sexta-feira, 9 de abril de 2010

ATENÇÃO À GRÉCIA!



O AVISO que, um dia destes, um governante grego fez a um jornalista da televisão portuguesa, com a frase “tenham cuidado que isto que nos está a suceder anos, em breve acontecerá a vocês!”, esta advertência deveria ser bem entendida e pensada pelos responsáveis portugueses, para não dizerem depois que foram apanhados de surpresa.
Mas este tipo de conselhos não pegam nos membros do Governo que temos, a começar, como é totalmente sabido, pelo primeiro-ministro que, sempre que surge em qualquer inauguração ou visita a obra executada, por mais insignificante que seja, lá vai ele com as discursatas sem ponta por onde se lhes pegue, e em que as afirmações são repetidamente de elogio em causa própria, de que somos os melhores de todos, que nos encontramos numa posição invejável e com outras maravilhas que só ele é que é capaz de se convencer que somos um País que vive nesta altura um período de cinco estrelas.
Na verdade, o exemplo daquilo que está a ocorrer no País da Acrópole, o que nos tem de provocar grande lástima até porque alguma coisa nos liga a esse povo, para não falar já na língua, que chegou, muitos séculos atrás, a este extremo europeu e que deixou marca na origem de muitas das nossas palavras, essa prova lastimável não pode deixar-nos indiferentes e cabe-nos agora lutar, no seio da Comunidade, para que seja prestada uma ajuda que retire aqueles parceiros do afogo por que passam. Por outro lado, ninguém sabe qual é o dia de amanhã e, quanto mais não seja, até por esse motivo se justifica plenamente que tomemos uma posição positiva na referida causa.
Mas, para além dessa razão um pouco egoísta, no que todos os membros comunitários têm obrigação de participar é na luta para que o que começou por ser apenas um mercado comum, atinja rapidamente o objectivo que justificou a sua criação: a de uma família unida num Continente e em que não só a moeda deve ser comum – apesar de se manterem ainda umas tantas tristes excepções -, mas em que os interesses de diferentes ordens não podem deixar de se encontrar relacionados uns com os outros, na ordem jurídica mas não só, pois que apenas uma Assembleia comunitária em Bruxelas não é bastante para que os diferentes povos, com línguas distintas e ainda bem, se sintam afastados da caminhada que tem de ser levada em absoluta harmonia e com uma ligação estreita que assente numa política de mãos irmãmente dadas.
Não sei se, depois de tantos anos em que as dúvidas ainda se verificam nos 27 países que fazem parte da Comunidade, se chegará alguma vez aos tão sonhados Estados Unidos da Europa. Confesso-me duvidoso em relação a tal ideal, segundo é a minha forma de ver o problema. Pois, provavelmente, os seres humanos que fazem parte deste Grupo não perderão de moto próprio o espírito egoísta que faz parte da sua formação. É que eles são isso mesmo: seres humanos. E estão ainda por descobrir Homens que sejam capazes de pôr de parte interesses próprios e se entreguem abertamente ao bem geral!
A não ser que uma guerra, ainda muito pior do que aquela de que se sofreram as consequências em todo o mundo – e ainda não tinha sido descoberta a bomba atómica -, obrigue a darem as mãos aqueles que, nas actuais circunstâncias, se mostram ainda esquisitos em relação até à moeda única e a muitos outros acordos de governação, que poriam fim a muitas causas de mau entendimento que já não têm justificação. Uma delas seria a da “invasão” em massa de imigrantes de outros continentes, que, sendo de proteger, não pode continuar em moldes como tem ocorrido até hoje.
Mas esta é uma opinião, como haverá muitas. E é bom que se pense naquilo que vai ser o futuro, dado que o que poderá ocorrer em Portugal tem tudo a ver com o que se passar fora de portas.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

GENTE

Todos por cá somos gente
com membros, tronco e cabeça
que fala verdade e mente
que cai e também tropeça

Boa gente
Sã e doente

Há de tudo neste mundo
muitos mil de milhões
todos querem ir ao fundo
na procura de opções

Quem sente
É boa gente

Quem cá nos põe de repente
não pergunta se queremos
vimos aumentar a gente
sem saber se cabemos

Seja ateu ou crente
Cada um é bem diferente









VENDER? NEM ÁGUA!...


COM TODA ESTA BUSCA que se constata afligir alguns dos políticos que se situam à frente do grupo mais responsável pelo estado em que se encontra o País, e não só esses mas também aqueles que surgem nos écrans televisivos e nos artigos de jornais a opinar sobre a forma de solucionar o grave défice nas contas públicas, um dos temas que é constantemente repetido é o da necessidade absoluta de Portugal se dedicar energicamente à exportação das suas produções, pois que, cada vez em menor escala, tem sido desenvolvida essa área que, em termos económicos, pode compensar as compras que somos obrigados a fazer no estrangeiro, como, por exemplo, os combustíveis, mas não só.
Pois bem, essa é a teoria. Mas transformar esse desejo em atitude prática já é outra conversa. Há vários meios para podermos receber dinheiros de fora, quer em divisas quer na moeda que agora pertence a toda a Europa, o Euro, e o turismo, todos o sabemos, é um meio de cá ficar o que é oriundo de países estranhos. Mas, obviamente, a colocação de produção nacional a ser consumida no exterior constitui a via mais antiga de receber a contrapartida, ou seja o produto monetário que entra e que contribui para enriquecer os cofres nacionais.
Nada disto é novidade e qualquer português, por mais afastado que se encontre dos princípios económicos, sabe que, tal como os salários, que são oriundos de fora de casa, também os pagamentos que entram pela porta dentro constituem um contributo para se poder viver melhor em família.
Agora, o que não se consegue pôr em funcionamento é a forma como se realizará esse desejo, já que está provado que os portugueses, desde os tempos em que se expulsaram os judeus do nosso País, oferecendo de mão beijada à Holanda esse privilégio, não fomos nunca capazes de dar mostras de possuir essa habilidade de vender e tal se verificou fartamente com a descoberta de “novos mundos”, em que, nem por isso, conseguimos tirar partido desse facto, como sucedeu, por exemplo, com os ingleses e com os holandeses, que apareceram em terras estranhas muito depois de nós.
Mas a mim, como já me referi concretamente a este ponto, o que me custa a entender é que, existindo por cá um organismo, antes chamado ICEP e que, desde há pouco tempo, passou a ter um acrescento de uma letra, pois agora denomina-se AICEP – esquisitices bem ao nosso modo! -, cujo objectivo, desde a sua criação, é o de abrir portas por esse mundo, por forma a indicar caminhos aos nossos produtores, a fim de que sejam facilitados os contactos para serem efectuadas posteriormente as vendas correspondentes, essa actividade nunca foi desenvolvida em moldes que correspondam às nossas necessidades e isso, digo eu que tenho acompanhado assiduamente tal actividade, por deficiência de organização e por os elementos humanos que estão inseridos em tal propósito não serem aqueles que têm características de bons vendedores. Há “doutores” a mais e “caixeiros-viajantes” a menos!
Se o Estado investisse convenientemente neste organismo, se o Ministério de Economia (que julgo ser o pelouro a que pertence o AICEP) acompanhasse convenientemente os resultados que são obtidos em cada destino e fomentasse, dentro do País, a ligação dos produtores, provavelmente os objectivos já teriam sido alcançados, incluindo o sector do turismo, posto que um os gastos excessivos no Orçamento do Estado que resultam dos diferentes escritórios abertos no estrangeiro, não são compensados com os resultados esperados, e isto também por não pertencer ao mesmo conjunto a promoção turística que, essa é feita à parte, com todos os elevados encargos que isso representa.
Mas, ao fim e ao cabo, está mais que demonstrado que as forças públicas nacionais não conseguem solucionar o problema da colocação dos nossos produtos nos mercados estrangeiros, nem mesmo quando se perfilam negócios de contrapartidas, como foram os que se proporcionaram com a compra dos tais submarinos (que negociata!), em que dispusemos da oportunidade de vender o equivalente a mil e 400 milhões de euros e nem isso fomos capazes de fazer, o que, aliás, sucedeu também com 400 milhões de euros na compra dos helicópteros e isso para não referir as compras pela TAP de aviões que, se sabe, podem ser adquiridos com as mesmas contrapartidas que nunca aproveitamos.
Então, um Sócrates, que passa a vida a gabar a sua actuação governamental, não é capaz de substituir as suas passeatas pelo norte de África e pelas suas corridinhas ridículas e pegar nestes assuntos que são de extremíssima importância para Portugal?
Enfim, é por estas e por outras que a minha esperança em assistir ainda a uma ressurreição da economia portuguesa se encontra cada vez mais longe de ser recuperada. A História desta nossa época, um dia contará como foi possível aglomerar tanta incompetência em meia dúzia de anos. E como não sou eu que mando (!), resta-me apenas assistir a um estado deplorável da actuação de cabeças que não servem para liderar nem uma mercearia, quanto mais um País.
Ficaremos desta forma per omnia seculo, seculorum… Já não serão é outros oito séculos, que a tanto não chegamos.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

ALEGRE PRESIDENTE

Se Alegre assim pensa
lá tem as suas razões
que ser poeta compensa
ao menos cria ilusões

P’ra poder ser Presidente
a poesia até conta
diz o Manel bem contente
com sua resposta pronta

Políticos há bastantes
alguns até fazem rima
é hoje como era antes
mas merecem pouca estima

Mas Presidente poeta
que gosta de ladainhas
se lhe der uma veneta
até canta às alminhas

Que essas, que já lá estão
não interferem no voto
não têm opinião
e nada lhes cai no goto

Se Presidente em Belém
por cá para pouco serve
se poesia faz bem
então que Deus o conserve

Dar poesia ao País
aqui onde rima falta
é tornar algo feliz
e ir distraindo a malta

Tal como com estes versos
nada muda tudo resta
os políticos adversos
também lhe fazem a festa

Sim Senhor, Manuel Alegre
nessa luta vai em frente
procura que se integre
esta tão dispersa gente

À volta de qualquer cousa
mas sempre com alegria
porque a vida é uma rosa
se tem junta a poesia



POETA PRESIDENTE?


ANDA JÁ há algum tempo a anunciar que vai concorrer às eleições para a Presidência da República, o que talvez possa ser considerado como tratando-se de uma proposição excessivamente antes do tempo ideal. O seu concorrente principal – porque poderão surgir ainda outras disposições semelhantes, como é costume suceder -, Aníbal Cavaco Silva, gozando da posição privilegiada por se tratar de disposição para repetir as funções que já exerce, parece não estar muito preocupado com a concorrência. Dizem os hábitos que, naquele lugar, quem se submete a novo escrutínio por se encontrar já a desempenhar o papel que venceu da primeira vez, vê sempre repetido o exercício anterior, até porque não lhe é permitido sujeitar-se a nova votação. São oito anos e fica por aí.
Pois Manuel Alegre, com uma caminhada já sua conhecida, pretende tentar de novo a possibilidade de se instalar no Palácio de Belém, e, para isso, é natural que busque os apoios que considerar mais fiáveis, entregando-se desde agora à tarefa de percorrer o País e de estar presente em almoços e jantares, bem à portuguesa, que lhe são proporcionados em vários locais do nosso território e sempre com demonstrações de grande entusiasmo por parte dos apaniguados que os há sempre à espreita de uma oportunidade que as circunstâncias poderão proporcionar se…
No entanto, mesmo tendo sido constatado que Cavaco Silva não se mostrou nunca disposto a dar mostras inequívocas de discordância com algumas atitudes, políticas e não só essas, tomadas pelo Governo de Sócrates – e também os momentos que se atravessaram não foram os mais apropriados para criar ambientes de tensão, pois houve sempre que atender que não convinha transferir lá para fora, para os credores, um panorama de desentendimento -, apesar dessa ausência de posição clara o mais expectável é que os portugueses não se sintam muito animados a fazer agora experiências com a mudança do primeiro Magistrado da Nação. Isto é o que eu penso, mas não é de descurar outra hipótese e, neste caso, o depósito da maioria dos votos no poeta político será de levar em conta. Mas ainda estamos longe do momento concreto.
Manuel Alegre, que esteve exilado largos anos na Argélia, onde compartilhou com o meu saudoso Fernando Piteira Santos uma fuga da perseguição da PIDE, sofreu na pele os efeitos da ditadura. É, por isso, alguém que tem experiência do que representou ter enfrentado um sistema que não perdoava a quem não comungava desses ideais, coisa que, na larga maioria dos políticos que se repimpam hoje com as regalias de que usufruem todos os que só passaram a existir depois do 25 de Abril, não é muito corrente encontrar parceiros. E essa posição tem de constituir um activo que, com o andar dos tempos, tem vindo a perder valor.
Será, porém, que os portugueses levarão muito em conta essa circunstância? Eu, por mim, julgo que não. Todos os cidadãos nacionais que passaram já a chamada meia-idade, ou seja que viveram mesmo o regime da “outra Senhora”, uns muito desiludidos com a falta de competência em ter sido bem utilizada a Democracia que tanto se aspirava e outros já com as esperanças perdidas de assistirem a um Portugal que compense o mau que se passou antes, não serão capazes de acreditar que tudo valeu a pena.
Só nos resta, portanto, é sentarmo-nos e esperar…


terça-feira, 6 de abril de 2010

FAÇO ISTO

Eu agora faço isto
só escrever e nada mais
é verdade, não resisto
a pensar jogos florais

Primeiro à mão, com caneta
num sítio de inspiração
é o que precisa um poeta
para encher o seu borrão

Mas se isso não fizesse
por p’ra tal não ser capaz
seria alguém que apodrece

Sem encontrar nunca a paz
e aos poucos lá fenece
o que também tanto faz!




AH, QUE ENTREVISTA!...


COMO EU GOSTAVA de poder entrevistar em plena televisão o nosso José Sócrates. Garanto que não o iria acusar de nenhuma falta, que não faria o papel de julgador, que não faria qualquer exclamação perante alguma afirmação que o primeiro-ministro entendesse demonstrar. Não senhor, nada disso. Só faria perguntas e, naturalmente, se o entrevistado abusasse das repetições de elogios à sua obra, nessas circunstâncias chamá-lo-ia à realidade e pedia-lhe para não insistir em elogios em boca própria. Que o que tinha que fazer era só responder às minhas perguntas.
Agora, o que eu levaria era um trabalho de casa o melhor preparado possível, pois que muita matéria existe que pode ser apresentada ao responsável do Governo e a que o mesmo tem obrigação ou, pelo menos, o dever de esclarecer os portugueses, libertando-o também a ele de uma série longa de acusações surdas que, ao não serem esclarecidas, constituem uma permanente mancha negra que paira sobre a sua cabeça. Quem sabe se sem razão para tanto.
Uma das questões que lhe apresentaria era a de se não o incomodava que umas tantas figuras que se pavoneiam no nosso ambiente nacional e que usufruem de escandalosas remunerações em empresas que, de algum modo, têm dependência do erário estatal. A notícia que foi divulgada recentemente de que António Mexia, presidente da EDP, recebeu 3,1 milhões de euros no ano de 2009, o que deu 8.500 euros por dia, não passou, obviamente, sem conhecimento de Sócrates. E mesmo que o poder do número do Governo não chegue para pôr cobro a estas monstruosidades, no mínimo o que se esperaria era que se ouvisse da sua boca algum comentário que desse mostras aos cidadãos nacionais, que se arrastam pelo País a lutar com as maiores dificuldades de sobrevivência, de que, da sua parte, era visível um claro descontentamento.
Por outro lado, também os restantes administradores da empresa EDP levaram para casa cerca de 17 milhões de euros como remunerações e outros atributos em 2009, acrescentando-se a esta pouca vergonha o caso da ZON, que tanta publicidade faz nas televisões para tentar aumentar os seus ganhos, e cujos administradores arrecadaram 4,8 milhões de euros.
Mas será “apenas” isto? É claro que não! Para além do muito que não chega ao conhecimento público, aquilo que se consegue ir sabendo diz que há de tudo, os que recebem fortunas e aqueles que, não tendo excessiva interferência no andamento das tais empresas, lá vão depositando nas suas contas verbas também apreciáveis. Por exemplo, o advogado Daniel Proença de Carvalho, por ser “chairman” da mesma firma, recebeu, de uma só vez, 250 mil euros, e, na Controlinvesta, Joaquim Oliveira teve direito a 21 mil por ser vogal não executivo da mesma empresa. Mas, já Rodrigo Costa teve direito a 3.500 por dia, isso para além de 300 mil de prémio de exercício, os quais juntou a 347 mil por prémios referentes a “exercícios anteriores”.
Mas a lista de “felizardos” com estes tipos de benesses, não se fica por aqui. A relação é longa e nem todos (ou até bem poucos) são assinalados publicamente.
E já agora, dado que se levantou nesta altura a questão de fazer referência aos inúmeros projectos de engenharia de casas na zona da Guarda que Sócrates executou (ou só assinou, o que á no mesmo), quando já exercia funções de deputado – o que não é autorizado -, também viria esta questão à baila, como acréscimo das inúmeras faltas que há a apontar ao governante.
Ora aí está o que faria parte das inúmeras perguntas que apresentaria a José Sócrates e não só deste tipo mas de muitos outros temas que andam na boca dos portugueses mas que nenhum entrevistador tem sido capaz de propor ao primeiro ministro.
O mais provável, porém, é que o visado, ao tomar conhecimento de que seria eu a colocar-me na sua frente e com a fama de independente que eu sempre tive e mantenho, nessas circunstâncias não aceitaria dar a entrevista. Digo eu…

segunda-feira, 5 de abril de 2010

CIRCUNSTÂNCIAS

Há aqueles que na vida acreditam
que a sina é que comanda o destino
e por isso tal princípio debitam
que ainda antes de se ser menino
como dizia filósofo espanhol
sem ter de usar qualquer arrogância
que todo aquele que goza do sol
está sujeito a toda a circunstância

Assim, as circunstâncias e o homem
atravessam em conjunto este mundo
e por muito que não queiram que tomem
a atenção perde-se num segundo
e o facto de um passo dado então
cria a circunstância do acidente
podia ser em outra ocasião
mas foi ali e com esse existente

Também ficar rico assim de chofre
só porque comprou o número certo
passar a utilizar sempre o cofre
e não sentir já de dinheiro aperto
foi ou não foi essa tal circunstância
de ter então comprado a cautela
quando raramente tinha tal ânsia
e não sabe por que lhe deu aquela

Ortega y Gasset foi autor da tese
de que o homem e as circunstâncias
não é princípio que alguém despreze
e por muito que goze de abundâncias
não vive isolado do que à volta
lhe proporciona bem e mal
pois que mesmo dispondo de escolta
não difere de um qualquer mortal

O que há então que esperar com ânsias
é que a vida a nós nos gratifique
com a melhor de boas circunstâncias
que tal sorte de todo modifique
o que depois nos pode suceder
que as doenças por longe lá andem
que o trabalho tenha bom correr
e que todos malefícios desandem

TERRÍVEL BUROCRACIA


SE ME PUSESSEM A QUESTÃO de ter de resolver o problema da burocracia, se me coubesse essa difícil tarefa de encontrar a forma de ultrapassar a chamada papelada, os triplicados e quadruplicados que são impostos tantas vezes por serviços públicos a que se recorre para resolver uma questão pendente, tenho de confessar que não era portador de uma solução tirada assim do chapéu. Seria obrigado a pensar muito, a formular várias tentativas de resposta, a não ter grande dificuldade em determinados casos mas, no cômputo geral, numa tomada de posição que servisse a generalidade das situações, aí, seguramente, não seria capaz de, no estado em que se encontra todo o esquema que provoca tantas dificuldades e demoras, ter a medida exacta e generalista que pusesse termo a essa arrepiante travão da actividade humana.
E, segundo parece, tal maleita onde impera com mais galhardia é nos países latinos, sendo que Portugal, para ser campeão de alguma coisa, se situa à cabeça desse grupo.
Na verdade, neste nosso cantinho existe a ideia de que há um determinado prazer em não ver simplificada a vida do próximo. Verifica-se a impressão de que não gostamos, todos nós, que os outros resolvam os seus problemas com excessiva facilidade. E, como a administração pública é composta por lusitanos de gema, sendo que os seus superiores surgem exactamente dessa mole popular e os cumpridores do estabelecido pelas cabeças acima também não fazem nenhum esforço em aliviar as exigências, é na burocracia que depositam todos os seus maus humores, a qual constitui até uma espécie de vingança por o público que acorde aos guichets não pertencer ao grupo dos funcionários públicos. Isto digo eu, mas admito que estarei a exagerar.
Seja como for, o que não constitui um ponto de vista que possa ser incluído no mundo das dúvidas é exactamente esse da peste da burocracia e mesmo com a chegada e uso profuso da Internet, tal facilidade não serve, neste nosso País, para eliminar as duplicações que vêm do tempo do papel químico. Trata-se de uma doença transmissível que os burocratas não abandonam e que passa, de geração em geração, por não sermos capazes de resolver os problemas, ainda que as novas tecnologias ofereçam condições para se mudar o rumo dos “empanturranços”.
Mas, eu quando digo, para não me comprometer, que não tenho a solução milagrosa para pôr fim à burocracite aguda de que padecemos, sempre me atrevo a adiantar que, pelo menos, criando um curso rápido, de 2 a três dias, para que todos os funcionários públicos pudesse frequentar sem afastamento demasiado longo dos serviços – e isso, incluindo desde directores-gerais -, cujo efeito seria o de introduzir no espírito desses trabalhadores a tendência para facilitar, tanto quanto possível, a rapidez de execução, procurando evitar as paralisações habituais de papelame, de secretária em secretária, de repartição em repartição, o que normalmente se traduz em meses e até anos de demora dos portugueses que são obrigados a sofrer as consequências dos que não têm pressa nenhuma em fazer andar o País.
Se esta achega não tem pernas para andar, então que se instituam outras formas, mas manter-se o estado de sonolência que existe entre nós, provavelmente desde o rei Afonso Henriques, sobretudo agora com a junção da crise que também vai servindo de desculpa para tudo e para nada, a isso é que é forçoso pôr termo, e se não fosse por outras razões pelo menos com o argumento de que as empresas estrangeiras que pretendem instalar-se por cá não se sujeitam a esperas de autorização que os investimentos paralisados não suportam.
Pensem nisto os “timoneiros” governamentais, se é que são capazes de cansar o cérebro!...






domingo, 4 de abril de 2010

PASTOR



Se tivesse que ser outra coisa
na vida
e me dessem a escolher
logo à partida
se soubesse o que sei hoje
por pouco que seja
esteja como esteja
talvez tivesse optado por ser pastor
por certo estranho
junto do meu rebanho
para os outros que me olhariam
andando por montes e vales
entregue ao não te rales
mas sempre com papel e caneta
a inspirar-me na Natureza
e a reproduzir sua beleza
e só pensar nos bons actos
que o ser humano poderia fazer
e pondo bem longe a hora de morrer

Que bom seria ser pastor
viver isolado das maldades
ser feliz
de raiz
ouvir apenas os balidos
das minhas companheiras
as ovelhas
e de vez em quando os ladridos
do fiel amigo
sempre atento ao perigo
que possa existir
de alguma fugir
do grupo que me dá
esta profissão de pastor

De manhã à noite
ter a imaginação
sempre em acção
ver passar as estações do ano
todas elas úteis e benéficas
sentir o sol e o vento,
mas ter presente o talento
beijando cada flor do caminho
cuidando em raízes não pisar
e deslumbrando o olhar
sem ambições, sem maldades
pegando no cordeirinho
que também quer o seu caminho
e, de vez em quando,
fazendo saltar os poemas
agarrado ao cajado
que também puxa pelos temas
sem pretender compreender
o mundo que se atravessa
e que desde ali não se pode ver

E à noite, recolhidas as ovelhas,
abrigado no curral, pensar
à luz do petróleo, sonhar
lembrar-me que os ricos
sofrem por querer mais
que eu com os meus nicos
sou feliz, por demais.

Ser pastor neste mundo
é o que eu queria no fundo.






MAIS UMA PÁSCOA


COM TANTA recomendação de que o essencial para nos aliviarmos desta angústia da crise que nos anda a castigar há tanto tempo, reside na questão de termos de aumentar substancialmente as exportações dos nossos produtos, esse desejo vem constantemente à baila e a impressão com que se fica é que se trata de muita conversa dos políticos, sobretudo dos mais responsáveis, mas nada se verifica quanto a passarmos das palavras às acções.
Com efeito, não basta que se apontem os caminhos, ficando-se sempre na zona da teoria, posto que não é tarefa fácil colocar os produtos de origem portuguesa nos mercados estrangeiros que os podem consumir. Já me referi a este tema em blogue anterior e não posso deixar de referir sempre o AISEP, instituição que existe há vários anos (antes apenas com o nome ICEP) e que tem como objectivo precisamente o de abrir portas lá fora para facilitar aos empresários exportadores portugueses a maneira de comunicarem com os eventuais prováveis interessados. Sendo há algum tempo seu presidente o antigo ministro da Economia do CDS, Basílio Horta, o que importa que seja encarado com enorme entusiasmo é avaliar se aquele organismo conta com os meios essenciais para poder levar a cabo, com eficiência, a responsabilidade que lhe está confiada já há vários anos e, sobre este assunto, não volto agora a bater na tecla da forma como, em meu entender, se deveria desenvolver a acção do referido sector oficial. Está dito atrás.
Mas agora, e depois de ter feito uma visita demorada a um supermercado na área de Lisboa, precisamente num dia em que se verificava grande afluência de público, pude constatar que a atenção que os potenciais compradores dedicavam nas prateleiras que observavam era aos preços e não à origem dos artigos que lhes poderiam interessar. É verdade que, precisamente neste período, o dinheiro que tem de ser despendido é o que mais importa a quem tem de se abastecer, especialmente na zona dos produtos de consumo imediato, mas também não é de pôr de parte a questão que diz respeito à zona de onde esses produtos vêm para Portugal. E nisso é que eu, nesta minha abordagem, faço questão em me deter, pois entendo que não basta que as forças vivas do governação só alertem para a necessidade de se exportar o mais que pudermos, posto que, por outro lado, também importa que as importações de mercadorias estrangeiras sejam reduzidas, não por imposições legais – que essas, obviamente, trariam retaliações que não convém de forma nenhuma - mas sim pela baixa de consumo que a população nacional se encarregaria de fomentar.
E uma forma legítima de fazer correr essa conveniência entre todos os portugueses é a de utilizar o estímulo natural, com o lançamento de promoções que, sendo bem executadas, algum resultado encontrariam por parte dos portugueses, sobretudo se forem tocados por argumentos que tanto afligem hoje as famílias. O do desemprego, por exemplo, seria um forte mote para levar todos os nossos compatriotas a serem motivados pela preferência dos produtos inteiramente nacionais.
A televisão, concretamente a RTP, até pelo facto de ser uma estação suportada pelos impostos dos que habitam em Portugal, deveria ser utilizada para convencer a nossa gente a passar a ter esse cuidado patriótico – para lhe dar este nome – de não olharem apenas os preços quando efectuam compras, mas irem mais além: à origem.
Eu sei. Não me iludo de que estas opiniões, aos homens que têm nas mãos o comando dos problemas cá do burgo lhes interessem três pepinos. Como é costume dizer-se. E cada um faz o que pode. E eu, mais não posso!
Neste Domingo de Páscoa, para não fugir aos Hábitos, aqui deixo também o meu voto de que todos aqueles que terão a paciência de me ir seguindo diariamente ou mesmo só de vez em quando, possam contemplar em breve um País melhor do que aquele que temos agora e, ao mesmo tempo, desejo que haja alguma coisa que ilumine os governantes para conseguirem ir visualizando soluções, que se não forem de sua autoria, pelo menos, que atentem nas que lhes dão alguns outros.

sábado, 3 de abril de 2010

PERGUNTO

O que é isto afinal
esta coisa onde ando
não agora, mas de há muito?
Será que me dão sinal
e se sim, como e quando
respondendo ao meu intuito?
Quem me dera p’ra mudar
e saber por onde andar

Eu pergunto: vale a pena
que se ganha em esperar?
É bem grande o desengano
em toda a vida plena
na ânsia de retirar
a mancha suja do pano.
Eu bem quero, bem insisto
mas não saio nunca disto

Sei onde e como estou
e como cheguei aqui
o que andei até vir
mas não sei p’ra onde vou
se algo eu aprendi
se tem valor p’ro porvir
agora só o talento
me pode levar ao vento

Mas como esse só foge
e não consigo agarrá-lo
m’escapa cada segundo
não faço com que s‘aloje
muito menos amarrá-lo
p’ra m’ajudar neste mundo.
Assim fico cada dia
nesta profunda agonia

SUBMARINOS TÃO PRECISOS!


NÃO VALE A PENA termos aspirações de que o problema encontra, aqui, no nosso País, a solução que se gostaria de conhecer, porque, como é sabido, sempre que se trata de descobrir falcatruas que têm ligações ao alto poder nacional, que mete personalidades que dispõem de meios e de influências bastantes para fazer parar todas as investigações, sejam elas sujeitas a que departamento jurídico ou judiciário for, é sabido que nada avança e passam os tempos, por mais longos que eles sejam, e tudo fica coberto pelo silêncio e a própria demora, muitas vezes de anos, faz afastar o interesse, até porque, entretanto, apareceu outro caso do mesmo estilo e repetem-se todas a manigâncias para não se descobrir nada e não serem encontrados culpados. Os beneficiados, se os há, com os subornos que uma revista alemã, “Der Spiegel”, denunciou, antecipando-se a qualquer notícia na Imprensa portuguesa.
Para o Partido Socialista e, em especial, no que diz respeito a José Sócrates, esta “bronca” agora desenterrada calha que nem canja, posto que, tanto o CDS como o PSD, por lhes caber a quota parte mais importante, dado que eram Governo na época – Barroso e Santana Lopes seguidos –, têm de baixar o tom das críticas até hoje desenvolvidas e, por isso, não têm mais remédio senão contemplar que o desenvolvimento do dito tema náutico está a ofuscar, tanto quanto for possível, os “Freeports” e as “Face Ocultas” que muito têm arreliado o “engenheiro”, também com este título académico massacrado.
Pois, já que ninguém faz caso das indignações que deveriam ser manifestadas pelos portugueses comuns, segundo se verifica que lhes interessa muito mais o que se passa nos futebóis, por isso mesmo, nesta era dos blogues haja quem não se conforme e deposite nos seus espaços o que revolta qualquer cidadão que bem gostaria de viver num País onde a justiça, a dos Tribunais e a dos sentimentos, não fosse um exercício vão.
Tenho evitado referir-me ao caso dos submarinos, por muitas razões, uma delas porque, apesar de se tratar de um acontecimento que envolve à volta de 880 milhões de euros ainda não se tinha verificado, ao longo de seis anos que decorreram desde que a encomenda foi executada aos alemães, qualquer movimento governamental que procurasse pôr a limpo tamanha “borrada”, e só agora, provavelmente porque foi descoberto nesta caso uma “bronca” que pode distrair os cidadãos para outras preocupações actuais, é que saiu à liça o assunto que, por sinal, não tem o Partido Socialista envolvido, porque o Governo na altura da encomenda estava nas mãos de outra força política. E depois, porque a figura que fazia o papel de ministro da Defesa, logo quem assinou o contrato de compra dos dois “monstros”, em valor e em empecilhos na nossa Marinha, é a de Paulo Portas, a quem me ligam dois factos que interferem na divulgação da minha opinião: a de ter sido eu quem autorizou que lhe fosse dado o primeiro emprego, quando ainda era estudante, no semanário “Tempo”, de que eu era subdirector e dei autorização ao chefe de Redacção para o experimentar na estreia do jornalismo, muito embora essa minha determinação tivesse coincidido com a minha saída para fundar outro semanário, “o País”, e também, não menos importante, porque sou amigo de sua Mães, uma Senhora que me merece o maior respeito.
Mas, nesta altura, tratando-se já de um problema que nada justifica que se mantenha na obscuridade, acabo por dedicar algum espaço ao tema. Não consigo ficar mais tempo no silêncio.
Já nem vou ao ponto de querer saber quem embolsou, como se suspeita, muitos milhões com a decisão tomada de serem comprados dois submarinos para fazerem parte da nossa esquadra, dado que, sem nenhuma espécie de dúvida, o que teria de ser a última opção que tomaria qualquer governante com boa cabeça, já não só pelo seu elevado custo mas, acima de tudo, porque a necessidade que temos na nossa larga costa é de navios de grande velocidade para fiscalizar as entradas de todo o tipo de produtos e mercadorias que constituem enorme poluição quer alfandegaria quer na área dos estupefacientes, sobretudo destes, essa decisão de fim de linha é que constitui motivo para nos perguntarmos o que terá passado pela cabeça de quem decidiu, em última análise, tal aquisição. Eu, se tivesse sido escolhido para ocupar o cargo de ministro da Defesa, dado que tenho consciência que se trata de uma área que se encontra absolutamente fora do meu domínio, não teria aceite. Mas, Paulo Portas, que está sempre disponível para assumir funções que ele considera ser capaz de dominar – e assim, desde que o conheci como estudante ainda, tem sido vista a sua ascensão nas múltiplas actividades por que tem seguido -, não hesitou em desempenhar um lugar que, ao contrário do que ele faz hoje, naquela altura ou mesmo agora, não se situava dentro da sua capacidade de executar bem o papel que lhe foi proposto.
Por isso, antes de me preocupar em saber quem arrecadou, parece que alguma coisa que anda na casa de mais de um milhão de euros, mesmo tendo em conta que a aquisição dos tais animais marítimos pretendia obrigari por parte dos fornecedores, de adquirirem no mercado português produtos de origem nacional (mas nunca ficou esclarecido que tipo de mercadorias do nosso fabrico ou produção poderiam equivaler-se ao custo monstruoso dos referidos submarinos, o que resultou, até agora, que nada ou muito pouco foi concretizado), a verdade é que se tratou de um contrato redigido sem as devidas precauções, admitindo-se até que, se tal tivesse sucedido, provavelmente os vendedores “tedescos” não teria aceite a encomenda.
Tenho muita pena Paulo Portas, mas quem se perfila sempre com um ar muito explícito em causas que o colocam na oposição aos Governos, o que, reconheço, faz com certa mestria, ainda que nem sempre com razão, não é desculpável que, numa posição como a que exerceu num Governo, tivesse sido tão leviano, ocasionando que, nesta altura agora, tenha perdido bastante autoridade para discutir os erros de Sócrates, o que é uma pena, pois o actual primeiro-ministro não merece ajudas. E essa, a dos submarinos, é das maiores provas de incompetência que se têm verificado em Portugal.
Por fim e à última hora, chegou a notícia, ainda por confirmar no momento em que escrevo, que o Governo vai interferir no sentido de anular o contrato de compra dos submarinos, embora exista a consciência da dificuldade em dar esse passo, pois que, repete-se, o documento efectuado, apesar de ter sido preparado por um gabinete de advogados que bem cara debitou a sua actuação, não será facilmente considerado nulo. Vamos a ver o que dá isto tudo… pois “temos para peras” este assunto que vai entreter o PS e manter em algum sentido as Oposições de direita…

sexta-feira, 2 de abril de 2010

CANSADO

Estou cansado do que fiz
do muito que já foi feito
ter querido o que não quis
levado coisas a peito
no fundo
confundo
o que neste mundo
é sempre segundo

Queria coisa melhor
ter vaidade numa obra
com a escrita ou pintor
mostrando arte de sobra
ser primeiro
de pé, pinheiro,
sem berreiro
bom viveiro

E se eu não me acredito
se ao alto eu não cheguei
o muito que deixo escrito
eu nunca renegarei
seja o que for
é suor
algum amor
muita dor

Mas a busca do talento
aquele que nunca fica
causa grande sofrimento
nem sempre se justifica
quem procura
com agrura
vive numa tortura
pode cair na loucura

Fatigado eu estou
mas se paro por momentos
já não sei p’ra onde vou
encontro outros tormentos
prossigo
castigo
afadigo
me obrigo

O que não quero é queixar-me
não vale já a lamúria
o que posso é castigar-me
rogar por génio com fúria
combater
querer vencer
e se perder
refazer

Chegado a esta altura
com tantos anos p’ra trás
este vício não tem cura
e mudar não sou capaz
aguentar
sem queixar
esperar
por outro ar

Cansado lá isso estou
p’ra isto não há remédio
eu sei bem p’ra onde vou
libertar-me deste tédio
então adeus
sonhos meus
enfiados nos seus breus
tapados por negros véus

DESCANSAR, DESCANSAR


VALERÁ, de facto, a pena preocuparmo-nos com os mais complicados problemas de Portugal se, ao fim e ao cabo, aquilo a que assistimos no dia-a-dia desta nossa Terrinha é à importância que se dá aos acontecimentos que não influem, nem de perto nem de longe, na vida da nossa Nação, delegando-se para segundo e terceiro planos, pelo menos nos títulos mais relevantes dos nossos jornais, as situações que tocam directamente no bom ou mau estar da nossa existência. E, quanto aos noticiários televisivos, não se faz excepção.
Aquilo que ocorreu com as entrevistas, por sinal em simultâneo, que a RTP e a SIC fizeram a Pinto da Costa e Filipe Vieira, ambos presidentes de dois clubes de futebol, que, pelos vistos são, para além de rivais nas competições desportivas, sobretudo inimigos figadais, e em que o que foi dito mereceu tanto espavento na Imprensa do dia seguinte que passaram para pleno secundário as notícias que, essas sim, constituíam informação importante, ao ponto de também as televisões terem ocupado muito do seu espaço a retransmitir sucessivamente aquilo que foi dito pelas duas figuras em causa, tal fenómeno, que não pode ser considerado de outra maneira, ultrapassou o que poderia ser imaginável, Mas, na verdade, falaram as duas eminências… e o mundo parou!
Tive ocasião de confirmar a importância dada por alguns diários, ao ponto de, nas primeiras páginas, os títulos que sobressaíram suplantavam o resto do noticiário, deixando para segundo plano, por exemplo, o caso do suborno com a compra à Alemanha, em 2004, de dois submarinos. Quer dizer, os dois presidentes dos clubes futebolistas valem mais do que os milhões que já foram dispendidos e os que ainda falta pagar com a aquisição de duas máquinas de guerra… que tanta falta nos fazem!
Tendo passado ontem o Dia das Mentiras, que não mereceu o tratamento brincalhão que era costume noutros tempos, não foi aproveitada essa data para que se tivesse divulgado que os governantes tinham passado o dia a “queimar as pestanas” e que acabaram por encontrar forma de solucionar os problemas do País. Era uma boa forma de dar uma notícia agradável aos portugueses… mesmo não sendo verdade.
Mas a realidade não foi nem é essa. Não importa se os problemas que nos afligem são de uma dimensão monstruosa, pois se os pusermos a par com uma situação de intriga de vizinhas, do mal dizer de gente sem qualificação que não justifique sequer tomarmos conta do sucedido, só o facto de equacionarmos os dois temas ou de, até, colocarmos as afirmações dos dois presidentes acima de noticiário de extrema importância para os dias de hoje e para o futuro, só isso mostra como uma enorme parte de cidadãos do nosso País se desprende do importante e fica ligado ao acessório.
Será que, nesta linguagem dos blogues, pelo menos dos do tipo como este que eu acarinho, deverá também, para chamar a atenção de leitores, seguir o caminho da Informação que, segundo parece, é a que mais se vende? Percorri, há dias, alguns blogues que dão a ideia de que se destacam na panóplia de escritas que ocupam agora os computadores e, com surpresa, verifiquei que muitos deles utilizam a linha do “vazio de conteúdo”. Não procuram dizer nada!
Se, para ser merecedor de um aumento de leitores, tenho de seguir essa linha, então que me perdoem, mas não irei muito mais longe. Para quê esforçar-me na busca de temas que, ainda que, modestamente, poderão ter a utilidade de fazer pensar?
Hoje, Sexta-Feira Santa, um feriado que vem mesmo a calhar nesta nossa Terra em que o trabalho não provoca grande apetite, que se fique mais um bocado na cama, pois amanhã, que é Sábado e depois com o Domingo de Páscoa, o que está a dar é descansar, descansar… descansar!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

UM GÉNIO

Quem sou eu?
Que ando cá a fazer?
Pouca coisa, mas com grandes desejos
algumas esperanças
uns dias mais do que outros.
Daqui, da vitrina do meu café
sou um mais
só me distingo porque venho sempre
para escrever.
De vez em quando paro para pensar
para apelar à imaginação
a procurar uma palavra
um sinónimo
às vezes uma rima
a tentar não ouvir o que dizem
nas outras mesas
por vezes rindo
falando alto
dizendo coisas
e eu, quedo e mudo,
preocupado com o tempo
que me pode restar ainda com cabeça.
E escrevo, escrevo,
mas para quê?
Para quem?
Quem encontrará valor no que ponho no papel?
Procuro convencer-me que
para alguma coisa servirá
o que me dita a cabeça
.Mas toda essa gente que entra no café,
que se senta,
pede um café
assim como toda aquela
que salpica lá fora a rua,
nenhum desse povo
me parece
vir a interessar-se por aquilo que
me esforço para que mereça
algum apreço.
Apetece-me pôr uma placa sobre a mesa
AQUI ESTÁ UM GÉNIO
porque qualquer produto
precisa de publicidade

CRAVINHO E A CORRUPÇÃO


NAS MINHAS deambulações jornalísticas nunca tive oportunidade de me encontrar com João Cravinho. Este ex-ministro socialista, durante o período de António Guterres, só surgiu no ambiente político numa época em que já eu me encontrava de partida de tais andanças. Isso não impediu, no entanto que, da minha parte o tivesse perdido de vista e muito menos que não me fosse pondo em dia no que respeita à sua caminhada quando, por exemplo, como deputado no Parlamento, deu mostras de se preocupar com o problema da corrupção e chegou ao ponto de se insurgir contra o seu próprio Partido, o PS, por “não ter qualquer estratégica explícita na luta anti-corrupção”, o que lhe valeu um claro afastamento daquele grupo político.
Nesta altura, João Cravinho é administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, situação esta que mais provoca admiração de como uma personalidade que, saído da área da política, encontrou uma actividade que dá todas as mostras de ser confortável e, mesmo assim, não abandonou a luta que procura travar à tal corrupção e que considera que é indispensável ser criada uma lei-quadro anticorrupção, cabendo ao Parlamento o papel fundamental de comandar tal acção contra as vaga de acções criminosas que fazem com que, subitamente, surjam fortunas fabulosas que não têm possibilidade de ser justificados os meios legais para terem sido conseguidas.
A corrupção política, então essa, anda à solta. Todos sabem que é assim, mas dificilmente aparece alguém que queira participar num plano para pôr fim a uma malévola actuação de bastantes que, aguardando a sua vez, não querem fazer parte de qualquer agrupamento que esteja disposto a jogar a cabeça numa arriscada e até quixotesca atitude de limpar o País de tanta malvadez endinheirada.
De facto, constitui uma tentação inscrever-se num partido político, aconchegar-se junto dos principais membros dessa organização, dar muitas horas da sua vida por forma a comparecer nos actos que, sobretudo os mediáticos, dão mais nas vistas e, com paciência, aguardar pela altura em que um “padrinho” lhe proporcione a oportunidade de encarreirar num cargo que possa compensá-lo de todo o investimento de tempo e até mesmo de dedicação que despendeu com a causa.
É nessa altura, que nem todos conseguem, que se verifica a “paga” mais do que aspirada.
Pode-se chamar a isto corrupção? Quanto a mim não é este o caso. Lá que se verifique o apadrinhamento de membros partidários para os colocar em lugares que não são ocupados pela competência, mas apenas e só pelo pagamento da dedicação, isso talvez seja compreensível, pois é preferível ter por perto quem já deu mostras de fidelidade do que correr o risco de proporcionar cargos chorudos a quem não se sabe se um dia mais tarde não pagará com a facada nas costas… mas, o que é completamente condenável é quando tais favores que se concedem têm por objectivo organizar jogadas que envolvem manigâncias ligadas à corrupção, em que depois há que distribuir, pataca a mim pataca a ti, com as negociatas que estão previstas logo no início das nomeações “amistosas e partidárias”.
O que fazer para que não sucedam estas situações, é que não está muito à mão para o encontrar e os que são mal-formados, que abundam por aí, esses têm a esperteza suficiente para serem uma coisa e parecerem outra. É assim o ser humano, que eu não me canso de denunciar.
Só que isto sucede em Democracia, como, em igual dose, se passa em qualquer outro regime. Então, nos ditatoriais, que nós bem conhecemos por esse mundo fora, nem se fala. Aí são os parentes que vão enriquecendo fartamente… como é bem sabido!”

quarta-feira, 31 de março de 2010

BUSCA DE ACALMIA

Mar que em mim existe revoltado
na busca continuada de acalmia
não consegue manter-se sossegado
no longo caminhar do dia-a-dia
e os ventos que sopram em redor
não deixam que as ondas me descansem
cada vez a angústia é maior
sem haver alguns que me esperancem

Os seis mil milhões que por todo o mundo
se movimentam cada um à sua
tendo de viver em cada segundo
desejando que nada os obstrua
uns conseguindo outros nem por isso
a grande maioria se debate
com o que na vida é grande enguiço
e torna o dia-a-dia em combate

Por isso se escuta tanta queixa
de gente p’lo desânimo tocada
a quem a felicidade não deixa
alegre marca da sua passada
as excepções existem, são bastantes
causando inveja aos que ao contrário
têm razão para ser protestantes
por sofrerem penas neste calvário

Eu, por mim, luto contra o mar revolto
as ondas permanentes que atormentam
vendo o vento que anda sempre solto
todos minha inspiração atormentam
num vai e vem de baixos e de altos
nos bons poemas, noutros um horror
em pensamentos, tristes sobressaltos
que deixam marca de enorme dor

Mas é esse, do poeta o martírio
encontrar o sítio e o momento
p’ralcançar conveniente delírio
em que se estando a sentir o vento
ele traga por vezes bons auspícios
e talento que quase sempre falta
e que provoca tantos sacrifícios
até fazer chegar algo à ribalta

Acalmia é coisa que se busca
bastante para o espírito sossegar
p’ra não haver aquilo que ofusca
o que esteja pronto para dar
mas quando por muito que se procure
a tranquilidade não aparece
não há ninguém que bem se aventure
porque o génio fugiu, não se merece

PRÉDIOS ENTAIPADOS


CADA VEZ que me disponho a escrever um texto para colocar neste meu blogue diário, portanto, como diria o M. de La Palisse, todos os dias, o trabalho maior que encontro é tentar descobrir algum tema que não se enquadre com o ambiente de tristeza, de pessimismo, de maus presságios que, infelizmente, é o que não nos falta e que, por isso mesmo, é aquele que salta imediatamente ao pensamento.
Não se perfila hoje uma excepção. Corri as notícias todas e, nem no nosso País nem no panorama internacional deparei com alguma coisa que me levasse a cantar hossanas e a transmitir esse contentamento aos leitores deste meu trabalho. E não encontrei nada que me conduzisse em tal direcção. Lá por fora, as acções terroristas – agora até em Moscovo, o que fará com que muitos russos se recordem do sanguinário Estaline, que no seu tempo, era apenas ele que “tinha o exclusivo” de liquidar aqueles que não lhe agradavam, não deixando que, nem terroristas nem ninguém, colocassem bombas em comboios ou onde quer que fosse -, assim como todas as ameaças e os tiroteios que, em diferentes zonas, ocorrem e que não mostram sinais de ter fim, tudo isso não serve de exemplo a nada nem a ninguém anima a que se encontrem razões para olharmos para o Mundo com optimismo. E até a Europa unida, como tanto tem sido desejada, até essa leva tempo excessivo a dar mostras de um entendimento e de se conseguir um dia o máximo que os sonhadores, cada vez menos, ainda esperam ver: a concretização dos Estados Unidos da Europa.
E então cá, neste nosso burgo? Com a necessidade imperiosa que existe de se encontrar forma de diminuir o desemprego – porque acabá-lo, é coisa impensável -, tudo que possa contribuir para se chegar perto desse objectivo deveria ser aplaudido e entusiasmado. Logo, por esse Portugal fora, as licenças de construção, devidamente reguladas de acordo com as conveniências de ordenamento, isso sim, mas sem demoras de licenças que os Municípios passam, essa atitude contribui para que as empresas do sector, sobretudo as mais pequenas, e, portanto, os operários respectivos, vissem as suas actividades apoiadas. Isso, sem dúvida. Mas o que não poderia deixar de ser rigorosa é a chamada fiscalização, por parte dos elementos que, em muitos casos (é do que se queixam largamente os arquitectos), talvez também porque as suas remunerações não sejam de acordo com a responsabilidade que lhes cabe, se deixam enredar pela atitude do facilitismo, que á uma forma de chamar a corrupção, que, ao contrário de poder apressar as decisões, o que faz é que os custos das obras se eleve excessivamente e que as regras sejam obscurecidas, contribuindo para o permitir a utilização de materiais que não oferecem garantia de duração.
E, no capítulo de cumprimento de prazos, nesse particular o fechar de olhos dos tais fiscais, especialmente quanto ao tempo que é permitido permanecerem os taipais à frente dos prédios para lá do fim das obras, aí todos os cidadãos se deparam com os inconvenientes que resultam de tamanho desleixo.
Todos nós, sobretudo em Lisboa, nos incomodamos com esse abandalhamento dos espaços ocupados nos passeios com trabalhos de construção que se prolongam por tempos indefinidos, mas que podem fazer os contribuintes se é a própria Câmara Municipal que não fiscaliza os seus fiscais e contribui para que a tão usual corrupção funcione em pleno?
Só que não quer, no seio do Município lisboeta, é que não se dá conta dessa rebaldaria que ocorre na capital e tanto faz mudarem presidentes, vereadores e outras figuras que lá estão a ganhar os seus vencimentos… porque tudo se mantém sempre na
mesma!

terça-feira, 30 de março de 2010

CHEGA P'RA LÁ!

Somos demais neste mundo
não cabem tantos milhões
estamos a bater no fundo
são muitas as confusões
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Cinquenta anos atrás
dois mil milhões sobre a Terra
calcula se és capaz
quanta gente hoje encerra
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Três vezes ela aumentou
seis mil milhões agora
as cidades atulhou
estão a deitar por fora
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Há sítios que esvaziaram
nasceram desertos novos
os que lá estavam mudaram
só há velhos nesses povos
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Há quem muitos filhos tenha
são os que vêm de fora
por cá há quem se sustenha
à espera de melhor hora
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Por isso a cor das gentes
na Europa se cambia
há cada vez mais nascentes
de outra raça e etnia
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Os velhos mais vão vivendo
a morte tarda em chegar
os novos que vão crescendo
não dão p’ra equilibrar
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...

Com este acotovelar
de multidões que s’apertam
já é grande a falta de ar
de sufoco não libertam
Dá-me espaço
Chega p’ra lá!...




GENTE A SÉRIO?


DIGAM-ME LÁ se nós, portugueses, somos todos assim. Refiro-me, está bem de ver, à maioria, porque os restantes, os “chatos”, os que se podem considerar mais ou menos perfeitos, esses não contam para efeitos de apreciação global.
Eu sei que os jornais, uns tantos, tiram partido da insuficiência mental daqueles que se dedicam a ler com entusiasmo determinadas “notícias” que só podem chamar a atenção a quem, de facto, não encontra outros motivos de maior interesse para preencher a sua curiosidade, pois, com franqueza, há que ter uma certa pena dos que, com tantos problemas sérios que têm de nos afligir cá por este nosso País, ainda dedicam algum tempo a assuntos que não merecem nem sequer a leitura dos títulos.
Então, que pode chamar a atenção dos portugueses para o caso agora divulgado da ex-mulher de Pinto da Costa ter voltado a casar com o seu ex-marido?
Eu, por mim, entendo que os periódicos deveriam pôr ponto final em todas as referências que são feitas a essa figura que, não se sabe bem porquê, é, sobretudo nas televisões, denominado pelo seu nome completo: Jorge Nuno Pinto da Costa. É que, na maioria das situações, ou se dão notícias de tipo amoroso do homem ou então são aproveitadas as frequentes afirmações que saem da boca do “homem do Porto” e, tal como sucede com Jardim, da Madeira, são aproveitadas pelas suas características bizarras, por vezes ofensivas, ou, no mínimo, sem a menor base de senso que um responsável, seja ele de que tipo for, não deve perder de vista.
Como complemento desta referência, eu reafirmo o que já disse aqui neste espaço: independentemente do espaços reservado por certa comunicação social no que se refere ao relacionamento de ordem pessoal do Pinto da Costa, no capítulo da sua actividade como presidente de um clube de futebol, tal como o Alberto João, na sua qualidade de presidente do Governo da Madeira, se, num caso, eu fosse adepto do Futebol Clube do Porto e, no outro, se me coubesse ser um habitante da Ilha da Madeira, provavelmente eu seria adepto destas duas figuras, pois, parece não haver grandes dúvidas de que ambos têm cumprido com agrado os lugares que ocupam, e essa circunstância permite desculpar-se a falta de condições de ambos para serem capazes de terem o chamado tento na língua.
Agora, que qualquer deles – e, no que se refere a Jardim, não há motivos para se lhe apontar algum desvio – tenha mudado de amores, que os filhos casem ou descasem, que sejam vistos com alguma nova parceira, que mude de casa ou se mantenha na mesma, tudo isso não deveria constituir razão para ocupar espaço nos jornais ou nas televisões. Não faz a menor diferença seja a quem seja.Mas, infelizmente, nós, portugueses, bastantes, apesar de tudo, talvez para disfarçar as más notícias de ordem social e económica que nos afectam diariamente, não deixamos de dar importância a essas “notícias” de pátio que nos querem enfiar pela cabeça dentro. Nem haveria outra forma de dizer isto!

segunda-feira, 29 de março de 2010

QUEIMAR AS PESTANAS

Lá vai o tempo, atrasado
em que queimar as pestanas
tinha o seu significado
por serem acções humanas

Sobretudo a juventude
que estudava à luz da vela
mantinha essa atitude
não vinha luz da janela

Hoje, com tanto avanço
não há perigo em queimar
as pestanas, um descanso

Nem estudo é de arrasar
e a vela só usa o tanso
a frase é só p’ra lembrar!

POUCAS VERGONHAS


NÃO, NÃO DESARMO em relação ao alvo que mantenho na mira e que diz respeito a, com a assistência que me assista – que é quem lê o meu blogue diário -, denunciar permanentemente as poucas vergonhas que ocorrem em Portugal, e que, em vez de se verificarem actuações por parte de quem ainda possui algum mando (porque também esse está em vias de se extinguir), pelo contrário, aquilo a que dedicam atenção é somente aos casos de segunda ordem e de importância secundária.
Cada vez que a comunicação social dá conta de situações de verdadeiro escândalo com as remunerações e outras benesses que os administradores de empresas, as públicas e as não públicas, recebem das empresas em que actuam, a esmagadora maioria de portugueses que conseguem manter-se na corda bamba dos orçamentos caseiros não podem fazer outra coisa que não seja roer as unhas e aumentar o seu stress que, no caso dos miseráveis, tem de ter outro nome, simplesmente revolta.
Veio agora a lume que a administração do Banco Espírito Santo, uma empresa privada, é sabido, mas que a sua existência e os enormes lucros que lhe cabem resultam de uma actuação junto do população nacional, essa instituição gastou, em 2009, 12,1 milhões de euros com remunerações e prémios aos seus 27 membros da administração, dos quais 11 executivos e 16 não executivos, cabendo ao presidente da comissão executiva, Ricardo Espírito Santo Salgado, 1,050 milhões divididos em 435 mil em ordenados, 603 mil em prémios e 12 mil em subsídios.
Pois bem, repito que cada empresa privada renumera os seus administradores conforme entende e de acordo com a decisão tomada em assembleia de accionistas, mas, no caso dos Bancos, quando se chega à conclusão, como sucede com o BPP, que está prestes a ser declarado falido, e que, até se assiste a que um administrador desse Banco se tenha transferido para outra instituição dependente da Caixa Geral de Depósitos, isso, enquanto cerca de 100 colaboradores do BPP se encontram em vias de despedimento, nestas circunstâncias não é possível mantermo-nos impassíveis face ao que se passa à nossa volta.
Eu, por mim, volto a afirmá-lo, não desarmo. Pode não servir para nada, pelo menos de imediato, todas as denúncias que aqui registo e as escandaleiras que só num País de “brandos costumes” – como foi conhecido durante muito tempo – é que podem ocorrer. Mas eu confio que, num futuro, que pode até não ser assim tão próximo, alguém recorde quem teve uma vida de inconformismo, antes em relação ao estado ditatorial que se vivia e que, a mim pessoalmente, atingiu de forma bem efectiva, ao longo da minha profissão de jornalista. Pois não poderia ser agora, em que tanto se proclama a vida democrática, que o sistema da “rolha” volte a ser implantado.Se quem ler este blogue lhe der a expansão para outros destinos, então o seu efeito será ainda mais efectivo. E não digam quem é o autor, que eu não preciso de publicidade.

domingo, 28 de março de 2010

FUTURO

Neste País onde estamos
onde nascemos, vivemos
ainda nos conservamos
temos aquilo que temos

E é pouco, coisa pouca
e cada dia é menos
a caixa vai estando oca
à fartura só acenos

Mas que podemos fazer
que nos resta nesta hora
em que é enorme o muro?

Já nem se pode crer
não serve ir para fora
não me apetece o futuro




FUTURO NEGRO


NÃO TÊM CONTA as vezes a que me tenho referido a este tema que, digam lá o que disserem, é aquele que mais me preocupa e que, no fundo, mais deveria fazer pensar aqueles que me lêem, incluindo, principalmente, os que não crêem nos meus presságios em relação ao futuro do nosso Pais. Mas eu vou insistindo, primeiro porque estou suficientemente convencido de que não andarei muito longe quanto ao panorama que se perfila no horizonte e que as gerações que, estando já vivas, dentro de algum tempo tomarão nas mãos, pelo que lhes caberá a vez de o enfrentar; e, depois, porque ainda mantenho certa esperança de que existirão algumas possibilidades, ainda que remotas, de se tomarem determinadas medidas para tentar reduzir os enormes dissabores e dificuldades que se perfilam num futuro cada vez mais próximo.
Quem segue com atenção alguns programas televisivos que, nos últimos tempos, têm procurado pôr os portugueses ao corrente do que se passa, nas áreas económica e social, principalmente essas, em Portugal e não se limitam os tais cidadãos a contemplar as bacoradas que certos políticos, completamente ignorantes, debitam apenas para fazer prevalecer a sua imagem junto do público que, não se tirando de cuidados, acredita em tudo que lhe dizem tais figurões, se, sobretudo aos domingos, no canal SIC Notícias, pelas 20 horas, num programa que tem o título “Plano Inclinado”, tal público mais desejoso de não ser enganado puder assistir a uma exposição feita por três economista, Medina Carreira, Bagão Félix e um professor Roque, nessa ocasião tem possibilidade de tomar consciência da realidade que se atravessa no nosso País e daquilo com que iremos deparar, os que forem ainda vivos, a um não muito longo espaço de tempo.
A preocupação de que tenho dado nota neste meu blogue de que os dinheiros públicos, tal como eles se apresentam hoje e que, apenas através de contas bem feitas, serão os que puderem ser utilizados algum tempo mais lá para a frente – e estas expressões tão simples, despidas de preconceitos de linguagem vaidosa que não se adapta à rudeza do que há para descrever, pretendem apenas ser bem compreendidos pela maioria dos cidadãos -, esses fundos, perante sobretudo o aumento desmedido das reformas, antecipadas sobretudo, que estão a ser concedidas nesta altura e que aumentarão ainda mais, dado o pavor que mostram os que trabalham ainda e que preferem mudar de forma de vida, terão, inevitavelmente, que não chegar para fazer face aos montantes totais das reformas. Nesta altura, segundo notícias recentes, o montante que o Estado despende por dia com tal pagamento atinge já os 51 milhões de euros. Por dia, repito!....
Esta situação tem de ser compreendida e mesmo que os poderes públicos prefiram não revelar aos portugueses o que será inevitável que suceda, alguém tem de ir lançando o seu grito de alarme, pois, como tenho sempre defendido, é preferível ir prevenindo agora do que, depois, se apanhar o susto clamoroso face à realidade dos acontecimentos.
Aqui deixo o que os economistas acima referidos têm vindo a dizer, o que me deixa bem acompanhado quando tenho falado bem claro quanto a esta situação. Não se sabe quando, mas que, numa altura que surgirá a determinado prazo, as notícias avassaladoras começarão por anunciar o fim do 14º mês, depois o 13.º e o caminho posterior poderá ser o da redução sucessiva dos montantes mensais das reformas, tudo isso, a menos que se verifique um “milagre”, é o que, para os naturais de Portugal, deve constituir uma inevitabilidade.
Andaram os governantes a gastar o dinheiro a torto e a direito, suspenderam agora as grandes obras de loucura, mas se as tivessem iniciado já, o que aconteceria era a sua suspensão a meio e as dívidas a atormentarem ainda mais os nossos vindouros, foi necessário lançar um PEC, mas outro aparecerá a breve trecho, aumentando ainda mais o custo que a população terá de pagar… nem se cabe como, e é este o futuro que os optimistas dos Governos, os que nunca se enganam, os que sabem tudo e não precisam de lições de ninguém, são esses todos que, quando se retirarem da vida publica, talvez levem algum pecúlio bem guardado que lhes retirará a necessidade de estenderem a mão à caridade, como vai suceder à população que não tem outro remédio que não seja o de suportar as consequências.
Fim do primeiro acto…

sábado, 27 de março de 2010

BOM SENSO

O que tanta falta faz
p’ra que o mund’ande melhor
e que não acabe a paz
e se propague o amor
é só preciso bom senso
em todos gestos humanos
e na busca do consenso
procurar não fazer danos

Pensar sempre antes de agir
estudar consequências
evitar o agredir
aceitar certas cedências
isso é da vida um modo
de quem tem compreensão
se tem a dar dar-se todo
e fazê-lo com paixão

Se há na vida ideal
para manter o convívio
procurando o menos mal
e sentindo certo alívio
o bom senso lá faz falta
para fazer amizades
com toda e qualquer malta
de poucas e mais idades

Numa palavra por isso
o Homem bem necessita
assumir o compromisso
de uma atitude bonita
só o bom senso indica
comportamento perfeito
e por isso bem lhe fica
utilizá-lo a seu jeito

REMÉDIOS GENÉRICOS


E DIGAM LÁ que o nosso País não é o campeão das dificuldades, das burocracias, das limitações ao progresso, tudo provocado pela nossa maneira própria de ser que parece fazer gosto em dificultar a vida ao próximo, como gozo pessoal ou colectivo de alguns, de quem alguma coisa podia fazer para as coisas correrem ao contrário.
Esta, de os laboratórios de medicamentos genéricos se debaterem com a maior das incompreensíveis dificuldades para poderem lançá-los no mercado, quando as respectivas fórmulas de composição já caíram no domínio público, ao ponto de se terem de aguardar largo tempo até que os serviços oficiais dêem permissão para tal acontecer, isto com elevado prejuízo de toda a gente, em primeiro lugar os doentes que necessitam de utilizar as respectivas receitas e que não têm posses suficientes para poder comprar os remédios, geralmente com preços elevadas, dos mesmos sem a classificação de genéricos, mas também do próprio Estado, pois é forçado a despender verbas superiores como compensação dos gastos farmacêuticos, tal demora não se consegue ultrapassar porque, como é sabido, em Portugal, para resolver até os assuntos fáceis, é necessário dar tempo ao tempo, sentarmo-nos todos a contemplar e só, passado muito período perdido, é que lá aparece alguém, com alguma vista mais alargada, que toma a iniciativa de fazer andar o que estava adormecido por um sr. Silva qualquer que, por azar, é o que tem intervenção na matéria. Até nesta situação nos encontramos longe da Europa, quando o aproximarmo-nos se trata de coisa bem fácil.
E tudo isto para não referir, de novo, o atraso com que se aguarda que saiam as leis que possibilitam a venda das unidoses de determinadas medicinas, medida essa que, em muitos países da Europa, como a Grã Bretanha, por exemplo, há muitos anos que se encontra em vigor.
E nós, que nos queixamos somente dos políticos. Acusamos permanentemente do sr. Sócrates de ser um incapaz – e é -, mas, ao fim e ao cabo, o que o nosso País tem em demasia é gente que o iguala, portuguesismos da silva que, por todos os lados, o que são capazes é de fazer a vida negra aos outros cidadãos, aos outros, que, por sinal, se dependesse então desses a solução de muitos problemas também tudo ficaria na mesma, pois que o melhor é estar quietinhos e não ter maçadas.
Pois sim, chamem-me o que quiserem, acusem-me de não ser um fervoroso amante do estilo nacional de se actuar e de não gabar, por tudo e por nada, os nacionais deste País. Mas, por muito que gostasse de poder “dourar a pílula”, a minha verdade é que não consigo impor ao meu pensamento elogios à forma como nos costumamos comportar, sobretudo nas áreas da governação, posto que, por razões que se encontrão talvez na área antropológica, ao longo dos séculos e apesar de termos marcado a História com feitos que nos colocaram no cume dos acontecimentos de valor de todo o Mundo, de há umas temporadas para cá e já lá irão demasiados anos, excessivas décadas, não temos razões para, honestamente, nos considerarmos como exemplos ao cima da Esfera terrestre.
Provavelmente precisaremos de sofrer os efeitos de um aperto bem forte para conseguirmos dar a volta à nossa maneira de ser, para despertarmos deste torpor em que temos andado, para merecermos mesmo a posição geográfica privilegiada que nos foi entregue e de que nem somos capazes de tirar o respectivo proveito.
Agora, que o novo “comandante” do PSD já foi escolhido, Passos Coelho, se estivesse ele a ocupar as funções de primeiro-ministro teria a capacidade para pôr a andar milhentas situações que se encontram empenadas e que só necessitam de expediente para sim desse empanamento? É a dúvida que passou a existir desde ontem à noite, quando foi dada a notícia do resultado das eleições nos sociais-democratas.Eu, que sou também um portuguesinho da Silva, não me sinto capacitado para acrescentar mais ao que acabei de escrever. No livro que tenho para publicar – se um editor, claro que tem de ser português, for capaz de pegar nele – e que tem o título “Desencanto… por enquanto”, talvez consiga adiantar mais ao que acabo de expressar. Esperemos que, ainda em minha vida, eu veja um editor expedito querer ter a iniciativa de pegar numa obra que promete ter grande acolhimento dos portugueses. E se escrevo isto aqui é porque a vontade que eu tenho de passar para o papel o que a minha intuição me indica, me dá, julgo eu, autoridade para verificar que, afinal, neste País, não existem apenas editores que vendem livros como quem vende batatas

sexta-feira, 26 de março de 2010

EUROPA

Essa Europa de que tanto se fala
e de que muitos querem fazer parte
não encontrou ainda o caminho
anda confusa
anda perdida
está a consumir tempo
corre o risco de ficar pelo caminho.
A Europa das Nações é um sonho
ter esse objectivo comum
uma Constituição para todos
um governo geral
uma moeda igual (que já tem quase)
com línguas diferentes
costumes desiguais
bandeiras distintas
regiões autónomas
conseguir tal objectivo, não é fácil.
E porquê
se todos desejam fazer parte do grupo?
A resposta é simples:
é que a Europa é constituída por seres humanos
também ela
como o resto do mundo
e é por isso que o entendimento
a comunhão de ideias
e de interesses
a capacidade de não exigir o comando
o desprezar interesses pessoais
o atender ao bem geral
o não ser invejoso
tudo isso falta ao Homem.
Querer ser o chefe
o que manda
desejar a melhor parte
é isso que destrói as comunidades
é por aí que s partem as uniões.
A Europa chegou até onde está
Conseguirá avançar mais um pouco?
Mas quando?
E a que preço?
Até que ponto assistirá pacificamente às discordâncias?
Restará um mito?
Abdicarão os Homens do mau pelo pouco bom?
E as regiões que, por essa Europa,
lutam por independência
estão a passar de moda?Já eram?
Que isso de querer ser dono da sua ruas
deixou de ter razão de ser?
Pois não parece…

E a emigração de que este Continente
está a atrair tantas populações
os milhões de pessoas não europeias
que já se instalaram
e os que virão a caminho
instalando-se
tendo filhos
muitos
o dobro
o triplo
o quádruplo
dos naturais europeus
que mudanças irão provocar
nos hábitos
costumes
língua
cor de pele
da tradição europeia?
Daqui a cinquenta anos
quem cá estiver ainda
e os que nasçam
descendentes dos actuais europeus de origem
Paris
Londres
Madrid
Berlim
Lisboa
todas as grandes cidades
deste Continente
não encontrará nada igual ao que existe hoje.
Os que tenham a capacidade
de ler no futuro
que sejam capazes de desvendar
o futuro.
Embora talvez seja preferível
não se ficar a saber já…

Contemplando todos os Homens de hoje
não será difícil
fazer um exercício de reflexão.
A pergunta impõe-se:
Como é possível continuar a existir
Uma Europa
Com este material humano?
Essa Europa de todos por um
e de um por todos
é um desejo
um mito
toda a realidade dos dias de hoje
é outra.
Podemos ainda ter esperança?
Será preferível persistir numa Europa
Ideal
Unida
Amiga
Sonhada para ser diferente
do que se conseguiu até hoje
capaz de juntar vontades
interesses
forças?

Deixo aqui a pergunta
esta e outras.
e sei que há duas respostas possíveis
antagónicas
divergentes.

Têm fé de que os Homens
acreditam no êxito
têm fé que os Homens
apesar das suas características
encontrem o bom senso
mas outros
talvez a maioria
perderam a esperança

Europa unida?
Um bloco?
Vivendo todos os europeus
em comunhão?

Que sonho mais
lindo!...






EUROPA, VAI OU NÃO VAI?


É UMA ENORME desilusão, para todos os que, como eu, sempre acreditaram nas vantagens da criação e existência da União Europeia, verificar que os comportamentos de alguns dos participantes no Grupo não correspondem ao que se esperaria de um conjunto que deveria marchar bem coeso. Sobretudo neste período tão difícil para todos os países e que, no nosso Continente, se tem feito sentir de forma bem evidente, sendo que uns tantos dos aderentes ao bloco europeu, como é o caso actual da Grécia mas que se poderá estender a outras Nações, se encontram em situação declaradamente difícil, particularmente em termos financeiros, pois é precisamente neste período que se verifica um desencontro de opiniões e em que a falta de unificação de interesses mais se faz observar.
É verdadeiramente incompreensível que, também neste particular, os Homens se estejam a mostrar separados, isto é, quando a união da Europa deveria estar mais actuante e, dando o exemplo ao mundo, é quando os interesses privados de cada Nação mais se fazem projectar, abandonando o sentido da harmonia que tinha de estar presente quando as necessidades mais o impõem.
É certo que a Europa, ao longo da sua História, sempre fez questão de evidenciar os desencontros, sobretudo entre vizinhos, e as guerras que ocorreram pelo passado fora fizeram prova disso mesmo. A Europa Central, neste particular, tomou várias vezes as rédeas dessas inimizades e as invasões de uns e outros, que ocorreram por motivos diferentes, ficaram a marcar as atitudes de confronto que alguns condutores da política mostraram uns aos outros.
Mas então, não foi por isso mesmo que nasceu a iniciativa da União Europeia, sob diversas matrizes, é certo, até mesmo como o do estatuto de Estados Unidos da Europa? Não terá sido com o objectivo de fazer coincidir os interesses dos diferentes povos deste Continente, que se criou a moeda única e que tem vindo a ser desenvolvida, ainda que demoradamente, uma política de unidade, com um Banco comum, uma Parlamento que junte os interesses de todos os membros de variadas línguas e outras medidas que têm vindo a ser desenvolvidas, sempre com espírito de um por todos e todos por um?
Foi. Claro que sim. Só que o ser humano não consegue entender que é com uma verdadeira e sã união que se consegue enfrentar as dificuldades que surgem, também elas criadas pelo mesmo Homem. E, o maldito egoísmo, a desprezível inveja, a malfadada ambição, a ridícula vaidade, tudo isso consegue que as vantagens da comunhão de interesses seja suplantada pela mesquinhes. E, precisamente no momento em que o auxílio deve ser prestado, é nessa altura que surgem as tendências para a separação, para o abandono do auxílio que deve ser prestado aos que o pedem.
Enfim, não estamos ainda nessa situação que, a dar-se, porá fim ao ideal de uma Europa solidária. Mas, por minha parte começo a ter receios de que, com o exemplo da Grécia e, quem sabe, quando chegar a vez de outro País que se encontre nas mesmas condições complicadas precisar de auxílio dos “Irmãos”, se assista a um virar de costas que porá fim a um sonho que, até esta altura, ainda se situa na área das realidades.
Até ao último momento, por minha parte ainda vou conservando a esperança de que os habitantes deste Continente e, em particular, os seus dirigentes políticos, não perderam de vez o juízo. Há que ter fé nos Homens!...

quinta-feira, 25 de março de 2010

AQUILO QUE EU VEJO

Aquilo que vejo
que atrai meus olhos
que me causa ensejo
mesmo sendo aos molhos
eu acredito?
É verdade pura?
Não será um mito?
Uma desventura?
Mas vejo e pergunto:
poderei eu crer
constitui assunto
para eu ver
e aquilo que é dado
algo como queixa
será um recado
que a vida me deixa
uma prevenção
com certa importância
chama-me a atenção
provoca-me ânsia
abre-me o sentido
mas olho parando
e o despercebido
agora pensando
com calma observo
a ideia apurada
por fim lá conservo
a vista do nada
e aquilo que eu via
e que os olhos liam
tinha mais valia
e todos deviam
cá por este mundo
ter algum rigor
olhar sempre a fundo
que tudo tem valor

Por isso m’interrogo
procuro resposta
faço-o como um jogo
é quase uma aposta
tudo por que passo
e atrai minha vista
se causa embaraço
constitui uma pista?
Como em tanto assunto
não sei responder
até ser defunto
terei de aprender

CRIAR EMPREGO?



COMO TENHO DÚVIDAS com frequência, interrogo-me assiduamente sobre o caminho a seguir e as razões que me assistem para ter uma determinada opinião. E como o ficar parado não é a solução, lá tenho de optar e, não raramente, me engano.
Esta não é a expressão da felicidade absoluta, mas quando admitimos os nossos erros, se eles são praticados com total isenção de maldade, teremos, pelo menos, a possibilidade de rectificar os nossos pontos de vista e de apresentarmos as nossas desculpas a quem, por ventura, tenhamos induzido em falta.
Pois bem, é o que me acontece no que respeita a ter de expressar o meu ponto de vista e não estar absolutamente seguro de que será esse o correcto ou se, pelo contrário, não haverá outro que se justifique, com maior valia, quanto ao apuramento do bom senso.
Pois cá vai aquilo que me mantém na dúvida: está a levantar-se nesta altura uma onda que se inclina para a abertura dos supermercados nos domingos e nos feriados, com a alegação de que o público consumidor nem sempre pode utilizar os dias úteis para proceder aos seus abastecimentos. Como há quem defenda outra alternativa que é a de se proceder como com as farmácias, em que se verifica um calendário de estabelecimentos de serviço, com alternativas de trabalho.
Eu também tenho a minha opinião e ela tem a ver com a necessidade urgente de criar trabalho e de combater o desemprego que grassa pelo nosso País, aliás como em toda a parte do mundo, e que é forçoso que anime as imaginações para que diminua tal flagelo. Ora, exactamente para respeitar as horas de actividade dos funcionários dos supermercados, a solução tem de ser a de aumentar o número de trabalhadores e de criar turnos que respeitem os dias de descanso que a lei impõe.
Por esse motivo, não só no que respeita aos supermercados mas talvez estendendo essa possibilidade a toda a espécie de estabelecimentos de porta aberta, sem restrições e apenas dependendo da vontade dos proprietários, alargar-se-ia o tempo de trabalho e, por essa via, alguns desempregados poderiam obter solução para os seus problemas.
Como em tudo na vida, impõe-se sempre alguma imaginação para fazer frente a problemas que nos surgem e, no caso do desemprego que alastra pela Esfera terrestre e, em grande parte, pelo aumento substancial de população, de duração que se verifica no tempo de vida do ser humano e dos avanços na tecnologia que reduz, sempre aumentando, a necessidade de mão-de-obra nas fábricas, tudo isso contribui para que, cada vez mais, o número de potenciais trabalhadores desocupados vá aumentando. Este o panorama, apesar de, como foi já divulgado pelo Instituto de Emprego, se terem revelado qualquer coisa como 60 mil recusas em aceitar ofertas de empregos, em 2009, na altura destes serem atribuídos. Isto, quando há cerca de 690 mil desempregados em Portugal. Não é caso para pormos as mãos na cabeça?
Como toda esta situação se vai resolver é que não sei se haverá alguém capaz de dar a resposta tão desejada. Talvez que soluções idênticas à que apresento, dos supermercados abertos aos domingos e feriados, seja uma delas. Mas, claro, está muito longe de ser bastante.

quarta-feira, 24 de março de 2010

CONTRADIÇÕES

As contradições existem
estão do outro e deste lado
e as duas lá resistem
enfrentando-se com enfado
a verdade e a mentira
são exemplos bem patentes
por vezes causam a ira
de muitas das nossas gentes

O valente e o cobarde
fazem parte da História
o primeiro causa alarde
o outro perde a memória
mas os dois são grande parte
deste mundo em que vivemos
um é porta-estandarte
o segundo nós tememos

Ser nesta vida sincero
traz por vezes dissabor
causa certo desespero
a quem tem esse valor
porque usar a falsidade
uma forma de fingir
com tamanha habilidade
leva-se a vida a sorrir

E isso de ser honrado
dos outros não querer nada
será sempre um coitado
sem conseguir vida airada
porque o roubo se é bem feito
tenha o nome que tiver
não é chamado defeito
pode levar ao poder
Daqui há que concluir
que o defeito é ciência?
Não há que por aí ir
que ceder a tal tendência
cada um tem seu perfil
não muda só porque sim
mantém-se no seu carril
e assim vai até ao fim

POBRES DEPUTADOS


DOU COMIGO a achar graça ao deputado socialista e que já foi membro de um Governo, José Lello, sempre que se mostra em qualquer programa de televisão a botar opinião sobre casos políticos, pois que, noutras alturas, debitava sobre temas que se relacionavam com a cadeira que detinha num Executivo. Mas, desta vez, provocou-me um sorriso a sua intervenção no Hemiciclo, em que entendeu ser seu direito mostrar a revolta contra os fotógrafos que, no Parlamento, obtendo imagens do alto das galerias, cobrem os ecrãs dos computadores colocados perante cada deputado e de cuja utilização variada gozam, desde as últimas obras naquele recinto, os mais de uma centena de representante do povo, que fazem uso de tal instrumento de trabalho para poderem também servir-se do mesmo para contactos pessoais, com mails e, segundo alguém já escreveu nos jornais, quando não lhes interessa a discussão que se está a processar à sua volta, também deitarem uma espreitadela a programas de jogos que, na verdade, para quem gosta, ocupa bem as horas mortas.
Pois não é que José Lello fez ouvir a sua reclamação pelo facto de haver profissionais da fotografia, ao serviço da comunicação social, que, de cima para baixo, do alto das bancadas, colhiam imagens do écran do”seu” computador e tomavam conhecimento do que o deputado estava a consultar? Tratava-se, insurgiu-se José Lello, de uma intromissão na sua vida privada, para além de que, segundo versão do próprio, os mesmos fotógrafos, dada a posição superior que ocupavam, também colhiam retratos dos decotes das senhoras ao serviço da Assembleia e, segundo ele – o que é mais estranho – também as pernas, estas fotografados de cima para baixo… o que não foi explicado claramente pelo incomodado representante do povo.
A esta reclamação, viu-se obrigado o presidente do Hemiciclo, Jaime Gama, a esclarecer que aquele espaço era um local onde a liberdade de acção dos profissionais da comunicação não tinha que ser limitada e, para mais, os computadores não eram pertença dos senhores deputados, mas sim do Estado. O que ali se dizia e se fazia era para ser mostrado a todo o País, logo para fora do espaço das paredes, não se verificando, por isso, quebras de segredos pessoais.
Não disse Jaime Gama, mas talvez tivesse apetite de recordar, que foi ali precisamente que o então ministro da Economia, por sinal pertencendo ao mesmo Partido que Lello, foi fotografado e apanhado pelas câmaras de televisão a fazer o gesto do corno para a bancada do PCP, e não houve ninguém, nem mesmo o seu colega que agora protesta contra os fotógrafos, que tivesse saltado a clamar pela “invasão das atitudes pessoais”.
É por estas e por outras que, para disfarçar o meu desprazer com os acontecimentos políticos que, gente que não servia nem para contínuos de qualquer repartição pública – com perdão destes profissionais, que os há com capacidade -, ocupa ligares que lhes assentam como albardas!
Só que, para fazer rir, não teríamos nós, os cá de fora, de pagar os salários e as mordomias que eles levam para casa (se bem que, nalguns casos, poucos, até mereçam bem mais!

terça-feira, 23 de março de 2010

DESCONSOLADO

Aqui estou eu, desconsolado
a ver passar o mundo
à minha volta
sem que nele interfira
sem que o melhore
mas também pouco
o piorando.
Sou mais um
dos milhares de milhões
que por cá andam
a consumir o ar,
a água, o ambiente,
o espaço e que contribui para que o amanhã
seja muito pior,
mais escasso de tudo,
menos belo,
menos natural.

Aqui estou, enfastiado
já sem me importar
com o que vem a seguir,
com o que vai ser o futuro,
aquele que não me vai encontrar...
para me desconsolar

TÃO FLORIDOS QUE ELES ANDAM!


MANTENHO-ME com a interrogação que há que fazer a todo o sector administrativo, seja do Governo seja de qualquer instituição dependente do poder oficial, sobre se está definitivamente entendido que cada responsável pela área que comanda tem obrigação de zelar pelos gastos de dinheiros públicos exclusivamente orientados para casos de necessidade absoluta. E a resposta que consigo obter, perante o que se observa por todo o lado e face até às notícias que a comunicação social transmite, é de que ainda não foi devidamente entendido que vivemos, em Portugal, um período, que vem, aliás, já de um tempos atrasados, em que a palavra de ordem tem de ser uma única: a de poupar o mais que for possível e estabelecendo prioridades rígidas que têm de ser escrupulosamente cumpridas. Assim parece que está a suceder com as reparações das estradas e, nas cidades, como Lisboa, nos passeios, pois que os buracos em série que causam tanto prejuízo nas viaturas que circulam e incómodos nos peões que têm de se deslocar, em que a compreensão dos cidadãos dá a entender que, de certo modo, assim deve ser, dentro da tal preocupação de não se ultrapassarem as necessidades mínimas.
Mas é este o comportamento de todo o sector oficial? Boa pergunta, pois a resposta é conhecida de todos os portugueses. Por mais espanto que isso cause, quanto mais responsáveis dão as personalidades que deviam dar o exemplo, pior é o seu comportamento. Então essa, de José Sócrates gastar milhares de euros por ano em flores, que, segundo ele, se destinam à manutenção dos jardins da sua residência oficial e também para ofertas, como se isso constituísse uma necessidade imperiosa, tal comportamento só pode sair de uma pessoa como é o primeiro-ministro que temos que, em vez de se preocupar em esclarecer com verdade os portugueses, em lugar de andar permanentemente a fazer propaganda das suas acções, não atende às notícias e às opiniões que inundam o País de Norte a Sul e continua como se não fosse obrigado a portar-se com total rigor e permanentemente atento aos passos que dá sem o menor senso comum.
De resto, por diversos lados o Governo não se coíbe de aguardar melhor oportunidade para despender verbas em arranjos de vários quilates, como foi relatado que a Secretaria-Geral da Presidência do Conselho assinou um contrato com a TMN para prestação de serviços móveis no montante de 75 mil euros, assim como a instalação de painéis foto voltaicos pela EDP, com o custo de 50 mil euros, sendo que o Ministério dos Negócios Estrangeiros já gastou 756 mil euros na gestão do sistema multimédia para a rede consular.
Enfim, nem vale a pena pôr mais na carta. Assim se justifica o tal PEC que os mais pobres portugueses são obrigados a suportar (e que, por sinal, na entrevista conduzida por Sousa Tavares na RTP, e em que poderia ter sido aproveitada a ocasião para aclarar o assunto com o ministro das Finanças e não tal não foi conseguido). E, enquanto andamos nesta irresponsabilidade governamental, vamos suportando os disparates sucessivos e continuamos a aguardar pelo final de uma cena de que não vemos forma de ter esperanças em que tudo não acabe de maneira muito desastrosa para o nosso País!...

segunda-feira, 22 de março de 2010

VERGONHA

Se há razão para a ter
se algo te faz corar
merecer
chorar
a consciência ajuda
a dar um passo atrás
se não há quem acuda
para encontrar a paz
fugir
corar
não resolve só partir
há que de frente encarar
e fazer por conseguir
e o mal reparar
a vergonha
é remédio
de nada serve a ronha
que só provoca tédio
tapar a cara
esconder-se
com isso não mascara
o que pode é precaver-se
p’ro futuro
ter cuidado
fazer tudo com apuro
para não ser perdoado
a vergonha
não é peçonha