sem tropeços. E aí, é evidente que não se pode culpar o presidente da entidade que tem a responsabilidade de manter os serviços perfeitos, mas sim uns tantos funcionários que, não cumprindo com o zelo que se lhes tem de exigir, chefes secundários e desse estilo, se desleixam e provocam má imagem na organização a que pertencem. Sejam municípios ou outras instituições, obviamente ligadas ao Estado.
Mas, já no que diz respeito ao empedrado das ruas – e refiro-me às de Lisboa, que são as que conheço melhor -, tenho, há largo tempo, há anos, clamado pela eliminação da chamada caçada à portuguesa (com excepções nas zonas tidas como exemplares como seja o Rossio, os Restauradores e algumas mais, que merecem os desenhos lindos com pedras), pois a utilização de placas pré-fabricadas, até com os mesmos desenhos, sai muito mais barato e elimina o uso dos calceteiros que, de cócoras, levando tempos infinitos, dão uma má imagem aos turistas estrangeiros da nossa própria actuação. Aí, sim, o presidente da C.M.L., já que os anteriores não o fizeram, deveria meter mãos no assunto e seguir o exemplo do que ocorre nas cidades estrangeiras, até aqui ao lado, em Espanha, animando para que se criasse uma indústria desse tipo de construção de painéis do solo.
Mas, no capítulo da actuação a cargo dos subalternos do serviço público é isso que os portugueses, de uma forma geral, têm de suportar. Dever-lhes-iam bastar os males que cabem a todos os cidadãos, como seja o custo de vida e os impostos, mas não, ainda por cima outros habitantes deste País que, lá por prestarem serviço público em lugares de prática de serviços, mas de enorme importância porque têm influência na vida dos seus compatriotas, não cumprem como é devido a obrigação que lhes cabe.
Aquilo que eu me farto de dizer que todos nós temos alguma coisa de socratiano nacional, não nos cansamos de criticar o que se encontra na cadeira principal do Governo mas, quando nos calha a vez, portamo-nos de igual modo, ou seja só olhamos para o umbigo e consideramo-nos os melhores e sempre com a razão do nosso lado!
É uma pena que não consigamos, todos nós, funcionários públicos ou não, sobretudo quem tem possibilidade de não empatar, desenvolver uma actividade que não tenha nada a ver com o complicado e com as demoras desnecessárias.
De uma vez por todas, passemos da tradicional moleza, do não há pressa para quando mais rápido melhor. Para não continuarmos a perder o comboio da Europa e do mundo e deixarmos de ser os subalternos de tudo.