quarta-feira, 15 de setembro de 2010

SALVE-SE QUEM PUDER!

Nem toda a gente pode
cada um sabe de si
às vezes há quem acode
dando razão a quem ri
Salvam-se uns
E outros não
a sorte não chega a todos
para os que a têm pouca
outros têm-na a rodos
e levam uma vida louca

Quando o barco vai ao mundo
todos aos mesmo escaler
e sem perder um segundo
é o salve-se quem puder
Socorro!
Se não morro
é grito de aflição
por esse mundo não falta
quem em grande agitação
se ponha a alertar a malta

Só os que podem se livram
as circunstâncias ajudam
serão os que se esquivam
e na sorte se escudam
Se puder
Haja o que houver
não serei eu apanhado
na derrocada fatal
terei o maior cuidado
p’ra evitar pior mal

Até mesmo p’ra viver
que se salve quem puder

PORTUGUESES INSTRUIDOS?


A INSTRUÇÃO ESCOLAR neste nosso País nunca foi a que competia a uma Nação que aspirava naturalmente em ombrear com as que lhe são parceiras no Continente a que pertence. Hoje, o que se depara é com uma geração de jovens com tão baixo nível intelectual que o resultado é aquele que se observa, com tristeza, em certos concursos televisivos e em que a cultural geral dos mesmos aparece com um nível tão baixo que as respostas que saem a perguntas correntes é, deveras, confrangedor. Mesmo os cidadãos, na casa dos trinta e quarenta anos, esses também não prezam pelo conhecimento do que pode ser considerado como matéria de “lana caprina”.
Tudo isso porque a chamada velha instrução primária (agora com outro nome), em que a obrigação de estudar funcionava e os ditados, as redacções e as contas eram matéria obrigatória que levavam ao “chumbo” dos que mandriavam, toda essa aprendizagem era levada a sério e os exames obrigatórios na chamada quarta classe e na admissão aos liceus eram levados a sério, sendo necessário estar preparados os alunos, pois que, de outra maneira, a repetição era o que estava reservada aos cábulas.
Esse espírito mantinha-se no caminho seguinte e até nos cursos superiores havia que provar que as aulas não serviam apenas para ocupar tempo. Ora, sendo este o panorama que existia num regime onde o salazarismo não apreciava muito que o povo fosse demasiado culto, porque o princípio era o de que a ignorância facilita mais a política da repressão, era de esperar que a Revolução, tida como de propósito democrático, trouxesse aos Governos que se têm sucedido as condições para a instrução escolar dos vários níveis subisse de qualidade e abrangesse o maior número possível de cidadãos de todas as idades e classe sociais.
É verdade que o número de escolas aumentou e que abriram várias faculdades privadas, assim como as dificuldades que existiam antes para os trabalhadores-estudantes diminuíram alguma coisa (e eu bem sofri na minha altura pelas manobras que eram necessárias para sustentar as duas posições), mas a realidade a que se assiste hoje é que toda essa mudança não passou de um “fogo fátuo”. É que actualmente até se está a verificar, por esse País fora, um devastador encerramento de escolas primárias (porque o Estado não tem dinheiro para suportar essas despesas), sobretudo em vilas e aldeias no interior, assim como também estão a abrir falência as faculdades privadas que, até agora e numa habilidade de nenhuma utilidade para quem procura saber, têm dado licenciaturas e doutoramentos em cursos que estão ainda por definir para que servem.
Não bastando a inquietação que grassa pelo nosso Portugal no que diz respeito aos variados problemas que atormentam os cidadãos, é o nível de saber dos portugueses que não melhorou o que tem de ser considerado como nível mínimo para ombrearmos com os parceiros europeus. Também se sabe que, este ano lectivo, foram menos 50 mil alunos que se matricularam no 1.º ciclo do Ensino Básico, o que também é consequência da descida de natalidade que tem ocorrido no nosso País.
Podem os optimistas de serviço cantarem as loas que quiserem aos benefícios que auferimos com as governações que nos têm cabido. Mas a verdade é bem diferente. Não é só o nível de vida que se distancia cada dia que passa da média europeia. É igualmente a barreira do saber que se mostra sucessivamente mais alta para uma população a que não lhe basta consumir em profusão os telemóveis e os computadores Magalhães. É preciso mais e, como tenho largamente difundido a minha opinião no capítulo da preparação da classe infantil, é aí que deveria ter sido introduzida há bastante tempo a aula prática de Democracia, pois são necessárias várias gerações para que esse espírito passe a fazer parte dos hábitos dos cidadãos e é sabido que, em particular no caso dos portugueses, existe uma grande dificuldade em saber ouvir os outros e aceitar o que cada um pensa. Isso não passa sem se começar de pequenino.
Mas os nossos governantes entendem que não e consideram mais importante encher-lhes os olhos com o Magalhães e com a língua inglesa. Eles lá sabem… mas pouco.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

QUERO VOLTAR PARA A ILHA!...


AQUELA ILHA deserta que faz parte de uma cena num programa televisivo, em que o náufrago que lá permaneceu longo tempo, longe de Portugal, é salvo por um barco português de passageiros que passou na altura e teve a alegria de se encontrar de novo entre compatriotas, beijando até a bandeira nacional, pois é precisamente essa ocorrência que me sugere escrever agora este texto. Quem já teve oportunidade de assistir a este cómico episódio sabe que, em face das más notícias que os passageiros que o acolheram lhe vão dando em relação ao que ocorre no Portugal tão desejado pelo náufrago, ocasiona a que, por diversas ocasiões, o desconsolado compatriota se agarre à amurada do barco, tentando atirar-se e grite: “quero voltar para a ilha!”
Estando dispostos a percorrer todos os episódios que, sucessivamente, têm lugar no nosso País – e, para isso, basta estar atento, todos os dias, ao que se passa dentro das nossas fronteiras -, a quantidade e as características dos acontecimentos levam-nos a que, conscientemente, também tenhamos a tentação de saltar do navio e desejar instalarmo-nos numa ilha que, embora isolada, não nos provoque tanta aflição e descontentamento como os que somos forçados a suportar com os pés assentes na dita terra civilizada.
Eu bem desejaria não ter de enfileirar neste texto uma série de tristes espectáculos que vão passando, mantendo-se algumas imagens na nossa cabeça e sendo substituídas por outras que se sobrepõem por mais recentes. Mas basta dar uma vista de olhos nas últimas notícias divulgadas para logo ficarmos com grande desejo de sairmos desta baralhada que se agrava de dia para dia.
Bem, já nem vale a pena referir a situação do julgamento do caso Casa Pia, em que a Justiça se comportou de tal maneira que só serviu para aumentar a desconfiança pública em relação a um sector que tem obrigação de funcionar impecavelmente e que, sendo só ontem entregue o acórdão que é essencial para os acusados que sofreram as penas e os seus advogados possam usar os meios para defesa, veio permitir que outra cena, não menos desprestigiante, a utilizada pelo acusado Carlos Cruz, tivesse podido ser utilizada com um exagero criticável. E devo esclarecer, no entanto, que não foi a aplicação de penas aos considerados pedófilos que tira valor à nossa Justiça, mas sim pelo tempo que levou a encontrar-se um desfecho, o que não é admissível nos tempos modernos e coisa que não sucedia antes, quando os computadores nem sequer existiam.
Mas muito mais há a acrescentar ao rol de disparates que não fazem criar o apetite de ficar por cá. Como, por exemplo, a incapacidade mostrada pelos governantes no que diz respeito à diminuição drástica do vergonhoso número de desempregados, os quais atingiram, nesta altura, um número assustador, ocupando-se os políticos que temos por cá em envolverem-se em confrontos em vez de deitarem mãos ao que pode contribuir na criação de mais produtividade, através de incentivos que devem substituir as burocracias que constituem outra doença nacional. Essa mancha horrenda de gente sem trabalho não constitui um apetite de viver em Portugal, muito embora o total de desocupados por esse mundo fora atingiu já o número astronómico de 210 milhões de indivíduos. Mas não é essa praga que ocorre também noutros países, que nos pode gozar de um certo optimismo, pois temos de perder o hábito de nos congratularmos por estar melhor do que alguns deles, em vez de procurarmos seguir os bons exemplos e tentarmos aprender alguma coisa com os bons resultados que ocorrem também lá fora.
O custo da dívida pública dispara todos os dias e o que nos espera ainda, muito em breve, com o pagamento das dívidas e até os seus elevados juros que nos exigem os credores, tudo isso leva-nos ao impulso de querer fugir ou de, no mínimo, enviar os nossos descendentes para outras paragens.
Temos de encontrar uma ilha que possa acolher aqueles que estão condenados a tentar sobreviver nesta Rectângulo, dado que nós próprios não temos possibilidade de saltar do barco a afundar-se em que navegamos.
Se assim fosse, com excepção daqueles que, entre nós, gozam de boa vida e de desafogo graças às remunerações que conseguem através de ordenados imorais e de reformas duplicadas e triplicadas, haveria bicha de cidadãos portugueses, nalgum local, para se atirarem ao mar, na busca da tal ilha do náufrago. Só um pequeno aparte: o que seria necessário era encontrar uma forma de saber o que se faria ao milhão e 700 mil telemóveis que foram adquiridos no semestre que atravessamos e isso só no nosso País.
Há mistérios que o ser humano proporciona e que não existe maneira de encontrar resposta. Iríamos todos para a ilha e lá usaríamos o aparelho das conversas, as que os portugueses não dispensam no seu dia-a-dia, seja no meio do trabalho ou nas compras do supermercado.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

INSPIRAÇÃO

Inspiração, o que é isso?
Algo que me põe mortiço
não pode ser um feitiço
mas é coisa que cobiço
às vezes tenho-a ao pé
tento agarrá-la até
mas faz tratos de polé
e não quer nada com o Zé

É o que sucede agora
eu que escrevo portas fora
p’ra ver se dou com ela
estou prestes a ir-me embora
e vou escrever p’ra janela

Sim, escrever eu bem faço
já foi em papel almaço
agora é onde calha
pr’alimentar as ideias
e p’ra ganhar a batalha
não posso ficar a meias
e vou enchendo as folhas
usando até saca-rolhas
p’ra destapar a garrafa
essa que terá lá dentro
produto de muitos anos
e tem pretensões a centro
dos poetas lusitanos
mas o que mostra à gente
é que não anda lá rente

Aceito a realidade
mesmo sendo uma maldade
afinal eu nunca vi
e também nunca li
poemas vindos do Além
nem outras artes também
saídas das mãos de Deus
o que convertia os ateus
não posso então comparar
o que me deixa imaginar
que não serei tão mau assim
e que será até ao fim
que andarei nesta luta
sem certeza absoluta
da imaginação conseguir
e de fazê-la sentir
que era bem aproveitada
por quem estando de abalada
o que quer é deixar obra
que não seja apenas sobra
mas mereça elogio
em vez de grande fastio

Inspiração eu procuro
para atravessar o muro



DESENCANTO POR ENQUANTO!...


O que é isso de não fazer sentido? E de ter sentido?
De ter que ver com o que fazemos e com o que dizemos?
Em princípio, a própria expressão tem falta de sentido gramatical. O sentido não se faz, tem-se. Ter sentido é ter orientação. Depois, se se pretende com a referida frase significar que algo não vem a propósito, que está fora do tempo e do lugar, então não se trata de sentido, mas sim de colocação do que se faz e do que se diz, no tempo e no espaço.
Admitindo, porém, que fazer sentido quererá dizer que se é coerente, que se actua na altura própria com os meios mais adequados e com a fraseologia que se adapta melhor às circunstâncias, nesse caso é admissível afirmar-se que tudo faz sentido neste mundo, tal como ele foi concebido, e do qual o Homem, se apropriou e passou a explorar.
Se a própria vida, a morte, a felicidade, a desgraça, o trabalho, o desemprego, a saúde, a doença, o ódio, o amor, a alma caridosa, o mal feitor e por aí fora, se tudo isso tem sentido, porque existe, porque foi assim que a esfera terrestre foi criada, com benefícios e malefícios, logo, tudo tem sentido, dentro da expressão discutível mas aceitável pela vulgarização do emprego.
Ao fim e ao cabo, o que não fará qualquer sentido é este texto, escrito um pouco a contra-gosto. Se, o que se tornou uso e costume já não oferece discussão, se o tal fazer sentido se aplica sem discussão do seu significado etimológico, logo, que se continue a usar essa expressão quando se pretende discordar daquilo que alguém faz e ou diz.
Eu, por mim, fico-me pela expressão disparate. Pelo menos não oferece dúvidas!

domingo, 12 de setembro de 2010

BABA E RANHO

Isto não está para rir
mas não resolve chorar
aumenta a gente a pedir
cada vez menos a dar

É estranho
A baba e ranho

porque carpir é humano
sentir dor por qualquer cousa
sofrer efeitos do dano
admirar quem repousa

Tudo isso é natural
a tristeza bem assoma
pois que neste Portugal
viver não é uma broma

E não é pelo tamanho
Que se chora baba e ranho

termo que o povo utiliza
p’ra expressar o sofrimento
não sendo forma precisa
sempre é o que sente dentro

Porque o choramingar
é maneira pouco clara
de querer desabafar
sem molhar demais a cara

E se eu dou o que tenho
Pois que seja baba e ranho

a quem não acreditar
tiro as dúvidas que houver

e ao verem-me chorar
baba e ranho aparecer

TRAPALHICES


HAVERÁ POR ESSE MUNDO, a desempenhar funções de responsabilidade pública, indivíduos que se assemelhem aos trapalhões e desajeitados que temos por cá em lugares que deveriam constituir o exemplo da competência e do bom senso? Bem gostaria de, neste particular, repetir as frases habituais de José Sócrates, que sempre se empenha em apontar como exemplares as ocorrências no nosso País, mas não sou capaz de ser o contentinho da silva e prefiro apontar os erros, na esperança de que algo ocorra de rectificativo nesta nossa Terra. Face às faltas que nós próprios encontramos naquilo em que temos o direito de não os esconder, sobretudo por andarmos convencidos de que somos exemplares, devido a essa circunstância não nos surge a possibilidade de emendar, mesmo que defeitos todos os tenham e nós não teremos de ser uma excepção. Mas, o ireito à indignação, em Democracia ninguém nos pode retirar.
Vem isto a propósito de quê? Então, aquela situação criada pelo tribunal que julgou o chamado processo Casa Pia, e em que não foi lida, como era devido, na altura da declaração da sentença dos réus implicados, a tão proclamada “súmula”, acórdão que anularia qualquer tentativa de exploração de hipóteses e de declarações tão expandidas a seguir por parte dos julgados que não se conformaram com o resultado de serem considerados culpados, e, ainda por cima, os anúncios que surgiram depois, repetidamente, de que é hoje, é finalmente agora, vem já aí, na próxima segunda-feira, anunciou-se, o tal documento que teria evitado todas as declarações públicas e publicitárias que foram utilizadas, como as que foram largamente exploradas com a alusão de que a Justiça se enganou nas penas aplicadas, isso se esse tal acórdão apresentar, de facto, provas de que existiram, sem dúvida, actos de pedofilia que justificam em absoluto as penas aplicadas. E bem basta que, inexplicavelmente, tivessem os órgãos de comunicação, especialmente a RTP, dado preferência exagerada em espaço ao aparecimento de um dos acusados, Carlos Cruz, como se tivesse sido apenas ele a receber as culpas dos actos de pedofilia. A menos que os restantes seis não tenham nada a contradizer em relação à decisão do Tribunal. O que não é o caso.
Quem pode deitar a mão a esta situação tão ridícula e, sobretudo, tão desprestigiante para a já tão pouco acreditada Justiça portuguesa? Fica-se à espera de saber, se é que alguma vez surgirá uma justificação plausível e convincente, que tudo tem motivo plausível para ter acontecido.
Mas não é só isto. Então o caso Carlos Queiroz não representa outra prova de que os portugueses, bastantes deles e sempre os que se situam nas montras da opinião nacional, constituem uma demonstração de que ganhamos todos os concursos da trapalhice, pois temos a capacidade de embrulhar em asneiras aquilo que, com bom senso e competência mínima, se resolveria sem as costumadas contestações de que tanto gostamos? Ter arrastado um processo e permitido que surgissem na opinião de rua as mais variadas posições, prós e contras, quando a solução estava mais do que vista que seria o proteger, à custa do que fosse, uma selecção nacional de futebol – já que a temos, então defendamo-la -, essa molenguice ocasionou a confusão de todos conhecida.
Basta de tanta incompetência. Os problemas que temos de enfrentar na actual situação já chegam e sobejam para ocupar as nossas preocupações. Criar ainda outros deste tipo, isso é que tem de nos revoltar a todos nós, os que não andamos agarrados às questiúnculas que não resolvem nenhum dos problemas que, de dia para dia, ainda aumentam face à dívida pública de muitos milhares de milhões de euros que já nos está a calhar e que, aos nossos descendentes, vai ser deixada para que eles resolvam. Uma maldade!
Mas não. O importante é todo o tipo de pequenas situações que não aquecem nem arrefecem no que é verdadeiramente grave: a nossa subsistência!

sábado, 11 de setembro de 2010

VIAJAR

As viagens muito ajudam
do casulo se sair
de certa maneira mudam
o que se chama o sentir

Mas olhar sem se ver
ao ir a outros países
não chega para entender
o que são suas raízes

Cada terra, cada povo
tem aquilo que é só seu
pois só ao abrir um ovo
se sabe o que ali se deu

Convém antes de partir
sua História conhecer
pois isso dá p’ra sentir
o que está além do ver

Pois ir só de mala às costas
sem ter bem limpa a vista
é não desejar respostas
p’ra tudo que seja pista

É como quem mete a mão
em saco sem ver o fundo
joga à sorte uma ilusão
sem s’interessar p’lo mundo

Mas ir lá longe p’ra ver
não chega o só sentir
porque no fim há que crer
qu’importa saber ouvir

Três sentidos bem abertos
todo o tempo aproveitado
se se derem passos certos
se disfarça o cansado

Sair p’ra lá do convívio
nada de novo trazer
em vez de sentir alívio
é um pouco fenecer

E de novo algo trazer
é por certo novidade
mas o contrário fazer
tem a sua utilidade

Quem viaja faz turismo
intercâmbio de maneiras
e isso o nosso lusismo
não pode encontrar barreiras

Percorramos sim o mundo
mostremos o que nós somos
não percamos um segundo
a lembrar o que nós fomos

Sobretudo o que fizemos
em séculos já bem distantes
dizendo alto o que demos
ao mundo com navegantes

Mas receber bem em casa
abrindo portas em par
é qualidade que apraza
a quem vier visitar

Aqui fica este recado
deixado como eficaz
e se for sempre lembrado
fica ao serviço da paz

ATÉ EM MARROCOS


O ACIDENTE que ocorreu na zona marroquina, com um autocarro que transportava turistas portugueses e que se despistou, causando a morte a nove passageiros e deixando feridos 36 também com a nossa nacionalidade, este acontecimento fez-me recuar cerca de 55 anos, pois foi exactamente nessa altura que eu, acabado de me estrear na profissão de jornalista, fiz uma viagem idêntica como repórter e, tendo usado o navio “Vera Cruz”para efectuar o trajecto de Lisboa até Tânger, percorri uma área que incluía também Tetuã, dormindo todas as noites no barco, tendo sido publicado esse meu trabalho numa revista que então me estreou e eu estreei como trabalhador na comunicação social, que se chamou “Mundo Ilustrado”. E até tive como companheiro de cabina o que foi também meu mestre, o grande homem dos jornais Norberto Lopes, que, por sinal, ressonava de noite de forma estrondosa. Disso nunca mais me esqueci.
Pois, na verdade, há muitos acontecimentos que se repetem na vida, e este terá sido uma cópia daquele que deu ocasião a que tivesse exercido a minha primeira actividade jornalística no exterior. Só que, felizmente, não ocorreu nenhum acidente e muito menos desta monta, se bem que também se tivessem percorrido diversas localidades para colher elementos de interesse para publicar no órgão de Informação a que cada um pertencia.
Muito embora as minhas viagens pelo mundo se tivessem multiplicado por inúmeros países, não voltei a pisar Marrocos, excepto no que diz respeito à área de língua francesa, Casablanca e Rabat, aqui, por sinal, onde entrevistei o já desaparecido líder da Unita, Jonas Savimbi, que me deixou até uma excelente impressão. Mas ficou-me bem gravada na memória toda aquela civilização muçulmana que, na altura, era ainda mais estranha para nós, portugueses, porque os contactos europeus com os hábitos ligados ao Islão eram pouco frequentes e apenas os espanhóis, sobretudo os do Sul, tinham algum relacionamento com o povo que, muito mais tarde historicamente do que sucedeu em Portugal, abandonou o território dos nossos vizinhos.
Mas, há que reconhecer que, muito embora as relações com o resto do mundo, por parte dos governantes marroquinos, se verifique serem indiscutivelmente amistosas e civilizadas, não é o mesmo que ocorre com a maioria dos restantes espaços onde se pratica a religião muçulmana, ou melhor dito islamita, onde ocorre, para além das nítidas diferenças de comportamento, sobretudo no que diz respeito ao elemento feminino, é notória um determinado distanciamento, que é consequência de não serem aceites com naturalidade as diferenças e em que a prática fundamentalista de uma religião própria não deixa margem para que sejam aceites outras formas de ter fé. É o Alcorão e ponto final!
Só que, do lado de cá também não temos muito moral para apontar esse defeito, dado que a atitude divulgado de um americano que pretendia queimar na praça pública um montão de livros do Alcorão, esse gesto, parece que já renunciado, não dá mostras de sermos todos capazes de aceitar as preferências dos outros, sem que se manifeste uma repulsa que não é justificada por nenhum razão.
Ao fim e ao cabo, nem Allah nem o Deus que rege dos Céus os passos dos que se situam nesta área chegaram para ter evitado um acidente que vitimou bastante gente e que pôs ponto final no prazer de uma viagem que todos gozavam. Dá para pensar. Ou nem isso, posto que os homens pretendem ser donos dos seus actos e só se prevêem alguma fatalidade é que solicitam a ajuda do Além.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

ISOLAMENTO

Há quem não seja capaz de estar só
De se entranhar, de consigo viver
De se enfiar no seu próprio guarda-pó
E de discutir sozinho o seu querer

Há gente assim, que gosta de multidões
Que só consegue andar na confusão
Quer o seu mundo cheio de atenções
Mesmo que daí não saia conclusão

Que bom, por isso, é o silêncio da noite
Ainda que não exista quem se afoite
A ter à sua volta só penumbra

Ainda assim e estando a pensar alto
Sem nada que lhe provoque sobressalto
É algo que ao solitário deslumbr
a

GASTAR VILANAGEM!...


ESTE TEMA tem sido ultimamente debatido insistentemente na comunicação social, mas não tanto como se se tratasse de um assunto que envolvesse situações relacionadas com futebol ou com aqueles casos em que estão envolvidas figuras públicas que chamam a atenção pelos motivos mais pueris mas que provocam sempre interesse de leitura à massa de gente que não perde pitada desses tipos de notícias. Refiro-me à inauguração, com a presença desse ministro da Defesa que já teve outras funções nos governos de Sócrates, e em que foi largamente demonstrado o interior da nave que aumentou ainda mais a nossa dívida pública, a qual subirá outro tanto quando chegar a Portugal o segundo submarino de que Paulo Portas, quando desempenhou as funções de responsável governamental pela pasta militar, negociou a compra.
Ora bem, este “tridente”, que assim se chama esta aquisição aos alemães que constitui mais um pesadelo de pagamento mais tarde pelos portugueses que cá estiverem nessa altura, e não é assim tão longínquo o prazo, mereceu as honras de uma tão costumada e apreciada manifestação solene, muito embora, desta vez – e compreende-se o cuidado tido por José Sócrates de não ser ele a proceder à inauguração, como costuma fazer por tudo e por nada que entra em funções e até só pelo facto de se anunciar o início de um projecto -, tivesse sido passado encargo a um ministro que não tem merecido grande credibilidade pelo seu comportamento nas funções que lhe têm sido atribuídas.
Mas, mesmo que neste blogue me tenha indignado bastante pelo acto que merecia claramente a responsabilização do principal causador de toda uma aquisição que, apurou-se já, não teve o tratamento contratual que obrigaria, sem haver motivo para escusa, à aquisição de produtos de origem portuguesa no valor total dos dois submarinos, milhões de euros, não posso deixar de voltar a clamar pela chamada à liça quem deu origem a este compromisso e que não pode passar impune, quanto mais não seja através da demonstração pública de que se trata de alguém que não pode voltar a exercer funções governativas de qualquer espécie.
Isto de haver quem ocasione situações verdadeiramente gravosas ao nosso País e que fique impune e nem sequer surja a esclarecer, de forma inequívoca, o que levou a tomar a iniciativa que, como esta dos submarinos, representa um esforço que todos os portugueses têm de suportar, tal benevolência não é admissível, pois que se um funcionário público qualquer, por mais modestas que sejam as suas funções, praticar um acto que ocasione prejuízo nítido ao Estado, logo terá que se defrontar com uma acção punitiva que pode ir para além da cessação das suas funções.
Mas que digo eu aqui neste simples blogue? Até parece que não vivo neste País e que acredito que a mudança de regime no Abril de 74 alterou completamente as mentalidades de fundo desta gente que por cá continua a andar !...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

DEFINHANDO


Nem sol nem chuva
umas nuvens que causam incerteza
nada assenta como uma luva
tudo provocou já surpresa
será a vida uma chateza
não vale nem um bago de uva

Andar assim à toa
sem saber o que fazer
olhar para Lisboa
dando para entristecer
pensar no que poderia causar tanto prazer
a mim, como no seu tempo a Pessoa

Vai definhando
Falta imaginação
com todo o tempo que foi passando
não houve quem tivesse mão
para ir resguardando
o que nos foi deixado por missão

Capital tão bela
que tantos invejaram
podia ser hoje aquela
que lisboetas desejaram
mas por fim não alcançaram
nem olhando da janela

FIGURAS NA MODA




COMO GOSTAMOS nós, portugueses, de individualizar as questões que surgem consecutivamente no nosso espaço. Claro que o Sócrates, por maioria da razão, é o que está sempre em foco e aquele já tão fastidioso assunto da Freeport não salta sem que esteja envolvido de imediato o nome de quem, na opinião pública e por mais que o próprio se insurja com ar de vítima, é e continua a ser o principal intérprete de um folhetim que a Justiça não dá mostras de agilidade suficiente para solucionar de vez tal questão.
E como os temas se sucedem dão ocasião aos cidadãos que somos de atentar continuadamente em assuntos que sobretudo distraem muito a atenção do público principal do que deveria constituir a preocupação primeira daquilo que é, de facto, o que atormenta as vidas da maioria esmagadora de nós que nascemos e vivemos em Portugal, esses temas são revestidos de uma certa dose de teatralidade que consegue absorver as imaginações de todos. Assim se tem passado com o chamado caso Casa Pia e agora, cumulativamente, o do seleccionador que caiu em desgraça, sendo que os respectivos nomes que pululam em tudo que é informação são aqueles que andam nas bocas de toda a gente: os de Carlos Cruz e de Carlos Queiroz.
Ao longo do tempo que ocupa a nossa existência dos tempos mais recente sucedem-se as personagens que tomam o lugar de vedetas – mesmo que mal vistas – dos acontecimentos que despertam a atenção do povo lusitano e que é facilmente conquistado pelos folhetinescos casos que vão preenchendo espaços nos jornais e nas televisões. E o exagero das notícias, a repetição doentia da publicitação do que se procura prolongar até ao esgotamento da matéria faz com que gente que não mereceria tamanha publicitação passe a figurar como verdadeiras figuras vitoriosas. Uma lástima!
Não vou entrar neste texto na avaliação das figuras em causa, destas duas como poderiam ser outras mais, porque considero que os julgamentos têm de pertencer a quem para essas funções é escolhido. Tenho, evidentemente a minha opinião e, apenas como cidadão, não posso deixar de me insurgir que, num caso, terem sido usadas e abusadas sexualmente crianças de uma instituição que, sendo pública, deveria ser responsabilizada (e, obviamente, os seus dirigentes) pelo facto de ter sido consentidos os actos que se apontam. E aí, sem apelo nem agravo, a Justiça entrar e deixar marca exemplar. Logo, absolvidos não deveriam ficar nenhuns e se foram os acusados agora ou outros (ou “e outros”), o certo é que a Justiça deve ser eficaz e rápida, o que não sucede no nosso País.
Na área do futebol, para além de que, face às circunstâncias difíceis que se vivem no sector publico português, todos os dispêndios que sejam aplicados em zonas que não se incluem na classificação de primeira necessidade, deveriam ser postos de lado, já que há quem considere que os campeonatos futebolísticos – e aí estão os vários estádios que foram construídos e que se encontram sem grande utilização -, pelos menos que não se perca agora tempo e dinheiro a assistir a zangas de gente malcriada e não se proceda, no espaço de horas, à arrumação de um assunto que se sabe bem como seria posto no seu lugar. Tanto mais que, conforme se tem visto, isso de Portugal se encontrar em condições de discutir com outros países as vitórias em competições internacionais, é coisa que já pertenceu ao passado e, por agora, o que constituiria uma atitude de bom senso era limitarmo-nos aos desafios dentro de portas e com os custos limitados aos clubes que não custem dinheiro ao Estado.
Eu sei que esta atitude tem uma porção enorme de gente que discorda. O futebol, como em tempos o fado e Fátima, fazem parte do conjunto de “Fs” que muitos compatriotas não querem perder do seu horizonte, mas que haja paciência e que nos compenetremos todos, mas todos, que a dívida pública resultante dos empréstimos que contraiu Portugal ascendem, no ano próximo, a quase 8 mil milhões de euros, o que quer dizer que, em 1911, já amanhã, vão ser cerca de 20 milhões de euros DIÁRIOS que terão de sair dos cofres estatais, ou seja, dos nossos bolsos.
Não querem pensar nisto? Pois é, então que continuemos a prestar grande atenção aos futebóis…

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

AS CONTRADIÇÕES

A vida tem dessas coisas
de contra a lógica avançar
nem tudo é um mar de rosas
há caminhos a arrepiar

São as tais contradições
por vezes inesperadas
que provocam as tensões
nas gentes mais sossegadas

O homem nisso é perito
contradiz-se a cada passo
e dá sinais de aflito

o que provoca embaraço
e quando surge o atrito
é que mostra o seu fracasso


LISBOA APRECIADA


CAMPO DE OURIQUE, é um bairro lisboeta que me consegue convencer. Pelas suas ruas que a cruzam, pela ausência de subidas e descidas pois toda ela está instalada num planalto, já que a chamada Baixa, que se situa a alguma distância e é servida pelos eléctricos da linha 28, encontra-se no fundo de algumas ravinas, pois esta zona é também por mim apreciada porque as pessoas que a habitam se conhecem umas às outras,dado mesmo que não convivam sabem quem são.
Ainda que tenha alguma dificuldade em decorar os nomes das suas ruas, eu sei encontrá-las, paralelas ou perpendiculares à principal, que é a rua Ferreira Borges, assim como conheço, de uma forma geral, os estabelecimentos que lá estão instalados, se bem que, verdade seja dita, na fase actual é enorme a quantidade que vai encerrando as suas portas, por motivo da crise que não perdoa, mas, mesmo assim, ainda se vão aguentando umas tantas que, sendo antigas, terão poucos gastos fixos e serão os seus proprietários que abrem e fecham as portas. Mas, por exemplo, o meu café matutino, onde escrevo as minhas prosas e arranco as poesias que se vão depois acumulando no disco do meu computador, não sendo já o mesmo de antes, pois esse mudou de ramo, depois é outro que me adoptou e que eu vou conservando até não ocorrer outra mudança. Até, como excepção do que ocorre agora, abriu um simpático local que pretende agarrar os moradores da zona através da simpatia e possibilidade que dá de voltarem a existir as antigas tertúlias que desapareceram da nossa cidade. Chama-se, salvo erro, “Maximum” (ou será “Minimum”?), que o nome é o que menos interessa, até porque afinal chama-se MOMENTVM...
Este café e também onde se podem apreciar algumas delícias, pelo sítio onde se localiza e pela freguesia que o frequenta é para mim o mais importante para poder servir de acolhimento às minhas necessidades de reflexão e de busca de imaginação. E depois, porque o hábito também ajuda muito a puxar pela veia, dado que o escrever sempre no mesmo sítio, com a mesma mesa e a mesma cadeira é meio caminho andado para forçar a produção literária.
Nesta altura em que escrevo este texto estou a ver passar os transeuntes, a maioria caras que me não são estranhas e formada, na maioria parte dos casos por gente de idade, pois este bairro está a acumular uma população que se encontra preparada para utilizar o local da sua recolha final, por curiosidade um cemitério que tem um nome irónico, o dos Prazeres!...
Não me venha dizer que não vale a pena ter escolhido o bairro de Campo de Ourique para viver e, como é o caso de muita gente, ser agora o local onde se goza a reforma, ainda que, perante as perspectivas que se avizinham, as preocupações no que diz respeito ao futuro sejam bem difíceis de enfrentar. Mas esse também é um assunto que os moradores comentam e que o próprio mercado que aqui existe e o jardim da Parada, que onde os homens se juntam à volta de mesas a utilizar as cartas para passar o tempo, são locais apropriados para as trocas de impressões.
Campo de Ourique é um resto de uma Lisboa antiga que, para além de Alfama, Bairro Alto, Bica, Madragoa e pouco mais se conserva por algum tempo com raízes. Porque isto de Lisboa ser coisa boa, como a canção diz, é tema que todas as modernidades têm vindo a eliminar. Mas os novos, os que já cá estão e aqueles que virão ocupar o espaço e o tempo do que vai mudando, esses talvez encontrem forma de substituir o tradicional e oxalá essa mudança represente uma melhoria daquilo que vai desaparecendo.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

DAR NAS VISTAS

Sair-se do formato sempre igual
ao que por toda a parte se encontra
pode parecer uma mera afronta
mas também ser coisa natural

Há quem se diferencie e só isso
por pertencer ao grupo dos solistas
não é que pretenda só dar nas vistas
e com isso assumir um compromisso

Mas dos outros chamar a atenção
pelo seu porte e modos d’aparecer
há quem o faça por outra razão

Apenas p’ra mostrar que é um ser
que dá nas vistas com uma intenção
a de fazer inveja só de o ver


CUSTOS ESCOLARES


CÁ VENHO EU preencher o espaço do meu blogue diário com uma opinião que tem a ver com a luta que é, nos tempos que correm, absolutamente necessária, no capítulo da diminuição de gastos, não só por parte do Estado mas também no que diz respeito aos que são suportados pelos cidadãos portugueses, sobretudo aqueles que enfrentam dificuldades enormes face aos baixos ordenados e até às situações difíceis que surgem inesperadamente, como é a medonha do desemprego que grassa por aí e que as famílias são forçadas a aguentar.
Atravessamos agora a época em que os filhos na idade própria ingressam, pela primeira vez ou no acto lectivo que se iniciou e que têm de frequentar, e em que os custos respectivos com a aquisição dos livros e dos acessórios que o estudo impõe, atingem, por cabeça infantil ou juvenil, montantes que, na maioria dos casos, são insuportáveis pelas famílias. E, de ano para ano, os compêndios de estudos que os professores exigem mudam, sendo que os que foram utilizados no período anterior já não servem para o prosseguimento dos cursos. E isto sucede quer nas classes infantis como depois no secundário e nos cursos superiores.
Ora bem, Será possível que os governantes que ocuparam os lugares da Educação depois do 25 de Abril, altura propícia para emendar o que funcionasse erradamente antes e até hoje, 36 anos depois, não surgisse um responsável que fizesse o que sucedeu, por exemplo, na minha juventude, em que, com uma irmã mais velha, frequentando as escolas com um ano de avanço, me passava os livros de estudo que já não lhe serviam mas que se aplicavam à classe em que eu andava. Lembro-me, por exemplo, dos livros de História, de António C. Matoso, que serviam de base durante mais de um ano e outros, como os de inglês, matemática, etc.
Quer dizer, nessa altura não havia a negociata das editoras de livros escolares que, todos os anos, e de acordo com autores-professores que se dedicam a lançar produções sempre diferentes, obrigam as famílias a despender verbas avultadas para ter os filhos a seguir as classes e de acordo com as exigências de cada escola.
Será então assim tão difícil criar a continuidade do uso dos compêndios escolares, por forma a que os responsáveis pela sustentação dos alunos não tenham que, todos os anos, fazer o enorme sacrifício de deixar nas livrarias e papelarias grandes quantidades de dinheiro o que, nos dias que correm, constitui uma vilania que não se desculpa aos responsáveis governamentais da Educação.
Ao menos que se instituísse a venda de livros das escolas em segunda mão, coisa que, podendo desgostar a alguma gente, seria sem dúvida aproveitada pelos pais responsáveis mas sem meios. A necessidade aguça o engenho e é isto mesmo que os governantes que temos, estes e outros, não são capazes de reconhecer que o que lhes falta também é capacidade de enfrentar os problemas e resolvê-los a bem dos cidadãos.
Falar, falar mas não actuar com medidas que, na prática, tenham a sua utilidade e representem soluções para problemas que necessitam da actuação dos que se encontram nas áreas da governação?
E é isto que Portugal vai sofrendo, passo a passo e a caminho do cada vez pior que somos forçados a suportar.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A SOMBRA

A sombra que vejo e não fala
que não a apalpo mas sei que existe
que me persegue e é bem vassala
daquilo que tudo em mim é triste
essa figura que me imita só no gesto
que repete tudo aquilo que faço
não é acordo nem protesto
mais me parece um bom palhaço

Precisa de luz para me reflectir
pois na escuridão desaparece
avisa-me também para fugir
e volta a surgir quando amanhece
agradece ao Sol o seu esplendor
e é nas ruas que mais se nota
eu sei que sou eu o seu benfeitor
aquele que marca a sua rota

Sombra querida enquanto eu viver
tu andarás bem perto de mim
e ninguém pode jamais antever
o dia em que chegaremos ao fim
da nossa caminhada lado a lado
sendo eu como tu e tu como eu
não existirá mais o nosso enfado
de nos perguntarmos se haverá céu

SE EU MANDASSE!...


JÁ NÃO É A PRIMEIRA vez que, nas televisões portuguesas, é feita a pergunta a telespectadores de rua, em que o tema é: “se mandasse o que é que fazia?”. E as respostas que surgem, por se tratarem de entrevistados sem preparação e em que o problema pessoal de cada um é o que lhe salta logo à boca, não representando quase nunca uma forma de ser encarada como tratando-se de uma solução que satisfaça as necessidades concretas do nosso País. Nem, naturalmente, os inquiridores estarão à espera de deparar, ao virar da esquina, com o “milagre” de surgir o remédio milagroso que porá tudo na ordem.
Se a pergunta me fosse feita, não hesitaria em dizer: Não sei! E explico esta minha franqueza.
Na situação actual portuguesa, vivendo nós num regime democrático que tem de obedecer às suas regras e que não permite que a vontade prepotente de uma figura se sobreponha ao que é possível executar, perante a fraqueza que nos atingiu e de que não vale já a pena apontar os seus causadores que, sendo vários, uns mais distantes e outros que se situam ainda nos cadeirões do poder, não é por lhes dirigirmos acusações que conseguimos efectuar o importante e que é o conseguirmos sair da rotura financeira e económica em que estamos colocados. Sendo assim, se fosse obrigado a aceitar aquilo que, por cá, já não se vislumbra quem se encontre ansioso por desempenhar as funções de primeiro-ministro de um Governo não maioritário, depois de reflectir seriamente no embroglio em que tinha sido metido, tendo escolhido o complemento ministerial que julgasse mais adequado às circunstâncias, a primeira acção que desempenharia era a de me dirigir aos portugueses e, numa fala franca, simples e credível, fazer-lhes o relato aberto do panorama do nosso País, da mesma forma que um médico sério deve declarar à família de um doente em estado adiantado de enfermidade quais seriam as perspectivas de salvação do ser que, de olhos arregalados, aguarda que surta a salvação ainda que milagrosa.
Ao contrário dos partidários de que é preferível pintar de cores vistosas as paredes em estado de queda, eu sempre defendi neste meu blogue e noutros escritos de que assumo a responsabilidade que não é coerente esconder a realidade, pois que só alertando os interessados é que será possível obter a sua colaboração nos esforços de salvamento.
Por isso, a primeira coisa que faria era mostrar com provas indiscutíveis que Portugal se encontra numa situação de perto da “banca-rota”, em que as Finanças não podem garantir o cumprimento de todas as obrigações que lhe cabem, encontrando-se perto de as próprias reformas terem de ser lapidadas, primeiro em parte e depois, sabe-se lá em quanto.
A seguir, avisaria que as medidas que iriam entrar em vigor de imediato, sem perda de tempo, seriam as de um corte radical nas despesas que não se admitem ainda existirem, como as regalias de todos os tipos que alguns servidores do Estado e de empresas públicas e semi-públicas continuam a auferir, como sejam viaturas, motoristas, (a partir de secretário de Estado acabavam tais benesses), instalações e até a existência dessas dependências que teriam de ser drasticamente extintas. Os funcionários que ficassem sem actividade, a esses haveria que procurar colocá-los onde exista exiguidade dos mesmos ou, em último recurso, estudar a forma de os dispensar em condições humanas. Seria duro, mas não havia outra forma de actuar.
Tudo isto daria ocasião a que os cidadãos acompanhassem a par e passo o que se estava a fazer, por forma a que aceitassem, eles próprios, os sacrifícios que lhes coubessem.
No capítulo da produtividade, o Estado, através dessa dependência que não há forma de dar provas de ser eficiente, o AICEP, com Basílio Horta à frente, teria de, reduzindo também o número de instalações que, sendo infrutíferas, se espalham por várias cidades estrangeiras, com custos altíssimos, dar todo o seu trabalho em favor da busca de investidores estrangeiros que quisessem abrir no nosso País as suas iniciativas, para o que se lhes concederiam condições especiais, quer no capítulo de impostos como na anulação das burocracias que são tão usadas no nosso espaço. Essa seria uma prioridade que, mesmo tendo de fazer investimentos, ocuparia as cabeças mais competentes de Portugal, pois que o desemprego só se combate quando se criam postos de trabalho, os quais, tratando-se de empresas industriais, também ocasionam o aumento de exportações, razão pela qual seriam escolhidas actividades que se dedicassem à produção de artigos que tivessem mercado possível noutros países.
Depois, coniforme escrevi há dias neste blogue, o subsídio de desemprego teria de terminar de vez, tanto mais que se sabe que muitos dos beneficiados com esse apoio não aceitam novos trabalhos para não perderem os euros que recebem enquanto estão em casa. E a forma de executar esta tarefa com eficiência e benefício para todos também já aqui expus e, por sinal, Paulo Portas, que talvez seja leitor deste meu blogue, está agora a usar a ideia, o que me parece até muito bem. Se eu lhe dei o primeiro emprego como jornalista, também posso agora servir de apoio para as suas funções políticas, independentemente das tendências políticas de cada um.
E não tenho mais espaço, pois o que eu faria se mandasse é de tal maneira vasto que estaria aqui a preencher este blogue até amanhã a esta hora.
Mas repito o que digo logo de início: De facto, saber de ciência certa o que faria se mandasse, por minha livre vontade, não sei. Mas ão ficaria era parado. Nas condições em que nos situamos suponho que, se me metesse a executar parte daquilo que expus aqui suponho que não chegaria ao fim, pois que as invejas desta gente toda que se situa em redor do poder, seja ele qual for, só não ataca os capazes, sempre pelas costas, se puderem passar despercebidos. E, claro que um Ditadura dava muito jeito a variada gente. E nessa eu não quero, nem de longe, participar. Já me bastou o tempo em que, ao longo de muitos anos, a suportei e com ela sofri o meu largo quinhão. Coisa que a maioria dos actuais políticos não tem ideia vivida do que foi.
E bem falta lhes faz!...

domingo, 5 de setembro de 2010

POR TUDO E POR NADA

A língua tem seus mistérios
a nossa nisso não falha
há ditos que serão sérios
por dá cá aquela palha

Por pouco se zangam uns
outros nunca descarregam
há os que fazem jejuns
todos há palha não chegam

Digam lá o que disserem
isso da palha pedirem
é coisa que se o fizerem
serve p’ros outros se rirem

Mas a verdade é só uma
nesta língua bem falada
toda a gente se acostuma
e pede palha por nada