domingo, 13 de junho de 2010

EUROPA - ESPERANÇA?


É VERDADE que alguns de nós nos queixamos do mau caminho que os governantes (e não só) que temos por cá têm obrigado Portugal a seguir um mau caminho, sendo que as razões de queixa aumentam consecutivamente, fruto de uma enorme falta de imaginação, de competência e, (por que não?), de sentido de responsabilidade de que não se podem os mesmos eximir. Mas, afinal, aquilo que tem ocorrido ultimamente por essa Europa Comunitária, em que gente que não tem nada que ver com as características lusitanas, tem conduzido o conjunto de países que aderiram ao Grupo para um perigoso fosso, que está mais próximo do fim dos intentos da sua criação do que no fortalecimento das amarras que nos ligam e que sempre tiveram o objectivo de se fortalecerem, tal liderança assumida por uns tantos só têm dado provas de uma enorme mediocridade – para usar a expressão escolhida ainda recentemente por Mário Soares -, não pode ser considerada como exemplar e essa situação, não nos alegrando, pelo menos sempre desculpa alguma coisa aquilo que fazemos com deficiência no interior das nossas fronteiras.
A comemoração dos 25 anos da adesão do nosso País e de Espanha à então Comunidade Económica Europeia deu motivo a Durão Barroso (de que se compreenda a sua posição de defesa do seu lugar) para tentar criar uma auréola de desculpa de tais erros, baseando esse facto na “diferença de lideranças” em que, atacando os a que chamou de “pessimistas intelectuais”, acentuou que a “Europa está mais avançada, mas não se pode dizer que está melhor ou pior”.
E é por aqui que não será de estranhar que existam tantas diferenças de visões quanto ao futuro deste importante agrupamento que, isso sim, tem dado mostras claras da dificuldade em criar um “novo modelo europeu”, em que, para além do fundo monetário que já se possui, falta um governo económico e, acima disso, um governo político, como disse, na mesma altura da comemoração nos Jerónimos, o antigo primeiro-ministro espanhol Filipe Gonzalez. Por seu lado, como era de esperar, José Sócrates mostrou “estar muito confiante na integração política”, acrescentando, no seu estilo, que “tenho a certeza que a Europa interpretará a crise como uma necessidade imperiosa de avançar”.
Aproveitando a ocasião, quatro banqueiros portugueses vão reunir-se, na próxima semana, em Bruxelas, com o Comissário Europeu dos Serviços Financeiros, para darem a conhecer as dificuldades que as entidades bancárias nacionais atravessam nesta altura, prevendo-se que 2012 venha a ser um ano muito problemático, com o aumento da recessão e, portanto, também do desemprego, mas, não se pode esperar que essa deslocação tenha em vista uma melhoria das condições de vida no nosso País, mas, acima de tudo, ser conseguido um aumento da ponderação de risco dado às hipotecas nos empréstimos às habitações (agora de 35% e que se prevê passar a 50%). Justifica-se que duvidemos que a apetência que venha de novo a ser criada nos casais para se meterem em dívidas com a compra de andares, essa repetição de um erro que conduziu ao elevado número de famílias penduradas com hipotecas do que não conseguem liquidar, servirá para aliviar o bem estar dos portugueses.
Será, no entanto, caso para um moderado optimismo o facto da chanceler alemã Ângela Merkel ser favorável à criação de um Fundo Monetário Europeu, tão necessário para, em vez do FMI, acudir às necessidades dos países do nosso Continente, integrados na Comunidade, sugestão esta que, ao contrário do que seria de esperar, não tem sido uma ideia muito aplaudida pelos responsáveis dos diferentes parceiros. Pelo menos neste caso, não se pode acusar a governante alemã de dar mostras de excessivo egoísmo nacionalista.
Nós, situados nesta ponta, ainda que possamos contar com a solidariedade possível dos nossos vizinhos espanhóis, só nos resta aguardar pelo seguimento que tiver a Europa de que ambos dependemosE ainda há quem seja partidário de sairmos do Grupo e de voltarmos ao antigo Escudo!... Se isso nos sucedesse, então o que poderíamos era apenas chorar sozinhos e voltar aos dez tostõe

sábado, 12 de junho de 2010

FALAR

As conversas são tal qual as cerejas
umas atrás das outras sem parar
servem-se como petiscos em bandejas
não é fácil ouvir sem contestar

Falar, p’ra muita gente é preciso
é como abrir à alma as portas
o ideal porém é ter bom siso
e não se embrenhar em zonas mortas

Trocar ideias e os outros ouvir
ficar calado quando outrem fala
saber escutar com todo o respeito

É princípio sagrado do sentir
é dar a ideia de que se iguala
é andar perto do que é ser perfeito

INSUSTENTÁVEL


POSSO GARANTIR que não fui eu que redigi o discurso de Cavaco Silva, esse que foi lido na cerimónia do 10 de Junho e em que o adjectivo insustentável ficou nos ouvidos dos portugueses. No entanto, tenho de reconhecer que a súmula das palavras proferidas coincide com a generalidade da opinião que tem sido expressa neste meu blogue e em que o desconsolo que não escondo serve de base à maioria das opiniões que apresento.
A coesão nacional que o Presidente em exercício pede aos portugueses, todos eles mas, sobretudo, aos políticos em exercício, relegando para segundo plano as quezílias que só poderão ter lugar em alturas que não sejam de enormes dificuldades de toda as espécies que defrontamos em Portugal neste momento, essa necessidade fulcral que, sem ser devidamente atendida, pode levar-nos, ainda mais depressa, para um afundamento de dimensões imprevisíveis, tem sido objecto de avisos que aqui deixo com frequência, mas que, infelizmente, não são assim tão bem atendidos como é tão essencial.
Se entre os diferentes partidos políticos, é natural que os seus objectivos não coincidam e que, por tal, os modos de proceder politicamente não se aproximem, manda, no entanto, a prudência e a perseveração de uma certa acalmia para não aumentar as dificuldades que se proceda a uma retirada da luta sem quartel que, até noutras circunstâncias, merece o maior respeito democrático e dá mesmo uma certa movimentação curiosa. Também, no campo das organizações sindicais, as greves, marchas populares, manifestações que se justificam noutras alturas, actualmente só contribuem para piorar o panorama e, mais do que isso, não solucionam nenhum problema.
Por outro lado, esforçarem-se os responsáveis pela busca de soluções para Portugal em prestar todas as explicações aos cidadãos, sobretudo em linguagem facilmente entendível por todos – coisa que os membros da governação não dão mostras de saber fazer -, não devendo deixar nada por explicar, pois se se pedem sacrifícios é fundamental que se justifique a razão de tais duras medidas.
Tudo isto ando eu, neste blogue, há já bastante tempo a clamar, se bem que não verifique, por parte de quem tem obrigação de seguir uma linha transparente de governar, em vez de dizer e de desdizer, de baralhar as cabeças dos portugueses com informações falsas da situação que nos rodeia e da que está em vias de aparecer, como é o que tem feito o primeiro-ministro, que esse, também graças às dificuldades em ser substituído – as mesmas que recomendam paciência na perspectiva actual -, se deve conservar no sossego do seu gabinete de S. Bento. A seu tempo se terá de actuar.
Pois, se nunca usei a palavra “insustentável”, em relação ao estado em que Cavaco Silva classificou o estado do nosso País, no cômputo geral não escondo a minha enorme preocupação em assistir à avalanche de problemas graves por que estamos envolvidos.
Mas, já agora, ainda que sejam muitas as situações de que não conseguimos libertar-nos, será o desemprego dos portugueses que tem de afligir mais todos nós deste País. É evidente que se trata de uma cadeia de males que têm o seu início na deficiente produção que conseguimos alcançar. É isso e foi sempre esse factor o que nos colocou numa escala ínfima para podermos, no mínimo, equilibrar a balança de pagamentos, sendo bastante mais o que importamos do que o que vendemos ao estrangeiro. E esse sector nunca mereceu a atenção dos que nos governam, ao ponto de podermos atender às restantes falhas no nosso País que, neste panorama económico, financeiro e social de todo o mundo, nos proporcionam ficarmos classificados como Cavaco Silva encontrou no seu discurso: de “insustentável”!...
Mas se, José Sócrates, surgiu logo a seguir a considerar exagerada tal expressão, pois que arranje então ele, dentro do nosso rico vocabulário, a que entende ser a apropriada. Só para nós ficarmos a saber!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

ESPERANÇA

Todos nos olham, ficam espantados
estamos na montra do mundo real
afinal, todos nós os enganados
fiámo-nos na pureza ideal

Um raio de luz
chegará um dia
qu’alegria
em que a nossa cruz
terá um bom fim
enfim

O Homem verá
que é bom sorrir
e aí partir
para o que será
um mundo melhor
o maior!

E é o Homem o maior culpado
porque é grande a sua ambição
nem os maus exemplos do passado
mostram dever ser outra a sua acção

NOBRE POVO


NÃO ME INCOMODA nada e não pensem que fico com remorsos pelo facto de apontar os defeitos que reconheço nos portugueses, este povo que não é capaz de olhar para si mesmo com total ausência de preconceitos, de modo a que, dessa forma, procure emendar as característica que o têm conduzido a ser, ao longo de toda a sua existência, um agrupamento de habitantes deste rectângulo que, apesar de se encontrar geograficamente muito bem situado na Europa, nunca conseguiu sobressair da pequenez a que foi votado desde que Afonso Henriques decidiu separar-se da mãe e ficou com a responsabilidade de criar uma Nação que, nessa altura, não precisava de se associar a nenhuma outra e tinha até uma missão a cumprir, a de expulsar os mouros para o sul e conseguir especificidades próprias capazes de edificar um futuro feliz.
Depois, ao longo dos tempos, o mundo também mudou completamente. Diz a História que os nossos vizinhos espanhóis criaram em nós um espírito de autodefesa despropositado e de independência a qualquer preço. Os Pirinéus, durante muito tempo, contribuíram para nos separarmos do resto dos países do nosso Continente que se iam desenvolvendo. De costas voltadas para o conjunto europeu, fomos forçados – e em boa hora – a querer descobrir o que se encontrava para lá dos mares que eram o nosso único horizonte. Fizemos boa figura, no isolamento a que nos entregámos, mas não fomos capazes de tirar partido dessas descobertas que serviram apenas para alargarmos o espaço para lá colocarmos alguns compatriotas. A nossa língua, que deveria ser hoje a mais falada em todas as partes do mundo, deixou pingos de passagem, mas foi ultrapassada por uma outra, a inglesa, que, por sinal, pertence a um povo que nunca descobriu terras, antes ocupou os espaços e alguns onde nós tínhamos chegado antes.
Apressadamente damos o salto para o nosso século. Hoje em dia, somos isto: uma Nação que, encolhida, não consegue bastar-se a si mesma. Não sabemos vender, expulsos os judeus pelo rei Manuel I, não adquirimos essa qualidade de produzir bem e mostrar aos outros o que sabemos fazer, para colocar lá fora o fruto do nosso trabalho. Estamos dependentes do que os do estrangeiro nos enviam. O desequilíbrio financeiro é o que nos limita completamente. Gastamos mais do que aquilo que ganhamos. Vivemos na ilusão de que “isto há-de mudar”. Mas não fazemos nada ou não acertamos para que tal objectivo seja alcançado. E assim nos fomos e vamos arrastando pela vida fora.
Na devida altura, criado que foi o espírito da europeização, a Comunidade Europeia, o euro, a vontade de se fixar neste espaço uma união de Estados, Portugal aderiu rapidamente a esse propósito e, embora não tenha sido por nossa culpa, a ideia de tão grande significado e alcance não tem prosseguido com a rapidez e com a clareza que se impunha, pois essa porta para se proceder a uma melhoria fulcral no procedimento de actuar dos povos europeus, essa encontra-se ainda bastante longe do objectivo sonhado, e muito embora exista a preocupação de se manterem as tradições de cada grupo nacional não se caminha convenientemente nessa direcção. Tudo isso não tem constituído um auxílio tão necessário para que, por cá, recebêssemos um incentivo para modificar, no bom sentido, o nosso comportamento.
Pois bem, este retrato chega para mostrar que eu, como português, pertenço ao grupo de cidadãos que não desiste da responsabilidade de tudo fazer para que, conscientes do que somos, arregaçarmos as mangas e deixar para trás o que constituiu a parte má da formação lusitana. E, embora seja autor desta opinião pouco animadora, se, ao cabo de tantos anos de vida como português, não consigo ter outro ponto de vista, por isso coloco-me na posição de ser cúmplice de todo um povo que, por muito que reclame, por mais manifestações de rua que faça, não sai da conhecida “cepa torta”. E mantemos o espírito cobarde de esperar que quem vier a seguir resolva os problemas.
É por isso que, num blogue atrás, afirmei que todos nós somos uns sócrates que descarregamos a nossa ira do fulano que ocupa o lugar de chefe de um Governo que, também esse, como outros antes, como sucedeu no tempo do velho Salazar – que cultivou, em seu proveito político, a incultura nacional -, se comporta como qualquer outro português que tivesse ocupado ou venha a ocupar o mesmo lugar.
Tenho dito e não me canso de repetir: se, em vez dos tais Magalhães, uma fantasia que é completamente enganosa no sentido prático, tivesse sido introduzida às crianças, na classe primária, a aprendizagem da prática democrática, de forma a que, dentro de três a quatro gerações, os portugueses pudessem mudar de comportamento, talvez alguma coisa já se tivesse notado que mudou por cá. Este nosso comportamento de não termos a capacidade de saber ouvir, de não deixar os outros exporem as suas opiniões, de interrompermos quando os parceiros falam, clamando mais alto, de nos julgarmos sempre dentro da razão, de só reclamarmos pelos nossos direitos e desprezarmos as obrigações, enfim e em resumo, sendo um povo maravilhoso, que sabe muito bem receber, que vive num País de uma beleza incomparável, que dispõe de uma temperatura agradável, que tem valor para poder ser um excelente trabalhador, se as condições forem as adequadas para atingir esse objectivo (vide os nossos emigrantes), e não nos forem facilitadas maneiras de gozar do prazer do descanso – os inúmero feriados de que dispomos são grandes culpados da falta de vontade de produzir -, se tudo isso que somos servisse para termos a humildade suficiente para fazer um acto de contrição sem complexos de nenhuma espécie, então, mesmo agora ou sobretudo nesta situação complicadíssima em que nos encontramos, seríamos capazes de dar a volta por cima e prosseguir na caminhada de uma felicidade relativa, que é aquilo com que nunca contámos, desde o início das Nacionalidade.
Já sei. Vão-me cair em cima centenas de comentários destroçadores. Não existe a coragem de dizer com clareza aquilo que, mesmo escondendo, levamos dentro de nós. E é por essa razão que não mudamos. Para melhor. A História que nos dá grande satisfação na parte dos feitos heróicos, basta-nos e tapa todo o resto. Podemos considerar chatos aqueles europeus ou até de regiões longínquas que saem de casa às 5 da manhã, que trabalham todo o dia, que não se distraem quando estão a exercer as suas profissões e que, ao fim da cada jornada, avaliam o valor do que fizeram, mas esses “maçadores” são os que contribuem para que os seus países progridam. Não é por fazerem greves ou engrossarem manifestações de qualquer espécie que melhoram s seus níveis de vida.
Nobre povo, como clama o nosso hino, teremos que ser. Valha-nos isso. E não pode ser somente o entusiasmo pelo futebol que nos pode levar a uma vaga união que, passada que é a euforia, nos coloca de novo na situação em que nos enontramos.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

NÓS OS POETAS...

Dizem que nós os poetas
só compomos tristes temas
meto na consciência a mão
e dou a razão a todos
tendo vidas inquietas
como fazer uns poemas
seguindo outro padrão
e escolhendo outros modos?

De facto a poesia
encaixa mais na tristeza
é a chorar que ela sai
até com lágrima seca
não se trata de mania
ninguém tem essa certeza
nem para onde ela vai
caminhando seca e Meca

O poeta aperta a alma
obriga-a a deitar para fora
o que sempre a atormenta
que lhe corrói o semblante
escrevendo sempre acalma
mandando de todo embora
toda a parte mais cinzenta
podendo até ser brilhante

Outra coisa é fazer rir
e seu mérito terá
nem todos serão capazes
e tristes alguns serão
mas lá podem conseguir
dar alegria quiçá
a raparigas, rapazes
e até ao mais tristão

Mas aos poetas não cabe
cumprir tamanha missão
outro destino é o deles
outra vontade é a sua
esse caminho não sabe

SE CAMÕES CÁ VOLTASSE!...


EM MAIS UM 10 de Junho, temos de recordar festivamente, o nosso grande Luís de Camões. Isso, se bem que a maioria dos portugueses – digo-o sem receio de me equivocar - não tenha ideia do motivo por que se goza um feriado neste dia. Ou associam-no apenas a um vago Dia de Portugal e das Comunidades. É que, actualmente, no ensino escolar, não sucede como no tempo dos mais velhos, em que, logo nas escolas primárias (agora estupidamente com outro nome), aprendíamos até a dividir as orações dos Lusíadas! E, mesmo com alguma fantasia, se contava o célebre naufrágio em que o ilustre poeta tinha salvo a sua obra histórica nadando só com um braço. Era, no mínimo, uma maneira de honrarmos a existência de um valoroso português que, desde as batalhas no Norte de África, tinha chegado a Macau, onde se podia visitar – como me sucedeu a mim – a que lhe era atribuída como sendo a Gruta de Camões (será que ainda se vai conser durante muito tempo?).
Não é admissível que nos conformemos com o facto dos responsáveis pela condução do ensino dos estudantes portugueses da actualidade, pois, por múltiplas razões que não cabem agora ser enumeradas, até porque a consciência dessa gente não dá mostras de se sentir atingida pelas realidades do péssimo ensino que se pratica no nosso País, em todas as suas escalas – até os universitários acabados de sair com os canudos, são apontados como vagamente conhecedores, sobretudo da língua portuguesa -, pois repito que não podemos aceitar passivamente tal postura, mas, antes pelo contrário, é forçoso que denunciemos o mau caminho que a nossa bela língua está a levar, sobretudo com os que nem se podem considerar neologismos, mas antes asneiras puras que têm de revoltar os que, ainda resistentes, procuram manter a perfeição daquilo que nos foi deixado, numa boa parte pelo nosso grande poeta dos Lusíadas.
Por muito que uma língua não possa ser estática, pois a mudança de vida, a criação de novas tecnologias e a natural apetência para ir introduzindo formas novas de nos expressarmos leva a que se verifiquem diferenças que, com o andar dos anos, se vão enraizando. Porém, nada disso justifica que entremos num beco de vocabulário reduzido, de ausência de imaginação, mas, pelo contrário, alarguemos o panorama da maneira de falar, desde que não destruamos o que está na base, na origem latina, grega e até árabe, do nosso vasto vocabulário. Por exemplo, essa palavra que, por tudo e por nada (sobretudo mais por nada), surge agora na boca dos palradores, como é a do “espectáculo”, que, ainda por cima, é reforçada pela outra que dá ainda mais ênfase à expressão, a “espectacular!”, faz-nos levantar a interrogação de se Portugal é assim tão espampanante, que tudo que ocorre à nossa volta sai da área do comum, que não nos limitamos a ser normais, correntes, e que as nossas palavras e acções deixam boquiabertos os que nos observam e nos ouvem.
E, ainda por cima, é a própria televisão que divulga muitos dos erros que se alastram na fala dos lusitanos que, facilmente influenciáveis, passam a introduzir nas suas conversas o que nunca deveria ter saído da imaginação dos destruidores do português.
Tem de penalizar verificar-se que a língua que utilizamos, por muito que não deixe de ser uma língua completamente viva, se veja invadida, tão despudoradamente, pelas asneiras dos que, com visível irresponsabilidade, espalham um linguarejar que só serve para destruir a beleza do que constitui, mesmo inconscientemente, a nossa personalidade. E, como não é apenas esta expressão que se encontra nitidamente fora da lógica da nossa língua, pois os “portantos”, os horrorosos “digamos”, os “pois” e outras aberrações que, com o tempo vão desaparecendo, o que nos espera é que até os “bués” – que já fazem parte oficialmente do nosso idioma -, sejam acrescentados por outros dizeres que sobram e atormentam os dicionários que, pelo menos, esses vão mantendo, enquanto podem, a perfeição.
Há que lutar contra o mau português. Que, pelo menos, esse dom não seja perdido, como tantos outros valores que, com as desculpas das integrações, se vão desvanecendo e correm o perigo de desaparecer. Uma Europa unida, sem dúvida. Uma Península Ibérica fortalecida para se defender melhor das concorrências de outras forças mais fortes, tudo isso também será bom. Mas que os usos e costumes, e, acima de tudo, a nossa língua, não seja estragada, muito menos destruída, isso é que tem de constituir uma luta que os portugueses não podem perder.
Este Dia de Camões…., que o Presidente da República comemora no Algarve, com relevância para outros acontecimentos que bem poderiam ser guardados para diferente data, merece bem que seja resguardado com a divulgação que uma figura de tão grande importância no mapa restrito das personalidades históricas lusitanas que não podem passar despercebida, deveria ser incluído no discurso de Cavaco Silva com a preponderância adequada. Até como exemplo de um salvador da sua obra, especialmente neste período em que Portugal também necessita de salvação do naufrágio em que está envolvido…

quarta-feira, 9 de junho de 2010

VERDADE

O que é isso da verdade
é a tua igual à minha
depende ela da idade
nunca se encontra sozinha?

Ela própria não se ajusta
com a que nós defendemos
a que é certa e que é justa
não é bem a que queremos

Porque a minha bem me calha
a tua não me dá jeito
a terceira é que não falha

A que merece respeito
a que por vezes baralha
a verdade sem defeito

TER RAZÃO ANTES DE TEMPO


EU ESTOU FARTO de avisar que, até hoje e com raras excepções, tenho tido o infortúnio de, ao longo da minha vida, ter dado mostras de ter razão antes de tempo. E digo infortúnio porque, com raras excepções, aquilo que prevejo refere-se a situações desagradáveis, dado que essa característica de uma espécie de adivinhação não me beneficia nos casos dos jogos, da lotaria ou do totoloto por exemplo.
Mas, o pessimismo que vem associado às previsões dos acontecimentos que se encontram à espreita tem algo a ver com o estudo das situações que se atravessam e, conhecendo minimamente o nosso País e o nosso Povo, chego a conclusões que são susceptíveis de quem, e não apenas eu, se interessa por andar minimamente prevenido para não ser apanhado de surpresa pelo que poderá surgir no tempo seguinte.
Mas vamos a factos. Com a devida antecedência lancei o alerta de que a crise que já se movimentava noutras partes do mundo iria cá chegar e que, nessa altura, um País de características pobres como o nosso não teria condições para sair ileso da avalanche. Era necessário e urgente tomar precauções e avisar os nossos cidadãos que era forçoso que a produção aumentasse e que o espírito de economia devia ser implantado, especialmente porque se vivia um período em que, mesmo sem razões para tal, os portugueses andavam a actuar perdulariamente, seguindo, isso é verdade, o exemplo que era praticado pelos nossos governantes ao anunciar gastos exagerados e completamente descabidos para as nossas posses, pelo que as dívidas se foram acumulando por todos, o que aliás os próprios bancos entusiasmavam para arrecadar lucros fabulosos, e não sendo excepção o que o Estado, pedindo fora os milhares de milhões de euros que os nossos vindouros encontrarão por pagar quando chegar a sua altura de tomar conta daquilo que é o País deles.
Pois eu avisei repetidamente que o perigo era muito grande e que o risco de se ter de sofrer as consequências de um desperdício que não se justificava, tendo mesmo chegado a prever que os impostos não chegariam para enfrentar uma situação incontornável e que ninguém poderia garantir que os meses extras do Natal e das férias não viessem a ser diminuídos e até suprimidos, na altura em que se encontrasse o cofre do Estado vazio nesse sector. Ainda não chegámos aí, mas seria bom que fôssemos pondo as barbas de molho, pois que o ano 2011 é o que vem a seguir e, até se ocorrer a queda do actual Executivo e outro, de mãos livres, tomar contacto com a realidade, ninguém pode garantir que não se veja obrigado a actuar duramente, tanto mais que aponta para o seu antecessor a culpa do que for obrigado a impor. É o costume!
Nesta altura, a dívida pública ronda os 90% do PIB. Há que pagar salários a 700 mil funcionários públicos. O número de desempregados, nesta altura à volta também do memo número, 700 mil, não dá sinais de se reduzir, antes pelo contrário. A diminuição das despesas a cargo do Estado não consegue ser reduzida, especialmente por inaptidão por parte dos governantes. Talvez pela mesma razão ou será por conveniência em não ferir benesses dos amigos, sejam eles membros do PS ou façam parte de interesses financeiros que não convêm ser mexidos, a verdade é que não se tomam medidas sérias e profundas para terminar com as poucas-vergonhas, que já nem se escondem, de permitir que uns tantos cavalheiros aufiram proventos escandalosos em ocupações em que o Estado intervém. Pois tudo isso e muito mais que não cabe neste espaço referir será o que vai contribuir para que, prevejo que no próximo ano ou, no máximo, em 2012, as medidas restritivas que têm de ser implantadas, comparadas com as que sofremos neste momento, estas agora são autênticos pasteis de nata…
E, por muito que as CGTP, os sindicatos, as UGT, os movimentos que sairão para a rua, as greves que se promoverem, todas as reclamações que se fizerem não chegarão para que as leis laborais não sejam modificadas, ao ponto de se passar a aceitar que patrões e laboradores não estejam sujeitos a manter os empregos, passando a ser inteiramente livre o entrar e sair das actividades profissionais sem aviso prévio. E a razão que os desempregados aceitarão será o da perspectiva de diminuir significativamente o enorme número de gente sem trabalho.
É mais do que garantido que se levantarão muitas vozes contra esta previsão. E bem gostaria eu de não ter razão. Só que, provavelmente, estas e outras medidas bem desagradáveis também serão tomadas por essa Europa fora.
Eu aviso!...

terça-feira, 8 de junho de 2010

ANDORINHAS

Em hora da mais profunda tristeza
Dessa que não se sabe bem porquê
Deixa a nossa alma indefesa
E fica da angústia à mercê

Nessa altura em que o apoio nos falta
Muita coisa nos pode ajudar
E entre elas uma que sobressalta
É a Primavera, ei-la a chegar

Plena de perfumes vindos das flores
Surgem ao de cima grandes amores
Na nossa alma soam campainhas

E para compor tão bela pintura
Entram e cabem na mesma moldura
Os voos rasantes das andorinhas

TURISMO


EVIDENTE que o facto dos portugueses, como sucedia nos tempos das “vacas gordas”, se deslocarem com a maior facilidade ao estrangeiro para fazer as suas férias, essa preferência representa o mesmo que importarmos produtos de origem extra nacional, logo uma saída de divisas e uma acção negativa na nossa balança de pagamentos. Este é um dado que se aprende nos cursos de economia e não se trata de nenhuma novidade de última hora. Logo, a afirmação de Cavaco Silva, lançada como simples economista, não tem de provocar admiração nem comentários. A questão, porém, é outra. Vejamo-la então:
Um membro do nosso Governo que, de forma pública, tente convencer os portugueses a não saírem portas fora do País escolhendo um turismo em qualquer sítio externo, isso em lugar de se deixarem ficar por cá, essa tomada de posição é, efectivamente prejudicial, pois que, se for levada a sério pelos potenciais turistas que tencionem visitar-nos, uma réplica pode perfeitamente surgir e retirar-lhes a ideia que teriam de se deslocar até Portugal para passar um período de descanso E, se o conselho, tido como patriótico, for da autoria do Presiente da Republica, efeitos ainda mais prejudiciais podem ser sentidos na linha de entradas turísticas de gente estrangeira.
E, sobretudo quando a tal recomendação de Cavaco Silva, numa atitude semelhante ao estilo de Sócrates, for companhada da expressão “eu sei o que digo”, então ainda maior tem de ser o mal estar sentido pelos portugueses atentos a estas coisas de não haver muita consciência naquilo que os responsáveis políticos resolvem deitar boca fora.
Talvez haja quem procure esquecer o dito, na época em que foi primeiro-ministro, de que “nunca tinha dúvidas" e também "nunca se enganava”, mas, mesmo assim, este ar pomposo de grande sabedor, principalmente numa época de tamanha dificuldade em encontrar um caminho certo, não ajuda muito para sentirmos uma grande afinidade com o próximo candidato à sua reeleição como Presidente.
Lá que o que o ocupante de Belém tivesse apelado para que a propaganda do nosso turismo no estrangeiro fosse efectuada com o maior sentido de profissionalismo possível e com a mais alta competência, dado que o agora chamado AICEP custa muito dinheiro ao Estado, procurando que a entrada de turistas no nosso País seja cada vez mais elevada, isso até se entendia, sobretudo porque se trata de um sector que necessita de extraordinário impulso e todas as atenções por parte do Ministério das Economia serão poucas para controlar a eficiência e estimular os seus responsáveis a empregarem-se a fundo. Já me tenho referido a este tema e, recorrendo à frase de Cavaco Silva, acrescento: aí sei do que falo.
Mas não. Andam todos distraídos neste Executivo (e até nos anteriores, pois que este sério assunto tem passado sempre ao lado das preocupações governamentais) e aquilo que eu tenho recomendado neste meu blogue – e em inúmeros escritos que ocupam a minha inquietaação no que se refere ao turismo, que é um sector que sempre esteve na minha óptica jornalística - , não vejo nunca, infelizmente, fazer parte dos temas do nosso País.
Mas, como eu darei a conhecer um dia destes no meu blogue, é cada vez maior o cansaço que sinto por me preocupar com o que, aos “chefes” nem lhes passa pela cabeça!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O MUNDO

Contemplo este mundo e com desgosto
Perco vontade de dele fazer parte
Vendo o que faz basta gente sem rosto
Que teima em tornar da desgraça arte

O que podia ser um mar de rosas
Se os homens não fossem o que são
Daria para cantar tantas glosas
E para consolar vasta paixão

Mas não, esta bola que Deus criou
Foi erro de cálculo, não previa
Que quem pôs aqui dentro saísse assim

E todo aquele que por cá andou
E que fez toda essa travessia
Tem de saber qual será o seu fim

OS PERIGO DESTE MUNDO


ENTÃO NÃO E VERDADE que este mundo em que nos encontramos, na fase actual, está a ser avassalado por acontecimentos que tiram toda a tranquilidade de espírito de que o ser humano tanto precisa para procurar formas de melhorar a vivência do total de seis mil e tantos milhares de milhões de habitantes?
O gravíssimo problema criado com a invasão do petróleo em bruto, saído de uma cratera aberta no fundo do golfo do México, em que se estão a espalhar pelo mar, em cada hora que passa, milhões de litros daquele precioso produto, estragando um ambiente que já nem nos oceanos é protegido, essa obra desastrosa do ser humano que, como sempre, é ele que provoca a ruína, cada vez mais grave, da Terra que será, segundo parece, o único local onde os homens encontram o seu ponto de acolhimento, vem juntar-se a outros acontecimentos que, desde que os progressos das chamadas ciências têm surgido, contribuem para a diminuição de boas capacidades naturais da Esfera que nos foi concedida… segundo as diferentes religiões que encontram resposta para a eterna pergunta.
Mas, parece que em combinação de diversos factores, o Homem está a dar de caras, nesta altura, com muitos acontecimentos que contribuem para que as notícias diárias sejam cada vez mais assustadoras. Sendo já historicamente de muito longínqua data a não amizade entre muçulmanos e outras fés religiosas, que tem vindo a ser transferida também para o sector político, o radicalismo levou a que fossem criadas o que, neste lado do mundo, se consideram tratar-se de acções terroristas, as quais constituem já uma actuação que ultrapassa a simples existência de grupos que provocam acidentes ocasionais. Há que ter a consciência de que são poderosos e até o próprio petróleo lhes fornece meios materiais importantes, não havendo nenhuma certeza de que o poder atómico não influencia tanto, quer os que atacam como os que se encontram na defesa.
A aversão já com raízes entre israelitas e praticantes da religião muçulmana, mesmo que se tratem também de problemas de ocupação de territórios que as duas partes reivindicam, o sucedido agora com a Facha de Gaza, que veio prejudicar alguma simpatia de que os judeus beneficiavam por grande parte do Globo, esse enfrentamento não ajuda a possibilidade de um entendimento que, mesmo difícil, se ia mantendo em banho Maria. É conhecido que mantenho uma grande simpatia pelo povo judeu, sobretudo uma enorme admiração pela sua capacidade de, por via de uma fé ou nem por isso, evidenciar uma extraordinária cultura, um inegável sentido de entreajuda, e grande poder de união entre si. Mas, nesta situação de Gaza, ainda que saiba que a coberto de ajudas contra a fome, por detrás existe um aproveitamento de fornecimento de armas, mesmo assim não posso deixar de considerar desastrado o meio utilizado para controlar tais apoios. E os israelitas nem necessitam de indicações sobre a forma de actuar.
Mas, para além desse facto desastroso, a ameaça de confronto entre as duas Coreias, que eu conheço por já ter estado em pleno paralelo 38, tendo podido assistir ao ódio que sai das caras dos militares que, separados apenas por uma barraca de madeira – sítio onde me sentei a olhar para os dois lados das janelas -, se movimentam para marcar uma presença endurecida, serão sobretudo os do Norte que não hesitarão em carregar no botão da arma atómica que possuem, logo que uma das duas partes dê o primeiro passo, pelo que esses inimigos, com a mesma língua e o mesmo aspecto físico, estão na primeira fila de um confronto mortífero naquela área asiática mas com alargamento que, provavelmente, não se ficará só em redor.
Sobre a Europa, nem vale a pena acrescentar mais ao que já é tristemente conhecido, e o que se assiste é a uma falta de capacidade, por parte dos habitantes deste Continente, para que não se desuna e fortifique uma comunidade que tem de defender os interesses comuns, o económico, o financeiro e o social, e que constitua o contributo para resolver os desentendimentos que o ser humano provoca por todos os sítios onde se instala e de que o nosso conjunto europeu não escapa.
Nós, aqui em Portugal, estaremos sentados a aguardar pelos acontecimentos. Mais do que isso também não podemos, nem sabemos fazer. Também bastam-nos já os nossos próprios problemas, que esses, igualmente, nem sequer damos mostras de os conseguir solucionar.

domingo, 6 de junho de 2010

DEIXAR ALGUMA COISA

Há quem não se preocupe com isso
que o depois não seja um problema
se a vida já é algo tão maciço
para que serve aumentar o tema
o depois pertence ao infinito
a esse campo do desconhecido
porquê então andar por cá aflito
se o que a vida dá é bem sabido
e chega p’ra ocupar atenção
façamos bem o que há que fazer
e deixemos a preocupação
de pensar no que vem após morrer
lá está a cova e um caixão
e se acabou é só esquecer
também há quem prefira a cremação
pois por cá há bastante que fazer
e não dar que fazer é o melhor
aos outros depois de dar a partida
seja qual o caminho seja qual for
não há volta é apenas a ida
o melhor p’ra eles é esquecer
a vida vai seguindo cá no mundo
por grande que seja o desprazer
porque afinal no fundo, bem no fundo
ninguém se lembra nem na nossa rua
pois o tempo é o melhor remédio
cada um cá na vida continua
para matar saudades e desgostos
porque também propriamente o tédio
é coisa que muito foge dos rostos
Vale a pena deixar alguma cousa
que depois já não estando por cá eu
não se sabendo onde a alma repousa
se no tal Inferno ou se no Céu?
Isso para todos que têm fé
que acreditam que um depois existe
conhecendo-me a mim José
por certo mostram um semblante triste

Porque todos os outros, a maioria
raramente o que fui recordam
estavam bem longe do que eu sentia
por isso também depois não discordam
essa a razão por que quero deixar
alguma coisa que dê a ideia
do que procurei ser e sem mostrar
o que ocupou uma vida cheia

Antes papeis jaziam nas gavetas
cheios de bolor, grande confusão
era no tempo do uso das canetas
quando ainda não havia a paixão
por internet e computadores
porque hoje fica tudo no disco
que conserva bem todos os labores
durante anos sem menor belisco
aí fica o que hoje produzo
à espera de mais tarde ser visto
a menos que surja algum intruso
que não seguindo as regras de Cristo
entenda destruir só por maldade
ou até nova ciência humana
a tecnologia d’hoje altere
reapareça outra traquitana
que nem disco gravado recupere

Mas não, há que manter a esperança
de que algo de meu sempre resista
e de que certa bem-aventurança
permita que seja feita justiça
e que daqui a anos, muitos mesmo
o meu nome passe a ser falado
que não como um qualquer aventesmo
jornalista, escritor, poeta honrado

A esperança é grande desidério
e o seu fim é só no cemitério

RESULTADO?


A ENTREVISTA de Manuel Alegre (um homem que eu conheço perfeitamente e que até acompanhei, pela correspondência que mantive com o seu companheiro de exílio político em Argel, com o meu grande amigo Fernando Piteira Santos, pois nos escrevíamos através de um intermediário em Paris, ao longo dos vários anos que decorreu aquele afastamento do País e que foi mesmo a causa da excelente poesia que produziu, sobretudo aquela do “Vento do meu País”), pois essa entrevista veio-me recordar o contacto pessoal que mantive mais tarde, na época em que, no meu Jornal “o País”, o político socialista detinha uma coluna onde debitava as suas opiniões sobre os acontecimentos pós 25 de Abril, pelo que tais circunstâncias me permitem emitir uma opinião quanto ao homem que se propõe candidatar-se, de novo, ao lugar supremo da Nação quando ocorrerem as eleições, esperando-se que, entretanto, o actual Presidente dê a conhecer se se recandidata, atitude que deveria já ter tornada conhecida.
Nesta altura só pretendo esclarecer que considero este passo político que o deputado do PS vai repetir, como sucedeu nas últimas eleições para o mesmo lugar em Belém, de enorme significado e, por isso, de grande importância, posto que a sua posição de independente, embora apoiado pelos socialistas e pelo Bloco de Esquerda, mostrará ao País qual é a inclinação política maioritária dos cidadãos do nosso País, ou seja, se se situa mais do lado conservador ou se opta pela área esquerdista. Isso, de acordo com a vitória que for alcançada, ou por Cavaco Silva ou por Manuel Alegre. Ficarmos por esse motivo a conhecer qual a preferência dos portugueses, depois de um largo período socialista.
Não deixa de ser muito interessante assistir-se ao que o próximo futuro nos reservará. Se Manuel Alegre conseguirá abrir alguma porta de saída que, como é absolutamente necessário, e crie esperanças de que encontraremos, com essas eleições, uma volta rigorosamente necessária à situação em que nos encontramos agora ou se pouco se alterará quanto ao que presenciamos nesta altura.
E não vale a pena mantermos a repetição do que se proclama de que o Presidente da República não tem influência numa governação. Todos sabemos que não é exactamente assim. É que, dentro das condicionantes impostas pela Constituição, sempre existem algumas formas de interferência que Belém pode utilizar para não deixar que as asneiras políticas se sucedam sem se lhes pôr cobro a tempo.
Com isto não quero dizer que a eventual eleição de Manuel Alegre represente um completo descanso no que se refere à fiscalização do Executivo que esteja a exercer as suas funções. Só ocorrerá uma mudança, caso haja substituição de Presidente. Se será eventualmente para melhor, só depois é que se ficará a saber. Eu, que tenho acompanhado a vida política de Manuel Alegre, que o conheço como digo acima, que, se escrevesse a minha obra biográfica teria um acontecimento bizarro a contar em relação à sua personalidade, com tudo isso não me atrevo a futurizar. Neste País temos de andar sempre de pé atrás!...


sábado, 5 de junho de 2010

VALE A PENA?

Tudo o que se faz nesta vida
os esforços, empurrões
os desgostos na corrida
até as desilusões
na estrada que sendo curta
leva tempo a passar
é coisa que se furta
a encontrar

Repetir
voltar a ter
bem gostaria de ouvir
pergunto a quem entender
qual será o porvir
e se já cá estiveram
uma vez
o que foi que fizeram
com alguma lucidez

Ninguém recorda
é verdade
e se tal tema aborda
só com dificuldade
lá convence os parceiros
de que por cá já passou
que algumas carreiras
também calcorreou

Se é certo
que o repetir
mesmo não tendo sido perto
há-de vir
em consciência plena
para perguntar
afinal valeu a pena
a esta vida voltar?


DESENCANTO



BEM GOSTARIA eu de estar equivocado. De ter andado a ver mal o problema que nos atinge a todos em Portugal e de utilizar este meu blogue a admitir que não ajuda em nada quem o lê. Sobretudo de não ter grande confiança na força e no espírito empreendedor dos portugueses. Bem gostaria de ser tudo ao contrário. Mas, quanto mais observo, quanto mais vou conhecendo da vida e mais tempo acumulo de experiência dos contactos que tive e que tenho, mais desconsolado fico e menos esperanças consigo ir mantendo em relação ao futuro deste nosso País. Digo-o claramente e não reservo apenas para o meu interior a amargura que me vai na alma. Mantenho esta atitude há uma larga temporada. E como o livro que tenho pronto para ser publicado, à espera de um editor que seja capaz de o lançar com a importância que ele merece (o título é DESENCANTO POR ENQUANTO!...), expressa claramente o mesmo que Fernando Pessoa, no seu tempo e com as devidas distâncias, deixou na sua excepcional obra, no “Livro do Desassossego”, tenho a convicção de que se trata de um original de importância para ser digerido pelos meus compatriotas. E se não os ajudar a enfrentar a situação, pelo menos algum consolo lhes provocará.
É que, com o caminho que as coisas têm levado, não só de agora – apesar do “mundo ter mudado em três semanas”, somo afirmou José Sócrates, para se defender por ter tomado, só agora, medidas para enfrentar a crise -, e tendo como principal culpado o primeiro-ministro que aguentamos há alguns anos, devido a não ter sido capaz de largar o seu convencimento de ser o melhor e de nunca se enganar e de, com a maior humildade, não ter actuado em defesa dos efeitos da crise que se aproximava desde há cerca de dois anos, tomando medidas que, na altura, teriam de ser menos gravosas do que as que agora estão a atormentar a classes mais baixas das famílias portuguesas, com o panorama que enfrentamos as amarguras que teremos de sofrer ninguém já nos livra delas.
Neste momento, já não haverá outra forma de tentar ultrapassar por cima as penitências a que o primeiro-ministro nos está a obrigar. Perdemos tempo com distracções de novos ricos ilusórios, a contemplar as enormes obras pomposas que o Executivo anunciava com insistência. Gastámos onde não devíamos. Está mais do que dito. E a população, embalada por essa fantasia, também se entregou, sem dinheiro, a fazer gastos que, à custa dos empréstimos bancários, davam a impressão de se viver uma vida de facilidades e em que a Revolução, trinta e seis anos atrás, tinha trazido consigo um saco de milagres de que todos por cá iríamos beneficiar. Ser produtivos, cumpridores das nossas obrigações de cidadãos, lá isso é que não era preciso…
E o pior foi o que era de prever. Quando se criam dívidas, chega a altura em que há que pagá-las. Mas os credores, enriquecidos que andavam com os juros que iam cobrando enquanto os devedores tinham emprego e conseguiam cumprir, depararam com um susto que, com a crise como desculpa, lhes caiu em casa. Os bancos portugueses, devedores aos seus parceiros estrangeiros, para além daqueles dois que foram abalados pelas consequências da sua fraqueza de tesouraria, também se viram forçados a seguir uma política de selecção dos empréstimos, para além de encarecerem nitidamente os juros aplicados. Tudo, com grande rapidez de pouco mais de um ano, deu uma volta de cento e oitenta graus. Era inevitável.
Agora, como é tradicional, as manifestações constituem a aparente resposta das populações. Os chamados trabalhadores (e digo chamados porque, como tenho afirmado sempre, não são apenas os que labutam por conta de outrem que trabalham), reunidos por organizações sindicais comandada por elementos que vivem dessa actividade, profissionais pagos para esse efeito, lá se deslocam ao longo do País para virem reclamar contra os poderes situados em Lisboa pela existência cada vez mais difícil que lhes é proporcionada. E, claro, pelo crescente e assustador aumento do desemprego que se verifica em Portugal.
A minha pergunta, porém reside nisto: que resultado benéfico se pode obter com estas demonstrações de desagrado público? Será que José Sócrates não se deu ainda conta de que é detestado pelos seus concidadãos? Estará ainda convencido de que tem o apoio da maioria dos portugueses?
É mais do que evidente que o homem, apesar do seu convencimento de ser uma inteligência superior, lá parvo é que não pode ser. Mas que lhe resta fazer? Demitir-se? Correr esse risco de ser depois maltratado quando não contar com a protecção que agora sempre o reserva de males maiores?
Por outro lado, a queda do Governo e o passo seguinte das eleições legislativas, é situação que não vai ocorrer antes de se efectuar a escolha do próximo Presidente da República. E, logo a seguir, o vencedor dessa batalha terá a seu cargo a dissolução da Assembleia da República e, por aí, a queda do Executivo actual. Até lá é escusado pensar-se em mudanças de padrão governativo.
Portugal, entretanto, incapaz de suportar gastos e tendo de manter uma relativa imagem de calmaria política no estrangeiro, tem o seu destino traçado. Temos de aguentar o que temos. E, no caso dos cidadãos nacionais, o que será desejável e fundamental é que nos mentalizemos para aumentar, cada um no seu lugar, a produtividade. Os que têm trabalho, deixar de ter o mau hábito de andarem encostados, agarrados aos telefonemas particulares, a conversas com os colegas e a ir lá fora fumar o seu cigarrito. Não é tarefa fácil incutir este espírito nos portugueses, isso é verdade, mas, se não for assim…

sexta-feira, 4 de junho de 2010

CHULARIAS

Eu não brinco às escondidas
com tudo sério nas vidas
enfrento bem de frente, até o tufão
por maior que seja o seu empurrão
por certo vários cá passaram
e que tristes marcas deixaram
mas ao apurar o saldo, que grande alegria
saber que eu nunca recebi alforria
e sempre recusei alpista
na minha profissão de jornalista
isso grande desconsolo
dos que pretendiam regalar-se com o bolo
das primazias e dos favores
dos louvores
das honrarias
que lhes dão as chularias
de quem sobe à custa dos demais
e que quer sempre mais e mais.
Mas comigo, não!
Nunca fui mamão !

FALCATRUAS


TENHO, HÁ UM CERTO tempo, preparado um texto a despedir-me dos meus leitores deste blogue, pelo menos no que se refere a comentários relacionados com o estado, cada vez mais degradado, do nosso País, pois, mesmo quem tem tantos anos de jornalismo e, sobretudo na época política que findou com o 25 de Abril, e que teve de engolir tantos “sapos vivos”, nesta altura, ao encafuarem-se cada vez mais as esperanças de que conseguiremos, nós, portugueses desta época, desembaraçarmo-nos dos sucessivos erros que se anda a cometer, malgrada a pouca sorte de enfrentarmos outra crise mundial, depois daquela de 1929, os que têm idade para a terem também suportado, é natural que nos comece a faltar a pachorra para escrever sobre as maldições que ocorrem em Portugal e à ineficácia dos políticos que andam por aí, todos sem excepção, pois que, no poder, não sabem resolver os problemas e, nas oposições, só dizem mal e não apontam caminhos que possam indicar algum sentido correcto e que dê orientação aos que ainda possam estar dispostos a pegar no barco em vias de afundar-se.
Todos os dias as notícias que nos chegam são de tal molde demonstrativas de que não existe, no horizonte humano e político que nos rodeia, quem possa tirar proveito daquilo que se pode propor, que o melhor é não continuar com a ideia de que nós somos capazes de indicar saídas para alguns problemas e que os outros é que são todos incompetentes, mandriões, falhos de imaginação. Seja isso ou não seja, a verdade é que, muito embora receba indicações de que os meus leitores já atingem um número da dezena de milhar, na totalidade claro, não me considero suficientemente útil ao ponto de me convencer que Portugal ganha alguma coisa com a existência deste espaço diário.
Mas, enfim. O aviso está lançado. A vontade de mudar de tema é maior do que a convicção que faço bem em prosseguir desta forma. E hoje, que tinha pensado já iniciar a nova era, não me contenho. Atiro-me a uma questão que me deixou perplexo, embora habituado que estou a revoltosos casos semelhantes que, pelos vistos, só terminam quando já não houver País. Ora vejam:
O ex-secretário de Estado da Administração Interna e das Florestas no primeiro Governo de Sócrates, de nome Ascensão Simões, após ter terminado, em Outubro de 2009, as suas funções, recebeu, a título de subsídio de reintegração na vida civil, 27.439 euros. Passou logo a fazer parte do secretariado do PS e pouco depois, apenas seis meses passados, foi nomeado pelo mesmo Executivo socratiano para a administração da Unidade Reguladora dos Serviços Energéticos, a ERSE, onde passou a ganhar 14.128 euros mensais.
Acrescenta ainda a notícia de que aquele subsídio de reintegração foi eliminado em Outubro de 2005, mas, no entanto, por razões de protecção aos “boys”, neste caso – e parece que existem outros – tal determinação não foi aplicada.
Façam favor de dizer os meus leitores se, com as situações que se verificam em Portugal e em que, como é o caso, José Sócrates não termina com as poucas vergonhas que se acumulam todos os dias, não tenho direito às ganas de não voltar a referir o que sucede por aí!…
Não sei em que estado de depressão permanecem os que me lêem. Eu, que escrevo, fico doente. E não é por ser o PS. Porque se se tratasse de outro partido, aconteceria exactamente o mesmo. Então não se deram conta do negócio subterrâneo ocorrido com Abel Pinheiro, esse homenzinho pequenino de sotaque abrasileirado, que, para além de ser administrador de uma empresa completamente falida há anos, Grão-Pará, foi, ao mesmo tempo, em determinado momento, tesoureiro do CDS, tendo interferido no caso da propriedade Portucale, em que foram criminosamente destruídos milhares de sobreiros para permitir tirar partido de um espaço enorme para exploração imobiliária, pelo que o BES, sendo o proprietário da enorme quinta, beneficiou da circunstância do sector governamental, no sector da agricultura e florestas estar, na altura, governamentalmente nas mãos do grupo político do largo do Caldas, devido a isso e a troco de favores financeiros (indicados no processo de alguns milhões de euros) concedidos ao referido Abel (que, finalmente, está agora indiciado pelo Tribunal como arguido), foi conseguida permissão para levar a cabo o que convinha ao grupo bancário. Já se deram conta de um caso, que, nesta altura, passados imensos anos, vai finalmente ser julgado?
Pois é, o tempo é o maior amigo das falcatruas que se praticam por cá. E o que é certo é que, entretanto, alguns malandrões desta praça vão conseguindo sobreviver, embora sejam, muitos deles, autênticas nulidades como empresários e grandes malvados como pessoas. E eu sei do que falo!...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

MEMÓRIA

Tanta falta que ela faz
quando a ela recorremos
e se ela se compraz
não mostra o que queremos

É assim a tal memória
faz-nos sofrer com desgraças
recordar-nos cada história
que nem vê-la com mordaças

Certos nomes, certas caras
que precisamos lembrar
são situações bem claras
que a memória faz passar

Coisas passadas há anos
que os tempos já tinham posto
no fundo dos oceanos
não nos causam o desgosto

Mas ocorrências de há pouco
essas de que ‘inda paira o cheiro
deixam-nos como um bacoco
ardeu tudo num fumeiro

Pois a memória é assim
muitas vezes nos ajuda
compensa a dizer que sim
quando não teima em ser muda

Queixamo-nos muitas vezes
da falta que ela nos faz
então a nós portugueses
muita arrelia nos traz

Memórias da ditadura
é coisa que ninguém quer
é matéria muito dura
não é algo de prazer

Mas recordar coisas belas
bons momentos já passados
é como acender as velas
em honra de seres amados

Temo-nos que conformar
com as lembranças melhores
que já não querem voltar
a fazer seus favores

Memórias más nem pensar
mas são essas as que chegam
só dão para enfadar
e nos aconchegam

Se no botão eu pudesse
escolher o que me apraz
talvez nunca eu fizesse
olhar sempre para trás

Memória que até dá jeito
para lembrar os favores
que me trouxeram proveito
no que conta a desamores
então já não acho graça
mais vale não ter memória
que isso de mulheraça
é tema p’ra outra história

MEMÓRIA




Que coisa preciosa é a capacidade que cada um tem de conservar na memória imagens, ideias, frase, acontecimentos que, quando a ocasião se proporciona, voltam a surgir na nossa imaginação.
É, de facto, agradável reter no subconsciente aqueles momentos que nos deram satisfação. Tenham eles ocorrido recentemente ou sejam recordações mais remotas, até da nossa distante infância.
Eu memorizo, com frequência, a minha situação quando entrei para a primeira classe na escola da D. Beatriz., sentado num banquinho comprado pelos meus pais e colocado logo à frente da aula e em que guardava um respeito e um comportamento respeitoso que eram impostos naquela altura à rapaziada que passava a frequentar as escolas.
E, se bem que a palmatória, tão em uso nessa época, constituísse o pavor maior, mesmo assim a minha memória fixa-se nesse momento. E não é com desconsolo ou com azedume que a minha memória funciona com tal recordação. Pelo contrário, tenho saudades de tal período e da imagem da professora.
Porém, as memórias também pregam partidas. Sem constituir o nosso desejo, algumas vezes nos conduzem a situações que bem desejaríamos que fossem esquecidas. Mas a nossa vontade não é suficiente para arredar da cabeça o que aparece sem pedir licença.
Também mantemos no registo muita aprendizagem que se fixou por necessidade de a repetir nos tempos de estudo, por exemplo enunciar as preposições, tal como na minha época se tinham que repetir de cor os nomes dos rios portugueses e seus afluentes, e ainda hoje, sem ser necessário dar mostras dessa sapiência, nos saem da boca várias dessas memorizações antes impostas. De facto, esse saber não incomoda nada e tudo indica que o que hoje se aprende é menos do que nas quatro classes iniciais dos estudos na infância dos hoje bastante seniores.
Seja como for, a memória é um bem de que o Homem saudável dispõe e quando, por razões de enfermidade, se perde tão agradável recôndito, nessa altura é que se dá conta da falta que faz chamar à cena o que só nós, os proprietários das lembranças, perdemos.
Mas, sejamos também justos. Há ocasiões em que a falha de memória nos é útil. Sendo autêntica, não há outro remédio que não seja declará-lo com honestidade. Mas também serve de desculpa para falhas que outras razões provocam. E, nessa altura, o “ai esqueci-me!” serve mesmo de desculpa para aliviar uma falta que tenha sido cometida.
“Esta cabeça!...” é uma frase que se aceita dos mais velhos. Mas aquela cabeça, ainda que com algumas “brancas” que atrapalhem, ou mesmo com a falta de cabelo continua a ser, enquanto se anda por cá, a servir para ocupar os momentos de silêncio, de repouso, de conversação com nós próprios. E esses, nos animais racionais, são situações que merecem a compreensão de todos.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

VELHICE

Que fazes aqui tu velho
sentado neste jardim
aguardas acaso o fim
farto de te veres ao espelho?

Olha que o tempo passado
bom ou mau, seja qual for
deves guardar com amor
e não apartá-lo ao lado

O que viveste foi vida
ninguém t’a pode tirar
o que se pode guardar
é sempre antes da partida

Há quem fosse mais feliz
que a sorte lhe não faltasse
mas talvez a quem amasse
vivesse noutro país

Conforma-te, pois, meu velho
que chorar não vale a pena
se a vida não foi pequena
deixo-te aqui um conselho

IDOSOS


Estive todo o dia sem internet e só agora é que consegui que a Clix me resolvesse o problema. Coisas deste País em que tudo é uma enorme dificuldade.

CADA VEZ me convenço mais de que a idade das pessoas que têm o habito de reflectir e de tentar encontrar respostas aos problema que se apresentam, essa constância tem alguns efeitos e, com naturalidade, surgem soluções e conceitos que demonstram como é valiosa a experiência de vida.
O artigo que Mário Soares publicou ontem no “Diário de Notícias”, em que torna públi8ca a sua opinião quanto aos efeitos que a crise está a causar nos portugueses das classes sociais mais desfavorecidas, nos jovens mas igualmente nos velhos e especialmente nas pessoas com pensões de miséria, na pobreza envergonhada, que é tão merecedora de consideração, e também nos empresários sem sucesso, esse texto não pode deixar de causar o maior sentido de cordialidade por parte dos que, mesmo nunca tendo sido seguidores das acções políticas do Homem que, tendo sido muita coisa de útil no nosso panorama nacional, agora, nos seus 85 anos de idade, não deixa cair os braços e utiliza os meios que ainda possui para lançar alto a sua voz de protesto ou de aplauso.
E é ele que se insurge contra os poderosos que continuam impunes e se atira contra o despesismo do Estado que continua a gozar da impunidade, acusando os poderes públicos de não interferirem no sentido de se pôr termo a uma política que tem conduzido o País ao estado em que se encontra. Quer dizer, Mário Soares, sem papas na língua, aponta o dedo ao Governo, portanto ao secretário-geral do seu Partido, José Sócrates, e não esconde o desapontamento que sente em relação ao resultado obtido pela sua actuação. Não o diz claramente, mas não deixa dúvidas no que se refere ao que pensa.
De igual modo, a si pertence o desacordo em relação ao apoio dado pelo PS à candidatura e Manuel Alegre à Presidência da República, apresentando como razões a esta sua atitude, as exclusivamente pertencentes à área política, pelo que acusa Sócrates de ter cometido um erro grave.
A preocupação que tenho vindo a demonstrar neste meu blogue no que diz respeito à situação cada vez mais derrapante em que se encontra o nosso País, apontando factos concretos e também não deixando de apontar soluções para alguns casos, este meu estado de espírito não se afasta daquilo que Mário Soares está agora a tornar conhecido, mesmo quando, como ele sabe, até aqui tenho-me desviado algumas vezes de certas preferências que o antigo Presidente da República defende. Ou defendeu. Mas, em Democracia, a não concordância total com um parceiro que tem ideias não condizentes com as nossas, não pode significar que, quando coincidimos, mantenhamos uma posição de adversidade, que só serve para não se encontrar nunca um entendimento, logo uma forma de se progredir num objectivo que, esse sim, pode ser comum.O receio a que Soares se refere de não serem de excluir actos de violência semelhantes aos que ocorreram na Grécia, consequência do desagrado popular face à governação que não corresponde à preferência dos habitantes, essa possibilidade já aqui apontei neste meu trabalho diário. E, tal como outras antecipações a acontecimentos que acabaram por suceder, só desejo que me engane no espectáculo desastroso que poderá surgir à cena e de que seremos todos nós, portugueses, a sofrer as consequências. Para além de tudo, pela má impressão que daríamos ao resto do mundo e à Europa que, melhor ou pior, sempre nos poderá deitar uma mão, em caso de extrema necessidade.

terça-feira, 1 de junho de 2010

ESTAFERMOS

Muito amor diz-se eterno
são juras de namorados
ninguém diz que tais amados
mandam juras p’ro inferno

Um bom livro é bom amigo
por muito mau que ele seja
também provoca inveja
se escrever eu não consigo

Ter a certeza é banal
naqueles que pouco sabem
e na dúvida não cabem
dentro do erro fatal

E são sempre os negativos
que nunca dizem que sim
não concordam com o fim
usam mal os adjectivos

Sou daqueles que acredita
que quanto mais estudamos
mais ignorância alcançamos
descobrindo tal desdita

O tempo, tal corredor
sendo até bom conselheiro
acaba por ser coveiro
de tristeza ou grande amor

E quem não quer fazer nada
mas na crítica bem faz
fecha os olhos e zás-trás
desembainha a espada

Oposições aos governos
estão lá mesmo para isso
p’ra prestar um bom serviço
demitir os estafermos

TERRÍVEL DESEMPREGO


SÃO INÚMERAS e bem difíceis de vencer as dificuldades que se apresentam aos portugueses nesta fase específica que atravessamos que, de resto, se acrescentam às que vinham sendo suportadas em épocas anteriores e que, também tem de ser expressado, desde que este País existe nunca deixaram de existir, pois a nossa História é bem explícita quanto ao facto de a maioria dos cidadãos lusitanos nunca terem beneficiado de uma vida que lhes fosse facilitada.
Mas teve de nos calhar a nós, neste século XXI, o vir a sofrer as consequências de uma crise mundial e a circunstância de nos ter calhado um Governo que não foi capaz de encontrar formas de prevenir Portugal contra o pior que lhe podia suceder, mesmo tendo tipo tempo para nos poupar ao pior, já que, obviamente, da totalidade das penas isso não o iria alcançar.
Mas, tudo isto está dito. Não interessa já andar a bater sempre no mesmo tema. Não produzimos – agora e sempre -, somos inconscientes em relação às realidades que nos envolvem, não somos dados a sacrifícios e deixamos sempre para os outros o intervirem na solução dos problemas, deixamo-nos levar pelas ondas da sorte e confiamos permanentemente no “eles”, que é como quem diz, no Estado, somos trabalhadores, sim, mas só quando nos encontramos a actuar no estrangeiro, onde se sabe que os mandriões são colocados na rua, pois não existe aí o impedimento de se ser despedido por não cumprimento das obrigações de produzir muito, mas na nossa própria casa usamos todos os esquemas para ludibriar as entidades patronais, especialmente se ela se situa na função pública.
Tudo isso é mais do que conhecido e quem não gosta de tomar conhecimento das características que nos marcam, o que faz é prolongar a existência de defeitos que deveríamos ser nós próprios a tentar eliminá-los.
Mas, com tudo isto, com todo este desfilar de grandes manchas negras que ressaltam das nossas características, o verdadeiramente doloroso é que o pesadelo que nos está a perseguir e que não é conhecida medicina que tenha capacidade para sarar essa doença, tem o nome de desemprego e, de dia para dia, esse número, por muito que algumas estatísticas enganosas venham dizer o contrário, aumenta, ao ponto de nos encontramos agora com cerca de 700 mil portugueses a lutar com a falta de rendimento, logo a sofrer largamente o que se pode já apelidar de miséria, de falta de recursos para fazer frente até para comer.
Quem é que, com este espectáculo pungente, se dispõe a tomar conta do Executivo e a sofrer as consequências das manifestações ameaçadoras, das greves que, mesmo não solucionando nada antes aumentando as carências, se sucedem, na exigência de “melhores condições de trabalho”, das CGTPs todas, para, pelo menos garantir os salários dos seus dirigentes, mas sem apresentar formas de conseguir empregos para os que os desejam? Esta pergunta, embora feita, não obtém contestação. Reclamar, sim. Solucionar, isso ninguém aparece para o fazer.
O desemprego que, em consciência, se apresenta como sendo o maior problema, sobretudo num país em degradação, especialmente porque não são apresentadas perspectivas que apontem caminhar-se para o fim dessa debilidade social, essa catástrofe pode provocar as mais imprevistas alterações de ordem social e até política, com consequências que, como nos tem mostrado também a História em diferentes cenas internacionais, são muitas vezes dramáticas.
Portugal que, no capítulo das revoluções, tem-se comportado, nos seus mais de 800 anos, com um comportamento relativamente calmo, com ausência de sangue, se lhe calhar – oxalá não – deixar-se envolver por uma onda de desempregados que não suportem por mais tempo a sua situação, ninguém pode garantir que não surja uma movimentação que, nesse caso, ainda mais difícil se tornará a procura de uma mudança do panorama.
É duro escrever isto. É verdade. Mas, nós os que exprimimos as nossas opiniões, devemos andar a fingir que não é nada connosco?

segunda-feira, 31 de maio de 2010

COSTUME

Ao que nos acostumamos
o difícil é mudar
parece bem como estamos
para quê pois variar?
O costume é um vício
nem é preciso pensar
representa benefício
porquê portanto mudar?

O costume da leitura
de comprar no mesmo lado
de não alterar figura
de preferir estar calado
cada um tem seu costume
e às vezes bem estranho
como usar um perfume
que só sai depois do banho

No comer se impõe também
o que nos habituamos
há quem olhe com desdém
pr’aquilo que nós gostamos
cada um e cada qual
tem seu costume de anos
até mesmo num casal
não há comunhão de manos

Quando se perde um costume
sendo hábito antigo
é com algum azedume
como quem perde um amigo
são os outros normalmente
que nos forçam a mudar
pois nunca nasce da gente
um costume afastar

AGRICULTRURA Á PORTUGUESA


CAVACO SILVA, numa das suas visitas ao interior do País, em pleno Alentejo lançou um desafio para que os agricultores portugueses se entregassem com entusiasmo à sua actividade, posto que, no seu entender, a agricultura será uma via de peso de que nos poderemos servir para colocar no estrangeiro os produtos nacionais da terra. E, com isto, parece ter descoberto alguma coisa de que não tínhamos a menor ideia.
Com o respeito que tem de merecer o Supremo Magistrado da Nação, seja ele qual for, aquilo com que deparamos frequentemente é que as mais bem situadas personalidades na hierarquia do Estado andam frequentemente desfasados das realidades portuguesas e, de vez em quando, “descobrem” soluções para os problemas portugueses que, quem não anda distraído e tem alguma vivência no seio do panorama, já conhece há muito tempo.
Falemos então da agricultura nacional. E eu, que especificamente lidei com esta área quando fui director, durante alguns anos, de uma publicação que teve larga difusão nessa zona e que se chamava “o País Agrícola”, estou em condições de poder opinar quanto a um sector que já foi da certa importância no conjunto económico português. É o que vou fazer neste espaço.
Somos um País pequeno, todos sabem, e, por tal motivo, as propriedades destinadas à agricultura também são de tamanho reduzido, com excepção do Alentejo onde, desde tempos remotos, se encontram ainda os chamados grandes proprietários, atendendo às dimensões proporcionais do nosso espaço como Nação. Logo, os restantes habitantes que se dedicam a tal actividade, de Norte a Sul, não são mais do que limitados cultivadores de terras com características de utilizadores de ferramentas não mecanizadas e produtores de pequenas quantidades de géneros que são consumidos em família e o que sobra é posto à venda em mercados relativamente perto.
Lisboa, como consumidora de certo tamanho, recordo que desde os tempos da Praça da Figueira, onde as carroças, vindas das regiões do Oeste, se acumulavam toda a noite, pela rua dos Correeiros fora, à espera da abertura das portas de madrugada para descarregarem os vegetais que ali eram destinados, e, nos dias de hoje, já não utilizando o transporte muar ou com bois mas sim por via motriz, também continua a consumir o que os fornecedores de vegetais vão trazendo.
Só que actualmente, a concorrência com os produtos oriundos do estrangeiro, sobretudo as frutas, obriga a que os preços sejam estabelecidos por essa via e, ao invés, ou seja no que diz respeito a podarmos ser nós a exportar para fora das fronteiras, aí já nos faltam as capacidades para conquistarmos mercados que não estão à mão de semear.
Ora, é aí precisamente que os nossos governantes, os de hoje mas também os de sempre, não sabem nem aprendem as regras que são essenciais para podermos estar à altura de preços e qualidades que interessem os mercados mais longe, mesmo os europeus, mas menos ainda os de outros continentes. Eu, que tive oportunidade de trazer de Israel a possibilidade de nos ensinarem como se conquista o interesse de potenciais compradores estrangeiros de produtos agrícolas, não consegui interessar, na altura, dois ministros sucessivos detentores da respectiva pasta, pois não foram capazes de entender que seria um passos importante se o Governo de então tivesse apadrinhado a proposta.
É que nós, como pequenos agricultores que somos, não temos, a nível individual, capacidade de investimento e de produção suficientes para estudarmos quais os produtos que são susceptíveis de suportar a concorrência do exterior, que características devem ter e que preços é que são susceptíveis de interessar aos potenciais compradores. Só uma instituição que aglutine todo o sector nas múltiplas actividades que vão desde o cultivo e até à recolha e apresentação, é que estará em condições de enfrentar tamanha tarefa. E isso, tal como sucede em Israel – pequeno País que nem terrenos de qualidade possui -, é que seria útil termos colhido os ensinamentos e o apoio técnico, o que não sucedeu na altura a que me referi. Mas, um dia, num espaço mais oportuno, relatarei os acontecimentos que constituem a prova de que, quando não sabemos também não queremos dar mostras da nossa ignorância. E vem sempre aquela frase dos políticos que, a mim, me causa a maior das vergonhas: “não recebemos lições de ninguém!”
Este episódio não é do conhecimento de Cavaco Silva mesmo que, por sinal, o seu pai até tenha sido um dos participantes duma excursão de agricultores que “o País Agrícola” organizou a Israel… E bastante me felicitou pelo facto.

domingo, 30 de maio de 2010

DESCONSOLADO

Aqui estou eu, desconsolado
a ver passar o mundo
à minha volta
sem que nele interfira
sem que o melhore
mas também pouco
o piorando.
Sou mais um
dos milhares de milhões
que por cá andam
a consumir o ar,
a água, o ambiente,
o espaço
e que contribui para que o amanhã
seja muito pior,
mais escasso de tudo,
menos belo,
menos natural.

Aqui estou, enfastiado
já sem me importar
com o que vem a seguir,
com o que vai ser o futuro,
aquele que não me vai encontrar...
para me desconsolar

sábado, 29 de maio de 2010

AFINAL

Ao não estar pronto em seu dia
seja por bem ou por mal
quem procura a harmonia
só persegue o afinal
o mau assim
tem seu fim
porque isso do finalmente
leva tempo a conseguir
não é bem o que se sente
quer a sério ou a fingir

Afinal sempre vieste
é desabafo de amigo
a prova de que quiseste
trocar impressões comigo
se nos vemos
nos entendemos
assim acordo lá chega
e as mãos num bom aperto
põem fim a qualquer pega
afinal está tudo certo

Não era assim afinal
mas sim de outra maneira
é como no prato o sal
se é demais sai asneira
peso e medida
não causa ferida
está escrito no destino
há que ter um ideal
mas quando se perde o tino
não se chega ao afinal

Afinal tão simples era
afinal não custa nada
já chegou a primavera
do ar fresco, uma lufada
que delícia
tal carícia
impossível afinal
há muita coisa na vida
mas copiar tal e qual
faz-se mesmo de fugida

O fim de tudo lá chega
sem se alcançar ideal
vê-se muita gente grega
p’ra pôr o ponto final
o mortal
o fatal
e o que se diz nesse dia
como é regra geral
terminou a agonia
lá se foi o afinal


HÁ MUITO A FAZER!...


QUE ISTO POR CÁ anda verdadeiramente frustrante nem vale a pena repetir. É isso mesmo que eu tenho demonstrado neste meu blogue, ao ponto de me encontrar saturado de bater repetidamente na teimosa tecla. No panorama político, como é natural em Democracia, os detentores do poder e as oposições defendem pontos de vista diferentes, até antagónicos nos extremos, e, sobretudo porque a crise que serve também de enorme escusa não proporciona grandes alternativas. São mais as ameaças do que as posições com efeitos práticos. E a “massa falida”, para chamar-lhe alguma coisa, mantém-se num arrastamento a aguardar que se verifique uma porta de saída que não deixe demasiado mal vistos os contendores. O Presidente da República, com eleições já à vista, também não deseja correr excessivos riscos de ver os potenciais apoiantes mudarem de preferência ou, em derradeira atitude, optarem pelo voto em branco. Daí também, talvez, a sua anuência em relação aos casamentos “gays”, embora sendo nítida a sua opinião contrária.
Quer isto dizer, portanto, que não nos encontramos perante um clima que leve a enfrentar a situação dentro das regras democráticas, ou seja através de uma queda do Executivo, por via de qualquer sistema constitucionalmente aceitável. Também não se descortina a existência de uma frente, militar ou outra, que faça prever uma mudança forçada da situação nacional. De igual modo, perante a exposição externa que, nesta altura, é da maior importância que não dê mostras de fragilidade tanto política como social, já que a económica é do domínio de todos os observadores, para não se perder cada vez mais a possibilidade de recorrermos aos empréstimos do exterior, o mais prudente é mantermos a aparência, pelo menos essa, de que vamos conseguindo sustentar um esquema que, com os pesados apertos fiscais que surgiram agora, poderá conseguir equilibrar as contas públicas.
Por outro lado, ainda que sejam compreensíveis os protestos que se verificam na área laboral portuguesa, tanto as manifestações nas ruas como as greves que são propostas e efectuadas por iniciativa de organizações sindicais, com a CGTP em primeiro plano, todas essas demonstrações de frontalidade não têm outro resultado que não seja contribuir para aumentar a dureza do problema, com incómodos que se traduzem em mais gastos, quer do erário público quer da zona privada. Para não falar na diminuição de produtividade, que é um dos sectores que mais necessita de instigação aos portugueses para contribuírem, o melhor que for possível, para modificar, de forma drástica, o défice de produção que se arrasta há muitos anos no nosso País.
Perante este panorama, que é possível concluir de modo a encontrar uma solução para o drama que nos é apresentado e em que os aumentos, na área da fiscalidade, sobrecarregam cada vez mais os bolsos, já tão vazios, dos contribuintes de baixa valia? Todos os comentadores que, nesta fase, já não escondem o seu pessimismo, ainda que, há relativamente pouco tempo, ou não dessem claramente mostras da situação grave que já se vivia ou até enfileiravam no optimismo criminoso do Governo, esses não conseguem manter os pontos de vista, ditos positivos, e não se retraem quanto a lançar avisos em relação ao que se perfila para fazer sofrer ainda mais os nossos cidadãos.
O tema do corte nas despesas públicas tem sido, finalmente, o que mais salta da boca e da ponta das canetas dos mesmos comentadores. E, alguns deles, foram os críticos que enviaram comentários a este meu blogue, pois os que o lêem sabem que, desde há bastante tempo, clamo por esse via e aponto os items que merecem e mereciam a intervenção dos governantes. Só que, ainda há muita coisa para fazer na referida área. Nem entendo, por isso, o motivo por que José Sócrates, o tal dito homem de convicções fortes e, mesmo praticando a mentira sem complexos, não mete a mão de vez em todos os dispêndios excessivos que fazem empobrecer o já miserável tesouro público. Se é tão valente como quer fazer crer, atire-se de cabeça aos mais ricos, aplique regras que doam os poderosos – sobretudo os que vivem dos dinheiros do Estado – e, só então, embora excessivamente tarde, pois as medidas de poupança deveriam ter começado há cerca de dois anos, poderá dar mostras de que só peca pelo atraso.
Com tantos assessores ao seu serviço, haverá algum que talvez leia este blogue. E, mesmo sem indicar a origem das indicações que tenho aqui registado, siga os que considerar mais úteis.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

SEPARAR

Trabalhar são oito horas
e descansar outras oito
tudo tem suas demoras
sem precisar ser afoito

Cada coisa em sua altura
seja de noite ou de dia
até tempo de leitura
transmite certa harmonia

Cada coisa por seu lado
e nada de confusão
a mistura é um enfado

Há que fazer distinção
e ter o maior cuidado
trabalho e descanso não!


ENTREVISTAS E ENTREVISTADORES


ESTE CASO já ocorreu há umas semanas, mas vale a pena voltar a ele. Trata-se do que se passou com o deputado socialista, Ricardo Rodrigues, que, numa entrevista que lhe estava a ser feita por dois jornalistas de uma publicação semanal portuguesa, antes desta terminar se levantou e meteu no bolso dois gravadores dos profissionais de Informação, abandonando o local, por sinal no interior da Assembleia da República, sem atender às reclamações dos entrevistadores. Esse episódio ficou gravado nas câmaras televisivas e, dado ser muito pouco corrente na actividade jornalística tamanho desaforo, deu ocasião a que constituísse um assunto de larga difusão, suscitando duas frentes opostos, os que defenderam o deputado e os que o acusaram fortemente por tal gesto.
Tive ensejo, como outra gente, de ler o conteúdo das perguntas e respostas que deram motivo a Ricardo Rodrigues para ter tido aquele gesto de meter no seu próprio bolso os equipamentos dos inquiridores e sair porta fora. E, como antigo jornalista, com muitos anos de profissão – interrompida, a certa altura, por razões políticas do antes do 25 de Abril, em que fui impedido de continuar a exercer a actividade -, recuperada após a Revolução, vou aqui expressar o meu ponto de vista acerca desta ocorrência que, há que dizê-lo, não deixa nenhuma das partes, entrevistadores e entrevistados, em boa posição.
Devo esclarecer as pessoas de hoje, sobretudo os que nunca tiveram relacionamento com a época que vem desde 1950, altura em que eu entrei na profissão com o nascimento de uma revista que se chamava “Mundo Ilustrado” – haverá pouca gente que se recorde do acontecimento -, que, naquela época, as limitações que eram impostas pela Censura, com o apoio da PIDE, polícia política, que controlava minuciosamente as actuações dos homens da Imprensa, não havia margem para grandes extravasamentos por parte dos que tinham como profissão a difícil arte/ciência do jornalismo. E eu, que tive a oportunidade de seguir instruções de um grande profissional que se chamou Norberto Lopes, aprendi um princípio que nunca abandonei, sobretudo depois da Revolução, em que a Liberdade tinha aberto as portas a um trabalho que só dependia e depende das capacidades de quem dispunha e dispõe de um órgão de Informação para registar as respostas dos entrevistados. E essa regra era e é a de que o jornalista nunca deve expressar uma opinião, por muito que não concorde com as afirmações do entrevistado, reservando-se sempre a pôr as questões e estas baseadas em casos concretos que merecem um esclarecimento por parte de quem se está a ouvir. Sugestões, hipóteses, “ses”, isso não tem de fazer parte do questionário, a menos que esse lado se prontifique a sujeitar-se a um interrogatório do tipo policial que, sobretudo em televisão, não é admissível.
Ora bem, as perguntas que, a certa altura da entrevista, começaram a ser feitas, entraram, verifiquei-o, em áreas melindrosas, as quais dó poderiam ser abordadas com o prévio consentimento do entrevistado e, neste caso, não havia motivo para as não aceitar. Mas, de qualquer forma, mesmo sucedendo que as questões não agradavam a quem se pretendia ouvir, a afirmação, registada em entrevista, de que “nessa área não estou disposto a responder” – o que, em qualquer caso, é já uma forma de contestar -, era motivo suficiente para ser o assunto arredado da conversa.
Mas, pegar nas cassetes que são propriedade dos jornalistas e a sua arma de trabalho e metê-las no bolso, esse acto só pode ter uma classificação: a de desvio de propriedade alheia, burla. E esse acto, sendo praticado por um deputado da Nação, não deveria constituir senão um grave gesto que merece ser denunciado e igualmente penalizado. Tudo o que for feito de forma diferente, só num País como o nosso se encontra e com uma Democracia que, na verdade, ainda se situa muito longe de ser seguida e respeitada, é que se aceita sem penalizações a um gesto como o que um deputado socialista, como poderia ter sido de outro qualquer partido, foi capaz de fazer.
Neste caso, o PS deveria actuar para remediar tamanha vergonha. Pode um dos seus membros não ter capacidade para cumprir a sua obrigação de bom comportamento, mas compete ao grupo político a que pertence interferir para defender aquilo que, por sinal, foram os socialistas que contribuíram para ser instalado em Portugal: a Democracia.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

ESPANTO

Esta vida é um espanto
Este mundo bem espanta
O humano desencanta
Seja por nada ou por tanto

Há quem abafe com manto
A dor que sai da garganta
Mas não há é quem garanta
Que o mundo muda em encanto

Quem acredita entretanto
Que ter fé algo adianta
Anda perto de ser santo

Porque isto não tem planta
Nenhuma em qualquer canto
Caiu e não se alevanta



O BACALHAU DO BASÍLIO


TANTO SE FALA - e alguma coisa, não muito acertada, tem sido feita, no sentido de procurar diminuir os gastos excessivos por parte do Estado -, e tanto tem sido este tema debatido sem que, na realidade, tenha sido “atacada” (esta é a expressão) a fundo a forma de reduzir drasticamente as despesas que bem poderiam ter sido já anuladas em ocasiões atrás, que nunca é demais aproveitar todas as formas de comunicação para acrescentar o que seja possível para incentivar os governantes a darem todos os passos essenciais, de forma a não ser somente pela via dos impostos que seremos capazes de equilibrar, quanto possível as nossas contas públicas.
Já aqui, neste blogue, por mais de uma vez, referi o sector dos transportes e das mordomias de que usufruem demasiados privilegiados que se situam na área do Estado. É que, quanto a usufruírem da comodidade de disporem de um automóvel ao seu serviço exclusivo, bem como de motorista, também ele fixo, essa situação só aceitável quando um país não atravessa um período de dificuldades financeiras, como é o nosso caso actual, já deveriam estas condições terem sido modificadas e, em vez disso, ser criado um departamento, com oficina própria de reparações e garagem para arrecadação das viaturas a aguardar requisição justificada, assim como, cada vez que fosse necessário utilizar tais serviços, o automóvel posto à disposição seria o que estivesse disponível, tal como o condutor que se encontrasse operacional. Só os ministros e secretários de Estado é que ainda poderiam dispor de serviços permanentes, mas todos os restantes, incluindo directores-gerais e lugares abaixo, só teriam direito aos serviços desde que os requisitassem, justificadamente, ao tal departamento, com poderes bastantes para negar a utilização se não se encontrasse devidamente regulado o pedido.
Mas, claro, não é apenas neste capítulo concreto da redução de dispêndios que devem limitar-se as medidas urgentes a tomar. Existem muitos sectores que merecem uma actuação pronta da Governação. Por exemplo, o caso do AICEP. Há vários anos que este Instituto, que até há pouco tempo se chamava apenas ICEP – nunca se compreende claramente o motivo por que se resolve, um belo dia, mudar os nomes para tudo ficar na mesma -, sempre teve e continua a ter como objectivo o de propagar no estrangeiro os produtos que poderemos exportar e, ao mesmo tempo, procurar interessar capitais de fora para virem instalar-se em Portugal com a abertura de novas iniciativas industriais, a fim de enriquecerem o activo nacional, ao mesmo tempo que podem proporcionar a criação de empregos. Ora bem, ao contrário do que eu sempre clamei e em que não fui ouvido pelos “sábios” que têm estado instalados nos postos de comando oficial, nunca se deu um passo que fosse no sentido de serem aglomerados, no mesmo Instituto, os intuitos de criar as condições essenciais para que as empresas exportadoras portugueses descobrissem novos mercados, ao mesmo tempo que se procederia ao fomento do nosso turismo fora de portas. E eu sou explícito.
Um exemplo que é bem visível para quem se desloca ao estrangeiro encontra-se, de forma clara, em Nova Iorque onde, a pouca distância e num bairro conhecido, se situa uma loja do AICEP, uma outra destinada ao turismo português e, um pouco adiante, a loja da TAP. Quer dizer, são três serviços, por sinal a pagarem rendas caríssimas, com diferentes directores e pessoal respectivo em cada função, quando o que seria admissível era apenas um local destinado aos três objectivos, com um só director e menos pessoal, mas este devidamente preparado para servir as respectivas missões. Podia ser até um estabelecimento de maior gabarito, com a designação de PORTUGAL bem saliente, o que constituiria até uma amostra poderosa da nossa existência. Isso, sobretudo porque nos E.U.A., um enorme número de habitantes não tem uma ideia bem formada da existência, até geográfica, do nosso País.
Mas esta ocorrência não é um exclusivo de Nova Iorque, pois verifica-se por muitas partes no exterior e as despesas que se suportam com o não conhecimento das realidades e também com a falta de imaginação daqueles que têm como função ir remodelando o que se encontra mal explorado, igualmente por preguiça de fazer bom serviço, tais gastos mal aproveitados vão-se mantendo e, como sucede agora, mesmo com as deficiências de orçamento no sector público, não se verificam os gestos e as propostas que alterem o que já se considerou tradicional.
Daqui lanço um desafio a Basílio Horta., actual presidente do AICEP: se lhe cabe a responsabilidade de desenvolver as exportações e de convencer investidores e grandes empresas do exterior para se instalarem na nossa Terra, convença o ministro que tem a seu cargo a Economia, logo também o turismo, certamente bem fora destes problemas, a ser o autor da modificação que proponho ou outra até mais apropriada. Mas não se deixe ficar sentadinho no seu gabinete e a aguardar pelo dia em que será colocado noutras funções, pois o despedimento está sempre fora de causa nos postos equivalentes ao que ocupa e a exigência de responsabilidades também é atitude que não se usa por cá.
Claro que eu escrevo isto e abordo outros assuntos mais sempre sem a menor esperança de que surja algum dia uma personalidade com poder, coragem, alguma humildade em reconhecer valor nas opiniões do outros e vontade de alterar o que não estará muito bem, que dê o passo decisivo para sair da rotina histórica que tanto gostamos de manter.
Mas, como estou vivo, já vivi bastante para ver muita coisa, não estou limitado por quaisquer compromissos que me atem a língua e as mãos, o que constituiu, aliás, sempre um princípio que me guiou pela vida fora, mesmo quando, como jornalista se pagavam caros tais atrevimentos, é neste blogue que dou largas ao que julgo útil ao meu País. E até agradeço os comentários, mesmo discordantes, que me chegam…
Quanto a Basílio Horta que, como pessoa respeito e reconheço a sua cordialidade, só tenho que voltar a pedir desculpa por lhe mostrar certa discordância que, como sucedeu quando exerceu as funções de ministro da Economia e por decisões erradas não existia bacalhau no nosso País e, por isso, tomei uma posição que não lhe agradou – o que provocou a sua ordem de ser retirada a publicidade ao Jornal que eu dirigia -, tendo, depois de sair do Governo, sido ele a fazer questão em cumprimentar-me, uma vez que nos encontrámos no Parlamento. E fomos almoçar, com o prato obrigatório de bacalhau…

quarta-feira, 26 de maio de 2010

CHORAR

Em tempo de magras vacas
só apetece é chorar
se são poucas as patacas
quem tem fé é só orar

É o que por cá se passa
já sem rumo este País
em que nem mesmo a chalaça
põe a maioria feliz

Afinal é a saída
já antiga e de agora
acalma qualquer ferida

Porque chorar não tem hora
sempre serve de guarida
e o palhaço também chora