terça-feira, 3 de agosto de 2010

AQUILO QUE EU VEJO

Aquilo que vejo
que atrai meus olhos
que me causa ensejo
mesmo sendo aos molhos
eu acredito?
É verdade pura?
Não será um mito?
Uma desventura?
Mas vejo e pergunto:
poderei eu crer
constitui assunto
para eu ver
e aquilo que é dado
algo como queixa
será um recado
que a vida me deixa
uma prevenção
com certa importância
chama-me a atenção
provoca-me ânsia
abre-me o sentido
mas olho parando
e o despercebido
agora pensando
com calma observo
a ideia apurada
por fim lá conservo
a vista do nada
e aquilo que eu via
e que os olhos liam
tinha mais valia
e todos deviam
cá por este mundo
ter algum rigor
olhar sempre a fundo
que tudo tem valor

Por isso m’interrogo
procuro resposta
faço-o como um jogo
é quase uma aposta
tudo por que passo
e atrai minha vista
se causa embaraço
constitui uma pista?
Como em tanto assunto
não sei responder
até ser defunto
terei de aprender

DESENCANTO POR ENQUANTO!...


Quase como uma devoção, muitas vezes saio de casa, especialmente de manhã, para escrever. Preciso de ar. De respirar. E de inspiração. Mudar de ambiente ajuda. Faz-me falta movimento, mesmo sem entrar nele. É-me útil a distância, nem que seja a que separa a mesa do café das pessoas que passam, das que julgam que estão a fazer alguma coisa de útil a este País. Das que se sentem importantes por isso.
Lá passam também raparigas. Agora na moda está andarem com as barriguitas à mostra. E as costas deixam ver as uniões superiores das bochechas do rabo. Como mudam os tempos! Ainda me lembro da época em que a rapaziada se deliciava a ver as curvas das pernas das mulheres que subiam as escadinhas de Santa Justa. Era uma delícia! Aí a imaginação funcionava. Dava-se largas ao trabalhoso exercício de desnudar em pensamento as fêmeas que mais agradavam e que davam a espreitar de passagem as curvas das pernas.
Hoje, o desde ter-se à disposição dos olhos o que antes os decotes discretos não deixavam sequer perceber, os avantajados seios que, ainda para ajudar mais a provocação, os elementos femininos puxam para cima, para dar a sensação de que se encontram em boa forma de sustentação, desde isso até as saias pouco taparem em cima e em baixo, tudo é considerado natural. E pouco faltando para descobrir em plena rua o que ainda se encontra oculto, o resultado é que a curiosidade de saber como será vai-se diluindo. E aquele exercício que alguns podiam fazer de espreitar pelo buraco da fechadura, até isso hoje já não tem razão de ser, pois aquelas chaves que, de grandes, mal cabiam nos bolsos, hoje também elas são reduzidas. Tudo diminuiu!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

É sempre bom ter alguém que nos oiça, mesmo que não tenhamos nada para dizer.
Pelo menos, ficamos com a impressão de que o que não dissemos teria a sua importância.

ACORDAR MORTO

Não tenho medo da morte
é coisa que temos certa
não é por falta de sorte
disso ninguém se liberta

Passam Natais passam férias
a vida corre depressa
se alguns passam misérias
e a outros nada aconteça

À espera por cá se anda
de algo que vem depois
há quem leve vida branda
não precise de outros sois

A todos esses contemplo
e as minhas contas faço
há os servem d’exemplo
e provocam embaraço

A morte tem várias formas
por vezes é traiçoeira
não tem regras e nem normas
muito menos tem fronteiras

Porque mais cedo ou mais tarde
ter connosco lá vem ela
e sem fazer grande alarde
sempre provoca mazela

Com franqueza não invejo
dos outros o seu conforto
a coisa que eu mais desejo
é um dia acordar morto

DESENCANTO POR ENQUANTO!...


Não posso deixar de reflectir que, um dia, não sei em que altura, se estes textos caírem nas mãos de alguém que descubra que vale a pena lê-los e lhes encontre um mínimo de valor, seja onde for que eu esteja, isto no caso do falecido, mesmo em cinzas, ter algum sítio onde se aquietar, nesse cantinho encontrarei razões para a consolação. Por fim, houve alguém que reconheceu em mim algum interesse.
Escrever isto, nesta altura em que me encontro em pleno nas minhas faculdades mentais, parece querer reflectir uma soberba que me fica mal, mas o que ninguém pode negar é que me esforcei, enquanto vivo, por dar de mim tudo o que tinha para mostrar quanto vale uma aspiração que talvez não chegue nunca a tornar-se realidade: a de me entregar à arte da escrita, da prosa e dos poemas, e à tentação da pintura, muito a medo, já que, aquilo que eu mais desejava era ter sido agarrado pela música, essa que nunca passou do enorme prazer de ouvir.
Sou, pois, um falhado. Sempre vivi de aspirações. Embora não invejoso, entristece-me assistir, à minha volta, ao desmedido acarinhamento a cantores que cantam mesmo mal, a escritores que se encontram longe de merecer essa classificação, a artistas plásticos que se enganaram na opção tomada, todos com relativo êxito que, por muito passageiro que seja, sempre lhes vai enchendo o ego de satisfação.
Mas esses, eu também não invejo. São equívocos de um período que não pode deixar de ser curto, ainda que ocupe toda a existência dos próprios contemplados. Não atinge o futuro. Não passa para depois.
Feitas bem as contas, eu preferia que, como sucede agora, não me seja reconhecido qualquer valor em vida, desde que, mais tarde, já não sendo eu a assistir, seja descoberta alguma injustiça em tal pequena valorização. É uma ilusão que sustento, confesso.
Sou, de facto, um espectador de mim próprio. Reconheço as minhas falhas, não hesito em passá-las para o papel, em dar testemunho das críticas que me faço, mas tenho de ligar com o exterior de mim, guardar no fundo do eu as preocupações que seriam ridículas se as transmitisse a alguém e, por isso, me fecho, deixando aos outros uma sensação de um afastamento que, na verdade, não é propositado.
Se os católicos praticantes utilizam o padre para desabafar o que consideram ser os seus pecados, eu, que não sigo há imenso tempo essa prática que até considero ridícula, deixo na escrita, quando me encontro isolado do mundo, as minhas angústias, as queixas que me afligem, os erros que pratico. Este é o meu confessor. E, dado que o papel não aconselha, fico, no mínimo, com a consciência mais aliviada.
Por mais absurda que seja esta prática, consola-me. Deixa limpa, por momentos, essa tal consciência. Amanhã logo se vê!..

domingo, 1 de agosto de 2010

Não sei. Tanta obra monstruosa que tem saído das mãos do Homem, não seria preferível que se mantivesse o vazio?
Que digo eu?
Então seria mais próprio, amanhã, quem, por ventura,
vier a querer ler este texto, encontrar, em seu lugar,
uma página em branco?

DESENCANTO POR ENQUANTO!...


Cada vez mais tenho a sensação de que, para os outros, fui sempre alguém do lado de lá. Não só para os mais afastados, mas também para os parentes. Quanto mais tempo vivo, mais me convenço desta realidade, E, nesta altura, não vale a pena disfarçar que não é assim. A culpa, se é que se pode querer descortinar culpado nesta situação, terá de ser atribuída apenas a mim. Porque não serei abertamente comunicativo. Porque não pertenço àquela maioria de pessoas que mostram dar grande importância ao que os outros dizem, sobretudo quando internamente não atribuem valor suficiente para isso. Será por não ter esse sentimento de interesse demonstrativo, que tanto agrada aos outros interlocutores. Será por isso. Mas, seja pelo que for, a realidade é essa: Provoco pouco sentimento de intimidade nos outros.
E a verdade é que nem sei se sinto falta dessa intimidade. Dessa cumplicidade. Mesmo no que diz respeito aos amigos mais chegados, nunca senti esse entrosamento, daqueles que dá para trocas de confidencialidades. O meu
íntimo sempre foi resguardado e, talvez por isso, o dos outros nunca me foi revelado. Antes assim.
Aquilo a que se chama “abrir-se” com alguém, foi coisa que nunca fez parte dos meus costumes. Sobretudo, porque não creio que interesse ao próximo saber o que vai no meu íntimo. Poderão, por simples curiosidade, escutar o que lhes transmitisse de muito privado que existisse no meu âmago, mas mais do que isso não se passaria.
Estar do lado de lá é, pelo menos, estar nalgum sítio. Digo eu, para justificar o meu ponto de vista. Estar em todos os lugares, do lado de cá e do lado de lá, mostrar abertura e até entusiasmo quanto ao que se escuta numa conversação, é uma forma de estar na vida para além de ser cómodo. E não importa averiguar o grau de verdade que existe em tal posição. Se eu fosse assim, só tinha a ganhar no capítulo da apreciação dos outros a meu respeito.
Mas, quanto à apreciação de mim para mim próprio?

sábado, 31 de julho de 2010

Se desligar a luz é fácil, já apagar as más recordações é tarefa que não depende de dar ao interruptor.
Homem não é a tal máquina.
Não há comando eléctrico que possa afastar aquilo que não se deseja que volte à memória.
Não se comanda com um botão.

A PASTELARIA

Gente que entra e que sai
disposta a consumir
e depois p’ra onde vai
já está pronta p’ra seguir
a vida que cada um
tem ainda pela frente
pois já não segue em jejum
levando um ar de contente

Os bolos têm saída
neste País de gulosos
e o café como bebida
de simples e de vaidosos
lá prepara para a luta
quem pouco dinheiro gasta
que a vida é uma disputa
o que se ganha não basta
É nesta pastelaria
ond’eu por vezes me sento
que até me serve de guia
p’ra poesia que eu tento
e mesmo qu’ocupe alguém
cadeira na minha mesa
a conversa me faz bem
porque saio da tristeza

O de café variar
onde vou mais a miúdo
é só p’ra desabafar
e imaginação ajuda
pois vejo gente diferente
e outras vozes eu ouço
algo que é influente
naquilo que faço e posso

Daqui da pastelaria
até ao café normal
não faz falta correria
é tudo peto afinal
é só questão de apetite
de como estiver o dia
pois preciso qu’arrebite
toda a minha fantasia



DESENCANTO POR ENQUANTO!...


Quem nunca teve bens materiais que valessem a pena, quem sempre lutou pelo Pão Nosso de cada dia sem ter gozado de abastanças, ainda que tenha podido desfrutar ocasionalmente de algumas mordomias que lhe foram proporcionadas, é natural que tenha aspirações a não morrer sem antes ter a sorte de lhe sair, em qualquer lotaria, um prémio pecuniário chorudo.
Claro que os ricos, os que já têm bastante, esses não desprezam um aumento substancial das suas fortunas. Dinheiro nunca vem em excesso, dirão. E a única diferença é que, quando arriscam um verba ainda que elevada nas apostas, utilizam a expressão “investir”. Os pobres e mesmo os remediados, os que contam as moedas na carteira, limitam-se apenas a tentar a sua sorte, com o lema de que “se tiver de sair… sai!”.
Pensando apenas nos que não têm nada que se veja, no cidadão corrente que vive condicionado a um montante mensal certo, ao que administra, ele e a mulher, geralmente até ela, aquele contadinho que não chega para dar um passo fora da linha, que a custo dispõe de uns trocados para tentar a sua sorte numa dessas lotarias que, quando sai e toca só a um, é coisa que se veja, tendo essa figura como modelo de imaginação, pode-se deduzir a mudança radical que se produz na sua vida. Será que a inundação de dinheiro a quem não está habituado a tanta fartura, que não soube nunca o que era ter para lá do mínimo, ultrapassada a alegria eufórica do momento da notícia inesperada, persiste sob a forma de felicidade?
Não ter problemas no gastar, não fazer contas na altura das compras, extasiar-se com tudo o que vê e que pretende adquirir, ter finalmente o carro dos seus sonhos, mudar de casa, deixar de trabalhar, aproveitar as excursões organizadas, comer a tão ambicionada lagosta, fumar do mais caro, ir visitar um parente que não vê há anos e que emigrou para longe, dar a volta a todos estes desejos que nunca pensou poder um dia satisfazer, tudo isso ultrapassa. Mas, e depois?
Passado o período da experimentação, de sensações novas e, por vezes, até antes disso, não é difícil imaginar que começam a surgir os contratempos impensáveis na época das vacas magras. As choramingas dos familiares, vizinhos e mesmo vagamente conhecidos, as propostas de negócios mirabolantes que surgem, sem se perceber bem de onde, deixam a cabeça dos chamados sortudos em bolandas. Mesmo usando óculos escuros, agora de marcas refinadas, saindo de casa de fugida, analisando cuidadosamente quem se encontra nos arredores antes de regressar ao lar, não atendendo o telefone que passou a retinir repetidamente, retirando com enjoo os maços de correio que todos os dias encontra na caixa e que prefere não ler, tudo isso são consequências de ter passado, de um dia para o outro, de pobre a rico.
E os filhos, antes tão dóceis, cumprindo sempre os seus deveres, que deixaram de ser tudo isso e passaram a apresentar exigências?
E a saúde, que tinha sido razoável até então, e de repente, deu mostras de não estar tão segura? A ida frequente aos médicos, o cuidado com exames complicados e caros, a compra excessiva de medicinas que se vão acumulando meio usadas nas prateleiras, o interesse em conhecer especialistas no estrangeiro que anunciam curas aos que podem pagar, tudo isso passa a fazer parte das preocupações dos novos ricos.
Dizia-me uma vez um homem que gozava de grande poder financeiro pessoal que lutava com um grande dilema: que não sabia se as pessoas que o rodeavam e pareciam ser companheiros fiéis, o faziam por serem seus amigos ou simplesmente porque ele era rico. E essa angústia persegui-o sempre, ao ponto de evitar relacionar-se com novos conhecidos. Preferiu o isolamento. Era um infeliz!
Pergunta-se então: onde está a felicidade? Provavelmente naquele que tem a coragem de se desfazer dos excessos de bens. De distribuir pelos que precisam. Mas como em tudo em que entra a mão do Homem, como não é humanamente possível que seja o filantropo, ele próprio, a actuar pessoalmente e a controlar o que pretende distribuir pelos necessitados, tem de confiar em organizações, em grupos que se prestam a cumprir honestamente a missão de repartir. Será que adquirir mantimentos num continente e enviá-los para outro distante, incluir nessa complicada operação múltiplos operadores, não acaba por beneficiar muita gente que não tem a ver com a miséria que se pretende diminuir? E até vai contribuir para encher os bolsos de quem já tem muito?
Por isso, dar, ser generoso, dividir com quem necessita dá trabalho. E preocupação. Se não for assim é um acto apenas de propaganda – porque geralmente essas atitudes são propagadas -, de alguém que não está disposto a ter maçadas. Não tem valor.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

CONTENTE

Mesmo sem saber porquê
pois que tal não é preciso
é gostar do que se vê
e mostrar sempre um sorriso
contente,
contente
maravilha estar assim
sempre com ar de festim

Pode parecer doença
coisa física e mental
pois ter alegria intensa
lembra logo carnaval
contente,
contente
todos ao lado a chorar
quem ri a dissimular

Em época de tristeza
mostrar que é diferente
é p’ra já uma proeza
e que se anda a Poente
contente,
contente
será preciso inconsciência
ou deste mundo ausência?

Contente, contente
só com muita aguardente

QUE CONTENTES QUE NÓS ESTAMOS!


ENTÃO NÃO EXISTEM MOTIVOS, nesta altura, para que todos nós portugueses nos sintamos ultra-felizes em face dos acontecimentos que nos acabam de proporcionar razões mais do que suficientes para nos congratularmos com o facto de ter nascido neste torrãozinho pátrio e continuarmos a manter as nossas existências em local tão deslumbrante?
Não põe ser outra a minha opinião momentânea e, em face disso, conforme tenho determinado, interrompo os textos do meu livro “DESENCANTO POR ENQUANTO!...” para dar largas às notícias que, preenchendo agora os muitos espaços da Informação que ocupam os jornais, as rádios e as televisões portuguesas, permitem que os nossos compatriotas sintam que podem agora ufanar-se dos acontecimentos que vão melhorar imensamente as suas vidas.
De facto, pelas ruas fora, nos encontros com os amigos, nas conversas com os vizinhos, nas trocas de opiniões que constituem nesta altura o motivo principal dos telefonemas, não se ouve outra coisa que não seja a demonstração de regozijo que todos nós sentimos com o facto da PT ter solucionado o problema da venda da brasileira VIVO e da compra da também brasileira e igualmente empresa de comunicações telefónicas do País irmão de além Atlântico com um nome muito explícito – “OI”.
Que melhor poderia suceder a todos nós, cidadãos lusitanos, do que essa operação financeira que meteu no bolso da nossa PT qualquer coisa como 350 milhões de euros? Não tem razões José Sócrates para estar eufórico com tal solução e por isso não houve motivo para se justificar o discurso que resolveu fazer aos jornalistas para mostrar vaidosamente como foi deslumbrante a medida tomada através das acções do Estado, denominadas “golden shares”, atitude genial que só poderia sair de uma cabeça tão privilegiada como a do engenheiro primeiro-ministro?
Perante tamanho feito, os cidadãos deste País vão constatar que, a partir desta genial negociação, os impostos vão descer, o desemprego vai ser muito reduzido, a produção nacional atingirá níveis que nunca foram alcançados, as medidas governamentais, como sejam as diminuições visíveis das despesas públicas, entrarão nos eixos, a Justiça passa a ser exercida com eficiência, a educação passa a ser uma zona que vai preparar toda a nossa juventude para um futuro que lhe vai dar muito trabalho, que a burocracia oficial deixará de ser, de uma vez, um empecilho das nossas acções, enfim, não podemos deixar de concordar que esta “milagrosa” medida, tomada com a PT, vai solucionar todos os grandes problemas que o nosso País vem a enfrentar há alguns anos. Esta é uma razão indesmentível que a “festa” que os portugueses estão a fazer é mais do que justificada.
Por isso pergunto: então, perante tamanho feito não deveria eu também dar um ar de alegria ao meu blogue, sempre tão desencantado?
E, para além disso, também surgiu a notícia nos jornais de que essa figura a que só posso chamar de “esquisita”, e que se chama, há dúvidas, José Castelo Branco, convidado para comentar a lista masculina – e qual deveria ser? – dos denominados “sex platina”, considerou Sócrates como “o mais sexy”.
Não há dúvida, não podiam surgir mais motivos para que todos os portugueses se sentissem “ultra-orgulhosos” – como se diz tanto agora – com a benesse de serem naturais desta Terra e terem à frente dos poderes instituídos personalidades de tanto valor como aquela cabeça que chefia o Executivo actual.
Só faltou uma coisa a isto tudo: foi que tivesse sido anunciado, por quem o possa fazer, que o custo das chamadas telefónicas que pagamos no nosso País beneficiam com tanto dinheiro arrecadado pela PT e que, por isso, o seu custo e as condições contratuais que nos são impostas, desde que existe telefone em Portugal, tudo isso vai ser alterado para disposições muito mais favoráveis.
Mas nem pensar!... Os mamões, aqueles que auferem, por mês, por hora, por segundo, fortunas com esses lugares que ocupam, tais personalidades só se riem e quando mudam para outros é apenas para retirarem ainda maiores e mais apetecíveis proveitos.
E isto veio mesmo a calhar numa altura em que a "broca" do caso da Freeport tenha sido “arrumado” para escândalo de toda a gente, situação esta que se equivale a tantas outras que representam, do mesmo modo, o proteccionismo escandaloso que é atribuído àquelas figuras que são sempre resguardadas das leis que devem existir para todos de igual modo, apesar disso, os portugueses não escondem a sua alegria pelo caso que, esse sim, lhes vai trazer grandes benefícios directos.
?

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Faço o possível para ler toda a poesia que me chega às mãos.
A que é publicada e apreciada, pelo menos pelos editores que lhe deram oportunidade de surgir impressa.
Concluo que não tenho sensibilidade suficiente para ser tocado por certos poemas sem métrica, sem rima, conjunto de palavras sem significado à primeira e à segunda vista.
Está muito para lá do meu entendimento.
Ou será que, tal como aquela denominada música, que é só barulho?
Também há poemas que não respeitam o silêncio…

A MALA

Ter sempre a mala pronta para a viagem
não ser apanhado de surpresa,
sem bagagem
com destreza
com a roupa bem arrumada
isso ajuda a não perder a oportunidade
e a jogar essa cartada
não sei se com felicidade
não é fácil encontrar uma boleia
e adiar o que já estava determinado
sem ter nada de especial na ideia
e ficando bastantes assuntos de lado
e seguramente alguma coisa esquecida
não é por aí que se falta ao compromisso
e como não se pode recusar a ida
pois foi o destino que a estabeleceu
não nos competindo a nós alterar
e havendo sempre a esperança de ser o Céu

Não me escondam a mala já fechada
preparada para a viagem que for
basta apenas descer a escada
afastando todo e qualquer pavor
não sei quem irei encontrar à chegada
se será alguém conhecido
que também fez troca de morada
o que causou na altura alarido
que partiu antes e nem se despediu
numa linda tarde de primavera
houve gente que muito sentiu
mas se por mim não há ninguém à espera?

Seja como for a mala está pronta
não é por aí que chego atrasado
e é forçoso levar bem em conta
que não faço isto com completo agrado
nem importa se vou de boa vontade
vou, e pronto!
todo e não metade
meio tonto
é como tantas mais
é outra viagem
todas desiguais

Agora que estou cansado de viver
de aturar uma fatigante malta
só espero não ter de andar a correr
tranquilidade é o que me faz falta

Haja até quem me desfaça a mala
que arrume as roupas em bom local
que me conduza a bonita sala
tudo feito com ar informal
e me indique o local onde vou restar
não sei se será longa a estadia
porque bem preciso de descansar
e não me causará grande alegria
se for o mesmo que passei por cáº
mas seja o que for
onde for
como for
terei sempre presente um oxalá
de que seja muito melhor do que aqui
de onde parto
e de cujo bem-estar sempre descri
por isso fiquei farto
mas de onde, apesar de tudo, levo saudades
das pessoas que me transmitiram amor
aonde fiz algumas amizades
e onde a luta me transmitiu calor
e que, mesmo com desenganos
que ocuparam uma parte da minha vida
houve sempre tempo para planos
até ao dia da partida

Pode ser que um dia
seja eu à espera e a desfazer a mala
de quem terminou a correria
e me caiba a mim conduzir à sala
e a ajudar as malas arrumar
e a acompanhar para o lugar do sossego
a quem tenha chegado a hora de arrimar
e mereça também seu aconchego

Se cá fica algo são papéis
Mas também não valem cinco réis

O DENUNCIANTE


O denunciante pode ter dois pesos e duas medidas. Tanto pode ser observado com a lente da utilidade, como pelo prisma do mau carácter… como chamam os brasileiros.
Se se trata de não deixar que fique impune um crime, sobretudo se inculpa injustamente gente inocente, nesse caso a ajuda da descoberta da verdade só pode merecer louvores. Se diz respeito a uma criança que, sem se poder defender, é, por exemplo, vítima da prática de pedofilia, dessa aviltante atitude doentia que, infelizmente, vem desde que o homem é homem, então, quem tem conhecimento desses factos tem o dever de não ficar calado.
Agora, os outros, aqueles que denunciam pelo prazer mórbido da perseguição do próximo, pagos ou não por isso, são movidos geralmente por razões de inveja dos que têm mais do que eles Tais gentes são merecedoras de desprezo, de mudança de passeio quando são cruzados na rua.
Os denunciantes de má memória, aqueles que eram sustentados pela antiga PIDE para indicarem cidadãos que não aceitavam o regime totalitário que existia em Portugal, tais “informadores”, como eram apelidados, praticavam um acto abominável. E, ainda por cima, a recompensa que lhes era atribuída era insignificante, dizem os que sabem dessas coisas.
Ainda se moverá por aí, mesmo com a idade já a pesar-lhes, se é que não se passaram ainda para o outro mundo, gente que tem a pesar-lhes na consciência o mal que praticaram, por muito que se tenham diluído na população em geral. Porteiros de prédios, empregados de certos cafés, restaurantes, hotéis, dos transportes públicos e detentores de outras profissões que mantinham um razoável relacionamento com o público, eram esses os preferidos da polícia política.,
Quem atravessava a vida a observar e a escutar o que se passava à sua volta, para depois preencher os relatórios que tinham como finalidade levar à cadeia, primeiro na António Maria Cardoso e, de seguida, no Aljube e noutras masmorras existentes para esse fim os que não aceitavam a situação política que era imposta, quem foi capaz de aderir a tal procedimento, se ainda for vivo andará provavelmente com a consciência a pesar-lhe.
Andará, de facto?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Eu não tenho ilusões. Nós somos assim, vivemos num deixa andar, num “logo se verá” permanente.
No “há tempo”. Já me referi a isso noutro texto por aí algures.
Por isso, fico-me pela imaginação da época da minha infância.
Desse acompanhar a par e passo, riscando no mapa, a evolução das tropas que se enfrentavam na II Guerra Mundial
Não me apetece pôr-me noutro lugar. E tenho pena.

A CHUVA

A chuva molha a cidade
Fica mais triste, escurece
É duro, mas é verdade
É assim, quando aparece

Tocada a vento, então,
Mais agreste fica ainda
Nela o Homem não tem mão
Mas por vezes é bem vinda

Sim, há gente que a deseja
Que tanto implora por ela
É o pão da sua boca

Ela é sua benfazeja
Desponta como uma estrela
Toda a chuva será pouca

DESENCANTO POR ENQUANTO!...


Os políticos. Quem não os topa? E são de duas classe: os que entendem em pleno o que é a Democracia e, com essa forma de actuar, são mais susceptíveis de respeitar a vontade da maioria dos eleitores, o que também representa uma maior fragilidade na manutenção dos lugares que ocupam, e os que se mostram indiferentes a regras democráticas, embora, por estarem inseridos nesse regime, se esquivem quanto podem a escutar a vox popoli, seja qual for a forma dela ser expressa. Isto, num resumo sem outras pretensões.
Dos regimes ditatoriais, nem tem cabimento nesta singela observação fazer qualquer abordagem.
Mas, quando é no âmbito das liberdades que se observa o comportamento de um político que se encontre no poder, em tal situação é incompreensível que surjam, com mais frequência do que se pode pensar, políticos que utilizam todos os meios ao seu alcance para praticarem o chamado abuso do poder. Ou seja, o utilizarem indevidamente meios que, moral e politicamente não lhes estão atribuídos, como sejam o uso de “mordomias” para si e para familiares e amigos, como é o caso de automóveis, viagens, etc. que só se devem destinar aos inerentes detentores dos cargos e quando se encontram em serviço oficial.
Este desabafo parece não vir a propósito de nada. Para mim, sim. É que, ao ler as notícias de hoje, deparei com fanfarronadas proferidas por um responsável político de uma zona do País, um que, conseguindo sempre obter vantagens nas eleições a que tem de ser sujeito, mesmo assim não perde nunca a ocasião de marcar o seu separatismo ideológico em relação ao todo nacional. E o País assiste ao espectáculo que essa personagem arrogantemente dá, ouve e cala. Parece que tem medo!..

terça-feira, 27 de julho de 2010

QUANTAS COISAS QUERIA FAZER

O que pela vida ficou por fazer
não tem conto
para trás ficaram várias coisas
com que sonhei
desejei
muito ambicionei
mas nem sequer foram começadas
ficaram pelo meio
ou não chegaram ao fim
os amigos que tive
e já morreram
os que perdi, porque deixei de os ver
os sonhos que me envolveram
e que de manhã se esvaíram
os mistérios que não cheguei a sondar
ou que os quis descobrir mas não fui capaz
as mentiras que disse
quase todas caridosas
outras não
e que quis emendar e não consegui
os defeitos que fui mantendo
e que não encontrei a forma
de emendar
várias coisas de que me arrependo
e que não fui a tempo de
dar a volta
tudo isso e muito mais
que me faz pensar
sendo já tarde para resolver
aqui deixo como prova
de arrependimento

Mas outras coisas que queria fazer
não foram motivo de tristeza
antes de beleza
grandeza
firmeza
pois satisfizeram
se não no total
pelos menos em grande parte
já que
se faltou o génio
o trabalho compensou
o suor dispendido
trouxe resultados

TAP/IBERIA


PEÇO desculpa por voltar, excepcionalmente, a um tema de crítica que eu, há alguns dias, pus de parte para me dedicar apenas ao meu DESENCANTO POR ENQUANTO.
Mas vou ser rápido, embora o tema não seja novo para mim, pois há bastante anos que eu levanto a questão, mesmo muito antes da crise, de se tirar maior proveito com o que custa caríssimo ao erário público e que não obtém os resultados que se devem exigir para interesse nacional.
Trata-se agora da notícia e que a TAP atravessa um período de grandes dificuldades financeiras e que, como está a suceder por toda a parte em Portugal, não se sabe como solucionar esse problema.
É evidente que a minha tese bate sempre na mesma tecla. AQ de nos unirmos aos nossos parceiros ibéricos, com o objectivo de sairmos ambos a ganhar. E essa minha defesa da junção da TAP e da IBERIA numa companhia que juntasse até os dois nomes, por exemplo TAT/IBERIA, e em que os enormes gastos que se dispensem por todo o mundo, com as delegações e os escritórios abertos onde as companhias chegam, se poderiam reunir numa só representação, assim como os balcões que se encarregam da propaganda turística de ambos os países deveriam figurar nos mesmo locais das companhias aéreas, não ficando mesmo por aqui a junção de actividades que não se afastam assim tanto dos outros dois objectivos e que são os escritórios que, no nosso caso, se chama agora AICEP (antes apenas ICEP, sem se entender o motivo de tal mudança, a menos que tenha sido por invenção de um desses cérebros que há por aí e que não são capazes de ter ideias positivas), pelo que, Portugal e Espanha, ambos países interessados em propagar as visitas de turistas estrangeiros a esta Península que está junta, tirariam todo o partido em fazer a divulgação dos produtos de origem ibérica, em mostrar-lhes a forma de chegar por via aérea e, dessa forma, também referir-lhes as belezas do turismo da Península mais a ocidente da Europa.
Então não seria, com os devidos funcionários das duas línguas, uma maneira de economizar milhões de euros por ano e, ao mesmo tempo, efectuarem um trabalho proveitoso, sendo que, para optarem por uma companhia aérea ou por outra, desde que ambas estivessem unidas em função comercial e até associativa, não existiria o espírito da competição, dado que as duas trabalhavam para o mesmo.
Claro que um ideia destas merece um estudo profundo para que não se cometam erros práticos, mas este exemplo constituiria uma amostra de que o abraço de interesses que venha a ser feito um dia – disso não tenham a menor dúvida aqueles que continuam agarrados ao caduco “albarrutismo”, que não têm já ponta por onde se lhe pegue e que os portugueses. cada vez mais atordoados com as dificuldades que são obrigados a enfrentar, da mesma maneira que os vizinhos espanhóis, também eles a serem vítimas da crise que ataca por todos os lados, aceitariam como porta de saída do que já chega como sacrifício dos cidadãos.
Desde 1962 que, em coluna semanal que saia no velho “Jornal do Comércio”, com o título “Campanha para uma aproximação económica luso-espanhola”, que foi depois proibida pela Censura da época, luto pela união produtiva do bloco formado por esta Península que, se pertencesse a uma dos países europeus que está encafuada no meio do Continente, há muitos anos que impunha a sua presença e tirava os benefícios daí resultantes.
Vejam lá se a França, a Alemanha e até a Inglaterra apoiaram algum vez, ao longo da História essa união e não arranjaram consecutivamente enredos para que o entendimento ibérico nunca se efectuasse!