quarta-feira, 16 de junho de 2010

MUDAR O POVO

Eu sofro tanto por ver
em cada dia que passa
este País a morrer
entregue à sua desgraça

Foram tantas eleições
muitas escolhas, mudanças
houve várias opções
e outras tantas alianças

As disputas foram várias
zangas também um fartum
e promessas como árias
ninguém augurou jejum

Na escolha de quem governa
que desde setenta e quatro
se tem visto como alterna
que nem cenas de teatro

Sucedem-se Presidentes
todos prometem mudar
mas nenhum trouxe presentes
que apetecesse cantar

Nesta altura de mudança
com Cavaco a presidir
nasce mais uma esperança
de que se vai progredir

Mas então mudar Governo
votar outro Presidente
vai fazer com que este inferno
altere assim de repente?

Eu por mim julgo que não
não digo nada de novo
é precisa a opção
de trocar cabeça ao povo

MENOS PORTUGUESES


AS ESTATÍSTICAS são, por vezes, elementos que nos oferecem tanto boas como más notícias. Mas, no decurso dos tempos mais recentes, são elas que orientam os nossos comportamentos e nos proporcionam quer melhor futuro ou mesmo o seu contrário.
As estimativas da população de 2009, reveladas pelo INE, indicam que a natalidade em Portugal no ano recorrido marcou uma descida significativa e isso, afirma-se, dada a crise que se vive actualmente no nosso País. O declínio demográfico e social fixou-se numa diferença acentuada em relação aos anos anteriores e isso não obstante o número de imigrantes que se instalaram em Portugal, sendo sabido que, nessa área, a sua taxa de natalidade é maior do que a nossa.
No que diz respeito à população propriamente dita, o saldo não é tão negativo porque foi superior o número de estrangeiros entrados do que de portugueses buscando residência lá fora.
Haverá razões concretas para a diminuição de nascimentos, que se estabelece em 5% relativamente a 2008, sendo de considerar o desemprego de ambos os cônjuges, as limitações de trabalho às mulheres grávidas e também o envelhecimento da população nacional, ao ponto de nos situarmos, no grupo da União Europeia, como um dos países com maior percentagem de gente envelhecida.
Será que, face a estes dados, se pode concluir que os portugueses estão em vias de desaparecer? Que a invasão de povos de outras origens e a proliferação de natalidades com outras nacionalidades provocará, no futuro, uma mudança de sangue e de características, diluindo-se as que são nossas, as lusitanas, que, como se diz acima, têm tido, ao longo da nossa existência, propensão para procurar locais fora de portas, até para terras bem longínquas, com usos e costumes muito diferenciados dos nossos, essa facilidade e conveniência de melhorar de vida contribuirá certamente para os números que as estatísticas nos mostram.
O conhecimento que é dado pelas estatísticas é que, por cá, a média de nascimentos é de um filho por casal, sendo também constatado que é cada vez mais tarde que se verifica o nascimento de um descendente, fixando-se a idade das mães com a primeira natalidade nos 28,6 anos.
Sobretudo, devido à fuga de África de milhões de naturais daquele Continente, no caso europeu e, em particular de oriundos de terras que foram antes colónias nossas, portanto com a facilidade da língua e dos hábitos que eles já conhecem, dada essa particularidade, o nosso País – ainda que não seja o único por esse mundo fora -, tem sido receptor de gente que aqui procura melhoria de condições de vida. E, sendo casais formados, a continuação dos seus laços familiares concretiza-se em terras lusas.
Outra pergunta que podemos fazer e que não constitui a menor preocupação em termos de raça é esta: será que, no prazo de uns tantos anos, cinquenta ou à volta disso, a cor da pele dos portugueses escurece, pois nós sempre demos o exemplo de, nas zonas africanas (e noutras) onde nos instalámos, termos sido pioneiros em misturar raças, não tendo a menor relutância em criar o que constitui uma marca da nossa especialidade: a dos mulatos.
É certo que na Holanda, por exemplo, a união das duas cores, dos loiros e dos pretos, se tem tornado vulgar, mas nesse aspecto não foram pioneiros na mistura. E, no que nos diz respeito, não foi apenas nas descobertas que os portugueses deram esse passo. A partir do momento em que assentámos arraiais nas florestas africanas e depois na regiões indianas tal como em Terras de Vera Cruz, logo deixámos o nosso sinal, não mostrando qualquer repulsa pela possibilidade de continuar o “fabrico” de novos seres humanos.
Mas isso passou-se em tempos. Não é o que ocorre nesta altura. E, tendo em conta o abandono que se verifica no interior do nosso País, em que existem aldeias onde só permanecem os velhos, os que não abandonaram os locais onde nasceram e ali aguardam para serem depositados os seus restos nos cemitérios que ainda se mantêm. Por aí se pode concluir que o desaparecimento de nacionais é um fenómeno que pode contribuir para o que se chamará de desaparecimento do modelo físico português.
Por outro lado, como a invasão de chineses, não só nos mais recônditos sítios em Portugal mas em tudo que constitui razão para se instalarem com as suas lojas, será caso igualmente para podermos admitir que, algumas décadas adiante, os lindos olhos dos homens e mulheres portugueses se transformarão em pequenas gretas que caracterizam os povos do Oriente longínquo.

terça-feira, 15 de junho de 2010

LUSOFONIA

(trecho de um cântico longo da autoria de José Vacondeus)
Canto II

O mundo dormindo à nossa volta
não se preocupava com uns loucos
como nós, portugueses, cá à solta
e que por sinal éramos bem poucos
não levando em conta os nossos feitos
não se apercebendo da importância
e menos dos seus futuros proveitos

Só séculos depois lá despertaram
assustados entenderam então
que terras onde as nossas naus chegaram
passaram a ser da nossa comunhão
Que horror! Que injustiça, gritaram
um País tão pequeno não merece
aquilo que nos dizem que ganharam
mas que a nós, grandes, só enfurece

Todas as invejas não se esconderam
mais a mais se em terras africanas
grandes riquezas lá apareceram
e nem mesmo trovas camonianas
cantaram o que nós não descobrimos
estiveram lá anos enterradas
e o seu bom valor nunca sentimos
pois não chegaram lá nossas enxadas

Depois, a nossa visita a terras velhas
foi para recordar só os heróis
mas também para construir grelhas
para ajudar futuro no depois
de onde saímos escorraçados
sem jeito para mostrar nosso amor
levamos lá hoje alguns recados
mostramos nosso lado sedutor

E a verdade sim deve ser dita
recordando nosso comportamento
com toda aquela gente bem aflita
foi com alguma pena o momento
em que o nosso coração ficou
metade por lá onde estivemos
e até hoje não se explicou
como entendermo-nos não soubemos

Em África nossa língua ficou
melhor ou pior igual se fala
o luso-afro lá se implantou
e os naturais disso fazem gala
por muitos outros sítios se perdeu
a semente não pegou bem na terra
na Ásia e na China lá morreu
aquilo que a lusíada encerra

CABO DAS TORMENTAS/CABO DA BOA ESPERANÇA


SERÁ QUE os portugueses ainda se mantêm interessados em saber, de ciência certa, se Sócrates mentiu ou não quando, no Parlamento, afirmou não ter tido conhecimento prévio de que estavam a decorrer negociações para a compra da TVI pela PT ou fosse lá por quem fosse, por forma a terminar com a emissão das sextas-feiras, em que Manuela Moura Guedes mantinha um programa que lhe era absolutamente indesejável? Nesta fase de aperto dos cintos e com a previsão de piores dias que se aproximam, andarão os nossos compatriotas, a maioria, os de parcos meios de se sustentarem, para não falar já dos desempregados e sem subsídio (que isto é outra história que não se enfrenta com a devida competência), a procurar apurar a verdade, se temos um primeiro-ministro mentiroso ou se tudo não passa de uma ocupação de tempo e de um gasto com comissões que não servem para nada e só fazem figuras tristes perante todo o País?
Julgo eu que os cidadãos deste País, aqueles que ainda procuram andar em dia com os acontecimentos que nos rodeiam, terão há muito tempo a sua opinião formada. Dessa já o José Sócrates não consegue livrar-se, ma também não interessa nada, pois existe a consciência de que as circunstâncias políticas, que se vão mantendo por cá, não são propícias à abertura de portas à realização de eleições legislativas, havendo que esperar primeiro pela luta pelo lugar em Belém e, só depois, se o titular que lá se instalar assim o entender, se poderá pensar em substituições do actual Executivo.
O triste no meio de tudo isto é que, desejando alguns de nós fazer um exame das possibilidades de ser encontrada a pessoa ideal para pegar na condução política de Portugal, fazemos uma corrida pelas figuras que por aí andam e se prontificarão para enxotar o mal visto responsável principal pelo estado das coisas a que se chegou nesta Terra, mesmo aí não conseguimos descortinar uma que nos possa transmitir ainda que uma relativa tranquilidade no que diz respeito a competência, a honestidade política, com o mínimo de bom senso, e possuidor do intuito de cuidar mais e melhor dos problemas nacionais do que dos seus próprios e do grupo partidário que representará, que dará uma imagem de não ser o tal que sabe tudo e que não se debate com dúvidas, essa personalidade, no panorama que eu tenho na cabeça, não surge por forma a deixar-me descansado.
Atravessamos nesta altura – e vem bem a propósito pelo campeonato do mundo de futebol que se está a realizar na África do Sul – um verdadeiro Cabo das Tormentas. Mas, sonhadores como temos que ser, apesar de tudo, tal como fizeram os nossos navegadores que se lançaram mares fora na descoberta do que viesse, antes do desconhecido mas agora do que sabemos bem o que procuramos, a essa curva do caminho temos de chamar Cabo da Boa Esperança.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

ASSOBIA-LHE ÁS BOTAS

Tudo o que temos e parte
deixando as mãos vazias
talvez por não termos arte
ou por falta de energias
isso que foi nosso antes
e depois deixou de o ser
até os próprios amantes
choram depois de perder

Há quem lute p’ra guardar
o que está mesmo a fugir
faz tudo para agarrar
acaba sem conseguir
tinha de ir lá se foi
já não chegam cambalhotas
mais vale fazer de herói
Há certas botas que guincham
outras rangem ao andar
as que apertam e pés incham
como as que fazem suar
mas quando alguém lh'asobia
é o sinal de partida
não se trata de mania
mas sim concreta fugida
Perdida que é a esperança
de reaver o perdido
às botas com a sua andança
só lhe resta o olvido
lá longe o assobio
do dono atarantado
pode ser um desafio
nada é recuperado

O POVO OPINA


BEM GOSTARIA eu de não voltar a este tema, porque, pelo menos, seria sinal de que, com a quantidade enorme de problemas por resolver que por cá se arrastam, este já estaria no lugar que lhe compete, no arquivo dos berbicachos solucionados e, por isso, mesmo, já encontrados os seus responsáveis. Mas não é nada disso que sucede e, pelo contrário, ao cabo de demasiado tempo passado sobre o acontecimento em causa e cujas consequências dos muitos milhões que têm de ser desembolsados pelo Estado – isso lá para diante, para os que então se encontrarem na posição governamental com tal encargo -, a comunicação social volta agora, com mais evidencia do que na altura do sucedido, a rebater a questão dos célebres submarinos adquiridos a um fornecedor alemão e de que se diz existirem inúmeros interveniente, com comissões em que já ganharam saborosas fortunas, pois a negociata é, segundo se diz, de molde a ter deixado muita gente ultra bem aviada.
Mas, o que aparece agora com o ar de revelação inesperada, por via de escutas efectuadas a duas figuras conhecidas, e que aguarda que a Justiça portuguesa faça o seu trabalho – e com rapidez, se não é pedir demasiado a um sector que nos tem trazido com justificada revolta -, é que essa operação da aquisição dos tais submersíveis (tão essenciais à nossa Marinha, como ainda conseguem existir uns tantos oficiais desse sector a aplaudir a operação, afirmando que esses submarinos são essenciais à nossa frota, imagine-se!), se pode incluir num outro enigma que também pertence aos segredos das investigações que, em Portugal, não chegam nunca ao seu final: ao do caso Portucale que, como sabe quem ainda não o esqueceu, tem a ver com a autorização concedida pelo ministro do Executivo, então CDS, para serem cortados milhares de sobreiros, “embrulho” esse em que foi divulgado o nome do então tesoureiro do mesmo PP, Abel Pinheiro, que se mantém apontado como participante no problema e em que, repito, se cometeu o grande crime de destruir uma imensidão de árvores de enorme riqueza ambiental.
Pois agora, a notícia divulgada refere-se a terem sido apanhados nas escutas, tanto o agora presidente do CDS, Paulo Portas, como o mesmo interveniente apontado na Portucale, esse Abel Pinheiro, que, com a ajuda financeira prestada pelo BES ao CDS, terão prestado a sua participação em ambos os casos, por sinal os dois com estrondosas consequências de prejuízo para o nosso País.
Serão, de facto, essas figuras merecedoras da crítica dos portugueses? Podem ser indicados como culpados? Terão de ser afastadas as ideias pouco benévolas que correm nas cabeças de muitos dos nossos cidadãos, sobretudo neste período difícil que se atravessa e em que as saídas indevidas de dinheiros públicos têm de ser largamente criticadas? Se sim ou não é coisa que tem de ser dada a conhecer aos cidadãos do nosso País, com absoluta clareza e com completa justiça. Os Tribunais não podem ficar com o peso de mais esta situação, não dando mostras de actuar com clareza, rapidez e total isenção. Ninguém perdoará que a máquina judiciária não proceda de acordo com as leis e com a urgência que o caso merece. Doa a quem doer. Sejam quem forem os culpados.
Os portugueses, esses já formaram a sua opinião. Mas pode estar errada. E se assim é, tal se deve à demora em fazer funcionar os meios de que se dispõem para indicar os inocentes e culpar os que têm de pagar pelo mal feito.
É que, como sucede neste País de comportamentos estranhos, não fiquem admirados se, entretanto, não for anunciado um qualquer “site” a pretender “sacudir a água do capote” e a convencer os duvidosos de que há quem sofra com as acusações públicas que foram lançadas no ambiente populacional. E, claro, os juízes têm de passar a ser as vítimas, pois que se não querem fazer esse papel, então que se despachem e cumpram depressa e bem as suas funções!...

domingo, 13 de junho de 2010

IBÉRIA

Oh! Meu País como gostaria de te ver
diferente
não impotente
mas a querer
dar a volta por cima
e com o desejo de quem afirma
que os séculos passados
não foram deixados
em vão
com a sensação
de que não vale a pena lutar
porque é preciso ir à guerra
e não capitular
pois afinal o que temos é só a nossa terra
e aqueles que a foram definhando
antes da Revolução e depois andando
sempre a julgar que somos
o que não somos
fingindo primeiro de ricos
e depois feitos em fanicos
esses que terão a culpa
não têm desculpa
mas também não pagarão
neste País de perdão.
Olhar para trás nesta fase
apontar culpados já nem vale a pena
é como largar uma frase
de outra peça, de outra cena
já não entra no enredo
já não resolve o problema
o que é preciso é não ter medo
de encarar de frente
bem de frente a situação
e ver que um País doente
só tem uma salvação:
que todos os portugueses se juntem
e puxem para o mesmo lado
e, neste caso, não perguntem
se há tempo para arrazoado
arregaçando bem as mangas
deixando de lado queixas
esquecendo todas as deixas
para produzir, produzir
sem olhar a sacrifícios
para pensar no porvir
usando todos os artifícios
que o engenho e a arte proporcionarem
e que o bom senso e o suor puserem à disposição
ou mais vale abandonarem
o que ainda estará na mão
embarcando não para descobrir novos mundos
mas para fugir do triste destino
que nos ameaça lá nos fundos
e procurando outro figurino
bem diferente, bem melhor
com políticos corajosos e competentes
realistas, actuando com primor
e que estejam cientes
de que os países só se podem governar
com coragem e determinação
e que não é possível amodernar
a nossa nação
sem honradez e sem patriotismo
sem valentia e sem desprendimento
não querendo cair no populismo
nem tão pouco deixar-se abater pelo desalento.

Oh! Meu País, como gostaria de te ver
entregue a outra gente
para poder crer
que havia ainda semente
capaz de fazer florir
a flor murcha que por aí ainda exista
e poder sorrir
com espírito altruísta,
sonhador é certo
e com esperança, que é a última a perder
mas mesmo não estando perto
a volta a dar a isto e entender
que mais vale tarde do que jamais
e ou nos salvamos todos
homens e animais
ou voltamos ao tempo dos visigodos
e encaramos a geografia
sem pensar em miséria
e por muito que provoque azia
encorparmo-nos numa Ibéria.

EUROPA - ESPERANÇA?


É VERDADE que alguns de nós nos queixamos do mau caminho que os governantes (e não só) que temos por cá têm obrigado Portugal a seguir um mau caminho, sendo que as razões de queixa aumentam consecutivamente, fruto de uma enorme falta de imaginação, de competência e, (por que não?), de sentido de responsabilidade de que não se podem os mesmos eximir. Mas, afinal, aquilo que tem ocorrido ultimamente por essa Europa Comunitária, em que gente que não tem nada que ver com as características lusitanas, tem conduzido o conjunto de países que aderiram ao Grupo para um perigoso fosso, que está mais próximo do fim dos intentos da sua criação do que no fortalecimento das amarras que nos ligam e que sempre tiveram o objectivo de se fortalecerem, tal liderança assumida por uns tantos só têm dado provas de uma enorme mediocridade – para usar a expressão escolhida ainda recentemente por Mário Soares -, não pode ser considerada como exemplar e essa situação, não nos alegrando, pelo menos sempre desculpa alguma coisa aquilo que fazemos com deficiência no interior das nossas fronteiras.
A comemoração dos 25 anos da adesão do nosso País e de Espanha à então Comunidade Económica Europeia deu motivo a Durão Barroso (de que se compreenda a sua posição de defesa do seu lugar) para tentar criar uma auréola de desculpa de tais erros, baseando esse facto na “diferença de lideranças” em que, atacando os a que chamou de “pessimistas intelectuais”, acentuou que a “Europa está mais avançada, mas não se pode dizer que está melhor ou pior”.
E é por aqui que não será de estranhar que existam tantas diferenças de visões quanto ao futuro deste importante agrupamento que, isso sim, tem dado mostras claras da dificuldade em criar um “novo modelo europeu”, em que, para além do fundo monetário que já se possui, falta um governo económico e, acima disso, um governo político, como disse, na mesma altura da comemoração nos Jerónimos, o antigo primeiro-ministro espanhol Filipe Gonzalez. Por seu lado, como era de esperar, José Sócrates mostrou “estar muito confiante na integração política”, acrescentando, no seu estilo, que “tenho a certeza que a Europa interpretará a crise como uma necessidade imperiosa de avançar”.
Aproveitando a ocasião, quatro banqueiros portugueses vão reunir-se, na próxima semana, em Bruxelas, com o Comissário Europeu dos Serviços Financeiros, para darem a conhecer as dificuldades que as entidades bancárias nacionais atravessam nesta altura, prevendo-se que 2012 venha a ser um ano muito problemático, com o aumento da recessão e, portanto, também do desemprego, mas, não se pode esperar que essa deslocação tenha em vista uma melhoria das condições de vida no nosso País, mas, acima de tudo, ser conseguido um aumento da ponderação de risco dado às hipotecas nos empréstimos às habitações (agora de 35% e que se prevê passar a 50%). Justifica-se que duvidemos que a apetência que venha de novo a ser criada nos casais para se meterem em dívidas com a compra de andares, essa repetição de um erro que conduziu ao elevado número de famílias penduradas com hipotecas do que não conseguem liquidar, servirá para aliviar o bem estar dos portugueses.
Será, no entanto, caso para um moderado optimismo o facto da chanceler alemã Ângela Merkel ser favorável à criação de um Fundo Monetário Europeu, tão necessário para, em vez do FMI, acudir às necessidades dos países do nosso Continente, integrados na Comunidade, sugestão esta que, ao contrário do que seria de esperar, não tem sido uma ideia muito aplaudida pelos responsáveis dos diferentes parceiros. Pelo menos neste caso, não se pode acusar a governante alemã de dar mostras de excessivo egoísmo nacionalista.
Nós, situados nesta ponta, ainda que possamos contar com a solidariedade possível dos nossos vizinhos espanhóis, só nos resta aguardar pelo seguimento que tiver a Europa de que ambos dependemosE ainda há quem seja partidário de sairmos do Grupo e de voltarmos ao antigo Escudo!... Se isso nos sucedesse, então o que poderíamos era apenas chorar sozinhos e voltar aos dez tostõe

sábado, 12 de junho de 2010

FALAR

As conversas são tal qual as cerejas
umas atrás das outras sem parar
servem-se como petiscos em bandejas
não é fácil ouvir sem contestar

Falar, p’ra muita gente é preciso
é como abrir à alma as portas
o ideal porém é ter bom siso
e não se embrenhar em zonas mortas

Trocar ideias e os outros ouvir
ficar calado quando outrem fala
saber escutar com todo o respeito

É princípio sagrado do sentir
é dar a ideia de que se iguala
é andar perto do que é ser perfeito

INSUSTENTÁVEL


POSSO GARANTIR que não fui eu que redigi o discurso de Cavaco Silva, esse que foi lido na cerimónia do 10 de Junho e em que o adjectivo insustentável ficou nos ouvidos dos portugueses. No entanto, tenho de reconhecer que a súmula das palavras proferidas coincide com a generalidade da opinião que tem sido expressa neste meu blogue e em que o desconsolo que não escondo serve de base à maioria das opiniões que apresento.
A coesão nacional que o Presidente em exercício pede aos portugueses, todos eles mas, sobretudo, aos políticos em exercício, relegando para segundo plano as quezílias que só poderão ter lugar em alturas que não sejam de enormes dificuldades de toda as espécies que defrontamos em Portugal neste momento, essa necessidade fulcral que, sem ser devidamente atendida, pode levar-nos, ainda mais depressa, para um afundamento de dimensões imprevisíveis, tem sido objecto de avisos que aqui deixo com frequência, mas que, infelizmente, não são assim tão bem atendidos como é tão essencial.
Se entre os diferentes partidos políticos, é natural que os seus objectivos não coincidam e que, por tal, os modos de proceder politicamente não se aproximem, manda, no entanto, a prudência e a perseveração de uma certa acalmia para não aumentar as dificuldades que se proceda a uma retirada da luta sem quartel que, até noutras circunstâncias, merece o maior respeito democrático e dá mesmo uma certa movimentação curiosa. Também, no campo das organizações sindicais, as greves, marchas populares, manifestações que se justificam noutras alturas, actualmente só contribuem para piorar o panorama e, mais do que isso, não solucionam nenhum problema.
Por outro lado, esforçarem-se os responsáveis pela busca de soluções para Portugal em prestar todas as explicações aos cidadãos, sobretudo em linguagem facilmente entendível por todos – coisa que os membros da governação não dão mostras de saber fazer -, não devendo deixar nada por explicar, pois se se pedem sacrifícios é fundamental que se justifique a razão de tais duras medidas.
Tudo isto ando eu, neste blogue, há já bastante tempo a clamar, se bem que não verifique, por parte de quem tem obrigação de seguir uma linha transparente de governar, em vez de dizer e de desdizer, de baralhar as cabeças dos portugueses com informações falsas da situação que nos rodeia e da que está em vias de aparecer, como é o que tem feito o primeiro-ministro, que esse, também graças às dificuldades em ser substituído – as mesmas que recomendam paciência na perspectiva actual -, se deve conservar no sossego do seu gabinete de S. Bento. A seu tempo se terá de actuar.
Pois, se nunca usei a palavra “insustentável”, em relação ao estado em que Cavaco Silva classificou o estado do nosso País, no cômputo geral não escondo a minha enorme preocupação em assistir à avalanche de problemas graves por que estamos envolvidos.
Mas, já agora, ainda que sejam muitas as situações de que não conseguimos libertar-nos, será o desemprego dos portugueses que tem de afligir mais todos nós deste País. É evidente que se trata de uma cadeia de males que têm o seu início na deficiente produção que conseguimos alcançar. É isso e foi sempre esse factor o que nos colocou numa escala ínfima para podermos, no mínimo, equilibrar a balança de pagamentos, sendo bastante mais o que importamos do que o que vendemos ao estrangeiro. E esse sector nunca mereceu a atenção dos que nos governam, ao ponto de podermos atender às restantes falhas no nosso País que, neste panorama económico, financeiro e social de todo o mundo, nos proporcionam ficarmos classificados como Cavaco Silva encontrou no seu discurso: de “insustentável”!...
Mas se, José Sócrates, surgiu logo a seguir a considerar exagerada tal expressão, pois que arranje então ele, dentro do nosso rico vocabulário, a que entende ser a apropriada. Só para nós ficarmos a saber!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

ESPERANÇA

Todos nos olham, ficam espantados
estamos na montra do mundo real
afinal, todos nós os enganados
fiámo-nos na pureza ideal

Um raio de luz
chegará um dia
qu’alegria
em que a nossa cruz
terá um bom fim
enfim

O Homem verá
que é bom sorrir
e aí partir
para o que será
um mundo melhor
o maior!

E é o Homem o maior culpado
porque é grande a sua ambição
nem os maus exemplos do passado
mostram dever ser outra a sua acção

NOBRE POVO


NÃO ME INCOMODA nada e não pensem que fico com remorsos pelo facto de apontar os defeitos que reconheço nos portugueses, este povo que não é capaz de olhar para si mesmo com total ausência de preconceitos, de modo a que, dessa forma, procure emendar as característica que o têm conduzido a ser, ao longo de toda a sua existência, um agrupamento de habitantes deste rectângulo que, apesar de se encontrar geograficamente muito bem situado na Europa, nunca conseguiu sobressair da pequenez a que foi votado desde que Afonso Henriques decidiu separar-se da mãe e ficou com a responsabilidade de criar uma Nação que, nessa altura, não precisava de se associar a nenhuma outra e tinha até uma missão a cumprir, a de expulsar os mouros para o sul e conseguir especificidades próprias capazes de edificar um futuro feliz.
Depois, ao longo dos tempos, o mundo também mudou completamente. Diz a História que os nossos vizinhos espanhóis criaram em nós um espírito de autodefesa despropositado e de independência a qualquer preço. Os Pirinéus, durante muito tempo, contribuíram para nos separarmos do resto dos países do nosso Continente que se iam desenvolvendo. De costas voltadas para o conjunto europeu, fomos forçados – e em boa hora – a querer descobrir o que se encontrava para lá dos mares que eram o nosso único horizonte. Fizemos boa figura, no isolamento a que nos entregámos, mas não fomos capazes de tirar partido dessas descobertas que serviram apenas para alargarmos o espaço para lá colocarmos alguns compatriotas. A nossa língua, que deveria ser hoje a mais falada em todas as partes do mundo, deixou pingos de passagem, mas foi ultrapassada por uma outra, a inglesa, que, por sinal, pertence a um povo que nunca descobriu terras, antes ocupou os espaços e alguns onde nós tínhamos chegado antes.
Apressadamente damos o salto para o nosso século. Hoje em dia, somos isto: uma Nação que, encolhida, não consegue bastar-se a si mesma. Não sabemos vender, expulsos os judeus pelo rei Manuel I, não adquirimos essa qualidade de produzir bem e mostrar aos outros o que sabemos fazer, para colocar lá fora o fruto do nosso trabalho. Estamos dependentes do que os do estrangeiro nos enviam. O desequilíbrio financeiro é o que nos limita completamente. Gastamos mais do que aquilo que ganhamos. Vivemos na ilusão de que “isto há-de mudar”. Mas não fazemos nada ou não acertamos para que tal objectivo seja alcançado. E assim nos fomos e vamos arrastando pela vida fora.
Na devida altura, criado que foi o espírito da europeização, a Comunidade Europeia, o euro, a vontade de se fixar neste espaço uma união de Estados, Portugal aderiu rapidamente a esse propósito e, embora não tenha sido por nossa culpa, a ideia de tão grande significado e alcance não tem prosseguido com a rapidez e com a clareza que se impunha, pois essa porta para se proceder a uma melhoria fulcral no procedimento de actuar dos povos europeus, essa encontra-se ainda bastante longe do objectivo sonhado, e muito embora exista a preocupação de se manterem as tradições de cada grupo nacional não se caminha convenientemente nessa direcção. Tudo isso não tem constituído um auxílio tão necessário para que, por cá, recebêssemos um incentivo para modificar, no bom sentido, o nosso comportamento.
Pois bem, este retrato chega para mostrar que eu, como português, pertenço ao grupo de cidadãos que não desiste da responsabilidade de tudo fazer para que, conscientes do que somos, arregaçarmos as mangas e deixar para trás o que constituiu a parte má da formação lusitana. E, embora seja autor desta opinião pouco animadora, se, ao cabo de tantos anos de vida como português, não consigo ter outro ponto de vista, por isso coloco-me na posição de ser cúmplice de todo um povo que, por muito que reclame, por mais manifestações de rua que faça, não sai da conhecida “cepa torta”. E mantemos o espírito cobarde de esperar que quem vier a seguir resolva os problemas.
É por isso que, num blogue atrás, afirmei que todos nós somos uns sócrates que descarregamos a nossa ira do fulano que ocupa o lugar de chefe de um Governo que, também esse, como outros antes, como sucedeu no tempo do velho Salazar – que cultivou, em seu proveito político, a incultura nacional -, se comporta como qualquer outro português que tivesse ocupado ou venha a ocupar o mesmo lugar.
Tenho dito e não me canso de repetir: se, em vez dos tais Magalhães, uma fantasia que é completamente enganosa no sentido prático, tivesse sido introduzida às crianças, na classe primária, a aprendizagem da prática democrática, de forma a que, dentro de três a quatro gerações, os portugueses pudessem mudar de comportamento, talvez alguma coisa já se tivesse notado que mudou por cá. Este nosso comportamento de não termos a capacidade de saber ouvir, de não deixar os outros exporem as suas opiniões, de interrompermos quando os parceiros falam, clamando mais alto, de nos julgarmos sempre dentro da razão, de só reclamarmos pelos nossos direitos e desprezarmos as obrigações, enfim e em resumo, sendo um povo maravilhoso, que sabe muito bem receber, que vive num País de uma beleza incomparável, que dispõe de uma temperatura agradável, que tem valor para poder ser um excelente trabalhador, se as condições forem as adequadas para atingir esse objectivo (vide os nossos emigrantes), e não nos forem facilitadas maneiras de gozar do prazer do descanso – os inúmero feriados de que dispomos são grandes culpados da falta de vontade de produzir -, se tudo isso que somos servisse para termos a humildade suficiente para fazer um acto de contrição sem complexos de nenhuma espécie, então, mesmo agora ou sobretudo nesta situação complicadíssima em que nos encontramos, seríamos capazes de dar a volta por cima e prosseguir na caminhada de uma felicidade relativa, que é aquilo com que nunca contámos, desde o início das Nacionalidade.
Já sei. Vão-me cair em cima centenas de comentários destroçadores. Não existe a coragem de dizer com clareza aquilo que, mesmo escondendo, levamos dentro de nós. E é por essa razão que não mudamos. Para melhor. A História que nos dá grande satisfação na parte dos feitos heróicos, basta-nos e tapa todo o resto. Podemos considerar chatos aqueles europeus ou até de regiões longínquas que saem de casa às 5 da manhã, que trabalham todo o dia, que não se distraem quando estão a exercer as suas profissões e que, ao fim da cada jornada, avaliam o valor do que fizeram, mas esses “maçadores” são os que contribuem para que os seus países progridam. Não é por fazerem greves ou engrossarem manifestações de qualquer espécie que melhoram s seus níveis de vida.
Nobre povo, como clama o nosso hino, teremos que ser. Valha-nos isso. E não pode ser somente o entusiasmo pelo futebol que nos pode levar a uma vaga união que, passada que é a euforia, nos coloca de novo na situação em que nos enontramos.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

NÓS OS POETAS...

Dizem que nós os poetas
só compomos tristes temas
meto na consciência a mão
e dou a razão a todos
tendo vidas inquietas
como fazer uns poemas
seguindo outro padrão
e escolhendo outros modos?

De facto a poesia
encaixa mais na tristeza
é a chorar que ela sai
até com lágrima seca
não se trata de mania
ninguém tem essa certeza
nem para onde ela vai
caminhando seca e Meca

O poeta aperta a alma
obriga-a a deitar para fora
o que sempre a atormenta
que lhe corrói o semblante
escrevendo sempre acalma
mandando de todo embora
toda a parte mais cinzenta
podendo até ser brilhante

Outra coisa é fazer rir
e seu mérito terá
nem todos serão capazes
e tristes alguns serão
mas lá podem conseguir
dar alegria quiçá
a raparigas, rapazes
e até ao mais tristão

Mas aos poetas não cabe
cumprir tamanha missão
outro destino é o deles
outra vontade é a sua
esse caminho não sabe

SE CAMÕES CÁ VOLTASSE!...


EM MAIS UM 10 de Junho, temos de recordar festivamente, o nosso grande Luís de Camões. Isso, se bem que a maioria dos portugueses – digo-o sem receio de me equivocar - não tenha ideia do motivo por que se goza um feriado neste dia. Ou associam-no apenas a um vago Dia de Portugal e das Comunidades. É que, actualmente, no ensino escolar, não sucede como no tempo dos mais velhos, em que, logo nas escolas primárias (agora estupidamente com outro nome), aprendíamos até a dividir as orações dos Lusíadas! E, mesmo com alguma fantasia, se contava o célebre naufrágio em que o ilustre poeta tinha salvo a sua obra histórica nadando só com um braço. Era, no mínimo, uma maneira de honrarmos a existência de um valoroso português que, desde as batalhas no Norte de África, tinha chegado a Macau, onde se podia visitar – como me sucedeu a mim – a que lhe era atribuída como sendo a Gruta de Camões (será que ainda se vai conser durante muito tempo?).
Não é admissível que nos conformemos com o facto dos responsáveis pela condução do ensino dos estudantes portugueses da actualidade, pois, por múltiplas razões que não cabem agora ser enumeradas, até porque a consciência dessa gente não dá mostras de se sentir atingida pelas realidades do péssimo ensino que se pratica no nosso País, em todas as suas escalas – até os universitários acabados de sair com os canudos, são apontados como vagamente conhecedores, sobretudo da língua portuguesa -, pois repito que não podemos aceitar passivamente tal postura, mas, antes pelo contrário, é forçoso que denunciemos o mau caminho que a nossa bela língua está a levar, sobretudo com os que nem se podem considerar neologismos, mas antes asneiras puras que têm de revoltar os que, ainda resistentes, procuram manter a perfeição daquilo que nos foi deixado, numa boa parte pelo nosso grande poeta dos Lusíadas.
Por muito que uma língua não possa ser estática, pois a mudança de vida, a criação de novas tecnologias e a natural apetência para ir introduzindo formas novas de nos expressarmos leva a que se verifiquem diferenças que, com o andar dos anos, se vão enraizando. Porém, nada disso justifica que entremos num beco de vocabulário reduzido, de ausência de imaginação, mas, pelo contrário, alarguemos o panorama da maneira de falar, desde que não destruamos o que está na base, na origem latina, grega e até árabe, do nosso vasto vocabulário. Por exemplo, essa palavra que, por tudo e por nada (sobretudo mais por nada), surge agora na boca dos palradores, como é a do “espectáculo”, que, ainda por cima, é reforçada pela outra que dá ainda mais ênfase à expressão, a “espectacular!”, faz-nos levantar a interrogação de se Portugal é assim tão espampanante, que tudo que ocorre à nossa volta sai da área do comum, que não nos limitamos a ser normais, correntes, e que as nossas palavras e acções deixam boquiabertos os que nos observam e nos ouvem.
E, ainda por cima, é a própria televisão que divulga muitos dos erros que se alastram na fala dos lusitanos que, facilmente influenciáveis, passam a introduzir nas suas conversas o que nunca deveria ter saído da imaginação dos destruidores do português.
Tem de penalizar verificar-se que a língua que utilizamos, por muito que não deixe de ser uma língua completamente viva, se veja invadida, tão despudoradamente, pelas asneiras dos que, com visível irresponsabilidade, espalham um linguarejar que só serve para destruir a beleza do que constitui, mesmo inconscientemente, a nossa personalidade. E, como não é apenas esta expressão que se encontra nitidamente fora da lógica da nossa língua, pois os “portantos”, os horrorosos “digamos”, os “pois” e outras aberrações que, com o tempo vão desaparecendo, o que nos espera é que até os “bués” – que já fazem parte oficialmente do nosso idioma -, sejam acrescentados por outros dizeres que sobram e atormentam os dicionários que, pelo menos, esses vão mantendo, enquanto podem, a perfeição.
Há que lutar contra o mau português. Que, pelo menos, esse dom não seja perdido, como tantos outros valores que, com as desculpas das integrações, se vão desvanecendo e correm o perigo de desaparecer. Uma Europa unida, sem dúvida. Uma Península Ibérica fortalecida para se defender melhor das concorrências de outras forças mais fortes, tudo isso também será bom. Mas que os usos e costumes, e, acima de tudo, a nossa língua, não seja estragada, muito menos destruída, isso é que tem de constituir uma luta que os portugueses não podem perder.
Este Dia de Camões…., que o Presidente da República comemora no Algarve, com relevância para outros acontecimentos que bem poderiam ser guardados para diferente data, merece bem que seja resguardado com a divulgação que uma figura de tão grande importância no mapa restrito das personalidades históricas lusitanas que não podem passar despercebida, deveria ser incluído no discurso de Cavaco Silva com a preponderância adequada. Até como exemplo de um salvador da sua obra, especialmente neste período em que Portugal também necessita de salvação do naufrágio em que está envolvido…

quarta-feira, 9 de junho de 2010

VERDADE

O que é isso da verdade
é a tua igual à minha
depende ela da idade
nunca se encontra sozinha?

Ela própria não se ajusta
com a que nós defendemos
a que é certa e que é justa
não é bem a que queremos

Porque a minha bem me calha
a tua não me dá jeito
a terceira é que não falha

A que merece respeito
a que por vezes baralha
a verdade sem defeito

TER RAZÃO ANTES DE TEMPO


EU ESTOU FARTO de avisar que, até hoje e com raras excepções, tenho tido o infortúnio de, ao longo da minha vida, ter dado mostras de ter razão antes de tempo. E digo infortúnio porque, com raras excepções, aquilo que prevejo refere-se a situações desagradáveis, dado que essa característica de uma espécie de adivinhação não me beneficia nos casos dos jogos, da lotaria ou do totoloto por exemplo.
Mas, o pessimismo que vem associado às previsões dos acontecimentos que se encontram à espreita tem algo a ver com o estudo das situações que se atravessam e, conhecendo minimamente o nosso País e o nosso Povo, chego a conclusões que são susceptíveis de quem, e não apenas eu, se interessa por andar minimamente prevenido para não ser apanhado de surpresa pelo que poderá surgir no tempo seguinte.
Mas vamos a factos. Com a devida antecedência lancei o alerta de que a crise que já se movimentava noutras partes do mundo iria cá chegar e que, nessa altura, um País de características pobres como o nosso não teria condições para sair ileso da avalanche. Era necessário e urgente tomar precauções e avisar os nossos cidadãos que era forçoso que a produção aumentasse e que o espírito de economia devia ser implantado, especialmente porque se vivia um período em que, mesmo sem razões para tal, os portugueses andavam a actuar perdulariamente, seguindo, isso é verdade, o exemplo que era praticado pelos nossos governantes ao anunciar gastos exagerados e completamente descabidos para as nossas posses, pelo que as dívidas se foram acumulando por todos, o que aliás os próprios bancos entusiasmavam para arrecadar lucros fabulosos, e não sendo excepção o que o Estado, pedindo fora os milhares de milhões de euros que os nossos vindouros encontrarão por pagar quando chegar a sua altura de tomar conta daquilo que é o País deles.
Pois eu avisei repetidamente que o perigo era muito grande e que o risco de se ter de sofrer as consequências de um desperdício que não se justificava, tendo mesmo chegado a prever que os impostos não chegariam para enfrentar uma situação incontornável e que ninguém poderia garantir que os meses extras do Natal e das férias não viessem a ser diminuídos e até suprimidos, na altura em que se encontrasse o cofre do Estado vazio nesse sector. Ainda não chegámos aí, mas seria bom que fôssemos pondo as barbas de molho, pois que o ano 2011 é o que vem a seguir e, até se ocorrer a queda do actual Executivo e outro, de mãos livres, tomar contacto com a realidade, ninguém pode garantir que não se veja obrigado a actuar duramente, tanto mais que aponta para o seu antecessor a culpa do que for obrigado a impor. É o costume!
Nesta altura, a dívida pública ronda os 90% do PIB. Há que pagar salários a 700 mil funcionários públicos. O número de desempregados, nesta altura à volta também do memo número, 700 mil, não dá sinais de se reduzir, antes pelo contrário. A diminuição das despesas a cargo do Estado não consegue ser reduzida, especialmente por inaptidão por parte dos governantes. Talvez pela mesma razão ou será por conveniência em não ferir benesses dos amigos, sejam eles membros do PS ou façam parte de interesses financeiros que não convêm ser mexidos, a verdade é que não se tomam medidas sérias e profundas para terminar com as poucas-vergonhas, que já nem se escondem, de permitir que uns tantos cavalheiros aufiram proventos escandalosos em ocupações em que o Estado intervém. Pois tudo isso e muito mais que não cabe neste espaço referir será o que vai contribuir para que, prevejo que no próximo ano ou, no máximo, em 2012, as medidas restritivas que têm de ser implantadas, comparadas com as que sofremos neste momento, estas agora são autênticos pasteis de nata…
E, por muito que as CGTP, os sindicatos, as UGT, os movimentos que sairão para a rua, as greves que se promoverem, todas as reclamações que se fizerem não chegarão para que as leis laborais não sejam modificadas, ao ponto de se passar a aceitar que patrões e laboradores não estejam sujeitos a manter os empregos, passando a ser inteiramente livre o entrar e sair das actividades profissionais sem aviso prévio. E a razão que os desempregados aceitarão será o da perspectiva de diminuir significativamente o enorme número de gente sem trabalho.
É mais do que garantido que se levantarão muitas vozes contra esta previsão. E bem gostaria eu de não ter razão. Só que, provavelmente, estas e outras medidas bem desagradáveis também serão tomadas por essa Europa fora.
Eu aviso!...

terça-feira, 8 de junho de 2010

ANDORINHAS

Em hora da mais profunda tristeza
Dessa que não se sabe bem porquê
Deixa a nossa alma indefesa
E fica da angústia à mercê

Nessa altura em que o apoio nos falta
Muita coisa nos pode ajudar
E entre elas uma que sobressalta
É a Primavera, ei-la a chegar

Plena de perfumes vindos das flores
Surgem ao de cima grandes amores
Na nossa alma soam campainhas

E para compor tão bela pintura
Entram e cabem na mesma moldura
Os voos rasantes das andorinhas

TURISMO


EVIDENTE que o facto dos portugueses, como sucedia nos tempos das “vacas gordas”, se deslocarem com a maior facilidade ao estrangeiro para fazer as suas férias, essa preferência representa o mesmo que importarmos produtos de origem extra nacional, logo uma saída de divisas e uma acção negativa na nossa balança de pagamentos. Este é um dado que se aprende nos cursos de economia e não se trata de nenhuma novidade de última hora. Logo, a afirmação de Cavaco Silva, lançada como simples economista, não tem de provocar admiração nem comentários. A questão, porém, é outra. Vejamo-la então:
Um membro do nosso Governo que, de forma pública, tente convencer os portugueses a não saírem portas fora do País escolhendo um turismo em qualquer sítio externo, isso em lugar de se deixarem ficar por cá, essa tomada de posição é, efectivamente prejudicial, pois que, se for levada a sério pelos potenciais turistas que tencionem visitar-nos, uma réplica pode perfeitamente surgir e retirar-lhes a ideia que teriam de se deslocar até Portugal para passar um período de descanso E, se o conselho, tido como patriótico, for da autoria do Presiente da Republica, efeitos ainda mais prejudiciais podem ser sentidos na linha de entradas turísticas de gente estrangeira.
E, sobretudo quando a tal recomendação de Cavaco Silva, numa atitude semelhante ao estilo de Sócrates, for companhada da expressão “eu sei o que digo”, então ainda maior tem de ser o mal estar sentido pelos portugueses atentos a estas coisas de não haver muita consciência naquilo que os responsáveis políticos resolvem deitar boca fora.
Talvez haja quem procure esquecer o dito, na época em que foi primeiro-ministro, de que “nunca tinha dúvidas" e também "nunca se enganava”, mas, mesmo assim, este ar pomposo de grande sabedor, principalmente numa época de tamanha dificuldade em encontrar um caminho certo, não ajuda muito para sentirmos uma grande afinidade com o próximo candidato à sua reeleição como Presidente.
Lá que o que o ocupante de Belém tivesse apelado para que a propaganda do nosso turismo no estrangeiro fosse efectuada com o maior sentido de profissionalismo possível e com a mais alta competência, dado que o agora chamado AICEP custa muito dinheiro ao Estado, procurando que a entrada de turistas no nosso País seja cada vez mais elevada, isso até se entendia, sobretudo porque se trata de um sector que necessita de extraordinário impulso e todas as atenções por parte do Ministério das Economia serão poucas para controlar a eficiência e estimular os seus responsáveis a empregarem-se a fundo. Já me tenho referido a este tema e, recorrendo à frase de Cavaco Silva, acrescento: aí sei do que falo.
Mas não. Andam todos distraídos neste Executivo (e até nos anteriores, pois que este sério assunto tem passado sempre ao lado das preocupações governamentais) e aquilo que eu tenho recomendado neste meu blogue – e em inúmeros escritos que ocupam a minha inquietaação no que se refere ao turismo, que é um sector que sempre esteve na minha óptica jornalística - , não vejo nunca, infelizmente, fazer parte dos temas do nosso País.
Mas, como eu darei a conhecer um dia destes no meu blogue, é cada vez maior o cansaço que sinto por me preocupar com o que, aos “chefes” nem lhes passa pela cabeça!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O MUNDO

Contemplo este mundo e com desgosto
Perco vontade de dele fazer parte
Vendo o que faz basta gente sem rosto
Que teima em tornar da desgraça arte

O que podia ser um mar de rosas
Se os homens não fossem o que são
Daria para cantar tantas glosas
E para consolar vasta paixão

Mas não, esta bola que Deus criou
Foi erro de cálculo, não previa
Que quem pôs aqui dentro saísse assim

E todo aquele que por cá andou
E que fez toda essa travessia
Tem de saber qual será o seu fim

OS PERIGO DESTE MUNDO


ENTÃO NÃO E VERDADE que este mundo em que nos encontramos, na fase actual, está a ser avassalado por acontecimentos que tiram toda a tranquilidade de espírito de que o ser humano tanto precisa para procurar formas de melhorar a vivência do total de seis mil e tantos milhares de milhões de habitantes?
O gravíssimo problema criado com a invasão do petróleo em bruto, saído de uma cratera aberta no fundo do golfo do México, em que se estão a espalhar pelo mar, em cada hora que passa, milhões de litros daquele precioso produto, estragando um ambiente que já nem nos oceanos é protegido, essa obra desastrosa do ser humano que, como sempre, é ele que provoca a ruína, cada vez mais grave, da Terra que será, segundo parece, o único local onde os homens encontram o seu ponto de acolhimento, vem juntar-se a outros acontecimentos que, desde que os progressos das chamadas ciências têm surgido, contribuem para a diminuição de boas capacidades naturais da Esfera que nos foi concedida… segundo as diferentes religiões que encontram resposta para a eterna pergunta.
Mas, parece que em combinação de diversos factores, o Homem está a dar de caras, nesta altura, com muitos acontecimentos que contribuem para que as notícias diárias sejam cada vez mais assustadoras. Sendo já historicamente de muito longínqua data a não amizade entre muçulmanos e outras fés religiosas, que tem vindo a ser transferida também para o sector político, o radicalismo levou a que fossem criadas o que, neste lado do mundo, se consideram tratar-se de acções terroristas, as quais constituem já uma actuação que ultrapassa a simples existência de grupos que provocam acidentes ocasionais. Há que ter a consciência de que são poderosos e até o próprio petróleo lhes fornece meios materiais importantes, não havendo nenhuma certeza de que o poder atómico não influencia tanto, quer os que atacam como os que se encontram na defesa.
A aversão já com raízes entre israelitas e praticantes da religião muçulmana, mesmo que se tratem também de problemas de ocupação de territórios que as duas partes reivindicam, o sucedido agora com a Facha de Gaza, que veio prejudicar alguma simpatia de que os judeus beneficiavam por grande parte do Globo, esse enfrentamento não ajuda a possibilidade de um entendimento que, mesmo difícil, se ia mantendo em banho Maria. É conhecido que mantenho uma grande simpatia pelo povo judeu, sobretudo uma enorme admiração pela sua capacidade de, por via de uma fé ou nem por isso, evidenciar uma extraordinária cultura, um inegável sentido de entreajuda, e grande poder de união entre si. Mas, nesta situação de Gaza, ainda que saiba que a coberto de ajudas contra a fome, por detrás existe um aproveitamento de fornecimento de armas, mesmo assim não posso deixar de considerar desastrado o meio utilizado para controlar tais apoios. E os israelitas nem necessitam de indicações sobre a forma de actuar.
Mas, para além desse facto desastroso, a ameaça de confronto entre as duas Coreias, que eu conheço por já ter estado em pleno paralelo 38, tendo podido assistir ao ódio que sai das caras dos militares que, separados apenas por uma barraca de madeira – sítio onde me sentei a olhar para os dois lados das janelas -, se movimentam para marcar uma presença endurecida, serão sobretudo os do Norte que não hesitarão em carregar no botão da arma atómica que possuem, logo que uma das duas partes dê o primeiro passo, pelo que esses inimigos, com a mesma língua e o mesmo aspecto físico, estão na primeira fila de um confronto mortífero naquela área asiática mas com alargamento que, provavelmente, não se ficará só em redor.
Sobre a Europa, nem vale a pena acrescentar mais ao que já é tristemente conhecido, e o que se assiste é a uma falta de capacidade, por parte dos habitantes deste Continente, para que não se desuna e fortifique uma comunidade que tem de defender os interesses comuns, o económico, o financeiro e o social, e que constitua o contributo para resolver os desentendimentos que o ser humano provoca por todos os sítios onde se instala e de que o nosso conjunto europeu não escapa.
Nós, aqui em Portugal, estaremos sentados a aguardar pelos acontecimentos. Mais do que isso também não podemos, nem sabemos fazer. Também bastam-nos já os nossos próprios problemas, que esses, igualmente, nem sequer damos mostras de os conseguir solucionar.