quinta-feira, 1 de julho de 2010

BOM SENSO

O que tanta falta faz
p’ra que o mund’ande melhor
e que não acabe a paz
e se propague o amor
é só preciso bom senso
em todos gestos humanos
e na busca do consenso
procurar não fazer danos

Pensar sempre antes de agir
estudar consequências
evitar o agredir
aceitar certas cedências
isso é da vida um modo
de quem tem compreensão
se tem a dar dar-se todo
e fazê-lo com paixão

Se há na vida ideal
para manter o convívio
procurando o menos mal
e sentindo certo alívio
o bom senso lá faz falta
para fazer amizades
com toda e qualquer malta
de poucas e mais idades

Numa palavra por isso
o Homem bem necessita
assumir o compromisso
de uma atitude bonita
só o bom senso indica
comportamento perfeito
e por isso bem lhe fica
utilizá-lo a seu jeito

TELEFONES -"VIVO" OU MORTO?


TODOS NÓS, CIDADÃOS comuns, portugueses que apenas contemplamos o que os “mandões” decidem, somos capazes de compreender se o impedimento da venda da empresa brasileira VIVO, parceira da PT, à Telefónica espanhola representa um benefício real para o nosso País?
E, dentro desta perspectiva, a atitude tomada pelo nosso Governo de utilizar a “golden share” (com a tradução “acções de ouro”, que significam privilegiadas) que ali o Estado português possui, para chumbar a decisão da maioria dos accionistas de aceitar a oferta da empresa de Espanha, de 7 milhões e cento e cinquenta mil euros, para ficar na posse da VIVO, tal decisão, que, por sinal, está a levantar sérias dúvidas da sua legitimidade, é favorável aos interesses do nosso País ou trata-se de uma medida que não tem a menor influência na melhoria da nossa vida?
Postas estas dúvidas que, seguramente, se levantam aos cidadãos do nosso País que ainda têm capacidade para seguir as evoluções deste tipo, preocupados como andam com as dietas impostas nas suas carteiras, o que resta aguardar é se tudo continua como dantes, como, por exemplo, na área do uso dos telefones fixos, que, no que a nós toca, sempre constituiu uma estranha obrigação de cumprir sem qualquer alternativa que as concorrências podem proporcionar e que, ao longo de muitos anos, foi imposto o débito do “aluguer” dos aparelhos telefónicos que, ao contrário do que sucede em quase todo o mundo, nunca foi aqui considerado propriedade dos usuários, é natural que se levante a questão de se, com a continuidade do sistema anterior, se verifica alguma melhoria do funcionamento da empresa nacional.
Como sempre, os “aljubarrotistas”, especialmente depois da derrota futebolística que ocorreu com os nossos vizinhos ibéricos, exultam perante esta negativa de resultado empresarial para a Telefónica do País vizinho. E isso, para eles, representará não dar um passo para a união económica no seio da Península Ibérica, significando para eles um grito de independência bacoca que, no meu ponto de vista, não serve para nos enriquecermos na luta que é forçoso manter em relação aos grandes países europeus e que não nos reforça para usarmos os meios de defesa dos interesses conjuntos nas discussões que ocorrem na Comunidade Europeia.
Resta agora saber se as coisas vão ficar por aqui ou se Bruxelas, como já se afirma, irá interferir por não aceitar que a utilização das “golden shares” sirva para anular as decisões das maiorias que votaram em assembleias-gerais. E se tivermos de seguir as indicações vindas de fora, até porque a Telefónica já afirmou que vai recorrer judicialmente da decisão portuguesa, isso só serve para nos mostrar que, se aderimos à CEE da época e usamos as vantagens de tal aceitação, é forçoso que sigamos as normas e discutir a razão que uns tantos proclamam só pertencer a eles.
E é preciso não confundir. Já que Saramago tanto proclamava as vantagens em juntarmos interesses e conveniências e só se ouvem, depois da sua morte, muitos elogios se levantaram à sua obra e aos seus pensamentos, pois também paremos para nos interrogarmos sobre se, neste particular, embora o Prémio Nobel não tinha sido inédito nem o primeiro, não haverá aqui algum fundamento na opinião por ele expressa. Até porque os comunistas não costumam ser muito aliados de teorias que reúnem, no mesmo saco, países diferentes, com regimes desiguais. É o bem deste rectângulo que está em causa e os exemplos albanisados que têm surgido por esse mundo fora têm de servir para alguma coisa.
Eu não escondo. A situação de dificuldades tão castigadoras que nos obrigam a sofrer, em diferentes situações da nossa História, as consequências de nos encontrarmos distantes e nesta ponta do Continente, deveria abrir-nos os olhos e admitir que, com as nossas características, a beleza da língua, os costumes e tudo que é de bom e que faz parte daquilo que somos, conservando tudo isso não haveria realmente grandes vantagens em apoiar o que poderia ser uma sociedade de duas Nações.
Mas só na altura em que a corda na garganta nos aperte tanto que não nos deixe respirar é que seremos capazes de enfrentar a realidade.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

DAR DE BEBER À DOR


Quem bebe pelo que for
nem precisa de motivo
o dar de beber à dor
é coisa de quem está vivo

O normal não era isso
mas sim beber p’la saúde
mas p’ra ser um bom castiço
assim bem melhor s’ilude

O fado pede desgraça
bem choradinha canção
com navalha e com murraça

e se se apanha um pifão
a coisa tem mesmo graça
e a dor já tem razão

CONSENSO PRECISA-SE


AO ASSISTIR àqueles programas televisivos do “Prós e Contras” é que, quem não terá ainda ideia do que ocorre entre os participantes na vida política nacional, fica a ter consciência dos confrontos que têm lugar entre adversários, os quais são naturais e legítimos porque defendem pontos de vista que, muitas vezes, são antagónicos, mas que também só servem para contribuir para colocar o País numa situação ainda mais difícil do que aquela em que se encontra. E, numa altura em que se propaga que o PSD se dispõe a ajudar o seu concorrente PS na solução de alguns problemas, mesmo não fazendo parte do Governo – o que só pode ser louvável -, o mais lógico seria que, nas situações que não comprometem excessivamente os seus princípios ideológicos, ambos fizessem um esforço no sentido de encontrar soluções, quanto mais não fosse para evitar gastos desnecessários que sempre ocorrem quando os assuntos em discussão se arrastam para lá do tempo necessário.
A questão dos “scut”, por exemplo, que foi debatida na última sessão de segunda-feira na RTP, serviu perfeitamente de amostra da falta de capacidade de diálogo por parte daqueles dois grupos políticos, os tais que fizeram o referido acordo, porque se se tratassem dos restantes que se situam no posição de adversários sem tréguas, então essa posição até se entenderia com mais facilidade.
E a pergunta que há a fazer é que, se então um problema que se resume ao pagamento de portagens nas vias que, até agora, têm estado libertas desse encargo, por mais cuidados que devam existir para não se cometerem injustiças em relação às populações que possam sofrer indevidamente esta medida nova, não pode encontrar consenso rápido e correcto por forma a que todo o País não fique com a convicção, ainda mais profunda, de que os nossos políticos, aqueles que, apesar da crise que atinge a esmagadora maioria dos lusitanos não sentem tanto no bolso os efeitos perniciosos dos encargos fiscais que todos os dias aparecem, esses tais homens do poder não têm capacidade para dialogar e chegar a um acordo que está longe de constituir uma barreira intransponível como tantas outras que, essas sim, representam bicos de obras bem complicados?
Se, todos os encargos fiscais que foram agora implantados através dos dois PEC e que, segundo está no ar essa ameaça, não ficam por aqui os “castigos” que os portugueses ainda têm de suportar, pois as dívidas que o Estado tem para pagar ascendem a muitos milhares de milhões de euros que, todos os anos vão sair do Ministério das Finanças, o que quer dizer das nossas carteiras, se o aumento do IVA, o peso suplementar com o IRS, o IRC e todos os outros encargos que o Fisco cria, toda essa lista de aumento de despesas a que os cidadãos da nossa Terra não podem fugir não criam confrontos tão visíveis e de má catadura (como a que se viu no referido programa televisivo) entre os partidos e o Governo, é de estranhar que, sobretudo tratando-se de dois grupos partidários que até dão mostras de não pretenderem agredir-se, pelo menos por agora, por uma situação que tem forma de ser facilmente solucionável entre pontos de vista não coincidentes completamente, se estejam a levantar quezílias que até se baseiam em questões de formalidade – haver carta de compromissos ou estar ser tudo trinta e um de boca!...
Ora bem, perante a derrota de Portugal, ontem, no Campeonato Mundial de futebol, em que a Espanha lá nos deixou de beiço caído, este “problema” agora vai ocupar durante alguns dias o motivo de conversa da maioria dos portugueses, podendo-se deduzir tranquilamente que, se fosse feita a pergunta a muitos dos nossos concidadãos, se prefeririam ter vencido aos espanhóis em troca do pagamento das tais “scut”, a resposta seria que ganharmos com a bola é que era bom!...
Se calhar estou a meter os pés pelas mãos. Mas se assim é, também não serei o único. Ou, tanto o ministro Jorge Lacão e o deputado do PSD que intervieram no confronto da RTP, com aquele espectáculo que nos deram, não andarão também todos baralhados?

terça-feira, 29 de junho de 2010

AQUI

Aqui
onde estou e onde me vejo
também ali
terei o último desejo
que será
o de não deixar mau nome
o que ficará
e que tome
lugar na memória de alguns
uns tantos
mesmo que sejam comuns
e que não escondam prantos.

É aqui, neste lugar
que algumas contas faço
do que ainda me lembrar
e que resista ao cansaço
erros recordarei
certas dúvidas que mantenho
as coisas que por aí amei
e outras que ainda desdenho

Cheguei
sem pretensão
de pensar que não errei
e que sempre dei a mão
a quem dela precisou
pois alguma vez disse não
a quem ao pé de mim chegou
seriam menos embora
do que às que disse que sim
o que bem pouco melhora
a maldade mesmo assim

Estou agora
frustrado
vou embora
nada será mudado
fixo o meu pensamento
naqueles que me estão perto
e não escondo o lamento
por já não ter conserto
e em nada alterar
a má opinião de quem
deveria bem mostrar
muito melhor que ninguém
o valor que terei tido
desigual da maioria
por isso tendo fugido
à regra da enxovia

Aqui e agora
onde escrevo esta lamúria
a esta hora
não é altura de ter fúria
isso é que não
resta-me a penitência
última consolação
de quem vive já na ausência
mas também já pouco importa
com o físico a fraquejar
não baterei a tal porta
a pedir para mim olhar
quem nunca o fez de verdade
que foi o invés de mim
agora com esta idade
só resta aguardar o fim

Afinal
será neste lugar aqui
mesmo o melhor local
para mostrar quanto sofri ?
tantas dores tantos anos
desamores
e desenganos
procurando esconder
aos olhos dos que de fora
não teriam de saber
o que na nossa casa mora

Será aqui, será
no café com muita gente
que alguém por aqui estará
a escrever o que sente
e para quê
com que intuito
se afinal ninguém vê
trata-se de um acto fortuito
que não obtêm resultado
pois o que de mim contará
mesmo sem poder ser provado
não me importará
por ser a gente abstrusa
que já hoje não me adora
e sempre se mostrou confusa
com o que larga boca fora








VOTAR EM DOIS


NÃO SEI se o anúncio de que o PSD, mesmo saindo vencedor das eleições legislativas que se encontram no leque de perspectivas em vista, se realmente se juntará ao CDS após o acto eleitoral e ainda que, sozinho, consiga maioria absoluta, não sou capaz de opinar com segurança se esta atitude é a mais conveniente, dentro dos princípios democráticos que tanto proclamamos seguir. É que, admito eu, quando um cidadão deposita o seu voto na urna, o que está a fazer é a dar preferência a um grupo político e não a dois ao mesmo tempo. E, naturalmente, quem tem inclinação para os ideais e para o programa de um concorrente, pode não pensar da mesma forma em relação ao outro.
Se, à partida, se sujeitam aos resultados coligações programadas anteriormente, nesse caso o votante já sabe com o que conta e aí o que faz é aceitar a combinação prévia; agora, primeiro ficar-se a saber qual é o resultado da votação em causa e a percentagem que o partido preferido alcança e depois, se calhar a esse ser o vencedor, assistir à “sociedade” que os comandantes do agrupamento, por sua alta recriação, convidam para parceiro, podendo acontecer que tal entendimento caiba a um grupo que não seja da simpatia do votante, essa situação não se coaduna correctamente com os princípios democráticos que se anunciam à boca cheia que por cá se seguem.
Quando há aviso prévio do que poderá suceder, nesse caso existem várias formas de se dispensar do acto do voto, nem que seja pela falta de comparência junto das urnas ou o voto em branco ou intencionalmente mal demonstrado. E esse procedimento, o não participar numa clara obrigação dos bons cidadãos, constitui a pior forma de intervir na vida pública nacional.
Se a prática democrática, ao cabo de trinta e seis anos de instituída em Portugal, ainda se encontra muito longe de ser seguida pela maioria dos cidadãos do nosso País, posto que são necessárias, no mínimo, três gerações para ela entrar naturalmente no dia-a-dia de todos os cidadãos, com actuações do género da que foi anunciada pelo PSD é que se encontrarão maiores dificuldades em introduzir no povo português um hábito que, vindo das escolas primárias – não me canso de proclamar a necessidade de existir uma disciplina de “prática democrática” que institua, logo de pequeninos, os jovens a saberem ouvir, e não interromper os outros, e, mesmo não concordando com opiniões alheias, não entrar em discussões, entre outros modos de actuar com liberdade civilizada.
Em resumo, pois: não concordo com a intenção afirmada pelo PSD de, mesmo que atinja uma maioria eleitoral nas próximas eleições, fará, após os resultados serem conhecidos, uma coligação com o CDS. Juntar o Centro Direita à Extrema Direita, nas circunstâncias actuais não vai resultar. A não ser que esteja redondamente enganado.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

ASSOBIA-LHE ÀS BOTAS

Tudo o que temos e parte
deixando as mãos vazias
talvez por não termos arte
ou por falta de energias
isso que foi nosso antes
e depois deixou de o ser
até os próprios amantes
choram depois de perder

Há quem lute p’ra guardar
o que está mesmo a fugir
faz tudo para agarrar
acaba sem conseguir
tinha de ir lá se foi
já não chegam cambalhotas
mais vale fazer de herói
e assobiar-lhe às botas

Há certas botas que guincham
outras rangem ao andar
as que apertam e pés incham
como as que fazem suar
mas quando alguém lh’assobia
é o sinal de partida
não se trata de mania
mas sim concreta fugida

Perdida que é a esperança
de reaver o perdido
às botas com sua andança
só lhe resta o olvido
lá longe o assobio
do dono atarantado
pode ser um desafio
nada é recuperado

VÃO-SE OS ANÉIS...


QUANDO JÁ SE ANUNCIA como uma possibilidade ou a partir do momento em que um país aborda a hipótese de vender parte das suas terras para pagar uma dívida pública que assumiu, mesmo que depois surjam os desmentidos, como acontece agora, por parte da Grécia, que recusa admitir o que um jornal inglês publicou de que a ilha Nafsika – com indicação de nome e tudo – no mar Egeu, iria ser vendida a investidores russos e chineses por uns tantos milhões de euros, quando tal se verifica isso quer dizer que, numa hora de aflição, se aplica o velho ditado lusitano de que “podem ir os anéis, mas ficam os dedos”.
Não há ninguém, por mais bem informado que se julgue e por muito sapiente que seja destes coisas das ciências económicas e financeiras, que nesta altura seja capaz de assegurar com absoluta fidelidade o que irá ocorrer no mundo da crise, tanto no que respeita a países longínquos como os que se situam mais perto, na zona da Europa. Quem assumiu dívidas astronómicas, em tempos de poucas cautelas, na hora de as ter de liquidar e se os credores não são muito susceptíveis de colaborar nas resoluções, o que resta fazer é entregar os activos que possuir e negociá-los em troca dos valores que gastou em seu proveito. E, no que diz respeito às situações que ocorrem com as Nações, outra alternativa não existe, motivo por que esta hipóteses que corre na Informação de que a Grécia poderá ir entregando ilhas que fazem parte do seu património, o qual conta com cerca de seis mil e constituem territórios bem desejados pelos milionários de todo o mundo.
Para nos distrairmos um pouco do que ocorre connosco, debrucemo-nos sobre aquilo que faz parte da Nação grega, a qual já anunciou a possibilidade do congelamento de pensões, o aumento da idade mínima de reformas (23 % da população) e aceder a mais um empréstimo externo de 110 mil milhões de euros. Tudo isso considerado como talvez suficiente para não ter de tomar as tais medidas de venda de terrenos próprios. E com uma população de 10,7 milhões, aí verifica-se uma semelhança com aquilo que somos nós, portugueses, mas não será por aí que temos de nos acautelar, até porque no que diz respeito a ilhas, para além das Berlengas, só nos restam a Madeira e o Açores, e tal eventualidade encontra-se completamente fora de questão.
Mas, seguindo os desejos de José Sócrates, que tem a felicidade pessoal de só ter pensamentos ditos positivos e que até afirma que “está a puxar sozinho o País!”, vamos afastar tamanhas fatalidades de não conseguirmos vir a pagar, nas alturas próprias, os montantes que fazem parte da vasta gama de dívidas que, por um lado, o Estado português tem de enfrentar, e, por outro, no capítulo das dívidas privadas, por exemplo dos nossos bancos (que aumentaram, esta semana, os montantes a pagar ao Banco Europeu, para 33,5 mil milhões de euros), também se chegará às várias solvências que competem aos devedores. E dentro deste optimismo – que não é a minha forma de enfrentar a situação -, resta-nos a nós, cidadãos, os que pertencermos ainda ao mundo dos vivos e os que nos substituam no futuro que os espera, confiar que, através de pesados impostos que não poderão faltar, de apertos do cinto por todas as camadas, principalmente na área pública, e as medidas que forem descobertas, no caso de haverem ainda estradas para se aplicarem pagamentos de circulação, para chegarmos à altura em que poderemos dormir descansados, isto é, não tenhamos mais “homens do fraque” a bater-nos à porta com os recibos nas mãos.
Ficam-nos os dedos, que esses ninguém os quererá. E a nós bem falta nos fazem, porque é de esperar que, com o aumento de dificuldades, as mãos sejam poucas para entrarmos na fase da produção que, tenho de dizê-lo uma vez mais, é exactamente esse o sector em que nunca fomos grandes campeões, mas que chegará a altura em que, de novo como diz o povo, “a fome aguça o engenho”.

domingo, 27 de junho de 2010

O FINGIDOR

O ser bom, mesmo a fingir
coisa fácil não parece
há que estar sempre a sorrir
mesmo se não apetece

Fingir, fingir p’ra viver
com todos em harmonia
pois que tal tem de ser
para passar um bom dia

Não ser aquilo que é
não mostrar o que vai dentro
exagerar muito até
esconder o resto ao centro

Cada um e cada qual
tem o seu comportamento
o fingidor é igual
ao que é melhor no momento

Há quem lhe chame cinismo
disfarçar o mau humor
também pode ser cinismo
ter qualidades de actor

Talvez valha a pena isso
mentir e pôr boa cara
estar sempre de serviço
maldisposto é coisa rara

Quando porém está sozinho
o fingidor bem se vinga
entra no seu pelourinho
e aí, só, bem rezinga

PRESIDENTES


ENTREI AGORA nesta dos Presidentes. Referi-me ontem a Fernando Nobre, por ter apreciado a forma como respondeu às perguntas do entrevistador na televisão e, logo a seguir, tomo conhecimento das declarações de Manuel Alegre em que expressa a sua opinião, já dentro de uns termos de campanha, sobre o modo como Cavaco Silva se referiu ao estado da Nação na actual conjuntura, atacando-o por o Presidente terá afirmado que Portugal se encontra numa posição “insustentável”, o que levou também José Sócrates a censurar o locatário actual de Belém pela mesma declaração. Já a personalidade que se recandidata ao lugar, ainda que não o tenha ainda confirmado, é notório o seu desagrado no que diz respeito à postura que o Governo tem tomado, mesmo que pouco explícitas mas que deixam bem a ideia de que não é muito satisfatória.
Numa palavra, pois, como é natural que suceda, ao aproximar-se o momento em que os candidatos à Presidência da República começam a tomar balanço para a corrida, os intervenientes nessa acção, afirmados ou ainda em estado de expectativa, dêem mostras das posições que pretendem tomar e das iniciativas que querem dar a conhecer, pois que nas alturas das caminhadas para conquistar votos pode-se dizer tudo, mas quando o lugar é adquirido e dentro das limitações que a Constituição impõe, aí já a coisa muda de figura, pois que são os Executivos que dispõem de poderes para fazer e desfazer, restando ao Supremo Magistrado a decisão de pôr fim ao seu mandato. Mas, mesmo assim…
E é precisamente sob essa circunstância que vou deixar hoje alguma coisa que amachuca o meu interior, embora não passe de uma simples opinião sem efeitos concretos.
Pois bem, tendo presente esta expectativa, e pegando no texto que Miguel Sousa Tavares publicou no último “Expresso”, em que deixa a impressão de que utiliza várias armas para defender José Sócrates, também julgo dever apresentar o meu ponto de vista, sobretudo porque tenho usado este espaço para dirigir ao primeiro-ministro sucessivas reprimendas, especialmente em virtude do seu modo de proceder, do seu auto convencimento de infalibilidade, da recusa em ouvir opiniões alheia que, muita vezes, podem ajudar bastante a resolver determinados problemas que interessam à Nação. Nesse particular não partilho da opinião do Miguel e estou convencido de que o seu pai, se fosse vivo e de que guarda grandes saudades, pois eram parceiros de ideias e conversas até em nossa casa, não seguiria o ponto de vista de seu filho. É que, desde sempre e em moldes muito ligeiros, defendo o princípio de que, quem canta no interior da sua casa, por muito mal que o faça não merece receber críticas de ninguém, mas se entende que o deve fazer na praça pública, nesse caso sujeita-se a sofrer a consequências dos que não gostam ou os aplausos dos que se deliciam, sem recorrer a quaisquer meios para afastar as opiniões dos outros.
Ora, se se tratam de actuações de relevo, já não digo só de actores ou figuras que se dão a mostrar, mas sobretudo de políticos que escolhem exercer as suas funções com declarações de que são eles que vão servir bem o País, e, na grande parte dos casos, utilizando dinheiros públicos, nestas circunstâncias não parece lógico que sejam declaradas ofensas ou reclamações dos próprios se, por parte dos cidadãos, sejam quais forem as funções que exerçam, surgirem acusações contra os procedimentos de qualquer espécie que sejam originários dos mesmos. E aí, salvo muitas raras situações, visto que as figuras políticas se encontram permanentemente na montra, não se distinguem os casos formais dos informais, até os privados dos públicos, salvo muito raras excepções.
No que se refere a José Sócrates, o que se exige é que os serviços judiciais portugueses funcionem bem e depressa – e disso a actuação do chefe do Governo é fundamental – e o arrastar de situações que têm preenchido os ditos e mexericos que andam nas bocas dos portugueses de rua, com ou sem razão, não tem que provocar a reacção do atingido, mas sim uma competente mexida na vergonha como funcionam os nossos tribunais. E isso ele não faz!
E, no caso de Cavaco Silva e a sua ausência no funeral do Prémio Nobel português da Literatura, com uma desculpa esfarrapada, este exemplo serve bem para demonstrar que as funções que são aceites por quem as conquistou obrigam a que, mesmo sem gosto em o fazer, certa atitudes sejam levadas a cabo e o “frete” interior que representem fique inteiramente disfarçado pelas aparências. A ausência do Presidente da República no enterro de Saramago não pode ter desculpa e, face ao que escrevi neste blogue acerca do desaparecimento do escritor, julgo que posso ser considerado como inteiramente independente, muito embora não importe nada aquilo que representa a minha opinião.
Para acabar, deixo aqui redigido o que penso no que respeita às obrigações que competem aos que se dispõem a ser figuras conhecidas, nos seus diferentes escalões e particularmente na zona da política. Serve para alguma coisa?

sábado, 26 de junho de 2010

A CONSCIÊNCIA

Será que isso é vulgar
que obriga a grande ciência
para neste mundo andar
pôr de parte a consciência?
Não tê-la sempre presente
até sem mostrar p’ra fora
é não querer ser prudente
falhando na própria hora

Ser consciente dos actos
antes de os praticar
evitando espalhafatos
que possam embaraçar
esse é princípio ideal
que muito ajuda a viver
e evita muito mal
impedindo de sofrer

Mas então a consciência
é coisa que se explique?
É mais do que uma tendência
mas de que não se abdique
é a forma de pensar
ver a fundo consequência
e não tem de hesitar
se é boa a consciência

De consciência limpa andar
não ter de se arrepender
é bom caminho traçar
sem ter nada que temer
dizendo sempre as verdades
próximo não enganar
só provoca amizades
andar perto do amar

Dizer mal sem ter razão
acusar sem prova ter
é desdenhar o perdão
que se merece ao morrer
tudo está nas nossas mãos
na nossa própria inocência
querermo-nos como irmãos
só com boa consciência

CADA UM PENSA POR SI


DEVO CONFESSAR abertamente que, nesta altura, ainda não defini para mim próprio qual a preferência que assumirei quando chegar a altura de depositar o meu voto na próxima eleição presidencial. Julgo que tenho dado provas, ao longo da minha vida, na parte que se pode considerar de mostra pública, como jornalista e, sobretudo, como responsável editorial de jornais, de que nunca fugi à obrigação de comportamento ético, não me deixando influenciar por conveniências pessoais ou por tentações de ajudar quem quer que fosse em detrimento da verdade e da linha honesta de actuação.
E digo isto porquê? Pois, porque tendo assistido a uma entrevista televisiva concedida pelo candidato independente às próximas eleições para Belém, do médico Fernando Nobre, pessoa que ainda não tive ocasião de conhecer pessoalmente, devo afirmar, sem hesitações, que me agradou sobremaneira a forma serena e as palavras proferidas por esta personalidade e que, se ele fosse o único concorrente ao lugar em causa, não hesitaria em conceder-lhe alguma esperança, ficando consciente de que iria desempenhar positivamente as suas funções.
Mas, analisando a situação com absoluta independência e, sobretudo, consciencializando-me no que respeita ao panorama geral dentro do concreto que será o acto em si na altura própria, não posso pôr de parte a realidade da situação, ou seja, levar em conta que um dos candidatos é o actual Presidente da República, o que significa um patamar vantajoso e que, atendendo ao que se passou nas edições anteriores, em que a repetição de um mandato representa, de algum modo, certa garantia de vitória, e que, por outro lado, existe um concorrente que obterá o apoio do Partido Socialista e do Bloco Central, para além de um número não muito concreto de votantes que não apreciem muito o locatário Cavaco Silva, em face disso terei de aguardar pelas propostas que cada um seguramente apresentará ao longo das suas campanhas para só depois tomar a minha decisão, muito embora, não o escondo, não seja apenas por aí que este nosso País poderá tentar emendar muitos dos seus erros, pois a governação é que tem meios mais concretos para, dentro das suas muitas limitações, fazer com que a linha de actuação possa ser o menos equivocada possível.
Mas, enfim, a esta distância, sendo todos nós obrigados a suportar os disparates e as trapalhadas – como agora se chama – dos que dispõem de alguns poderes, não sendo possível antever qual, nessa altura, será a situação concreta que se viverá, poderemos, até lá, ir saltitando de uma para outra preferência e poder fazer mentalmente o ensaio da escolha, de acordo com as “promessas” habituais em tais situações.
De qualquer modo, repito que a entrevista do Fernando Nobre me deixou uma boa impressão. Acima de tudo porque não falou mal de nenhum dos seus oponentes, por sinal os dois com possibilidade de recolher um maior número de votos, dado que contam com suportes que a este não cabem.
Mas como este blogue não pretende ser propagandista de nenhum dos proponentes a Belém e como a dúvida é importante que exista na cabeça dos portugueses, que devem pensar pelas suas próprias mentes e não influenciados por quaisquer recomendações exteriores, deixo aqui apenas e só uma opinião momentânea, pois daqui até ao dia das votações ainda passarão muitos dias e muitas noites e sabe-se lá o que vai acontecer até tal momento.
Uma vez mais proclamo que por milagres não podemos esperar. Os homens são senhores dos seus actos e responsáveis pelas decisões que tomam. O queixarem-se depois de que se enganaram nas escolhas não soluciona nenhum problema.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

FIGUEIRA DA FOZ

No fim desse rio Mondego
que sulca por terras nossas
só não o vê quem é cego
nem descobre lindas moças
que passam junto de nós
naturais de bela zona
dessa Figueira da Foz
que a todos tanto apaixona
Figueirinha
bonitinha

Sua tão extensa praia
com o mar que bem a banha
não deixa que ninguém saia
sem um prazer que se entranha
com os olhos deslumbrados
a apreciar os seus barcos
imaginando bailados
lá na Curva de Buarcos
e cheia
de boa areia

De espanhóis se enche ela
no Verão e sem sossego
uma cidade tão bela
lá encontram aconchego
o mar, a serra e o rio
num só sítio se conjugam
e de fio a pavio
as boas casas se alugam
tanta cor
e muito amor

Foi ali que o bacalhau
pescado por nossa gente
atingiu o alto grau
e criou um ambiente
tal como roupa a secar
e na corda pendurado
absorvia o bom ar
punha um tom amarelado
boa seca
nunca peca

O seu comércio do sal
há muitos anos cidade
no centro de Portugal
não perde a sua beldade
de S.Julião igreja
que vem do século XI
não há quem nunca a veja
com os batentes em bronze
Foz tu és
e tens marés

À noite no seu casino
lá se prolonga a festa
é já outro o figurino
e a comida é bem digesta
a boa gastronomia
que a Figueira nos oferece
faz parte da simpatia
de quem tem a tal benesse
igual a nada
"és tu fada"

Se te deixo tenho pena
só me apetece voltar
a minha alma te acena
com os olhos a chorar
só não virei outra vez
se deste mundo partir
convicto estou de que crês
que me irei aí despedir
eu te juro
p’ró futuro




FÉRIAS -- TEMPOS E CONTRATEMPOS


SERÁ QUE ISSO de nos encontrarmos já há algum tempo, no nosso País, numa situação que não me canso de considerar no mínimo complicada, o que até levou o ministro das Finanças a ter declarado finalmente, em altos berros, no Parlamento e em resposta a uma crítica de um deputado da Oposição, que “o Estado não tem dinheiro”, será que esse tormento é compreendido, nas suas totais consequências, por todos os portugueses?
E, acrescento ainda eu, sobretudo nos escalões mais elevados, naqueles em que as funções são exercidas por gente que não se pode considerar distraída das realidades e por isso têm de ser considerados responsáveis, o mesmo alto grau de dificuldade que se atravessa é levado em conta com a maior das seriedades?
Por muito que queira acreditar que sim, os factos a que somos forçados a assistir dão indicação de que não é esse o seu comportamento. E dou até um exemplo bem recente: sabendo-se que o processo Casa Pia tão falado, relacionado com alegados abusos sexuais a ex-alunos da referida instituição de ensino, se arrasta nos tribunais há vários anos, desde 2002, e que estava prevista a leitura da sentença final em 9 de Julho próximo, pois não será então nessa data que vai ter lugar, mas sim lá para Setembro, devido a que a última alteração das férias judiciais, estabelecidas de 15 de Julho a 31 de Agosto – dois meses, está bem de ver! – não dão tempo a que se realize o que é aguardado com a maior expectativa, lançando-se na praça pública todas as hipóteses possíveis, visto ser sabido que, em Portugal, quando se fala de Justiça, tudo pode acontecer e as grande surpresas não constituem novidade para ninguém.
É verdade que todos os considerados “fait-divers” (desculpem a utilização de uma língua estrangeira, mas até nem vale a pena ser-se muito rigoroso, quando à nossa volta só encontramos irresponsabilidades) são da maior utilidade para distrair o nosso povo dos graves problemas de escassez de tudo que nos faz falta, especialmente o dinheiro, e que o campeonato do mundo de futebol, o acontecimento com a morte de José Saramago, e tudo que possa distrair das amarguras da vida que nos é imposta, serve para os lusitanos deixarem de pensar, por instantes, no que sofrem e no futuro que os espera. Mas, quem ainda pensa a sério nos acontecimentos que nos rodeiam, por muito que queiram os responsáveis disfarçar, não é possível, por exemplo neste blogue, olhar para o lado e assobiar.
E só um acréscimo ao que fica dito: os bancos portugueses declararam que se debatem com enormes dificuldades de financiamento que estavam antes a ser obtidos no estrangeiro, pelo que se verifica um perigoso estrangulamento nos empréstimos que as nossas empresas solicitam, dando como resultado que cada vez se torna mais complicado investir e fazer desabrochar a economia, que é essa que poderia diminuir o desemprego e pôr a máquina do desenvolvimento em acção. E, por acréscimo, vem de fora a notícia de que Portugal só poderá talvez começar a sair da recessão em que se encontra lá em 2012. Bonito panorama!
Gozemos, portanto, boas e prolongadas férias. Paremos todos a contemplar as vistas. Não nos esfalfemos a tentar produzir mais e melhor. Nada disso. E quem pensa o contrário só pode ser um tonto!
E a terminar, apenas esta novidade: tendo sido conhecida ao fim do dia a impossibilidade de pôr em acção as cobranças das portagens nas Scut, no próximo dia 1 de Julho, por não ter sido obtida pelo Governo a respectiva autorização na Assembleia da República, dado o PSD não mostrar concordância com o sistema electrónico de cobranças, também aqui as datas estabelecidas são adiadas, não se sabe por quanto tempo. Anda-se por cá com os tempos desencontrados.
É na Justiça, mas também é nas Scut…

quinta-feira, 24 de junho de 2010

UM DIA SERÁ

Um dia farei tal cousa
não partirei sem cumprir
quem não fizer não repousa
nem merece prosseguir
nesta viagem da vida
que um dia terminará
com a missão cumprida
p’ra ver Deus ou Allah

Um dia também eu provo
esse petisco bonito
porque daqui eu me movo
e se for bom eu repito
comer do bom e do mau
para ter opinião
ser lagosta ou bacalhau
o que estiver mais à mão

Um dia se for possível
vou conhecer tal lugar
para que se tiver nível
poder do mesmo falar
gosto de tudo qu’é belo
no ambiente em redor
e faço sempre apelo
a um mínimo de amor

Um dia, um dia destes
tenho esse livro de ler
a obra que vós fizestes
porque é sempre com prazer
que vejo o esforço d’amigos
em produzir o que valha
e se precisam d’abrigos
eu cá estou mesmo na calha

Um dia, tempos atrás
saiu-me fácil da pena
uma crítica tenaz
sobre uma lusa cena
daquelas que tanto enjoam
o comum do cidadão
mas que em muito ressoam
em qualquer opinião

Pois foi mesmo nesse dia
que acabei por entender
que não é por essa via
que alguém pode aprender
que fez mal e se assume
da responsabilidade
pois nunca virá a lume
o culpado da maldade

Um dia, talvez bem perto
o País entenderá
que o que tem como certo
é que isto mudará
não podem continuar
todas as grandes maldades
e quando isso acabar
outro Portugal será

SCUTS - SEM CUSTOS?


ACABO DE OUVIR José Sócrates a tentar dar explicações através da RTP à questão das portagens nas “scuts”, questão que tem levantado grande celeuma e desagrado por parte de várias localidades do Norte, reclamando por estar a ser tratada aquela zona em desigualdade com o resto do País. Mas não é isso que constitui hoje motivo principal para uma observação neste blogue.
É que, o locatário de S. Bento, fazendo referência à posição tomada pelo Governo, em lugar de assumir o ponto de vista em representação de todo o Executivo, levou um largo tempo de exposição falando sempre na primeira pessoa, com frases como “eu quero”, “eu sei”, “eu assumo”, “eu pretendo”, “eu digo”, “eu não deixo”, tudo isso foi ouvido na referida intervenção em que nunca expressou uma decisão que tivesse saído do colectivo do Governo, o que, provavelmente, até agradará ao conjunto de responsáveis pela diferentes pastas ministeriais, posto que, na hora de prestar contas que poderá chegar em breve, tem a desculpa para alegar que não tinha poder suficiente para dar outro andamento às determinações tomadas unicamente pelo “chefe”.
Este caso das portagens, um mais que levanta reclamações que bem poderiam e deveriam ser evitadas, é consequência das decisões tomadas por José Sócrates – já que ele se arroga de ser o comandante isolado – que não passam por uma reflexão profunda sobre os respectivos efeitos, o que até seria fácil averiguar desde que existisse o mínimo espírito de saber ouvir e a vontade de auscultar quem poderia dar uma achega valiosa, quanto mais não fosse perto das populações que vão sentir os efeitos das novas decisões. E não só essas, mas também, como apareceu um representante da Galiza a prestar declarações na nossa RTP, sobre o assunto, esses que não deixam de considerar “absurda” e “caótica” a forma como está a caminhar a decisão que parece vir a ser tomada, pois que estão em jogo as relações comerciais entre as duas vizinhas regiões portuguesa e espanhola, esse eixo Atlântico que é da maior importância e que o Governo também dá ideia de que não está a levar em conta. Uma trapalhada!
O pagamento ou não das portagens nas estradas que até agora têm estado isentas dessa taxa é, na verdade, assunto que merece a atenção nacional – e não só dos que poderão vir a suportar os respectivos pagamentos -, pois que se trata, por um lado, de entradas de dinheiros de que o Estado tanto necessita, e, por outro, de mais um encargo que o Governo obriga os cidadãos a suportar, sabendo-se que não ficarão por aqui as exigências que serão feitas para ir aguentando a balança financeira portuguesa. E é por isso mesmo que o senhor Sócrates tem de vir a suportar os custos pelo sua incompetência governamental, dado que, repito e repito as vezes que forem necessárias, a sua arrogância em ter comprometido o País com gastos que deveriam ter sido adiados fez com que, nesta altura, apressada e irreflectidamente, tudo sirva para ir buscar verbas que sustentem o desequilíbrio financeiro em que vive a Nação. E, já que me refiro aqui à Galiza, essa zona espanhola tão ligada, por laços de irmandade, com o Minho português, seria bom que tivéssemos capacidade para alargar a união de todos os tipos com os vizinhos que se encontram sempre abertos a formar um bloco de interesses connosco. Mas isso é pedir demais a cabecinhas como as que temos por cá…
E até faz dó verificar que os que estão convencidos de que são sempre certeiros, que não têm dúvidas e que os outros é que se enganam, vão até ao fim das suas funções e, talvez dormindo com as consciências tranquilas, acabem por ser os mais felizes deste mundo, apenas lamuriando pelas injustiças dos que não lhes dão valor e, por isso, são uns verdadeiros ingratos.
Não acrescento mais a este texto que, segundo julgo – mas haverá quem tenha opinião diferente -, diz o suficiente de quem já nem vale muito a pena apontar deslizes. Bem nos basta o que estamos a passar e que poderia não ser tão grave se, volto a dizer, as medidas que não foram tomadas a tempo tivesse surgido nas cabeças – ou na “cabeça” – de quem teve nas mãos algumas prevenções que não foram tomadas.
Pois que é disso que eu culpo o “sabedor absoluto”. O tal do “eu sei”, “eu quero”, “eu sou, eu sou…”

quarta-feira, 23 de junho de 2010

VALER A PENA

O Pessoa é que sabia
é sua a bonita frase
no café onde escrevia
usou isso como base
se a alma não é pequena
é preciso experimentar
se de facto vale a pena
na vida assim caminhar

Mas da alma a medida
é coisa que não se apura
nos caminhos desta vida
ainda que com candura
muita coisa faz sentir
que algo vale a pena
pelo menos o sorrir
mesmo com alma pequena

O poeta é assim
descobre no infinito
tal como fazer jardim
sem o menor requisito
mas inventar frases belas
que soam bem ao ouvido
como atirar às donzelas
canções sem menor sentido

O Fernando que adoramos
um génio na nossa escrita
que brilhou em vários ramos
sendo longa a sua pista
nisto da alma medida
de ser grande ou ser pequena
em mim não obtém guarida
acho que não vale a pena

SALVE-SE QUEM PUDER!


NÃO HAVERÁ MUITOS PORTUGUESES que sintam satisfação em apontar erros ao nosso comportamento, o de hoje e o que tivemos ao longo de muitos séculos de História. A tendência, pois, é para recordar apenas os momentos em que nos salientámos de uma boa parte do resto do mundo, especialmente na altura em que, saindo deste rectângulo na ponta oeste da Europa, nos propusemos a descobrir o que ninguém ainda conhecia, para além dos indígenas viventes em localidades muito distantes e esses, por sua vez, com total desconhecimento do que existia para além das localidades onde se movimentavam.
Como eu tenho afirmado repetidamente, a Esfera terrestre evoluiu, as circunstâncias foram-se alterando com o desenvolvimento que o Homem, ele próprio, foi implantando, devido às evoluções das ciências, o que não permitiu que tudo permanecesse inalterado, incluindo as crenças religiosa, as quais não podiam manter-se, levando os diferentes cidadãos, uns mais do que outros, a ter de alterar as leituras de velhos documentos, mantidos como indiscutíveis marcas do seu aparecimento.
Quero dizer e uma vez mais o repito, que, no caso português, não será natural que mostremos reacções negativas sempre que alguém entende ser mais útil à nossa população que a abanemos e lhe chamemos a atenção para as ineficácias próprias que muitos teimam em não querer divulgar. Por sinal é isso que pretendo fazer neste blogue e julgo que, se apenas me dedicasse aos elogios, não merecia importância a sua leitura, dado que nós somos peritos em elogios, sobretudo quando os objectivos que estão na nossa mira deixam de existir… e sobre isto nem é preciso, nesta altura, pôr mais texto na carta!...
Surgiu agora a notícia, vindo do exterior, que Portugal é o 9.º País mais pobre no seio da União Europeia. E a Eurostat adianta que os portugueses se encontram, há três anos, consecutivos, a marcar passo no que respeita ao seu poder de compra e, no que se refere à possibilidade de pagamento das contas em dívida pelos nossos concidadãos, o lugar que se ocupa nesse particular é o de nos mantermos na zona bem cimeira.
O curioso do estudo feito é que o Luxemburgo, essa pequena Nação encalhada no meio do Continente, apresenta uma riqueza que ascende a três vezes a da maioria dos seus parceiros europeus, para além de não sofrer o drama do desemprego, em que a maioria dos seus trabalhadores exercem funções fora das suas fronteiras, nos vizinhos que lhe estão pegados.
Por aqui se pode tirar uma ilação: a de que não é por sermos pequenos que nos situamos numa craveira tão fraca. E, tendo também a vantagem de sermos banhados por um oceano, daí não retiramos as evidentes vantagens. Logo, o que se impõe é que, em vez de nos iludirmos com as nossas qualidades, estudemos onde se encontram os nossos defeitos, apontemo-los e procuremos corrigi-los com a maior urgência.
Por seu lado, a Europa também se encontra numa fase em que não consegue desembaraçar-se dos egoísmos de uns certos parceiros, e em que aquilo que esteve na base da Guerra Mundial de que alguns ainda bem se recordam, pode agora voltar a criar inimizades que são absolutamente prejudiciais aos que se idealizou para este Continente e que chegou a anunciar-se como sendo desejável a criação de uns Estados Unidos da Europa. Cada vez se caminha mais para o contrário desse ideal e, por muitas reuniões que se realizem, a verdade é que os umbigos de cada um permanecem mais salientes do que o interesse no bem comum.
Sendo assim, não é só de Portugal que temos de apontar os erros, pois parece que se está a chegar a um extremo de se estar a implantar um “salve-se quem puder” e, neste caso, ainda mais necessário é que, nós portugueses, cuidemos bem da nossa vida e que não desdenhemos dos que não assobiam para o lado, especialmente se o mal que já esteve mais longe de surgir por aí, já não os atingir, dada a sua idade.

terça-feira, 22 de junho de 2010

HÁBITOS

O hábito é fazer sempre igual
repetir o conhecido
o homem, tal ser mortal
perde por vezes sentido
e o não ter que inventar
mudar de jeito e de forma
até dá para descansar
e com isso se conforma

O hábito faz o monge
diz o popular ditado
que já vem de muito longe
o dia em que foi criado
p’ra quê hábito mudar
se aquilo que vestir
é que parece indicar
a forma de seduzir

Há hábitos que são bons
e outros que são bem maus
tal e qual como os sons
que têm diferentes graus
eu costumo fazer isto
a isso não me acostumo
actuar como previsto
é um vício como o fumo

Assim é que me dá jeito
não me obriguem a mudar
não pretendo ser perfeito
só para a’lguém agradar
o seguir por um caminho
que eu há muito conheço
como cantar um fadinho
e conseguir o sucesso

FUTEBOL ADORMECE


TER SIDO O RESULTADO do jogo de futebol com a Coreia do Norte tão expressivo, em que Portugal saiu ontem vencedor por sete golos a zero, isto quando, haveria a ideia de que iríamos sofrer um grande bocado, recordando o que se passou há vários anos e em que, bem me lembro, depois de estarmos a perder por e a zero, foi o Eusébio quem nos salvou do desastre, acabando o resultado a nosso favor, esse feito fez renascer, por algum tempo, o ânimo neste povo que, digam lá o que quiserem, tem a sua felicidade muito relacionada com o que se passa no reino do jogo num campo com onze jogadores de cada lado.
Não terá sido apenas por se tratar de um adversário que, mesmo no mundo político de Esquerda, não conta com grandes simpatias e eu, que já visitei a Coreia do Sul e estive mesmo na fronteira no paralelo 38, como já o disse aqui, ao ter contemplado os militares do lado Norte com semblantes deveras carrancudos, também não guardo boa recordação dessa gente que, ao fim e ao cabo, não tem culpa de viver num território que tem sido dirigido por um fanatismo ditatorial de que não se sabe bem quando lhe caberá a vez de se libertar de tamanha fatalidade.
Mas, voltando à vitória propriamente dita, vamos ver quanto tempo durará a alegria dos portugueses e se ela chegará para fazer esquecer por muito tempo as agruras de vida difícil que atravessamos. Pelo menos, como portugueses que somos e que temos tendência a conformarmos facilmente com as agruras, encontrando sempre analgésicos que vão aliviando os males, mesmo que não sejam apenas temporários, pode ser que, se conseguirmos um resultado reconfortante no próximo jogo que tivermos de defrontar no campeonato mundial na África do Sul, possamos prolongar por mais algum tempo a falta de meios de subsistência que se vão agravando em Portugal.
E, de cachecol ao pescoço, de bandeira na mão ou à janela, com as caras pintadas com as cores nacionais, apitando fortemente a buzina dos automóveis, fazendo esse ruído horroroso das cornetas inventadas agora, dizem que para dar força aos jogadores, tudo isso servirá para nos entreter e ainda bem que existem meios para desviar a atenção para acontecimentos que criam um interregno nas nossas preocupações.
Pelo menos por agora ficamos mais satisfeitos com o que nos rodeia. O futebol tem destas coisas. E nem os submarinos que temos que pagar lá mais para diante, os milhares de eucaliptos que foram cortados e que deram enormes benefícios a quem conseguiu interferir para que a autorização ministerial fosse conseguida, tudo isso e o muito que se arrasta neste País sem que se verifique interesse em resolver vai sendo entretido com os futebóis que sempre aparecem e que servem às mil maravilhas para que a vida continue, má mas aparentemente aceitável.
Quem governa tem sempre, neste nosso País, algum acontecimento que distrai a população e lhe dá motivo para se manter sem ultrapassar as medidas. Eu bem gostaria de ver a marcação de uma manifestação popular numa altura em que, num campo de futebol, se estivesse a jogar uma partida que se sobrepõe a todos os assuntos que interessam a Portugal. Nem o Carvalho da Silva nem ninguém desfilaria pela avenida da Liberdade…